Boaventura Sousa Santos | “Estar na Europa nestas condições é uma prisão”

SARA DIAS OLIVEIRA 26/05/2014 – 07:30 in Jornal Público
Boaventura-Sousa-SantosBoaventura de Sousa Santos, director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, constata que a Europa da coesão social acabou e que a troika despromoveu Portugal, acentuando-lhe o estatuto de país semi-periférico.
O sociólogo de Coimbra avisa que, dentro de cinco anos, poderemos ter uma sociedade irreconhecível. E acusa o Governo de apresentar opções políticas como fatalidades.

Três anos de austeridade, de cortes. Como será o país no pós-troika?
Portugal carrega a condição de semi-periférico no contexto europeu há vários séculos. O pós-troika vem mostrar que esta condição vai durar muito mais tempo e que o objectivo que se pretendeu com a integração na União Europeia – tentar ver se Portugal saía desse estatuto – não foi possível. E a tentativa foi tão mal gerida que ficámos pior. Não ganhámos nada em termos da nossa posição no sistema mundial, não ganhámos nada com a integração na União Europeia e ficámos pior, porque perdemos os instrumentos que poderiam, de alguma maneira, provocar uma retoma significativa da nossa economia e da nossa sociedade. Portugal não é ainda um país subdesenvolvido, mas tem mais características de subdesenvolvido do que antes. Tínhamos passado a ser um país de imigrantes, voltámos a ser um país de emigrantes. Tínhamos direitos sociais no domínio do trabalho, velhice, educação e saúde, que têm sido precarizados de modo a que Portugal se pareça, cada vez mais, com um país subdesenvolvido ou do terceiro mundo. Este conceito de “pós-troika” precisava de uma análise semântica. O pós-troika foi criado por uma certa ideia nacionalista que existe no Governo, que foi amplificada simbolicamente como retoma da soberania nacional. Assim, quem não quer o pós-troika? Todos querem. O que não estão a ver é que a troika vai ficar, deixou tudo planeado.

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Thomas Piketty | anda por aí um novo Marx | Jornal Público

SÉRGIO ANÍBAL
Anunciado por uns como o “novo Marx”, mas acusado por outros de ter renegado o trabalho do autor de O Capital, Thomas Piketty agitou o debate político e económico nos Estados Unidos e na Europa com um alerta: a actual sociedade capitalista está cada vez mais parecida com o mundo desigual do século XIX descrito por Jane Austen e Honoré de Balzac.

. Darcy não é de muitas falas e faz tudo para manter uma figura misteriosa, mas há algo sobre ele que toda a gente sabe: o seu rendimento anual é desde a morte do seu pai e continuará a ser até à sua própria morte de mais de 10 mil libras. É esse rendimento garantido, uma verba astronómica inalcançável pela grande maioria, que lhe permite uma vida inteira sem trabalhar e que o torna uma oportunidade única de ascensão social que nenhuma jovem pretendente de mente sã deve rejeitar. Mr. Darcy é uma personagem criada por Jane Austen em 1813 e representa a classe alta da sociedade britânica do início do século XIX, onde o mérito e o esforço de cada um estavam longe de ser vistos como passaportes para o sucesso financeiro.

Mr. Gates não é uma personagem de um livro. Criou a Microsoft em 1977 e acabou por se tornar o homem mais rico do mundo. Nos últimos anos, parece estar a fazer tudo o que pode para ficar com menos dinheiro. Deixou de trabalhar, vendeu quase toda a sua participação na Microsoft e entregou 29 mil milhões de dólares à sua fundação. Mas, mesmo assim, a fortuna não o deixa. Está avaliada actualmente em 79 mil milhões de dólares, um valor que é 16 mil milhões mais elevado do que era há dois anos.

