Christian Rioux | L’impuissance | in www.ledevoir.com

Il y a une petite odeur d’ex-Yougoslavie dans cette guerre ukrainienne. Souvenez-vous, c’était il y a trente ans à peine. Le mur de Berlin s’était effondré deux ans plus tôt. Plus au sud, la Yougoslavie, née de l’effondrement de l’empire austro-hongrois et proche culturellement de la Russie, craquait de partout.

Trente ans plus tard, le sang coule à nouveau sur les débris du monde communiste. Trente ans plus tard, une jeune nation défend à nouveau son indépendance des anciens empires. Hier la Slovénie, la Croatie et la Bosnie-Herzégovine. Aujourd’hui l’Ukraine. Comme l’écrit Jean Quatremer dans Libération, ce conflit est en quelque sorte un conflit « gelé » directement surgi du passé. Tout se passe comme si, pour se protéger des avancées de l’OTAN, Poutine menait avec quelques décennies de retard les guerres qui auraient dû avoir lieu au moment de l’effondrement du bloc soviétique.

Mais, il y a une différence de taille entre 1991 et 2022. Le géant américain ayant opéré son virage stratégique vers le Pacifique et la Chine, il est dorénavant hors de question que l’OTAN intervienne directement comme le fit Bill Clinton en ex-Yougoslavie. On peut même se demander si le président américain n’a pas précipité cette intervention en révélant publiquement que jamais il ne risquerait la vie d’un seul G.I. pour sauver Kiev, et encore moins Kharkov, Marioupol ou Odessa. En diplomatie, on ne sort de l’ambiguïté qu’à ses propres dépens.

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A fé na Arte de Produzir Efeitos sem Causa | Carlos Matos Gomes

Está muito difundida a teoria que o escritor Lourenço Mutarelli ficcionou num romance a que deu o título: A arte de produzir efeito sem causa (2008). Uma reflexão acerca dos fenómenos da desrazão (da ilógica) e do nonsense. Uma tese sobre o absurdo, que renega o princípio lógico da causalidade, que determina que todo efeito deve ser consequência de alguma causa.

A afirmação muito explorada de que na Ucrânia ocorre uma invasão determinada por um imperador louco, assenta na crença de que os grandes fenómenos sociais, como uma grande guerra, uma grande revolução, um fenómeno de domínio como o colonialismo, ou a escravatura, por exemplo, podem não ter outra causa se não o impulso emocional e descontrolado de um homem. Há até historiadores e cientistas ditos sociais que defendem com arreganho a tese de que há uma invasão sem causa, apenas determinada por um ser diabólico que habita um palácio assombrado, com enormes mesas e tetos altos!

As centrais de manipulação de massas, que existem com vários nomes, umas públicas, diretamente dependentes dos Estados e outras privadas: Agências de Comunicação, de Relações Publicas, de Publicidade, com assessores contratados entre antigos políticos ou jornalistas avençados, conseguiram fazer passar a mensagem de que a Rússia tinha invadido a Ucrânia sem razão, apenas por puro imperialismo ou paranoia de um antigo agente do KGB apoiado por um sinistro Rasputine, a que foi dado o nome de Lavrov!

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Xi Jinping pede a França para promover “perceção correta” da China na UE

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu hoje ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que promova uma “perceção correta” da China na União Europeia (UE) e evite o confronto entre blocos, que considerou representar uma ameaça à segurança e estabilidade.

Em conversa telefónica, a primeira desde a reeleição de Macron, no mês passado, Xi transmitiu ao seu homólogo querer que a França “incentive uma perceção correta da China na UE e trabalhe na mesma direção, gerindo diferenças e construindo uma maior cooperação comercial e de desenvolvimento ‘verde’ e digital”.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Xi Jinping também expressou a Macron esperança de que França — enquanto país que detém a presidência rotativa do bloco europeu – desempenhe um papel positivo no desenvolvimento das relações China-UE.

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Alerta urgente! Está na hora de intervir! Políticos para a PAZ !

Personalidades Políticas que se consideram estar particularmente bem posicionadas para ajudar a encontrar o caminho da Paz, com Concórdia e Visão Humanista e Cosmopolita do Futuro da Humanidade. (vcs)

Political Personalities who are considered to be particularly well placed to help find the way to Peace, with Concord and a Humanist and Cosmopolitan Vision of the Future of Humanity. (vcs)

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5/5/2022 | Mujica diz que Europa repete erros do passado na guerra na Ucrânia

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a responsabilidade da Europa em relação à guerra na Ucrânia e afirma que o Velho Continente não aprendeu com as guerras do passado. Segundo Mujica, a dissolução mal feita da Guerra Fria e a inércia europeia ao observar a expansão da Otan em direção ao Leste Europeu permitiu a germinação do conflito atual.

“Hoje temos uma Europa pálida, que não soube continuar com o processo que havia sido iniciado com [Charles] De Gaulle, com [Konrad] Adenauer, de construir uma paz longa e duradoura que obviamente tinha que chegar aos Urais”, disse Mujica. “E agora a Europa está em conflito porque mais uma vez caímos na doença do nacionalismo.”

Mujica reafirma que a guerra na Ucrânia impacta o mundo inteiro e que as consequências são sentidas até mesmo em regiões longínquas do conflito. “A Europa tem uma responsabilidade gigantesca. Seria bom que ela tenha a coragem de assumir isso”, concluiu.

Aristóteles à la minute resume a guerra da Ucrânia! | por Carlos Matos Gomes

A Odisseia de Homero vista por um agente de viagens. Há um invadido e um invasor. Um Mau e um Bom! Mas onde raio está o cavalo de Troia?

No século VIII a.C., Homero escreveu a Ilíada, apontada como o livro inicial da literatura ocidental, onde versava sobre a Guerra de Troia. O segundo livro, Odisseia, dava conta do que aconteceu depois da batalha, quando Ulisses tentava regressar.

Um dos seus aspetos mais notáveis da epopeia é o modo como está construída, com um início in media res, que foi reproduzido em inúmeras obras posteriores. Uma sofisticada técnica literária que permite entrar na metade da história, revelando os eventos que aconteceram antes através de memórias e flashbacks.

A Odisseia é uma narrativa política e histórica complexa, que que trata entre outros temas do papel da mulher na sociedade — Penélope; fantástico e que versa sobre a descoberta de outros mundos — Poseidon; do poder, do encantamento, da vingança — Ulisses.

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E uma Frente Insubmissa em Portugal, porque não ? | Joffre António Justino

E uma Frente Insubmissa em Portugal, porque não ?

O custo de vida, a inflação, os baixos salários, a pandemia, o encerramento de empresas a exploração desenfreada de imigrantes ( os mais escuros e ou de língua latina sul americana) só por si justificavam uma Frente Insubmissa.

Mas temos muitas mais razões para procurar aprender com Mélenchon porque na realidade vivemos num único planeta entre toda a nossa diversidade.

Tenho aprendido ainda mais sobre este mundo único, entre gente boa Bahai, que recusam a intervenção política, mas realmente nada como regressar aos dias internacionalistas e repensar em vez de rejeitar a Globalização.

As Esquerdas em Portugal entraram quase todas em circuito derrotista, umas, e em lógicas de caridadezinha feita, outras, e todas estas em absoluta submissão a uma democracia linha direitista expansionista estadunidense, este sr. Biden cujo problema não é ter dificuldade em andar (eu tenho), mas sim em pensar ( eu lá me vou esforçando).

As Esquerdas acima, fingem desconhecer que a inflação e o aumento do custo de vida vem da guerra na Ucrânia, e da venda de armas ( ultra concentração da riqueza) como há muito não se via !

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A paz antes da justiça | Viriato Soromenho Marques | in Diário de Notícias

Sobre as razões da desordem do mundo, o nosso Padre António Vieira (1608-1697) soube definir com clareza, não só as duas categorias principais que permitiriam substituir o caos pela ordem como também a respetiva prioridade entre elas: “Abraçaram-se a justiça e a paz, e foi a justiça a primeira que concorreu para este abraço. Porque não é a justiça que depende da paz (como alguns tomam por escusa) senão a paz da justiça” (Sermão ao Enterro dos Ossos dos Enforcados).

A tese de que é à justiça que cabe criar as condições para a paz, parece ser confirmada tanto pela razão como pela longa experiência da história doméstica dos povos. A injustiça praticada por classes e fações sobre outras pode conviver, temporariamente, numa aparente ausência de conflito, mas nunca como uma paz solidamente ancorada. Contudo, já no plano internacional essa regra não se aplica universalmente. Vejamos o caso da guerra que nos tira o sono. A invasão russa da Ucrânia configura o crime de agressão de um Estado a outro, curiosamente, introduzido no direito internacional depois da II guerra mundial pela ação do jurista soviético Aron Trainin (1883-1957).

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Megalópole x Rússia: Guerra total | Pepe Escobar, in TheSaker, 07/05/2022

A Operação Z é a primeira salva de uma luta titânica: três décadas após a queda da URSS, e 77 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, após uma avaliação cuidadosa, o Kremlin está a rearranjar o tabuleiro de xadrez geopolítico para acabar com a hegemonia unipolar da “nação indispensável”. Não admira que o Império das Mentiras tenha ficado completamente louco, obcecado em expulsar completamente a Rússia do sistema Ocidental.

Os Estados Unidos e os seus cachorros da OTAN não conseguem lidar com a sua perplexidade quando confrontados com uma perda espantosa: já não há direito de permitir o uso exclusivo da força geopolítica para perpetuar “os nossos valores”. Acabou-se a Dominação de Largo Espectro.

O Estado Profundo dos EUA está a explorar plenamente o seu plano de ação na Ucrânia para mascarar um ataque estratégico à Rússia. O “segredo” era forçar Moscovo a entrar numa guerra intra-eslava na Ucrânia para quebrar o Nord Stream 2 – e assim o fornecimento à Alemanha dos recursos naturais russos. Isto acabaria – pelo menos num futuro previsível – com a perspetiva de uma ligação russo-alemã bismarckiana que levaria os EUA a perderem o controlo da massa terrestre eurasiática que vai do Canal da Mancha ao Pacífico, a favor de um pacto emergente China-Rússia-Alemanha.

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União Europeia (UE) – O dia da Europa. Esta é a minha Europa | Carlos Esperança

Esta é a minha Europa, não como a queria, mas a que resta do sonho visionário, daquele projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes e do maior desastre de origem humana de toda a História.

O Dia da Europa, criado em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, precursora da União Europeia.

Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebra o dia das Europa em ambiente lúgubre, bem diferente do que merecia, a estimular uma guerra nas suas fronteiras em vez de lutar pela paz.

A convicção de que a UE é um espaço civilizacional de que nos devemos orgulhar, fator de paz e de progresso, oásis democrático onde a justiça social e a laicidade dos Estados devem ser aprofundadas, tornou-me um europeísta militante, grato pela notável postura deste espaço civilizacional onde o aprofundamento da integração económica, social e política é vital para a sobrevivência coletiva.

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“A guerra proxy dos EUA para cortar a Europa do continente euroasiático | Aram Aharonian, Álvaro Verzi Rangel | 04/05/2022

[Tradução de parte de um artigo que espelha uma visão muito possível de se concretizar]

Para os geostrategistas, Taiwan será provavelmente o próximo alvo. O mundo está à beira de uma nova Guerra Fria ou talvez de uma nova guerra mundial, que nem sequer será um pouco fria: será sim nuclear e terminal, podendo representar o ponto final para a humanidade.

É este o preço de lutar pela “democracia e liberdade” (um chavão que esconde o facto de que milhares são carne para canhão ao serviço dos interesses corporativos dos EUA e do “Ocidente”). Trata-se de enfraquecer a Rússia e também de estimular a sua própria indústria militar, e para alcançar isso, Washington continua a subjugar os europeus, obrigando-os a apoiar as suas directivas, mesmo que possam sofrer um bombardeamento nuclear da Rússia, ao mesmo tempo que já estão a ficar sem gaz, trigo, outros cereais e alimentos, além de outros bens.

Alguns geostrategistas afirmam que para os EUA esta é uma “proxy-war”, uma guerra que é feita por uma espécie de executor substituto: são os EUA contra a Rússia, mas usam a Ucrânia como executor e campo de aniquilação, para o qual aplicam a ultradireita neonazi no governo (aí colocada com o apoio, financiamento e direcção da CIA e da OTAN). Mas isto não se limita à Ucrânia, fazendo parte de uma ofensiva maior, de alcance global e voltada para a China e os seus possíveis aliados.

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Há 77 anos | A vitória sobre o nazi/fascismo

Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se aos aliados ocidentais e, no dia seguinte, à URSS e seus aliados do Leste, terminando a maior e a mais trágica guerra de sempre, ainda que a Guerra só terminasse de jure com a posterior rendição do Japão.

Acabou nesse dia a 2.ª Guerra Mundial na Europa. Dez dias antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a amante, Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, e a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto.

O Alto Comando alemão, gorada a tentativa de assinar a paz com os aliados ocidentais, rendeu-se, sem condições, em 8 de maio de 1945. Nesse dia começou o fim do pesadelo que o nacionalismo, a xenofobia e o racismo provocaram, desde o dia 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia, perante a conivência de muitos polacos. A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, começou a guerra de expansão com fortes apoios em países invadidos. A Espanha, vítima da barbárie de Franco, vivia o medo, silêncio e luto de 1 milhão de mortos, desaparecidos e refugiados, e as ditaduras ibéricas sobreviveram à sua matriz nazi/fascista até à morte dos respetivos ditadores.

