UCRÂNIA NUM IMPASSE, À BEIRA DE TRÊS TEMPESTADES PERFEITAS – MILITAR, ECONÓMICA E DIPLOMÁTICA | a opinião de Pierre Lellouch resumida por Alfredo Barroso

A neutralidade da Ucrânia teria evitado a guerra iniciada com uma invasão russa. Mas o presidente dos EUA, Joe Biden, e os submissos dirigentes da União Europeia e de praticamente todos os seus países membros preferiram, por razões ideológicas, deixar aberta a porta da NATO, mas sem proteger a Ucrânia. E agora alimentam mais e mais a continuação da guerra com o fornecimento de armas cada vez mais poderosas e sofisticadas.

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Social-democracia | Wikipédia

rosa vermelha é o símbolo da social-democracia.

social-democracia é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo Estado de bem-estar socialsindicatos e regulação econômica, assim promovendo uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa. É uma ideologia política originalmente de centro-esquerda, surgida no fim do século XIX dentre os partidários de Ferdinand Lassalle, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução, mas sim, em oposição à ortodoxia marxista, por meio de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário.[1]

O conceito de social-democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução. A diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de ideologia política, como o marxismo ortodoxo, é a crença na supremacia da ação política em contraste à supremacia da ação económica ou do determinismo económico-socioindustrial.[2][3]

Historicamente, os partidos sociais-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes. No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras ideias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas. Essas posições mais moderadas incluíram a crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo. Dessa forma, a social-democracia moderna se desviou do socialismo científico, aproximando-se da ideia de um Estado de bem-estar social democrático, e incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo. Os social-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como Rendimento Social de Inserção (Portugal), Bolsa Família (Brasil) e Opportunity NYC. Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem, como objetivo, substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

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Os Convencidos da Vida | Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim” | por Júlio Machado Vaz

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.

Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.

Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.

Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

(…) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.

Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.

Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida – da sua, claro – para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal… sempre foi.

Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”

As Vinhas da Ira | John Steinbeck

«Não sei para onde vou mãe (…). Andarei por ai no escuro. estarei em toda a parte. para onde quer que olhem. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, estarei lá. Onde houver um policia a espancar uma pessoa, estarei lá. Estarei nos gritos das pessoas que enlouquecem. estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar. E quando as pessoas comerem aquilo que cultivam e viverem nas casas que constroem, também lá estarei.»

Do filme, As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira – Resumo em Vídeo

GALILEU GALILEI | Biografia | Wikipédia

Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei, mais conhecido como Galileu Galilei (Pisa, 15 de fevereiro de 1564 — Florença, 8 de janeiro de 1642), foi um astrônomofísico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata.[2] Com frequência é referenciado como “pai da astronomia observacional”,[3] “pai da física moderna”,[4][5] “pai do método científico[6] e “pai da ciência moderna“.[7]

Galileu estudou o princípio da relatividade e fenômenos como a rapidez e a velocidade, a gravidade e a queda livre, a inércia e o movimento de projéteis, mas também trabalhou em ciência e tecnologia aplicadas. Nesse âmbito, ele descreveu as propriedades de pêndulos e “balanços hidrostáticos“, inventou o termoscópio e várias bússolas militares, e usou o telescópio para observações científicas de objetos celestes. Suas contribuições à astronomia observacional incluem a confirmação visual das fases de Vênus, a observação dos quatro maiores satélites de Júpiter, a observação dos anéis de Saturno e a análise das manchas solares.

A defesa de Galileu do heliocentrismo e do copernicanismo foi controversa durante sua vida, quando a maioria adotava modelos geocêntricos, como o sistema ticônico.[8] Ele encontrou a oposição de astrônomos, que duvidavam do heliocentrismo por conta da ausência da observação de uma paralaxe estelar.[8] O assunto foi investigado pela Inquisição Romana em 1615, que concluiu que o heliocentrismo era “tolo e absurdo em filosofia e formalmente herético, pois contradiz explicitamente em muitos lugares o sentido da Sagrada Escritura”.[8][9][10]

Mais tarde, Galileu defendeu suas opiniões no Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas Mundiais (1632), que parecia atacar o papa Urbano VIII e, assim, alienou-o dos jesuítas, que até então o haviam apoiado.[8] Foi julgado pela Inquisição, considerado “veementemente suspeito de heresia” e forçado a se retratar, e passou o resto de sua vida em prisão domiciliar.[11][12] Enquanto estava preso, escreveu a obra Duas Novas Ciências, na qual resumiu o trabalho feito, cerca de quarenta anos antes, nas duas ciências atualmente designadas cinemática e força dos materiais.[13]

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GIAN LORENZO BERNINI | Biografia | in ebiografia.com | por Dilva Frazão

Bernini (1598-1680) foi um escultor, arquiteto e pintor italiano, um dos pioneiros da arte barroca. Foi o maior escultor do século XVII, autor das grandes colunas da Praça de São Pedro, e do baldaquino, cúpula sustentada por colunas retorcidas que estão sobre o Altar Maior da Basílica de São Pedro no Vaticano.

Gian Lorenzo Bernini nasceu em Nápoles, Itália, no dia 7 de dezembro de 1598. Filho do escultor Pietro Bernini aprendeu no atelier do pai a arte de esculpir.

Ainda criança, mudou-se com a família para Roma, onde o pai iria realizar a decoração da Capela Paulina da Basílica de Santa Maria Maggiore.

Nos séculos XVI e XVII, Roma foi marcada por grandes obras, em capelas, altares, monumentos funerais e por elementos decorativos que invadiram os edifícios religiosos, o que permitiu o artista mostrar seu talento de forma precoce.

Primeiras obras de Bernini

  1. Em 1616, Bernini já mostrava seu talento com a obra “Enéas, Anquises e Ascânio” fugindo de Tróia, ainda sob a influência de seu pai.
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“É preciso ensinar a compreensão humana” | Edgar Morin | in Revista Prosa Verbo e Arte

“Human understanding must be taught”

We have become accustomed to believing that thought and practice are separate compartments of life. Whoever thinks the world does not make the world and vice versa. But, there was a time when the sages, eventually called scientists or artists, circulated in different fields of culture. Mathematics, physics, architecture, painting, sculpture were the raw material of thought and action. The industrial revolution brought down the idea of Renaissance knowledge and, since the 19th century, specialization has been gaining strength.

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FAMÍLIA ROTHSCHILD | Biografia | Wikipédia

A família Rothschild
Etnia
Asquenazita
Local de Origem
Hamburgo

Família Rothschild é uma família judia, com origem em Hamburgo, Alemanha, que estabeleceu uma dinastia bancária na Europa.

Prosperou no fim do século XVIII, e chegou a ultrapassar as mais poderosas famílias bancárias rivais da época, como a família Baring e a família Berenberg.

Acredita-se que quando a família estava no seu auge, no século XIX, possuía a maior fortuna privada no mundo — assim como a mais larga fortuna da Idade Moderna. Acredita-se que a fortuna subsequentemente diminuiu, pois foi dividida entre centenas de descendentes. Hoje, os negócios da família Rothschild estão numa escala muito menor que no século XIX, embora estejam envolvidos em diversos campos, incluindo: mineração, bancos, energia, agricultura mista, vinho e instituições de caridade.

Mayer Amschel Rothschild, fundador da dinastia

Os Rothschild participaram dos negócios mais dinâmicos durante a Revolução Industrial,[1] em especial a indústria têxtil, que florescia. As tecelagens mecanizadas da Inglaterra produziam tecidos de qualidade em grande quantidade.

Passaram a negociar também essa mercadoria. O comércio do algodão oriundo da América do Norte para as tecelagens na Grã-Bretanha permitiu que a Casa Rothschild criasse vínculos através do Atlântico, com a florescente economia estadunidense.

Os Rothschilds já possuíam uma grande fortuna antes das Guerras Napoleônicas (1803–1815).[2] Em uma oportunidade, a rede de mensageiros da família, espalhada pela Europa, permitiu que Nathan de Rothschild recebesse em Londres notícia da vitória de Wellington na batalha de Waterloo com um dia de antecedência, a chegada dos mensageiros oficiais do governo britânico.[3]

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JOHN DAVISON ROCKEFELLER | Biografia | Wikipédia

John Davison Rockefeller (Richford8 de julho de 1839 – Ormond Beach23 de maio de 1937) foi um magnata de negócios e filantropo norte-americano. Ele é muito conhecido como o homem norte-americano mais rico de todos os tempos, e a pessoa mais rica da história moderna.

