Imposto sobre fortunas é preferível à austeridade | Thomas Piketty in Expresso

o-governo-e-a-lavagem-de-dinheiro-5(…) A melhor opção, diz o fundador da École d’Économie de Paris, é um imposto extraordinário progressivo sobre o valor líquido das fortunas acima de €1 milhão, com uma taxa de 1% entre 1 e 5 milhões e de 2% acima de 5 milhões, aplicado ao longo de um período de tempo como medida fiscal de emergência. (…)

A taxa anual progressiva sobre as fortunas (avaliadas em termos líquidos, insiste o autor para não assustar as classes médias) acima de €1 milhão, poderia abranger, no caso da União Europeia (UE), uma minoria de 2,5% da população adulta e permitir uma arrecadação fiscal anual na ordem de €300 mil milhões, equivalente atualmente a 2% do PIB. Essa taxa deve aplicar-se a todo o tipo de ativos detidos por esses escalões de contribuintes.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/imposto-sobre-fortunas-e-preferivel-a-austeridade=f871714

Austeridade, Democracia e Autoritarismo

Austeridade, Democracia e Autoritarismo - capa final pantones

Entre a austeridade e o autoritarismo que papel fica reservado à democracia na busca de soluções para a saída da crise?

A presente obra de André Freire tem como temas principais as crises financeira, económica e político-democrática que Portugal tem vindo a experimentar (e a sofrer) ao longo dos últimos anos. Lateralmente, encontram-se nela também não poucos elementos para uma análise das reformas político-institucionais de que o país carece para ultrapassar os bloqueios do seu sistema político e para viabilizar ou facilitar a sua governabilidade, bem como para uma possível interpretação da chamada «crise das esquerdas».

O lançamento do livro terá lugar no Auditório da Câmara Municipal de Lisboa, Praça do Município, no próximo dia 3 pelas 18:30. A apresentação estará a cargos dos historiadores Irene Pimentel e Pacheco Pereira.

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Ricardo Araújo Pereira apoia Livre para viabilizar “combinações à esquerda”

euro-stars-papoila-770x598Já era tempo de os portugueses poderem candidatar-se a eleições sem estarem reféns de uma direcção partidária. Esta é uma das ideias que Ricardo Araújo Pereira vai usar para justificar o apoio que decidiu dar ao partido Livre e à reeleição de Rui Tavares como deputado europeu.

A dirigente do Livre Marta Loja Neves confirmou ao PÚBLICO que o humorista gravou um tempo de antena que irá para o ar na SIC na próxima terça-feira. Durante cerca de dois minutos, Ricardo Araújo Pereira, que não tem filiação partidária, justifica a opção com a crença de que o Livre “viabiliza novas combinações à esquerda”. Uma esquerda, diz, “que não abdique dos seus princípios, mas que não atire a governação para os braços da direita.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/ricardo-araujo-pereira-apoia-livre-para-viabilizar-combinacoes-a-esquerda-1636414 … (FONTE)

Proposta para a resolução da dívida

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É tempo de organizar uma conferência com os governos e os novos Parlamento e Comissão para resolver os problemas do excesso de dívida, crescimento económico anémico e falta de robustez institucional do euro

A crise da zona euro apanhou a União Europeia mal equipada, desprevenida e desorientada. A arquitetura da moeda única estava incompleta e era incoerente, as contas de alguns estados-membro foram falsificadas com a cumplicidade de grandes bancos internacionais e a aquiescência dos seus parceiros europeus, Bancos faliram, contribuintes foram chamados a segurar os bancos, as dívidas soberanas explodiram e, sobretudo, perante a passi idade dos “líderes” europeus e a resistência do governo da Alemanha, explodiram os seus juros. A reação, quando chegou, passou pela criação semi-improvisada de novos mecanismos — o Fundo Europeu de Estabilização Financeira — e organismos — a troika — que não estavam previstos pelos Tratados ou violavam os seus artigos.

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Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães | ISABEL ARRIAGA E CUNHA (Bruxelas) a Philippe Legrain in Jornal Público

839165Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.

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“Obrigado, sr. Putin!”, por General Loureiro dos Santos

capa-gen-loureiro-dos-santos-9870(…) Registe-se contudo que este caso foi uma acção levada a efeito por Putin para ganhar vantagem, aproveitando uma situação de vulnerabilidade criada por erros ocidentais e aproveitando a oportunidade que lhe foi dada pela iniciativa da Alemanha, que também por motivos de interesse geopolítico idêntico mas de sentido inverso aos de Moscovo, financiara a revolta de Kiev para apear o Presidente da República da Ucrânia afeto à Rússia, visando assim garantir o controlo do espaço geopolítico ucraniano que os alemães também procuravam alcançar. (…)

Ler mais:

http://idportuguesa.pt/?p=7698 … (FONTE)

Lettre de Robert Schuman à Konrad Adenauer

Robert_Schuman-1929-640x600L’Europe ne se fera pas d’un coup ni dans une construction d’ensemble. Elle se fera si des réalisations concrètes créent d’abord une solidarité de fait.