Quando parecem esquecidos os crimes do nazi/fascismo e o maior plano de extermínio em massa de que há memória, regressam fantasmas e surgem velhos demónios, como se o Holocausto não tivesse ocorrido e os fornos crematórios não tivessem assassinado milhões de judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, na orgia cruel de que a loucura nacionalista foi capaz.

O nazi/fascismo levou a guerra a África e à Ásia e, na Europa, não foram os europeus que o derrotaram, foram os EUA e a URSS que vieram esmagar a besta nazi contra a qual a coragem e abnegação dos resistentes foram impotentes.

Após a implosão da URSS, na improbabilidade de regresso dos partidos comunistas ao poder, deixou de haver desculpas para a extrema-direita e atenuantes para a xenofobia, o racismo, a homofobia, o antissemitismo e todos os crimes de ódio de que uma alegada supremacia rácica é capaz.

A capitulação alemã, 8 de maio de 1945, foi fundamental para a História mundial. Os historiadores comparam-na à Reforma Protestante e à Revolução Francesa. Recordar o nazismo é refletir sobre a violência do Estado, erradicar o antissemitismo e homenagear todas as vítimas que ao longo da história foram perseguidas por preconceitos religiosos, étnicos e culturais.

É urgente recordar a História porque a repetição da tragédia é já uma ameaça. Sente-se o despertar de demónios totalitários que originaram a maior tragédia do século XX.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

“A verdadeira pressão sobre a Rússia tem de ser militar” | Fareed Zakaria | in Diário de Notícias

O jornalista e escritor diz ao DN que o conflito na Ucrânia marca uma nova desordem global e o regresso da competição geopolítica ao palco mundial, após 30 anos de rara ausência. Fala ainda do papel da China, das dúvidas sobre o embargo à energia russa e de como a resposta americana pode mudar em 2024, com o fantasma de Trump sobre a mesa.

Apresentador do programa GPS na CNN e colunista do Washington Post sobre política internacional, Fareed Zakaria vai ser o principal orador da QSP Summit, conferência de gestão e marketing que decorrerá no Porto em junho (28 a 30), e concedeu uma entrevista telefónica ao DN para abordar os desenvolvimentos da guerra na Ucrânia.

Temos já 70 dias de guerra na Ucrânia e muito aconteceu desde finais de fevereiro, desde o reforço da NATO à mudança na política de defesa na União Europeia ou à disrupção no mercado de energia… É toda uma nova ordem global que está em jogo na Ucrânia?

Eu diria mais que está em jogo uma nova desordem global. Porque o que está a acontecer é que a ordem mundial pós-Guerra Fria foi rompida. E essa ordem estava baseada na ideia de que não havia nenhuma grande disputa geopolítica entre as maiores potências mundiais. Os países mais poderosos do mundo não estavam em competição geopolítica ativa. Nos anos 90, a Rússia era um caixote do lixo, a economia tinha contraído uns 50%, a China valia 1% do Produto Interno Bruto mundial e as outras grandes potências eram aliadas próximas dos EUA: Alemanha, França, Japão, Reino Unido… Foi um período muito pouco usual na História. E permaneceu durante 30 anos, apesar de a China ter crescido e de a Rússia ter reerguido a sua economia, porque o domínio dos EUA era muito evidente.

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China apresenta propostas para a segurança mundial | Presidente chinês, Xi Jinping

“A segurança é um pré-requisito para o desenvolvimento; e a Humanidade é uma comunidade de segurança indivisível” – afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, no discurso que proferiu, por videoconferência, na cerimónia de abertura da Conferência Anual de 2022 do Fórum do Boao para a Ásia (na quinta-feira, dia 21).

“Xi Jinping propôs uma iniciativa de Segurança Global, propondo-se contribuir, “com a sabedoria e a experiência chinesa”, para enfrentar as mudanças sem precedentes que ocorrem no Mundo.

Analisando os cinco discursos feitos pelo Presidente chinês, desde 2013, no Forum de Boao para a Ásia, verifica-se que “segurança” tem sido sempre uma palavra-chave.

No Forum deste ano, as questões de segurança são ainda mais evidentes, por causa da situação internacional – referem os dirigentes chineses, apontando “a eclosão da crise na Ucrânia, devido à contínua expansão da NATO”, até à formação, pelos Estados Unidos, de grupos de interesses. E acrescentam que a paz está a tornar-se cada vez mais frágil, mas também mais preciosa para o Mundo.

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Lula, o Papa e a Ucrânia | por Carlos Matos Gomes

O Papa Francisco afirmou que quem andou a atear fogueiras à porta dos vizinhos é responsável pelas más respostas dos vizinhos — em claro, falava da Ucrânia de Zelenski e das provocações que fez à Rússia a mando dos Estados Unidos. Uma pedrada no charco das breaking news. Rapidamente abafada. Também tu, Francisco?

Lula da Silva, candidato à presidência do Brasil, deu uma entrevista à revista Time onde a propósito da guerra na Ucrânia afirmou que Zelenski é tão culpado pelo conflito quanto o presidente russo Vladimi Putin. Em resposta ao repórter, que afirmou que Zelensky não quis a guerra, que a guerra foi até ele, Lula respondeu: “Ele [Zelensky] quis a guerra. Se ele não quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim. Eu fiz uma crítica ao Putin quando estava na Cidade do México, dizendo que foi errado invadir. Mas eu acho que ninguém está procurando contribuir para ter paz. As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver. É preciso estimular um acordo.”

Os fazedores de opinião na Europa deitaram as mãos aos cabelos. Já li por aqui nas redes afirmações de antigos adeptos do papa e de Lula a rasgarem os cartões de sócios. Estavam enganados com estes dois apóstolos: são filhos de satanás disfarçados!

Pensando, antes de murmurar abrenúncio:

O Papa Francisco e Lula são duas personalidades do que se designou Terceiro Mundo, dois latino-americanos, que têm uma visão do mundo anti-imperialista e conhecem bem a estratégia dos Estados Unidos — o apoio às ditaduras sul americanas, a violenta exploração de recursos, a elevação de criminosos e ditadores aos mais altos postos da política das suas colónias sul-americanas. A pulsão totalitário do império mundial. Nem o argentino Bergoglio, agora papa, nem o brasileiro Lula têm qualquer ilusão sobre a bondade das intervenções dos EUA em qualquer parte do mundo. Sabem que Zelenski é apenas mais uma marioneta entre tantas que conheceram, Somoza, Videla, Figueiredo, Pinochet… se quisermos ir mais longe, Mobutu, do Congo, os Saud da Arábia, o Marcos das Filipinas…

Acresce, quanto a Lula. A sua declaração faz todo o sentido em termos dos interesses do Brasil (curiosamente não são distintos dos que os militares que ainda apoiam Bolsonaro defendem): O Brasil é a grande potência regional da América do Sul e quer continuar a ser, o que implica ser liderante, ser o mais autónoma possível dos Estados Unidos. O Brasil pretende continuar a pertencer ao grupo dos BRIC, as grandes potências do próximo futuro — Brasil, Rússia, India, China, Africa do Sul — que representam cerca de ¾ da população mundial. Lula quer para o Brasil a liberdade de decisão estratégica que a União Europeia abdicou de ter, submetendo-se de pés de mãos aos EUA. É raiva (não acredito em vergonha) a origem do escarcéu que os órgãos de manipulação ocidentais estão a fazer contra Lula. Com acompanhamento de algumas personalidades (portuguesas) que vêm a política como um conjunto de atos piedosos. Infelizmente a piedade não é um valor na política! Nenhum dos portugueses que é costume citar como grandes portugueses se distinguiu pela piedade, Afonso Henriques, Pedro, o cru, João II, Afonso de Albuquerque, o Marquês de Pombal, Salazar… O mais estranho piedoso da História de Portugal foi o jovem Sebastião, que desfez a nossa ideia de independência!

Quanto ao Papa. O Papa Francisco é o primeiro chefe de uma Igreja Mundial originário de fora da Europa. Ele pretende que o catolicismo sobreviva ao neoliberalismo — o sistema imposto pelos EUA — e ao islamismo — a religião que mais cresce no planeta. Um caminho minado. O papa católico não pode colocar o catolicismo ao serviço do complexo militar industrial dos EUA, do Pentágono, de Wall Street ou do quartel general de Bruxelas da NATO. Ele não pode aparecer aos olhos do mundo como um chefe da religião dos brancos europeus e americanos contra a Rússia.

Francisco não pode ser uma nova versão papa polaco Wojtyla (JPII) ao serviço da estratégia americana contra a URSS nos anos 80 do século passado e não pode perder o tal Terceiro Mundo que aspira a relações equilibradas entre potências, porque essa relação de equilíbrio de poderes lhe é vantajosa… A guerra da Ucrânia ameaça romper um relativo equilíbrio de poderes. Um sistema triangular é uma aspiração razoável dos povos de todo o mundo, que o Papa defende…

Os americanos entendem que o que é bom para a América é bom para o mundo. É um convencimento que não corresponde à realidade presente nem à que se afigura num futuro próximo, mas eles são assim e vêem-se assim. Alguns europeus continuam a ver-se como o centro da civilização planetária. Viajam pouco. Bruxelas não é o centro do mundo. Londres ainda menos.

Os europeus já não contam (ou contam muito pouco) para o mundo para o qual o papa Francisco e Lula da Silva falam. Ambos sabem quem é o Deus desta guerra… é para ele que estão a falar.

Para os interessados o link do Jornal Globo com as declarações de Lula da Silva:

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/05/04/lula-da-declaracao-polemica-sobre-a-guerra-da-ucrania-em-entrevista-a-revista-time.ghtml


NOTA DO COORDENADOR DO SITE (que me perdoe o Carlos Matos Gomes): tomei a liberdade de colocar 4 fotos de oito personalidades de projeção mundial no final do texto.

Porquê?

Porque penso que são as pessoas indicadas e mais bem posicionadas neste momento para ajudar a encontrar rapidamente o caminho da Paz, com Concórdia e Visão Humanista e Cosmopolita do Futuro da Humanidade. (vcs)

Olha que não Daniel, olha que não! | por António Filipe | in Jornal Expresso

O comunista António Filipe escreve uma carta a Daniel Oliveira para contestar as críticas que este fez ao PCP por causa da posição sobre a Ucrânia.

Meu caro Daniel Oliveira,

Desde muito jovens que somos militantes de muitas causas e que nos cruzamos nesta vida. Encontramo-nos acidentalmente com alguma frequência, trocamos impressões com enorme cordialidade sobre os mais variados assuntos, fundamentalmente sobre a vida política, que acompanhamos apaixonadamente. Sabemos do que cada um de nós vai escrevendo e dizendo em público. Temos imensos amigos comuns e creio poder dizer que somos amigos. Concordamos muitas vezes e discordamos outras tantas, mas temos em comum o facto de, como escreveu José Fanha, trazermos o mês de abril “a voar dentro do peito”.

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O Twitter e as costas largas da liberdade | Pedro Marques Lopes | in revista Visão

“ A concentração de poder económico em meia dúzia de pessoas teria, cedo ou tarde, consequências políticas sérias. A capacidade de companhias, como a Amazon, a Apple, a Microsoft, o Facebook ou o Twitter, abafarem a possibilidade de empresas do setor fazerem concorrência foi só o princípio (e como noutros momentos da História não faltaram avisos) de um controlo assustador. Ninguém pode admirar-se se o próximo passo for a conquista do poder político, e, para isso, nada mais eficaz do que controlar a opinião, gerar desejos, criar perceções. Dinheiro não é problema.”

Revista Visão desta semana

https://visao.sapo.pt/opiniao/politicamente-correto/2022-05-05-o-twitter-e-as-costas-largas-da-liberdade/?fbclid=IwAR3Gf4i2_4cm2Pb41SCaekgInXfV-WWATWY15FVUl42wtAhR6GnR2ByRS_s

04/05/2022 | Papa Francisco diz que NATO pode ter provocado invasão da Ucrânia pela Rússia | Lula da Silva e a guerra na Ucrânia: “Zelensky é tão responsável quanto Putin”

Francisco disse que a NATO “ladrou” à porta da Rússia e que isto pode ter provocado a invasão da Ucrânia. Quanto à visita aos países em guerra, o Papa explicou que primeiro quer ir a Moscovo e referiu que sente que não tem de ir à Ucrânia.

“Ele [Zelensky] fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: ‘Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer’. E dizer para o Putin: ‘Ô, Putin, você tem muita arma, mas não precisa utilizar arma contra a Ucrânia. Vamos conversar!'”

https://www.ojogo.pt/extra/noticias/lula-da-silva-e-a-guerra-na-ucrania-zelensky-e-tao-responsavel-quanto-o-putin-14825083.html

Como guerra na Ucrânia força Alemanha a rever relação com a Rússia

BBC News Brasil

De um lado, petróleo e gás para manter a economia da Alemanha, a maior da Europa, rodando. Do outro, muito dinheiro – que virou uma das mais importantes fontes de renda para a Rússia, um país hoje alvo de muitas sanções. Alemanha e a Rússia criaram uma grande interdependência econômica nas últimas décadas. Mas, agora, com a guerra na Ucrânia, essa relação está sendo colocada em xeque. A repórter Nathalia Passarinho conta neste vídeo quais são as origens históricas dessa relação, a delicada situação econômica que aproxima os dois países e como eles têm se posicionado atualmente.

