Maria Isabel Fidalgo | Poema dos sete beijos

Dá- me sete beijos de papel em folha de papiro com laço de seda que bem mereço.

Não perguntes deste meu desejo irreal a que chamarás absurdo.

Sabes que vivo de ilusões

e de sonhos de impossibilidade ilimitada.

Só por isso sobrevivo na grande nave do mundo sem precisar de ir ao espaço.

Sete beijos em papel de papiro

e uma taça de champanhe para comemorar a audácia de os ler

com o estrondo da garrafa que embebede de espuma a fita de seda

e a boca que houver.

Zelensky OUTRAGED By Amnesty Report on Ukrainian War Crimes as Kyiv demands $750 BILLION | + Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização


TÁTICAS DE COMBATE UCRANIANAS COLOCAM CIVIS EM PERIGO

( ler o texto traduzido em português neste link)

https://www.amnestyusa.org/press-releases/ukrainian-fighting-tactics-endanger-civilians/

Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização

(clicar no URL em baixo)

O relatório, divulgado na quinta-feira, alertava que as forças ucranianas colocam em perigo a população civil quando estabelecem bases militares em zonas residenciais e lançam ataques a partir de áreas habitadas por civis.

As forças ucranianas põem civis em perigo quando montam bases e operam sistemas de armas “em zonas habitadas por civis, incluindo em escolas e hospitais, para repelir a invasão russa que começou em fevereiro”, refere a organização no documento, acrescentando que essas táticas violam o direito internacional e tornam zonas civis em objetivos militares contra os quais os russos retaliam.

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2022-08-06-Responsavel-da-Amnistia-Internacional-em-Kiev-demite-se-criticando-organizacao-a40112e6?fbclid=IwAR34PtIfqfYilFN207weN2JV-UiKn4uQCq8q3k-D_V_5TmGwNXXVAYgoC1k

CRESCENTE APROXIMAÇÃO RÚSSIA-TURQUIA DISPARA ALARMES NAS CAPITAIS OCIDENTAIS

As capitais ocidentais estão cada vez mais alarmadas com o aprofundamento da cooperação económica entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e Vladimir Putin, alertando para o risco crescente de que o Estado membro da NATO possa ser atingido por retaliação punitiva se ajudar a Rússia a evitar sanções.

Seis funcionários ocidentais disseram ao Financial Times que estavam preocupados com a promessa feita na sexta-feira pelos líderes turcos e russos de expandir sua cooperação em comércio e energia após uma reunião de quatro horas em Sochi.

Um funcionário da UE disse que o bloco de 27 membros está monitorando a cooperação turco-russa “cada vez mais de perto”, expressando preocupação de que a Turquia esteja “cada vez mais” se tornando uma plataforma para o comércio com a Rússia.

Outro descreveu o comportamento da Turquia em relação à Rússia como “muito oportunista”, acrescentando: “Estamos tentando fazer com que os turcos prestem atenção às nossas preocupações”.

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Conselho Português para a Paz e Cooperação – CPPC

Hiroxima e Nagasaki nunca mais!

O Conselho Português para a Paz e Cooperação assinala os 77 anos dos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui

– É urgente a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares

Em agosto de 1945 – a Segunda Guerra Mundial terminara na Europa, formalmente, apenas há três meses –, o mundo era confrontado com um ato inumano e inesperado. Sem aviso prévio, no dia 6, os Estados Unidos da América (EUA) lançavam sobre a cidade japonesa de Hiroxima uma bomba atómica, e três dias depois, outra sobre a cidade de Nagasáqui. À época, essas cidades eram desprovidas de importância militar, e o Japão encontrava-se em processo de capitulação.

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Sobre a Rússia | por Carlos Fino | Eu poderia ter escrito exactamente um texto assim. (vcs)

Não é tanto simpatia pela Rússia – não tenho saudades. É mais dúvidas quanto ao acerto das políticas que vêm sendo seguidas contra ela.

Querer “isolar” a Rússia, que é um continente riquíssimo em todo o tipo de matérias-primas e de onde nos vinha até agora energia barata, ainda por cima com países como a China, a Índia, a África do Sul ou até o Brasil contrários a essa posição, parece-me que não faz muito sentido e vai contra os interesses dos europeus.

A política externa, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, não se deve orientar só por “valores” – caminho direto para o confronto -, mas antes de mais pela defesa bem ponderada de quais são ou não são os nossos reais interesses. Ignorar isso e morder a isca dos “valores”, pode levar-nos, como já está a levar, a subordinar os nossos interesses aos dos outros.

Como já se percebeu, quem ganha com a guerra da Ucrânia e com as políticas europeias que vêm sendo seguidas são os Estados Unidos e a China. Não é, certamente, como também já se viu, a Europa. Portanto…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

A União Europeia morreu e ninguém a informou | José Goulão, in AbrilAbril, 02/08/2022

A Europa Ocidental tem apenas mais 20 a 30 anos de democracia; depois disso deslizará sem motor e sem leme sob o mar envolvente da ditadura (…)
                      Willy Brandt, chanceler da República Federal da Alemanha, 1974


Willy Brandt, polémico mas suficientemente lúcido para não fechar pontes em plena guerra fria, era um estadista, espécie entretanto desaparecida como os dinossauros. Governou nos tempos em que se pensava existir uma coisa chamada «social-democracia», que durante as últimas décadas também «deslizou sem motor e sem leme» para a selvajaria neoliberal, a ditadura da economia sobre a política, passo decisivo para a extinção da democracia – como estamos a perceber.

Brandt não era um bruxo; limitou-se a reflectir sobre perspectivas a médio prazo com base na percepção, leitura objectiva das realidades, experiência e intuição que não lhe faltavam porque era um praticante de política, actividade que é um direito geral de cidadania entretanto «promovida» a uma espécie de «ciência oculta» actualmente apenas ao alcance de uma seita de predestinados com capacidade para governar, dominada pela arrogância, a frieza desumana, a irresponsabilidade e a mediocridade, particularidades afinal essenciais num regime autoritário.

As palavras do antigo chanceler alemão, proferidas pouco antes de deixar o cargo, projectam-se na actualidade de maneira tão evidente como inquietante. Acertam em cheio no «deslizamento» da Europa para a ditadura política, completando-se assim o cenário aberto pelo totalitarismo da economia (ditadura do mercado), embora mantendo aparências formais em matéria de direitos cívicos, entretanto ferozmente vigiados e combatidos passo-a-passo por meios antidemocráticos.

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Das moscas do mercado | Carlos Matos Gomes

Das moscas do mercado é uma frase-título do livro «Assim Falava Zaratustra», de Friedrich Nietzsche. “Das moscas do mercado”: “Foge, meu amigo, para a solidão! Vejo-te ensurdecido pelo ruído dos grandes homens e picado pelos ferrões dos pequenos”.

Parece-me uma apreciação adequada ao tempo que vivemos. Os ditos grandes homens, e grandes mulheres, aqueles que determinam a nossa vida venderam-nos um conjunto de felicidades futuras se os apoiássemos na guerra contra a Rússia. O diabolizado presidente da Federação Russa, que invadira a pacífica e ordeira Ucrânia, governada por um quase santo revelado nas televisões locais. Havia que repor a ordem e punir o agressor. Nós, as moscas, éramos convocados para a gesta dos grandes homens e mulheres.

Nietzsche tinha uma opinião sobre os grandes homens e mulheres que governavam o mundo quando chega o momento de verificar o balanço entre promessas e realizações:

“Tornaram-se todos outra vez devotos; estão a rezar, estão doidos!” (…) E, de facto, todos aqueles homens superiores, os dois reis, o Papa aposentado, o maligno enfeitiçador, o mendigo voluntário, o viajante sombra, o velho vaticinador, o consciencioso do espírito e o homem mais feio, estavam de joelhos, todos como crianças ou velhinhas piedosas, e adoravam o burro. E, nesse preciso momento, o homem mais feio começou a gorgolejar e a bufar como se algo inexprimível dele quisesse sair; mas quando, realmente, conseguiu chegar a articular palavras, eis que surdiu uma estranha e devota ladainha para glorificação do adorado e incensado burro. Ora, essa ladainha rezava assim: “Ámen! Louvor, honra, sabedoria, gratidão, recompensa e força ao nosso Deus, de eternidade em eternidade!” Ao que o burro, porém, zurrou: “Hi-han!”

Os grandes homens e mulheres de hoje não parecem muito distintos do retrato que dele fez Nietzsche e zurram, até gritarem: Salve-se quem puder!

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O ESTRANHO CASO DA UE: SUICÍDIO, ASSASSINATO OU EUTANÁSIA? (1) | Artigo publicado em RESISTIR.INF

Terá sido suicídio ou crime? – interroga o inspetor.   A dra. Nikki Alexander (protagonista na série Silent Witness) afirma que a vítima estava em estado terminal devido ao abuso de drogas, mas a sua morte foi induzida.   A análise revelou que estava viciada em neoliberalismo e atlantismo, de que não se conseguiu libertar.

Daniel Vaz de Carvalho

Vassalagem total da UE.

1 – UE, propaganda e distopia

Na UE o que salta à vista desde logo é a incompetência, a ineficácia dos seus dirigentes. Mas não só. Pelos media proliferam comentadores cuja nulidade é aflitiva, autênticos moinhos de palavras, repetem-se exaustivamente sobre os mesmos temas, incapazes de se debruçarem sobre as causas.

A UE entrou no campo da distopia, a utopia negativa, deixou de representar os interesses dos seus países, deixou-se arrastar pela arrogância belicista do que mais negativo veio do outro lado do Atlântico: os neocons, que forjaram uma “ameaça russa”, nova versão da “ameaça russa” do tempo da União Soviética. Neste contexto, a NATO quer que os países dediquem 2% do PIB para o orçamento militar. Mau vai quando o orçamento militar é maior que o da cultura, em Portugal 0,25% da despesa da Administração Central.

