Dez anos mal contados e que contam muito | Francisco Louçã

É o décimo aniversário da crise do subprime? Não, está mal contado. É certo que a bancarrota do Lehman Brothers, em setembro de 2008, com a sua dívida de 613 mil milhões de dólares, foi, à época, a maior na história dos EUA. Mas já em 2007 vários fundos da finança-sombra tinham entrado em incumprimento e desde março de 2008 as grandes falências multiplicaram-se nos EUA. Quando o Lehman caiu já a procissão saíra do adro e no fim desse mês já ia em mais sete falências: o venerável Bear Stearns (em Março); o gigante de seguros AIG; start-ups como o IndyMac, o Washington Mutual e o Wachovia; e entidades parapúblicas como o Fannie Mae e o Freddie Mac. A resposta foi mais liquidez, nacionalizar os ativos tóxicos e concentrar a banca. Dez anos depois, estamos pior em quatro domínios.

Continuar a ler

Bernie Sanders e Yanis Varoufakis apelam aos progressitas que se unam contra a Internacional Nacionalista de Trump!

Atenção a votação para o nosso programa eleitoral acaba segunda à noite. Vota agora

O Senator Bernie Sanders, que concorreu como candidato à presidência dos Estados Unidos e Yanis Varoufakis, o co-fundador do DiEM25, apelam hoje a todos os progressistas para formar um movimento internacional para combater o autoritarismo representado por Donald Trump.

Durante a primeira de uma série de conversas publicadas no jornal The Guardian, ambos discutiram a necessidade urgente de criar um movimento “Progressista International” que junte todos os povos do mundo à volta de um futuro de prosperidade, segurança e dignidade para todos.

Enquanro que os ricos ficam mais ricos, as populações trabalham mais horas com salários que não aumentam e temem pelo futuro dos filhos”, disse Sanders. “Autoritarismo que explora estas ansiedades económicas e cria bodes expiatórios que colocam um grupo de pessoas contra outro grupo de pessoas.”

Varoufakis disse: “A nossa era vai ser recordada como marcha triunfal do Internacional Nacionalismo que brotou da sarjeta do capitalismo financeiro. Se depois será recordada também a reacção humanista bem sucecida a este fenómeno vai depender da vontade dos progressistas dos Estados Unidos, da União Europeia, do Reino Unido, México, Índia e África do Sul para construir um movimento progressita global”.

Como primeiro passo, Varoufakis pediu a criação de um conselho que elaborará um enquadramento para um New Deal Internacional, um “novo Bretton Woods progressista”.

Yanis Varoufakis está correctíssimo.” Sanders sublinhou na sua resposta. “Numa altura de desigulaldade de rendimentos, oligarquia e militarismo, precisamos de um movimento internacional que faça frente a estas ameaças.”

Sanders disse também que “a solução passa, como disse Varoufakis, por criar uma agenda progressista internacional que una os trabalhadores e mostre um futuro próspero, seguro e digno para todos. O destino do mundo depende desta visão. Avancemos juntos e já!”.

Lê a conversa toda aqui (Bernie Sanders) e aqui (Yanis Varoufakis).

No DiEM25 estamos a trabalhar desde 2016 para se o primeiro movimento pan-europeu de bases, financiado por pessoas como tu. Juntámos dezenas de milhares de pessoas à volta de uma agenda humanista e progressista para lutar contra o “status quo” e reconstruir o projecto europeu. No início deste ano criámos a Primavera Europeia, uma coligação de partidos políticos progressistas que vão participar nas eleições de Maio de 2019 e mudar radicalmente a UE através dos cidadãos.

Agora estamos a tentar juntar um aliança progressista global a pedido de Varoufakis e Sanders que +e vital para combater a extrema-direita. Convidamos todas as forças políticas de toda a Europa e do mundo a juntar-se a nós!

Juntos vamos mostrar como se combate a agenda Internacional Nacionalista do género de Donald Trump, Viktor Orbán, Matteo Salvini e outros xenófobos. Vamos eleger candidatos que nos representem a todos – como Bernie Sanders disse, “em todos os continentes e em todos os países”.

Vítor, precisamos da tua ajuda para o fazer. Podes ajudar de várias maneiras:

  • Se ainda não és membro do DiEM25, junta-te a nós! É rápido e podes começar logo a participar nos nossos procedimentos democráticos:
  • MeRA25, a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia, apresentou o rascunho do seu programa político em Thessaloniki. Vota aqui!
  • O nosso partido político alemão está a preparar-se para eleger o seu conselho diretivo. Se queres coordenar as nossas campanhas na Alemanha, candidata-te aqui
  • DiEM25 – Itália está a apelar aos memborso do DiEM25 para se juntarem aos seus orgãos de coordenação. Candidata-te aqui
  • Apoia a Primavera Europeia regista-te no nosso site onde escontrarás maneiras de promover a nossa agenda comum e participar nela
  • Vai ser preciso trabalhar em conjunto com os nossos candidatos para derrotar a Internacional Nacionalista e tornar as mudanças que queremos fazer realidade. Contacta-nos e avisa-nos se queres ajudar.
  • Ao contrário do “status quo”, o DiEM25 rejeita o financiamento institucional e de empresas. Isto quer dizer que respondemos apenas perante a tua pessoa, que partilha os nossos ideais e objetivos. As tuas contribuições não importa quão pequenas, são de grande importânciaPodes doar aqui.

A nossa luta é uma luta pelos direitos humanos, pelo ambiente, pela justiça social mas também pela sobrevivência. A nossa luta serve para combater as ideologias tóxicas e os horrores que enfrentámos à menos de um século. É uma luta que podemos ganhar — juntos.

Carpe DiEM!

Luis Martín   >>   Coordenador de Comunicações do DiEM25

Bernie Sanders and Yanis Varoufakis call on progressives to unite against Trump’s Nationalist International

Senator Bernie Sanders, the former US presidential candidate, and Yanis Varoufakis, co-founder of DiEM25, are calling on progressives worldwide to form an international movement to combat the rise of authoritarianism represented by Donald Trump.

In the first of a series of exchanges published in The Guardian, the pair described the urgent need for a ‘Progressive International’ that can bring together people across the globe around a vision of shared prosperity, security and dignity for all.

“While the very rich get much richer, people all over the globe are working longer hours for stagnating wages, and fear for their children’s future,” said Sanders. “Authoritarians exploit these economic anxieties, creating scapegoats which pit one group against another.”

Varoufakis said: “Our era will be remembered for the triumphant march of a Nationalist International that sprang out of the cesspool of financialised capitalism. Whether it will also be remembered for a successful humanist challenge to this menace depends on the willingness of progressives in the US, the EU, the UK as well as countries like Mexico, India and South Africa, to forge a coherent Progressive International.”

As a first step, Varoufakis called for the creation of a common council that draws out a blueprint for an International New Deal, a “progressive New Bretton Woods”.

“Yanis Varoufakis is exactly right,” Sanders underscored in his reply. “At a time of massive global wealth and income inequality, oligarchy, rising authoritarianism and militarism, we need a progressive international movement to counter these threats.”

Sanders went on to argue that, “the solution, as Varoufakis points out, is an international progressive agenda that brings working people together around a vision of shared prosperity, security and dignity for all people. The fate of the world is at stake. Let us go forward together now!”

Read the complete exchange here (Bernie Sanders) and here (Yanis Varoufakis).

At DiEM25 we have been working hard since 2016 to make our stand as the first pan-European grassroots movement, powered and funded by people like you. We have brought together tens of thousands of people around a humanist, progressive agenda that can take the fight to the failing Establishment and repair and rebuild our common European project. Earlier this year, we began assembling European Spring, a coalition of progressive political parties from across the continent to compete in the May 2019 European elections and stage a citizen take-over of the EU.

And now, we are playing a key role in bringing together the global progressive alliance that Varoufakis and Sanders are calling for and that is so desperately needed to counter the rise of the hard right. We invite all like-minded political forces in every corner of Europe and beyond to join in!

Together we must send an unmistakable message that the way to beat the Nationalist International agenda of the likes of Donald Trump, Viktor Orbán, Matteo Salvini and the other xenophobes around the world is by running on progressive policies and electing candidates who will represent all of us – as Bernie Sanders says, “on every continent and in every country”.

But, we need your help to do it. Here’s how:

  • If you are not yet a member of DiEM25, ! It will only take a few seconds for you to start making a difference, like taking part in our current bids to take over the European institutions, such as:

– – This morning, MeRA25, DiEM25’s electoral wing in Greece, presented its political programme’s draft in Thessaloniki. Go ahead and vote it in!

– – Our German political party is getting ready to elect its board. If you want to coordinate our campaign efforts in Germany, please submit your candidacy here

– – DiEM25 – Italia is calling DiEMers to step up and join its party coordination and assembly bodies. Present your candidacy here

– – Support our European Spring partners by registering in our common site, where you’ll find ways to promote our common policy agenda and campaign for it

  • It’s going to take every one of us working together supporting progressive candidates across the world, to defeat the Nationalist International and bring the change we want to see in our planet. No matter where in the world you live, and let us know you are ready to get hands-on and volunteer.
  • Unlike our Establishment opponents and incumbents, DiEM25 rejects corporate and institutional funding. This means we are beholden only to you and the principles and ideals we share.

Ours is a struggle not just about human rights, care for our global environment, social justice and progressive values, but also about survival. Our struggle is about combating the rise of the toxic ideologies and horrors we faced less than a century ago. And it is a struggle we can win — together.

Carpe DiEM25!

Luis Martín  >>  DiEM25 Communications Coordinator

Diez años bastan | En este decenio se ha producido la mayor intervención pública para salvar el capitalismo y la democracia tal y como los conocíamos | EL PAÍS | Introdução de Carlos Matos Gomes

Passam por agora 10 anos sobre a chamada crise do subprime e da falência do banco Lehman Brothers (18 Setembro)

O jornal EL PAÍS recolhe elementos de 10 livros sobre a crise que ajudam a perceber a tempestade que se levantou e as consequências que ela provocou e que ainda vivemos.

A crise de 2008: “Não foi um acidente pontual, mas uma mudança global: trouxe populismo, autoritarismo e Brexit.”

“Nesta década houve a maior intervenção pública para salvar o capitalismo e a democracia como os conhecíamos” – quanto a princípios e competências dos economistas neoconservadores e neoliberais (o diabo que os distinga), estamos conversados.

“A recessão foi muito pior do que teria sido sem a intervenção de economistas ortodoxos”

Após o colapso do banco de investimento Lehman Brothers, após fracassarem todas as tentativas por parte das autoridades dos EUA para vendê-lo a alguém, o Tesouro Americano (FED) injetou cerca de 105 bilhões de dólares no sistema, mas logo percebeu que não poderia deter a maré de retirada de dinheiro. As autoridades financeiras americanas (FED presidido por Alan Greenspan, um radical neoliberal) decidiram suspender a operação, fechar as contas monetárias e anunciar garantias de US $ 250.000 por conta, para que não houvesse mais pânico. Se não o tivessem feito, estimaram que 5,5 bilhões de dólares do sistema de mercado monetário dos EUA teriam sido retirados às duas horas daquela tarde, e isso teria destruído a economia mundial.
Teria sido o fim do nosso sistema económico e do nosso sistema político, como o conhecemos.

No dia seguinte à queda do Lehman, os mercados financeiros ficaram paralisados, o governo republicano de Bush nacionalizou a AIG, uma das maiores seguradoras do mundo, e começaram as primeiras injeções de centenas de bilhões de dólares (capitais públicos) para salvar Wall Street!
Alguns textos (10 anos de crise, Rumo ao controle cidadão das finanças, publicados pelo ATTAC) defendem que a Grande Recessão ainda não acabou, embora o mundo tenha retornado a um estágio de crescimento económico e redução das taxas de desemprego, mas houve uma mutação silenciosa e uma metástase de seus efeitos negativos mais estruturais, como a precariedade da vida, dos mercados de trabalho e o aumento da desigualdade.
Durante as três décadas anteriores, a revolução conservadora havia ensinado ao mundo que “o mercado resolveria tudo”. Mas Wall Street caiu e a solução foi renegar todos os princípios e sacar dinheiro público para a maior intervenção com dinheiro público de que havia memória.
O famoso “consenso de Washington” (disciplina fiscal e monetária) foi nada mais e nada menos que uma ejaculação piedosa dos teóricos necons sem contato com a realidade. O problema não era, como eles haviam dito, dos grandes governos, dos ogros filantrópicos, mas dos executivos fracos, de menos Estado, que haviam destruído, ou enfraquecido os instrumentos regulatórios adequados para enfrentar os desafios do mercado entregue à lei da selva.

O texto introdutório foi feito a partir de uma tradução automática do espanhol para o português do Brasil.

LER TEXTO DO EL PAÍS AQUI: 

https://elpais.com/cultura/2018/09/07/babelia/1536338430_931760.html?id_externo_rsoc=FB_CC

DiEM 25 | Programa da Primavera Europeia

As próximas eleições europeias são uma das últimas hipoteses de inaugurar uma nova política de democratização da Europa. O DiEM25 está a construir forças para salvar a UE da desintegração, enquanto também desenvolve um programa político coerente, que faz valer a pena salvá-la. Falta um mês para apresentar alterações e propostas para o programa da primavera europeia. Por isso, investe algum tempo para pensar em formas para melhorar o programa ou propôr novos aspectos que possam enriquecer o nosso “Acordo Europeu para a Europa”. Lê o programa beta e propõe alterações aqui.

Outro passo importante para o DiEM25 é a votação quanto à cooperação entre a ala eleitoral alemã do DiEM25 “Demokratie in Europa (DiE)” e “Demokratie in Bewegung (DiB)”. O DiB foi recebido pelo Conselho da Primavera Europeia em Paris sob a condição de que os parceiros alemães propusessem um acordo conjunto para colaboração. Os membros de ambas as partes trabalharam incansavelmente numa proposta para trabalhar em conjunto. Cabe-te agora a ti votar no resultado final. Podes ver o acordo e votar aqui: https://internal.diem25.org/pt/vote/72

Entretanto, os nossos pilares políticos estão a avançar. O questionário para a cultura foi publicado – envia as tuas propostas para voicecc@diem25.org até 23 de setembro de 2018. Espreita também o Livro Verde da Soberania Tecnológica, que está agora aberto para uma segunda ronda de feedback.

Está nas nossas mãos mudar a Europa. Aproveita ao máximo a tua participação no DiEM25 e participa do desenvolvimento de nossa agenda comum e em todas as formas em que lutamos pela sua implementação.

