DiEM25 | Conselho de Validação

diem - 200Com um pouco de atraso o DiEM25 constituíu o seu primeiro Conselho de Validação. Vê a lista de membros aqui. O Conselho de Validação tem várias tarefas de acordo com os Princípios Orientadores, um deles o de votar em nome dos membros quando uma decisão tem de ser tomada de forma muito rápida. Contudo, quando há tempo suficiente, devemos continuar a ter votações por todos os membros como nomeadamente occorreu aquando  da nossa posição política face ao processo do Brexit.

Os resultados do nosso voto interno acabaram de chegar.

Das quatro opções disponíveis que podes rever aqui ( para não membros: aqui), a opção A foi a que teve mais votos com 32.07%. A opção B ficou em segundo lugar com 27.74%, em terceiro lugar a opção D com 23.54% e finalmente a opção C teve 16.65%.

Face a isto, as opções A&B serão agora votadas numa segunda volta para decidir qual será a posição do DiEM25 quanto ao processo do Brexit.

Ambas as opções estão a favor de um acordo entre Londres e Bruxelas segundo o qual dois anos após a ativação do Artigo 50, entraria em vigor um acordo ao estilo do acordo com a Noruega que duraria pelo menos até à próxima legislatura do Parlamento Britânico. Desta forma, o veredicto dado relativo ao Brexit pela população Britânica é respeitado enquando, por outro lado, um periodo de estabilidade é assegurado durante o qual o próximo Palamento – um eleito com um mandato para o fazer – poderá concluir os acordos Britâncios pós-Brexit com a UE.

A diferença entre ambas as opções ( A e B) reside na obrigatoriedade do compromisso ou não de a PM Theresa May e o seu governo terem um acordo como o estabelecido entre a UE e a Noruega. Se tal não sucedesse o DiEM25 não apoiaria/ou apoiaria na mesma a activação do Artigo 50.

A opção A , insiste na condicionalidade, isto é, não dá o nosso consentimento ao governo conservador para prosseguir o fim da liberdade de movimentos e outros direitos importantes no momento em que o Artigo 50 é activado.

A opção B apoia a activação do artigo 50 de forma incondicional e evita a questão: Se a activação do artigo 50 for derrotada pelo Parlamento visto que a PM May recusa comprometer-se com um acordo provisório do tipo-Noruega , não significaria isto que o Reino Unido ficaria na UE contra a escolha dos que votaram?

Considera isto e vota aqui: https://internal.diem25.org/vote/6

Carpe DiEM!
A quipa DiEM25

Lançamento de novo livro de José Adelino Maltez | Do Império por Cumprir

galvaoNão temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial.

Henrique Galvão, em Huíla. Relatório de Governo. 1929, confessa que não temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial. Porque esta falta de uma doutrina colonial resulta em grande parte da ausência de uma Política Colonial, e a falta de uma e outra, eliminam, de entrada, a possibilidade de ideias coloniais práticas e eficientes. Fica sempre tudo à mercê das ideias dos governantes que passam, dado que cada ministro da pasta dispõe de ideia própria para governar as possessões ultramarinas, mas esta não é transmitida aos governadores, uma vez que estes também dispunham de ideias próprias, e o fenómeno vai reproduzindo-se em toda a escala hierárquica até ao mais simples amanuense. Uma situação que permite que tudo seja possível – até bons governos!

Henrique Carlos Mata Galvão (1895-1970).

Participa no golpe dos Fifis (1927). Deportado para Angola.

Governador de Huíla (1929). Organiza a Exposição Colonial Portuguesa no Porto (1934).

Deputado. Diretor da Emissora Nacional (1935). Lança a Exposição Colonial do Mundo Português (1940). Inspetor superior da administração colonial.

Discurso parlamentar (22 de janeiro 1947). Fuga da prisão (1959). Assalto ao paquete Santa Maria e coordenação da operação de desvio de um avião da TAP (1961).

