Debate “Impacto do Código dos Contratos Públicos na Contratação e Valorização dos Serviços de Engenharia” | 11 de julho, Ordem dos Engenheiros, Lisboa

wwwNo momento em que se prevê para breve a conformação do Código dos Contratos Públicos com a transposição da Diretiva Comunitária de 2014, a Ordem dos Engenheiros (OE) e a Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores (APPC) reconhecem a importância da realização deste Debate, não só de interesse para os profissionais e empresas de Engenharia, como para as entidades contratantes e para a economia nacional. Trata-se de um Debate de evidente oportunidade, nomeadamente na discussão que será fomentada sobre os preços anormalmente baixos para os serviços de Engenharia, tanto mais que envolve um grupo bastante representativo dos profissionais qualificados de que o País dispõe e de um setor empresarial que pode continuar a contribuir de modo muito significativo para o PIB nacional.

Ajda Nahai | combattante kurde, symbole de la liberté et de la dignité des femmes contre l’esclavage sexuel.

Elle avait à peine 18 ans : Ajda Nahai, combattante kurde, symbole de la liberté et de la dignité des femmes contre l’esclavage sexuel. Elle se battait contre les djihadistes de Daech aux côtés de milliers d’autres jeunes filles Kurdes. Elle est tombée au combat à Manbij où près de 2.000 terroristes, dont de nombreux en provenance d’Europe, sont toujours encerclés par les forces Kurdes en ce moment. En regardant ce visage souriant, on peut avoir honte parce qu’elle nous renvoie à quelque chose qui nous dépasse, souvent par égoïsme, parfois par racisme, ou tout simplement par indifférence : l’héroïsme ! Elle s’est battue pour sauver le droit de nous regarder en nous souriant, avec ses yeux sombres et profonds. Pour elle seule, ce poème de Victor Hugo :

“demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.”

Victor Hugo “demain, dès l’aube”

Adja

One very simple, but radical, idea: to democratise Europe | Yanis Varoufakis

diem - 200Dear friends,

After last night’s shock result, for which we must hold responsible the European establishment’s deep contempt for democracy and reason, DiEM25 is more important than ever. It is our democratic movement that will have to forge the bonds of pan-European solidarity necessary to pick up the pieces from the EU’s disintegration.

  • Brussels-Berlin-Frankfurt (the triangle of real power) will no doubt double down on authoritarianism-with-austerity and just offer a few inconsequential sticks and carrots along the way. We need to confront them before they destroy everything
  • Meanwhile, the London Tories are in disarray, as is Labour. DiEM25 must be present throughout the UK and Europe, pushing in the direction of anti-austerity, anti-racism and toward a pan-European anti-Brussels block.

I ask all of you, comrades, that you become involved, that you share our message widely: through Twitter, Facebook, other networks and email as well as offline. It is pivotal that you help transmit our sense of urgency and get as many people as possible to support DiEM25’s agenda for a democratic, social and open Europe.

Let us not allow what happened last night demoralise us. On the contrary, let’s strengthen our stance, let’s go out to defend it and promote it now more than ever.

Our time has come and it is essential to involve ourselves with all our strength.

Regards

Yanis Varoufakis

Brexit | Inês Salvador

Ines Salvador -200Brexit | Uma pessoa folheia o facebook e depara-se com posts de direitolas todos contentes com o brexit. Parece que ser direitola também é isto, ficar contente quando dá merda. Às vezes penso que os direitolas eram aqueles putos estúpidos que tocavam às campainhas e depois corriam a esconder-se. Depois cresceram e tornaram-se direitolas só para continuar a tocar às campainhas. Ah e tal, a união europeia é um neo marxismo, dizem a ver se parecem menos parvos. É sempre o velho Marx que as paga. Estou quase convencida que para eles também foi Marx quem inventou a campainha. Até parece que ser direitolas é só esta felicidade destrutiva do mau uso do bem comum.  A alegria de esfíncter infantil do ou brinco eu ou não brinca ninguém. Um palhaço de um egoísmo que não entende que ter 50% de alguma coisa é melhor que ter 100% de coisa nenhuma. Mas pronto, carreguem, carreguem à vontade, e quando rebentar corram a esconder-se.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

nastassia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poème XV

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas.
On dirait que tes yeux se sont envolés,
et on dirait qu’un baiser t’a clos la bouche

Comme toutes les choses sont remplies de mon âme,
tu émerges des choses pleine de mon âme.
Papillon de rêve, tu ressembles à mon âme
et tu ressembles au mot : mélancolie.