The Russell-Einstein Manifesto | Issued in London, 9 July 1955

Retirado do facebook | Mural de Ana Filgueiras

“Apelamos enquanto seres humanos para seres humanos:

Lembrem-se da vossa humanidade e esqueçam o resto” ❤️

A Diana Andringa, em tempo infelizmente oportuno, tem vindo a lembrar o Manifesto Russell-Einstein, lançado em Londres , por Russell e Einstein, a 9 de julho de 1955, em plena Guerra Fria. Um apelo humanista ao fim da guerra, e do fabrico e uso de armas de destruição maciça, assinado por onze importantes cientistas e intelectuais . Alertavam então a comunidade internacional para os perigos da proliferação de armamento nuclear, e aos líderes das principais potencias nucleares para a urgência de soluções pacíficas para os conflitos internacionais. É hora de o relembrar…

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Albert Einstein e Bertrand Russel:

“Here, then, is the problem which we present to you, stark and dreadful and inescapable: Shall we put an end to the human race or shall mankind renounce war?”

In the tragic situation which confronts humanity, we feel that scientists should assemble in conference to appraise the perils that have arisen as a result of the development of weapons of mass destruction, and to discuss a resolution in the spirit of the appended draft.
We are speaking on this occasion, not as members of this or that nation, continent, or creed, but as human beings, members of the species Man, whose continued existence is in doubt. The world is full of conflicts; and, overshadowing all minor conflicts, the titanic struggle between Communism and anti- Communism.
Almost everybody who is politically conscious has strong feelings about one or more of these issues; but we want you, if you can, to set aside such feelings and consider yourselves only as members of a biological species which has had a remarkable history, and whose disappearance none of us can desire.
We shall try to say no single word which should appeal to one group rather than to another. All, equally, are in peril, and, if the peril is understood, there is hope that they may collectively avert it.

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O pesadelo da Jugoslávia, 23 anos depois | por Lisa Portugal

O coro hipócrita de muitos dos que agora choram lágrimas de crocodilo pela Ucrânia inclui os agressores da Jugoslávia.  

Alguns que agora se sentem tão chocados por haver “guerra na Europa” operaram ou foram cúmplices na bárbara destruição e desmembramento de um país europeu.  

Um deles é o amnésico António Guterres, então primeiro-ministro do nosso país, responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na «coligação» que bombardeou a República da Jugoslávia. 

A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos da aviação da NATO à Jugoslávia. Durante 78 dias, cumpriram 38 mil missões, das quais 11 mil de bombardeamento, com mais de 23 mil bombas e mísseis. 

Os bombardeamentos da NATO, que se iniciaram sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, lançaram entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um número indeterminado de mortos por cancros causados pelas radiações, e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas. 

Os ataques aéreos deixaram o país em ruínas, com milhares de mortos, incluindo civis, e dezenas de milhar de feridos, para além do desastre ambiental que provocou. 

Em 2019, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve a desfaçatez de afirmar, durante uma conferência com estudantes na Universidade de Belgrado, que os bombardeamentos da Jugoslávia em 1999 foram para «proteger os civis e travar o regime» do então presidente, Slobodan Milosevic. 

Neste ataque, ficou célebre a madrugada do dia 23 de Abril de 1999, quando a NATO bombardeou a sede da Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), em Belgrado, transformado em alvo militar a abater pelo facto de revelar a agressão à Jugoslávia e uma realidade não conforme com a que foi fabricada pelo Ocidente, nomeadamente evidenciando as consequências dos ataques da Aliança Atlântica a pontes, comboios, mercados e fábricas. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, que afirmou recentemente não fazer «qualquer sentido» a guerra na Ucrânia, sublinhando que a operação russa «viola a Carta das Nações Unidas e causará um nível de sofrimento que a Europa não conhece desde pelo menos a crise dos Balcãs dos anos 90», enquanto primeiro-ministro de Portugal foi responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na coligação que bombardeou a República da Jugoslávia, sob a hegemonia da NATO, dos EUA de Bill Clinton e do Reino Unido de Tony Blair. 

Foto: Guerra na Jugoslávia – invadida pelos EUA/NATO 

Retirado do Facebook | Murais de Lisa Portugal e José Luis Roquete

António Guterres, secretário-geral da ONU | “uma guerra no século XXI é um absurdo”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta quinta-feira que “uma guerra no século XXI é um absurdo”, durante uma visita a Borodianka, nos arredores da capital da Ucrânia, perante um cenário de casas em ruínas.

Borodianka é uma das localidades onde os ucranianos acusam os russos de terem cometido crimes durante a ocupação da região em março.

Na sua primeira visita à Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, António Guterres tem encontro marcado para esta tarde com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tendo visitado também durante a manhã as localidades de Bucha e Irpin.

Em Bucha, o secretário-geral das Nações Unidas sublinhou a importância de uma investigação sobre a eventuais crimes de guerra.

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ONU assume o papel de juiz | por Miguel Castelo Branco

26/04/2022 | Na conferência conjunta com Lavrov realizada em Moscovo e há pouco terminada, retive a seguinte afirmação de António Guterres, talvez as mais importantes e surpreendentes produzidas nos últimos dois meses: «compreendo as preocupações russas» [a respeito do incumprimento pela Ucrânia dos acordos assumidos e não cumpridos por Kiev em Minsk].

Guterres toca no equilíbrio do sistema internacional, frisando que a paz no mundo multipolar depende do aprofundamento do multilateralismo, ou seja, reconhece que a instabilidade presente resulta do não reconhecimento [pelos EUA, outrora potência unipolar] da realidade de hoje.

Quanto às declarações de Lavrov a respeito da inquietante presença de grupos e elementos extremistas nas fileiras das forças ucranianas, Guterres nada disse, como que reconhecendo um fundo de razoabilidade em tais acusações russas.

Retirado do Facebook | Mural de Miguel Castelo Branco

A nossa perigosa aliança por causa do Donbass | por Doug Bandow* / in American Conservative | “As advertências de George Washington”

A classe diplomática (dos EUA) esqueceu completamente as advertências de “George Washington” sobre relações especiais com nações estrangeiras.

O governo Biden está apostando tudo na Ucrânia. As autoridades (americanas) estão abandonando cada vez mais a cautela necessária para evitar que os Estados Unidos se tornem co-beligerantes contra a Rússia.

Sucedem-se carregamentos de armas para Kiev e as entregas já se fazem abertamente. É importante ressaltar que o governo mudou seus objetivos de “ajudar a Ucrânia” para “enfraquecer a Rússia”.

Tanto o presidente George Washington quanto o secretário de Estado John Quincy Adams alertaram os americanos sobre este tipo de comportamento. No entanto, já não é a primeira vez nos últimos anos que isto acontece nos EUA. Os funcionários parece que se esquecem de qual o país que deveriam representar.

Em agosto de 2008, os EUA aproximaram-se do limite com a Rússia sobre a república da Geórgia. Depois de tirar vantagem da fraqueza de Moscovo no pós-Guerra Fria, empurrando a OTAN cada vez mais para o leste e desmantelando a Iugoslávia no conflito sobre Kosovo, o governo George W. Bush prometeu adicionar a Ucrânia e a Geórgia à aliança “transatlântica”.

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Porque saiu o Reino Unido da União Europeia? | Carlos Matos Gomes

O regresso da querela trinitária

Uma das mais conhecidas e absurdas separações políticas foi a que separou o império romano cristão do Ocidente (Roma) do império romano cristão do Oriente (Constantinopla) no século IV por causa da célebre e decisiva questão que ficou conhecida como a “Querela Trinitária”. Discutida no concílio de Niceia.

Os cristãos dividiram-se, em termos muito simples, por causa de uns duvidarem da divindade do Espirito Santo e considerarem o Pai superior ao Filho, e outros considerarem a unidade da Trindade.

A pergunta de sempre e até hoje é: Afinal separaram-se porquê se eram iguais e tinham a mesma visão do mundo com início numa semana de sete dias, no mesmo Deus que mandara Abraão sacrificar o filho só para lhe testar a obediência, entre tantos outros factos extraordinários, aos quais pouco alterava haver um Deus em três ou três num Deus?

Hoje, perante o comportamento do Reino Unido e da União Europeia quanto ao decisivo e de consequências não imaginadas conflito que tem lugar na Ucrânia, a pergunta, a minha pergunta, é, porque saiu do Reino Unido da União Europeia, ou: porque não aceitou a União Europeia as condições do Reino Unido para este permanecer no clube?

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Classe média e Ucrânia! | Carlos Matos Gomes

O termo “classes médias” não tem uma definição universal, mas sabemos que nas modernas sociedades são elas que pagam as contas. São os explorados de boa vontade e animados com a fé de serem colaboradores dos ricos.

A classe média é um grupo social em que o trabalho foi substituído pela colaboração. A doutrina do neoliberalismo separou os seus elementos dos trabalhadores (assalariados) ao convencê-los que o seu bem-estar futuro se deve à sua iniciativa individual, à sua agressividade, à sua disposição para fazerem tudo, à certeza de que os fins justificam os meios, da inutilidade de ações coletivas, de políticas sociais, da solidariedade.

O medo que o comunismo conquistasse os trabalhadores e as classes médias europeias fora a razão da criação do estado de social na Europa, conduzido pelas sociais-democracias e pelas democracias cristãs. Uma das causas da II Guerra Mundial, da ascensão do nazismo e da complacência da Inglaterra e dos EUA foi o medo que o comunismo destronasse o regime de domínio dos patrões. O fim da URSS ditou o fim desse medo e abriu caminho ao neoliberalismo, ao fim do Estado social a que estamos a assistir, juntamente com o fim dos partidos tradicionais na Europa continental.

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O LADO ESCONDIDO DESTA GUERRA | por António Ribeiro

A ida de Boris Johnson a Kiev, ao encontro de Zelensky, põe a nu alguns factos que não nos podem escapar.

A versão oficial é a de que Boris foi à Ucrânia num avião britânico, tendo provavelmente aterrado num aeroporto militar polaco próximo de Lublin. E que depois tomou um comboio normal ucraniano até Kiev.

E ninguém soube antes de nada. Nem mesmo uma das toupeiras de Moscovo infiltradas nos altos meios britânicos, coisa que tem imensa tradição. E por que foi às escondidas, enquanto Ursula von ser Leyen foi esta semana às claras? E tudo correu bem.

Além destes casos, há ainda o de Zelensky. A inteligência militar russa também sabe onde ele está e podia acabar com ele, caso quisesse.

Ora nada disso acontece. Porque há uma espécie de entendimento secreto entre as várias potências envolvidas para se conterem nos seus limites. Só pode.

É importante não acreditar em tudo o que se vê e se relata. Nada disto bate certo. E há quem saiba já como este drama vai acabar, embora faltem os pormenores.

Retirado do Facebook | Mural de António Ribeiro

A loucura de Biden na Ucrânia | por Douglas Macgregor – The American Conservative

“O presidente Biden e o partido único da política externa, estão restaurando a condição estratégica que Washington temia em 1940.

Os americanos acham difícil determinar se as decisões políticas do governo Biden em relação à Ucrânia são produto de uma estratégia deliberada, incompetência extraordinária ou alguma combinação de ambos. Ameaçar a Rússia, uma potência com armas nucleares, com mudança de regime e, em seguida, anunciar uma política de armas nucleares que permite o uso de armas nucleares nos Estados Unidos sob “circunstâncias extremas” – respondendo a uma invasão por forças convencionais, ataques com armas químicas ou biológicas  – sugere que o presidente Biden e seu governo realmente estão fora de contato com a realidade.

Os eleitores americanos compreendem instintivamente a verdade de que os americanos não têm nada a ganhar com uma guerra com a Rússia, declarada ou não. Uma curta viagem a quase qualquer supermercado ou posto de gasolina nos Estados Unidos explica o porquê. Na semana passada, a inflação atingiu seu ponto mais alto em quase 40 anos e os preços da gasolina dispararam desde o início do conflito na Ucrânia.

Graças à disseminação ininterrupta da mídia ocidental de imagens desfavoráveis ​​dos líderes russos e seus militares, parece que o presidente Biden é capaz de adotar qualquer narrativa que se adeque ao seu propósito. No entanto, obscurecer as verdadeiras origens desse trágico conflito – a expansão da OTAN para o leste para incluir a Ucrânia – não pode alterar a realidade estratégica. Moscovo não pode perder a guerra com a Ucrânia mais do que Washington poderia perder uma guerra com o México.

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NINGUÉM GANHA COM UMA GUERRA PROLONGADA | por Patrick J. Buchanan, The American Conservative.

A guerra de anos prevista pelo general Mark Milley é uma Segunda Guerra Fria que arrisca a Terceira Guerra Mundial. Não é do interesse da América prolongar este conflito.

Falando da guerra de sete semanas na Ucrânia desencadeada por Vladimir Putin, o general Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto, está nos alertando para esperar uma guerra que dure anos.

“Acho que este é um conflito muito prolongado… medido em anos”, disse Milley ao Congresso. “Eu não sei se uma década, mas pelo menos anos, com certeza.”

Como nossa primeira resposta, disse Milley, devemos construir mais bases militares na Europa Oriental e começar a girar as tropas dos EUA dentro e fora.

No entanto, isso soa como uma receita para uma Segunda Guerra Fria que a América deveria evitar, não lutar. Pois a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, embora um objetivo declarado da política dos EUA, não é um interesse vital dos EUA para justificar o risco de uma guerra calamitosa com a Rússia.

A prova dessa realidade política está nos fatos políticos.

Durante 40 anos da Guerra Fria, a Ucrânia foi parte integrante da União Soviética. Em 1991, Bush I advertiu os secessionistas ucranianos, que queriam romper os laços com a Rússia, a não se entregarem a tal “nacionalismo suicida”.

