Primeiro número da revista Granta Portuguesa terá inéditos de Fernando Pessoa

O director Carlos Vaz Marques quer publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.

O primeiro número da edição portuguesa da revista literária Granta, que sairá em Maio, irá publicar inéditos de Fernando Pessoa, disse esta sexta-feira à Lusa o jornalista Carlos Vaz Marques, que a dirige.

A publicação de cinco sonetos de Fernando Pessoa, apresentados pelos investigadores pessoanos Jerónimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite, insere-se no primeiro objectivo da revista, que “é o de publicar bons textos literários inéditos”, disse Carlos Vaz Marques.

Referindo-se à publicação dos sonetos de Pessoa, Vaz Marques afirmou tratar-se de “uma revelação absoluta” que “já justificaria, por si só, este primeiro número da edição portuguesa da Granta”.
Segundo o responsável, há o interesse em publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista encomendará textos a autores de língua portuguesa.

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http://www.publico.pt/cultura/noticia/edicao-portuguesa-da-revista-granta-comeca-em-maio-com-ineditos-de-fernando-pessoa-1589530 … (FONTE)

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DOIS POEMAS DE MARIA JOÃO CANTINHO in “Mallarmagens”

Partes lentamente da vida

num barco ébrio de sangue
onde se inscreve a pele da noite
nesse festim. Dobras o vento, esse uivo
que chega do Norte, nas pegadas de um silêncio
interdito e em que calas os nomes
desenhados na lucidez das mãos.
Ninguém lê as pedras, os sinais,
Ninguém decifra o traço de sangue desse navio
Que navega em direcção a uma ilha,
Neste arquipélago de solidão.
Os gestos são irremediáveis, no instante
Em que tudo refulge para se afundar. Ninguém ouve
Este naufrágio perdido no canto de um marinheiro
Que sabe não voltar. A viagem é sem retorno.
Tu sabes, vais a caminho.
Essa mulher que caminha no orvalho da madrugada,
de pés nus, que dança na margem do rio,
ouvindo o vento da noite,
                                  essa mulher
que canta o silêncio até onde o grito,
traz na fronte a cicatriz,
que se desenha como a luz na água, a sua loucura,
                                 ela, alheia a tudo,
dança até onde a música eleva os seus pés,
ardem-lhe os lábios, morde a dor, a vida
e nada recusa.
Dança até onde a tempestade a leva.
Maria João Cantinho: nasceu em 1963, Lisboa. É poeta, ensaísta e pensadora. Profunda conhecedora da obra e pensamento do  filósofo Walter Benjamin. Formou-se  em Filosofia e realizou  tese de mestrado em estética sobre Walter Benjamin: “O Anjo Melancólico – análise do conceito de alegoria na obra de Walter Benjamin”. Tem vindo a colaborar em várias publicações (jornais e revistas) , tanto na área da poesia, como ensaio.  Publicou entre outros  títulos: “A Garça” (contos, 2001), “Abrirás a Noite com um Sulco” (Poesia, 2002) , “O Anjo Melancólico” (ensaio, 2002), o Traço do Anjo  ( poesia 2011)
mjc

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS | Tomás Vasques

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (1). | «Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado – e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos.»

Ferreira Fernandes, no DN.

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (2).«No ano em que soubemos que uma quadrilha de amigos do Presidente não paga o que deve ao BPN e temos nós de pagar por eles, milhares de milhões, as pessoas escolhem odiar Sócrates.»

Clara Ferreira Alves, no Expresso.

FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (3).«Para memória futura: que fique registado que muita e boa gente defendeu, sem pudor, que José Sócrates devia ser silenciado para sempre.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso.

Exercício de independência impossível | Gabriela Ludovice

Tornar o mundo um miolo, achatá-lo com peso de corpo sobre o tampo atoalhado da mesa, arredondá-lo sob a palma linhosa da mão que o sente ínfimo desperdício, coisa que se pode perseguir se rola desatenta para o chão.

Olhá-lo desinteressadamente mesmo que já entre os pés calçados há horas, sem alterar uma pequena parte que seja da sua vaga importância, portanto nem sequer adesivá-lo com palavras inventadas e ele, o miolo, a ponto de esmiuçar-se perante a nossa indiferença e nós, a ruborizarmos sobre os ombros.

Gabriela Ludovice

http://pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=5619 … (FONTE)

Primeira mostra individual de Cao Guimarães no Itaú

Autores e Livros

Matéria de Antonio Gonçalves Filho para o Estadão:

Artista consagrado no circuito internacional e representado em coleções como a do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), o mineiro Cao Guimarães, 48, ganha sua primeira individual numa instituição brasileira, o Itaú Cultural, que será aberta hoje para convidados (e amanhã para o público). A mostra Ver É Uma Fábula, com curadoria de Moacir dos Anjos e arquitetura expositiva de Marta Bogéa, reúne seus oito filmes de longa- metragem, além de 21 vídeos e fotografias apresentadas em slide show. A exposição é a maior já feita do artista e ocupa três andares do instituto, onde também será realizado um workshop com Cao e os músicos do Grivo, grupo formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, que assina as trilhas de quase todos os filmes do realizador.

Inspirado numa passagem do livro Catatau, do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989)…

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Baixa 22

oportocool

Designa-se Baixa 22 este restaurante-bar cujo nome se deve ao (já mítico) eléctrico 22, que passa entre este sítio e o luxuoso Hotel Infante de Sagres, do outro lado da praça. Onde antes havia uma antiga carpintaria, agora reinventada mas onde a madeira ainda impera, o sushi de fusão e a sangria, para muitos provavelmente a melhor da cidade, são a especialidade que nos leva frequentemente até lá. O ambiente é informal, despojado e despretensioso mas, sobretudo, honesto com o espírito e a arquitectura original do espaço, procurando manter-se fiel ao carácter muito próprio da cidade. E isso, para mim, é cool!