Rockefeller revolucionou a indústria do petróleo. Em 1870, fundou a Standard Oil Company e a comandou agressivamente até sua aposentadoria oficial em 1897.[1] A Standard Oil começou com uma parceria em Ohio de John com seu irmão, William Rockefeller, Henry Flagler, Jabez Bostwick, o químico Samuel Andrews e Stephen V. Harkness. Como a importância do querosene e da gasolina estava em alta, a riqueza de Rockefeller cresceu e ele se tornou o homem mais rico do mundo e o primeiro americano a ter mais de um bilhão de dólares. Em 1937, sua fortuna foi avaliada em US$ 1,4 bilhão.[a 1] Ajustando sua fortuna da época à inflação (19372020), o valor é o equivalente a US$ 25,2 bilhões de dólares atuais. Porém, caso a comparação seja em relação ao PIB americano de 1937, no valor de US$ 78 bilhões, Rockefeller é considerado o homem mais rico da história, acumulado fortuna de aproximadamente, 1,96% do PIB americano, com cerca de US$ 418 bilhões de dólares atualizados em 2019.[2][3][4][5][6]

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WILLY BRANDT | Biografia | Wikipédia

Willy Brandt (Lübeck18 de dezembro de 1913 — Unkel8 de outubro de 1992) foi um político social-democrata alemão.[1]

Entre 1957 e 1966 foi prefeito de Berlim, entre 1966 e 1969 foi ministro dos assuntos exteriores e vice-chanceler e entre 1969 e 1974 foi chanceler da República Federal da Alemanha.[2] Pela sua Ostpolitik, cujo objectivo eram o relaxamento e equilíbrio com as ditaduras do Bloco do Leste, foi-lhe atribuído o Nobel da Paz no dia 10 de dezembro de 1971. Demitiu-se, em 1974, devido ao escândalo da descoberta de um espião alemão-oriental no seu gabinete.[1]

Juventude

Willy Brandt nasceu como Herbert Ernst Karl Frahm, filho natural de John Möller e de Martha Frahm. Nunca conheceu seu pai, e foi educado pela mãe e pelo avô materno.

Entre 1941 e 1948, Brandt foi casado com Carlotta Thorkildsen, com quem teve uma filha (Ninja Frahm, 1940). Após a separação, ainda em 1948, casou-se com Rut Bergaust. Este relacionamento resultou em três filhos, Peter (1948), Lars (1951) e Matthias (1961). Depois de terem permanecido durante 32 anos casados, Rut e Willy separaram-se em 1980. No dia 9 de Dezembro de 1983 Brandt casou-se com a historiadora e relações-públicas Brigitte Seebacher.

Willy Brandt ingressou na juventude socialista em 1929, e, um anos depois, no SPD. Em 1931 mudou para o Partido Trabalhador Socialista (SAP), uma formação socialista-esquerdista.

Em 1932 acabou a sua educação secundária no Johanneum zu Lübeck. Após a ascensão ao poder de Hitler em 1933, o SAP foi proibido, continuando, no entanto, a existir clandestinamente. Willy Brandt recebeu a ordem de estabelecer uma célula do partido em Oslo e emigrou então para a Noruega.

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OLOF PALME | Biografia | Wikipédia

Sven Olof Joachim Palme (Estocolmo30 de janeiro de 1927 — Estocolmo, 28 de fevereiro de 1986) foi um político sueco. Membro do Partido Operário Social-Democrata da Suécia foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e de novo entre 1982 e 1986, ano em que foi assassinado à saída de um cinema em Estocolmo.[1][2][3][4] Enquanto líder da oposição, atuou como mediador especial da Organização das Nações Unidas na Guerra Irão-Iraque e foi Presidente do Conselho Nórdico em 1979.

Uma figura central e polarizadora, quer na política interna, quer na política internacional desde os anos 60, foi firme na sua política de não-alinhamento em relação às superpotências, acompanhado pelo apoio a numerosos movimentos de libertação do terceiro mundo após a descolonização, incluindo, o mais controverso, o apoio económico e vocal a vários governos do Terceiro Mundo. Palme foi o primeiro chefe de governo ocidental a visitar Cuba após sua revolução, fazendo um discurso em Santiago elogiando os revolucionários contemporâneos cubanos e cambojanos.

Frequentemente crítico da política externa dos Estados Unidos e da União Soviética, dirigiu críticas ferozes e muitas vezes polarizadoras ao identificar a sua oposição às ambições imperialistas e regimes autoritários, incluindo os de Francisco Franco em Espanha,[5] Leonid Brezhnev na União SoviéticaAntónio de Oliveira Salazar em Portugal[6][7] e Gustáv Husák na Checoslováquia,[8] bem como John Vorster e PW Botha na África do Sul. A sua condenação em 1972 aos bombardeamentos de Hanói, comparando notavelmente a tática ao campo de extermínio de Treblinka, resultou num congelamento temporário nas relações sueconorte-americanas.

Palme tornou-se conhecido como um dos maiores exemplos da Social-Democracia Escandinava, tendo levado mais longe que qualquer outro político a ideia de conciliar uma economia de mercado com um estado social. Durante o seu governo, a Suécia gozou de uma forte economia e dos níveis de assistência social mais altos no mundo. Ficou ainda conhecido como forte opositor do Apartheid e da Guerra do Vietnam, o que lhe causou graves conflitos com Washington.[2]

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LEONARDO DA VINCI | Biografia | Wikipédia

Leonardo di Ser Piero da Vinci (? pron.), ou simplesmente Leonardo da Vinci (Anchiano15 de abril de 1452[2] — Amboise2 de maio de 1519), foi um polímata nascido na atual Itália,[2][nb 1] uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento,[2] que se destacou como cientistamatemáticoengenheiroinventoranatomistapintorescultorarquitetobotânicopoeta e músico.[3][4][5] É ainda conhecido como o percursor da aviação e da balística.[3] Leonardo frequentemente foi descrito como o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção.[6] É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e como possivelmente a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido.[7] Segundo a historiadora de arte Helen Gardner, a profundidade e o alcance de seus interesses não tiveram precedentes e “sua mente e personalidade parecem sobre-humanos para nós, e o homem em si [nos parece] misterioso e distante”.[6]

Nascido como filho ilegítimo de um notário, Piero da Vinci, e de uma camponesaCaterina, em Vinci, na região da Florença, foi educado no ateliê do renomado pintor florentino, Verrocchio. Passou a maior parte do início de sua vida profissional a serviço de Ludovico Sforza (Ludovico il Moro), em Milão; trabalhou posteriormente em VenezaRoma e Bolonha, e passou seus últimos dias na França, numa casa que lhe foi presenteada pelo rei Francisco I. Leonardo era, como até hoje, conhecido principalmente como pintor.[7] Duas de suas obras, a Mona Lisa[2] e A Última Ceia,[2] estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos, e sua fama se compara apenas à Criação de Adão, de Michelangelo.[6] O desenho do Homem Vitruviano, feito por Leonardo, também é tido como um ícone cultural,[8] e foi reproduzido por todas as partes, desde o euro até camisetas. Cerca de quinze de suas pinturas sobreviveram até os dias de hoje; o número pequeno se deve às suas experiências constantes — e frequentemente desastrosas — com novas técnicas, além de sua procrastinação crônica.[nb 2] Ainda assim, estas poucas obras, juntamente com seus cadernos de anotações — que contêm desenhos, diagramas científicos, e seus pensamentos sobre a natureza da pintura — formam uma contribuição às futuras gerações de artistas que só pode ser rivalizada à de seu contemporâneo, Michelangelo.[nb 3]

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ALBERT EINSTEIN | Biografia | Wikipédia

Albert Einstein (Ulm14 de março de 1879 — Princeton18 de abril de 1955) foi um físico teórico alemão que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica. Embora mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa-energia, E = mc² — que foi chamada de “a equação mais famosa do mundo” —, foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 “por suas contribuições à física teórica” e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica.

Nascido em uma família de judeus alemães, mudou-se para a Suíça ainda jovem e iniciou seus estudos na Escola Politécnica de Zurique. Após dois anos procurando emprego, obteve um cargo no escritório de patentes suíço enquanto ingressava no curso de doutorado da Universidade de Zurique. Em 1905, publicou uma série de artigos acadêmicos revolucionários. Uma de suas obras era o desenvolvimento da teoria da relatividade especial. Percebeu, no entanto, que o princípio da relatividade também poderia ser estendido para campos gravitacionais, e com a sua posterior teoria da gravitação, de 1916, publicou um artigo sobre a teoria da relatividade geral. Enquanto acumulava cargos em universidades e instituições, continuou a lidar com problemas da mecânica estatística e teoria quântica, o que levou às suas explicações sobre a teoria das partículas e o movimento browniano. Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto tornava-se uma nova figura na história da humanidade, recebendo prêmios internacionais e sendo convidado de chefes de estado e autoridades.

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STEVE JOBS | Charismatic Pioneer of APPLE Inc. | Les derniers mots, mort à 56 ans.

“J’ai atteint le summum du succès dans le monde des affaires. Dans les yeux des autres, ma vie est une réussite.

Cependant, mis à part le travail, j’ai eu peu de joie.

En fin de compte, la richesse n’est qu’un fait auquel je me suis habitué.

En ce moment, allongé sur mon lit d’hôpital, et me rappelant toute ma vie, je me rends compte que toute la reconnaissance et la richesse dans laquelle j’ai pris tant de fierté, a pâli et est devenue insignifiante face à la mort imminente.

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Chanceler alemão quer gasoduto a partir de Portugal até à Europa central | in MSN

O grande objetivo desta medida passa por acabar com a dependência energética da Rússia.

O Chanceler alemão, Olaf Scholz, insiste na construção de um gasoduto de Portugal para a Europa Central.

O grande objetivo desta medida passa por acabar com a dependência energética da Rússia.

Esta quinta-feira, em conferência de imprensa, Olaf Scholz defendeu a construção de um gasoduto que chegaria à Europa Central atravessando Portugal e Espanha, de modo a reduzir a necessidade de importação de gás russo.

Segundo o Chanceler alemão, a medida beneficiaria a Europa, que atravessa atualmente uma crise energética.

Para o próprio, o gasoduto é fundamental para restabelecer a estabilidade energética no velho continente.

Scholz revelou também que já iniciou contactos com os líderes de Portugal, Espanha, França e da Comissão Europeia, para lhes fazer chegar a sua vontade em fazer avançar o projeto.

