AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr.

Discute-se ao longo de 50 anos a construção do novo Aeroporto de Lisboa e a última intenção é a Base Aérea N.º 6 do Montijo, situada no Samouco.
É triste que, ao fim de tantos anos, a escolha seja a pior possível, a mais incoerente, a mais prejudicial, a mais insegura e a mais insustentável.

Para não pensarem que eu sou “do contra”, vejamos as vantagens de construir o novo Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete:
1 – O campo de tiro de Alcochete é uma zona plana, rodeada de terrenos agrícolas, com muitas poucas habitações e logo mais segura para os voos e para a população.
2 – Por ser uma zona livre, a construção na envolvente do campo de tiro de Alcochete pode ser condicionada, a fim de evitar o urbanismo não planeado e a insegurança no local.
3 – O campo de Tiro de Alcochete fica logo a seguir à ponte Vasco da Gama, só que em vez de se virar à direita para o Montijo, vira-se à esquerda na direcção de Alcochete e Samora Correia e é muito próximo (a cerca de 10 Km das portagens).
4 – O campo de tiro de Alcochete já tem uma pista de aviação (aproximadamente a meio do campo e transversalmente ao mesmo), o que prova que é o local ideal para levantar voo e aterrar.
5 – O campo de tiro de Alcochete, pela actividade militar no mesmo (tiros e ruído), não tem aves próximo, não são precisas medidas especiais de protecção a aves e as aves não são um risco de segurança grave, se entrarem numa turbina e explodirem um motor do avião.
6 – A construção do Aeroporto no campo de tiro de Alcochete não coloca em risco as dezenas de espécies de aves e mamíferos que habitam e nidificam na zona de Reserva Natural do Estuário do Tejo.
7 – Os acessos ao campo de Tiro de Alcochete não precisam de estradas novas, nem de portagens novas.
8 – Quando foi da opção da Aeroporto na OTA, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) deu como alternativa viável o Aeroporto no campo de Tiro de Alcochete.

Agora vejamos as desvantagens de construir o novo Aeroporto na Base Aérea N.º 6 do Montijo, situada no Samouco:
1 – Devido a variações do vento, qualquer novo aeroporto terá de ter duas pistas, em direcções diferentes (pois os aviões têm de levantar contra o vento) o que coloca em risco de segurança as habitações das populações adjacentes: Samouco, Montijo e Alcochete.
2 – A construção já será junto a uma zona habitada, onde demolir casas, se quisermos diminuir riscos de segurança tem um custo financeiro e social elevado.
3 – A construção do aeroporto na Base Aérea (Samouco) não tem acessos directos: ou se passa a zona da portagem da ponte Vasco da Gama e se acede ao local pelo Montijo, ou por Alcochete, ou será necessário construir novos acessos, com novas portagens, junto do posto de combustível de Alcochete, antes das actuais portagens.
4 – Construir um aeroporto comercial, a partilhar espaço com uma base aérea militar, é uma anedota! Só neste país é que se coloca esta hipótese! Então, vamos criar um espaço público onde qualquer pessoa pode ver levantar voo qualquer avião militar, incluindo voos classificados, que possam ir buscar militares portugueses em perigo?! Estamos a brincar com questões de segurança nacional.
5 – Na zona de Reserva Natural do Estuário do Tejo, para além de o ruído e da poluição afastar as aves e impedir ciclos de migração e de nidificação, os próprios aviões, tripulação e passageiros estão em perigo, pois há muito bandos de aves e se entrarem numa turbina, explodem um motor do avião!
6 – A instabilidade meteorológica, os fenómenos extremos e a provável subida do nível do mar (por causas naturais ou de poluição humana), tornam totalmente desaconselhável fazer um aeroporto numa “península” entre braços do Rio Tejo, quase ao nível do mar. Queremos fazer um aeroporto com elevado risco de inundação?!
7 – Há o risco real de um grande sismo e um eventual novo tsunami, desde 1955, na zona de Lisboa. Se houver um tsunami, as águas que invadirem o Tejo não só inundarão Lisboa, como também a Base Aérea e o novo Aeroporto. Quando estivermos a precisar de um aeroporto, próximo de Lisboa, para apoio humanitário, teremos Lisboa destruída por um sismo e o novo aeroporto inundado e sem condições?!
8 – Quando podíamos tirar partido do estudo das aves e do turismo de estudantes, fotógrafos e cientistas, vamos afectar muito negativamente o habitat das aves da reserva?
9 – A Declaração de Impacto Ambiental menciona 160 medidas de minimização e compensação ambiental, com um custo aproximado de 48 milhões de Euros (fora o próprio aeroporto e os novos acessos). No campo de tiro de Alcochete é muito (mas muito) mais barato!
10 – O ICNB (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade) é contra.
11 – O GEOTA (Grupo de Estudo de Ordenamento do Território e Ambiente) é contra.
12 – A LPN (Liga para a Protecção da Natureza) é contra.
13 – O FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens) é contra.
14 – A SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) é contra.
15 – A associação ambientalista ZERO é contra.
16 – A ONG “A Rocha – Crer, Cuidar e Transformar” é contra.
17 – A Ordem dos Engenheiros é contra.
18 – Os municípios de Moita e Seixal são contra.
19 – O PSD e o BE são contra mudar uma lei nacional, que obriga ao parecer favorável dos municípios, só para fazer o novo Aeroporto no Montijo.
20 – O impacto social dos novos acessos, do trânsito e do ruído, nas populações de Samouco, Montijo e Alcochete será grande e negativo.
21 – É a solução mais cara, que embora possa ser financiada por privados em parte, a outra parte será sempre financiada por nós, cidadãos comuns, com o dinheiro dos nossos impostos.
22 – Qualquer obra deve ter um estudo de viabilidade económica de 40 anos, para recuperar o valor investido e considerando todas as despesas de conservação e manutenção. Numa zona com risco de inundação e exposta à intempérie (em vez do campo de Tiro de Alcochete, que está num vale resguardado e plano), quais serão esses custos? Quem paga as facturas dos próximos anos?

Na minha humilde opinião e sem ter qualquer cor política, afirmo que construir o novo Aeroporto na Base Aérea N.º 6 do Montijo é uma estupidez e um erro que pode sair muito caro.
Ainda iremos pagar multas às organizações internacionais de conservação na Natureza!

Será que por o Estado e a ANA terem feito um acordo de investimento de 1,15 mil milhões de Euros, vamos fazer obras contra tudo o que é razoável e sensato?!
Neste país há bons técnicos, ou há políticos que fazem obras a empurrar com “a barriga para a frente”?!
A troco de dinheiro fácil, arruinamos o futuro como sempre?!
Que tanta falta fazem homens de visão como o Marquês de Pombal…

4 de Março de 2020
Mário Baleizão Jr

Retirado do Facebook | Mural de Mário Baleizão Jr e ENGENHEIROS CIVIS

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