Pode um ateu ser admirador do Papa Francisco? | Carlos Esperança

Pope Francis gestures to the crowd as he arrives on November 6, 2013for his general audience in St.-Peter’s square at the Vatican.PINTO/AFP/Getty Images

Parafraseando o Papa, prefiro um católico humanista a um ateu malformado. Prefiro os que defendem os direitos humanos aos que os atropelam, as religiões que defendem a paz às que praticam terrorismo, os líderes que denunciam a exploração dos países africanos, aos que procuram pela força das armas submetê-los, os que levam uma mensagem de paz aos que trazem uma encomenda de armamento.

Francisco está no Congo, onde forças do Estado Islâmico (EI) assassinam e estropiam os cristãos, católicos e protestantes. Já denunciou a apropriação dos seus recursos por países ricos e a violência sectária que atinge o País.

Francisco é um homem corajoso e bom. A crença do idealista e o materialismo do ateu não nos separam, une-nos igual desejo da paz, harmonia e justiça social. Agora que Bento 16 morreu, já debilitado de saúde, passou a ser o único Papa, o Papa a quem este ateu tem a honra de homenagear e desejar sucesso na viagem corajosa ao Congo depois de a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) ter estado à beira de um novo cisma.

A luta entre Bento XVI e Francisco foi a ponta do iceberg que emergiu após o funesto e longo pontificado de JP2, que os corifeus da direita reacionária incensaram, e da continuidade do papa B16, muito mais inteligente e arguto, que o temor da Cúria fez abdicar da tiara sem renunciar às crenças.

O cardeal guineense Robert Sarah, que JP2 nomeou arcebispo aos 34 anos, um clérigo profundamente reacionário, foi apoiado pela ala mais retrógrada dos cardeais para ser o primeiro papa negro, mas um discreto jesuíta atravessou-se nos seus desígnios.

Quem vê a Igreja católica sul-americana, com bispos progressistas, em contraste com o clero espanhol, italiano, húngaro, polaco, austríaco ou francês, percebe que não há só a luta pelo poder, mas um confronto ideológico que passa pela sociedade, onde se jogam posições geoestratégicas e a consolidação da direita neoliberal e fascistoide, que domina os EUA e grassa em numerosos países europeus.

Francisco foi a pomba caída no ninho de falcões que povoavam o Vaticano, e viram o poder esvaziado e as suas posições reacionárias postas em xeque.

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É oficial: estamos em guerra | Miguel Sousa Tavares in Expresso

Ao prestar-se a enviar os Leopard para a Ucrânia — e, logo depois, os F-16 e o mais que Zelensky exigir, até às armas nucleares —, António Costa não pode deixar de estar consciente da contribuição, ainda que relativamente pequena, que Portugal está a dar para a escalada da guerra e a sua continuação sem fim à vista. Assim, é hipócrita queixar-se mais da guerra: podia era meditar no exemplo do seu amigo Lula da Silva, que, solicitado a enviar também tanques para Zelensky, ofereceu-se antes para fazer parte de um grupo para mediar a paz.

« (…) O envio dos tanques Leopard para a Ucrânia representa uma mudança essencial e a dois níveis no papel dos países neutros, embora amigos ou aliados da Ucrânia. Por um lado, não se trata mais de enviar armas para ajudar Kiev a defender-se da invasão russa e a evitar que, como nos contam para adormecermos, depois da Ucrânia, Moscovo venha por aí fora até à foz do Tejo, mas sim de armas ofensivas que permitam a Kiev assegurar a tal vitória que, segundo o secretário da Defesa norte-americano, é o objectivo final da guerra e garantirá que nunca mais a Rússia se atreva a aventuras semelhantes, ainda que provocada. E, por outro lado, não sendo uma decisão colectiva, tomada no âmbito da NATO (o que implicaria o desencadear da Terceira Guerra Mundial), significa apenas uma decisão unilateral de cada país, tomada por vontade própria.

Assim sendo, e juntando os nossos quatro leopardozinhos — dos 37 que temos e dos 12 operacionais — ao contingente de 120 já garantidos a Zelensky, o que Portugal está na iminência de consumar, para todos os efeitos legais e políticos, é uma declaração de guerra à Rússia, através do seu envolvimento directo no conflito. E a seguir aos Leopard, irão talvez os F-16, que Zelensky logo tratou de pedir mal obteve os tanques, naquelas suas emissões televisivas matinais onde todos os dias reclama novas armas que, mais tarde ou mais cedo, lhe são dadas.

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DESABAFOS | Tiago Salazar

A montra das redes sociais permite à grande mole, que não tem acesso à escrita e vox pública (jornais, revistas, livros…), a divulgação das suas dores, revoltas, triunfos, egos, alergias e alegrias. Escrever é uma forma de terapia como dar peidos ao vento, dançar ou dar murros e pontapés num saco ou colchão. Não requer nenhuma espécie de dom ou vocação. Quem relê o que escreve (sem plágio, imitação ou recurso ao pensamento alheio), mesmo de forma atabalhoada, deve rever-se.

É aqui que está a honestidade intelectual. O facto de ter livros publicados e de me conotarem com um escritor (amador), só me obriga a uma maior responsabilidade. Parto do princípio de que vou ser lido com mais atenção (ou maior exigência). A escrita sai como me chegam os pensamentos (e as emoções que nascem dos pensamentos ou os antecedem). Para vir aqui partilhar escritos como este tenho um fundamento: uma vontade de mobilizar o(s) leitor(es) a reler, a guardar, a partilhar, a debater o tema de fundo. Para hoje, o tema de fundo é a mania dos portugueses de viverem acima das possibilidades.

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Quem Ganhará o Futuro? | João Gomes

Demora muito tempo para se perceberem que as classificações, as estatísticas passadas e as previsões futuras da atividade económica das nações ao redor do mundo, projetadas por instituições ocidentais, principalmente como o FMI, o BCE e outras, estão contaminadas e, em alguns casos, são fraudulentas, para dar a impressão errada aos leitores. Isso não é diferente de como o Facebook, as pesquisa do Google, do YouTube, ou o que emite o governo dos EUA e principalmente todos os canais de média, que também projetam as notícias fortemente tendenciosas para adequar as agendas das pessoas que controlam essas instituições.

Recentemente usei algum tempo e esforço para perceber a economia da Rússia e descobrir como é que esse país, não só está a lutar contra o poder coletivo de todas as nações ocidentais mais alguns não-ocidentais (por exemplo, o Japão), sendo que a economia da Rússia é menos de um vigésimo do coletivo ocidental e a guerra moderna é altamente dependente da economia, industrial, base de recursos e detalhes científicos das partes envolvidas. No papel, o ocidente coletivo tem mais de vinte vezes a economia, e uma alta capacidade financeira, social e industrial. A Rússia tem sido frequentemente descrita de forma desprezível como um país que é pouco mais do que uma nação que tem fontes de energia, governado por um ditador déspota.

Se a previsão económica e os cálculos da base industrial estiverem corretos, então, considerando o ataque a todas as frentes, militares, económicos e tudo mais, dirigido contra a Rússia pelos EUA/OTAN, então a Rússia deveria ter sido desmembrada, cortada e devorada um mês após o início das hostilidades. Mas, pelo que parece, o ocidente coletivo está falhando redondamente. Isto é um forte indício de que a projeção ocidental da maioria dos dados, incluindo a economia, é fraudulenta e tem vindo a desinformar as pessoas sobre os factos e a enganá-las no caminho.

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Vadim Kopyl | Cultura lusófona perde um grande amigo na Rússia | por Adelto Gonçalves

Morre em São Petersburgo o professor Vadim Kopyl, diretor do Centro Lusófono Camões, que coordenou a publicação de obras de vários autores portugueses e brasileiros.

