O intrigante caso Navalny | Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA | in Jornal Económico

Segundo o governo alemão, o político russo pró-ocidental Alexei Navalny foi envenenado com “Novichok”, uma substância neurotóxica. Políticos e comunicação social (OCS) ocidentais, sobretudo na Alemanha, apontaram unanimemente e sem reservas Putin como o mandante do envenenamento. Altos dirigentes alemães subiram a parada e acusaram o “sistema de Putin” de ser um “regime agressivo, sem escrúpulos que recorre à força para impor os seus interesses por meios violentos desrespeitando as boas normas de comportamento internacional.

Embora não disponha de informação privilegiada sobre o assunto, não posso deixar de considerar intrigante o acontecimento e os desenvolvimentos que se seguiram. É preocupante a ausência de interrogações sobre algo tão perturbador cujo momento em que ocorre sugere, independentemente de quem estiver por detrás, uma operação política de alto calibre.

Quando nos interrogarmos sobre quem poderia ter sido o mentor do envenenamento surgem três suspeitos, mas apenas dois têm a ganhar: o grupo de oligarcas apoiados pelos EUA, que se opõe a Putin e defende o desmembramento e a regionalização da Rússia, agências de espionagem estrangeiras e o próprio Putin. Não podem ser deixados de fora os inimigos internos do Kremlin, nomeadamente o grupo de oligarcas que compete com Putin, empenhado em o desacreditar. Navalny tem relações com esses grupos e ligações a grupos organizados de extrema-direita.

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Amar e ser amado | Carlos Esperança

Amar e ser amado

Sabem lá os trogloditas o que é amar, o que é a sedução mútua entre iguais, o que é um barco que navega o mar, sem a quilha magoar as águas que se abrem para o acariciar!

Eles sabem lá o que é o amor entre pessoas livres! Ignoram a beleza da rosa, o perfume que exala, o deleite de descobrir, pétala a pétala, o androceu e o gineceu dos corpos que se fundem na dádiva recíproca do amor que só a liberdade consente!

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Manifesto | Por uma recuperação económica transparente e participada | in Revista Sábado

08-09-2020 | Signatários pedem criação de mecanismos que permitam a participação dos cidadãos na recuperação de Portugal face aos impactos da pandemia de Covid-19.

A crise pandémica que o mundo está a viver criou ou agravou profundos problemas económicos e sociais, impondo aos Estados e às sociedades a urgência de mobilizar investimento público e privado para a recuperação económica.

Em Portugal, este esforço de recuperação mobilizará muitos recursos nacionais assegurados pelos cidadãos, através do pagamento dos seus impostos, complementados com fundos significativos do plano de recuperação da União Europeia e do orçamento europeu para o período 2021-2027.

A gestão destes recursos impõe ao Estado e à sociedade portuguesa uma enorme responsabilidade na condução de um programa eficaz de auxílio às famílias, aos trabalhadores e aos setores de atividade mais afetados pela pandemia, bem como à reestruturação e relançamento da economia portuguesa. O sucesso deste programa só se alcançará com o compromisso e o contributo de todos, desde os órgãos de soberania aos partidos políticos, à Administração Pública e à sociedade civil.

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A falta que Ana Gomes nos faz | Henrique Monteiro in Jornal Expresso de 09/09/2020

“A falta que Ana Gomes nos faz.
A ex-deputada europeia do PS decidiu que se candidata à presidência da República e anuncia-o formalmente já esta quinta-feira, depois de ter informado, terça-feira, através do ‘Público’, a sua disponibilidade. É um bom sinal para a democracia portuguesa, independentemente da dimensão do apoio que venha a ter
Penso que não terei de gastar muitas linhas a explicar muito do que me separa, politicamente, de Ana Gomes. Ao contrário, permitam-me que gaste algumas a dizer o que me une.
Em primeiro lugar, o espírito de liberdade, de não termos de ser politicamente corretos nem fiéis a um dogma emanado por quem quer que seja, incluindo secretários-gerais de partidos. Depois, a enorme vontade de combater a corrupção e os males que afetam as democracias, para melhor as defender. E o espírito de ser do contra que, concedo, nem sempre é justo e operativo, mas que tem como recompensa estimular o debate público.

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AVANTE | Tiago Salazar

AVANTE I Se nos víssemos como os outros nos vêem ficaríamos arrepiados, ou talvez irados, furiosos, prontos para a guerra. E vice-versa. Mas é neste vice-versa que há todo o Trabalho a fazer. Por estes dias sombrios, o PCP é “julgado” pelos seus actos públicos. É gozado pela sua festa ao arrepio da sanha do distanciamento social.

Tenho memória de um político à Lincoln, digamos assim, ou como imaginamos o pai fundador da América moderna. Chamava-se Manuel Gírio, era comunista afectivo de matriz cristã e seguidor do deus do esparguete, e nunca ocupou um cargo público notável. Foi dramaturgo e poeta mais do que tudo, como o defunto Vaclav Havel. Agora, nesta hora de suspense pandémico, esperamos um Messias goês, um dirigente com nome e feições e bravura de índio, um padre lírico ou um corajoso activista? Eu espero duas ou três coisas de um governo, governante ou líder, para me sentir pacificado com a ideia de nação valente, e voltar a ter esperança na ressurreição da ideia de pátria, além de me contentar com os gozos da língua e da escrita. Uma delas é simples: derrubar a ditadura mental.

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

II – CARTAZES | Jovem Conservador de Direita

Estou profundamente desiludido com esta cedência da JSD ao bullying betofóbico que denunciei na minha última publicação. Isto é e renúncia a um dos elementos fundamentais da identidade da JSD: o caqui. Substituir calças caqui por calças de ganga é um golpe na dignidade indumentária da direita. As calças de ganga são populares entre a esquerda porque não se nota quando não são lavadas. Uma pessoa que veste caqui está a exibir a sua higiene e limpeza moral. Usar calças beige é uma metáfora para a nossa forma de estar na política. Não são completamente brancas, porque não somos fundamentalistas nem queremos parecer que andamos em boys band. São beige, porque deixam algum espaço cromático para cinzentos morais, inevitáveis neste Mundo complexo, mas ainda assim com pureza moral quanto baste para salvar a sociedade da perversão da esquerda.

Esta atitude lamentável da JSD demonstra que, basta a esquerda querer, que conseguirá fazer qualquer dirigente da JSD usar rastas e crocs via bullying. Estou a imaginar no futuro um destes jovens a trocar o fato e gravata por roupa de palhaço só para a Dra. Catarina Martins não se rir deles. São estas jovens que queremos a impor austeridade no futuro? Não esperava isto da JSD, uma instituição que já teve líderes tão carismáticos como alguns dos quais agora não me lembro.

O outdoor continua excelente. A troca de calças é que é uma das maiores desilusões da minha vida. Não se negoceia com terroristas betofóbicos que oprimem pessoas só porque transmitem uma imagem de sucesso.

Estejam atentos que, ainda hoje, sairão novidades sobre o tão esperado número 2 da Le Docteur sobre educação, onde, entre outras coisas, falo sobre os perigos da betofobia.

Jovem Conservador de Direita

Retirado do Facebook | Mural do Jovem Conservador de Direita

I – CARTAZES | Jovem Conservador de Direita

Excelente iniciativa destes jovens da JSD. Finalmente uma fotografia de jovens da JSD em que os seus dirigentes parecem mesmo jovens, porque estão de máscara e não se vêem as rugas. Estes guerreiros vestiram as suas armaduras de combatentes contra o comunismo, calças beige e camisa para os generais e pólo para os estagiários, e içaram um cartaz em frente à festa do Avante.

Tenho visto muitos ataques betofóbicos a propósito desta imagem e é muito triste que haja pessoas a serem discriminadas por terem aspecto de quem tem sucesso. A betofobia poderá ter efeitos gravíssimos: se continuarem a hostilizar assim pessoas que se vestem bem, poderá chegar um dia em que não conseguiremos distinguir um homem de sucesso de um sem-abrigo. E poderá levar a situações absurdas que nos levem a fazer networking com alguém que não vale a pena, porque toda a gente se veste de forma proteger-se de ataques betofóbicos. Por acaso, o tema da betofobia será abordado com mais profundidade no número 2 da Le Docteur que será anunciado este fim de semana.

Muitas pessoas acusam-nos de sermos incoerentes por termos defendido o fim do confinamento pelo bem da economia e agora sermos contra um evento. Isso é ridículo. Temos de saber analisar as diferenças. Uma pessoa que apanhe covid na feira do livro, em Fátima ou no grande prémio de F1 é um dano colateral infeliz da necessidade imperiosa de abrir a economia. Uma pessoa que apanhe no Avante é mais uma entre milhões de vítimas do comunismo. Apanhar covid pela economia é um acto heróico, mas, como liberais, temos o dever de evitar ao máximo as vítimas do comunismo.

É claro que, apesar de tudo, o comunismo continua a ser a pior doença que se pode apanhar na Festa do Avante. E a festa do Avante até pode ter pontos positivos, já que, se correr mal, pode ser uma excelente oportunidade para derrotar o comunismo de vez. Em vez de pendurarem cartazes, os jovens da JSD podiam apanhar covid e iam para a festa do Avante começar um surto. Temos de combater o comunismo a todo o custo, nem que tenhamos de usar jovens da JSD como armas biológicas.

