O homem é um ser perverso | Carlos Vale Ferraz

Texto- síntese da comunicação de Carlos Vale Ferraz para a Sessão “Palavra de Escritor” do Grupo 3 de Oeiras da Amnistia Internacional – Biblioteca Operária Oeirense, 30 Março 2017
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No dia 30 de Março falei na seção de Oeiras da Amnistia Internacional. Escolhi o tema da perversidade do homem, que estas dignas organizações tentam minimizar. Deixo aqui alguns tópicos, um pouco à laia de informação sobre o inimigo que enfrentam.
«O homem é um gorila lúbrico e feroz» escreveu Hipólito Taine, um positivista francês do século XIX, que tentava compreender o homem à luz de três fatores determinantes, o meio ambiente, raça e momento histórico. À luz destes factores não temos motivos para nos congratularmos com a evolução da nossa espécie. Utilizei esta citação no meu primeiro romance «Nó Cego». No romance que irá sair em Setembro/Outubro mantenho-me céptico quanto natureza do homem. Kant considerava os cépticos como nómadas, e como vigilantes da razão. Tenho sido nómada do espírito e procurado ser mais céptico que asséptico. Não ser asséptico é, para mim, não acreditar na bondade do homem, mas que o bem existe e que se opõe ao mal. Estou fora da moda que tudo relativiza. De que o mal é fruto do meio. Nos meus romances responsabilizo as minhas personagens. Não gosto de coitadinhos. Também recuso a leitura das grandes religiões sobre a bondade intrínseca do homem, por ele ter sido criado à semelhança de Deus e Deus não poder ser mau. Pode, como se verifica pelas suas criações. Não estou mal acompanhado. A má opinião sobre a humanidade é antiga. A natureza humana em Platão é degenerada, mas ele considerava que a degeneração podia ser travada através do uso da razão e pela contemplação do Sumo Bem pelo homem. Discordo desta parte. É a inteligência e a razão que tornam o homem um ser perverso.

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A ascensão da nova ignorância | José Pacheco Pereira in “Público”

jpp-200Nada é mais significativo e deprimente do que ver pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel.

Entre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça, tanto mais que o problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas. Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É, repetindo uma fórmula que já usei, como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.

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Lançamento de novo livro de José Adelino Maltez | Do Império por Cumprir

galvaoNão temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial.

Henrique Galvão, em Huíla. Relatório de Governo. 1929, confessa que não temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial. Porque esta falta de uma doutrina colonial resulta em grande parte da ausência de uma Política Colonial, e a falta de uma e outra, eliminam, de entrada, a possibilidade de ideias coloniais práticas e eficientes. Fica sempre tudo à mercê das ideias dos governantes que passam, dado que cada ministro da pasta dispõe de ideia própria para governar as possessões ultramarinas, mas esta não é transmitida aos governadores, uma vez que estes também dispunham de ideias próprias, e o fenómeno vai reproduzindo-se em toda a escala hierárquica até ao mais simples amanuense. Uma situação que permite que tudo seja possível – até bons governos!

Henrique Carlos Mata Galvão (1895-1970).

Participa no golpe dos Fifis (1927). Deportado para Angola.

Governador de Huíla (1929). Organiza a Exposição Colonial Portuguesa no Porto (1934).

Deputado. Diretor da Emissora Nacional (1935). Lança a Exposição Colonial do Mundo Português (1940). Inspetor superior da administração colonial.

Discurso parlamentar (22 de janeiro 1947). Fuga da prisão (1959). Assalto ao paquete Santa Maria e coordenação da operação de desvio de um avião da TAP (1961).

Depoimento na ONU (13 dezembro de 1963).

convite

Brexit, projeto europeu e interesses de Portugal | Pensar Portugal

brexit-2 - 200A decisão do Reino Unido (RU) de abandonar a União Europeia (UE) constitui um acontecimento que irá marcar de forma indelével o futuro do processo de integração europeia e colocar desafios cruciais a Portugal. Propomo-nos centrar a atenção no impacto do BREXIT na UE, referindo-nos ao que pensamos poderá vir a ser uma das respostas mais prováveis a essa saída, à posição que Portugal deve assumir face a essa hipótese e a algumas atitudes de curto prazo.

 

BREXIT, circunstâncias em que ocorre e consequências para a UE

 

O referendo do RU acontece num período em que três crises sucessivas já tinham corroído a confiança e a adesão ao projeto europeu em vários Estados-Membros (EM). Referimo-nos à crise das dívidas soberanas na zona euro, à crise em torno do acordo de associação da Ucrânia à UE e à crise dos refugiados.