I
Vítima de uma bronquite, faleceu, dia 30 de janeiro de 2023, o professor Vadim Kopyl Alekseevich (1941-2023), doutor em Filologia Românica e diretor do Centro Lusófono Camões, da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, de São Petersburgo, entidade voltada para o ensino da Língua Portuguesa e que tem publicado vários livros de autores portugueses e brasileiros em russo. As obras facilitam o aprendizado tanto de alunos russos como de lusófonos, pois trazem uma página em português seguida de outra com o mesmo texto em russo. 
            Criado por empenho do professor Kopyl, o Centro Lusófono Camões foi inaugurado a 16 de junho de 1999, em ato prestigiado pelo embaixador de Portugal, José Luís Gomes, e pela embaixadora do Brasil, Teresa Maria Machado Quintella, e passou a funcionar dentro do campus da Universidade Hertzen, que é formado por vários palácios adaptados às necessidades de ensino, no centro histórico de São Petersburgo.

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O HOMEM QUE SALVOU O MUNDO – Stanislav Petrov | Viriato Soromenho Marques | Opinião/DN

Quase duas gerações depois do fim da guerra-fria, eis-nos de regresso a uma escalada bélica que tem como limite a sombria possibilidade de uma hecatombe nuclear.

Num artigo recente no Financial Times, John Tornhill analisava o debate que está a ser travado nos EUA para dar mais tempo aos decisores que sejam confrontados com um aviso, eventualmente falso, de ataque com mísseis balísticos, de modo a evitar o risco de uma guerra por acidente. Tornhill recordou, a propósito, a decisão do tenente-coronel soviético Stanislav Petrov (1939-2017), que em 26 de setembro de 1983 terá evitado a morte violenta de centenas de milhões de pessoas.

Em 1983 as tensões entre o Ocidente, liderado pelos EUA do vigoroso Reagan, e a URSS do debilitado Yuri Andropov estavam num pico de tensão alarmante.

Como se não bastasse a corrida aos armamentos na Europa – a chamada crise dos euromísseis – a 1 de setembro o voo 007 das Korean Air Lines, depois de ter violado o espaço aéreo soviético, acabou por ser abatido pela aviação de Moscovo. Os erros de navegação do avião civil e a precipitação do piloto do SU-15 transformaram um incidente menor numa tragédia em que pereceram 269 pessoas.

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ESPINOSA E LEIBNIZ | António Borges Coelho

Nas livrarias a 31 de janeiro

ESPINOSA E LEIBNIZ chega na próxima semana às livrarias, editado pela Caminho. Recorde-se que o Historiador António Borges Coelho recebeu recentemente o Prémio Rodrigues Sampaio, da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Sobre o livro
Os filósofos movimentam-se no mundo dos conceitos e das doutrinas. «Complexo de doutrinas universais.» É deste modo que Leibniz caracteriza a Filosofia. Olha as coisas do ângulo da Eternidade e do Todo. E dessas alturas como cantou Lucrécio, como que se apagam o tempo, a mudança, o particular. Certamente também o tempo e a mudança são categorias filosóficas mas despidas já da carga terrena dos acontecimentos, despidos da multiplicidade nunca inteiramente classificável do concreto.
Desculpem-me se abro demasiadamente a porta do concreto, se não consigo, preso pelos singulares da História, passar o umbral da visão subspecie aeternitatis de que falava Espinosa (de seus nomes, Baruch, Beneditus, Bento de Espinosa, Bento de Spinosa, B. de S.), para quem «a liberdade da Filosofia […] não pode ser abolida sem se abolir ao mesmo tempo a paz do Estado e a própria Piedade».

LANÇAMENTO | Livro homenageia sociólogo Henrique Rattner | Autor: Jair Rattner | por Adelto Gonçalves

Obra reconstitui a trajetória de um ex-professor da Universidade de São Paulo que se destacou no estudo da comunidade judaica

SÃO PAULO – Para assinalar a passagem do centenário de nascimento do sociólogo Henrique Rattner (1923-2011), o jornalista Jair Rattner (1960), seu filho, acaba de lançar o livro Sob as asas da fala e da escrita: histórias da vida de Henrique Rattner (Lisboa, edição de autor, 2023), obra que reconstitui a trajetória de um intelectual que marcou sua atuação como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). A cerimônia de lançamento está marcada para o dia 5 de fevereiro, domingo, às 15 horas, no Plenário (salão de reuniões da diretoria), no primeiro andar, no Clube Hebraica, localizado à Rua Hungria, 1000, no bairro de Pinheiros, em São Paulo-SP.
            O lançamento da obra coincide com o dia do nascimento do professor e deverá atrair não só alunos e ex-alunos da USP como jornalistas e intelectuais de todo o País.  Escrito em estilo memorialístico, o livro reconstitui a trajetória de vida do professor, que, nascido em Viena em meio a uma comunidade judaica, imigrou para o Brasil em 1951 e, com muito esforço, chegou ao título de livre-docente na FFLCH/USP, ao mesmo tempo em que atuava como pesquisador e dava aulas de Sociologia na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio  Vargas (FGV), sem deixar de trabalhar, de 1955 a 1967 , no Lar das Crianças, instituição da Congregação Israelita Paulista.

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Poema | Ercília Pollice

O encontro foi marcado numa cafeteria qualquer …

Eu entrei  como alguém que não quer nada, levemente interessada …

Mas seu olhar profundo e seu sorriso quente, me fizeram derreter. Preciso ir, já é hora …

Não se vá agora, tirei a tarde pra ti. Carreguei você  comigo, um amigo …

Eu querendo que visse o meu direito, mas você queria e perscrutava o avesso.

E dessa tarde pra frente, sempre estive transparente pra você.

Ninguém nunca me olhou como você me olha

Ninguém nunca me amou como você me ama,

Ninguém sabe o meu jeito de ser, como você.

E, desde então,

Ninguém mais teve graça …

Só vejo graça em você.

Ercília Pollice

Great arias by Mozart, Léhar, Strauss, Offenbach, Lecocq and Kálmán | Cyrille Dubois & Annette Dasch

Listen to some of the most beloved overtures and arias from famous operas and operettas by Mozart, Léhar, Strauss, Offenbach, Lecocq and Kálmán. This 2017 concert in Paris had the audience literally dancing in the aisles! Featuring the Orchestre de Paris under the baton of Thomas Hengelbrock and vocal performances by soprano Annette Dasch and tenor Cyrille Dubois.

00:00 Intro 00:16 Wolfgang Amadeus Mozart, Overture From the opera “Le nozze di Figaro” 05:24 Franz Léhar, Lippen schweigen From the operetta “Die lustige Witwe” Cyrille Dubois | Tenor Annette Dasch | Soprano 09:51 Johann Strauss, Overture From the operetta “Die Fledermaus” 18:29 Jacques Offenbach, Ballet des mouches: Galop From the operetta “Orpheus in the Underworld” 20:48 Jacques Offenbach, Cest le ciel qui menvoie… ce nest qu’un rêve From the operetta “La belle Hélène” Cyrille Dubois | Tenor Annette Dasch | Soprano 26:41 Jacques Offenbach, Galop infernal From the operetta “Orpheus in the Underworld” 29:10 Charles Lecocq, Ô Paris, gai séjour de plaisir From the operetta “Les cent vierges” Annette Dasch | Soprano 33:47 Johann Strauss, Csárdás From the opera “Ritter Pázmán” 39:03 Emmerich Kálmán, Heut’ Nacht hab’ ich geträumt von dir Form the operetta “Das Veilchen vom Monmartre” Cyrille Dubois | Tenor 41:54 Emmerich Kálmán, Lieber Schatz… Sag ja, mein Lieb, sag ja from the operetta “Gräfin Mariza” Cyrille Dubois | Tenor Annette Dasch | Soprano

Jornada Mundial da Juventude | Câmara de Lisboa

“É muito importante que todos os contribuintes e os munícipes estejam estejam informados”, diz vice-presidente, que explicou os investimentos na JMJ e divulgou 1ª imagem do altar-palco.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, explicou esta quarta-feira o plano de investimentos da autarquia para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2023) e apresentou aos jornalistas a primeira imagem do altar-palco onde o Papa Francisco vai presidir às celebrações finais do evento — uma obra que tem estado envolvida em polémica depois de ter vindo a público a informação de que vai custar 4,2 milhões de euros.  “É muito importante que todos os contribuintes e todos os munícipes estejam a acompanhar, estejam conscientes, estejam informados”, disse o autarca, que procurou esclarecer quais as responsabilidades de cada entidade envolvida na organização do evento.