Jovem Conservador de Direita

Retirado do Facebook | Mural do Jovem Conservador de Direita

Intolerância | Carlos Matos Gomes

Uma das definições de tolerância é a qualidade de aceitar opiniões opostas às suas. A intolerância será, então, o oposto disso.

Aceitar aquilo que não se quer, ou ouvir com paciência opiniões diferentes das suas, são consideradas habitualmente virtudes necessárias para a convivência numa sociedade democrática. Mas são mais do que isso, são condições necessárias para viver em sociedade.

A intolerância radica no conceito da superioridade, e é habitualmente embrulhada em argumentos de ordem moral. Os intolerantes consideram-se superiores por serem portadores ou fomentadores do Bem. A falácia dos intolerantes é a de eles não tolerarem o Mal que são os outros.

A colonização e o colonialismo, com as suas componentes clássicas de “civilizacionar “ e cristianizar , são exemplos clássicos da intolerância. Os colonizadores não toleravam as ideias dos outros, nem os comportamentos dos outros, nem a cor da pele dos outros, a tal ponto não os toleravam que nem os consideravam seus semelhantes, seres humanos. Os colonialistas — que são uma espécie distinta dos colonizadores — entendiam os habitantes das colónias como um produto a ser explorado como qualquer outra, uma matéria-prima. Nada mais. Por isso os colonialistas belgas cortavam os braços aos negros do Congo que não produziam o que fora determinado, por isso os colonialistas da Diamang, em Angola, substituíam anualmente os “contratados” que sofriam acidentes com as vagonetas do cascalho por outros arrebanhados pelos agentes das administrações coloniais.

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Manifesto com 500 subscritores contra ataque à disciplina de Cidadania | in Jornal de Notícias

Manifesto posto a circular na quinta-feira alega que a ética não pode ser sujeita a objeção de consciência e critica os que defendem que disciplina seja opcional.

Cerca de 500 pessoas já assinaram o documento “Cidadania e desenvolvimento: a cidadania não é uma opção” que rejeita a possibilidade de evocar a objeção de consciência (dos pais) para que os alunos do 2.º e 3. º ciclos não frequentem a disciplina.

“É uma tomada de posição pública ao ataque a uma disciplina que é fundamental para a educação dos jovens e para a criação de uma sociedade melhor”, afirmou Helena Ferro de Gouveia, uma das autoras do manifesto que conta com o apoio de Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Teresa Pizarro Beleza, Daniel Oliveira, Alexandre Quintanilha, Catarina Marcelino, Miguem Somsen, entre professores, políticos, jornalistas, médicos, investigadores, deputados e organizações nacionais e locais.

“A ciência e ética estão na base da educação”, afirma o documento que defende que disciplinas como Cidadania ajudam os alunos “a distinguir entre o que é ideologia e o que é conhecimento”.

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CONDIÇÃO FEMININA (In “Évora, anos 30 e 40”, no prelo) | António Galopim de Carvalho

Depois do jantar, os homens saíam a caminho dos seus interesses. Fossem ricos, remediados ou pobres, a regra era essa. As mulheres ficavam em casa. De muitas delas, a única distração era ficarem à janela a ver quem passasse ou a falar com a vizinha da frente. Prisioneiras das responsabilidades que, tradicionalmente, lhes eram atribuídas pela tradição e pelo regime, continuavam no exercício das tarefas domésticas, costurar e, ao mesmo tempo, a cuidar dos filhos. Destes, os mais pequenos faziam os trabalhos da escola ou brincavam, muitas vezes na rua, à porta da casa, sempre aberta. Nas famílias sem posses para terem criadas, competia também às filhas com idade para ajudar, levantar a mesa, lavar a loiça, arrumar a cozinha e o mais que fosse preciso.
Eram as mães que, contra elas próprias, educavam as filhas e os filhos a perpetuarem os hábitos da sociedade machista em que cresci e me fiz homem, numa vivência estimulada pela Igreja e pelo poder político da época. Jovem casadoira, qualquer que fosse a sua condição, já sabia que o seu lugar ia ser no lar ou no “ninho”, como algumas e alguns gostavam de dizer. Ao contrário das mulheres do campo, eram poucas as da cidade com trabalho fora de casa.
No mundo rural não era assim. Pobres por condição e tradição, mães com ou sem filhos e raparigas adolescentes tinham mesmo de trabalhar sempre que as oportunidades surgissem e essas oportunidades eram, sobretudo, a monda, a ceifa e a apanha da azeitona.

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OS ROBERTOS. (in “Évora, anos 30 e 40”, no prelo) | António Galopim de Carvalho

Vêm aí os Robertos! Gritava o meu irmão Mário, ofegante de dois andares a subir de um pulo, vindo da rua. Era assim que nós nos referíamos a esta herança cultural portuguesa que é o teatro de fantoches ou de marionetas, dito “de luva”. Descemos de um salto e, já na rua, a correr, ouvíamos a voz de “palheta” do bonecreiro. Lá estavam eles, gesticulando, no topo de uma guarita instalada naquele passeio mais alargado da Rua João de Deus, em frente da mercearia do Anselmo, rodeada por uma muito razoável assistência de miúdos e graúdos. Já montada, a guarita era uma armação de madeira forrada com chita barata, a fazer as vezes de palco virado a todos os quadrantes.

De pé, escondido lá dentro, o bonecreiro, falando sem parar, manipulava os figurantes, simples bonecos ou fantoches reduzidos a uma tosca cabeça de pau, vistosamente pintada, agarrada a um meio corpo que não era mais do que a respectiva roupa. Diz-se fantoches “de luva” porque o operador mete o dedo indicador na cabeça do boneco e usa o polegar e o dedo médio para fazer os braços, enfiando-os nas mangas terminadas por mãos igualmente vistosas. Testemunho de uma das tradições mais antigas das artes cénicas europeia e portuguesa julga-se ter ido buscar heróis populares ao oriente.

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Reflexões | Carlos Esperança

1 – Disse-me um médico amigo que o seu bastonário recebe o vencimento do Estado, a pingue remuneração da função, além de chorudas regalias, e está autorizado, pela OM, a exercer medicina privada. Apenas não usufrui o direito de substituir os sindicatos e de se dedicar à carreira político-partidária, em competição com a sua homóloga enfermeira. O que faz.

Surpreende-me, quem teve a confiança dos pares, que seja tão lento a pensar. Depois de ter declarado que a reunião com o PM decorreu em ambiente de cordialidade mútua e que aceitou as explicações e o elogio a toda a classe médica, soube que nas redes sociais se afirmava que teve entradas de leão e saída de sendeiro. Então, rugiu como entrou e portou-se como foi acusado de ter saído.

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Adeus (A propósito de ter entregado o seu cartão da Ordem dos Médicos) | António Lobo Antunes

Adeus

“Demiti-me hoje da Ordem dos Médicos e devolvi a medalha de mérito que há anos me pediram que aceitasse e me agradeceram com elegância ter aceite. O meu pai costumava citar uma frase de Herculano a propósito de Garrett, dois escritores que muito admiro: “por meia dúzia de moedas o Garrett é capaz de todas as porcarias menos de uma frase mal escrita.” E recebi uma carta mal escrita, que talvez pretendesse ser irónica e era apenas pateta e com dois erros de português, que me obrigou, naturalmente, a esta tomada de posição que, embora não faça Medicina há muitos anos, me entristeceu.

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A civilização que não trata do lixo | Carlos Matos Gomes

A nossa civilização — e a nossa civilização é o capitalismo — assenta na produção e no consumo, tendo por pressuposto a irracionalidade dos recursos ilimitados. O capitalismo tem na base duas ideias força: laissez faire, laissez passer, liberdade absoluta para extrair recursos, para os transformar e para os vender. E: tudo o que pode ser produzido pode ser consumido, crença cega da capacidade de extração de produtos, sem olhar a meios nem a consequências, e crença cega na capacidade de absorção do que é produzido, seja pela natureza, seja pela sociedade.

Destes dois princípios surge como natural o irracional, mas sagrado vocábulo do “crescimento”. Todos os anos, os iluminados das altas instâncias internacionais e nacionais que nos governam, referem que “crescemos” mais uns tantos por cento. Jamais alguém refere a irracionalidade do crescimento contínuo. A história da Ilha da Páscoa, em que os habitantes todos os anos cortavam mais árvores (cresciam)para fazerem mais estátuas de deuses porque necessitavam de mais deuses para terem mais árvores para cortar e assim sucessivamente até a Ilha ficar inabitável.

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Esquerda ou Direita unidas | José Gabriel Pereira Bastos | Senhora cá de Casa Okupada

PREFÁCIO (José Gabriel Pereira Bastos)

para que a esquerda (ou a direita) se unissem era preciso maturidade e atenção ao mundo histórico e não apenas os activistas servirem-se dos ‘debates’ para se auto-promoverem ou se engatarem, como o texto mostra. O que não é provável quando N > M e E > I (narcisismo maior do que maturidade e exibicionismo maior do que inteligência).