Que ameaça representava a Rússia quando nos finais de 2021, propôs um tratado de segurança coletiva aos países ocidentais, dada a expansão da NATO – ao contrário do acordado com Gorbatchov – e o intenso rearmamento da Ucrânia para prosseguir o conflito contra os independentistas antifascistas do Donbass e a Crimeia?

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Aeroporto de Lisboa | O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! | por João Soares | 01/08/2022

A propósito do que ontem disse de forma inevitavelmente breve no comentário do TJ da RTP sobre o eventual futuro novo Aeroporto de Lisboa. Faço questão de deixar aqui algumas notas complementares.

O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! Essa é uma “treta” que nos contam há cinquenta anos, repetidamente. Anunciando para o ano que vem sempre, e para o próximo milhão de passageiros sempre, o “esgotamento”.

O Aeroporto Humberto Delgado tem um problema de funcionamento da sua aerogare que pode e deve ser emendado com relativa facilidade. A aerogare tem sido remendada, a partir do projecto inicial de Keil do Amaral dos anos quarenta do século passado, com remendos que de uma forma geral só dificultam a sua funcionalidade e fluidez.

Se eu fosse dos que acreditam em teorias conspirativas diria que aqui há gato nas dificuldades de funcionamento simples e que não se resolvem.

A ANA / VINCI quer fazer o negócio da utilização valorização dos terrenos do Aeroporto Humberto Delgado, e também o da construção de um novo aeroporto. A ANA / VINCI é dirigida por alguém que negociou a privatização da ANA do lado do Governo, e agora a preside.

As varias loucuras que nos têm tentado vender sobre novo aeroporto vão de Beja a Monte Real, passando por Alcochete, Montijo, e Ota. Gastámos já muitos milhões de euros em estudos sobre estas tretas. Teriam sido melhor gastos na remodelação capaz da aerogare, e na construção do “taxi way” que acompanhe a pista principal de Humberto Delgado, a 03 / 21.

 Um super aeroporto, com gastos em infraestruturas de acesso como novas pontes, e num crescimento demencial de um imobiliário especulativo, não corresponde ao modelo de desenvolvimento que eu cidadão português quero para a nossa terra.

Penso que estes investimentos disparatados serão melhor utlizados a melhorar, e muito, a nossa pobre rede ferroviária que bem precisa.

Há por trás desta “treta” que nos tentam vender há cinquenta anos muito desejo de negócio na minha modesta opinião indesejável, e até mesmo por vezes condenável.

Acabar com a Base Aérea do Montijo é dificultar inutilmente operações vitais da Força Aérea Portuguesa. Nomeadamente na busca e salvamento na nossa ZEE. Esta é desde há muito, e foi durante os doze anos em que fui autarca de Lisboa, a minha opinião. Vale o que vale mas aqui fica.

João Soares, 01/08/2022

OUTROS ARTIGOS SOBRE O MESMO TEMA:

  1. A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público | 05/03/2020                                                                                                                                                           https://dasculturas.com/?s=A+solu%C3%A7%C3%A3o+aeroportu%C3%A1ria+de+Lisboa&submit=Pesquisar

2. AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr. | 04/03/2020                                                                                                 https://dasculturas.com/2020/03/05/aeroporto-no-montijo-ou-alcochete-a-opcao-cega-e-incoerente-ou-a-opcao-inteligente-e-sustentavel-mario-baleizao-jr/

O ENCOLHIMENTO DO OCIDENTE / OPINIÃO | Boaventura Sousa Santos, In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

O que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China).

A partir de então, o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa.

Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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FUCKIN E A REALIDADE / OPINIÃO | Carlos Matos Gomes

in Medium.com, 29/07/2022

Mandar umas bojardas num concerto é um tónico para contas e egos. Nada de mal. Haja liberdade de expressão.

A bojarda é apenas um adereço de palco. O público bate palmas, alivia-se de gases e ri-se. O artista sai em ombros escoltado pelos seguranças privados das claques das SAD da bola. Malta fina.

O número é de excelente e seguro efeito. O Putin que vá para a mãe dele.

O chato é que há uma guerra de resultados conhecidos. A realidade é a son of a bitch. (existe tradução automática para quem quiser).

Qual é a realidade: O Putin ganha! E quem se meteu com ele sabia isso desde o início. As maiores empresas mundiais como sabiam disso nunca tiveram lucros tão assombrosos como os do primeiro semestre deste ano, devido à guerra. Até as empresas portuguesas foram ao pote.

Porque sabiam e sabem o resultado da guerra as grandes empresas do mundo, os conferencistas do Forum de Davos, os sócios do Clube de Bildberg, o G-7, o G-20, o Vaticano, a NATO, a Casa Branca, Wall Street, o Bank of America, tiveram enormes lucros. A esses ninguém os manda àquela parte! São o sistema.

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A falácia dos apologéticos | por CarlosMatos Gomes

A análise da guerra na Ucrânia fornece pistas muito interessantes sobre o estado do pensamento ocidental no século XXI.

Um deles é a persistência (resiliência) da raiz do pensamento grego de que somos herdeiros. O recurso, consciente ou não a essa raiz é particularmente evidente nos defensores da estratégia dos Estados Unidos e da crença de que por detrás dela se encontra a defesa de valores morais — ditos ocidentais — para a impor e justificar.

O pensamento grego aliou a filosofia e a teologia por razões apologéticas e, como estamos a ver todos os dias, ainda hoje essa aliança é eficaz como argumento de propaganda.

Um dos movimentos mais importantes na história do pensamento cristão chama-se “apologético” e os movimentos que o promovem funcionam como ratoeiras. O truque argumentativo reside em dar ao adversário um crédito baseado no pressuposto de que as suas ideias são, em última análise, as mesmas do inimigo e em levá-lo a acreditar na existência de verdades comuns. É uma concessão que funciona como isco e que ainda funciona em certos setores da comunicação e demagogia.

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Poema | Maria Isabel Fidalgo

Não me firas com o teu silêncio.

Enche com os teus  olhos de  ausência os meus olhos de pássaro.

Traz- me a leveza das tuas mãos que tão breves partiram sem aceno.

Clama pelo meu nome como se a primeira estrela fosse a noite com o teu rosto.

Não me castigues de catos.

Traz- me rosas sobre os lábios e pica-me de beijos que sangrem.

Afasta a solidão e traz o teu silêncio.

Pousa-o sobre  a leveza do meu corpo e seremos um oásis manso de paixão.

Vem e faz- me acreditar que o sol ainda arde na labareda da fome.

MIF

Johann Wolfgang von GOETHE e a ÉTICA de BARUCH SPINOZA

Goethe permaneceu em reclusão durante meses para estudar a Ética e, a partir daí, passou por um processo de transformação.

“Na Ética de Spinoza encontrei apaziguamento para minhas paixões; pareceu-me que se abria ante meus olhos uma visão ampla e livre sobre o mundo físico e moral.

A imagem deste mundo é transitória; desejaria ocupar-me somente das coisas duradouras e conseguir a eternidade para meu espírito, de acordo com a doutrina de Spinoza”.

Johann Wolfgang von Goethe (alemão:Frankfurt am Main, 28 de agosto de 1749 — Weimar, 22 de março de 1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

——

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Florbela Espanca (Vila Viçosa8 de dezembro de 1894 — Matosinhos8 de dezembro de 1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d’Alma da Conceição Espanca, foi uma poeta portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotizaçãofeminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos.

DiEM25 | Enquanto o verão nos derrete, nós preparamos o regresso em Setembro

Olá,

Esperamos que estejas em vésperas de férias e de partida para algum lugar muito fresco!

Este verão tão quente que estamos a sentir está a tornar ainda mais evidente que não podemos  deixar que o nosso Governo, e os Governos de todos os países europeus, continuem a ignorar o quão urgente é agir perante as alterações climáticas. 

O DiEM25 tem um plano para a transição verde que é possível concretizar, a partir de amanhã, com a atual legislação europeia, e esta é uma das principais razões pelas quais gostávamos que te juntasses a nós nas próximas ações que vamos organizar a partir de Setembro. Não temos tempo a perder!

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Iacyr Freitas: 40 anos de percurso literário | por Adelto Gonçalves

                                                           I
            Para comemorar o 40º aniversário de sua estreia literária, o poeta Iacyr Anderson Freitas (1963) acaba de lançar Os campos calcinados (São Paulo, Faria e Silva Editora, 2022), que reúne toda a sua produção lírica escrita após o seu livro anterior, Estação das Clínicas (2016), além de poemas que até então figuravam apenas em periódicos nacionais e estrangeiros. A exemplo de obras anteriores, os poemas do novo livro trazem a cáustica ironia e o sentimento de perda que são características marcantes do seu itinerário literário. < /span>
            Dividida em cinco partes bem distintas – “O cerol no ouvido”, “Menos café que cicuta”, “Perder um país”, “Este mínimo infinito: breviário” e “Limão Capeta” –, a obra traz peças que fundem o pictórico com o sonoro, expressando o sentimento do poeta em imagens que valem por si mesmas. O poema “A derradeira”, que consta da terceira parte, é um bom exemplo disso: “a manhã curvou seus sinos aos escolhidos / : tu estavas dormindo / veio silenciosa / brindar os passantes / com a última rosa / branca enorme esplendorosa / a última / a d erradeira rosa / a manhã curvou seus sinos / sobre o sono dos vencidos / era domingo / adeus vida que não veio / vento que acende os aceiros / adeus amores de outrora / vela que se queimou no vime dos veleiros / : a manhã devora / a última rosa”.
            A imagem que se desprende da frase “a vida que não veio”, de certo modo, repete-se em “Abaixo, no lugar de rancor, use a palavra amor”, poema que consta da primeira parte, pois traz o mesmo sentimento que evoca um poema de Manuel Bandeira (1886-1968), “Pneumotórax”, que fala de “uma vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Segue o poema: “nada como um rancor não correspondido / no lugar da dor / o olvido / nenhum remorso / nenhum ódio ressentido / nenhuma palavra / como navalha / no ouvido / somente o vazio o vazio infinito / do que não foi / vivido”.