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24 Maio 2014 | Bula ‘Manifestis Probatum’ fez 835 Anos

Roma atrasou o reconhecimento da existência soberana de Portugal durante décadas (36 anos, exactamente) mas acabou por ter de a reconhecer! Fê-lo com a bula ‘Manifestis Probatum’, emitida a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III, que reconhece Afonso Henriques como “Ilustre Rei dos Portugueses” e seu “excelso domínio, o reino de Portugal”… E reconhece a validade ao Tratado de Zamora de 5 Outubro 1143 em que Afonso VII de Leão e Castela reconhece Portugal como reino independente e Afonso Henriques como seu “rex”… Quase no fim da sua vida, Afonso Henriques obtinha mais uma vitória, agora sobre a má vontade do Vaticano e seus papas pró-castelhanos, e ganhava uma guerra que vinha desde 1139, quando os seus guerreiros o haviam proclamado Rei de Portugal nos campos de Ourique.
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Rui Tavares | Chegámos ao início da aventura

livreOntem, ao discursar na sede de campanha do LIVRE, improvisando perante tanta gente que ainda há poucos meses não imaginava que iria fazer um partido junta, saiu-me uma frase em que não tinha pensado antes, mas que está na essência do nosso projeto político: “peço-vos que nunca digamos uma palavra em que não acreditemos”.

O projeto do LIVRE está em trazer conteúdo à política e significado a algumas palavras que foram esvaziadas pela política sem conteúdo. Há palavras que só ganham vida se estivermos dispostos a agir por elas. E, nos últimos anos, demasiadas palavras foram esvaziadas. Não basta falar de democracia, é preciso praticá-la — e por isso fizemos primárias abertas. Não basta falar de mudança, é preciso ser a mudança — e por isso usamos a democracia deliberativa como método. Não basta falar de Europa — é preciso explicar o que fazer com ela, e por isso temos o programa mais completo e bem fundamentado destas eleições.

O objetivo é ter uma política que deixe de tratar os cidadãos como se eles tivessem uma mera câmara de eco no lugar da cabeça. E aventura só agora começou. Há tantas palavras a preencher de significado nos dias de hoje. Há quem fale de patriotismo, sem estar disposto a modificar a sua tática partidária quando o país está em risco. Há quem fale de europeísmo, quando viu a pior crise abater-se sobre a Europa e não levantou a sua voz contra a política de vistas curtas que nos dominou. Há quem fale de esquerda, e recuse admitir que a esquerda será sempre uma aliança de diferentes — de todos os que não são ricos nem poderosos — cujo objetivo é mudar o mundo presente, e não digladiar-se em disputas bizantinas sobre quem é mais puro no reino dos céus.

Nós não podemos continuar a esperar que o significado desça sobre estas palavras como quem reza pela chuva. Temos de ser nós a fazer algo por estas palavras: solidariedade, justiça, progresso, futuro, liberdade. Temos uma responsabilidade perante elas, que é uma responsabilidade perante nós mesmos e os nossos concidadãos. Queremos viver numa política em que haja correspondência entre o que se diz e o que se faz. E, por uma vez, basta querer para se começar a fazer.

Nestas semanas explicámos o “porquê” do LIVRE — porque era necessário um partido mais aberto, mais democrático, mais libertário, com uma voz autónoma para a ecologia, no meio da esquerda portuguesa. Para logo depois explicar o “para quê”: para que serve votar no LIVRE, eleger deputados e deputadas que implementarão o nosso programa legislativa, e fazer do LIVRE uma surpresa que tenha impacto na formação de governo em Portugal.

E ontem juntámos ao “porquê” e ao “para quê”, mais duas palavras: o “contra” e o “como”.

O “contra” é uma palavra muito importante. Não se pode viver sem recusar, não se pode ser pessoa sem poder dizer não, sem desobedecer. Mas cada “contra” encerra em si uma responsabilidade política: a do “como”. Não se pode estar contra sem ao menos tentar procurar um “como”: como sair da situação em que nós encontramos, como combater o que nos aflige, como reformular as regras do jogo, como ser a mudança que queremos fazer.

Tenho muito orgulho de estar num partido que a cada momento leva a sério essas palavras: porquê, para quê, contra, como. Temos brio em explicar claramente o que queremos fazer com cada uma delas.

Agora chegámos ao início da aventura. Vamos pela primeira vez apresentar-nos ao voto dos nossos concidadãos, com um sorriso estampado na cara. Nós não acreditamos só na democracia; gostamos dela. Vamos contentes ao encontro dela. Estamos contentes porque fizemos uma campanha digna, porque falámos do futuro e da Europa (e de Portugal nela), porque não nos deixámos desviar do nosso caminho, porque não fizemos um único ataque pessoal, não caímos numa única controvérsia artificial ou inflacionada, não perdemos um segundo com aquilo que não interessava. Ao invés de jogar para a agenda mediática das próximas 24 horas, pensámos e falámos sempre dos próximos 5 anos.