PRECISÃO CIRÚRGICA E ESTRANHO DESCONHECIMENTO | ACREDITE SE QUISER | por Carlos Matos Gomes

A verdade é o que queremos acreditar. E é a verdade que os clientes querem.

A verdade sobre os ataques à central nuclear de Zaporizhia, na Ucrânia.

A verdade oficial para clientes já convertidos é a de que a central, situada em território ocupado pelas Forças Russas está a ser bombardeada pelas forças Russas;

A verdade oficial para quem quer ficar de bem com a sua consciência e para isso necessita de acreditar é a de que o Ocidente (os EUA, ea NATO) não sabem quem ataca, se os russos atiram sobre si próprios, em operações de falsa bandeira, como defendeu um general português vindo da NATO, na TVI. Ou se serão, de facto os ucranianos.

O busilis das verdades dos EUA e da NATO (acolitadas pela ONU, que remédio) é que é muito difícil de acreditar que um sistema de observação por satélite tão eficaz e rigoroso que permite aos EUA matar o lider da Al-Qeda – al-Zawahiri – na varanda sua casa, num prédio indistinto da confusa cidade que é Cabul, disparando um míssil tão certeiro que poupou a pobre família do homem, não consiga saber com certeza quem dispara misseis contra a central nuclear, ainda para mais com as armas que lhe forneceu!.

Pois é nesta elevada competencia em rastrear movimentos de um homem e atingi-lo na varanda da sua casa, em Cabul e na elevada incompetencia em saber quem dispara há dias armas pesadas em direção a uma central nuclear que os “amigos de Zelenski” querem que os pobres de espirito, nós, acreditemos.

Em conclusão, biblica, é mais fácil um camaelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico ir para o Céu. Ou, é mais fácil aos americanos descobrirem um homem à varanda de casa em Kabul do que uma bateria de mísseis e artilharia pesada na Ucrânia!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

É uma expressão portuguesa, com certeza | Mafalda Saraiva

Antes de ir desta para melhor, vou dar com a língua nos dentes e lavar roupa suja. Com a faca e o queijo na mão, com uma perna às costas e de olhos fechados, vou sacudir a água do capote. Ainda tirei o cavalinho da chuva, tentei riscar este assunto do mapa, mas eu sou uma troca-tintas, uma vira casacas e vou voltar à vaca fria.

Andava eu a brincar aqui com os meus botões, a chorar sobre o leite derramado, com bicho carpinteiro e macaquinhos na cabeça, quando decidi procurar uma agulha no palheiro. Eu sei, eu não bato bem da bola, mas sentia-me pior que uma lesma e tinha uma pedra no sapato. O problema é que andava a bater com a cabeça nas paredes há algum tempo, com um aperto no coração e uma enorme vontade de arrancar cabelos. Passei muitos dias com cara de caso e com a cabeça nas nuvens como uma barata tonta.

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Ideologia ou pragmatismo? | Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 18/07/2022

Num artigo publicado em 2010, o antigo diplomata singapurense Kishore Mahbubani alertava-nos para o que diferencia, em assuntos de segurança, a cultura ocidental, leia-se norte-americana e europeia, da asiática. A primeira baseia-se em aspetos ideológicos e morais, enquanto a segunda no pragmatismo, e, consequentemente, no compromisso. Mahbubani defendia serem as decisões assentes no primado da ideologia e não no pragmatismo que tornam, muitas vezes, as abordagens ocidentais ineficazes e/ou contraproducentes.

Não terá sido por acaso que as duas guerras mundiais tiveram o seu epicentro no espaço europeu. A maioria dos decisores asiáticos prefere concentrar-se nos resultados. Isso explica, segundo Mahbubani, que as políticas europeias maniqueístas, baseadas em preconceitos ideológicos, obrigando a escolher e a tomar partido, têm-se revelado, infelizmente, pouco subtis e de reduzido efeito.

O argumento de Mahbubani pode ser testado empiricamente nos acontecimentos em curso na Ucrânia. A sua validade é por demais evidente nas escolhas que conduziram à eclosão da guerra – a obstinação do Ocidente em não respeitar durante três décadas as reiteradas preocupações securitárias da Rússia (de Gorbatchov até Putin, passando por Yeltsin), e insistir em trazer a Ucrânia para a NATO, que continua a reiterar (veja-se o conceito estratégico recentemente aprovado na cimeira de Madrid), mesmo depois dos acontecimentos na Geórgia, em agosto de 2008.

Um compromisso com a Rússia, tornando a Ucrânia num Estado geopoliticamente neutral, teria sido uma solução suportável e teria impedido a guerra. O mesmo se aplica aos acontecimentos que se seguiram a 24 de fevereiro de 2022.

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A GUERRA CIVIL NA UCRÂNIA | Os pontos nos is | por Rodrigo Sousa e Castro

Nas planuras ucranianas, que os soldados hitlerianos calcaram até serem parados, cercados, derrotados e humilhados já nas margens do Volga, trava-se hoje uma guerra civil, entre os nacionalistas ucranianos de Kiev, apoiados pelo chamado agora Ocidente alargado, e os independentistas do Donbass, ucranianos russófonos, apoiados pela Rússia.

Como se chegou aqui parece hoje tudo muito claro.

Quando o general secretário de estado da defesa americano declarou urbi et orbi que o objectivo dos EUA era quebrarem a espinha dorsal da resistência russa, que querendo ou não, se havia metido naquela armadilha, as dúvidas desvaneceram-se.

Face ao acelerar da globalização e consequente acréscimo do poderio chinês condicionar a Rússia, para os americanos, era o passo essencial para tornar as fronteiras terrestres da China, na imensidão asiática, altamente vulneráveis.

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Boaventura Sousa Santos | Mereceu a pena? | in Jornal Público

Começa a ser evidente que os neoconservadores norte-americanos conseguiram impor na Europa, através de uma guerra de informação sem precedentes, uma vertigem bélica e anti-russa, cujas consequências levará tempo a avaliar. É, no entanto, possível identificar os sinais do que vem por aí.

Derrotados. Não se sabe ainda quem ganhará esta guerra (se é que alguém a ganhará, para além da indústria do armamento), mas já se sabe quem mais perde com ela. São o povo ucraniano e os restantes povos europeus. A Ucrânia em ruínas e os milhões de refugiados e a descida da cotação do euro são os sinais mais claros da derrota.

Nas sete décadas que se seguiram à destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, a Europa, então designada como ocidental, reergueu-se. Liderada por governantes de alto nível intelectual e apoiada pelos EUA em sua cruzada para travar o comunismo, a Europa Ocidental conseguiu impor-se como uma região de paz e de desenvolvimento, ainda que muito deste fosse à custa do capital colonial que acumulara durante séculos. Bastou uma guerra fantasma – travada na Europa, mas não protagonizada pela Europa e nem sequer no interesse dos europeus – para pôr tudo isto a perder.

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Os Serviços de Notícias na Televisão | A banalidade reina | por António Barreto

“É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal.

Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.

Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos *papagaios no seu melhor!

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

*Papagaios não, chilreada de periquitos sim!*”

(António Barreto) | 08/08/2022

Maria Isabel Fidalgo | Poema dos sete beijos

Dá- me sete beijos de papel em folha de papiro com laço de seda que bem mereço.

Não perguntes deste meu desejo irreal a que chamarás absurdo.

Sabes que vivo de ilusões

e de sonhos de impossibilidade ilimitada.

Só por isso sobrevivo na grande nave do mundo sem precisar de ir ao espaço.

Sete beijos em papel de papiro

e uma taça de champanhe para comemorar a audácia de os ler

com o estrondo da garrafa que embebede de espuma a fita de seda

e a boca que houver.

Zelensky OUTRAGED By Amnesty Report on Ukrainian War Crimes as Kyiv demands $750 BILLION | + Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização


TÁTICAS DE COMBATE UCRANIANAS COLOCAM CIVIS EM PERIGO

( ler o texto traduzido em português neste link)

https://www.amnestyusa.org/press-releases/ukrainian-fighting-tactics-endanger-civilians/

Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização

(clicar no URL em baixo)

O relatório, divulgado na quinta-feira, alertava que as forças ucranianas colocam em perigo a população civil quando estabelecem bases militares em zonas residenciais e lançam ataques a partir de áreas habitadas por civis.

As forças ucranianas põem civis em perigo quando montam bases e operam sistemas de armas “em zonas habitadas por civis, incluindo em escolas e hospitais, para repelir a invasão russa que começou em fevereiro”, refere a organização no documento, acrescentando que essas táticas violam o direito internacional e tornam zonas civis em objetivos militares contra os quais os russos retaliam.

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2022-08-06-Responsavel-da-Amnistia-Internacional-em-Kiev-demite-se-criticando-organizacao-a40112e6?fbclid=IwAR34PtIfqfYilFN207weN2JV-UiKn4uQCq8q3k-D_V_5TmGwNXXVAYgoC1k

CRESCENTE APROXIMAÇÃO RÚSSIA-TURQUIA DISPARA ALARMES NAS CAPITAIS OCIDENTAIS

As capitais ocidentais estão cada vez mais alarmadas com o aprofundamento da cooperação económica entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e Vladimir Putin, alertando para o risco crescente de que o Estado membro da NATO possa ser atingido por retaliação punitiva se ajudar a Rússia a evitar sanções.

