O modo ocidental de guerra – possuir a narrativa supera a realidade, Alastair Crooke • 26 de agosto de 2024 • 1.300 palavras •

Retirado do Facebook | Mural de Piedade Palma Nunes

O equipamento alemão visível em Kursk levantou velhos fantasmas e consolidou a consciência das intenções ocidentais hostis em relação à Rússia. “Nunca mais” é a resposta tácita.

A propaganda de guerra e a finta são tão antigas quanto as colinas. Nada de novo. Mas o que é novo é que a guerra de informação não é mais o complemento de objetivos de guerra mais amplos – mas se tornou um fim em si mesmo.

O Ocidente passou a ver “possuir” a narrativa vencedora – e apresentar o Outro como desajeitado, dissonante e extremista – como sendo mais importante do que enfrentar os factos no terreno. Possuir a narrativa vencedora é vencer, nessa visão. A “vitória” virtual, portanto, supera a realidade “real”.

Assim, a guerra se torna o cenário para impor o alinhamento ideológico em uma ampla aliança global e aplicá-lo por meio de uma mídia complacente.

Este objetivo goza de uma prioridade maior do que, digamos, garantir uma capacidade de fabricação suficiente para sustentar objetivos militares. A elaboração de uma “realidade” imaginada tem precedência sobre a formação da realidade básica.

Continuar a ler

‘Rio do Sono’: em busca das memórias perdidas, de Flávio R. Kothe, por Adelto Gonçalves

Obra do professor Flávio R. Kothe traz 30 contos que procuram penetrar nos mistérios insondáveis da alma.                                                                       

                                                                               I

                Vítima de atos arbitrários tomados pelos militares e seus áulicos depois que assaltaram o poder em 1964, que o levaram a passar longos anos fora do Brasil, Flávio R. Kothe, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), volta a se inspirar em sua própria vida para escrever vários dos 30 contos que integram Rio do Sono (São Paulo, Editora Cajuína, 2023), a exemplo do que fez também em Crimes no campus: novela de detetive (São Paulo, Editora Cajuína, 2023).

Em ambos os livros, o autor procura recuperar memórias perdidas, nem todas ligadas à ditadura, como se a literatura fosse uma historiografia inconsciente, ou uma recuperação do ocultado na História. Como exemplo, basta lembrar que, em novembro de 1989, o autor estava em Berlim quando houve a queda do muro que separava as duas Alemanhas. E que, com as lembranças desse episódio, escreveu O Muro (São Paulo, Editora Scortecci, 2016), longo romance histórico sobre o processo de desintegração do socialismo na Alemanha Oriental.

Continuar a ler