Socrate, Jésus, Bouddha – Trois maîtres de vie | Le Christ philosophe | Frédéric Lenoir

Résumé | Socrate, Jésus, Bouddha

La crise que nous vivons n’est pas simplement économiqueet financière, mais aussi philosophique et spirituelle. Elle renvoie à des interrogations universelles : Qu’est ce qui rend l’être humain heureux ? Qu’est-ce qui peut être considéré comme un progrès véritable ? Quelles sont les conditions d’une vie sociale harmonieuse ?Contre une vision purement matérialiste de l’homme et du monde, Socrate, Jésus et Bouddha sont trois maîtres de vie. Une vie qu’ils n’enferment jamais dans une conception close et dogmatique. Leur parole a traversé les siècles sans prendre une ride, et par-delà leurs divergences, ils s’accordent sur l’essentiel : l’existence humaine est précieuse et chacun, d’où qu’il vienne, est appelé à chercher la vérité, à se connaître dans sa profondeur, à devenir libre, à vivre en paix avec lui-même et avec les autres. Un message humaniste et spirituel, qui répond sans détour à la question essentielle : pourquoi je vis ?Philosophe et directeur du Monde des religions, Frédéric Lenoir est aussi romancier et dramaturge. Il est notamment l’auteur ou le co-auteur de La Promesse de l’ange, de Code Da Vinci, l’enquête, de L’Oracle della Luna et de la pièce de théâtre Bonté divine ! Ses ouvrages sont traduits dans une vingtaine de langues.

Résumé | Le Christ philosophe

Pourquoi la démocratie et les droits de l’homme sont-ils nés en Occident plutôt qu’en Inde, en Chine, ou dans l’Empire ottoman ? Parce que l’Occident était chrétien et que le christianisme n’est pas seulement une religion. Certes, le message des Evangiles s’enracine dans la foi en Dieu, mais le Christ enseigne aussi une éthique à portée universelle : égale dignité de tous, justice et partage, non-violence, émancipation de l’individu à l’égard du groupe et de la femme à l’égard de l’homme, liberté de choix, séparation du politique et du religieux, fraternité humaine. Quand, au IVe siècle, le christianisme devient religion officielle de l’Empire romain, la sagesse du Christ est en grande partie obscurcie par l’institution ecclésiale. Elle renaît mille ans plus tard, lorsque les penseurs de la Renaissance et des Lumières s’appuient sur la ” philosophie du Christ “, selon l’expression d’Erasme, pour émanciper les sociétés européennes de l’emprise des pouvoirs religieux et fonder l’humanisme moderne. Frédéric Lenoir raconte ici le destin paradoxal du christianisme – du témoignage des apôtres à la naissance du monde moderne, en passant par l’Inquisition – et nous fait relire les Evangiles d’un œil radicalement neuf.


À propos de l’auteur

Lenoir, Frédéric
Philosophe, historien des religions et chercheur associé à l’Ecole des hautes études en sciences sociales. Directeur du magazine Le Monde des religions, il est l’auteur d’essais et de romans historiques qui ont connu un succès international. Ses ouvrages sont traduits dans vingt-cinq langues.

CONVITE | Sessão de lançamento de «O Diabo», de Gonçalo M. Tavares

A Bertrand Editora tem o prazer de convidar para a sessão de lançamento e para a sessão de apresentação de Diabo, de Gonçalo M. Tavares, que decorrem em Óbidos e Lisboa, respetivamente, a 8 e 12 de outubro. A sessão de lançamento, integrada no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, está agendada para sábado, 8 de outubro, às 19h00, no Auditório Municipal da Casa da Música e conta com música da cantora lírica Maria João Sousa, guitarra clássica de Pedro Sousa e leituras de Inês Nogueira. A 12 de outubro, o encontro decorre na FNAC Chiado, em Lisboa, às 18h30, com música da cantora lírica Maria Varandas guitarra clássica de Pedro Sousa e leituras de Inês Nogueira.

HISTÓRIAS CURTAS | de Rubem Fonseca

Neste seu novo livro, Rubem Fonseca opta de novo pela concisão, tal como fizera na coletânea Amálgama, vencedora do Prémio Jabuti 2015. Junta desta vez trinta e oito histórias curtas, por vezes curtíssimas, nas quais volta a abordar brilhantemente, de forma crua mas delicada, temas já recorrentes na sua obra mais recente: o envelhecimento, a obesidade, a loucura e todo o tipo de decadência humana.

“A pomposidade venturosa e festiva das palavras obscenas.” Palavras do autor que se enquadram perfeitamente nesta obra. Diverti-me imenso. Vasco Costa | 2021-06-07

RUBEM FONSECA

Nasceu em Juiz de Fora (Minas Gerais), no Brasil, a 11 de maio de 1925. É um dos mais prestigiados escritores brasileiros contemporâneos e um dos expoentes máximos da literatura de língua portuguesa. Traduzido em todo o mundo, foi galardoado com seis prémios Jabuti e, pelo conjunto da sua obra, com o Prémio Camões em 2003. Em 2015, recebeu o Prémio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL).
É autor de uma vasta obra narrativa, contista e romancista, que tem vindo a ser publicada em Portugal, desde 2010, pela Sextante Editora. Os romances Agosto A Grande Arte são duas das suas obras incontornáveis, exemplos máximos da sua escrita sóbria e de um realismo «duro» que fez escola na literatura brasileira: «todas as palavras devem ser usadas», disse uma vez numa entrevista.
Carne Crua — uma coleção de 26 contos inéditos, lançada em Portugal há precisamente um ano —, que viria a ser a sua derradeira criação, juntam-se atualmente no catálogo da Sextante os romances O SeminaristaBuffo & Spallanzani (Prémio Literário Casino da Póvoa do Correntes d’Escritas), A Grande ArteAgosto O Selvagem da Ópera, os livros de contos Calibre 22Axilas & Outras Histórias IndecorosasHistórias Curtas e Amálgama, e a autobiografia de infância intitulada José.
Rubem Fonseca faleceu no Rio de Janeiro a 15 de abril de 2020, vítima de um enfarte do miocárdio. Após a sua morte foi editado O Doente Molière.

Saga de um menino de Itararé: romance de esperança | Silas Corrêa Leite | por Adelto Gonçalves

                                                    I
Um menino de Itararé, criado pelos avós, que, quando chega à idade do entendimento, aos 15 anos, sai de casa em busca da mãe, que sumira quando ele nascera e estaria perdida nos cafundós do Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com a Bolívia, e virara missionária. Em breves palavras, este é o enredo do novo livro de Silas Corrêa Leite (1952), O menino que queria ser super-herói (Lisboa/São Paulo, Editora Primeiro Capítulo, 2022), romance infantojuvenil que vem se juntar a uma obra já extensa que inclui publicações em outros gêneros (poesia, prosa poética, contos e romances).
 Inteligente, precoce, muito ativo e sensível, o menino sabe que o sótão de sua casa guarda um segredo e o porão também esconde coisas do passado de seus familiares. Fã de desenhos animados, de histórias em quadrinhos e de personagens de gibis, como Super-Homem, Batman, o Homem Invisível e o Capitão Marvel, o menino, que tem o nome de Ben-Hur, precisa visitar aqueles lugares recônditos, para conhecer os mistérios de sua vida e descobrir segredos, como saber que seu pai ainda vive em Itararé, mítica cidade localizada no Estado de São Paulo “fincada às barrancas do vizinho Estado do Paraná”, famosa depois da chamada Revolu& ccedil;ão de 1930, que constituiu mais um golpe civil-militar em que, desta vez, as elites dos demais Estados derrubaram as tradicionais elites paulistas e mineiras.
Itararé, antiga terra dos índios guaianases e, depois, no século XVIII, ponto de descanso dos tropeiros que levavam animais do Sul para a feira de Sorocaba, ficaria famosa porque, quando Getúlio Vargas (1882-1954) partiu de trem rumo ao Rio de Janeiro, então capital federal, esperava-se que ocorresse lá uma grande batalha, que não houve porque a cidade acolheu o futuro ditador na estação ferroviária, permitindo sua entrada no Estado de São Paulo, e os militares depuseram o presidente Washington Luís (1869-1957) em 24 de outubro daquele ano e impediram a posse do presidente eleito Júlio Prestes (1882-1946).

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Adeus Senhor António | Texto de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas

Ouve-se, encantamo-nos … e choramos. É impossível não chorar! [vcs]

Único texto conhecido do heterónimo esquecido de Fernando Pessoa “Maria José”, cujo nome conhecido é “Carta Da Corcunda Para o Serralheiro”.

Fernando Pessoa criou 46 pseudónimos e autores fictícios mas só um era mulher, Maria José, corcunda e patética, figura nada atraente, imagem que o poeta também tinha de si. Fernando António Nogueira Pessoa (1888 — 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.

Carolina | A Esposa de Machado de Assis | in Brazil Imperial

A Portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novaes (1835-1904) foi esposa do escritor Brasileiro Machado de Assis de 1869 a 1904, ano da morte de Carolina.

Eles se conheceram por intermédio do irmão de Carolina, o poeta Faustino Xavier de Novaes, após ela se mudar de Portugal para o Rio de Janeiro, aos 32 anos, cinco a mais do que Machado. No período, era incomum uma mulher solteira com essa idade, mas a decisão, nesse caso, era da própria Carolina, a quem sobravam pretendes. A portuguesa é descrita por Miguel-Pereira como “mulher feita, inteligente, desembaraçada, senhora de si, habituada, na casa paterna, ao trato dos intelectuais”.

O namoro foi reprovado pela família de Carolina, pertencente à elite intelectual, enquanto Machado ainda não tinha grande reconhecimento social – na época, escrevia para jornais e trabalhava no Diário Oficial – e, mais importante, era mulato.

“Na hierarquia social, Carolina se uniu, por escolha própria, a alguém de nível abaixo. Ela foi determinante para que ele tivesse estabilidade emocional e também transitasse entre intelectuais”, diz Luís Augusto Fischer, professor de literatura brasileira da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, autor do livro Machado e Borges (Arquipélago).

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Roberto Manzano Hernandez, “Balance”, 2010, white marble sculpture, private collection.

“LEAVE MY hands free

and the heart, set me free!

let my fingers run

through the pathways of your body.

The passion —blood, fire, kisses—

It burns me with tremulous flames.

Oh, you do not know what this is!

It is the storm of my senses

bending the sensitive jungle of my nerves.

It is the meat that screams with its fiery tongues!

It’s the fire!

