“Deus-Dará” | Alexandra Lucas Coelho | por André Barata

“Deus-Dará”, da Alexandra Lucas Coelho, é um grande romance, dos melhores que li em alguns anos entre autores de Portugal, tão bom que demorará a entrar, muito além da boa prosa jornalística que imediatamente nos conta uma boa história, muito além da imediatidade, e do circo todo ele cheio de pressa, do reconhecimento, das críticas, dos prémios.

Há grandes romances de várias espécies. O da Alexandra exemplifica aquela espécie de romance que consegue capturar a singularidade de um tempo que foi vivido por muitos de uma geração. Evitarei as comparações, mas o próprio romance trá-las nos seus intertextos. Esta geração, que é bastante a minha, em que tantos se acharam a viajar oportunidades fora, teve muitos no Brasil que se surpreenderam a experiência de não serem aí verdadeiramente estrangeiros, mas aí conhecerem em muitos aspectos a experiência do que trazemos de estrangeiros em nós mesmos, desde logo como portugueses, imperialistas escravistas que pouca memória guardam de o ter sido, como falantes a reencontrarem-se na sua própria língua apesar de quase emigrados nela, e como testemunhas de um país continental de tantas maneiras e a tantas escalas vertiginoso.

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le désir de quelque chose

Quand un individu rencontre sa moitié, le couple se perd dans un océan d’amour, amitié et intimité… ce sont les personnes qui passent leur vie ensemble ; pourtant, ils ne savent pas expliquer ce qu’ils veulent l’un de l’autre. Car le désir intense que tous deux ont pour l’autre ne semble pas être le désir de l’amour physique, mais le désir de quelque chose que l’âme de tous les deux il souhaite ne peut exprimer.

Quelle est, selon vous, l’oeuvre littéraire qui parle le mieux des femmes ? | Gallimard

Réponse partial

Madame Bovary pour sa modernité. L’auteur décrit si bien la femme qu’elle semble intemporelle. Le décor a certes changé mais pas les inspirations, pas les idéaux et la soif d’exister pour soi et non à travers l’homme. Quoi ses amants? Qui n’en a pas ou du moins qui n’en a pas eu l’intime pensée?

[Commentaire de Antonio Giuseppe Satta]

Retirado do Facebook | Mural de Gallimard

Ci-dessous, Virginia Woolf (1882-1941) photographiée par George Charles Beresford en 1902.

wolf

Para lá da «Geringonça» | André Freire | Lançamento terça-feira, dia 07/03, às 18h30m

Lançamento do livro Freire, André (2017), Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa, Lisboa, Contraponto. Prefácio do primeiro-ministro, António Costa.
Por Ana Catarina Mendes, Secretária-geral Adjunta do PS e Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, & Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE (*).
Terça-feira, dia 07/03, às 18h30m, na livraria Bertrand do shopping Picoas Plaza.

andre

Carlos Drummond de Andrade | poesia erótica

carlos-drummond-de-andradeO amor natural
Guardados durante anos, os poemas eróticos de Carlos Drummond de Andrade estão reunidos nesta excepcional coletânea. O Amor Natural é uma obra inquietante, pois revela uma face nova, mais despojada, porém extremamente fascinante, do poeta. São textos repletos de vida e sensualidade, onde o autor se introjeta ao mesmo tempo em que se expõe, desbravando o corpo enquanto busca, na fluidez e sensualidade da linguagem, a própria nudez da alma.

Quase todos os poemas encontrados aqui são inéditos, à exceção de uns poucos publicados em revistas eróticas durante a década de setenta. Apesar de muitos deles terem servido de base para uma tese sobre o erotismo drummondiano, o autor optou por guardá-los em segredo, confiando a seus herdeiros a tarefa de publicá-los após sua morte.
Embora o senso de humor e a leveza — traços marcantes do estilo do autor — estejam presentes em toda a obra, o elemento mais forte é, sem dúvida, a paixão, a sensualidade à flor da palavra. Como define Affonso Romano de Sant’Anna, as palavras às vezes copulam semanticamente, e o que encontramos nestas páginas é o êxtase poético de um autor que, ao mergulhar fundo em suas próprias sensações, desnuda também o leitor, que se vê frente a frente com suas próprias contradições ao pensar nos limites entre o erótico e o pornográfico, o sexo e o amor.

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PARIS SEMPRE | NO REGRESSO DE JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS | António Valdemar in Revista “Expresso” e Almanaque Republicano

antonio_valdemar1A França constituiu o paradigma cultural de várias gerações de artistas, escritores, cientistas e políticos portugueses. Muitos jovens, na primeira e segunda década do século XX, dirigiram-se para Paris. Uns, formados nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto e a usufruir de bolsas de estudo; outros, a beneficiar da generosidade de mecenas; outros, a receber mesadas das famílias; outros, ainda, à sua própria custa. Foi este o caso de Almada Negreiros, durante pouco mais de um ano. Repleto de contrariedades incidentes.