Carpe DiEM!

A bala | Geraldo Alckmin

O desemprego, as filas na saúde, a fome e outros problemas que atingem principalmente os grupos mais vulneráveis da nossa população não serão resolvidos na bala. Tem que ter experiência, responsabilidade e determinação para unir o Brasil e fazer as mudanças que o nosso país precisa. Assista ao vídeo da campanha de Geraldo Alckmin 45!

(O comercial é uma adaptação da premiada campanha inglesa “kill the gun”.)

DiEM25 | Novo Colectivo Coordenador

Os membros do DiEM25 votaram e emergiu um novo Colectivo Coordenador. Os vencedores como os candidatos, são representativos do nosso movimento: Intelectuais, artistas, activistas e cidadãos preocupados que estão representados nos resultados das eleições!

Fica a conhecer as mulheres e os homens que escolheste para guiar o nosso movimento nos meses que se avizinham!

  • Noam Chomsky, reeleito (76.2%) – 2942 votos
  • Virginia López Calvo ( 56.57%) – 2184 votos
  • Brian Eno, reeleito (49.31%) – 1904 votos
  • Renata Avila, reeleito (45.43%) – 1754 votos
  • Rosemary Bechler, reeleito (38.64%) 1492 votos
  • Eírini Mítsiou (35.15%) 1357 votos

Obrigado por participares neste importante processo democrático. Estas eleições tornam o nosso movimento mais forte, mais inclusivo e dizem ao mundoO DiEM25 está a trazer para a política uma revolução de cidadãos organizados!

Lê mais aqui sobre o processo de eleições para o CC e sobre os candidatos a quem deste o poder para nos ajudar a seguir em frente.

Aos nomeados cujas candidaturas não foram bem sucedidas, agradecemos por participarem e esperamos que continuem a trabalhar connosco. O CC é apenas uma das muitas maneiras que podemos ajudar a Europa a organizar-se através do DiEM25.

Temos também outras notícias para partilhar: o DiEM vai participar na Fête de l’Humanité em Setembro e está a decorrer um evento de crowdfunding, segue o link seguinte para fazeres a doação: https://internal.diem25.org/donations/to/fete.

Carpe DiEM!

Luis Martín » Coordenador de Comunicações do DiEM25

PS: O nosso partido político alemão Demokratie in Europe (DiE) acabou de negociar um acordo de cooperação eleitoral com outro partido político, o Demokratie in Bewegung (DiB).  Em breve haverá um voto.

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal. Em 2018 indigna-se porque Marine Le Pen foi desconvidada. O que fez virar a direita?

No dia 5 de julho de 1990, algumas centenas de personalidades protestaram por escrito contra a vinda de Le Pen a Portugal. Apelidaram os que com ele se reuniam em Sesimbra como “pessoas não gratas” e o Presidente da República denunciou a iniciativa. Entre quem então recusou a vinda de Le Pen estava gente grada do CDS (Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Basílio Horta, António Lobo Xavier, Abel Pinheiro, Narana Coisssoró) e do PSD, então no governo (Emídio Guerreiro, Manuela Aguiar, Pedro Roseta, Montalvão Machado, Rui Carp, Guilherme Silva).
Em 2018, em contrapartida, a direita levantou-se indignada por Marine Le Pen não vir à Web Summit. Nuno Melo, no seu estilo leve, gritou contra a má educação do desconvite. Os jovens turcos do PSD multiplicaram-se em explicações atabalhoadas sobre como estariam na primeira fila a ouvir Le Pen e a detestá-la mesmo muito. O Observador explodiu em amargura, anunciando que vivemos em “fascismo obrigatório” (Helena Matos, secundada pelo inimitável Alberto Gonçalves) ou que Le Pen foi alvo de um “ataque fascista” (Sebastião Bagulho), mais uns salamaleques de Rui Ramos e por aí adiante, há sempre um concurso de Constanças naquele panfleto quando há festa ou festança. 

O que é que então mudou na direita portuguesa para que em 1990 protestasse contra Le Pen e em 2018 acarinhasse a vinda da sua herdeira? E para que em 1990 achasse que a democracia é uma barreira e em 2018 defenda que Le Pen deve ser normalizada? Vale a pena reparar nesta transformação porque é um sinal. Há a razão pretextual: se a esquerda critica o convite a Le Pen, a direita quer Le Pen. Mas isso é só pavloviano. Há ainda a razão ideológica, relançar o refrão da Guerra Fria: a esquerda combate os fascistas por ser igual. Mas isso também é grotesco. Há outro motivo, esse mais importante, e é que a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só tem a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.
O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogs falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Santana Lopes e suicídio das velhas baratas | Carlos Matos Gomes

Santana Lopes e suicídio das velhas baratas.

O Partido Santana Lopes, os reis que vão nus. Desde logo: o rei que vai nu não é o Pedro Santana Lopes. Os reis que vão nus são o BE, que não é radical nem revolucionário, é o PC, que não é comunista, é o PSD, que não é social democrata, é o CDS que não é democrata cristão. Resta o PS, que se assumiu desde o comício da Fonte Luminosa, em 1975 como o “rassemblement” de sociais democratas e democratas sociais, no sentido que a social democracia e a encíclica Rerum Novarum de Leão XIII tomaram no pós-guerra e na guerra fria.

Esses é que vão nus: não têm roupagem ideológica que lhes cubra o corpinho. Nem o BE nem o PC podem (nem querem, nem existem as tais condições objectivas) fazer qualquer mudança estrutural do regime demo capitalista, nem o PSD e o CDS podem fazer mais do que fazem: alterações pontuais na distribuição da riqueza entre assalariados e gestores, com o grosso a ser acumulado pelo sistema financeiro.

Continuar a ler

The Ignorant Do Not Have a Right to an Audience | By Bryan W. Van Norden, professor of philosophy | in New York Times

On June 17, the political commentator Ann Coulter, appearing as a guest on Fox News, asserted that crying migrant children separated from their parents are “child actors.” Does this groundless claim deserve as much airtime as, for example, a historically informed argument from Ta-Nehisi Coates that structural racism makes the American dream possible?

Jordan Peterson, a professor of psychology at the University of Toronto, has complained that men can’t “control crazy women” because men “have absolutely no respect” for someone they cannot physically fight. Does this adolescent opinion deserve as much of an audience as the nuanced thoughts of Kate Manne, a professor of philosophy at Cornell University, about the role of “himpathy” in supporting misogyny?

We may feel certain that Coulter and Peterson are wrong, but some people feel the same way about Coates and Manne. And everyone once felt certain that the Earth was the center of the solar system. Even if Coulter and Peterson are wrong, won’t we have a deeper understanding of why racism and sexism are mistaken if we have to think for ourselves about their claims? And “who’s to say” that there isn’t some small fragment of truth in what they say?

If this specious line of thought seems at all plausible to you, it is because of the influence of “On Liberty,” published in 1859 by the English philosopher John Stuart Mill. Mill’s argument for near-absolute freedom of speech is seductively simple. Any given opinion that someone expresses is either wholly true, partly true or false.

Continuar a ler

O capitalismo em estado de guerra civil | José Goulão in Blog “abrilabril.pt”

POR JOSÉ GOULÃO 

A guerra civil capitalista está lançada. Quanto aos resultados a proporcionar pela vitória de qualquer dos campos em confronto, por indefinidos que ainda sejam, que venha o diabo e escolha.

A ordem mundial – chamemos-lhe assim, por comodidade – monolítica e unipolar, nascida nos escombros do muro de Berlim, e consolidada através do cada vez mais misterioso atentado de 11 de Setembro de 2001, está à beira do fim.

Atribuir o funesto desenlace de um sistema que fica como espelho da ortodoxia neoliberal aos maus humores de Donald Trump, à sua embirração com a senhora Merkel, à falta de polimento congénita e à mais do que comprovada tendência autoritária é uma explicação apenas ao alcance de indigentes mentais. Só as cabeças que se deixaram formatar pela quadratura neoliberal, a arte de transformar a ausência de reflexão e de ideias em pensamento único, podem alinhar numa tese tão desfasada da realidade.

Observar o presidente dos Estados Unidos da América passar um atestado de óbito à União Europeia, vê-lo desqualificar a elite governante da NATO, sentar-se ao lado do presidente da Rússia com o desejo declarado de iniciar uma nova relação entre Washington e Moscovo não pode ser uma questão humoral; nem subjectiva; nem um delírio. Tem que haver causas objectivas.

Continuar a ler

O Lado Oculto – Antídoto para a propaganda global | José Goulão

“O LADO OCULTO” COMEÇA A GANHAR VIDA

O semanário electrónico por assinaturas “O Lado Oculto – Antídoto para a propaganda global” começa a ganhar vida e espaço.
Hoje apresenta-se o logótipo da newsletter e do site e no dia 24 de Agosto enviaremos o Número Zero para todos os endereços de e-mail que temos continuado a receber em número apreciável. Nesse número experimental de apresentação serão fornecidas todas as informações para concretização das assinaturas. 

A partir de 7 de Setembro começarão as edições regulares, todas as sextas-feiras. Os assinantes receberão uma newsletter com links que os remeterão para os artigos a publicar no site – www.oladooculto.com

Recorda-se que as modalidades de assinaturas serão 16 euros/ano, 10,50 euros/semestre, 3,20 euros/6 números, valores incluindo IVA. Quem estiver interessado e ainda não formalizou o interesse em receber o Número Zero no seu e-mail pode fazê-lo agora para o endereço definitivo de assinaturas:  assinantes@oladooculto.com

50 anos da Carta a Salazar | D. António Ferreira Gomes | in Agência Ecclesia

Luís Filipe Santos | 

A missiva de D. António Ferreira Gomes dá a conhecer as misérias da época e aponta soluções fundamentadas nos documentos pontifícios

Nunca um «pró-memória» foi objecto de tanta investigação como aquele que D. António Ferreira Gomes escreveu a António de Oliveira Salazar. Redigido a 13 de Julho de 1958, este documento está a celebrar o seu cinquentenário. À carta-denúncia das injustiças sociais, Salazar respondeu, um ano depois, com o exílio do bispo do Porto. Depois das eleições de 1958, cujo vencedor foi Américo Tomás, o célebre bispo do Porto remeteu a Salazar a missiva que referenciou como «pró-memória» para um seu eventual encontro com o presidente do Conselho. “Cumpre-me, antes do mais, agradecer a V. Exª o ter manifestado a boa disposição de me ouvir” – início do documento de D. António Ferreira Gomes ao Presidente do Conselho. Depois de explicar as razões da sua vinda a Portugal para votar – estava “legitimamente ausente em Barcelona” -, D. António Ferreira Gomes considera que o pedido que lhe foi feito, “por forma tão extraordinária e pública, não poderia deixar de considerar-se propaganda da Situação” – realça o «Pró-Memória». A «história» dessa carta começou, no exacto momento, em que o bispo do Porto se recusou a servir de bandeira do regime nas eleições para a Presidência da República no mês transacto. “Em tais condições e forçado a ser, diametralmente ao contrário do meu desejo, uma bandeira, eu não podia deixar de fazer uma declaração de voto. Como a não deveria fazer ao público, requeri fazê-la a V. Exª” – escreveu no documento. Após as explicações iniciais, o prelado natural de Milhundos mostrou-se preocupado pelo facto da Igreja em Portugal, como a “campanha eleitoral revelou de forma irrefragável e escandalosa”, estar “perdendo a confiança dos seus melhores” – sublinha. Com o intuito de esclarecer a sua afirmação, D. António Ferreira Gomes apresenta dois casos ao Presidente do Conselho. No Minho – “coração católico de Portugal” – “mal os padres começavam a falar de eleições, os homens, sem se importarem como sentido que seria dado ao ensino, retiravam-se afrontosamente da igreja”. Nas juventudes da Acção Católica, os dirigentes “mais responsáveis saltam fora dos quadros e da disciplina, para manifestarem a sua inconformidade e desespero, fugindo ao conhecimento dos assistentes (que, apesar de tudo, lhes aconselhariam paciência)”. Estes dois factos causam preocupação ao bispo do Porto. “Está-se perdendo a causa da Igreja na alma do povo, dos operários e da juventude; se esta se perde, que poderemos esperar da sorte da nação?” – lê-se no «Pró-Memória». (PDF no final do artigo)

Continuar a ler

UM EQUÍVOCO QUE TARDA EM DESFAZER-SE | Rodrigo Sousa e Castro

Após a queda do muro de Berlim e a pulverização da URSS o pacto de Varsóvia colapsou e a ameaça para a qual a NATO foi instituída desapareceu.
Quer do ponto de vista ideológico, – a Rússia e todas as ex repúblicas soviéticas são hoje países capitalistas – , alguns no pior sentido, quer do ponto de vista militar com os exércitos desses países em confrangedor estado, juntamente com os inevitáveis ajustes de contas que ainda correm entre eles, deixaram de ser uma ameaça credível para as potências regionais europeias.
O que restou então ?
Apenas e só os interesses inconfessados de uma camarilha de privilegiados que mantêm a ficção que o inimigo está no Leste.
No auge da guerra fria , o grande De Gaulle, manteve as forças armadas francesas fora do comando NATO, porque sabia, tal como os britânicos que a sua força de dissuasão nuclear era mais que suficiente para manter em respeito qualquer veleidade soviética.
Hoje é mais que evidente que a NATO, mercê da ambígua politica alemã, mantem a ficção do inimigo a Leste estando em vias de cair definitivamente no ridículo.
Esta situação , ausência de inimigo credível, coloca a NATO num vazio estratégico e permite que Trump e a sua administração diga:
– querem brinquedos caros , paguem-nos.
O próximo encontro Putin Trump, dirá muito sobre a sorte dos apaniguados da nova guerra fria artificialmente criada e mantida para sustento de escassas elites e orgasmo intelectual de comentadores e jornalistas da treta.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Migrações e refugiados | Carlos Matos Gomes

No futuro todos nós, europeus e americanos vamos vaguear em busca de uma terra prometida

Quanto a fechar fronteiras e erguer muros para impedir migrantes, em especial africanos, de entrar nos nossos espaços com casas climatizadas, água, eletricidade, hospitais, escolas, horários, salários, mercados, imagens de felicidade e abundância em cartazes de publicidade, quer a Europa quer os Estados Unidos têm razão: eles não são bem vindos. Nãos os queremos a pedir às nossas portas, a estragar a nossa paisagem, a ameaçar a nossa ideia de tranquilidade!