“Até 2022 não havia nada escrito, nada definido sobre o que era o contributo de cada entidade. Em 2022, depois de um processo de conversações, estabelecemos as bases daquilo que nos é pedido”, acrescentou Anacoreta Correia. “Julgo que a primeira questão é percebermos qual é o papel da CML.”

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À minha mãe | poema de Maria Isabel Fidalgo

Sempre do chão me levantaste

e nas tuas mãos de oração

o terço por mim tanto gastaste

ó minha rosa de linho e de brancura!

Deste-me asas de tule e eu voei

libelinha das brisas inseguras

nos recantos dos frutos e do mar.

Chamo por ti no silêncio desta bruma

e o teu sorriso vem ainda quente

no silêncio do ventre inicial.

Peço-te o aperto dos teus braços

e tu as asas abres das Alturas

  • não chego lá, mãe!

Então, por um milagre qualquer

que desconheço,

me tomas do chão

nas tuas mãos de berço.

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Mif | Antes de mim um verso, Poética Edições

Correntes d’Escritas 2023: a Festa do Livro está de volta à Póvoa de Varzim

CORRENTES D’ESCRITAS 2023: A FESTA DO LIVRO ESTÁ DE VOLTA À PÓVOA DE VARZIM
23 Janeiro, 2023
O Município da Póvoa de Varzim vai promover, entre os dias 14 e 18 de fevereiro, a 24.ª edição do Correntes d’Escritas. O evento foi hoje apresentado pelo Presidente da Câmara Municipal, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Aires Pereira revelou que o Correntes d’Escritas vai trazer à Póvoa de Varzim cerca de uma centena de escritores de 15 nacionalidades e diferentes geografias de línguas hispânicas e portuguesas, sendo 18 os escritores que se estreiam aqui pela primeira vez.De 15 a 18 de fevereiro, serão realizadas 10 mesas na Sala Principal do Cine-Teatro Garrett e no dia 20 teremos mais uma, no Instituto Cervantes, em Lisboa. Todas as mesas têm como tema versos de poemas de Ana Luísa Amaral, uma das presenças assíduas do Encontro que nos deixou, precocemente, no final do ano passado.Nesta edição será ainda homenageado Manuel Rui, a quem é dedicada a 22.ª edição da Revista Correntes d’Escritas. O escritor angolano, de 81 anos, é presença assídua e figura incontornável do encontro desde a sua génese. O lançamento da revista decorrerá, como habitualmente, na Cerimónia de Abertura, a 15 de fevereiro, no Casino da Póvoa, onde é feito o anúncio dos vencedores dos quatro prémios literários. Neste mesmo dia, no Cine-Teatro Garrett, terá lugar a Conferência de Abertura, que será proferida por Manuel Sobrinho Simões, professor catedrático e diretor do Departamento de Patologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, subordinada ao tema “Ciência e Cultura”.De entre os 37 lançamentos de livros, destaque para as edições municipais D’ Escritas 1 Dia II, que resulta da residência realizada por 16 autores em diferentes espaços da nossa cidade em 2020, e Casa Vazia, resultante da experiência de 8 autores, em confinamento, em 2021.Uma vez mais, o Município fará questão que as Correntes Itinerantes percorram várias freguesias do nosso concelho e também marquem presença nas nossas escolas.Desde 2000 que o Correntes d’Escritas se assume como a verdadeira festa do livro, democratizando o acesso à cultura através da participação livre em todas as iniciativas que integram o programa, quer seja nas Mesas, nos lançamentos de livros, nas conversas, nas exposições, no cinema ou nos espetáculos musicais.

https://www.cm-pvarzim.pt/territorio/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2023/dossie-de-comunicacao/

Uma viagem ao plano extraterrestre – Silas Corrêa Leite | por Adelto Gonçalves

Romance infantojuvenil de Silas Corrêa Leite conta a aventura de um jovem marginalizado no mundo da ficção científica

                                                      I
            Em nova experiência no gênero romance infantojuvenil,  Silas Corrêa Leite (1952) apresenta A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (São Paulo, Editora Cajuína, 2021), que conta a trajetória de um adolescente revoltado com a difícil vida que leva numa das zonas periféricas da grande cidade de São Paulo e procura fugir de casa para embrenhar-se no mundo. Abandonado pelos pais, decide largar-se sozinho a pé, com seu skate, pela Serra do Mar em busca das praias do Litoral paulista.
            E, assim, passa a viver uma vida de andarilho e a sobreviver do que a floresta lhe podia oferecer como alimento, ou seja, água, peixes, frutas e animais silvestres, até que, um dia, acaba por descobrir, no meio da mata, um objeto enorme não identificado, a que passa a chamar de A Coisa, ou seja, um aparelho estranho que soltava sons igualmente inidentificáveis, ou seja, provavelmente um veículo extraterrestre.

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Giselle – Diana Vishneva, Mathieu Ganio

For me here, she isn’t a ballerina playing the role of Giselle, she is Giselle!


Paweł Cisowski

What I really love about this performance is the fact Diana Vishneva is still looking so young, so good technically, but at the same time she brings to this role such kind of maturity incomparable to any other ballerinas… That’s why I am always so touched when we can admire ballerinas at her best as an artist, when you look at them and you don’t think about all difficult variations, attitudes, but you enjoy the real character.

For me here, she isn’t a ballerina playing the role of Giselle, she is Giselle! And I really love to see the growth of such a big talent she certainly has been since far 1994 year when performed and won Prix de Lausanne. I miss her so much in this role and I am more than conviced that even nowadays she could manage to perform it with same passion and technically so strong as we can see here.

Adam: Giselle (The Royal Ballet)

Giselle remains one of the most popular Romantic ballets of all time. The story brings together an engaging mix of human passions, supernatural forces, and the transcendent power of self-sacrificing love. The production by Sir Peter Wright catches the atmosphere of this great Romantic ballet, especially in the perfection of its White Act, with ghostly maidens drifting through the forest in spectacular patterns — one of the most famous of any scenes for the corps de ballet. Giselle dances with lightness and fragility, giving the impression of floating through the mist. This is one of The Royal Ballet’s most loved and admired productions, faithful to the spirit of the 1841 original yet always fresh at each revival.

This performance features former Bolshoi star and now Royal Ballet principal Natalia Osipova in a breath-taking interpretation of the title role. Giselle: Natalia Osipova Albrecht: Carlos Acosta Orchestra of the Royal Opera House Choreography Marius Petipa after Jean Coralli and Jules Perrot Conductor Boris Gruzin Recorded live at the Royal Opera House, January 2014

Rússia lamenta “hipocrisia” da UE após críticas a Lavrov | in SIC Notícias

História de Lusa

Em causa estão as críticas do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, ao ministro das Relações Externas da Rússia.

O Ministério das Relações Externas da Rússia lamentou este sábado a “hipocrisia” da União Europeia, após críticas a Lavrov por declarações “antissemitas”.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, criticou o ministro das Relações Externas da Rússia, Sergey Lavrov, que afirmou que a União Europeia formou uma “coligação” ocidental para “resolver a questão russa“, de maneira semelhante à “solução final” de Adolf Hitler para exterminar os judeus.

Borrell disse que estas afirmações somam-se “aos comentários antissemitas proferidos pelo ministro Lavrov“.

