Reza da Manhã de Maio | Sophia de Mello Breyner Andresen

Senhor, dai-me a inocência dos animais
para que eu possa beber nesta manhã
a harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
de humanidade
apagai a vaidade,
para que eu me perca e me dissolva
na perfeição da manhã
e para que o vento me devolva
a parte de mim que vive
à beira dum jardim que só eu tive.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Simone de Beauvoir | Pensamento

Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minha necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele.
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.

Simone de Beauvoir 

A Náusea | Jean Paul Sartre

Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar – e de repente aqui está ela: a Náusea. Então é isso a Náusea: essa evidência ofuscante? Existo – o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo. Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso me assusta. Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… E subitamente, de repente, o véu se rasga: compreendi, vi. A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu.

Jean Paul Sartre

Poema | Carlos Drummond de Andrade

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto – é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para te ver?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

Carlos Drummond de Andrade

TALES DE MILETO (c. 623-546 a.C.) | António Galopim de Carvalho

Que ao ensinar aos alunos o teorema de Tales, se lhes diga quem foi este filósofo que está nos alicerces da nossa forma de pensar.
Diz-se que a filosofia ocidental nasceu na Grécia, entre os séculos VII e VI a. C., quando alguns dos seus habitantes mais letrados esboçaram as primeiras tentativas de explicar o mundo que os rodeava sem recorrerem à mitologia, recurso esse que era a prática comum da época. Só meio século, depois, Pitágoras (circa 570-495 a.C.) deu o nome de FILOSOFIA a essa atitude mental.
Nascido em Mileto, cidade da Jónia, na Ásia Menor (atual Turquia), então colónia grega, Thales terá sido o primeiro pensador a romper com o ponto de vista religioso e, como tal, o primeiro filósofo ocidental. As datas dos seus nascimento e morte são incertas, sabendo-se, porém, com segurança, que ele viveu no período compreendido entre o final do século VII e meados do século VI a.C.

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Francisco Belard in Facebook | Museu dos Descobrimentos

Mais de cem “historiadores e cientistas sociais”, seguidos por mais de cem “agentes culturais” (que incluem “artistas, curadores/as, historiadores/as da arte e outros/as profissionais do sector cultural e científico”), têm publicado, na imprensa e na internet, documentos colectivos sobre um museu a criar em Lisboa, ideia que parece ter sido suscitada pelo programa eleitoral de Fernando Medina, hoje presidente da CML, que previa um “Museu da Descoberta”. À margem ou na sequência desse projecto autárquico e dos referidos textos colectivos, artigos individuais (de historiadores, museólogos e outros) têm também sido publicados. Não é difícil perceber que, entre as centenas de signatários dos textos, há pessoas de origens e formações muito diferentes. Tal como são diversos os projectos afirmados individualmente. Genericamente, parecem desenhar-se dois propósitos: um Museu da Escravatura praticada pelos portugueses (enquadrando-a nos “Descobrimentos” e na “Expansão” portugueses), e um Museu dos Descobrimentos (portugueses, contemplando a escravatura praticada pelos portugueses). Surgiu ainda a ideia de um museu da “Interculturalidade” (abreviando aqui a designação proposta). Não conheço a génese nem os contornos precisos (ou mesmo imprecisos) do projecto de Fernando Medina, do qual outros têm falado mais do que ele próprio, ainda que em muitos casos para o refutar ou para o encaminhar noutras perspectivas.

Os cidadãos/cidadãs (para usar uma fórmula do tipo frequente em alguns desses textos) estarão já convencidos/as da necessidade de um novo museu na Lisboa ribeirinha? Ou mesmo em Lisboa? Ou em Portugal? E sobre o quê? Questões que remetem para uma outra, a montante: devem os esforços do Estado (central e autárquico) incidir na criação de museus, antes de consolidar os já existentes, alguns em situação difícil?

Na sequência do já dito: havendo hoje um discurso insistente sobre o cosmopolitismo de Lisboa, no caso de mais um museu na Lisboa ribeirinha (de cuja urgência duvido, e cujo programa terá de ser muito bem discutido e definido), deverá ele limitar-se aos descobrimentos portugueses? E à escravatura feita por portugueses? Ah… não tenho lido nada sobre esses “pormenores”. Quem é que está interessado em ocultar o papel dos escravocratas de outras origens? Quem é que ignora o tráfico de escravos antes e depois do praticado por Portugal (e pelo Brasil)? Quem é que desconhece esse fenómeno noutras culturas, reduzindo-o a alguns países da Europa ocidental? E a África, e a Ásia (que são muitas e diversas), e as Américas, incluindo os EUA, onde trabalham alguns signatários dos documentos? O que resumidamente quero dizer, aqui e agora, é que Portugal não deve ser o único “mau da fita”. Em suma, nem a autoglorificação nem a autocrítica que ignorem os outros e o outro.

