A metamorfose do racismo que regressa (2) | Carlos Esperança

A metamorfose do racismo que regressa

Quando uma agremiação de malfeitores e marginais, instruídos ou de precária instrução, é capaz de aceitar a proposta de castração de violadores e mulheres que abortem, por mais abjetos que sejam os crimes dos primeiros, não é formada por homens e mulheres, é uma associação de homúnculos, discípulos do Dr. Josef Mengele.
Que seres desprezíveis, que falam como pessoas e pensam como selvagens, possam ter reuniões onde vomitam ódio, desprezam os direitos humanos e combatem a civilização, vemos como é frágil a democracia que, apesar disso, temos obrigação de defender, para os que a amam e para os que a querem destruir.
Os que vociferam contra a corrupção não são os que a combatem, são os que pretendem gritar a sua honestidade e acusar os que são essenciais para que a democracia sobreviva, num caso e noutro, sem sentirem a necessidade de provas.

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A metamorfose do fascismo que regressa (1) | Carlos Esperança

A metamorfose do fascismo que regressa 

Desaparecida a memória dos regimes nazi/fascistas, saradas as feridas pela morte das gerações que os sofreram, regressam os demónios, com os democratas a digladiarem-se, enquanto os neofascistas avançaram.
A nível mundial tivemos, numa primeira fase, a vitória do liberalismo económico com Reagan, Tatcher e João Paulo II que, contrariados em vitórias eleitorais de regimes que consideraram hostis, apoiaram ditaduras. A de Pinochet, no Chile, foi o paradigma do regresso precoce ao fascismo.
A decadência ética de dirigentes democraticamente eleitos contribuiu para a chegada de populistas que têm na mentira a arma e na desfaçatez o método de conquista do poder. É a fase de Trump, Jonhson, Salvini e de analfabetos abrutalhados, Duterte ou Bolsonaro.

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Há 480 anos – A inquisição portuguesa | Carlos Esperança

Portugal, tal como Espanha, não teve os benefícios da Reforma, e sofreu a violência da Contrarreforma.

Aos países ibéricos não chegou a Reforma, causa do atraso a que foram remetidos, mas veio a Inquisição, instrumento cruel da Contrarreforma. A piedade dos Reis Católicos, de Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, que nunca tomaram banho ou faltaram a obrigações pias, e a do sr. Dom João III, com o cognome ‘Piedoso’, levou-os a exigirem o santo tribunal. O padecimento de quem não seguisse a religião verdadeira, ou de quem pecasse contra ela, assegurava-lhes o Paraíso. Os Reis Católicos, ainda não canonizados, já tinham imposto a D. Manuel I, para o acordo de casamento com a sua augusta filha, entre outras cláusulas, a criação da Inquisição.

A mercê papal estorricou bruxas, hereges, judeus, adivinhadores, feiticeiros e bígamos, com santos frades dominicanos dedicados à incineração dos vivos e à criatividade para lhes prolongar o sofrimento, para maior glória de Deus, recreio dos créus e purificação das almas dos réprobos supliciados.
O Tribunal do Santo Ofício contou com o entusiasmo de dominicanos, jesuítas e outros clérigos de mau porte, piores instintos e amplos poderes, de Ordens diferentes, durante os 285 anos que duraram as perseguições aos hereges (1536-1821). Foi o liberalismo, de que decorre o segundo centenário, esse mal que Pio IX excomungou, a pôr-lhe termo.

Foi a maçonaria, igualmente excomungada, que fez a Revolução de 1820, a responsável do Vintismo, que só os meios académicos progressistas parecem comemorar, que trouxe o liberalismo e aboliu o opróbrio de quase três séculos.
Há, talvez, na longa sequência do ADN um gene da crueldade que molda o cromossoma humano, e ninguém faz o mal com tanto entusiasmo e tamanha alegria como quem tem uma fé à prova da clemência e uma devoção que exonera a compaixão, como mostraram amplamente os santos inquisidores.
O primeiro auto de fé, em Portugal, teve lugar em Lisboa, no Ano da Graça de 1540, no dia 20 de setembro, perante o entusiasmo da Corte e do bom povo temente a Deus.