Deux jours avant son discours historique du 9 mai 1950 lançant une solidarité économique et industrielle entre les Etats européens, autour de la production de charbon et d’acier, Robert Schuman cherche encore à convaincre le Chancelier allemand, Konrad Adenauer, de l’importance d’une telle résolution. Lettre capitale dans les coulisses de la construction de la Communauté Européenne, alternative géniale et historique à la guerre qui décime, chaque siècle, le Vieux Continent.

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Apresentação de “A Ironia do Projeto Europeu”, de Rui Tavares

livre_logo_29 de Maio às 21h30
Na sexta-feira, 9 de maio, a editora Tinta da China promove a apresentação do livro “A Ironia do Projeto Europeu“, da autoria de Rui Tavares.

A apresentação estará a cargo de Clara Ferreira Alves e Viriato Soromenho Marques e terá lugar na sede de campanha do LIVRE, no espaço Frágil (Rua da Atalaia, 126, ao Bairro Alto, Lisboa).

Saudações LIVREs

O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho? | ALEXANDRA PRADO COELHO in Jornal Público 21/04/2013

No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho

O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.

Jappe – que tem três livros editados em Portugal pela Antígona, entre os quais As Aventuras da Mercadoria (2006) – faz uma conferência, na próxima terça-feira, dia 23, no Teatro Maria Matos, no âmbito do ciclo Transição. Na conferência (em português), com curadoria de António Guerreiro, Jappe vai explicar por que devemos repensar o conceito de trabalho.

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DIVULGAÇÃO | O LIVRE precisa de ajuda!

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Caros signatários do Manifesto para uma Esquerda Livre:

O LIVRE precisa de ajuda!

Se cada um de nós ajudar com 10 ou 20 euros ou até mais, conforme as possibilidades nestes tempos que sabemos difíceis para a maioria, o LIVRE terá as condições necessárias para fazer uma boa campanha.

Os dados bancários são os abaixo apresentados.

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LIVRE CAMPANHA PE 2014

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BIC : MPIOPTPL

Muito obrigado & Saudações LIVREs,

A equipa do LIVRE

ATENÇÃO!

Alertamos para os seguintes artigos previstos na lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais:

Os partidos políticos não podem receber doações em nome de pessoas colectivas nacionais ou estrangeiras;
Os partidos políticos não podem receber doações anónimas;
Os partidos políticos só podem receber doações por cheque ou transferência bancária;
O valor máximo permitido por doador é de 10480,50 euros.

Para mais informações consulte a lei de financiamento dos partidos em: http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/Legislacao_Anotada/
FinanciamentoPartidosPoliticosCampanhasEleitorais_Anotado.pdf

A NOSSA ACÇÃO PARALELA | António Guerreiro in Jornal Público

As comemorações dos quarentas anos do 25 de Abril, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, são completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia. Parecem directamente inspiradas no modelo da Acção Paralela, esse comité de príncipes do espírito, inventado por Robert Musil, em O Homem Sem Qualidades, que tinha a seu cargo a missão patriótica de celebrar os 70 anos do Imperador da Cacânia, isto é, do Império Austro-húngaro.

Mas em vez de culminar numa celebração grandiosa a sua busca de um fundamento da civilização austríaca, conforme aos mais altos espíritos da época, a Acção Paralela submerge num princípio vazio e torna-se a parábola satírica de uma ausência. A celebração de que a Acção Paralela está encarregada não tem objeto. No romance de Musil, Ulrich, “herói” nihilista, ao menos compreendeu que a época em que vive, dotada de um saber superior a qualquer outra época precedente, de um saber imenso, é incapaz de intervir no curso da história e já nada acontece. Já não existem acontecimentos, apenas notícias. Ao contrário de Ulrich, os nossos príncipes do espírito mobilizados numa semelhante Acção Paralela, encarregada de uma tarefa esterilizadora e sem outro desígnio que não seja o de designar o centro vazio das comemorações, vieram todos demasiado tarde. São espíritos retardados e não heróis nihilistas. Parecem, aliás, uma repulsiva síntese do bom democrata com o conceito nietzschiano de último homem.

Desconhecem muito de tudo e desconhecem absolutamente que esta história é sem época. Na nossa Cacânia, a reificação conformista do passado garante-nos que o futuro não tem porvir e, da esquerda mais à esquerda até à direita, o que vemos é o mesmo nada – nihil – que se dá a ver em grandes poses. Todos se treinaram no exercício que consiste em fazer um uso público da História, mas todos desconhecem a lição que torna o passado carregado de presente, isto é, citável sem ser neutralizado e reificado. O significante vazio que mais recitam é “democracia”, tornada religião civil à escala planetária. Uns falam de democracia referindo-se a uma ordem jurídico-política; outros entendem-na no plano da prática administrativa, gestionária. Uns e outros parecem incapazes de interrogar tal conceito, de perceber a cisão que o habita e que o fez divergir em duas direcções diferentes.