Francisco Belard 

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Belard 

Museu das Descobertas: Eduardo Lourenço não vê necessidade de “crucificar” passado. in Revista “Sábado”

“Uma parte desses senhores que subscrevem esse documento têm as suas razões (…)mas fomos os mais pacíficos, dos povos do sul da Europa”, considera o pensador.

O ensaísta Eduardo Lourenço afirma não compreender a necessidade de “crucificar” o país por causa do seu passado de colonizador, sublinhando que não houve maldade na génese e que o mal feito já não pode ser reparado.

Eduardo Lourenço comentava, em entrevista à agência Lusa, a polémica relacionada com um possível “Museu das Descobertas”, em Lisboa, que motivou uma carta aberta, publicada em Abril no jornal Expresso, de dezenas de historiadores que se opõem ao conceito por trás da designação, e teve já várias outras — a favor e contra — desde então.

“Não sei por que é que neste momento parece haver uma necessidade de crucificar este velho país em função de uma intenção louvável, mas que ainda não redime aqueles que querem realmente a redenção, aqueles que foram objecto de uma pressão forte como o do nosso domínio enquanto colonizadores, de uma certa época”, afirmou.

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DO MUSEU PARA AS DESCOBERTAS | UM MUSEU DO IMPÉRIO? | André Gago in “bloginstavel”

A criação de um museu que espelhe aquela que foi a gesta marítima portuguesa, bem como todas as suas consequências, só faz sentido se esse espelho não for mentiroso. Nesse espelho da história, não importa glorificar à moda antiga uma passada e incerta glória nacional. Terá de ser um espelho não em que vejamos uma imagem idealizada nossa, mas através do qual sejamos capazes de ver a verdadeira imagem que imprimimos no mundo. O nosso espelho terá de ser o olhar do outro.

Nesse sentido, a polémica em relação à denominação desse projecto (que em meu entender faz todo o sentido), e que foi expressa na voz de académicos nacionais e estrangeiros, que se pronunciaram contra o seu eventual baptismo enquanto Museu das Descobertas, tem plena razão de ser. A semântica é delicada: não apenas o outro, o putativo “descoberto”, pode com legitimidade não se reconhecer nessa narrativa, como o próprio termo, historicamente datado, não abrange todo o arco temporal das expansões marítimas iniciadas no século XV e que serviram a um projecto imperial que, em rigor, só se conclui no séc. XX, com a descolonização completa das chamadas províncias ultramarinas.

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Agentes culturais contra a designação e missão do “Museu da Descoberta” da C.M. de Lisboa

Neste momento é injustificável e extemporâneo que se crie o “Museu da Descoberta“ — se não se aproveitar esta oportunidade para refletir sobre o passado colonial português e as suas ramificações no presente; assim como as políticas de memória da cidade de Lisboa.

Nós, artistas, curadores/as, historiadores/as de arte e outros/as profissionais do sector cultural e científico, mas fundamentalmente cidadãos e cidadãs, juntamos as nossas vozes à recente carta pública sobre este tema assinada por mais de cem cientistas sociais.

O atual programa de governo da CML para um tal museu promove os seguintes objetivos: “uma reflexão sobre aquele período histórico nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, científica, cultural, nos seus aspetos mais e menos positivos, incluindo um núcleo dedicado à temática da escravatura.” Tais objetivos só serão rigorosos se em diálogo com o crescente movimento de descolonização da memória histórica que tem vindo a ser operado a partir do sector cultural e científico e de movimentos anti-racistas, feministas, LGBTQI. Esta articulação requer compromissos estruturais no que concerne aos objetivos e modelo de gestão deste projeto que devem ser debatidos num fórum de alargada participação. Um projeto museológico inovador tem obrigatoriamente de passar pela construção e/ou pela ativação de redes de conhecimento e solidariedades institucionais, narrativas e contranarrativas em disputa, bem como memórias díspares, individuais e coletivas.
Em repúdio de uma história anacrónica que assuma um ponto de vista unívoco e glorificador, o qual tem vindo a ser contestado em fundamentadas reformulações por múltiplas investigações académicas nacionais e internacionais, apoiamos a urgência da revisão dos termos “descoberta”/“descobrimentos” e outros eufemismos (“primeira globalização”, “viagem”, “diáspora”, “interculturalidade”, “mar”, “lusofonia”) como o primeiro passo para uma discussão mais ampla e plural.