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Indomáveis 1 | Como Tomámos Conta do Mundo de Yuval Noah Harari

Yuval Noah Harari é historiador, investigador e professor de História do Mundo na Universidade Hebraica de Jerusalém, considerada uma das melhores instituições de ensino a nível internacional. Doutorado em História pela Universidade de Oxford, Harari tem-se dedicado ao estudo e ensino da História, encorajando os seus alunos a questionar os conhecimentos e ideias que têm por garantidos sobre a vida, o mundo e a humanidade.

SINOPSE

«Nós, humanos, não somos fortes como os leões, não nadamos como os golfinhos e, definitivamente, não temos asas! Então como é que tomámos conta do mundo? A resposta está numa das histórias mais fascinantes que alguma vez te contaram. E é uma história verdadeira.»
Indomáveis é uma épica série do autor bestseller mundial Yuval Noah Harari, destinada ao público juvenil, com belas ilustrações de Ricard Zaplana Ruiz.

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‘Expedição Abissal’: dias de angústia debaixo da terra | por Adelto Gonçalves

Romance de Hélverton Baiano recupera a aventura vivida por professores e mateiros, na década de 1970, num complexo de grutas no interior de Goiás
                                                           I
Se “a literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta”, como dizia o poeta Fernando Pessoa (1888-1935), a ficção é a saída para se tentar explicar aquilo que ficou no passado envolto em muitas brumas. Nesse sentido, o texto literário, sem as amarras da reportagem ou da notícia de jornal ou do vídeo da televisão ou das redes sociais, por meio do recurso da fantasia, procura trazer ao leitor o que ficou lá atrás, sem maiores explicações.
            Foi o que procurou fazer o experiente jornalista Hélverton Baiano (1960), ao buscar na ficção a melhor maneira de contar um episódio que ocorreu em 1971, quando um grupo de professores e pesquisadores saiu em busca de vestígios de minerais radioativos no interior de Goiás. Esse romance, o primeiro de um autor que se já havia destacado com obras de poesia e prosa poética, tem por por título Expedição Abissal (Astrolábio Edições, 2022) e procura reconstituir o drama que aquele grupo viveu ao se embrenhar no complexo de grutas de Terra Ronca, em São Domingos, região Nordeste de Goi ás, a 640 quilômetros de Goiânia. Aqueles pesquisadores e seus ajudantes se perderam e percorreram, durante 46 dias, cerca de 100 quilômetros debaixo da terra, até que chegaram à Gruta da Barrinha, em Correntina, já no Estado da Bahia.

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Le Christ philosophe | Frédéric Lenoir

Résumé

“Pourquoi la démocratie et les droits de l’homme sont-ils nés en Occident plutôt qu’en Inde, en Chine, ou dans l’empire ottoman ? Parce que l’Occident était chrétien et que le christianisme n’est pas seulement une religion. Certes, le message des Evangiles s’enracine dans la foi en Dieu, mais le Christ enseigne aussi une éthique à portée universelle : égale dignité de tous, justice et partage, non-violence, émancipation de l’individu à l’égard du groupe et de la femme à l’égard de l’homme, liberté de choix, séparation du politique et du religieux, fraternité humaine. Quand, au IVe siècle, le christianisme devient religion officielle de l’Empire romain, la sagesse du Christ est en grande partie obscurcie par l’institution ecclésiale. Elle renaît mille ans plus tard, lorsque les penseurs de la Renaissance et des Lumières s’appuient sur « la philosophie du Christ », selon l’expression d’Erasme, pour émanciper les sociétés européennes de l’emprise des pouvoirs religieux et fonder l’humanisme moderne. Frédéric Lenoir raconte ici le destin paradoxal du christianisme – du témoignage des apôtres à la naissance du monde moderne en passant par l’Inquisition – et nous fait relire les Evangiles d’un œil radicalement neuf. “

Ivan Berger: estreia tardia, mas ainda a tempo | por Adelto Gonçalves     

I
            Depois de cumprir uma carreira jornalística de cinco décadas, mesclando o tempo em redação e o trabalho informal como cronista e poeta, Ivan Berger, finalmente, vê o seu primeiro livro impresso, este Quase Não Sou Mais Eu – O Balacobaco do Deus Ex-Machina (São Paulo, Literando Editora, 2022), que reúne 188 peças em prosa poética, poemas em versos livres e contos curtos. São textos em que rememora não só os seus primeiros anos de vida na pequena cidade de Cachoeira do Sul, na região central do Rio Grande do Sul, às margens do rio Jacuí, a chamada “capital nacional do a rroz”, como boa parte da infância e da adolescência passada em Curitiba, capital do Estado do Paraná, antes de sua família se transferir para a litorânea Santos em busca de melhores oportunidades para sobrevivência.
            Dividida em três blocos, a obra, em sua primeira parte, depois de dois textos em prosa em que o autor faz uma espécie de apresentação de seu trabalho, deixando claro que não escreve para ser agradável ao leitor nem para “fazer proselitismo”, segue por mais de cem páginas com poemas em versos que se caracterizam por uma tonalidade noturna, de introspecção, ou seja, um mergulho no interior de uma alma solitária.

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Marie-Pierre Rey | La Russie face à l’Europe | D’Ivan le Terrible à Vladimir Poutine

Nouvelle édition augmentée du Dilemme russe

La Russie est-elle européenne? Qu’est-ce qu’être russe? Depuis le XVIe siècle, la Russie entretient un lien complexe et ambigu avec l’Europe occidentale.
À la tête d’un véritable État-continent s’étendant de l’Europe à l’Asie, les tsars de Russie puis les leaders soviétiques n’ont cessé de s’ interroger sur l’identité de leur pays et les relations à nouer avec l’Europe, tour à tour perçue comme modèle de modernité et d’efficacité ou comme source de danger et de subversion. D’Ivan le Terrible à Vladimir Poutine, les décideurs russes ont été confrontés à ce «dilemme» : fallait-il imiter l’Europe pour mieux la dépasser, ou bien s’en protéger?
D’une plume alerte, en s’appuyant sur un vaste ensemble documentaire, Marie-Pierre Rey explore les tourments de l’identité russe, à la croisée de l’histoire des relations internationales et de l’histoire des représentations.

Champs – Champs histoire | 512 pages – 108 x 178 mm

Paru le 10/02/2016 | Format poche | Genre : Histoire

Literatura | 145 anos da morte de Alexandre Herculano | in Antena 1 RTP

Alexandre Herculano morreu faz hoje 145 anos. Aderiu às ideias em voga na Europa do seu tempo, do Romantismo enquanto movimento literário e na vertente política, batendo-se pelos ideais de liberdade dos povos e monarquias constitucionais.

Era, portanto, um liberal, numa altura em que o regime vigente repudiava esta ideologia. Lutou contra os setores mais conservadores do clero e da sociedade portuguesa.

O seu envolvimento numa revolta militar, em 1831, obrigou-o a fugir de Portugal e a procurar refúgio em Inglaterra e, posteriormente, em França. Regressou a Portugal integrado no exército liberal e participou no desembarque do Mindelo, em 1832, ao lado de Almeida Garrett, e foi soldado durante o tempo que durou a guerra civil.

Nisto tudo, foi essencialmente um intelectual, homem de letras que refletiu sobre os problemas do seu tempo. Deixou uma importante obra literária, sobretudo romances históricos, mas também peças de teatro, poesia e ensaios, opúsculos e reflexões sobre o Estado, a sociedade e a Igreja de Portugal.

Foi o introdutor do Romantismo, a par de Almeida Garrett. Contudo, o seu maior contributo foi no campo da História. Pode afirmar-se que Alexandre Herculano foi o primeiro historiador moderno português, tendo-se dedicado, sobretudo, ao estudo das origens de Portugal e dos problemas políticos e sociais da Idade Média, assim como à publicação de documentos, de forma crítica e rigorosa. Assume particular relevância a sua História de Portugal, em vários volumes, que continua a ser um trabalho de grande valor e de importância fundamental para os medievalistas dos nossos dias.

Retirado do Facebook | Mural de Antena1 | #alexandreherculano#antena1rtp

Walmir Ayala e o inconformismo com a vida | Adelto Gonçalves (*)  

                                                    I
Livro já considerado clássico da Literatura Brasileira, À beira do corpo (São Paulo: Casarão do Verbo/Bookeirão, 2018), do poeta e ficcionista Walmir Ayala (1933-1991), publicado pela primeira vez em 1964, ganha a sua 13ª edição e merece ser conhecido pelas novas gerações. Maior sucesso literário do autor, trata-se de um romance singular, pois, embora considerado ficção, parte de uma tragédia ocorrida na própria vida do autor, que o inspirou a buscar explicação para um incomensurável desatino.
Ou seja, Ayala, quando tinha apenas quatro anos, viu a mãe e seu amante serem assassinados a tiros pelo pai. E, como observa o romancista, roteirista e jornalista Eliezer Moreira (1956), no texto de apresentação da obra, procurou recriar “poeticamente a experiência traumática da infância com uma coragem e autenticidade raras, numa espécie de catarse ou purgação”.
 Um dos escritores brasileiros mais premiados de sua geração, nos vários gêneros literários a que se dedicou, Ayala, inspirado em Machado de Assis (1839-1908) e o seu Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), coloca um “verme” a contar a história do fatídico triângulo amoroso. E que começa por mostrar Bianca, uma jovem de 17 anos, “de uma beleza cobiçada em toda a redondeza”, filha do velho Piero, proprietário de uma chácara de pêssegos, que começa a se preparar para as bodas com um moço pobre da vizinhança, Vicente, dono de uma ferraria.

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Françoise Bianchi | Edgar Morin: entre Montaigne y Spinoza

Revista Iniciativa Socialista (primeiro período da revista trasversales atual), número 76, verão 2005-2006,
Texto inicialmente apareceu em Estudos Culturais FrancesesEdgar Morin , Universidade de Southampton, 1998, pp. 387-396. Traduzido e publicado com a permissão do autor. Françoise Bianchi é professora da Universidade de Pau e autora de Le fil des idées [Seuil, 2001], uma biografia intelectual de Edgar Morin.

