“AI PORTUGAL, PORTUGAL!” | Francisco Seixas da Costa

Roubei o título a uma canção de Jorge Palma, neste dia de alegria e boa música, com a consciência de que a letra conclui pela questão “… de que é que tu estás à espera?”. A um país fazem falta momentos como estes, uma difusa ideia de que tudo está a correr bem, de que os astros se conjugaram para fazer sorrir as pessoas, de que Portugal está na moda. E, na verdade, está, de uma certa forma, e isso é bom e deve ser aproveitado – no plano material e naquilo que isso possa induzir no bem-estar das pessoas que por cá vivem. Nestes tempos de alguma euforia, parecerá quase sacrílego (e em coro com malévolos e ácidos cultores da desgraça) alertar, conta o vento dominante, dizer que tudo isto são boas ondas passageiras, que a realidade de fundo permanece, neste que é, de há muito, o país mais pobre da Europa ocidental, emissor de gente para o mundo, pela incapacidade de lhe proporcionar futuro onde nasceu. Gozemos bem estes dias, embora o passado nos venha ensinando, desde há séculos, que temos uma endémica incapacidade para sustentar os nossos episódios de sucesso e uma insuperável dificuldade em cavalgá-los para construir um futuro sereno, próspero, que venha a evitar novos ciclos de depressão e angústia, como os que, ainda há pouco, atravessámos. O melhor serviço que poderíamos prestar a nós mesmos, nestes dias de euforia e de otimismo, seria tomar a decisão de nos organizarmos definitivamente para a mudança, para o rigor, para a disciplina, para a não perda de tempo, para a pontualidade, para o respeito pelos outros, para o fim do xicoespertismo, para que esta não fosse mais uma “alegria breve”, para usar o termo cunhado, para outra realidade, por Virgílio Ferreira. Mas, se calhar, se viéssemos um dia a mudar, não seríamos nós, dirão alguns. Provavelmente, é neste eterno ser ou não ser – glórias e derrotas, euforias e depressões, do “agora é que é!” ao “não vale a pena!” – que, afinal, está a graça (e a desgraça) deste país.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

O Papa do exemplo | Daniel de Oliveira in jornal “Expresso”

Não sendo a Igreja Católica uma instituição democrática, o Papa percebeu que a adesão popular à sua liderança era indispensável para reformar e purificar a Igreja. De tal forma que, num tempo de desconfiança nas instituições democráticas, ele consegue concentrar em si a simpatia que falta aos líderes políticos. Fosse Bergoglio um verdadeiro político e poderia ser acusado de “populismo”, como está na moda escrever-se. E será, se isso apenas implicar responder, como é suposto a Igreja fazer, ao sofrimento dos mais pobres e abandonados, não apenas através do trabalho social, mas através de gestos, imagens, símbolos. Este é, sem qualquer dúvida, o seu Papa. A quem oferece o seu exemplo de despojamento e coragem. E a sua mensagem política é radical, como é sempre a mensagem profética. Numa história carregada de contradições, o Papa Francisco escolheu, nas muitas igrejas que há na Igreja, a Igreja libertadora à Igreja castigadora, a Igreja dos pobres à Igreja do poder. Eu, não crente desde sempre e dificilmente convertível, deposito imensa esperança na Igreja do exemplo que este Papa nos promete. Sei que não sou o único. E sei que uma igreja que se quer universal não se dirige apenas aos seus.

Retirado do Facebook | Mural de Daniel de Oliveira

O riso das mães | Miguel Esteves Cardoso in jornal “Público”

A minha mãe está sempre a voltar. Aparece-me mais vezes do que quando estava viva. Sinto-a a rir-se dentro de mim, a desafiar-me a lembrar-me dela: “Diz lá então o que é que diz esta mãe tão chata que não te deixa em paz?”

Antes de morrer ela confidenciou-me “as mães, por muito boas que sejam, acabam sempre por deixar mal os filhos”. Em inglês: they always let you down. Senti-me imediatamente culpado: não estaria ela a falar nos filhos? Não somos nós que as desiludimos, num instantinho?

As mães não nos deixam ficar mal: não nos deixam. Por muito bem que estejamos elas voltam. Até voltam mais quando estamos bem e esquecemos as saudades que temos delas. Voltam para nos fazer rir, voltam para nos mostrar como, voltam para ver as coisas com os olhos delas.