A partir da segunda metade do século XX, a Europa e a América construíram o mais parecido com uma Terra Prometida que existiu na História da humanidade. É certo que alcançaram esse feito universal em boa parte à custa das riquezas das terras que colonizaram e ocuparam no planeta desde o século XVI, mas esse foi — assumem — já um mérito seu, da sua capacidade de inovação e de determinação, da sua superioridade. Trataram de si.

Continuar a ler

Houve mesmo descobertas… e ainda há! | DAVID MARÇAL e CARLOS FIOLHAIS

As descobertas geográficas luso-espanholas abriram caminho para a Revolução Científica dos séculos XVI e XVII. 27 de Junho de 2018

Lemos os artigos que se opõem à intenção do município de Lisboa de criar um museu evocativo dos descobrimentos ou descobertas portuguesas e ficámos perplexos. Parece que não existiram descobertas! Mas existiram: antes de a América ter sido descoberta ninguém na Europa sabia que ela lá estava. E sim, essa como outras descobertas semelhantes partem do ponto de vista dos europeus, porque o ponto de vista não pode deixar de ser nosso. As descobertas geográficas luso-espanholas, que conduziram a descobertas de novas espécies, de populações e culturas diferentes, abriram caminho para a Revolução Científica dos séculos XVI e XVII: se era possível que existissem novas terras e novas gentes que antes não conhecíamos, então também era possível, em geral, formular conhecimento novo. E esta ideia, que hoje parece óbvia – sim, é claro que há coisas que não sabemos e que podemos vir a saber –, não era nada óbvia no século XV.

Continuar a ler

O duro fardo de ser português | Manuel Carvalho in Jornal “Público”

Chamem-lhe descobertas, expansão, viagem, encontro ou o que quer que seja, mas não queiram que se passe da glorificação acrítica para a anulação preconceituosa de um período crucial para a definição do que somos. 27 de Junho de 2018

Retire-se a esfera armilar da bandeira, suprima-se o estudo de Os Lusíadas, dinamite-se a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos, arrase-se Goa, Ouro Preto e Moçambique, apaguem-se os nomes dos navegadores da toponímia das cidades, proíbam-se as Décadas da Ásia de João de Barros, mudem-se os versos do hino que exaltam o “esplendor de Portugal”, enterre-se a lusofonia e meta-se Portugal num divã a sublimar os traumas do seu passado. O debate em torno do museu dos Descobrimentos proposto por Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, para promover a “reflexão sobre aquele período histórico nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, científica, cultural nos seus aspectos mais e menos positivos” está em vias de criar um complexo de culpa tão intenso e profundo que exige a reinvenção do país. Já não está em causa o debate saudável promovido por académicos em torno do significado dos “descobrimentos”; agora a coisa fia mais fino e só se supera com uma revolução cultural que destrua uma das mais consensuais bases da identidade nacional.

Continuar a ler

DiEM25 | Uma ideia cuja altura chegou

Durante mais de dois anos o DiEM25 tem estado a sensibilizar para a desintegração da União Europeia e desenvolver políticas para estabilizar e recontruir o projecto europeu. No último Outono, ativámos a nossa ‘ala eleitoral’ in para podermos levar o nosso projeto político nas urnas. Há duas semanas atrás os membros alemães do DiEM25 fundaram um partido em linha com os nossos princípios. Na última semana em Paris, a Primavera Europeia – a coaligação transnacional liderado pelo DiEM25 — teve a sua reunião mais importante até hoje: acordamos a nossa agenda política que levaremos para o Parlamento Europeu em 2019 – as alterações climáticas, as migrações e os refugiados, a evasão fiscal e a dívida pública e privada.

O objetivo deste programa é dar uma alternativa ao status quo de Bruxelas e aos movimentos xenófobos. A Primavera Europeia está a liderar a mudançapara construir uma nova Europa democrática, com uma lista transnacional, um spitzenkandidat, e um programa político.

Nas semanas e meses vindouros, vamos perguntar a ti — a todos os membros da Primavera Europeia e aos membros das organizações da Primavera Europeia — para propor emendas ao nosso programa político, comentar nos nossos avanços e votar nos nossos candidatos europeus. É um processo de consulta e decisão de cidadãos para decisão das políticas que vamos trazer para Bruxelas e para as pessoas que lutam por elas!

Seja uma luta pelo Parlamento Europeu, eleições legislativas ou eleições municipais, chegou a altura para trazer a visão do DiEM25 para o debate político.

Se nos juntarmos, temos uma hipótese de abalar o status quo – de Lisboa a Varsóvia, de Copenhaga a Atenas.

Vítor, para lançar a primeira campanha política transnacional precisamos que participes nos nossos processos de democracia interna assim como ajudar a espalhar a mensagem para amigos e família. Se puderes também podes ajudar de outras maneiras:

  • Junta-te à nossa força de voluntários
  • Faz uma doação to ao nosso movimento, por mais pequena que seja, porque são essenciais

Diz-se que nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou. Chegou a altura do DiEM25!

Carpe DiEM25!

Luis Martín

>>Coordenador de Comunicações do DiEM25

António dos Santos Ramalho Eanes | primeiro Presidente da República democraticamente eleito após o 25 de Abril | por Gaspar Macedo

Caro General Ramalho Eanes, ultimamente o Portugal que serviu enquanto Presidente da República tem-se chocado com o aproveitamento que muitos membros da nossa classe política interpretam. Somos o país que consegue sentir o choque do ridículo mas que normaliza tais comportamento porque, como sabemos, “todos os políticos são iguais”.

Ficamos surpreendidos quando soubemos que em média, entre 2006 e 2013, os nossos governantes gastaram 295 euros por refeição. Ficamos admirados com a notícia de José Conde Rodrigues , ex-secretário de Estado da Justiça, que gastou 13.657 euros dos fundos públicos na compra de 729 livros para beneficio próprio.
Ficamos pasmados com o caso da ex-ministra da Saúde Ana Jorge, ao ter usado um cartão de crédito em nome do Estado (para despesas urgentes de trabalho) em lojas de roupa, ourivesarias ou no El Corte Inglés.
Ficamos boquiabertos com o ex-ministro da economia, Manuel Pinho, que recebeu 1 milhão de euros na sua Offshore depois de beneficiar a EDP em vários contratos de parceria.
Ficamos espantados, mais recentemente, com o ministro-adjunto deste executivo que embora advogado de elite disse desconhecer a lei que o impedia de acumular cargos públicos com outros cargos em empresas privadas.

Enquanto grande parte da nação ajoelha-se boquiaberta e volta a esquecer estes abusos, como se um anulasse o anterior, não consigo esquecer o Presidente da República que num período de grandes dificuldades financeiras, consta que vendeu a sua própria casa de férias para pagar os custos que a presidência não conseguia suportar. Não consigo deixar de relembrar o individuo que tinha apenas dois fatos e que recebia as visitas ao Palácio de Belém com um chá depois da hora de jantar, para evitar custos desnecessários. Esse foi o senhor.

Em julho de 2017 o país ficou a conhecer o caso dos três secretários de Estado que beneficiaram de viagens pagas pela empresa Galp, antes de ser aprovado um benefício fiscal em dezenas de milhões de euros à mesma empresa. José Sócrates defendeu que as críticas se tratavam de “um excesso de patriotismo”, considerando que as suspeitas sobre os governantes eram “estapafúrdias” e António Costa não hesitou em reforçar a “relevante e dedicada colaboração dos três Secretários de Estado nas funções desempenhadas no XXI Governo Constitucional”.

Em abril de 2018 chegou a público os milhares de euros de que vários deputados beneficiaram ao receber em duplicado o valor das viagens que faziam em “nome do interesse nacional”. Carlos César, líder parlamentar do partido socialista e parte desse grupo, logo declarou não se sentir culpado por não ter feito “nada de errado”, sendo que o “atual modelo vigora há décadas e foi utilizado por altos cargos do Estado”. Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da Republica, declarou a inocência dos parlamentares que nas suas palavras não tinham “cometido nenhuma e ilegalidade.

Não esqueço o homem que RECUSOU receber 1 milhão de euros do erário publico, com o acumular de dezenas de anos sem receber a subvenção que tinha direito, após o parecer do Provedor de Justiça em 2008 ter defendido que todos os Presidentes deviam ser tratados de igual forma

Deparamo-nos com um ex-primeiro ministro que fez da acção política o benefício dos seus interesses pessoais, onde até históricos como Arons de Carvalho defendeu não achar “reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado”
Vivemos na realidade de vários governantes e parlamentares que acumulam os vencimentos com ajudas de custo e subvenções vitalícias, de dezenas de nomes da política que acabaram nas administrações de grandes Bancos e Grupos Económicos, uma Assembleia da Republica onde se misturam os escritórios de advogados e as grandes empresas com as leis que se aprovam e propostas, como a do grupo parlamentar do partido socialista a janeiro deste ano, para tornar o lobby, a representação dos interesses de particulares nos corredores do poder, numa profissão reconhecida pela lei.

Aqueles que fazem da desaprovação o consentimento, esquecem-se que Portugal já teve como líder máximo um individuo que promulgou a lei que o impediria de acumular o salário presidencial com as restantes pensões a que teria direito, abrindo mão da pensão choruda de General. Só serviu os interesses de quem o elegeu e não de quem o tentou financiar.

Por isso, tenho orgulho em afirmar que por muito chocante que possa parecer, António dos Santos Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República democraticamente eleito após o 25 de abril, é o anormal no meio de um panorama político podre que para muitos é a norma controladora.

Sei que o senhor não é perfeito e podemos até ter as nossas divergências ideológicas, mas pelo menos tenho a certeza de que nunca fez parte do grupo que se aproveita do poder para se apoderar dos recursos que pertencem apenas aos portugueses. É para mim uma honra recordar uma Nação inteira que se deprime com os muitos que a serve, de que nem “todos os políticos são iguais” e de que enquanto houver quem no senhor se inspire haverá sempre esperança. Ao contrário do alguns dirão, recordá-lo não é “estar preso ao passado” senão querer um futuro onde o mais simples português não tenha de voltar a justificar a miséria do país com os políticos que são “sempre iguais” e que insistem em “não mudar”.

Por muito mau que o presente possa parecer eu não o esqueço, senhor presidente.

Tenho dito.

Gaspar Macedo

Retirado do Facebook | Mural de Gaspar Macedo

CUIDADO, Trump descobriu o poder do dólar | Francisco Louçã in Jornal “Expresso”

Pela primeira vez desde 2001, no primeiro trimestre de 2018 a conta corrente da China está em défice. Em 2007, logo antes da crise financeira internacional, a China tinha um superávite de 10%; durante as últimas duas décadas, os seus produtos industriais baratos ajudaram a proteger o consumo nas economias mais desenvolvidas e impulsionaram o crescimento da economia mundial (e chinesa). Trata-se de uma situação excecional, em grande medida provocada por uma balança negativa de serviços (pelo aumento do turismo chinês), dado que a China continua a exportar mais mercadorias do que importa. Entretanto, a redução da poupança interna indica como a sua vida social se está a modificar. Xi Jinping está a proteger-se das tensões dentro de portas.
Este não é o único sinal de arrefecimento da economia mundial, que aliás só recuperou lentamente e de forma desigual desde a crise de 2007 e que, no caso da Europa, se prolongou durante oito anos. A China pode vir a crescer só 1% este ano, na Europa prevê-se 1,6%, no Japão antecipa-se nova recessão e nos Estados Unidos, de recuperação mais pujante, a projeção é 2,3%. Sempre menos do que se esperava há meses. São nuvens carregadas no horizonte. Só que nenhuma é mais ameaçadora do que Trump.

Armas apontadas para o Irão…

Continuar a ler

DO MUSEU PARA AS DESCOBERTAS | UM MUSEU DO IMPÉRIO? | André Gago in “bloginstavel”

A criação de um museu que espelhe aquela que foi a gesta marítima portuguesa, bem como todas as suas consequências, só faz sentido se esse espelho não for mentiroso. Nesse espelho da história, não importa glorificar à moda antiga uma passada e incerta glória nacional. Terá de ser um espelho não em que vejamos uma imagem idealizada nossa, mas através do qual sejamos capazes de ver a verdadeira imagem que imprimimos no mundo. O nosso espelho terá de ser o olhar do outro.

Nesse sentido, a polémica em relação à denominação desse projecto (que em meu entender faz todo o sentido), e que foi expressa na voz de académicos nacionais e estrangeiros, que se pronunciaram contra o seu eventual baptismo enquanto Museu das Descobertas, tem plena razão de ser. A semântica é delicada: não apenas o outro, o putativo “descoberto”, pode com legitimidade não se reconhecer nessa narrativa, como o próprio termo, historicamente datado, não abrange todo o arco temporal das expansões marítimas iniciadas no século XV e que serviram a um projecto imperial que, em rigor, só se conclui no séc. XX, com a descolonização completa das chamadas províncias ultramarinas.

Continuar a ler

A social-democracia para além da “terceira via” | Pedro Nuno Santos in Jornal “Público”

I

Num momento em que social-democracia está em forte retrocesso político em toda a Europa, o Partido Socialista em Portugal é uma exceção. Sem pretender dar lições a outros partidos da família social-democrata – cada partido opera num contexto nacional com oportunidades e constrangimentos específicos –, precisamos compreender o que nos permite ter hoje níveis de apoio popular elevados.

Como venho defendendo, a decisão tomada em 2015 de procurarmos construir com a esquerda parlamentar uma solução de governo maioritária, alternativa à viabilização de um governo de direita, pode ter salvo o PS do destino de outros partidos europeus da mesma família política.

A solução traduziu-se num programa político que restituiu a esperança de uma vida melhor a muitos portugueses. A configuração inédita da nova maioria enriqueceu a democracia, trazendo para a esfera governativa partidos que representam cerca de um milhão de portugueses. Mas foi o seu programa, que promoveu a recuperação de rendimentos e direitos, o crescimento económico e a criação de emprego, por um lado, e o respeito por quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, por outro, que gerou o nível de apoio de que o PS dispõe atualmente.

Teria sido bem diferente se tivéssemos feito o que alguns, mesmo dentro do PS, consideravam natural: a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS. Nesse caso, estaríamos hoje, certamente, na posição de outros partidos social-democratas europeus e incapacitados de disputar a liderança governativa em Portugal. Sobretudo, nunca teria sido possível construir com o PSD e o CDS o programa de mudança económica e social e de comprometimento com o Estado social público e universal, base de uma comunidade decente, que foi possível – apesar das diferenças com estes partidos – com o apoio do PCP, BE e PEV.