A ideia de relacionar o pensamento de um escritor do século XX com a de seus ilustres antecessores dos séculos XVI e XVII pode ser surpreendente à primeira vista. A priori, tudo separa as obras de Montaigne e Spinoza da de Edgar Morin. São obras que surgiram às vezes muito diferentes para que seu confronto fosse frutífero. Na realidade, não se poderia falar de “filiação”· Incluindo. Para o resto, o que uma obra literária, uma obra filosófica e o trabalho de um sociólogo têm a ver com isso?
Mas aqui não se trata disso, mas sim de aproximar os projetos de escrita e de apontar suas preocupações comuns, aqueles que norteiam o interrogatório, além das mudanças de episteme, utilizando a terminologia de Michel Foucault [1966, 1968], além, sobretudo, das classificações usuais estabelecidas pela história da literatura e da filosofia.

De Montaigne

Embora seja estranho começar com isso, quero salientar que Edgar Morin é marrano, como Montaigne. Claro, por razões históricas bem conhecidas, uma memória familiar e comunitária estava presente que no século XVI não foi invocada, exceto talvez em alguma alusão amigável e codificada, como a que Edgar Morin [entrevista pessoal, 12/6/1996] acredita presente na carta de Montaige ao seu pai na qual ele relata as palavras de La Boêtie em seu leito de morte dirigindo-se ao padre que acabou de dizer missa: “Eu ainda quero dizer estas palavras em sua presença: eu protesto que como fui batizado e vivi, então eu quero morrer sob a fé e religião que Moisés implantou pela primeira vez no Egito, que os santos padres então receberam na Judéia, e que de mãos dadas, pelo passar do tempo, foi trazido para a França” [Montaigne, 1962].
Qualquer que seja o escopo exato dessas palavras, Montaigne, o Gascon, também era um espírito universal, cuja curiosidade o fez se abrir para outras culturas, e que, o que quer que Barrès diga, não tinha medo de estabelecer contato com o que estava além das fronteiras de sua terra natal [Montaigne 2003, I-31, III-6, III-9].

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Breve Resenha Crítica | “O BRILHO DAS ESTRELAS CADENTES” de Sebastião Pereira da Costa.

Com o romance autoral “O BRILHO DAS ESTRELAS CADENTES”, Sebastião Pereira da Costa está consagrado e brilhantemente escrito nas estrelas

O escritor é aquele que se dedica profissionalmente a fazer arte usando como matéria-prima a língua, o texto, sua inspiração e muita criatividade.

Daniele Fernanda Feliz Moreira

Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)

-Ler SPC, ou Sebastião Pereira da Costa, é antes de tudo e a bem dizer, sempre um deleite. Maroto jornalista de histórico insurgente, critico social voraz e feroz, pena pesada como dizem os arqui-inimigos historiais,um jornalista político primoroso, também literato de naipe com outros livros de renome publicados, ou mesmo do primeiro de estreia, NÃO VERÁS NENHUM PAÍS COMO ESTE com prefácio de FHC, SPC, entre Itararé, onde nasceu rebento no Bairro de Santa Cruz dos Lopes, e Itapeva da Faxina, mais acessos aqui e ali em lutas, conflitos e vitórias em Sampa da força que ergue e destrói coisas belas, como bem cantou Caetano Veloso, SPC de mala e cuia e calibre fezhistórias que, finalmente, nesse seu último livro, registra como ousadia, encanto e primor, que é de seu estilo e modus operandi.

-Li quase todos os livros dele, baita aprendizado de escrita e fluente narrativa gostosa  com escola no jornalismo regional, então, ler O Brilho das Estrelas Cadentes também foi um prazer, de cara sapequei cento e poucas páginas de puro desfrute, aqui e ali rindo  gostoso, e rindo alto de como jocosamente e com estilo garboso, puta literato no auge, floreou umas narrativas de apreendencias infanto-juvenis em escopo afetivo-sexual primário e inocente, dando corda na imaginação do leitor. Fui na fiúza. Primeira parte, para ler, reler e rir novamente, contando dos amigos as doces letras em desbunde…

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BRANDOS COSTUMES | O Estado Novo, a PIDE e os intelectuais | por Luís Reis Torgal

NOTA DE IMPRENSA

Sinopse:
Tendo como base as mais variadas fontes, mas sobretudo os arquivos da PVDE/PIDE/DGS, esta obra analisa osprocessos da polícia política de figuras «exemplares» no panorama cultural  português, como Tomás da Fonseca, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Miguel Torga, Soeiro Pereira Gomes, Fernando Namora, Jorge de Sena, Natália Correia e Luís de Sttau Monteiro.
Sobre o coordenador:
Luís Reis Torgal, nascido em Coimbra em 1942, é professor catedrático aposentado da Universidade de Coimbra e membro fundador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20). Publicou diversas obras e artigos sobre vários temas de várias épocas, entre elas o tempo do Estado Novo. Neste âmbito destaca-se a obra Estados Novos, Estado Novo (Coimbra: Imprensa da Universidade, 2009). O seu último livro, integrado no Bicentenário da Revolução de 1820, intitula-se Essa Palavra Liberdade… (Lisboa: Temas e Debates, 2021).
Sobre o livro:
Género: História / História em Geral | Formato: 15×23,5 cm |Nº de páginas: 480| 1ª edição: setembro de 2022
| Encadernação: Mole | PVP: 20,90€ | ISBN: 9789896447472
Para mais informações, contacte o Gabinete de Comunicação da Temas e Debates:
Carolina Paiva (carolina.paiva@bertrand.pt)

Livro do Julgamento de Otelo Saraiva de Carvalho | por Carlos Matos Gomes

O Livro, da autoria de Mouta Liz e de Romeu Francês, relata o processo do julgamento de Otelo, a propósito das FP e do Projeto Global.

Vou apresentar este livro por um dever de consciência – o que tem a ver comigo – por um dever cívico. Vou apresentar os meus pontos para serem colocados em muitos is.

Ninguém que esteja convencido do quer que seja sobre o assunto alterará a sua ideia. Não tenho qualquer ilusão. Mas ficará o documento escrito e o que a propósito dele for dito.

Otelo continuará a ser a figura diabolizada que convier a quem se opõe a um regime que não seja de senhores e servos, a um regime de direito à palavra por parte dos que nunca a tinham tido.

A história faz-se de circunstâncias. E é das circunstâncias de um julgamento político que eu falarei.

Tal como na Ucrania, no Iraque, na Siria, na Revolução Bolchevique, na Revolução Francesa e até no Processo dos Távoras não há verdades únicas. Nem julgadores com infalibilidade papal.

Aqui fica o convite.

Silas Corrêa Leite: a poesia como libertação da alma | por Adelto Gonçalves

  I
Autor multifacetado, Silas Corrêa Leite (1952) volta às livrarias com novo livro de poemas, Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019), que reúne 25 peças em que o poeta coloca em prática a poesia como libertação da alma. E o faz como uma forma de ter em mãos um mundo mais tranquilo que o mundo de todos os dias, alheando-se dos momentos difíceis por meio da busca do sonho e do desejo.      
                Em outras palavras: a palavra poética seria a ponte por onde a alma do poeta passaria para o futuro, ou seja, para a vida eterna, como se constata no poema que tem por título exatamente “Morte” e no qual ele diz que: Quando a morte vier me buscar / estarei sentado à beira do caminho / Escrevendo meu último poema para o luar cor de prata / com minha lupa de restos de calendários vencidos… / A morte – a mais bela mulher que jamais vi – dirá, / toda vaidosa e pintada para a guerra das estrelas / – Vamos, poeta, se apresse, vamos, é hora… / Eu a olharei, entregue, e a tomarei nos braços / Então a abraçando forte e seguro como uma ilha eterna de / estúdio de luz / E finalmente  assim embarcaremos na canoa furada da noite, / e juntos / Como unha e carne / seremos um só / Como um voo de Ícaro para o céu de todas as honras…
Com imagens triviais, Silas Corrêa Leite explora temas como o mar e o tempo, a vida e a morte, a alma e o corpo, o “eu” poético e o amor em todos os níveis, inclusive o amor filial e o maternal e o paternal, com versos bem lapidados, às vezes até enveredando pelo barroco, para concluir com explosões épicas, pois, se algo sabe fazer com quase perfeição, é a maneira habilidosa com que manipula as palavras. 
Leia-se, por exemplo, este poema que leva por título “Saudade”: Mãe, às vezes, quando vou dormir ensimesmado / Na fronha de algodão cor de neve / encardida – com lágrimas de saudades de ti / Ainda parece que vejo teu rosto; / parece que no pano a tua voz como uma cantilena terreal / me diz / – Dorme, guri, dorme… / Então eu fecho os olhos chorando escondido da vida / E minha saudosa lembrança de ti / abraça minha angústia noturna no travesseiro / E acaricia com tintas de imenso amor eterno / o desalinho de minha saudade de órfão triste.

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Nouveaux Contes de la Folie Ordinaire | Poche de Charles Bukowski

A quoi bon des poètes dans un temps de détresse ? – demandait Hölderlin.

L’orgasme et la folie sont la nouvelle frontière des libérateurs de l’amour où Bukowski monte la garde – Jacques Cabau, Le Point

La réponse est dans Bukowski, dans une prose qui est l’une des plus dénonciatrices-accusatrices de ce temps. Et sans aucune issue proposée : le constat d’enfer nu, organique, brutal. Les ” caprices ” de Goya, en pleines phrases. J’ai lu quelque part que Bukowski était ” rabelaisien “. Mais non, il s’agit de quelque chose de beaucoup plus noir, de beaucoup plus simple et lisible, d’une inspiration beaucoup plus ” théologique ” sous un aira d’anarchisme absolu.

La civilisation, ou ce qui en reste, n’est pas du tout en train de ” renaître ” mais de se tasser, de se décomposer, de se décharger, et Bukowski n’a pas d’autre choix que de lui répondre du tac au tac avec le maximum de violence, à bout portant “.

Philippe Sollers, Le Nouvel Observateur ” Par-delà le cauchemar de l’histoire existe la perfection de l’amour. L’orgasme et la folie sont la nouvelle frontière des libérateurs de l’amour où Bukowski monte la garde “. Jacques Cabau, Le Point

Arquitectura | Óscar Niemeyer

Na folha branca de papel faço o meu risco.

Retas e curvas entrelaçadas.

E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.

São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.

Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,

os encantos da mulher.

Deixo de lado o sonho que sonhava.

A miséria do mundo me revolta.

Quero pouco, muito pouco, quase nada.

A arquitetura que faço não importa.

O que eu quero é a pobreza superada,

a vida mais feliz, a pátria mais amada

5 pensamentos para entender o pensamento de Simone de Beauvoir | 5 Frases de Jean Paul Sartre

“Se um certo Jean-Paul Sartre for lembrado, eu gostaria que as pessoas recordassem o meio e a situação histórica em que vivi, todas as aspirações que eu tentei atingir. É dessa maneira que eu gostaria de ser lembrado.”