Há um grande amor que se solta quando a presença física desaparece. Há um grande amor que espera por esse vazio para se mostrar. É como a voz dela dentro de mim: só comecei a ouvi-la no silêncio que caiu à minha volta quando ela se foi embora. Durante uns tempos — que nunca mais acabavam — doía-me que eu não pudesse falar com ela. Mas doía-me ainda mais ela não poder falar comigo.

Sim, não posso telefonar-lhe. Mas já não preciso. Ela fala comigo várias vezes por dia. Eu conto à Maria João, tal e qual tivesse acabado de falar com ela. Ela ajuda-me a rir, a perceber, a entregar-me.

As mães só fingem que nos deixam ficar mal. A verdade — que também é triste — é que não nos largam. Porque nós não as deixamos. Nem podemos.

Miguel Esteves Cardoso

https://www.publico.pt/2017/05/07/sociedade/noticia/o-riso-das-maes-1771242

França: o grande perturbador europeu | Carlos Matos Gomes in “Medium.com”

Gostar da França não me impede de ler a sua história sem arrebatamentos e olhar para as suas grandes figuras com a distância a que nos devemos colocar de quem nos vê como alimento, ou como combustível para a fornalha dos seus egos.

Não posso influenciar as eleições francesas, mas as eleições francesas influenciam-me. Os perigos do ricochete conferem-me o direito à opinião. As falsas promessas do nacionalismo francês que estão à venda na segunda volta das eleições francesas constituem a maior ameaça para mim e para a Europa. Isto porque o nacionalismo francês é, tem sido sempre, a causa das grandes catástrofes da Europa.

A França e o nacionalismo francês são o maior perturbador Europeu.

Ao contrário do que a historiografia francesa, os seus brilhantes pensadores têm querido e conseguido impingir como verdade, o principal perturbador europeu é a França e não a Alemanha, ou a Prússia, ou o império austro-húngaro. É por a França ser o trouble maker europeu que as eleições para a presidência da República Francesa são tão importantes para os europeus.

Napoleão, a estrela quase anã do nacionalismo francês, era um oportunista, antes de ser um tático militar, era um videirinho com a única ambição de subir na vida. Escreveu numa carta à irmã: Como o nosso pai se orgulharia do que nós conseguimos! “ Voilá. Rodeou-se de pequenos escroques — que serão os seus generais, os seus marechais. Tipos, como ele, capazes de tudo para se promoverem. O nacionalismo francês tem estas raízes de obscuros trepadores sociais, violentos e sem escrúpulos. A família Le Pen é um típico produto desta França de pequenos negociantes, de pequenos traficantes, de pequenos criminosos. A biografia da maioria dos generais e marechais de Napoleão é a de faquistas de esquina, corruptos como intendentes, corajosos fisicamente quando se trata de salvar a pele, incultos e com fé no chefe, enquanto ele lhes garantir o direito ao saque. A única grandeza dos nacionalistas franceses está nos dourados e nas plumas dos uniformes com que disfarçam a sua cupidez.

Ter um sargento da cavalaria napoleónica arvorado em general, ou marechal, de espada desembainhada e cavalos à carga a dirigir a França não augura nada de bom.

O nacionalismo francês, com estas origens napoleónicas, provocou a guerra contínua na Europa desde 1796, quando Bonaparte marcha para a campanha de Itália, até à derrota em 1815, em Waterloo. Em 1870 nova guerra nacionalista contra os alemães por causa da Alsácia-Lorena (guerra franco-prussiana), depois a I Grande Guerra, a derrota na II Guerra Mundial, a humilhação da Indochina, a arrogância racista que terminou com a derrota na Argélia…

A vitória do nacionalismo francês termina sempre com uma guerra e com uma derrota.

A família Le Pen é herdeira desse negro passado, sempre com o engodo de restituir a grandeza da França, e afirmar a superioridade dos franceses!

Há sempre crentes para estes saldos de promessas! No domingo saberemos quantos!

