A guerra biológica | Carlos Matos Gomes

A guerra biológica. Este artigo de José Goulão relata reuniões ocorridas em Nova Iorque e em Pequim que indiciam a origem programada da epidemia, como arma de uma guerra biológica. Todas as especulações são possíveis. Admitamos esta. Já que as superpotencias não podem utilizar as armas nucleares, por risco de destruição mútua, deitam mão à guerra biológica.
A guerra biológica está estudada e tem sido praticada, tal como química. O grande problema da guerra biológica é a facilidade com que os seus autores perdem o controlo do efeito das “armas”. Daí a prudência para não ir por lã e vir tosquiado ou sofrer o efeito do ricochete, ou de morrer com o seu veneno.

Mas a hipótese de estarmos no meio de uma guerra biológica tem, como todas as situações e neste caso, uma conclusão má e outra menos má. A má, é que, sendo a epidemia uma ação deliberada, os contendores que a desencadearam devem ter previsto contra-medidas de proteção. A guerra terá um final previsto e terminará quando os objetivos forem alcançados. Não valerá a pena tomar medidas, comprar máscaras, ventiladores, levantar hospitais de campanha… e então o Bolsonaro é o bufo, o idiota útil, que, pela despreocupação que revela, deu com a língua nos dentes e está a dizer ao mundo: o Trump e o Jinping estão tratando de negócio e a nóis só nos resta preparar caixões!

Ou então, na vertente pior, os desencadeadores da guerra biológica perderam o controlo e serão também eles arrastados pela destruição do virus. estamos então numa nave à deriva.
Sendo historicamente comprovado que todas as armas, mesmo as mais desumanas são um dia utilizadas, daí as proibições do uso da besta, na idade média, pela Igreja Católica, as da metralhadora.. e do controlo das armas nucleares, parece-me pouco provável estarmos a viver uma guerra biológica.
Mas parece-me altamente provável que os detentores dessas armas as estejam a utilizar como negaças, como instrumentos de demonstração de poder e a preparar o futuro…
Aqui fica o link do artigo de José Goulão, dentro do principio que há bruxas e bruxedos…

Carlos Matos Gomes

Retirado do facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

——

Os profetas dos Vírus – POR JOSÉ GOULÃO

https://www.abrilabril.pt/internacional/os-profetas-do-virus?fbclid=IwAR0ztzTt_t74Xr1YqMlpgpiSj6WfVhqlcqa7tWk_jxqfZQUHoJiymlH2NcY

𝐕𝐀𝐌𝐎𝐒 𝐅𝐀𝐋𝐀𝐑 𝐀 𝐒É𝐑𝐈𝐎 𝐃𝐄 𝐒𝐄𝐆𝐔𝐑𝐀𝐍Ç𝐀? | Francisco Louçã | in Jornal Expresso

Expresso, 28.03.2020
Antes da pandemia, o mundo estava a ser reformatado por uma nova direita. Houve quem achasse que se tratava de um intermezzo e que os tiques de Trump e Bolsonaro eram uma galeria de piadas, mas descobriu-se depressa que encabeçam um mundo novo. A vaga autoritária que lideram é a principal ameaça contra a democracia, e estavam a ganhar. Convém por isso perceber o que lhes dava a vitória: era simplesmente a capacidade de corporizarem uma socie­dade do medo. A garantia de segurança foi a sua chave para o poder. A segurança, no caso de Bolsonaro, são milícias; no caso de Trump, um nacionalismo agressivo; em todos os casos usam a cruzada evangélica. Ora, o mundo descobriu agora que essas prosápias são inseguras. Sugiro então que discutamos segurança como um valor fundamental que é preciso disputar duramente nesta tragédia que estamos a viver.

A SEGURANÇA É O HOSPITAL PÚBLICO

Quando a vida é ameaçada, o mundo vira-se para os serviços públicos de saúde, descobrindo que há algo de essencial antes de tudo, a proteção da nossa gente. Ted Yoho, um ‘trumpista’ deputado pela Flórida, reconheceu que “isto pode ser considerado medicina socializada, mas, em face de um surto, de uma pandemia, quais são as tuas opções?” Macron, ex-banqueiro de gestão de fortunas e agora Presidente francês, estendeu este “socia­lismo” a uma promessa contra a globalização: “Delegar a nossa alimentação, a nossa proteção, a nossa capacidade de cuidar do nosso quadro de vida nas mãos de outros é uma loucura […] As próximas semanas e meses necessitarão de decisões de rutura nesse sentido. Irei assumi-las.” Em todo o mundo, os neoliberais fazem fila para pedir a intervenção do Estado que salve vidas.

Continuar a ler

COVID-19 | TESTES: TEMOS SOLUÇÃO EM PORTUGAL | Jorge Buescu, 27/3/2020

Via Teresa Mónica:

“Já enalteci Maria Mota. Agora ficamos a saber mais através de J Buescu. Notícias maravilhosas !!!!!!!!!!!

TESTES: TEMOS SOLUÇÃO EM PORTUGAL!

Os leitores perdoar-me-ão se deixar a análise aos números de hoje para segundo plano. Porque venho trazer-lhes uma mensagem de esperança que pode salvar muitas centenas ou milhares de vidas — mas exige acção imediata.

Muitos conhecerão de nome Maria Manuel Mota. Investigadora de primeiro plano mundial na área das Biociências e doenças infecciosas, em particular malária. Directora do Instituto de Medicina Molecular, onde trabalham mais de 600 pessoas. Prémio Pessoa em 2013.
Mais importante do que qualquer elemento curricular, a Maria Mota tem na mão uma chave para o problema da falta de testes COVID em Portugal. Conheço-a há muitos anos, falei com ela há pouco. Aqui segue o relato.

Os testes de detecção à COVID são fabricados essencialmente por duas empresas, a Roche e a Qiagen. Os kits de teste contemplam duas fases: extracção e amplificação por processo PCR, sendo os reagentes bem conhecidos. O problema, claro, já se sabe qual é: nós não produzimos estes reagentes, fomos ao mercado tarde, já não encontramos à venda e agora estamos a racionar (ou a “racionalizar” – neste momento os malabarismos retóricos são o que menos importa) os poucos que temos e a fazer muito, MUITO menos testes do que devemos. A Alemanha, cuja indústria produz os reagentes necessários, faz 500.000 testes por semana. Portugal esta semana fez 17.000. Tendo em conta que a população alemã é 8 vezes maior, temos um nível de testes que é 20% do alemão.

Que entre a Maria Mota.

Há 17 dias, alertada para o problema por dois médicos de Santa Maria, a Maria Mota colocou a a sua equipa no IMM a desenvolver uma alternativa portuguesa ao kit de teste. Foi, num certo sentido, muito simples: em vez de desenvolver um processo a partir do início, a Maria Mota pegou no protocolo publicado pela OMS e pelo CDC americano para os testes à COVID e adaptou-o à realidade portuguesa. Identificou os reagentes críticos em falta em Portugal para produzir um teste e concebeu alternativas. A alternativa existe em Portugal; a empresa que a produz, a NZY Tech, pode produzi-los em quantidade virtualmente ilimitada para todos os efeitos práticos.

Neste momento a Maria Mota já dispõe de um kit testado, que funciona perfeitamente na identificação quer de casos positivos quer de casos negativos. Há uma semana contactou a DGS por escrito, não tendo ainda obtido resposta. Felizmente para nós tem linha aberta para o Ministro da Ciência, Manuel Heitor, que compreende bem a urgência destes tempos, e que desbloqueou a situação. Obrigado por todos nós, amigo Manuel. Quando os tempos forem outros dar-te-ei um abraço muito apertado.
O kit foi testado e está certificado pelo Instituto Ricardo Jorge no sábado passado. Há dois dias foi validado pelo mesmo Instituto. Está pronto a ser aplicado em quantidades virtualmente ilimitadas. As limitações para a Maria Mota não são de número de testes disponíveis: são de mão de obra humana. O seu IMM tem neste momento capacidade para administrar 300 testes por dia, podendo talvez chegar aos 900 a 1000

Isto são notícias extraordinárias. Temos um teste português, validado e certificado, que pode começar a produção em massa ONTEM. Podemos abrir centros de testes por todos o País e começar finalmente a política de testes massivos e rastreios sistemáticos recomendada pela OMS, que nunca seguimos. De que estamos à espera?
Dizia-me a Maria Mota que cada dia que passa conta. Se tivéssemos começado há uma semana tínhamos salvo muitas vidas. Já não vamos a tempo. Mas vamos a tempo de salvar muitas mais nas semanas que se avizinham e vão ser terríveis.

