A PREPARAR AS NOSSAS CABECINHAS PARA A GUERRA NUCLEAR | Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 01/07/2022

1. Reunido em mangas de camisa num castelo alemão, o G7 actualizou as sanções à Rússia e as novas verdades sobre a guerra. De facto, foi o G7+1, pois, como sempre, Zelensky esteve presente por vídeo para pedir mais e mais sofisticadas armas, a tempo de poder decidir a guerra antes do Inverno.

Ficou-se a saber que, só dos americanos, ele recebe todos os meses armamento no valor de 7,5 mil milhões de dólares — um festim para as Lockheed Martin dos Estados Unidos. No final e sobre um horizonte de ruínas, alguém há-de ter de pagar isto e suponho que não sejam só os contribuintes americanos, mas todos os da NATO.

2. Na sua intervenção, Zelensky informou os outros de que na véspera os russos tinham atacado com mísseis um centro comercial onde se encontravam mil civis: dez tinham morrido nesse dia, 18 até hoje. Os russos argumentaram que não tinham atacado nenhum centro comercial mas sim um depósito de armas que ficava ao lado e que, ao incendiar-se, atingira com destroços o centro comercial. Como é óbvio, essa versão foi imediatamente descartada, em favor do “crime de guerra”.

3. Ao mesmo tempo que acrescentava o ouro à lista de bens russos cuja exportação passa a ficar proibida, o G7 insurgiu-se contra “o roubo e impedimento das exportações de cereais” ucranianos por parte da Rússia.

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O SNS não se salva com ilusões | por Francisco Louçã | in Expresso

Quem defende o SNS já não pode escapar ao dilema entre ignorar o colapso e recusar a continuidade da ilusão sobre a estratégia presente, pois a evidência demonstra que o governo não enfrentará o problema. É preciso virar a agulha. Apresentar o atual SNS como o modelo da virtude democrática custa a derrota, pois a realidade do desespero dos profissionais, da desorganização das unidades e dos tormentos dos utentes em centros de saúde ou em urgências impõe-se sem mais argumentos e cada ano será pior, com a aposentação de mais especialistas. Graças a estes fracassos programados, os privatizadores têm a estrada aberta e, apesar de alguns floreados alucinados (descobriram a “sovietização” do SNS, seguindo o guião ideológico da associação de médicos dos EUA, que no século passado conseguiu, na vaga da Guerra Fria, impedir que fosse instalado um serviço público de saúde no seu país), insistem na proposta mais simples: deem dinheiro aos nossos amigos que eles tratam de mais utentes do SNS.

 Nesse caminho, a estratégia de desmantelamento do setor público tem-se imposto. Os investimentos são adiados, os concursos ficam parcialmente vazios, os tarefeiros recebem três a cinco vezes mais do que os seus ex-colegas numa urgência, os serviços navegam na imprevisibilidade. Na incerteza, os seguros cresceram e são um florescente ativo financeiro, que promete lucros confortáveis, graças ao controlo dos preços. A consequência é uma saúde mais cara para as pessoas: dois grupos privados já realizam a maioria dos partos na Grande Lisboa, naturalmente promovendo a cesariana como método preferencial, o que salga as contas finais; durante a fase aguda da pandemia, os hospitais privados ofereceram a sua disponibilidade por 13 mil euros e, se fosse caso grave, o doente era recambiado para o público; e as PPP, que transformaram em arte a regra do afastamento dos doentes mais caros, são elogiadas como se essa manigância fosse boa gestão. Apesar destes resultados, está montado o cenário da atrevida proposta dos grupos privados e dos seus liberais: aguentem o custo dos hospitais públicos desde que nos paguem mais, queremos os vossos impostos.

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O encolhimento do Ocidente | por Boaventura Sousa Santos | In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China). A partir de então o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa. Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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O Mundo virado da cabeça para os pés | por Carlos Matos Gomes

O jornal inglês The Guardian titulava um artigo de opinião a propósito da reunião do G/ na Alemanha do seguinte modo: “G7 com agenda cheia num mundo virado de cabeça para baixo” — Em inglês:” G7 grapples with packed agenda of world turned upside down”.

“A agenda da reunião do G7 revela como o mundo virou de cabeça para baixo desde que os líderes dos estados industrializados se encontraram pela última vez na Cornualha, há um ano, numa cimeira presidida pela Grã-Bretanha, em grande parte para se concentrar na ameaça representada pela China.

Antes da cimeira na Alemanha, Boris Johnson emitiu um alerta para que o Ocidente não demonstre fadiga de guerra, um ponto que será ecoado quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, discursar na reunião por videoconferência. Espera-se que ele saliente as dificuldades que as suas tropas enfrentam no leste da Ucrânia, bem como a necessidade de armas mais pesadas de longo alcance.”

Entretanto, a 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a Conferência dos Oceanos. “As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, acolhem a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022. A Conferência é um apelo à ação pelos oceanos — exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentarem a ambição, a mobilizarem parcerias e aumentarem o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos. A Conferência dos Oceanos acontece num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procurará impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras baseadas na ciência, destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos.” (do site da ONU)

Nenhum dos participantes da cimeira do G/ estará presente na Conferência dos Oceanos, embora estes representem 70% da superfície do planeta!

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Mistério na Suíça: quem poderia ter comprado ouro russo? | por Jonathan Zalts | in https://www.20min.ch

Mais de três toneladas de ouro russo foram importadas para a Suíça no mês passado. A primeira desde o início da invasão.

Madeira, cimento, caviar: tomando um Pacote de sanções da UE Em abril passado, a Suíça proibiu a importação de uma série de mercadorias que eram uma importante fonte de renda para a Rússia. O ouro, no entanto, não estava na lista.

Ainda assim, a compra de ouro russo tornou-se um tabu desde o início da guerra na Ucrânia. A London Bullion Market Association, autoridade que supervisiona o mercado global de barras, removeu os fabricantes russos de sua lista de acreditação após a invasão.

Desde então, a maioria das refinarias desistiu de aceitar ouro da Rússia. A Suíça também parou completamente as importações.

Mais de três toneladas

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Putin detém todos os ases em uma guerra por procuração, que deu terrivelmente errado para o Ocidente | Ashish Shukla

10 de junho de 2022

Ashish Shukla é um autor indiano de geopolítica e terrorismo que administra um site de notícias sobre relações internacionais, o Newsbred.

O Ocidente é forçado a negociar com a Rússia após três meses da intervenção deste na Ucrânia para se livrar dos Ukronazis e dos passos rastejantes da OTAN em suas portas.

Francamente, não há outra opção para West.

Não pode forçar um confronto com a Rússia, apesar de bilhões de ajuda e fornecimento de armas para Kiev, pois, se o fizer, Vladimir Putin fecharia as torneiras de petróleo e gás para a Europa, o que mergulharia o Velho Continente na escuridão, carros em garagens, modo de transporte para trilhas enferrujadas etc.

Isso forçaria os gigantes manufatureiros como BMW ou Bayer a fechar ou se localizar fora da Europa, de qualquer forma causando um desemprego maciço e agitação pública que forçaria mudanças de regime de Berlim a Paris a Genebra, o que você quiser.

A Europa não está em posição de se livrar do suprimento de energia da Rússia. A mistura típica de diesel que a Rússia fornece e para a qual as unidades de processamento da Europa são orientadas para isso não pode ser substituída da noite para o dia.

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Do pensar em “modo democrata” ao pensar em “modo fascista ou nazi” é um instante. | Sucede a pessoas “mal formadas”, intelectualmente “reduzidas” ou sujeitas a “intensa lavagem” ao cérebro. | Cuidemos da saúde mental, não apenas da saúde física.

Efeito halo

efeito halo é um termo cunhado pelo psicólogo Edward Thorndike na década de 1920. Ele se dá quando desenvolvemos uma impressão geral positiva de alguém por causa de uma de suas qualidades ou atributos.

De modo geral, esse efeito pode nos levar a colocar as pessoas em um pedestal sem perceber. Isso porque estamos construindo uma imagem de uma pessoa com base em informações limitadas.

Viés de confirmação

viés de confirmação é a tendência de buscar e usar informações que confirmem os próprios pontos de vista de um indivíduo e as expectativas que essa pessoa tem. Em outras palavras, trata-se da tendência de selecionar informações para validar hipóteses.

No entanto, esse viés afeta nossa capacidade de pensar de forma crítica e objetiva. Por consequência, pode levar a termos interpretações tendenciosas de informações e ignorar pontos de vista opostos.

Viés de conformidade

O viés de conformidade, também conhecido como “pressão dos pares”, faz com que um indivíduo se conforme com a opinião dominante. Decorre desse medo de sermos mal percebidos se pensamos diferente dos outros e, portanto, nos torna suscetíveis à influência.

L’école fabrique des consommateurs semi-illettrés | Le Zoom | Jean-Paul Brighelli | TVL

L’École de la transmission des savoirs et de la formation des citoyens est à l’agonie. Elle accomplit aujourd’hui ce pour quoi on l’a programmée voici un demi-siècle : adaptée aux nécessités du marché, elle fabrique à la chaîne une masse de consommateurs semi-illettrés et satisfaits d’eux-mêmes.

Soucieuse d’élaborer enfin l’égalité promise par la République en nivelant par le bas, elle a réussi à détruire ce que la France avait mis deux cents ans à élaborer. Pourquoi l’Éducation nationale a-t-elle autorisé les dérives successives qui ont amené à l’apocalypse scolaire ?

Jean-Paul Brighelli, agrégé de Lettres, qui a enseigné pendant 45 ans, répond à cette question dans son dernier ouvrage “La fabrique du crétin – Vers l’apocalypse scolaire”, le tome 2 de son succès d’édition, déjà vendu à 150 000 exemplaires.

Julian Assange | por Carlos Matos Gomes

A “realeza” britânica não terá nada a ver com a dignidade do seu país? Com a vileza? Com a subserviência? São extra-terrestres? Eu conheço o argumento de que esta gente, dita real, é irreal, como os deuses gregos, não se intrometem nos assuntos dos homens a não ser para fazer filhos e causar guerras.

Mas há um mínimo de decoro que se lhes exige, além da exibição dos exóticos chapeus, as damas, e das fatiotas de domadores de circo, dos cavalheiros.

Não têm nada a dizer sobre a deportação de Assange para os Estados Unidos, o território da boa justiça?

PRISIONEIROS DE GUERRA | por Miguel Sousa Tavares – Expresso, 17/06/2022

“Como sempre acontece com tudo, a guerra na Ucrânia vai perdendo aos poucos o monopólio das atenções. Para tudo dizer em poucas e cruéis palavras, já estamos todos fartos da guerra na Ucrânia.

