Behind the Image: David Hurn’s Beatlemania | in “Magnum”

David Hurn reveals the story and the process behind an iconic image of The Beatles’ Ringo Starr

In 1964 The Beatles starred in the feature film A Hard Day’s Night. Blurring the lines between the reality of their pop-star status and fiction, the film follows several days in the life of the group as they navigate television appearances and record label executives. Coming at the height of ‘Beatlemania’ the screaming fans depicted in the film were mirrored by the hoards of fanatic young girls that would await the band at all of their public appearances. David Hurn, following a tradition of Magnum photographers working on film sets, took this photograph of fans eyeing Ringo Starr on the moving train, where the film was primarily shot.

The Behind the Image series uncovers the untold stories that lie behind some of the most-well known images by Magnum photographers. Here, we speak to Magnum photographer and judge of the 2017 LensCulture and Magnum Photography Awards David Hurn to discuss the sequence of events that led to the surreal moment, and what might have happened had he not taken that shot.

What is happening in this photograph?
The photograph was shot in 1964 during the making of the film A Hard Days Night, a film staring The Beatles. Ringo Starr (Richard Starkey, MBE), is sitting in the carriage of an old-fashioned train. Fans have invaded the train and are looking through the outside window.

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PABLO NERUDA | poème

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Incliné sur les soirs je jette un filet triste
sur tes yeux d’océan.

Là, brûle écartelée sur le plus haut bûcher,
ma solitude aux bras battants comme un noyé.

Tes yeux absents, j’y fais des marques rouges
et ils ondoient comme la mer au pied d’un phare.

Ma femelle distante, agrippée aux ténèbres,
de ton regard surgit la côte de l’effroi.

Incliné sur les soirs je jette un filet triste
sur la mer qui secoue tes grands yeux d’océan.

Les oiseaux de la nuit picorent les étoiles
qui scintillent comme mon âme quand je t’aime.

Et la nuit galopant sur sa sombre jument
éparpille au hasard l’épi bleu sur les champs

Wil Prado: estréia tardia, mas auspiciosa | Adelto Gonçalves

                                                           I

Escrito em tom coloquial e próximo ao de um diário íntimo, o romance Sob as Sombras da Agonia (Lisboa, Chiado Editora, 2016) marca a estréia no gênero (tardia, mas auspiciosa) do jornalista, contista, cronista e crítico literário Wil Prado (1952). Saudado com entusiasmo por romancistas experientes e consagrados, como Raduan Nassar (Prêmio Camões de 2016) e João Almino, o livro demorou anos para sair à luz e traz flagrantes influências dos anos 70, época em que o boom da ficção latino-americana conquistou corações e mentes da geração de futuros escritores nascida nos anos 50.

Essa constatação é avalizada pelo jornalista e poeta Salomão Sousa na apresentação que escreveu para este livro de seu antigo colega de redação no Correio do Planalto na Brasília daqueles anos, na qual observa que Sob as Sombras da Agonia não se trata de um romance de formação, “mas de crítica social, descendente de Graciliano Ramos e de Dostoiévski e de outros mestres que lidam com o questionamento da realidade”.

O livro sai a uma época propícia porque denuncia o quanto a alta burguesia é capaz de fazer para manter o seu status, manipulando a vida e o futuro dos “humilhados e ofendidos”, na expressão dostoievskiana, desde a utilização das pessoas humildes como mercadorias até o assalto aos cofres públicos para utilizar para fins inconfessáveis recursos provenientes dos impostos pagos pela população e que deveriam ser aplicados na construção de hospitais, escolas, rodovias e outras obras de infraestrutura (sem superfaturamento).

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Vazios europeus | Carlos Matos Gomes in “Incomunidade”

As aldeias abandonadas de Espanha e de Portugal são um dos resultados do vazio do projecto europeu do pós-guerra. São simultaneamente reais e simbólicas. As aldeias vazias do pós-guerra recordam-me o castelo templário do Almourol, isolado e vazio no meio do Tejo, junto a Tancos e à Barquinha onde nasci.

Em Portugal, após o inevitável fim das impossíveis soberanias coloniais – inevitável porque contra a ordem mundial imposta pelos vencedores da II Guerra e impossível porque contra os objectivos finais do colonialismo de lucrar com a exploração barata de matérias-primas e a transformação em produtos de alto valor –, restou um vazio disfarçado com o objectivo nacional da integração europeia. O novo desígnio. A bebedeira foi curta, mas provocou uma ressaca profunda. Hoje vivemos a ressaca do vazio que, por um lado, criámos e, por outro, encontrámos.

