Rodrigo Sousa e Castro | “O PREC é filho da direita, não é filho da esquerda”

RodrigoA via social-democrata é esmagada por Spínola no 11 de Março, defende o coronel Rodrigo Sousa e Castro

Rodrigo Sousa e Castro nasceu numa família “remediada” e em vez do seminário, um destino possível naquele tempo, escolheu a Academia Militar. Ainda fez admissão à Faculdade, mas não tinha dinheiro. Mais tarde, já envolvido com o movimento dos capitães, frequentará o Instituto Superior de Economia. Sousa e Castro desfaz dois D da revolução de Abril, nomeadamente a descolonização que, na sua opinião, não existiu e a democratização que falhará logo por culpa do golpe de Spínola – e entretanto por outras culpas também.

Quando é que começou a perceber que o regime da ditadura não funcionava?

Comecei a perceber que vivíamos numa situação estranha na altura da eleição do general Humberto Delgado. Eu era ainda muito jovem, estava no colégio São Gonçalo de Amarante, mas houve lá já um movimento entre os alunos, frequentávamos uma livraria – o dono era do “reviralho”. O meu pai era ferroviário e entre os ferroviários havia uma grande solidariedade contra o regime. Era um grupo profissional que tinha alguma organização política que julgo que era dominada pelo Partido Comunista. Às vezes passavam panfletos nas estações…

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Fernando Pessoa | COMO ORGANIZAR PORTUGAL

fernando-pessoa-620x340Quando a guerra findou — como se a guerra alguma vez findasse, ou houvesse neste mundo senão guerra! —, quando, enfim, esta guerra de há pouco findou, passou a ser assunto de primeiro plano aquilo, já bastante discutido, a que mais vulgarmente se chamou “os problemas da reconstrução”. A frase é inglesa, e, como participa da nebulosidade mental que caracteriza os ingleses, susceptível de ser mal interpretada. Se o termo diz respeito ao mero restabelecimento das vias normais da vida pacífica, tem cabimento etimológico; se diz respeito à reconstituição das indústrias estagnadas, à reedificação das cidades destruídas, tem cabimento também. A frase porém tem um sentido vulgar arbitrariamente mais lato: quando se diz “reconstruir”, quer, em geral, dizer-se simplesmente “organizar”. E esta ideia de organização não tem origem simplesmente na necessidade de preencher lacunas, que a guerra abrisse, ou de reparar estragos, que os exércitos fizessem. Tem uma, de certo modo, mais vergonhosa origem.

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Há Palavras que Nos Beijam | Alexandre O’Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill  |  “No Reino da Dinamarca”

O balde

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Um agricultor alentejano, já entrado nos anos, tinha uma bela barragem na sua  herdade.

Depois de algum tempo sem ir ao local, decidiu naquele dia ir dar uma olhadela geral para ver se estava tudo em ordem.

Pegou num balde para aproveitar o passeio e trazer fruta do pomar e, ao aproximar-se do lago, ouviu vozes femininas, animadas e divertidas.

Então viu um grupo de jovens a tomar banho no lago, completamente nuas.

Chegou mais perto e com isso, todas elas fugiram para a parte mais funda do lago, deixando apenas a cabeça fora de água.

Uma delas gritou: -Não saímos daqui enquanto o senhor não se for embora.

O alentejano, que não era burro, respondeu: – Calma meninas, eu não vim até aqui para as ver a nadar ou para as ver sair nuas do lago, e levantando o balde, disse:

-Eu só vim dar comida ao crocodilo…

(Idade e experiência sempre triunfarão sobre a juventude e o entusiasmo)

Charles Bukowski | um poema de amor

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todas as mulheres

todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

(Tradução: Jorge Wanderley)

O sussurrador.

Sussurrar ao cavalo como forma de o domar, sem castigo, apenas usando uma forma de comunicação baseada no gesto e nas sensações. A “doma india” estabelece um vínculo de confiança entre o cavalo e o seu tratador, conhecido pelo “Sussurrador”.