Carlos Matos Gomes | 1946; militar na reforma, historiador in Medium.com

Vazios europeus | Carlos Matos Gomes in “Incomunidade”

As aldeias abandonadas de Espanha e de Portugal são um dos resultados do vazio do projecto europeu do pós-guerra. São simultaneamente reais e simbólicas. As aldeias vazias do pós-guerra recordam-me o castelo templário do Almourol, isolado e vazio no meio do Tejo, junto a Tancos e à Barquinha onde nasci.

Em Portugal, após o inevitável fim das impossíveis soberanias coloniais – inevitável porque contra a ordem mundial imposta pelos vencedores da II Guerra e impossível porque contra os objectivos finais do colonialismo de lucrar com a exploração barata de matérias-primas e a transformação em produtos de alto valor –, restou um vazio disfarçado com o objectivo nacional da integração europeia. O novo desígnio. A bebedeira foi curta, mas provocou uma ressaca profunda. Hoje vivemos a ressaca do vazio que, por um lado, criámos e, por outro, encontrámos.

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Mas afinal o que assinaram em Roma há 60 anos? | Rui Tavares in “Jornal Público”

A UE é um dos mais livres e iguais espaços de cidadania. Isso já não é coisa pouca e deveria aconselhar-nos a cuidar da sua preservação e aprofundamento.

O atual Tratado da União Europeia foi negociado num convento belga. A primeira versão, que mais tarde seria tantas vezes emendada até ao Tratado de Lisboa, foi terminada no início de 1957. Escolheu-se um local e uma data — Roma, 25 de março — para a sua assinatura por três presidentes e três monarcas dos seis países fundadores da UE.

Tomadas estas decisões, um funcionário da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi metido num comboio a partir do Luxemburgo. Levava com ele o texto do tratado e as máquinas de mimeografia que então se usavam para imprimir as cópias que seriam solenemente assinadas em Itália. Mas quando chegou à fronteira da Suíça este primeiro eurocrata ouviu um barulho na sua carruagem que prenunciava o pior. Sem que ninguém se tivesse lembrado disso, havia então uma lei suíça que determinava que as carruagens de mercadorias e as de passageiros fossem separadas e seguissem caminhos diferentes. O pobre homem lá perdeu um tempo precioso a localizar as máquinas de mimeografia e chegou à capital italiana já muito próximo da data da assinatura do tratado.

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Avec espoir et célébration | Avaaz

Quelque chose de fantastique vient de se produire. Le “Trump” des Pays-Bas, Geert Wilders, vient d’être battu aux élections, alors qu’il était en tête de la course électorale jusqu’au dernier moment!

Wilders avait promis de faire fermer toutes les mosquées, de faire sortir les Pays-Bas de l’Union européenne et d’interdire le Coran. Après Trump et le Brexit, le monde entier avait les yeux rivés sur les Pays-Bas: l’extrême-droite allait-elle poursuivre sa terrifiante trajectoire?

Mais en fin de compte, le peuple néerlandais a voté pour l’espoir au lieu de la haine. La marée de politiques fascisantes commence enfin à refluer! Notre mouvement était au coeur de cet effort: de quelle manière?

20 000 manifestants, 500 km en bus, une vidéo virale visionnée 5 millions de fois, une annonce publicitaire vue par 300 000 personnes, et tout un mouvement uni contre la haine.

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Prémios | Carlos Matos Gomes

Prémios. Por muito que me custe, passo o dia e parte da noite a ouvir notícias sobre os bancos. Notícias de milhões, o BES e grupo de forcados associados torrou 10 mil milhões, o BPN do pobre Oliveira e Costa e família de amigos de Cavaco Silva, de 6 a 8 mil milhões, o BANIF de oque e amigos, um pouco menos, a Caixa um 3 ou 4 mil milhões de imparidades, o Montepio, o BCP, o BPI … Do que oiço e ouvi, todos os conselhos de administração, conselhos fiscais, mesas de assembleias gerais destas e doutras desnatadeiras receberam chorudos prémios de gestão… O Ministério Público não se interessa em saber se foi incompetência ou corrupção, a doutora Cristas, toda bem disposta diz que era de confiar e assinava de cruz, com os pés dentro de água e a pele a luzir de bronzeador. O público, como nas touradas grita Bravo e Olé!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

le désir de quelque chose

Quand un individu rencontre sa moitié, le couple se perd dans un océan d’amour, amitié et intimité… ce sont les personnes qui passent leur vie ensemble ; pourtant, ils ne savent pas expliquer ce qu’ils veulent l’un de l’autre. Car le désir intense que tous deux ont pour l’autre ne semble pas être le désir de l’amour physique, mais le désir de quelque chose que l’âme de tous les deux il souhaite ne peut exprimer.