Em resposta, a Rússia acusou este sábado Borrell de liderar um exercício de “hipocrisia“, recordando as declarações do chefe da diplomacia da UE, que dividiu o mundo entre “um jardim de flores“, habitado por 1.000 milhões de europeus, e “uma selva que avança sobre este“, referindo-se a Moscovo.

Estas declarações foram realizadas por Borrell em 2022 e mereceram a crítica de países como os Emirados Árabes Unidos.

Scholz e Macron pedem um fortalecimento da “soberania” da União Europeia | História de Lusa | in ECO.pt

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, apelaram hoje ao fortalecimento da “soberania” da União Europeia e da sua capacidade para moldar a ordem internacional, posição defendida na véspera de um Conselho de Ministros franco-alemão.

A UE enfrenta um desafio essencial de “garantir que a Europa se torne ainda mais soberana e tenha capacidades geopolíticas para moldar a ordem internacional”, referiram os dois governantes no diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, antes do 60.º aniversário do Tratado do Eliseu, que será celebrado no domingo com um programa que inclui um conselho de ministros conjunto.

Para Macron e Scholz, a Europa deve investir mais nas suas Forças Armadas e na sua indústria de armamento. “As melhores capacidades europeias e um pilar europeu mais forte dentro da NATO também nos tornam um parceiro mais forte no Atlântico e nos Estados Unidos – mais bem equipados, mais eficientes e mais poderosos”, apontaram.

O tratado com o nome do palácio presidencial francês foi assinado em 22 de janeiro de 1963, em Paris, pelos então chefe de Estado da França, Charles de Gaulle (1890-1970), e de Governo da Alemanha Ocidental, o chanceler Konrad Adenauer (1876-1967). O acordo, considerado como um exemplo de reconciliação entre antigos inimigos, estabeleceu mecanismos de consulta e cooperação em política externa, integração económica e militar, e intercâmbio de formação de estudantes.

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Era tão bom governar sem povo | por Francisco Louçã in Jornal Expresso, 20-01-2023

Dois do poemas mais conhecidos de Bertolt Brecht, que de algum modo resumem as agruras da sua vida, foram dedicados a governantes em momentos cruciais da história. Um deles, da década de 1930, parodia os discursos do governo nazi, abrindo com os seguintes versos: “Todos os dias os ministros dizem ao povo/ Como é difícil governar. Sem os ministros/ O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima”, e sabem como continua. O outro foi escrito duas décadas depois, a propósito da repressão do governo estalinista contra a revolta popular que começou em Berlim-Leste, concluindo que “O povo perdeu a confiança do governo/ E só à custa de esforços redobrados/ Poderá recuperá-la. Mas não seria/ Mais simples para o governo/ Dissolver o povo/ E eleger outro?”. Nos dois casos e em circunstâncias diferentes, os poemas respondem a tiranias. No entanto, há nesta poesia um outro traço comum, para além da sátira do discurso justificativo da prepotência, que é a desconstrução da distância. Em política, e muito atento, Brecht obrava de modo contrário ao que propunha em teatro: no primeiro caso queria denunciar e destruir a opressão baseada na distância do poder, no outro queria criar distância para evitar a identificação alienada dos espetadores com quem representava uma peça que não constituía a realidade. A realidade é suja, o teatro queria ser épico; uma engana, o outro mostra.

O processo de ocultação e de justificação narcísica pelos governantes, em todo o caso, não é uma particularidade da tirania que Brecht combatia nos dois casos. Sob formas variadas, é a própria essência da ocupação do espaço público pelo discurso do poder, ou do seu investimento na criação de um senso comum conformista. A política económica portuguesa e europeia é um exemplo transparente desse modo de dominar.

Masoquismo

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O mundo fragmentado caminha como sonâmbulo para a III Guerra Mundial | Pepe Escobar

As auto-proclamadas “elites” de Davos têm medo. Estão assustadas. Nas reuniões desta semana do Fórum Económico Mundial, o articulador-mor Klaus Schwab – exibindo a sua marca registada de vilão estilo Bond – insistiu reiteradamente acerca de um imperativo categórico: precisamos de “Cooperação num Mundo Fragmentado“.

Se bem que o seu diagnóstico da “mais crítica fragmentação” em que o mundo está agora afundado seja previsivelmente sombrio, Herr Schwab sustenta que “o espírito de Davos é positivo” e que, no final, todos nós poderemos viver felizes numa “economia verde sustentável”.

O que Davos tem conseguido nesta semana é inundar a opinião pública com novos mantras. Há o “O Novo Sistema” que, considerando o fracasso abjeto do Great Reset (Grande Reinicialização), agora assemelha-se a uma atualização apressada do – avariado – sistema operativo atual.

Davos precisa de novo hardware, novas capacidades de programação, até mesmo de um novo vírus. Mas por enquanto tudo o que está disponível é uma “poli-crise”: ou, na linguagem de Davos, um “cluster de riscos globais relacionados com efeitos combinados”.

Em linguagem simples: uma tempestade perfeita

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POEMA DE MARIA EUGÉNIA CUNHAL, DEDICADA A SEU IRMÃO, ÁLVARO CUNHAL

QUANDO VIERES

Encontrarás tudo como quando partiste.

A mãe bordará a um canto da sala

Apenas os cabelos mais brancos

E o olhar mais cansado.

O pai fumará o cigarro depois do jantar

E lerá o jornal.

Quando vieres

Só não encontrarás aquela menina de saias curtas

E cabelos entrançados

Que deixaste um dia.

Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos

Como se te tivessem sempre conhecido.

Quando vieres

nenhum de nós dirá nada

mas a mãe largará o bordado

o pai largará o jornal

as crianças os brinquedos

e abriremos para ti os nossos corações.

Pois quando tu vieres

Não és só tu que vens

É todo um mundo novo que despontará lá fora

Quando vieres.

Maria Eugénia Cunhal, in “Silêncio de Vidro”

Música | Origem do nome das notas

O nome das notas (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) tem a sua origem na música coral medieval. Foi Guido d’Arezzo (992-1050), um monge italiano, que criou este sistema de nomear as notas musicais – o chamado sistema de solmização. Seis das sílabas foram tiradas das primeiras seis frases do texto de um hino a São João Batista, em que cada frase era cantada um grau acima na escala. As frases iniciais do texto, escrito por Paolo Diacono, eram:

Ut queant laxis,

Resonare fibris,

Mira gestorum,

Famuli tuorum,

Solve polluti,

Labii reatum.

Sancte Ioannes

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Os Leopardos de Davos | por Carlos Matos Gomes

O Ocidente reuniu-se em Davos para decidir a emprego dos Carros de Combate (tanks) Leopardo na Ucrânia. O título parece cabalístico, mas não encontrei melhor para resumir o atual estado da guerra que está a decorrer na Ucrânia. Ler as entrelinhas da imprensa internacional ajuda a perceber.

O jornal Le Monde de 18 de Janeiro publicava: “No Forum económico de Davos o fim da mundialização (globalização) está na cabeça de todos. A guerra comercial entre a China e os Estados –Unidos assim como a corrida às subvenções estatais para manter ou recuperar as fábricas (reindustrialização) serão os temas principais da reunião. (Protecionismo liderado pelos Estados Unidos). A mundialização morreu, a livre troca morreu, reconheceu o patrão do fabricante de chips TSMC diante do presidente Biden, e dos patrões da Apple, AMD ou Nvidia, alguns dos seus principais clientes. Biden, ao intensificar a guerra comercial contra a China desencadeada por Trump deu o golpe de misericórdia na globalização, interditando as exportações de tecnologia para a China e despejando torrentes de subsídios do Estado (liberal?) para atrair empresas de regresso à América depois da moda da deslocalização”.

Em conclusão, a verdadeira guerra trava-se entre os Estados Unidos e a China, que já tem um PIB superior. A globalização foi um estratagema para os Estados Unidos imporem a sua supremacia e durou enquanto lhes conveio. Os crentes no neoliberalismo vão ter de se reconverter, virar casacas e cantar loas e salmos ao protecionismo. As Business Scholl, que funcionaram como madrassas do neoliberalismo vão passar a estudar Marx e Keynes, do antecedente proscritos.