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Como o Ocidente fracassará na Ucrânia | Jeffrey D. Sachs, in Outras Palavras, 19/07/2022

A guerra na Ucrânia é o ápice de um projeto de 30 anos do movimento neoconservador americano. O governo Biden está repleto dos mesmos neocons que defenderam as guerras de escolha dos EUA na Sérvia (1999), Afeganistão (2001), Iraque (2003), Síria (2011), Líbia (2011), e que tanto fizeram para provocar a Rússia a invadir a Ucrânia. O histórico dos neoconservadores é de um desastre absoluto, mesmo assim Biden formou sua equipe com neoconservadores. Como resultado, Biden está levando a Ucrânia, os EUA e a União Europeia a mais um desastre geopolítico. Se a Europa tiver alguma visão própria, ela se separará desses desastres da política externa dos EUA.

O movimento neocon surgiu na década de 1970 em torno de um grupo de intelectuais de atuação pública, vários dos quais foram influenciados pelo cientista político da Universidade de Chicago, Leo Strauss, e pelo classicista da Universidade de Yale, Donald Kagan. Os líderes neoconservadores incluíam Norman Podhoretz, Irving Kristol, Paul Wolfowitz, Robert Kagan (filho de Donald), Frederick Kagan (filho de Donald), Victoria Nuland (esposa de Robert), Elliott Cohen, Elliott Abrams e Kimberley Allen Kagan (esposa de Frederick). 

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Eltânia André: sensibilidade à flor da pele | por Adelto Gonçalves

                                             I
            Com o seu arguto olhar feminino e feminista, característica já marcante em suas obras anteriores, a romancista e contista Eltânia André volta a premiar seus leitores com um novo livro, desta vez, de contos, e minicontos ou microcontos: Corpos luminosos (São Paulo, Editora Urutau, 2022), que reúne 29 peças em que a autora se mostra conhecedora das variadas técnicas da escrita, como o monólogo interior e o fluxo de consciência,  exercitando o realismo, especialmente o interior, que procura ressaltar os conflitos da alma. E tudo feito com singular liberdade criadora.
            No texto de apresentação que escreveu para esta obra, o experiente romancista e contista Whisner Fraga, diz, com percuciência, que a prosa de Eltânia é densa, urdida para apanhar o leitor no contrapé. “Com diversas referências da mitologia, da literatura, da filosofia, da música, de outras artes, estes textos cativam pelo lirismo e pela abrangência de temas e situações”, ressalta.

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COM JAMES CAAN NA MANSÃO DA PLAYBOY | por Manuel S. Fonseca

A verdade é que, sem nunca o ter encontrado, conheci James Caan à minha maneira e fiquei mesmo amigo dele. E gosto de dar uma palavra aos amigos, quando eles dão aquele passo em direcção ao infinito ou, sei lá, abismo, talvez vazio.

Fui à Mansão e não estava lá James Caan. A Mansão é a de Hugh Heffner e tinha tudo o que fez a tépida e insuportável felicidade de James Caan, o actor que agora morreu e lá viveu. Entrei. Uma orquestra de jazz tocava ao ar livre do alto dessa colina de Mulholland Drive. E o que vi tanto me enterneceria a mim como ao mais pálido e animalista sequaz do PAN: havia um vendaval de playmates – camonianas ninfas, claro –, mas também havia esquilos, macacos, tucanos, papagaios, pavões brancos e flamingos cor-de-rosa, ainda mais bonitos do que os meus flamingos do Lobito. Havia outras feras e centenas de coelhos, lots of rabbits.

As playmates levaram-nos depois para o celestial aconchego de uma sauna escavada na rocha. Olhei e nem James Caan, nem Jack Nicholson se escondiam nas caves pré-históricas, que a perversa mente de Heffner, pai da Playboy, construiu.

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“Não vejo saída”. O que a Ucrânia precisaria para a missão quase “impossível” de reconquistar territórios aos russos | Beatriz Céu in CNN PT

Com Major-general Agostinho Costa

As últimas semanas da guerra têm sido marcadas pelos avanços das tropas russas na Ucrânia, nomeadamente no Donbass, obrigando à retirada dos militares ucranianos, que começam agora a contra-atacar e tentar reconquistar as cidades que ficaram nas mãos dos russos – Kherson, Mykolaiv ou Zaporizhzhia. Mas os especialistas militares não perspetivam um bom desfecho para a Ucrânia, que enfrenta uma tarefa quase “impossível” no terreno.

Nestes quase cinco meses de guerra, parece já evidente que “a Ucrânia tem sido mais eficaz em ações defensivas do que em ações ofensivas”, começa por apontar o major-general Agostinho Costa. É certo que o exército ucraniano já conduziu algumas ações ofensivas – como ocorreu em Kharkiv, há cerca de um mês, quando conseguiram empurrar os russos para a fronteira – mas há algumas limitações do ponto de vista militar que impedem uma “ofensiva geral”, acrescenta o também vice-presidente da EuroDefense.

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A extrema-direita na política ucraniana | do Blogue de José Milhazes

Publico esta carta que me foi enviada por amigos ucranianos em quem deposito confiança.

10 febrero2014

The All-UkrainianTradeUnionofWorkersofArtandCultureTheCentralCommittee

04050 Kiev, Degtyarivs ‘ka str., 9/69 tel/fa x +380 (44) 407-01 -58 e-mail: profcult@ukr.net

Los radicales en Ucrania tienen una gran demanda

El partido Svoboda (Libertad) se convierte en un mediador entre los grupos empresariales-políticos y los militantes

Ahora podemos observar la aparición de un nuevo punto de la inestabilidad política y tensión en las fronteras de la UE. Es Ucrania. Es desconocido cuál será el resultado de los acontecimientos que hoy se desarrollan aquí, pero se puede decir con seguridad que en este país los partidos y movimientos de extrema derecha finalmente se han legitimado. Esto significa que en el mapa mundial de la infraestructura de los terroristas y radicales va a ser el nuevo punto de control.

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IV Forum Liberdade e Pensamento Crítico | no Liceu Camões | 23 julho 2022, sáb: das 9h30 às 19h30, Escola Secundária de Camões, LISBOA

23 de Julho, realiza-se na Escola Secundária Luís de Camões (Antigo Liceu Camões) o 4º Forum Liberdade e Pensamento Crítico. Eu participarei com Ricardo Pais Mamede no Painel moderado por David Zink com o título “Encruzilhadas da Guerra e da Paz”. Deixo aqui o link para os possíveis interessados e também o desdobrável do Programa. | CARLOS MATOS GOMES

https://www.agendalx.pt/…/iv-forum-liberdade-e…/

O IV Fórum Liberdade e Pensamento Crítico vai, à semelhança de anos anteriores, proporcionar um dia onde se contemplam exposições temáticas e de pintura, decorrem debates e atividades culturais que incluem um concerto de encerramento, antecedido por momentos de dança, teatro e poesia.

Estarão presentes associações cívicas e culturais com mostras gastronómicas, livros e outros produtos. O tema geral do Fórum é Informação e Desinformação, tema transversal aos debates. Pretende-se fomentar uma reflexão conjunta sobre a verdade e a ética em confronto com a falsidade, as notícias falsas, manipuladas; a verdade que colide com os interesses do poder político e que é sonegada; a verdade como ameaça pela confrontação entre interesses e valores, a manipulação da opinião pública e os jogos de poder.

As sessões serão dinamizadas por convidados e moderadas pelos organizadores, em formato de debate informal.

Um dia negro para a Europa | DiEM25

A Comissão Europeia concordou com os membros do Parlamento Europeu não só abrandando, como também contestando a transição verde. A taxonomia tornou-se negra – o gás e a energia nuclear são agora oficialmente rotulados como “verdes”.

No DiEM25 advertimos o público de que a energia nuclear é um ponto de partida para as armas nucleares, e que é pouco fiável, cara, perigosa e lenta de instalar; enquanto o gás é finito, destrutivo, e contribui para o problema que a Comissão afirma querer resolver.  

Colocámos coletivamente muito trabalho e recursos na nossa campanha Don’t Paint It Green, que possibilitava assinar a nossa petição, tweetar ao Presidente da Comissão, enviar um e-mail ao seu MPE, entre outras iniciativas. E não ficámos por aí. Os nossos camaradas estiveram à frente do Parlamento Europeu vestidos com fatos de proteção e com um barril nuclear para exprimir a nossa preocupação e a afirmar em voz alta: Derrubem a oligarquia !

NO ENTANTO, isto não é o anúncio do fim. Valorizamos definitivamente todos os teus esforços para nos ajudar e não desistiremos. O DiEM25 vai apoiar qualquer tipo de ação legal contra esta taxonomia negra, e vamos estar presentes nas ruas e em espaços online para nos opormos a esta charada. vamos enviar mais notícias sobre este assunto em breve.