Seis funcionários ocidentais disseram ao Financial Times que estavam preocupados com a promessa feita na sexta-feira pelos líderes turcos e russos de expandir sua cooperação em comércio e energia após uma reunião de quatro horas em Sochi.

Um funcionário da UE disse que o bloco de 27 membros está monitorando a cooperação turco-russa “cada vez mais de perto”, expressando preocupação de que a Turquia esteja “cada vez mais” se tornando uma plataforma para o comércio com a Rússia.

Outro descreveu o comportamento da Turquia em relação à Rússia como “muito oportunista”, acrescentando: “Estamos tentando fazer com que os turcos prestem atenção às nossas preocupações”.

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Conselho Português para a Paz e Cooperação – CPPC

Hiroxima e Nagasaki nunca mais!

O Conselho Português para a Paz e Cooperação assinala os 77 anos dos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui

– É urgente a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares

Em agosto de 1945 – a Segunda Guerra Mundial terminara na Europa, formalmente, apenas há três meses –, o mundo era confrontado com um ato inumano e inesperado. Sem aviso prévio, no dia 6, os Estados Unidos da América (EUA) lançavam sobre a cidade japonesa de Hiroxima uma bomba atómica, e três dias depois, outra sobre a cidade de Nagasáqui. À época, essas cidades eram desprovidas de importância militar, e o Japão encontrava-se em processo de capitulação.

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Sobre a Rússia | por Carlos Fino | Eu poderia ter escrito exactamente um texto assim. (vcs)

Não é tanto simpatia pela Rússia – não tenho saudades. É mais dúvidas quanto ao acerto das políticas que vêm sendo seguidas contra ela.

Querer “isolar” a Rússia, que é um continente riquíssimo em todo o tipo de matérias-primas e de onde nos vinha até agora energia barata, ainda por cima com países como a China, a Índia, a África do Sul ou até o Brasil contrários a essa posição, parece-me que não faz muito sentido e vai contra os interesses dos europeus.

A política externa, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, não se deve orientar só por “valores” – caminho direto para o confronto -, mas antes de mais pela defesa bem ponderada de quais são ou não são os nossos reais interesses. Ignorar isso e morder a isca dos “valores”, pode levar-nos, como já está a levar, a subordinar os nossos interesses aos dos outros.

Como já se percebeu, quem ganha com a guerra da Ucrânia e com as políticas europeias que vêm sendo seguidas são os Estados Unidos e a China. Não é, certamente, como também já se viu, a Europa. Portanto…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

A União Europeia morreu e ninguém a informou | José Goulão, in AbrilAbril, 02/08/2022

A Europa Ocidental tem apenas mais 20 a 30 anos de democracia; depois disso deslizará sem motor e sem leme sob o mar envolvente da ditadura (…)
                      Willy Brandt, chanceler da República Federal da Alemanha, 1974


Willy Brandt, polémico mas suficientemente lúcido para não fechar pontes em plena guerra fria, era um estadista, espécie entretanto desaparecida como os dinossauros. Governou nos tempos em que se pensava existir uma coisa chamada «social-democracia», que durante as últimas décadas também «deslizou sem motor e sem leme» para a selvajaria neoliberal, a ditadura da economia sobre a política, passo decisivo para a extinção da democracia – como estamos a perceber.

Brandt não era um bruxo; limitou-se a reflectir sobre perspectivas a médio prazo com base na percepção, leitura objectiva das realidades, experiência e intuição que não lhe faltavam porque era um praticante de política, actividade que é um direito geral de cidadania entretanto «promovida» a uma espécie de «ciência oculta» actualmente apenas ao alcance de uma seita de predestinados com capacidade para governar, dominada pela arrogância, a frieza desumana, a irresponsabilidade e a mediocridade, particularidades afinal essenciais num regime autoritário.

As palavras do antigo chanceler alemão, proferidas pouco antes de deixar o cargo, projectam-se na actualidade de maneira tão evidente como inquietante. Acertam em cheio no «deslizamento» da Europa para a ditadura política, completando-se assim o cenário aberto pelo totalitarismo da economia (ditadura do mercado), embora mantendo aparências formais em matéria de direitos cívicos, entretanto ferozmente vigiados e combatidos passo-a-passo por meios antidemocráticos.

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Das moscas do mercado | Carlos Matos Gomes

Das moscas do mercado é uma frase-título do livro «Assim Falava Zaratustra», de Friedrich Nietzsche. “Das moscas do mercado”: “Foge, meu amigo, para a solidão! Vejo-te ensurdecido pelo ruído dos grandes homens e picado pelos ferrões dos pequenos”.

Parece-me uma apreciação adequada ao tempo que vivemos. Os ditos grandes homens, e grandes mulheres, aqueles que determinam a nossa vida venderam-nos um conjunto de felicidades futuras se os apoiássemos na guerra contra a Rússia. O diabolizado presidente da Federação Russa, que invadira a pacífica e ordeira Ucrânia, governada por um quase santo revelado nas televisões locais. Havia que repor a ordem e punir o agressor. Nós, as moscas, éramos convocados para a gesta dos grandes homens e mulheres.

Nietzsche tinha uma opinião sobre os grandes homens e mulheres que governavam o mundo quando chega o momento de verificar o balanço entre promessas e realizações:

“Tornaram-se todos outra vez devotos; estão a rezar, estão doidos!” (…) E, de facto, todos aqueles homens superiores, os dois reis, o Papa aposentado, o maligno enfeitiçador, o mendigo voluntário, o viajante sombra, o velho vaticinador, o consciencioso do espírito e o homem mais feio, estavam de joelhos, todos como crianças ou velhinhas piedosas, e adoravam o burro. E, nesse preciso momento, o homem mais feio começou a gorgolejar e a bufar como se algo inexprimível dele quisesse sair; mas quando, realmente, conseguiu chegar a articular palavras, eis que surdiu uma estranha e devota ladainha para glorificação do adorado e incensado burro. Ora, essa ladainha rezava assim: “Ámen! Louvor, honra, sabedoria, gratidão, recompensa e força ao nosso Deus, de eternidade em eternidade!” Ao que o burro, porém, zurrou: “Hi-han!”

Os grandes homens e mulheres de hoje não parecem muito distintos do retrato que dele fez Nietzsche e zurram, até gritarem: Salve-se quem puder!

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O ESTRANHO CASO DA UE: SUICÍDIO, ASSASSINATO OU EUTANÁSIA? (1) | Artigo publicado em RESISTIR.INF

Terá sido suicídio ou crime? – interroga o inspetor.   A dra. Nikki Alexander (protagonista na série Silent Witness) afirma que a vítima estava em estado terminal devido ao abuso de drogas, mas a sua morte foi induzida.   A análise revelou que estava viciada em neoliberalismo e atlantismo, de que não se conseguiu libertar.

Daniel Vaz de Carvalho

Vassalagem total da UE.

1 – UE, propaganda e distopia

Na UE o que salta à vista desde logo é a incompetência, a ineficácia dos seus dirigentes. Mas não só. Pelos media proliferam comentadores cuja nulidade é aflitiva, autênticos moinhos de palavras, repetem-se exaustivamente sobre os mesmos temas, incapazes de se debruçarem sobre as causas.

A UE entrou no campo da distopia, a utopia negativa, deixou de representar os interesses dos seus países, deixou-se arrastar pela arrogância belicista do que mais negativo veio do outro lado do Atlântico: os neocons, que forjaram uma “ameaça russa”, nova versão da “ameaça russa” do tempo da União Soviética. Neste contexto, a NATO quer que os países dediquem 2% do PIB para o orçamento militar. Mau vai quando o orçamento militar é maior que o da cultura, em Portugal 0,25% da despesa da Administração Central.

Que ameaça representava a Rússia quando nos finais de 2021, propôs um tratado de segurança coletiva aos países ocidentais, dada a expansão da NATO – ao contrário do acordado com Gorbatchov – e o intenso rearmamento da Ucrânia para prosseguir o conflito contra os independentistas antifascistas do Donbass e a Crimeia?

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Aeroporto de Lisboa | O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! | por João Soares | 01/08/2022

A propósito do que ontem disse de forma inevitavelmente breve no comentário do TJ da RTP sobre o eventual futuro novo Aeroporto de Lisboa. Faço questão de deixar aqui algumas notas complementares.

O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! Essa é uma “treta” que nos contam há cinquenta anos, repetidamente. Anunciando para o ano que vem sempre, e para o próximo milhão de passageiros sempre, o “esgotamento”.

O Aeroporto Humberto Delgado tem um problema de funcionamento da sua aerogare que pode e deve ser emendado com relativa facilidade. A aerogare tem sido remendada, a partir do projecto inicial de Keil do Amaral dos anos quarenta do século passado, com remendos que de uma forma geral só dificultam a sua funcionalidade e fluidez.

Se eu fosse dos que acreditam em teorias conspirativas diria que aqui há gato nas dificuldades de funcionamento simples e que não se resolvem.

A ANA / VINCI quer fazer o negócio da utilização valorização dos terrenos do Aeroporto Humberto Delgado, e também o da construção de um novo aeroporto. A ANA / VINCI é dirigida por alguém que negociou a privatização da ANA do lado do Governo, e agora a preside.

As varias loucuras que nos têm tentado vender sobre novo aeroporto vão de Beja a Monte Real, passando por Alcochete, Montijo, e Ota. Gastámos já muitos milhões de euros em estudos sobre estas tretas. Teriam sido melhor gastos na remodelação capaz da aerogare, e na construção do “taxi way” que acompanhe a pista principal de Humberto Delgado, a 03 / 21.