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The Digital Mind | How Science is Redefining Humanity | Arlindo Oliveira

Following the release in the US,  The Digital Mind, published by MIT Press,  is now available in Europe, at an Amazon store near you (and possibly in other bookstores). The book covers the evolution of technology, leading towards the expected emergence of digital minds.

Here is a short rundown of the book, kindly provided by yours truly, the author.

New technologies have been introduced in human lives at an ever increasing rate, since the first significant advances took place with the cognitive revolution, some 70.000 years ago. Although electronic computers are recent and have been around for only a few decades, they represent just the latest way to process information and create order out of chaos. Before computers, the job of processing information was done by living organisms, which are nothing more than complex information processing devices, created by billions of years of evolution.

Computers execute algorithms, sequences of small steps that, in the end, perform some desired computation, be it simple or complex. Algorithms are everywhere, and they became an integral part of our lives. Evolution is, in itself, a complex and long- running algorithm that created all species on Earth. The most advanced of these species, Homo sapiens, was endowed with a brain that is the most complex information processing device ever devised. Brains enable humans to process information in a way unparalleled by any other species, living or extinct, or by any machine. They provide humans with intelligence, consciousness and, some believe, even with a soul, a characteristic that makes humans different from all other animals and from any machine in existence.

But brains also enabled humans to develop science and technology to a point where it is possible to design computers with a power comparable to that of the human brain. Artificial intelligence will one day make it possible to create intelligent machines and computational biology will one day enable us to model, simulate and understand biological systems and even complete brains with unprecedented levels of detail. From these efforts, new minds will eventually emerge, minds that will emanate from the execution of programs running in powerful computers. These digital minds may one day rival our own, become our partners and replace humans in many tasks. They may usher in a technological singularity, a revolution in human society unlike any other that happened before. They may make humans obsolete and even a threatened species or they make us super-humans or demi-gods.

How will we create these digital minds? How will they change our daily lives? Will we recognize them as equals or will they forever be our slaves? Will we ever be able to simulate truly human-like minds in computers? Will humans transcend the frontiers of biology and become immortal? Will humans remain, forever, the only known intelligence in the universe?

Arlindo L. Oliveira | Presidente do Instituto Superior Técnico

APCL – Associação Portuguesa dos Críticos Literários | Manuel Frias Martins

A APCL está no Facebook desde 6 de Abril de 2017. Os nossos princípios podem ser sintetizados da seguinte maneira. 1) Acreditamos na promoção da leitura, bem como na compreensão e construção dos sentidos do humano através da literatura. 2) Entendemos a actividade crítica como comentário de textos considerados artísticos, independentemente da situação de comunicação que desencadeia e/ou particulariza esse comentário. 3) Valorizamos a heterogeneidade litigante do conhecimento.

(Manuel Frias Martins)

https://web.facebook.com/associacaodecriticos

DiEM25 | Estamos a ficar políticos!

No passado fim-de-semana foi o 60ª aniversário da EU. Num palco em Roma, repleto de líderes progressistas de toda a Europa, revelámos o nosso New Deal Europeu, um programa económico para salvar a Europa de si mesma.

Além disto, para surpresa de grande parte dos meios de comunicação social mundiais fizemos um convite público a atores políticos, movimentos e grupos em toda Europa para levar este New Deal Europeu a votação.

É isso mesmo: um ano após a participação na conversa global sobre como salvar a EU, estamos agora a organizar-nos para o fazer acontecer!

(Se não conseguiste estar presente no nosso magnífico encontro em no Teatro Itália de Roma – vê  este vídeo)

Vítor, temos muito trabalho nos próximos meses, visto que caminhamos para uma nova fase. Enquanto membros do DiEM25 temos todos de discutir como atrair a mais vasta aliança de democratas por detrás do New Deal Europeu, e torná-lo realidade.

Depois, a 25 de Maio, juntar-nos-emos novamente em Berlin no Teatro Volksbühne local de nascimento do DiEM25’s) onde iremos anunciar o quadro de referência para levar o trabalho do nosso movimento para as atuais políticas da união.