La fin de l’ivoire | Marigona Uka – Avaaz

Nous sommes sur le point d’éradiquer les éléphants de la surface de la Terre. Leur situation est si grave que certains naissent désormais sans défenses, en un ultime coup de poker au grand jeu de l’évolution pour survivre à la cruauté humaine.

Pour la première fois, la Chine, le plus grand importateur d’ivoire au monde, a annoncé une interdiction de l’ivoire. Aujourd’hui, si nous sommes assez nombreux, nous pouvons amener l’Europe, le premier exportateur mondial, à suivre son exemple!
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Porque o lugar da mulher é na revolução | Carla Manuela Mendes

Não, hoje não é dia para frases lamechas. Não é dia para oferecer flores (podem oferecer noutros dias), não é dia para realçar as mulheres belas, recatadas e do lar. Não é dia de colocar a mulher num pedestal e deixá-la cair no dia seguinte. A emancipação da Mulher não passa por unhas de gel, campanhas de marketing ou oferta de electrodomésticos para proveito dos companheiros ou maridos. Hoje é dia de não deixar cair no esquecimento as lutas travadas pelas mulheres ao longo da História. Hoje é dia de homenagear as mulheres anónimas que, em cenários de guerra, fome, violência, lutam diariamente por um mundo mais justo e igualitário. Hoje é dia de fazer sentir aos homens que temos um percurso comum, somos diferentes mas devemos ter direitos iguais. O dia também é deles porque podem contribuir e juntar-se à nossa luta. O dia também é de alerta para algumas mulheres que, inconscientemente, moldadas por modelos sociais, aceitam e reproduzem cenários machistas. As mulheres sustêm o mundo, sonham-no e constroem-no contra todo o tipo de limitações e condicionamentos. Saibamos honrar a luta das que nos antecederam porque nada é garantido e ainda há muita luta a travar. Saibamos ser orgulhosamente mulheres: inteligentes, sensíveis, lutadoras, sonhadoras, assertivas, conquistadoras. Porque o lugar da mulher é na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Carla Manuela Mendes

o dia da mulher | inês salvador

Fofinhos, talvez dizer-vos que hoje é dia da mulher, não é dia dos namorados, portanto, flores e florzinhas, bombons e pinchavelhos e almocinhos coisinhos… Enfim. Se o dia da mulher tem simbolismo e serventia, não é de certeza a de mais uma xaropada de objetificação do feminino.
Moças, não se passem por tolinhas por um molho de nabiças com pétalas. Amanhã está tudo na mesma, a pilha de roupa continua a ser a mesma para passar a ferro e no fim do mês a folha de ordenado não mente.
Sobre os presentes que se dão às mulheres, que os presentes insistem em ter destinatário no género, lembro-me de um programa que passou na tv há uns anos, em que um casal, cada programa um casal diferente, um homem e uma mulher, duas personalidades conhecidas, seguiam de carro conversando sobre as coisas dos homens e das mulheres e das relações entre eles. Tipicamente, os homens compareciam ao programa com flores para oferecer à mulher. Num dos programas, o casal convidado foi a Julie Sergent e o Otelo Saraiva de Carvalho, e o que o Otelo ofereceu à Julie Sergent foi um saco de alheiras.
Está bem, está bem, o Otelo e blá-blá, mas é nesta e noutras que se vê quem é capaz de alinhar na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Da auto-indulgência | Inês Salvador

Pessoas que não são gordas, estão é fortes, e não é fácil que enfraqueçam, derivado a passar fraqueza, porque são largas de ossos. Homens que não são gordos, têm é barriga… Se tirarem a barriga… Mas não tiram, e assim se mantém infinitamente magros com barriga, a mesma barriga que até já esteve maior, no verão passado, por exemplo, quase a fazer crer que já nem é barriga, mas apenas o umbigo que cresceu em metamorfose definitiva. E quase não comem, não comem nada, toda aquela carga é que se lhes foi colando aos ossos como um injusto bónus desta passagem pelo mundo que é vida.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