Mas seguramente ninguém mais do que os ucranianos: mais de 4 milhões permanecem ainda exilados no estrangeiro e, embora muitos tenham já regressado, o que encontram em muitos casos e muitos lados é um país desfeito e cujo futuro próximo não parece ser outro senão o contínuo troar dos canhões e a destruição paulatina de qualquer hipótese de regresso a uma vida normal.

Todas as noites as televisões repetem imagens de pré­dios, escolas, hospitais em ruínas, campos minados e cidades semidesertas, e servem-nos intermináveis entrevistas com habitantes que apenas pedem o fim da guerra e uma oportunidade para retomarem as suas vidas. Todavia, invocadas sondagens cuja origem é misteriosa garantem-nos o contrário: que a grande maioria dos ucrania­nos deseja que a guerra prossiga até à derrota total do invasor russo.

E todas as noites Zelensky, o Presidente dos ucranianos, aparece-lhes na televisão, vestido com a sua eterna T-shirt verde-militar, a prometer mais guerra e a pedir aos amigos da NATO novas e mais mortíferas armas para combater os russos.

Fora isso, e das raras vezes que vai ao terreno, curio­samente só vemos Zelensky entre militares — discursando-lhes, condecorando-os, exortando-os a prosseguir o combate —, mas jamais o vemos entre os civis, prometendo-lhes mais sangue, suor e lágrimas e encorajando-os a sofrer mais morte e destruição sem fim à vista. Uma falha na meticulosa operação de imagem do Churchill dos tempos modernos.

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Costa alerta que alargamento pode implicar futura arquitetura da UE | in LUSA

O primeiro-ministro defendeu hoje que um alargamento da União Europeia vai exigir uma reflexão sobre a “futura arquitetura institucional e orçamental”, dizendo esperar que todos estejam conscientes desse caminho coletivo.

António Costa e o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, receberam hoje durante todo o dia os partidos com representação parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, em que se discutirão as candidaturas à adesão à União Europeia da Ucrânia, República da Moldova e Geórgia.

No final, o primeiro-ministro anunciou que Portugal irá acompanhar o parecer da Comissão Europeia para que seja concedido à Ucrânia e à Moldova o estatuto de país candidato à União Europeia, mas fez questão de deixar alguns alertas.

“Esta perspetiva de futura integração, não só da Ucrânia e Moldova, mas também dos países dos Balcãs ocidentais, exige uma reflexão sobre a futura arquitetura institucional e orçamental da União Europeia, de forma a criar boas condições para termos uma UE forte, unida, capaz de cumprir os seus objetivos e acolher novos países candidatos”, defendeu.

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EUROPA | Breaking News

MONTARAM A GUERRA

Agora querem que acabe. E vão rogar ao Zelensky de joelhos.
Não é bonito de se ver.

PROFISSIONALISMO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
FALAR VERDADE, não mentir !

O PÓS-GUERRA QUE AÍ VEM | Não será de admirar que António Costa venha a ter papel fulcral no futuro da União Europeia. Tem Humanismo e Inteligência Negocial.

( vcs / 18-06-2022 )

“SE NÃO ACABARMOS COM A GUERRA, A GUERRA ACABARÁ CONOSCO” | H. G. WELLS | Artigo de Alastair Crooke

Em mais uma inadmissível tentativa de CENSURA, o FB não deixa transcrever o link da revista Strategic Culture em que vem este artigo, mas fazendo a tradução, sem o link – como fizemos – é possível levá-lo ao conhecimento dos leitores. Aqui fica, portanto. Leia, antes que o bloqueiem:

“A Europa agora está presa “até às goelas” com amplas sanções económicas à Rússia e incapaz de enfrentar as consequências.

Emmanuel Macron irritou muita gente (assim como Kissinger fez no WEF), quando disse: ‘não devemos humilhar Vladimir Putin’, porque deve haver um acordo negociado.

Esta tem sido a política francesa desde o início desta saga. Mais importante, é a política franco-alemã e, portanto, pode acabar também por tornar-se política da UE.

A qualificação “pode” é importante – como na política da Ucrânia, a UE está mais rancorosamente dividida do que durante a Guerra do Iraque. E em um sistema (o sistema da UE) que insiste estruturalmente no consenso (por mais que ele seja fabricado), quando as feridas são profundas, a consequência é que uma questão pode travar todo o sistema (como ocorreu no período que antecedeu a guerra do Iraque). Ora a verdade é que as fraturas na Europa hoje são mais amplas e mais amargas (ou seja, acerbadas pelas forças do Estado de Direito).

Embora o rótulo “realista” tenha adquirido (nas circunstâncias atuais) a conotação de “apaziguamento”, o que Macron simplesmente está dizendo é que o Ocidente não pode e não irá manter seu atual nível de apoio à Ucrânia indefinidamente.

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UCRÂNIA | Emb. Seixas da Costa, in Observador, 15 de Junho de 2022

«A Ucrânia está ainda muito longe de poder vir a ser um membro da UE e, mais do que isso, não é ainda claro que tenha condições para o poder vir a ser um dia. É impopular dizer isto? Talvez, mas eu digo.» – Emb. Seixas da Costa, in Observador, 15 de Junho de 2022.

Há uns tempos, no início deste conflito, chamámos a atenção para a pobreza e atraso extremos da Ucrânia – o país mais pobre da Europa – e para o facto de os indicadores económicos e de desenvolvimento social do país só encontrarem termo de comparação em países africanos. O estranho, ou nem tanto, é que na Ucrânia – outrora o centro da indústria aeroespacial, das tecnologias de computação, da investigação médica de ponta, da indústria de construção naval e metalurgia da era soviética – o tempo tenha parado em 1991 e que aquele país imenso que foi até 1980 a 5ª economia europeia em termos brutos, estar hoje 40 anos atrasado em relação à Europa ocidental. Desde a independência, o país perdeu 6 milhões de habitantes para a emigração, metade dos quais procuraram refúgio na Rússia.

Para lá das três dezenas de capítulos e das 88.000 páginas de cerradas exigências para o cumprimento das condições, o país é o inferno do trabalho infantil, da indústria da pedofilia, das barrigas de aluguer, do tráfico de carne branca, da desistência escolar e das 200.000 crianças deficientes reduzidas a esconsos pútridos ali chamados orfanatos; o Estado mais negligente da Europa, o mais pobre e violento apontado até 2020 por todos os relatórios da UNICEF, da Human Rights Watch, da Organização Internacional do Trabalho e outros centos de agências internacionais e ONG’s.

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POPULARIDADE E DEMAGOGIA | Francisco Seixas da Costa | Jornal Observador

Um dia de 1997, em Lisboa, durante uma reunião do conselho de ministros, António Guterres deu conta da surpresa que tinha tido, numa sua recente visita à Polónia, ao constatar que todos os seus interlocutores locais estavam convencidos de que Portugal iria ser o país que mais dificuldades iria criar aos futuros alargamentos da União Europeia. E, voltando-se para o secretário de Estado dos Assuntos Europeus que eu então era, e que ali estava ocasionalmente por qualquer razão de agenda, alertou: “Espero que, em Bruxelas, os nossos funcionários clarifiquem bem a nossa posição”. Aquela perceção não era apenas polaca: muitos dos países do centro e do leste europeu estavam sinceramente convencidos que iriam encontrar em nós um grande obstáculo à sua pretensão de se juntarem à União.

A lógica dos interesses apontava, de facto, para que Portugal tivesse uma posição muito defensiva no tocante ao efeito, quer em matéria de fundos, quem em termos de vantagens competitivas, que a presença de um elevado número de novos parceiros iria implicar. Mas António Guterres via um pouco mais longe: o alargamento era um irrecusável objetivo estratégico da Europa “deste lado”, o qual, desde o final da Guerra Fria, entendia como imperativo conseguir dar resposta ao anseio de muitos Estados “do outro lado”, recém-libertos da tutela soviética, que pretendiam ancorar a sua liberdade e o seu desenvolvimento no quadro de um projeto que, durante décadas, lhes fora mostrado como paradigma de modelo exemplar de cooperação e de integração económica e, cada vez mais, de cidadania e de valores comuns, que os “critérios de Copenhague” haviam entretanto consensualizado.

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A heresia do papa Francisco | Carlos Matos Gomes

Estava a ler textos sobre a “guerra da comunicação” em que estamos envolvidos, felizmente sem os custos em sangue e destruição da que ocorre na realidade do campo de batalha, na Ucrânia. Parti de um filósofo cujo pensamento conhecia um pouco, Paul Virílio, francês, autor de livros sobre as tecnologias da comunicação, e deste cheguei a um outro, desconhecido, Slajov Zizek, esloveno. Paul Virílio, com formação base em arquitetura, define a sociedade da informação como perigosa, já que a informática nos leva à perda da noção da realidade ao proporcionar uma quantidade gigantesca de dados. É sobre a relação entre a realidade e a imagem que dela nos é transmitida que se travam hoje os combates da informação, desinformação, manipulação que nos são apresentados pelos meios de comunicação, que pretendem camuflar a sua qualidade de armas, atrás de um colete com a palavra PRESS, de uma direção editorial, ou de pastores com a pele de comentadores .

Para Zizek, com formação em sociologia, professor nas universidades de Lubiana e de Londres, o “real” é um termo que corresponde a um conceito enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo que não pode ser simbolizado, isto é, expresso com palavras ou com imagens. Só existe como abstrato. Para Žižek, a realidade tem a estrutura de uma ficção. Ou seja, acaba sendo apenas uma espécie de interpretação da “coisa em si”. Há quem não se limite a interpretá-la, mas a fabrique.

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É PRECISO RESISTIR AO “DEMOFASCISMO” | por João Melo, Opinião/DN

O conflito geopolítico e ao mesmo tempo tribal que decorre presentemente na Ucrânia criou um novo (ou velho?) fenómeno, cada vez mais inegável e incontornável: o recurso, por parte das democracias, a métodos fascistas, a fim de imporem os seus pontos de vista e conquistarem “simpatias” para a sua causa. É o que eu chamo de “demofascismo”.

A recusa liminar em discutir a complexidade da situação na Ucrânia e em reconhecer que a história não começou no dia 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o país vizinho, foi a primeira manifestação desse fenómeno.

Seguiu-se-lhe a onda de russofobia que assolou o Ocidente, com a discriminação de todo e qualquer cidadão russo, o cancelamento de artistas e desportistas, a proibição de obras literárias russas nas escolas e outras aberrações.

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OUT, please! | Maria Zakharova to Joe Biden

“O recurso, por parte das democracias, a métodos fascistas, a fim de imporem os seus pontos de vista e conquistarem “simpatias” para a sua causa. É o que eu chamo de “demofascismo”.