E agora falta uma hora para fechar a campanha. É a hora dos últimos telefonemas, dos últimos panfletos, dos últimos argumentos. Estamos bem perto de conseguir mudar a política portuguesa. Falem com toda a gente que puderem nestes minutos. Expliquem o que é este partido, o que ele pode fazer, como ele pode melhorar a democracia, como os seus deputados e deputadas no PE legislarão para mudar a Europa. Persuadam muitos, convençam todos os que puderem.

Só vos peço uma coisa: que nunca digam uma palavra em que não acreditem.

Rui Tavares

Como o Capital Financeiro conquistou o Mundo | José Nascimento Rodrigues

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Do “papel-voador” na China aos algoritmos que dominaram Wall Street

A emergência do capital e do capitalismo é comummente associada ao processo de acumulação primitiva ligado à Revolução Industrial, no Reino Unido. Mas, na realidade, é muito mais antiga. A China e o império muçulmano foram o berço de inovações de mercado e financeiras que se estenderam por séculos. A cronologia que se publica percorre mais de um milénio de história desde a criação por mercadores chineses do “papel-voador”, no final do distante Império Tang, aos algoritmos financeiros que conquistaram Wall Street em pleno século XXI e fazem tremer o sistema financeiro surpreendido com derrocadas-relâmpago. Inclui-se uma passagem obrigatória pelo papel globalizador da Expansão portuguesa nos séculos XV e XVI, que atrairia a alta finança europeia para o Atlântico e transformaria o “português de ouro” manuelino em divisa internacional.

Este livro tem dois objectivos: Por um lado, projectar um filme rápido sobre a história mais do que milenar do nascimento e expansão do capital financeiro, através das revoluções que liderou desde o final do século VIII. A sua história está cheia de inovações surpreendentes. Não se trata de uma história breve do dinheiro, nem dos bancos, nem da política monetária soberana. Mas dos principais capítulos da projecção estratégica deste segmento do capitalismo.

Por outro lado, ressaltar que a financeirização é a maior mu­dança estrutural no capitalismo nos últimos dois séculos. Com­preender esse fenómeno é hoje crucial.

Imposto sobre fortunas é preferível à austeridade | Thomas Piketty in Expresso

o-governo-e-a-lavagem-de-dinheiro-5(…) A melhor opção, diz o fundador da École d’Économie de Paris, é um imposto extraordinário progressivo sobre o valor líquido das fortunas acima de €1 milhão, com uma taxa de 1% entre 1 e 5 milhões e de 2% acima de 5 milhões, aplicado ao longo de um período de tempo como medida fiscal de emergência. (…)

A taxa anual progressiva sobre as fortunas (avaliadas em termos líquidos, insiste o autor para não assustar as classes médias) acima de €1 milhão, poderia abranger, no caso da União Europeia (UE), uma minoria de 2,5% da população adulta e permitir uma arrecadação fiscal anual na ordem de €300 mil milhões, equivalente atualmente a 2% do PIB. Essa taxa deve aplicar-se a todo o tipo de ativos detidos por esses escalões de contribuintes.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/imposto-sobre-fortunas-e-preferivel-a-austeridade=f871714

Austeridade, Democracia e Autoritarismo

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Entre a austeridade e o autoritarismo que papel fica reservado à democracia na busca de soluções para a saída da crise?

A presente obra de André Freire tem como temas principais as crises financeira, económica e político-democrática que Portugal tem vindo a experimentar (e a sofrer) ao longo dos últimos anos. Lateralmente, encontram-se nela também não poucos elementos para uma análise das reformas político-institucionais de que o país carece para ultrapassar os bloqueios do seu sistema político e para viabilizar ou facilitar a sua governabilidade, bem como para uma possível interpretação da chamada «crise das esquerdas».

O lançamento do livro terá lugar no Auditório da Câmara Municipal de Lisboa, Praça do Município, no próximo dia 3 pelas 18:30. A apresentação estará a cargos dos historiadores Irene Pimentel e Pacheco Pereira.

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Ricardo Araújo Pereira apoia Livre para viabilizar “combinações à esquerda”

euro-stars-papoila-770x598Já era tempo de os portugueses poderem candidatar-se a eleições sem estarem reféns de uma direcção partidária. Esta é uma das ideias que Ricardo Araújo Pereira vai usar para justificar o apoio que decidiu dar ao partido Livre e à reeleição de Rui Tavares como deputado europeu.