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Onde é que se metem os narizes | por Manuel S. Fonseca in Página Negra

Posted on  by Manuel S. Fonseca

O beijo de The Flesh and the Devil

De boca fechada já tinha havido muitos. A primeira vez que os amantes abriram a boca foi em “The Flesh and the Devil”. E não foi para falar, que o filme ainda era mudo. Primeiro, um cigarro passa da boca de Greta Garbo para a boca de John Gilbert. “És lindíssima” sussurra ele num elegante cartão escrito. “E tu… tu és tão novinho”, responde ela noutro cartão, por ser assim, por escrito, que os actores falavam no cinema mudo.

O cigarro já está na boca dele, as mãos aflitas à procura do fósforo que logo acendem. Não sabemos se é a labareda do fósforo, se a do ardor deles, que os ilumina como lua alguma iluminou amantes. Ofuscada, Garbo sopra e apaga a ardente cabecinha do fósforo como quem pede um beijo. Sabe-se lá que lábios, se os dele, se os dela, se abriram primeiro! Sabemos só que foi a primeira vez que num filme americano se beijou à francesa.

Há beijos escritos, beijos pintados. E míticos: o de Pigmaleão insuflou vida em Galateia. Em contos de fadas, o beijo de uma mulher faz de um sapo um príncipe. Rodin aprisionou em mármore frio e nu o beijo infernal que Dante lhe inspirou. Em “Romeu e Julieta”, cantou-o Shakespeare, como quem reza, fazendo dos lábios “dois peregrinos ruborizados” onde talvez “blushing” seja tanto o rubor como a calorosa vergonha que o precede.

Mas foi no cinema que os lábios peregrinos encontraram o seu santuário. O cinema beija melhor do que a literatura, até mesmo do que o luxo da pintura de Klimt. O movimento, luz e sombras do cinema oferecem tudo ao beijo. Fazem-no ingénuo e carnal, romântico e canalha, mignon e descarado.

Pensando que inventara o beijo, o cinema fez-lhe até a pedagogia. Em “For Whom the Bell Tolls”, a loura e sueca Ingrid Bergman, na cena em que mais celestes lhe vi os olhos, é uma improvável espanhola, uma improvável camponesa e a mais improvável Maria. Apaixonou-se por Gary Cooper, americano e combatente na Guerra Civil ao lado dos republicanos. Quer, mas não sabe como beijá-lo: “Onde é que se metem os narizes. Sempre me intrigou para onde é que vão os narizes,” diz, a escaldar de coqueterie. Senhor de um nariz que não se mete onde não é chamado, Cooper roça os lábios pelos lábios dela. “Afinal não se atravessam no caminho, pois não,” e já é ela que o beija, uma, duas vezes. À americana.

À americana, Hawks mostra em “To Have and Have Not”, as vantagens do trabalho de equipa. Bacall beija um impávido Bogart para lhe provar o sabor. Deve ter gostado porque o cântaro volta à fonte e já não me lembro se é logo, ou à terceira que o lento Bogart dá ordens à boca dele para reagir à dela: “É ainda melhor quando tu ajudas!”

À americana ou à francesa, boca mais fechada ou aberta, são precisos dois para o beijo. Nem mesmo tu, ó orgulhosa e fresca boca de Keira Knightley, beijas sozinha.

Enganando dois KGB, Nureyev, com um “pas de deux”, fugiu para o Ocidente. | Manuel S. Fonseca in Página Negra

Enganando dois KGB, Nureyev, com um “pas de deux”, fugiu para o Ocidente. Ora leiam, é um fuga mirabolante, com Malraux e Kennedys à mistura. E dois KGB que ficam pendurados

“Onde estão aqueles dois KGB?”

Ouçam, ouçam. E como é a voz de Jackie Kennedy, peço que se sentem primeiro. Jackie e John vieram em visita de Estado a França. Jantam com De Gaulle e com André Malraux, o ministro da cultura, nesse sumptuoso clarão que é o Chateau de Versailles. E eis o que Malraux acaba de perguntar à sedutora Kennedy: “O que fazia antes de conhecer o John?’”

Passa um fulgurante segundo, a boca colorida de Jackie abre-se: “Era virgem!” disse ela, com riso e ponto de exclamação.

Nesse fulgurante segundo de virtude, talvez Malraux tenha esquecido a fresca tragédia: poucos dias antes, ao volante de um Alfa-Romeo descapotável, tinham morrido os seus dois filhos, estraçalhando-se contra uma árvore, nas mil curvas da Côte d’Azur. O carro oferecera-o Clara Saint, menina de 23 anos, milionária de origem chilena, noiva de um dos rapazes.

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Le 11 juillet 711, Tarik Ibn Zyad conquiert la péninsule ibérique | in babzman.com

Le 11 juillet de l’an 711, les troupes de Rodrigue, le roi wisigoth de l’Espagne chrétienne, voit ses troupes tomber sous les quelques centaines disciples du prophète Mohammed [QSSSL]. Cette modeste bataille de Guadalete, livrera la plus grande partie de la péninsule ibérique aux musulmans qui vont l’occuper durant près de sept siècles.

La tribu germaine des Wisigoths est venue, trois siècles plus tôt, d’au-delà du Rhin, après avoir créé un royaume à Toulouse (France). Chassée par Clovis et ses Franc, elle s’est repliée sur la péninsule espagnole où elle établit un royaume chrétien relativement prospère.

Démis de ses fonctions, à l’aube du VIIIe siècle, Wittiza, le roi wisigoth fit appel à un seigneur Maghrébin, l’Emir de Tanger, Moussa Ibn Nocair, pour lui venir en aide.

Il faudrait souligner qu’à cette époque, les chrétiens d’Occident ne connaissent pas véritablement l’Islam et le perçoivent plutôt comme une secte chrétienne, plutôt qu’une religion rivale. L’Emir ne se fit pas prier et envoya une armée de 6 000 guerriers, commandés par un jeune chef berbère nouvellement converti à l’Islam, le célèbre Tarik Ibn Zyad. Si l’Emir a pu rassembler autant d’hommes, c’est parce que les Wisigoths n’étaient pas populaires. L’armée d’Ibn Zyad, essentiellement composée de Berbères, d’arabes, de syriens, … des musulmans, mais également de juifs et de chrétiens, avait débarqué sur un rocher qui prendra le nom de Gibraltar, en arabe, Djabal Tarik, ou la montagne de Tarik. Débarquant sans difficulté sur l’Algésira, ils s’en emparèrent et avancèrent vers Cordoue et l’intérieur des terres pour se heurter plus tard à l’armée du roi Rodrigue.

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Bocage, a vida passada a limpo | Adelto Gonçalves | por Hugo Almeida

Bocage, a vida passada a limpo

Em pesquisa de grande fôlego, o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves recuperou dados da vida e obra, muitos antes inéditos, de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o poeta que sonhava ser um novo Camões

Por Hugo Almeida

                                                 I

Com outras palavras, Jorge Luis Borges disse na apresentação de Vidas imaginárias, de Marcel Schwob, que a trajetória de uma pessoa está contida naquele tracinho que liga a data de nascimento à de morte. Ou, como escreveu Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.De certa forma, é isso que o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP),mostra na biografia de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805),Bocage, o perfil perdido (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2021).

Em pesquisade impressionante fôlego, paciente,minuciosa,riquíssima em documentação inédita,Gonçalves recompôs em 520 páginasos 40 anos da vida intensa, agitada e contraditória do poeta que não realizou o sonho megalomaníaco de ser um novo Camões, mas entrou para a história da literatura portuguesa. O livro já havia sido publicado em Portugal em 2003 e foi aplaudido pela crítica especializada.

No prefácio da edição brasileira, Fernando Cristóvão, professor catedrático de Literatura da Universidade de Lisboa, resume em um parágrafo quem foi o poeta: “Bocage, alistado na Marinha, cursou a respectiva Academia, embarcou para a Índia, foi boêmio no Rio de Janeiro, passou três anos em Goa e Damão, desertou fugindo para Macau, regressou a Lisboa, onde a vida livre e as sátiras o atiraram para a prisão e o hospício. Morreu doente e pobre, traduzindo nos seus versos a sua vida e o seu tempo”. Cristóvão ressalta a importância de Bocage, o perfil perdido: “Foi para historiar e elucidar as contradições e lances da biografia do poeta que Adelto Gonçalves se abalançou a uma pesquisa aturada e sistemática, de que esta publicação dá conta”. E completa: “O excelente trabalho de agora vai desde o traçado da árvore genealógica da família de Bocage até ao final dos seus dias, facultando-nos abundante documentação”.

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«A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima» |  Inês Santos e Rosa Neto

“A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima” é uma edição de autor, escrita em coautoria por Inês Santos e Rosa Neto, duas catequistas do Covão do Coelho, diocese de Leiria-Fátima, concelho de Alcanena. A obra teve a sua génese nas sessões da catequese com a preparação dos jovens para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, mas com o tempo ganhou maiores contornos.

A apresentação pública está para breve, em Minde e no Covão do Coelho, mas o livro já está à venda: online na BookMundo; diretamente às autoras*; entretanto na FNAC. Pagos os custos da impressão, todo o ganho com a venda da obra será entregue à Paróquia de Minde, para ajuda à aquisição de um sistema de som para a capela do Covão do Coelho.

O prefácio é assinado pelo padre Sebastian Joseph, sacerdote indiano da Congregação do Verbo Divino e pároco de Minde e da Serra de Santo António, para quem o livro “vai despertar muita curiosidade”. Isto porque, refere, “para os mais velhos é uma recordação daquilo que foi ou já existiu e para os mais novos um convite a manter as belas tradições, devoções e a revivê-las”.

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Caos no centro do Mundo | Carlos Matos Gomes

A lógica binária no Ocidente leva à conclusão de que o caos é mau e é desordem e o bem é a ordem. Na antiguidade, na Babilónia, o deus mais importante era Marduk, o da Ordem que venceu o Caos.