Essa declaração foi feita por Sartre durante uma entrevista, cinco anos antes de morrer. Na mesma ocasião, disse que gostaria que as pessoas se lembrassem dele por seu primeiro romance, “A Náusea”, e duas de suas obras filosóficas, a “Crítica da Razão Dialética” e o ensaio sobre Jean Genet.

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Nota de imprensa de O Gémeo de Ompanda | por Carlos Matos Gomes

A busca da identidade num mundo de diferenças

Em O Gémeo de Ompanda – e as suas duas almas, Carlos Vale Ferraz convida-nos a fazer uma viagem épica com partida numa pequena localidade do sul de Angola

Com mestria, Carlos Vale Ferraz dá uma vez mais vida a personagens memoráveis em O Gémeo de Ompanda – e as suas duas almas. Um romance indispensável sobre a busca da identidade num mundo de diferenças, que decorre entre Portugal e Angola. O tempo dos missionários laicos portugueses em Angola e a Guerra Civil neste país africano servem de pano de fundo a uma história feita de escolhas. Nela, os protagonistas lutam não só contra os estigmas de duas sociedades, como também contra si próprios.
O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 25 de agosto.
Conheça a obra nas palavras do próprio autor:

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Poema | Verão sobre o corpo | Maria Isabel Fidalgo

O verão há de durar sobre o meu corpo

sobrepor-se ao inverno e aos temporais

porque o amor abrasa a água,

incendeia de sol os meus olhos de outono,

revigora de verde as vinhas de setembro

a sonharem com a espuma do vinho

nas vestes das parras.

Será verão quando escreveres versos no mar da salvação

para que Romeu e Julieta renasçam do inefável silêncio

e  repitam as palavras salvíficas:

“Não sei como vieste, mas deve haver um caminho para regressar da morte”

ANNIE, A FILHA REBELDE DO DIRETOR DA PIDE | por Paulo Marques

O que começou por ser uma reportagem dos jornalistas José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz para o jornal Expresso (distinguida com o Grande Prémio Gazeta 2002, principal galardão de jornalismo concedido em Portugal) acabou num livro. “A Filha Rebelde”, obra editada pela Temas e Debates, em 2003, constitui o desenvolvimento dessa reportagem.

Trata-se da história de Ana Maria Palhota Silva Pais (1935 – 1990), conhecida pelo petit nom Annie, a filha única do último diretor da PIDE, o major Fernando Silva Pais, que dirigiu a polícia política do regime fascista durante os seus últimos doze anos (de 1962 a 1974), que se apaixonou pela revolução cubana, deixando-se envolver pelo clima de efervescência política e social vivido em Havana nos agitados anos 60.

Annie era uma mulher extremamente bonita, culta e com uma sólida formação, determinada, corajosa, que vivia com todas as facilidades e mordomias, e que abandonou todo o seu passado e estatuto, todas as suas referências familiares, todas as suas amizades, para, sob o fascínio da figura de Che Guevara, se entregar à revolução cubana com a qual se identificou.

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BIOGRAFIA | SIMONE DE BEAUVOIR | Escritora e filósofa francesa

Simone de Beauvoir (1908-1986) foi uma escritora francesa, filósofa existencialista, memorialista e feminista, considerada uma das maiores representantes do existencialismo na França. Manteve um longo e polêmico relacionamento amoroso com o filósofo Paul Sartre.

Simone Lucie Ernestine de Marie Bertrand de Beauvoir, conhecida como Simone de Beauvoir, nasceu em Paris, França, no dia 9 de janeiro de 1908. Filha de um advogado e leitor compulsivo, desde a adolescência já pensava em ser escritora.

Entre 1913 e 1925, estudou no Institute Adeline Désir, uma escola católica para meninas. Em 1925, Simone de Beauvoir ingressou no curso de matemática do Instituto Católico de Paris e no curso de literatura e línguas no Institute Saint-Marie.

Em seguida, Simone de Beauvoir estudou Filosofia na Universidade de Sorbonne, onde entrou em contato com outros jovens intelectuais como René Maheu e Jean-Paul Sartre, com quem manteve um longo e polêmico relacionamento. Em 1929 concluiu o curso de Filosofia.

Em 1931, com 23 anos, Simone de Beauvoir foi nomeada professora de Filosofia na Universidade de Marseille, onde permaneceu até 1932. Em seguida foi transferida para Ruen. Em 1943, retornou à Paris como professora de Filosofia do Lycée Molière.

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

Simone de Beauvoir manteve um relacionamento aberto e um compartilhamento intelectual com o também filósofo Jean-Paul Sartre por mais de 50 anos. Nunca chegaram a se casar ou a ter filhos.

French authors and philosophers Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) and Simone de Beauvoir (1908 – 1986) in Sartre’s apartment on the Rue Bonaparte, Paris, France, circa 1964. (Photo by Gisele Freund/Photo Researchers History/Getty Images)
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A Noite na Ilha | Pablo Neruda

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

0 teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
— pão, vinho, amor e cólera —
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

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As Vinhas da Ira | John Steinbeck

Estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar.

«Não sei para onde vou mãe (…). Andarei por ai no escuro. Estarei em toda a parte. para onde quer que olhem. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, estarei lá. Onde houver um policia a espancar uma pessoa, estarei lá. Estarei nos gritos das pessoas que enlouquecem. Estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar. E quando as pessoas comerem aquilo que cultivam e viverem nas casas que constroem, também lá estarei.»

Do filme, As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira – Resumo em Vídeo

É uma expressão portuguesa, com certeza | Mafalda Saraiva

Antes de ir desta para melhor, vou dar com a língua nos dentes e lavar roupa suja. Com a faca e o queijo na mão, com uma perna às costas e de olhos fechados, vou sacudir a água do capote. Ainda tirei o cavalinho da chuva, tentei riscar este assunto do mapa, mas eu sou uma troca-tintas, uma vira casacas e vou voltar à vaca fria.

Andava eu a brincar aqui com os meus botões, a chorar sobre o leite derramado, com bicho carpinteiro e macaquinhos na cabeça, quando decidi procurar uma agulha no palheiro. Eu sei, eu não bato bem da bola, mas sentia-me pior que uma lesma e tinha uma pedra no sapato. O problema é que andava a bater com a cabeça nas paredes há algum tempo, com um aperto no coração e uma enorme vontade de arrancar cabelos. Passei muitos dias com cara de caso e com a cabeça nas nuvens como uma barata tonta.

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Maria Isabel Fidalgo | Poema dos sete beijos

Dá- me sete beijos de papel em folha de papiro com laço de seda que bem mereço.

Não perguntes deste meu desejo irreal a que chamarás absurdo.

Sabes que vivo de ilusões

e de sonhos de impossibilidade ilimitada.

Só por isso sobrevivo na grande nave do mundo sem precisar de ir ao espaço.

Sete beijos em papel de papiro

e uma taça de champanhe para comemorar a audácia de os ler

com o estrondo da garrafa que embebede de espuma a fita de seda

e a boca que houver.

Poema | Maria Isabel Fidalgo

Não me firas com o teu silêncio.

Enche com os teus  olhos de  ausência os meus olhos de pássaro.

Traz- me a leveza das tuas mãos que tão breves partiram sem aceno.

Clama pelo meu nome como se a primeira estrela fosse a noite com o teu rosto.

Não me castigues de catos.

Traz- me rosas sobre os lábios e pica-me de beijos que sangrem.

Afasta a solidão e traz o teu silêncio.

Pousa-o sobre  a leveza do meu corpo e seremos um oásis manso de paixão.

Vem e faz- me acreditar que o sol ainda arde na labareda da fome.

MIF

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

——

Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”

Florbela Espanca (Vila Viçosa8 de dezembro de 1894 — Matosinhos8 de dezembro de 1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d’Alma da Conceição Espanca, foi uma poeta portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotizaçãofeminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos.

Iacyr Freitas: 40 anos de percurso literário | por Adelto Gonçalves

                                                           I
            Para comemorar o 40º aniversário de sua estreia literária, o poeta Iacyr Anderson Freitas (1963) acaba de lançar Os campos calcinados (São Paulo, Faria e Silva Editora, 2022), que reúne toda a sua produção lírica escrita após o seu livro anterior, Estação das Clínicas (2016), além de poemas que até então figuravam apenas em periódicos nacionais e estrangeiros. A exemplo de obras anteriores, os poemas do novo livro trazem a cáustica ironia e o sentimento de perda que são características marcantes do seu itinerário literário. < /span>
            Dividida em cinco partes bem distintas – “O cerol no ouvido”, “Menos café que cicuta”, “Perder um país”, “Este mínimo infinito: breviário” e “Limão Capeta” –, a obra traz peças que fundem o pictórico com o sonoro, expressando o sentimento do poeta em imagens que valem por si mesmas. O poema “A derradeira”, que consta da terceira parte, é um bom exemplo disso: “a manhã curvou seus sinos aos escolhidos / : tu estavas dormindo / veio silenciosa / brindar os passantes / com a última rosa / branca enorme esplendorosa / a última / a d erradeira rosa / a manhã curvou seus sinos / sobre o sono dos vencidos / era domingo / adeus vida que não veio / vento que acende os aceiros / adeus amores de outrora / vela que se queimou no vime dos veleiros / : a manhã devora / a última rosa”.
            A imagem que se desprende da frase “a vida que não veio”, de certo modo, repete-se em “Abaixo, no lugar de rancor, use a palavra amor”, poema que consta da primeira parte, pois traz o mesmo sentimento que evoca um poema de Manuel Bandeira (1886-1968), “Pneumotórax”, que fala de “uma vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Segue o poema: “nada como um rancor não correspondido / no lugar da dor / o olvido / nenhum remorso / nenhum ódio ressentido / nenhuma palavra / como navalha / no ouvido / somente o vazio o vazio infinito / do que não foi / vivido”.

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Bocage, a vida passada a limpo | Adelto Gonçalves | por Hugo Almeida

Bocage, a vida passada a limpo

Em pesquisa de grande fôlego, o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves recuperou dados da vida e obra, muitos antes inéditos, de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o poeta que sonhava ser um novo Camões

Por Hugo Almeida

                                                 I

Com outras palavras, Jorge Luis Borges disse na apresentação de Vidas imaginárias, de Marcel Schwob, que a trajetória de uma pessoa está contida naquele tracinho que liga a data de nascimento à de morte. Ou, como escreveu Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.De certa forma, é isso que o escritor e pesquisador brasileiro Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP),mostra na biografia de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805),Bocage, o perfil perdido (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2021).