Depoimento na ONU (13 dezembro de 1963).

convite

Fidel, bem-me-quer, mal-me-quer | Ferreira Fernandes in “Diário de Notícias”

fidelFidel, um grande homem. Acabou como ditador e é preciso dizer que começou por acabar com um ditador, Fulgencio Batista. Com qualidade rara, a coragem, cortou com a sua própria situação de privilegiado e arriscou a liberdade e a vida. Aqueles que amocharam em situações semelhantes – e em Portugal ainda há gerações em que a escolha foi posta – deveriam não se esquecer de que houve um Fidel que fez o que eles deveriam ter feito e não fizeram. Que os tíbios reconheçam: “Honra aos que souberam dizer não quando o não era necessário e nós não estivemos à altura de o dizer.” E depois podiam, com mais mérito, criticar o Fidel liberticida. Acresce ainda que para lutar contra a ditadura Fidel não pôde contar com o exemplo da admirável América: ela era madrinha de Batista e madrasta de Cuba. Longe de Deus, não sei, mas tão próximo dos Estados Unidos – naqueles tempos, pelo menos – era mais difícil ser democrata. Poder tomado, Fidel tirou partido do seu jeito para o simbólico: caqui, charuto, barbas… Ora, os ícones – que se mostram muito, por definição – têm de função mais própria escamotear. Esse Fidel das fotografias romantizou o que foi; e ajudou a enganar sobre o que aí vinha. Os factos acabaram por ser: o ditador Fidel assassinou muitos e a todos os seus compatriotas tirou a liberdade. Ao combatente de grande causa, honra. Ao tirano, vergonha. E a todos nós, uma lição de história.

Ferreira Fernandes in Diário de Notícias 28-11-2016

Fidel Castro | Francisco Louçã in Jornal “Público”

francisco louca02 - 200Com a morte de Fidel Castro, desaparece uma das últimas grandes figuras que marcaram o século XX. Dirigente da única revolução socialista vitoriosa no Ocidente, enfrentou o maior poder da nossa era, o de Washington, e resistiu a invasões e agressões militares, a inúmeras tentativas de assassinato, ao bloqueio permanente e a todas as pressões. Fidel sai da vida como um vencedor.

À frente de um pequeno exército guerrilheiro, de apenas cinco mil homens e mulheres (só tinha sobrevivido uma dúzia quando desembarcaram do Gramna para iniciar a luta), conquistou Havana porque o povo não tolerava mais aquela combinação de ditadura e máfia dos casinos, a subserviência e a miséria que alimentava a corte de Fulgêncio Batista. A revolução cubana tinha essas raízes na esperança de uma vida digna e é por isso que, ao contrário de outros regimes, manteve uma base popular tão expressiva e se tornou um exemplo continental.

Fidel nunca dependeu estritamente de Moscovo: tentou criar a Tricontinental para desenvolver uma acção internacionalista autónoma, desencadeou sem autorização do Kremlin a operação militar para salvar Angola da invasão sul-africana – e venceu o mais poderoso exército de África, contribuindo assim para a futura derrota do apartheid – e prosseguiu uma política latino-americana baseada na estratégia de criação de um ciclo anti-imperialista. Também é certo que, noutros casos, se submeteu a razões de conveniência (Havana, como Moscovo e Pequim, opôs-se à independência de Timor). Em qualquer caso, a sua independência reforçou a posição de Cuba.

Durante estas décadas, Cuba sofreu de tudo: um bloqueio destruidor, uma vinculação económica aos interesses da URSS que lhe impôs a monocultura do açúcar e, depois, uma transição difícil, sem petróleo e sem indústria. Sobreviveu, com grande custo, mas constituindo uma notável excepção na América Latina, com níveis de desenvolvimento distantes de outros países e com resultados notáveis, sobretudo na medicina e educação. Internamente, manteve um regime de partido único, o que se impôs sempre contra a capacidade de expressão popular e de mobilização democrática, mas, ao contrário da história trágica da URSS e da mortandade de comunistas e opositores que foi a marca de Estaline, permitiu e até estimulou formas de diversidade cultural de que são exemplo a publicação dos livros de Leonardo Padura (leu “O Homem que Gostava de Cães” ou os seus romances policiais?) ou o cinema crítico (por exemplo, “Morango e Chocolate”, de Tomas Alea em 1994, no auge do período mais difícil da economia cubana). Foi portanto uma liderança popular e marcante.