Ainda vamos a tempo de salvar milhares de vidas (e estou a medir as palavras). Mas temos de agir JÁ.

Senhores do Governo, do Ministério da Saúde, da DGS, de tudo quanto manda neste País: larguem os vossos papéis e agarrem na Maria Mota. Não interessam agora os vossos erros de avaliação do passado: não cometam agora o maior de todos. Dêem à Maria Mota tudo, TUDO o que ela pedir. E peguem nos kits dela, comecem a produção em massa daqui a uma hora, organizem a abertura urgente postos de teste de emergência nos pavilhões multiusos em todos os concelhos daqui a duas horas. Não queiram ser responsáveis por tudo: mobilizem a sociedade civil. Recrutem voluntários para administrar testes e realizar análises laboratoriais (que demoram 4 a 5 horas) entre estudantes de Medicina e Farmácia. Usem os estádios de futebol, os pavilhões desportivos, façam o que quiserem. Mobilizem as empresas para donativos, as indústrias para produzir, mexam-se. Organizem, não é para isso que servem os Governos? Mas DESPACHEM-SE! Não é para amanhã, é para ONTEM!

Porque cada dia conta, e cada hora perdida hoje representa mais mortos daqui a 15 dias.”

Jorge Buescu, 27/3/2020

Retirado do Facebook | Mural de José Silva Pinto

Antonio Scurati | Milão.

Milão. A cidade mais privilegiada de Itália está agora na fila do pão. A partir de Milão, onde vive e está isolado, o escritor italiano Antonio Scurati escreve o que vê da janela da sua casa.

« Como posso convencer a minha mulher de que, enquanto olho pela janela, estou a trabalhar? — perguntava-se Joseph Conrad no início do século passado. Eu, em vez disso, pergunto-me: como posso explicar à minha filha que, quando olho pela janela, vejo o fim de uma era? A era em que ela nasceu, mas que não conhecerá, a era do mais longo e distraído período de paz e prosperidade desfrutado na história da Humanidade.

Vivo em Milão, até ontem a mais evoluída, rica e brilhante cidade de Itália, uma das mais desejadas do mundo. A cidade da moda, do design, da Expo. A cidade do aperitivo, que deu ao mundo o Negroni Sbagliato e a happy hour e que hoje é a capital mundial do Covid-19, a capital da região que, sozinha, soma trinta mil contágios confirmados e três mil mortos. Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias; as nossas noites são atormentadas por homens adultos que choramingam no sono: “O que é, sentes-te bem?”; “Nada, não é nada, volta a dormir”. Milhares de amigos, parentes e conhecidos seus tossem até cuspir sangue, sozinhos, fora de todas as estatísticas e sem qualquer assistência, nas camas dos seus estúdios decorados por arquitetos de renome.

Continuar a ler

O Mundo Post Coronavírus – Opinião | Le Monde Post Coronavírus – Opinion

O Mundo Post Coronavírus – Opinião  

Sugestão de reflexão e escrita para Jornalistas, Escritores, Políticos, Médicos, Sociólogos, Filósofos, Professores e Público em geral.

——

Le Monde Post Coronavírus – Opinion

Suggestion de refléxion et d’écrits pour les Journalistes, Écrivains, Politiciens, Médecins, Sociologues, Philosophes, Enseignants et le Grand Public en général.

——

PS/NOTE : Os textos serão publicados e agrupados no Blogue | Les textes seront publiés et regroupés dans le Blogue :  http://dasculturas.com

Enviar textos para : Envoyer des textes à :  

dasletraseliteraturas@gmail.com / viplano@hotmail.com 

Carta de Paris: O imprevisível amanhã | in Carta Maior

Escritores de várias nacionalidades refletem sobre o mundo antes e pós-coronavírus | Por Leneide Duarte-Plon | 25/03/2020

« De quoi demain sera-t-il fait ? » (De que o amanhã será feito ou O que será o amanhã ?) perguntou Victor Hugo num poema. Ele continua : « O homem hoje semeia a causa. Amanhã, Deus faz amadurecer o efeito ».

O filósofo Jacques Derrida e a historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco retomaram a pergunta do poeta, abreviando-a, para intitular o livro « De quoi demain… », em forma de diálogo, lançado na primeira semana de setembro de 2001.

Estimulante e abrangente, o diálogo gira em torno de temas políticos e filosóficos que resumem as interrogações de dois intelectuais sobre o século que se iniciava. A conversa termina com um elogio da psicanálise : somente levando-se em conta o inconsciente e a pulsão de morte podemos compreeder as desordens do mundo e restituir uma sociedade humana onde a abertura aos outros seja uma realidade.

Mas apenas alguns dias depois do lançamento do livro nas livrarias francesas, o 11 de setembro veio provar que o amanhã, de que falou Victor Hugo e sobre o qual se interrogavam Derrida e Roudinesco, é totalmente imprevisível.

Quem poderia prever o que se passou no dia 11 de setembro de 2001 ?

O mundo nunca mais foi o mesmo depois que a potência hegemônica se descobriu vulnerável, em estado de choque.

Continuar a ler

Bode Inspiratório | Folhetim | 40 Escritores | 40 Artistas Plásticos

Recomende o Bode Inspiratório.
Contribua para que este folhetim à moda antiga leve a literatura e a arte ainda mais longe. Um capítulo a cada dia, pela mão de 40 escritores. Uma obra a cada dia, pela mão de 40 artistas plásticos. Diferentes gerações e abordagens. Para que fique ao alcance de muitos e a todos possa contagiar, capítulo a capítulo. O vírus lá fora passa, cá dentro a cultura continua.
Siga e recomende.

AQUI: https://web.facebook.com/bodeinspiratorio/

ORDEM DOS ENGENHEIROS DE PORTUGAL | MENSAGEM DO BASTONÁRIO | PANDEMIA COVID-19

Caras e caros colegas, 

Como todos saberão, acaba de ser declarado o estado de emergência com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública devido a uma emergência de saúde decorrente do crescimento do número casos originados pela pandemia COVID-19 em território nacional.

Neste momento de invulgar gravidade na história do nosso país, é meu dever dirigir-vos uma palavra de solidariedade, de preocupação, desejando que tudo nos corra da melhor forma.

É já sabido que, independentemente do prazo de tempo em que este regime constitucional de exceção se mantiver, após este período, a pandemia não estará solucionada, pois o que se pretende é fazer decrescer a taxa exponencial do seu crescimento ao evitar a possibilidade de contágio.

Esta é uma obrigação de cada um de nós enquanto atores fulcrais na atividade do país.

Assim, todos temos de estar conscientes da gravidade e da incerteza da situação que, com maior ou menor proximidade, abalará cada um de nós e que terá efeitos devastadores na economia nacional e internacional.

Esta, para além da saúde, também é a minha grande preocupação, pois todos ainda temos na nossa memória as dificuldades e tudo o que passámos durante quase uma década na sequência da crise financeira, situação da qual, em boa verdade, ainda estávamos a sair.

Daí, a minha apreensão com o presente, mas sobretudo com o futuro próximo, quando muitas empresas encerram, quando famílias inteiras estão em risco de perder o seu trabalho, num quadro em que os vínculos precários serão os mais afetados, o que particularmente atingirá os profissionais mais jovens.

A Ordem dos Engenheiros dentro das competências estatutárias que lhe estão atribuídas, estará pronta e disponível para ajudar e apoiar os seus membros.