Em pesquisade impressionante fôlego, paciente,minuciosa,riquíssima em documentação inédita,Gonçalves recompôs em 520 páginasos 40 anos da vida intensa, agitada e contraditória do poeta que não realizou o sonho megalomaníaco de ser um novo Camões, mas entrou para a história da literatura portuguesa. O livro já havia sido publicado em Portugal em 2003 e foi aplaudido pela crítica especializada.

No prefácio da edição brasileira, Fernando Cristóvão, professor catedrático de Literatura da Universidade de Lisboa, resume em um parágrafo quem foi o poeta: “Bocage, alistado na Marinha, cursou a respectiva Academia, embarcou para a Índia, foi boêmio no Rio de Janeiro, passou três anos em Goa e Damão, desertou fugindo para Macau, regressou a Lisboa, onde a vida livre e as sátiras o atiraram para a prisão e o hospício. Morreu doente e pobre, traduzindo nos seus versos a sua vida e o seu tempo”. Cristóvão ressalta a importância de Bocage, o perfil perdido: “Foi para historiar e elucidar as contradições e lances da biografia do poeta que Adelto Gonçalves se abalançou a uma pesquisa aturada e sistemática, de que esta publicação dá conta”. E completa: “O excelente trabalho de agora vai desde o traçado da árvore genealógica da família de Bocage até ao final dos seus dias, facultando-nos abundante documentação”.

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«A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima» |  Inês Santos e Rosa Neto

“A Mãe Igreja na Serra de Aire – Uma descoberta de Alcanena a Fátima” é uma edição de autor, escrita em coautoria por Inês Santos e Rosa Neto, duas catequistas do Covão do Coelho, diocese de Leiria-Fátima, concelho de Alcanena. A obra teve a sua génese nas sessões da catequese com a preparação dos jovens para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, mas com o tempo ganhou maiores contornos.

A apresentação pública está para breve, em Minde e no Covão do Coelho, mas o livro já está à venda: online na BookMundo; diretamente às autoras*; entretanto na FNAC. Pagos os custos da impressão, todo o ganho com a venda da obra será entregue à Paróquia de Minde, para ajuda à aquisição de um sistema de som para a capela do Covão do Coelho.

O prefácio é assinado pelo padre Sebastian Joseph, sacerdote indiano da Congregação do Verbo Divino e pároco de Minde e da Serra de Santo António, para quem o livro “vai despertar muita curiosidade”. Isto porque, refere, “para os mais velhos é uma recordação daquilo que foi ou já existiu e para os mais novos um convite a manter as belas tradições, devoções e a revivê-las”.

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“Os árabes de Lisboa e de Portugal sempre estiveram por aqui” | Sérgio Luís de Carvalho | por João Céu e Silva in DN

A conquista de Lisboa aos mouros em 1147 numa pintura de Roque Gameiro.

O terceiro volume com que Sérgio Luís de Carvalho vem fazendo a história da capital portuguesa é dedicado à presença árabe em Lisboa: “Uma viagem maravilhosa por um legado com mais de mil anos de história”.

O historiador Sérgio Luís de Carvalho tem vindo a publicar uma série de livros em que o tema é a história de Lisboa. Após Lisboa Nazi Lisboa Judaica, lança agora Lisboa Árabe. Quando se lhe pergunta qual dos três volumes seduzirá mais os leitores, considera que, apesar do interesse específico de cada um, admite que Lisboa Nazi possa “ter os ingredientes para cativar desde logo um leitor interessado em temas históricos, no geral. É um assunto mais “perto” de nós e cujos ecos e feridas ainda se poderão fazer sentir”. Quanto aos outros dois, que têm uma componente religiosa maior, refere que “terão mais fôlego em termos diacrónicos, o que levará a uma visão mais “prolongada” temporalmente”. O trio sobre Lisboa não deverá terminar com esta nova investigação e adianta que “é possível, até provável” novos títulos. No entanto, diz, “no caso plausível de haver continuação, tenho de pensar bem como manter o nível e a coerência do projeto”.

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A saga de Lorena numa hábil narrativa | Adelto Gonçalves | por Helio Brasil

                                     I

A História do Brasil teria que ser contada por um coral de historiadores, apoiados em narrativas de cronistas, aventureiros, viajantes constrangidos ou deslumbrados. Uma inicial e lógica exploração feita a partir da costa, seguida de penosas internações. Todas milagrosamente rápidas, tendo em vista os recursos da época, pois falamos de um passado de meio milhar de anos. Registros, documentos, cartas, mapas (de incrível rigor, em face dos recursos da época), bem como a ansiosa busca de riquezas para uma Europa que experimentara a incubação medieval e a explosão do Renascimento.

Não à toa, Espanha e Portugal, dois países debruçados sobre o mar, como se espichando um pescoço geográfico para o Hemisfério Sul ali dominado pelo Atlântico, lançaram-se à cata de riquezas. A terra lusitana, restrito território, pobre de recursos naturais, mais do que todos, levou a conquista a sério.

Nenhuma colonização é angelical. Antes é fria, cruel e espoliadora. Assim, dizer que o Brasil teria se tornado um país melhor se ficasse com espanhóis, com ingleses, franceses ou (que deslumbramento!) dourados holandeses, nos parece uma conjectura ingênua. Historicamente (ou fatalmente) ficamos com Portugal. E será sobre essa nação e seu povo – tão péssimo como os mais péssimos, tão notável quanto os mais notáveis – que devemos falar.

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OS GOSTOS DE EUGÉNIO DE ANDRADE

Certo dia, um jornalista perguntou a Eugénio de Andrade: “Então de que é que gosta?” Ele respondeu assim:

«De framboesas. Do Mozart. Do Moby Dick. Do Walt Whitman. Das infantas de Velázquez. Gosto das Geórgicas e da Ilíada. De cerejas, de gatos e do Miguel. Gosto de Florença e Praga e Oxford. Gosto dos oiros e dos vermelhos de Rembrandt, das naturezas-mortas de Morandi. Gosto de Li Bai e da canção única de Meendinho. Gosto de Andrei Tarkovsky, dos versos de Pessanha, de Cesário. Gosto de espirituais negros. Gosto da sombra dos plátanos e das ilhas gregas. Gosto de muros brancos, de praças quadradas. Gosto dos madrigais de Monteverdi, da Casa sobre a cascata de Frank Lloyd Wright. Das Variações Goldberg. Das Illuminations. Gosto do deserto, dos coros alentejanos. Gosto de minha mãe e de Virgínia Woolf. Da Via Ápia. Gosto dos esquilos do Central Park e das dunas de Long Island no inverno. Gosto de um verso do Cesariny: “Conto os meus dias, tangerinas brancas”. Gosto do aroma do feno e de Schumann. Gosto do cheiro dos corpos que se amam. Hoje, não gosto de mais nada.»

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA | José Saramago | por Valdemar Cruz

Ainda a recuperar das ondas de choque e espanto desencadeadas pela estreia no Teatro Nacional de S. João de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, a partir do romance de José Saramago. A encenação de Nuno Cardoso, com versão cénica de Cláudia Cedó, a par do espantoso trabalho dos actores, proporciona uma daquelas raras situações em que sentimos estar a viver um momento único. Porventura irrepetível. Romance poderoso sobre uma distopia, evolui em palco como um inquietante épico momento teatral.

Quando se pergunta para que serve um Teatro Nacional, aqui está a esmagadora resposta. Um espectáculo com esta grandeza só é possível graças a uma co-produção que envolve o TNSJ e o Teatre Nacional de Catalunya. Com actores portugueses e catalães (legendas em português e catalão) a peça, até pela sua duração, se surge como um desafio para os actores, não deixa de constituir um permanente desassossego para os espectadores. Até pela surpresa e inventividade de algumas opções cénicas.

Dali ninguém sai como entrou. Mas ninguém se devia furtar à experiência de ir ao TNSJ para, se puder olhar, ver. Se puder ver, reparar.

‘Confinados’, um livro para crianças e para adultos | Ozias Filho e Nuno Azevedo | por Adelto Gonçalves

                                                 I

          Um menino que vive em Portugal e, de repente, deixa de ir à escola, perde o contato com os amiguinhos e que olha através da janela as pessoas que passam na rua, todas mascaradas. Esse é o universo do livro do gênero infantil Confinados (Amadora, Edição Canto Redondo, 2022), de autoria do brasileiro Ozias Filho, jornalista carioca radicado em Portugal há mais de três décadas, e do artista plástico português Nuno Azevedo, responsável pelas várias belas peças que ilustram a obra.

Igualmente fotógrafo e responsável por uma coluna no tradicional jornal literário impresso Rascunho, de Curitiba, Ozias Filho escreve poesia, contos, notícias para jornais erevistas e é autor de livros com textos e outros com muitasfotografias de lugares bonitos. Desta vez, porém, ingressa pela primeira vez na experiência de escrever livros para o público infantil. E se sai muito bem porque consegue escrever como se fosse um menino, o que garante que será lido por pais e filhos por muito tempo, mesmo depois que a pandemia de coronavírus (covid-19) venha a se tornar apenas uma amarga lembrança como a peste negra (peste bubônica), a gripe espanhola, a Aids (Sida)e outras pestes.