Continuar a ler

Da Síria à Coreia, o mesmo princípio: em Washington a paz é péssima para os negócios! | Carlos Matos Gomes in MOVER A MONTANHA

A intervenção na II Guerra Mundial deu origem a um regime de oligarquia nos Estados Unidos, ou foi fruto dela. Uma oligarquia que o presidente Eisenhower designou como “complexo-militar industrial”, que integra também o complexo financeiro de Wall Street. A partir daí o slogan “o que é bom para a General Motors é bom para a América” passou a ser o que é bom para o complexo militar-industrial é bom para a América e todas as ações gizadas em Washington devem ser analisadas à luz dos interesses da oligarquia que o controla.

A oligarquia americana instituiu-se como ”perturbador mundial” e desde o final da IIGM desenvolveu a sua manobra de domínio planetário através da criação de pontos quentes e situações de conflito permanente em zonas chave. Um pouco a estratégia de domínio de estreitos que Afonso de Albuquerque utilizou para dominar o Índico com forças reduzidas, em que os EUA criam os estreitos para depois induzirem a necessidade de os defender.

São os interesses desta oligarquia que estão em jogo na atual fase de aproximação das duas Coreias e de desestabilização da Síria e do Médio Oriente, em geral.

A estratégia do regime de Washington de aumentar as tensões nos pontos quentes que são a península da Coreia e o Médio Oriente sofreu recentemente dois sérios contratempos, um com o encontro dos presidentes das duas Coreias, o outro com a derrota na Síria dos exércitos islâmicos que os EUA apoiaram.

Na Síria, a desestabilização provocada pelos Estados Unidos trouxe a Rússia para zonas no Médio Oriente e nas margens do Mediterrâneo que a esta lhe interessava ocupar, deixaram desamparados e na expetativa os seus peões na região, Israel e a Arábia Saudita, e fê-los perder a Turquia como aliado incondicional. O tiro saiu pela culatra.

Continuar a ler

O Bem, o Mal e o Ponto Final | Santana-Maia Leonardo in “Rede Regional”

(…) os portugueses não criticam os outros porque discordam dos seus métodos. Pelo contrário, criticam-nos por inveja porque, se tiverem a oportunidade, fazem precisamente o mesmo (ou pior). E não só fazem o mesmo como não concebem sequer que alguém pense ou aja de outra forma. (…) 

Desde 1972 que escrevo ininterruptamente e militantemente em jornais locais, regionais e nacionais, acreditando que é possível contribuir para mudar Portugal através da palavra e do exemplo. Eça de Queirós, Antero de Quental e a Geração de 70, “a primeira em Portugal que saiu decididamente e conscientemente da velha estrada da tradição”, como a definiu Antero de Quental, sempre foram as minhas referências, desde a adolescência, neste meu militante combate político pela mudança das mentalidades.

Mas bastaria constatar como, cem anos depois, Portugal mantinha os mesmos vícios criticados por Eça, Antero e a Geração de 70 para ter chegado à conclusão da inutilidade da minha luta. Não é impossível corrigir defeitos. Só que o problema português não é uma questão de defeito, mas de feitio.

Fernando Pessoa, no último poema da Mensagem, retrata Portugal de forma esclarecedora: “Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem, / Nem o que é mal nem o que é bem. / (…) Tudo é incerto e derradeiro. / Tudo é disperso, nada é inteiro. / Ó Portugal, hoje és nevoeiro…/” E, noventa anos depois, quando olhamos para Portugal, o nevoeiro não só não há meio de levantar como se adensa cada vez mais…

Continuar a ler

Régis Debray, le monde expliqué à mon fils | in France Culture

Régis Debray, philosophe et écrivain, inventeur de la médiologie, revient avec nous sur les mutations de notre histoire politique qu’il a observées ces 50 dernières années à l’occasion de la sortie de son “Bilan de faillite” (Gallimard, mai 2018).

Il y a une bascule qui s’est faite de l’intellectuel vers l’émotif, du projet vers l’optique, de la réflexion aux images. L’heure est aux publicitaires, aux spin doctors, aux photographes et aux cinéastes, plus aux écrivains ou aux philosophes.” Régis Debray

La faillite dont il fait le bilan est à la fois collective et personnelle. Après un demi-siècle de combats révolutionnaires pour changer le monde, que reste-t-il de sa génération et ses espoirs? Croire en qui et en quoi? Croire encore?

Appelons-le « figure de la vie intellectuelle française », un pedigree dont il se moque avec humour…  Dans cette lettre à son fils, celle d’un homme de 76 ans à un garçon de 16 ans, il dit renoncer « à toute ambition d’influence». «Entre le tout-économie et le tout-image, les gens de mon espèce ne peuvent plus faire, avec leurs gribouillis, que des ronds de fumée.»

Dans Civilisation, Comment nous sommes devenus américains, (Gallimard, 2017) qui reparaît ce mois-ci en Folio,  il avait décrit le « changement de civilisation » qu’a connu la France sous l’influence de l’hégémonie culturelle américaine. Dans Le nouveau Pouvoir (Cerf, Septembre 2017) il montrait comment l’apparent changement politique que constitue l’arrivée au pouvoir de Macron marque une profonde mutation culturelle inscrivant la France, pourtant catholique et républicaine, dans l’avènement planétaire de la civilisation issue du néo-protestantisme. Des réflexions qui ont aussi produit une série d’émission l’été dernier sur France Culture devenue livre avec les éditions Autrement : «France-Amérique : un échange de bons procédés» est paru en février dernier.

La disparition de l’avenir est une chose notable. Il n’y a plus de parti idéologiquement structuré avec une vision de l’avenir, avec une vision de ce qui est à accomplir. Nous vivons dans le marketing de l’instant, dans le ‘présentisme’ du chiffre. »

Régis Debray, in France Culture

DiEM25 | Informação

Nos dias que correm, o DiEM25 está a avançar de muitas formas diferentes em simultâneo

Ala eleitoral: a nossa segunda reunião com os nossos aliados políticos foi um grande sucesso – lê o resumo aqui. Em Dezembro/Janeiro pedimos a todos os membros para sugerir nomes para o partido a nível Europeu. Os nossos aliados também se reuniram e ofereceram sugestões. Estamos orgulhosos do nome que escolhemos, que surgiu através da sugestão de um dos membros de base do DiEM25 – Primavera Europeia. Vê o Yanis Varoufakis a defender este nome durante a reunião:

Papers políticos:  A Paola, membro do CC, é a nova responsável pelos  papers políticos. Graças à sua persistência, dispomos agora de um cronograma para completar todos os pilares da Agenda Progressista. O grupo de trabalho do pilar do Trabalho fez um questionário. Por favor revê este documento e discute os eventuais com membros do DiEM25 e manda as tuas ideias até dia 1 de Junho para labour@diem25.org. Na próxima semana, esperamos conseguir enviar-te o primeiro rascunho dos papers da Transparência, Refugiados e Migração para poderes comentar.

Organização interna: As eleições para o Coletivo Nacional francês terminaram. Parabéns a todos os que participaram! Podes ver os resultados aqui. Também já é possível participar na votação do Coletivo Nacional do Reino Unido. Entra na nossa  área de membros  para decidir quem vai coordenar os esforços do movimento neste país nos próximos anos. Esta votação decorre até  7 de Maio. Como sempre, a votação é algo qe pode ser feito de forma transnacional: Não precisas de ter uma passaporte ou ser cidadão do Reino Unido para votar mas se for o caso ,informa-te sobre as contribuições dos candidatos para o DiEM25 UK antes de votar.

Carpe DiEM!

Judith Meyer
Coordenadora dos Voluntários

Os Rothschild não são menos corruptos que os Espírito Santo! | Carlos Matos Gomes in Blog ” Medium”

Ontem estive na SIC Notícias a falar sobre o 25 de Abril e a reedição do meu romance Nó Cego. Isto porque a questão colonial e a guerra foram a causa profunda do 25 de Abril e do derrube de um regime assente na exploração colonial e no domínio policial da população. Em 25 de Abril esse regime chegou ao seu fim, para ser substituído por um regime de normalidade democrática europeia, não colonialista, de economia liberal e com um sistema político de democracia parlamentar.

Surgem no ecrã do estúdio as reportagens a acompanhar o noticiário — uma delas o jantar comemorativo organizado pela Associação 25 de Abril e duas entrevistas a dois dos meus camaradas e amigos, Otelo e Vasco Lourenço. Pergunta: qual é a principal falha do regime que vivemos hoje, 44 anos após o 25 de Abril. Resposta de ambos: a corrupção! Pergunta-me a jornalista Teresa Dimas: Concorda que a corrupção é o principal problema de Portugal 44 anos após o 25 de Abril?

Não. Não concordo e por várias razões.

A corrupção não é devida à instauração do regime democrático. O Estado Novo era um regime baseado na corrupção: O condicionamento industrial assentava na corrupção. Foi a corrupção, a corrupção de estado, que possibilitou a emergência das sete ou oito famílias donas de tudo isto. Melos, Champalimaud, Espirito Santo, Vinhas, Cupertino…

Continuar a ler

25 de Abril de 1974 | Capitão Salgueiro Maia

25 avril 1974 | La Révolution
——————–
C’est l’aube à laquelle je m’attendais
La journée initiale entier et propre
Où nous sommes sortis de la nuit et du silence
Et libre nous habitons la substance du temps
——————–
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
——————-
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ninguém quer saber da Síria | Marisa Matias in jornal “Público”

É preciso ter coragem e força de condenar este ataque, a mesma força e coragem que alguns têm tido para condenar a acção de Bashar Al Assad e da Rússia. O único lado que há para defender é mesmo o do povo sírio. O mundo está a ser comandado por loucos. 

O recente lançamento de 100 mísseis sobre a Síria, a mando dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, é apenas mais um triste episódio da tragédia que se abateu sobre o povo sírio. Não faltaram as vozes que ecoaram: “finalmente uma resposta”. Nada mais errado. O ataque de mísseis nada resolve a adia a solução política e diplomática que o povo sírio há tanto tempo merece. Repudiar este ataque não é em nada sinónimo de apoiar a política de Assad ou de não querer derrotar o terrorismo na região. Repudiar e condenar este ataque tem a mesma importância que repudiar e condenar o uso de armas químicas ou os sucessivos ataques contra o povo sírio. Nesta história, não há lideranças boas e más. São todas más.

Continuar a ler

Se eu soubesse o que sei hoje… | Carlos Matos Gomes

No Notícias Magazine de hoje perguntaram a vários “capitães de Abril” o que teríamos feito de diferente se soubessemos o que sabemos hoje.

Eis aqui a minha resposta:

“Se eu soubesse o que sei hoje…

Teria feito o que fiz para acabar com a guerra colonial e derrubar a ditadura.
Teria tentado impor a mediação internacional, através da ONU, para conduzir o processo de transição para as independências das colónias.
Teria lutado com maior veemência pela instauração de um sistema político mais directamente ligado às pessoas e menos, muito menos, capturado pelos partidos. Com a criação, por exemplo, de uma segunda câmara.
Teria, no chamado PREC, empenhado-me mais numa aliança entre o grupo de militares ditos na altura e na classificação do tempo “do COPCON”, com o “Grupo dos Nove”, de modo a evitar o 25 de novembro, que esteve prestes a ser putchista e acabou por ser a imposição de um modelo padronizado de sistema democrático, de que a triste situação que hoje vivemos é fruto.
Ter-me-ia batido, mais do que fiz, para manter no domínio público empresas estratégicas fundamentais na área da energia, dos transportes, nas comunicações e no sector financeiro, nomeadamente com o reforço da Caixa Geral de Depósitos e de um Banco de Fomento de capitais públicos.
Teria dedicado maiores esforços na área da Justiça, impondo uma rigorosa seleção e avaliação dos magistrados e promovendo uma justiça orientada para as vítimas e não para os criminosos.
Teria estado mais atento aos fenómenos de corrupção e de nepotismo, com atenção especial às autarquias e ao que diz respeito ao ordenamento do território, para evitar fenómenos de “algarvisação”, de” litoralização “ e de desertificação do interior.
Teria tido uma especial às leis de imprensa, obrigando a clarificar a sua posse dos meios de comunicação social e favorecendo empresas constituídas por jornalistas.
Teria furado os pneus do carro que Cavaco Silva levou ao congresso do PSD da Figueira da Foz para fazer a rodagem.

Teria, por fim, promovido, a leitura de “A Arte de Furtar”, incluindo-o nos curriculas escolares, como de estudo obrigatório. 

Carlos Matos Gomes

Tambores de ódio | Francisco Louçã

Afinal, Trump é um senhor. É o nosso chefe supremo, o bombardeador-mor, o homem firme ao comando do leme. Qual instável, é uma rocha. Qual irrefletido, é um sábio. Qual desinformado, é um profeta. Tem as qualidades da decisão e da “oportunidade”, como assinala ponderadamente o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os dirigentes europeus põem-se em fila para o beija mão. A Síria está pacificada e tal era o enlevo de alguns meios de comunicação que se apressaram a noticiar as manifestações em Damasco contra o bombardeamento como se fosse a multidão a sair à rua para saudar os Tomahawks purificadores. A populaça da França e do Reino Unido, que tinha mais em que pensar, dorme tranquila. Tudo resumido, esta lição não tem novidade, não há milagre que não possa ser assegurado por uma boa carga de bombas.

A glorificação de Trump é só um episódio, talvez nem o mais importante, da cruzada de realinhamento ideológico que é sempre o prenúncio de uma estratégia de tensão e de escalada de conflitos. Sugiro ao leitor e à leitora que observe esta cruzada, a que ergue a Segunda Guerra Fria, pois ela é mais determinante do que os pretextos que a alimentam, que valem tanto como as alarmantes armas de destruição massiva que Saddam escondia no Iraque. E essa Guerra não começou no sábado, com as bombas sobre a Síria, nem vai parar por aqui.

A Segunda Guerra Fria tem um laboratório e não é no Médio Oriente, onde as leituras são sempre geoestratégicas. O seu primeiro ensaio recente foi no Brasil, onde tudo é mais terra a terra e não se pode invocar um poder oriental oculto como inimigo. Aí, a máquina de conformação montada em torno do golpe e da naturalização do regime de exceção judiciária foi de gabarito e, não por acaso, foi a primeira que chegou até nós, neste cantinho à beira-mar plantado.