A moderna Teoria do Caos surge com a ideia fundamental de que, em determinados sistemas, pequenas variações nas condições iniciais podem gerar grandes variações nos resultados finais. Trata-se do famoso “Efeito Borboleta”, que recebeu o nome técnico de “dependência sensível das condições iniciais”. Esta teoria é — continua a ser — uma heresia nos grandes meios de manipulação de opinião, que defendem para os rebanhos a simplicidade das crenças na bondade dos pastores, sejam eles dirigentes de grandes instituições financeiras, de oligarquias que gerem monopólios de produtos essenciais, sejam dirigentes políticos. O Caos ofende a Ordem. O Caos implica renovação. Mas para quem nos pastoreia existe um caos bom, o das crises financeiras e económicas e um caos mau, o das revoltas das massas e das sociedades.

A análise estratégica é, para surpresa de muitos e muitas especialistas de verbo gongórico e pensamento oco — em última estância, uma aplicação da Teoria do Caos.

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EXPANSÃO DA NATO | “UM ERRO FATAL” George Kennan

George Kennan, o diplomata norte-americano que concebeu toda a política de contenção da Guerra Fria, não mediu palavras ao argumentar que “expandir a NATO seria o erro mais fatal da política americana em toda a era pós-guerra fria”.

Entre as consequências previsíveis de uma tal decisão, Kennan indicou as seguintes:

– “aumentaria as tendências nacionalistas, antiocidentais e militaristas na opinião russa”;

– “teria um efeito adverso para o desenvolvimento da democracia russa”,

– iria “restaurar a atmosfera de guerra fria nas relações leste-oeste” e ainda,

– “impelir a política externa russa em direções decididamente não do nosso agrado”.

Qatar 2022: Elisabete Reis nomeada Fan Leader no Qatar dos fans da seleção portuguesa

Elisabete Reis, empresária portuguesa residente no Qatar desde 2006, foi convidada pela Organização do Qatar 2022 para fan leader no Qatar dos fans da seleção de Portugal no Campeonato Mundial de Futebol FIFA 2022. O convite é recente e deixou Elisabete Reis “com muita alegria e orgulho”. A empresária começa agora a preparar a valorização da presença de Portugal no campeonato.

Fui nomeada Portugal Fan Leader Qatar 2022, convite que aceitei com muita alegria e orgulho. A nomeação significa representar Portugal nos muitos eventos que a Organização vai promover no Qatar até ao Mundial, em novembro. Serei representante, digamos assim, não só dos fans portugueses aqui residentes, mas de todos quantos gostam da seleção de Portugal”, explica. 

Com a nomeação Elisabete Reis começa a representação e dinamização dos grupos de fans. Uma das primeiras iniciativas surgiu a convite de um grupo de fans indianos. “Quatro jovens indianos residentes no Qatar [na foto com Elisabete Reis] criou recentemente nas redes sociais um grupo de fans da seleção de Portugal no Qatar, o Portugal Fans Qatar. O Jinshad Ali, o Riyas Rasak, o Hafsal Bin Haneefa e o Mohamed Shahil são loucos por Portugal, convidaram-me para me associar a eles e aceitei; não tinha sentido estar a criar outros perfis se estes têm pessoas tão entusiastas”, explica.

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“A Ucrânia não é reconstruível!” | Carlos Matos Gomes entrevistado por Humberto Costa

Humberto Costa |

O Coronel Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril e fundador do Movimento dos Capitães, fala do conflito da Ucrânia, de como e de quem o alimenta e porquê, do cenário que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: “Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…”

Este conflito era evitável?

Este conflito apenas não foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e até agora característico de uma guerra convencional, resulta da análise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estratégicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar potências concorrentes, no caso a Rússia e a China.

Porquê a Ucrânia?

A Ucrânia é apenas o palco mais adequado ao conflito que opõe os EUA à Rússia e à China, uma barriga de aluguer. Aliás, o objetivo declarado dos EUA é o enfraquecimento da Rússia e a conclusão da cimeira da NATO de Madrid foi que a China é uma ameaça aos valores do “Ocidente”, aqui representado pela NATO, a aliança militar dos países de capitalismo avançado.

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Não Há ‘Bala Mágica’ Que Possa Virar A Maré Para A Ucrânia | por Daniel Davis in 19fortyfive

No domingo passado, quando o restante soldado ucraniano se retirou de Lysychansk, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que evacuar suas tropas da cidade “onde o inimigo tem a maior vantagem no poder de fogo”, foi a decisão certa, mas “significa apenas uma coisa… Que voltaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas.” Embora muitos no Ocidente queiram que isso seja verdade, a realidade é muito diferente: não há base para esperar uma futura ofensiva para expulsar as tropas russas dos territórios conquistados.

O resultado mais provável para as Forças Armadas ucranianas (UAF) se continuarem lutando contra os russos é que mais tropas de Zelensky serão mortas, mais cidades ucranianas serão transformadas em escombros, e mais território Kyiv perderá para os invasores. Uma análise sóbria da capacidade das duas forças armadas, uma avaliação dos fundamentos militares que historicamente se mostraram decisivos no campo de batalha, e um exame do potencial de sustentabilidade para ambos os lados, deixam claro que a Rússia quase certamente ganhará uma vitória tática.

O conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych disse que, pelo contrário, as retiradas em Severodonetsk e Lysychansk não foram derrotas, mas sim “bem sucedidas” na qual ele alegou que permitiram à Ucrânia “ganhar tempo para o fornecimento de armas ocidentais e a melhoria da segunda linha de defesa, para criar condições para nossas ações ofensivas em outras áreas da frente”. Esta é uma crença comum no Ocidente, mas não suportada pelos fatos.

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“Os árabes de Lisboa e de Portugal sempre estiveram por aqui” | Sérgio Luís de Carvalho | por João Céu e Silva in DN

A conquista de Lisboa aos mouros em 1147 numa pintura de Roque Gameiro.

O terceiro volume com que Sérgio Luís de Carvalho vem fazendo a história da capital portuguesa é dedicado à presença árabe em Lisboa: “Uma viagem maravilhosa por um legado com mais de mil anos de história”.

O historiador Sérgio Luís de Carvalho tem vindo a publicar uma série de livros em que o tema é a história de Lisboa. Após Lisboa Nazi Lisboa Judaica, lança agora Lisboa Árabe. Quando se lhe pergunta qual dos três volumes seduzirá mais os leitores, considera que, apesar do interesse específico de cada um, admite que Lisboa Nazi possa “ter os ingredientes para cativar desde logo um leitor interessado em temas históricos, no geral. É um assunto mais “perto” de nós e cujos ecos e feridas ainda se poderão fazer sentir”. Quanto aos outros dois, que têm uma componente religiosa maior, refere que “terão mais fôlego em termos diacrónicos, o que levará a uma visão mais “prolongada” temporalmente”. O trio sobre Lisboa não deverá terminar com esta nova investigação e adianta que “é possível, até provável” novos títulos. No entanto, diz, “no caso plausível de haver continuação, tenho de pensar bem como manter o nível e a coerência do projeto”.

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Europa e cultura | Guilherme d’Oliveira Martins | in DN

A Comissão Europeia e a Europa Nostra anunciaram os prémios do património cultural 2022, entre os quais se encontram o Convento dos Capuchos em Sintra, na categoria de Conservação e adaptação a novos usos e o projeto Museu na Aldeia, que envolve 13 museus e 13 aldeias em Leiria, na categoria Envolvimento e sensibilização dos cidadãos. Do Convento dos Capuchos falei aqui na crónica de 15 de fevereiro, e devo dizer que se trata de um prémio justíssimo. Entre os galardoados, encontra-se ainda a Igreja de Santo André em Kyiv, na Ucrânia, mercê de uma ação de conservação que devolveu aos ucranianos e à humanidade um monumento de grande valor comum, funcionando o monumento como um museu que acolhe serviços religiosos, eventos científicos e educacionais e concertos de música de câmara.

Se falo do reconhecimento da defesa e salvaguarda do património cultural, como realidade viva, refiro, a propósito desta iniciativa europeia, a necessidade de uma cultura de paz que obriga a que tomemos consciência de que a defesa do património não se refere apenas aos monumentos ou às “pedras mortas”, mas aos direitos fundamentais das pessoas, à memória e à dignidade humana.
Como disse o poeta Heinrich Heine: “onde se queimam livros (ou objetos de memória, lembramos nós), acaba-se a queimar pessoas”. É, pois, a memória que está em causa e os direitos e deveres que a acompanham. Lembre-se o que ocorre neste momento na Ucrânia: segundo a UNESCO, mais de 150 monumentos, museus ou sítios foram danificados ou destruídos – 70 templos religiosos, 30 edifícios históricos, 18 centros culturais, 15 museus e 7 bibliotecas. 45 em Donetsk, 40 em Kharkiv e 26 em Kyiv. Exemplos? A Catedral da Assunção em Kharkiv, bem como diversos pavilhões da Universidade Nacional das Artes na mesma cidade; o teatro de Marioupol; o museu da artista Maria Pryimachenko de Ivankiv (Kyiv). Por outro lado, os Museus de Arqueologia e de Arte Moderna de Odessa estão sob ameaça ou o centro da cidade de Lviv, classificado pela UNESCO.

