DDLX – Olhar e perceber tudo

DDLX

Este ano é o 10º aniversário da DDLX.

Na DDLX o design é encarado como forma eficaz de comunicação, e a maneira mais útil de transformar ideias em objetos de divulgação e promoção.

Trabalhando em equipa, a DDLX tem experiência em convocar pessoas de outras áreas para projetos em conjunto.

Na DDLX acredita-se que o Design de Comunicação encurta a distância que existe entre quem quer divulgar e os possíveis utilizadores da comunicação divulgada. Essa é a sua missão.

www.ddlx.pt

 

O Botequim da Liberdade

botequimEra uma mulher inigualável. Nos caprichos, nos excessos, nas iras, nas premonições, nos exibicionismos, na sedução, na coragem, na esperança. Cantava, dançava, declamava; improvisava, discursava, polemizava como poucos entre nós alguma vez o fizeram, o somaram.
(Botequim da Liberdade, de Fernando Dacosta)

Natália Correia surge aqui num retrato de corpo inteiro, com seu lado inquieto a vincar estas páginas. O Botequim foi local de gente assídua e, provavelmente, com o Procópio das últimas tertúlias de Lisboa. Local de comunhão com pessoas de espírito e ousadia porque se deve evitar a cultura desvivenciada, pois só quando se está muito na vida se pode transmiti-la aos outros.

Ler mais no Acrítico – leituras dispersas.

Ponto de Equilíbrio

O GRUPO MANTÉM A FORMAÇÃO INICIAL COM O VOCALISTA HELIO BENTES, ANDRÉ SAMPAIO NA GUITARRA SOLO E BACKING VOCALS, LUCAS KASTRUP NA BATERIA, MARCIO SAMPAIO NA GUITARRA RÍTMICA, PEDRO “PEDRADA” CAETANO NO BAIXO, TIAGO CAETANO NOS TECLADOS E BACKING VOCALS E MARCELO “GRACIA” CAMPOS NA PERCUSSÃO.

A BANDA PONTO DE EQUILÍBRIO DIALOGA COM DIVERSAS VERTENTES MUSICAIS ENTRE BRASIL, JAMAICA E AFRICA, E ENTRE O AUTÊNTICO REGGAE ROOTS E HITS RADIOFÔNICOS ATUAIS. AS LETRAS ENFATIZAM A IMPORTÂNCIA DA IGUALDADE SOCIAL, O PONTO BUSCA O EQUILÍBRIO DO HOMEM, PERANTE AO MEIO AMBIENTE ATUAL.

saiba mais aqui

 

Prémios Time Out Lisboa 2013

BVA

Ainda não é uma tradição milenar, mas havemos de lá chegar. Este ano, pela segunda vez, a Time Out Lisboa distinguiu os melhores da cidade nas diversas áreas. Saiba quem levou para casa um corvo dourado, bem como todos os nomeados nas respectivas secções.

O vencedor do prémio o Livro do Ano: As Primeiras Coisas de Bruno Vieira Amaral.

«Com As Primeiras Coisas, Bruno Vieira Amaral faz a história do Bairro Amélia, na margem esquerda. O livro abre com um prólogo de 47 páginas e dezenas de notas de rodapé. O texto é brilhante. O autor tem voz própria e não se confunde com nenhum dos seus pares: «Quando, em finais dos anos noventa, voltei costas ao Bairro Amélia, com os seus estendais de gente mórbida, a banda sonora incessante das suas misérias, nunca pensei que a vida me devolveria ao ponto de partida.» A estrutura narrativa assenta numa sucessão de 86 “fichas” temáticas de dimensão variável, ordenadas alfabeticamente, de Aborto a Zeca. Para já, uma certeza: temos escritor.»
Eduardo Pitta, Da Literatura.

O último abraço que me dás | António Lobo Antunes in “Visão”

O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me

– Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

– Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

Continuar a ler

Citando Natália Correia

botequim

No princípio era o Éden, o reino da Preguiça, da não-produção, da não-reprodução. Ao castigar o homem expulsando-o dele, Éden, Deus condenou-o a ganhar o pão com o suor do rosto e a crescer, multiplicando-se – penas malvadas na óptica do Criador.

Os seus representantes na Terra (caso dos sacerdotes) ver-se-iam, depois, bastante atrapalhados ao terem de apresentar como entusiasmantes tais desígnios.
Inconformados com eles, os humanos mais expeditos lançaram-se, entretanto, no fabrico de máquinas e meios (informática, pílula) atenuadores das penas sofridas.
Contrariando o Pai, Jesus Cristo deu aos calões uma excelente ajuda: não arranjou emprego, não constituiu família, não fez filhos, não andou em escolas, não pagou impostos, não cumpriu tropa, não votou em políticos; em certa ocasião, avisou até que «quem deitar mão do arado não é digno de entrar no reino dos céus».

O Botequim da Liberdade, de Fernando Dacosta.