Foi há 480 anos, como a imagem documenta.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

CRÓNICAS DA MEMÓRIA 1 – A prisão do Patacho | Carlos Esperança

Corria o Ano da Graça de 1961. A Covilhã vivia mais uma crise dos lanifícios, daquelas que ciclicamente lhe batiam à porta, que atirava inúmeros operários para o desemprego e os fazia regressar às aldeias de origem a que tinham ficado vinculados pela courela que sempre teimaram em amanhar nos dias de folga.
Os carros de luxo eram o mais evidente sinal exterior de riqueza que camuflava a falência que se avizinhava na fábrica do proprietário. O jogo era a perdição de muitos e o sonho de riqueza nunca realizado de quase todos. Pululavam os casinos clandestinos onde se perdiam fortunas e aconteciam desgraças cujo eco chegava às conversas sussurradas em surdina no Largo do Pelourinho e no Café Montalto.

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A eutanásia e o referendo – Sou contra o referendo | Carlos Esperança

Para não complicar a discussão cuja decisão envolve a vivência, sensibilidade e crenças de cada um, evito a distinção entre eutanásia, suicídio assistido e distanásia para fazer a pergunta que importa: decidir a morte sem sofrimento é um direito individual ou crime?
A resposta é perturbada pelo ruído mediático recuperado da discussão do direito à IVG, capaz de impedir a reflexão serena e de intimidar a tomada de posição a favor ou contra. E dela depende a descriminalização de quem prestar auxílio a quem decida morrer.
A vida é um direito que a direita religiosa impõe como obrigação. Ninguém é obrigado a pedir, para si, uma ‘morte doce’, mas o que está na lei atual, na tentativa de contrariar o direito individual, é a proibição a todos daquilo a que ninguém será obrigado.

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Amar e ser amado | Carlos Esperança

Amar e ser amado

Sabem lá os trogloditas o que é amar, o que é a sedução mútua entre iguais, o que é um barco que navega o mar, sem a quilha magoar as águas que se abrem para o acariciar!

Eles sabem lá o que é o amor entre pessoas livres! Ignoram a beleza da rosa, o perfume que exala, o deleite de descobrir, pétala a pétala, o androceu e o gineceu dos corpos que se fundem na dádiva recíproca do amor que só a liberdade consente!

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Reflexões | Carlos Esperança

1 – Disse-me um médico amigo que o seu bastonário recebe o vencimento do Estado, a pingue remuneração da função, além de chorudas regalias, e está autorizado, pela OM, a exercer medicina privada. Apenas não usufrui o direito de substituir os sindicatos e de se dedicar à carreira político-partidária, em competição com a sua homóloga enfermeira. O que faz.

Surpreende-me, quem teve a confiança dos pares, que seja tão lento a pensar. Depois de ter declarado que a reunião com o PM decorreu em ambiente de cordialidade mútua e que aceitou as explicações e o elogio a toda a classe médica, soube que nas redes sociais se afirmava que teve entradas de leão e saída de sendeiro. Então, rugiu como entrou e portou-se como foi acusado de ter saído.

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O ateísmo, as religiões e a democracia | Carlos Esperança

A minha conhecida condição de ateu não me conduziu ao combate primário às crenças e, jamais, aos crentes que se limitam a viver a fé sem buscarem impô-la pela violência.

Isso não significa que não combata as instituições com poder, que, na minha perspetiva, sejam danosas para a democracia e os direitos humanos. É frequente visar, como tal, as religiões. Combatê-las é um efeito colateral da minha luta pela liberdade.

Em Portugal, apenas as religiões do livro têm representação que mereça atenção. Vale a pena lembrar a origem hebraica do Antigo Testamento (AT), fonte dos 3 monoteísmos e só assim designado pelos dois credos posteriores, cristianismo e islamismo que, tendo aí a origem, consideram respetivamente Cristo e Maomé, também como fontes da vontade divina.

O cristianismo, primeira cisão com êxito do judaísmo, surgiu da utilidade para a coesão do Império Romano pelo imperador Constantino. Paulo de Tarso teve a ideia genial de transformar o Deus de Israel em Deus global e fazer dele o salvador universal, apesar de o Homo Sapiens existir há 350 mil anos, sem salvação até há cerca de 6 mil.

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Cinquentenário da morte de Salazar – A andropausa da ditadura e o caruncho | Carlos Esperança

Em 3 de agosto de1968, um inseto coleóptero atingiu a apoteose na cadeira que ajudou a desconjuntar. O caruncho foi o artífice da inestimável tarefa que marcou o início do fim do ditador, que vegetou ainda até ao dia 27 de julho de 1970. Faz hoje 50 anos.