Por isso, deixámos de saber a que ordem de realidade política pertence a democracia. O que sabemos muito bem é que ela se tornou um mero dispositivo do discurso dos políticos. Ao ponto de poder ser entendida, hoje, como a religião dos governantes abandonada pela falta de fé dos governados.

A guerra situa-se também, ou sobretudo, no plano da linguagem. Porque são festivas e pacíficas, as comemorações devem, portanto, ter um vocabulário reduzido, ficar pela língua cristalizada da maquinação “democrática”, quer por estratégia, quer porque já não se conhece outra. A grande missão patriótica da nossa Acção Paralela nem precisa de se esforçar para encontrar a palavra de ordem que mais lhe convém, a verdade mais cristalina da ideia e do fundamento que buscava para comemorar. Essa palavra de ordem foi-lhe oferecida por uma alta representante da Nação, paralela em nas acções e muito oblíqua nas palavras, e resume-se a uma tirada que deve ser elevada a digno emblema das comemorações: “Isso não existe!”.

António Guerreiro: http://www.publico.pt

Os Burgueses – Francisco Louçã

Os Burgueses

Francisco Louçã, Jorge Costa e João Teixeira Lopes

Quem São. Como Vivem. Como Mandam.

No seguimento de Os Donos de Portugal e Os Donos Angolanos de Portugal, Os Burgueses oferece-nos a caracterização de alguns dos elementos mais marcantes para a hereditariedade da vida da burguesia portuguesa no séc. XX e nos nossos dias, tocando em pontos como o consumo, a educação ou as escolas e explorando a mecânica da pertença e da transmissão da condição de burguês.

Um retrato direto, concreto e muitíssimo bem fundamentado da classe detentora do poder e da influência em Portugal do século XXI.

No portal www.osburgueses.net estão disponíveis documentos, elementos gráficos, bases de dados, resumos dos capítulos e outros materiais deste estudo.

China heading off cold war through economic diplomacy

china russia

During his visit to Duisburg, Chinese President Xi Jinping made a master stroke of economic diplomacy that runs directly counter to the Washington neo-conservative faction’s effort to bring a new confrontation between NATO and Russia.

Using the role of Duisburg as the world’s largest inland harbor, an historic transportation hub of Europe and of Germany’s Ruhr steel industry center, he proposed that Germany and China cooperate on building a new “economic Silk Road” linking China and Europe. The implications for economic growth across Eurasia are staggering.

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Rodrigo Sousa e Castro | “O PREC é filho da direita, não é filho da esquerda”

RodrigoA via social-democrata é esmagada por Spínola no 11 de Março, defende o coronel Rodrigo Sousa e Castro

Rodrigo Sousa e Castro nasceu numa família “remediada” e em vez do seminário, um destino possível naquele tempo, escolheu a Academia Militar. Ainda fez admissão à Faculdade, mas não tinha dinheiro. Mais tarde, já envolvido com o movimento dos capitães, frequentará o Instituto Superior de Economia. Sousa e Castro desfaz dois D da revolução de Abril, nomeadamente a descolonização que, na sua opinião, não existiu e a democratização que falhará logo por culpa do golpe de Spínola – e entretanto por outras culpas também.

Quando é que começou a perceber que o regime da ditadura não funcionava?

Comecei a perceber que vivíamos numa situação estranha na altura da eleição do general Humberto Delgado. Eu era ainda muito jovem, estava no colégio São Gonçalo de Amarante, mas houve lá já um movimento entre os alunos, frequentávamos uma livraria – o dono era do “reviralho”. O meu pai era ferroviário e entre os ferroviários havia uma grande solidariedade contra o regime. Era um grupo profissional que tinha alguma organização política que julgo que era dominada pelo Partido Comunista. Às vezes passavam panfletos nas estações…

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Fernando Pessoa | COMO ORGANIZAR PORTUGAL

fernando-pessoa-620x340Quando a guerra findou — como se a guerra alguma vez findasse, ou houvesse neste mundo senão guerra! —, quando, enfim, esta guerra de há pouco findou, passou a ser assunto de primeiro plano aquilo, já bastante discutido, a que mais vulgarmente se chamou “os problemas da reconstrução”. A frase é inglesa, e, como participa da nebulosidade mental que caracteriza os ingleses, susceptível de ser mal interpretada. Se o termo diz respeito ao mero restabelecimento das vias normais da vida pacífica, tem cabimento etimológico; se diz respeito à reconstituição das indústrias estagnadas, à reedificação das cidades destruídas, tem cabimento também. A frase porém tem um sentido vulgar arbitrariamente mais lato: quando se diz “reconstruir”, quer, em geral, dizer-se simplesmente “organizar”. E esta ideia de organização não tem origem simplesmente na necessidade de preencher lacunas, que a guerra abrisse, ou de reparar estragos, que os exércitos fizessem. Tem uma, de certo modo, mais vergonhosa origem.