Como já referi no Comunicado que foi difundido no passado dia 16, a Ordem dos Engenheiros pela responsabilidade que detém na sociedade e enquanto representante de 56.000 profissionais com elevadas competências técnicas, embora condicionadas nesta situação, disponibiliza-se para apoiar o Governo e as demais autoridades no que for considerado de interesse nacional e que contribua para a salvaguarda da saúde pública e para a redução de riscos para a economia.

Também endossamos uma mensagem de agradecimento a todos os profissionais de saúde que tudo têm feito para atenuar as consequências deste nefasto acontecimento global.

Resta-me desejar-vos, o que estendo às vossas famílias, que este período seja curto e sem consequências para aqueles que nos são próximos, e que rapidamente possam voltar a existir condições que permitam a estabilização da economia e dos empregos.

Com estima, envio um fraterno abraço 

Carlos Mineiro Aires | 18-03-2020

Frases sobre a MULHER

A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte. (Oscar Wilde)

Não se ama duas vezes a mesma mulher. (Machado de Assis)

A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem. (John Lennon

PARA LOS QUE PASAN POR AQUI | Ir. Joao De Blas Salamanca (1983)

  • SOLEDAD

¡ Oh Dios !

¡ Qué larga es la noche,

qué triste y callada!

No hay luna que ría

y cubra con luz

el frío del alma.

No hay fuentes que sacien

la sed que me abrasa…

  • LA NOCHE

Por entre las rocas,

perforada el alma,

brotaba un suspiro

que llevaba España.

Muy lejos moría la tarde.

Monótono canto de cigarra

llamaba a la luz

y respondía el alba

Joao De Blas Salamanca | 1983

Somos uma tragédia? Tem dias | Francisco Louçã | in Jornal Expresso

Não sei se o pânico instalado com o coronavírus alterará a agenda do segundo congresso de um pomposo Movimento Europa e Liberdade, que se propõe nada menos do que refundar a direita na Culturgest, hoje mesmo. Seria pena, essa refundação faz tanta falta. Ao que informa o Expresso, a promoção do evento invoca as questões fundamentais da nossa existência coletiva: “Estará Portugal condenado? As novas desigualdades são superáveis? Somos uma tragédia? O Estado de Direito foi capturado pelos interesses? A ditadura do politicamente correto está a destruir-nos? Há saídas?”. O MEL não se limita a questionar, quer abrir soluções e, por isso, lança ainda a pergunta tremenda: “E quem é que protagoniza a alternativa à extrema-esquerda e ao socialismo radical?” Quem se oferece parece que tem que picar o ponto no congresso.
Candidatáveis, são bastantes. Diz-se que Portas, Júdice, Ventura, Cotrim de Figueiredo, o novel líder do CDS, Paulo Mota Pinto e Poiares Maduro abrilhantarão o evento, que os organizadores chamam de “primárias da direita”, sabe-se lá porquê. Mesmo que não conste que vão a votos, ou que apresentem currículos ou sequer propostas, os oradores passear-se-ão por estas “primárias”, que serão pelo menos um evento social, coisa grande quando se pergunta com inquietação se “somos uma tragédia”, claro que tudo por causa da “ditadura do politicamente correto”.
Candidamente, a convocatória repete os refrões brasileiros, nos termos exatos dos bolsominions, desta vez com “Portugal condenado”, a penar uma feroz “ditadura” sob um “socialismo radical”, que até foi ovacionado no dia anterior pelas associações patronais por se dispor a facilitar o lay off no contexto da epidemia. Ora, são linguagens dos dias que correm, quem ligaria a estas “primárias” se elas não prometessem sangue, Europa e liberalismo?

Continuar a ler

A Terra é como a bolacha Maria? | Francisco Louçã

Imagine um mundo plano com apenas duas dimensões, Flatland, no qual triângulos, quadrados, pentágonos e outras figuras geométricas vivem e se movimentam. Este mundo é-nos apresentado pelo Quadrado, que um dia sonha que visita um mundo unidimensional, Lineland, que é habitado por pontos brilhantes. Estes não conseguem ver o Quadrado senão como um conjunto de pontos e linhas, e o Quadrado ressente-se desta imagem de si, porque sabe não corresponder ao que é na realidade. E é então que começam os problemas.

Afinal são três

Um dia, Flatland é visitada pela Esfera, uma habitante de Spaceland, um mundo tridimensional. A reação dos habitantes de Flatland foi semelhante à da dos de Lineland. Tal como os pontos brilhantes só conseguiam ver o Quadrado como um conjunto de pontos e linhas, também os habitantes de Flatland só conseguem ver a Esfera como um círculo. A Esfera, orgulhosa da sua tridimensionalidade, salta para cima e para baixo, de modo a que se consiga ver o círculo a expandir e a retrair e fique assim demonstrada a existência de uma terceira dimensão. Os líderes de Flatland reconhecem secretamente a existência da Esfera, mas decidem perseguir os divulgadores da notícia. O Quadrado, convertido à tridimensionalidade, tenta convencer a Esfera da hipótese da existência de uma quarta dimensão, caindo em desgraça aos seus olhos, que são incapazes de ver para além do que percecionam. O Quadrado tem, entretanto, outro sonho, no qual a Esfera o visita e lhe apresenta Pointland, um mundo adimensional composto por um único ponto. Ao contrário de Lineland, Flatland e Spaceland, onde, apesar das tensões e hierarquias, existem sociedades, em Pointland tal não é possível, porque existe apenas um habitante – o rei –, que vive preso num universo confinado a um ponto e acredita ser infinito e a única realidade existente.
Esta é, resumidamente, a deliciosa história de Flatland – O Mundo Plano, uma aventura matemática escrita por Edwin Abbott em 1884, que é um retrato mordaz da sociedade vitoriana, satirizando ditaduras e várias formas de censura, mas onde também explica conceitos físicos e matemáticos complexos.

Entra a bolacha Maria

Continuar a ler

El orden natural de las cosas | ARTURO PÉREZ-REVERTE | in ZENDA LIBROS

En el restaurante Martinho de Arcada, mi casa de comidas habitual en Lisboa (allí donde el espía Lorenzo Falcó cena con la vedette Rita Moura tras cargarse a un agente republicano en Alfama), comento con Nuno y Paulo, camareros y amigos desde hace mucho, las cosas que pasan en Portugal, en España y en el mundo. El veterano Nuno, que es pequeño, rubio y simpático, trae un vino del Alentejo estupendo y barato, que yo no conocía, y mientras me lo hace probar cuenta que el alcalde de Oporto acaba de proponer unir a Portugal y España en un solo espacio político. ¿Te imaginas?, dice. Y le digo que sí, que lo imagino. Es la vieja idea de la Unión Ibérica de Garret, Saramago, Maragall y Unamuno, que resucita de vez en cuando, o tal vez nunca muere. Sesenta millones de personas y dos economías coordinadas. Lo que seríamos juntos. Un sueño maravilloso e imposible.

Algo más tarde, mientras paseo por la Baixa esquivando turistas anglosajones y japoneses, sigo dándole vueltas, pues me acuerdo de España y Portugal juntos como parte da orden natural das coisasque decía Teófilo Braga, o del somos hispanos, e devemos chamar hispanos a quantos habitamos a Península hispânica de Almeida Garret. Y, bueno. Es difícil no hacerlo, cuando pienso en el poco peso de Portugal y España en las decisiones que se toman en Bruselas, donde los españoles somos con harta frecuencia el hazmerreír de Europa; en el detalle de que los dos idiomas tengan una similitud léxica del 89%; en que la economía de los países que hablan español y portugués represente un 14% del PIB mundial, y en el hecho encuestado de que casi la mitad de los españoles y más de la mitad de los portugueses verían con buenos ojos una unión ibérica de tipo confederal: una asociación coordinada y fuerte, como el Benelux con que Bélgica, Holanda y Luxemburgo fundaron lo que luego sería Comunidad Económica Europea.