 Um super aeroporto, com gastos em infraestruturas de acesso como novas pontes, e num crescimento demencial de um imobiliário especulativo, não corresponde ao modelo de desenvolvimento que eu cidadão português quero para a nossa terra.

Penso que estes investimentos disparatados serão melhor utlizados a melhorar, e muito, a nossa pobre rede ferroviária que bem precisa.

Há por trás desta “treta” que nos tentam vender há cinquenta anos muito desejo de negócio na minha modesta opinião indesejável, e até mesmo por vezes condenável.

Acabar com a Base Aérea do Montijo é dificultar inutilmente operações vitais da Força Aérea Portuguesa. Nomeadamente na busca e salvamento na nossa ZEE. Esta é desde há muito, e foi durante os doze anos em que fui autarca de Lisboa, a minha opinião. Vale o que vale mas aqui fica.

João Soares, 01/08/2022

OUTROS ARTIGOS SOBRE O MESMO TEMA:

  1. A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público | 05/03/2020                                                                                                                                                           https://dasculturas.com/?s=A+solu%C3%A7%C3%A3o+aeroportu%C3%A1ria+de+Lisboa&submit=Pesquisar

2. AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr. | 04/03/2020                                                                                                 https://dasculturas.com/2020/03/05/aeroporto-no-montijo-ou-alcochete-a-opcao-cega-e-incoerente-ou-a-opcao-inteligente-e-sustentavel-mario-baleizao-jr/

O ENCOLHIMENTO DO OCIDENTE / OPINIÃO | Boaventura Sousa Santos, In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

O que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China).

A partir de então, o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa.

Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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FUCKIN E A REALIDADE / OPINIÃO | Carlos Matos Gomes

in Medium.com, 29/07/2022

Mandar umas bojardas num concerto é um tónico para contas e egos. Nada de mal. Haja liberdade de expressão.

A bojarda é apenas um adereço de palco. O público bate palmas, alivia-se de gases e ri-se. O artista sai em ombros escoltado pelos seguranças privados das claques das SAD da bola. Malta fina.

O número é de excelente e seguro efeito. O Putin que vá para a mãe dele.

O chato é que há uma guerra de resultados conhecidos. A realidade é a son of a bitch. (existe tradução automática para quem quiser).

Qual é a realidade: O Putin ganha! E quem se meteu com ele sabia isso desde o início. As maiores empresas mundiais como sabiam disso nunca tiveram lucros tão assombrosos como os do primeiro semestre deste ano, devido à guerra. Até as empresas portuguesas foram ao pote.

Porque sabiam e sabem o resultado da guerra as grandes empresas do mundo, os conferencistas do Forum de Davos, os sócios do Clube de Bildberg, o G-7, o G-20, o Vaticano, a NATO, a Casa Branca, Wall Street, o Bank of America, tiveram enormes lucros. A esses ninguém os manda àquela parte! São o sistema.

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A falácia dos apologéticos | por CarlosMatos Gomes

A análise da guerra na Ucrânia fornece pistas muito interessantes sobre o estado do pensamento ocidental no século XXI.

Um deles é a persistência (resiliência) da raiz do pensamento grego de que somos herdeiros. O recurso, consciente ou não a essa raiz é particularmente evidente nos defensores da estratégia dos Estados Unidos e da crença de que por detrás dela se encontra a defesa de valores morais — ditos ocidentais — para a impor e justificar.

O pensamento grego aliou a filosofia e a teologia por razões apologéticas e, como estamos a ver todos os dias, ainda hoje essa aliança é eficaz como argumento de propaganda.

Um dos movimentos mais importantes na história do pensamento cristão chama-se “apologético” e os movimentos que o promovem funcionam como ratoeiras. O truque argumentativo reside em dar ao adversário um crédito baseado no pressuposto de que as suas ideias são, em última análise, as mesmas do inimigo e em levá-lo a acreditar na existência de verdades comuns. É uma concessão que funciona como isco e que ainda funciona em certos setores da comunicação e demagogia.

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Poema | Maria Isabel Fidalgo

Não me firas com o teu silêncio.

Enche com os teus  olhos de  ausência os meus olhos de pássaro.

Traz- me a leveza das tuas mãos que tão breves partiram sem aceno.

Clama pelo meu nome como se a primeira estrela fosse a noite com o teu rosto.

Não me castigues de catos.

Traz- me rosas sobre os lábios e pica-me de beijos que sangrem.

Afasta a solidão e traz o teu silêncio.

Pousa-o sobre  a leveza do meu corpo e seremos um oásis manso de paixão.

Vem e faz- me acreditar que o sol ainda arde na labareda da fome.

MIF

Johann Wolfgang von GOETHE e a ÉTICA de BARUCH SPINOZA

Goethe permaneceu em reclusão durante meses para estudar a Ética e, a partir daí, passou por um processo de transformação.

“Na Ética de Spinoza encontrei apaziguamento para minhas paixões; pareceu-me que se abria ante meus olhos uma visão ampla e livre sobre o mundo físico e moral.

A imagem deste mundo é transitória; desejaria ocupar-me somente das coisas duradouras e conseguir a eternidade para meu espírito, de acordo com a doutrina de Spinoza”.

Johann Wolfgang von Goethe (alemão:Frankfurt am Main, 28 de agosto de 1749 — Weimar, 22 de março de 1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

——

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Florbela Espanca (Vila Viçosa8 de dezembro de 1894 — Matosinhos8 de dezembro de 1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d’Alma da Conceição Espanca, foi uma poeta portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotizaçãofeminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos.

DiEM25 | Enquanto o verão nos derrete, nós preparamos o regresso em Setembro

Olá,

Esperamos que estejas em vésperas de férias e de partida para algum lugar muito fresco!

Este verão tão quente que estamos a sentir está a tornar ainda mais evidente que não podemos  deixar que o nosso Governo, e os Governos de todos os países europeus, continuem a ignorar o quão urgente é agir perante as alterações climáticas. 

O DiEM25 tem um plano para a transição verde que é possível concretizar, a partir de amanhã, com a atual legislação europeia, e esta é uma das principais razões pelas quais gostávamos que te juntasses a nós nas próximas ações que vamos organizar a partir de Setembro. Não temos tempo a perder!

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Iacyr Freitas: 40 anos de percurso literário | por Adelto Gonçalves

                                                           I
            Para comemorar o 40º aniversário de sua estreia literária, o poeta Iacyr Anderson Freitas (1963) acaba de lançar Os campos calcinados (São Paulo, Faria e Silva Editora, 2022), que reúne toda a sua produção lírica escrita após o seu livro anterior, Estação das Clínicas (2016), além de poemas que até então figuravam apenas em periódicos nacionais e estrangeiros. A exemplo de obras anteriores, os poemas do novo livro trazem a cáustica ironia e o sentimento de perda que são características marcantes do seu itinerário literário. < /span>
            Dividida em cinco partes bem distintas – “O cerol no ouvido”, “Menos café que cicuta”, “Perder um país”, “Este mínimo infinito: breviário” e “Limão Capeta” –, a obra traz peças que fundem o pictórico com o sonoro, expressando o sentimento do poeta em imagens que valem por si mesmas. O poema “A derradeira”, que consta da terceira parte, é um bom exemplo disso: “a manhã curvou seus sinos aos escolhidos / : tu estavas dormindo / veio silenciosa / brindar os passantes / com a última rosa / branca enorme esplendorosa / a última / a d erradeira rosa / a manhã curvou seus sinos / sobre o sono dos vencidos / era domingo / adeus vida que não veio / vento que acende os aceiros / adeus amores de outrora / vela que se queimou no vime dos veleiros / : a manhã devora / a última rosa”.
            A imagem que se desprende da frase “a vida que não veio”, de certo modo, repete-se em “Abaixo, no lugar de rancor, use a palavra amor”, poema que consta da primeira parte, pois traz o mesmo sentimento que evoca um poema de Manuel Bandeira (1886-1968), “Pneumotórax”, que fala de “uma vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Segue o poema: “nada como um rancor não correspondido / no lugar da dor / o olvido / nenhum remorso / nenhum ódio ressentido / nenhuma palavra / como navalha / no ouvido / somente o vazio o vazio infinito / do que não foi / vivido”.

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Como o Ocidente fracassará na Ucrânia | Jeffrey D. Sachs, in Outras Palavras, 19/07/2022

A guerra na Ucrânia é o ápice de um projeto de 30 anos do movimento neoconservador americano. O governo Biden está repleto dos mesmos neocons que defenderam as guerras de escolha dos EUA na Sérvia (1999), Afeganistão (2001), Iraque (2003), Síria (2011), Líbia (2011), e que tanto fizeram para provocar a Rússia a invadir a Ucrânia. O histórico dos neoconservadores é de um desastre absoluto, mesmo assim Biden formou sua equipe com neoconservadores. Como resultado, Biden está levando a Ucrânia, os EUA e a União Europeia a mais um desastre geopolítico. Se a Europa tiver alguma visão própria, ela se separará desses desastres da política externa dos EUA.

O movimento neocon surgiu na década de 1970 em torno de um grupo de intelectuais de atuação pública, vários dos quais foram influenciados pelo cientista político da Universidade de Chicago, Leo Strauss, e pelo classicista da Universidade de Yale, Donald Kagan. Os líderes neoconservadores incluíam Norman Podhoretz, Irving Kristol, Paul Wolfowitz, Robert Kagan (filho de Donald), Frederick Kagan (filho de Donald), Victoria Nuland (esposa de Robert), Elliott Cohen, Elliott Abrams e Kimberley Allen Kagan (esposa de Frederick). 