Este é o nosso movimento. Precisamos de tantas vozes e propostas quanto possível para trazer a mudança à Europa. Por favor junta-te a esta discussão fulcral e guia o DiEM25 para esta nova fase entusiasmante.

Obrigada e carpe DiEM25!

Luis Martín
DiEM25 Coordenador de Comunicação

PS – Como as eleições presidenciais francesas – essenciais para o futuro da EU – estão ao dobrar da esquina, tivemos uma discussão animada (liderada pelos nossos membros franceses) sobre a qual deverá ser a nossa posição a esse respeito. Vê este documento informativo para saber mais sobre as conclusões e decide a posição do DiEM25 mediante votação (a votação termina à meia noite de dia 11 de Abril!).

Mas afinal o que assinaram em Roma há 60 anos? | Rui Tavares in “Jornal Público”

A UE é um dos mais livres e iguais espaços de cidadania. Isso já não é coisa pouca e deveria aconselhar-nos a cuidar da sua preservação e aprofundamento.

O atual Tratado da União Europeia foi negociado num convento belga. A primeira versão, que mais tarde seria tantas vezes emendada até ao Tratado de Lisboa, foi terminada no início de 1957. Escolheu-se um local e uma data — Roma, 25 de março — para a sua assinatura por três presidentes e três monarcas dos seis países fundadores da UE.

Tomadas estas decisões, um funcionário da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi metido num comboio a partir do Luxemburgo. Levava com ele o texto do tratado e as máquinas de mimeografia que então se usavam para imprimir as cópias que seriam solenemente assinadas em Itália. Mas quando chegou à fronteira da Suíça este primeiro eurocrata ouviu um barulho na sua carruagem que prenunciava o pior. Sem que ninguém se tivesse lembrado disso, havia então uma lei suíça que determinava que as carruagens de mercadorias e as de passageiros fossem separadas e seguissem caminhos diferentes. O pobre homem lá perdeu um tempo precioso a localizar as máquinas de mimeografia e chegou à capital italiana já muito próximo da data da assinatura do tratado.

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“Deus-Dará” | Alexandra Lucas Coelho | por André Barata

“Deus-Dará”, da Alexandra Lucas Coelho, é um grande romance, dos melhores que li em alguns anos entre autores de Portugal, tão bom que demorará a entrar, muito além da boa prosa jornalística que imediatamente nos conta uma boa história, muito além da imediatidade, e do circo todo ele cheio de pressa, do reconhecimento, das críticas, dos prémios.

Há grandes romances de várias espécies. O da Alexandra exemplifica aquela espécie de romance que consegue capturar a singularidade de um tempo que foi vivido por muitos de uma geração. Evitarei as comparações, mas o próprio romance trá-las nos seus intertextos. Esta geração, que é bastante a minha, em que tantos se acharam a viajar oportunidades fora, teve muitos no Brasil que se surpreenderam a experiência de não serem aí verdadeiramente estrangeiros, mas aí conhecerem em muitos aspectos a experiência do que trazemos de estrangeiros em nós mesmos, desde logo como portugueses, imperialistas escravistas que pouca memória guardam de o ter sido, como falantes a reencontrarem-se na sua própria língua apesar de quase emigrados nela, e como testemunhas de um país continental de tantas maneiras e a tantas escalas vertiginoso.

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Avec espoir et célébration | Avaaz

Quelque chose de fantastique vient de se produire. Le “Trump” des Pays-Bas, Geert Wilders, vient d’être battu aux élections, alors qu’il était en tête de la course électorale jusqu’au dernier moment!

Wilders avait promis de faire fermer toutes les mosquées, de faire sortir les Pays-Bas de l’Union européenne et d’interdire le Coran. Après Trump et le Brexit, le monde entier avait les yeux rivés sur les Pays-Bas: l’extrême-droite allait-elle poursuivre sa terrifiante trajectoire?

Mais en fin de compte, le peuple néerlandais a voté pour l’espoir au lieu de la haine. La marée de politiques fascisantes commence enfin à refluer! Notre mouvement était au coeur de cet effort: de quelle manière?

20 000 manifestants, 500 km en bus, une vidéo virale visionnée 5 millions de fois, une annonce publicitaire vue par 300 000 personnes, et tout un mouvement uni contre la haine.