Continuar a ler

Um Homem Só | Maria Helena Ventura

SINOPSE DE “UM HOMEM SÓ”

Cumpriu a itinerância de gerações do seu povo, aprendizes dos caminhos da Luz pelas províncias imperiais. Tornou-se adulto entre mercadores, ascetas, homens da lei.

Um dia chegou ao politeúma de Alexandria. Hábil no domínio da palavra, disciplinado por conhecimentos acumulados nas andanças de anos, ganhou o estatuto de rabbi.

Mas o Homem solitário, habituado a cruzar fronteiras físicas e culturais, aprendeu ainda a sabedoria dos terapeutas, praticando o silêncio introspectivo na busca do entendimento da natureza humana em todas as suas dimensões. Percebendo a origem do sofrimento, estava apto a praticar a cura.

A resistência na Diáspora reparou nele. Poderia ser o líder nominal que esperavam? Para pegar em armas o movimento zelote tinha operacionais bem treinados. E aproveitando o chamamento do pai, também ele um destacado membro dos Filhos da Luz, os líderes das comunidades judaicas no Egipto arquitectaram um plano articulado com a resistência dentro da Judeia.

O rabbi estava disposto a regressar à pátria para rever o pai moribundo, para levar palavras de incentivo aos que lutavam pela libertação dos povos. Mas os da Diáspora sabiam que à chegada Yosêph bar Ya´aqôb teria para ele uma missão mais difícil de aceitar.

Continuar a ler

Como é possível à gente da minha terra “quaresmar”? | José Alberto Catarino

Como é possível à gente da minha terra – Cardigos (Mação) “quaresmar”?

A gente vai de passagem pela sede de freguesia (Cardigos), entra num estabelecimento comercial “ao acaso”, para cumprimentar um familiar, e sai carregado de pecados mortais (qual Quaresma qual carapuça):
1) – a melhor morcela do país, ali do lado, de Vale da Urra – (Vila de Rei) boa. Boa boa boa … daquelas que sabem verdadeiramente a cominhos!
2) – uma farinheira de “cair para o lado” feita mesmo ali em Cardigos. Comer e chorar por mais (na dúvida compram-se várias para não ter de ficar a chorar por mais).
3) – o pão de Cardigos. Verdadeiro “pecado mortal” (sempre que eu dizia às minhas doentes que eu era de Cardigos vinha sempre a mesma resposta: “Ah, é a terra do meu padeiro!”). Este pão não é carne, mas não deixa de ser pecaminoso porque atrai a gula (a gente ouve o pão a chamar pela manteiga … pelas azeitonas … a gritar; “transformem-me em açorda!”
4) – e quando pensamos que o demo larga por ali do nosso pé … aparecem as tijeladas de Abrantes (agora já feitas ali ao lado, no Azinhal). E ficamos com pecados suficientes para esgotarmos as hipóteses de ainda pensar no Purgatório. É direitinhos ao Inferno.
– ( só faltou um plangaio de Proença-a-Nova, mas esses há 50 anos que não lhes ponho o dente em cima …

Abençoada terrinha!

Zalberto Catarino

Retirado do Facebook ! Mural de Zalberto Catarino

A qualidade global do SNS – Serviço Nacional de Saúde | António Ribeiro

Há quem ponha em causa a qualidade global do SNS a propósito do Coronavirus. Mas uma observação atenta da realidade desmente essa crítica, que é politicamente enviesada e ideologicamente preconceituosa. A abordagem ao surto tem sido eficaz e, acima de tudo, não discriminatória. É fácil criticar, mas este é um país pobre onde muitíssima gente nem sequer contribui para aquilo que consome no SNS. Aliás, o nosso SNS dá excelentes respostas à paridade do poder de compra europeu. Isto é, mal-grado os inevitáveis descontentamentos, alguns justificados, temos muito mais out-puts em termos de resultados do que in-puts para o Serviço. Em matéria de Saúde, Portugal é uma espécie de Escandinávia com pouco dinheiro, mas que funciona. Os adeptos do “antigamente” deviam recordar as antigas “Caixas” e a forma como se morria nos hospitais. Não havia tratamentos adequados, mas morria-se com o consolo de um crucifixo por cima da cama, sem biombo nem coisa nenhuma que resguardasse a privacidade. Tenham algum discernimento nessa análise negativa, porque as pessoas que iam à Caixa eram muito mal tratadas e não voltavam de lá para casa num Mercedes. Ou já se esqueceram de como morreram os vossos Avós. Uma coisa que me irrita neste país é que anda muita gente a fingir que a família era rica há 200 anos. Veneram os antepassados, mas muitos nem sabem quem eram, ou como viviam

António Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de António Ribeiro

AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr.

Discute-se ao longo de 50 anos a construção do novo Aeroporto de Lisboa e a última intenção é a Base Aérea N.º 6 do Montijo, situada no Samouco.
É triste que, ao fim de tantos anos, a escolha seja a pior possível, a mais incoerente, a mais prejudicial, a mais insegura e a mais insustentável.

Para não pensarem que eu sou “do contra”, vejamos as vantagens de construir o novo Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete:
1 – O campo de tiro de Alcochete é uma zona plana, rodeada de terrenos agrícolas, com muitas poucas habitações e logo mais segura para os voos e para a população.
2 – Por ser uma zona livre, a construção na envolvente do campo de tiro de Alcochete pode ser condicionada, a fim de evitar o urbanismo não planeado e a insegurança no local.
3 – O campo de Tiro de Alcochete fica logo a seguir à ponte Vasco da Gama, só que em vez de se virar à direita para o Montijo, vira-se à esquerda na direcção de Alcochete e Samora Correia e é muito próximo (a cerca de 10 Km das portagens).
4 – O campo de tiro de Alcochete já tem uma pista de aviação (aproximadamente a meio do campo e transversalmente ao mesmo), o que prova que é o local ideal para levantar voo e aterrar.
5 – O campo de tiro de Alcochete, pela actividade militar no mesmo (tiros e ruído), não tem aves próximo, não são precisas medidas especiais de protecção a aves e as aves não são um risco de segurança grave, se entrarem numa turbina e explodirem um motor do avião.
6 – A construção do Aeroporto no campo de tiro de Alcochete não coloca em risco as dezenas de espécies de aves e mamíferos que habitam e nidificam na zona de Reserva Natural do Estuário do Tejo.
7 – Os acessos ao campo de Tiro de Alcochete não precisam de estradas novas, nem de portagens novas.
8 – Quando foi da opção da Aeroporto na OTA, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) deu como alternativa viável o Aeroporto no campo de Tiro de Alcochete.

Continuar a ler

A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público

Tenho solicitado repetidamente os estudos e projetos que sustentam as afirmações do Governo e da ANA/Vinci que pretendem justificar técnica e economicamente a solução Montijo. Nunca os recebi.

Num artigo recentemente publicado pelo jornal PÚBLICO, o senhor secretário de Estado adjunto e das Comunicações (SEAC) escreveu, e passo a citar: “À nossa geração, agora, cabe a responsabilidade e o risco de fazer. E a ousadia de fazermos bem. Com os melhores dados da ciência e da técnica.” Muito gostaria que assim fosse, mas não tem sido. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a posterior e consequente Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) são um exemplo bem demonstrativo da deficiente utilização dos dados da ciência e da técnica.

Em relação à AIA, que contém omissões importantes, identificadas em documentos apresentados no âmbito da Consulta Pública, a simples afirmação do Governo de que não havia “plano B” feriu de morte a credibilização de todo o processo. Cito apenas a componente das aves. Num artigo do PÚBLICO de 20 de fevereiro, um investigador da Universidade de Aveiro rebate as afirmações de bem fazer, salientando que estudos científicos comprovam que as aves limícolas que frequentam o estuário do Tejo, estimadas em cerca de 200.000, são extremamente fiéis aos locais que usam diariamente. Esta abordagem põe em causa a proposta do EIA que apresenta como solução a deslocalização dessas aves para zonas marcadas. Quais são os exemplos com sucesso na aplicação desta metodologia? O EIA, ao referir a escassez de dados de campo, justifica a não apresentação da análise de risco de colisão de aves com aeronaves. Propõe o desenvolvimento de estudos por um período de pelo menos um ano. Passado um ano é que esse estudo será conclusivo? E se for desfavorável, as obras param e a solução Montijo é abandonada? Quem suporta os custos desta eventual situação? O Estado? O operador aeroportuário?