OPINIÃO (Senhora cá de Casa Okupada)

O ano é 2035, ou melhor, 15 d.R.: depois da Revelação. Toda a superfície do antigo território português foi reconquistada aos fluxos necrófagos do capital numa insurreição fulminante e invencível. Com a implosão do Estado, vive-se a anarquia e a greve perpétua: a população divide-se entre comunas mais ou menos estáveis e grupos flutuantes de afinidades, quase todos dedicados à organização de orgias cada vez mais imaginativas. A ciência, livre dos ditames do complexo industrial-farmacêutico-militar, desenvolve-se de um modo avassalador e em benefício da humanidade: prevê-se que no ano seguinte um grupo de investigadores consiga finalmente ressuscitar a consciência de Arnaldo Matos, que será implantada em milhões de máquinas de combate feitas de cortiça e incumbidas da missão de libertar o planeta da Forma-Putedo. A FUA ainda existe: ocupa-se a fazer manifestações com uma dimensão puramente ritual, o referente esquecido no passado de opressão e miséria. O maior desafio de toda a comunidade do antigo território português já não é político, é logístico: ninguém sabe como tratar e escoar adequadamente as quantidades industriais de canábis que as hortas comunitárias produzem. Continua a escrever-se péssima poesia por todo o lado.

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O ateísmo, as religiões e a democracia | Carlos Esperança

A minha conhecida condição de ateu não me conduziu ao combate primário às crenças e, jamais, aos crentes que se limitam a viver a fé sem buscarem impô-la pela violência.

Isso não significa que não combata as instituições com poder, que, na minha perspetiva, sejam danosas para a democracia e os direitos humanos. É frequente visar, como tal, as religiões. Combatê-las é um efeito colateral da minha luta pela liberdade.

Em Portugal, apenas as religiões do livro têm representação que mereça atenção. Vale a pena lembrar a origem hebraica do Antigo Testamento (AT), fonte dos 3 monoteísmos e só assim designado pelos dois credos posteriores, cristianismo e islamismo que, tendo aí a origem, consideram respetivamente Cristo e Maomé, também como fontes da vontade divina.

O cristianismo, primeira cisão com êxito do judaísmo, surgiu da utilidade para a coesão do Império Romano pelo imperador Constantino. Paulo de Tarso teve a ideia genial de transformar o Deus de Israel em Deus global e fazer dele o salvador universal, apesar de o Homo Sapiens existir há 350 mil anos, sem salvação até há cerca de 6 mil.

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Renovação do Coletivo Coordenador do DiEM25’s – é tempo de votar!

O mês passado iniciamos o processo de renovação do nosso Coletivo Coordenador (CC). Candidatos da Europa e fora dela colocaram as suas declarações pessoais e vídeos aqui.

Estes candidatos são todos “DiEMers” empenhados que querem avançar e trabalhar intensivamente para que o nosso movimento progrida e se expanda para atingir os objetivos propostos.

Agora é a tua vez de participares neste processo democrático importante para o DiEM25: vota nos candidatos que sentes que irão guiar da melhor forma os próximos meses.

Podes votar a partir de agora até ao dia 28 de Agosto às 23:59pm aqui.

Faz com que a tua voz seja ouvida! Carpe DiEM25!

Luis Martín
Coordenador de Comunicações do >>DiEM25

PORQUE É QUE O HOMEM TEM TENDÊNCIA PARA O ÓDIO | Umberto Eco

[artigo de Umberto Eco na “Bustina di Minerva”, do L’ Espresso, em 28.Outubro.2011]

<*Silvio detesta todos os comunistas, Bossi todos os sulistas, da mesma maneira que Appelius tinha aversão a todos os ingleses. Porque o ódio é um sentimento que, de uma só vez, abraça multidões imensas. E por isso, é fácil e satisfatório. Ao passo que o amor é selectivo e, portanto, mais difícil*>.

Nos últimos tempos escrevi sobre o racismo, sobre a construção do inimigo e sobre a função política do ódio pelo Outro ou o Diferente. Julgava ter dito tudo, mas numa recente discussão com o meu amigo Thomas Stauder emergiram (e são daqueles casos em que nenhum de nós se lembra quem dos dois disse o quê, mas as conclusões coincidiam) alguns elementos novos (ou, pelo menos, novos para mim).

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La irresistible ascensión del ‘Homo mediocris’ | Carmen Posadas

PEQUEÑAS INFAMIAS

Hace unas semanas tuve la sorpresa de ver como un artículo mío escrito hace muchos años se convertía en viral. De pronto, empezaron a llegarme notificaciones de sitios tan dispares como Cuba, Alemania o Nueva Zelanda. Por supuesto, fue una gran alegría y agradezco desde aquí a todos los que lo retuitearon y glosaron. Los comentarios que suscitó eran todos positivos, lo que no deja de ser increíble en tiempos en los que hasta las reflexiones del más elemental sentido común desatan las iras de haters u odiadores. El artículo del que hablo se llama El mundo es de los mediocres y en él me maravillaba de que personas que no son inteligentes ni preparadas, tampoco talentosas y ni siquiera trabajadoras o perseverantes alcanzan metas más elevadas que otras que sí lo son. Por supuesto, la hegemonía de los mediocres no es un fenómeno nuevo. El artículo anterior hablaba de Stalin, al que su correligionario Trotski desdeñosamente tachó de «mediocre y oscuro» solo para comprobar con estupor cómo Stalin no sólo lograría acabar con él, sino que incluso hizo palidecer al mismísimo astro rey de la revolución, el camarada Lenin.  ¿Cómo? Simplemente, con una eficaz combinación de atributos y tácticas que los mediocres manejan como nadie. Un mediocre, antes de llegar arriba, vuela bajo el radar para no despertar suspicacias, es maestro en el arte de hacer la pelota y, sobre todo, en practicar el ‘divide y vencerás’. Cuando por fin lo logra, lo lógico sería pensar que modificaría su conducta volviéndose menos mediocre. Pero no. Puesto que sabe que no puede hacerse amar, decide hacerse temer y, para preservar su posición, se rodea de una nueva cohorte de otros mediocres que le sirven de guardia pretoriana e impiden el paso a personas de talento. Así suele producirse la irresistible ascensión del Homo mediocris. Como, según Mark Twain, la historia no se repite pero rima (e incluso se autoparodia, añadiría yo), ahora tenemos la versión 2.0 de Iósif Stalin en Nicolás Maduro, por ejemplo. Si Stalin logró sojuzgar a fuerza de sangre y hambre a millones y millones de rusos, Maduro, más burdo y aún más mediocre que él, logra otro tanto con idéntico sistema e igual éxito.

Os intocáveis dos regimes liberais – os pica-miolos | Carlos Matos Gomes

A introdução do voto como elemento legitimador do poder, que ocorreu com as revoluções liberais na Europa no século dezanove, constituiu um ganho civilizacional inegável, mas não colocou o poder nas mãos do povo. A intenção não era essa, mas sim alterar os grupos detentores do poder. O voto seria como foi e é o sistema de controlo desse novo poder. Um sistema virtuoso, diga-se, se comparado com o poder senhorial de casta, do Antigo Regime, mas devidamente armadilhado para não ameaçar os seus criadores e usufrutuários.

A sociedade liberal era e é um mercado e o voto passou a ser uma mercadoria. A questão central da política era e é a de convencer clientes a comprar um produto. Um produto especial, mas um produto. Uma atividade mercantil, mas digna e respeitável se praticada respeitando o princípio da igualdade e da livre concorrência. A questão é a da natureza corrupta do poder e este, que é um exercício de domínio, não pôde, nem pode, ficar à mercê de vontades livres.

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VISÃO ESTRATÉGICA PARA O PLANO DE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DE PORTUGAL 2020-2030 | PROPOSTA | António Costa Silva

VISÃO ESTRATÉGICA PARA O PLANO DE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DE PORTUGAL
2020-2030

Esta Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social 2030 visa essencialmente responder à questão: o que fazer no day after?
Não vamos ter ilusões: a crise sanitária causada pela doença COVID-19 traz consigo uma profunda recessão económica que tem características globais e que vai ferir profundamente a nossa economia. E é importante por um lado elencar as características e consequências da crise e o que Portugal pode fazer para responder, e por outro, definir alguns princípios orientadores das políticas públicas, antes de abordar na parte final os diferentes setores da economia e elencar algumas ideias e projetos que podem ser estruturantes para a reconstrução do país.

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Espanha | Carlos Matos Gomes

As circunstâncias. A transição da Espanha para um regime de democracia liberal na Europa é fruto de circunstâncias e não do ato mais ou menos voluntarista de um homem, ou mesmo de um conjunto de homens. Com Juan Carlos de Bourbon, ou com outro qualquer na chefia do Estado, a Espanha entraria no clube das democracias europeias ocidentais quando teve de entrar.

Em 1975 a Espanha apresentava-se como a última ditadura europeia, herdeira dos fascismos da antes da Segunda Guerra Mundial. As ditaduras portuguesa e a grega caíram em 1974, uma em Abril e a outra em Junho. Das três ditaduras da Europa Ocidental, a da Espanha era a que dominava um estado com a maior população e o de maior importância política e económica. Após a descolonização das colónias de África por Portugal, a Espanha não podia continuar a ser uma ditadura quer por questões económicas europeias, quer para favorecer os interesses europeus e especialmente norte-americanos na América Latina, onde tradicionalmente tinha uma influência significativa, assim como com o mundo árabe. A Espanha tinha de abandonar o grupo dos estados “párias” europeus e integrar o clube dos que se consideravam os de bons princípios. Juan Carlos foi declarado rei de Espanha em 22 de Novembro de 1975, apenas após a morte de Franco, que morreu ditador e generalíssimo.