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Beethoven | 9ª Sinfonia | Ode a Alegria | Hino oficial da União Européia

Ode à Alegria é uma das canções mais populares do piano. Tornou-se mesmo o hino oficial da União Européia porque celebra a fraternidade e a unidade. Originalmente inspirado no poema de Friedrich Von Schiller An die Freude, escrito em 1785, a quarta parte da Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, transformou o poema em música em 1824.

É urgente o Amor | Eugénio de Andrade | Nascimento 19 de janeiro de 1923

Nasceu há 100 anos, na Póvoa de Atalaia, Fundão, mas radicou-se no Porto onde viveu quase toda a sua vida.

Identificou-se profundamente com a cidade, mas nunca renegou a sua ligação íntima com o mundo rural onde foi criado. Era – É – o poeta do corpo, da terra, do amor.

Apesar de nos ter deixado fisicamente em 2005, mantém, por isso, uma presença indelével.

Obrigado Eugénio de Andrade.

“É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.”

Reirado do Facebook | Mural de Manuel Pizarro

A guerra que a Rússia perdeu em … março de 2022 | por Daniel Vaz de Carvalho | in resistir.info

1 – A guerra psicológica

Em março de 2022, os “comentadores” de serviço explicavam que a Rússia havia perdido a guerra – iniciada um mês antes, além disso tinha ficado sem munições, os soldados sem vontade de lutar, até de falta de alimentos os militares russos padeciam. Estas afirmações foram repetidas mês após mês.

Quem parasse um minuto para pensar, chegaria à conclusão que aparentemente a Rússia era indestrutível e as suas munições inesgotáveis, tal como a vontade de combater dos seus soldados. A semelhança entre os “comentadores” de serviço e papagaios falantes é mera coincidência. Podemos daqui excluir alguns analistas militares que de uma forma geral procuram interpretar o que se passa no terreno.

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Lavrov: Ocidente “proibiu” Zelenskyy de chegar a acordo com a Rússia | História de Nara Madeira in Euronews

O ministro dos negócios estrangeiros da Rússia atacou o apoio do Ocidente a Kiev numa conferência de imprensa, em Moscovo.

Sergey Lavrov afirmou que o seu país foi “forçado” a invadir a Ucrânia devido àquilo a que chamou de “guerra híbrida” do Ocidente contra a Rússia.

“O que está a acontecer agora na Ucrânia é o resultado de muitos anos de preparação pelos Estados Unidos e dos seus aliados para iniciar uma guerra híbrida global contra a federação russa”.

Sergey Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia

Lavrov acrescentava que “ninguém esconde isto”, acrescentando que, “recentemente”, o Presidente croata, Zoran Milanović, afirmou que se trata de “uma guerra da NATO contra a Rússia”, o que o chefe da Diplomacia russa considerava “uma declaração simples e honesta”.

O governante parecia também descartar conversações de paz, dizendo que o Ocidente impediu Kiev de negociar.

“O Ocidente decide em nome da Ucrânia. Foram eles que proibiram Zelenskyy de chegar a um acordo com a Rússia, no final de março do ano passado, quando tal acordo estava pronto. Por isso, o Ocidente decide, e decide pela Ucrânia, sem a Ucrânia”.

Discurso defendido, há muito tempo, pelo presidente russo, Vladimir Putin. O crescente apoio do Ocidente à Ucrânia está a resultar numa retórica do Kremlin cada vez mais dura. A invasão russa da Ucrânia, e de acordo com as Nações Unidas, já matou mais de 7000 civis, os EUA falam em 40 mil.

A NOSSA GUERRA DOS OUTROS | Francisco Seixas da Costa

Amigos estrangeiros não europeus com quem jantei no início desta semana, chegados a Portugal há breves dias, mostravam-se verdadeiramente espantados com a quantidade de tempo que a guerra na Ucrânia ocupa nas nossas televisões. E porque entendem português, notaram também que a nossa comunicação social, de forma clara e sem disfarce, tomou partido nesta guerra, não escondendo estar ao lado da Ucrânia, mantendo, ao mesmo tempo, uma forte acrimónia no tocante à Rússia.

Expliquei-lhes que esse era também, à evidência, um sentimento maioritário no país. Mas também lhe disse que há por cá quem não goste da causa da Ucrânia, quem simpatize com os russos ou, muito simplesmente, esteja sempre do lado contrário àquele em que estão os americanos.

Um deles perguntou-me então se, no passado, em outros grandes conflitos internacionais, sem envolvimento direto de Portugal, o país, mediático e não só, também ficara tão fortemente inclinado para um dos lados. Disse-lhes que, ao que me recordava, nunca tal tinha acontecido em tempo de democracia (o outro não conta para o que aqui conta).

Esta parece ser, de facto, a primeira vez em que os portugueses acabam por fazer sua uma guerra de outros.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

Um livro de pano nas mãos … talvez minha a memória mais antiga | Paulo Dentinho

Os professores são sempre um atelier do futuro

É talvez minha a memória mais antiga, ela com um livro de pano nas mãos, insistindo comigo para tentar ler aquela história para crianças. Era o tempo das primeiras letras, e essa mulher extraordinária procurava trazê-las ao meu conhecimento, enredando ardilosamente a minha curiosidade infantil na trama de uma história de coelhos feitos gente… A minha avó Angelina foi a minha primeira professora. Era então reitora de um liceu de Lisboa, o Rainha Leonor.

Depois, tive muitos outros professores. Alguns foram bons, outros muito bons, houve vários medíocres, um ou outro verdadeiramente mau.

Comigo, para sempre, tenho o Virgilio Ferreira, a Euridice, a Miriam… Afinal, eu sou eles todos, porque todos eles fizeram também de mim o que sou. Foram, para o melhor e para o pior, verdadeiros “andaimes” onde me construí adulto.

Os professores são sempre um atelier do futuro… Não perceber isto é não perceber o seu papel na sociedade, em qualquer sociedade!

A Euridice disse, naquela primeira aula do primeiro ano de Filosofia no liceu de Faro, “o objectivo desta disciplina é chegarem ao fim do ano com muito mais dúvidas do que aquelas que hoje têm”. O jornalista que sou nunca esqueceu essas palavras…

Aquário Vasco da Gama | Dafundo, Algés, Lisboa | por António Saraiva

No Aquário Vasco da Gama, que depende da Marinha Portuguesa, ao contrário do Oceanário e Lisboa, não vão muitos turistas, nacionais ou estrangeiros.

Infelizmente, poucas pessoas sabem a importância que o Aquário Vasco da Gama, pelo imenso trabalho que lá se desenvolve, mesmo com péssimas condições de trabalho e tanques, e equipamento altamente degradado.

É nesse Aquário que se reproduzem, em tanques adequados, mas a necessitar com urgência de obras de manutenção, muitas espécies de peixes, que depois são colocados nos rios portugueses, entre muitos outros os endémicos ruivacos do Oeste.

Compreendo que, no Planetário, tenham efectuado obras profundas e de elevado custo monetário, não só porque a ciência avançou mas também porque, para a Marinha, que gere o Museus da Marinha, o Aquário Vasco da Gama e o Planetário, são, em parte sustentados pelos dinheiros pagos pelos turistas.

Deve por estar velho e caduco, mas já nasci velho porque ao longo dos meus 79 anos, houve sempre muitas coisas que nunca entendi.

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Rússia vai pôr militares em regiões anexadas e perto da Finlândia | História de Patrícia Cunha in LUSA

Moscovo, 17 jan 2023 (Lusa) – O ministro da Defesa da Rússia anunciou hoje um aumento do número de militares para 1,5 milhões, a criação de uma unidade do exército na fronteira com a Finlândia e agrupamentos nas regiões ucranianas anexadas.