Continuar a ler

A espiritualidade é palpável | MARIA ANTÓNIA JARDIM

Uma leitura hermenêutica e simbólica

É preciso ir além da superficialidade e fazer uma leitura hermenêutica / simbólica do conceito “espiritualidade” para perceber que a espiritualidade, tal como o sonho, é algo concreto e definido como outra coisa qualquer ( António Gedeão: Pedra Filosofal). Vejamos.

Em primeiro lugar é urgente compreender que “Somos um Corpo”. O corpo é o templo da alma e do espírito que o habitam e portanto o bem ou o mal fazer passam pela acção, pela sua voz, pelas suas mãos…A espiritualidade do Ser Humano exprime-se em actos, actos de fala, gestuais, afectivos, artísticos.

Materializa-se cada vez que o Mundo “pula e avança”, com a imaginação, com a Nona Sinfonia de Beethoven ou com a Última Ceia de Da Vinci; com revoluções de consciência, com “batalhas” que se travam dentro do nosso corpo, corpo afectivo, erótico (note-se que o corpo faz-se a beijar…), com todos os nossos Eus, pois Somos Seres plurais, já nos ensinou o grande psicólogo / escritor Fernando Pessoa!

Continuar a ler

A corrupção, a política e a demagogia | Carlos Esperança

Quando alguém afirma que “todos os políticos são corruptos”, interrogo-me se esse alguém é ignorante, fascista ou pretende, apenas, gritar as frustrações e dizer que, ao contrário de ‘todos os políticos’, (ele ou ela) não é ou não pode.

Cinco anos de ditadura militar e 43 de fascismo deixaram marcas indeléveis na nossa sociedade. A raiva contra os políticos é a herança transitada por má fé ou ignorância, de geração em geração, como se os políticos fossem menos honrados do que o comum dos cidadãos e as generalizações não fossem a revelação da indigência intelectual e cívica que habita um país cujas causas do atraso foram magistralmente analisadas por Antero de Quental na conferência sobre «As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares».

Continuar a ler

POLJE DE MINDE – MIRA DE AIRE | UMA IDEIA A ESTUDAR | instalação de uma tirolesa / spyline

Uma tirolesa (ou tirolesa, tirolesa, linha Sypline, zip wire, pista aérea, corda aérea, death slide, flying fox, ou, na África do Sul, foefie slide) consiste de uma polia suspensa em um cabo, normalmente feita de aço inoxidável. aço, montado em um declive. Ele é projetado para permitir que um usuário impulsionado pela gravidade viaje de cima para baixo do cabo inclinado, segurando-o ou prendendo-o à polia que se movimenta livremente. As tirolesas vêm em muitas formas, geralmente usadas como meio de entretenimento. Eles podem ser curtos e baixos, destinados a brincadeiras de criança e encontrados em alguns playgrounds. Passeios mais longos e mais altos são freqüentemente usados ​​como um meio de acessar áreas remotas, como um dossel de floresta tropical. Passeios de tirolesa estão se tornando atividades de férias populares, que são encontrados em acampamentos de aventura ao ar livre ou resorts de luxo, onde podem ser um elemento em um desafio maior ou curso de cordas. As selvas da Costa Rica, Flórida, Puerto Vallarta e Nicarágua são destinos populares para entusiastas de tirolesas.

EXTREMOS | Francisco Seixas da Costa in Jornal de Notícias

As expressões “extrema direita” e “extrema esquerda” têm duas similitudes. A primeira é semântica: em ambas, existe a palavra “extrema”. A segunda é que o passado em que essas correntes tiveram origem foi marcado por sinistras ditaduras – de um lado o fascismo e o nazismo, do outro os regimes comunistas, que resultaram num desastre totalitário. As similitudes acabam aí, pelo que é hoje profundamente desonesto procurar equiparar os dois conceitos.

A extrema direita é xenófoba, racista, discriminatória e promotora de políticas de ódio, obsessivamente securitária, cavalgando um sinistro nacionalismo.

A extrema esquerda, chamemos-lhe assim por facilidade, pelo contrário, defende políticas de igualdade e integração social, é anti-racista e anti-xenófoba e tem uma agenda política basicamente humanista – embora eu discorde do seu anti-europeísmo, do radicalismo simplista de muitas das suas receitas e ache irrealistas grande parte das suas propostas, por muito generosas que possam parecer.

Mas eu não esqueço nunca quem esteve do lado certo na 2ª Guerra Mundial, tendo tido um papel fundamental para a derrota do mais odiento projeto político que se conhece – o nazi-fascismo. E também me lembro bem de que, por cá, quando se tratou de ajudar a derrubar o projeto de fascismo saloio, mas criminoso, de Salazar, bem como lutar contra o colonialismo, essa esquerda foi essencial e, por virtude da sua luta corajosa, pagou um elevado preço, sofrendo o que nenhuma outra força de esquerda então sofreu.

Se é verdade que, nos anos de 1974/75 – vai para meio século! -, parte dessa esquerda foi tentada a uma deriva de populismo autoritário, é também uma evidência que a democraticidade da sua postura no sistema político tem sido, desde então, inquestionável. A sua participação na “geringonça” foi o reconhecimento natural desse seu pleno estatuto democrático.

Por isso, não votando eu nos partidos de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins, de que muitas coisas me separam, deixo expresso que tenho consideração política (e, por sinal, também pessoal) por essas figuras e pelas formações que dirigem. E, como é óbvio, não tenho a menor consideração por quem titula políticas de extrema-direita, bem como por quem tende a desculpabilizá-las e por quem vier a prestar-se a estender-lhes a mão.

Há muito que me apetecia deixar isto bem claro. Seria porventura mais cómodo não o fazer, mas começo a estar cansado da fraude que é a recorrente tentativa de equiparar duas realidades que não se podem comparar.

Francisco Seixas da Costa

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa 

NOTA PESSOAL : subscrevo na totalidade esta reflexão do Sr. Embaixador – como melhor não sei expor e escrever, aqui deixo o testemunho de quanto me fatiga e desgosta ver testemunhos de pessoas que apoiam a extrema direita e todo e qualquer nazi/fascismo. De facto, e subscrevendo também as considerações expostas pelo Sr. Embaixador, é uma fraude equiparar duas realidades que não se podem comparar.

Les 100 meilleurs livres de la littérature mondiale selon le Cercle norvégien du livre

Le Cercle Norvégien du Livre est un club de lecture créé en 2002 par trois maisons d’édition norvégiennes : Gyldendal, Aschehoug et Pax Forlag.

En 2002, l’organisation décide d’élaborer la liste des 100 meilleurs livres de tous les temps. La sélection s’est faite à partir des propositions de 100 écrivains issus de 54 pays différents. Chaque écrivain pouvait choisir 10 livres selon ses goûts et en s’efforcant de refléter une diversité culturelle, temporelle et spaciale.

Voici donc la liste dans un ordre aléatoire (ce n’est pas un classement entre les oeuvres). Toutefois, le jury d’auteurs a nommé Don Quichotte de Miguel de Cervantes comme étant la meilleure « œuvre littéraire jamais écrite ». Les descriptions qui accompagnent les oeuvres sont issues principalement de Wikipedia.

Sommaire

VER DESCRIÇÕES AQUI | VOIR LES DESCRIPTIONS ICI: https://www.lalanguefrancaise.com/litterature/100-meilleurs-livres-litterature-mondiale-cercle-norvegien-du-livre/?fbclid=IwAR00OITXHOwIFE-mTUHPF9VNas7Om26LYPfD1K4jTgCm-ThagOtX0oW0quI

A revolução de Aquenáton, o faraó que acabou com 2 mil deuses e instaurou o monoteísmo no Egito

Desde o início de seu reinado, o faraó Aquenáton e sua mulher Nefertiti decidiram desafiar todo o sistema religioso do Antigo Egito. Dispostos a sacudir as bases de sua sociedade, eles criaram ideias que levariam o império à beira do abismo.