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Adieu | Poèsie – Ines Hayouni | SILA 2022

Contempler ton cortège funèbre un beau jour d’été

J’attendais impatiemment ta belle arrivée

Les nobles soldats portaient ton tombeau fleurdelisé

Quel rêve fantasmagorique de voir ton corps endormi

Enveloppé dans ce beau linceul

De ta gentillesse, le monde s’est appauvri

L’odeur de camphre caresse mes narines

Et apaise mon cœur affaibli

Les anges t’ont bercé jusqu’à la méridienne

J’appréhendais notre rencontre

Mais notre séparation m’a laissée sereine

Un contentement trompeur a pris le relais de ma peine

Prologue d’une douleur à en perdre haleine

Afropeu | A diáspora negra na Europa, de Johny Pitts

Redescobrir a Europa pelo olhar das comunidades afropeias. Afropeu – A diáspora negra na Europa, de Johny Pitts, é uma viagem pelos locais do Velho Continente onde os europeus de ascendência africana jogam com obediências múltiplas e constroem novas identidades. A obra vencedora do Prémio Europeu de Ensaio 2021, traduzida pelo escritor Bruno Vieira Amaral, chega a Portugal pela Temas e Debates a 2 de junho, e a sessão de lançamento, que conta com a presença do autor e de Bruno Vieira Amaral, acontecerá no dia 4 de junho, às 18h, na livraria Ler Devagar, em Lisboa.
Fascinante e arrebatador, Johny Pitts traz a visibilidade necessária a comunidades negras que continuam a ser silenciadas. De Afropeu – A diáspora negra na Europa resulta um mapa alternativo, que nos leva da lisboeta Cova da Moura, com a sua economia clandestina, a Rinkeby, zona de Estocolmo onde oitenta por cento da população é muçulmana. Johny Pitts visita também a Universidade Patrice Lumumba em Moscovo, onde os estudantes oeste-africanos continuam a aproveitar ao máximo as ligações com a URSS surgidas durante a Guerra Fria, e Clichy-sous-Bois em Paris, onde nasceram os motins de 2005. Seja qual for a geografia, são os afropeus os protagonistas da sua própria história. Com um efeito quase cinematográfico, é notável a maneira como Johny Pitts capta o espírito de cada lugar, fazendo com que a perceção que o leitor tem da Europa seja desafiada e reimaginada

.Johny Pitts, movido pela sua própria história, viajou por vários países europeus (França, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Suécia, Rússia e Portugal) em busca de comunidades negras que não tivessem a visibilidade merecida. Como resultado, Afropeu – A diáspora negra na Europa é um belíssimo estudo sobre a identidade negra na Europa. Venceu também os prémios Leipzig Book Award for European Understanding 2021,Jhalak Prize 2020 e Bread & Roses Award for Radical Publishing em 2020.
O autor vai estar em Portugal para o lançamento do livro e está disponível para entrevistas.

Grupo Bertrand Círculo

Solha: a história da Humanidade num poema | por Adelto Gonçalves

I 

Depois de publicar, em 2019, Vida Aberta (São Paulo, Editora Penalux), o romancista, poeta, cordelista e ator de teatro e cinema W. J. Solha (1941) chega com 1/6 de Laranjas Mecânicas, Bananas de Dinamite (Cajazeiras-Paraíba, Arribaçã Editora, 2021), ao quinto volume de seu Tratado Poético-Filosófico, de seis que pretende publicar. Trata-se da continuação de um longo poema em versos livres, um discurso utópico, em que procura reconstituir a história da Humanidade e seus muitos saberes e numerosos fracassos.  

Poeta que sempre operou a anarquia nos gêneros, espécies e formas literárias como maneira de se libertar do peso da tradição que sempre impediu que se fizessem voos mais altos e abertos para a intuição, Solha volta a fazer a junção do popular com o erudito, exigindo de seu leitor um conhecimento profundo não só de Literatura e Filosofia como de fatos que marcaram a vida no planeta, com citações que vão desde o Evangelho de João até Machado de Assis, passando por Descartes, Santos Dumont, Frida Khalo, Salvador Dali, Mozart, Caravaggio, Bela Bartok, Shakespeare, Charlie Chaplin, Freud, Stendhal, Tolstoi, Darwin, Gilberto Gil, Gal Costa, Ivete Sangalo e muitos outros nomes representativos da cultura mundial e nacional. 

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Victoria Fyodorova | Russian-American actress and author

Victoria Fyodorova (formerly Pouy; January 18, 1946 – September 5, 2012) was a Russian-American actress and author. She was born shortly after World War II to Jackson Tate (1898–1978), then a captain in the United States Navy, and Russian actress Zoya Fyodorova (1909–1981), who had a brief affair before Tate was expelled from Moscow by Joseph Stalin. Victoria Fyodorova wrote the 1979 book, The Admiral’s Daughter, which was about her experience attempting to reunite with her father.

Aristóteles à la minute resume a guerra da Ucrânia! | por Carlos Matos Gomes

A Odisseia de Homero vista por um agente de viagens. Há um invadido e um invasor. Um Mau e um Bom! Mas onde raio está o cavalo de Troia?

No século VIII a.C., Homero escreveu a Ilíada, apontada como o livro inicial da literatura ocidental, onde versava sobre a Guerra de Troia. O segundo livro, Odisseia, dava conta do que aconteceu depois da batalha, quando Ulisses tentava regressar.

Um dos seus aspetos mais notáveis da epopeia é o modo como está construída, com um início in media res, que foi reproduzido em inúmeras obras posteriores. Uma sofisticada técnica literária que permite entrar na metade da história, revelando os eventos que aconteceram antes através de memórias e flashbacks.

A Odisseia é uma narrativa política e histórica complexa, que que trata entre outros temas do papel da mulher na sociedade — Penélope; fantástico e que versa sobre a descoberta de outros mundos — Poseidon; do poder, do encantamento, da vingança — Ulisses.

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Café littéraire Al-Rûmi | Sacré Coeur | Alger

Chères et chers membres, Vous êtes conviés à assister une séance de dédicaces du roman « Les maux conjugués », le 3ème roman de Jugurtha Abbou. L’événement aura lieu à votre café littéraire Al-Rûmi Samedi le 14 Mai 2022 à 13:30.

Bienvenus

Aperçu:

« Les maux conjugués » est le titre de la 3e œuvre de Jugurtha Abbou. Ce roman évoque la période du début des années 2000, qui a vu sur le plan national, deux tragédies naturelles, les inondations de Bab El Oued et le séisme de Boumerdes, et sur le plan international, les attentats du 11 septembre et le bouleversement des relations internationales, l’invasion de l’Irak notamment.

Pour illustrer cette époque, l’auteur raconte l’histoire de Mehdi. Cet étudiant en italien était épris de Houria, sa camarade du lycée puis de l’université, avant que le sort ne la ravisse à lui, victime qu’elle soit du tremblement de terre de 2003, elle qui, deux ans auparavant, avait perdu son frère dans les inondations de Bab El Oued. L’existence de Mehdi vire alors au cauchemar. Désormais, il n’a qu’une idée en tête : partir. Hélas! Sa demande de visa est rejetée. Il se résout alors à partir en harraga avec l’aide d’Amel, une fille louche, via la Libye. Mais le rêve de Mehdi se trouvera horriblement détourné lorsqu’il se voit embarqué vers une destination aux antipodes de son rêve italien. Car c’est en Irak qu’il atterrit, un pays en ruines laissé par les Coalisés après l’expédition destructrice du printemps 2003.

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‘Homem de papel’, uma metaficção machadiana | João Almino | por Adelto Gonçalves

Oitavo romance de João Almino será fundamental para quem quiser saber, daqui a cem anos, o que foi o Brasil destes tempos.

I 

Foi quando já estava em seus derradeiros anos que Machado de Assis (1839-1908) escreveu o romance Memorial de Aires (1908) e que tem como personagem principal o conselheiro Aires, um diplomata em fim de carreira que já havia aparecido em Esaú e Jacó (1904) como participante do enredo, anotando em seu caderno tudo o que de mais significativo acontecia ao redor de sua vida. Esse personagem-narrador seria um alter ego do autor, como deixam concluir algumas coincidências, tais como a idolatria que dedica à mulher e a ausência de filhos em seu casamento. 

Pois é esse personagem carismático que já não se sentia como “deste mundo”, pois se achava um homem do século XIX, que o premiado romancista João Almino ressuscita e transporta para o século XXI em sua última obra, Homem de papel (Editora Record, 2022), que, desta vez, alinha-se ao gênero da metaficção, ao romper com os cânones do Modernismo, mostrando-o como um autor pós-modernista. É o que se conclui da observação do professor Abel Barros Baptista, da Universidade Nova de Lisboa, feita no posfácio, ao ressaltar que “a primeira possibilidade de Homem de papel é assim a metaficcional”, com “Aires narrando-se de novo, mas para se inventar novo”. 

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Veuve | Ines Hayouni

Ils se sont dits oui
Pour le meilleur et pour le pire
Elle a passé des décennies à pleurer
C’est dans leur lit conjugal
Qu’elle se verra croupir
Elle maudit le jour
Où elle avait accepté
De vivre avec l’homme
Qu’elle avait tant aimé
Elle n’avait qu’une idée en tête
Celle de déguerpir
Mais les bons moments l’en empêchaient
Il ne passe pas un jour
Sans qu’elle pousse de fourbus soupirs
Elle en avait gros sur le cœur
Personne ne pouvait le nier
Elle se plaignait tous les jours à son seigneur
Il a fini par être fatigué de l’écouter
Alors pour mettre fin à son malheur Il tua son mari

Casimiro de Brito | DOZE FRAGMENTOS DO MEU “LIVRO DE EROS OU AS TEIAS DO DESEJO”, TÃO MÍNIMOS QUANTO POSSÍVEL E A IMAGEM DA CAPA DO MEU LIVRO (UM FRESCO DE POMPEIA)

1

A morte não existe. Tudo é sexo e canto.
7

Razão? A razão? Que razão? Estou apaixonado.
27

O sexo é um festim; amar, uma cerimónia.
30

Amor, que amor o de quem o vive sem a lâmpada da loucura?
37

Eros, um deus? Com saudáveis pés de barro.
57

Ela nunca se lavava depois de fazermos amor. Levo-te comigo, dizia.
62

A separação é um deserto quando um só grão de areia já seria dor bastante.
64

A arte de amar, sem ti, não me serve para nada.
86

A paixão (essa que tanto dói) é o golpe de graça do amor.
102

As mil e uma noites – a noite que passei contigo.
108

Amando, separo o bem do mal. Ainda não aprendi a amar.
125

Dói. Dói muito. Mas temos ainda espaço para a dor maior, a do amor.

Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

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Mestiçagem e desmitificação do discurso eurocêntrico | por Adelto Gonçalves

I 

Terceiro livro do professor Sebastião Marques Cardoso, Poéticas da mestiçagem – textos sobre culturas literárias e crítica cultural (Curitiba, Editora CRV, 2014) resume a clivagem que o autor fez em seus estudos a respeito da literatura brasileira a partir do conhecimento de textos de autores oriundos de países africanos de língua oficial portuguesa, o que se deu, em 2009, quando, já doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), atuou como leitor na Embaixada do Brasil na Guiné-Bissau com bolsa oferecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação. À época, auxiliou na docência e na administração da Universidade Amílcar Cabral (UAC) e tornou-se o primeiro assessor científico daquela instituição, na ocasião, partilhada com a Universidade Lusófona da Guiné (ULG). Hoje, a UAC, pública, e a ULG, particular, não estão mais interligadas. 