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51) – C19 Upshot | Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo | Como o Covid-19 representa uma ameaça para as democracias em todo o mundo | Paulo Querido

3 ago 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🧭 Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo

Se só puderes ler um artigo hoje, lê este: é muito, muito bom.

Quanto mais sabemos, mais nos damos conta de que não somos os únicos a julgar. Cada parte interessada está a escolher e a escolher as suas fontes. É uma exposição esclarecedora, mas também chocante, de como a salsicha do conhecimento moderno é verdadeiramente feita. E, como Beck nos lembra, “não seria tão dramático e poderia ser facilmente ignorado se não se tratasse apenas de perigos muito reais e pessoais

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Cultura Chunga — A Nova Cultura de Massas | Carlos Matos Gomes

Em Minima Moralia, o filósofo alemão Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, interrogava-se, após o final da II Guerra Mundial e de ter sofrido o desterro provocado pelo nazismo, por que razão “a humanidade, em vez de subir a um estado verdadeiramente humano, se afundara numa nova espécie de barbárie.”

Adorno considerava como determinantes do embrutecimento da vida e da perda do convívio social, caraterísticos do nazismo, o esquecimento histórico dos homens.

O que nos leva a repetir os erros?

Hoje, como antes da ascensão do nazismo, vivemos tempos de perigosos esquecimentos. A vida social, escreveu premonitoriamente o filósofo alemão, após se ter deslocado para o âmbito do mundo privado, encontra-se reduzida à esfera do mero consumo. A sociabilidade pouco mais é que um apêndice do processo de produção material, uma indústria.

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50) – C19 Upshot | Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas | Rastreamento de contactos durante surto de doença por coronavírus, Coreia do Sul, 2020 | Paulo Querido

23 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Luis Grave, Nuno Andrade Ferreira.

💉 Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas

Há agora 163 vacinas em desenvolvimento para o novo coronavírus. O número não pára de crescer de dia para dia. À etapa dos ensaios em pessoas já chegaram 23 dessas vacinas experimentais. Mas quando chegará ao fim a corrida e teremos mesmo uma vacina? Os primeiros resultados dos ensaios começam a sair: a empresa Moderna fê-lo na última semana e a equipa de Oxford fá-lo-á esta segunda-feira.

[Teresa Firmino – Público]

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49) – C19 Upshot | Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança | Como a pandemia está a mudar os meios de comunicação social | Paulo Querido

20 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🔮 Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança

Como combater as alterações climáticas? Como assegurar que tecnologias como a Inteligência Artificial e a robótica servem os cidadãos em vez de se servirem deles? Como garantir a segurança e a privacidade nas redes? Como impedir pandemias e crises humanitárias de diversas ordens? Como continuar a crescer sem comprometer as futuras gerações?

[Graça Carvalho – Dinheiro Vivo]

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AMOR | Tiago Salazar

É estranho termos tão poucos laços com a natureza, com os insectos, com a rã saltitante e com o mocho que pia por entre os outeiros, chamando a sua companheira. Nunca demonstramos ter uma certa simpatia por todos os seres vivos da Terra. Se pudéssemos estabelecer uma relação intensa com a Natureza, nunca mataríamos um animal para saciar o nosso apetite, nunca feriríamos nem dissecaríamos um macaco, um cão, uma cobaia para nosso proveito. Encontraríamos outras formas de cicatrizar as nossas feridas, curar os nossos corações.

O ser humano matou e continua a matar milhões de baleias e tudo o que obtemos desse massacre pode ser conseguido por outros meios. Mas, ao que parece, o Homem gosta de matar, gosta de matar o veado em fuga, a gazela maravilhosa e o elefante pujante. Adoramos matar-nos uns aos outros. Esta chacina humana nunca se deteve em toda a história da vida do Homem na Terra. Se conseguíssemos – e é imperativo fazê-lo – estabelecer uma relação profunda e duradoura com a Natureza, com as árvores, os arbustos, as flores, a erva e as nuvens velozes, nunca mais massacraríamos outro ser humano, por motivo algum.

Assassínio organizado é sinónimo de guerra.

Tiago Salazar

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

48) – C19 Upshot | Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer | Mulheres líderes e coronavírus: olhar para além dos estereótipos para encontrar o segredo do seu sucesso | Paulo Querido

8 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

💉 Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer

Vacinas para prevenir o COVID-19 estão a ser desenvolvidas a um ritmo recorde. Neste artigo pode encontrar tudo o que precisa de saber acerca do progresso que foi feito até agora contra esta doença potencialmente fatal.

O artigo inclui notícias recentes sobre os candidatos a vacinas a ser desenvolvidos em vários países, as investigações mais promissoras, mas também reflecte sobre as dificuldades e as várias fases antes de uma aprovação generalizada, ou a probabilidade de não se conseguir uma vacina.

[Dale Smith – CNET]

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47) – C19 Upshot | A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo | Os casos de COVID estão a aumentar. As mortes por COVID estão a decrescer. Porquê? | Paulo Querido

1 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🖐️ A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo

A crise da covid-19 é provavelmente a maior experiência social das nossas vidas. Não sabemos quando ou como irá terminar. É ainda demasiado cedo para prever como irá mudar radicalmente a forma como os europeus vêem as suas próprias sociedades. Mas já podemos ver que a pandemia transformou a forma como os europeus vêem o mundo para além da Europa, e – como consequência – o papel da União Europeia nas suas vidas.

  • Nas fases iniciais da crise, a política foi suspensa, e a opinião pública ficou atrás das acções dos governos nacionais. Os cidadãos foram enviados para o exílio interno nas suas próprias casas, muitos paralisados pelo medo e pela incerteza. Os governos avançaram rapidamente para introduzir medidas de emergência para impedir a propagação da doença, apoiar os sistemas de saúde, e salvar postos de trabalho e empresas do colapso.
  • Na próxima fase da crise, à medida que os governos angariarem vastas somas de dinheiro para financiar uma recuperação, terão de ter em conta a política. Não será suficiente desenvolver as políticas certas; os governos e os líderes da UE também terão de encontrar a linguagem e os quadros adequados para ganhar o apoio do público para as suas políticas. Para o fazerem, terão de compreender como a covid-19 mudou – ou não – os receios e expectativas do público.

[Ivan Krastev e Mark Leonard – ECFR.EU]

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46) – C19 Upshot | O Manifesto da ‘Main Street’: precários de todos os países, uni-vos! | Manuel Castells: “o mundo do consumismo desenfreado acabou” | Paulo Querido

30 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

👷🏾 O Manifesto da ‘Main Street’: precários de todos os países, uni-vos!

Os protestos históricos que varreram a América estavam atrasados, não apenas como uma resposta ao racismo e à violência policial, mas como uma revolta contra a plutocracia entrincheirada.

O novo proletariado – o precariado – é agora revoltante. Parafraseando Marx e Friedrich Engels no Manifesto Comunista: “Deixem as classes plutocratas tremer perante uma revolução do Precariado. Os precários não têm nada a perder a não ser as suas correntes. E têm um mundo a ganhar. Trabalhadores precários de todos os países, uni-vos!

[Nouriel Roubini – Social Europe]

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45) – C19 Upshot | Como o vírus ganhou | Coronavírus: cientistas descobrem porque é que algumas pessoas perdem o seu olfacto | Paulo Querido

29 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave, JL Andrade.

🦠 Como o vírus ganhou

Começou pequena. Um homem perto de Seattle teve uma tosse persistente. Uma mulher em Chicago teve febre e falta de ar.

Surgem surtos invisíveis em todo o lado. Os Estados Unidos ignoraram os sinais de aviso. Analisámos padrões de viagem, infecções ocultas e dados genéticos para mostrar como a epidemia se tornou descontrolada.

  • Um relato interativo  de impressionante qualidade, com eficazes visualizações de dados, mostra-nos como os EUA perderam contra a pandemia.

[Derek Watkins et al – The New York Times]

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44) – C19 Upshot | As pandemias resultam da destruição da natureza, dizem a ONU e a OMS | Coronavírus pode impulsionar a pobreza global pela primeira vez desde os anos 90 | Paulo Querido

24 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave.

🦒 As pandemias resultam da destruição da natureza, dizem a ONU e a OMS

O comércio ilegal e insustentável da vida selvagem, bem como a devastação das florestas e outros locais selvagens, continuavam a ser as forças motrizes por detrás do número crescente de doenças que saltavam da vida selvagem para os seres humanos, disseram os líderes ao Guardian.

Apelam a uma recuperação verde e saudável da pandemia, em especial através da reforma da agricultura destrutiva e das dietas insustentáveis.

[Damian Carrington – The Guardian]

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43) – C19 Upshot | Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19 | O número K é o novo número R? O que você precisa saber | Paulo Querido

22 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

⚱️ Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19

As vacinas e os rastreios do sarampo, da tuberculose e de outras doenças infecciosas estão em baixa na pandemia.

Qualquer país é vulnerável quando confrontado com múltiplas ameaças“, disse à Vox Claire Standley, membro do corpo docente do Centro de Ciência e Segurança Global da Saúde da Universidade de Georgetown. “Os que correm maior risco são os que têm recursos humanos, materiais e financeiros limitados para apoiar a resposta aos surtos

[Katherine Harmon Courage – Vox]

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42) – C19 Upshot | Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia? | Estarão as nações mais seguras do coronavírus quando as mulheres lideram? | Paulo Querido

17 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave.