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A escandinava Greta (esta é Garbo) e a paixão por Gilbert, em três capítulos que se lêem como um fósforo | por Manuel S. Fonseca in Página Negra

Posted on  by Manuel S. Fonseca

Esta é, em três fragmentos a que só por inadvertida audácia se pode chamar capítulos, a história de rejeição e paixão de John Gilbert e Greta Garbo, ídolos da América e do mundo, no final dos anos 20 e começo dos anos 30Para os mais jovens, acrescento mais informação: eram actores de cinema. E complemento: cinema era uma arte de sombras, indulgências, tesouros e cabalas, cultivada pela calada da noite em insidiosos palácios nocturnos, invisíveis durante o dia.

Heróico, viril e vil

Todo o passado é sincrético. Como sabem, John Gilbert é um actor do tempo de Homero ou Ben-Hur ou não fosse o cinema uma invenção mediterrânica. Um dos criadores desse cinema da antiguidade clássica foi Louis B. Mayer. Judeu, claro. Como Aquiles, era heróico, viril e vil. De poderoso soco. Basta vê-lo, à porta do Alexandria Hotel, aos murros a Charlie Chaplin. Foi em Los Angeles: na minha antiguidade clássica já havia América e hotéis de cinco estrelas.

Mas é de outro soco que falo. A viking Greta Garbo chegara a Hollywood. Vinha filmar “Temptress”, auto-estrada de adultérios em cadeia. Isto passou-se em 1925 e 1926, anos de lânguido aquecimento e dilatação dos corpos em Hollywood, como o provam os filmes que Mayer então produziu.

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O PAPA É PUTINISTA? | Pedro Tadeu | Opinião/DN

No dia 25 de fevereiro, o dia seguinte ao início da invasão russa da Ucrânia, o Papa Francisco telefonou ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, e deslocou-se à embaixada russa na Santa Sé.

Numa entrevista, citada pela agência Ecclesia, dada ao jornal argentino La Nación, Francisco explicou-se desta maneira: “Fui sozinho, não quis que ninguém me acompanhasse. Foi uma responsabilidade pessoal, minha, uma decisão que tomei numa noite em branco, pensando na Ucrânia. É claro, para quem o quer ver, que estava a sinalizar o governo que pode pôr fim à guerra no instante seguinte”.

Num texto de balanço aos 100 dias de guerra, que a agência Ecclesia difundiu, focado na atividade do Papa decorrente do conflito, lembra-se toda uma série de outros episódios:

– A 25 de março, numa celebração que ligou o Vaticano ao Santuário de Fátima, o Papa consagrou a Ucrânia e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, perante a “ameaça nuclear”.

– A 6 de abril, Francisco beijou um bandeira ucraniana numa homenagem às vítimas do massacre de Bucha.

– A 14 de abril, quinta-feira de Páscoa, Francisco lançou o livro Contra a guerra. A coragem de construir a paz que apela ao diálogo e ao desarmamento, como uma escolha estratégica decisiva para os destinos da humanidade.

– A 15 de abril, Sexta-feira Santa, no final da Via Sacra, o Papa apelou à reconciliação entre adversários. Antes foi confrontado com um incidente: uma leitura que deveria ter sido feita, nessa cerimónia, em conjunto por uma russa e uma ucraniana foi cancelada por pressão da Ucrânia.

– No Domingo de Páscoa, Francisco voltou à carga e evocou as vítimas ucranianas, os milhões de refugiados, as famílias divididas, os idosos abandonados.

– A 3 de maio, o Papa explicou que, antes de ir a Kiev, estava a tentar ir a Moscovo. Numa entrevista publicada nesse dia pelo jornal Corriere della Sera, Francisco criticou as razões da guerra e o “comércio” de armas, que definiu como um “escândalo” a que poucos se opõem e falou de “uma raiva facilitada” pelo “ladrar da NATO à porta da Rússia” que levou o Kremlin a “reagir mal e a desencadear o conflito”. Também manifestou algumas dúvidas sobre o fornecimento de armas à Ucrânia, alertando que esse fornecimento iria levar a Rússia a testar armas mais destrutivas.

– A 12 de maio o Papa encontrou-se com duas esposas de militares ucranianos que se encontravam barricados em Mariupol.

– A 24 de maio Francisco enviou a Moscovo uma mensagem ao patriarca da Igreja Ortodoxa para rezarem pela vida humana.

– Na semana passada, no Vaticano, o líder da Igreja Católica, um dia depois de dirigir uma cerimónia religiosa que evocou as vítimas da guerra, apelou a que não se use a distribuição de cereais como arma de guerra, que irá vitimar, sobretudo, as populações dos países mais pobres.

– Quase todos os domingos, na cerimónia que costuma fazer para a Praça de São Pedro, Francisco, recorrentemente, fala da necessidade de paz na Ucrânia e recorda várias vezes outros conflitos no mundo: Congo, Sudão do Sul, Síria, Iémen, “o maior desastre humanitário do nosso tempo”, disse, rebelando-se contra a indiferença ocidental face a essa catástrofe.

– Esta semana, numa entrevista à agência Reuters, Francisco assinalou que a possibilidade de ir a Moscovo volta a estar em cima da mesa “se o presidente russo me conceder uma pequena janela para servir a causa da paz”.

– Noutra entrevista, anterior, o Papa fora questionado sobre o facto de nunca ter condenado explicitamente Vladimir Putin ou a Rússia. Respondeu assim: “Nunca nomeei um chefe de Estado e, muito menos, um país, que está acima do seu chefe de Estado”. Isto nunca impediu, porém, Francisco de condenar várias vezes e de forma veemente a invasão à Ucrânia.

– Neste domingo, novamente na Praça de São Pedro, o líder católico disse isto: “Devemos passar das estratégias de poder político, económico e militar para um projeto de paz global. Não para um mundo dividido entre potências em conflito; sim para um mundo unido entre povos e civilizações, que se respeitam mutuamente”.

Pelos critérios que têm prevalecido na fila de políticos, jornalistas e comentadores portugueses, de direita e de esquerda, que todos os dias passam pela televisão a tentar vencer no campeonato da corrida armamentista, do belicismo pro-NATO, da russofobia, da intolerância, da teoria da conspiração, da censura às notícias de guerra, da desumanidade disfarçada de caridade pelo povo ucraniano, este Papa, apesar de criticar a invasão russa, é, como todos os que procuram abrir um caminho que leve à paz, um putinista.

É ridículo, mas é onde estamos.

Retiradoo do Facebook | Mural de Carlos Fino

A NATO E A BREVE HISTÓRIA DA HEGEMONIA OCIDENTAL | Manuel Begonha

O culto da superioridade do homem branco tem vindo a ser inculcado ao longo do tempo, na maioria das manifestações artísticas , mas para desenvolver este tema vou recorrer por vezes ao cinema.

Desde jovens que fomos habituados a ver nos filmes de “cowboys”, o bom homem branco, a matar indiscriminadamente os maus nativos, designados por índios, selvagens ou peles vermelhas, que afinal apenas defendiam as suas terras do invasor.

Contudo, mais recentemente surgiram alguns poucos realizadores que tentaram reabilitar a imagem do índio como Arthur Penn no filme “O pequeno grande homem”.

Numa cena inesquecível de outro grande filme, aliás, que é “Apocalypse Now”, sob o som da Cavalgada das Valquirias de Richard Wagner, os heróicos combatentes norte-americanos, como invasores, voam galvanizados nos seus helicópteros para exterminar os enfezados e amarelados vietnamitas.

Numa propaganda clássica ao colonialismo, o valente e luminoso Mourinho de Albuquerque que, obviamente equipado com armas de fogo, subjuga, como se pode ver no filme “Chaimite”, a força e o primitivismo do régulo rebelde Gungunhana, o leão de Gaza, a quem para humilhar mandou sentar no chão.

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O INFERNO EXPLICADO POR UM ESTUDANTE DE ENGENHARIA | Pergunta: O Inferno é exotérmico (liberta calor) ou endotérmico (absorve calor)?

O que se segue é (alegadamente) uma pergunta que saiu num exame de um curso de Engenharia numa universidade americana. A resposta de certo estudante foi tão criativa que o professor a partilhou por e-mail com vários colegas.

— Pergunta: O Inferno é exotérmico (liberta calor) ou endotérmico (absorve calor)?

A maioria dos alunos respondeu baseando as suas opiniões na lei de Boyle (o gás arrefece quando se expande e aquece quando é comprimido), ou nalguma variante disso. Houve um aluno que, no entanto, deu a resposta que se segue.

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O Ocidente, a NATO e a China | Um novo mundo! | Carlos Matos Gomes

O documento que saiu da cimeira da NATO de Madrid coloca a questão central da definição do “Ocidente”, que é a referência à entidade ao serviço de cujos interesse a aliança militar age; e dos valores ocidentais, aquilo que constitui o núcleo que identifica e distingue os ocidentais dos outros grandes grupos políticos, militares e económicos.

Contém uma frase decisiva, que os líderes europeus deviam esclarecer. O comunicado salienta enfaticamente: “as ambições e políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores”.

Presume-se que os valores são os valores ocidentais. Seria importante para os cidadãos dos Estados que fazem parte da NATO, os que vão pagar as consequências destas afirmações, saber quais são para a “cúpula” da NATO representada pelo seu secretário-geral os “nossos valores” e até o que entende NATO por Ocidente.

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S’abstenir de manger et de boire pendant 16 heures (Cycle 8/16) | 2/3 fois par semaine.

Quand le corps humain a faim, il se mange, il fait un processus de nettoyage, éliminant toutes les cellules malades, cancer, cellules vieillissantes et Alzheimer.

Rester jeune et lutter contre le diabète. Création de protéines spéciales qui ne se forment que dans certaines circonstances. Et quand ils sont terminés, l’organisme se rassemble sélectivement autour des cellules cancéreuses mortes, les dissout et restaure l’état dont le corps profite.

Voilà à quoi ressemble le recyclage.