Se durante o período da graduação, do mestrado e do doutorado, Cardoso optou pelo estudo de personagens anônimos da literatura brasileira, considerando-os “figurinos” em João do Rio (1881-1921) e “anti-heróis”, em Oswald de Andrade (1890-1954), a partir da experiência africana ampliou suas reflexões críticas, estudando principalmente a obra do guineense Abdulai Sila (1958), autor de Eterna paixão (1994), que é considerado o primeiro romance de seu país. Como observa o professor Benjamin Abdala Junior, da USP, no prefácio que escreveu para a obra, nestes estudos sobre poéticas da mestiçagem há “reflexões atuais sobre as bases críticas da formação de nosso imaginário nacional e também sobre as que se desenharam nos países africanos de língua oficial portuguesa, na particularidade da Guiné-Bissau”. 

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O Tempo, Esse Grande Escultor | Marguerite Yourcenar

«No dia em que uma estátua é acabada, começa, de certo modo, a sua vida. Fechou-se a primeira fase, em que, pela mão do escultor, ela passou de bloco a forma humana; numa outra fase, ao correr dos séculos, irão alternar-se a adoração, a admiração, o amor, o desprezo ou a indiferença, em graus sucessivos de erosão e desgaste, até chegar, pouco a pouco, ao estado de mineral informe a que o seu escultor a tinha arrancado.
Já não temos hoje, todos o sabemos, uma única estátua grega tal como a conheceram os seus contemporâneos.»


SOBRE A AUTORA:
Marguerite Yourcenar (quase um anagrama do seu apelido verdadeiro, Crayencour) nasceu a 8 de Junho de 1903 em Bruxelas. Escreveu romances como Memórias de Adriano e A Obra ao Negro, e várias novelas. Publicou poesia e traduziu Virginia Woolf, Kavafis, Henry James e espirituais negros. Foi ainda ensaísta e crítica.Primeira mulher eleita para a Academia Francesa, em 1980, afirmou não conceder importância a tal distinção. A sua infância foi invulgar. A mãe morreu quando ela tinha dez dias, sendo educada pela rígida avó paterna e pelo pai, ligado à aristocracia, um viajante inconformista que desempenhou um papel de relevo na sua formação pessoal e literária. Marguerite Yourcenar passava os Invernos em Lille e os Verões, até aos 11 anos, na propriedade familiar em Mont Noir. Estudou em casa e o seu pouco memorável livro de poemas, Le Jardin des chimères, saiu em edição de autor quando tinha 18 anos. Acompanhou o pai em viagens a Londres, durante a Primeira Guerra Mundial, à Suíça e a Itália, onde descobriram a Villa Adriana.

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Diário do Escritor | Fiódor Dostoievski

«A ideia do Diário do Escritor nasceu durante a estada de Dostoiévski no estrangeiro em 1867-1871. Sempre atento aos acontecimentos da vida corrente, o escritor sabia captar nos factos aparentemente insignificantes os indícios de fenómenos históricos globais, sabia discernir o lugar desses factos no processo histórico de desenvolvimento dos países, dos povos e das religiões. Os textos do seu “Diário”, enquanto análise e interpretação dos acontecimentos da sua época do ponto de vista da eternidade histórica, mantêm o seu carácter actual ainda hoje, passado quase um século e meio desde a sua criação.» [Da Nota Introdutória de Nina Guerra]

SOBRE O AUTOR:
Fiódor Dostoievski nasceu em Moscovo em outubro de 1821, o segundo de sete filhos. A mãe morreu em 1837, de tuberculose, e o pai, médico, saído da nobreza provinciana, foi assassinado dois anos depois, quando se instalara já como proprietário rural. Dostoievski estudou num colégio interno em Mos- covo e, entre 1838 e 1843, frequentou a Academia Militar de Engenharia, onde se interessou mais por Púchkin, Gógol e Lérmontov do que pelas disciplinas do curso. Nessa época, leu também Shakespeare, Byron e Balzac (traduziu Eugénie Grandet), Victor Hugo, Hoffmann, Goethe e Schiller. Publicou a sua primeira história, «Gente Pobre» (onde a influência de O Capote de Gógol é visível), aos vinte e cinco anos, obtendo um enorme sucesso.

Em 1849, quando escrevera já uma dúzia de contos, foi preso e condenado à morte por participar no Círculo Petrashevski. A pena foi substituída à última hora por cinco anos de trabalhos forçados numa prisão siberiana.

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UM JUDEU EM LISBOA | JOSHUA RUAH

SINOPSE

Um dos grandes méritos desta autobiografia, Joshua Ruah. Um Judeu de Lisboa, reside na ausência de literatura. É uma descida às raízes, sem quaisquer limitações convencionais, para nos transmitir o que se acumulara nos espaços invisíveis do universo mais íntimo. Faz um balanço à vida. Apresenta nos a realidade quotidiana, nos seus múltiplos aspetos, através de uma comunicação frontal, numa linguagem direta, persuasiva e imediata com os leitores.

SOBRE O AUTOR

Joshua Ruah

Por exemplo, eu provavelmente sou berbere. Não se tem a certeza porque o meu apelido em hebraico pode ler-se de duas maneiras diferentes, ou aquela que eu uso, e que quer dizer «espírito ao vento», ou um nome que existia no Médio Oriente, que se escreve com as mesmas letras e se pronuncia «Revah». Sempre que lá vou dizem que sou (…)

Victor Hugo / écrivain, dramaturge, poète, politicien, 1802 – 1885

Victor-Marie Hugo, né le 26 février 1802 à Besançon et mort le 22 mai 1885 à Paris, est un écrivain, dramaturge, poète, homme politique, académicien et intellectuel engagé français, considéré comme l’un des plus importants écrivains romantiques de langue française. Victor Hugo occupe une place importante dans l’histoire des lettres françaises et celle du XIXe siècle, dans des genres et des domaines d’une remarquable variété,.

Il est à la fois poète lyrique avec des recueils comme Odes et Ballades (1826), Les Feuilles d’automne (1832) ou Les Contemplations (1856), mais il est aussi poète engagé contre Napoléon III dans Les Châtiments (1853) ou encore poète épique avec La Légende des siècles (1859 et 1877). Il est également un romancier du peuple qui rencontre un grand succès populaire avec Notre-Dame de Paris (1831) ou Les Misérables (1862). Au théâtre, il expose sa théorie du drame romantique dans sa préface de Cromwell en 1827 et l’illustre principalement avec Hernani en 1830 et Ruy Blas en 1838.

Son oeuvre multiple comprend aussi des discours politiques à la Chambre des pairs, notamment sur la peine de mort, l’école ou l’Europe, des récits de voyages (Le Rhin, 1842, ou Choses vues, posthumes, 1887 et 1890), et une correspondance abondante. Victor Hugo a fortement contribué au renouvellement de la poésie et du théâtre ; il a été admiré par ses contemporains et l’est encore, mais il a été aussi contesté par certains auteurs modernes.

Il a aussi permis à de nombreuses générations de développer une réflexion sur l’engagement de l’écrivain dans la vie politique et sociale grâce à ses multiples prises de position qui le condamneront à l’exil pendant les vingt ans du Second Empire. Ses choix, à la fois moraux et politiques, durant la deuxième partie de sa vie, et son oeuvre hors du commun ont fait de lui un personnage emblématique que la Troisième République a honoré à sa mort le 22 mai 1885 par des funérailles nationales qui ont accompagné le transfert de sa dépouille au Panthéon de Paris, le 31 mai 1885.

Solitude | Ines Hayouni

 Ne compte sur personne 

Tu es seul

Du matin à la nuit 

Des voisins aux amis

Ne compte sur personne

Tu es seul

Tu es né seul et tu mourras seul

Du sein nourrissant à l’inévitable linceul

Ne compte sur personne

Tu es seul 

Profite des présents de la vie 

Ne donne pas d’importance aux moments un peu moins jolis

Tu es le seul responsable de ta survie

DANIEL PROENÇA DE CARVALHO | por Francisco Seixas da Costa

Ontem, juntaram-se na Fundação Champalimaud muitos amigos e conhecidos de Daniel Proença de Carvalho, por ocasião do lançamento do seu livro de memórias “Justiça, política e comunicação social – memórias do advogado”.

Manuel Alegre, seu amigo desde Coimbra, fez um retrato sentimental da sua relação com o autor, o que foi complementado por uma bela peça de Miguel Sousa Tavares, que aproveitou para “desancar” na justiça portuguesa e nos seus agentes – tema que, aliás, é central ao livro.

Faço parte de quantos – e alguns, como eu, estavam naquela sala -, em momentos diversos do passado, nas últimas décadas, estiveram em “barricadas” opostas a Daniel Proença de Carvalho. No meu caso, sempre e só no plano político, onde creio que, desde sempre, nunca tivemos a felicidade de ver as nossas escolhas coincidirem. Coisa que a nenhum de nós minimamente interessa.

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Spinoza | Philosophie Pratique | Poche, 10 avril 2003

La Philosophie Théorique de Spinoza est une des tentatives les plus radicales pour constituer une ontologie pure : une seule substance absolument infinie, avec tous les attributs, les êtres n’étant que des manières d’être de cette substance.

Mais pourquoi une telle ontologie s’appelle-t-elle Éthique ? Quel rapport y a-t-il entre la grande proposition spéculative et les propositions pratiques qui ont fait le scandale du spinozisme ?

L’éthique est la science pratique des manières d’être. C’est une éthologie, non pas une morale. L’opposition de l’éthique avec la morale, le lien des propositions éthiques avec la proposition ontologique, sont l’objet de ce livre qui présente, de ce point de vue, un dictionnaire des principales notions de Spinoza.

D’où vient la place très particulière de Spinoza, la façon dont il concerne immédiatement le non-philosophe autant que le philosophe ? « Il suffit d’entrer dans ces pages vives, nerveuses, lumineuses, pour se retrouver, comme à chaque fois avec Deleuze, emporté par un tourbillon d’intelligence. Les dernières lignes évoquent, à propos de Spinoza, un vent-rafale, un vent de sorcière. »

Il se pourrait que Deleuze parle de lui-même. L’unité de ce volume multiple repose sur l’affirmation que les registres de la vie et de la pensée spinozistes ne se séparent pas.

Vivre en philosophe, polir des lentilles pour microscope, user de la méthode géométrique, c’est finalement une seule et même activité. Elle vise à augmenter la puissance d’agir, donc la joie.