A dirigente do Livre Marta Loja Neves confirmou ao PÚBLICO que o humorista gravou um tempo de antena que irá para o ar na SIC na próxima terça-feira. Durante cerca de dois minutos, Ricardo Araújo Pereira, que não tem filiação partidária, justifica a opção com a crença de que o Livre “viabiliza novas combinações à esquerda”. Uma esquerda, diz, “que não abdique dos seus princípios, mas que não atire a governação para os braços da direita.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/ricardo-araujo-pereira-apoia-livre-para-viabilizar-combinacoes-a-esquerda-1636414 … (FONTE)

Proposta para a resolução da dívida

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É tempo de organizar uma conferência com os governos e os novos Parlamento e Comissão para resolver os problemas do excesso de dívida, crescimento económico anémico e falta de robustez institucional do euro

A crise da zona euro apanhou a União Europeia mal equipada, desprevenida e desorientada. A arquitetura da moeda única estava incompleta e era incoerente, as contas de alguns estados-membro foram falsificadas com a cumplicidade de grandes bancos internacionais e a aquiescência dos seus parceiros europeus, Bancos faliram, contribuintes foram chamados a segurar os bancos, as dívidas soberanas explodiram e, sobretudo, perante a passi idade dos “líderes” europeus e a resistência do governo da Alemanha, explodiram os seus juros. A reação, quando chegou, passou pela criação semi-improvisada de novos mecanismos — o Fundo Europeu de Estabilização Financeira — e organismos — a troika — que não estavam previstos pelos Tratados ou violavam os seus artigos.

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Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães | ISABEL ARRIAGA E CUNHA (Bruxelas) a Philippe Legrain in Jornal Público

839165Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.

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“Obrigado, sr. Putin!”, por General Loureiro dos Santos

capa-gen-loureiro-dos-santos-9870(…) Registe-se contudo que este caso foi uma acção levada a efeito por Putin para ganhar vantagem, aproveitando uma situação de vulnerabilidade criada por erros ocidentais e aproveitando a oportunidade que lhe foi dada pela iniciativa da Alemanha, que também por motivos de interesse geopolítico idêntico mas de sentido inverso aos de Moscovo, financiara a revolta de Kiev para apear o Presidente da República da Ucrânia afeto à Rússia, visando assim garantir o controlo do espaço geopolítico ucraniano que os alemães também procuravam alcançar. (…)

Ler mais:

http://idportuguesa.pt/?p=7698 … (FONTE)

Lettre de Robert Schuman à Konrad Adenauer

Robert_Schuman-1929-640x600L’Europe ne se fera pas d’un coup ni dans une construction d’ensemble. Elle se fera si des réalisations concrètes créent d’abord une solidarité de fait.

Deux jours avant son discours historique du 9 mai 1950 lançant une solidarité économique et industrielle entre les Etats européens, autour de la production de charbon et d’acier, Robert Schuman cherche encore à convaincre le Chancelier allemand, Konrad Adenauer, de l’importance d’une telle résolution. Lettre capitale dans les coulisses de la construction de la Communauté Européenne, alternative géniale et historique à la guerre qui décime, chaque siècle, le Vieux Continent.

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Apresentação de “A Ironia do Projeto Europeu”, de Rui Tavares

livre_logo_29 de Maio às 21h30
Na sexta-feira, 9 de maio, a editora Tinta da China promove a apresentação do livro “A Ironia do Projeto Europeu“, da autoria de Rui Tavares.

A apresentação estará a cargo de Clara Ferreira Alves e Viriato Soromenho Marques e terá lugar na sede de campanha do LIVRE, no espaço Frágil (Rua da Atalaia, 126, ao Bairro Alto, Lisboa).

Saudações LIVREs

O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho? | ALEXANDRA PRADO COELHO in Jornal Público 21/04/2013

No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho

O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.

Jappe – que tem três livros editados em Portugal pela Antígona, entre os quais As Aventuras da Mercadoria (2006) – faz uma conferência, na próxima terça-feira, dia 23, no Teatro Maria Matos, no âmbito do ciclo Transição. Na conferência (em português), com curadoria de António Guerreiro, Jappe vai explicar por que devemos repensar o conceito de trabalho.

