Aeroporto de Lisboa | O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! | por João Soares | 01/08/2022

A propósito do que ontem disse de forma inevitavelmente breve no comentário do TJ da RTP sobre o eventual futuro novo Aeroporto de Lisboa. Faço questão de deixar aqui algumas notas complementares.

O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! Essa é uma “treta” que nos contam há cinquenta anos, repetidamente. Anunciando para o ano que vem sempre, e para o próximo milhão de passageiros sempre, o “esgotamento”.

O Aeroporto Humberto Delgado tem um problema de funcionamento da sua aerogare que pode e deve ser emendado com relativa facilidade. A aerogare tem sido remendada, a partir do projecto inicial de Keil do Amaral dos anos quarenta do século passado, com remendos que de uma forma geral só dificultam a sua funcionalidade e fluidez.

Se eu fosse dos que acreditam em teorias conspirativas diria que aqui há gato nas dificuldades de funcionamento simples e que não se resolvem.

A ANA / VINCI quer fazer o negócio da utilização valorização dos terrenos do Aeroporto Humberto Delgado, e também o da construção de um novo aeroporto. A ANA / VINCI é dirigida por alguém que negociou a privatização da ANA do lado do Governo, e agora a preside.

As varias loucuras que nos têm tentado vender sobre novo aeroporto vão de Beja a Monte Real, passando por Alcochete, Montijo, e Ota. Gastámos já muitos milhões de euros em estudos sobre estas tretas. Teriam sido melhor gastos na remodelação capaz da aerogare, e na construção do “taxi way” que acompanhe a pista principal de Humberto Delgado, a 03 / 21.

 Um super aeroporto, com gastos em infraestruturas de acesso como novas pontes, e num crescimento demencial de um imobiliário especulativo, não corresponde ao modelo de desenvolvimento que eu cidadão português quero para a nossa terra.

Penso que estes investimentos disparatados serão melhor utlizados a melhorar, e muito, a nossa pobre rede ferroviária que bem precisa.

Há por trás desta “treta” que nos tentam vender há cinquenta anos muito desejo de negócio na minha modesta opinião indesejável, e até mesmo por vezes condenável.

Acabar com a Base Aérea do Montijo é dificultar inutilmente operações vitais da Força Aérea Portuguesa. Nomeadamente na busca e salvamento na nossa ZEE. Esta é desde há muito, e foi durante os doze anos em que fui autarca de Lisboa, a minha opinião. Vale o que vale mas aqui fica.

João Soares, 01/08/2022

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