O festim | Carlos Matos Gomes

Os bárbaros da bola! Os nazismos (é de nazismo que se trata quando enfrentamos a cultura do ódio, da violência – dos Trumps e das Le Pen, do holandês, ou do hungaro, de que só sei pelos ecos das alarvidades de superioridade da sua raça) tem base de apoio visível e aplaudida. O caso é este, um jogador de futebol, Torres, do Atletico de Madrid sofreu uma falta violenta de um adversário e caiu inanimado no campo do Corunha. Teme-se o pior. A claque do Corunha canta e insulta. O jogador Torres é sujeito a manobras de reanimação que não se sabe se resultam e é retirado do campo. As claques berram.

O árbitro recomeça o jogo – the show must go on – os jogadores arrastam-se até aos 90 minutos. Os treinadores incentivam os jogadores como os donos incentivam os cães de luta. O árbitro entende que o jogador Torres é responsável pela interrupção e prolonga o jogo durante mais 7 minutos (até podia dar-se o feliz acaso de um jogador do Atlético, por qualquer razão emocional dar uma cabeça num adversário! Seria a apoteose.)

O festim continuou. Lembra o jornalista do El Pais: perante a insensatez do árbitro, os jogadores, os dirigentes, os treinadores, alguém com alguma higiene mental podiam ter mandado colocar a bola no centro do campo e esperar que o homem do apito apitasse, tivesse um reflexo de sensatez. Nada. A matilha tinha os focinhos no sangue. É esta a base de apoio do que por aí anda a levantar muros…

mexico

Fronteira dos EUA com o México

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

India considers the adoption of Universal Basic Income | Arlindo L. Oliveira in “Digital Minds”

arlindo oliveiraA recent article published in The Economist reports that India is considering the adoption of a Universal Basic Income (UBI) scheme to replace a myriad of existing welfare systems.

Unlike the discussions that are taking place in other countries, this discussion about Universal Basic Income is not motivated by advances in technology and the fear of massive unemployment. The main aim of such a measure would be to replace many existing welfare mechanisms that are expensive, ineffective, and misused.

The scheme would provide every single citizen with a guaranteed basic income of 9 dollars a month ( hardly a vast sum ) and would cost between 6 and 7% of GDP. The 950 existing welfare schemes cost about 5% of GDP. Such a large scale experiment would, at least, contribute to make clear the advantages and disadvantages of UBI as a way to make sure every human being has a minimum wage, independent of any other considerations or the existence of jobs.

Photo by Amal Mongia, available at Multimedia Commons.

Photo by Amal Mongia, available at Multimedia Commons.

https://digitalminds2016.wordpress.com/2017/02/05/india-considers-the-adoption-of-universal-basic-income/

Abnegação | Joaquim António Ramos

quitoOra aí está! Isto é que é abnegação! Isto é que é caridade cristã!
Cinco refugiados líbios encontraram refúgio num Convento do centro de Itália, em Junho do ano passado. As noviças decidiram, num gesto pleno de fraternidade e solidariedade, tomar nas suas mãos – e parece que em outras partes da respectiva anatomia – a satisfação das necessidades dos jovens magrebinos, fugidos da fome e da miséria e das tempestades mediterrânicas. Lavaram-nos, vestiram-nos, alimentaram-nos e, na ausência da madre superior, aplacaram-lhes os ardores do sangue.
A notícia não é clara quanto à Ordem das freiras, mas eu estou em crer que podia ser Carmelitas descalças, daquelas que trajam quase andrajos e andam de pés nus, em sinal de pobreza e despojo. Ora, ver um pé nu é, para um seguidor de Maomé o mesmo que ver um seio ou uma coxa ao natural. Faz o mesmo efeito! Como é que os desgraçados, com os últimos meses vividos entre uma barcaça no Mediterrâneo e um Convento em Itália, sem fêmea disponível, podiam resistir a um bando de pés nus, frescos em flor, a correr pelos claustros do convento, ainda por cima com a Madre Superiora a dormir fora? Só podia dar nisso.

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Uma revolução na educação | Arlindo L. Oliveira, Presidente do Instituto Superior Técnico | in Jornal “Público”

arlindo oliveiraDe acordo com uma estimativa muito divulgada, 2/3 dos alunos que agora iniciam a sua formação escolar irão trabalhar em profissões que ainda não existem.