E embora tenhamos trazido 14 novas nações para a OTAN depois de 1991, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama nunca trouxeram a Ucrânia.

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Ucrânia | analistas já sabem o fim! Zelensky quer enfrentamento mundial! Europa aplaude mas abandona!

25/03/22 – Ucrânia completou um mês de seu território invadido pela Rússia. Analistas do mundo inteiro convergem em pontos fundamentais: não há milagres em guerras. Se a OTAN não pode ajudar a Ucrânia, simplesmente os ucranianos estão jogados à própria sorte.

O TRIUNFO DA MORTE | por Miguel Sousa Tavares / Expresso

Imagem:

O Triunfo da Morte (c.1562) de Bruegel, o Velho (1525-1569). Óleo sobre madeira, 117 x 162 cm, Madrid, Museu do Prado, Sala 025.

“Alguma coisa de estranho se deve estar a passar comigo: eu olho para as notícias e as imagens de Bucha e a minha primeira e única reacção é pensar: “É preciso evitar a todo o custo que isto se volte a repetir. É preciso parar imediatamente com esta guerra sem sentido, com a destruição de cidades e casas, com a morte de civis e crianças, em nome de nada que o justifique. Como é possível, estarmos a assistir a isto, dia após dia, sem que os dirigentes mundiais façam o possível e o impossível para acabar com este pesadelo?”

Mas parece que só eu e uma minoria de ‘pacifistas’ — que agora é um termo pejorativo — pensamos assim. Logo após a difusão das imagens mostradas pelos ucranianos à imprensa ocidental, os principais dirigentes dos países da NATO reagiram imediatamente com a promessa de enviar mais armas para a Ucrânia e decretar mais sanções à Rússia, enquanto que o secretário-geral da NATO, Stoltenberg, dizia anteontem duas coisas reveladoras:

uma, que há vários anos que a NATO vem dotando a Ucrânia de armamento sofisticado e treinando as suas Forças Armadas, o que quer dizer que já a tratava como membro de facto e já esperava a guerra; e

outra, que as opiniões públicas deveriam estar preparadas para uma guerra longa de meses ou até mesmo de anos — música para os ouvidos dos fabricantes de armas, já sobrecarregados com encomendas para que cada país membro cumpra os 2% do PIB em despesas militares.

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Sair do labirinto | Viriato Soromenho Marques | Opinião / DN

Com a brutalidade da guerra em crescendo, aumenta a constatação de vivermos num sistema internacional espectral. As Nações Unidas, construídas no culminar da experiência dolorosa da II Guerra Mundial, têm manifestamente vindo a perder força e crédito, muito embora a sua permanência, mesmo frágil, seja infinitamente preferível ao vazio de uma anarquia nua, sem uma ágora onde, pelo menos, o direito à lamentação pública seja contemplado. Dito de outro modo, as relações internacionais efectivas – tendo como protagonistas os Estados e outros actores globais não-estaduais – não têm hoje um sistema eficaz de regulação que lhes preste o serviço fundamental de gerar equilíbrio, gerir conflitos, preservar e fomentar a paz sob todas as suas formas.

Construir o edifício de um sistema internacional não é coisa nem fácil nem banal. Nos últimos quatro séculos apenas foram construídos três. O sistema de Vestfália (1648); o sistema de Viena (1815); e o actual sistema das Nações Unidas (1945). Em todos os casos, o padrão é semelhante: as regras de uma nova ordem só ocorrem depois de um longo e sangrento lavrar do caos: a Guerra dos Trinta Anos, para nascer Vestfália; quase duas décadas de campanhas napoleónicas, até que Metternich pudesse desenhar uma nova geografia política da Europa e arredores; a Segunda Guerra dos Trinta Anos- designação popularizada por Winston Churchill para designar uma leitura conjunta das violentas décadas entre 1914 e 1945 – até às Nações Unidas e a sua Carta. As analogias, por mais que fascinem a nossa natural sede de compreensão, não nos podem levar a esquecer as diferenças. Quem considere ser de esperar que esta guerra tenha de seguir o seu curso de destruição até que uma nova ordem se possa reerguer, está a esquecer que uma guerra central entre potências nucleares apenas trará consigo a paz eterna dos cemitérios.

Por isso tenho defendido a prioridade de travar diplomaticamente a guerra. Pois é aí que está o rastilho aceso que pode incendiar o mundo e deitar tudo a perder. Sem a morte à solta, haverá mais condições para discutir tudo. Apesar das suas limitações, o actual sistema das Nações Unidas parece-me ainda possuir virtualidades para acomodar a realidade do mutante mundo de hoje, que se define por dois desafios: aceitar o facto da multipolaridade; perceber que a ameaça existencial da crise ambiental e climática exige uma cooperação compulsória das grandes e das pequenas potências, sob pena de sucumbirmos juntos sob o peso do fracasso. O miraculoso e pacífico final da Guerra Fria, ofereceu o momento ideal para operar as reformas do sistema internacional. No fundo, tratar-se-ia de retomar o espírito de F.D. Roosevelt, que, quando os EUA eram a superpotência sem rival, representando 50% da economia mundial e tendo o monopólio das armas atómicas, preferiu partilhar institucionalmente o poder – através do sistema das Nações Unidas – em vez de o exercer unilateralmente. Infelizmente, não foi esse o caminho que o mundo seguiu. A agressão russa da Ucrânia, eticamente repugnante e politicamente condenável, não pode ser separada do saldo negativo resultante da desastrada quimera unipolar perseguida pelos EUA nos últimos 25 anos. Pensar que aquilo que consideramos ser o nosso interesse pode ser a medida da ordem mundial não é só egoísmo. É um erro grosseiro. Na Terra, que tornámos tão frágil, só a aliança entre poder e generosidade estratégica é realista. Dela depende a possibilidade de um futuro habitável.

Ética e guerra | por Carlos Matos Gomes

Mudam-se os tempos mudam-se as bondades da UE — O sócio Zelenski vem atrasado

A presidente da Comissão Europeia foi de Bruxelas a Kiev entregar uma proposta de sócio da União Europeia ao regime da Ucrânia representado por Zelenski. Vem atrasado, segundo se conclui.

Há cerca de dois meses a União Europeia ameaçava de expulsão dois Estados, a Hungria e a Polónia, a por não cumprirem os critérios mínimos de transparência económica, independência do poder judicial, corrupção, perseguição de minorias.

A hipótese da Ucrânia cumprir os critérios de adesão motivava há dois meses risada geral na União Europeia, de tal modo o regime da oligarquia local estava muitos furos abaixo deles, com violência sobre minorias, desrespeito pelos valores elementares de um Estado de Direito. Há dois meses a Ucrânia de Zelenski era um Estado mais mafioso do que a Polónia e a Hungria e do que os Estados Bálticos. Um Estado na categoria de iliberal, em que uma democracia formal justificava o poder de uma minoria oligarca. Era uma Rússia em ponto mais pequeno.

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Who armed Ukraine and decided to expand NATO? Prof John Mearsheimer | 8/04/2022

The Causes and Consequences of the Ukraine Crisis Professor John Mearsheimer, Distinguished Service Professor in Political Science and Co-director of the Program on International Security Policy at the University of Chicago. He assesses the causes of the present Ukraine crisis, the best way to end it, and its consequences for all of the main actors.

00:00 UK, Germany and France do they have a role in Ukraine vs Russia war? 01:42 Does the EU or Nato have a role in Ukraine vs Russia war? 04:57 Who decided to expand NATO? 07:39 Are we moving from an US Unipole to Multipolar world? 10:28 Is China a threat to Russia? 12:14 Can Ukraine, as a buffer state, lead to peace? 17:06 Did Nato promise not to expand to the east? 19:40 Who decided to arm Ukraine? 23:49 Why do Europeans and Americans hate Russians so much? 26:40 Can libral international order with USA on top survive? 30:14 Does Putin suffer from a personality disorder? 32:02 Nato needs Russia and its threats to continue its existance? 36:30 Does having nuclear weapons lessen wars?

The truth about Neo-Nazis in Ukraine | Aris Roussinos % Freddie Sayers

When Putin launched his invasion of Ukraine it was under the guise of ‘denazifying’ the country. But are there really any Nazis in Ukraine? Or is this just a story spun by the Kremlin? Aris Roussinos joins Freddie Sayers to unpick this contentious topic and seek some insight into Ukraine’s far-Right factions.

// Timecodes // 00:0000:40 – Introduction 00:4002:18 – Does Ukraine have a Nazi problem? 02:1809:39 – The Azov movement & Ukraine’s Far Right 09:3912:28 – Is Ukraine’s hard Right different to other countries? 12:2815:37 – Could Ukraine’s Far Right pose a threat once the war with Russia ends? 15:3716:58 – What is the scale of the problem? 16:5817:13 – Concluding thoughts

Costa Silva: “Podemos ter em Sines não uma mas duas ‘Autoeuropas'” | in msn.com

O ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, defendeu hoje que o porto de Sines pode vir a ser um dos grandes polos de desenvolvimento do país para o futuro, representando “não uma, mas duas Autoeuropas”.

“Sines pode ser um dos grandes polos de desenvolvimento do país para o futuro, podemos ter em Sines não uma, mas duas ‘Autoreuropas’ no futuro”, realçou António Costa Silva, na sua primeira intervenção na Assembleia da República enquanto novo ministro da Economia e do Mar, durante o debate sobre o programa do XXIII Governo Constitucional, que continua hoje.

Para o governante, o porto de Sines pode tornar-se um centro de tecnologias ‘verdes’ e biocombustíveis para “a marinha e todas as forças que se movimentam no mar”, bem como um centro de importação de gás natural liquefeito (GNL).

António Costa Silva realçou que a economia portuguesa está a atravessar um “momento difícil”, “duramente fustigada” pela pandemia e pela guerra da Ucrânia e, por isso, é necessário colocar o “mais rapidamente possível no terreno” um pacote de medidas para fazer face ao “quadro muito difícil” que enfrentam as famílias portugueses.

Simultaneamente, apontou Costa Silva, é necessário “pensar a longo prazo” e fazer um “esforço extraordinário” na aplicação dos fundos europeus, com uma estratégia económica que assenta em seis pilares fundamentais: qualificação e competências dos trabalhadores, capitalização das empresas, inovação tecnológica, literacia financeira e digital, ecossistema de inovação e exportações/importações.

“Temos de ter estratégia inteligente para substituição das exportações que fazemos. Se nós trabalharmos exportações e importações de forma articulada, vamos ter o caminho para o futuro”, afirmou o ministro da Economia e do Mar.

O debate do Programa do XXIII Governo Constitucional termina hoje na Assembleia da República com a votação da moção de rejeição apresentada pelo Chega, que deverá contar unicamente com os votos a favor dos deputados do partido proponente.

O primeiro dos dois dias de debate ficou marcado pela garantia dada pelo primeiro-ministro, António Costa, de que cumprirá o mandato até ao fim, quebrando assim o silêncio sobre a sua hipotética saída para um cargo europeu daqui a dois anos e meio.

O chefe do executivo anunciou que a proposta de Orçamento de Estado de 2022 será apresentada na próxima semana e antecipou que o crescimento económico será “um dos desafios centrais” da governação nos próximos quatro anos.

O Programa do XXIII Governo Constitucional corresponde basicamente ao programa eleitoral que o PS apresentou para as legislativas de 30 de janeiro, que venceu com maioria absoluta, elegendo 120 dos 230 deputados da Assembleia da República.

Este programa identifica quatro “desafios estratégicos” de médio e longo prazo: resposta à emergência climática, transição digital, interrupção da atual crise demográfica e combate às desigualdades.

Realpolitik | um conceito fora do discurso atual | por Carlos Matos Gomes

Hoje, a propósito da guerra na Ucrânia e perante a ditadura do pensamento único e da opinião instantânea, da técnica do dispare uma condenação antes de pensar, lembrei-me de ir a uma Enciclopédia Britânica que anda aqui por casa e ler o que ali se diz sobre um conceito que desapareceu do discurso da comunicação social: Realpolitik.

Reza a Enciclopédia Britânica (tradução minha): Realpolitik, política baseada em objetivos práticos e não em ideais. A palavra não significa “real” no sentido inglês, mas sim que conota “coisas” — daí uma política de adaptação às “coisas” como elas são. A Realpolitik sugere, assim, uma visão pragmática e objetiva e um desrespeito pelas considerações éticas . Na diplomacia, a Realpolitik é frequentemente associada à busca implacável, embora realista, do interesse nacional.

Pensadores conceituados como Maquiavel e Nietzsche defendem a Realpolitik como um tipo de realismo político segundo o qual as relações de poder tendem a abafar todas as pretensões de fundamentação moral, num tipo de ceticismo moral análogo ao do argumento de Trasímaco na República de Platão. (Trasímaco, personagem de a República, para quem a justiça não é nada mais do que a “conveniência do mais forte”).

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O que há de novo nesta guerra? | por Carlos Matos Gomes

Todas as guerras começam onde a última acabou. Esta invasão da Ucrânia começou com a implosão da URSS e a sua redução a uma potência militarmente vencível e estrategicamente dominável pelos Estados Unidos.

Esta guerra começou quando os Estados Unidos entenderam que chegara a ocasião de fechar o cerco à Rússia e fazer da Ucrânia a sua base avançada no centro da Europa, o mesmo papel que atribuíram a Israel a Sul e aos estados bálticos a norte (agora estendido à Finlândia e à Suécia com uma rápida integração na NATO, a sua aliança militar para a Europa).