João Melo, jornalista

O futuro, segundo Maria de Lourdes Pintasilgo | Por Viriato Soromenho Marques | in DN

O Museu da Presidência da República (MPR) tem aberta ao público, até 31 de agosto, uma notável exposição dedicada à figura singularíssima daquela que foi a primeira mulher portuguesa pioneira em várias funções, nomeadamente a de primeiro-ministra: Maria de Lourdes Pintasilgo. Mulher de um Tempo Novo. Para a levar a cabo, e sob coordenação da sua diretora, Maria Antónia Pinto de Matos, o MPR recorreu ao concurso de várias entidades da esfera social e académica, reunindo também os contributos de várias dezenas de ensaios e testemunhos, onde se incluem textos do próprio presidente Marcelo Rebelo de Sousa, de António Ramalho Eanes e de António Guterres. Um extenso e muito bem concebido Catálogo permite guardar, não apenas na memória, o espólio exposto.

Nos doze anos que medeiam entre o 25 de Abril e a entrada na CEE, o país oscilou numa arriscada situação de impasse entre vários caminhos possíveis, à semelhança do que tinha ocorrido na década após a independência do Brasil, quando Almeida Garrett publicou o livro Portugal na Balança da Europa (1830). Ao contrário das dúvidas alimentadas pelos nossos intelectuais e políticos no século XIX, depois de abril de 74, a Europa comunitária aparecia como um cada vez mais consensual e inevitável destino nacional. Lembro-me de várias vezes ter lido textos de MLP criticando a orientação cada vez mais mercantilista e financeira do rumo europeu, em detrimento das vertentes social e cívico-política que estiveram na raiz do empenhamento de tantos dos militantes da Europa nas ruínas de 1945. MLP correspondia bem ao lema da filosofia de Ernst Bloch (1885-1977) para quem a consciência humana, por ser “uma consciência antecipativa”, está sempre projetada para o devir.

A religião não era propriamente uma Revelação tranquilizadora, mas antes um imperativo de ação em conformidade com valores de justiça e fraternidade.

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Presidente executivo do JP Morgan avisa investidores para “furacão” que se aproxima

O banqueiro afirmou que “há demasiada liquidez no sistema” monetário que deve ser reduzida e que a Fed e os bancos centrais em geral têm que a baixar para travar a especulação

O presidente executivo do maior banco dos EUA, o JP Morgan Chase, disse esta quarta-feira que os investidores devem estar preparados para “um furacão”, que se aproxima devido à política monetária restritiva e à invasão russa da Ucrânia.

“Este furacão que está aqui e agora e aproxima-se de nós (…). Não sabemos como vai ser, pelo que é melhor que nos preparemos”, disse Jamie Dimon, durante uma conferência para investidores, organizada hoje pela Alliance Bernstein Holdings.

“No JP Morgan já nos estamos a preparar e vamos ser muito conservadores com os nossos balanços financeiros”, adiantou Dimon, que situou as suas principais preocupações na inflação e nas respostas da Reserva Federal (Fed) para a combater.

A inflação no EUA, em níveis desconhecidos desde há quatro décadas, levou a Fed a decidir desde o início do ano duas subidas consecutivas da taxa de juro de referência, que já está no intervalo entre 0,75% e um por cento.

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Comissão Europeia aprova PRR da Polónia, mas com contrapartidas | via @RenewEurope

A Comissão Europeia fez hoje [quarta-feira, 1 de junho] uma avaliação positiva do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia“, adianta a entidade liderada por Ursula Von der Leyen, em comunicado, sinalizando que em causa estão “23,9 mil milhões de euros em subvenções e 11,5 mil milhões de euros em empréstimos ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência”.A Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia, no valor de cerca de 36 mil milhões de euros, mas com condicionantes. Bruxelas avisa que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer as reformas ao sistema judicial pedidas pela União Europeia para estar em conformidade com os padrões europeus do Estado de Direito.

Contudo, Bruxelas sinaliza que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer reformas no sistema judicial, que são fundamentais “para melhorar o clima de investimento e criar as condições para uma implementação efetiva do plano de recuperação e resiliência”. “A Polónia precisa de demonstrar que essas metas são cumpridas antes que qualquer desembolso possa ser feito”, acrescenta a Comissão Europeia.

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Hanôver — a cerimónia da despedida | por Carlos Matos Gomes

Wrap up — as reuniões (os meetings) da Europa terminam habitualmente com uma cerimónia de despedida — uns copos, umas tapas e umas palavras de circunstância — que se designa wrap up.

António Costa vai à Hannover Messe a maior feira de tecnologia industrial do mundo, em que que Portugal será, pela primeira vez, país parceiro. Não é difícil ser suficientemente realista para considerar que vai a uma wrap up pelo papel que a Alemanha desempenhou na Europa e no mundo após o final da Segunda Guerra.

A Feira de Hanôver realiza-se desde o fim da II Guerra Mundial e a sua importância acompanhou o papel da Alemanha como locomotiva europeia e grande potência industrial. Este papel deve-se a condições de organização interna da Alemanha (RFA e depois unificada), à opção pela indústria pesada e pelos produtos de alto valor acrescentado, mas também à sua localização geográfica, no centro da Europa, fazendo de placa giratória entre a Europa Ocidental e a Oriental.

A Europa do pós-guerra assentou numa parceria franco-alemã. Em que, de forma muito simples, a Alemanha fazia de formiga e a França de cigarra. Após o fim da Guerra Fria a Alemanha também tomou os novos países “democráticos” do Leste a seu cargo, em particular a Polónia. Em parte o sucesso e o vigor da Alemanha deve-se a uma relação de mútuas vantagens com a Rússia, que fornecia a energia para a Alemanha a baixo custo e também matérias-primas essenciais, materiais ferrosos e cereais. A Alemanha é (era) o maior parceiro da UE com a Rússia (o maior investidor), a Rússia fornecia 41% do gás e 34% do petróleo. O novo gasoduto Nordstream permitiria a Alemanha importar gás da Rússia sem passar pela Ucrânia, nem pela Polónia, nem pelos Estados Bálticos (curiosamente os mais agressivos contra a Rússia).

A guerra da Ucrânia destruiu esta estratégia alemã e russa de criar um novo espaço económico e político no centro da Europa, entre a China e os Estados Unidos. Só motivos exteriores muito fortes podem justificar a intervenção — a invasão — da Rússia na Ucrânia e a morte no ovo desta nova entidade. Esta guerra só aproveita aos Estados Unidos e, por tabela, à China. Cherchez la femme.

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“Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” | Papa Francisco

Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!

(Papa Francisco)

Putin disse a Scholz e Macron que a Rússia está pronta para retomar o diálogo com Kiev, mas lembrou que o fornecimento de mais armas ocidentais à Ucrânia pode desencadear uma escalada na guerra.

© Aleksey Nikolskiy/serviço de imprensa do presidente russo/TASS | MOSCOVO, 28 de maio

O presidente russo, Vladimir Putin, em conversa telefónica com seu colega francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz, confirmou que Moscovo está pronta para continuar as negociações de paz com Kiev, disse o serviço de imprensa do Kremlin neste sábado.

” Vladimir Putin confirmou que a Rússia está aberta a retomar o diálogo”, disse o comunicado. Putin, enfatizou no entanto o perigo de fornecer ainda mais armas ocidentais à Ucrânia, alertando para os riscos de mais desestabilização da situação e agravamento da crise humanitária”.

Problemas com alimentos

Problemas com o abastecimento de alimentos foram causados ​​por sanções anti-Rússia e outros erros do Ocidente, disse o presidente russo no decorrer da conversa telefónica.

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EXTINÇÃO do Acto Fundador Otan-Rússia, assinado em 27 de maio de 1997 | Guerra da Ucrânia expõe reversão de caminho que acordo entre Rússia e Otan desenhou há 25 anos. Pacto eliminou vestígios da Guerra Fria e mirava aproximação de Moscovo e Ocidente, mas foi sepultado.

Renan Marra | SÃO PAULO

Os então presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin, de EUA e Rússia, em reunião sobre a Otan em Helsinque, na Finlândia – Alexander Tchumitchev – 21.mar.1997/TASS/Reuters

“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton.

“São novos tempos”, declarava Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, no dia da assinatura do primeiro acordo de cooperação econômica e militar depois da Guerra Fria entre a Rússia e a Otan, hoje em lados opostos na Guerra da Ucrânia.

O pacto, à época inesperado, foi chamado de Acto Fundador Otan-Rússia e assinado em 27 de maio de 1997, há 25 anos, eliminando formalmente os últimos vestígios da Guerra Fria oito anos depois da queda do Muro de Berlim.

Boris Ieltsin, na Presidência da Rússia, celebrou a aproximação com o Ocidente declarando que os mísseis nucleares de seu país —hoje trazidos à baila por figuras do regime de Vladimir Putin— não estariam mais direcionados para alvos de membros da Otan. A aliança militar liderada pelos EUA, por outro lado, comprometia-se a consultar Moscou na tomada de decisões e a não deslocar um grande contingente militar e armamentos nucleares para as fronteiras russas.

“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton sobre o acordo, em termos que hoje, à luz de declarações de Putin, soam deslocados. Anos antes, a aliança militar também teria se comprometido a não interferir no poderio nuclear russo nem se expandir para o Leste Europeu, onde estão ex-repúblicas soviéticas.

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Jean-Luc Godard commente l’intervention de Zelensky à Cannes | par Silvia Cattori

par Silvia Cattori.

Être ukrainien ne devrait pas autoriser la négation de la culture russe. Nous avons été choqués par l’intolérance sectaire des représentants du cinéma ukrainien exigeant l’exclusion de toute personnalité russe du festival de Cannes et s’opposant à la présence du réalisateur russe Kirill Serebrennikov en compétition. 

Seul le coup de gueule de Jean-Luc Godard s’est élevé face à ces vents mauvais :

« L’intervention de Zelensky au festival cannois va de soi si vous regardez ça sous l’angle de ce qu’on appelle « la mise en scène » : un mauvais acteur, un comédien professionnel, sous l’œil d’autres professionnels de leurs propres professions.

Je crois que j’avais dû dire quelque chose dans ce sens il y a longtemps. Il aura donc fallu la mise en scène d’une énième guerre mondiale et la menace d’une autre catastrophe pour qu’on sache que Cannes est un outil de propagande comme un autre. Ils propagent l’esthétique occidentale, quoi…

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Estados Unidos retomam contactos militares com Rússia para evitar escalada | Que curioso! Muito!

Milley fez a revelação durante uma conferência de imprensa conjunta com o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, após uma reunião virtual com autoridades de 47 países aliados, para discutir a assistência militar à Ucrânia.

O general explicou que tanto ele como o chefe do Pentágono estão focados em controlar riscos e em evitar uma possível escalada com a Rússia, nomeadamente através da retoma de “comunicações a nível militar”, incluindo telefonemas com altos responsáveis militares russos.

O chefe do Estado-Maior dos EUA indicou que este é um passo “significativo” e que “vale a pena”, sublinhando que o seu país continua “comprometido” no seu apoio à Ucrânia.