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Os rapazes dos tanques | Carlos Matos Gomes in Facebook

A primeira questão que vos trago: o que esperamos de um livro? O que esperamos de um quadro, de um filme, de uma música, de uma dança, de uma obra de arte, em geral? Eu já tive várias respostas, mas hoje, se me perguntassem responderia o que vou responder depois de ter lido este livro do Adelino Gomes e do Alfredo Cunha: que me emocione.
Julgo que é de emoções de quem viveu estes factos do dia dos prodígios, deste dia limpo e claro, como o classificaram duas grandes escritoras, Lídia Jorge e Sophia de Mello Breyner e de quem os relata que este livro nos transmite e nos provoca.
Os relatos e as fotografias revelam-nos as emoções das personagens. É emoção em estado puro: a propósito dos factos reais, vividos, cada um dos homens atuais que foram os jovens militares deste dia de 25 de abril de 1974 estabelece a verdade das emoções que esses acontecimentos lhe causaram e causam.
Este livro coloca-nos um problema insolúvel e de que nós não gostamos de nos aperceber: vivemos todos num mundo de fantasia. A realidade existiu, mas passa a ser outra quando a relatamos. A questão das reconstruções credíveis, de que fala Adelino Gomes a propósito de um dos personagens, que, para ter vivido o que se lembra de ter vivido nesses momentos dramáticos teria de ser ele e outro, de ter estado em dois lugares ao mesmo tempo, leva-nos às interrogações: Nós somos quem? Fizemos o quê? A que a memória vai dando respostas cada vez mais imaginativas, que não deixam de ser verdade.

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General Garcia dos Santos: “Aguentámos a ditadura tranquilamente” | in Jornal i

Garcia LeandroA guerra colonial: “Liquidámos aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem em alguns casos”

Faz agora 40 anos que Otelo foi pedir a Amadeu Garcia dos Santos para montar o plano de transmissões do golpe de Estado do 25 de Abril. Às três da manhã de dia 25, Garcia dos Santos intercepta uma conversa entre dois ministros sobre a visita nesse dia de Américo Thomaz a Tomar. Um preocupava-se pela falta de segurança, o outro garantia que não se iria passar nada. Mas dois meses antes, o chefe máximo da Pide, Barbieri Cardoso, tinha encontrado Garcia dos Santos numa festa de anos e feito a estranha pergunta: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães, o que é que se passa?” Amadeu respondeu que não sabia de nada, mas hoje está convencido que a Pide suspeitava que algo estava em preparação. No dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso já tinha abandonado o país.

Aqui há uns tempos, disse-nos numa entrevista que Salazar nos moldou a todos e que ainda continua a moldar- -nos de certa maneira. 40 anos depois do fim da ditadura, podemos dizer que existem ainda resquícios a andar por aí?

Tenho uma opinião muito pessoal sobre isso. O Salazar foi uma pessoa que resolvia todos os problemas e que forçava os portugueses a não se preocuparem com nada. E, portanto, os nossos pais não aprenderam a viver em democracia, não souberam ensinar os filhos a viver em democracia e, por sua vez, nós, filhos dos nossos pais, temos dificuldades em ensinar os filhos em viver em democracia. Isto significa que nós, pelo menos durante quatro gerações, não vamos saber viver em democracia. E isso é visível hoje no dia-a-dia.

Diga-me como.

Acha que os nossos actuais políticos são democratas, sabem viver em democracia? Sabem governar o nosso país? Os políticos que temos hoje são uns garotos que nunca fizeram nada na vida, por um lado, e nem sequer sabem o que é a vida com dificuldades. Nós vamos ter dificuldades durante longos anos.

 

Temos problemas económicos graves. Mas acha, de facto, que ainda não nos adaptámos verdadeiramente à democracia?

Não nos adaptámos porque não sabemos viver em democracia. Mas temos um problema ainda mais grave. Os portugueses são excelentes executantes, mas não somos capazes de nos organizar, preparar o futuro, de dirigir. Em termos de características genéricas do povo português, o português não planeia, vive um pouco ao sabor do dia-a-dia. E o país tem esse grande problema. Não temos nenhum projecto de futuro enquanto país. Sabe o que é que o país quer ser? O que é que o país quer fazer? O país não tem um rumo, não sabe aquilo que quer. Depois, temos outro grande problema. Somos incapazes de punir aqueles que fazem asneiras e são responsáveis por essas asneiras. Nós não cortamos cabeças!