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DIVULGAÇÃO | O LIVRE precisa de ajuda!

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Caros signatários do Manifesto para uma Esquerda Livre:

O LIVRE precisa de ajuda!

Se cada um de nós ajudar com 10 ou 20 euros ou até mais, conforme as possibilidades nestes tempos que sabemos difíceis para a maioria, o LIVRE terá as condições necessárias para fazer uma boa campanha.

Os dados bancários são os abaixo apresentados.

No descritivo da transferência deve indicar “donativo campanha PE 2014”.

LIVRE CAMPANHA PE 2014

MONTEPIO GERAL

LISBOA – ARCO CEGO

NIB: 0036 0063 99100083599 02

IBAN: PT50 0036 0063 9910 0083 5990 2

BIC : MPIOPTPL

Muito obrigado & Saudações LIVREs,

A equipa do LIVRE

ATENÇÃO!

Alertamos para os seguintes artigos previstos na lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais:

Os partidos políticos não podem receber doações em nome de pessoas colectivas nacionais ou estrangeiras;
Os partidos políticos não podem receber doações anónimas;
Os partidos políticos só podem receber doações por cheque ou transferência bancária;
O valor máximo permitido por doador é de 10480,50 euros.

Para mais informações consulte a lei de financiamento dos partidos em: http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/Legislacao_Anotada/
FinanciamentoPartidosPoliticosCampanhasEleitorais_Anotado.pdf

A NOSSA ACÇÃO PARALELA | António Guerreiro in Jornal Público

As comemorações dos quarentas anos do 25 de Abril, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, são completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia. Parecem directamente inspiradas no modelo da Acção Paralela, esse comité de príncipes do espírito, inventado por Robert Musil, em O Homem Sem Qualidades, que tinha a seu cargo a missão patriótica de celebrar os 70 anos do Imperador da Cacânia, isto é, do Império Austro-húngaro.

Mas em vez de culminar numa celebração grandiosa a sua busca de um fundamento da civilização austríaca, conforme aos mais altos espíritos da época, a Acção Paralela submerge num princípio vazio e torna-se a parábola satírica de uma ausência. A celebração de que a Acção Paralela está encarregada não tem objeto. No romance de Musil, Ulrich, “herói” nihilista, ao menos compreendeu que a época em que vive, dotada de um saber superior a qualquer outra época precedente, de um saber imenso, é incapaz de intervir no curso da história e já nada acontece. Já não existem acontecimentos, apenas notícias. Ao contrário de Ulrich, os nossos príncipes do espírito mobilizados numa semelhante Acção Paralela, encarregada de uma tarefa esterilizadora e sem outro desígnio que não seja o de designar o centro vazio das comemorações, vieram todos demasiado tarde. São espíritos retardados e não heróis nihilistas. Parecem, aliás, uma repulsiva síntese do bom democrata com o conceito nietzschiano de último homem.

Desconhecem muito de tudo e desconhecem absolutamente que esta história é sem época. Na nossa Cacânia, a reificação conformista do passado garante-nos que o futuro não tem porvir e, da esquerda mais à esquerda até à direita, o que vemos é o mesmo nada – nihil – que se dá a ver em grandes poses. Todos se treinaram no exercício que consiste em fazer um uso público da História, mas todos desconhecem a lição que torna o passado carregado de presente, isto é, citável sem ser neutralizado e reificado. O significante vazio que mais recitam é “democracia”, tornada religião civil à escala planetária. Uns falam de democracia referindo-se a uma ordem jurídico-política; outros entendem-na no plano da prática administrativa, gestionária. Uns e outros parecem incapazes de interrogar tal conceito, de perceber a cisão que o habita e que o fez divergir em duas direcções diferentes.

Por isso, deixámos de saber a que ordem de realidade política pertence a democracia. O que sabemos muito bem é que ela se tornou um mero dispositivo do discurso dos políticos. Ao ponto de poder ser entendida, hoje, como a religião dos governantes abandonada pela falta de fé dos governados.