Continuar a ler

Novidades do DiEM25 Portugal

Temos 8 novidades importantes a anunciar em Portugal:

1) Coletivo Nacional Provisório: O DiEM25 Portugal está agora constituído com um  o seu CNP até que haja eleições para o Coletivo Nacional. Vê quem são os membros que compõe o coletivo aqui:https://internal.diem25.org/en/vote/48/results

2) O CED Lisboa 01 (Coletivo Espontâneo DiEM25 – grupo local) está a organizar um ciclo de 5 conversas/conferências com início a 21/ -Podes consultar o link para o evento no facebook aqui https://www.facebook.com/events/205646963544397/

3) O CED Porto 01 vai celebrar o seu 2º aniversário no dia 21 de Abril e convida todos os membros em Portugal para uma reunião aberta de CED + Workshop sobre Migração pela especialista e parte do CNP Manuela Niza. Haverá também um jantar de convívio -: Inscreve-te já neste link para reservar lugar: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScIDRnhUlkTLXlQhh44QOSpkbsp5b2JsDuk92TgcpZ-dLYa_Q/viewform

4) 25 Abril e Descida da Avenida da Liberdade em Lisboa- Junta-te às bandeiras/cartazes do DiEM25. Tratando-se de uma data especial e da véspera do Conselho da Lista Transnacional (que terá a sua segunda edição dia 26/4 em Lisboa depois da primeira em Nápoles) estarão já presentes alguns membros do Coletivo Coordenador do DiEM25 que descerão a Avenida connosco – fica atento a mais novidades!Também poderás descer a Av. Aliados no Porto com os membros do Porto.

5) Online e para todos/as :Dia  2 de Maio às 19h  haverá lugar à primeira edição da iniciativa “Arquipélago Português” . Dois membros do CNP estarão online num zoom para vos acolher e apoiar no fortalecimento do nosso movimento a nível nacional. Reserva já esta data: e o link de acesso. Traz os teus contributos e questões e acede nesse dia a este link para o efeito – https://zoom.us/j/792660404

6) O DiEM25 Portugal precisa de ti: Para te tornares mais activo/a no movimento em Portugal ou criares/juntar-te a um Colectivo Espontâneo DiEM25 local (CED) escreve para o email gruposlocais@diem25.org para mais informações.

7) Dúvidas e sugestões? Agora podes agora contactar o DiEM25 Portugal com questões e sugestões para o email info@pt.diem25.org e as mesmas serão reencaminhadas. Poderás também usar esse email caso querias ser voluntário/a nalguma área em específico ( equipa criativa, escrever artigos para o site, traduções ou outros).

8) Redes sociais: se fores utilizador convidamos-te a fazer like e a seguir a nossa página de facebook oficial aqui:https://www.facebook.com/diem25.pt.oficial/

DiEM25 Portugal

Manuel Alegre | por Rodrigo Sousa e Castro

Durante anos a fio Manuel Alegre foi insultado e vilipendiado na praça pública com base numa falsidade que todos os saudosistas da ditadura propalaram.
O nosso Tribunal Supremo só agora repõe o seu bom nome e o desagrava.
É da mais elementar justiça divulgar este comunicado. [Rodrigo Sousa e Castro]

COMUNICADO

Negando o recurso interposto pelo Tenente Coronel Brandão Ferreira, o Tribunal Constitucional confirmou ontem, 12 de Abril, o Acórdão da Relação de Lisboa, que condenou aquele militar pela prática de crime de difamação e ao pagamento de indemnização a Manuel Alegre por ter imputado a este a prática de traição à Pátria.
O caso é paradigmático pois, de forma clara, fixa os limites da liberdade de expressão perante o direito à honra e ao bom nome, à luz da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, no sentido de que é ilícita toda a imputação de factos falsos ainda que o visado seja uma figura pública.
Ao contrário do que foi afirmado por este saudosista militante do regime ditatorial do Estado Novo, Manuel Alegre cumpriu as suas obrigações militares, nomeadamente em Angola, como combatente, em zona de guerra.
Utilizou-se a mentira e a difamação para prejudicar a imagem de Manuel Alegre por altura da sua candidatura à Presidência da República.
Este tipo de calúnia lembra as práticas de perseguição e assassinato do carácter utilizadas pelo regime deposto em 25 de Abril de 1974 e demonstra uma total falta de respeito pelas regras da Democracia.
13 de abril de 2018

Manuel Alegre de Melo Duarte

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

O PROJECTO ANGLO-AMERICANO DA GUERRA PERPÉTUA | José Gabriel Pereira Bastos

Duas Guerras contra a Alemanha deixaram o Eixo Imperial Anglo-Americano (com a França a tentar não ficar de fora) numa posição de prepotência que a Guerra Fria (a “luta contra o comunismo”) reforçou.

Com a implosão da URSS, o Eixo ficou sem ‘inimigo’ e rapidamente teve que inventar um, com Dick Cheeney. A inventona do 9/11 permitiu avançar o “projecto imperial de invasão de sete países em 5 anos”.tendo como alvo último o Irão Xiita, utilizando os Sunitas como instrumento.

Correu mal, como corre sempre mal aos Americanos, quando atacam na Ásia (Coreia, Vietname). Agora não só não conseguem sair de lá (estão no Afeganistão há 17 anos e no Iraque há 15, perderam a guerra da Síria e, ao apoiarem a Al Qaeda, o ISIS, a Al-Nusra, perderam o contrôlo instrumental do terrorismo Sunita.

Subjacente a toda esta desestabilização histórica programada, continua o projecto Maçónico Anglo-Americano da New Age, isto é, do sincretismo religioso místico-ritual, que veio substituir o projecto republicano francês, com a sua ‘religião cívica’, que se tornou obsoleta, como a França, a burguesia, o proletariado, a Arte Nova, a Modernidade.e o ateísmo.

Os Americanos, já Freud lembrava, não teorizam, sincretizam, E a sincretização dos DOIS DEUSES ÚNICOS com umas festas pagãs da Primavera e uns rituais homoeróricos secretos para burgueses, tudo ao serviço do Deep-State, parece-lhes bem. Não vão a parte alguma com a New Age mas como são muito ‘religiosos’ e já têm multidões de Evangélicos Republicanos Nacionalistas, dão uns para os outros, já que não conhecem o Mundo e pouco ou nada lêem ou viajam. É a Democracia do Vale tudo (até tirar olhos) e da Grande Confusão Ideológica a que chamam, por lá, “Democracia” Bilionária.

Continuar a ler

Bloco de Esquerda, Podemos e Esquerda Insubmissa criam movimento europeu | Raquel de Melo in “TSF”

Catarina Martins, Pablo Iglesias e Jean-Luc Melénchon assinaram declaração “Agora, o Povo. Por uma revolução cidadã na Europa” para apelar à união dos cidadãos “para romper com espiral política inaceitável”.

Os líderes do Bloco de Esquerda, do espanhol Podemos e do França Insubmissa assinaram, esta quinta-feira, em Lisboa, um documento conjunto, que visa a criação de um movimento político europeu, descrito como “um passo em frente” para romper com o que classificam de “espiral inaceitável” a ocorrer na Europa.

“Chegou a hora de romper com os grilhões dos tratados europeus, que impõem austeridade e promovem o ‘dumping’ fiscal e social”, lê-se na declaração “Agora, o Povo. Por uma revolta cidadã na Europa”, na qual Catarina Martins (BE), Pablo Iglesias (Podemos) e Jean-Luc Melénchon (Esquerda Insubmissa) acusam os governantes europeus de terem condenado os países “a uma década perdida” com uma “aplicação dogmática, irracional e ineficaz das políticas de austeridade” e dirigem um apelo aos cidadãos.

“Apelamos aos povos da Europa para que se unam na tarefa de construir um movimento político internacional, popular e democrático de forma a organizarmos a defesa dos nossos direitos e a soberania dos nossos povos face a uma velha ordem, injusta e que nos conduzirá ao desastre”, escrevem.

Salientando que o novo movimento “ao serviço das pessoas” se abre a todos os que defendem a democracia “económica”, “política” (contra “ódios e xenofobias”), “feminista”, “ecológica” e “da paz”, os três líderes partidários dizem-se “cansados de acreditar naqueles nos governam de Berlim e de Bruxelas”.

“Estamos a trabalhar arduamente para construir um novo projeto de organização para a Europa”, acrescentam, concluindo que tratar-se de “uma organização democrática, justa e equitativa que respeita a soberania dos povos”.

Criado a um ano das eleições europeias, o movimento abre-se agora “a outras forças políticas” para dizer à União: “Agora, o povo”.

Raquel de Melo

https://www.tsf.pt/politica/interior/bloco-de-esquerda-podemos-e-esquerda-insubmissa-criam-movimento-europeu-9254877.html

DiEM25 | Estás a inspirar vários elementos progressivos no mundo – literalmente.

Algumas semanas atrás pedimos a tua ajuda para lançar o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia. É preciso dizer que respondeste à nossa iniciativa de forma abosultamente espetacular.

Não só ajudaste a lançar uma alternativa política para a Grécia, inspiraste também milhares a juntarem-se ao nosso movimento – Na Grécia e em todo o lado.

Inspiraste os nossos membros na Grécia e eles agora sabem que não estão sozinhos.

Insiraste os cidadãos gregos a rejeitar o status quo que foi imposto em 2015.

E inspiraste Zack Exley e Saikat Chakrabarti – dois conselheiros da campanha de Bernie Sanders, a assisitir ao lançamento do MeRA25 – e a juntarem-se à nossa luta e à revolução democrática do DiEM25.

Temos ainda muito que fazer e muitos desafios a superar.

O DiEM25 já é uma fonte de esperança para a Europa – e um pilar de resistência contra os interesses instalados do sistema financeiro e político.

Com o teu apoio vamos tornar-nos mais fortes e vamos recuperar a nossa democracia.

Obrigado e carpe DiEM!

Luis Martín

>>Coordenador de comunicações do DiEM25

25 de Abril de 1974 | Fernando Salgueiro Maia

“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”

Discurso de Salgueiro Maia aos seus militares na madrugada de 25 de Abril

Abdelaziz Bouteflika, fossoyeur madré de l’islam politique | Par Nicolas Beau

L’Algérie est l’un des rares pays du monde arabe où l’islamisme politique est en décomposition.

Les résultats des élections locales de 2017 ont confirmé cette nouvelle donne politique : l’islamisme est en perte de vitesse et ne séduit plus en Algérie.  Le MSP, le TAJ et toutes les autres composantes de l’islamisme algérien ont reçu une véritable gifle en perdant de nombreux sièges dans les communes et les assemblées locales des wilayas. La descente en enfer n’est pas due au hasard mais à une stratégie redoutable du président algérien, Abdelaziz Bouteflika. Tout en douceur.

Des islamistes émasculés 

L’islamisme algérien est tombé dans le piège tendu par Bouteflika depuis son arrivée au pouvoir en 1999. L’acte 1 a débuté lorsque Bouteflika a convaincu les frères musulmans du MSP, créé par feu Chekih Mahfoud Nahnah, de s’associer avec lui pour diriger l’Algérie. La posture affichée alors par la présidence était de fermer la parenthèse d’une décennie noire marquée par les violences sanglantes. Le MSP, à l’époque la deuxième force politique algérienne, vit certains des siens accéder aux responsabilités, perdant ainsi l’essentiel de sa combativité. Le piège se refermait sur ces notables pieux happés par un exercice très partiel du pouvoir..

En revanche, il ne fut jamais question à ce stade de laisser se recréer un succédané du Front Islamique du Salut (FIS) dont les principaux cadres avaient combattu dans les maquis durant la décennie noire. Sur ce point, le « deal » était parfaitement clair entre Bouteflika et les militaires, notamment le DRS (services secrets algériens) du général Toufik. Ce fut même la condition sine qua non posée par l’armée à l’intronisation de l’actuel chef de l’Etat en 1999.

Continuar a ler

A NOVA CULTURA GESTIONÁRIA | José Gabriel Pereira Bastos

Noto grande decepção sintomática e irreflectida, depressiva, entre gente da educação e das artes, confrontados com a Morte da Cultura e das relações Humanísticas, movidas pela dedicação.

Parece que não se aperceberam (e por isso não sabem lutar contra) a entrada da CULTURA PRAGMÁTICA ANGLO-AMERICANA na Europa (um espaço de desorientação, desistência, submissão e inexistência).

Quando gentes das “Ciências da Educação” foram ‘aprender’ em Boston a CULTURA GESTIONÁRIA, a dimensão da dedicação ao ensino (e às Artes) foi esterilizada – há que gastar formamente o tempo ‘de forma racional’ em reuniões, no preenchimento de formulários e a cumprir ‘programas’,a ‘ser útil’ e a ‘acabar com ‘devaneios humanístas’, de raiz familialista, dizem eles, que estudaram em Boston (são uma bosta).

Nesta Nova Cultura, quem não souber submeter-se aos Jogos Burocráticos, é eliminado por ‘Concursos’ formalizantes.

Da Política como Burocracia, à Educação e às Artes como Acções orientadas por Objectivos (que alguém decidiu que eram) ‘Pragmáticos’, isto é, Importados da América, vai um passo de Anão, estamos a caminho da perda da estatura humana, humanizada e humanística, e há muitos que estão a amuar, em vez de reagir.

Não se lembram dos “Tempos Modernos” e do Taylorismo Chaplinesco? Fomos avisados quase há um século. É a América Nazi (isto é, ‘Republicana’), o Positivismo, o Racionalismo, o Pragmatismo, o Machismo Mental Frio, e outras Ideologias Suprematistas de “Espíritos Racionais” (que comem rações, como as Bestas), isto é, de Almas Insensíveis.

Há muita dificuldade em perceber que os Burocratas da Intelectualidade “Racional” são doentes mentais de uma patologia até hoje não-diagnosticada, que vivem em Estado de Exibição, não buscam ajuda clínica e projectam à sua volta a Desumanidade das suas Almas Vazias, mas Suprematistas e, portanto, de um Imperialismo Globalizante. Paranóides, dizem os Psiquiatras, em livros que ninguém pensa. Freud definiu-os como “Homens Narcísicos” ou Homens de Acção (1930, 1931), que podem fazer perigar Civilizações.