“O Presidente russo, Vladimir Putin, decidiu aumentar o número de efetivos das forças armadas para 1,5 milhões de militares”, afirmou Sergei Shoigu, numa reunião do seu ministério, alegando que “só é possível garantir a segurança militar do Estado e proteger novas entidades federadas e instalações críticas se se fortalecer as principais componentes estruturais das forças armadas”.

Segundo a agência oficial russa TASS, as forças armadas russas contam atualmente com dois milhões de efetivos, dos quais 1.150.628 são militares.

O número de militares aumentou depois da entrada em vigor de um decreto de Vladimir Putin, a 01 de janeiro, que obrigou 137.000 pessoas a incorporar as forças armadas.

Shoigu sublinhou que vão acontecer, entre 2023 e 2026, “mudanças de grande escala na composição das forças armadas, [com] um aumento do número de militares e uma alteração na divisão militar-administrativa da Rússia”.

Estas mudanças implicam a criação de dois novos distritos militares, em Moscovo e em Leninegrado, e de grupos de forças armadas nos territórios das “novas entidades constituintes” da Rússia, ou seja, nas regiões ucranianas de Kherson, Zaporijia, Donetsk e Lugansk, anexadas em setembro, adiantou o ministro.

FOTO: Russian Government meeting© Fornecido por Lusa

Messi ou Maradona: Lionel Scaloni elege o melhor

Entrevistado pela estação de rádio espanhola COPE, o treinador argentino Lionel Scaloni escolheu o melhor entre Lionel Messi e Diego Armando Maradona: “Se eu tivesse de escolher um entre estes dois seria Leo. Tenho uma ligação especial com ele. Ele é o melhor jogador de todos os tempos, embora Maradona também fosse obviamente fantástico.”

Para marcar os 40 anos da geração do mimeógrafo | por Adelto Gonçalves

Coletânea reconstitui os primeiros passos da criação do grupo Picaré e traz depoimentos e poemas dos participantes

I
            Para assinalar a passagem da quarta década da aparição de um movimento literário e artístico que marcou época não apenas no Litoral paulista mas em boa parte do Estado e até do País, o poeta Raul Christiano organizou a Coletânea Picaré – 40 anos de Poesia & Artes (Santos, Realejo Livros, 2022), que, além de uma longa introdução que contextualiza o surgimento daquele grupo, traz depoimentos e peças poéticas de 38 dos 57 ativistas que fizeram parte daquela multiação literária.
Ativista cultural, Christiano foi, em 1979, ao lado de Rafael Marques Ferreira, à época recém-ingressados na Faculdade de Comunicação (Facos) da Universidade Católica de Santos (UniSantos), um dos fundadores do grupo Picaré, que encerrou suas atividades em 1983, e um dos participantes ativos das chamadas gerações do mimeógrafo e da poesia marginal nos anos 1970 e 1980.
            Como observa Christiano na introdução, o movimento Picaré tentou romper com o academicismo, sem deixar de manter uma política de boa vizinhança com escritores e entidades literárias já estabelecidas. Não se pode esquecer que, à época, o Brasil vivia sob os rigores de uma ditadura militar (1964-1985), marcada pela repressão às liberdades democráticas, com censura, perseguição política, torturas e mortes, inclusive com a presença disfarçada de agentes dos órgãos repressores nas salas de aulas da Facos. Mas, ao mesmo tempo, aquela seria uma época de muit a curtição e desbunde, especialmente em São Paulo, a partir da ação de jovens que fizeram das pichações e grafites o espaço para as suas manifestações artísticas e políticas.

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ARTURO PÉREZ-REVERTE | Estão a apagar a História dos planos curriculares dos jovens

“O problema que há hoje na Europa, em Espanha e em Portugal é que estão a apagar a História dos planos curriculares dos jovens, e estes crescem sem saber História. Se não se conhece a História, não se tem ferramentas para se conhecer o presente. Somos o que somos porque fomos o que fomos no passado, e Espanha e Portugal não se explicam sem todos esses séculos de memória. Não ensinar a História aos jovens, não os levar a museus onde vejam quadros, a origem de onde tudo vem, é condená-los à orfandade, e, quando alguém é órfão, qualquer um pode dizer que é seu pai, é esse o perigo. Um órfão é muito manipulável. Estamos a criar gerações de órfãos, e isso é muito triste e muito perigoso.”

MOZART’S LETTERS

* Mozart wrote nearly 650 compositions – According to Kochel’s counting ( 1863 ) REQUIEM IN D Minor is the 626 piece Mozart composed.

* Over and above this activity he also found time to pen more than 1200 letters, making him one of the most prolific writers of his era.

Numerous love letters to his wife Constanze, his father Leopold, his sister Nannerl, his friend composer Joseph Haydn …, have come down to us.

– He loved to play with words, not only in his native German but in French and occasionally Italian as well.

Mozart wielded words as easily as he did musical notes.

Sometimes he played with the words themselves. For example, he often jokingly signed letters Trazom Gnagflow, his name in retrograde.

– Mozart’s letters show he knew his worth as a musical genius even though he always came up empty handed i job hunts:

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Deunice Maria Andrade | Gigantes de nós mesmos

Perséfone Diana

Plantar a cântaros

amiúde renovar a terra,

esvaziar a sobra

purificar recantos,

expatriar o nativo bárbaro.

Colher a palavra grave,

pausar o silêncio,

cantar a brandura,

ouvir a paroxítona,

entender o teor enclaustrado.

Retorquido e vencido,

acabara a fala.

O filho da palavra despido,

abandonado de pé, erguido…

O livro aberto o colóquio mudo.

Aquebrantado, vazio de tudo,

dor lancinante que sangra.

Roga ao mestre,

que devolva-lhe a língua.

Bebe-se do fel, fugitivo do mundo.

Dois cântaros, duas celas

a visão aponta pequeno consenso.

A sobriedade em seu íntimo calado…

O intelecto mostra a união a todos.

O deus da noite e do dia…

Mais limpo do que o cântaro lavado

do que a cela limpa…

O espaço não inibe a ação dos atos…

A mudez está na acomodação.

A constante violência

aniquilando o nosso “eu pequeno”…

Fará nascer a cada despedida um nascimento

gigantes,de nós mesmos.

Mata-se ódio…

Mata-se o preconceito…

Mata-se a ignorância…

Nascentes de palavras

brotam-se pela boca,

fazendo redemoinhos somos a renúncia solitária.

Em celeiros o feno armazenado…

É a parábola que alimenta o homem.

Viventes as palavras sobrevivem

a longitude das heras.

Não matará a construção das letras…

Tempo que nos leva, que nos mata…

No seu inverso só aumenta o universo,

da mente sã, sem clausura

que aprendeu a gritar com o monge do tempo.

O povo português na arte de Álvaro Cunhal | in vermelho.org.br | por Cezar Xavier

Faz 17 anos que perdemos o revolucionário Álvaro Cunhal. Além de seu legado no coração do povo português, seu humanismo estético está na arte deixada para apreciação. 14/06/2022

Faz 17 anos que o mundo perdeu Álvaro Cunhal, em 13 de junho de 2005. Ainda que um gigante revolucionário do povo português, Cunhal também era um poeta, sempre refletindo sobre arte, mesmo no cárcere, onde não deixou de expressar-se por meio de desenhos. Desta forma, olhar para seus sinuosos desenhos dramáticos e sombrios, retratando seu Portugal sob a ditadura de Salazar, é uma forma de evocar sua luta. Mesmo na escuridão da prisão, enxergava a realidade de seu povo melhor que aqueles que estavam fora dela. A liberdade nem sempre está na possibilidade de ir e vir.

Dez anos sem a presença inspiradora de Álvaro Cunhal

O amigo e camarada Rogério Ribeiro relata de quando acompanhou-o em viagens na apresentação do seu livro A arte, o artista e a sociedade. “Era comovente ver o seu entusiasmo quando propunha à plateia que ouvisse um pequeno trecho gravado. Uma voz feminina, cantando, elevava-se como uma lâmina aguda ganhando o silêncio da sala, numa breve melodia de rara beleza pela extensão e pela qualidade e timbre da voz. Depois perguntava: Sabem o que ouviram? Não é uma diva, é uma camponesa de Trás-os-Montes num canto de trabalho”.