A guerra situa-se também, ou sobretudo, no plano da linguagem. Porque são festivas e pacíficas, as comemorações devem, portanto, ter um vocabulário reduzido, ficar pela língua cristalizada da maquinação “democrática”, quer por estratégia, quer porque já não se conhece outra. A grande missão patriótica da nossa Acção Paralela nem precisa de se esforçar para encontrar a palavra de ordem que mais lhe convém, a verdade mais cristalina da ideia e do fundamento que buscava para comemorar. Essa palavra de ordem foi-lhe oferecida por uma alta representante da Nação, paralela em nas acções e muito oblíqua nas palavras, e resume-se a uma tirada que deve ser elevada a digno emblema das comemorações: “Isso não existe!”.

António Guerreiro: http://www.publico.pt

Os Burgueses – Francisco Louçã

Os Burgueses

Francisco Louçã, Jorge Costa e João Teixeira Lopes

Quem São. Como Vivem. Como Mandam.

No seguimento de Os Donos de Portugal e Os Donos Angolanos de Portugal, Os Burgueses oferece-nos a caracterização de alguns dos elementos mais marcantes para a hereditariedade da vida da burguesia portuguesa no séc. XX e nos nossos dias, tocando em pontos como o consumo, a educação ou as escolas e explorando a mecânica da pertença e da transmissão da condição de burguês.

Um retrato direto, concreto e muitíssimo bem fundamentado da classe detentora do poder e da influência em Portugal do século XXI.

No portal www.osburgueses.net estão disponíveis documentos, elementos gráficos, bases de dados, resumos dos capítulos e outros materiais deste estudo.

China heading off cold war through economic diplomacy

china russia

During his visit to Duisburg, Chinese President Xi Jinping made a master stroke of economic diplomacy that runs directly counter to the Washington neo-conservative faction’s effort to bring a new confrontation between NATO and Russia.

Using the role of Duisburg as the world’s largest inland harbor, an historic transportation hub of Europe and of Germany’s Ruhr steel industry center, he proposed that Germany and China cooperate on building a new “economic Silk Road” linking China and Europe. The implications for economic growth across Eurasia are staggering.

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Rodrigo Sousa e Castro | “O PREC é filho da direita, não é filho da esquerda”

RodrigoA via social-democrata é esmagada por Spínola no 11 de Março, defende o coronel Rodrigo Sousa e Castro

Rodrigo Sousa e Castro nasceu numa família “remediada” e em vez do seminário, um destino possível naquele tempo, escolheu a Academia Militar. Ainda fez admissão à Faculdade, mas não tinha dinheiro. Mais tarde, já envolvido com o movimento dos capitães, frequentará o Instituto Superior de Economia. Sousa e Castro desfaz dois D da revolução de Abril, nomeadamente a descolonização que, na sua opinião, não existiu e a democratização que falhará logo por culpa do golpe de Spínola – e entretanto por outras culpas também.

Quando é que começou a perceber que o regime da ditadura não funcionava?

Comecei a perceber que vivíamos numa situação estranha na altura da eleição do general Humberto Delgado. Eu era ainda muito jovem, estava no colégio São Gonçalo de Amarante, mas houve lá já um movimento entre os alunos, frequentávamos uma livraria – o dono era do “reviralho”. O meu pai era ferroviário e entre os ferroviários havia uma grande solidariedade contra o regime. Era um grupo profissional que tinha alguma organização política que julgo que era dominada pelo Partido Comunista. Às vezes passavam panfletos nas estações…

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Fernando Pessoa | COMO ORGANIZAR PORTUGAL

fernando-pessoa-620x340Quando a guerra findou — como se a guerra alguma vez findasse, ou houvesse neste mundo senão guerra! —, quando, enfim, esta guerra de há pouco findou, passou a ser assunto de primeiro plano aquilo, já bastante discutido, a que mais vulgarmente se chamou “os problemas da reconstrução”. A frase é inglesa, e, como participa da nebulosidade mental que caracteriza os ingleses, susceptível de ser mal interpretada. Se o termo diz respeito ao mero restabelecimento das vias normais da vida pacífica, tem cabimento etimológico; se diz respeito à reconstituição das indústrias estagnadas, à reedificação das cidades destruídas, tem cabimento também. A frase porém tem um sentido vulgar arbitrariamente mais lato: quando se diz “reconstruir”, quer, em geral, dizer-se simplesmente “organizar”. E esta ideia de organização não tem origem simplesmente na necessidade de preencher lacunas, que a guerra abrisse, ou de reparar estragos, que os exércitos fizessem. Tem uma, de certo modo, mais vergonhosa origem.

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