A Rússia respondeu com uma ação militar clássica e convencional de objetivos limitados. Uma invasão por 3 eixos, um dirigido do Norte à capital, Kiev, outro no Leste para integrar os territórios fronteiriços e um a Sul para dominar os mares de Azov e Negro.

Até aqui tudo como nos livros da última guerra. Como aconteceu na I Grande Guerra que se previa ser de curta duração, com introdução de um novo fator, a metralhadora, os planos deixaram de ser válidos, as tropas fixaram-se no terreno, em trincheiras. Na II Guerra Mundial o fator novo foi uma má avaliação alemã das capacidades da conjugação de blindados e aviação na planície europeia, que inclui a Ucrânia, e alterou os planos alemães de conquistar a Rússia. Também nesta presente guerra da Ucrânia surgiram fatores novos que a transformaram numa guerra de novo tipo, de resultados imprevisíveis, exceto o de que os povos sofrerão mais e empobrecerão e os ricos enriquecerão.

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EM DEFESA DA INTELIGÊNCIA | Guilherme d’ Oliveira Martins | Opinião/DN

“Perante um mundo ameaçado de desintegração, onde os novos inquisidores arriscam edificar para sempre os reinos da morte, esta geração sabe que deveria, numa espécie de corrida contrarrelógio, restaurar entre as nações uma paz que não seja a da servidão, reconciliar de novo trabalho e cultura e reconstituir com todos os seres humanos uma arca da aliança”. Estas foram as palavras de Albert Camus quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura a 10 de dezembro de 1957.

Afirmando que a sua geração não estaria destinada a refazer o mundo, o escritor preferia os homens empenhados às literaturas comprometidas. Mais do que pregador da virtude, o intelectual deveria compreender que a verdade é misteriosa e fugaz e que a liberdade é perigosa “tão dura de viver, quanto empolgante”. Conferências e Discursos (Livros do Brasil, 2022) reúne trinta e quatro textos de Camus, que constituem reflexões que ganham, nos dias que correm, uma atualidade premente.

Quando a guerra regressa ao nosso quotidiano, com argumentos que julgaríamos banidos, compreendemos que Camus pôde ver para além das ilusões alimentadas por amanhãs que cantam. Por isso, foi incompreendido, ao recusar o conformismo das ideias adquiridas. E, ao relermos, o que disse em março de 1945, na associação “Amitié Française”, quando na frente europeia começavam a calar-se as armas do conflito, voltamos a entender como a humanidade nunca pode considerar-se definitivamente conciliada… “De facto, nada faremos pela amizade se não nos livrarmos da mentira e do ódio. E, em certo sentido, é bem verdade que não nos livrámos. Há muito que frequentamos essa escola. E talvez seja essa a última e mais persistente vitória do hitlerismo, e das marcas odiosas deixadas no coração até daqueles que as combateram com todas as suas forças (…)

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Ucrânia: Líder da Sérvia diz a Putin que pretende aderir à UE e manter estreita relação com a Rússia | in msn.com/Pedro Caldeira Rodrigues

Belgrado, 06 abr 2022 (Lusa) – O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, que no domingo foi reeleito com uma ampla vitória eleitoral, assegurou hoje em conversa telefónica com o homólogo russo, Vladimir Putin, que a Sérvia quer aderir à UE e manter a estreita relação com Moscovo.

“A República da Sérvia prosseguirá a política do caminho europeu e também a preservação das suas tradicionais relações sinceras e amistosas com a Federação Russa”, disse Vucic no decurso do contacto, no qual agradeceu a Putin as felicitações que emitiu pelo triunfo eleitoral, informou o seu gabinete em comunicado.

No decurso da conversa, Vucic “manifestou a sua esperança de que o conflito na Ucrânia termine o mais brevemente possível”.

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O capitalismo privatista a ir-se ! Ir-se-á também este mínimo que é a Democracia Liberal!? | por Joffre António Justino

Deixou de existir a economia privatista capitalista,  e passamos a viver numa economia de capitalismo sob o poder do Estado,  provavelmente a caminho do capitalismo de Estado, nos EUA também

Sabíamos que havia a margem do complexo militar industrial,  que era dominantemente capitalista de estado, sob gestão privatista tal qual a RPChina um país dois sistemas ( lá sob poder comunista cá sob poder privatista por ora), mas agora tudo parece estar a mudar

A presidência Bideniana alargou as  sanções contra duas filhas adultas de Vladimir Putin, dada a nvasão da Ucrânia pela Rússia, argumentando,  sem provas,  sem ação da Justiça,   que estas  familiares escondem a riqueza do Presidente russo,  e mais que em  um comunicado estatal,   também a mulher e a filha do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, e membros o Conselho de Segurança da Rússia, incluindo os antigos líderes russos Dmitry Medvedev e Mikhail Mishustin, serão alvo de sanções.

Assim, os EUA decidiram entrar alargadamente em sanções impostas pelo poder de estado,   também com um  “bloqueio total” às principais instituições financeiras públicas e privadas russas, o Sberbank, que representa quase um terço do espólio bancário do país, e o Alfa Bank, o maior banco privado da Rússia, e informaram que todos os novos investimentos americanos na Rússia estão proibidos.

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Catarina Martins: “A União Europeia e Portugal continuam a proteger” a oligarquia russa | in msn.com

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou a União Europeia e Portugal por continuarem “a proteger” oligarquia russa, um dia depois de Portugal ter expulsado dez diplomatas russos.

“A União Europeia e Portugal continuam a proteger todos os regimes que permitem esconder estas fortunas em offshores e outros. Portanto, há aqui um problema de sanções é que as sanções são afirmadas de voz grossa, mas depois na prática a oligarquia russa continua a ver intocado o seu poder e a sua fortuna à conta de offshores”, sublinhou Catarina Martins na sede do Bloco de Esquerda.

Segundo a líder do BE, o partido está preocupado “que em Portugal o Governo português não seja capaz de dizer quais são os interesses e os bens de oligarcas russos que ficam retidos”. “Todos os relatórios apontam que Portugal tenha também os interesses económicos desses oligarcas”, frisou.

Ministro alemão preocupado com “forte dependência” económica da China | in Lusa e msn.com

O ministro das Finanças alemão manifestou hoje preocupação com a “forte dependência” económica do seu país da China, apelando à diversificação dos parceiros comerciais da Alemanha, num contexto de tensão internacional exacerbada pela guerra na Ucrânia.

“A minha preocupação em relação à situação alemã é que (…) temos uma forte dependência económica da China”, declarou Christian Lindner, dirigente do partido liberal FDP, falando ao jornal Die Zeit.

“Temos de diversificar as nossas relações internacionais, incluindo para as nossas exportações”, acrescentou.

A guerra na Ucrânia expôs também a dependência da Alemanha da Rússia, a quem compra mais de metade do seu gás e uma parte do carvão e do petróleo.

Pequim é, no entanto, o principal parceiro económico da Alemanha, com mais de 245 mil milhões de euros em trocas comerciais entre os dois países em 2021, um número que representa um aumento de 15,1% em relação ao ano anterior.

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Lições antigas para salvar a paz global | por Viriato Soromenho Marques | Opinião/ DN

Entre 1983 e 1985 estudei obsessivamente a possibilidade de uma guerra nuclear na Europa. A crise dos euromísseis – opondo os SS 20 soviéticos aos mísseis de cruzeiro e aos Pershing 2 norte-americanos – reflectia a escalada agressiva dos dois lados da Guerra Fria, podendo resvalar para uma guerra nuclear limitada a um teatro centro-europeu. No Verão de 1983, o tema mais popular nas discotecas alemãs – da autoria de um grupo de rock de Bochum, Geier Sturzflug – intitulava-se “Visite a Europa enquanto ela ainda está de pé”… A recusa da guerra levava milhões de alemães, e outros europeus, à rua, e mesmo em partidos de governo existiam vozes, como a do presidente do estado federado do Sarre, Oskar Lafontaine (do SPD), que colocavam em causa a pertença de Bona à NATO. Em 1985, poucos antes da subida de Gorbachev ao poder, publiquei um livro sobre o que aprendera nessa viagem sobre o universo da guerra no tempo das armas atómicas. A mais importante lição foi a de perceber que a guerra nuclear é uma forma extrema de desmesura. Ela é o modo final e distópico da razão instrumental. Os estrategistas, durante os 40 anos da Guerra Fria, tentaram, em vão, racionalizar aquilo que está no plano da desrazão. A conclusão a que se chegou, a leste e a oeste, foi a de que para evitar a guerra nuclear seria necessário manter canais de diálogo e cooperação com o potencial inimigo, para evitar aquela que seria a última das guerras, pois traria, com a destruição mútua assegurada, o fim da própria civilização. Os sobreviventes amaldiçoariam a sua própria sobrevivência.

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DE QUE MATÉRIA SE FAZ UMA GUERRA? | por Raquel Varela | in Jornal i

A prazo creio que iremos olhar esta guerra como uma tentativa dos Governos ocidentais de socorrerem as suas empresas para tentarem sair da crise estrutural de acumulação.

A grande maioria dos historiadores é suficientemente virtuoso para esquecer os motivos frívolos que os fautores das guerras apresentam. Discursos dramáticos, propaganda de valores morais auto atribuídos, tudo com os anos se enche de pó em caixas que acabam, quando muito, num livro de curiosidades à venda num aeroporto. O assassinato do arquiduque Francisco Fernando é o facto menos relevante da Primeira Grande Guerra, ninguém ensina que é a causa da guerra. Mas afinal qual é a razão da guerra em curso?

Durante a Primeira Guerra Mundial, o jornalista John Reed, convidado a discursar num clube das classes dirigentes dos EUA, deu uma resposta contundente à pergunta que os seus anfitriões lhe fizeram: “Quais as motivações desta guerra?” “Profits”, respondeu ele. Lucros. A grande motivação dessa como de outras guerras.

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Noticias da A25A | A Biografia de Salgueiro Maia e as Circunstâncias | por Carlos Matos Gomes | Vasco Lourenço

Caros associados

Estamos em plena evocação dos 50 Anos do 25 de Abril.

Nessas comemorações – iniciadas em 23.03.2022, dia em que o tempo de vivência em Liberdade igualou o tempo que durou a tenebrosa e negra ditadura, com a condecoração de alguns dos Capitães de Abril (30) – irão desenvolver-se um conjunto de actividades que o acontecimento em causa plenamente justifica. 

Como afirmou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não devendo, nem podendo esquecer o passado, temos de aproveitar esse passado e o presente, para projectarmos o futuro.

Nós, Capitães de Abril, nunca renegando a nossa acção que provocou o derrube da ditadura e a abertura das portas à Liberdade, à Paz, à Democracia, à Justiça Social, à Solidariedade, valores que assumimos como Valores de Abril, logo, os valores porque nos batemos e continuamos a bater, temos muita honra e algum orgulho em termos cumprido todas as promessas feitas aos portugueses e ao mundo, termos entregue o poder ao povo português, democraticamente organizado, termos exigido apenas a qualidade de cidadão comum, igual aos demais.

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O FUTURO DA UCRÂNIA | por António Ribeiro

Repudio totalmente os ataques das forças armadas russas a complexos residenciais ucranianos e a inúmeras nfraestruturas e bairros residenciais civis, sobretudo no Centro e Ocidente da Ucrânia.

Quem iniciou a invasão em nome da recuperação do Donbass e Lugansk, no Leste, etno-russofilos, não tinha que destruir a maior parte do país. Essa  estratégia de amachucar os civis para impor o medo e a submissão eu pensava estar acabada, pelo menos na Europa.

Tal não significa que a Federação Russa não tenha algumas razões legítimas para a ofensiva de 24 de Fevereiro.

A Ucrânia pode ser UE mas não pode, nem precisa, de ser NATO. A isso parece que já acedeu.

Vivemos melhor sem a Ucrânia na NATO, porque o imenso país é um vespeiro. É legitimo que não sejamos arrastados para um confronto nuclear por qualquer incidente na Ucrânia. O próprio poder de Zelenskyi é fruto de um golpe de Estado congeminado pelos neocons americanos. Não temos que tramar a Europa inteira por causa de lutas políticas e ideológicas que acontecem nos EUA.

Os americanos não podem fazer uma guerra por procuração na Europa, sendo que eles vão faturar em todas as frentes. Vendem armamento sofisticado e caro. Passam a alimentar a Europa de gás e petróleo a preços hiper-inflacionados. No final, entrarão com as suas empresas no processo de reconstrução da Ucrânia destruída. Portanto, vão ganhar bastante e sem risco.

Quem vai pagar a bilionária conta final? A Europa, pois claro, mais a Ucrânia, com os seus cereais.

Mas a Ucrânia tem de conservar Odessa, pelo menos, e bater-se pela internacionalização de Mariupol. Tem de ter acesso ao Mar de Azov e ao Mar Negro.

Quanto à Crimeia, esqueçam. Aquilo foi russo durante séculos e os habitantes falam russo

António Ribeiro | in Facebook

Conferência com José Pepe Mujica | 24 de set. de 2014

O presidente uruguaio, José Pepe Mujica, participou da conferência de abertura do Seminário Internacional Universidade, Sociedade, Estado, que aconteceu na UFRGS nos dias 10 e 11 de setembro. Na conferência, Mujica fala sobre paz, liberdade, solidariedade e felicidade, temas abordados em seus discursos, quando ataca a cultura consumista e a civilização do desperdício, e defende o respeito à vida.