Washington tem apoiado Kiev com assistência militar e humanitária para combater a invasão russa iniciada em 24 de fevereiro.

Portugal é um país endividado e deve ter prudência orçamental, diz Dombrovskis

Bruxelas, 23 mai 2022 (Lusa) – O vice-presidente executivo da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis defendeu hoje que, como Portugal é um “país muito endividado”, deve ter uma “política orçamental prudente”, com limite das despesas correntes, e investimentos na área da energia.

“Portugal é um país muito endividado e, por isso, a nossa recomendação é a de assegurar uma política orçamental prudente, em particular limitando o crescimento das despesas correntes financiadas a nível nacional abaixo do crescimento potencial do PIB a médio prazo”, afirmou Valdis Dombrovskis.

Em entrevista a um pequeno grupo de meios europeus em Bruxelas, incluindo a Agência Lusa, o responsável no executivo comunitário pela pasta de “Uma economia que funciona para as pessoas” acrescentou que isto é algo que a Comissão “já assinalou anteriormente”.

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Questão aos Sábios “Donos Disto Tudo | DDTs”

Dizem os sábios : todos os países têm direito a escolher as ligações/alianças/organizações a que querem pertencer.

Pois bem, entretanto, um país que queira entrar na NATO ou mesmo na UE tem de ser aceite por unanimidade.

Basta um membro dizer NÃO, para que esse suposto direito automático se NÃO aplique.

Mas, se for um vizinho, que irá eventualmente ficar com armas nucleares apontadas para si, logo ali pertinho, não poderá opor-se e tem de aceitar.

CAROS SÁBIOS, podem explicar DEVAGARINHO para nós entendermos bem ? – é que estamos mesmo confusos – o mundo está à beira de uma guerra nuclear, e nós, “povinho”, estamos nas mãos de alguns sábios “DONOS disto TUDO”, que tudo impõem, tudo comandam e tudo decidem, sempre ao lado do CMI (complexo militar industrial).

Observação: DONOS disto TUDO = DDTs

Desenho na prisão | Álvaro Cunhal 1953/1961

A tentativa dos países da UE de rejeitar os produtos energéticos russos é “suicídio económico”, disse o presidente russo, Vladimir Putin.

Humanismo | Cosmopolitismo | Globalismo »»» custará assim tanto aderirmos a estas três premissas? Será que a Humanidade não tem, de todo, inteligência e vontade para promover a paz? PORQUÊ? (vcs)

A tentativa dos países da UE de rejeitar os produtos energéticos russos é “suicídio económico”, disse o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma reunião sobre o desenvolvimento da indústria petrolífera. Segundo ele, Bruxelas está tomando decisões politicamente motivadas que, acima de tudo, prejudicam a própria economia da UE.

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O PCP | Francisco Seixas da Costa

Face ao policiamento pidesco em curso, imagino que alguns achassem que eu deveria começar este texto por um qualquer “disclaimer” preventivo – falando da Ucrânia, de não ser comunista e coisas assim. Mas, deliberadamente, não o farei, porque não tenho de dar a menor satisfação a esse tipo de gente.

Direi apenas que nem sequer atribuo excessiva importância ao que algumas vozes desgarradas andam por aí agora a remoer contra a legitimidade da existência do Partido Comunista Português, na nossa cena política.

Devemos tratar isso como meros roncos de ressonância fascistóide, quer sejam ditos por portugueses ou por estrangeiros, respondendo a todos com um imenso desprezo e sem a menor consideração.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

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O pesadelo da Jugoslávia, 23 anos depois | por Lisa Portugal

O coro hipócrita de muitos dos que agora choram lágrimas de crocodilo pela Ucrânia inclui os agressores da Jugoslávia.  

Alguns que agora se sentem tão chocados por haver “guerra na Europa” operaram ou foram cúmplices na bárbara destruição e desmembramento de um país europeu.  

Um deles é o amnésico António Guterres, então primeiro-ministro do nosso país, responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na «coligação» que bombardeou a República da Jugoslávia. 

A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos da aviação da NATO à Jugoslávia. Durante 78 dias, cumpriram 38 mil missões, das quais 11 mil de bombardeamento, com mais de 23 mil bombas e mísseis. 

Os bombardeamentos da NATO, que se iniciaram sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, lançaram entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um número indeterminado de mortos por cancros causados pelas radiações, e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas. 

Os ataques aéreos deixaram o país em ruínas, com milhares de mortos, incluindo civis, e dezenas de milhar de feridos, para além do desastre ambiental que provocou. 

Em 2019, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve a desfaçatez de afirmar, durante uma conferência com estudantes na Universidade de Belgrado, que os bombardeamentos da Jugoslávia em 1999 foram para «proteger os civis e travar o regime» do então presidente, Slobodan Milosevic. 

Neste ataque, ficou célebre a madrugada do dia 23 de Abril de 1999, quando a NATO bombardeou a sede da Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), em Belgrado, transformado em alvo militar a abater pelo facto de revelar a agressão à Jugoslávia e uma realidade não conforme com a que foi fabricada pelo Ocidente, nomeadamente evidenciando as consequências dos ataques da Aliança Atlântica a pontes, comboios, mercados e fábricas. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, que afirmou recentemente não fazer «qualquer sentido» a guerra na Ucrânia, sublinhando que a operação russa «viola a Carta das Nações Unidas e causará um nível de sofrimento que a Europa não conhece desde pelo menos a crise dos Balcãs dos anos 90», enquanto primeiro-ministro de Portugal foi responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na coligação que bombardeou a República da Jugoslávia, sob a hegemonia da NATO, dos EUA de Bill Clinton e do Reino Unido de Tony Blair. 

Foto: Guerra na Jugoslávia – invadida pelos EUA/NATO 

Retirado do Facebook | Murais de Lisa Portugal e José Luis Roquete

The truth about Neo-Nazis in Ukraine | Aris Roussinos % Freddie Sayers

When Putin launched his invasion of Ukraine it was under the guise of ‘denazifying’ the country. But are there really any Nazis in Ukraine? Or is this just a story spun by the Kremlin? Aris Roussinos joins Freddie Sayers to unpick this contentious topic and seek some insight into Ukraine’s far-Right factions.

// Timecodes // 00:0000:40 – Introduction 00:4002:18 – Does Ukraine have a Nazi problem? 02:1809:39 – The Azov movement & Ukraine’s Far Right 09:3912:28 – Is Ukraine’s hard Right different to other countries? 12:2815:37 – Could Ukraine’s Far Right pose a threat once the war with Russia ends? 15:3716:58 – What is the scale of the problem? 16:5817:13 – Concluding thoughts

Realpolitik | um conceito fora do discurso atual | por Carlos Matos Gomes

Hoje, a propósito da guerra na Ucrânia e perante a ditadura do pensamento único e da opinião instantânea, da técnica do dispare uma condenação antes de pensar, lembrei-me de ir a uma Enciclopédia Britânica que anda aqui por casa e ler o que ali se diz sobre um conceito que desapareceu do discurso da comunicação social: Realpolitik.

Reza a Enciclopédia Britânica (tradução minha): Realpolitik, política baseada em objetivos práticos e não em ideais. A palavra não significa “real” no sentido inglês, mas sim que conota “coisas” — daí uma política de adaptação às “coisas” como elas são. A Realpolitik sugere, assim, uma visão pragmática e objetiva e um desrespeito pelas considerações éticas . Na diplomacia, a Realpolitik é frequentemente associada à busca implacável, embora realista, do interesse nacional.

Pensadores conceituados como Maquiavel e Nietzsche defendem a Realpolitik como um tipo de realismo político segundo o qual as relações de poder tendem a abafar todas as pretensões de fundamentação moral, num tipo de ceticismo moral análogo ao do argumento de Trasímaco na República de Platão. (Trasímaco, personagem de a República, para quem a justiça não é nada mais do que a “conveniência do mais forte”).

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O que há de novo nesta guerra? | por Carlos Matos Gomes

Todas as guerras começam onde a última acabou. Esta invasão da Ucrânia começou com a implosão da URSS e a sua redução a uma potência militarmente vencível e estrategicamente dominável pelos Estados Unidos.

Esta guerra começou quando os Estados Unidos entenderam que chegara a ocasião de fechar o cerco à Rússia e fazer da Ucrânia a sua base avançada no centro da Europa, o mesmo papel que atribuíram a Israel a Sul e aos estados bálticos a norte (agora estendido à Finlândia e à Suécia com uma rápida integração na NATO, a sua aliança militar para a Europa).

A Rússia respondeu com uma ação militar clássica e convencional de objetivos limitados. Uma invasão por 3 eixos, um dirigido do Norte à capital, Kiev, outro no Leste para integrar os territórios fronteiriços e um a Sul para dominar os mares de Azov e Negro.

Até aqui tudo como nos livros da última guerra. Como aconteceu na I Grande Guerra que se previa ser de curta duração, com introdução de um novo fator, a metralhadora, os planos deixaram de ser válidos, as tropas fixaram-se no terreno, em trincheiras. Na II Guerra Mundial o fator novo foi uma má avaliação alemã das capacidades da conjugação de blindados e aviação na planície europeia, que inclui a Ucrânia, e alterou os planos alemães de conquistar a Rússia. Também nesta presente guerra da Ucrânia surgiram fatores novos que a transformaram numa guerra de novo tipo, de resultados imprevisíveis, exceto o de que os povos sofrerão mais e empobrecerão e os ricos enriquecerão.

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O capitalismo privatista a ir-se ! Ir-se-á também este mínimo que é a Democracia Liberal!? | por Joffre António Justino

Deixou de existir a economia privatista capitalista,  e passamos a viver numa economia de capitalismo sob o poder do Estado,  provavelmente a caminho do capitalismo de Estado, nos EUA também

Sabíamos que havia a margem do complexo militar industrial,  que era dominantemente capitalista de estado, sob gestão privatista tal qual a RPChina um país dois sistemas ( lá sob poder comunista cá sob poder privatista por ora), mas agora tudo parece estar a mudar

A presidência Bideniana alargou as  sanções contra duas filhas adultas de Vladimir Putin, dada a nvasão da Ucrânia pela Rússia, argumentando,  sem provas,  sem ação da Justiça,   que estas  familiares escondem a riqueza do Presidente russo,  e mais que em  um comunicado estatal,   também a mulher e a filha do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, e membros o Conselho de Segurança da Rússia, incluindo os antigos líderes russos Dmitry Medvedev e Mikhail Mishustin, serão alvo de sanções.

Assim, os EUA decidiram entrar alargadamente em sanções impostas pelo poder de estado,   também com um  “bloqueio total” às principais instituições financeiras públicas e privadas russas, o Sberbank, que representa quase um terço do espólio bancário do país, e o Alfa Bank, o maior banco privado da Rússia, e informaram que todos os novos investimentos americanos na Rússia estão proibidos.