Princípio e Fim da Europa | José Mateus in “Inteligência Económica”

grecko-kriza_2

A “Europa” foi uma criação francesa ou francófona (com muito apoio do americano ACUE, de Wild Bill Donovan). Vejam-se os nomes e curriculos dos “pais fundadores”: Jean Monnet , Robert Schuman e o belga Paul-Henri Spaak. Estes, com o apoio do ACUE, souberam forjar alianças com o italiano Alcide De Gasperi, o holandês Johan Willem Beyen, o alemão  Konrad Adenauer e o luxemburguês Joseph Bech.

Este “projecto Europa” é, em seguida, adoptado por duas das três grandes “internacionais” dos anos 50: a Internacional Socialista e a Internacional Democrata-Cristã. A Internacional Comunista ficou, claro, de fora e contra o projecto, como impunham as regras da “Guerra Fria”, já que essa “Europa” se fazia como parte da estratégia “to counter the Communist threat in Europe”.

Ao cair o muro de Berlim, todo o quadro da “Europa” caíu. O desaparecimento da ameaça soviética e a emergência da Alemanha (pós reunificação) arruinou e fez ruir este projecto francês de “Europa”, cujo último grande momento foi a década protagonizada por Jacques Delors.

Ler mais: http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=9771 … (FONTE)

Mia Couto | O Fio das Missangas

Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
— Dói-te alguma coisa?
—Dói-me a vida, doutor.
O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:
— E o que fazes quando te assaltam essas dores?
— O que melhor sei fazer, excelência.
— E o que é?
— É sonhar.

Mia Couto in O fio das missangas

Mia

Baudelaire | Le Balcon | The Balcony

The original French

Le Balcon

Mère des souvenirs, maîtresse des maîtresses,
Ô toi, tous mes plaisirs! ô toi, tous mes devoirs!
Tu te rappelleras la beauté des caresses,
La douceur du foyer et le charme des soirs,
Mère des souvenirs, maîtresse des maîtresses!

Les soirs illuminés par l’ardeur du charbon,
Et les soirs au balcon, voilés de vapeurs roses.
Que ton sein m’était doux! que ton coeur m’était bon!
Nous avons dit souvent d’impérissables choses
Les soirs illuminés par l’ardeur du charbon.

Que les soleils sont beaux dans les chaudes soirées!
Que l’espace est profond! que le coeur est puissant!
En me penchant vers toi, reine des adorées,
Je croyais respirer le parfum de ton sang.
Que les soleils sont beaux dans les chaudes soirées!

La nuit s’épaississait ainsi qu’une cloison,
Et mes yeux dans le noir devinaient tes prunelles,
Et je buvais ton souffle, ô douceur! ô poison!
Et tes pieds s’endormaient dans mes mains fraternelles.
La nuit s’épaississait ainsi qu’une cloison.

Je sais l’art d’évoquer les minutes heureuses,
Et revis mon passé blotti dans tes genoux.
Car à quoi bon chercher tes beautés langoureuses
Ailleurs qu’en ton cher corps et qu’en ton coeur si doux?
Je sais l’art d’évoquer les minutes heureuses!

Ces serments, ces parfums, ces baisers infinis,
Renaîtront-ils d’un gouffre interdit à nos sondes,
Comme montent au ciel les soleils rajeunis
Après s’être lavés au fond des mers profondes?
— Ô serments! ô parfums! ô baisers infinis!

Translated by Rosemary Lloyd (2002)

Mother of memories, mistress of mistresses
All of my pleasures and all of my cares!
You will recall the beauty of caresses,
The sweetness of the hearth and the charm of the evening
Mother of memories, mistress of mistresses.

Those evenings lit by the glow of the coals,
Those evenings on the balcony veiled in pink mists.
How sweet your breast! How kind was your heart!
How often we said things we will never forget,
Those evenings lit by the glow of the coals.

How beautiful the sun on those warm summer evenings!
How vast then is space! How powerful the heart!
In leaning toward you, queen of the adored,
I felt I was breathing the scent of your blood.
How beautiful the sun on those warm summer evenings!

The nights would grow as thick as the partition wall
And my eyes in the dark would seek out your eyes,
And I drank in your breath, o sweetness, o poison!
And your feet fell asleep in my brotherly hands.
The nights would grow as thick as the partition wall.

I know how to call up the moments of joy,
See my past once again nestled in your knees.
Where should one look for your languorous beauty
If not in your dear body and in your sweet heart?
I know how to call up the moments of joy.

Those vows, those perfumes, those infinite kisses,
Will they rise yet again from a gulf none may measure?
As the rejuvenated sun rises again to the heavens
After being washed in the depths of the deep seas?
— O vows! O perfumes! O infinite kisses!

Baudelaire500

BARÕES | José Pacheco Pereira in “Abrupto”

O PSD, como o PS, é hoje controlado internamente de forma muito rígida por uma nomenklatura de carreira, que encontra no acesso ao poder partidário o principal mecanismo “profissional” de promoção, assim como múltiplas oportunidades de “negócio”, a todos os níveis.

(…)

Só aí, os dois únicos homens, Rio e Costa, que acumulam o raríssimo prestígio da acção política prática, nas duas maiores câmaras do país, com o voto dos portugueses, podem lá chegar. Eles são também a última oportunidade do sistema político partidário português sobreviver.

Continuar a ler