Marcelo Rebelo de Sousa, homem de direita, resumiu tudo ao dedicar a sua visita a Cuba ao esforço de conseguir um encontro com Fidel. Agora, terminou esta história que nunca absolve, mas que compreende e que luta pela memória.

Público

Duas ou três coisas que sei sobre a vida | Francisco Louçã

fl(este texto foi publicado a 12 Novembro 2010; reproduzo-o agora pela mesma razão, falar aos amigos e dedicá-lo a quem me ensina toda a vida; a foto é de 1991, com João Salaviza)

Não sei como agradecer as generosas mensagens que me mandaram. Mas lembro-me de algumas coisas que a vida me tem ensinado.

Sei que tenho uma dívida. Estive uns breves dias preso em Caxias com alguns amigos, por causa de um protesto contra a guerra na passagem do ano de 1972. Desses camaradas, um deles, que já morreu, Francisco Pereira de Moura, só o voltei a encontrar muito mais tarde, quando regressei à faculdade. Tinha sido convicto católico conservador, membro da Câmara Corporativa, mas olhou para o seu país e fez frente à ditadura. Foi por isso o primeiro candidato da oposição, foi preso, voltou a ser preso. Foi demitido de professor universitário. Chegou ao 25 de Abril, foi libertado e foi ministro, e saiu quando achou que o seu tempo tinha chegado, para voltar a dedicar-se à sua paixão, o ensino. Ele sabia da dívida que tinha para com o país, o trabalhador explorado, o pobre, a mulher sem direitos, as pessoas sem dignidade. E sabia que essa dívida se paga sempre, de todas as formas. Eu sei que todos temos essa dívida.

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A Guerra nos Balcãs | General Carlos Branco | texto de Carlos Matos Gomes in “Facebook”

carlosA nudez da realidade. Estive ontem na apresentação deste livro – A Guerra nos Balcãs – do general Carlos Branco. Que diz ele? Que a informação sobre este conflito foi uma mistificação, uma mentira que os media propagaram às opiniões públicas por encomenda dos governos dos países que originaram o conflito e são responsáveis pelos massacres. Exemplos, o genocídio de Sbrenica, não foi um genocídio, mas uma mortandade deliberadamente provocada pelo governo muçulmano da Bósnia, com a cumplicidade dos governos ocidentais. O jiadismo começou na Bósnia, com a criação de um estado islâmico patrocinado pelos países da NATO… É de ler e de arrepiar. Aquilo que se lê neste livro tem duas lições principais: não acreditem no que os grandes meios de comunicação dizem sobre os conflitos, desde a desagregação da Juguslávia ao que acontece hoje na Síria. Não acreditem na liberdade e independência dos grandes meios de informação: são apenas instrumentos da guerra que os seus governos desencadeiam e alimentam. Leiam este livro arrepiante. O autor foi observador militar da ONU na Juguslávia de 1994 a 1996, monitor eleitoral nas eleições na Bósnia, pertenceu à Divisão Militar do secretariado da ONU, foi porta-voz da NATO no Afeganistão, diretor da divisão de segurança e cooperação militar no estado-maior internacional da NATO, sub-diretor do Instituto de Defesa Nacional, entre outros cargos. O livro foi apresentado pelo embaixador Seixas da Costa… Eu tive a satisfação de cumprir um dever de consciência ao dar um modestíssimo contributo para que este livro viesse a público…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Festival Literário Tábula Rasa | Alexandre Esgaio | Fátima

Faz agora um ano que fui desenhar o Festival Literário Tabula Rasa. Foram 5 dias espectaculares de conferências, conversas, passeios, encontros e desencontros. Nunca publiquei estes desenhos por isso deixo aqui alguns das centenas de desenhos de um fim de semana que mudou a minha vida…literalmente.

[Alexandre Esgaio]


É bom que se lembre…. e já agora que não se fique só pela sessão de 2015. Haja vontade e bom senso! E respeito, já agora!