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Catarina Martins: “A União Europeia e Portugal continuam a proteger” a oligarquia russa | in msn.com

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou a União Europeia e Portugal por continuarem “a proteger” oligarquia russa, um dia depois de Portugal ter expulsado dez diplomatas russos.

“A União Europeia e Portugal continuam a proteger todos os regimes que permitem esconder estas fortunas em offshores e outros. Portanto, há aqui um problema de sanções é que as sanções são afirmadas de voz grossa, mas depois na prática a oligarquia russa continua a ver intocado o seu poder e a sua fortuna à conta de offshores”, sublinhou Catarina Martins na sede do Bloco de Esquerda.

Segundo a líder do BE, o partido está preocupado “que em Portugal o Governo português não seja capaz de dizer quais são os interesses e os bens de oligarcas russos que ficam retidos”. “Todos os relatórios apontam que Portugal tenha também os interesses económicos desses oligarcas”, frisou.

Ministro alemão preocupado com “forte dependência” económica da China | in Lusa e msn.com

O ministro das Finanças alemão manifestou hoje preocupação com a “forte dependência” económica do seu país da China, apelando à diversificação dos parceiros comerciais da Alemanha, num contexto de tensão internacional exacerbada pela guerra na Ucrânia.

“A minha preocupação em relação à situação alemã é que (…) temos uma forte dependência económica da China”, declarou Christian Lindner, dirigente do partido liberal FDP, falando ao jornal Die Zeit.

“Temos de diversificar as nossas relações internacionais, incluindo para as nossas exportações”, acrescentou.

A guerra na Ucrânia expôs também a dependência da Alemanha da Rússia, a quem compra mais de metade do seu gás e uma parte do carvão e do petróleo.

Pequim é, no entanto, o principal parceiro económico da Alemanha, com mais de 245 mil milhões de euros em trocas comerciais entre os dois países em 2021, um número que representa um aumento de 15,1% em relação ao ano anterior.

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Lições antigas para salvar a paz global | por Viriato Soromenho Marques | Opinião/ DN

Entre 1983 e 1985 estudei obsessivamente a possibilidade de uma guerra nuclear na Europa. A crise dos euromísseis – opondo os SS 20 soviéticos aos mísseis de cruzeiro e aos Pershing 2 norte-americanos – reflectia a escalada agressiva dos dois lados da Guerra Fria, podendo resvalar para uma guerra nuclear limitada a um teatro centro-europeu. No Verão de 1983, o tema mais popular nas discotecas alemãs – da autoria de um grupo de rock de Bochum, Geier Sturzflug – intitulava-se “Visite a Europa enquanto ela ainda está de pé”… A recusa da guerra levava milhões de alemães, e outros europeus, à rua, e mesmo em partidos de governo existiam vozes, como a do presidente do estado federado do Sarre, Oskar Lafontaine (do SPD), que colocavam em causa a pertença de Bona à NATO. Em 1985, poucos antes da subida de Gorbachev ao poder, publiquei um livro sobre o que aprendera nessa viagem sobre o universo da guerra no tempo das armas atómicas. A mais importante lição foi a de perceber que a guerra nuclear é uma forma extrema de desmesura. Ela é o modo final e distópico da razão instrumental. Os estrategistas, durante os 40 anos da Guerra Fria, tentaram, em vão, racionalizar aquilo que está no plano da desrazão. A conclusão a que se chegou, a leste e a oeste, foi a de que para evitar a guerra nuclear seria necessário manter canais de diálogo e cooperação com o potencial inimigo, para evitar aquela que seria a última das guerras, pois traria, com a destruição mútua assegurada, o fim da própria civilização. Os sobreviventes amaldiçoariam a sua própria sobrevivência.

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Três personalidades, três discursos e um percurso sinuoso | por Carlos Esperança

Três personalidades, três discursos e um percurso sinuoso.

Coube às três personalidades que ocupam os primeiros lugares na hierarquia do Estado fazerem os discursos que marcaram o início da nova legislatura.

O presidente da AR fez um excelente discurso de Estado, impoluto na forma e cuidado na substância, à altura das funções e do órgão de eleição dos regimes democráticos que, em Portugal, república parlamentar, é perante quem responde o PM. Foi o coroar da sua longa carreira política em simultâneo com a brilhante carreira académica. O seu trajeto está, como o de todas as figuras públicas, sujeito ao escrutínio da opinião pública.

O PR, na tomada de posse do Governo, onde as funções são essencialmente litúrgicas, fez um discurso bonito na forma e intolerável na substância. O PR não é o treinador do Governo nem este responde perante ele. Não é o carcereiro do PM nem o intérprete da vontade popular expressa nas eleições, que só aos partidos representados na AR cabe interpretar. Marcelo julga ter um qualquer direto de pernada que, a existir, terminou na Idade Média. Não está em Moçambique onde, na qualidade de filho de um Ex Grande Régulo, se permitiu recentemente um discurso paternalista. Não estava na Ilha de S. Jorge, como vulcanólogo, a prever a benignidade dos abalos telúricos ou, em frente aos microfones, a comentar o jogo de futebol da Seleção Nacional. O discurso da tomada de posse do Governo teria sido excelente se fosse feito por Rui Rio, se pudesse discursar. O mestre de cerimónias escolheu o sítio errado e o momento inadequado para se empossar como líder da oposição.

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Sobre a China | Em resposta ao António Ribeiro, in Facebook | por Vítor Coelho da Silva

António, vem tarde. A China já domina o Mundo. Repare, hoje houve uma reunião UE/CHINA onde foi declaradamente pedido a este País que ajudasse a conseguir um acordo para a Intervenção Militar Especial da Rússia na Ucrânia. Ou seja, acagaçámo-nos com Vladimir Putin (como refere e muito bem o Zelensky), estamos aflitos sem saber qual a estratégia dele, já todos percebemos que Putin é o melhor estratego de todos, até porque consegue apavorar os 30 líderes da NATO.

Quer queiramos quer não, e apesar de as Fake News divulgarem que ele estará doente, mesmo assim o cagaço persiste. Joe Biden, coitado, anda apavorado, até porque alguém anda a falar em “coisas” esquisitas que a sua família andou e anda a fazer lá pela Ucrânia.

A Rota da Seda é já uma realidade, tem sido muito bem implantada, os países tradicionalmente mais explorados e colonizados por nós (europeus) inclinam-se todos para uma colaboração aberta com a China. A Rússia, com 160 milhões de habitantes e a maior extensão territorial do Mundo, com a sua poderosa cultura, a sua eficácia tecnológica (o primeiro homem no Espaço foi um russo), a sua longa experiência ao longo de séculos e o seu sofrimento nas invasões Napoleónicas e Hitlerianas, junto à própria experiência sofrida do seu marxismo erradamente “implantado” e perdedor, deu-lhe uma resiliência que se tornou em sabedoria para atravessar os maus momentos. Sem nunca desistir, levantando sempre a cabeça.

Tudo isto faz com que a Russia faça parte por direito próprio da Estratégia da Rota da Seda liderada pela China. Como Europeu, não gosto de ver esta doentia divisão entre Europa do Oeste e Europa do Leste, e muito menos gosto de ver o Mundo dividido em três grandes impérios. É errado, do meu ponto de vista, levará a constantes confrontos entre os três Impérios, quando o caminho certo seria um objetivo comum.

Repare que Portugal situado na ponta oeste da Europa, e com o apoio dos dois arquipélagos que tem – Madeira e Açores, será, quer queiramos, quer não, um País vital para a Rota da Seda, com a extraordinária abertura que tem para o Atlântico a Ocidente.

Convinha todos analisarmos o Mundo tal como ele é e, como De Gaulle, termos uma visão global do Destino da Humanidade. Repare como a China há 400 anos já teve uma visão do futuro. Foi capaz de fazer uma concessão de um pequeno terreno a Portugal. Com acordo escrito. Macau foi nossa colónia com o acordo do milenar Império Chinês.

E hoje encontra-se já bem implantado em Portugal, de Norte a Sul, e em empresas e sectores poderosos. Não creio que a solução e o futuro seja entrarmos em choque com este Império. Sugiro que tenhamos a sabedoria de com ele abrir caminhos de futuro para toda a Humanidade.

Um abraço com estima, 🙋

Vítor Coelho da Silva | 1/04/2022

A Paz não vende ? | por Joffre António Justino

É curioso, desde que se sente que a prioridade está nas negociações de paz na Ucrânia (ainda com curtas chamadas de primeira página) a guerra passou para páginas menores dos media e nas têvês, o futebol reganhou o espaço dominante (nem se fala já da estátua da sra de Fátima…).

No entanto no recuo de Zelinsky está o jogo da perda de autonomia da Ucrânia que passa a ser um Protetorado de 9 países, 5 dos quais do Conselho de Segurança da ONU (Rússia incluída), para aceitar não entrar na Nato que na verdade entra pela porta das traseiras com a entrega de armas e gerar a exclusão aérea.

Mais ainda lá se vão a prazo de 15 anos Donetz e Lugansk como já foi a Crimeia enquanto que a guerra continua em Mariupol (desnazificar a Ucrânia enfim).

Como não se sabem os reais objetivos militares da invasão russa, o certo é que Stoltenberg e Biden em particular, deveriam apresentar a demissão dos seus cargos, pois a sua aposta guerreira foi à vida tendo significado somente o desastre ucraniano em vidas e edificado enquanto que a Nato pouco valor mostrou ter (se formou o exército ucraniano o resultado não foi brilhante por muito que se queira dizer o contrário pois a Ucrânia tem uma forte e antiga presença militar no mundo sob formação soviética).

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Ucrânia, Rússia | O Caminho para a Paz | Vítor Coelho da Silva

Joe Biden e seus parceiros da NATO subestimaram o suposto “inimigo”, ou seja, quiseram responder à insistência recente e última de Vladimir Putin de que não admitiria mais países vizinhos com armas nucleares apontadas ao seu País, a Rússia, com uma apressada decisão de integração da Ucrânia na Organização.

No entender de muitos, Vladimir Putin apercebeu-se de que ficaria encurralado, pois que o artº 5 da NATO diz que é uma Organização Militar de Defesa, que responderá se qualquer País da Aliança for atacado.

Situação que, inevitavelmente, levaria à Guerra Nuclear e extinção da Humanidade.

Daí ter decidido avançar para a denominada “Intervenção Militar Especial”, antes da integração da Ucrânia, para evitar o automatismo de uma resposta global da NATO.

De notar que, foi sempre admitido e aceite pelas Duas Potências Nucleares nos acordos sobre armamento que subscreveram, que a única forma de evitar uma guerra atómica seria que o equilíbrio armamentício deveria respeitar a “lei/regra” da Destruição Mútua Assegurada.