🦠 Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia?

A Suécia tem seguido uma estratégia de coronavírus diferente da maioria do resto do mundo desenvolvido: deixa o vírus correr solto, refreia-o o suficiente para garantir que não sobrecarregue o sistema de saúde como em Hubei, Itália ou Espanha, mas não tenta eliminá-lo. Pensam que pará-lo completamente é impossível. A consequência natural é que a maioria dos cidadãos é infectada, e isso acaba por abrandar a epidemia. É por isso que, em suma, as pessoas chamam a essa estratégia “Imunidade do Rebanho“.

A outra estratégia é o Martelo e a Dança. O Martelo ataca  agressivamente o coronavírus, fechando a economia. Uma vez travado, salta para a Dança substituindo o bloqueio agressivo por medidas baratas e inteligentes para controlar o vírus.

Alguns países e Estados, como a Holanda e o Reino Unido, ou Estados norte-americanos como o Texas e a Geórgia, implementaram medidas entre as duas estratégias. Então qual é a melhor estratégia?

  • Nota: artigo longo e com boa controvérsia nos comentários.

[Tomas Pueyo – Medium]

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41) – C19 Upshot | Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo? | “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta | Paulo Querido

16 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🇪🇺 Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo?

No meio da discussão sobre possíveis instrumentos financeiros para fazer face aos custos da pandemia, já está à vista o problema básico que poderá surgir quando a emergência sanitária tiver terminado. Itália e Espanha foram duramente atingidas pelo vírus, mas Portugal – com menos casos – também se sentiu atacado por declarações políticas vindas do Norte da Europa.

A retórica do confronto Norte-Sul voltou à política da UE, com o risco de minar a confiança dos poucos italianos eurófilos que ainda restam e de marcar uma mudança de tendência em Espanha e Portugal. Se o europeísmo ingénuo sofrer uma mutação, como o vírus, aprofundará a divisão Norte-Sul.

[Héctor Sánchez Margalef – ctxt.es]

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40) – C19 Upshot | Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior | O efeito das políticas anti-contágio em grande escala na travagem da pandemia da COVID-19 | Paulo Querido

12 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🖍️ Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior

As democracias têm um grave problema com a produção intencional de transformações sociais, sejam elas chamadas reformas ou transições. Deve ser o facto de vivermos em democracias onde pouco se transforma que explica por que razão, quando uma catástrofe atinge aqueles que mais desesperaram, se torna possível mudar a sociedade através da vontade política ordinária, a mais esperançosa de que a natureza corrija as coisas.

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39) – C19 Upshot | O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo? | Rastreador de infecções | Paulo Querido

9 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

🦠 O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo?

O vírus que causou o Sars original já não nos assombra, mas as características do coronavirus de hoje indicam que é pouco provável que desapareça da mesma forma.

Num prazo semelhante ao do Sars original, o SARS-CoV-2 revelou-se mais contagioso, mas aparentemente menos mortífero do que o seu primo era há quase 20 anos. Uma preocupação adicional – e crítica – é que o SARS-CoV-2 se propaga eficientemente antes de as pessoas adoecerem. Isto torna as tradicionais restrições de saúde pública de base sintomática, que funcionaram bem para a Sars, em grande parte incapazes de conter o COVID-19.

No fundo, esta facilidade de transmissão significa que o SARS-CoV-2 é infinitamente mais desafiante de controlar. Temos também uma má compreensão se a captura e a recuperação do COVID-19 o impede completamente de voltar a capturar o vírus e de o transmitir a outros. Em conjunto, estes factores significam que a SRA-CoV-2 irá muito provavelmente instalar-se na população humana, tornando-se um vírus endémico como os seus primos coronavirus, que são as principais causas de constipações todos os Invernos.

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38) – C19 Upshot | Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia | O racismo, não a genética, explica porque os americanos negros estão a morrer da COVID-19 | Paulo Querido

8 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🇪🇺 Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia

A resposta da Comissão Europeia ao coronavírus enfrenta pelo menos cinco desafios fundamentais – todos eles criando oportunidades significativas para a Europa.

Quando se serve nas instituições da União Europeia, é imperativo acreditar que o que mais importa é o interesse da União como um todo – e agir em conformidade. A acção política assenta na firme convicção de que os interesses nacionais devem ser incorporados no bem comum europeu. Isto aplica-se em todas as circunstâncias, incluindo a segunda fase da crise que a Europa enfrenta devido à pandemia. A Europa do Norte não pode sair da crise como vencedora se o Sul for ferido.

Este é, portanto, o dilema fundamental que a Presidente Ursula von der Leyen e os membros da sua Comissão precisam de resolver. Irão eles agir como políticos de países separados ou como estadistas europeus que reafirmam a unidade, a solidariedade e a coordenação entre os Estados-Membros? Há pelo menos cinco desafios fundamentais com os quais têm de lidar.

[Anna Diamantopoulou – ECFR]

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37) – C19 Upshot | A distância social como guerra civil | Desinformação no púlpito | Paulo Querido

4 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque

🧍↔️🧍 A distância social como guerra civi

A separação entre cidadãos imposta pelo coronavírus, e que em princípio apenas diz respeito à separação física, tem sido chamada de “distância social”, alargando à sociedade o que se refere aos corpos. Talvez tenha sido um acto de poder falhado, talvez seja devido a uma intenção obscura, mas o certo é que nos faz pensar no início do fragmento 25 da Sociedade do Espetáculo: “A separação é o alfa e o ómega do espectáculo”.

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36) – C19 Upshot | As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais | Visualizando a propagação da Covid-19 | Paulo Querido

3 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade

🦠 As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais

Existiram três grandes pandemias no século XX, todas elas causadas por variantes do vírus da gripe. Em termos de risco de morte, a atual pandemia não é qualitativamente muito diferente das gripes que assolaram o mundo em 1957 e em 1968, e que agora são comuns e endémicas, recorda-nos Arlindo Oliveira.

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35) – C19 Upshot | Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*. | A economia está de pernas para o ar. E agora? | Paulo Querido

1 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🤒 Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*.

Quando os especialistas recomendam o uso de máscaras, ficar pelo menos a dois metros de distância dos outros, lavar as mãos com frequência e evitar espaços apinhados, o que eles estão realmente a dizer é o seguinte: tente minimizar a quantidade de vírus que encontra.

Umas poucas partículas virais não podem levar-nos a adoecer – o sistema imunitário destruiria os intrusos antes que eles pudessem. Mas quanto vírus é necessário para que uma infecção crie raízes? Qual é a dose mínima eficaz?

[Apoorva Mandavilli – The New York Times]

💶 A economia está de pernas para o ar. E agora?

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34) – C19 Upshot | Ideologia e coronavírus | Como é que um vírus se espalha nas cidades? É um problema de escala | Paulo Querido

29 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Nuno Andrade Ferreira, Ana Roque.

🐃 Ideologia e coronavírus

Há duas abordagens para enfrentar o desafio do coronavírus: as propostas libertárias dão prioridade à economia acima da saúde pública, enquanto as propostas socialistas dão prioridade à saúde pública acima da economia.

Os países libertários dependem do desenvolvimento da “imunidade do rebanho” à doença, em vez de impor distancias sociais e “lockdowns“, que visam, em vez disso, reduzir a propagação da infeção. Ao contrário das medidas socialistas, a abordagem da “imunidade do rebanho” não necessita de qualquer regulamentação, porque permite que a doença se propague de modo a que as pessoas que sobrevivem se tornem predominantes; permite que a sobrevivência do rebanho siga o seu curso, de modo a desenvolver um “rebanho forte”.

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33) – C19 Upshot | A anarquia pós-COVID que se avizinha | Dominic Cummings: as pessoas poderosas têm maior probabilidade de violar as regras – mesmo as feitas por elas | Paulo Querido

28 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Nuno Andrade Ferreira, JL Andrade.

🦄 A anarquia pós-COVID que se avizinha

Apesar dos melhores esforços dos guerreiros ideológicos em Pequim e Washington, a verdade incómoda é que a China e os Estados Unidos são ambos susceptíveis de sair desta crise significativamente diminuídas. Nem uma nova Pax Sinica nem uma Pax Americana renovada se erguerão das ruínas.

Pelo contrário, ambas as potências ficarão enfraquecidas, tanto a nível interno como externo. E o resultado será uma lenta mas constante deriva em direção à anarquia internacional através de tudo, desde a segurança internacional ao comércio até à gestão de pandemias. Sem ninguém a dirigir o tráfego, várias formas de nacionalismo desenfreado estão a tomar o lugar da ordem e da cooperação. A natureza caótica das respostas nacionais e globais à pandemia constitui, assim, um aviso para o que poderá vir numa escala ainda mais vasta.

[Kevin Rudd – Foreign Affairs]

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28 de maio de 1926 | Carlos Esperança

Há 94 anos teve lugar o golpe de Estado de que viriam a apropriar-se as pessoas erradas para a mais longa ditadura europeia.

O integralismo lusitano, o nacional-sindicalismo e a Cruzada Nun’Álvares tinham feito o caminho para que o nacional-catolicismo se transformasse no fascismo paroquial de Salazar, um professor da Universidade de Coimbra, sem mundo e sem visão de futuro.