Kant definiu-os como Gerontes Altivos (viris), deu-lhes o cognome de “Sublimes” e contrapôs os Sublimes (ele, como exemplo exemplar, estéril e sem família) aos “Belos” (as Mães brincando com filhos na relva, muito abaixo deles) e aos “geridos por Interesses”, que são hoje os que puxam os cordéis das Marionetas Sublimes e destroem o Belo, isto é, a Fecundidade feminina e materna.

José Gabriel Pereira Bastos

Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos

DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES | José Gabriel Pereira Bastos

É chegada a altura de ir para além das tradicionais formas de acção e organização (estilhaçadas temática, religiosa e ideologicamente) e de nos unirmos EM REDE, á escala nacional, internacional e mundial, como PARTIDÁRIOS DE UM MUNDO MELHOR, em Amor, Respeito, Paz e Solidariedade.

Somos muitos mais do que pensamos, somos quase todos. Só falta que nos organizemos à escala mundial e corramos democraticamente com os Grandes Opressores Criminosos a quem temos vindo a delegar a competência de nos representarem à escala nacional e europeia.

Os nossos inimigos são os Aparelhos de Estado, sobretudo os Aparelhos Bancários e Militares, associados a organizações secretas, mafiosas e criminais que se ocultam noutros aparelhos, como os Judiciais e policiais.

A estratégia do PODER MAFIOSO é “dividir-nos, para reinar sobre nós”. A nossa estratégia contra o Poder Mafioso (parcialmente secreto, parcialmente controlando a organização e os programas dos Aparelhos Escolares e Universitários e controlando os Media, para nos alienarem), deve UNIR-NOS À ESCALA MUNDIAL para lhes retirarmos o Poder Maligno, de forma pacífica e democrática. A MAIORIA SOMOS NÓS, GENTE BOA DE TODO O MUNDO.

A DIVERSIDADE É UMA FORÇA VITAL A RESPEITAR.

Vamos confederar a Diversidade da Gente Boa que quer um Mundo Melhor. Eu estarei na primeira linha. Convosco.

Chega de ‘manifestações’ e de discursos. Vamos finalmente organizar-nos, construir o CADERNO REIVINDICATIVO, e impô-lo, através de Referendos?

Continuar a ler

Camarada Salazar | Tiago Salazar

A motivação é um aspecto intrigante quando pensamos em validar (ou dispensar) um indivíduo. Por exemplo, o borrego manso do PSD, notório arrivista molecular, ao fantasiar (digamos assim) dados do seu percurso curricular num tempo de acesso fácil ao mais ínfimo e sórdido detalhe, põe a sua cabeça no cepo. Quem quer os laranjas mantidos no chão da sua peçonha ainda a tresandar, agradece. Quem pratica o ofício do humorismo, regozija-se. Quem se preocupa com o valor dos animais políticos, entristece-se. Por estes e por outros, se ensombra qualquer alma hoje dedicada com honestidade ao ofício mais nobre da civilização, a Política.

Hoje, para que se saiba sem intermediários, juntei oficialmente os trapinhos com a única força política viril, diria mesmo entumescida, na qual leio, vejo, oiço e sinto capacidades frontais e acções consistentes onde habitem as palavras liberdade, coragem, frontalidade e integridade. Não me movem o oportunismo, a avença, a agremiação de mais leitores. Não tenho aspirações a grande mufti ou a discursar perante tribunas de plebeus sanguinários.

Agrada-me doravante ser chamado de Camarada Salazar, erguer os copos com um líder assertivo de nome de índio, ter na linhagem de fundadores um escritor, artista e pensador dos mais combativos e brilhantes que o país conheceu e seguir uma tradição antiga, onde o mote sem dogma é trabalhar para o bem comum e não para o benefício de alguns.

P.S. Para que conste dia 3 de Abril, às 18h, no Centro de Trabalho Vitória, na Av. da Liberdade, 170, Lisboa, serão homenageados os escritores-camaradas Rui Nunes e Modesto Navarro, há 50 anos dedicados aos combates políticos e literários.

Tiago Salazar

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

DiEM25 na Grécia | Novo Partido Político

A última semana foi histórica. Lançamos a primeiro lista transnacional para participar nas eleições na Europa.

Desde então recebemos uma enchente de mensagens de apoio dos apoiantes do DiEM25! E foram disparados tiros de aviso aos políticos do “status quo” e aos seus trolls espalhados pelos media. Estão a ficar preocupados e fazem bem em estar.

A nossa estratégia para os dois meses seguintes divide-se em duas partes:

  • No nosso Movimento: Vamos continuar a crescer e a fortalecer o nosso movimento para que consigamos chamar a atenção dos cidadãos da UE. Vamos também expandir o número de ativistas e voluntários e manter a pressão sobre o sistema político europeu.
  • Na nossa Ala eleitoral: Vamos continuar a contruir uma força política progressiva e transnacional que possa apoiar e eleger os candidatos que não são financiados pelos suspeitos do costume, o que dará peso político real às nossas políticas.

Vítor, se estás em Atenas, ou podes vir até cá, por favor junta-te a nós dia 26 de Março quando iremos lançar o MeRA25, , a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia.

Continuar a ler

DiEM25 | Sê candidato ao Colectivo Nacional Francês ou Holandês

Os nossos membros estão preparados para os próximos passos no desenvolvimento do nosso movimento, neste caso para estabelecer Coletivos Nacionais em dois outros países: França e Holanda

De acordo com os Princípios Organizadores , o Coletivo Nacional deverá ter entre 16 a 18 membros que ficariam responsáveis pelas seguintes tarefas de coordenação:

Melhorar a comunicação das políticas e atividades do DiEM25 a nível nacional

Comunicar os pontos de vista dos membros na Europa e ao Coletivo Coordenador

Fornecer instalações e recursos aos membros locais e CEDs (grupos locais)

Gerar políticas nacionais e regionais em harmonia com a Agenda Progressista do DiEM25 para a Europa

Angariar fundos

Conectar o DiEM25 a outros atores políticos e civis em coordenação com o Coletivos Coordenador

Continuar a ler

Marcelo: “Alma árabe é o fundo da alma portuguesa” | por Carlos Matos Gomes

Num texto anterior, a propósito deste título escrevi que Marcelo age no espaço público com a lógica da máquina de discos. Toca (diz) o que o cliente quer ouvir. Primeira questão, simpatizo com Marcelo e entendo que ele é um descompressor social. Faz de interlúdio entre momentos de tensão. Terá a sua agenda, mas a descompressão de tensões é uma boa atitude. Dito isto e quanto ao título, este coloca 2 pontos que rejeito: o conceito de “alma” para significar uma identidade social – alma árabe, alma lusitana… – tenho as mais sérias dúvidas sobre o conceito de identidade nacionais – e no caso de uma identidade árabe mais ainda – árabe é um conceito demográfico/geográfico (os naturais da Arábia) que surge muitas vezes associado a um conceito religioso – islamismo. Entre um persa e um egípcio, entre um turco e um indiano – todos islâmicos, mas de várias fações – sunitas, xiitas, ismaelitas vão diferenças que não permitem falar em alma comum. Não há nenhuma alma árabe. Nem mesmo na arábia saudita onde a dinastia dos petroleiros vive em casamento de conveniência com os clérigos wabitas. Quanto a alma árabe, o que quer dizer Marcelo?
Segue-se a outra questão, a segunda – a da alma – que é a do proselitismo religioso. Marcelo é religioso – crente Católico – , mas fundamentalmente crente em que o que salva o homem da sua dolorosa vida é a fé num deus que lhe levará alma a um paraíso eterno. Ora o presidente de uma república pode acreditar num paraíso do Além, mas o seu dever é agir sobre a realidade.
Repito, reconhecendo o mérito de Marcelo Rebelo de Sousa na descompressão social e na agressividade que o antecessor causou, entendo que é criticável, escusado e contraproducente Marcelo entrar na lógica da fé contra a razão que tão maus resultados tem dado. ao longo da história da humanidade. Marcelo é católico, mas isso é lá com ele. O facto de ser católico não o deve levar a defender o princípio da crença num deus como caminho para a felicidade, porque é historicamente falso e arrasta seguidores para essa ilusão. Ora, com esta afirmação Marcelo está a vender a ilusão que todos somos, afinal, boas almas. É um discurso para crentes pobres de espírito.

Retirado do Facrbook | Mural de Carlos Matos Gomes

http://expresso.sapo.pt/politica/2018-03-16-Marcelo-Alma-arabe-e-o-fundo-da-alma-portuguesa#gs.c5cUuZw

Pensar fora da caixa ou seja fora do “economês” da troika | José Pacheco Pereira in jornal “Público”

Estamos tão viciados na maneira de pensar ao modo da troika que não somos capazes de colocar as prioridades no sítio certo.

Aquilo que talvez mais distinga a possibilidade de se poder andar para a frente num país como Portugal é a capacidade de sair do pensamento, do vocabulário, do argumentário, da política e mesmo da filosofia dos anos da troika e da herança ainda demasiado viva e poderosa do “economês” da troika. Os anos de lixo que vivemos são–nos apresentados como tendo sido um período de resistência “reformista”, quase heróico, após a bancarrota, atravessando todas as dificuldades e conseguindo no fim “sair” sem consequências de maior e ainda por cima “mais bem preparados” para o futuro imediato, “permitindo” a “coragem” “passista” a recuperação “costista”. Teria sido um período de “verdade” da nossa economia e sociedade, uma espécie de limpeza lustral de tudo aquilo que nos tinha “afundado” na bancarrota, o Estado, o despesismo, o “viver acima das suas posses”, os excessos sindicais, o crescimento da função pública, o “socialismo”, a “social-democracia”, e a corrupção BES-Sócrates, e uma sociedade de “direitos adquiridos”, ou em que os mais velhos exploravam “injustamente” os mais novos, porque tinham reformas e pensões.

Eu quase que tenho que pôr todas as palavras entre aspas para indicar que o seu uso é ideológico, e sem qualquer correspondência com a realidade, e que remetem para um universo orwelliano de manipulação das palavras e das ideias. Nem houve reformas, o que houve foi um “brutal aumento de impostos” de que ainda não saímos, nem podemos sair, visto que ele é a coluna vertebral do cumprimento das chamadas “regras europeias”. Nem houve qualquer “recuperação” estrutural da nossa economia, muito menos resultante das “reformas” laborais que tornaram ainda mais desigual a relação entre patrões e trabalhadores, nem houve qualquer diminuição do peso do Estado na economia, bem pelo contrário. E pagou-se um preço caro na institucionalização à margem da vontade popular e da Constituição, de uma servidão a uma certa política europeia, com perda de poderes dos parlamentos e de soberania.

Continuar a ler

Já não se pode dizer nada! – as armadilhas do politicamente correcto | Carlos Matos Gomes in blog “Incomunidade”

É na parte do mundo onde os habitantes podem expressar-se mais livremente, na Europa Ocidental e nas Américas, que mais forte é o sentimento de alguns assuntos não deverem ser referidos, ou não serem referidos em determinados termos, ou abordados por certos pontos de vista por serem politicamente incorretos.

É politicamente incorreto afirmá-lo, mas o Politicamente Correto (PC) é, em grande medida, um fenómeno urbano importado por contágio da cultura anglosaxónica. Uma moda mais do que uma justa luta contra graves situações de violação de direitos fundamentais. As situações criticáveis existem, mas não são o alvo das críticas politicamente corretas. O politicamente correto não resulta de faltas, mas de excessos.

O PC segue o princípio da anedota dos 3 escuteiros que foram necessários para realizar a boa ação de ajudar uma velha (sacrilégio, não existem velhos na novalíngua do PC, mas idosos, ou seniores!) a passar uma rua, porque a senhora (senhora também não é muito politicamente correto, denota machismo subtil) não precisava de ajuda, não queria passar e porque assumia a sua idade.

As vítimas que o PC elege são por norma das que menos necessitam de proteção e de inserção, ou porque não necessitam mesmo – caso de mulheres adultas, informadas, autónomas dispondo de meios consideráveis de defesa e afirmação, ou porque recusam a inclusão e defendem a sua especificidade – caso de comunidades étnicas, como os ciganos, ou porque, como os machos islâmicos no ocidente, pretendem impor a sua lei.

O PC não assenta na lógica, mas no preconceito, rejeita a universalidade dos valores essenciais. Em Roma seria um direito reservado aos patrícios, em Atenas apenas à minoria privilegiada dos cidadãos livres. Para o PC, como para os patrícios romanos, os bárbaros não têm direitos. Têm costumes!

Continuar a ler

Os massacres do regime colonial e ditatorial | Rodrigo Sousa e Castro

Os terriveis massacres de Batepá em São Tomé, Pidjiguiti, na Guiné, Baixa do Cassange, em Angola, Mueda e Wiriamu, em Moçambique, são pontos negros e dolorosos da nossa presença em África.
Exprimiram o ódio do regime colonial e ditatorial contra os Povos Africanos suprimindo qualquer ideia de Liberdade e Libertação mesmo antes de começar a luta armada e das violentas reações contra as populações brancas, indefesas e colocadas entre dois fogos.
Foram em geral os desencadeadores da guerra injusta que se seguiu.
Esta é a herança mais dramática do fascista Salazar e da Ditadura Fascista a que algumas almas cobardemente piedosas chamam de Estado Novo, e que muitos por aqui incensam ou simplesmente toleram.
Que seja um Presidente oriundo das Direitas, onde se acoitam todos os saudosistas da ditadura, ainda por cima filho de um ex ministro da ditadura a resgatar a Honra da Nação e do Povo Português perante aqueles Povos Irmãos, revela uma dimensão de Homem e Estadista muito rara nos tempos que correm.
Obrigado Presidente Marcelo.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Os desafios da social democracia | Pedro Nuno Santos in Jornal Público

1. Em 2015 deu-se uma viragem histórica em Portugal: pela primeira vez na história da nossa democracia a esquerda entendia-se para formar uma maioria que sustentasse um governo. Ganhou a representação democrática: temos uma democracia mais plural, com mais configurações parlamentares disponíveis e sem nenhum partido excluído, por definição, da esfera governativa. O nosso sistema político tem hoje dois pólos distintos, o que promove a dialética entre visões diferentes da sociedade, facilita a escolha do eleitorado e torna mais difícil a emergência de extremismos.

Ganhou também o país: Este Governo e esta maioria estão a mostrar que é possível viver melhor em Portugal e a imprimir mudanças profundas nas políticas públicas. O que estamos a fazer na política orçamental e de rendimentos, na trajetória do salário mínimo, no alargamento de direitos e mínimos sociais, na recuperação dos serviços públicos ou na diversificação do financiamento da segurança social é mesmo diferente do que um Governo apoiado numa maioria de direita faria.