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Eltânia André: sensibilidade à flor da pele | por Adelto Gonçalves

                                             I
            Com o seu arguto olhar feminino e feminista, característica já marcante em suas obras anteriores, a romancista e contista Eltânia André volta a premiar seus leitores com um novo livro, desta vez, de contos, e minicontos ou microcontos: Corpos luminosos (São Paulo, Editora Urutau, 2022), que reúne 29 peças em que a autora se mostra conhecedora das variadas técnicas da escrita, como o monólogo interior e o fluxo de consciência,  exercitando o realismo, especialmente o interior, que procura ressaltar os conflitos da alma. E tudo feito com singular liberdade criadora.
            No texto de apresentação que escreveu para esta obra, o experiente romancista e contista Whisner Fraga, diz, com percuciência, que a prosa de Eltânia é densa, urdida para apanhar o leitor no contrapé. “Com diversas referências da mitologia, da literatura, da filosofia, da música, de outras artes, estes textos cativam pelo lirismo e pela abrangência de temas e situações”, ressalta.

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COM JAMES CAAN NA MANSÃO DA PLAYBOY | por Manuel S. Fonseca

A verdade é que, sem nunca o ter encontrado, conheci James Caan à minha maneira e fiquei mesmo amigo dele. E gosto de dar uma palavra aos amigos, quando eles dão aquele passo em direcção ao infinito ou, sei lá, abismo, talvez vazio.

Fui à Mansão e não estava lá James Caan. A Mansão é a de Hugh Heffner e tinha tudo o que fez a tépida e insuportável felicidade de James Caan, o actor que agora morreu e lá viveu. Entrei. Uma orquestra de jazz tocava ao ar livre do alto dessa colina de Mulholland Drive. E o que vi tanto me enterneceria a mim como ao mais pálido e animalista sequaz do PAN: havia um vendaval de playmates – camonianas ninfas, claro –, mas também havia esquilos, macacos, tucanos, papagaios, pavões brancos e flamingos cor-de-rosa, ainda mais bonitos do que os meus flamingos do Lobito. Havia outras feras e centenas de coelhos, lots of rabbits.

As playmates levaram-nos depois para o celestial aconchego de uma sauna escavada na rocha. Olhei e nem James Caan, nem Jack Nicholson se escondiam nas caves pré-históricas, que a perversa mente de Heffner, pai da Playboy, construiu.

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“Não vejo saída”. O que a Ucrânia precisaria para a missão quase “impossível” de reconquistar territórios aos russos | Beatriz Céu in CNN PT

Com Major-general Agostinho Costa

As últimas semanas da guerra têm sido marcadas pelos avanços das tropas russas na Ucrânia, nomeadamente no Donbass, obrigando à retirada dos militares ucranianos, que começam agora a contra-atacar e tentar reconquistar as cidades que ficaram nas mãos dos russos – Kherson, Mykolaiv ou Zaporizhzhia. Mas os especialistas militares não perspetivam um bom desfecho para a Ucrânia, que enfrenta uma tarefa quase “impossível” no terreno.

Nestes quase cinco meses de guerra, parece já evidente que “a Ucrânia tem sido mais eficaz em ações defensivas do que em ações ofensivas”, começa por apontar o major-general Agostinho Costa. É certo que o exército ucraniano já conduziu algumas ações ofensivas – como ocorreu em Kharkiv, há cerca de um mês, quando conseguiram empurrar os russos para a fronteira – mas há algumas limitações do ponto de vista militar que impedem uma “ofensiva geral”, acrescenta o também vice-presidente da EuroDefense.

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A extrema-direita na política ucraniana | do Blogue de José Milhazes

Publico esta carta que me foi enviada por amigos ucranianos em quem deposito confiança.

10 febrero2014

The All-UkrainianTradeUnionofWorkersofArtandCultureTheCentralCommittee

04050 Kiev, Degtyarivs ‘ka str., 9/69 tel/fa x +380 (44) 407-01 -58 e-mail: profcult@ukr.net

Los radicales en Ucrania tienen una gran demanda

El partido Svoboda (Libertad) se convierte en un mediador entre los grupos empresariales-políticos y los militantes

Ahora podemos observar la aparición de un nuevo punto de la inestabilidad política y tensión en las fronteras de la UE. Es Ucrania. Es desconocido cuál será el resultado de los acontecimientos que hoy se desarrollan aquí, pero se puede decir con seguridad que en este país los partidos y movimientos de extrema derecha finalmente se han legitimado. Esto significa que en el mapa mundial de la infraestructura de los terroristas y radicales va a ser el nuevo punto de control.

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IV Forum Liberdade e Pensamento Crítico | no Liceu Camões | 23 julho 2022, sáb: das 9h30 às 19h30, Escola Secundária de Camões, LISBOA

23 de Julho, realiza-se na Escola Secundária Luís de Camões (Antigo Liceu Camões) o 4º Forum Liberdade e Pensamento Crítico. Eu participarei com Ricardo Pais Mamede no Painel moderado por David Zink com o título “Encruzilhadas da Guerra e da Paz”. Deixo aqui o link para os possíveis interessados e também o desdobrável do Programa. | CARLOS MATOS GOMES

https://www.agendalx.pt/…/iv-forum-liberdade-e…/

O IV Fórum Liberdade e Pensamento Crítico vai, à semelhança de anos anteriores, proporcionar um dia onde se contemplam exposições temáticas e de pintura, decorrem debates e atividades culturais que incluem um concerto de encerramento, antecedido por momentos de dança, teatro e poesia.

Estarão presentes associações cívicas e culturais com mostras gastronómicas, livros e outros produtos. O tema geral do Fórum é Informação e Desinformação, tema transversal aos debates. Pretende-se fomentar uma reflexão conjunta sobre a verdade e a ética em confronto com a falsidade, as notícias falsas, manipuladas; a verdade que colide com os interesses do poder político e que é sonegada; a verdade como ameaça pela confrontação entre interesses e valores, a manipulação da opinião pública e os jogos de poder.

As sessões serão dinamizadas por convidados e moderadas pelos organizadores, em formato de debate informal.

Um dia negro para a Europa | DiEM25

A Comissão Europeia concordou com os membros do Parlamento Europeu não só abrandando, como também contestando a transição verde. A taxonomia tornou-se negra – o gás e a energia nuclear são agora oficialmente rotulados como “verdes”.

No DiEM25 advertimos o público de que a energia nuclear é um ponto de partida para as armas nucleares, e que é pouco fiável, cara, perigosa e lenta de instalar; enquanto o gás é finito, destrutivo, e contribui para o problema que a Comissão afirma querer resolver.  

Colocámos coletivamente muito trabalho e recursos na nossa campanha Don’t Paint It Green, que possibilitava assinar a nossa petição, tweetar ao Presidente da Comissão, enviar um e-mail ao seu MPE, entre outras iniciativas. E não ficámos por aí. Os nossos camaradas estiveram à frente do Parlamento Europeu vestidos com fatos de proteção e com um barril nuclear para exprimir a nossa preocupação e a afirmar em voz alta: Derrubem a oligarquia !

NO ENTANTO, isto não é o anúncio do fim. Valorizamos definitivamente todos os teus esforços para nos ajudar e não desistiremos. O DiEM25 vai apoiar qualquer tipo de ação legal contra esta taxonomia negra, e vamos estar presentes nas ruas e em espaços online para nos opormos a esta charada. vamos enviar mais notícias sobre este assunto em breve.

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Onde é que se metem os narizes | por Manuel S. Fonseca in Página Negra

Posted on  by Manuel S. Fonseca

O beijo de The Flesh and the Devil

De boca fechada já tinha havido muitos. A primeira vez que os amantes abriram a boca foi em “The Flesh and the Devil”. E não foi para falar, que o filme ainda era mudo. Primeiro, um cigarro passa da boca de Greta Garbo para a boca de John Gilbert. “És lindíssima” sussurra ele num elegante cartão escrito. “E tu… tu és tão novinho”, responde ela noutro cartão, por ser assim, por escrito, que os actores falavam no cinema mudo.

O cigarro já está na boca dele, as mãos aflitas à procura do fósforo que logo acendem. Não sabemos se é a labareda do fósforo, se a do ardor deles, que os ilumina como lua alguma iluminou amantes. Ofuscada, Garbo sopra e apaga a ardente cabecinha do fósforo como quem pede um beijo. Sabe-se lá que lábios, se os dele, se os dela, se abriram primeiro! Sabemos só que foi a primeira vez que num filme americano se beijou à francesa.

Há beijos escritos, beijos pintados. E míticos: o de Pigmaleão insuflou vida em Galateia. Em contos de fadas, o beijo de uma mulher faz de um sapo um príncipe. Rodin aprisionou em mármore frio e nu o beijo infernal que Dante lhe inspirou. Em “Romeu e Julieta”, cantou-o Shakespeare, como quem reza, fazendo dos lábios “dois peregrinos ruborizados” onde talvez “blushing” seja tanto o rubor como a calorosa vergonha que o precede.

Mas foi no cinema que os lábios peregrinos encontraram o seu santuário. O cinema beija melhor do que a literatura, até mesmo do que o luxo da pintura de Klimt. O movimento, luz e sombras do cinema oferecem tudo ao beijo. Fazem-no ingénuo e carnal, romântico e canalha, mignon e descarado.