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A controvérsia sobre um Museu que ainda não existe. Descobertas ou Expansão? (12.04.2018 ) in Jornal “Expresso”

Já vai em mais de cem o número de académicos que são contra a possibilidade de Lisboa vir a ter um “Museu das Descobertas”. Numa carta, que o Expresso publica abaixo, historiadores, especializados na história do império português , e cientistas sociais explicam porque é que um museu dedicado à expansão portuguesa nunca deverá ter esta designação. A ideia de criar na capital uma instituição como esta foi defendida no programa eleitoral de Fernando Medina, eleito presidente da câmara de Lisboa. Os signatários da carta consideram o nome “Museu das Descobertas” um erro de perspectiva. A lista de signatários não tem parado de aumentar desde que a carta foi tornada pública,na última quinta-feira. Aos portugueses juntaram-se desde então investigadores vinculados às universidades de Harvard, Yale, e UCLA, nos Estados Unidos, ao Collège de France, Sorbonne, EHESS, Paris e a EPHE, Paris, às principais universidades brasileiras, São Paulo, Universidade de Campinas, Universidade Federal da Baía, Universidade Federal Fluminense, o University College London, UK, ou a Universidad Complutense de Madrid.

Porque é que um museu dedicado à ‘Expansão’ portuguesa e aos processos que desencadeou não pode nem deve chamar-se ‘Museu das Descobertas’?

A ideia de construir um ‘Museu das Descobertas’ na cidade de Lisboa, incluída no programa eleitoral de Fernando Medina de 2017, não é nova, e tem sido objecto, nas últimas semanas, de algumas reflexões no espaço público. Num momento em que a capital está a viver um surto de turismo e interesse internacional nunca visto, criar um museu sobre este período histórico pode parecer tentador.

Se existem vantagens na criação de um espaço museológico deste tipo, porque é que ele não deve intitular-se ‘Museu das Descobertas’?

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A vida e obra de Philip Roth por Eduardo Pitta in Revista “Sábado”

“Ao contrário de tantos dos seus pares, Roth nunca se preocupou em escrever para agradar. “A literatura não é um concurso de beleza moral”, disse em 1984 à Paris Review. Portanto, tinha por princípio desenvolver assuntos que inquietassem o senso comum.”

A morte de Philip Roth faz descer o pano sobre uma época prodigiosa da literatura de língua inglesa e, particular, da cultura americana. Os leitores que durante 50 anos fizeram dos seus livros motivo de júbilo, controvérsia ou mero prazer do texto, sabem que agora acabou. Para sermos exactos, tinha acabado em 2010, ano em que Némesis chegou às livrarias.
Para um homem que tanto escreveu sobre doença e morte, chegou a sua vez. Internado num hospital de Manhattan, Roth morreu a noite passada, vítima de insuficiência cardíaca congestiva. A notícia veio pela boca de Judith Thurman, amiga íntima. Conseguiu ser o último e mais prolífico sobrevivente dos escritores que formataram o século XX americano, sendo os outros Saul Bellow e John Updike.

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10 frases de D. António Marto, o próximo cardeal português

“Fátima é um oásis de misericórdia. Refere-se ao amor apaixonado, o amor de entranhas de Deus pela humanidade que aqui nos foi dado a conhecer pelo rosto materno de Maria”. Entrevista à Renascença, 5 dezembro 2015

“Quando acabei o curso, era um racionalista, éramos muito racionalistas. (…) Às vezes olhávamos até com desdém, com desprezo, para as expressões de piedade popular. (…) Depois, um dia, o meu pai deu-me uma lição grande. Disse-me: “Ó meu filho, eu queria-me confessar, tenho um padre em casa, porque é que hei de andar a procurar outro?” (…) Vi a delicadeza de consciência daquele homem. (…) Isso foi como cair as escamas dos olhos.” Entrevista ao Observador, 7 maio 2017

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“Uma Viagem Sem Fim” 80cm x 100cm | Isabel Nunes

Pintora Isabel Nunes | Biografia

Isabel Maria Encarnação Jorge Nunes
Nasceu a 23 de Agosto de 1957 em Cascais. Licenciada em História, opção História de Arte, pela Universidade Nova de Lisboa, frequenta, entre 1991 e 1993 o Curso de Pintura da Academia de Artes Visuais de Macau, após anos de prática de pintura livre, tendo participado em workshops com os professores Nuno Barreto e Carlos Carreiro. Frequenta a International School of Art, em Montecastello di Vibio, Itália, e a Painting Masterclass na Slade School of Fine Art do University College of London, Reino Unido.