Antes, porém, da viagem que lhe permitiu um contacto direto com artistas, galerias e a realidade quotidiana de Paris e outras cidades, José de Almada Negreiros já se considerava fruto da irradiação da cultura francesa. A 16 de novembro de 1917, em “A Engomadeira”, uma das mais prodigiosas ficções da língua portuguesa, Almada Negreiros afirmou, ao concluir a dedicatória aJosé Pacheko, numa carta prefácio:

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Ignacio Morgado Bernal | Razões científicas para ler mais do que lemos

leituraA leitura, além de melhorar a empatia e o entendimento dos demais, é um dos melhores exercícios possíveis para manter em forma o cérebro e as capacidades mentais

O Brasil tem mais leitores a cada ano. Em 2011, eram 50% da população. Em 2015, eram 56%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Contudo, isso também significa que 44% da população não lê. Ainda pior: 30% nunca comprou um livro. Alguns argumentos científicos, em especial da neurociência, podem ajudar a melhorar esses índices.

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História da Oposição à Ditadura 1926-1974 | Irene Flunser Pimentel

ditadura

SINOPSE

Esta é a história da oposição ao regime ditatorial que marcou metade do século XX português. Das várias oposições, dos seus ideais e dos seus conflitos, dos seus feitos e dos seus fracassos. É a história dos homens e das mulheres que resistiram à Ditadura Militar e ao Estado Novo.

Irene Flunser Pimentel licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, em 1984. Conclui o mestrado em História Contemporânea (variante Século XX) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a tese Contributos para a História (ver mais)

Poème | Louis Aragon

aragon

 

 

 

 

Connaissez-vous l’île
Au cœur de la ville
Où tout est tranquille
Eternellement


L’ombre souveraine
En silence y traîne
Comme une sirène
Avec son amant


La Seine profonde
Dans ses bras de blonde
Au milieu du monde
L’enserre en rêvant


Enfants fous et tendres
Ou flâneurs de cendres
Venez-y entendre
Comment meurt le vent


La nuit s’y allonge
Tout doucement ronge
Ses ongles ses songes
Tandis que chantant


Un air dans le soir
Est venu s’asseoir
Au fond des mémoires
Pour passer le temps

Louis Aragon

Programme de « la nuit des idées » à Alger

argelUn format de rencontres innovant débarque à Alger en janvier et promet une nuit blanche remplie d’activités culturelles.

« La Nuit des Idées« , c’est le nom de ces rencontres culturelles qui « circulent à travers le monde » et qui feront une halte à Alger du 25 au 27 janvier prochain, à l’initiative de l’Institut français de la ville.

Ouverte à tous les curieux, la Nuit des Idées débutera le 26 janvier à 17h pour se clôre le 27 janvier à 2h du matin, avec à chaque fois et dans chaque lieu, une activité culturelle différente placée sous le thème « un monde commun ».

La cinémathèque algérienne, l’Institut en lui-même, le Centre Diocésain des Glycines sont autant de lieux qui accueilleront la manifestation, et les expositions, conférences et autres projections de prévues pour l’occasion.

Programme de la Nuit des Idées d’Alger

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O Tempo Histórico d’ O Ano da Morte de Ricardo Reis | Professor Carlos Reis

ricardo-reisPodemos dizer que o tempo histórico d’O Ano da Morte de Ricardo Reis corresponde ao período de entre duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45. Nesse tempo histórico o Estado Novo salazarista impõe-se como regime político com evidentes semelhanças com o fascismo italiano e mesmo com o nazismo alemão; ao mesmo tempo, a política do salazarismo apoia, ainda que de maneira discreta, os revoltosos que iniciaram a guerra civil espanhola.
Fala-se de tudo isto n’O Ano da Morte de Ricardo Reis. Através da ficção e de uma sua personagem atenta ao que se passa no mundo, José Saramago confirma que a literatura e o romance podem antecipar aquilo que, mais tarde, é já a história de um tempo ainda próximo de nós. Sendo Ricardo Reis quem é, a sua posição é a de alguém que observa, lê e ouve, parecendo manter-se passivo perante o tempo histórico, como se este o não afetasse. Ganham, assim, sentido duas das epígrafes do romance:
• Uma dela diz: “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”, primeiro verso de uma ode do próprio Ricardo Reis .
• A segunda epígrafe é um prolongamento desta: “Escolher modos de não agir foi sempre a atenção e o escrúpulo da minha vida”, palavras de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego.

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Demain, dès l’aube… | Victor Hugo

victor_hugo-exileDemain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.