J’aime quand tu te tais et que tu es comme distante.
Et tu es comme plaintive, papillon que l’on berce.
Et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas:
laisse-moi me taire avec ton silence.

Laisse-moi aussi te parler avec ton silence,
clair comme une lampe, simple comme un anneau.
Tu es comme la nuit, silencieuse et constellée.
Ton silence est d’étoile, si lointain et si simple.

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
distante et dolente, comme si tu étais morte.
Un mot alors, un sourire suffisent,
et je suis heureux, heureux que ce ne soit pas vrai.

Pablo Neruda

Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

Corps d’une femme (poème 1)

escuro07 - 545

Corps de femme, blanches collines, cuisses blanches,
l’attitude du don te rend pareil au monde.
Mon corps de laboureur sauvage, de son soc
a fait jaillir le fils du profond de la terre.

je fus comme un tunnel. Déserté des oiseaux,
la nuit m’envahissait de toute sa puissance.
pour survivre j’ai dû te forger comme une arme
et tu es la flèche à mon arc, tu es la pierre dans ma fronde.

Mais passe l’heure de la vengeance, et je t’aime.
Corps de peau et de mousse, de lait avide et ferme.
Ah! le vase des seins! Ah! les yeux de l’absence!
ah! roses du pubis! ah! ta voix lente et triste!

Corps de femme, je persisterai dans ta grâce.
Ô soif, désir illimité, chemin sans but!
Courants obscurs où coule une soif éternelle
et la fatigue y coule, et l’infinie douleur.

Pablo Neruda

O Amor | Gonçalo M. Tavares

 luzes-da-cidade - 200
Se chovesse (sempre) trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
e as nuvens no céu se repetissem na cor,
na forma, na velocidade, e na lentidão;
e se o sol permanecesse robusto e alto, constante
como o último andar de um edifício (bem construído),
de calor assim assim mas repetindo assim assim
de calor da véspera;
se o mau e o bom tempo fossem uma linha única,
paralela aos dias; se o verão e o inverno
em vez de dois fossem um,
como uma pedra é um, e uma árvore é um,
se, enfim, quem amas permanecesse amado por ti,
hoje exactamente como ontem,
e daqui a trinta anos exactamente como hoje;
então não existiria o tempo,
e os relógios de pulso seriam pulseiras ruidosas,
mecânicas de mais para estarem tão próximas da mão
capaz de tocar com leveza.
E se não há tempo
…………………….  não podemos trair.
Gonçalo M. Tavares
em “1”

O Teu Riso | Pablo Neruda

olhos 08 - 200

 

 

 

 

 

 

 

 

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.

Pablo Neruda, in “Poemas de Amor de Pablo Neruda

Deep Discovery |Ayla El-Moussa and Lucas Ighile

Scientists and spiritual minds have told us for decades that the universe is within us. Since the odds of exploring outer space as an astronaut are not favorable, we have decided to explore the universe within us. As well as a place we know less about than the cosmos: the ocean. We present to you our next series: deep discovery

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Ciumes | Almada Negreiros

036-isabella-rossellini-theredlist - 200Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam sêde, não n’o acordem ao beber.

 
Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d’elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo.

De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.

De repente viu-se cego – os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas…

– Sabes? Uma andorinha…

E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos.

Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina!

Almada Negreiros, in ‘Frisos – Revista Orpheu nº1’

E elas foram à bica | Inês Salvador

Ines Salvador -200– Olha lá este…
– É giro!
– Põe like nas minhas fotos todas…
– Põe nas dele, não te atrapalhes.
– Deve querer qualquer coisa comigo…
– Olha, não te quero desiludir, mas não excluas o facto de eles porem likes nas fotos todas das moças todas!
– Todas?! Todas, não!
– Tens razão, todas não. Nas que lhe dão ponta. Um nadinha de ponta, vá, já chega.
– Às vezes não entendo, põem likes e comentam em gajas tão feias.
– Também há feias com pinta de serem danadas para a brincadeira e isso conta.
– Opá, às vezes são mesmo tão feias…
– São! Medonhas, bregas, tudo, mas têm um valente par de mamas, que Deus Nosso Senhor compensa e, indo por partes, a logística também conta.
– Ahahah Inês!!!
– Sim?! Já paguei os cafés.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Retrato de uma dama | T.S. Eliot