 

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Antes é que era bom? | Michel Serres

Este é um livro delicioso. Não há ninguém que não se tenha interrogado, uma vez que seja, sobre a relação entre o presente e o passado. Quem é que, num arroubo de nostalgia, não tropeçou já na mais emotiva das declarações: «Ah, antes é que era bom!» Mas era? O passado seria mesmo tão dourado como às vezes o pintamos?

Permitam-me, caros leitores, que vos ponha a falar com Michel Serres. Apresento-o, primeiro: Michel Serres é filósofo e historiador das ciências. E atreve-se: membro da Academia francesa, Serres intervém publicamente arriscando oferecer uma visão do mundo em que a filosofia, as  ciências e a cultura se combinam. Neste seu pequeno livro, repleto de fina ironia, Michel Serres, dos seus 87 anos de idade, afirma com toda a clareza: não, o passado não era bom! O presente é bem melhor.

Cito algumas saborosas passagens do livro:

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Os cem melhores poemas portugueses dos últimos 100 anos | Organização de José Mário Silva

Nem tudo são más notícias.

A segunda edição da antologia de poesia portuguesa que publiquei no final de 2017 já anda por aí. Foi revista de fio a pavio, atentamente, à caça de gralhas e erros de transcrição, além de se terem resolvido problemas gráficos e de paginação. Um trabalho exaustivo para o qual contei com a ajuda inestimável do Luis Queiros, um dos maiores amantes de poesia que conheço. Além de uma notável crítica ao livro, apontando-lhe desde logo alguns dos seus defeitos, o Luís dedicou horas e horas do seu escasso tempo livre a cotejar dezenas de poemas com as edições originais, identificando até os lapsos mais microscópicos (que, em certos casos, terão escapado aos próprios autores). Sem ele, a quem agradeço muitíssimo, fazendo questão de o afirmar publicamente, teria menos certezas ao dizer agora, e para que conste: a versão definitiva da antologia é esta e só esta.

Alcochete | Ferreira Fernandes in “Diário de Notícias”

Quando as estações televisivas fazem longos diretos com os borra-botas em coluna fascista atravessando a cidade à ida e vinda de um jogo de futebol. Quando se mandam polícias pastorear borra-botas pela cidade. Quando os líderes dos clubes são boquirrotos. Quando as capas de jornais desportivos privilegiam as palavras dos boquirrotos em vez do rasgo corrido de Gelson. Quando colunistas de jornais aceitam mostrar-se indigentes, já que o assunto é, julgam eles, só de camisola e emblema. Quando essa arte e ciência que encanta miúdos e velhos é comentada em prime time por tipos talvez de meia-idade e certamente com um terço de inteligência. Quando, com muito share, insultos recíprocos são trocados por gente paga, cara e cara separadas por um palmo mas nunca havendo um gesto honrado que desagrave os desaforos lançados nos perdigotos. Quando as assembleias gerais presididas por bombeiros incendiários têm mais destaque do que o ato luminoso do Perdigão, do Desportivo de Chaves, a cuidar de uma bola. Quando os talentosos Paulinho, do Braga, e o Rafa, do Portimonense, são menos conhecidos do que o Pedro Guerra e o Francisco J. Marques, cujas conversetas têm o dom de tornar a alma dos adeptos mais pequena. Quando se vandaliza em grupo uma estação de serviço e já nem se noticia porque o autocarro dos gatunos e brutos vai a caminho de um estádio… Então, quando tantos miseráveis quandos se acumulam, arriscamo-nos a ver um admirável, forte e grande Bas Dost ferido e com uma lágrima por nós todos.

Ferreira Fernandes in DN

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/ferreira-fernandes/interior/alcochete-9345151.html

Uma guitara perpetua o verão | Maria Isabel Fidalgo

Longínqua, uma guitarra perpetua o verão
na larga casa da saudade.
Abro as janelas do mar
e no clamor das ondas
o sol de agosto desce calmo
sobre os barcos.
Sou jovem em qualquer lado
onde há o brilho indomável
dos anos, antes destes,
e de outros, longe de ti.
Chegam pescadores do lado
dos búzios e dos limos
com os pés calçados de sargaço
e a tarde é um farol nas nossas mãos.
Cada palavra que dizes
é um rio junto à fonte,
uma claridade a abrir,
a subir a pique sobre o mundo.
Ouso pedir-te
que te escondas comigo
nesta ilusão de juventude
plasmada na minha varanda
aberta sobre o mar;
que não apresses a voz;
que me deixes cerzida num abraço,
e que a tarde caia sobre nós
fulgente de ouro e luz
alheia ao peso do cansaço.