Mujica sobre a guerra na Ucrânia e o “colonialismo intelectual” | Pepe Mujica

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a guerra na Ucrânia e acusa o Ocidente de colonialismo intelectual devido à repercussão desigual do conflito em solo europeu em detrimento de guerras em regiões periféricas. “O que acontece na Europa é muito mais humano do que o que acontece em outros lugares. Por isso segue existindo um colonialismo intelectual que nos subordina.”

Mujica aponta para o impacto global causado pela guerra na Ucrânia e como países que estão muito distantes e não têm ingerência nenhuma sobre o conflito devem sofrer baques econômicos e falências. “A Europa, o mundo, os EUA, não pensaram nas medidas que tomam, nas consequências que têm para muitas pessoas”, disse Mujica. “Quando poderão a Europa e o mundo olhar para o mundo inteiro pelo qual são responsáveis?”

Como a Nato venceu a guerra sem um tiro | por Francisco Louçã | in Jornal Expresso 2/04/2022

No verão passado, terminou em desastre a única operação militar da Nato deste século, a primeira evocação do temido artigo 5º do seu tratado. As forças norte-americanas retiraram-se e os 300 mil soldados que tinham armado, um dos maiores exércitos do mundo, debandaram em poucos dias e entregaram o poder aos talibãs.

Centenas de cidadãos norte-americanos foram deixados para trás na precipitação da fuga. A Nato atingiu o seu ponto mais baixo. Poucos meses depois, a organização é já a vencedora da guerra da Ucrânia, como quer que prossiga a destruição do país. A sua vitória é total. É política e comunicacional, como é militar e estratégica, dominando adversários e aliados, pois a Nato passou a ser vista como a única garantia da Europa, enquanto Putin, que desencadeou a invasão para trucidar um país soberano em nome da saudade do império czarista, se tornou o homem mais detestado do mundo.

 Tem sido analisada a estratégia do Kremlin, que procura afirmar uma potência global, embora sem recursos para tal. A Rússia tem um PIB dez vezes inferior ao da China (há vinte anos era equivalente) e, se dispõe do segundo exército do mundo, falta-lhe capacidade para determinar o mapa europeu. Em contraste, a estratégia da Casa Branca não tem sido discutida, excepto nos próprios EUA, e talvez seja Thomas Friedman, um editorialista conservador do New York Times, quem tem estado mais atento a esse percurso, em que não há inocentes.

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A coragem está na paz, não nos falsos heroísmos | por Miguel Sousa Tavares in Jornal Expresso de 11/03/2022

A pergunta que se coloca, então, é esta: porque não aceitou Zelensky negociar antes, quando era isto justamente que a Rússia propunha? Porque não o fez para evitar a invasão do seu país e não ter de assistir a tantos mortos, tanta destruição, tantas famílias em fuga?

O herói não é, não pode ser nunca, quem invade o vizinho mais fraco à míngua de outros argumentos e leva a morte, a destruição e o terror a terra alheia. Não pode ser, pois, Vladimir Putin, que diz que russos e ucranianos são um mesmo povo e que, todavia, bombardeia e põe em fuga esse “mesmo povo”.

As razões que tinha ou que julgava ter por força da história ou do direito perdeu-as por força dos canhões e dos tanques. E o resto fazem-no as imagens que todos os dias chegam às casas do mundo inteiro: porque se qualquer guerra tem como consequência cidades bombardeadas, crianças e velhos mortos ou em fuga, esta tem a diferença de ser filmada de perto e a cores, dia a dia e à medida que vai acontecendo.

Mas o herói também não é o celebrado Volodymyr Zelensky, com a sua T-shirt militar e os seus discursos “patrióticos”, usando com mestria os seus dotes de actor e com indisfarçada vaidade (e sucesso, dos Comuns ao Facebook) a sua veleidade de ser tomado pelo Churchill do século XXI. Até agora, enquanto as mulheres e crianças fogem e os homens, civis e militares, tentam deter as tropas russas, ele, entrincheirado no seu bunker, a fazer tweets e vídeos e a apelar à terceira guerra mundial, tem sido um herói à medida destes tempos sem heróis verdadeiros e com heróis instantâneos. Mas, a menos que muito me engane, não me espantaria que, se a guerra for para continuar e os russos entrarem em Kiev, o herói Zelensky será capaz de desiludir muitos corações. Não é Churchill quem quer.

Zelensky parece agora finalmente disposto a negociar com Putin e a negociação, se não foi entretanto cancelada, irá já a nível de ministros dos Estrangeiros.

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Fraternidade rastejante | por José Goulão in AbrilAbril

A geração actual dos dirigentes europeus, sem qualquer excepção, é a mais acéfala de sempre perante Washington, a ponto de deixar as populações do continente à mercê de uma estratégia aventureirista.

QUINTA, 31 DE MARÇO DE 2022

Comecemos com algumas citações.

Petro Poroshenko, ex-presidente da Ucrânia (2014-2019): «Nós teremos trabalho, eles não; teremos pensões, eles não, teremos apoio para as pessoas, crianças e pensionistas, eles não; as nossas crianças irão para escolas e jardins de infância, as crianças deles irão para os abrigos».

Discurso em Odessa, Maio de 2015. «Eles» são os habitantes da região ucraniana do Donbass e o quadro traçado «é o que acontecerá quando ganharmos esta guerra», ou seja, a operação de punição e genocídio lançada pelas tropas do regime ucraniano e os seus destacamentos nazis contra a população do Leste do país, de maioria russófona – que provocou pelo menos 14 mil mortos entre 2014 e 2021.

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia: «Existem heróis indiscutíveis: Stepan Bandera é um herói para certa parte dos ucranianos, o que é uma coisa normal e legal. Ele foi um dos que defenderam a liberdade da Ucrânia».

Stepan Bandera, agora consagrado oficialmente como «herói da Ucrânia», foi o chefe da organização nazi OUN/UPA, constituída segundo o modelo das SS e que colaborou com as tropas invasoras de Hitler nos massacres de milhares de polacos, judeus e resistentes soviéticos; aconteceu em 1941, ano em que o avô da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, foi um dos oficiais alemães que conduziu essas chacinas na Ucrânia soviética. Bandera igual a liberdade, eis o conceito que o Ocidente apoia desde 2014 na Ucrânia.

Josh Cohen em publicação do Atlantic Council, think tank associado à NATO: «A Ucrânia tem um problema real com a violência de extrema-direita (e não, isto não é uma manchete do RT). Parece coisa de propaganda do Kremlin mas não é».

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Sobre a China | Em resposta ao António Ribeiro, in Facebook | por Vítor Coelho da Silva

António, vem tarde. A China já domina o Mundo. Repare, hoje houve uma reunião UE/CHINA onde foi declaradamente pedido a este País que ajudasse a conseguir um acordo para a Intervenção Militar Especial da Rússia na Ucrânia. Ou seja, acagaçámo-nos com Vladimir Putin (como refere e muito bem o Zelensky), estamos aflitos sem saber qual a estratégia dele, já todos percebemos que Putin é o melhor estratego de todos, até porque consegue apavorar os 30 líderes da NATO.

Quer queiramos quer não, e apesar de as Fake News divulgarem que ele estará doente, mesmo assim o cagaço persiste. Joe Biden, coitado, anda apavorado, até porque alguém anda a falar em “coisas” esquisitas que a sua família andou e anda a fazer lá pela Ucrânia.

A Rota da Seda é já uma realidade, tem sido muito bem implantada, os países tradicionalmente mais explorados e colonizados por nós (europeus) inclinam-se todos para uma colaboração aberta com a China. A Rússia, com 160 milhões de habitantes e a maior extensão territorial do Mundo, com a sua poderosa cultura, a sua eficácia tecnológica (o primeiro homem no Espaço foi um russo), a sua longa experiência ao longo de séculos e o seu sofrimento nas invasões Napoleónicas e Hitlerianas, junto à própria experiência sofrida do seu marxismo erradamente “implantado” e perdedor, deu-lhe uma resiliência que se tornou em sabedoria para atravessar os maus momentos. Sem nunca desistir, levantando sempre a cabeça.

Tudo isto faz com que a Russia faça parte por direito próprio da Estratégia da Rota da Seda liderada pela China. Como Europeu, não gosto de ver esta doentia divisão entre Europa do Oeste e Europa do Leste, e muito menos gosto de ver o Mundo dividido em três grandes impérios. É errado, do meu ponto de vista, levará a constantes confrontos entre os três Impérios, quando o caminho certo seria um objetivo comum.

Repare que Portugal situado na ponta oeste da Europa, e com o apoio dos dois arquipélagos que tem – Madeira e Açores, será, quer queiramos, quer não, um País vital para a Rota da Seda, com a extraordinária abertura que tem para o Atlântico a Ocidente.

Convinha todos analisarmos o Mundo tal como ele é e, como De Gaulle, termos uma visão global do Destino da Humanidade. Repare como a China há 400 anos já teve uma visão do futuro. Foi capaz de fazer uma concessão de um pequeno terreno a Portugal. Com acordo escrito. Macau foi nossa colónia com o acordo do milenar Império Chinês.

E hoje encontra-se já bem implantado em Portugal, de Norte a Sul, e em empresas e sectores poderosos. Não creio que a solução e o futuro seja entrarmos em choque com este Império. Sugiro que tenhamos a sabedoria de com ele abrir caminhos de futuro para toda a Humanidade.

Um abraço com estima, 🙋

Vítor Coelho da Silva | 1/04/2022

A Paz não vende ? | por Joffre António Justino

É curioso, desde que se sente que a prioridade está nas negociações de paz na Ucrânia (ainda com curtas chamadas de primeira página) a guerra passou para páginas menores dos media e nas têvês, o futebol reganhou o espaço dominante (nem se fala já da estátua da sra de Fátima…).

No entanto no recuo de Zelinsky está o jogo da perda de autonomia da Ucrânia que passa a ser um Protetorado de 9 países, 5 dos quais do Conselho de Segurança da ONU (Rússia incluída), para aceitar não entrar na Nato que na verdade entra pela porta das traseiras com a entrega de armas e gerar a exclusão aérea.

Mais ainda lá se vão a prazo de 15 anos Donetz e Lugansk como já foi a Crimeia enquanto que a guerra continua em Mariupol (desnazificar a Ucrânia enfim).

Como não se sabem os reais objetivos militares da invasão russa, o certo é que Stoltenberg e Biden em particular, deveriam apresentar a demissão dos seus cargos, pois a sua aposta guerreira foi à vida tendo significado somente o desastre ucraniano em vidas e edificado enquanto que a Nato pouco valor mostrou ter (se formou o exército ucraniano o resultado não foi brilhante por muito que se queira dizer o contrário pois a Ucrânia tem uma forte e antiga presença militar no mundo sob formação soviética).

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Ucrânia, Rússia | O Caminho para a Paz | Vítor Coelho da Silva

Joe Biden e seus parceiros da NATO subestimaram o suposto “inimigo”, ou seja, quiseram responder à insistência recente e última de Vladimir Putin de que não admitiria mais países vizinhos com armas nucleares apontadas ao seu País, a Rússia, com uma apressada decisão de integração da Ucrânia na Organização.

No entender de muitos, Vladimir Putin apercebeu-se de que ficaria encurralado, pois que o artº 5 da NATO diz que é uma Organização Militar de Defesa, que responderá se qualquer País da Aliança for atacado.

Situação que, inevitavelmente, levaria à Guerra Nuclear e extinção da Humanidade.

Daí ter decidido avançar para a denominada “Intervenção Militar Especial”, antes da integração da Ucrânia, para evitar o automatismo de uma resposta global da NATO.

De notar que, foi sempre admitido e aceite pelas Duas Potências Nucleares nos acordos sobre armamento que subscreveram, que a única forma de evitar uma guerra atómica seria que o equilíbrio armamentício deveria respeitar a “lei/regra” da Destruição Mútua Assegurada.

Ou seja, em linguagem simples, ambas as Potências Nucleares sempre aceitaram que a única maneira de evitar carregar no Botão, seria a absoluta consciência de que inevitavelmente seria o fim de toda Humanidade.

A evolução havida hoje na reunião de Istambul sob o Patrocínio de Recep Tayyip Erdoğan, é um passo gigantesco para a obtenção da Paz. Oxalá se consubstancie num cessar fogo a curto prazo e num acordo sólido e equilibrado, em que todos saiam vencedores, com vista a uma vizinhança e coabitação pacíficas para sempre, entre a Ucrânia e a Rússia e entre As Europas do Leste e Oeste.

EUROPA DO ATLÂNTICO AOS URAIS | CHARLES DE GAULLE

Vítor Manuel Coelho da Silva,

29/03/2022

Um caminhar para a Paz!? Boa! | Joffre António Justino | 29/03/2022

O vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, disse que a Rússia decidiu “reduzir fundamentalmente a actividade militar na direcção de Kiev e Chernihiv de forma a “aumentar a confiança mútua para futuras negociações e para a assinatura de um acordo de paz com a Ucrânia”.

Os responsáveis ucranianos presentes no encontro admitem adoptar um estatuto de neutralidade em troca de garantias de segurança, ficando de fora de qualquer tipo de aliança militar, como é o caso da NATO, e que não irá albergar bases militares no país.

Os ucranianos pretendem um período de consulta de 15 anos sobre o estatuto do território anexado da Crimeia. “Se conseguirmos consolidar essas disposições-chave, o que para nós é fundamental, então a Ucrânia estará em condições de afirmar um estatuto de neutralidade”, disse Oleksander Chaly.

Para os responsáveis ucranianos, as condições hoje acordadas permitem já pensar num encontro entre Zelensky e Vladimir Putin.