Au lieu d’être seulement théoricien, architecte de système, grand maître du rationalisme, Spinoza apparaît ainsi, indissociablement, comme un penseur pratique, engagé dans une transformation permanente de soi et du monde. »

(Roger-Pol Droit, Le Monde) Cet ouvrage est paru en 1981.

Fumoir | Ines HAYOUNI

Il était là Sous la trochée de la lanterne

Cette rue lugubre et apatride

Devenue le fumoir de la morose baderne

La gorge nouée

Un amalgame d’angoisses et de regrets macramés

Un regard mouillé

Lorsqu’il repense à son desiderata assassiné

Ses cernes couleurs de lilas

Apportent un peu de vie

À la vie qui n’est plus là

Une vie partie en fumée

Tout le monde le désertera

De toutes les cigarettes qu’il a allumées

Il pense que la dernière le consolera

“Não esqueças o meu nome” | Maria Isabel Fidalgo | Poética Edições

Um nome é uma eternidade mesmo no silêncio,

quando as aves não regressam à árvore e a noite se fecha.

Digo o teu nome, uma sílaba, e uma cascata de luz consubstancia a verdade.

Sal de lume, se te chamo, mais alto que os voos, o teu nome.

Maria Isabel Fidalgo, in “Não esqueças o meu nome”, Poética Edições.

Rencontre littéraire, Échanges constructifs | Kamel Daoud | Librairie Guerfi

Kamel Daoud était l’invité des rencontres littéraires organisées par la librairie Guerfi.

Redha Guerfi MERCI beaucoup pour tout ce que tu fais pour promouvoir la culture.

MERCI également à toute l’équipe de la librairie, des jeunes actifs, brillants et investis: Guerfi Mouiz, Hou Da Oun , Salsabil, Farès, Sami, Assil et Mallek…

Kamel Daoud est l’un des écrivains algériens les plus connus aujourd’hui, il est “L’intellectuel qui secoue le monde” comme l’a titré Le Point en 2017.

C’est un chroniqueur- écrivain qui n’a pas cessé d’attiser tantôt l’adulation et l’admiration, tantôt la détestation et la haine. Mais ce qui est sûr c’est qu’il ne laisse personne indifférent…

Kamel Daoud est né en 1970 à Mesra, un petit village dans la wilaya de Mostaganem, où il a eu une enfance simple, stable et heureuse. Très jeune il fait de la lecture son passe temps favoris et son refuge, c’est ainsi qu’il apprend le français. A cette langue, il voue une passion “dévorante”, et de cette passion, naîtront, des années plus tard, Mille et un Merveilleux textes…

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Adelto Gonçalves | Bocage: uma história agora contada com primor | por Silas Corrêa Leite

Lançado em Portugal em 2003, o livro ganhou a sua edição brasileira em 2021 pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

                                                           I

            Pelo que me lembro, na minha chamada memória recorrente desde priscas eras de atiçado buscador e ledor voraz, Bocage era e ficava entre um Pedro Malasartes  (figura tradicional nos contos populares da Península Ibérica, tido como burlão invencível, astucioso, cínico, inesgotável de expedientes, de enganos, sem escrúpulos e sem remorsos) e um Casanova (Giacomo Girolamo Casanova, escritor e aventureiro italiano, tendo interrompido as carreiras profissionais que iniciou — a militar e a eclesiástica — e que passou a levar uma vida aventurada), em terras de Camões, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, muito antes ainda de José Saramago, portanto. Tinha-o como um boêmio aprontador em terras lusas de Cabral e de Pero Vaz Caminha.

            Lendo agora Bocage, o perfil perdido, que virou clássico da obra-pesquisa-documentário do mestre e doutor Adelto Gonçalves, depois de levar tempo para lê-lo, tal o peso do livraço e a densidade do historial enquanto pesquisa e documentário também, posso dizer que tive uma universidade de mais de ano inteiro sobre o poeta. Afinal, um curso e tanto, um livro precioso, com aulas magnas desse que já é escritor esmerado de tantos outros portentosos livros, que tive o prazer de ler, curtir e gostar, e até me mesmo fazer aqui e ali breves resenhas.

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Noan Chomsky, les médias et les illusions nécessaires | Long métrage, documentaire

Avram Noam Chomsky dezembro de 1928) é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, ensaísta histórico,crítico social e ativista político. Às vezes chamado de “o pai da linguística moderna”, Chomsky também é uma figura importante na filosofia analítica e um dos fundadores do campo da ciência cognitiva. É professor laureado de linguística na Universidade do Arizona e professor emérito do Institutode Tecnologia de Massachusetts (MIT), e é autor de mais de 150 livros sobre temas como linguística, guerra, política e mídia de massa. Ideologicamente, alinha-se ao anarco-sindicalismo e ao socialismo libertário.

𝗦𝗮𝗹𝘃𝗮𝗱𝗼𝗿 𝘁𝗲𝗿𝗮́ 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗹𝗶𝘁𝗲𝗿𝗮́𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗟𝗚𝗕𝗧𝗤𝗜𝗔𝗣+ 𝗲𝗺 𝟮𝟱 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 | por Valdeck Almeida de Jesus

Promover falas já potencializadas, naturalizar, impulsionar e proporcionar produções diversas no mercado literário local. Esse é um dos objetivos do I Encontro Literário de Autores LGBTQIAP+ de Salvador que acontece no dia 25 de março de 2022, às 19h, ao vivo pela página do site Primeira Orelha e pelo YouTube do Primeira Orelha e Passos Entre Linhas. De forma criativa e leve, o evento tem por finalidade catalogar pessoas da área da literatura, principalmente as LGBTQIAP+ e com isso, ecoar vozes que são distanciadas do universo literário, trazendo desta forma, a diversidade e novidades do que é produzido atualmente na cidade de Salvador e Região Metropolitana.

O evento vai apresentar uma programação com falas diversas de importantes autores que estão produzindo e publicando conteúdo local. Entre eles, estão Deko Lipe (@dekolipe) que está à frente do encontro como idealizador e realizador, Lorena Ribeiro, co-criadora do Primeiro Encontro Literário LGBTQIAP+ de Salvador, além de apoiadores como o @doistercos e o @cade.lgbt .

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Cada vez mais preciso de silêncio, de tempo para o silêncio | ANA VIDAL

Cada vez mais preciso de silêncio, de tempo para o silêncio.

Preciso dele para pensar, para pensar-me, para me centrar ou para me evadir, para me reconhecer no que sou até ao ponto mais longínquo que há em mim.

Às vezes, só para chorar e deixar que essa água salvífica, finalmente vencida pela lei da gravidade, deixe que as nuvens, de novo leves e límpidas, se entreguem por inteiro à sua magna tarefa de glorificar o efémero.

Preciso dessa solidão silenciosa como de um espelho revelador, benigno como tudo o que é verdadeiro mesmo quando dói.

A solidão não me assusta, pelo contrário: acolhe-me, acolho-a, faz-me falta como uma velha amiga que me habita desde sempre.

Aflige-me quem a teme, quem foge dela como de uma maldição ou uma ameaça, quem prefere sempre trocá-la por qualquer outra coisa, qualquer outra presença, qualquer, qualquer que seja, tudo menos o vazio.

Não falo de quem sofre de solidão por abandono, sem opção nem bálsamo, aquela solidão permanente e deserta como uma sentença de morte.

Falo de quem, sem sequer ter dado por isso, se viciou em ruído e acaba tendo medo do que não tem som porque essa ausência lhe rouba uma ilusão de companhia.

Retirado do Facebook | Mural de  Ana Vidal

Maria João Cantinho e a arte de esculpir poemas | por Adelto Gonçalves

                                                 I

       Autora consagrada na área ensaística, especialmente com livros sobre o filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin (1892-1940), Maria João Cantinho (1963) chega ao seu quinto livro de poemas com Escopro e Luz (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2021), afirmando-se como uma das maiores poetisas (e por que não poetas?) da Língua Portuguesa dos séculos XX e XXI. Mas isto não significa que atue de maneira independente numa e noutra área do pensamento.

            Pelo contrário. Em sua poesia, percebe-se o desencanto da poetisa com o mundo em que lhe coube viver, como se visse a História pelas lentes de Walter Benjamin que, em sua crítica ao progresso, prognosticara períodos de crescimento seguidos de outros de barbárie e selvageria, antevendo o retrocesso europeu e norte-americano dos tempos atuais, o que inclui também a época de desconstrução e desagregação social por que passa o Brasil de hoje.   

            Como já anteviu o professor José Cândido de Oliveira Martins, da Universidade Católica Portuguesa, em alentado e percuciente ensaio-introdutório de 12 páginas escrito à guisa de prefácio, a palavra poética de Maria João Cantinho “tem o misterioso poder de ajudar a cicatrizar a ferida aberta, regenerando e revitalizando o corpo sofrido, assim plasmado no corpo do poema ou da poesia”. Afinal de contas, diz o professor, são estas vozes (da poesia, das lembranças da infância ou de outras proveniências) que nos resgatam da iminência do naufrágio – “São as vozes que nos salvam”.

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Duanne Ribeiro e a experiência da perda | por Adelto Gonçalves

                                                                                           

                                                 I

       O jornalista Duanne Ribeiro (1987), mestre e doutorando em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo (USP), surpreende a crítica e o público-leitor com o seu primeiro trabalho de ficção mais alentado, o romance As Esferas do Dragão (São Paulo, Editora Patuá, 2019), em que procura, a partir de experiências pessoais, especialmente ligadas à infância e adolescência, construir um texto que foge aos padrões tradicionais, pois permeado de referências à cultura pop e aos desenhos animados, especialmente o Dragon Ball, criado pelo desenhista japonês Akira Toriyama (1955), que, exibido no Brasil pelas redes SBT, Band e Globo, tornou-se um marco na programação infantojuvenil na década de 1990. 

            Se o romance de Duanne Ribeiro constitui uma releitura do desenho Dragon Ball, a produção do mangaká Toriyama, criador de mangás (quadrinhos japoneses), por sua vez, é inspirada em Jornada para o Oeste, um dos quatro clássicos da literatura chinesa, escrito no século XVI pelo romancista Wu Cheng’em (c.1500-c.1582), durante a dinastia Ming, que combina ação, humor e lições espirituais. Esse conto de aventuras ocorre no século VII e conta a história de um dos discípulos de Buda Sakyamuni que teria sido banido do paraíso celestial pelo crime de danificar a Lei do Buda e enviado ao mundo e forçado a passar dez vidas para expiar seus pecados.

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