maria isabel fidalgo

Gonçalo M. Tavares na Jornada Nacional da Pastoral da Cultura | Fátima | 2 de Junho de 2018

CAR7799 SÃO PAULO 22/06/2017 ALIAS GONÇALO M. TAVARES Gonçalo M. Tavares , escritor portugues durante palestra realizada na UNIBEs, rua Oscar Freire 2500 . FOTO: JF DIORIO/ESTADÃO

O escritor e professor universitário Gonçalo M. Tavares é um dos participantes na 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que a 2 de junho debate, em Fátima, o tema “Desporto – Virtudes e riscos”.

A extraordinária cartografia do humano de Gonçalo M. Tavares, o “Atlas do Corpo e da Imaginação” de 2013 – tributário da formação académica do autor nas Ciências da Motricidade e do Desporto –, assinala um entendimento fulgurante da saudade como «nostalgia de uma possibilidade» que pode valer esteticamente por todo um programa de resgate ético e metafísico.

O encontro, aberto a crentes e não crentes, centra-se no significado antropológico e nas atuais conexões socioculturais do Desporto – poética e ética do corpo e do espírito, poderes e desvios da irradiação social (negócio, corrupção, alienação, etc.).

Na Jornada os conferencistas, que continuarão a ser divulgados nos próximos dias, refletirão também sobre a possibilidade de atualização da perspetiva cristã do ideal humanista de “mens sana in corpore sano” (mente sã em corpo são).

O tema foi escolhido na sequência das múltiplas intervenções do papa Francisco e dos seus antecessores sobre o Desporto, área que suscitou a criação de um departamento exclusivo por parte do Conselho Pontifício da Cultura.

Entre as numerosas iniciativas do Vaticano contam-se a primeira conferência global sobre fé e desporto, a organização de competições internacionais no campo do atletismo, futebol de salão e críquete, a participação de delegações da Santa Sé nos Jogos Olímpicos e a criação de equipas desportivas.

Durante a Jornada Nacional da Pastoral da Cultura será concedido o prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes ao ator Ruy de Carvalho.

Gonçalo M. Tavares

Entre prosa e verso, a figura que partilha com o poeta Tolentino Mendonça o topo do cânone literário português do século XXI é Gonçalo M. Tavares (n. 1970), com sua obra a um tempo construtivista e vertiginosa, com seu próprio mapa estrutural “in progress”, num persistente gesto de afirmação autoral: a delimitação de um território textual, a cartografia da sua constituição por programas de géneros e subgéneros e a distribuição de sinais de sua ligação a uma “enciclopédia” pessoal.

Num estilo inconfundível, de aparente normalidade vocabular e sintática a recobrir uma explosiva carga de antinomia semântica, lavra um jogo de ideias com fundo filosófico; e lavra sobretudo a ambiguidade de paradoxos morais a que conduz, com a emergência em humor surreal no quotidiano das grandes intuições suscitadas pelas pequenas coisas (por exemplo, o absinto em “O Senhor Henri”), o entrechoque dessas ideias com a experiência existencial.

Em Gonçalo M. Tavares imperam o paradoxo e a violência lógica nas personagens, no enredo e na imagística das prolíficas criações deste escritor, onde aliás tudo passa por uma espécie de fisiologia cognitiva, imaginativa e volitiva, mediada pelos recursos e ditames do corpo (a força e a compaixão, o desejo e a saciedade, a violência e a ternura, por exemplo).

SNPC 
Imagem: D.R. 
Publicado em 13.05.2018

«CARTA ABERTA PARA SAIR DA CRISE NO SECTOR DO LIVRO E DA LEITURA» | José Antunes Ribeiro, Assírio Bacelar e Daniel Melo in blog “A Vaca Voadora”

1. Diagnóstico da crise que afecta o sector do livro e da leitura

É hoje notório que a Cultura foi desvalorizada pelos últimos governos de Portugal. Investe-se pouco na área cultural e noutras afins, como a Ciência, para as quais o orçamento de Estado é sempre diminuto, não passando do zero vírgula qualquer coisa.
Tratada como um parente pobre, a Cultura tem vindo a ser subestimada como se nenhum valor pudesse trazer ao país, o que é falso. A Cultura tem um papel crucial no desenvolvimento e progresso de qualquer país, merecendo por isso maior investimento da parte do Estado e da sociedade civil, como em tempos já aconteceu e tem lugar na maioria dos nossos parceiros na União Europeia.
Não se trata de defender a tutela paternalista da Cultura pelo Estado. Trata-se, isso sim, de defender que ao Estado cabe um papel relevante na salvaguarda de condições mínimas para a actividade das pequenas e médias empresas independentes do ramo editorial (editoras, livrarias e distribuidoras) que, por serem tratadas do mesmo modo do que as grandes (ou seja, com a mesma carga de fiscalidade, impostos e imposições burocráticas, e rendas elevadas), vêm o seu impacto e o seu futuro sob ameaça permanente, perdendo espaço para os grandes grupos e os grandes centros comerciais onde a relação de proximidade leitor/livreiro se tornou inexistente e a principal preocupação é o lucro.