Escreve para Joffre Antonio Justino

Rússia disposta a deixar Ucrânia aderir à UE, caso abdique da NATO | in msn.com/Reuters

Opção/proposta/decisão muito inteligente ; à Rússia interessam vizinhos desenvolvidos, pois será bom para ambos (vcs)

© Reuters – A informação foi avançada no mesmo dia em que as delegações de Moscovo e Kyiv estão reunidas, em Istambul.

Fontes citadas pelo The Financial Times terão dito que a Rússia está disposta a deixar a Ucrânia aderir à União Europeia, caso o país abandone quaisquer eventuais intenções de aderir à NATO.

Apelos quanto a uma eventual “desnazificação” da Ucrânia, que envolveria uma mudança de regime no país, terão também sido deixados de parte enquanto medida a negociar com Kyiv durante as conversações de paz.

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A Europa deve afinar os seus objetivos | Opinião/ DN | por Javier Solana | PONTO DE VISTA

O presidente russo, Vladimir Putin, trouxe a Europa de volta a um lugar que pensávamos ter sido remetido a um passado irrepetível. Encontramo-nos diante de um líder irracional cuja política externa vem degenerando desde o dia, em 2001, em que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o olhou nos olhos e disse que havia encontrado um homem em quem podia confiar.

O risco de uma terceira guerra mundial deixou de estar no âmbito do impossível. A Rússia está agora a realizar ataques a poucos quilómetros das fronteiras da NATO e, dada a imprevisibilidade de Putin, não podemos descartar a possibilidade de um confronto direto entre a Rússia e a Aliança. Isso levantaria a possibilidade quase inimaginável de um conflito nuclear, que os nossos líderes têm o dever de evitar.

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DOIS VÍDEOS | Mujica sobre a guerra na Ucrânia e o “colonialismo intelectual” + Mujica sobre a crise na Ucrânia e a “loucura da guerra”

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a guerra na Ucrânia e acusa o Ocidente de colonialismo intelectual devido à repercussão desigual do conflito em solo europeu em detrimento de guerras em regiões periféricas. “O que acontece na Europa é muito mais humano do que o que acontece em outros lugares. Por isso segue existindo um colonialismo intelectual que nos subordina.” Mujica aponta para o impacto global causado pela guerra na Ucrânia e como países que estão muito distantes e não têm ingerência nenhuma sobre o conflito devem sofrer baques econômicos e falências. “A Europa, o mundo, os EUA, não pensaram nas medidas que tomam, nas consequências que têm para muitas pessoas”, disse Mujica. “Quando poderão a Europa e o mundo olhar para o mundo inteiro pelo qual são responsáveis?”

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a guerra ser a forma de solucionar conflitos: “Seguiremos na pré-história, com a única diferença de que a barbárie dos homens primitivos parece brincadeira de criança comparada a atual.”

Assim vai a Europa… | Alguns comentários sobre a situação presente | por Carlos Esperança

Enquanto a maior ditadura do mundo, com 140 milhões de habitantes, ganha a guerra na Ucrânia, limitando-se a assistir, a Europa recebe o imperador Biden, que combaterá ao lado de Zelensky até ao último europeu, promovendo a venda de armas do complexo militar-industrial dos EUA e valorizando o gás de xisto e os cereais dos EUA.

Nem sequer os jornalistas lhe censuram a falta de autoridade moral para usar linguagem de almocreve e acicatar a guerra na Europa, destruindo as instituições que genuinamente se batem pela paz, nomeadamente a ONU e o Vaticano, provocando a desorientação dos países e a desordem das consciências, e deixando a fatura para os europeus.

O pensamento único vai regressando à Europa, colocada em estado de estupor, perante a violência da guerra ucraniana, sem estratégia própria, a navegar ao sabor dos interesses geoestratégicos alheios. Putin, que apoiou a extrema-direita europeia, conseguiu destruir a Ucrânia e Rússia, a última à espera de se tornar uma nova Jugoslávia onde o fascismo islâmico se prepara para a desintegrar e criar novos estados fantoches apoiados pelos responsáveis da sua desintegração.

Dizer que nenhuma potência gosta de que lhe ponham mísseis na fronteira, devia ser um truísmo tautologicamente demonstrado, e passou a ser a arma ao serviço do pensamento único, sob meaça de ser um argumento a favor do czar Putin.

A Paz é um mero pretexto retórico para a eliminação do adversário escolhido pela Nato, e o presidente da Ucrânia foi promovido a herói das democracias liberais, mesmo depois de ter proibido os partidos da oposição.

O histerismo com que se veiculam as posições de Zelensky chega ao despautério de exaltar a sua censura ao governo de Portugal por não ser tão belicista quanto desejava, à Nato por ter medo da Rússia e à Europa por não dar pretexto ao holocausto nuclear envolvendo-se diretamente na guerra que procura estender ao Mundo.

A Europa, herdeira do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa, arrisca a desintegração. Os nacionalismos já a corroem, o belicismo dos que não aceitam pagar a fatura da sua imprudência ameaça as instituições democráticas, a extrema-direita anda aí nas ruas, de Lisboa a Kiev, e a Polónia e a Hungria, que tinham suspensos os fundos por desrespeitarem os direitos humanos, já integram o paradigma das futuras democracias, que constroem muros para impedir a entrada de refugiados de tez escura, mas abrem as portas a caucasianos.

Quando aceitamos censura à informação e nos resignamos às verdades únicas, é a ruína dos valores que promovemos, a democracia que pomos em jogo e o futuro coletivo que hipotecamos.

Ninguém se preocupa já com alterações climáticas, com a fome que aumenta em África por cada dia que se prolonga a guerra na Europa, com os refugiados da Síria e do Iémen, com os regimes teocráticos que se multiplicam, com a Turquia na sua deriva islâmica e antidemocrática a forçar a integração na UE, enfim, com a subversão dos valores que nos moldaram e tínhamos por irreversíveis.

O mundo não é a preto e branco e os que resistem são difamados.

Podem calar-nos, mas não nos renderemos.

Carlos Esperança | 27/03/2022

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

Eu considero Macron o mais esclarecido dirigente da União Europeia. Ficou com as “cartas” de Merkel. | por Carlos Matos Gomes

Eu considero Macron o mais esclarecido dirigente da União Europeia.  Ficou com as “cartas” de Merkel.

Neste caso e após as diatribes de Biden, o presidente francês não podia dizer mais do que disse, lamentar. O lamento traduz várias impotências: a impossibilidade de assumir a servidão europeia e a de ofender o imperador com a verdade.

Resta ler as entrelinhas. Macron sabe, mas não pode afirmar que Biden e os EUA queiram um cessar fogo na Ucrânia.

A ação dos EUA e da família Biden desde 2008 foi e é no sentido de atrair a Rússia e provocar a rutura com a União Europeia. Biden sabe exatamente o que quer e não é um cessar fogo que pretende, mas uma ocorrência que coloque a União Europeia perante uma situação catastrófica que a obrigue a servir os objetivos futuros dos EUA!

Quando a rutura entre a UE e a Rússia estiver consumada, feitos os negócios da energia e do «rearmamento da Europa», os EUA tratarão de passar as responsabilidades e os custos para os europeus e concentrar-se-ão na China e no Pacífico. 

Até lá é altura de impropérios.

Retirado do facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Ucrânia : a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (3) A guerra Rússia / EUA começou em 2012 ? O “caso” BRICS! | por Joffre Justino

Amigos meus a maioria das lusas Esquerdas a maioria no campo da família PS e BE defendem a toda a força que sou putinista ( enfim pior que russofilo pior que sovietista) e tudo porque me preocupo em perceber este cenário de “estupida guerra” russo-ucraniana e tirar ilações sobre a mesma

Na realidade há que ver a realidade como ela é e não com rosáceos óculos de ideologias manipuladas como os papparazianos nos impingem nos media ditos “ocidentais”

Vivemos até 24 de fevereiro uma globalização selvática e não democrática mas que permitiu abrir mentes ao outro via o turismo que nos ligou num processo que integrou  biliões de Pessoas algo nunca visto

Não sou putinista nem russofilo mas também não sou ucranianista e garantidamente não tenho qualquer simpatia por Biden Stoltenberg Leyden ou Scholtz mas o mesmo já não digo de Macron e dos que se esforçam por travar a expansão da guerra

Entretanto tenho acompanhado a lenta evolução para a redução do papel do Império único ( à Roma) estadunidense e do dólar que se pode dizer ter surgido em força com o nascimento do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics que pretende a  multipolarização financeira global

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Solomon Asch | Wikipédia | Sobre o Viés de Conformidade Social

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Solomon Eliot Asch (Varsóvia14 de setembro de 1907 — Haverford, 20 de fevereiro de 1996) foi um psicólogo gestaltista polacoestadunidense e pioneiro em psicologia social.

Ele criou trabalhos seminais em formação de impressões, sugestões de prestígio, conformidade e muitos outros tópicos em psicologia social. Seu trabalho segue um tema comum da psicologia da Gestalt, segundo o qual o todo não é apenas maior que a soma de suas partes, mas a natureza do todo altera fundamentalmente as partes.

Asch afirmou: “A maioria dos atos sociais deve ser entendida em seu contexto e perder o significado se isolada. Nenhum erro em pensar sobre fatos sociais é mais sério do que a falha em ver seu lugar e função” (Asch, 1952, p. 61).[4]

 Ele é mais conhecido por seus experimentos de conformidade, nos quais demonstrou a influência da pressão do grupo nas opiniões. Uma pesquisa da Review of General Psychology, publicada em 2002, classificou Asch como o 41º psicólogo mais citado do século XX.[5]

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Solomon_Asch#:~:text=Solomon%20Eliot%20Asch%20%28Vars%C3%B3via%2C%2014%20de%20setembro%20de,conformidade%20e%20muitos%20outros%20t%C3%B3picos%20em%20psicologia%20social.

Um amanuense perigoso e irresponsável | por Carlos Matos Gomes

Os secretários gerais da NATO são amanuenses bem pagos, políticos em estado de pousio que fazem e dizem o que lhes mandam, como os amanuenses que liam as ordens de serviço nos antigos quartéis. Mas há limites para tudo.

Este amanuense norueguês devia saber o mínimo dos mínimos: uma guerra nuclear não se ganha (Einstein: Não sei como vai ser a III Guerra Mundial, mas a IV vai ser com paus e pedras)

Ora esta insana criatura diz (por conta de quem?) que a Rússia não ganhará uma guerra nuclear, isto quando a doutrina da Organização de que é o amanuense assenta no princípio da destruição mútua e assegurada! (o homem fez provas de admissão? Leu o livro de capas azúis que é distribuído aos funcionários da NATO?)

Acresce que a causus belli da invasão da Rússia é exatamente a de a Rússia, caso os Estados Unidos e o seu anexo NATO instalassem armas nucleares na Ucrânia, ter dificuldade em ripostar contra os EUA e aliados e assegurar a destruição do adversário!

Um tipo como este norueguês não serve nem para porteiro de um bar no Cais do Sodré! Mas garante-nos, perante o abanar de orelhas dos lideres europeus, que a Europa está unida à volta da NATO!

Deve ser por estes animais falarem que Marcelo Rebelo de Sousa vai a Fátima e até eu oiço o papa Francisco.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Nikkei Asia webinar | The Ukraine war: the impact on Asia

Nikkei Asia | Mar. 24 2022 |

Russia’s February 24 invasion of Ukraine has sent shockwaves around the world – and some of the biggest are in Asia. The conflict and the western-led sanctions imposed in response have the potential to disrupt supply chains in sectors from food to semiconductors.

Asian governments and companies also face big decisions about whether to condemn President Vladimir Putin’s administration in Moscow – and whether to support economic countermeasures against it.

Please join an expert group of panelists for this Nikkei Asia webinar on how the region is dealing with the fallout from the war in Europe.

2017 | A History of Eastern Europe: Ukraine-Russia Crisis

Taught by Professor Vejas Gabriel Liulevicius, an award-winning professor at the University of Tennessee, Knoxville, these 24 insightful lectures offer a sweeping 1,000-year history of Eastern Europe with a particular focus on the region’s modern history. You’ll observe waves of migration and invasion, watch empires rise and fall, witness wars and their deadly consequences—and come away with a comprehensive knowledge of one of the world’s most fascinating places.

O QUE NOS ESPERA | a tragédia económica para todos | in msn.com

Biden acredita que sabe ‘o que vai parar’ Putin

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse, durante uma coletiva de imprensa na sede da Otan em Bruxelas, na Bélgica, que “sanções nunca detêm”, após participar de reuniões de emergência de alto risco com líderes mundiais.

“Senhor, a dissuasão não funcionou. O que o faz pensar que Vladimir Putin mudará de rumo com base na ação que você tomou hoje?” o presidente dos EUA foi perguntado por um repórter.

“Eu não disse isso”, disse Biden. “As sanções nunca impedem. Você continua falando sobre isso. As sanções nunca impedem.”

O presidente continuou: “A manutenção das sanções, o aumento da dor e a demonstração de por que pedi esta reunião da OTAN hoje é para ter certeza de que depois de um mês, vamos sustentar o que estamos fazendo, não apenas no próximo mês ou no mês seguinte, mas pelo resto deste ano inteiro. Isso é o que o impedirá.”

Un ancien Colonel des Services de Renseignements Suisses livre une analyse intéressante de la situation militaire en Ukraine | in ZE journal | Auteur : Pierre-Alain Depauw | Editeur : Walt | Jacques Baud

Auteur : Pierre-Alain Depauw | Editeur : Walt | Mardi, 22 Mars 2022

Jacques Baud est un analyste stratégique suisse, spécialiste du renseignement et du terrorisme.