Les scientifiques ont réussi grâce à des recherches longues et spécialisées que le processus d’autophagie exige des conditions inhabituelles qui forcent l’organisme à faire ce processus.

Ces circonstances obligent une personne à s’abstenir de manger et de boire pendant 16 heures (Cycle 8/16). L’humain devrait fonctionner normalement pendant cette période.

Ce processus devrait être répété pendant un certain temps afin d’atteindre l’organisme pour une utilisation maximale et d’empêcher les cellules malades de réagir.

Il est recommandé de répéter le processus de faim et de soif deux à trois jours par semaine.

Yoshinori Ohsumi – Prix Nobel dans le domaine de la physiologie et de la médecine.

Russia hits the goldmine in Uganda | in tfiglobalnews.com

The African country of Uganda is in the limelight again and this time it is literally shining gold. Good news is piling up for Uganda. The country has recently announced the discovery of a deposit of 31 million tonnes of gold ore, with extractable pure gold estimated to gross 320,000 tonnes.

The discovered gold is expected to mine the country in excess of a whopping $12 Trillion. If you are facing difficulty processing how exorbitant the amount is then let me help you. The amount is approximately 4 times India’s annual GDP.

Uganda has also recently witnessed a boost in foreign investments owing to the fresh discovery of hydrocarbon resources in its western region on the border with the Democratic Republic of Congo. Perhaps, the good days for the landlocked country have started.

Russian Connection

The major issue African countries face even after the presence of valuable minerals and metals under their soil is the unavailability of technology and capital for extraction. Major developed countries with the appropriate means are known to have considerable interest in African countries majorly due to their resources.

Moscow has maintained strong relations with Kampala. Uganda’s President Yoweri Museveni did call Russia ‘Europe’s Center Of Gravity,’ and expressed strong support for the Kremlin amid the ongoing war.

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De Gaulle and Europe | por Éric ANCEAU | in DIGITAL ENCYCLOPEDIA OF EUROPEAN HISTORY

General de Gaulle understood Europe as a key geographical and historical construct. From the Second World War until he left power in 1969, he wanted European states to join together and cooperate closely, because he saw this is a means of increasing their power, particularly that of France. However, he was hostile to any loss of sovereignty, seeing it as a possibly prelude to subjugation by the United States.

A man of culture, Charles de Gaulle understood Europe as the product of geography and history, transcending the artificial and ephemeral divisions inherited from wars. As such, he argued that Europe stretched from Gibraltar to the Urals, an assertion that he repeated many times throughout his life. As such, he refused, after 1945, to accept the Iron Curtain as definitive and to consider Europe as one and the same as “the West,” i.e. as the ally of the United States in the Cold War and the enemy of the Eastern Bloc. Yet for all that, he did not seek to please the USSR, which his famous phrase amputated of the three quarters of its territory beyond the Urals. In fact, he always preferred to speak of “Russia” rather than the USSR because, to his mind, regimes come and go whereas nations endure. His Europe, defined in these broad terms, was destined to play a pre-eminent role in the world. In his famous speech at the University of Strasbourg on 22 November 1959 he declared “Yes, it is Europe, from the Atlantic to the Urals, it is Europe, all of Europe, which will decide the fate of the world!” He viewed historical and geographical Europe as a means of combining and increasing the power of the states of the continent, states which he saw as Europe’s unalterable horizon.

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A saga de Lorena numa hábil narrativa | Adelto Gonçalves | por Helio Brasil

                                     I

A História do Brasil teria que ser contada por um coral de historiadores, apoiados em narrativas de cronistas, aventureiros, viajantes constrangidos ou deslumbrados. Uma inicial e lógica exploração feita a partir da costa, seguida de penosas internações. Todas milagrosamente rápidas, tendo em vista os recursos da época, pois falamos de um passado de meio milhar de anos. Registros, documentos, cartas, mapas (de incrível rigor, em face dos recursos da época), bem como a ansiosa busca de riquezas para uma Europa que experimentara a incubação medieval e a explosão do Renascimento.

Não à toa, Espanha e Portugal, dois países debruçados sobre o mar, como se espichando um pescoço geográfico para o Hemisfério Sul ali dominado pelo Atlântico, lançaram-se à cata de riquezas. A terra lusitana, restrito território, pobre de recursos naturais, mais do que todos, levou a conquista a sério.

Nenhuma colonização é angelical. Antes é fria, cruel e espoliadora. Assim, dizer que o Brasil teria se tornado um país melhor se ficasse com espanhóis, com ingleses, franceses ou (que deslumbramento!) dourados holandeses, nos parece uma conjectura ingênua. Historicamente (ou fatalmente) ficamos com Portugal. E será sobre essa nação e seu povo – tão péssimo como os mais péssimos, tão notável quanto os mais notáveis – que devemos falar.

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A PREPARAR AS NOSSAS CABECINHAS PARA A GUERRA NUCLEAR | Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 01/07/2022

1. Reunido em mangas de camisa num castelo alemão, o G7 actualizou as sanções à Rússia e as novas verdades sobre a guerra. De facto, foi o G7+1, pois, como sempre, Zelensky esteve presente por vídeo para pedir mais e mais sofisticadas armas, a tempo de poder decidir a guerra antes do Inverno.

Ficou-se a saber que, só dos americanos, ele recebe todos os meses armamento no valor de 7,5 mil milhões de dólares — um festim para as Lockheed Martin dos Estados Unidos. No final e sobre um horizonte de ruínas, alguém há-de ter de pagar isto e suponho que não sejam só os contribuintes americanos, mas todos os da NATO.

2. Na sua intervenção, Zelensky informou os outros de que na véspera os russos tinham atacado com mísseis um centro comercial onde se encontravam mil civis: dez tinham morrido nesse dia, 18 até hoje. Os russos argumentaram que não tinham atacado nenhum centro comercial mas sim um depósito de armas que ficava ao lado e que, ao incendiar-se, atingira com destroços o centro comercial. Como é óbvio, essa versão foi imediatamente descartada, em favor do “crime de guerra”.

3. Ao mesmo tempo que acrescentava o ouro à lista de bens russos cuja exportação passa a ficar proibida, o G7 insurgiu-se contra “o roubo e impedimento das exportações de cereais” ucranianos por parte da Rússia.

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O SNS não se salva com ilusões | por Francisco Louçã | in Expresso

Quem defende o SNS já não pode escapar ao dilema entre ignorar o colapso e recusar a continuidade da ilusão sobre a estratégia presente, pois a evidência demonstra que o governo não enfrentará o problema. É preciso virar a agulha. Apresentar o atual SNS como o modelo da virtude democrática custa a derrota, pois a realidade do desespero dos profissionais, da desorganização das unidades e dos tormentos dos utentes em centros de saúde ou em urgências impõe-se sem mais argumentos e cada ano será pior, com a aposentação de mais especialistas. Graças a estes fracassos programados, os privatizadores têm a estrada aberta e, apesar de alguns floreados alucinados (descobriram a “sovietização” do SNS, seguindo o guião ideológico da associação de médicos dos EUA, que no século passado conseguiu, na vaga da Guerra Fria, impedir que fosse instalado um serviço público de saúde no seu país), insistem na proposta mais simples: deem dinheiro aos nossos amigos que eles tratam de mais utentes do SNS.

 Nesse caminho, a estratégia de desmantelamento do setor público tem-se imposto. Os investimentos são adiados, os concursos ficam parcialmente vazios, os tarefeiros recebem três a cinco vezes mais do que os seus ex-colegas numa urgência, os serviços navegam na imprevisibilidade. Na incerteza, os seguros cresceram e são um florescente ativo financeiro, que promete lucros confortáveis, graças ao controlo dos preços. A consequência é uma saúde mais cara para as pessoas: dois grupos privados já realizam a maioria dos partos na Grande Lisboa, naturalmente promovendo a cesariana como método preferencial, o que salga as contas finais; durante a fase aguda da pandemia, os hospitais privados ofereceram a sua disponibilidade por 13 mil euros e, se fosse caso grave, o doente era recambiado para o público; e as PPP, que transformaram em arte a regra do afastamento dos doentes mais caros, são elogiadas como se essa manigância fosse boa gestão. Apesar destes resultados, está montado o cenário da atrevida proposta dos grupos privados e dos seus liberais: aguentem o custo dos hospitais públicos desde que nos paguem mais, queremos os vossos impostos.

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O encolhimento do Ocidente | por Boaventura Sousa Santos | In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China). A partir de então o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa. Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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BLOGUE DE JOSÉ MILHAZES | Potências Ocidentais Apoiam Golpe Neonazi na Ucrânia

13/Fevereiro/2014 | Texto traduzido e enviado pelo leitor Fernando Negro | in https://darussia.blogspot.com | “Estudo feito por uma Equipa de Pesquisa da EIR “Executive Intelligence Review”

2 de Fevereiro – Nações ocidentais, lideradas pela União Europeia e pela Administração Obama, estão a apoiar um golpe abertamente neonazi com vista a uma mudança de regime na Ucrânia.

Se o esforço for bem sucedido, as consequências irão estender-se muito para além das fronteiras da Ucrânia e dos seus estados vizinhos. Para a Rússia, tal golpe constituiria um casus belli, vindo como vem no contexto da expansão da defesa antimíssil da OTAN para a Europa Central e da evolução de uma doutrina EUA-OTAN de “Ataque Global Rápido”, que presume que os Estados Unidos podem lançar um primeiro ataque preventivo contra a Rússia e a China e sobreviver à retaliação.