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A social-democracia para além da “terceira via” | Pedro Nuno Santos in Jornal “Público”

I

Num momento em que social-democracia está em forte retrocesso político em toda a Europa, o Partido Socialista em Portugal é uma exceção. Sem pretender dar lições a outros partidos da família social-democrata – cada partido opera num contexto nacional com oportunidades e constrangimentos específicos –, precisamos compreender o que nos permite ter hoje níveis de apoio popular elevados.

Como venho defendendo, a decisão tomada em 2015 de procurarmos construir com a esquerda parlamentar uma solução de governo maioritária, alternativa à viabilização de um governo de direita, pode ter salvo o PS do destino de outros partidos europeus da mesma família política.

A solução traduziu-se num programa político que restituiu a esperança de uma vida melhor a muitos portugueses. A configuração inédita da nova maioria enriqueceu a democracia, trazendo para a esfera governativa partidos que representam cerca de um milhão de portugueses. Mas foi o seu programa, que promoveu a recuperação de rendimentos e direitos, o crescimento económico e a criação de emprego, por um lado, e o respeito por quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, por outro, que gerou o nível de apoio de que o PS dispõe atualmente.

Teria sido bem diferente se tivéssemos feito o que alguns, mesmo dentro do PS, consideravam natural: a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS. Nesse caso, estaríamos hoje, certamente, na posição de outros partidos social-democratas europeus e incapacitados de disputar a liderança governativa em Portugal. Sobretudo, nunca teria sido possível construir com o PSD e o CDS o programa de mudança económica e social e de comprometimento com o Estado social público e universal, base de uma comunidade decente, que foi possível – apesar das diferenças com estes partidos – com o apoio do PCP, BE e PEV.

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Da Síria à Coreia, o mesmo princípio: em Washington a paz é péssima para os negócios! | Carlos Matos Gomes in MOVER A MONTANHA

A intervenção na II Guerra Mundial deu origem a um regime de oligarquia nos Estados Unidos, ou foi fruto dela. Uma oligarquia que o presidente Eisenhower designou como “complexo-militar industrial”, que integra também o complexo financeiro de Wall Street. A partir daí o slogan “o que é bom para a General Motors é bom para a América” passou a ser o que é bom para o complexo militar-industrial é bom para a América e todas as ações gizadas em Washington devem ser analisadas à luz dos interesses da oligarquia que o controla.

A oligarquia americana instituiu-se como ”perturbador mundial” e desde o final da IIGM desenvolveu a sua manobra de domínio planetário através da criação de pontos quentes e situações de conflito permanente em zonas chave. Um pouco a estratégia de domínio de estreitos que Afonso de Albuquerque utilizou para dominar o Índico com forças reduzidas, em que os EUA criam os estreitos para depois induzirem a necessidade de os defender.

São os interesses desta oligarquia que estão em jogo na atual fase de aproximação das duas Coreias e de desestabilização da Síria e do Médio Oriente, em geral.

A estratégia do regime de Washington de aumentar as tensões nos pontos quentes que são a península da Coreia e o Médio Oriente sofreu recentemente dois sérios contratempos, um com o encontro dos presidentes das duas Coreias, o outro com a derrota na Síria dos exércitos islâmicos que os EUA apoiaram.

Na Síria, a desestabilização provocada pelos Estados Unidos trouxe a Rússia para zonas no Médio Oriente e nas margens do Mediterrâneo que a esta lhe interessava ocupar, deixaram desamparados e na expetativa os seus peões na região, Israel e a Arábia Saudita, e fê-los perder a Turquia como aliado incondicional. O tiro saiu pela culatra.

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Régis Debray, le monde expliqué à mon fils | in France Culture

Régis Debray, philosophe et écrivain, inventeur de la médiologie, revient avec nous sur les mutations de notre histoire politique qu’il a observées ces 50 dernières années à l’occasion de la sortie de son “Bilan de faillite” (Gallimard, mai 2018).