 

Todas elas foram desencadeadas depois de 2010, num contexto em que a UE foi das macro-regiões mundiais com menor crescimento na última década, perdendo competitividade e revelando-se incapaz de reduzir significativamente o nível de desemprego, em particular da sua população juvenil, não obstante dispor de um vasto mercado interno, encarado pelos Estados Membros (EM) como condição necessária para crescer na fase de globalização.

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Umberto Eco |14 lições para identificar o neofascismo e o fascismo eterno

umbertoeco-200Intelectual italiano, romancista e filósofo, autor de “O pêndulo de Foucault” e “O Nome da Rosa” morreu em 19 de fevereiro, aos 84 anos; ‘O fascismo eterno ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis’, diz Eco

A Revista Samuel reproduz o texto de Umberto Eco Ur-Fascismo, produzido originalmente para uma conferência proferida na Universidade Columbia, em abril de 1995, numa celebração da liberação da Europa:

‘O Fascismo Eterno’

Em 1942, com a idade de dez anos, ganhei o prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos — o que vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?” Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto.

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Instituto Superior Técnico | Teseu Quântico encontra Minotauro mais rapidamente

mediumImagine que está perdido num labirinto à procura da saída. Ou que é o antigo herói grego Teseu à procura do Minotauro. Será que a utilização de um computador quântico, que pode explorar todos os caminhos em paralelo graças ao princípio da sobreposição quântica, torna mais rápida a forma de encontrar a solução?

A resposta positiva era conhecida apenas para um punhado de labirintos, muito regulares e simétricos. No seu trabalho publicado na prestigiada revista americana Physical Review Letters e destacado como uma sugestão dos editores, Shantanav Chakraborty e Leonardo Novo, dois estudantes do Doctoral Programme in the Physics and Mathematics of Information do Instituto Superior Técnico (Universidade de Lisboa), juntamente com o seu orientador Yasser Omar, descobriram que um passeio quântico por labirintos aleatórios permite encontrar a saída da forma mais rápida possível, mesmo que a estrutura do labirinto seja extremamente desordenada.

Esta descoberta, feita em conjunto com Andris Ambainis, da Universidade de Letónia, é muito surpreendente e que mostra a vantagem quântica em computação é robusta à desordem espacial.

Adicionalmente, os autores estenderam os seus resultados para mostrar que é possível estabelecer comunicação quântica de elevada fidelidade entre dois pontos arbitrários de uma rede aleatória (nomeadamente para realizar a transferência de bit quântico), assim como a geração de entrelaçamento. Este trabalho abre caminho para o desenvolvimento de tarefas de informação quântica que mantêm um desempenho optimal em sistemas altamente desordenados.

Para mais detalhes, consulte o artigo AQUI

A Sociedade do Custo Marginal Zero – Jeremy Rifkin

978-989-25_A Sociedade de Custo Marginal ZeroA Internet das Coisas, a comunidade de bens comuns e o eclipse do capitalismo.

Em A Sociedade do Custo Marginal Zero, Jeremy Rifkin anuncia que um novo sistema económico está a entrar na cena mundial. A emergente Internet das Coisas está a dar origem a uma economia colaborativa, baseada numa comunidade dos bens comuns. Este é o primeiro paradigma económico a enraizar-se desde o advento do capitalismo e do socialismo do início do século XIX. A economia colaborativa está a transformar o modo como organizamos a vida económica, permitindo reduzir drasticamente clivagens salariais, democratizar a economia global e criar uma sociedade mais sustentável em termos ecológicos.

Neste novo e provocador livro, Rifkin explica de que forma a Internet está a fortalecer a produtividade a ponto de o custo marginal (o custo de produção de uma unidade se os custos fixos não forem considerados) de bens e serviços ser quase zero, tornando-os praticamente gratuitos, abundantes e independentes das forças de mercado.

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O Amor está no virtual | Inês Salvador

Ines - 200A gosta da foto de perfil de B
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A gosta de posts B
A gosta da página da empresa onde trabalha B
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A tornou-se amigo D, E, F, H…
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A gosta de posts D
A comenta fotos e posts de D com elogios superlativos e graçolas e (im)pertinências dispensáveis
A foi bloqueado por B
B é agora amigo de C
A repete a receita com E, F, G, H…
A falou no chat com B, C, D, E, F, G, H…
I, J L, M, N sabem quem é A
A arrasta-se no alfabeto virtual da sua não existência.
A morreu de amor virtual.