depreto

Entre a fumaça e a neblina de uma tarde de Dezembro,
Aí tens montada a cena — como deverá ser vista —
Assim: “Pertence a ti toda esta tarde”;
E quatro círios na penumbra da sala,
Quatro anéis de luz no teto a coroar nossas cabeças,
Uma atmosfera de tumba de Julieta
Propícia a que tudo se diga, ou a que nada se enuncie.
Digamos que estivéssemos a ouvir o derradeiro polonês
A transmitir os Prelúdios com a ponta de seus dedos e cabelos.
“Tão íntimo este Chopin que julgo deveria sua alma
Ressuscitar apenas entre amigos,
Uns dois ou três, talvez, que sequer lhe roçariam o viço
Polido e arranhado nesta sala de concertos.”
— E de fato as conversas deslizam de mansinho
Entre veleidades e suspiros a custo reprimidos
Em meio a tíbios timbres de violinos
Acompanhados de arcaicos cornetins
E principiam.
“Não sabeis o quanto eles significam para mim, meus amigos,
E como é raro, estranho e raro, encontrar
Numa vida feita de tanto entulho, tanto resto e retalho
(Pois na verdade o odeio… sabes? Não és cego!
Como és vivo e subtil!),
Um amigo que possui tais qualidades,
Que possui e oferece
Tais qualidades sobre as quais arde a amizade.
O quanto importa que te diga isto
— Sem tais amizades — a vida, que cauchemar!

Entre os volteios dos violinos
E as arietas
Dos ásperos cornetins
Um obscuro tantã em meu cérebro começa
Absurdamente a percutir o seu prelúdio,
Obstinada salmodia:
No mínimo, uma estrita “nota imprecisa”.
— Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada,
Admiremos os monumentos,
Falemos sobre os fatos mais recentes,
Acertemos nossos relógios pelos relógios das praças.
E sentemo-nos então, por meia hora, a beber nossa cerveja.

II

Agora que florescem os lilases,
Um vaso de lilases tem ela em seu quarto
E um deles trança entre os dedos enquanto fala.
“Ah, meu caro, não sabes, não sabes
O que é a vida, tu, que a subjugas em tuas mãos”
(Lentamente a retorcer o talo de um lilás);
“Deixas que de ti a vida flua, deixas que ela flua
E cruel é a juventude, e nenhum remorso tem
E sorri perante aquilo que sequer consegue ver.”
Sorrio, claro está.
E continuo a tomar chá.
“Mas com aqueles poentes de Abril, que de algum modo recordam
Minha vida já sepulta, e Paris na primavera,
Sinto uma paz infinita, e vejo o mundo
Esplêndido e jovem afinal.”
A voz retorna como a insistente atonia
De um violino quebrado numa tarde de agosto:
“Sempre estou certa de que entendes
Meus sentimentos, sempre certa de que os sentes,
Certa de que, na outra borda do abismo, alcances tua mão.
És invulnerável, não tens o calcanhar de Aquiles.
Vais em frente e, quando triunfas, podes dizer: aqui muitos falharam.
Mas que tenho eu, que tenho eu, meu caro,
Para dar-te que possas receber de mim?
Amizade e simpatia apenas
De quem já quase chega ao fim da vida.
Estarei sentada aqui servindo chá aos amigos…”
Ponho meu chapéu: como posso, pusilânime, exigir satisfações
Por haver ela dito o que me disse?
Me encontrarás todas as manhãs nos jardins públicos
A ler histórias em quadradinhos e a página desportiva.
Em particular, anoto:
Uma condessa inglesa sobe ao palco,
Um grego é morto num bailado polonês,
Outro acusado de desfalque bancário confessou.
Mantenho minha postura
E mantenho-me controlado
Salvo se um realejo, a martelar mecânico uma escala,
Repisa uma cediça canção familiar
Com o aroma de jacintos a fluir pelo jardim
Relembrando coisas que alguém já desejou.
Estarão certas ou erradas tais ideias?