O casal começou a reinar durante os anos dourados da civilização egípcia, por volta de 1.353 a. C., quando o império era o mais rico e poderoso do mundo —as colheitas eram abundantes, a população, bem alimentada, os templos e palácios reais estavam cheios de tesouros e o exército obtia inúmeras vitórias contra todos os inimigos. Todos acreditavam que o sucesso vinha por conseguirem manter os deuses felizes.

Foi então que Aquenáton chegou ao trono com o ímpeto de modificar uma religião de 1,5 mil anos de idade.

Somente o sol

A ideia era revolucionária: pela primeira vez na história, um faraó queria substituir o panteão de deuses egípcios por uma única divindade — o deus Sol, ou Atón, o criador de todos.

A proposta era considerada uma heresia. Mas como o faraó era considerado um deus na terra, tinha poderes ilimitados para modificar o que quisesse. Ele decretou que os 2 mil deuses que eram adorados no Egito havia mais de um milênio estavam extintos. Suas aparências humanas e animalescas foram substituídas pela forma abstrata do Sol e de seus raios.

CONTINUAR A LER: https://www.bbc.com/portuguese/geral-40602931?SThisFB&fbclid=IwAR1gojCCdQ9Dyc4iLDzNlyFHpsf9K1rQ1yBN2_UZQh3tY_Lw4EMvXMesK2w

Princípio da incerteza | 5 pontos para entender a teoria de Werner Heisenberg | por Marília Marasciulo in Revista Galileu – Globo

A vida do alemão Werner Heisenberg, que nasceu em 5 de dezembro de 1901 e viveu até 1º de fevereiro de 1976, é cercada de incertezas. O físico foi um dos cientistas que ajudou o governo nazista de Hitler a (tentar) criar uma bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. Por erros de cálculos, não deu certo — e ninguém sabe se porque Heinserberg falhou de propósito ou sem querer. Jamais saberemos.

A mesma imprecisão se aplica à teoria criada por ele, em 1927, que deu origem aos estudos da mecânica quântica. O princípio da incerteza de Heinsenberg garantiu ao alemão o Nobel de Física em 1932, e até hoje é um dos conceitos mais importantes da física quântica. Entenda:

1. Um ideia contraintuitiva
As ideias da teoria quântica, que já vinham sido desenvolvidas por físicos como Niels Bohr, Paul Dirac e Erwin Schrodinger, tinham uma lógica pouco intuitiva: elas propunham que a energia não era contínua, mas sim dividida em “pacotes” (quanta). A luz, por sua vez, poderia ser descrita como uma onda e um fluxo desses pacotes.

2. Impossível precisar
O princípio da incerteza define que não podemos medir a posição (x) e o momentum (p) de uma partícula com total precisão. E mais: quanto mais precisamente conhecemos um dos valores, menos sabemos o outro. Se multiplicarmos os erros nas medições dos valores, o resultado deve ser um número maior ou igual de uma constante que recebeu o nome de “h-barra”. Ela, por sua vez, é igual à constante de Planck (representada por h, que mede a granulosidade do mundo em suas menores escalas, e vale 6.626 x 10^-34 J.s) dividida por 2π.

Continuar a ler

23 de Fevereiro de 532 | O Imperador Justiniano ordena a construção da Basílica de Santa Sofia em Constantinopla

O imperador Justiniano I, juntamente com o patriarca Eutíquio de Constantinopla, inauguraram a basílica de Santa Sofia em Dezembro de 537 com pompa e circunstância.

A decisão da construção da basílica aconteceu a 23 de Fevereiro de 532, apenas alguns dias depois da destruição da segunda basílica, Justiniano I decidiu construir uma terceira, completamente diferente, maior e muito mais majestosa que as suas antecessoras.
Justiniano escolheu o médico Isidoro de Mileto e o matemático Antémio de Trales como arquitectos, mas Antémio morreu ainda no primeiro ano da empreitada. A construção foi descrita na obra “Sobre Edifícios” do historiador bizantino Procópio. O imperador mandou buscar materiais de construção de todo o império – colunas helénicas retiradas do Templo de Artemis, em Éfeso – uma das Sete Maravilhas do Mundo – , grandes blocos de pórfiro de pedreiras no Egipto, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelas da Síria. Mais de 10 mil pessoas foram empregadas na construção. A nova igreja foi logo reconhecida como um grande feito de engenharia e arquitectura. Santa Sofia tornou-se então a sede do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e o local preferido para realização de cerimónias oficiais do Império Bizantino.

Continuar a ler

Espanha | O Golpe de 23 Fevereiro de 1981 | Carlos Esperança

Há 39 anos um tresloucado fascista entrou no Parlamento espanhol a cumprir planos de generais franquistas que educaram o rei Juan Carlos na Falange. O tosco militar entrou de tricórnio, quando os deputados votavam Calvo-Sotelo para presidente do Governo de Espanha, tendo em vista substituir a monarquia constitucional pelo absolutismo real.

Era o regresso à ditadura sob os auspícios da monarquia não sufragada, posta à sorrelfa na Constituição, com as sondagens a indicarem a preferência popular pela República, ao arrepio da vontade expressa pelo sádico genocida Francisco Franco.

Continuar a ler

DESTINOS | Vasco Pulido Valente

Deus sabe que eu nunca fui assim e eu também sei que não fui. Só não sei o que fui. Falta à minha vida ordem e finalidade e, por isso, não posso dizer «fui assim» e, a seguir, «assim». Uma carreira ajudava. Fui tenente, major e capitão; deputado e ministro; assistente e catedrático. Uma vocação ajudava: fui filho, pai e avô. Uma obra ajudava; o meu primeiro livro, o segundo, o terceiro. Tudo isso ou parte disso talvez me permitisse dividir, arrumar, organizar o passado. Até uma grande ambição ajudava: estive mais longe ou mais perto, ganhei mais dinheiro ou ganhei menos. A mim, infelizmente, as coisas sucederam-me sem nexo ou deliberação. Comecei e desisti. Desisti e recomecei. Desejei e não desejei. Dei meia volta ou a volta inteira.

Se me obrigassem a escrever a minha biografia, não era capaz de escrever uma história coerente. Nem sequer com alguma arrumação de superfície. Mesmo pelas regras mais simples: infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice. Era velhíssimo na adolescência, adolescente na maturidade e toda a gente me acha simultaneamente infantil e soturno. E não me lembro de períodos fixos, de mudanças drásticas, lembro-me de acontecimentos. De uma noite, à saída de Lineacre College, em Oxford, com muito frio e uma neve brilhante, em que me senti, por qualquer razão trivial, a mais admirável criatura terrestre. Do elevador em que me levaram à sala de operações subterrânea de uma clínica de Biarritz, inerme e nu, como pura carne. De um café vazio, à noite, no Luso, com mesas de fórmica e o chão molhado, onde de repente verifiquei que não havia motivo plausível para sair dali.

Quando penso na minha vida, penso nestes episódios e noutros como estes, que não permitem a separação em «antes» e «depois» e não revelam qualquer curso, honroso ou não. Em cinquenta anos, não notei indícios de um destino manifesto ou de um destino humildemente necessário. o que eu escolhi, ou que me sucedeu sem eu escolher, foi um acaso e eu próprio sou um produto de coincidências improváveis, de circunstâncias efémeras, de emoções sem substância. Os factos consumaram-se sempre por mecanismos obscuros, totalmente estranhos à minha vontade. «O que é que eu estou aqui a fazer?», perguntava eu, desastre após desastre. «Como é que eu vim aqui parar?». Péssimas perguntas.