Retirado sem autorização do Facebook | Mural de Inês Salvador

A Reforma do Parlamento Português, de António José Seguro

PrintO livro de António José Seguro aborda, de forma pioneira e com minúcia de dados, um tema fundamental no funcionamento das democracias de hoje, e da portuguesa especialmente – o do controlo do Governo perante o Parlamento e, consequentemente, o do poder relativo de que as maiorias e minorias (ou da maioria e da oposição) dispõem no hemiciclo.

No presente quadro parlamentar saído das últimas eleições legislativas e, ao mesmo tempo, assinalando os 40 anos da Assembleia da República, este livro de António José Seguro é mais atual do que nunca.

Lançamento no dia 10 de março, às 18h30, no Auditório 2 da Universidade Autónoma de Lisboa. O livro será apresentado por Viriato Soromenho-Marques. A sessão conta com intervenções de André Freire e Manuel Meirinho Martins.

«Muito bem ancorado teoricamente, o trabalho de António José Seguro permite demonstrar que a tese sobre o declínio dos parlamentos […] é no mínimo parcial.»
André Freire, Professor Associado com Agregação em Ciência Política do ISCTE-IUL

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A crise da social-democracia | MANUEL LOFF in “Público”

manuel lof - 150A tão discutida crise da social-democracia (SD) – não, não estou a falar da que Passos Coelho redescobriu há dias… – observa-se hoje, a partir de Portugal, com uma experiência de governo tão original quanto a atual, de forma substancialmente diferente da visão desoladora com que ela emerge à escala internacional. Depois da sua viragem ideológica dos anos 80 no sentido de um social-liberalismo (liberal na economia e nos costumes, social na preservação de políticas de redistribuição desde que não ponham em causa a recomposição do capitalismo internacional em nome da competitividade), a SD perdeu uma grande parte da sua capacidade de representação política, sobretudo entre os que dependem de um salário e os setores sociais que, avessos a mudanças estruturais do capitalismo, não deixam de acreditar na função reguladora das políticas sociais.

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APELO AOS AMIGOS DO EPHEMERA | José Pacheco Pereira

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Neste momento, o ritmo das ofertas e das aquisições semanais subiu muito, e tem havido um crescente número de voluntários para trabalhar no ARQUIVO / BIBLIOTECA. Torna-se necessário uma espécie de entreposto em Lisboa, onde se possa recolher material, dar-lhe um primeiro tratamento e organização e ter um posto de digitalização. Por isso, precisamos da cedência de um espaço que não precisa de ser muito grande, com condições mínimas para que se possa fazer estes trabalhos, ou pro bono, o que seria ideal para não agravar as despesas, ou com uma renda nominal. De nossa parte, podíamos fazer pequenas obras de manutenção, garantir os gastos de electricidade e água e cuidar da segurança do espaço. Há por toda a cidade espaços vazios, lojas e pequenos apartamentos vagos, que podem servir para este objectivo,. A acessibilidade é também importante. O período da cedência seria de cerca de dois anos.

Obrigado.

Choque Climático – Gernot Wagner e Martin L. Weitzman

978-972-25-3131-3_Choque ClimaticoSe tivesse 10% de hipóteses de ter um acidente de automóvel fatal, não tomaria as precauções necessárias para que tal não acontecesse? Se as suas finanças tivessem 10% de hipóteses de sofrer uma perda severa, não reavaliaria as suas contas? Então, se sabemos que o mundo está a aquecer e que existem 10% de hipóteses de isso provocar uma catástrofe, por que motivo não são imediatamente alteradas as leis ambientais?

Partindo de material e trabalhos que não estão, habitualmente, ao alcance do grande público, Gernot Wagner e Martin Weitzman exploram, de modo claro e lúcido, as eventuais repercussões de um planeta mais quente. Aquilo que sabemos sobre o aquecimento global é já de si alarmante; aquilo que ainda não sabemos sobre os riscos extremos que corremos pode ser ainda pior.

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«SEXALESCENTES»

actriz

Se estivermos atentos, podemos notar que está a surgir uma nova faixa social, a das pessoas que estão em torno dos sessenta/setenta anos de idade, os sexalescentes – é a geração que rejeita a palavra “sexagenário”, porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica – parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.

Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta/setenta, teve uma vida razoavelmente satisfatória.

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Derrota ideológica e vitória política | José Pacheco Pereira in “Público” de 16-01-2016

jpachecopereiraUma coisa a esquerda deve compreender com toda a clareza: a direita venceu a batalha ideológica nos últimos anos. Mais: essa vitória tem profundas repercussões nos anos futuros e molda a opinião pública. É uma vitória muito perigosa e pegajosa, porque se coloca no terreno daquilo que os sociólogos chamam “background assumptions”, molda o nosso pensamento sem trazer assinatura, parece a “realidade” quando é uma construção ideológica. No entanto, convém não confundir duas coisas distintas, a ideologia e política. E a direita perdeu a batalha política, o que ajuda a ocultar a sua vitória ideológica. O problema é que a solidez da vitória ideológica é maior do que a solidez da vitória política.