O 25 de Abril também não cortou muitas cabeças…

Claro! Na nossa história temos sido sempre assim…

Há o assassinato do rei D. Carlos…

… salvo períodos relativamente escassos. O que quero dizer é que um indivíduo faz uma asneira e perdoamos uma vez, perdoamos segunda vez. É essa a nossa maneira de ser e não pode ser assim. Uma pessoa que comete uma asneira tem de ser castigado. Tem de pagar a responsabilidade de ter cometido essa asneira. E isso leva à irresponsabilidade e ao mau exemplo. E depois dizem: “Se aquele senhor roubou e não lhe aconteceu nada porque é que eu não hei-de roubar também?”

Está a falar dos processos que prescrevem…

De tudo, desde a justiça à vida do dia-a-dia. É o deixa andar. Nós somos assim.

Se pensarmos bem, há 50 anos só uma minoria muito minoritária é que combatia verdadeiramente a ditadura… Temos de reconhecer que a esmagadora maioria combatia nos cafés.

Claro! Lembro-me perfeitamente do meu pai e do grupo de amigos que ele tinha que se reuniam ali numa loja na rua do Ouro e discutiam e criticavam, chamavam todos os nomes possíveis e imaginários ao Salazar e aos seus capangas, etc. Mas, de facto, não faziam nada! Apenas um deles tinha sido preso e tinha o corpo cheio das cicatrizes das vergastadas que tinha levado na Pide. No fundo, somos assim. Falamos muito, mas fazer “tá quieto”.

E acha que é por essa nossa maneira de ser que aguentámos durante tanto tempo a ditadura?

Aguentámos isso tranquilamente. Havia de facto reacções, mas espaçadas no tempo.

Havia o Partido Comunista organizado…

Claro. Mas que grandes acções fizeram, em concreto, no sentido de acabar com a ditadura? Foram muito pequeninas. Infelizmente não somos capazes de nos organizar. E é uma consequência da pesada herança do passado. Os nossos pais não tiveram preparação, nós não tivemos preparação, os nossos filhos vão aprendendo alguma coisa e só daqui a três ou quatro gerações é que isto irá talvez entrar nos carris. Talvez os jovens consigam arranjar uma solução para resolvermos os nossos problemas. Vamos ver. Se calhar já cá não estou para ver.

Quando é que começou a perceber que a ditadura não era um regime aceitável?

Desde muito jovem que ouvia falar do “reviralho”, do pessoal do “reviralho”. Ouvia falar contra o regime, contra o Salazar, defender a eleição do Norton de Matos, do Delgado. Vivi tudo isso muito de perto. Nunca gostei do Salazar. Tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, quando foi das henriquinas [comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique] em 1960. Participei nas comemorações henriquinas, tinha acabado de sair da Escola do Exército. Ainda fiz parte do grupo que, em representação da academia militar, fez parte dessa organização. E um dia esse grupo foi ao Salazar. Digo-lhe que fiquei impressionadíssimo com o olhar daquele homem! Quando ele olhava para as pessoas parecia que nos sentíamos furados! Uma coisa impressionante! Mas digo-lhe uma coisa: quando em 1928 Salazar entrou para o Ministério das Finanças foi de facto um homem extraordinário! Agora, a sua forma de pensar, a pouco e pouco, desactualizou-se. Nomeadamente no problema colonial.

Ele sabia que o colonialismo estava a desaparecer e tinha a obrigação de resolver o problema ou de prever que iríamos atravessar uma situação desse tipo. Era inevitável. Se ele tivesse tido essa presciência e tivesse conseguido evitar a guerra colonial nós hoje estaríamos completamente diferentes.

Mas havia a Pide, havia a censura…

Isso é outra coisa. Estou a falar agora da questão colonial e das relações com as antigas ex-colónias. Fiz duas comissões em África. Em Angola de 62 a 64 e na Guiné de 68 a 70, no tempo da ditadura. Depois do 25 de Abril fui à Guiné, a Angola, a Moçambique. Em todos os lados me diziam “vocês venham para cá que a gente precisa de vocês”. Dos portugueses. Ainda hoje temos uma relação com aquela gente completamente diferente de qualquer outro país. E se nós não tivéssemos tido aqueles 13 anos de guerra não teria havido 300 mil homens em guerra, milhares de mortos de um lado e de outro e teríamos uma situação completamente diferente. Salazar nunca quis alterar a relação entre colonizadores e colonizados. Para ele Portugal era do Minho a Timor. E não podia ser assim. Mas nós temos formas de relacionamento com aquela gente como mais ninguém tem. Tive oportunidade de ver isso na guerra colonial: em várias situações verifiquei a fraternidade que existia entre soldados brancos e soldados pretos…

Os soldados do contingente português, claro.

Claro que sim. Mas se calhar os que estavam do outro lado, se não tivesse havido guerra, poderiam conviver connosco da mesma maneira.

A descolonização deveria ter sido feita mais cedo.

Evidentemente, mas de uma forma pacífica. E estaríamos hoje a conviver com aqueles países de uma forma completamente diferente. Se calhar estamos a caminhar para aí, mas só trinta ou quarenta anos depois e com custos muito elevados.