Por mérito próprio ou ansiedade de um povo, o caruncho tornou-se o celebrado autor da queda da cadeira que arrastou o mais longevo ditador europeu do século XX. Ignora-se o número de anos e de insetos cuja vocação xilófaga os conservou no interior da cadeira onde o biltre repousava, no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e, prostrado aos pés, um calista lhe tratava regularmente os calos.

Nesse dia, o sádico ditador tornou-se um decadente ator de comédia. Presidiu a supostos Conselhos de Ministros onde os cúmplices do seu último Governo iam como figurantes. Lentamente, foi-se esquecendo de quem era e dos crimes de que foi responsável.

As memórias do cruel massacre de Batepá, em S. Tomé; da pedofilia dos ministros que não permitiu julgar; das prisões, degredos, perseguições, demissões e assassínios de adversários; da tortura de presos e da tragédia da guerra colonial, foram-se esvaindo de um corpo já sem cérebro do tirano sem princípios.

A Pide, a Legião, a GNR e os Tribunais Plenários continuavam a funcionar; nas prisões, a tortura mantinha-se; nos jornais, a censura prévia permanecia; nas prisões políticas, os espancamentos, a tortura do sono, a estátua, as queimadelas de cigarros e eletrochoques não pararam. O País continuou a coutada de alguns. O analfabetismo e a mortalidade infantil e materno-fetal competiam com países do terceiro mundo. Nem os funcionários públicos tinham qualquer assistência médica ou medicamentosa, e eram injustificadas as faltas, por motivo de parto, às mães solteiras.

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O frustrado concurso de beleza monástica | Crónica inédita (2008) | Carlos Esperança

Em 2008, um padre italiano propôs uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita, via internet. Face às críticas, voltou atrás e suspendeu tudo.

De onde vem este ódio ao corpo feminino, a fúria misógina, o ranger de dentes, perante a forma de um corpo, as curvas do desejo e a beleza da mulher?

Paulo de Tarso, um místico desequilibrado, rotulou o cabelo e a voz das mulheres como coisas obscenas e Agostinho de Hipona entrava em desvario por não poder resistir-lhes, e ambos foram santos na infância dos milagres, quando a produção em série estava por inventar e a Igreja católica era avara na produção de taumaturgos.

Mas que obsessão é essa dos que lhes querem cobrir o corpo, seja com o hábito, alvo, de freira ou com a negrura da burca, e esconder-lhes as formas, porque temem a beleza, e as reduzem a um corpo sem feitio porque lhe adivinham a inteligência da alma?

Não, não é dessa alma que falo, da criação ontológica que alimenta um deus sedento no Olimpo de todos os medos, da metafísica dos negócios pios, do pretexto para a renúncia à vida e ao sortilégio do amor. Falo da alma com que as mulheres cantam, riem, choram e gritam, da alma com que animam a vida, da alma com que amam e procriam, da força que lhes vem dos séculos de tirania e humilhação.

Quem oprime as mulheres são doentes de desejos reprimidos, inquietos com a perda do poder, célibes que temem o amor e o escândalo, maníacos da castidade que a educação e o múnus castram e que, no êxtase de fantasias sórdidas, se entretêm a inventar castigos.

Quando homens e mulheres descobrirem que a liberdade é feminina, dar-se-ão conta de que a igualdade não é uma utopia e a discriminação dos livros pios é uma afronta que se perpetua para gáudio de homens sós e eterna perdição da felicidade humana numa vida irrepetível.

Agosto de 2008

Carlos Esperança

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A mulher e as religiões | Carlos Esperança

Que demência misógina levou os patriarcas tribais da Idade do Bronze a impor a metade da Humanidade a subalternidade que castigou a mulher durante milénios e que, ainda hoje, 72 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, persiste? Não lhes ocorreu que ninguém é livre se alguém for escravo.

O que surpreende é a condescendência com a alegada vontade divina, a manutenção dos preconceitos que impuseram a infelicidade e indizível sofrimento das mulheres, como se os algozes não fossem filhos, irmãos, pais e avós das vítimas que querem perpetuar. O mais implacável dos monoteísmos é o paradigma do despotismo e do desprezo contra quem dá aos homens a vida e o amor, e lhes garante a eternização do ignóbil privilégio.

Carlos Esperança

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Mário Centeno e o Banco de Portugal | Carlos Esperança

Grassa uma onda de ódio partidário contra Mário Centeno, por sair do Governo, para os que não queriam que tivesse entrado, por ser competente, para quem nunca se resignou com o seu mérito, por presidir ao Eurogrupo, para quem considerou uma piada do 1.º de abril o seu prestígio, enfim, ressentimento, inveja e vingança contra quem suportou Cavaco e Passos Coelho a vaticinarem a vinda do Diabo e a difamarem o governo PS, porque BE, PCP e PEV o apoiaram, alheios ao prejuízo nos juros da dívida soberana.