Os acontecimentos na Ucrânia constituem um potencial espoletar de uma guerra global que poderá rápida e facilmente escalar para uma guerra termonuclear de extinção. Na Conferência de Segurança de Munique deste fim-de-semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Sergei Lavrov teve uma acalorada troca de palavras pública com o Secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen, na qual o último acusou a Rússia de “retórica belicosa” e Lavrov respondeu citando o programa de defesa antimíssil europeu como uma tentativa de assegurar uma capacidade de primeiro ataque nuclear contra a Rússia.

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Fórum do BCE: visto de Sintra, o futuro imediato da energia é tudo menos risonho

Diretor da agência europeia de reguladores de energia aconselha cautela nos planos para cortar laços com a Rússia. Em Sintra, no Fórum do BCE, Christian Zinglersen invocou um ditado dinamarquês: “não vendas a pele do urso antes de ele ser morto”. “Estabilizar a inflação será difícil”, acrescentou a professora norueguesa Hilde Bjornland.

“Esta é uma mensagem impopular, mas é um apelo ao pragmatismo, e segue um ditado que temos na Dinamarca: não vendas a pele do urso antes de ele ser morto”. A declaração surgiu em jeito de aviso, da parte do dinamarquês Christian Zinglersen, diretor da ACER, a agência da União Europeia que promove a cooperação entre reguladores de energia. Zinglersen falava sobre a hipótese de tomar medidas precipitadas que mexam com a oferta e procura de energia, em particular de gás natural, já que esse tipo de intervenções “podem causar maior pressão nos preços”.

Zinglersen, falando no Fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, sublinhou que “o choque energético atual é sobretudo motivado pelo gás natural”, cujo aumento de preços “originou preços muito elevados de eletricidade”. E, alertou o diretor da ACER, a Europa ainda vai precisar de gás durante muito tempo, pelo que será prudente gerir com cautela a relação com aquele que ainda é um dos grandes fornecedores deste combustível, a Rússia.

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Dr. Volodymyr & Sr. Zelensky: o rosto oculto do presidente ucraniano | por Guy Mettan

Nos últimos três meses, o chefe de Estado ucraniano tem feito a primeira página de revistas, abrindo noticiários, inaugurando o Festival de Cannes, amando parlamentos, parabenizando e admoestando seus colegas à frente de Estados dez vezes mais poderosos do que ele com uma felicidade e um senso tático que nenhum ator de cinema ou líder político antes dele havia conhecido.

Não foi ele quem disse a um jornalista francês em 5 de março, dez dias após a invasão russa: ” Hoje, minha vida é linda. Acho que sou desejado. Eu sinto que este é o significado mais importante da minha vida: ser desejado. Sentindo que você não está normalmente respirando, andando e comendo alguma coisa. Você vive! ».

Guy Mettan

Membro do Grande Conselho do Cantão de Genebra (Democrata Cristão). Ex-editor-chefe do Tribune de Genève e fundador do Swiss Press Club. Autor do livro Rússia-Oeste. A Mil Years War (a ser publicado em 8 de setembro de 2022).

https://www.voltairenet.org/article217398.html?fbclid=IwAR0ROirKu1Hjod9fn_0WWCkNkidianqD8cfgVIWFkvv1KA5TnMA4XQ60q-w

COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | in Facebook | 10/06/2022 | Intervenção Militar Especial | Acordos de Minsk | Ucrânia

1. COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | (resposta ao Senhor Manuel Pinto Oliveira) | Manuel Pinto de Oliveira , creio que é jurista e estudou direito internacional público.

2. Se é, faz pouco sentido replicar: não ignora certamente que na Carta das Nações Unidas se prevêem o ataque preemptivo e a legítima defesa, esta também na modalidade preemptiva.

Foi invocando esta regra (art. 51, 1, se não erro) que a coligação de. EUA e RU invadiram o Iraque e o Afeganistão, sob a ameaça das infames “armas de destruição massiva” e de “sede do terror”, ambas alegadamente pondo em causa a sua segurança.

Neste último caso, a ONU contestou a invasão, ao contrário do que aconteceu na primeira. Coisa intermédia aconteceu miseravelmente com a Líbia. Em todos os casos destruindo países, reduzindo-os a escombros e plantando a guerra civil a muitos milhares de quilómetros das suas fronteiras. A Líbia escapou desse destino graças às forças russas, cujo auxílio o governo legítimo solicitou, apesar da violação das suas fronteiras pelas forças britânicas, francesas e, sobretudo, dos EUA, que para lá levaram muitos milhares de mercenários sob o estandarte do Daesh, criação óbvia da CIA.

Nas fronteira oeste da Federação Russa, desde o golpe Maidan de 2014 (foi o segundo!), ficou declarada pelo poder triunfante dos seus apaniguados uma guerra de extermínio contra a afirmação russófona das comunidades de Lugansk e Donetsk, cuja autonomia a Ucrânia reconheceu nos acordos de Minsk, negociados com a mediação francesa e alemã, homologados por Resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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O Mundo virado da cabeça para os pés | por Carlos Matos Gomes

O jornal inglês The Guardian titulava um artigo de opinião a propósito da reunião do G/ na Alemanha do seguinte modo: “G7 com agenda cheia num mundo virado de cabeça para baixo” — Em inglês:” G7 grapples with packed agenda of world turned upside down”.

“A agenda da reunião do G7 revela como o mundo virou de cabeça para baixo desde que os líderes dos estados industrializados se encontraram pela última vez na Cornualha, há um ano, numa cimeira presidida pela Grã-Bretanha, em grande parte para se concentrar na ameaça representada pela China.

Antes da cimeira na Alemanha, Boris Johnson emitiu um alerta para que o Ocidente não demonstre fadiga de guerra, um ponto que será ecoado quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, discursar na reunião por videoconferência. Espera-se que ele saliente as dificuldades que as suas tropas enfrentam no leste da Ucrânia, bem como a necessidade de armas mais pesadas de longo alcance.”

Entretanto, a 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a Conferência dos Oceanos. “As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, acolhem a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022. A Conferência é um apelo à ação pelos oceanos — exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentarem a ambição, a mobilizarem parcerias e aumentarem o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos. A Conferência dos Oceanos acontece num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procurará impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras baseadas na ciência, destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos.” (do site da ONU)

Nenhum dos participantes da cimeira do G/ estará presente na Conferência dos Oceanos, embora estes representem 70% da superfície do planeta!

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“J’ai vu des crimes abominables commis par Azov.” De retour d’Ukraine, Adrien Bocquet raconte.

Quanto a Bucha, o que posso dizer é que foi um espectáculo. Os cadáveres foram ali colocados para que as imagens fossem feitas.»

Adrien Bocquet, antigo militar e desportista, autor de uma autobiografia que comoveu a França (Lève-toi et marche !), ofereceu-se nos primeiros dias da guerra para prestar apoio médico aos civis e militares ucranianos em zonas de combate.

Após semanas na frente, regressou chocado a França e concedeu ontem o seu testemunho sobre as exações cometidas pelo exército de Kiev, sobretudo pela milícia Azov.

Adrien Bocquet:

«Assumo plenamente o que digo. Fui testemunha de crimes de guerra e os únicos crimes de guerra com os quais fui confrontado foram perpetrados por militares ucranianos e não por militares russos. (…)

Ao regressar a França, fiquei extremamente chocado ao confrontar aquilo que me foi dado ver com a versão que por cá domina a comunicação social. É abominável. (…)

Quanto aos militares Azov, estão por todo o lado, até em Lviv, fardados e com aquele símbolo neo-nazi no camuflado. O que me choca é que a Europa oferece armamento a militares neo-nazis, com um símbolo nazi inspirado nas antigas SS. Estão por todo o lado e não levantam qualquer problema para os europeus.

Quando lhes prestei apoio médico, e como falo ucraniano e russo, ouvi as conversas sobre como matar e esmagar judeus e negros.

Depois, num hangar, assisti à chegada de prisioneiros russos manietados por cordas que chegavam em grupos de três ou quatro em pequenas furgonetas.

Cada prisioneiro que saía da carrinha era de imediato alvejado no joelho com um tiro de Kalashnikov. Tenho filmes e poderei disponibilizá-los.

Se os prisioneiros se identificassem como oficiais ou sargentos, eram de imediato abatidos com um tiro na cabeça. (…) Até lhe posso dizer algo de muito mais grave: parte dos bombardeamentos sobre zonas civis, sobretudo em Bucha, foram executados pelos morteiros ucranianos. Mas não só, pois em Lviv, onde estava por ocasião dos bombardeamentos russos aos depósitos de armamento acabado de chegar da Europa, verifiquei que todo esse armamento havia sido colocado em edifícios civis habitados, em zonas residenciais e sem que os moradores de tal tivessem conhecimento. A isso chamo servir-se das populações como escudos humanos. (…)

Quanto a Bucha, o que posso dizer é que foi um espectáculo. Os cadáveres foram ali colocados para que as imagens fossem feitas.»

Mistério na Suíça: quem poderia ter comprado ouro russo? | por Jonathan Zalts | in https://www.20min.ch

Mais de três toneladas de ouro russo foram importadas para a Suíça no mês passado. A primeira desde o início da invasão.

Madeira, cimento, caviar: tomando um Pacote de sanções da UE Em abril passado, a Suíça proibiu a importação de uma série de mercadorias que eram uma importante fonte de renda para a Rússia. O ouro, no entanto, não estava na lista.

Ainda assim, a compra de ouro russo tornou-se um tabu desde o início da guerra na Ucrânia. A London Bullion Market Association, autoridade que supervisiona o mercado global de barras, removeu os fabricantes russos de sua lista de acreditação após a invasão.

Desde então, a maioria das refinarias desistiu de aceitar ouro da Rússia. A Suíça também parou completamente as importações.

Mais de três toneladas

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