Só agora, 40 anos depois, se está a começar a falar mais abertamente dos massacres da guerra colonial, dos crimes cometidos pelas tropas portuguesas.

Com certeza. Houve crimes cometidos por nós e crimes cometidos por eles. Eles na defesa dos seus territórios e das suas nações e nós liquidando aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem, em alguns casos. Vou contar–lhe uma cena a que assisti na Guiné. Fui uma vez a um quartel no mato e havia uma cova enorme que estava cheia de cadáveres dos chamados terroristas e os soldados portugueses à volta. E às tantas percebeu-se que um dos cadáveres não era cadáver. Ainda estava vivo. E alguém disse: “eh pá aquele ainda mexe!!!!” E depois ta-ta-ta-ta. [imita o ruído de uma metralhadora]. Isto é uma coisa absolutamente selvagem. E resulta da forma como foi instigada no espírito das pessoas a inimizade de uns em relação aos outros.

Demorámos tanto tempo a conseguir falar da guerra porque os homens que fizeram a guerra foram os mesmos que nos deram a democracia?

Talvez. Nós, militares, temos uma certa psicose em falar das coisas que vivemos na vida profissional. Como sabe, é muito raro encontrar-se alguém que conte o que viveu na guerra e não é só na nossa guerra colonial. Quem conta o que se passou na primeira guerra, ou na segunda guerra mundial são 3 ou 4 pessoas ou 10. As pessoas que viveram essas coisas não falam, porque têm os tais stresses de guerra, os traumatismos. A guerra afecta a qualidade do ser humano e a forma como o ser humano encara o relacionamento com os outros. Isso é de tal maneira que muitos dos homens que fizeram a nossa guerra colonial têm problemas de stress de guerra. Imagine um rapazinho com 20 anos. Faz aqui o serviço militar durante seis meses e é metido num barco ou num avião e vai para a guerra… Foram milhares deles assim! Chega lá, se fosse oficial miliciano, alferes, metiam-lhe 30 homens na mão, que era um pelotão. E vai pelo mato fora, para a guerra, um indivíduo que não fazia a mínima ideia do que era isso. Com 30 homens na mão! E ele tinha de responder pela vida ou pela morte desses 30 homens. Está a ver o que isto representa? Estes rapazinhos com 20, 25 anos, eram uns garotos! Isto marca para toda a vida!

Quando entra na conspiração para derrubar a ditadura?

A conspiração começou com os capitães em 73. Eu nessa altura já era mais velho, tinha 38 anos. Os capitães começaram por se mobilizar em torno dos decretos em que os oficiais milicianos faziam cursos de seis meses e eram equiparados aos do quadro que já tinham uma data de anos de serviço. Isso começou a criar reacções muito fortes nesses rapazes que viam o seu futuro perturbado por essas situações. Claro que isto é uma consequência das dificuldades cada vez maiores que as forças armadas portuguesas tinham no recrutamento de pessoal para a guerra colonial. Nós chegámos a ter quase 300 mil homens nos três teatros de operações. Já tínhamos atingido o limite dos limites! Entre o pessoal do quadro permanente, os profissionais, houve alguns que chegaram a fazer quatro e cinco comissões de dois anos cada! Iam dois anos, voltavam, estavam cá uns meses, e voltavam para a guerra! Atingimos uma situação em que a solução era impossível. E daí que os capitães tivessem chegado à conclusão que o problema da guerra colonial só se resolvia pela via política. Tinha de haver qualquer coisa que alterasse a situação e só poderia acontecer se o regime caísse. Quando é que eu entro? Em 73 eu tinha 38 anos, era bastante mais velho do que os outros, era professor na Academia Militar, tinha sido professor de alguns daqueles capitães. E um dia o Fisher Lopes Pires, já falecido, veio perguntar-me se eu estava disposto a aderir ao movimento dos capitães. E eu digo logo “com certeza”. Entrei no final de 73, princípio de 74. Depois aquilo evoluiu, houve o 16 de Março que foi um flop e o Otelo foi encarregado de fazer uma coisa com cabeça, tronco e membros. O 25 de Abril foi uma operação clássica militar.

Um golpe de Estado?