A saída do ministro, prevista há muito, com eventual ida para Governador do Banco de Portugal, expôs a vileza da inveja, a mesquinhez da vingança e a baixeza do ódio.

A pressa de impedir que a personalidade mais qualificada ocupe o lugar para o qual tem perfil, qualificação, currículo e experiência ímpares, é a tentativa tosca de criar uma lei ‘ad hominem’ contra o mais competente ministro das Finanças da democracia.

Surpreende que não trema a mão a quem apoiar uma lei, sem precedentes, com a pressa da perseguição a uma personalidade a quem todos somos devedores.

Calculo a azia que despertou a revista The Banker, um suplemento do Financial Times, ao revelar na última quarta-feira que o ministro das Finanças português, Mário Centeno, foi considerado em 2019 o melhor ministro das Finanças do ano, na Europa.

Doem os elogios da generalidade dos ministros das Finanças do Eurogrupo onde, tantas vezes, conseguiu dirimir divergências que pareciam insanáveis e, sobretudo, o prestígio que a sua competência técnica granjeou. Não é fácil absolver o ministro que conseguiu baixar o clássico défice orçamental de Portugal e teve o descaramento de conseguir um superavit orçamental.

Em democracia, foi uma situação inédita desde há 105 anos, quando Afonso Costa, PM, em acumulação com ministro das Finanças, obteve em 1912/13 um lucro 117 mil libras-ouro e em 1913/14, 1257 mil libras ouro.

Aguardo pelo voto dos partidos para decidir o meu nas eleições presidenciais. Já tinha um/a candidato/a entre os que prevejo na corrida presidencial, e decidirei de acordo com o voto do seu partido em relação a Centeno.

É deplorável que a competência, dedicação e integridade sejam motivo de represália.

Há quem preferisse que se tivesse vendido a um fundo abutre e acumulasse com o lugar de deputado, um precedente inexplicavelmente esquecido.

Carlos Esperança

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28 de maio de 1926 | Carlos Esperança

Há 94 anos teve lugar o golpe de Estado de que viriam a apropriar-se as pessoas erradas para a mais longa ditadura europeia.

O integralismo lusitano, o nacional-sindicalismo e a Cruzada Nun’Álvares tinham feito o caminho para que o nacional-catolicismo se transformasse no fascismo paroquial de Salazar, um professor da Universidade de Coimbra, sem mundo e sem visão de futuro.

Salazar foi o protagonista da longa ditadura que adiou Portugal. Ficou “orgulhosamente só” a liderar o país onde o analfabetismo, a mortalidade infantil, a tuberculose e a fome foram a imagem do regime, para acabar na tragédia da guerra colonial.

Salazar saiu da aldeia do Vimioso para o seminário de Viseu e, daí, para a Universidade de Coimbra onde dirigiu a madraça do CADC que havia de fornecer-lhe os quadros para a repressão que o manteve no poder. Não recebeu a tonsura no seminário, mas fez do País uma sacristia.

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Corrupção, ideologia e ética | Texto de há dois anos* | Carlos Esperança

A corrupção é suscetível de atravessar todo o espetro partidário, mas a sua incidência é mais marcada em partidos que ocupam o poder, dependendo a perceção da liberdade de informação, que só os regimes pluripartidários consentem, enquanto a ética assume um carácter pessoal, havendo, em qualquer partido, militantes impolutos e venais.

A necessidade de financiamento dos partidos e a proximidade dos grupos económicos, com porta giratória entre os governos e as empresas, promovem a corrupção, enquanto a perceção depende da comunicação social e, sobretudo, dos interesses que ela defende.

O poder judicial devia ser o garante da investigação imparcial e do julgamento isento de todos os crimes, sem prejuízo do julgamento político que cabe à AR e aos cidadãos, mas a promiscuidade que parece haver entre alguns agentes e a comunicação social tem sido motivo de preocupação com a eventual politização da Justiça.

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O direito ao contraditório e ao ruído | Carlos Esperança

Gosto de quem exerce o legítimo direito de discordar das minhas posições invocando o gosto de pensar pela própria cabeça, na insinuação subliminar de que eu penso com uma cabeça alheia.