Ou seja, em linguagem simples, ambas as Potências Nucleares sempre aceitaram que a única maneira de evitar carregar no Botão, seria a absoluta consciência de que inevitavelmente seria o fim de toda Humanidade.

A evolução havida hoje na reunião de Istambul sob o Patrocínio de Recep Tayyip Erdoğan, é um passo gigantesco para a obtenção da Paz. Oxalá se consubstancie num cessar fogo a curto prazo e num acordo sólido e equilibrado, em que todos saiam vencedores, com vista a uma vizinhança e coabitação pacíficas para sempre, entre a Ucrânia e a Rússia e entre As Europas do Leste e Oeste.

EUROPA DO ATLÂNTICO AOS URAIS | CHARLES DE GAULLE

Vítor Manuel Coelho da Silva,

29/03/2022

Rússia disposta a deixar Ucrânia aderir à UE, caso abdique da NATO | in msn.com/Reuters

Opção/proposta/decisão muito inteligente ; à Rússia interessam vizinhos desenvolvidos, pois será bom para ambos (vcs)

© Reuters – A informação foi avançada no mesmo dia em que as delegações de Moscovo e Kyiv estão reunidas, em Istambul.

Fontes citadas pelo The Financial Times terão dito que a Rússia está disposta a deixar a Ucrânia aderir à União Europeia, caso o país abandone quaisquer eventuais intenções de aderir à NATO.

Apelos quanto a uma eventual “desnazificação” da Ucrânia, que envolveria uma mudança de regime no país, terão também sido deixados de parte enquanto medida a negociar com Kyiv durante as conversações de paz.

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Assim vai a Europa… | Alguns comentários sobre a situação presente | por Carlos Esperança

Enquanto a maior ditadura do mundo, com 140 milhões de habitantes, ganha a guerra na Ucrânia, limitando-se a assistir, a Europa recebe o imperador Biden, que combaterá ao lado de Zelensky até ao último europeu, promovendo a venda de armas do complexo militar-industrial dos EUA e valorizando o gás de xisto e os cereais dos EUA.

Nem sequer os jornalistas lhe censuram a falta de autoridade moral para usar linguagem de almocreve e acicatar a guerra na Europa, destruindo as instituições que genuinamente se batem pela paz, nomeadamente a ONU e o Vaticano, provocando a desorientação dos países e a desordem das consciências, e deixando a fatura para os europeus.

O pensamento único vai regressando à Europa, colocada em estado de estupor, perante a violência da guerra ucraniana, sem estratégia própria, a navegar ao sabor dos interesses geoestratégicos alheios. Putin, que apoiou a extrema-direita europeia, conseguiu destruir a Ucrânia e Rússia, a última à espera de se tornar uma nova Jugoslávia onde o fascismo islâmico se prepara para a desintegrar e criar novos estados fantoches apoiados pelos responsáveis da sua desintegração.

Dizer que nenhuma potência gosta de que lhe ponham mísseis na fronteira, devia ser um truísmo tautologicamente demonstrado, e passou a ser a arma ao serviço do pensamento único, sob meaça de ser um argumento a favor do czar Putin.

A Paz é um mero pretexto retórico para a eliminação do adversário escolhido pela Nato, e o presidente da Ucrânia foi promovido a herói das democracias liberais, mesmo depois de ter proibido os partidos da oposição.

O histerismo com que se veiculam as posições de Zelensky chega ao despautério de exaltar a sua censura ao governo de Portugal por não ser tão belicista quanto desejava, à Nato por ter medo da Rússia e à Europa por não dar pretexto ao holocausto nuclear envolvendo-se diretamente na guerra que procura estender ao Mundo.

A Europa, herdeira do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa, arrisca a desintegração. Os nacionalismos já a corroem, o belicismo dos que não aceitam pagar a fatura da sua imprudência ameaça as instituições democráticas, a extrema-direita anda aí nas ruas, de Lisboa a Kiev, e a Polónia e a Hungria, que tinham suspensos os fundos por desrespeitarem os direitos humanos, já integram o paradigma das futuras democracias, que constroem muros para impedir a entrada de refugiados de tez escura, mas abrem as portas a caucasianos.

Quando aceitamos censura à informação e nos resignamos às verdades únicas, é a ruína dos valores que promovemos, a democracia que pomos em jogo e o futuro coletivo que hipotecamos.

Ninguém se preocupa já com alterações climáticas, com a fome que aumenta em África por cada dia que se prolonga a guerra na Europa, com os refugiados da Síria e do Iémen, com os regimes teocráticos que se multiplicam, com a Turquia na sua deriva islâmica e antidemocrática a forçar a integração na UE, enfim, com a subversão dos valores que nos moldaram e tínhamos por irreversíveis.

O mundo não é a preto e branco e os que resistem são difamados.

Podem calar-nos, mas não nos renderemos.

Carlos Esperança | 27/03/2022

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

Viés de Conformidade Social | Prof. Túlio Vianna (Direito – UFMG)

O viés de conformidade social, também conhecido como “pressão dos pares”, faz com que um indivíduo se conforme com a opinião dominante. Decorre desse medo de sermos mal percebidos se pensamos diferente dos outros e, portanto, nos torna suscetíveis à influência.

Um amanuense perigoso e irresponsável | por Carlos Matos Gomes

Os secretários gerais da NATO são amanuenses bem pagos, políticos em estado de pousio que fazem e dizem o que lhes mandam, como os amanuenses que liam as ordens de serviço nos antigos quartéis. Mas há limites para tudo.

Este amanuense norueguês devia saber o mínimo dos mínimos: uma guerra nuclear não se ganha (Einstein: Não sei como vai ser a III Guerra Mundial, mas a IV vai ser com paus e pedras)

Ora esta insana criatura diz (por conta de quem?) que a Rússia não ganhará uma guerra nuclear, isto quando a doutrina da Organização de que é o amanuense assenta no princípio da destruição mútua e assegurada! (o homem fez provas de admissão? Leu o livro de capas azúis que é distribuído aos funcionários da NATO?)

Acresce que a causus belli da invasão da Rússia é exatamente a de a Rússia, caso os Estados Unidos e o seu anexo NATO instalassem armas nucleares na Ucrânia, ter dificuldade em ripostar contra os EUA e aliados e assegurar a destruição do adversário!

Um tipo como este norueguês não serve nem para porteiro de um bar no Cais do Sodré! Mas garante-nos, perante o abanar de orelhas dos lideres europeus, que a Europa está unida à volta da NATO!

Deve ser por estes animais falarem que Marcelo Rebelo de Sousa vai a Fátima e até eu oiço o papa Francisco.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

O QUE NOS ESPERA | a tragédia económica para todos | in msn.com

Biden acredita que sabe ‘o que vai parar’ Putin

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse, durante uma coletiva de imprensa na sede da Otan em Bruxelas, na Bélgica, que “sanções nunca detêm”, após participar de reuniões de emergência de alto risco com líderes mundiais.

“Senhor, a dissuasão não funcionou. O que o faz pensar que Vladimir Putin mudará de rumo com base na ação que você tomou hoje?” o presidente dos EUA foi perguntado por um repórter.

“Eu não disse isso”, disse Biden. “As sanções nunca impedem. Você continua falando sobre isso. As sanções nunca impedem.”

O presidente continuou: “A manutenção das sanções, o aumento da dor e a demonstração de por que pedi esta reunião da OTAN hoje é para ter certeza de que depois de um mês, vamos sustentar o que estamos fazendo, não apenas no próximo mês ou no mês seguinte, mas pelo resto deste ano inteiro. Isso é o que o impedirá.”

Maduro diz que a Venezuela venceu o bloqueio e merece o Prémio Nobel da Economia | in Lusa

O Presidente Nicolás Maduro voltou a insistir que a Venezuela venceu o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e que o seu Governo merece o Prémio Nobel da Economia pelo modo como enfrentou as sanções internacionais. “Face às sanções, o que fizemos foi erguer-nos, pôr os nossos cérebros de pé, procurar os melhores conselheiros do mundo em economia, em moeda, em finanças, em políticas fiscais e produtivas”, disse.

O Presidente da Venezuela falava à televisão estatal venezuelana, durante a Expo-feira Caprina e Ovina Miranda 2022, no leste de Caracas. “E hoje podemos dizer que merecemos o Prémio Nobel da Economia porque avançámos sozinhos, com a agenda Económica Bolivariana”, sublinhou o governante.

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Le Grand jeu : cette autre Ukraine qui se prépare en mer de Chine… | Observatus Geopoliticus | in YETIBLOG.ORG

Alors que les yeux de la planète sont fixés sur l’Ukraine, l’autre bout de l’échiquier eurasien réunit petit à petit tous les ingrédients d’un futur conflit jumeau. N’acceptant visiblement pas le reflux impérial, la thalassocratie américaine semble en effet décidée à allumer des feux sur tout le pourtour du continent-monde.

Bras de fer en extrême-Orient

Mais avant d’y venir, quelques rappels sont nécessaires. Nous avons expliqué à de multiples reprises que les tensions en Extrême-Orient, coréennes par exemple, n’étaient elles-mêmes qu’un épisode d’un bras de fer bien plus vaste :

C’est de haute géostratégie dont ils s’agit. Nous sommes évidemment en plein Grand jeu, qui voit la tentative de containment du Heartland eurasien par la puissance maritime américaine (…) La guerre froide entre les deux Corées ou entre Pékin et Taïwan sont du pain béni pour Washington, prétexte au maintien des bases américaines dans la région.

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“É preciso ensinar a compreensão humana” | Edgar Morin | in Revista Prosa Verso e Arte

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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Para quem acha que, por mau que seja, só há um culpado | Análise de Jaime Nogueira Pinto in (Observador)

Em 1815, no Congresso de Viena, os vencedores da guerra contra o Império napoleónico tiveram o cuidado de não humilhar a França, de fazer de conta que a Revolução e Napoleão eram os únicos culpados dos 25 anos de guerra na Europa, que esses anos de guerra e sofrimento não tinham nada a ver com o povo francês e que a restauração dos Bourbon curava as feridas passadas.

Cem anos depois, os vencedores da Grande Guerra fizeram do Tratado de Versalhes uma paz punitiva para a Alemanha e para o povo alemão, pondo a primeira pedra para o que seria a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler.

Em 1945, as políticas seguidas com a Alemanha e o Japão vencidos foram diferentes. A Alemanha ficou dividida, mas como a Guerra Fria começou logo a seguir, soviéticos e ocidentais, depois dos primeiros tempos de brutal ocupação, tiveram o cuidado de tratar bem os “seus” alemães.

A vitória do Ocidente na Guerra Fria resultou da aliança de uma tríade – Reagan, Thatcher, João Paulo II – que, alimentando a resistência polaca, rearmando militarmente e usando o bluff da SDI-Guerra das Estrelas, forçou Gorbachev a “reformar” o sistema, retirando-lhe aquilo que o sustentava – o medo.