Uma operação clássica militar, como qualquer outra operação em guerra. Nós tivemos as unidades do Exército português mobilizadas de um lado e de outro, do Algarve até ao Minho. Portugal esteve à beira de uma guerra civil. O Otelo é encarregado de fazer o estudo das operações que iriam levar ao 25 de Abril e, como nós nos conhecíamos muito bem, vem ter comigo para planear a parte das transmissões. Não há operação militar nenhuma que funcione capazmente se as transmissões não funcionarem! E funcionaram absolutamente. Eu sou de engenharia, depois fui para transmissões. Nós, nas transmissões militares, temos várias coisas: as transmissões fixas, que fazem as ligações entre os quartéis. Depois, temos as transmissões de campanha, que são aquelas que são utilizadas em operações, com o aparelho às costas no mato ou no terreno. E depois temos outra coisa que se chama guerra electrónica. O que é a guerra electrónica? É um processo que procura obter o mais possível de informações através das transmissões do inimigo. Eu fui especialista dessas três áreas. Montei as ligações permanentes entre Portugal e a Guiné e Cabo Verde. Fiz as transmissões de campanha em Angola. Quando o Otelo me contactou disse “sim, senhor” e montei um esquema. Tinha vivido a minha vida toda a lidar com quartéis e conhecia muita gente. Conhecia o quartel da Graça como as minhas mãos, estive lá 12 anos. Tinha confiança a 100% em alguns deles. Montei então o esquema todo. Fui roubar material ao depósito de transmissões em Linda-a-Velha, arrombei a porta e roubei o material. Montei o esquema na Pontinha e a coisa funcionou. E foi assim.

Portanto, no dia 24 estava a roubar o material…

No dia 24 foi quando montei as coisas todas na Pontinha. Fui para o posto de comando da Pontinha no dia 24 à tarde, montei as antenas e depois vim para casa. E depois voltei para lá a seguir ao toque do Paulo de Carvalho [a canção "E Depois do Adeus", transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa]. Nós tínhamos ligação com vários postos civis e militares. De tal maneira que às 3 da manhã do dia 25 interceptei uma chamada telefónica entre o ministro da Defesa e o ministro do Exército em que diziam que Américo Thomaz no dia seguinte ia a Tomar e saía cedo. Um deles preocupava-se por Thomaz não levar segurança enquanto o outro dizia: “Não há problema nenhum porque isto está tudo tranquilo”. Às três e meia da manhã já tínhamos as unidades todas na rua! E ninguém tinha dado por isso.

Nunca duvidou do sucesso do golpe?

Preparámos tudo de forma a que tivesse sucesso. Mas houve uma altura em que ainda tivemos um aperto de coração. O pior foi a fragata defronte do Terreiro do Paço. Nós sabíamos que a fragata tinha recebido ordens para bombardear as forças do Movimento das Forças Armadas que estavam no Terreiro do Paço. E nós fizemos isto: mandámos para o Cristo-Rei uma bateria de Artilharia e ordenámos que os canhões ficassem apontados para a fragata. E foi transmitido à fragata que se desse um único tiro iria imediatamente ao fundo. Foi o momento mais nervoso que passámos. Não sabíamos como iriam reagir, felizmente reagiram bem. Talvez porque houvesse mais gente na fragata que estava connosco.

Estamos a fazer esta entrevista no dia 16 de Março. Há 40 anos, o general Spínola deu-lhe uma coisa e tentou um golpe que ninguém percebeu muito bem o que era. Quem era o general Spínola, afinal?

O general Spínola era excepcional em termos militares. Era um militar na verdadeira acepção da palavra. Mas tinha ideias velhas, antiquadas. E, por outro lado, era do tipo “quero, posso e mando”. Quando contactámos o Spínola, ele começou logo a dizer “eu é que mando”. E nós “calma aí, não é o senhor que manda, ainda mandamos nós”. Aí as coisas contemporizaram-se, houve a possibilidade de ele perceber que não tinha capacidade de alterar certo tipo de coisas que estavam em curso.

Como é que viviam nesses dias? Chamavam-vos os homens sem sono.

Depois do Otelo me entregar a ordem de operações, para poder montar o plano de transmissões, levei não sei quantos dias a passar aquilo tudo a escrito. Não dormi duas ou três noites seguidas. Não preguei olho. A minha irmã faz anos no dia 23 de Abril. Acabei o anexo de transmissões precisamente no dia 23 de Abril e entreguei ao Otelo. Foi quando ele foi distribuído pelas unidades todas. Nem a minha mulher na altura, nem a minha irmã, ninguém sabia de nada. No dia dos anos da minha irmã, resolvemos ir todos ao cinema, ao São Jorge. Eu cheguei ao São Jorge, apagaram-se as luzes e adormeci. Quando o filme acabou a minha mulher teve de me acordar. Não sei que filme foi, não sei o que era, não faço a mínima ideia.