Durante muito tempo supus que viver bastava, por simples acumulação, para me definir uma personagem e um caminho. Definiu, excluindo, como com toda a gente. O poder físico e o poder intelectual diminuem. Algumas pessoas acreditam que nos conhecem e retiram-nos o benefício de certas dúvidas. E, principalmente, numa sociedade doméstica como a portuguesa, cresce o número dos nossos inimigos, tácitos ou confessos. Se eu me defini, defini-me a coleccionar inimigos. Eles mostram o que eu sou e eu sou o que eles mostram. Mas que as possibilidades se reduzem à medida que se roda para o fundo do funil é um antigo lugar–comum e nem sequer se distingue por ser verdadeiro. Descontado o irremediável (já de si relativo e ambíguo), sobra ainda quase tudo. O caos persiste.

Vasco Pulido Valente | 1941-2020 (21-02-2020)

O Colapso da condução “ocidental” do Mundo contemporâneo liderado pela “Grande América” | José Gabriel Pereira Bastos

A condução secretista, despótica e manipulativa do “mundo ocidental”, com uma acumulação cada vez mais acelerada da riqueza em cada vez menos mãos, desespera cada fez mais uma maior fatia de população não apenas pobre mas da classe média baixa e até da classe média dos “academizados” à pressa, cada vez mais excluídos das grandes cidades, com habitações cada vez mais inacessíveis e com ordenados que cada vez chegam para menos, para casais com cada vez menos filhos e mais animais domésticos.

Uma vaga de autoritarismo socialista (comunista, fascista e nazi) saiu do desespero associado ao catastrófico empobrecimento promovido pela Guerra de 14-18 e pela crise financeira que se seguiu (1928).

Oitenta anos depois (2008) o capitalismo americano atirou para cima da Europa uma falência dos Estados mediterrânicos que não esconde o colapso económico da Alemanha e da Itália, com uma “democracia de Bruxelas” desacreditada e servil, através da NATO, para com os interesses americanos, com os seus gastos massivos em armamento e em destruição de países islâmicos e com a abertura das postas da Líbia, do Iraque e da Síria à invasão islâmica da Europa, utilizada para a experiência de Engenharia Histórica que seria a fusão da religiões de Moisés e de “espiritualidades” maçónicas e tibenanas num Caldo “New Age” banhado em alucinógenos e bacanais (como em ‘Eyes wide shut’, de Kubrick, que bem nos vem avisando com os seus filmes.

Continuar a ler

Um olhar feminino nos subterrâneos de Lisboa | Jardins Secretos, de Manuela Gonzaga | por Adelto Gonçalves

                                                I

Lançado em janeiro de 2001 pela Editora Gótica, de Lisboa, o romance Jardins Secretos, de Manuela Gonzaga (1951), teve uma trajetória brilhante: além de ter sido incluído no plano de ensino da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e da disciplina de Cultura Portuguesa da Universidade de Georgetown, de Washington DC (EUA), agora culmina (se não for ainda mais longe), para além de uma projetada reedição pela Bertrand Editora, com uma tradução para o francês de Laure Elisabeth Collet em edição da Le Poisson Volant, de Paris, seguindo o caminho de Imperatriz Isabel de Portugal, biografia (Bertrand, 2012), que em 2019 foi saiu por aquela editora francesa sob o título Isabelle de Portugal, l´Impératrice. Mais: Jardins Secretos de Lisboa, título que passou a ter depois da segunda edição (2005), também está destinado a integrar aulas numa universidade francesa.

O romance conta a história de Alice, uma mulher fragilizada e fotógrafa desiludida, que conhece Jorge, pessoa de língua ferina e comportamento libertino. A partir daí, começa uma história que a leva a descobrir uma outra cidade dentro de uma Lisboa já conhecida, aquela que é vista apenas de fora, através do olhar de um utente à janela de um elétrico.

Dessa maneira, Alice, uma rapariga que carrega uma história comum, pela mão do amante, vai descobrir uma cidade subterrânea, que esconde por entre os seus monumentos e prédios seculares, bordéis de muito respeito e “jardins secretos”, ou seja, locais de encontros furtivos onde reina a lascívia. Filha de um fotógrafo, que também tivera o seu “jardim secreto”, ou seja, um pequeno estúdio localizado ao Chiado, Alice começa assim a cumprir um percurso iniciático e a descobrir os chamados segredos de Lisboa, que ficam numa região que vai do Chiado à Baixa pombalina, dos Restauradores ao Largo de Camões, passando pelo Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Rossio, Praça da Alegria, Intendente, Avenida Almirante Reis, Arroios, até a Alameda e arredores.

Continuar a ler

CORPO APENAS | Maria Helena Ventura | Pintura de Tarsila do Amaral, Antropofagia

De repente eras o fogo
cascos de cavalo
na clareira acesa.
E sob as mãos
o grito respirado devagar
na curva dos abrigos musicais.

Vestias-te de corpo
nada mais
península ligada por um braço
ao mar inominável de outro corpo.

De repente eras a terra
aluviais as margens perfumadas.
E nos lábios
oceânicas nascentes flutuando
no barco do silêncio magoado.

Eras um corpo apenas
transpirado
enigma de pássaro perdido
reflectido na tela de outro corpo.

Maria Helena Ventura | Inominável Corpo Desnudado

Deus de Spinoza | ALBERT EINSTEIN

Sobre Deus, Einstein chegou a se definir como agnóstico em carta de 1950 a Morton Berkowitz. Ele já tinha afirmado anteriormente que acreditava no “Deus de Spinoza”, em referência ao filósofo holandês Baruch Spinoza:

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela num mundo regrado e harmonioso, não em um Deus que se preocupa com o destino e os afazeres da humanidade”, afirmou ele em um telegrama ao rabino Herbert S. Goldestein, publicado pelo jornal americano “New York Times” em 1929 (segundo o livro “The Ultimate Quotable Einstein”).

Com essa declaração, Einstein afirmava a visão que repetiu diversas vezes durante a vida: que tinha mais simpatia por um Deus presente em todos os lugares e que fosse responsável pelas leis do universo num sentido científico, que por uma entidade personificada e preocupada com problemas individuais:

“Não posso imaginar um Deus pessoal que influencia diretamente a ação das pessoas… Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração do espírito infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos de nosso próprio mundo. A profunda convicção na presença de um poder superior, que aparece no universo incompreensível, forma minha ideia de Deus”, disse Einstein em carta de 1927, publicada em seu obituário no “Times”, em 1955.

Normalmente utilizada incorretamente para afirmar uma suposta religiosidade de Einstein, a frase escrita para Born sobre Deus “não jogar dados com o universo” se insere melhor na perspectiva panteísta de religião do físico. Na ocasião, Einstein questionava o princípio da incerteza de Heisemberg, utilizada na física quântica, segundo o qual não é possível determinar a localização e a velocidade exata de partículas, destacando a aleatoriedade dos eventos. Einstein não concordava com esse nível de imprecisão e usou a frase para corroborar sua visão.

Em todo caso, Einstein considerava o assunto complexo demais para as mentes humanas, como disse em entrevista em 1929, ainda segundo o “The Ultimate Quotable Einstein”:

“Não sou ateu. Não sei se posso me definir como panteísta. O problema envolvido é muito vasto para nossas mentes”.

 NOTA: Pandeísmo é uma corrente filosófica que surgiu da mistura do panteísmo com o deísmo. Panteísmo é a crença de que tudo compõe um Deus abrangente e imanente, ou que o Universo (ou Natureza) é idêntica à divindade. Panteístas e pandeístas, assim, não acreditam em um deus pessoal ou antropomórfico.