Assim, as Repúblicas Soviéticas, usando as suas constituições “independentes”, abandonaram uma estrutura que era mantida pela hegemonia do Partido Comunista e pelo sistema securitário. Porém, uma das preocupações nas negociações finais entre americanos e soviéticos foi a salvaguarda de um certo espaço livre entre as fronteiras da NATO e da Rússia.

O Presidente George H. Bush e os seus colaboradores, especialmente o Conselheiro Nacional de Segurança, general Brent Scowcroft, homens de formação realista, avessos a paixões ideológicas e conhecedores da História e da mentalidade russas, prepararam com toda a cautela o soft landing da URSS, percebendo que um Estado com semelhante poder militar e nuclear tinha de ser respeitado e bem tratado para não dar origem a fenómenos de ressentimento nacional de tipo hitleriano.

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O QUE SIGNIFICA DEFENDER A EUROPA? | por Slavoj Žižek | Opinião – DN

Após o ataque russo à Ucrânia, o governo esloveno imediatamente proclamou a sua prontidão para receber milhares de refugiados ucranianos. Como cidadão esloveno, senti-me não só orgulhoso como também envergonhado.

Afinal, quando o Afeganistão caiu para os talibãs há seis meses, esse mesmo governo recusou-se a aceitar refugiados afegãos, argumentando que eles deveriam ficar no seu país e lutar.

E há alguns meses, quando milhares de refugiados – principalmente curdos iraquianos – tentaram entrar na Polónia vindos da Bielorrússia, o governo esloveno, alegando que a Europa estava sob ataque, ofereceu ajuda militar para apoiar o vil esforço da Polónia para os manter afastados.

Em toda a região, surgiram duas espécies de refugiados. Um tweet do governo esloveno em 25 de fevereiro esclareceu a distinção: “Os refugiados da Ucrânia vêm de um ambiente que é no seu sentido cultural, religioso e histórico algo totalmente diferente do ambiente de onde os refugiados do Afeganistão estão a sair”. Após um clamor, o tweet foi rapidamente apagado, mas a verdade obscena foi divulgada: a Europa deve defender-se da não-Europa.

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DEMOCRATAS, MA NON TROPPO… | por Francisco Seixas da Costa

Ontem, o governo ucraniano decidiu proibir 11 (onze) partidos de esquerda da vida política no país.

Lembrei-me de republicar um texto que aqui coloquei há cerca de sete anos, em abril de 2015. O mundo, afinal, muda pouco:

“A decisão ontem anunciada pelas autoridades de Kiev de proibir os símbolos comunistas no país (presumo que com a exceção prática das províncias do Leste) é, com toda a certeza, o primeiro passo para a interdição do próprio Partido Comunista do país. Não me parece que isso seja um bom sinal para a Ucrânia.

Nada, aliás, que seja estranho na antiga União Soviética. Vai para mais de uma década, visitei um determinado país da Ásia Central, integrado numa delegação de cinco embaixadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), idos de Viena. Entre os diversos encontros que nos foram proporcionados na capital do país figurava uma mesa-redonda com representantes dos partidos políticos locais.

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Um texto otimista Russo perante o pessimismo na UE, sobre ela e a Rússia! | por Joffre Antonio Justino e M. K. Bhadrakumar (diplomata indiano)

Estas “guerras económico-financeiras” não serão nada fáceis de conduzir neste contexto de economia de mercado de lógica capitalista privatista mas desta feita o erro virou clamoroso!

Na realidade comecemos pela “visão do mercado” i.e. No caso marketing onde funcionam os textos como os que abaixo replico que se censurados no “lado de cá” alimentam os consumidores do “lado de lá” e vice versa sendo verdade que onde há ouro e diamantes não é o “lado de cá” mas sim o “lado de la” e desaparecida a economia-dólar renasce a economia-ouro onde a Federação Russa tira larga vantagem ( e claro a RPChina) por muitos Amsterdam’s existam no “lado de cá”.

Como não o esqueçamos neste tempo de IA e NT ainda existe a variável energia onde o “lado de lá” bate aos pontos as de natureza escuras economias do “lado de cá” mas deixemos de lado esta realidade por ora mas sendo certo que esta crise transportará para Sul o poder havido até hoje no Norte pois o Sol está mesmo a Sul !

Isto quer dizer somente que vale esperar uma larga injeção de ouro e diamantes no mercado dos “dois lados” por parte da Rússia que reduzirá enormemente o papel do mercado-dólar e o impato das estupidas sanções que na verdade esquecem que a Rússia ( e a RPChina) não são nem Cuba nem a Venezuela e o otimismo esfuziante pro guerra do “lado de cá” chega a ser ridiculo!

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Enquanto se espera pelo fim da guerra e por um acordo de paz! | por António Pinho Vargas

Enquanto se espera pelo fim da guerra e por um acordo de paz! Ao lado de uma condenação firme da invasão da Ucrânia e de uma recusa dos argumentos “sim, mas…” que tentam devolver uma responsabilidade parcial da invasão à Nato e aos EUA – na verdade têm alguma responsabilidade no incêndiar, para simplificar, mas isso, se permite elucidar um contexto ou enquadrar uma história, não pode servir para justificar – António Barreto escreve sobre os “excessos”. Transcrevo esse importante parágrafo:

“Como não podia deixar de ser, em tempos de crise como esta, não faltam os excessos. Do lado ocidental da Europa e do Atlântico, também já começaram a ouvir-se vozes detestáveis e a ver gestos insuportáveis. Proibir Dostoiévsky, Tólstoi, Pushkin, Gogol e Turguêneiev é absolutamente estúpido. Censurar Tchaikovski, Shostakovitch e Prokofiev é ignorante. Proibir as agências de informação e os canais de televisão russos, mesmo os que dependem do Governo (todos…), é evidentemente inadmissível. Sanear diretores de orquestra, cantores, instrumentistas, solistas e coristas [talvez queira dizer coralistas] russos é abdicar dos nossos valores e colocar o ocidente no mesmo plano que o Governo russo. Proibir os russos de passear só por serem russos é tão reaccionário e tão antidemocrático quanto fazem os russos dentro do seu país e se preparam para fazer na Ucrânia.” O que diz está correto, a meu ver.

Mas considerar tudo isto “excessos“ talvez seja insuficiente. Quando afirma, e bem, que proibir, censurar e sanear é “abdicar dos nossos valores e colocar o ocidente no mesmo plano que o Governo russo” uma tal evidência obriga-nos a ir mais longe. O facto de todas estas práticas resultarem de ações de decisores culturais e universidades, revela que “os nossos valores” proclamados não estão tão profundamente inseridos, arreigados, interiorizados, nas sociedades ocidentais como seria suposto. É um sinal preocupante do falhanço desses valores justamente onde eles deviam existir com maior firmeza e convicção.

Retirado do facebook | Mural de António Pinho Vargas

Os militares e a análise da guerra no espaço público | Carlos de Matos Gomes

Esta guerra na Ucrânia é como todas a outras. É um facto político recorrente. Pode ser analisado recorrendo a métodos racionais ou emocionais. Para os militares esta guerra é analisada recorrendo à racionalidade. Qual é o objetivo da guerra: «Destruir o inimigo ou retirar-lhe a vontade de combater» (Clausewitz — A Guerra). Quando uma parte destrói o inimigo a guerra termina com uma rendição; quando uma parte entende que é mais ruinoso jogar no tudo ou nada, que perdeu o ânimo para combater a guerra termina por negociação. 

Os militares reconhecem a ineficácia de insultar os contendores, exceto para os implicados no fragor do combate e da batalha, como escape das ansiedades. Os militares também sabem que a análise de uma guerra não depende da bondade e ou maldade dos propósitos dos contendores, mas do seu potencial, o que inclui equipamento, treino, comando e combatividade. Os militares sabem que o resultado das guerras entre Atenas e Esparta, das invasões romanas, napoleónicas e nazis, a batalha de Trafalgar, ou de Lepanto, a ocupação das Américas e de África não foi determinado pela moral, nem pelos princípios da guerra justa, já de si um conceito bastante difuso, que hoje surge associado a um outro que é o do Direito Internacional, aplicado segundo as conveniências e os preconceitos, de forma amoral, porque hipócrita. 

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Rússia expõe exigências. Erdogan disponível para mediar conversa entre Putin e Zelensky

No telefonema, Vladimir Putin expôs as suas exigências pera retirar as tropas russas da Ucrânia. As imposições enquadram-se em duas categorias.

BBC ouviu Ibrahim Kalin, principal conselheiro e porta-voz do presidente Erdogan. Segundo o assessor, as primeiras quatros exigências não são demasiado difíceis de satisfazer para a Ucrânia. A principal é que a Ucrânia deve ser neutra e não aderir à NATO, algo que o presidente Zelensky já admitiu.

Kiev terá também de passar por um processo de desarmamento para garantir que não será uma ameaça a Moscovo e a língua russa beneficiará de proteção na Ucrânia, tudo isto enquadrado por aquilo que Putin classifica como a desnazificação.

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Consequências económicas das sanções (algumas) | Jorge Figueiredo in resistir.info

Leiam e assustem-se !!! (vcs)

Porque isto é claramente um momento de transição.   Ninguém é capaz de dizer o que tudo isto realmente significa para uma outra geração.   Por outro lado, como antropólogo, não posso ajudar mas vejo este confuso jogo de símbolos como importante em si e por si mesmo, capaz mesmo de desempenhar um papel crucial na manutenção das formas de poder que afirma representar. Em parte, estes sistemas funcionam porque ninguém sabe como eles realmente funcionam.

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Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003 | por Carlos Esperança

Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003

Na tarde de hoje, há 19 anos, na base das Lajes, teve lugar a cimeira da guerra onde, em macabra encenação, foi anunciada a invasão do Iraque.

George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar foram recebidos pelo mordomo luso, que fora a Londres ver as provas das armas químicas de Saddam Hussein, mentira que serviu de pretexto à agressão. Os sinistros cruzados já antes tinham decidido a invasão que ali fingiram acordar. Isso mesmo veio a ser confirmado num relatório parlamentar britânico.

Na Assembleia da República, em Portugal, o PSD e o CDS, então maioritários, votaram a participação no crime. Só não seguiu uma força militar, com desgosto de Paulo Portas, então ministro da Defesa, por oposição do honrado PR, Jorge Sampaio, invocando a sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas. A direita parlamentar e o seu governo avançaram então com um contingente da GNR.

Barroso, esse gigante da ética, videirinho e vil, havia de dizer, muito depois, que teve o apoio do PR, reincidindo em mais uma mentira que apenas reforçou a pusilanimidade do cúmplice.

Hoje, volvidos 19 anos, centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados são as vítimas doe crime cujos autores ficarão impunes.