Para começar, obrigou-me a contragosto a ter que retomar uma linguagem esquerda-direita, que de há muito penso estar ultrapassada e ter mais equívocos do que vantagens. Sim, já sei, conheço a frase de Alain sobre que quem pensa que não é de esquerda nem de direita é de direita, mas hoje a frase oculta mais do que revela.

Considero este retorno a um quadro de dualidades, que só pode ser usado numa perspectiva histórica ou sentimental, um dos estragos mais recentes sobre possibilidade de se sair de uma política do passado. Pode servir para dar identidade, mas explica cada vez menos o que se passa. Um exemplo, é a crítica ao consumismo oriunda da esquerda que preparou o terreno e encaixou perfeitamente na crítica da direita ao “viver acima das suas posses”, em ambos os casos centrando-se na culpabilização dos consumos típicos da classe média. Mais do que de esquerda e direita, estas posições são socialmente reaccionárias.

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Lusofobia | Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias

Viriato-Soromenho-MarquesLula da Silva escolheu a Espanha para reativar um dos tiques culturais de alguma elite brasileira contra o colonizador português. Culpou Portugal pelo facto de a primeira universidade brasileira ter sido fundada apenas em 1922. Para além de ignorar as iniciativas lusas em matéria de ensino superior, em 1792, no Rio de Janeiro (Ciências Militares), e em 1808, na Bahia (Medicina), Lula fez cair para cima da herança lusa um século de independência brasileira (1822-1922). Como Pedro Calafate tem escrito, a procura de um paradigma não português para inspiração cultural alternativa atravessa todo o século XIX do país irmão. Não só o positivismo francês, imortalizado na bandeira nacional adotada em 1889, como um germanismo mítico, com Tobias Barreto, ou um indigenismo romântico em Gonçalves de Magalhães e Oswald de Andrade (tupi or not to be…). Contudo, Lula ignora os grandes vultos contemporâneos da Academia brasileira. Não só o luso tropicalismo de Gilberto Freyre, como os trabalhos monumentais de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Darcy Ribeiro. Lula ignora que em 1815 o Brasil ganhou o estatuto de reino. E que a história de Pedro I, imperador do Brasil, que foi também Pedro IV de Portugal, é uma singularidade irrepetível na história universal. Ignora que a Universidade de Coimbra (depois do fecho da de Évora) foi a única para todo um império pobre. Contudo, foi esse espírito coimbrão, que unia a elite brasileira, coeva de José Bonifácio, aliado à sábia estrutura administrativa portuguesa, que garantiu – em contraste com a total fragmentação da América Espanhola – a unidade do Brasil. Os pobres portugueses asseguraram a integridade desse chão que fará do Brasil uma das grandes potências mundiais do século XXI. Basta que o seu grande povo escolha líderes capazes de cultivar a história, em vez de a tratarem com os pés.

Fonte: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/viriato-soromenho-marques/interior/lusofobia-4957487.html

Homenagem a André Carneiro | Itaú Cultural‏

O poeta arrudA e o músico Peri Pane conduzem o espetáculo Confissões do Inexplicável, uma homenagem-performance a André Carneiro, morto em outubro de 2014 e considerado um dos grandes autores de ficção científica do Brasil. Os convidados Luiz Bras, Eunice Arruda, Carlos Rosa, Ava Rocha, Elisa Band e Joana Egypto celebram a obra do autor com leituras de textos, música, dança e VJing.

Com curadoria de Marcelino Freire, o AuTORES EM CENA transforma escritores em atores. Em vez de leituras, o evento propõe espetáculos teatrais baseados nos textos dos autores.

Apresentação gravada no programa AuTORES EM CENA em 19 de junho de 2015, no Itaú Cultural, em São Paulo/SP.

Palácio da Fazenda, um tesouro arquitetônico | Rio de Janeiro | Adelto Gonçalves

                              Convite Lancamento Tesouro (2)

    I

A história do Palácio da Fazenda, construção de 1943 que se destaca na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, é o que contam os arquitetos, professores e pesquisadores Helio Brasil e Nireu Cavalcanti em Tesouro (O Palácio da Fazenda, da Era Vargas aos 450 anos do Rio de Janeiro), edição comemorativa e fora do comércio, publicada com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e o apoio das empresas Carvalho Hosken Engenharia, Petróleos Ipiranga, Lopes Machado/BKR Auditores e Top Down Sistemas.