E o que se passou com a Pide? A Pide mantém-se nas colónias a seguir ao 25 de Abril…

Aí tenho uma coisa para lhe contar. Não vou falar em pessoas, mas eu tinha um relacionamento com alguém muito próximo do Barbieri Cardoso. Eram laços que eu tinha com familiares, não interessa quem eram as pessoas. O Barbieri Cardoso era o responsável máximo da Pide. E dois ou três meses antes, eu fui à festa de anos da filha dele, ali numa moradia em Linda-a-Pastora, e ele estava lá. A certa altura, o senhor chama-me de lado e diz-me: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães… O que é que se passa?” E eu disse: “Não sei de nada nem nunca ouvi falar”. E eu já estava metido no assunto até ao pescoço! “Mas então se souber de alguma coisa diga, está bem?” “Eu digo, eu digo” (risos). Portanto, a Pide sabia que havia qualquer coisa, só não sabia o que era. Ou se sabia, ele disfarçou, porque queria saber mais coisas. E provavelmente até sabia que eu estava envolvido nisso. Agora, no dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso não estava cá! Estava em Paris e não voltou. Ele soube qualquer coisa e foi-se embora. Mas queria dizer-lhe o seguinte: a Pide cá era uma coisa, a Pide em África era outra coisa completamente diferente. E qual era a diferença? A Pide em África era um organismo de informações. Obtinham informações sobre o nosso inimigo e depois davam essas informações ao Exército português. Não andavam à procura dos portugueses contra o regime. Nas antigas colónias, a Pide trabalhava em prol do Exército português e teve uma acção muito importante, porque o Exército não tinha a capacidade para saber coisas que eles tinham.

E isso não contribuiu para ter havido um certo perdão nacional relativamente à Pide? Com os políticos foi a mesma coisa…

Aí voltamos ao que eu comecei por dizer. Nós perdoamos muito. Acabamos por dizer “o gajo no fundo não é mau rapaz, não volta a fazer”. Nós somos assim. Em relação à Pide quase houve uma atitude deste tipo. Em qualquer outro sítio do mundo, com outro tipo de pessoas, se calhar cortavam a cabeça à Pide. Eles tinham feito coisas terríveis. Era natural que houvesse uma vingança sobre esse organismo. É claro que muitos deles cavaram, os mais responsáveis já cá não estavam quando as coisas aconteceram. E hoje em dia o edifício da rua António Maria Cardoso é um prédio de luxo tipo hotel de 5 estrelas (risos).

Por Ana Sá Lopes e foto de Eduardo Martins

http://www.ionline.pt … (FONTE)

 

Helmut Schmidt juge “totalement compréhensible” l’action de Poutine en Crimée

helmut-schmidtL’ancien chancelier allemand Helmut Schmidt a déclaré mercredi qu’il comprend le comportement du président russe Vladimir Poutine dans la péninsule de Crimée.

Dans un entretien avec l’hebdomadaire allemand Die Zeit, Schmidt a qualifié de « totalement compréhensible » la signature de Poutine sur l’annexion de la Crimée à la Russie.

Il a en outre dit qu’ « il doute du fait que cette annexion soit une violation du droit international », comme le disent les Occidentaux.

Il a expliqué que « le droit international a été violé à maintes reprises, dont récemment l’intervention occidentale dans la guerre civile en Libye ».

Pour ce qui est de l’histoire de la Crimée, il a rappelé que « jusqu’au dans les années 90,  l’Occident n’avait aucun doute que la Crimée et l’Ukraine faisaient tous les deux partie de la Russie. Même les historiens ne sont pas tous d’accord sur le fait qu’il y ait une nation ukrainienne ».

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O golpe visto da janela de minha casa | Adelto Gonçalves

Livro_Adelto_Gonçalves_BrasilEm 1964, eu tinha 12 anos de idade e assisti ao golpe militar da janela de minha casa. A morada de meus pais era no Largo Teresa Cristina, 27, defronte para o prédio do Sindicato dos Operários Portuários de Santos, localizado à Rua General Câmara, cuja lateral direita dava para a praça. Foi por ali que chegaram os soldados da Polícia Marítima, do comandante Seco, ostensivamente armados. Da janela, vi como alguns daqueles homens de uniforme azul com metralhadoras em punho e longos bastões – que no cais eram mais conhecidos como “pés de mesa” – escalaram o muro dos fundos do sindicato, assumindo posições estratégicas.

            Depois, ouvi o estilhaçar de uma vidraça do edifício do sindicato, talvez rompida por uma granada de efeito moral ou uma pedra. E, então, percebi algumas poucas cabeças que se desenhavam nas vidraças: eram os dirigentes do sindicato acuados, provavelmente à espera de notícias que pudessem vir de Brasília sobre um eventual esquema de resistência ao golpe.

Mais tarde, ainda da janela, pude perceber uma aglomeração na Rua General Câmara com o Largo. Então, tomei coragem e desci à rua e vi quando alguns daqueles homens que estavam acuados na parte de cima do sindicato desceram as escadarias, sob a mira de metralhadoras, e entraram numa espécie de “corredor polonês” aos tapas e pescoções em direção a um caminhão coberto. Entre eles, lembro-me de ter visto Manoel de Almeida, que era o presidente do sindicato, e Rafael Babunovitch, diretor. Com outros diretores e alguns associados solidários, seriam conduzidos para o navio-prisão, que por muitos dias ficaria ancorado em frente ao porto de Santos com sua presença ameaçadora, tal como uma forca na praça principal de uma pequena cidade.

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Noam Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação dos Media

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

Noam Chomsky

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

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