 

Os rapazes dos tanques | Carlos Matos Gomes in Facebook

A primeira questão que vos trago: o que esperamos de um livro? O que esperamos de um quadro, de um filme, de uma música, de uma dança, de uma obra de arte, em geral? Eu já tive várias respostas, mas hoje, se me perguntassem responderia o que vou responder depois de ter lido este livro do Adelino Gomes e do Alfredo Cunha: que me emocione.
Julgo que é de emoções de quem viveu estes factos do dia dos prodígios, deste dia limpo e claro, como o classificaram duas grandes escritoras, Lídia Jorge e Sophia de Mello Breyner e de quem os relata que este livro nos transmite e nos provoca.
Os relatos e as fotografias revelam-nos as emoções das personagens. É emoção em estado puro: a propósito dos factos reais, vividos, cada um dos homens atuais que foram os jovens militares deste dia de 25 de abril de 1974 estabelece a verdade das emoções que esses acontecimentos lhe causaram e causam.
Este livro coloca-nos um problema insolúvel e de que nós não gostamos de nos aperceber: vivemos todos num mundo de fantasia. A realidade existiu, mas passa a ser outra quando a relatamos. A questão das reconstruções credíveis, de que fala Adelino Gomes a propósito de um dos personagens, que, para ter vivido o que se lembra de ter vivido nesses momentos dramáticos teria de ser ele e outro, de ter estado em dois lugares ao mesmo tempo, leva-nos às interrogações: Nós somos quem? Fizemos o quê? A que a memória vai dando respostas cada vez mais imaginativas, que não deixam de ser verdade.

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General Garcia dos Santos: “Aguentámos a ditadura tranquilamente” | in Jornal i

Garcia LeandroA guerra colonial: “Liquidámos aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem em alguns casos”

Faz agora 40 anos que Otelo foi pedir a Amadeu Garcia dos Santos para montar o plano de transmissões do golpe de Estado do 25 de Abril. Às três da manhã de dia 25, Garcia dos Santos intercepta uma conversa entre dois ministros sobre a visita nesse dia de Américo Thomaz a Tomar. Um preocupava-se pela falta de segurança, o outro garantia que não se iria passar nada. Mas dois meses antes, o chefe máximo da Pide, Barbieri Cardoso, tinha encontrado Garcia dos Santos numa festa de anos e feito a estranha pergunta: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães, o que é que se passa?” Amadeu respondeu que não sabia de nada, mas hoje está convencido que a Pide suspeitava que algo estava em preparação. No dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso já tinha abandonado o país.

Aqui há uns tempos, disse-nos numa entrevista que Salazar nos moldou a todos e que ainda continua a moldar- -nos de certa maneira. 40 anos depois do fim da ditadura, podemos dizer que existem ainda resquícios a andar por aí?

Tenho uma opinião muito pessoal sobre isso. O Salazar foi uma pessoa que resolvia todos os problemas e que forçava os portugueses a não se preocuparem com nada. E, portanto, os nossos pais não aprenderam a viver em democracia, não souberam ensinar os filhos a viver em democracia e, por sua vez, nós, filhos dos nossos pais, temos dificuldades em ensinar os filhos em viver em democracia. Isto significa que nós, pelo menos durante quatro gerações, não vamos saber viver em democracia. E isso é visível hoje no dia-a-dia.

Diga-me como.

Acha que os nossos actuais políticos são democratas, sabem viver em democracia? Sabem governar o nosso país? Os políticos que temos hoje são uns garotos que nunca fizeram nada na vida, por um lado, e nem sequer sabem o que é a vida com dificuldades. Nós vamos ter dificuldades durante longos anos.

 

Temos problemas económicos graves. Mas acha, de facto, que ainda não nos adaptámos verdadeiramente à democracia?

Não nos adaptámos porque não sabemos viver em democracia. Mas temos um problema ainda mais grave. Os portugueses são excelentes executantes, mas não somos capazes de nos organizar, preparar o futuro, de dirigir. Em termos de características genéricas do povo português, o português não planeia, vive um pouco ao sabor do dia-a-dia. E o país tem esse grande problema. Não temos nenhum projecto de futuro enquanto país. Sabe o que é que o país quer ser? O que é que o país quer fazer? O país não tem um rumo, não sabe aquilo que quer. Depois, temos outro grande problema. Somos incapazes de punir aqueles que fazem asneiras e são responsáveis por essas asneiras. Nós não cortamos cabeças!

O 25 de Abril também não cortou muitas cabeças…

Claro! Na nossa história temos sido sempre assim…

Há o assassinato do rei D. Carlos…

… salvo períodos relativamente escassos. O que quero dizer é que um indivíduo faz uma asneira e perdoamos uma vez, perdoamos segunda vez. É essa a nossa maneira de ser e não pode ser assim. Uma pessoa que comete uma asneira tem de ser castigado. Tem de pagar a responsabilidade de ter cometido essa asneira. E isso leva à irresponsabilidade e ao mau exemplo. E depois dizem: “Se aquele senhor roubou e não lhe aconteceu nada porque é que eu não hei-de roubar também?”

Está a falar dos processos que prescrevem…

De tudo, desde a justiça à vida do dia-a-dia. É o deixa andar. Nós somos assim.

Se pensarmos bem, há 50 anos só uma minoria muito minoritária é que combatia verdadeiramente a ditadura… Temos de reconhecer que a esmagadora maioria combatia nos cafés.

Claro! Lembro-me perfeitamente do meu pai e do grupo de amigos que ele tinha que se reuniam ali numa loja na rua do Ouro e discutiam e criticavam, chamavam todos os nomes possíveis e imaginários ao Salazar e aos seus capangas, etc. Mas, de facto, não faziam nada! Apenas um deles tinha sido preso e tinha o corpo cheio das cicatrizes das vergastadas que tinha levado na Pide. No fundo, somos assim. Falamos muito, mas fazer “tá quieto”.

E acha que é por essa nossa maneira de ser que aguentámos durante tanto tempo a ditadura?

Aguentámos isso tranquilamente. Havia de facto reacções, mas espaçadas no tempo.

Havia o Partido Comunista organizado…

Claro. Mas que grandes acções fizeram, em concreto, no sentido de acabar com a ditadura? Foram muito pequeninas. Infelizmente não somos capazes de nos organizar. E é uma consequência da pesada herança do passado. Os nossos pais não tiveram preparação, nós não tivemos preparação, os nossos filhos vão aprendendo alguma coisa e só daqui a três ou quatro gerações é que isto irá talvez entrar nos carris. Talvez os jovens consigam arranjar uma solução para resolvermos os nossos problemas. Vamos ver. Se calhar já cá não estou para ver.

Quando é que começou a perceber que a ditadura não era um regime aceitável?

Desde muito jovem que ouvia falar do “reviralho”, do pessoal do “reviralho”. Ouvia falar contra o regime, contra o Salazar, defender a eleição do Norton de Matos, do Delgado. Vivi tudo isso muito de perto. Nunca gostei do Salazar. Tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, quando foi das henriquinas [comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique] em 1960. Participei nas comemorações henriquinas, tinha acabado de sair da Escola do Exército. Ainda fiz parte do grupo que, em representação da academia militar, fez parte dessa organização. E um dia esse grupo foi ao Salazar. Digo-lhe que fiquei impressionadíssimo com o olhar daquele homem! Quando ele olhava para as pessoas parecia que nos sentíamos furados! Uma coisa impressionante! Mas digo-lhe uma coisa: quando em 1928 Salazar entrou para o Ministério das Finanças foi de facto um homem extraordinário! Agora, a sua forma de pensar, a pouco e pouco, desactualizou-se. Nomeadamente no problema colonial.

Ele sabia que o colonialismo estava a desaparecer e tinha a obrigação de resolver o problema ou de prever que iríamos atravessar uma situação desse tipo. Era inevitável. Se ele tivesse tido essa presciência e tivesse conseguido evitar a guerra colonial nós hoje estaríamos completamente diferentes.

Mas havia a Pide, havia a censura…

Isso é outra coisa. Estou a falar agora da questão colonial e das relações com as antigas ex-colónias. Fiz duas comissões em África. Em Angola de 62 a 64 e na Guiné de 68 a 70, no tempo da ditadura. Depois do 25 de Abril fui à Guiné, a Angola, a Moçambique. Em todos os lados me diziam “vocês venham para cá que a gente precisa de vocês”. Dos portugueses. Ainda hoje temos uma relação com aquela gente completamente diferente de qualquer outro país. E se nós não tivéssemos tido aqueles 13 anos de guerra não teria havido 300 mil homens em guerra, milhares de mortos de um lado e de outro e teríamos uma situação completamente diferente. Salazar nunca quis alterar a relação entre colonizadores e colonizados. Para ele Portugal era do Minho a Timor. E não podia ser assim. Mas nós temos formas de relacionamento com aquela gente como mais ninguém tem. Tive oportunidade de ver isso na guerra colonial: em várias situações verifiquei a fraternidade que existia entre soldados brancos e soldados pretos…

Os soldados do contingente português, claro.

Claro que sim. Mas se calhar os que estavam do outro lado, se não tivesse havido guerra, poderiam conviver connosco da mesma maneira.

A descolonização deveria ter sido feita mais cedo.

Evidentemente, mas de uma forma pacífica. E estaríamos hoje a conviver com aqueles países de uma forma completamente diferente. Se calhar estamos a caminhar para aí, mas só trinta ou quarenta anos depois e com custos muito elevados.

Só agora, 40 anos depois, se está a começar a falar mais abertamente dos massacres da guerra colonial, dos crimes cometidos pelas tropas portuguesas.

Com certeza. Houve crimes cometidos por nós e crimes cometidos por eles. Eles na defesa dos seus territórios e das suas nações e nós liquidando aquela gente de uma forma absolutamente desumana e selvagem, em alguns casos. Vou contar–lhe uma cena a que assisti na Guiné. Fui uma vez a um quartel no mato e havia uma cova enorme que estava cheia de cadáveres dos chamados terroristas e os soldados portugueses à volta. E às tantas percebeu-se que um dos cadáveres não era cadáver. Ainda estava vivo. E alguém disse: “eh pá aquele ainda mexe!!!!” E depois ta-ta-ta-ta. [imita o ruído de uma metralhadora]. Isto é uma coisa absolutamente selvagem. E resulta da forma como foi instigada no espírito das pessoas a inimizade de uns em relação aos outros.

Demorámos tanto tempo a conseguir falar da guerra porque os homens que fizeram a guerra foram os mesmos que nos deram a democracia?

Talvez. Nós, militares, temos uma certa psicose em falar das coisas que vivemos na vida profissional. Como sabe, é muito raro encontrar-se alguém que conte o que viveu na guerra e não é só na nossa guerra colonial. Quem conta o que se passou na primeira guerra, ou na segunda guerra mundial são 3 ou 4 pessoas ou 10. As pessoas que viveram essas coisas não falam, porque têm os tais stresses de guerra, os traumatismos. A guerra afecta a qualidade do ser humano e a forma como o ser humano encara o relacionamento com os outros. Isso é de tal maneira que muitos dos homens que fizeram a nossa guerra colonial têm problemas de stress de guerra. Imagine um rapazinho com 20 anos. Faz aqui o serviço militar durante seis meses e é metido num barco ou num avião e vai para a guerra… Foram milhares deles assim! Chega lá, se fosse oficial miliciano, alferes, metiam-lhe 30 homens na mão, que era um pelotão. E vai pelo mato fora, para a guerra, um indivíduo que não fazia a mínima ideia do que era isso. Com 30 homens na mão! E ele tinha de responder pela vida ou pela morte desses 30 homens. Está a ver o que isto representa? Estes rapazinhos com 20, 25 anos, eram uns garotos! Isto marca para toda a vida!

Quando entra na conspiração para derrubar a ditadura?

A conspiração começou com os capitães em 73. Eu nessa altura já era mais velho, tinha 38 anos. Os capitães começaram por se mobilizar em torno dos decretos em que os oficiais milicianos faziam cursos de seis meses e eram equiparados aos do quadro que já tinham uma data de anos de serviço. Isso começou a criar reacções muito fortes nesses rapazes que viam o seu futuro perturbado por essas situações. Claro que isto é uma consequência das dificuldades cada vez maiores que as forças armadas portuguesas tinham no recrutamento de pessoal para a guerra colonial. Nós chegámos a ter quase 300 mil homens nos três teatros de operações. Já tínhamos atingido o limite dos limites! Entre o pessoal do quadro permanente, os profissionais, houve alguns que chegaram a fazer quatro e cinco comissões de dois anos cada! Iam dois anos, voltavam, estavam cá uns meses, e voltavam para a guerra! Atingimos uma situação em que a solução era impossível. E daí que os capitães tivessem chegado à conclusão que o problema da guerra colonial só se resolvia pela via política. Tinha de haver qualquer coisa que alterasse a situação e só poderia acontecer se o regime caísse. Quando é que eu entro? Em 73 eu tinha 38 anos, era bastante mais velho do que os outros, era professor na Academia Militar, tinha sido professor de alguns daqueles capitães. E um dia o Fisher Lopes Pires, já falecido, veio perguntar-me se eu estava disposto a aderir ao movimento dos capitães. E eu digo logo “com certeza”. Entrei no final de 73, princípio de 74. Depois aquilo evoluiu, houve o 16 de Março que foi um flop e o Otelo foi encarregado de fazer uma coisa com cabeça, tronco e membros. O 25 de Abril foi uma operação clássica militar.

Um golpe de Estado?

Uma operação clássica militar, como qualquer outra operação em guerra. Nós tivemos as unidades do Exército português mobilizadas de um lado e de outro, do Algarve até ao Minho. Portugal esteve à beira de uma guerra civil. O Otelo é encarregado de fazer o estudo das operações que iriam levar ao 25 de Abril e, como nós nos conhecíamos muito bem, vem ter comigo para planear a parte das transmissões. Não há operação militar nenhuma que funcione capazmente se as transmissões não funcionarem! E funcionaram absolutamente. Eu sou de engenharia, depois fui para transmissões. Nós, nas transmissões militares, temos várias coisas: as transmissões fixas, que fazem as ligações entre os quartéis. Depois, temos as transmissões de campanha, que são aquelas que são utilizadas em operações, com o aparelho às costas no mato ou no terreno. E depois temos outra coisa que se chama guerra electrónica. O que é a guerra electrónica? É um processo que procura obter o mais possível de informações através das transmissões do inimigo. Eu fui especialista dessas três áreas. Montei as ligações permanentes entre Portugal e a Guiné e Cabo Verde. Fiz as transmissões de campanha em Angola. Quando o Otelo me contactou disse “sim, senhor” e montei um esquema. Tinha vivido a minha vida toda a lidar com quartéis e conhecia muita gente. Conhecia o quartel da Graça como as minhas mãos, estive lá 12 anos. Tinha confiança a 100% em alguns deles. Montei então o esquema todo. Fui roubar material ao depósito de transmissões em Linda-a-Velha, arrombei a porta e roubei o material. Montei o esquema na Pontinha e a coisa funcionou. E foi assim.

Portanto, no dia 24 estava a roubar o material…

No dia 24 foi quando montei as coisas todas na Pontinha. Fui para o posto de comando da Pontinha no dia 24 à tarde, montei as antenas e depois vim para casa. E depois voltei para lá a seguir ao toque do Paulo de Carvalho [a canção “E Depois do Adeus”, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa]. Nós tínhamos ligação com vários postos civis e militares. De tal maneira que às 3 da manhã do dia 25 interceptei uma chamada telefónica entre o ministro da Defesa e o ministro do Exército em que diziam que Américo Thomaz no dia seguinte ia a Tomar e saía cedo. Um deles preocupava-se por Thomaz não levar segurança enquanto o outro dizia: “Não há problema nenhum porque isto está tudo tranquilo”. Às três e meia da manhã já tínhamos as unidades todas na rua! E ninguém tinha dado por isso.

Nunca duvidou do sucesso do golpe?

Preparámos tudo de forma a que tivesse sucesso. Mas houve uma altura em que ainda tivemos um aperto de coração. O pior foi a fragata defronte do Terreiro do Paço. Nós sabíamos que a fragata tinha recebido ordens para bombardear as forças do Movimento das Forças Armadas que estavam no Terreiro do Paço. E nós fizemos isto: mandámos para o Cristo-Rei uma bateria de Artilharia e ordenámos que os canhões ficassem apontados para a fragata. E foi transmitido à fragata que se desse um único tiro iria imediatamente ao fundo. Foi o momento mais nervoso que passámos. Não sabíamos como iriam reagir, felizmente reagiram bem. Talvez porque houvesse mais gente na fragata que estava connosco.

Estamos a fazer esta entrevista no dia 16 de Março. Há 40 anos, o general Spínola deu-lhe uma coisa e tentou um golpe que ninguém percebeu muito bem o que era. Quem era o general Spínola, afinal?

O general Spínola era excepcional em termos militares. Era um militar na verdadeira acepção da palavra. Mas tinha ideias velhas, antiquadas. E, por outro lado, era do tipo “quero, posso e mando”. Quando contactámos o Spínola, ele começou logo a dizer “eu é que mando”. E nós “calma aí, não é o senhor que manda, ainda mandamos nós”. Aí as coisas contemporizaram-se, houve a possibilidade de ele perceber que não tinha capacidade de alterar certo tipo de coisas que estavam em curso.

Como é que viviam nesses dias? Chamavam-vos os homens sem sono.

Depois do Otelo me entregar a ordem de operações, para poder montar o plano de transmissões, levei não sei quantos dias a passar aquilo tudo a escrito. Não dormi duas ou três noites seguidas. Não preguei olho. A minha irmã faz anos no dia 23 de Abril. Acabei o anexo de transmissões precisamente no dia 23 de Abril e entreguei ao Otelo. Foi quando ele foi distribuído pelas unidades todas. Nem a minha mulher na altura, nem a minha irmã, ninguém sabia de nada. No dia dos anos da minha irmã, resolvemos ir todos ao cinema, ao São Jorge. Eu cheguei ao São Jorge, apagaram-se as luzes e adormeci. Quando o filme acabou a minha mulher teve de me acordar. Não sei que filme foi, não sei o que era, não faço a mínima ideia.

E o que se passou com a Pide? A Pide mantém-se nas colónias a seguir ao 25 de Abril…

Aí tenho uma coisa para lhe contar. Não vou falar em pessoas, mas eu tinha um relacionamento com alguém muito próximo do Barbieri Cardoso. Eram laços que eu tinha com familiares, não interessa quem eram as pessoas. O Barbieri Cardoso era o responsável máximo da Pide. E dois ou três meses antes, eu fui à festa de anos da filha dele, ali numa moradia em Linda-a-Pastora, e ele estava lá. A certa altura, o senhor chama-me de lado e diz-me: “Ó Amadeu, há para aí umas reuniões de capitães… O que é que se passa?” E eu disse: “Não sei de nada nem nunca ouvi falar”. E eu já estava metido no assunto até ao pescoço! “Mas então se souber de alguma coisa diga, está bem?” “Eu digo, eu digo” (risos). Portanto, a Pide sabia que havia qualquer coisa, só não sabia o que era. Ou se sabia, ele disfarçou, porque queria saber mais coisas. E provavelmente até sabia que eu estava envolvido nisso. Agora, no dia 25 de Abril, Barbieri Cardoso não estava cá! Estava em Paris e não voltou. Ele soube qualquer coisa e foi-se embora. Mas queria dizer-lhe o seguinte: a Pide cá era uma coisa, a Pide em África era outra coisa completamente diferente. E qual era a diferença? A Pide em África era um organismo de informações. Obtinham informações sobre o nosso inimigo e depois davam essas informações ao Exército português. Não andavam à procura dos portugueses contra o regime. Nas antigas colónias, a Pide trabalhava em prol do Exército português e teve uma acção muito importante, porque o Exército não tinha a capacidade para saber coisas que eles tinham.

E isso não contribuiu para ter havido um certo perdão nacional relativamente à Pide? Com os políticos foi a mesma coisa…

Aí voltamos ao que eu comecei por dizer. Nós perdoamos muito. Acabamos por dizer “o gajo no fundo não é mau rapaz, não volta a fazer”. Nós somos assim. Em relação à Pide quase houve uma atitude deste tipo. Em qualquer outro sítio do mundo, com outro tipo de pessoas, se calhar cortavam a cabeça à Pide. Eles tinham feito coisas terríveis. Era natural que houvesse uma vingança sobre esse organismo. É claro que muitos deles cavaram, os mais responsáveis já cá não estavam quando as coisas aconteceram. E hoje em dia o edifício da rua António Maria Cardoso é um prédio de luxo tipo hotel de 5 estrelas (risos).

Por Ana Sá Lopes e foto de Eduardo Martins

http://www.ionline.pt … (FONTE)

 

Helmut Schmidt juge “totalement compréhensible” l’action de Poutine en Crimée

helmut-schmidtL’ancien chancelier allemand Helmut Schmidt a déclaré mercredi qu’il comprend le comportement du président russe Vladimir Poutine dans la péninsule de Crimée.

Dans un entretien avec l’hebdomadaire allemand Die Zeit, Schmidt a qualifié de « totalement compréhensible » la signature de Poutine sur l’annexion de la Crimée à la Russie.

Il a en outre dit qu’ « il doute du fait que cette annexion soit une violation du droit international », comme le disent les Occidentaux.

Il a expliqué que « le droit international a été violé à maintes reprises, dont récemment l’intervention occidentale dans la guerre civile en Libye ».

Pour ce qui est de l’histoire de la Crimée, il a rappelé que « jusqu’au dans les années 90,  l’Occident n’avait aucun doute que la Crimée et l’Ukraine faisaient tous les deux partie de la Russie. Même les historiens ne sont pas tous d’accord sur le fait qu’il y ait une nation ukrainienne ».

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Dia Mundial do Teatro

Dia mundial teatro

Só quando o ritual se separa do religioso e passa a assumir uma vertente autónoma e profana é que podemos falar das primeiras manifestações teatrais propriamente ditas. É então que os figurinos adquirem a sua importância como um dos componentes do espectáculo. Essa importância tem-no entanto, oscilado ao longo dos séculos, numa história marcada por muitos factores, como sejam a evolução do traje e as inovações tecnológicas associadas (matérias-primas; tingimentos; confecção; decoração e acessórios; etc.), a evolução do espaço de representação, os meios financeiros disponíveis para a sua execução e a própria importância que lhes é atribuída relativamente a outros componentes do espectáculo, como por exemplo o texto.

No Dia Mundial do Teatro, a Planeta lança este Manual de Teatro, um compêndio organizado por temas, desenvolvidos a partir de uma contextualização histórica inicial. Uma obra indispensável a quem se interesse por esta arte.

 

O golpe visto da janela de minha casa | Adelto Gonçalves

Livro_Adelto_Gonçalves_BrasilEm 1964, eu tinha 12 anos de idade e assisti ao golpe militar da janela de minha casa. A morada de meus pais era no Largo Teresa Cristina, 27, defronte para o prédio do Sindicato dos Operários Portuários de Santos, localizado à Rua General Câmara, cuja lateral direita dava para a praça. Foi por ali que chegaram os soldados da Polícia Marítima, do comandante Seco, ostensivamente armados. Da janela, vi como alguns daqueles homens de uniforme azul com metralhadoras em punho e longos bastões – que no cais eram mais conhecidos como “pés de mesa” – escalaram o muro dos fundos do sindicato, assumindo posições estratégicas.

            Depois, ouvi o estilhaçar de uma vidraça do edifício do sindicato, talvez rompida por uma granada de efeito moral ou uma pedra. E, então, percebi algumas poucas cabeças que se desenhavam nas vidraças: eram os dirigentes do sindicato acuados, provavelmente à espera de notícias que pudessem vir de Brasília sobre um eventual esquema de resistência ao golpe.

Mais tarde, ainda da janela, pude perceber uma aglomeração na Rua General Câmara com o Largo. Então, tomei coragem e desci à rua e vi quando alguns daqueles homens que estavam acuados na parte de cima do sindicato desceram as escadarias, sob a mira de metralhadoras, e entraram numa espécie de “corredor polonês” aos tapas e pescoções em direção a um caminhão coberto. Entre eles, lembro-me de ter visto Manoel de Almeida, que era o presidente do sindicato, e Rafael Babunovitch, diretor. Com outros diretores e alguns associados solidários, seriam conduzidos para o navio-prisão, que por muitos dias ficaria ancorado em frente ao porto de Santos com sua presença ameaçadora, tal como uma forca na praça principal de uma pequena cidade.

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Os rapazes dos tanques

Viver o 25 de Abril

Os Rapazes dos Tanques, apresenta imagens e testemunhos exclusivos dos homens (oficiais, sargentos e praças) que estiveram frente a frente no Terreiro do Paço e no Carmo, no dia 25 de Abril de 1974. As fotografias de Alfredo Cunha e as entrevistas conduzidas por Adelino Gomes levam a (re)viver aquelas horas e a percebermos as dúvidas, os receios, a ansiedade, a tensão, a esperança, as alegrias vividas por cidadãos que, depois desse dia, regressaram, na maior parte dos casos, ao anonimato. E a conhecer, também, o olhar que esses homens têm sobre o país, quarenta anos depois.

Pela primeira vez, é dada voz a furriéis e cabos que não obedeceram às ordens de fogo do brigadeiro comandante das forças fiéis ao regime – um ato de justiça aos que estando, numa primeira fase, na defesa do regime arriscaram a vida e souberam estar à altura do desafio. Entre eles está o cabo apontador cuja ação Salgueiro Maia considerou decisiva para a vitória das forças revoltosas.

Os Rapazes dos Tanques simboliza em Salgueiro Maia e em todos eles a homenagem que Portugal presta, quarenta anos depois, aos militares que derrubaram a ditadura.

Royal Philharmonic Orchestra | Royal Albert Hall

Royal Philharmonic Orchestra

Looking ahead to Christmas 2014 yet? Well, we are! You can now book tickets for John Rutter’s Christmas Celebration 2014!

Conducted and presented by John Rutter himself and performed by the Royal Philharmonic Orchestra, you can enjoy this festive favourite by singing along to the world’s favourite carols with a 100+ orchestra and choir and by listening to timeless Christmas classics, all in the magnificent surroundings of the Royal Albert Hall.

With 9 months until Christmas (wow!), this magical, winter treat is not to be missed, so get booking!

Book tickets for the matinee (3pm): http://www.royalalberthall.com/tickets/royal-philharmonic-orchestra/john-rutter-christmas-matinee/default.aspx

Book tickets for the evening show (7.30pm): http://www.royalalberthall.com/tickets/royal-philharmonic-orchestra/john-rutter-christmas-evening/default.aspx

Photo from John Rutter’s Christmas Celebration 2013 – credit goes to Nick Rutter.

Citando Ana Luísa Amaral

Sobre a colcha branca, o seu corpo não voava, como podia acontecer em literatura: estava só estendido, em dor. E mesmo assim, em dor, dava-se à carícia.

Do Branco ao Negro – Branco, o conto de Ana Luísa Amaral.

Este belíssimo e pungente conto abre este livro com a cor branca. Todas as demais cores são luz distorcida, sonegada à sua pureza original. O amor vive-se em entrega e não conhece fronteiras entre seres. Uma ilustração de Rita Roquette de Vasconcellos remata com um apontamento gráfico de grande sensibilidades toda a beleza deste conto, captando a tranquilidade de um momento de despedida. A certeza que a vida se aceita como um dom e a saudade dura o tempo exato da memória que se desvanece. O fim também encerra a cor branca.

sobre o livro

Noam Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação dos Media

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

Noam Chomsky

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

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Queda, de Jeff Abbott

Novo thriller do autor é uma corrida pela vida.

Depois de livros como Pânico, Medo e Colisão, chega às livrarias, no dia 25 de março, Queda, o novo thriller de Jeff Abbott, que marca a entrada deste autor bestseller na Porto Editora.

«Sinuoso, repleto de reviravoltas, surpreendente» (USA Today), este é o terceiro livro do autor protagonizado por Sam Capra, agora um ex-agente da CIA que procura viver tranquilamente, mas que entrará numa corrida de cinco dias pela sua vida, num enredo pleno de ação e suspense ininterrupto.

Com já vinte anos de carreira e 13 thrillers publicados, Jeff Abbott tem sido presença assídua nas listas de nomeados para prémios de literatura policial e de suspense: esteve nomeado três vezes para o Mystery Writers of America’s Edgar Allan Poe Award e duas vezes para o Anthony Award, atribuído pela World Mystery Conference.

Para Isabel, de Antonio Tabucchi

Para Isabel

Como definir uma história como esta? À primeira vista poderia parecer um romance fantástico, mas talvez fuja a todas as definições possíveis. Tabucchi deu-lhe um subtítulo: “um mandala”, mas na realidade, segundo critérios ocidentais, trata-se afinal de uma investigação, uma busca que parece conduzida por um Philip Marlowe metafísico.

Mas nesta investigação espasmódica e peregrina, à metafísica vem juntar-se um conceito muito terreno na vida: sabores, lugares, cidades, imagens que estão ligadas ao nosso imaginário, aos nossos sonhos, mas também à nossa experiência quotidiana.

O leitor português reconhece neste livro uma geografia familiar (Lisboa, Barcelos, Cascais e a Arrábida), mas a acção desloca-se também para o Extremo Oriente (Macau), para a Suíça e para a Itália. E esses mesmos lugares surgem-nos então, através do olhar de Antonio Tabucchi, surpreendentemente transfigurados.

Nas livrarias a 25 de Março