Il y a une bascule qui s’est faite de l’intellectuel vers l’émotif, du projet vers l’optique, de la réflexion aux images. L’heure est aux publicitaires, aux spin doctors, aux photographes et aux cinéastes, plus aux écrivains ou aux philosophes.” Régis Debray

La faillite dont il fait le bilan est à la fois collective et personnelle. Après un demi-siècle de combats révolutionnaires pour changer le monde, que reste-t-il de sa génération et ses espoirs? Croire en qui et en quoi? Croire encore?

Appelons-le « figure de la vie intellectuelle française », un pedigree dont il se moque avec humour…  Dans cette lettre à son fils, celle d’un homme de 76 ans à un garçon de 16 ans, il dit renoncer « à toute ambition d’influence». «Entre le tout-économie et le tout-image, les gens de mon espèce ne peuvent plus faire, avec leurs gribouillis, que des ronds de fumée.»

Dans Civilisation, Comment nous sommes devenus américains, (Gallimard, 2017) qui reparaît ce mois-ci en Folio,  il avait décrit le « changement de civilisation » qu’a connu la France sous l’influence de l’hégémonie culturelle américaine. Dans Le nouveau Pouvoir (Cerf, Septembre 2017) il montrait comment l’apparent changement politique que constitue l’arrivée au pouvoir de Macron marque une profonde mutation culturelle inscrivant la France, pourtant catholique et républicaine, dans l’avènement planétaire de la civilisation issue du néo-protestantisme. Des réflexions qui ont aussi produit une série d’émission l’été dernier sur France Culture devenue livre avec les éditions Autrement : «France-Amérique : un échange de bons procédés» est paru en février dernier.

La disparition de l’avenir est une chose notable. Il n’y a plus de parti idéologiquement structuré avec une vision de l’avenir, avec une vision de ce qui est à accomplir. Nous vivons dans le marketing de l’instant, dans le ‘présentisme’ du chiffre. »

Régis Debray, in France Culture

Lao Zi, in Tao Te Ching

Só temos consciência do belo, quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom, quando conhecemos o mau.

Porquanto, o Ser e o Existir, se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se complementam. o grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.

O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age pelo não agir, e ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece, produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza e nada considera seu.
Tudo faz – e não se apega à sua obra.

Não se prende aos frutos da sua atividade
Termina a sua obra
E está sempre no princípio
E por isto a sua obra prospera.

Lao Zi, in Tao Te Ching

Carlos Vale Ferraz | Nó Cego

“A Porto Editora publica a 17 de maio uma nova edição do livro Nó Cego, primeiro romance de Carlos Vale Ferraz e livro de culto de uma geração que esteve envolvida na guerra colonial e que, a partir dela, entrou em rutura com o regime português da ditadura.

Nó Cego é hoje reconhecido como um livro essencial para compreender esse período crucial da nossa História que foram os anos da guerra colonial e o fim do regime de ditadura, bem como para conhecer os dramas, as angústias, as alegrias e as tristezas da geração que fez a guerra e que a terminou, abrindo Portugal à modernidade.

A nova edição deste romance serve de pretexto à conversa que Carlos Vale Ferraz, António-Pedro Vasconcelos e João de Melo terão na sessão de lançamento que se realiza a 19 de junho, pelas 18:30, na livraria Ferin, em Lisboa.”

DA GRATIDÃO | André Gago

A 2 de Maio de 1945, as tropas soviéticas tomam Berlim e hasteiam a bandeira soviética no Reichstag Alemão. A guerra custou aos russos 27 milhões de vidas. Nos primeiros minutos do dia 9 de Maio (hora de Moscovo, na última hora do dia 8 em Berlim), o alto comando alemão assina a rendição. O acto decorreu na Administração Militar Soviética em Berlin-Karlshorst.

Representantes:
União Soviética: Marechal Georgy Zhukov;
Reino Unido: Marechal Chefe da Força Aérea Arthur Tedder;
Estados Unidos: General Carl Spaatz, como testemunha;
França: General Jean de Lattre de Tassigny, como testemunha;
Alemanha: Marechal de Campo Wilhelm Keitel; General Almirante Hans-Georg von Friedeburg; Coronel-General Hans-Jürgen Stumpff.

Retirado do Facebook | Mural de André Gago

Quem manda na sombra | Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias”

É uma pedra no sapato do Banco de Portugal. A empresa de investimentos BlackRock faz parte de um consórcio da mais alta finança mundial que ameaça boicotar o país por conta da transferência de 2000 milhões de euros de dívida que vinha do antigo BES e que passou do Novo Banco para o “banco mau”. Mas, como relata o jornalista Paulo Pena em dois artigos recentes no “Público”, esta não é a única ligação do BlackRock ao banco de Ricardo Salgado e à economia portuguesa.