O espaço deste bar e restaurante é pequeno mas grande em personalidade. Duas estreitas portadas dão acesso a uma sala estreita e comprida, mas alta, com diversas mesas e cadeiras em madeira que mostram um ar robusto e austero como antigamente, tal como o balcão. As cores, bem…

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Museum Admission: Monumental Consumption with El Anatsui

New American Paintings/Blog

The Brooklyn Museum’s retrospective of El Anatsui’s works, entitled “Gravity and Grace: Monumental Works by El Anatsui,” says and does a lot all at once: it’s high art (gaining international acclaim at the Venice Biennale in 2007 and quite literally, towering above viewers); it’s low art (made of repurposed trash and sometimes resting at and under visitors’ feet at the museum); and all said and done, it’s freaking beautiful.  

1. Gli - view 1
El Anastsui | Gli (Wall), 2010. Aluminum and copper wire, installation at the Brooklyn Museum, dimensions variable. Image courtesy of Ellen C. Caldwell.

This show, which has been travelling around the U.S. since the summer of 2012, is truly monumental and is showing simultaneously with another large-scale retrospective of his work, appearing in 11 major cities between 2011 and 2014; in numbers, it is displaying more than 30 works, spanning Anatsui’s artistic career; and in recyclability, it is…

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Good Friday Funeral Procession In Romont, Switzerland

schwingeninswitzerland

We stopped by Romont, Switzerland to view a funeral procession on Good Friday.  Replete with mourners, it takes place in the medieval old town on cobblestone streets past a ancient buildings.

The ceremony begins with a mass and a reading from the Bible of the Passion of Christ. When the funeral procession is mentioned, the congregation exits the church to begin their procession through the streets of the old hilltop town.  The parade is led by a penitent in a black gown, wearing a black hood and carrying a large cross.  A young girl portraying the Virgin Mary follows.  Mourners are clothed and veiled in black come next.  Some of them carry the symbols resting on scarlet cushions.  They include: a crown of thorns, a whip, nails, a hammer, tongs, and St. Veronica‘s shroud.

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Cartas de Amor | Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21/10/1935

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Álvaro Cunhal por Pedro de Pezarat Correia

alvaro_1998_200pcNo passado sábado, 23 de Março, numa Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa completamente lotada, teve lugar uma sessão cultural evocativa da figura de Álvaro Cunhal, que inicia um ano dedicado às comemorações do centenário do seu nascimento. Não pertencendo nem nunca tendo pertencido ao Partido Comunista Português (PCP) situo-me, porém, no grupo daqueles que consideram que o PCP se inscreve na área política que gostariam de ver o povo português escolher para liderar os destinos do país. Aqui fica o meu registo de interesses para que não haja equívocos com esta nota no GDH.

Com muito gosto aceitei o convite que me dirigiram para integrar a Comissão Promotora e estive presente na Aula Magna onde, entre muitas vantagens, beneficiei da oportunidade de ouvir mais um magnífico discurso do reitor da Universidade, professor Sampaio da Nóvoa. Guardo de Álvaro Cunhal, do cidadão, do resistente e precursor do 25 de Abril, do político, do estadista, do intelectual multifacetado, um profundo respeito. Particularmente agora, quando as figuras menores que têm passado pelo poder sem honra e sem dignidade vêm aviltando a imagem dos políticos e da democracia – e este é dos pecados maiores que lhes devem ser cobrados –, é justo e é pedagógico, evocar alguém que se empenhou profundamente na política sem mácula, sem cedências susceptíveis de violarem os princípios, os valores, os compromissos. Álvaro Cunhal era uma referência para quantos, independentemente dos sectores ideológicos e partidários em que se situassem, cultivavam o rigor na gestão da polis, na política, porque era de uma enorme exigência. Mas começava por ser exigente consigo próprio. Concordasse-se ou discordasse-se dele, confiava-se nele.

Recordo que, quando partilhei algumas responsabilidades no país e, com os meus camaradas, discutíamos ou analisávamos a situação política, o sentimento generalizado em relação a Álvaro Cunhal era o de que se tratava de um homem de carácter, credível no que dizia, fiável naquilo com que se comprometia. Aí pela década de 90, quando eu já estava reformado da vida militar e Álvaro Cunhal já deixara a liderança do PCP, encontrávamo-nos, não com muita frequência mas com alguma regularidade, por vezes com mais dois ou três amigos. Eram conversas privadas, interessantíssimas, trocas de impressões passando em revista as conjunturas nacional e internacional. E Álvaro Cunhal gostava de frisar o que mais o marcara quando teve de lidar com os militares na política no período revolucionário e nos anos em que perdurou o Conselho da Revolução e um militar na presidência da República: eram homens de palavra. E isso fora decisivo na manutenção de relações de respeito mútuo.

Há um aspecto que não posso deixar de registar. Hoje, quando a União Europeia navega em águas agitadas sem rumo perceptível e em que os chamados países periféricos sofrem as consequências de decisões que parecem tudo menos inocentes, é oportuno recordara voz lúcida de Álvaro Cunhal que na altura muitos acusaram de “velho do Restelo”. Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão à Comunidade Económica Europeia e a entrada no “clube dos ricos”, quando a maioria do povo português embarcava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas.

Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso.

25 de Março de 2013

http://resistir.info/portugal/pezarat_cunhal_25mar13.html (FONTE)