Salazar foi o protagonista da longa ditadura que adiou Portugal. Ficou “orgulhosamente só” a liderar o país onde o analfabetismo, a mortalidade infantil, a tuberculose e a fome foram a imagem do regime, para acabar na tragédia da guerra colonial.

Salazar saiu da aldeia do Vimioso para o seminário de Viseu e, daí, para a Universidade de Coimbra onde dirigiu a madraça do CADC que havia de fornecer-lhe os quadros para a repressão que o manteve no poder. Não recebeu a tonsura no seminário, mas fez do País uma sacristia.

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32) – C19 Upshot | COVID-19 e a normalização da vigilância em massa | Impacto económico da pandemia poderá atingir 8,8 biliões de dólares a nível mundial | Paulo Querido

26 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

👮🏼‍♂️ COVID-19 e a normalização da vigilância em massa

Nos últimos meses, governos que vão da Austrália ao Reino Unido e empresas tão influentes quanto Google e Apple adotaram a ideia de que o rastreamento através dos telemóveis pode ser usado para combater efetivamente o COVID-19.

Infelizmente, a ideia é tecno-utópica, baseada no otimismo e não na evidência. O impacto real dessa abordagem na sociedade não seria uma imunidade melhor, mas a aceitação e o crescimento de um estado de vigilância global ainda mais poderoso e omnisciente.

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31) – C19 Upshot | Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é? | Erradicar o vírus é impossível. Libertem as praias | Paulo Querido

25 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido.

🗳️ Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é?

Baixa confiança, notícias falsas e muito dinheiro. A democracia enfrenta a sua maior ameaça em décadas, talvez séculos. Mas antes que possamos corrigi-la, precisamos entender o que é. Uma das duas palavras-chave é poder. O poder final sempre volta ao povo. Alguém tem que ter o poder da sociedade e, se não é o povo, quem é?

  1. É uma ótima pergunta que implora uma segunda:
  2. se estamos insatisfeitos com os nossos sistemas de governo e gostaríamos de avançar para algo mais parecido com o “governo pelo povo“, por onde começar? Podemos consertar a democracia?

[Patrick Chalmers – The Correspondent]

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INTIMIDADES | Tiago Salazar

Se vos contar uma história baseada em factos reais vão acompanhar-me até ao fim? Vão voltar atrás, e reler, e tentar entrar na intenção do autor? Vão perorar aí em baixo, clicar numa das opções reactivas? Vão comentar com acidez ou escárnio sem clicar no gosto por desdém irritativo? Faltam aqui patilhas do não gosto, não curto, não me identifico, ou uma que me apraz, vai-te catar. Mas isto hoje é sério. Ser levado a sério implica toda uma reputação de conduta retrospectiva. Como para votar num indivíduo há que apurar do seu currículo, de públicas virtudes e impúdicas particulares. O Bill, por exemplo, ganhou ou perdeu mais pelo facto de se aprestar a um fellatio na sala oval? Entre os machos, marcou pontos de virilidade, sobretudo os de pele rosada e cheínhos. Entre as fêmeas púdicas, recebeu as ovações de porco, canalha, sacana, facínora, no pressuposto de que o adultério é um crime solitário. Não sabemos se o Bill vivia numa relação aberta e a Hillary não andava em coboiadas, ou se o casamento não era apenas um contrato social de onde a sexualidade estava arredada. Que sabemos, no fundo, dessas coisas pudibundas que alimentam o voyeurismo, aqui, a jusante, ou na Ferrante, que fala disso, desabrida como poucos?

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30) – C19 Upshot | Como viveremos a seguir ao vírus | A vacina para todos será uma (cara) quimera | Paulo Querido

👿 John Lloyd – Quillette // Como viveremos a seguir ao vírusMuitos acreditam que o futuro beneficiará os autoritários, e que as circunstâncias atuais já o fizeram – mesmo os estados mais liberais e democráticos colocaram seus cidadãos sob uma espécie de prisão domiciliária, uma política imposta pela ameaça de detenção e por espionagem vizinha e censura social. Outros desesperam com a abdicação dos EUA da sua posição de liderança mundial e temem que a China realmente beneficie do vácuo.

Mau, mau, é o euro

A dívida aumentará para níveis anteriormente considerados inadmissíveis, exceto na guerra. Pior: por mais sombria que as perspectivas económicas pareçam”, relatou o New York Times, o maior perigo para a economia mundial pode ser o risco de que o euro possa ser prejudicado pelas brechas profundas entre os membros da UE

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POLISBIGAMIA | Tiago Salazar

Eu, pecador, confesso a minha pólisbigamia: entre Lisboa e Porto, nunca virá o Diabo a escolher por mim.

Amo as duas (perdidamente). Às duas me quedo aos pés e às beiras dos seus maviosos rios. Às duas incenso as carnes de senhoras rústicas e chiques. Às duas teço odes de paixão eterna em letra de vate e bardo. Que flores suas mais me falam ao peito se apenas uma, de cada uma, me fosse dado escolher? Há uma curva na estrada, toda ela iluminada por luzes baixas quando a noite se abeira, feita sobre o cotovelo do rio como uma tiara. Ali se passa de carro mormente, mas para quem se apreste a caminhar, há um paredão discreto nas traseiras de onde melhor se avista a força do braço fluvial apenas perturbada no seu curso por pilares de ferro ou pedra das pontes que o encimam e afagam a vista.

Em Lisboa, nada mais convém à minha alegria de filho ali nado e criado do que descer ao rio, onde este leva o nome de mar e se aquieta como as palhas e espigas num palheiro defendido das batidas do vento. Entre canaviais e o lodaçal da corrente baixa, tenho em mim todas as alegrias do mundo, alheio e distraído por momentos dos seus desvarios, com o recuo prazeroso e ingénuo ao tempo das barcaças fenícias e dos sane per aqua romanos onde hoje se acolhem as paredes cobertas de pó e fuligem do beato.

Tiago Salazar

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

29) – C19 Upshot | Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos? | Post Corona: Os Quatro | Paulo Querido

⚖️ Lisa Cornish – Devex // Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos?“Devemos garantir que quaisquer medidas de emergência sejam legais, proporcionadas, necessárias e não discriminatórias, tenham um foco e duração específicos e adotem a abordagem menos invasiva possível para proteger a saúde pública”, disse António Guterres. “A melhor resposta é aquela que responde proporcionalmente a ameaças imediatas enquanto protege os direitos humanos e o estado de direito”.

Que é isto?

Em 23 de abril o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, divulgou um novo resumo da política destacando essa crescente preocupação dentro da ONU e alertou os governos sobre os riscos de diminuir a prioridade dos direitos humanos. Este artigo passa em revista várias políticas em todo o mundo que estão a fazer precisamente isso.

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28) – C19 Upshot | Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19 | Novo estudo indica que o verão não é suscetível de afetar a disseminação do COVID-19 | Paulo Querido

🗃️ Estelle Massé – Access Now // Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19O rastreamento de contatos é o processo de identificação, avaliação e gestão de pessoas que foram expostas a uma doença para impedir a transmissão subsequente. Por meio desse processo, governos e profissionais de saúde buscam ajudar a limitar a propagação de um vírus, interromper a transmissão contínua e aprender sobre a pandemia.

O contact tracing é mesmo necessário?

Resposta rápida: não. Resposta longa: não, de todo!

Estás a gozar-me!?

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27) – C19 Upshot | Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo | Manhattan deserta se trabalhar em casa se tornar a norma | Paulo Querido

🌐 – Bloomberg // Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo.Alguns analistas dizem que o fundo está próximo, mas poucos esperam que a economia volte ao estado anterior à pandemia. Prepare-se para um alívio maciço da dívida, mais intervenção do governo, aumento das tensões China-EUA e, pelo lado positivo, mais mulheres na força de trabalho.

Que se passa?

A Bloomberg pediu a várias personalidades mundiais da economia, finança e política o seu melhor palpite sobre como as nossas vidas serão fundamentalmente mudadas.

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26) – C19 Upshot | Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19 | Pela conquista de novos direitos laborais na pandemia | Paulo Querido

💉 Lawrence Corey et al – Science Magazine // Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19Os coronavírus têm um genoma de RNA de fita simples com uma taxa de mutação relativamente alta. Embora tenha havido alguma deriva genética durante a evolução da epidemia, as principais alterações não são extensas até o momento, especialmente nas regiões consideradas importantes para a neutralização; isso permite um otimismo cauteloso de que as vacinas projetadas agora serão eficazes contra cepas circulantes daqui a 6 a 12 meses.

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25) – C19 Upshot | Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimento | Em que dados do Covid-19 podemos afinal confiar? | Paulo Querido

💚 Guilherme Serôdio e Hans Eickhoff – Público // Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimentoParece que não há coragem para pensar ou liderar a necessária luta ecológica pela transição da sociedade. Será que uma análise verdadeiramente ecológica, sóbria, corajosa e profunda do problema “não vende”?

A situação atual é assustadora

Os autores consideram urgentemente ter a coragem e a humildade de questionar posicionamentos que se defenderam durante vidas inteiras. É preciso ter a coragem de aceitar que não devíamos, nem “relançar a economia”, nem andar como loucos à procura de soluções tecnológicas que resolveriam magicamente os nossos problemas.