Cesário Verde, precursor do Modernismo – Ricardo Daunt | por Adelto Gonçalves

                    I
O poeta Cesário Verde (1855-1886) teve uma vida breve, mas viveu o suficiente para produzir uma obra que até hoje fascina críticos e leitores de bom gosto. Essa obra, que andou por muito tempo dispersa, agora pode ser encontrada em um só livro por iniciativa de um professor, crítico literário, poeta, romancista e contista brasileiro, Ricardo Daunt, autor de Obra Poética Integral de Cesário Verde, publicada em Portugal em 2013 pela Dinalivro, de Lisboa, depois de ter sido lançada no Brasil em 2006 pela Landy Editora, de São Paulo, em edição (hoje esgotada) que teve o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.
Profundo conhecedor da obra do poeta, Daunt é autor da tese de doutoramento “Cesário Verde: um trapeiro nos caminhos do mundo”, defendida em 1992 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), trabalho revisto em 1993, com um novo título: “Cesário Verde: um poeta no meio-fio do paraíso (estudo literário)”. Ao reunir a produção poética (na íntegra e sem falhas) de Cesário Verde, Daunt preparou também uma tábua cronológica que procura reconstituir o que teria sido a vida do poeta, ao mesmo tempo em que assinala os principais fatos acontecidos em Portugal e no mundo durante os 31 anos de sua curta existência.
Do livro constam ainda cartas pessoais escritas pelo jovem poeta a amigos e outras comerciais do tempo em que trabalhava na loja de ferragens do pai, que estava situada à Rua dos Fanqueiros, na Baixa Pombalina, em Lisboa, e, mais tarde, a partir de 1874, numa propriedade rural da família em Linda-a-Pastora. É de se ressaltar que da biografia do poeta já se havia ocupado o bibliófilo João Pinto de Figueiredo (1917-1984), autor de Álbum de Cesário Verde (1978), com fotografias e cartas inéditas do poeta, e A vida de Cesário Verde (1981).
Ricardo Daunt, na apresentação que escreveu para a própria obra, observa que a produção poética de Cesário Verde antecipa Henri Bergson (1859-1941) e Edmund Husserl (1859-1938), “pois toda ela se fundamenta na bipolarização da vivência intencional, e que no entanto também se encontra questionada pelo caráter transrealista do poeta que almeja a transcendência, a dimensão do absoluto”. Em seguida, observa que Cesário Verde, à maneira do individualismo de Friedrich Nietzche (1844-1900), formula um solitário herói andarilho, “testemunha de um mundo em transformação radical”, ao lado de um humanitarismo proudhonista que o leva “a atentar para as questões contingenciadas pela condição imanente”.

Continuar a ler

Marco Neves escreve sobre o último livro de Fernando Venâncio, Assim Nasceu Uma Língua | in Jornal de Letras

Pensar sobre a língua é difícil — mas não parece. É fácil encontrar quem jure saber que os adolescentes já só usam X palavras; que garanta a pés juntos que a expressão Y é um “erro que todos dão”; que saiba sem ninguém lhe dizer que a palavra Z entrou na nossa língua nos últimos cinco anos… Sabemos estas coisas todas e, no entanto, se tentarmos reproduzir, palavra por palavra, uma conversa que tenhamos tido há poucos minutos, já só nos lembraremos de uma ou outra expressão solta, umas quantas ideias, a impressão geral do sentido da conversa. A língua é matéria mais fugidia do que parece e, por isso, com a nossa fome de explicações, é terreno propício para impressões alçadas a certezas e para mitos que enganam a mais informada das pessoas.

Os linguistas lá tentam perceber, com dados, aquilo que de facto se passa com a língua — e, como acontece com outros cientistas, quanto mais trabalham, mais percebem a dimensão do que falta saber. Cá fora, continuamos convencidos de que sabemos muito — e é verdade que sabemos: temos uma gramática inteira na cabeça, que usamos para criar frases sem fim. Mas sabemos muito menos do que julgamos sobre o funcionamento e a variação dessa mesma gramática.

Se isto é assim com a gramática, o que dizer da História da língua? Aí não serão os mitos que nos bloqueiam a mente, mas antes o simplismo distraído. Sabemos que o português vem do latim — e pronto. Quando ocorreu tal transição? Quando surge Portugal, certamente. E onde? Em Portugal, obviamente. Exagerando um pouco (mas só um pouco), a ideia que corre por aí será esta: até ao século XII, o povo ali a Norte falaria latim; quando Afonso Henriques se assume como rei, o povo decide mudar de língua. Enfim, com menos exagero muitos diriam: falávamos latim, começámos a falar um português arcaico (ou talvez galego-português) e logo nos decidimos pelo português tão belo, tão nacional.

Continuar a ler

Natalia Osipova in Giselle | Leonid Sarafanov as Count Albrecht

No primeiro ato, a aldeã Giselle está apaixonada por Albrecht, um nobre disfarçado de camponês. Quando Giselle descobre a fraude, ela fica inconsolável e morre.

No segundo ato, o amor eterno de Giselle por Albrecht, que vem a noite visitar seu túmulo, o salva de ter seu espírito vital tomado pelas willis espectrai, os fantasmas de garotas noivas que morreram antes do dia do seu casamento, e sua rainha. Sempre que um homem se aproxima, elas obrigam-no a dançar até a morte. Giselle dança no lugar de Albrecht e, dessa forma, impede que ele chegue à exaustão, quebrando o encanto das Willis. No final, ela o perdoa.

DIA MUNDIAL DAS ZONAS HÚMIDAS (2 de Fevereiro) | Sítio RAMSAR nº 1616 | O POLJE MIRA MINDE | Mata ou Mar de Minde

O próximo dia 2 de Fev. (Domingo) é o dia Mundial das Zonas Húmidas.

O POLJE DE MIRA / MINDE está classificado pela Unesco com uma Zona Húmida Internacional – Sítio RAMSAR nº 1616, sendo um dos 31 lugares classificados em Portugal.

Com o objectivo de melhor conhecermos este extraordinário património natural e da necessidade de o preservar, valorizar e divulgar a sua riqueza e biodiversidade, a Casa do Povo de Minde em colaboração com o Movimento Mira Minde, e com o apoio de diversas entidades e organismos, vai levar a efeito um programa de comemoração da data com diversas actividades.

Uma caminhada pedestre pelo Percurso das 4 Nascentes e um encontro de canoagem são algumas das actividades matinais, e no período da tarde, no Cine Teatro Rogério Venâncio poderá visitar uma exposição temática e assistir a duas interessantes palestras pelo investigador JAEL PALHAS do Centre For Funcional Ecology sobre o tema a Biodiversidade das Zonas Húmidas, e pela Engª MARIA JOÃO SILVA, do Centro de Ciência Viva do Alviela que enquadrará o Polje como um sítio RAMSAR.

Serão ainda lançados vários concursos de ideias, concurso de Foto & Vídeo e um programa a desenvolver nas escolas da região.

A participação é livre e está convidado a juntar-se a nós.

O POLJE MIRA MINDE, designado localmente por Mata ou Mar de Minde, é um património internacional. Vamos cuidar dele!!

Com Cumprimentos,

A Casa do Povo de Minde

ANEXOS: Cartaz/Programa, Brochura do Evento e Vídeo do Polje.

Três sonetos de Luiz Vaz de Camões

Primeiro soneto:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
é ferida que doi e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealmente.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Continuar a ler

COMO O RISCAR DO RELÂMPAGO | MARIA HELENA VENTURA

É bom saber de ti
saber apenas
assim como um clarão ilumina
a sofreguidão na linha da distância
ou como ou pássaro segue o outro
na cumplicidade do voo

Por um momento
fecho todos os ruídos no armário
e deixo que um piano toque
repetido na vigília dos acordes
até ao infinito
Aqui moram apêndices de rima
e uma sombra impossível de romper
num deserto temporário
de palavras

Pelo vagar das noites ponteadas
de janelas sem sono
ninguém te anuncia a não ser os beirais
gota a gota
quando um líquido fantasma
que não sei se bate à porta
ou se fecha devagar os meus olhos
abre um mar de profundos logros
na perplexidade

É um mensageiro teu
e tanto basta conhecer
um atalho molhado
pela chuva de fora
pela chuva de dentro
a inspirar uma luz intensa
de todas as cores
numa imóvel linguagem
de lembranças
bebidas até à última gota

MARIA HELENA VENTURA – INTERTEXTO SUBMERSO