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a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france | Inês Salvador

Em tempos, sempre que chegava a Primavera chegava o francês para passar uma temporada em casa da minha então vizinha de cima. Era a época em que o colchão da vizinha rangia das molas todas as noites. Caiam objectos, soltavam-se ais e gemidos, a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france com a bastilha a ser tomada várias vezes pela noite dentro. De manhã, calhava-me encontrar o francês no elevador e na circunstancial conversa lá arriscava “vacances?”, “oui”, respondia ele lascivo e meio desgrenhado de sorriso morno, como se a revolução ainda lhe estivesse no pêlo. Uma temporada, uma manhã, encontrei o francês no elevador e soltei o tradicional camarada de circunstância “vacances?”, “comme ci comme ça” foi tudo o que disse à procura de um ponto onde assentar os olhos. Nunca mais vi o francês.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Os caridosos nunca deixarão os pobres sair da pobreza | Inês Salvador

Cilinha sabia que de tudo que sabia o que mais lhe valia era a beleza da juventude. Foi no tempo da revolução, era eu ainda muito miúda. Muito miúda era o disfarce do tempo com que rematava a existência. Nunca poderia ter muita idade, se tudo o que sabia lhe vinha de ter de sido muito miúda a todo o tempo de todas as datas. Mas muito miúda já não lhe servia. Sempre que dizia muito miúda sentia os olhos interlocutores percorrerem-lhe o socalco das rugas. Os caridosos nunca deixarão os pobres sair da pobreza, diz-me a minha intuição. Cilinha passou a fazer da longevidade da própria vida um oráculo, uma bola de cristal que consultava por intuição. Cilinha nunca envelheceu. Morreu bela e jovem, como um vampiro da vida.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Prémios | Carlos Matos Gomes

Prémios. Por muito que me custe, passo o dia e parte da noite a ouvir notícias sobre os bancos. Notícias de milhões, o BES e grupo de forcados associados torrou 10 mil milhões, o BPN do pobre Oliveira e Costa e família de amigos de Cavaco Silva, de 6 a 8 mil milhões, o BANIF de oque e amigos, um pouco menos, a Caixa um 3 ou 4 mil milhões de imparidades, o Montepio, o BCP, o BPI … Do que oiço e ouvi, todos os conselhos de administração, conselhos fiscais, mesas de assembleias gerais destas e doutras desnatadeiras receberam chorudos prémios de gestão… O Ministério Público não se interessa em saber se foi incompetência ou corrupção, a doutora Cristas, toda bem disposta diz que era de confiar e assinava de cruz, com os pés dentro de água e a pele a luzir de bronzeador. O público, como nas touradas grita Bravo e Olé!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

“Aos homens que nunca foram meninos” | Ana Catarina Mendes

Passaram 75 anos desde que Soeiro Pereira Gomes dedicou aos homens que nunca foram meninos “Os Esteiros”, pensando em todos aqueles a quem foi roubado o direito a ser criança, o direito a frequentar a escola, o direito a uma cidadania plena com igualdade de oportunidades.

Três quartos de século depois, continua a ser necessário pensar nos que, por muitas razões, não tiveram acesso à educação em quantidade e qualidade necessárias para a sua plena inserção. A igualdade de oportunidades é um desígnio para uma sociedade inclusiva e democrática!

Para lá de todos os défices de que tanto se fala, o grande e silencioso défice estrutural da nossa sociedade é o défice das qualificações. Um défice que o anterior Governo não quis combater porque na sua visão de Direita a segunda oportunidade educativa não era uma prioridade. Um défice social que nunca preocupou o PSD ou o CDS e que é tão ou mais importante reduzir quanto o défice orçamental.

Relançar a educação e formação de adultos é cumprir mais um compromisso que o PS assumiu com os portugueses.

Esta é a razão de ser do programa Qualifica: estratégia de educação e formação de adultos que combina reconhecimento, validação e certificação de competências com formação complementar obrigatória ajustada a cada caso.

A grande ambição da educação e formação de adultos é o combate à desigualdade pela falta de qualificações e competências. Mas, é também suprir um défice social e pagar uma dívida da democracia para os cidadãos que não tiveram oportunidade de estudar.