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24) – C19 Upshot | A pandemia e a recolonização do tempo | O relato de uma doente que sobreviveu ao novo coronavírus | Paulo Querido

🕰️ Çiğdem Boz e Ayça Tekin-Koru – Social Europe // A pandemia e a recolonização do tempoA expansão do tempo livre durante a crise poderia levar a uma reavaliação do lazer e a uma esfera pública revalorizada.

Que se passa?

Um texto deveras interessante: as autoras debruçam-se sobre um efeito inesperado do confinamento, a valorização do que entendemos por tempos livres. O lazer é entendido hoje como tempo livre. Esta é, no entanto, uma versão diminuída do lazer na tradição aristotélico-marxista. Para os gregos antigos, lazer não significava perder tempo. Pelo contrário, era a forma ideal de autonomia temporal para exibir as virtudes superiores: bondade, verdade e conhecimento.

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23) – C19 Upshot | O contrato racial da América está à vista | Covid-19: A vacina é o próximo campo de batalha | Paulo Querido

⚔️ Adam Serwer – The Atlantic // O contrato racial da América está à vistaA pandemia expôs os termos amargos do contrato racial americano, que considera certas vidas de maior valor que outras. Quando percebeu quem o vírus mais matava, a administração Trump relaxou o combate.

Hipocrisia racial tornada política

A epidemia de coronavírus tornou visível o contrato racial de várias maneiras. Uma vez que o impacto desproporcional da epidemia foi revelado à elite política e financeira americana, muitos começaram a considerar o aumento do número de mortos menos como uma emergência nacional do que como um inconveniente. Medidas temporárias destinadas a impedir a propagação da doença restringindo o movimento, obrigando o uso de máscaras ou impedindo grandes reuniões sociais tornaram-se tirânicas. A vida dos trabalhadores na linha de frente foi considerada tão inútil que os legisladores querem aliviar os seus empregadores da responsabilidade, mesmo quando os forçam a trabalhar em condições inseguras. No leste de Nova York, a polícia agride moradores negros por violar regras de distanciamento social; na parte baixa de Manhattan, distribuem máscaras e sorrisos para pedestres brancos.

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22) – C19 Upshot | O “barril de pólvora” das residências para idosos de Madrid, Rumo a um rendimento mínimo europeu | Paulo Querido

👵🏻🦠 Julio de la Fuente – ctxt.es // O “barril de pólvora” das residências para idosos de MadridApenas 5% dos lares e 12% das suas vagas são administrados diretamente pelo governo regional, facto que se mostrou essencial no combate à pandemia, uma vez que, sem capacidade real de controlo, foi muito difícil dar resposta rápida aos pedidos recebidos das administrações.

O horror espanhol explicado

Relacionando o relato cronológico da pandemia em Espanha com as respostas, sobressaem duas explicações que, juntas, não deixam margem para dúvidas. O fraco controlo das estruturas residenciais para idosos por parte das autoridades de Madrid e a lentidão em aceitar que a pandemia existia levaram ao descalabro na região (mais que no resto do país).

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21) – C19 Upshot | No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidade, Así será el día después del Covid-19, según los expertos de la mayor universidad presencial de España | Paulo Querido

🚴‍♀️ Mário Rui André – Shifter // No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidadeCom os transportes públicos sob ameaça de perder passageiros, por medo e por restrições às lotação dos veículos, e com o automóvel a não ser uma alternativa sustentável, algumas cidades já estão a olhar para a bicicleta e para o andar a pé como parte do pós-confinamento.

Sumário

O artigo passa em revista algumas mudanças em cidades europeias. Londres e Glasgow, no Reino Unido, tornaram os seus sistemas de bicicletas partilhadas gratuitas para estimular o uso – em Lisboa foi feito o mesmo mas apenas para profissionais de saúde. Também as bicicletas elétricas podem ser úteis, ajudando a descongestionar o trânsito citadino e a melhorar o ambiente. Muitas cidades pelo mundo criaram ou estão a planear criar ciclovias temporárias.

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20) – C19 Upshot | Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamento, What Life Looks Like on the Other Side of the Coronavirus | Paulo Querido

🌐 Cristina Benlloch, Empar Aguado e Anna Aguado – The Conversation // Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamentoAs mulheres não são obrigadas a trabalhar em casa e a cuidar de crianças em simultâneo, mas espera-se que devem tentar facilitar o teletrabalho dos seus parceiros

Que se passa aqui?

Cristina Benlloch e Empar Aguado, professores do Departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade de Valência, e a cientista-jurista política Anna Aguado estão a realizar pesquisas para aprender como o confinamento afeta o teletrabalho e a conciliação em unidades familiares. Com entrevistas por telefone e uma pesquisa voluntária on-line concluem, entre outras observações, que são principalmente as mães que monitoram a situação escolar de seus filhos e que, em alguns casos, as mulheres precisam facilitar o teletrabalho para seus parceiros.

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Lançamento da Internacional Progressista ! | DiEM25

Na segunda-feira, 11 de Maio, o DiEM25 dá um grande salto na formação da Internacional Progressista com o lançamento da sua nova plataforma digital.

Em Dezembro de 2018, associámo-nos ao Sanders Institute para lançar um apelo aberto à formação de uma frente comum na luta contra um autoritarismo crescente.

O ano que se seguiu foi descrito como uma “Onda de Protesto Global”. De Deli a Paris, de Santiago a Beirute, os cidadãos ergueram-se para defender a democracia, exigir um nível de vida decente e proteger o planeta para as gerações futuras.

2020 é o ano em que unimos estes protestos díspares numa Internacional Progressista, juntando o DiEM25 com ativistas e organizadores, sindicatos e associações de inquilinos, partidos políticos e movimentos sociais para construir uma visão partilhada de democracia, solidariedade e sustentabilidade.

A 11 de Maio, entraremos em direto com o nosso novo website – progressive.international – e anunciaremos os nomes do nosso Conselho consultivo, incluindo rostos familiares como Noam Chomsky e Naomi Klein, políticos como Álvaro García-Linera e Áurea Carolina, pensadores como Arundhati Roy e Nanjala Nyabola, e ativistas como Carola Rackete e Vanessa Nakate.

Com DiEM25 como força motriz da Internacional Progressista, perguntamos a todos os nossos membros: podem doar ao DiEM25 para apoiar os nossos esforços na construção desta frente global?

Damos-vos as boas vindas para se juntarem a nós para darmos vida à Internacional Progressiva na próxima semana!

David

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19) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

🐑 Carl T. Bergstrom e Natalie Dean – The New York Times // O que realmente significa a imunidade de grupoTalvez o mais importante seja entender que o vírus não desaparece magicamente quando o limite de imunidade do rebanho é atingido. Não é quando as coisas param – é apenas quando elas começam a desacelerar.

A experiência sueca

A Suécia enveredou por uma política diferente: não confinou a população, aplicando apenas umas frouxas medidas aos idosos. O objetivo: manter a economia a funcionar, esperando atingir rapidamente a imunidade de grupo e apostando que no longo prazo o número de vítimas será idêntico ao dos países que confinaram.

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18) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

⛽ Antonia Colibasanu – Geopolitical Futures // Adiando uma catástrofe na produção de petróleoRecém-chamado a intermediar um acordo global sobre cortes na produção de petróleo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os cortes americanos são uma prioridade para o país.

Que se passa?

O armazenamento de petróleo está quase no limite da capacidade. O acordo para a extração limitada pode fracassar ou ser insuficiente, o que levaria a uma catástrofe com o preço do petróleo a cair até ao zero neste mês de maio.

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17) – C19 Upshot | E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuro | Paulo Querido

🔮 Tiago Barbosa Ribeiro – Público // E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuroSe ninguém tem uma bola de cristal para antecipar as mudanças, há tendências que se desenham no horizonte. Arrisco antecipar muito sumariamente dez delas.

Sinopse

O autor fornece uma lista com o que considera serem as 10 tendências do futuro pós-pandemia. Mais Estado; mais e melhor Europa; mudanças na globalização; reindustrialização; mudança de paradigmas de trabalho; mais uma legião de desempregados; digitalização e desmaterialização; emergência climática; reforço do serviço de saúde como direito fundamental; maior recolha de dados sem menor amplitude democrática; e novas regras mundiais para limitar focos de zoonoses.

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Ecumenismo na visão grega de cultura aberta | Jorge Alves

“Le Portugal, pour des raisons historiques et géographiques, ne peut et ne doit pas ignorer l’héritage historique qu’il détient du Maghreb et du Mashrek. Nous devons au moins le respecter. Pour une raison simple – il fait partie de notre ADN. Et, mes chers amis, que ce serait bien si nous ne gaspillions pas le capital de sympathie que nous avons dans le monde arabe! Comme je me souviens des regards brillants et pleins d’affection de ceux qui m’ont demandé d’où je venais, dans n’importe quel coin de la Syrie ou de la Palestine, quand j’ai répondu: Portugal. “

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“Portugal, por razões históricas e geográficas, não pode e não deve ignorar a herança histórica que detém do Magreb e do Mashreq. Devemos no mínimo respeitá-la. Por uma simples razão – faz parte do nosso ADN. E, meus caros amigos, que bom seria se não desperdiçássemos o capital de simpatia que temos no mundo árabe! Como me recordo dos olhares brilhantes, plenos de afecto, de quem me perguntava de onde eu era, em qualquer recanto da Síria ou da Palestina, quando eu respondia: de Portugal.”

