Deus de Spinoza | ALBERT EINSTEIN

Sobre Deus, Einstein chegou a se definir como agnóstico em carta de 1950 a Morton Berkowitz. Ele já tinha afirmado anteriormente que acreditava no “Deus de Spinoza”, em referência ao filósofo holandês Baruch Spinoza:

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela num mundo regrado e harmonioso, não em um Deus que se preocupa com o destino e os afazeres da humanidade”, afirmou ele em um telegrama ao rabino Herbert S. Goldestein, publicado pelo jornal americano “New York Times” em 1929 (segundo o livro “The Ultimate Quotable Einstein”).

Com essa declaração, Einstein afirmava a visão que repetiu diversas vezes durante a vida: que tinha mais simpatia por um Deus presente em todos os lugares e que fosse responsável pelas leis do universo num sentido científico, que por uma entidade personificada e preocupada com problemas individuais:

“Não posso imaginar um Deus pessoal que influencia diretamente a ação das pessoas… Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração do espírito infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos de nosso próprio mundo. A profunda convicção na presença de um poder superior, que aparece no universo incompreensível, forma minha ideia de Deus”, disse Einstein em carta de 1927, publicada em seu obituário no “Times”, em 1955.

Normalmente utilizada incorretamente para afirmar uma suposta religiosidade de Einstein, a frase escrita para Born sobre Deus “não jogar dados com o universo” se insere melhor na perspectiva panteísta de religião do físico. Na ocasião, Einstein questionava o princípio da incerteza de Heisemberg, utilizada na física quântica, segundo o qual não é possível determinar a localização e a velocidade exata de partículas, destacando a aleatoriedade dos eventos. Einstein não concordava com esse nível de imprecisão e usou a frase para corroborar sua visão.

Em todo caso, Einstein considerava o assunto complexo demais para as mentes humanas, como disse em entrevista em 1929, ainda segundo o “The Ultimate Quotable Einstein”:

“Não sou ateu. Não sei se posso me definir como panteísta. O problema envolvido é muito vasto para nossas mentes”.

 NOTA: Pandeísmo é uma corrente filosófica que surgiu da mistura do panteísmo com o deísmo. Panteísmo é a crença de que tudo compõe um Deus abrangente e imanente, ou que o Universo (ou Natureza) é idêntica à divindade. Panteístas e pandeístas, assim, não acreditam em um deus pessoal ou antropomórfico.

Lettre d’Albert Einstein au philosophe Eric Gutkind, 1954 | in “The Dissident”

alberteinstein-620x400Régulièrement, Pollens vous propose la lecture d’un extrait d’œuvre d’un philosophe, d’un intellectuel, d’un poète, d’un écrivain, d’un artiste ou d’un citoyen engagé dont la portée nous parait essentielle à (re)découvrir. Ici, une lettre d’Albert Einstein dans laquelle il expose ses réflexions relative à l’existence de Dieu et l’interprétation des textes sacrés.

Janvier 1954

Cher Mr Gutkind,

Poussé par les suggestions répétées de Brouwer, j’ai bien lu votre livre et je vous remercie beaucoup de me l’avoir prêté. J’ai été frappé par ceci : nous avons beaucoup en commun dans notre approche factuelle de l’existence et de la communauté humaine. Notamment, votre idéal personnel selon laquelle les désirs égoïstes luttent pour la liberté et rendre la vie « belle et noble, avec une emphase sur l’élément purement humain ». C’est ceci qui nous unit dans une « attitude non-américaine ».

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Lettre d’Albert Einstein à Django Reinhardt

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15 Septembre 1946

Cher Monsieur Reinhardt,

En Juillet dernier, je fus convié à participer à New York à un colloque sur la paix dans le monde. Le soir venu, avec quelques amis, nous nous sommes rendus au Café Society à Greenwich village afin d’assister au concert donné par Duke Ellington, car on nous avait informé que vous étiez maintenant membre de son orchestre et telle ne fut pas notre surprise de constater votre absence. À la fin du concert, j’allais féliciter Monsieur Ellington pour sa prestation pianistique et la grande qualité de son orchestre.

Il nous présenta la très chaleureuse Rosetta Tharpe qui assurait la première partie de la soirée. C’est une femme très douée, pourvue de grandes qualités morales s’accompagnant d’une étrange guitare, possédant en son centre une espèce de couvercle de métal vibrant engendrant un son envoûtant correspondant parfaitement à son répertoire au caractère très spirituel.

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