Carta divulgada em Davos. Mais ricos do mundo pedem mais impostos sobre fortunas | in RTP

Estão entre os mais ricos do mundo, também por isso participam no Fórum Económico Mundial, e querem que os líderes mundiais tomem “medidas para fazer face ao dramático aumento da desigualdade económica” para evitar consequências “catastróficas para a sociedade”. Em carta aberta apresentada na cimeira, afirmam que a luta por “impostos mais justos não é radical”.

“É uma exigência de um regresso à normalidade com base numa avaliação sóbria das atuais condições económicas”, escreveram os signatários de 17 países.

“Somos as pessoas que investem em startups, moldam os mercados de ações, fazem crescer os negócios e promovem o crescimento económico sustentável. Somos também as pessoas que mais beneficiam do status quo”, reconhecem ainda.

Contudo, consideram que: as desigualdades a nível global atingiram “um ponto de viragem e o custo para a nossa estabilidade económica, social e ecológica é grave e aumenta todos os dias”.

“Precisamos de ação já”, exigem os signatários, nos quais se incluem a herdeira da Disney, Abigail Disney, o ator Brian Cox e a norte-americana Valerie Rockefeller. “O nosso pedido é simples: pedimos que nos imponham mais impostos, a nós os mais ricos da sociedade”.

Dirigindo-se aos líderes dos países presentes na cimeira, que decorre na estância suíça de Davos, asseguram que esta medida “não alterará” o nível de vida das pessoas mais abastadas, “nem prejudicará o crescimento económico das nossas nações”.

Além disso, acreditam que desta forma se transformará “a riqueza privada extrema e improdutiva num investimento para o nosso futuro democrático comum”.

A solução para as desigualdades verificadas em todo o mundo, continuam, não está nas “doações pontuais ou na solidariedade”, nem os atos individuais podem “corrigir o atual desequilíbrio colossal”.

“Precisamos que os nossos governos e os nossos líderes governem. E assim dirigimos-vos o pedido urgente de que atuem: unilateralmente a nível nacional e em conjunto no cenário internacional”. “Não só queremos ser mais tributados, como acreditamos que devemos ser mais tributados”, reforçam o pedido, admitindo que a demora na tomada de decisão “consolida o perigos status quo económico, ameaça as nossas normas democráticas e transfere a responsabilidade para os nossos filhos e netos”.

Como membros da elite dos mais ricos do mundo, admitem que ficariam “orgulhosos por viver em países onde isto é o esperado” e onde os líderes eleitos “constroem futuros melhores”. Nesse sentido, sublinham que terão orgulho em “pagar mais para combater a desigualdade extrema”, para “ajudar a reduzir o custo de vida dos trabalhadores”, para pagar “para educar a próxima geração” e por mais “sistemas de saúde resilientes”. Querem mais impostos também para poderem pagar “mais por infraestruturas melhores” e pela transição verde dos países.

Identificando-se como membros dos grupos mais ricos das sociedades, repetem que se sentirão orgulhos por “pagar mais impostos sobre a nossa riqueza extrema”.

A verdadeira solução para o combate às desigualdades e às consequências destas pode ser encontrada, segundo os signatário, não só na “forma como trata o mais vulneráveis, mas também no que exige dos membros mais ricos”

“O nosso futuro é de orgulho fiscal ou de vergonha económica. Essa é a escolha”, vincam ainda.“Pedimo-vos que tomem este passo necessário e inevitável antes que seja tarde demais. Deixem os vossos países orgulhosos. Tributem a riqueza extrema”, concluem.

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