Après avoir été Colonel d’état-major général danos l’armée suisse et officier des Services de Renseignements Suisses (SRS), il est devenu consultant auprès d’entreprises privées. Il vient de publier une analyse sur la situation militaire en Ukraine qui vaut le détour et dont nous vous proposons de larges extraits ci-dessous.

PREMIÈRE PARTIE : EN ROUTE VERS LA GUERRE

Pendant des années, du Mali à l’Afghanistan, j’ai travaillé pour la paix et ai risqué ma vie pour elle. Il ne s’agit donc pas de justifier la guerre, mais de comprendre ce qui nous y a conduit. Je constate que les « experts » qui se relaient sur les plateaux de télévision analysent la situation à partir d’informations douteuses, le plus souvent des hypothèses érigées en faits, et dès lors on ne parvient plus à comprendre ce qui se passe. C’est comme ça que l’on crée des paniques.

Le problème n’est pas tant de savoir qui a raison dans ce conflit, mais de s’interroger sur la manière dont nos dirigeants prennent leurs décisions.

Essayons d’examiner les racines du conflit. Cela commence par ceux qui durant les huit dernières années nous parlaient de « séparatistes » ou des « indépendantistes » du Donbass. C’est faux. Les référendums menés par les deux républiques auto-proclamées de Donetsk et de Lougansk en mai 2014, n’étaient pas des référendums d’« indépendance », comme l’ont affirmé certains journalistes peu scrupuleux, mais de référendums d’« auto-détermination » ou d’« autonomie ». Le qualificatif « pro-russes » suggère que la Russie était partie au conflit, ce qui n’était pas le cas, et le terme « russophones » aurait été plus honnête. D’ailleurs, ces référendums ont été conduits contre l’avis de Vladimir Poutine.

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As guerras | por António Pina

A URSS invadiu o Afeganistão, a Chechénia, a Geórgia. A URSS interveio em Angola, Congo, Etiópia, Somália e outros países africanos. OS EUA invadiram o Afeganistão., o Iraque, o Vietnam, o Cambodja, Laos, Granada, o Panamá. Intervieram na Guatemala, Salvador, Nicarágua e outros países da América Central e do Sul. Intervieram também na Somália e no Koweit. A China interveio na Coreia do Norte. A Argentina ocupou as Maldivas. A GB expulsou os argentinos. A Indonésia invadiu Timor. Os ingleses e franceses, invadiram o Egito. A Rússia interveio na Síria. Os Curdos são perseguidos pelos Turcos e Iranianos. Os Palestinos foram expulsos dos seus territórios. A Síria invadiu o Líbano. Israel invadiu o Líbano, ocupou o Sinai. A Arábia Saudita invadiu o Iémen. O Iraque invadiu o Irão. O Iraque ocupou o Koweit. A Sérvia interveio na Croácia e Bósnia.

Os genocídios que se verificaram no Ruanda, Burundi, Bósnia, Sudão são o prolongamento do que sucedeu na Europa de leste, por iniciativa de Hitler e Estaline.

Esta listagem é uma pequena síntese dos conflitos mais recentes. Houve muitos outros, nomeadamente inúmeros conflitos coloniais.

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Ucrânia: Zelensky pede “ajuda militar sem restrições” a países da NATO |  André Campos in Lusa

Bruxelas, 24 mar 2022 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje aos países membros da NATO para que prestem “assistência militar sem restrições” ao seu país, lamentando não ter recebido os meios que pediu, designadamente caças e tanques, para enfrentar o exército russo.

“Para salvar o povo e as nossas cidades, a Ucrânia necessita de assistência militar sem restrições. Tal como a Rússia utiliza, sem restrições, todo o seu arsenal contra nós”, disse Zelensky, numa mensagem vídeo publicada na sua conta na plataforma Telegram, dirigida aos chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica, hoje reunidos numa cimeira extraordinária em Bruxelas.

O Presidente ucraniano insistiu que “o exército ucraniano tem resistido durante um mês em condições desiguais” e lembra que “há um mês” que tem vindo a alertar para isso, sem efeitos práticos.

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Pepe Escobar explica a guerra total do Império contra a Rússia | Entrevista por Leonardo Attuch

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o analista geopolítico Pepe Escobar sobre a nova ordem internacional e os movimentos da Rússia na Ucrânia.

0:00 Boas vindas

1:30 Pepe fala sobre o fato de ter sido censurado pelo Twitter

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MNE realça importância da Argélia para as empresas portuguesas e Europa | in Lusa

Augusto Santos Silva reuniu-se hoje como o seu homólogo argelino, Ramtane Lamamra, para fazer um ponto de situação das relações económicas e comerciais, das relações político diplomáticas bilaterais e da cooperação na área da energia.

Estes temas pode também abordar numa reunião, de mais de uma hora, com o Presidente da República da Argélia, Abdelmadjid Tebboune, na perspetiva da próxima cimeira entre os dois países, que o chefe da diplomacia portuguesa adiantou que “espera que se realize este ano de 2022”, depois de adiamentos devido à pandemia.

“É importante ter em conta que a Argélia é um grande produtor de gás e que a diversificação das fontes de abastecimento de gás é essencial para a Europa diminuir a sua dependência energética face a Rússia”, salientou o ministro em declarações à Lusa.

Em termos bilaterais, Santos Silva frisou a importância de cultivar relações que depois facilitem a vida às empresas.

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Maduro diz que a Venezuela venceu o bloqueio e merece o Prémio Nobel da Economia | in Lusa

O Presidente Nicolás Maduro voltou a insistir que a Venezuela venceu o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e que o seu Governo merece o Prémio Nobel da Economia pelo modo como enfrentou as sanções internacionais. “Face às sanções, o que fizemos foi erguer-nos, pôr os nossos cérebros de pé, procurar os melhores conselheiros do mundo em economia, em moeda, em finanças, em políticas fiscais e produtivas”, disse.

O Presidente da Venezuela falava à televisão estatal venezuelana, durante a Expo-feira Caprina e Ovina Miranda 2022, no leste de Caracas. “E hoje podemos dizer que merecemos o Prémio Nobel da Economia porque avançámos sozinhos, com a agenda Económica Bolivariana”, sublinhou o governante.

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Le Grand jeu : cette autre Ukraine qui se prépare en mer de Chine… | Observatus Geopoliticus | in YETIBLOG.ORG

Alors que les yeux de la planète sont fixés sur l’Ukraine, l’autre bout de l’échiquier eurasien réunit petit à petit tous les ingrédients d’un futur conflit jumeau. N’acceptant visiblement pas le reflux impérial, la thalassocratie américaine semble en effet décidée à allumer des feux sur tout le pourtour du continent-monde.

Bras de fer en extrême-Orient

Mais avant d’y venir, quelques rappels sont nécessaires. Nous avons expliqué à de multiples reprises que les tensions en Extrême-Orient, coréennes par exemple, n’étaient elles-mêmes qu’un épisode d’un bras de fer bien plus vaste :

C’est de haute géostratégie dont ils s’agit. Nous sommes évidemment en plein Grand jeu, qui voit la tentative de containment du Heartland eurasien par la puissance maritime américaine (…) La guerre froide entre les deux Corées ou entre Pékin et Taïwan sont du pain béni pour Washington, prétexte au maintien des bases américaines dans la région.

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Ucrânia | por Rainer Matos-Franco

Internacionalista por El Colegio de México y maestro en Estudios de Rusia y Eurasia por la Universidad Europea de San Petersburgo. Colaborador frecuente en Istor (CIDE), Nexos, la Revista de la Universidad de México y Este País. Es autor de la Historia mínima de Rusia (México, El Colegio de México, 2017).

Não custa nada aprender, basta um pouco de paciência e vontade, além de curiosidade. Este texto foi traduzido do espanhol e terá por isso algumas imprecisões meramente gramaticais. (Rodrigo Sousa e Castro).

Rainer Matos-Franco

O que hoje é conhecido como “Ucrânia” reúne territórios muito diversos – em termos políticos, econômicos, sociais, culturais, religiosos e linguísticos – que formaram uma única entidade política até 1954, quando Nikita Khrushchev cedeu a maioria étnica República Autônoma da Crimeia Russa, a República Socialista Soviética da Ucrânia.

Mesmo nos últimos anos temos visto rearranjos territoriais mesmo naquele país, como a anexação da própria Crimeia à Rússia em março de 2014. A última região que foi incorporada à Ucrânia antes de 1954 foi o que é amplamente conhecido como Galícia em 1939, com a União Soviética invasão da Polônia pelo leste para “proteger” as minorias rutenas do avanço alemão do oeste.

Ao contrário da Ucrânia soviética entre 1917 e 1939, onde o conteúdo nacional foi impulsionado de cima com a política de nacionalidades ou Korenizatsiia – promovendo a cultura e a língua ucraniana para conter o nacionalismo –(Martin, 2001), as minorias políticas ucranianas na Polônia do entreguerras, que eram maioria em províncias como Volínia, se radicalizaram ao longo dos anos. Além da tentativa caótica e complicada de estabelecer uma Ucrânia independente durante a Guerra Civil Russa (1917-1921), o movimento nacionalista radical ucraniano nasceu na Polônia anos depois e logo optou pelo radicalismo. Desde 1929, foi fundada em Viena a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), um típico movimento fascista que buscava libertar-se do jugo polonês e, em segundo lugar, estabelecer laços com a nação ucraniana ampliada na Ucrânia soviética.

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Para quem acha que, por mau que seja, só há um culpado | Análise de Jaime Nogueira Pinto in (Observador)

Em 1815, no Congresso de Viena, os vencedores da guerra contra o Império napoleónico tiveram o cuidado de não humilhar a França, de fazer de conta que a Revolução e Napoleão eram os únicos culpados dos 25 anos de guerra na Europa, que esses anos de guerra e sofrimento não tinham nada a ver com o povo francês e que a restauração dos Bourbon curava as feridas passadas.

Cem anos depois, os vencedores da Grande Guerra fizeram do Tratado de Versalhes uma paz punitiva para a Alemanha e para o povo alemão, pondo a primeira pedra para o que seria a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler.

Em 1945, as políticas seguidas com a Alemanha e o Japão vencidos foram diferentes. A Alemanha ficou dividida, mas como a Guerra Fria começou logo a seguir, soviéticos e ocidentais, depois dos primeiros tempos de brutal ocupação, tiveram o cuidado de tratar bem os “seus” alemães.

A vitória do Ocidente na Guerra Fria resultou da aliança de uma tríade – Reagan, Thatcher, João Paulo II – que, alimentando a resistência polaca, rearmando militarmente e usando o bluff da SDI-Guerra das Estrelas, forçou Gorbachev a “reformar” o sistema, retirando-lhe aquilo que o sustentava – o medo.

Assim, as Repúblicas Soviéticas, usando as suas constituições “independentes”, abandonaram uma estrutura que era mantida pela hegemonia do Partido Comunista e pelo sistema securitário. Porém, uma das preocupações nas negociações finais entre americanos e soviéticos foi a salvaguarda de um certo espaço livre entre as fronteiras da NATO e da Rússia.

O Presidente George H. Bush e os seus colaboradores, especialmente o Conselheiro Nacional de Segurança, general Brent Scowcroft, homens de formação realista, avessos a paixões ideológicas e conhecedores da História e da mentalidade russas, prepararam com toda a cautela o soft landing da URSS, percebendo que um Estado com semelhante poder militar e nuclear tinha de ser respeitado e bem tratado para não dar origem a fenómenos de ressentimento nacional de tipo hitleriano.

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Ucrânia : a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (1) | por Joffre António Justino

“A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.” Sun Tzu

0. Introdução em Ambiente de Vitória é Certa

Tenho à minha frente num cafe de um lisboeta centro comercial uma senhora certamente afim à minha idade cabelo cinzento branco mãos de trabalho saia bem comprida verde escura e por ela o quase certo marido, cigana!

Podiam ser afros, asiáticos, nos mais variados tons de pele e só lustram um velho império agora de braços caídos feito pequeno país europeu e tudo porque Portugal continua a carpir uma derrota militar a da guerra colonial o que o impede de ser feliz por ter “ dado novos mundos ao mundo”

Na verdade um velho coronel do exército português expulso antes do 25 de abril contava-me anos 90 que vindo pela primeira vez da Índia a Portugal miúdo ainda quando perguntou ao pai porque não via templos indus em Lisboa além de um estaladão levou a seguinte resposta : porque Lisboa é a capital do Império … talvez por tal estaladão convivi com este coronel já Grão Mestre do GOL até ele ter cedido aos mplistas do GOL que me levaram a afastar desta Grande Loja

De facto a capital do Império luso dos anos salazarentismo é uma capital submissa ao vaticanismo totalitário pelo que nada de exageros multiculturais nada de templos que não sejam vaticanistas e aliás por cá viam-se bem poucos dos das elites não pseudo arianas do Império. Portugal era um país de cara-pálidas na sua maioria pé descalço analfabeto triste cinzento e a sua elite vestia fato escuro camisa branca gravata escura como referiu Simone Beauvoir depois da sua primeira lusa estadia.

Nesse tempo o ditador Salazar que chamarei salazarento sonhava com uma redentora 3.a guerra mundial que derrotasse o comunismo e com tal derrota finalmente se reconhecesse direito à existência do Império português que curiosamente ele impedia de crescer e unificar com as suas políticas à Ato Colonial.

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