Pensando que inventara o beijo, o cinema fez-lhe até a pedagogia. Em “For Whom the Bell Tolls”, a loura e sueca Ingrid Bergman, na cena em que mais celestes lhe vi os olhos, é uma improvável espanhola, uma improvável camponesa e a mais improvável Maria. Apaixonou-se por Gary Cooper, americano e combatente na Guerra Civil ao lado dos republicanos. Quer, mas não sabe como beijá-lo: “Onde é que se metem os narizes. Sempre me intrigou para onde é que vão os narizes,” diz, a escaldar de coqueterie. Senhor de um nariz que não se mete onde não é chamado, Cooper roça os lábios pelos lábios dela. “Afinal não se atravessam no caminho, pois não,” e já é ela que o beija, uma, duas vezes. À americana.

À americana, Hawks mostra em “To Have and Have Not”, as vantagens do trabalho de equipa. Bacall beija um impávido Bogart para lhe provar o sabor. Deve ter gostado porque o cântaro volta à fonte e já não me lembro se é logo, ou à terceira que o lento Bogart dá ordens à boca dele para reagir à dela: “É ainda melhor quando tu ajudas!”

À americana ou à francesa, boca mais fechada ou aberta, são precisos dois para o beijo. Nem mesmo tu, ó orgulhosa e fresca boca de Keira Knightley, beijas sozinha.

Enganando dois KGB, Nureyev, com um “pas de deux”, fugiu para o Ocidente. | Manuel S. Fonseca in Página Negra

Enganando dois KGB, Nureyev, com um “pas de deux”, fugiu para o Ocidente. Ora leiam, é um fuga mirabolante, com Malraux e Kennedys à mistura. E dois KGB que ficam pendurados

“Onde estão aqueles dois KGB?”

Ouçam, ouçam. E como é a voz de Jackie Kennedy, peço que se sentem primeiro. Jackie e John vieram em visita de Estado a França. Jantam com De Gaulle e com André Malraux, o ministro da cultura, nesse sumptuoso clarão que é o Chateau de Versailles. E eis o que Malraux acaba de perguntar à sedutora Kennedy: “O que fazia antes de conhecer o John?’”

Passa um fulgurante segundo, a boca colorida de Jackie abre-se: “Era virgem!” disse ela, com riso e ponto de exclamação.

Nesse fulgurante segundo de virtude, talvez Malraux tenha esquecido a fresca tragédia: poucos dias antes, ao volante de um Alfa-Romeo descapotável, tinham morrido os seus dois filhos, estraçalhando-se contra uma árvore, nas mil curvas da Côte d’Azur. O carro oferecera-o Clara Saint, menina de 23 anos, milionária de origem chilena, noiva de um dos rapazes.

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Le 11 juillet 711, Tarik Ibn Zyad conquiert la péninsule ibérique | in babzman.com

Le 11 juillet de l’an 711, les troupes de Rodrigue, le roi wisigoth de l’Espagne chrétienne, voit ses troupes tomber sous les quelques centaines disciples du prophète Mohammed [QSSSL]. Cette modeste bataille de Guadalete, livrera la plus grande partie de la péninsule ibérique aux musulmans qui vont l’occuper durant près de sept siècles.

La tribu germaine des Wisigoths est venue, trois siècles plus tôt, d’au-delà du Rhin, après avoir créé un royaume à Toulouse (France). Chassée par Clovis et ses Franc, elle s’est repliée sur la péninsule espagnole où elle établit un royaume chrétien relativement prospère.

Démis de ses fonctions, à l’aube du VIIIe siècle, Wittiza, le roi wisigoth fit appel à un seigneur Maghrébin, l’Emir de Tanger, Moussa Ibn Nocair, pour lui venir en aide.

Il faudrait souligner qu’à cette époque, les chrétiens d’Occident ne connaissent pas véritablement l’Islam et le perçoivent plutôt comme une secte chrétienne, plutôt qu’une religion rivale. L’Emir ne se fit pas prier et envoya une armée de 6 000 guerriers, commandés par un jeune chef berbère nouvellement converti à l’Islam, le célèbre Tarik Ibn Zyad. Si l’Emir a pu rassembler autant d’hommes, c’est parce que les Wisigoths n’étaient pas populaires. L’armée d’Ibn Zyad, essentiellement composée de Berbères, d’arabes, de syriens, … des musulmans, mais également de juifs et de chrétiens, avait débarqué sur un rocher qui prendra le nom de Gibraltar, en arabe, Djabal Tarik, ou la montagne de Tarik. Débarquant sans difficulté sur l’Algésira, ils s’en emparèrent et avancèrent vers Cordoue et l’intérieur des terres pour se heurter plus tard à l’armée du roi Rodrigue.

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Bocage, a vida passada a limpo | Adelto Gonçalves | por Hugo Almeida

Bocage, a vida passada a limpo

Em pesquisa de grande fôlego, o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves recuperou dados da vida e obra, muitos antes inéditos, de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o poeta que sonhava ser um novo Camões

Por Hugo Almeida

                                                 I

Com outras palavras, Jorge Luis Borges disse na apresentação de Vidas imaginárias, de Marcel Schwob, que a trajetória de uma pessoa está contida naquele tracinho que liga a data de nascimento à de morte. Ou, como escreveu Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.De certa forma, é isso que o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP),mostra na biografia de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805),Bocage, o perfil perdido (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2021).

Em pesquisade impressionante fôlego, paciente,minuciosa,riquíssima em documentação inédita,Gonçalves recompôs em 520 páginasos 40 anos da vida intensa, agitada e contraditória do poeta que não realizou o sonho megalomaníaco de ser um novo Camões, mas entrou para a história da literatura portuguesa. O livro já havia sido publicado em Portugal em 2003 e foi aplaudido pela crítica especializada.

No prefácio da edição brasileira, Fernando Cristóvão, professor catedrático de Literatura da Universidade de Lisboa, resume em um parágrafo quem foi o poeta: “Bocage, alistado na Marinha, cursou a respectiva Academia, embarcou para a Índia, foi boêmio no Rio de Janeiro, passou três anos em Goa e Damão, desertou fugindo para Macau, regressou a Lisboa, onde a vida livre e as sátiras o atiraram para a prisão e o hospício. Morreu doente e pobre, traduzindo nos seus versos a sua vida e o seu tempo”. Cristóvão ressalta a importância de Bocage, o perfil perdido: “Foi para historiar e elucidar as contradições e lances da biografia do poeta que Adelto Gonçalves se abalançou a uma pesquisa aturada e sistemática, de que esta publicação dá conta”. E completa: “O excelente trabalho de agora vai desde o traçado da árvore genealógica da família de Bocage até ao final dos seus dias, facultando-nos abundante documentação”.

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«A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima» |  Inês Santos e Rosa Neto

“A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima” é uma edição de autor, escrita em coautoria por Inês Santos e Rosa Neto, duas catequistas do Covão do Coelho, diocese de Leiria-Fátima, concelho de Alcanena. A obra teve a sua génese nas sessões da catequese com a preparação dos jovens para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, mas com o tempo ganhou maiores contornos.

A apresentação pública está para breve, em Minde e no Covão do Coelho, mas o livro já está à venda: online na BookMundo; diretamente às autoras*; entretanto na FNAC. Pagos os custos da impressão, todo o ganho com a venda da obra será entregue à Paróquia de Minde, para ajuda à aquisição de um sistema de som para a capela do Covão do Coelho.

O prefácio é assinado pelo padre Sebastian Joseph, sacerdote indiano da Congregação do Verbo Divino e pároco de Minde e da Serra de Santo António, para quem o livro “vai despertar muita curiosidade”. Isto porque, refere, “para os mais velhos é uma recordação daquilo que foi ou já existiu e para os mais novos um convite a manter as belas tradições, devoções e a revivê-las”.

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Caos no centro do Mundo | Carlos Matos Gomes

A lógica binária no Ocidente leva à conclusão de que o caos é mau e é desordem e o bem é a ordem. Na antiguidade, na Babilónia, o deus mais importante era Marduk, o da Ordem que venceu o Caos.

A moderna Teoria do Caos surge com a ideia fundamental de que, em determinados sistemas, pequenas variações nas condições iniciais podem gerar grandes variações nos resultados finais. Trata-se do famoso “Efeito Borboleta”, que recebeu o nome técnico de “dependência sensível das condições iniciais”. Esta teoria é — continua a ser — uma heresia nos grandes meios de manipulação de opinião, que defendem para os rebanhos a simplicidade das crenças na bondade dos pastores, sejam eles dirigentes de grandes instituições financeiras, de oligarquias que gerem monopólios de produtos essenciais, sejam dirigentes políticos. O Caos ofende a Ordem. O Caos implica renovação. Mas para quem nos pastoreia existe um caos bom, o das crises financeiras e económicas e um caos mau, o das revoltas das massas e das sociedades.

A análise estratégica é, para surpresa de muitos e muitas especialistas de verbo gongórico e pensamento oco — em última estância, uma aplicação da Teoria do Caos.

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EXPANSÃO DA NATO | “UM ERRO FATAL” George Kennan

George Kennan, o diplomata norte-americano que concebeu toda a política de contenção da Guerra Fria, não mediu palavras ao argumentar que “expandir a NATO seria o erro mais fatal da política americana em toda a era pós-guerra fria”.