Construído para abrigar o Ministério da Fazenda, o antigo Tesouro da época do Império e Real Erário do tempo colonial, o vetusto prédio tem sido palco de acontecimentos de relevância na história do País e até hoje é o local preferido para despachos ou encontros promovidos pelo ministro da Fazenda, a despeito da transferência do órgão para Brasília quando da inauguração da atual Capital da República.

Considerado patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, o prédio, projeto do arquiteto Luiz de Moura (1909-?), apresenta uma entrada principal baseada na arquitetura de um templo grego, ocupando uma quadra inteira de 9.360 metros quadrados de terreno e 14 pavimentos de altura. A construção abrange uma área privilegiada na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro da cidade do Rio de Janeiro, destacando-se na paisagem como uma das mais significativas representações do estilo neoclássico, tendo sido seu conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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O riso, o sexo e os palavrões | HUGO GONÇALVES | DN 22-08-2015

Hugo GoncalvesPorque estou a traduzir o romance American Psycho, de Bret Easton Ellis, voltei a pensar em como a língua inglesa tem muito mais palavras do que a nossa para o verbo sorrir – to smile, to grin, to smirk, to simper – e para o verbo rir ou o ato de dar gargalhadas – to laugh, to chukle, to giggle, guffaw, to crack up. Em inglês, estes signos captam diferentes características e gradações. Um sorriso gozão, pretensioso: to smirk. Dar uns risinhos: to giggle. Uma gargalhada forte: guffaw.

De que forma, em Portugal, séculos de Inquisição, de pudor católico, da ideia de transgressão e castigo, e quase meio século de ditadura salazarista – uma polícia política, os bufos, o medo de falar, o “respeitinho é muito bonito” -, podem ter limitado a nossa habilidade de expressar felicidade e humor? Talvez se William Baskerville, protagonista de O Nome da Rosa, usasse o seu engenho neste mistério não se afastasse muito de um dos temas do romance de Umberto Eco: o riso como uma forma subversiva contra o poder. Ou, no nosso caso, a falta dele. Toda a gente faz comédia com Hitler, poucas vezes vi Salazar como protagonista de um sketch ou uma anedota.

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“A corrupção é prática tão antiga quanto o Brasil” | Rivaldo Chinem

Adelto-GoncalvesAutor das biografias dos poetas Gonzaga e Bocage, o pesquisador Adelto Gonçalves desvenda a estrutura judiciária na capitania de São Paulo (1709-1822) em livro que ajuda a entender as relações entre Estado e Justiça e o movimento político que o País vive hoje

                                                                                                           Rivaldo Chinem (*)

Adelto Gonçalves, 63 anos, é jornalista desde 1972, com passagens pelos jornais A Tribuna, de Santos, O Estado de S. Paulo e Folha da Tarde e pela Editora Abril. É doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela Universidade de São Paulo (usp). Seu trabalho de doutorado Gonzaga, um poeta do Iluminismo, sobre Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), foi publicado em 1999 pela Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro.

Em 1999, com bolsa de pós-doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu em Portugal projeto sobre a vida e a obra do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), publicado em 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, sob o título Bocage – o perfil perdido.

Foi professor titular da Universidade Paulista (Unip), nos cursos de Direito e Pedagogia, e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), no curso de Jornalismo, em Santos. É autor também de Mariela Morta (Ourinhos, Complemento, 1977), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio, 1981; Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 2015), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997) e Tomás Antônio Gonzaga (Rio de Janeiro/São Paulo, Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012).

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Para Onde Vai Portugal? – Raquel Varela

Para onde vai portugalDa autora de História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75 e A Segurança Social é Sustentável.

Qual será o rumo do País nos próximos anos? Para onde vai Portugal? O regime democrático-parlamentar sobreviverá às mudanças sociais? Que aconteceu à educação, à saúde, ao trabalho, à vida pessoal, familiar e afetiva dos portugueses para lá dos títulos dos grandes jornais depois da crise de 2008?

Raquel Varela, historiadora, traz-nos um ensaio com propostas económicas e sociais inéditas sobre a crise iniciada em 2007/8 e o rumo do País para os próximos anos, pondo em cima da mesa as várias possibilidades de progresso e decadência histórica. Uma voz surpreendente pela combinação de uma escrita escorreita e rigorosa, que com humor e ironia se propõe pensar o futuro do País.

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Todos Devemos ser Feministas, de Chimamanda Ngozie Adichie

Todos Devemos Ser FeministasNeste ensaio pessoal – adaptado de uma conferência TED – Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje.

Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.