Auto dos Danados, de António Lobo Antunes

Auto dos DanadosNa segunda semana de Setembro de 1975, na casa da família, Diogo, o patriarca, agoniza, ao longo dos cinco dias da festa da povoação. Projecta-se assim para primeiro plano a festa de Monsaraz, no terceiro dia da qual a pega de um touro culminará na sua morte, desenrolando-se os preparativos em simultaneidade com a agonia do ancião, o qual virá a morrer ao mesmo tempo que o animal. Neste contexto, os vários membros da família contam do círculo de ódio em que estão aprisionados, e em que participam, introduzindo-os nas histórias individuais, e do conjunto, desde crianças. Ao velho patriarca, a infância sofredora de filho punido a chicote, a traição do irmão e da mulher, a decepção com os filhos, levaram-no a proceder como dono de pessoas e bens, usufruindo do poder e do prazer malévolo de destruição de uns e de outros.

Edição comemorativa dos 30 anos da 1.ª Edição 1985-2015

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

O livro, o 25º romance do autor, tem como fio condutor um prédio algures em Lisboa e as vidas das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes

O escritor António Lobo Antunes vai receber no próximo dia 6 de Outubro o Doutoramento Honoris Causa da Universidade Babes-Bolyai de Cluj, na Roménia, uma das mais antigas e prestigiadas da Europa Central e Oriental (www.lett.ubbcluj.ro).
A distinção, resultado de uma decisão unânime dos membros do Senado daquela Universidade, é atribuída a António Lobo Antunes pela sua “contribuição excepcional para a literatura mundial” e, também, pela “difusão da cultura portuguesa no Mundo”. O mais alto título académico da Universidade Babes-Bolyai de Cluj tem reconhecido personalidades com realizações notáveis nos domínios científico, artístico, filosófico e teológico. Mario Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura,Jacques le Goff, historiador francês, Angela Merkel, Chanceler Alemã, e Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, são algumas das individualidades recentemente distinguidas com o mesmo grau académico.
Um dia depois da cerimónia, no decorrer da abertura do Salão do Livro da Transilvânia, onde serão apresentadas as edições romenas dos livros do autor, António Lobo Antunes receberá, também, o Grande Prémio de Excelência do Salão do Livro.
De referir, por último, que a Dom Quixote publicará o mais recente livro de António Lobo Antunes, Caminho Como Uma Casa Em Chamas, no próximo dia 21 de Outubro.

O último abraço que me dás | António Lobo Antunes in “Visão”

O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me

– Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

– Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

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CCB – Dia António Lobo Antunes

CCB

CCB . 27 OUT . 15H00 > 18h30 . PEQUENO AUDITÓRIO

“António Lobo Antunes (1942) afirma-se como um ávido revelador do que a vida sistematicamente esconde. Para além do superficial dos acontecimentos, o romancista recorda, invoca, interpreta, aventura-se no próximo, no incerto e no desconhecido. E vêm à memória amigos, desaparecidos, mas presentes, como José Cardoso Pires e Ernesto Melo Antunes…  A vida entretece-se de amizades. Harold Bloom fala misteriosamente de “one of the living writers who will matter most”. George Steiner considera-o como “heir to Conrad and Faulkner”. O certo é que a sua escrita atrai, porque é inusitada e pertinente, luminosa e obscura. Que é a vida senão um mundo de contradições? Quaisquer elogios passageiros nunca permitirão entendê-lo. Um dia disse: “Quando lemos um bom escritor é para nos conhecermos a nós mesmos”. Essa a grandeza da literatura, a de ser um revelador da existência. É fundamental ler António Lobo Antunes, para quem é insuportável aceitar a mediocridade e ouvir dizer “somos um país pequeno e periférico”…”

Guilherme d’Oliveira Martins

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