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Querido Tiago | Brindemos então aos nossos amores! | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Brindemos então aos nossos amores! Que as nossas mulheres nunca fiquem viúvas e que venha mais uma garrafa de rum! Sim, poderia falar das mulheres que amei e amo, mas não seria justo para elas nem para aquelas que, sabe-se lá, podem um dia também vir a querer amar-me! Tu tiveste uma vida de casado com uma figura pública e há essa história, linda, da coincidência da mensagem no telemóvel enquanto ambos, sem o saberem, estão praticamente na mesma rua. É de filme. No meu caso, tive os meus filmes, as minhas coincidências, as minhas certezas, incertezas, paixões e entregas. A todas que amei, amei. No meio disto tudo, houve um filho. O meu único filho, Álvaro. É hoje o homem que eu amo. Um loiraço de olhos azuis, inteligente, com personalidade e excelente jogador de ténis.

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16) – C19 Upshot | Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperação | Paulo Querido

Jessica Hinds – Capital Economics // Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperaçãoExistem sinais preliminares de melhoria da atividade económica nos dados de alta frequência, como o aumento do consumo de eletricidade em Itália e em Espanha e um tráfego ligeiramente menos deprimido nas cidades alemãs na semana passada.

A sério?!

Sim. A autora pensa que Abril pode marcar o início da recuperação. Mas avisa que ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão pois outros indicadores ainda precisam de mostrar progressos.

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Querido Frederico Duarte Carvalho | O Amor é uma coisa rara | Tiago Salazar

Querido Frederico Duarte Carvalho

Voltamos sempre ao amor (e à paz e a justiça, como as Misses Mundo). Um dia li esta frase, da Hélia Correia, e guardei a sua fala para sempre. “O Amor é uma coisa rara. Tão rara como um homem evolar-se pelos ares ou um analfabeto citar Cícero em correcto latim”. A Hélia (e o Jaime Rocha), duas almas antigas e floridas, vivem um amor raro. Um amor onde assenta a poesia é do domínio da raridade. Na rua chamam-me “o poeta” ou, por vezes, “fadista”. É um equívoco perdoável. Logo eu, que tenho uma obra completa de três poesias e nada sei de decassílabos, sextilhas ou sonetos.

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15) – C19 Upshot | Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvação | Paulo Querido

George Monbiot – The Guardian // Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvaçãoEsta crise é uma chance de reconstruir nossa economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não seus destruidores, diz o colunista do Guardian George Monbiot

Que se passa aqui?

Esta crise é uma oportunidade para reconstruir a economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não os seus destruidores, defende o colunista do Guardian George Monbiot.

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14) – C19 Upshot | Como a pandemia afeta a liderança americana no mundo | Paulo Querido

João Paulo Charleaux – Nexo Jornal // Como a pandemia afeta a liderança americana no mundoCom recorde de mortos, um sistema de saúde colapsado e taxas históricas de desemprego, os EUA vêem tornar-se mais frágil uma imagem construída a partir da Segunda Guerra Mundial. Cenário acentuado pela degeneração do quadro político interno: mesmo durante a crise, Trump não desistiu da postura permanentemente belicosa que caracterizou todo o seu mandato.

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13) – C19 Upshot | Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’ | Paulo Querido

Laura Spinney – the Guardian // Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’At the moment, we are seeing half-empty ICUs in Germany. This is because we started diagnostics early and on a broad scale, and we stopped the epidemic – that is, we brought the reproduction number [a key measure of the spread of the virus] below 1. Now, what I call the “prevention paradox” has set in. People are claiming we over-reacted, there is political and economic pressure to return to normal. The federal plan is to lift lockdown slightly, but because the German states, or Länder, set their own rules, I fear we’re going to see a lot of creativity in the interpretation of that plan. I worry that the reproduction number will start to climb again, and we will have a second wave.

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12) – C19 Upshot | O que mudou num mês? Não há dinheiro | Paulo Querido

Tiago Freire, Exame // O que mudou num mês? Não há dinheiro. Não sei se o governo subestimou os custos desta travagem, para as empresas e para os cofres do Estado (por exemplo com a magnitude do recurso ao layoff simplificado). Provavelmente esperaria uma ação solidária europeia, com meios que ajudassem neste momento absolutamente extraordinário, algo que o bom senso poderia razoavelmente prever. O problema é que o bom senso não é há muito critério para a atuação da União Europeia. Ao fim do dia, e por mais floreados que o esforçado Mário Centeno faça, da Europa veio uma mão-cheia de nada, e mesmo assim arrancada a ferros.

O que se passa? Sujeito à pressão contínua de múltiplos actores do comércio, indústria e restauração, completamente parados desde o início do confinamento obrigatório do Estado de Emergência, o Governo Português prepara-se para lançar um plano de reabertura da economia, quando, há poucas semanas, deixava (pouco) implícito que estaríamos confinados, para nossa segurança, durante largas semanas. O que mudou?

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Querido Tiago | “era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto” | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Como diria o pai da Ana Margarida de Carvalho, a tua “madrinha” do PCP, “era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”. Se estas cartas fossem como um bar, então não poderíamos falar de política, religião e futebol. Como os dois últimos temas já foram abordados, só nos faltava mesmo entrarmos no campo da política. São os ventos de Abril, claro. As portas que nos abriram, sobretudo agora, quando temos as portas que o vírus nos fechou. No que diz respeito a escolhas políticas, poderia comparar isso a escolhas clubísticas e até a escolhas de amores: não se explicam. Sentem-se. Só que a minha mente gosta de encontrar lógica até nos sentimentos.

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SÓ PARA NÃO ESQUECER | Paulo Marques

Há quatro décadas Portugal era um país triste, pobre, atrasado e analfabeto, em guerra em três colónias (que se arrastou por treze penosos anos). Nesse tempo, os mais audazes partiam rumo à emigração e os que ficavam tinham de se sujeitar às regras dum país pequenino e mesquinho, conservador e moralista, em que o lápis azul da censura “selecionava” o que os portugueses podiam ou não saber. Uma moral castradora que cortava o beijo do filme Casablanca, proibia os Beatles e a Coca-Cola, punia com multa um beijo na boca em público…

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11) – C19 Upshot | Repensar as cidades e o modo de vida | Paulo Querido

Repensar as cidades e o modo de vida

Talvez a principal oportunidade proporcionada pelo coronavirus seja a de repensarmos a forma como nos organizamos nas cidades. Ao longo dos milénios vimos acumulando mais e mais pessoas, recursos e riqueza em cidades que se tornaram estados e cresceram até se tornarem megacidades complicadas de gerir, que começam a criar mais problemas do que as soluções que oferecem. A insustentabilidade do modelo mega é hoje notória. A leitura de dois artigos abaixo propostos é uma reflexão intensa sobre o nosso modo de vida – e como o vamos modificar.

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Querido Frederico Duarte Carvalho | (…) daqui te escreve o camarada Salazar | Tiago Salazar

Querido Frederico Duarte Carvalho

Para falar de Abril e da Revolução, daqui te escreve o camarada Salazar, o único membro do Partido Comunista Português (PCP) de apelido conotado com o fascismo. Era simpatizante e votante de longa data do PCP, e passei a militante de cédula e quotas (opcionais), num Abril de há dois anos. Ninguém me sondou ou aliciou. Fui pelos meus pés, amadrinhado pela Ana Margarida De Carvalho, sem que a amizade ditasse a minha escolha.

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Querido Tiago | Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Hoje é dia 23 de Abril, uma quinta-feira – isto para quem ainda faz sentido saber em que dia da semana estamos. Se a revolução de 25 de Abril tivesse de acontecer nos dias de hoje, então era hoje, a 23 de Abril, que ela deveria ter lugar. Seria hoje que os tanques viriam para a rua, tomariam de assalto os pontos nevrálgicos de comunicações e emitiram as suas recomendações para que a população permanecesse fechada em casa. Sem sair à rua:

“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma”.

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10) – C19 Upshot | Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação | Paulo Querido

Teresa de Sousa, Público // Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.

Que se passa aqui? Trata-se de uma grande entrevista a Teresa de Sousa de Mário Centeno enquanto presidente do Eurogrupo. Mostra-se obviamente otimista para o Conselho Europeu, dizendo coisas como: ‘O apelo que agora é feito à inovação neste último passo – o da recuperação – não é novo. Não devemos ficar muito ansiosos, portanto, face à capacidade para inovar também aqui. Estou muito confiante e muito seguro de que essa resposta vai aparecer. As forças que têm permitido construir a Europa vão estar presentes nesta discussão e vão levar-nos a um porto seguro.’

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9) – C19 Upshot | El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad | Paulo Querido

Eduardo Fernández, El Mundo // El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad “El Ministerio de Trabajo y Economía Social está trabajando en dos fases para las medidas en los sectores más afectados: excepcionalidad atenuada, que durará hasta este verano, y normalidad atenuada, que se prolongará hasta final de año”, comunicó a última hora este departamento.

O que se passa? O Governo Espanhol prepara a segunda fase de abertura do País, e entre a primeira fase agora encetada, e a segunda fase, depois do verão até ao final do ano, antevê que negócios como a Cultura, os Bares e Restaurantes e os Hotéis possam vir a ser fortemente restritos até ao final de 2020.

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