III

Cai a noite de Outubro; regressando como outrora,
Excepto por uma leve sensação de estar inquieto,
Galgo os degraus e giro a maçaneta da porta
E sinto como se houvesse subido de quatro as escadas.
“Com que então viajas? E quando voltas?
Ora, que pergunta mais tola!
Dificilmente o saberias.
Hás de achar muito o que aprender lá fora.”
Caiu-me lento o sorriso entre objectos antigos.
“Poderás talvez escrever-me?”
Por um segundo subiu-me o sangue à cabeça
Como se assim eu calculasse este momento.
“Tenho-me surpreendido com frequência ultimamente
(Mas nossos princípios ignoram sempre nossos fins!)
Por jamais nos havermos tornado amigos.”
Senti-me como quem sorrisse, e ao voltar percebi,
De repente, sua vítrea expressão.
Perdi todo o controle; e em trevas na verdade mergulhamos.
“Eu disse o mesmo para todos, todos os nossos amigos,
Estavam todos certos de que nossos sentimentos
Poderiam conjugar-se tão intimamente!
Eu mesma dificilmente o entendo.
Deixemos que isto fique agora à sua sorte.
Escreverás, de quando em vez.
E talvez nem demores tanto a fazê-lo.
Estarei sentada aqui, servindo chá aos amigos.”
E devo então trocar de forma a cada instante
Para dar-lhe afinal uma expressão… dançar, dançar
Como faria um urso bailarino,
Tagarelar como um papagaio, rilhar os dentes como um bugio.
Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada.
Bem! E se ela morresse numa tarde qualquer,
Numa tarde enevoada e cinzenta, num encardido e róseo crepúsculo;
Se ela morresse e me deixasse aqui sentado, a caneta entre os dedos.
A névoa a cair sobre os telhados;
Por um momento me perco em dúvidas,
Já que não sei o que sentir ou se o entendo,
Se sou um sábio ou simplesmente um tolo, cedo ou tarde…
Não colheria ela algum lucro, afinal?
Essa melodia culmina com uma “agonia de outono”
E já que aqui falamos de agonia
— Algum direito a sorrir eu teria?

T.S. Eliot

 

Bom dia Charlies | Inês Salvador

Ines Salvador -200Bom dia Charlies, sobre homofobia venho contar-vos o seguinte:

Em tempos idos, e por tempos do Super Bowl, pus na minha capa deste estranho sistema em que nos encontramos, uma foto dos New England Patriots. Para os mais distraídos, estamos a falar de futebol americano. O Super Bowl é o evento desportivo mais assistido no Estados Unidos e o segundo em audiência no mundo, logo a seguir à Liga dos campeões da UEFA. Um jogador de futebol americano é um jogador de futebol americano, e nesse sentido não há nada a tirar ou a acrescentar, porque é perfeito. A foto dos New England Patriots era isso mesmo, perfeita, esmagadora no que à beleza masculina refere. Era uma foto de balneário, um olimpo de deuses gregos americanos. E para que disso não houvesse dúvidas, alguns estavam nús, outros meio despidos, quase despidos, estrategicamente colocados para que nada demais se pudesse ver. Pois, meus Queridos Charlies, logo que pus a foto na capa, o meu chat inundou-se de msgs que me pediam que retirasse a foto, porque a exibição daquele “orgulho gay” era chocante e estava a chocar a malta. Não respondi e fui bloqueando gente, ao mesmo tempo que a foto era continuamente denunciada. Sabemos que vivemos na lama, rodeados de boçalidade, que a maioria das pessoas não é lida, não é viajada e o que melhor as distingue é o arroto, mais ou menos azedo, mas, caramba, passam o tempo a olhar para a televisão, não conseguem aprender qualquer coisinha?! Não. Não reconhecem uma imagem do super bowl e associam a beleza masculina, a nudez masculina, à homossexualidade, como se fosse tudo mau, a beleza, a nudez, e a homossexualidade. Se não fosse trágico, até tinha graça, que o que estes badochas querem é gajas boas, como se as gajas boas não se tivessem melhor que fazer. Isto para dizer, que tenho mais fé no pai natal do que em movimentos de indignação e que a minha fé nos homens é bastante reduzida. E não me venham cá falar em valores, porque para partilhar valores é preciso tê-los. Quando me dizem “não temos os mesmos valores”, sou quase sempre forçada a concordar, não é possível ter valores em comum com quem não tem valores nenhuns.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Pablo Neruda | J’aime la mansuétude

J’aime la mansuétude et lorsque j’entre
sur le seuil d’une solitude
j’ouvre les yeux et les remplis
de la douceur de sa paix.

J’aime la mansuétude par-dessus toutes
les choses de ce monde.

Je trouve dans la quiétude des choses
un chant immense et muet.
Et tournant les yeux vers le ciel
je trouve dans les tremblements des nuages,
dans l’oiseau qui passe et le vent
la grande douceur de la mansuétude.