A BlackRock comprou quase 5% do BES apenas seis meses antes da sua resolução. Essas ações foram depois misteriosamente vendidas quando já não tinham qualquer valor. Porquê e a quem? Ninguém sabe, nem mesmo o Governo da altura ou os supervisores.

Para além do BES, a BlackRock é ainda acionista de 14 outras empresas, da EDP ao BCP, passando pela Jerónimo Martins, detendo quase 2000 milhões de euros de ações de empresas cotadas em Portugal.

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DiEM25

No DiEM25, a nossa visão não é só soundbites e slogans – inclui propostas políticas concretas e credíveis. A nossa plataforma política mostra que existe uma alternativa antisistema. Mostra também que estamos aptos a levar a Europa para um mundo melhor.

É por isto que vamos redobrar os esforços para expandir a nossa Agenda Progressista para a Europa – e pedimos por isso as vossas contribuições.

Como podes ver pelo nosso novo site, estamos no caminho certo para concluir todos os documentos dos pilares até ao Outono deste ano.
Em Abril, lançamos oficialmente o nosso  Pilar do Trabalho – coordenado pelo Jacques Terrenoire – que vai entregar o nosso primeiro Green Paper até ao final de Junho.

É uma semana preenchida!

Os outros pilares também estão a avançar. Estamos a avançar com o paper da Constituição Europeia e com o trabalho sobre Tecnologia e a Internet das Pessoas. Vamos manter-te a par de todos os desenvolvimentos, por isso mantenham-se atentos.

Nos próximos meses vamos agrupar as nossas políticas num programa político para a nossa lista transnacional – a Primavera Europeia. Juntamente com os nossos parceiros estamos a construir uma plataforma para encaminhar a ala eleitoral do DiEM25 para as eleições parlamentares de Maio de 2019. Em Junho teremos um rascunho que enviaremos para todos membros para poder ser consultado.

Apesar de estarmos muito contentes com o nosso progresso na nossa plataforma, não podemos cumprir o nosso trabalho sem as vossas ideias, contribuições e comentários. Portanto por favor entrem na discussão  dos processos de desenvolvimento político e façam parte da Agenda Progressiva que vai tornar a Europa muito melhor!

Carpe DiEM!

Paola Pietrandrea e David Adler da Coordenação do Conteúdo Político

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Estamos a caminho da autodestruição | Mohamed El Baradei in “Notícias ao Minuto”

O diplomata egípcio Mohamed El Baradei, ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), alertou hoje para o facto de, com o tipo de armamento que existe, mais tarde ou mais cedo, o mundo vai “autodestruir-se”.

Mais tarde ou mais cedo, intencionalmente, por engano ou acidentalmente, vamos autodestruirmo-nos”, afirmou à agência Lusa, em Cascais, arredores de Lisboa, o Prémio Nobel da Paz de 2005, em conjunto com a AIEA, e antigo vice-presidente do Egito (2013), que participa nos trabalhos da Horasis Global Meeting.

À Lusa, El Baradei saudou o acordo entre as duas Coreias e criticou implicitamente as declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu, sobre o Irão — disse ter provas de que Teerão nunca abandonou o programa nuclear -, salientando que, se há novas informações, devem ser partilhadas, antes de anunciadas publicamente, com a entidade fiscalizadora, precisamente a AIEA.

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LIVROS | OS NOVOS | por Isabel Rio Novo | Mário Cláudio

Uma literatura é tanto mais rica, parece-me, quanto houver homens e mulheres de todas as idades e gerações a escreverem e a publicarem. Fico contente com os novos livros de novos autores, ou de autores novos (sobre os quais costumam recair as perguntas que me fazem durante as entrevistas), mas confesso que também fico contente por escritores que já nada têm a provar, como Mário CláudioJoão de Melo, Luísa Costa Gomes, António Lobo Antunes ou Mário de Carvalho, continuarem a manter um ritmo de publicação assinalável e a oferecer-nos livros extraordinários. No caso de Mário Cláudio e João de Melo (não conheço tão bem os outros), temos, além do mais, dois escritores generosos, que se interessam por acompanhar e encorajar a literatura que os mais novos produzem.
Aceitem, pois, a minha mais recente sugestão de leitura. O livro mais novo de um grande escritor.

Isabel Rio Novo

Retirado do Facebook | Mural de Isabel Rio Novo