Acompanhei e privei com muitos que, por falta de condições económicas, não puderam estudar. Gente capaz, inteligente, culta e autodidata que procurou nas bibliotecas o acesso gratuito a livros para aprender mais, nos amigos ajuda para sonhar com outro mundo, na força da vida de trabalho crescer como cidadão. Mas sempre com a tristeza de não ter frequentado os bancos da escola…Dar novas oportunidades a quem foi excluído do sistema de ensino é uma dívida da sociedade democrática, porque os “homens que nunca foram meninos” merecem e porque a exclusão escolar é ainda um problema do presente.

SECRETÁRIA-GERAL-ADJUNTA DO PS

le désir de quelque chose

Quand un individu rencontre sa moitié, le couple se perd dans un océan d’amour, amitié et intimité… ce sont les personnes qui passent leur vie ensemble ; pourtant, ils ne savent pas expliquer ce qu’ils veulent l’un de l’autre. Car le désir intense que tous deux ont pour l’autre ne semble pas être le désir de l’amour physique, mais le désir de quelque chose que l’âme de tous les deux il souhaite ne peut exprimer.

La fin de l’ivoire | Marigona Uka – Avaaz

Nous sommes sur le point d’éradiquer les éléphants de la surface de la Terre. Leur situation est si grave que certains naissent désormais sans défenses, en un ultime coup de poker au grand jeu de l’évolution pour survivre à la cruauté humaine.

Pour la première fois, la Chine, le plus grand importateur d’ivoire au monde, a annoncé une interdiction de l’ivoire. Aujourd’hui, si nous sommes assez nombreux, nous pouvons amener l’Europe, le premier exportateur mondial, à suivre son exemple!
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A incompatibilidade do nacionalismo com a democracia | Carlos Matos Gomes

A utilização do velho truque de Nero, de lançar fogo a Roma e acusar os cristãos, pelos jovens neofascistas do movimento “Nova Portugalidade” a propósito de uma conferência/comício de Jaime Nogueira Pinto numa faculdade, trouxe o tema da relação do nacionalismo com a democracia à actualidade. Jaime Nogueira Pinto sabe de história e de política. Conhece a teoria e a prática. Jaime Nogueira Pinto sabe da incompatibilidade entre nacionalismo e democracia, mas sabe também que com verdades, como dizia um júnior do partido popular, não se ganham eleições. Na atual fase da história aqui em Portugal é conveniente afirmar exactamente o contrário, a compatibilidade entre nacionalismo e democracia. O caminho faz-se caminhando e chegará o tempo de retirar a máscara e chamar à ditadura democracia orgânica.
Passe a redundância, o nacionalismo é incompatível com a democracia porque o nacionalismo se baseia em conceitos incompatíveis com a democracia. O nacionalismo baseia-se no conceito da superioridade. Os nacionalistas defendem a superioridade do seu grupo e logo a inferioridade dos outros. O nacionalismo defende a desigualdade entre grupos. A democracia defende a igualdade. A afirmação da superioridade causa naturais reacções nos que são considerados inferiores. Daí a violência dos nacionalistas. A superioridade só pode ser imposta pela força. O nacionalismo defende a violência. Mas a violência só pode ser eficaz se for dirigida e executada pelos mais fortes. O nacionalismo defende a desigualdade interna, daí os corpos especiais e os privilégios e os direitos das elites.

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O grande abandono | José Pacheco Pereira in Jornal “Público”

Eles sabem que o CDS, o PSD, o PS os abandonaram à sua sorte, estão-se literalmente borrifando para as “causas fracturantes” do Bloco de Esquerda, e a “linguagem de pau” do PCP não os mobiliza. Eles esperam no seu fel – até um dia.

Na semana passada a televisão portuguesa fez várias notícias sobre a recepção de refugiados yazidis sírios e iraquianos e as condições que lhes estão a ser preparadas por algumas organizações, autarquias e o próprio Estado. Mostrava-se o interior de uma casa que ia ser entregue a uma família refugiada, e as condições em que iam recomeçar a sua vida em Portugal. Estava a ver essas imagens num café e restaurante popular, onde várias mulheres trabalham na cozinha. Conheço-as pessoalmente – é gente que tem um salário mínimo e que trabalha em muito más condições, num local quente e acanhado, durante imensas horas. Não são estatisticamente pobres, mas são pobres. Têm salário, têm uma profissão, precária que seja, têm famílias e filhos, são umas novas e outras de meia-idade, mas são pobres.

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