O desenvolvimento da tecnologia, com a primeira e segunda revoluções industriais, criou necessidades de educação que não existiam até então. O rápido crescimento dos sistemas de ensino que acompanhou estas revoluções levou à criação de gerações cada vez mais qualificadas, o que, por seu lado, criou condições para a redistribuição de riqueza que, de outra forma, não existiriam.

Durante os séculos XIX e XX, a educação foi vista como algo que se adquire enquanto se é jovem, sendo o paradigma mais comum a obtenção de um grau, médio ou superior, através da frequência escolar durante um período contínuo e prolongado, antes da entrada no mercado de trabalho. A terceira revolução industrial, com a introdução das tecnologias de comunicação e informação, e o rápido desenvolvimento destas tecnologias, veio colocar em causa este paradigma.

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Historiadores Sem Fronteiras | Erkki Tuomioja, Historiador e ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros finlandês | in jornal “Expresso”

HISTORIADOR E POLÍTICO Tuomioja é um social-democrata e veterano da política finlandesa. Foi ministro por três vezes, duas delas como chefe da diplomacia do seu país.

A propósito de uma visita a Lisboa para um seminário no ISCTE sobre o seu projeto “Historiadores Sem Fronteiras”, o historiador e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros finlandês Erkki Tuomioja falou com o Expresso sobre o papel da História, a “pós-verdade”, a Rússia de Putin, o momento que a Europa atravessa e a nova América, onde “se podia dizer tudo durante a campanha, mesmo que não tivesse nada que ver com a verdade”. “E não podemos ser demasiado sérios a criticar os americanos, porque temos o mesmo fenómeno em muitos países europeus”.

Nascido numa família de políticos, Erkki Tuomioja desde cedo ocupou diversos cargos públicos como membro do partido social-democrata finlandês. Conhecido ativista antiguerra, o jovem que em tempos participou na ocupação de parte da Universidade de Helsínquia em protesto viria mais tarde a ter a seu cargo a pasta dos Negócios Estrangeiros por duas vezes (2000-2007 e 2011-2015). Foi também ministro do Comércio e tem mais de 30 anos de experiência como deputado, cargo que ainda exerce. Para o próprio, o facto de vestir o fato de historiador além do de político não é um problema, já que “História e política sempre estiveram interligadas”, diz. Por isso mesmo, Tuomioja decidiu criar a rede “Historiadores Sem Fronteiras”, fundada em maio de 2016.

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Ignacio Morgado Bernal | Razões científicas para ler mais do que lemos

leituraA leitura, além de melhorar a empatia e o entendimento dos demais, é um dos melhores exercícios possíveis para manter em forma o cérebro e as capacidades mentais

O Brasil tem mais leitores a cada ano. Em 2011, eram 50% da população. Em 2015, eram 56%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Contudo, isso também significa que 44% da população não lê. Ainda pior: 30% nunca comprou um livro. Alguns argumentos científicos, em especial da neurociência, podem ajudar a melhorar esses índices.

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A anti-globalização de Trump | Carlos Matos Gomes

carlosdematosgomesA anti-globalização de Trump. A agressividade é uma das mais vulgares reacções de medo dos animais (incluindo os humanos) às ameaças. Arreganham os dentes, eriçam os pêlos. O slogan de Trump: América primeiro é o reconhecimento da ameaça da globalização que a América impôs. O feitiço voltou-se contra o feiticeiro. O monstro prepara-se para devorar o seu criador. A América está a provar o veneno que obrigou a União Soviética a beber na época de Reagan, fazendo-a esgotar-se em despesas militares. Hoje, são as potências emergentes, em especial a China, e a Alemanha, que mais beneficiam com o mercado global. A América está a perder e defende-se, isola-se e torna-se mais agressiva. Por isso mais perigosa. Os necons do laissez faire laisser passer andam todos a pintar o cabelo de loiro e acarretar tijolos para os muros do antigo mercado livre.
A América impôs a globalização enquanto a liderou e se aproveitou dela. Era uma coisa boa. Agora, que foi ultrapassada, é uma coisa má. O problema é que, tal como as armas nucleares ou a pólvora, não pode ser desinventada… caiu no domínio público e não adianta querer parar o rio agitando os braços ou construindo ridículos muros…
Sintoma da decadência da América e desta via suicida do isolacionismo de Trump é este só ter como aliada os restos de uma potência, a Inglaterra, ainda em estado mais avançado de decomposição. Aguarda-se que, no regresso da viagem de vassalagem, a primeira ministra inglesa anuncie a construção de um muro na fronteira com a Escócia, a pagar pelos escoceses!
A situação é perigosa… estamos no domínio das atitudes irracionais… do coice da mula…