Ganhou, por fim, o PS: com esta solução governativa, aumentou a sua autonomia estratégica. Não está impedido de procurar compromissos alargados em áreas específicas (como as de soberania), mas deixou de estar obrigado a governar com a direita.

Continuar a ler

REPENSAR O SUPREMATISMO ARCAIZANTE E DESPÓTICO | José Gabriel Pereira Bastos

O ‘pensamento ocidental’ academizado é Imperialista (alinha como ‘sua história’ uma longa história de Impérios, do binómio Grécia-Roma aos Impérios Ibéricos, franceses (napoleónicos), russos e anglo-americanos, listando as tentativas falhadas do eixo italo-germano (herdeiro do Sacro Império), Otomano, Austro-húngaro,e Japonês.

No Ensino Academizado (oficioso), esta compulsão à repetição está associada ao ensino combinado da filosofia, da teologia, do direito e da história – e, mais recentemente, da ‘ciência política’, e das ‘Ciências da Gestão’, inventadas pelos Americanos, à saída da Primeira e da segunda Guerras Mundiais -, seis não-ciências, entre si articuladas (na verdade, são apenas uma, a Grande Não-Ciência Retórica do Suprematismo, da Dominação Exploradora e do Roubo Legalizado), ideologicamente orientadas para promover o Suprematismo arcaizante, com os seus valores sexistas, racistas, retoricamente intelectualistas,,coloniais, classistas e Imperialistas, ao serviço da acumulação militar de tesouros, territórios, recursos e escravos (ou trabalhadores precários), da putificação das mulheres excedentárias (as não-esposas) e da promoção dos empobrecimentos e dos genocídios convenientes.

O Suprematismo é Fálico, empola fantasmaticamente a Ìmago Paterna Divinizada (o Deus Único, Útero Infinito do qual tudoo que existe saíu, no Big Bang Genesíaco e Grande Phallus celeste, fecundador de Maria), colocada em perigo pelo Édipo e pelos Revolucionários, heróis dramáticos da Grande Luta Fálica entre “o Bem e o Mal” (quem é quem, o Diabo que escolha, porque “quem se lixa é o mexilhão”, a começar pelas mulheres, pelos trabalhadores precários, pelos ‘desempregados’ e pelos étnicos).

Continuar a ler

Não, o país não lhe deve nada | João Duarte Silva

“O país deve um agradecimento a Passos Coelho” | Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente e actual director-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE, militante do PPD/PSD.

Não, o país não lhe deve nada. 
E para ilustrar a minha opinião, volto a colocar um texto que escrevi, imediatamente a seguir à “ida” do governo Passos Coelho/Paulo Portas:

UM GOVERNO INDIGENTE

Chegou ao fim o mais indigente, indecente, miserável, cobarde e ignóbil governo alguma vez existente em Portugal, considerando mesmo os governos de antes de Abril de 1974, uma vez que nem Salazar nem Marcelo Caetano tomaram alguma vez, medidas tão lesivas, e atentatórias à dignidade do povo como Passos Coelho e Paulo Portas tomaram.

Tendo como alibi o memorando assinado com a Troika, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas alimentou-se convenientemente das ideias neoliberalistas europeias ( de clara e evidente inspiração Alemã) que paulatinamente foi colocando em práctica, através de um senso comum conservador , implementando primeiro, um fascismo politico que meticulosamente e criteriosamente, foi substituindo depois por um fascismo social.
A dispensa e subversão de quaisquer ideais democráticos, foi total e completa. A ética politica, já de si muito debilitada, acabou por ser completamente aniquilada.
Fazendo da austeridade a regra de vivência principal, pior ainda, transformando a austeridade numa ideologia politica, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas subverteu a sociabilidade humana, matou a noção de comunidade, destruiu o elo humano que ligava os cidadãos, e promoveu uma perfeita selvajaria social.

Continuar a ler

DiEM25 | Estamos um passo mais perto de concorrer a eleições!

Começamos o ano novo com notícias entusiasmantes: se os nossos membros o aprovarem o DiEM25 poderá participar pela primeira vez em eleições já em Março!

Após o voto por parte de todos os membros  em Novembro passado foi ativada uma “vertente eleitoral” que permitiria levar a agenda progressista do DiEM25 às urnas por toda a Europa. O nosso grupo local (CED) de Amesterdão iniciou o processo e registou lá um partido político.
Aqui está como o fizeram:

  • De acordo com o procedimento descrito na proposta relativa à vertente eleitoral e após consulta com o Coletivo de Coordenação (CC) do DiEM25, o CED -Amsterdão realizou várias reuniões no mês passado para discutir a sua potencial participação potencial nas eleições municipais deste ano (Março de 2018).
  • Depois de perguntarem aos membros locais se concordavam em levar o DiEM25 às urnas, o CED- Amesterdão entrou em contato com o CC para continuar a consulta quando às próximas etapas, a saber: registar o DiEM25 como um partido político (o prazo para se registar para as eleições municipais foi 27 de dezembro) e começar a elaborar o programa, a lista de candidatos e a proposta geral que os membros do DiEM25 em todos os cantos da Europa terão de votar.
  • Claro que o registo de um partido político não significa que o DiEM25 vá definitivamente participar em qualquer concurso eleitoral. Este é apenas um primeiro passo!

Assim, o CED Amesterdão apresentará em breve a sua proposta completa e buscará o apoio dos nossos membros através dos nossos procedimentos habituais de votação interna.

No final de 2017, delineámos as nossas conquistas até o momento, bem como o nosso desejo de tornar 2018 no ano em que nos preparamos para enfrentar os poderes instalados de forma direta. E enquanto as eleições para o Parlamento Europeu de 2019 continuam a ser o foco principal da nossa ala eleitoral, estamos muito entusiasmados, orgulhosos e encorajados pela iniciativa do CED Amesterdão de levar a nossa luta ao seu município: uma luta de baixo para desafiar os poderes instalados e transformar Amesterdão numa uma cidade rebelde!

Hoje é Amesterdão, amanhã? É o início!

Carpe DiEM!

Luis Martín
>>Coordenador de Comunicações DiEM25 

Um manifesto “luterano” para a economia | por Luiz Gonzaga Belluzzo

Inspirados na reforma de Martinho Lutero, o New Weather Institute e o Rethinking Economics propõem 33 teses para revolucionar o pensamento econômico.

É possível abalar os alicerces da ortodoxia econômica como Lutero abalou a Igreja Católica?

Na celebração dos 500 anos do repto lançado por Martinho Lutero à hierarquia da Igreja Católica, o New Weather Institute e o movimento Rethinking Economics, com o apoio de um largo espectro de economistas, acadêmicos e cidadãos, lançam um desafio ao ensino de economia baseada na visão dominante e convocam a mobilização por uma Nova Reforma consubstanciada nas 33 Teses para a Reforma da Economia.

O lançamento das Teses foi realizado no University College London em associação com a The Economists Society of University College London e o Institute for Innovation and Public Purpose.

Leia também:
A ortodoxia no divã

Participaram do lançamento, entre outros, Victoria Chick (UCL), David King (assessor científico do governo britânico), Andrew Simms (University of Sussex) e Kate Raworth (Oxford University).

Lei a seguir o manifesto:

33 teses para uma reforma da economia

O mundo enfrenta pobreza, desigualdade, crise ecológica e instabilidade financeira.

Continuar a ler

Só há um absoluto: não há absolutos | ELÍSIO MACAMO in jornal “Público”

Acho curioso que o pavor que alguns europeus têm por um pedido de desculpas faça de mim, um desgraçado lá da periferia, defensor do que é universal.

(…) Tzvetan Todorov, o crítico literário, faz uma distinção interessante num dos seus livros, Les morales de l’histoire, entre causas e razões tomando como exemplo o colonialismo. Pergunta como os europeus conseguiram justificar a si próprios não só a colonização como também a escravização de outros povos tendo em conta que a moral cristã dominante antes do século XVI e a moral humanista dominante a partir do século XVII torciam o nariz perante esse tipo de práticas. (…)

(…) É preciso um grande desprezo por toda a história da filosofia ocidental para achar que a escravatura, quando foi praticada, não violava preceitos morais. (…)

Continuar a ler

Os 4 avisos de D. Pedro: 600 anos de atualidade | António Valdemar in Jornal Público

Volvidos 600 anos, após a Carta de Bruges, perduram as lacunas, os defeitos, os vícios que inviabilizam perspetivas para impedir os desgastes da rotina e estagnação.

A vocação da política do Atlântico e da política da Europa voltam a estar na ordem do dia e constituem tema de debates nacionais e internacionais. A descolonização (inevitável mas tardia) e a entrada (necessária e urgente) na União Europeia recolocaram, uma controvérsia que tem percorrido os séculos, que dividiu e continua a dividir henriquistas e pedristas.

Todas as homenagens foram prestadas ao infante D. Henrique mas está por fazer a reparação devida à memória de D. Pedro, traído e assassinado, às portas de Lisboa, o cadáver, entregue à voracidade dos cães e dos milhafres, a apodrecer dias e dias seguidos, nos campos de Alfarrobeira. Só muito depois teve sepultura, ao lado dos pais e dos irmãos, na Capela do Fundador, no mosteiro da Batalha.

Ínclita geração de altos infantes assim celebraram Os Lusíadas, os filhos legítimos masculinos de D João Iº e de Filipa de Lencastre. Além deste verso emblemático, Camões tem outras referências ao Infante D. Henrique e ao Infante D. Pedro, ambos classificados de «generosos», na aceção peculiar atribuída a esta palavra, entendida como genuína estirpe e elevada linhagem. Mas Fernando Pessoa, na Mensagem, já definiu particularidades que singularizaram cada um dos infantes. D. Henrique, surge n’A Cabeça do Grifo «entre o brilho das esferas/ tem aos pés o mar novo e as mortas eras,/ o globo mundo em sua mão». D. Pedro, o infante das «sete partidas», destaca-se «fiel à palavra dada e à ideia tida,/ claro no pensar e claro no sentir/e claro no querer/indiferente ao que há em conseguir/que seja só obter».

Continuar a ler

A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos | Tiago Barbosa Ribeiro

A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos. Entre alocuções apologéticas e críticas anti-comunistas, há espaço para uma celebração simbólica e afectiva no campo das esquerdas – porque a Revolução é património das esquerdas – e há também espaço para uma fervilhante reflexividade em muitas iniciativas académicas e culturais que tenho visto ao longo dos últimos dias. É bom que assim seja.

A Revolução de Outubro, a «mãe» das revoluções, foi objectivamente o acontecimento mais marcante do século XX. O seu impacto mudou a geopolítica da Humanidade. Foi um «game changer» tão grande como a Revolução Francesa, em relação à qual falar do «grande terror» parece – porque é – um anacronismo face ao que significou no curso da história. Obviamente que a segunda revolução de 1917, a bolchevique, resultou de uma conjugação de factores e não da acção mitificada de um grupo de homens que muitos acasos poderiam não ter permitido. Mas permitiram: os acontecimentos do final do século XIX, as aprendizagens da Comuna de Paris, a «revolução» de 1905, a Primeira Guerra Mundial, a «guerra imperialista», o desequilíbrio entre o Governo Provisório e os Sovietes, em especial o de Petrogrado, o exílio bem sucedido de Lenine, a Revolução de Fevereiro, a acção resoluta dos bolcheviques na tomada de poder em Outubro (na realidade, Novembro), a teorização orgânica do marxismo por esse brilhante estratega político que foi Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, um grande conspirador, um operacional e um teórico da revolução operária.

A Rússia da época não tinha o «húmus» social que Marx e Engels previram para a insurreição proletária no fio do materialismo histórico: viam-na em países do capitalismo industrial avançado, em especial a Inglaterra e a Alemanha do Kaiser. Mas as coisas são o que são ela irrompeu naquele contexto histórico preciso, criando ondas de choque que perduraram e ainda perduram.

Na Rússia dos czares, um império que então ocupava 1/6 do planeta, com uma população analfabeta e pobre, foi possível derrubar uma dinastia opressora com 300 anos e abalar os alicerces – políticos, sociais, económicos, militares – do mundo moderno. Depois de uma das guerras civis mais sangrentas da história, os bolcheviques triunfaram e criaram o primeiro «Estado proletário» com a socialização efectiva dos meios de produção, servindo de «farol do socialismo» para experiências em todo o mundo. Em pouco tempo, a Rússia passou de um país-continente feudal para uma das maiores potências mundiais.

Não é possível postular como teria sido se Lenine não tivesse desaparecido precocemente ou se Trostky não tivesse sido assassinado. Talvez o PCUS não tivesse feito a «desestalinização» no seu famoso XX Congresso nem fosse necessário, mais tarde, derrubar uma Cortina de Ferro. Mas também não teríamos tido o Exército Vermelho a dar um contributo decisivo para a derrota dos nazis, só para dar um exemplo, nem tão pouco existiria uma URSS a exercer força gravitacional para o desenvolvimento dos Estados Sociais no Ocidente ou para a emancipação das velhas colónias europeias. Mesmo as dissidências «sessentistas» ou as revoluções dos trópicos, desalinhadas da burocracia mecânica do leste, não existiriam sem referência ao ideal fundador de 1917.

A história é o que é. Para lá de todas as disputas que o tempo presente ainda convoca, Outubro é uma das chaves do século XX e uma das marcas mais poderosas da história do movimento operário. Emancipadora, pois claro, no contexto que a permitiu e a consolidou. Celebre-se, pois.

Tiago Barbosa Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Barbosa Ribeiro

Carlos Matos Gomes | A Catalunha: a técnica do golpe de estado e as arengas antes da batalha

As peripécias a propósito das chamas do incêndio de fervor nacionalista que percorre a Catalunha (mais Barcelona e menos Catalunha), é um espectáculo de fogo de artifício.

Acender a fogueira nacionalista e atirar-lhe petróleo como estão a fazer os líderes da rebelião de Barcelona constituem técnicas clássicas de golpe de estado, técnicas de conquista do poder por parte de um grupo organizado para o tomar. Curzio Malaparte demostrou que o assalto ao poder, que é do que se trata em Barcelona, não tem que ser necessariamente violento, muitas vezes basta um grupo de tipos determinados e sem escrúpulos apoderar-se de certas instituições para as confrontar com o aparelho do Estado, uns demagogos excitarem as massas com os temas que sempre as mobilizam: a liberdade em primeiro lugar. Palavra estandarte de todos os chefes populistas, condimentada com uns excitantes também eficazes de história: Patriotismo e Traição qb! Demagogia e populismo com todas as letras, a que podem juntar-se doses maiores ou menores de provocação e agitação.