Aprecio a alegação contra a denúncia dos crimes cometidos por Hitler, Franco, Pinochet ou Salazar com perguntas retóricas sobre os de Mao, Estaline, Enver Hoxha ou Pol Pot, como se alguma vez tivessem defesa uns ou outros.

Agrada-me o argumento irritado, quanto à denúncia de crimes cometidos por militantes de um qualquer partido, com o desfiar do rol de delinquentes de um partido concorrente, como se a bondade partidária se medisse pela conduta dos militantes.

Regozijo-me com a amnésia dos admiradores de Cavaco, Passos e Portas, que os julgam salvadores da Pátria e responsabilizam o governo anterior pelas suas malfeitorias, como se a crise financeira mundial de 2008 não tivesse existido, e ignorando que a falência de um Estado ou de uma empresa (bancarrota) não se confunde com a fissura numa banca da praça do peixe (banca rota), como há uma década vêm escrevendo.

Mas nada me extasia tanto como os ataques irritados a qualquer governo que não inclua o PSD e o seu apêndice de serviço, o CDS. Há quem, na sua crença, pense que Cavaco é um intelectual e Passos Coelho um académico. É mais um motivo para minha diversão.

Finalmente, resta-me recordar à direita truculenta a satisfação manifestada pela eleição de Bolsonaro, por Paulo Portas, Nuno Melo, Assunção Cristas, André Ventura e Luís Nobre Guedes, para não falar da carta de felicitações que Santana Lopes lhe enviou.

Carlos Esperança

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A corrupção, a política e a demagogia | Carlos Esperança

Quando alguém afirma que “todos os políticos são corruptos”, interrogo-me se esse alguém é ignorante, fascista ou pretende, apenas, gritar as frustrações e dizer que, ao contrário de ‘todos os políticos’, (ele ou ela) não é ou não pode.

Cinco anos de ditadura militar e 43 de fascismo deixaram marcas indeléveis na nossa sociedade. A raiva contra os políticos é a herança transitada por má fé ou ignorância, de geração em geração, como se os políticos fossem menos honrados do que o comum dos cidadãos e as generalizações não fossem a revelação da indigência intelectual e cívica que habita um país cujas causas do atraso foram magistralmente analisadas por Antero de Quental na conferência sobre «As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares».

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Espanha | O Golpe de 23 Fevereiro de 1981 | Carlos Esperança

Há 39 anos um tresloucado fascista entrou no Parlamento espanhol a cumprir planos de generais franquistas que educaram o rei Juan Carlos na Falange. O tosco militar entrou de tricórnio, quando os deputados votavam Calvo-Sotelo para presidente do Governo de Espanha, tendo em vista substituir a monarquia constitucional pelo absolutismo real.

Era o regresso à ditadura sob os auspícios da monarquia não sufragada, posta à sorrelfa na Constituição, com as sondagens a indicarem a preferência popular pela República, ao arrepio da vontade expressa pelo sádico genocida Francisco Franco.

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Centenário do nascimento de Nelson Mandela | Carlos Esperança

Em 18 de julho de 1918 nasceu o maior vulto do continente africano dos últimos cem anos.

O prisioneiro 46 664, foi o símbolo dos que não desistem de transformar o Mundo e deixar um país livre e multirracial. O primeiro presidente da África do Sul, condenado a prisão perpétua, resistiu ao cativeiro 27 anos, e ao ódio e à vingança o resto da sua vida. 
Distinguido com o Prémio Nobel da Paz, foi maior o prestígio que conferiu ao Prémio do que este ao premiado. Paladino da liberdade e o grande obreiro da transição pacífica de um regime racista e colonialista para um país multicultural e multirracial – a África do Sul –, permanece a maior referência de África e uma das maiores figuras da Humanidade.

Faleceu aos 95 anos esse gigante da História cuja grandeza ética, inteligência e sensibilidade o distanciaram dos dirigentes políticos do seu tempo, deixando-nos a esperança de um mundo onde não seja possível a discriminação por razões de raça, religião, sexo ou convicções políticas.

A grandeza moral levou-o a perdoar aos países que, em 1987, votaram contra a sua libertação incondicional, proposta pela Assembleia Geral das Nações Unidas, – EUA, Inglaterra e Portugal –, onde governavam Reagan, Thatcher e Cavaco, anões morais que se tornaram ainda mais vis perante a grandeza do homem que pretendiam preso.

Nelson Mandela é um daqueles homens que será sempre maior do que a lenda.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança