Eu já tive namoradas de todas as cores | Francisco Louçã

Há um momento de viragem em qualquer debate sobre racismo, comunidades minoritárias ou culturas diferentes: é quando o último argumento de autoridade é que “eu até tenho amigos pretos”. É no que estamos na defesa do candidato racista do PSD em Loures. Mas já ouvimos essa escapatória muitas vezes, não é verdade?

Voltemos um pouco atrás. Este argumento dos “amigos pretos” não é o primeiro, ele tem de ser poupado para quando for desesperadamente necessário para restabelecer a normalidade do orador, sobretudo se se sentir suspeito de deriva envergonhante. Antes dessa evocação dos amigos fora de portas, veio a substância: os outros, os “pretos”, comportam-se de modo inaceitável ou têm hábitos ou atitudes que contrastam com as “nossas” e portanto devem ser disciplinados.

Continuar a ler

Um virtuoso do racismo | Francisco Louçã in blog “Tudo Menos Economia”

propósito das declarações homofóbicas de Gentil Martins, médico, ou das declarações xenófobas de André Ventura, dirigente e candidato do PSD em Loures, houve quem ensaiasse uma fuga indiscreta com um protesto contra o “politicamente correcto”, uma espécie de censura que intimidaria a liberdade de expressão dos coitadinhos. Aceitar essa discussão admitiria que se trate de um simples problema de linguagem, quando é uma questão de atitude social e de discriminação que fere porque pretende ferir. Lastimo esse nevoeiro, tanto mais que se conhece bem como os termos mobilizam os significados: se hoje ninguém usa a sério uma expressão do tipo “fazer judiarias”, é simplesmente porque sabemos o que foi a perseguição a judeus ao longo de séculos e que culminou nos tempos da nossa perigosa civilização.

A linguagem deste caso só é interessante porque o dirigente do PSD, tendo provocado uma tempestade política, veio reafirmar a sua posição, amparado pelo apoio de Passos Coelho e da chefatura laranja. Ou seja, fez questão de manter as suas palavras e de as realçar com mais boçalidades (desejar que o primeiro-ministro vá de férias para sempre, o que é que isso quer dizer?). Ele, doutorado em Direito e professor universitário, quer fazer-se notar por ser boçal. É o estilo que faz a sua candidatura, é aí que joga o seu destino. Ele quer ser conhecido no país pelo modo Trump.

Continuar a ler

Em Alepo está uma fronteira da humanidade | Francisco Louçã

francisco louca02 - 200Em Alepo, a devastação da cidade lembra outros crimes desta dimensão e talvez por isso suscite estes momentos de emoção: isto é o que já vimos ou de que nos lembramos. Alepo é Faluja, ou os campos palestinianos de Sabra e Chatila, ou Grozni, ou Srebrenica, ou Gaza, ou também Varsóvia ou Guernica, os lugares onde um manto de bombas destroçou a vida das populações, alvos e reféns da guerra mais suja. Mas Alepo é também a nossa contemporânea Mosul, depois da chacina dos Yazidis pelo Daesh e onde os civis continuam aprisionados. Alepo é uma das vergonhas do século XXI e não é única.

Continuar a ler

Fidel e o encanzinamento da direita | Francisco Louçã in jornal “Público”

che_guevara_fidel_castroO problema da direita com Fidel não é a democracia, é flutuarem no tempo ao sabor dos ventos e da vontade de ajustes de contas caseiros.

Fidel Castro | Francisco Louçã in Jornal “Público”

francisco louca02 - 200Com a morte de Fidel Castro, desaparece uma das últimas grandes figuras que marcaram o século XX. Dirigente da única revolução socialista vitoriosa no Ocidente, enfrentou o maior poder da nossa era, o de Washington, e resistiu a invasões e agressões militares, a inúmeras tentativas de assassinato, ao bloqueio permanente e a todas as pressões. Fidel sai da vida como um vencedor.

À frente de um pequeno exército guerrilheiro, de apenas cinco mil homens e mulheres (só tinha sobrevivido uma dúzia quando desembarcaram do Gramna para iniciar a luta), conquistou Havana porque o povo não tolerava mais aquela combinação de ditadura e máfia dos casinos, a subserviência e a miséria que alimentava a corte de Fulgêncio Batista. A revolução cubana tinha essas raízes na esperança de uma vida digna e é por isso que, ao contrário de outros regimes, manteve uma base popular tão expressiva e se tornou um exemplo continental.

Fidel nunca dependeu estritamente de Moscovo: tentou criar a Tricontinental para desenvolver uma acção internacionalista autónoma, desencadeou sem autorização do Kremlin a operação militar para salvar Angola da invasão sul-africana – e venceu o mais poderoso exército de África, contribuindo assim para a futura derrota do apartheid – e prosseguiu uma política latino-americana baseada na estratégia de criação de um ciclo anti-imperialista. Também é certo que, noutros casos, se submeteu a razões de conveniência (Havana, como Moscovo e Pequim, opôs-se à independência de Timor). Em qualquer caso, a sua independência reforçou a posição de Cuba.

Durante estas décadas, Cuba sofreu de tudo: um bloqueio destruidor, uma vinculação económica aos interesses da URSS que lhe impôs a monocultura do açúcar e, depois, uma transição difícil, sem petróleo e sem indústria. Sobreviveu, com grande custo, mas constituindo uma notável excepção na América Latina, com níveis de desenvolvimento distantes de outros países e com resultados notáveis, sobretudo na medicina e educação. Internamente, manteve um regime de partido único, o que se impôs sempre contra a capacidade de expressão popular e de mobilização democrática, mas, ao contrário da história trágica da URSS e da mortandade de comunistas e opositores que foi a marca de Estaline, permitiu e até estimulou formas de diversidade cultural de que são exemplo a publicação dos livros de Leonardo Padura (leu “O Homem que Gostava de Cães” ou os seus romances policiais?) ou o cinema crítico (por exemplo, “Morango e Chocolate”, de Tomas Alea em 1994, no auge do período mais difícil da economia cubana). Foi portanto uma liderança popular e marcante.

Marcelo Rebelo de Sousa, homem de direita, resumiu tudo ao dedicar a sua visita a Cuba ao esforço de conseguir um encontro com Fidel. Agora, terminou esta história que nunca absolve, mas que compreende e que luta pela memória.

Público

Duas ou três coisas que sei sobre a vida | Francisco Louçã

fl(este texto foi publicado a 12 Novembro 2010; reproduzo-o agora pela mesma razão, falar aos amigos e dedicá-lo a quem me ensina toda a vida; a foto é de 1991, com João Salaviza)

Não sei como agradecer as generosas mensagens que me mandaram. Mas lembro-me de algumas coisas que a vida me tem ensinado.

Sei que tenho uma dívida. Estive uns breves dias preso em Caxias com alguns amigos, por causa de um protesto contra a guerra na passagem do ano de 1972. Desses camaradas, um deles, que já morreu, Francisco Pereira de Moura, só o voltei a encontrar muito mais tarde, quando regressei à faculdade. Tinha sido convicto católico conservador, membro da Câmara Corporativa, mas olhou para o seu país e fez frente à ditadura. Foi por isso o primeiro candidato da oposição, foi preso, voltou a ser preso. Foi demitido de professor universitário. Chegou ao 25 de Abril, foi libertado e foi ministro, e saiu quando achou que o seu tempo tinha chegado, para voltar a dedicar-se à sua paixão, o ensino. Ele sabia da dívida que tinha para com o país, o trabalhador explorado, o pobre, a mulher sem direitos, as pessoas sem dignidade. E sabia que essa dívida se paga sempre, de todas as formas. Eu sei que todos temos essa dívida.

Continuar a ler

Afinal a diaba sempre chegou em setembro | Francisco Louçã in “Público”

mariana mortáguaNa falta do Diabo, venha a diaba.

Passos Coelho bem avisou: é em setembro que chega o demo. E, se não chegou, então mais vale apregoá-lo, alguém acreditará. Ou, como mandam os spin doctors, se há um incêndio em minha casa é melhor atear fogo à cidade porque assim ninguém nota – ninguém nota nem as sondagens tristes, nem a sordidez do apadrinhamento por Passos Coelho do livro do Saraiva, nem a dificuldade de ter candidatos autárquicos, nem o desgosto de não ter havido sanções até agora.

Mariana Mortágua tem então mais uma medalha ao peito: conseguiu juntar de novo o PSD e o CDS, o que não estava nada fácil. Conferência de imprensa conjunta, vociferação, ataque pessoal, tudo como seria de esperar. Afinal, uma pequena taxa sobre os patrimónios imobiliários de mais de um milhão de euros é “ilegal, imoral e inconstitucional”, isto dito pelos ex-governantes que impuseram sem eficácia um imposto de selo de 1% sobre os patrimónios imobiliários de mais de um milhão de euros. Vê-los portanto rasgarem as vestes, porque o investimento vai morrer, porque os franceses se vão embora, porque os Vistos Gold já ninguém os quer, porque os poupadinhos vão ficar prejudicados, porque as heranças serão devastadas, tudo seria comovente se tivesse sentido. Pois que não, como é que se viu, uma deputada discutir soluções fiscais, então não é que ela tomou de assalto o Terreiro do Paço, oh da guarda?

Continuar a ler

Silly Season 3: Os combates nevróticos contra o burquini | Francisco Louçã in “Público”

burkini foi proibido por várias câmaras municipais francesas, o tribunal interditou a proibição, os presidentes das câmaras insistem. Esta tragicomédia lembra o que Sartre escreveu no seu prefácio aos Damnés de la Terre: “A França, outrora, foi um grande país, tenhamos em atenção que não se torne em 1961 o nome de uma nevrose”. Foi há mais de cinquenta anos. Mas, mesmo agora, será só uma nevrose?

Parece que não, é também uma política. Valls, primeiro-ministro socialista, bem como Sarkozy, ex-presidente e candidato presidencial, precipitaram-se no apoio à extrema-direita francesa nesta proibição. Parece que, para esta gente, o fato de banho em causa lembra que aquelas mulheres são muçulmanas, e esta religião suscita comoção pública e ameaça à ordem – pelo menos no caso pessoal desses políticos.

burk-1Alguns jornais e revistas lembraram que um fato de banho deste tipo é usado por funcionários públicos na Austrália, que as mulheres judias ortodoxas usam um parecido (na imagem ao lado), ou que há uns anos em Portugal era imposto por lei que os homens cobrissem grande parte do corpo e as mulheres mais ainda, ou que as convenções e roupas mudaram ao longo dos tempos de acordo com costumes e histórias. A moda pode aliás recuperar o que tinha sido abandonado, como se verifica no anúncio que reproduzo ao lado: seria esta mulher acusada de ser uma muçulmana perigosa e obrigada pela polícia a despir-se numa praia de França? Alegar que há um padrão de roupa que é ilegalizável parece portanto um absurdo.

burk-2O argumento sobre a religião muçulmana é ainda mais grotesco porque se resume a isto: incomoda que aquelas mulheres pareçam ser o que são, muçulmanas. Um jornal francês lembrava que, em setembro de 1933, houve um jornalista que criticou os judeus a propósito da tomada do poder por Hitler na Alemanha: “É evidente que faltou prudência aos Judeus. Fizeram-se notar demasiado”. Alguns usavam kippahs na cabeça e, no caso dos judeus ortodoxos, um padrão de roupas que era identificável nas ruas (e o dos funcionários da City de Londres não é identificável nas ruas, e podem ser bem perigosos?). Fizeram-se notar e veio o nazismo obrigá-los a usarem uma estrela amarela, por via das dúvidas.

Nevrose, então? Uma política enlouquecida, correndo atrás de pretextos, ansiosa por marcar novas discriminações? Uma sociedade angustiada por fronteiras, por demarcar objectos e pessoas que possam ser detestados? Talvez seja simplesmente e somente mais um desses episódios das pequenas lutas de luz e sombra em que se testa a nossa cultura e em que se dão passos em frente ou para trás no respeito pelos outros e na conformação das nossas comunidades.

O debate sobre a legalidade do burkini é simplesmente um sintoma da profunda desorientação em França. A bússola avariou-se e isso terá sempre consequências mais surpreendentes e porventura chocantes.

Francisco Louçã in Jornal Público

Crime é crime | Francisco Louçã | in blog NOTÍCIAS DO BLOQUEIO

francisco-louca - 150Francisco Louçã, respondendo a João Miguel Tavares, no “Público”, acaba por sublinhar aspectos muito importantes do que é uma certa crónica judiciária, de que os jornais e muitos jornalistas se tornaram arautos, funcionando um pouco como tribunal de conveniência para os assuntos da corrupção. No artigo de Louçã, clarifica-se esta problemática, que tem posto por aí as ideias em estado de sítio, quando, na parte final, afirma: “Portanto, se Tavares deixasse de lado os ódios pessoais que tão mal o colocam, seria um tudo nada mais sensato e discutiria política, banca e outras malfeitorias sem ter que gritar contra toda a gente de que não gosta que “é corrupto”. Ora, não há “corrupção de esquerda e corrupção de direita”, porque crime é crime. Até lhe digo mais, caro Tavares, para o aliviar da sua angústia: eu só ponho as mãos no fogo por pessoas que conheço muito bem. O que conheço do PT, ao contrário, é o Mensalão, que condeno, ou a compra de favores, que detesto, e espero que todos os responsáveis respondam perante a justiça. Mas é perante a justiça, entende, Tavares? Não é perante juiz que faz parte do partido oposto, ou perante sentença transitada em julgado nos editoriais do Globo, porque isso seria o mesmo que entregar a presidência do nosso Supremo Tribunal de Justiça a um Octávio Ribeiro. E para isso não conta comigo”.

Continuar a ler aqui: NOTÍCIAS DO BLOQUEIO

Um imbróglio em Lisboa | Francisco Louçã in “Público”

francisco louca02 - 200Quem se lembrou de uma coisa destas? Admitamos que o seminário “luso-brasileiro” que vai decorrer na Faculdade de Direito de Lisboa já estava programado antes da crise desencadeada pela golpaça político-judicial em curso no Brasil. Se assim for, há uma questão a que falta responder: como é que se lembraram de marcar um seminário sobre o futuro constitucional do Brasil (e de Portugal, olha só) para o 52º aniversário do golpe que derrubou um presidente eleito e instaurou uma ditadura militar? Como não há coincidências na vida, ou fugiu o pé para o chinelo ou é uma declaração de guerra com um atlântico pelo meio. Presumo que seja o chinelo.

Também não lembraria a ninguém que o vice-presidente brasileiro, e primeiro potencial beneficiário da eventual deposição de Dilma Roussef, escolha sair do país por uns dias precisamente quando o seu partido, o PMDB, tomará a decisão de sair do governo e se juntar aos parlamentares derrubistas. Mas é isso que anuncia o programa do evento. Pior, acrescenta outros pesos-pesados da direita, estes do PSDB, José Serra e Aécio Neves, sendo que o primeiro não estava previsto no programa original. O que os levaria a levantar voo do Brasil para se limitarem a conspirar por telefone?

CONTINUAÇÃO AQUI: TUDO MENOS ECONOMIA – PÚBLICO

O “quando” do “colapso” europeu | Francisco Louçã in “Público”

francisco loucaHá dias discuti aqui o “se” do que Assis chamou, também no PÚBLICO, de “colapso” europeu (ele referia-se ao “colapso moral” se for aprovado esta semana o acordo com a Turquia). Agora refiro-me ao “quando” de um outro colapso, o do sistema financeiro, onde se acumulam riscos vários importantes. O risco é tão evidente que o governador do BCE não fala de outra coisa.

Esse perigo tem duas facetas: deflação e estagnação. O risco de queda sucessiva da procura, em particular do investimento (esse é o primeiro efeito da deflação), mas também dos salários e pensões e portanto do consumo, conduz à redução das perspectivas de recuperação económica. É o que se está a passar nas principais locomotivas europeias que aterraram na estagnação, depois de um longuíssimo período de recessão (ou de duas recessões seguidas) em que se manteve sempre um nível elevado de desemprego. O desespero de Draghi é por isso compreensível: ele sabe que reduzir as taxas de juro tem resultados insignificantes, que a política de dinheiro barato já não tem impacto, e pede aos governos que façam o que ele não pode fazer, que aumentem a despesa … mas os governos não podem usar políticas expansivas por causa das regras orçamentais, que entre outros são drasticamente impostas pelo próprio BCE. É o círculo vicioso perfeito.

Continuar a ler

A biblioteca de Eco e os cinco minutos de jazz | Francisco Louçã in Blog “Tudo Menos Economia”

francisco louca02 - 200As evocações homenegeatórias a Umberto Eco destacaram o filósofo que devolveu a curiosidade à filosofia, o escritor que se divertiu com os seus romances (havia nele um Salgari que nunca escondeu e que norteou a sua busca das terras incógnitas) e o homem cívico que compreendeu que a força de Berlusconi era só a nossa fraqueza, nossa, dos cidadãos desprotegidos perante o tumulto comunicacional e a perda de identidades que a pós-moderna cosmologia impõe. A vertigem do efémero era o ódio de Eco, como se pode compreendê-lo. Eco, como, entre nós, Eduardo Lourenço ou João Martins Pereira, ou Augusto Abelaira, ou Urbano Tavares Rodrigues, era o Montaigne de um tempo novo que ainda brande a modernidade contra o culto do flash, da cosmética e do pronto-a-vestir que dá conforto às transumâncias ideológicas.

Por isso mesmo, a biblioteca era a sua vida. Mas não qualquer biblioteca. Sem labirintos, como a do Nome da Rosa, embora talvez com esconderijos, porque os há sempre, uma biblioteca pessoal não deve ter mais de trinta mil livros, dizia Eco para si mesmo. É muito livro, não sei se ele os pensava poder ler todos, mais os que lá não estão e passam por nós. Na verdade, ler esses livros não é a medida de um bibliotecário, é simplesmente viver com eles, com o gosto da novidade, com o espírito do coleccionador, com o fascínio das ideias escondidas: quando lemos um bom livro nunca terminamos de o ler.

Continuar a ler

Social democracia sempre | por Francisco Louçã | in Público (Tudo Menos Economia)

francisco louca02 - 200direita portuguesa é um fado triste, para mais cantado com voz vinda do além (ou de fora).

Passos Coelho chama-lhe “social-democracia sempre” na sua esforçada recandidatura à continuidade em que promete renovação. Ora, o nome da candidatura, esta “social democracia sempre”, é uma floresta de enganos. O PSD, está bom de ver, não é um partido social-democrata, é de há muito um partido liberal pragmático que dá muito mais importância à venda da EDP ao capital internacional, mesmo que seja ao Partido Comunista Chinês, e ao corte das pensões, que festeja, do que a qualquer política distributiva, que abomina. Social-democracia não existe em Portugal, talvez excepto num partido meritório que vale 0,7%.

Chamar à aventura de austeridade e de liberalização, que a direita protagonizou, uma “social-democracia sempre” é por isso uma graça. Em homenagem do vício à virtude, Passos Coelho devia chamar-lhe somente pelas iniciais, SDS, pois com o nome PàF a artimanha resultou e é bem melhor que ninguém se lembre de perguntar pela tal da social-democracia.

Continuar a ler

Francisco Louçã | A quadratura do círculo venceu?

francisco louca

Triunfo de António Costa, depois de últimas horas de negociações difíceis, dizem agora alguns jornais (mesmo naqueles onde se escrevia que o Orçamento era uma geringonça e que a Comissão ia varrer esta tropa fandanga à bordoada, como ela sem dúvida merece, acrescentavam). Os corajosos porradistas foram-se desvanecendo à medida que os porta-vozes de Bruxelas iam amenizando o tom, e acabaram mesmo a comunicar altivamente que, “a bem da Pátria”, preferem ficar calados. Bruxelas reserva entretanto – e majestaticamente – a decisão de aceitar o Orçamento que só por regra de abuso institucional é sujeito à sua consideração. Até os juros desceram. Tudo termina como tinha que terminar.

Continuar a ler

Como vivem os donos disto tudo? – Debate

DebatesBURGUESES

O MUNDO É DOS RICOS? | Francisco Louçã e Jorge Costa andam nisto há muito tempo. João Teixeira Lopes também. Os três resolveram dizer-nos como vivem os donos disto tudo e porquê.Escreveram este livro para contar a história. Como acaba assim um Banco como o BES? O mundo tem mesmo que pertencer a meia dúzia de famílias? Sempre foi assim? E não pode ser diferente? Vamos conversar com dois dos autores desta obra: Francisco Louçã e Jorge Costa. Considerem-se convidados. Apareçam. (José Teófilo Duarte)

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, Jornal SemMais e BlogOperatório.

 

Os Burgueses – Francisco Louçã

Os Burgueses

Francisco Louçã, Jorge Costa e João Teixeira Lopes

Quem São. Como Vivem. Como Mandam.

No seguimento de Os Donos de Portugal e Os Donos Angolanos de Portugal, Os Burgueses oferece-nos a caracterização de alguns dos elementos mais marcantes para a hereditariedade da vida da burguesia portuguesa no séc. XX e nos nossos dias, tocando em pontos como o consumo, a educação ou as escolas e explorando a mecânica da pertença e da transmissão da condição de burguês.

Um retrato direto, concreto e muitíssimo bem fundamentado da classe detentora do poder e da influência em Portugal do século XXI.

No portal www.osburgueses.net estão disponíveis documentos, elementos gráficos, bases de dados, resumos dos capítulos e outros materiais deste estudo.

Francisco Louçã | Entrevista com Viriato Teles

contas_08flcProf. universitário, deputado e dirigente do Bloco de Esquerda. Tinha 17 anos em 25 de Abril de 1974 e vivia em Lisboa.
Os amigos gabam-lhe a afabilidade, o sentido de humor, a clareza do discurso, a boa educação. Os adversários vêem nele um político frio e calculista. Mas todos lhe reconhecem a inteligência superior, a competência política, a combatividade. É o único dirigente político a quem os correlegionários tratam pelo diminutivo: o Chico, o camarada que dirige sem precisar de ser secretário-geral ou presidente. Um entre iguais, porém diferente de todos os outros.
O que resta da extrema-esquerda de 74-75 está hoje maioritariamente encaixado nos gavetões do poder de alterne: uns foram ministros, outros esperam vir a ser, e os que optaram por ficar de fora estão regra geral esquecidos e silenciados. Francisco Louçã é um sobrevivente, e é mais do que isso: é também o responsável pelo abanão político que nos últimos anos do século XX evitou o marasmo absoluto em que ameaçava afundar-se a Esquerda portuguesa.

Ler mais:  http://www.viriatoteles.com/net/livros/contas-a-vida/francisco-louca (FONTE)