Selecção de Maria Isabel Fidalgo

Festa Literária Internacional de Paraty | 26 a 30 de julho de 2017

flip

Apoie a Flip

A Associação Casa Azul, entidade sem fins lucrativos organizadora da Flip, anuncia sua campanha para doações de fim de ano. Além de apoiar a realização do evento, você estará ajudando na manutenção da Biblioteca Casa Azul e de programas de incentivo à leitura, que funcionam ao longo de todo o ano com foco em crianças e jovens de Paraty (saiba mais).

As doações podem ser diretas, pela adesão ao Programa de Patronos (veja aqui as possibilidades de participação) ou incentivadas, sendo neste caso dedutíveis do imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas ou do ICMS/RJ de empresas.

Mande um e-mail agora para [parcerias@casaazul.org.br]parcerias@casaazul.org.br e nós entraremos em contato.

A 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty vai acontecer de 26 a 30 de julho de 2017, com a curadoria da jornalista Joselia Aguiar e homenagem a Lima Barreto. Veja aqui um pouco da história do autor homenageado de 2017.

Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial” | Continuação

fotocarlosmatosgomesAinda a propósito das efervescências patrioteiras a despropósito das responsabilidades do dr Mário Soares na descolonização.
Em primeiro lugar não foi o doutor Mário Soares que decidiu derrubar o a ditadura, nem terminar com o sistema colonial que após 13 anos de guerra não tinha outra solução que não fosse continuar a guerra.
Não foi o dr Mario Soares que decidiu o cessar fogo na Guiné, nem o estabelecimento de conversações com o PAIGC.
Não foi o dri Mário Soares que decidiu estabelecer ligações com a Frelimo, nem com os 3 movimentos em Angola. Foram alguns militares, entre os quais me orgulho de estar incluído.
Antes desses militares, os do 25 de Abril, já o professor Marcelo Caetano estabelecera conversações com o PAIGC em Londres, com o MPLA através de Paris e Roma, com a Frelimo através do engenheiro Jardim e de Keneth Kaunda.da Zambia (planos Lusaka).
Já vários generais conspiravam para derrubar Marcelo Caetano, Spinola, Kaulza de Arriaga, entre outros.
Mas, antes de tudo, já o doutor Salazar se tinha comportado com a estranha inação perante os massacres de Março de 1961, para se manter no poder e mais tarde, em Dezembro, deixaria os militares portugueses . abandonados na Índia.
Isto é, quanto a “traidores”, traidores a sério, chefes que traem os seus militares estamos conversados.

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Apresentação de Nem Todas as Baleias Voam, de Afonso Cruz | 14/12, às 19 h, Bar Rive Rouge | Praça Don Luís I ao Mercado da Ribeira

afonso-cruz

Cláudia Marques Santos conversa com Afonso Cruz sobre o último romance do autor, Nem Todas as Baleias Voam.

“Será possível vencer uma guerra com a música? Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, que tinha como missão cativar a juventude de Leste para a causa americana. Organizando concertos com grandes nomes do jazz nos países do bloco soviético, os americanos acreditam poder seduzir o inimigo e ganhar a guerra.
É neste plano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista de blues, exímio e apaixonado, que vê sons em todo o lado e pinta retratos tocando piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro, sem deixar rasto, sem deixar uma carta de despedida.
Erik Gould tentará de tudo para a reencontrar, mas não lhe resta mais esperança do que o acaso. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que fará a diferença graças a uma caixa de sapatos.”

Bob Dylan’s Nobel Prize in Literature Banquet Speech

bobWhen the news came out in early October that Bob Dylan was getting the Nobel Prize in Literature, it seemed like everyone had an opinion on the decision, with the very notable exception of the songwriter himself.

Some writers like Gary Shteyngart and Jason Pinter felt the first American to win a Nobel since Toni Morrison in 1993 should have gone to someone else, while Stephen King, Jonathan Lethem and many others hailed it as a brilliant move. For weeks and weeks there was nothing but silence from the Dylan camp, and and Nobel Committee told the press nobody was returning their calls. “One can say that it is impolite and arrogant,” said Per Wastberg, a member of the Nobel Committee. “He is who he is.”

Dylan finally broke his silence on October 29th during an interview with the Telegraph about his upcoming art show. “It’s hard to believe,” he said. “Amazing, incredible. Who dreams about something like that.” Writer Edna Gundersen asked if he planned on attending the ceremony in Stockholm. “Absolutely,” he said. “If it’s at all possible.” With his tour ending weeks earlier, it seemed quite possible he’d be able to get out there, especially since nearly every able-bodied winner over the past few decades has found a way to make it.

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Congresso Internacional do Medo | CARLOS DRUMMOND DE ANDADE

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

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A LÍNGUA LAMBE | Carlos Drummond de Andrade

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

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Poesia | Poema que aconteceu | Carlos Drummond de Andrade

carlos-drummond-de-andrade-l-200Poesia 

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever,

no entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

 

Mas a poesia deste momento

Inunda minha vida inteira.

 

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.