[Vítor Coelho da Silva]

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Carpe DiEM! | Qual deverá ser a nossa posição quanto ao pós-Brexit?

diem-25-200No início deste mês tivemos um debate no nosso fórum sobre qual deveria ser a posição do DiEM25 para garantir um resultado progressista na fase pós Brexit do Reino Unido. O debate produziu quarto opções e agora precisas de votar naquela que devemos adotar! Esta vai tornar-se a nossa posição oficial para formular a nossa estratégia política no Reino Unido.

Precisas de mais informação? Para te inspirares aqui está o que o Yanis já disse sobre este assunto do pós-Brexit no fórum e por vídeo.

Preparado/a para votar? Vai até à página de membros e faz ouvir a tua voz! A votação está aberta até à meia-noite de Sexta, 25 de Novembro.

Carpe DiEM!

Luis Martín
Coordenador de Comunicação, em nome do Colectivo Coordenador do DiEM25

PS Na passada terça-feira o Yanis teve um debate ao vivo com o CED de Hamburgo intitulado “ Porquê o DiEM25?” Ouve o seu discurso aqui!

Escritor Valdeck Almeida faz palestra na ONU

valdeckO jornalista Valdeck Almeida de Jesus é um dos convidados de encontro que acontece na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, de 29 de novembro a 04 de dezembro, promovido pela Associação Internacional dos Poetas.
Poeta e escritor, Valdeck Almeida fará uma palestra sobre ‘A resiliência das minorias no Brasil’,  leitura de poemas e lançamento do livro ‘Poesias ao Vento: vinte poemas de amor e uma crônica desesperada’, com texto em português e espanhol, tradução da venezuelana Gladys Medía e revisão do poeta colombiano Júlio Bustos. A coletânea foi ilustrada pelo grafiteiro baiano Zezé Olukemi e relata uma paixão iniciada através de cartas que evoluiu para redes sociais e telefone, mas jamais se concretizou. “Este livro foi baseado em minha memórias afetivas, e atravessa mais de trinta anos de inspiração e desejo e, na verdade, a personagem principal é a fusão de duas pessoas. Uma morava em Uberlândia-MG e trocamos correspondências. A outra, mora em Salvador-BA, é natural de Uberlândia também, mas eu nunca a encontrei pessoalmente”, esclarece o poeta. Os textos refletem esse amor não concretizado, agora tornado público, mas a identidade das musas o poeta guarda em segredo.

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Uma gota de ternura em meio à miséria | Ivete Carneiro | Adelto Gonçalves

I

gota-capa-docxOs jornalistas começam sempre como repórteres, mas são poucos aqueles que se mantém na função até o fim da carreira porque a maioria acaba como editor ou até mesmo editor-chefe, sem contar aqueles que, atraídos pelo mundo dos negócios e da política partidária, aceitam participar do tráfico de influência e passam a ocupar cargos públicos ou assessorar canastrões ligados ao poder. De fato, raros são aqueles que continuam a viver o dia-a-dia das ruas ou a participar do cotidiano das populações marginalizadas e a escrever sobre suas esperanças e desilusões.

Ivete Carneiro, nascida em Versalhes, na França, mas portuguesa de quatro costados, jornalista do Jornal de Notícias, de Lisboa, desde outubro de 1993, constitui um desses raros exemplos, pois se mantém incólume nesse caminho há mais de duas décadas. Licenciada em Comunicação Social na Escola Superior de Jornalismo do Porto em 1994, desde logo fez a sua opção pelos pobres e desvalidos da terra. Em 2004, frequentou o curso de Jornalismo em ambientes hostis e técnicas de primeiros socorros da Centurion Risk Assesment Services, na Inglaterra.

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Três poemas | Carlos Drummomd de Andrade

POESIA

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever,

no entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

Inunda minha vida inteira.

 

POEMA QUE ACONTECEU   

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

 

SEGREDO

A poesia  é incomunicável.

Fique torto no seu canto.

Não ame.