Entre as consequências previsíveis de uma tal decisão, Kennan indicou as seguintes:

– “aumentaria as tendências nacionalistas, antiocidentais e militaristas na opinião russa”;

– “teria um efeito adverso para o desenvolvimento da democracia russa”,

– iria “restaurar a atmosfera de guerra fria nas relações leste-oeste” e ainda,

– “impelir a política externa russa em direções decididamente não do nosso agrado”.

Qatar 2022: Elisabete Reis nomeada Fan Leader no Qatar dos fans da seleção portuguesa

Elisabete Reis, empresária portuguesa residente no Qatar desde 2006, foi convidada pela Organização do Qatar 2022 para fan leader no Qatar dos fans da seleção de Portugal no Campeonato Mundial de Futebol FIFA 2022. O convite é recente e deixou Elisabete Reis “com muita alegria e orgulho”. A empresária começa agora a preparar a valorização da presença de Portugal no campeonato.

Fui nomeada Portugal Fan Leader Qatar 2022, convite que aceitei com muita alegria e orgulho. A nomeação significa representar Portugal nos muitos eventos que a Organização vai promover no Qatar até ao Mundial, em novembro. Serei representante, digamos assim, não só dos fans portugueses aqui residentes, mas de todos quantos gostam da seleção de Portugal”, explica. 

Com a nomeação Elisabete Reis começa a representação e dinamização dos grupos de fans. Uma das primeiras iniciativas surgiu a convite de um grupo de fans indianos. “Quatro jovens indianos residentes no Qatar [na foto com Elisabete Reis] criou recentemente nas redes sociais um grupo de fans da seleção de Portugal no Qatar, o Portugal Fans Qatar. O Jinshad Ali, o Riyas Rasak, o Hafsal Bin Haneefa e o Mohamed Shahil são loucos por Portugal, convidaram-me para me associar a eles e aceitei; não tinha sentido estar a criar outros perfis se estes têm pessoas tão entusiastas”, explica.

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“A Ucrânia não é reconstruível!” | Carlos Matos Gomes entrevistado por Humberto Costa

Humberto Costa |

O Coronel Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril e fundador do Movimento dos Capitães, fala do conflito da Ucrânia, de como e de quem o alimenta e porquê, do cenário que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: “Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…”

Este conflito era evitável?

Este conflito apenas não foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e até agora característico de uma guerra convencional, resulta da análise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estratégicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar potências concorrentes, no caso a Rússia e a China.

Porquê a Ucrânia?

A Ucrânia é apenas o palco mais adequado ao conflito que opõe os EUA à Rússia e à China, uma barriga de aluguer. Aliás, o objetivo declarado dos EUA é o enfraquecimento da Rússia e a conclusão da cimeira da NATO de Madrid foi que a China é uma ameaça aos valores do “Ocidente”, aqui representado pela NATO, a aliança militar dos países de capitalismo avançado.

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Não Há ‘Bala Mágica’ Que Possa Virar A Maré Para A Ucrânia | por Daniel Davis in 19fortyfive

No domingo passado, quando o restante soldado ucraniano se retirou de Lysychansk, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que evacuar suas tropas da cidade “onde o inimigo tem a maior vantagem no poder de fogo”, foi a decisão certa, mas “significa apenas uma coisa… Que voltaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas.” Embora muitos no Ocidente queiram que isso seja verdade, a realidade é muito diferente: não há base para esperar uma futura ofensiva para expulsar as tropas russas dos territórios conquistados.

O resultado mais provável para as Forças Armadas ucranianas (UAF) se continuarem lutando contra os russos é que mais tropas de Zelensky serão mortas, mais cidades ucranianas serão transformadas em escombros, e mais território Kyiv perderá para os invasores. Uma análise sóbria da capacidade das duas forças armadas, uma avaliação dos fundamentos militares que historicamente se mostraram decisivos no campo de batalha, e um exame do potencial de sustentabilidade para ambos os lados, deixam claro que a Rússia quase certamente ganhará uma vitória tática.

O conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych disse que, pelo contrário, as retiradas em Severodonetsk e Lysychansk não foram derrotas, mas sim “bem sucedidas” na qual ele alegou que permitiram à Ucrânia “ganhar tempo para o fornecimento de armas ocidentais e a melhoria da segunda linha de defesa, para criar condições para nossas ações ofensivas em outras áreas da frente”. Esta é uma crença comum no Ocidente, mas não suportada pelos fatos.

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“Os árabes de Lisboa e de Portugal sempre estiveram por aqui” | Sérgio Luís de Carvalho | por João Céu e Silva in DN

A conquista de Lisboa aos mouros em 1147 numa pintura de Roque Gameiro.

O terceiro volume com que Sérgio Luís de Carvalho vem fazendo a história da capital portuguesa é dedicado à presença árabe em Lisboa: “Uma viagem maravilhosa por um legado com mais de mil anos de história”.

O historiador Sérgio Luís de Carvalho tem vindo a publicar uma série de livros em que o tema é a história de Lisboa. Após Lisboa Nazi Lisboa Judaica, lança agora Lisboa Árabe. Quando se lhe pergunta qual dos três volumes seduzirá mais os leitores, considera que, apesar do interesse específico de cada um, admite que Lisboa Nazi possa “ter os ingredientes para cativar desde logo um leitor interessado em temas históricos, no geral. É um assunto mais “perto” de nós e cujos ecos e feridas ainda se poderão fazer sentir”. Quanto aos outros dois, que têm uma componente religiosa maior, refere que “terão mais fôlego em termos diacrónicos, o que levará a uma visão mais “prolongada” temporalmente”. O trio sobre Lisboa não deverá terminar com esta nova investigação e adianta que “é possível, até provável” novos títulos. No entanto, diz, “no caso plausível de haver continuação, tenho de pensar bem como manter o nível e a coerência do projeto”.

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Europa e cultura | Guilherme d’Oliveira Martins | in DN

A Comissão Europeia e a Europa Nostra anunciaram os prémios do património cultural 2022, entre os quais se encontram o Convento dos Capuchos em Sintra, na categoria de Conservação e adaptação a novos usos e o projeto Museu na Aldeia, que envolve 13 museus e 13 aldeias em Leiria, na categoria Envolvimento e sensibilização dos cidadãos. Do Convento dos Capuchos falei aqui na crónica de 15 de fevereiro, e devo dizer que se trata de um prémio justíssimo. Entre os galardoados, encontra-se ainda a Igreja de Santo André em Kyiv, na Ucrânia, mercê de uma ação de conservação que devolveu aos ucranianos e à humanidade um monumento de grande valor comum, funcionando o monumento como um museu que acolhe serviços religiosos, eventos científicos e educacionais e concertos de música de câmara.

Se falo do reconhecimento da defesa e salvaguarda do património cultural, como realidade viva, refiro, a propósito desta iniciativa europeia, a necessidade de uma cultura de paz que obriga a que tomemos consciência de que a defesa do património não se refere apenas aos monumentos ou às “pedras mortas”, mas aos direitos fundamentais das pessoas, à memória e à dignidade humana.
Como disse o poeta Heinrich Heine: “onde se queimam livros (ou objetos de memória, lembramos nós), acaba-se a queimar pessoas”. É, pois, a memória que está em causa e os direitos e deveres que a acompanham. Lembre-se o que ocorre neste momento na Ucrânia: segundo a UNESCO, mais de 150 monumentos, museus ou sítios foram danificados ou destruídos – 70 templos religiosos, 30 edifícios históricos, 18 centros culturais, 15 museus e 7 bibliotecas. 45 em Donetsk, 40 em Kharkiv e 26 em Kyiv. Exemplos? A Catedral da Assunção em Kharkiv, bem como diversos pavilhões da Universidade Nacional das Artes na mesma cidade; o teatro de Marioupol; o museu da artista Maria Pryimachenko de Ivankiv (Kyiv). Por outro lado, os Museus de Arqueologia e de Arte Moderna de Odessa estão sob ameaça ou o centro da cidade de Lviv, classificado pela UNESCO.

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A escandinava Greta (esta é Garbo) e a paixão por Gilbert, em três capítulos que se lêem como um fósforo | por Manuel S. Fonseca in Página Negra

Posted on  by Manuel S. Fonseca

Esta é, em três fragmentos a que só por inadvertida audácia se pode chamar capítulos, a história de rejeição e paixão de John Gilbert e Greta Garbo, ídolos da América e do mundo, no final dos anos 20 e começo dos anos 30Para os mais jovens, acrescento mais informação: eram actores de cinema. E complemento: cinema era uma arte de sombras, indulgências, tesouros e cabalas, cultivada pela calada da noite em insidiosos palácios nocturnos, invisíveis durante o dia.

Heróico, viril e vil

Todo o passado é sincrético. Como sabem, John Gilbert é um actor do tempo de Homero ou Ben-Hur ou não fosse o cinema uma invenção mediterrânica. Um dos criadores desse cinema da antiguidade clássica foi Louis B. Mayer. Judeu, claro. Como Aquiles, era heróico, viril e vil. De poderoso soco. Basta vê-lo, à porta do Alexandria Hotel, aos murros a Charlie Chaplin. Foi em Los Angeles: na minha antiguidade clássica já havia América e hotéis de cinco estrelas.

Mas é de outro soco que falo. A viking Greta Garbo chegara a Hollywood. Vinha filmar “Temptress”, auto-estrada de adultérios em cadeia. Isto passou-se em 1925 e 1926, anos de lânguido aquecimento e dilatação dos corpos em Hollywood, como o provam os filmes que Mayer então produziu.

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