Álvaro Cunhal, uma vida de luta pela liberdade e o socialismo

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Actriz | Jane Russel

Ernestine Jane Geraldine Russell (21 de junho de 1921 – 28 de fevereiro de 2011) foi uma atriz, cantora e modelo norte-americana. Ela foi um dos principais símbolos sexuais de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950. Ela estrelou em mais de 20 filmes.

Russell mudou-se do Meio-Oeste para a Califórnia, onde teve seu primeiro papel no cinema em The Outlaw (1943), de Howard Hughes. Em 1947, Russell mergulhou na música antes de retornar aos filmes. Depois de estrelar em vários filmes na década de 1950, incluindo Gentlemen Prefer Blondes (1953), Russell retornou novamente à música enquanto completava vários outros filmes na década de 1960.

Russell se casou três vezes, adotou três filhos e, em 1955, fundou o Waif, o primeiro programa internacional de adoção. Ela recebeu vários elogios por suas realizações no cinema. Sua mão e pegadas foram imortalizadas no pátio do Teatro Chinês de Grauman. Uma estrela com seu nome foi colocada na Calçada da Fama de Hollywood.

https://en.wikipedia.org/wiki/Jane_Russell

ERNANI Verdi – Teatro dell’Opera di Roma

Ernani is a love story about a young woman, Elvira, caught between three men: her lover, the nobleman-turned-outlaw Ernani; her guardian, the rich, elderly de Silva, who wants her for himself; and Don Carlo, the King of Spain who also has his eye on Elvira. Given the number of protagonists, it is also the story of a tragedy. Only 14 years after the premiere of Hernani, Giuseppe Verdi adapted Victor Hugo’s play into an opera to premiere at La Fenice, Venice in 1844. Ernani was an immediate and lasting triumph for the young Verdi, marking his prowess at adapting an historical event (the crowning of Charles V as emperor at Aachen Cathedral) to a psychologically convincing musical drama. The backdrop of three men paying court to one woman was the perfect foil for Verdi to explore the expressive qualities of three types of male voice. The tenor, a youthful suffering lover – Ernani. The bass, an elderly ruthless egotist – de Silva. The baritone, a more complex figure torn between tenderness and violence, self-indulgence and idealism – Don Carlo. As luxuriant as the sumptuous costumes of Hugo de Anna’s period production, Teatro dell’Opera di Roma’s cast stars Angela Meade, Francesco Meli, Evgeny Stavinsky and Ludovic Tézier.

TIAGO SALAZAR | FILOSOFIA DOS ESCRITOS | Escrever, tal como uma prática oratória, é sacudir, é agitar as águas chocas do charco, é animar a criança interna

Como bem disse ontem a minha muy estimada editora, Maria Do Rosário Pedreira, devia estar ocupado do meu próximo romance e dos vindouros, no lugar de gastar tempo e engenharia a criar posts. Acontece que estes posts nascem num ápice, são quase escrita automática, e mesmo quando me ponho a jeito de censores e púdicos, se os temas abordados chocalham os badalos, as mamas e os intestinos, não há espiga. Escrever, tal como uma prática oratória, é sacudir, é agitar as águas chocas do charco, é animar a criança interna, é remeter os leitores para as interrogações de quem está por detrás da prosa, poema ou post. Já agora, se não for pedir muito, comprem os meus livros. São 17 editados e mais um no prelo. Este. Aceitam-se encomendas.

Dia de recordar Simone de Beauvoir (9 de janeiro de 1908 -14 de abril de 1986) | Bertrand Livreiros

Conhecida como ícone feminista, Simone de Beauvoir foi escritora, ativista, professora, socióloga e filósofa (apesar de nunca se ter considerado como tal). Tendo escrito sobre os mais variados assuntos, desde romances a ensaios, é pelo livro O Segundo Sexo, um verdadeiro tratado sobre a condição da mulher ao longo da História, que é mais conhecida. Neste, escreveu uma das suas ideias mais célebres, marcada pela sua teoria existencialista de que a existência antecede a essência: Não se nasce mulher, torna-se mulher.

Sugestão: O Segundo Sexo – vol. 1

Disponível aqui: bit.ly/segundo_sexo_

DEMOCRACIA | José Manuel Correia Pinto

É hoje do conhecimento geral que a entrada da União Europeia na guerra na Ucrânia, a mando dos Estados Unidos, está destruindo as economias dos países europeus, principalmente dos mais desenvolvidos, com efeitos devastadores nos demais dada a íntima ligação das suas economias. É um mal que não se cura com o tempo. Pelo contrário, tornar-se-á tanto mais grave quanto mais tempo passar .

Este alinhamento da União Europeia e dos seus Estados membros com a política americana levou a que os custos da guerra não apenas em armamento, em si brutais, mas também nos auxílios da mais diversa natureza, sejam, sem retorno econômico, suportados pelos europeus. Se a isto juntarmos as consequências decorrentes da estúpida política das sanções “decretadas” pela União Europeia e respectivos Estados membros contra Russia, cujos efeitos devastadores recaem sobre os próprios Estados Europeus sancionadores, temos aquilo a que se pode chamar a mais perfeita auto-destruição de uma zona de conforto e bem estar invejável aos olhos da esmagadora maioria da população deste planeta que pelas mais variadas razões e causas não pode gozar de idêntica situação

Se a isto ainda acrescentarmos a inoperância da fúria sancionatória contra os seus destinatários bem como o seu efeito reflexo positivo para a política imperialista americana que por esta via reforça a seu poder hegemónico sobre um dos seus principais concorrentes a nível mundial e se nos lembrarmos que todas estas consequências eram previsíveis e antecipaveis, como se demonstra por uma simples consulta ao que nas redes sociais se foi escrevendo sobre o assunto antes iniciada a guerra bem como logo que se começaram a esboçar as principais linhas políticas norteadores da política europeia, a pergunta que inevitavelmente terá de ser feita é esta:

Quem autorizou os governantes europeus a actuar no sentido indicado? Como se pode legítimar uma política de tão funestas consequências para os povos europeus?

A resposta é aparentemente muito simples: mediante a criação de um clima emocional orquestrado por toda a comunicação social apoiada em falsas ou unilaterais notícias e imagens bem como pelo massacre diário de comentadores imbuídos das mais diversas fobias com vista a criação e exploração emocional de um ambiente maniqueísta como fonte legitimadora substitutiva da vontade popular

A isto se chama DEMOCRACIA , tida, neste ocidente em que a UE se integra, como conceito valorativo impositivo universal

“Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” | Papa Francisco

“Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”

(Papa Francisco)

“É preciso ensinar a compreensão humana” – Edgar Morin

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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“A política é a luta pela felicidade humana” | Pepe Mujica

Não há nada melhor que me possam oferecer do que uma grande inspiração. Viver inspirado não tem preço, é a maior riqueza que podemos ter, é ter um motor de combustão para a felicidade em estado puro.

Eu lembro-me da primeira vez que o conheci. Foi em 2016. Eu tinha sido convidado para fazer parte de um painel que iria comentar, num cinema da Casa das Artes no Porto, o documentário “Human” de Yann Arthus-Bertrand. Talvez o melhor documentário que já vi na vida (está disponível no Youtube). Chorei, ri-me, mas acima de tudo, senti. Senti isso que nem sem sempre sabemos bem o que é: ser, humano. Ainda para mais, foi na antevéspera da minha ida para a Rep. Centro-Africana em missão. Depois desta injecção poderosa de humanismo era impossível partir mais inspirado. Todo o documentário nos apresenta pessoas, na sua maioria ilustres desconhecidos, absolutamente inspiradoras, mas houve um que se tornou um dos meus “gurus espirituais” até hoje: Pepe Mujica.