 

Ouço dizer que há tiroteio

ao alcance de nosso corpo.

E´ a revolução? o amor?

Não diga nada.

 

Tudo é possível, só eu impossível.

O mar transborda  de peixes.

Há homens que andam no mar

como se andassem na rua.

Não conte.

 

Suponha que um anjo de fogo

varresse a face da terra

e os homens sacrificados

pedissem perdão.

Não peça.

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Vivaldi | Bajazet | Ildebrando D’Arcangelo / Patrizia Ciofi / David Daniels / Elina Garanca / Vivica Genaux / Marijana / Mijanovic

Une représentation éblouissante des arias pour voix féminines dans l’opéra baroque « Bajazet » de Vivaldi de ma divine enchanteresse Elïna Garanča du bel canto. Dirigé et mise en scène par le remarquable violoniste Fabio Blondi, la tragédie musicale est jouée par son petit orchestre original EUROPA GALANTE, utilisant des instruments anciens pour reproduire avec maestria le timbre particulier de l’époque. Avec la souplesse de la tessiture de sa voix mezzo pleine et douce, en écho avec le chant du premier violon, est rythmiquement exhalée, scandé avec finesse du fond sa gorge avec des intensités et tonicités du raffinement variée de la musicalité particulière de Vivaldi. La virtuosité des modulations subtiles sur tout le registre des couleurs de son suprême lyrisme, son admirable expressivité vocale rentrait en charmante euphonie avec les variétés des timbres rares des instruments anciens à corde, le clavecin, le basson et les adorables participations des hauts bois baroques. Peter, son « Cavalier de Prose » enchanté.

“Vivemos um tempo de secreta angústia: o amor é mais falado que vivido” | in “Revista Pazes” | Texto de Luciana Chardelli

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman

bauman

Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês. Serviu na Segunda Guerra Mundial pelo exército da União Soviética e conheceu sua esposa, Janine Bauman, nos acampamentos de refugiados polacos. Wikipédia
Nascimento: 19 de novembro de 1925 (90 anos), Poznań, Polônia
Nacionalidades: Britânico, Polonês
Ver: http://www.revistapazes.com/amor/

Passing through | Leonard Cohen

I saw jesus on the cross on a hill called calvary
“do you hate mankind for what they done to you? ”
He said, “talk of love not hate, things to do – it’s getting late.
I’ve so little time and I’m only passing through.”

Passing through, passing through.
Sometimes happy, sometimes blue,
Glad that I ran into you.
Tell the people that you saw me passing through.

I saw adam leave the garden with an apple in his hand,
I said “now you’re out, what are you going to do? ”
“plant some crops and pray for rain, maybe raise a little cane.
I’m an orphan now, and I’m only passing through.”

Passing through, passing through …

I was with washington at valley ford, shivering in the snow.
I said, “how come the men here suffer like they do? ”
“men will suffer, men will fight, even die for what is right
Even though they know they’re only passing through”

Passing through, passing through …

I was with franklin roosevelt’s side on the night before he died.
He said, “one world must come out of world war two” (ah, the fool)
“yankee, russian, white or tan, ” he said, “a man is still a man.
We’re all on one road, and we’re only passing through.”

Passing through, passing through …

Passing through, passing through …

Direitos Universais da Carneirada | in “mural de Facebook” de José Filipe da Silva

Olhai os poderosos do mundo e reflictam. É necessário estabelecer, desde já, os Direitos Universais da Carneirada.