O nacionalismo catalão e a atual urticária independentista é muito fácil de explicar: Após o fim da ditadura franquista e do desmantelamento do seu aparelho repressivo, um grupo de senhoritos locais, depois de bem seguro e certo da ausência de perigos materiais e físicos (são de pouca coragem e muito desplante), aproveitou a cómoda situação para se chegar ao poder içando a bandeira do nacionalismo catalão, o que incluiu até a tomada do poder no Barcelona clube de futebol, as manobras que levaram os jogos olímpicos a Barcelona, a imposição de um esquecido dialeto local como língua nacional, entre outras.

Continuar a ler

Catalunha | Ponto da situação | Carlos Matos Gomes

Deixem-me fazer um ponto da situação para me situar contra os bem intencionados que acreditam que é a bondade e a maldade que determinam as ações politicas. Abençoados. Mas não pertenço a essa confraria de crentes. Tenho muito respeito por aqueles que falam em povo – no caso povo catalão; como há uns tempos Jardim falava de povo madeirense, como no Estado Novo éramos tratados: Bom povo. Tenho, ao contrário desses apoiantes do povo as mais sérias dúvidas sobre o conceito de povo e as mais sérias desconfianças quando me falam na vontade do povo.
Quanto à vontade do povo, não acredito nela, acredito na convergência de interesses e de percepções que se podem traduzir numa ação com uma resultante numa dada direcção. Acredito que grupos de interesses organizados e com os meios adequados podem condicionar e quase sempre condicionam e determinam aquilo que surge como vontade popular.
As votações em representantes de partidos parece-me bastante mais fiável do que referendos. Os partidos têm uma história, têm dirigentes que podem ser responsabilizados pelas propostas, têm um passado e um futuro. Pelo contrário o referendo é facilmente manipulado, não responsabiliza os seus proponentes. O referendo traduz apenas o presente. Pode não ser filho de pai incógnito, mas é de certeza um filho entregue ao Deus dará. Como o Brexit tem demonstrado.
Dito isto, não acredito na “vontade” de independência do “povo” catalão. Considero que os proponentes do referendo da independência da Catalunha são golpistas demagogos, como a fuga deles no dia seguinte à dita declaração prova e incompetentes por não terem qualquer plano de resposta à mais que previsível negação dos seus adversários. Gente sem plano contra o inimigo, sem amigos, sem coragem para lutar e sem carisma para conduzir os seus seguidores.
Se o Cristo fosse como o Puigdmont, o cristianismo tinha acabado com uns copos e uns vivas na Última Ceia!

Carlos Matos Gomes 

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

A teoria das nações, segundo o Padre António Vieira

“a primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.”

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

Puigdemont é um Trump ibérico | Carlos Matos Gomes

O que percebi do discurso de Puigdemont: A independência da Catalunha está suspensa e ele está num aperto de impotência.
A Catalunha está em modo de fake news como as lançadas das sala oval da Casa Branca por Trump. Puigdemont é um Trump ibérico.
Num gesto insólito,:o chefe libertador anuncia que autosuspende a libertação no momento em que se anuncia liberto! Afinal não estava assim muito oprimido. Ainda aguenta os sapatos de ferro e as grilhetas por mais tempo. Em vez de um grito de Ipiranga, Puigdemont murmurou: não se está aqui assim tão mal…
Nos casamentos antigos, na manhã que se seguia à noite de romper o hímen da virgindade, a mãe da noiva mostrava os lençóis ensanguentados que atestavam a consumação do acto. O Puigdemont, como noivo impotente, veio à porta anunciar que a consumação do ato fica adiada. Há que falar melhor com a noiva. Ela não abriu as pernas e ele não se chegou à frente nos finalmentes! A não consumação era antigamente motivo para declarar nulo o acto.
Puigdemont não sabe agora se é casado ou solteiro. Como assina os documentos: Presidente da Catalunha Livre e Independente? Mas a independência está suspensa. Presidente da Republica da Catalunha? Mas ele não proclamou a República.
Puigdemont é um suspenso como os presuntos e os chouriços. Um adiado como uma máquina de tirar cerveja a copo – as cañas – à espera de gás. Um profeta que assinará os seus decretos simplesmte como Moi, Carles Puigdemont, o Moi!.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Che, o mito anti-imperialista e os mercenários do império | Carlos Matos Gomes | 09/10/2017

Hoje, 9 de outubro, passam 50 anos do assassinato de Che Guevara na Bolívia, dominada na época por um ditador fantoche dos Estados Unidos. Como acontece com as marcas “redondas” são mais abundantes as referências à figura e à vida do revolucionário argentino, herói da revolução cubana mas, entre todas, interessam-me as que apresentam Che Guevara como um homem execrável, um criminoso do pior calibre, merecedor da sorte que teve às mãos dos rangeres da CIA, que o assassinaram depois de o capturarem ferido e desarmado, lhe cortaram as mãos para servirem de prova da sua morte. Os artigos negros não referem geralmente estes pormenores macabros. A sua função é diabolizá-lo.

Porque recebe Che Guevara por parte dos estrategas de propaganda americana um tratamento tão distinto do de outros líderes de guerrilhas e movimentos políticos que, ao contrário dele, obtiveram sucesso e que os Estados Unidos não assassinaram? Porque gastam ainda hoje os Estados Unidos tanto dinheiro a comprar mercenários para a campanha anti-Guevara, entre os quais alguns milicianos lusos? Porque mete ainda tanto medo aos herdeiros dos que o assassinaram? Porque tem de ser tão persistentemente denegrido?

A morte de Guevara às mãos da CIA, traído por um camponês comprado pela agência americana, é um facto histórico investigado e conhecido, como conhecidas são as divergências entre militantes cubanos dos movimentos que derrubaram a ditadura de Fulgêncio Baptista em Cuba. Divergências que envolveram Guevara e Fidel de Castro. Porquê, então, esta rancorosa cruzada anual das forças ao serviço da estratégia de domínio americano contra Guevara, se ele próprio classificou como um fracasso a sua expedição ao Congo, a campanha dos simba nas margens do lago Tanganica, e expôs no seu Diário a debilidade da guerrilha que comandou na Bolívia?

Che Guevara merece este ódio por parte do poder americano, dos seus meios de guerra psicológica e contra-informação, dos aparelhos ideológicos por dois motivos: Transformou-se, goste-se ou não, numa figura mitológica do anti-imperialismo e o imperialismo, sendo a principal determinante dos jogos de poder que sujeitam os povos aos seus interesses, reage a quem o enfrenta e o desmascara. As fotografias do Che, as suas barbas, a sua boina com estrela, são as de um ícone, de um ídolo que atrai e fascina, que transmite esperança a milhões de seres humanos. Ora, os deuses inimigos têm de ser destruídos, apoucados, enlameados, mesmo em efígie.

A segunda razão para a propaganda imperial americana disparar ciclicamente contra a sua imagem tem um outro objectivo, também claro e pragmático: justificar as acções desestabilizadoras que os Estados Unidos levam a cabo no presente no Médio Oriente, na Coreia, nas fronteiras da Rússia e da China, que substituíram a coutada de intervenção exclusiva da América Central e da América do Sul dos anos 50 e 60, dos anos da guerra fria. Justificam o imperialismo do presente.

A figura de Guevara não é sagrada, pode e deve ser objeto de análise e crítica em todos os seus aspetos, pessoais e políticos, excepto o de não ser anti-imperialista, a verdadeira razão pela qual os serviçais do império o execram.

No meu novo romance, A Última Viúva de África, interessou-me o Guevara desiludido e, mais do que desiludido, de esperanças perdidas. Interessou-me entender porque perdera Guevara a luta com a realidade dos homens. Atraiu-me a heresia de juntar o revolucionário Guevara ao mercenário Scrame, do Congo, como dois comparsas vencidos, unidos pela derrota das ilusões fruto de desejos e não da razão.

A desilusão, em África:

“Che Guevara chegou ao Congo acompanhado por um grupo formado por cubanos negros, com a ilusão de estabelecer na antiga e imensa colónia belga uma plataforma contra o «imperialismo ianque» e o «neocolonialismo» que despertasse todo o continente africano.”

“O diário do Congo reflete a sua desilusão. Guevara viu a espécie humana como ela é e não como a sua ilusão de profeta a pintara. Mais perto das hienas do que dos leões, mais perto dos abutres do que das águias: O caos é aqui tão genético como os pigmentos da pele.”

“…Guevara deu por finda a tentativa de criar um foco revolucionário em África, além de ter perdido boa parte das ilusões sobre o desejo de liberdade, de independência, de justiça das massas populares africanas…”

A morte, na Bolívia:

“…a aventura boliviana do herói de Cuba decorreu ainda em condições piores do que a do Congo. Scrame revelou-me que depois de o ver morto, estendido numa mesa da escola da pequena aldeia de Higuera, e de ter lido o seu «Diário da Bolívia» acreditava que ele procurara deliberadamente o suicídio…”

”Enojou-me ver a profanação do corpo de Guevara pelo coronel chefe da polícia política, responsável pelo ultraje final da amputação das suas mãos, para os polícias americanos confirmarem através delas a identidade do guerrilheiro que os enfrentara.”

“Jean Scrame não se orgulhava da sua participação na morte de Guevara: Ele lutava por uma ideia, como eu pelo direito a ter uma terra!”

“Para homens como Scrame e Guevara a dor da derrota é maior e mais profunda porque não buscam a glória, nem lutam pelo reconhecimento do herói, mas pela paz interior de conseguirem o que entendem ser o seu dever, o seu bem, independentemente do que os outros possam pensar dos seus objectivos. A derrota é para eles um castigo e simultaneamente uma injustiça, um erro do destino que impedirá a felicidade ou a riqueza daqueles para quem trabalham. Quando não levam os seus sonhos até ao fim, sentem-se deuses falhados, que perderam uma oportunidade de conduzir os seus fiéis à Terra Prometida.”

Qual o segredo de transformar um vencido real num vencedor idealizado? O Che foi o senhor absoluto da sua luz. Os homens das trevas nunca o apagarão.

Carlos Vale Ferraz (excertos de A Última Viúva de África)

https://medium.com

DESAFÍO INDEPENDENTISTA | El ruido y la furia de la Cataluña de los mecenas | MANUEL JABOIS in “El País”

Joan Baptista Cendrós fue un hombre tan importante en Cataluña que se convirtió en un olor. Un olor muy intenso y mentolado. Era la fragancia de la crema Floïd, after shave que Cendrós ideó en la barbería que heredó de sus padres: la exportó a 50 países y le hizo millonario. Cendrós acogía en su casa a otros hombres ricos, amigos suyos, unidos por una voluntad exquisitamente revolucionaria. Uno de ellos era Fèlix Millet i Marista, un empresario que huyó a Italia para salvar su vida en la Guerra Civil y regresó para combatir en el bando franquista. Con ellos estaba otro patricio, Lluís Carulla, que usó su conocimiento de la botica familiar para crear, junto a su esposa María Font, Gallina D’Or, que luego rebautizó como Gallina Blanca antes de inventar Avecrem. Joan Vallvé fabricaba dinero, literalmente: su factoría en Poblenou acuñaba la peseta. El quinteto lo cerraba el industrial Pau Riera, hijo de Tecla Sala Miralpeix, una empresaria de vida extraordinaria que levantó su imperio textil en un mundo de mujeres empleadas y hombres directivos.

A todos les unía el catalanismo, su voluntad de desbordar la dictadura desde el único lugar donde empezaba a correr un poco de aire: la cultura. Eran, esencialmente, mecenas. Y crearon Òmnium en el año 1961. Le inyectaron dinero, muchísimo, para abrir terminales en toda Cataluña y fomentar la lengua y la cultura catalanas. Fuera de Òmnium esa burguesía intelectual, junto otros apellidos de fuste, fundó un universo propio sobre el que orbitaría la futura Cataluña: la Nova Cancó, los premios Sant Jordi y Carles Riba, la Gran Enciclopedia Catalana, el Instituto de Estudios Catalanes, el Orfeò, el Palau, el Liceu, Banca Catalana; estuvieron detrás de los inicios de Terenci Moix y de Raimon, entre otros. Intentaron que la Academia Sueca le diese el Nobel a Salvador Espriu. Hicieron también grandes tropelías; se adueñaron del espacio, y el dominio cultural que llegó hasta el pujolismo fue de tal asfixia que Cendrós le negó el Premi d’Honor de les Lletres Catalanes, también creado por él, al escritor catalán más importante del siglo XX, Josep Pla, alegando su implicación en el franquismo. Muchos años después, Fèlix Millet hijo hizo recuento de la élite: “Somos unas cuatrocientas personas, no seremos muchas más, pues nos encontramos en todas partes y somos siempre los mismos”.

Continuar a ler

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes) | O Partido ‘bipolar’: uma crítica de esquerda (por Elísio Estanque)

O jornal do PCP «Avante!» decidiu dar-me a “honra” de responder a um artigo que publiquei no jornal Público (31.08.2017): Aos meus amigos peço desculpa pela longa preleção e “reprimenda” que o seu autor me dedicou. Em todo o caso, deixo o referido texto na íntegra, seguido do meu artigo (o qual pode considerar-se a minha “resposta”). Sem mais. Vale a pena ler…

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes)

O PCP, a sua história, o seu insubstituível papel na vida social e política nacional incomoda e faz inveja a muita gente. À direita e à «esquerda», nomeadamente a uma «esquerda» de que se reclama Elísio Estanque (EE) como mostra o seu artigo «O partido bipolar: uma crítica de esquerda» (Público de 31.08.17) curiosamente publicado na véspera da abertura da Festa do Avante!. Mas não fosse alguém confundir o seu escrito com uma vulgar diatribe e intriga anti-comunista apresenta-o como uma «crítica de esquerda» insinuando a autoridade de quem sabe do que fala para melhor fazer passar o propósito que percorre todo o seu artigo: introduzir a dúvida e a divisão em relação à direcção e à orientação do Partido, seja em torno da sua definição ideológica (a «velha cartilha marxista-leninista» relativamente à qual «muitos militantes comunistas se interrogam no seu íntimo») seja quanto à posição em relação à actual solução política (com a «incomodidade de sectores da «linha dura» com o facto de o partido se ter tornado “muleta» do Governo PS»).

Continuar a ler