Então, a Europa herdeira do Iluminismo, a Europa da cultura e das democracias em que me revejo, renunciou ao ideal de paz para ser satélite de interesses alheios e cúmplice de uma invasão idêntica à que ora sofre, por três líderes que a desonraram.

É por isso que a luta contra o esquecimento exige que se recordem os autores amorais da invasão que destruiu um país, destabilizou o Médio Oriente e perturba o Mundo.

Não podemos esquecer.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

“O Ocidente não conseguirá dominar o mundo”, diz Putin | in msn.com

No seu mais recente discurso, o líder russo disse que o Ocidente tem “objetivos geopolíticos que não incluem uma Rússia forte e independente”.

Depois de Zelensky se ter dirigido ao Congresso dos EUA, esta quarta-feira, foi a vez de Vladimir Putin fazer uma intervenção pública.

Numa curta exposição, o presidente russo não mencionou o discurso do presidente Zelensky, onde este repetiu os seus apelos para que os EUA imponham uma zona de exclusão aérea, mas criticou o Ocidente por ter “objetivos geopolíticos que não incluem uma Rússia forte e independente”.

Acrescentou que “o ocidente não conseguirá dominar o mundo” nem realizar a tentativa de “cancelar” a Rússia.

Referiu ainda que “se o Ocidente pensa que a Rússia vai recuar, não entende a Rússia” e disse que não tinha “outra opção para a segurança da Rússia” a não ser realizar o que chamou de “operação militar especial” na Ucrânia. Culpou também o fornecimento de armas dos aliados da NATO de “continuar o derramamento de sangue”.

Por fim, afirmou ainda que as potências ocidentais querem criar uma sociedade  “anti-Rússia” e não se importam com o povo ucraniano, sendo que, para o governante, o principal objetivo das potências “é prejudicar toda a economia russa, cada russo”. 

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/o-ocidente-n%C3%A3o-conseguir%C3%A1-dominar-o-mundo-diz-putin/ar-AAV8QQW?ocid=msedgntp

Un couple de “musiniéristes” fait chanter les plantes | Jean et Frédérique Thoby | France Télévisions . Rédaction . Culture

Vous ne verrez plus les plantes de la même façon quand vous aurez découvert le travail de Jean et Frédérique Thoby. Des “musiniéristes”, comme ils se sont baptisés, qui nous révèlent le chant des glycines, fougères et autres hortensias. Étonnant !  

Stéphane Hilarion | France Télévisions  Rédaction Culture

https://www.francetvinfo.fr/culture/musique/un-couple-de-musinieristes-fait-chanter-les-plantes_3441259.html

A AMEAÇA NUCLEAR ESTÁ DE VOLTA | OPINIÃO/ DN | Mohamed El Baradei

A recente batalha entre tropas russas e forças da defesa civil ucranianas dentro dos limites da central nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, revelou o quão perto o mundo está agora de um pesadelo horrível: um derramamento maciço de radiação.

Zaporizhzhia, a maior instalação nuclear da Europa, abriga seis reatores nucleares e qualquer um deles poderia ter sido comprometido pelos incêndios iniciados durante o bombardeamento russo da instalação e os combates na central. O facto de as chamas se terem extinguido rapidamente é uma prova do profissionalismo e da bravura dos trabalhadores da central. Mas agora, com a interferência de oficiais russos no funcionamento da central, os reatores de Zaporizhzhia continuam em risco.

O mundo teve sorte, como aconteceu com a igualmente perigosa incursão das tropas russas na central fechada de Chernobyl durante os primeiros dias da invasão. No entanto, ainda há mais meia dúzia de reatores nucleares espalhados pela Ucrânia, o que significa que o pior cenário continua a ser uma possibilidade real. A libertação de material radioativo pode tornar inabitáveis ​​centros populacionais inteiros, ameaçando centenas de milhares de pessoas – e não apenas nas imediações.

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Rússia / Ucrânia | “Devem ouvir-se igualmente ambas as partes” | (Demóstones, in Oração da Coroa, 330 a.c.) | por Carlos Esperança

Eu sei que não pode destoar-se da visão radicalizada, convertida em dogma, sem que se afirme primeiro, “condeno veementemente a invasão russa da Ucrânia”, o que faço, uma vez mais, sem constrangimento, mas admira-me que a UE não a tivesse previsto, depois dos antecedentes da Geórgia, da Crimeia e dos reiterados avisos de Putin.

Eu sei que Zelensky, PR da Ucrânia, tem mostrado uma coragem heroica, mas preferia que tivesse tido bom-senso, antes de sugerir, agora, estar disposto a deixar cair a adesão à NATO e a discutir o estatuto da Crimeia, Donetsk e Luhansk.

Eu sei que o PR ucraniano tem procurado estender a guerra a nível mundial para não ser derrotado sozinho, que apelou à declaração de interdição do espaço aéreo ucraniano, o que a Nato tem recusado por saber que, se abater aí o primeiro avião russo, pode iniciar a retaliação de impiedoso Putin com a guerra nuclear e a destruição do Planeta.

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ESTAMOS PRONTOS? – NÃO | por António Ribeiro

Do ponto de vista militar e dos jogos políticos e de confronto militar, os EUA e a NATO parecem-me desta feita um bocado tímidos. E o adjectivo é favor. O que deixa o tabuleiro todo para a Rússia de Putin.

Quando Lavrov diz na Turquia que a Rússia não deseja uma guerra nuclear, ele está implicitamente a ameaçar o Ocidente de que tal hipótese está em cima da mesa do Kremlin.

Quando foi da crise das ogivas nucleares soviéticas em Cuba, Kennedy impôs um bloqueio naval à ilha de Castro. Foi uma jogada de altíssimo risco, mas resultou, Os navios russos não puderam passar com o seu material nuclear a bordo. E Kennedy ganhou o jogo ao bluff comunista.

As actuais elites americanas não têm coragem para tanto. Nem no “no fly zone” sobre os céus da Ucrânia; nem sequer conseguem aceitar que os caças MIG21 polacos possam descolar dos aeroportos militares polacos para patrulharem os céus da Ucrânia.

Essa fraqueza é fatal, porque se Washington não quer ser destruída, o Kremlin tão pouco. Na prática, estamos a ser submetidos a bullying político-militar de uma potência que já não é o que era. Depois deste falhanço, ninguém mais vai confiar no chapéu de chuva americano. Porque não é credível. De facto, “América First”, com Biden ou com Trump (este que aliás tinha telhados de vidro com os russos), significa “a Europa que se lixe e que se desenrasque como puder”.

Retirado do Facebook | Mural de  António Ribeiro

Guerra | Informação | Propaganda | por António Conceição

Na guerra, evidentemente, a informação tem de ser controlada e substituída pela propaganda.

Uma das vertentes essenciais de qualquer guerra é o controle da sua dimensão psicológica (Alberto João Jardim que o diga, porque esteve não sei quantos anos no poder, eleito sempre democraticamente, com o que aprendeu na tropa).

A eficácia da guerra psicológica pressupõe o controle da informação.

Os mecanismos são básicos e há muito conhecidos:

a) multiplicar as representações do inimigo, como animal, para o desumanizar (o lobo, se o inimigo tiver um exército ou um porco, se inimigo for um povo desarmado, como sucedeu com as representações dos judeus no regime nacional socialista);

b) publicar muitas fotografias de crianças a sofrer por causa das bombas do inimigo;

c) publicar outras tantas fotografias dos actos heróicos do amigo, da sua generosidade no tratamento do adversário capturado e do arrependimento deste depois de descobrir a verdade, pedindo muito perdão e apelando aos seus para descobrirem, como ele, que a sua guerra é injusta. E, claro está, proclamar todos os dias em grandes manchetes que os nossos ganham as batalhas todas e o inimigo está de rastos, prestes a render-se incondicionalmente.

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CHINA PRESTA AJUDA HUMANITÁRIA À UCRÂNIA E APELA AO DIÁLOGO PARA RESOLVER O CONFLITO | por Global Times, foto Xinhua

A Cruz Vermelha da China fornecerá um lote de suprimentos humanitários de emergência para a Ucrânia o mais rápido possível, disse o conselheiro de Estado chinês e ministro das Relações Exteriores Wang Yi em uma entrevista coletiva virtual na segunda-feira, à margem da quinta sessão da 13ª Assembleia Popular Nacional. em Pequim.

A situação na Ucrânia se tornou o que é hoje por uma variedade de razões complexas, e o que é necessário para resolver uma questão tão complexa é uma cabeça fria e uma mente racional, não adicionando combustível ao fogo que apenas intensifica a situação, disse Wang à coletiva de imprensa.

“A China acredita que quanto mais tensa a situação, mais importantes são as negociações. Quanto maior o desacordo, maior a necessidade de sentar e negociar”, disse ele.

A China está preparada para continuar desempenhando um papel construtivo para facilitar o diálogo pela paz e trabalhar ao lado da comunidade internacional quando necessário para realizar a mediação necessária, observou Wang.

Retirado do facebook | Mural de Carlos Fino

As emoções não podem tolher-nos o sentido crítico | Ricardo Paes Mamede

As emoções tornam-nos humanos. Permitem-nos sentir indignação e solidariedade. Obrigam-nos a entender o que o governo da Rússia está a fazer na Ucrânia como um crime contra a humanidade e a fazermos chegar das formas que pudermos a nossa solidariedade àqueles que sofrem na pele as consequências desta agressão.

As emoções não podem tolher-nos o sentido crítico. É a razão que nos leva a concluir que a Rússia não tem o direito de violar a lei internacional. Que a propaganda do governo russo sobre a inexistência de uma nação ucraniana não é mais do que isso – propaganda para tentar justificar as atrocidades em curso.

O sentido crítico também nos obriga a perceber que a posição dos EUA e das maiores potências europeias é tudo menos desinteressada e inocente. Que não fizeram o que podiam para evitar o acumular de tensões que tornaram esta agressão inaceitável e ilegal mais justificável aos olhos dos muitos que na Rússia sofrem todos os dias na pele com o autoritarismo do seu governo – e que ainda assim têm relutância em condená-lo pela guerra que está a impor à Ucrânia.

Precisamos de indignação contra o governo russo e solidariedade com o povo ucraniano. Isto não tem de – não pode – impedir-nos de acusar os governos dos EUA e da UE de estarem a aproveitar o clima de indignação e de solidariedade para prosseguir os seus interesses económicos e de afirmação de poder, ainda menos quando isso custa a vida a ainda mais ucranianos e o sofrimento daqueles que na Rússia não são responsáveis pelo que o seu governo autocrático faz.

Nesta como em tantas outras guerras, temos de ser capazes de humanidade sem deixar de pensar pela nossa própria cabeça.

Retirado do Facebook | Mural de  Ricardo Paes Mamede