1 – A carneirada deverá ter direito a pasto suficiente, para que não morra de fome;
2 – A carneirada deverá ter direito a um redil, de escolha do seu pastor;
3 – A carneirada tem direito a manter a cabeça sobre o corpo, independentemente do uso que lhe dá;
4 – A carneirada pode ser tosquiada, desde que lhe seja mantida lã suficiente para que não morra de frio;
5 – Ninguém poderá inibir o balir da carneirada, mesmo que haja total indiferença aos “més-més” e à interpretação dos mesmos;
6 – Mais do que um dever, é um direito do carneiro ser escolhido para imolação;
7 – Cada grupo de carneiros deverá ter direito a um cão pastor e “perceber” que ele está presente para sua protecção e segurança;
8 – Se o pastor tiver “patrões” ocultos a carneirada pode adorar esses “patrões” como se de o pastor se tratasse;
9 – A carneirada tem direito à procriação e à multiplicação do rebanho, desde que eduque os carneirinhos nos são princípios enunciados pelos pastores e de que não faça deles coisa sua;
10 – Sempre que a carneirada julgue ter razão poderá dar um “mês-més” mais altos, sem que nunca questione as soluções do pastor;
11 – A carneirada tem direito a um cantinho de pasto, desde que pague taxa de relva, taxa de ocupação de terra, taxa de rega, taxa de sol sobre a eira e taxa de ventilação de ar puro;
12 – É livre a circulação da carneirada, dentro dos limites do arame farpado definido pelos pastores;
13 – A carneirada tem o direito de escolher periodicamente o menos mau dos pastores e a fazer ensaios entre os mais improváveis para essa tarefa.

carneirada

DiEM25 | Podemos conversar no sábado?

diem25.2Nas últimas semanas temos lançado uma série de ações para te manter mais informado/a acerca das atividades do DiEM25. Tens agora acesso a resumos das discussões semanais do Coletivo Coordenador e uma nova secção no nosso site com atualizações quanto ao que estão a fazer os CEDs na Europa.

Agora queremos ter uma conversa mais direta contigo sobre o que estamos a fazer juntos e de que forma. Portanto, começando este fim-de-semana, os membros DiEM25 podem conversar ao vivo com os membros do Coletivo Coordenador.

Sábado 12 de novembro 12:30 CET o nosso membro do CC Lorenzo Marsili estará connosco por uma hora para responder às vossas questões e para debater assuntos que te são importantes (faremos o mesmo com os outros membros do CC no futuro).

Queres participar? A conversa vai estar disponível neste link – guarda-o e certifica-te que te juntas a Lorenzo e a outros membros do DiEM25 este fim de semana.

Conversamos então brevemente e Carpe DiEM!

Luis Martín
Coordenador de Comunicação

PS A nossa discussão quanto à posição pós-BrexitDiEM25 está a acontecer agora no Fórum, Junta-te agora para contribuir – vamos pedir aos membros para votarem na próxima semana.

SEM QUE EU PEDISSE, FIZESTE-ME A GRAÇA | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

de magnificar meu membro.

Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos

em posição devota.

O que se passou não é passado morto.

Para sempre e um dia

o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

 

Hoje não estás nem sei onde estarás,

na total impossibilidade de gesto ou comunicação.

Não te vejo não te escuto não te aperto

mas tua boca está presente, adorando.

 

Adorando.

 

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

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ERA BOM ALISAR SEU TRASEIRO MARMÓREO | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (o amor natural)

Era bom alisar seu traseiro marmóreo
e nele soletrar meu destino completo:
paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se
Em alvos esponsais numa curva infinita.

Era amargo sentir em seu frio traseiro
a cor de outro final, a esférica renúncia
a toda a respiração de amá-la de outra forma.
Só a bunda existia, o resto era miragem.

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31 de Outubro a 5 de Novembro, 2016 | Vasco Pulido Valente | in “O Observador”

vascoA “Europa” morreu há muito e hoje os portugueses não passam de um incómodo e de um prejuízo para a Alemanha e para os países que dependem dela. Nem assim Portugal percebe que não é e nunca foi europeu.

Segunda-feira

Dizem que por pressão de Angola e dos negócios do petróleo, Portugal aceitou a Guiné Equatorial (um antigo protectorado espanhol) na CPLP. A Guiné Equatorial é uma ditadura, governada desde 1979 à maneira norte-coreana, por um indivíduo chamado Teodoro Obiang e pelo filho Teodorino Obiang, um gangster internacional procurado pela polícia francesa. Neste paraíso dos direitos do homem continua a existir pena de morte e a máquina de repressão que produz para o pai Teodoro maiorias de 98 por cento dos votos. Muito bem, não se pode pedir perfeição a toda gente.

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