“Se não és feliz com pouco, não és feliz com nada.”

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Mário Soares – 6.º aniversário da sua morte (Texto atualizado) | por Carlos Esperança

Foram homens notáveis os líderes dos partidos que moldaram a arquitetura do regime. Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, representando cada um interesses de classe divergentes e visões diferentes do mundo, constituíram uma plêiade de políticos à altura dos heroicos capitães de Abril.

As circunstâncias fazem os homens, mas há homens que ajustam as circunstâncias e se projetam na História dos povos. Soares é um exemplo paradigmático.

Mário Soares foi, nos seus defeitos e virtudes, à semelhança de Churchill, Roosevelt ou De Gaulle, um político de dimensão internacional e a figura que deixou maiores marcas nesta segunda República que devemos ao MFA.

Combatente antifascista, sofreu perseguições, prisões e exílios até se tornar o homem de Estado e a grande referência da República nascida em 25 de Abril de 1974.

Todos os democratas acabaram por votar nele, pelo menos uma vez. A sua dimensão de Estadista e o amor à liberdade fizeram dele o alvo dos afetos e dos ódios que perduram na ignóbil petição à Assembleia da República, certamente assinada pela escória fascista, a pedir aos deputados a recusa do seu nome na toponímia de um aeroporto.

É também por isso que, tendo estado tantas vezes do lado oposto ao seu, sinto o dever patriótico de lhe render a mais viva homenagem no 1.º aniversário da sua morte.

Mário Soares, republicano, laico e democrata, foi o maior vulto desta segunda República Portuguesa.

Luís Vaz de Camões e Os Lusíadas | Um passeio pela História | por João Luis Gomes

Filho de Simão Vaz de Camões, e Ana de Sá, da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524, e era descendente de Vasco Pires de Camões, um trovador galego, guerreiro e fidalgo, que se mudara para Portugal em 1370. Camões teve uma boa e sólida educação, e ainda jovem teria recebido um sólida educação nos moldes clássicos da época, dominando latim, literatura e história e tendo recebido grande parte da sua formação na Universidade de Coimbra.

Camões era um conhecido boémio frequentador da corte de D. João III, onde era reconhecido como poeta lírico, enquanto ao mesmo tempo se envolvia, segundo a tradição, em amores com damas da nobreza e, possivelmente, plebeias também, pois a sua vida boémia levava-o a frequentar frequentemente as tavernas de Lisboa. Reza a história que por conta de amor frustrado, autoexilou-se no Norte de África, alistando-se como soldado em Ceuta onde ficou dois anos e onde perdeu o olho direito numa batalha.

Posteriormente decide partir para a India, comprovado por um documento datado de 1550 em que o dá como alistado para viajar: “Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses… entre os homens de armas”.

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Vaginas | Tiago Salazar

Dado o sucesso lúdico do último assunto – o pénis – por justiça antónima trago hoje à liça o cunos, também conhecido por cona, ou ainda fenda, vulva ou greta, que tem o seu garbo. Há um autor inultrapassável que discreteou com elegância e humor de uma estirpe clássica sobre vários tipos de conas imaginárias, de sua graça Juan Manuel de Prada. Perante ele me vergo apondo somente uma breve reflexão sobre a íntima unidade da mulher.

A meio das suas reflexões inauditas (por exemplo, o capítulo sobre as conas das mulheres sonâmbulas) entendeu Juan (justamente) descrever a cona da sua namorada. Não o farei exaustivamente, como o fez o autor basco, por respeito à sua dona, dizendo apenas que quem vê caras poderá ver conas, se tiver olho para isso. É como o tamanho e espessura do polegar masculino, que dita a envergadura e formato do dito.

Interessam-me as redundâncias das conas e as suas infinitas possibilidades. A cona, a quem os exegetas das mulheres chamam o mais belo dos moluscos, sendo o clitóris o berbigão, é um mundo aquático. Talvez aqui resida a sua maior dádiva, permitindo, como a natação, inúmeras variantes encorpadas. Entre o boiar e a mariposa, o mergulho encarpado e a remada de bruços, há todo um manancial de formas de a abordar.

O pénis e a cona juntos, na justa e devida medida do encaixe habilitado, são como a harmonia dos corpos celestes. Não se pode ser demasiado macho a abordar uma cona, tal como não deve uma mulher (resumindo este micro ensaio ao campo heterossexual) tratar o pénis com ímpetos de lenhadora. Para asseverar da importância da cona no território da felicidade conta-se a história de um anão adulto que gritou alto a palavra CONA no meio de uma tribuna de crianças a quem pediam um vocábulo sinónimo de alegria, celebrando assim o seu entusiasmo pela felicidade de estar vivo, apesar da sua baixa condição. O anão tinha-se escapado para o meio do coro infantil durante uma visita presidencial e face à interrogação requerida ditou o que lhe ia na alma. Como um amante feliz.

António Costa Pinto: “O dilema da direita é o mesmo dilema da esquerda até agora” | in Tejomag

António Costa Pinto um dos três investigadores do livro The Oxford Handbook Of Portuguese Politics comenta em entrevista ao TejoMag o sistema partidário em Portugal nos últimos 50 anos. Nesta edição conjunta com Pedro Magalhães e Jorge Fernandes, os três investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, integram uma coleção de análise sobre as democracias do mundo. O foco do estudo incide na “dinâmica” mais recente de mudanças de partidos e da cultura política eleitoral.

Marta Roque em Política 2 de janeiro 2023

Como é que surgiu esta ideia deste livro com a Oxford University?

A Oxford University Press a maior editora científica e académica no mundo aceitou uma proposta feita pelo jovem cientista político Jorge Fernandes, por Pedro Magalhães e minha. Os três do Instituto de Ciências Sociais para integrar uma vastíssima coleção de análise sobre as democracias do mundo.

É uma obra sobre a democracia portuguesa que tem mais de 40 autores, a maior parte dos quais são cientistas políticos, economistas políticos historiadores, e faz um balanço da democracia portuguesa concentrando-se na dinâmica mais recente de mudanças de partidos, mudanças na cultura política eleitoral.

Em que é que a nossa democracia se distingue em termos de regime partidário de outras do norte da Europa?

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FILOSOFIA DO PÉNIS | Tiago Salazar

O título da crónica merecerá a vossa atenção. Acompanhado dos seus parceiros de carcela, o pénis diz muito de um homem. O meu pai é um velho adorador dos feitos do seu falo, e assim cresci debaixo da exortação do pénis como uma apologia de Adónis. Cedo deduzi que nada mexe tanto com a confiança do que a funcionalidade exemplar de um pénis.

Pode-se vivissecar a conduta de um homem pela sua relação com o pénis. Conheci um sujeito que para aumentar a dimensão do seu membro atava uma guita envolta num tijolo e deixava-se estar nesses preparos indo a correr medir o suposto crescimento do dito após as sevícias auto-infligidas. Esse ciliciar penoso leva à corrida de poções milagrosas, para aumentar o que a natureza não forneceu, como o famoso creme de carqueja e manjerico que se diz ter contribuído para a demografia de Al-Hama ao tempo dos árabes.

Quem não enverga um pénis digno de registo socorre-se da importância do seu manejo para consolo de quem o frequenta. Agradece a condescendência perante o desempenho. São por regra tipos aplicados, que dão o litro. Conheci outro sujeito que se queixava de borregar no acto por ter um aparelho desmedido cujo real poder vistoso só acontecia diante de uma garganta funda.

Há coisas que só acontecem aos homens, como olhar de viés para os membros dos companheiros de duche ou caserna. Diz-se que a visão do próprio pénis é enviesada como tudo o que se reflecte num espelho. Podemos ajuizar da conduta de um político pelo que fará com o seu pénis. Luis Buñuel ao ver-se impotente declarou ter-se enfim libertado do tirano. Dou agora a palavra às senhoras, pois nada mais me ocorre.