Oleogarquia | a aliança Trump/Putin explicada | João Camargo in Esquerda.net

joaocamargo_0_1O jogo chama-se Oleogarquia – Oiligarchy em inglês – e pode ser jogado online aqui(link is external). É um jogo de 2008, simples e realista: é-se o presidente de uma empresa petrolífera americana no final da 2ª Guerra Mundial e o objectivo é o mais simples de todos: fazer dinheiro através da exploração de petróleo. Há no início 5 locais para possível prospecção e extracção: o Texas sem qualquer restrição, o Iraque que é um país independente e onde portanto não se pode extrair, o Alasca, zona protegida onde é proibido extrair em terra e no mar, a Venezuela em que, apesar de ser um país independente, é possível extrair em terra e no offshore, e a Nigéria onde, também sendo um país independente, é possível explorar petróleo em terra.

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Finland flirts with basic income | Arlindo L. Oliveira in blog “Digital Minds”

arlindo oliveiraIn an experimental trial started January 1st, 2017, Finland started to attribute a basic social income to 2000 unemployed persons. Unlike a standard unemployment income, this subsidy will still be paid even if the recipients find work.finland

Under this scheme, unemployed Finns, with ages in the 25 to 58 range will receive a guaranteed sum of €560, every month, independently of whether they have or find any other income. This value will replace other existing social benefits. A number of articles, including this one, in the Guardian, provide additional information about the scheme.

The move comes on the wake of a promise made by the centre-right government coalition elected in 2015, to run a basic income pilot project. The objective is to address concerns related with the disappearance of jobs caused by technological changes.

Other countries, cities and regions are running tentative experiments in basic income, including the Netherlands, Canada and the city of Livorno, in Italy. However, many concerns remain about whether this mechanism is the right mechanism to address the challenges brought in by the advances of technology.

Photo by Mikko Paananen, available at WikiMedia Commons.

https://digitalminds2016.wordpress.com/2017/01/07/finland-flirts-with-basic-income/

J.L. Pio Abreu: “Elas não encontram homens que lhes despertem a líbido” | In Revista “Sábado”

quedaNeste livro (A Queda dos Machos), em forma de 20 cartas dirigidas às amigas, o psiquiatra de Coimbra diz que dá voz aos homens, enquanto escreve às mulheres, defendendo-os. No entanto, afirma que não promove o machismo – que, aliás, passou a ser uma “palavra proibida” – mas acha que vivemos tempos de um feminismo exacerbado, em que a tendência de acabar com os géneros é absurda. Em A Queda dos Machos, editado pela Dom Quixote, José Luís Pio Abreu convida a reflectir sobre a actual relação dos homens e das mulheres.

Porque é que decidiu escrever este livro assim, em cartas às suas amigas?
Foi talvez a forma mais directa de escrever e também para amenizar um pouco as constatações que faço. Amenizar no sentido de não dizer mal do feminismo. Este é o modo como eu me dirijo às mulheres e tem a ver com o facto de muitas vezes ter de lhes dizer “cuidado com os homens” porque elas não os entendem, não os conhecem e não os tratam bem.

As mulheres não tratam bem os homens?
Em geral, não. Há uma grande diferença de entendimento – é muito difícil para uma mulher compreender um homem, tal como para um homem compreender uma mulher. É um facto antigo. As relações humanas são muito paradoxais, não são simples e muito menos naturais. E posso dizer que quem está em maiores dificuldades são as gerações mais novas.

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A ascensão da nova ignorância | José Pacheco Pereira in “Público”

jpp-200Nada é mais significativo e deprimente do que ver pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel.

Entre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça, tanto mais que o problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas. Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É, repetindo uma fórmula que já usei, como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.

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