Modotti 052 - 545

vegetarianos, vegans e afins | Inês Salvador

Ines Salvador -200A uns certos vegetarianos, vegans e afins

Ponto de ordem e esclarecimento, que isto, às vezes, cansa:

1) – O peixe não é um vegetal! Por mais bem amanhado, em filete, com corte de chef, embrulhado em algas, se ainda não repararam, o peixe não é vegetal!

2) –  Quem põe os ovos são as galinhas e quem dá leite são as vacas! As vacas e as galinhas não são um vegetal! Também há outros animais que põem ovos e outros animais que dão leite. Nos mamíferos todas as fêmeas dão leite. Nós, as mulheres, também damos leite, é uma questão de emprenharmos e parirmos, que ficamos a dar leite, tal como as fêmeas das outras espécies de mamíferos. Se vos der para mamar noutro lado, e não se acanhem, também dá leite, é uma questão de lhe apanharem o jeito.

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O Amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia | Zygmunt Bauman

Bauman-200O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman | sociólogo polaco

 

Ton rire | Pablo Neruda

 

warda01 - 150

 

 

 

 

 

Tu peux m’ôter le pain,
m’ôter l’air, si tu veux:
ne m’ôte pas ton rire.

Ne m’ôte pas la rose,
le fer que tu égrènes
ni l’eau qui brusquement
éclate dans ta joie
ni la vague d’argent
qui déferle de toi.

De ma lutte si dure
je rentre les yeux las
quelquefois d’avoir vu
la terre qui ne change
mais, dès le seuil, ton rire
monte au ciel, me chercha
et ouvrant pour moi toutes
les portes de la vie.

A l’heure la plus sombre
égrène, mon amour,
ton rire, et si tu vois
mon sang tacher soudain
les pierres de la rue,
ris : aussitôt ton rire
se fera pour mes mains
fraîche lame d’épée.

Dans l’automne marin
fais que ton rire dresse
sa cascade d’écume,
et au printemps, amour,
que ton rire soit comme
la fleur que j’attendais,
la fleur guède, la rose
de mon pays sonore.

Moque-toi de la nuit,
du jour et de la lune,
moque-toi de ces rues
divagantes de l’île,
moque-toi de cet homme
amoureux maladroit,
mais lorsque j’ouvre, moi,
les yeux ou les referme,
lorsque mes pas s’en vont,
lorsque mes pas s’en viennent,
refuse-moi le pain,
l’air, l’aube, le printemps,
mais ton rire jamais
car alors j’en mourrais.

Pablo Neruda

 

Frida Kahlo

kahlo - 200Frida Kahlo est une artiste peintre mexicaine. A l’âge de 6 ans, elle souffre de poliomyélite (sa jambe droite s’atrophie et son pied ne grandit plus) puis elle souffre de “spina bifida” (malformation congénitale) et enfin, en 1925, elle est victime d’un grave accident de bus (son abdomen et sa cavité pelvienne sont transpercés par une barre de métal + 11 fractures à sa jambe droite, pied droit cassé, bassin, côtes et colonne vertébrale brisés). Elle devra subir de nombreuses interventions chirurgicales et de nombreux séjours à l’hôpital. Après son accident, elle se forme elle-même à la peinture. Tout cela est l’élément déclencheur de la longue série d’autoportraits qu’elle réalisera. En effet, sur 143 tableaux, 55 relèvent de ce genre. En 1929, elle épouse Diego Rivera, de 21 ans son aîné, mondialement connu pour ses peintures murales. Elle a de nombreuses relations extraconjugales, notamment avec des femmes. Des liaisons avec des hommes sont connues comme Léon Trosky, liaison courte mais passionnée. La fin de sa vie sera difficile : on lui ampute la jambe droite puis elle est affaiblie par une grave pneumonie et décède en 1954, à 47 ans. Les derniers mots dans son journal seront ” “j’espère que la sortie sera joyeuse… et j’espère bien ne jamais revenir.” Elle a été incinérée car elle ne souhaitait pas être enterrée couchée, ayant trop souffert dans cette position au cours de ses nombreux séjours à l’hôpital. Le nouveau billet de 500 pesos mexicains en circulation depuis le 30 août 2010 est à son effigie car elle est devenue une icône.
“Ils pensaient que j’étais une surréaliste, mais je ne l’étais pas. Je n’ai jamais peint de rêves, j’ai peint ma réalité.” (Frida Khalo)