ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS | MINDE VAI MUDAR

Identificamos algumas situações e obras onde pretendemos intervir, e conjugamos as mesmas com projetos em curso pela CM de Alcanena. E o certo é que Minde vai mudar.

Não prometemos o que não depende de nós, mas garantimos que iremos desenvolver todos os esforços para que tal seja possível.

O combate á desertificação começa por tornar Minde numa freguesia atrativa e acolhedora, e essa será a n/ missão nos próximos 4 anos. Minde merece mais e mais, e nós iremos fazer por isso!!

Dia 23 Set (5ªfeira) pelas 20h no Cine-Teatro em Minde, convidamos a população a vir conhecer todas as n/ ideias e propostas.

JUNTOS IREMOS CONSEGUIR!!!

António Santarém 2021 | Candidato à Junta de Freguesia de Minde

Esta minha apresentação é um gesto de cortesia e consideração para com todos e cada um de vós.
Quero dizer-vos directa e pessoalmente que sou candidato a Presidente da Junta de Freguesia de Minde.
Apenas movido pelo interesse comum da nossa terra e freguesia, do seu desenvolvimento e progresso, na linha da melhor herança de trabalho e querer dos nossos antepassados.
Conhecem-me bem. Sabem qual tem sido o meu percurso de vida, sempre próximo e solidário com a população de Minde e de toda a Freguesia, Covão do Coelho e Vale Alto. Tenho estado sempre disponível para ajudar, fazer e participar com todos os movimentos e associações da nossa terra e Freguesia.

Olhem mais para as pessoas do que para os partidos. Para as pessoas da vossa confiança, que conhecem bem. Para as pessoas que amam a terra e Freguesia onde residem e querem mais harmonia entre todos os órgãos autárquicos – Câmara e Assembleia Municipal – de modo a que o novo futuro seja maior e melhor para todos.

Bem hajam pela vossa atenção.

António Santarém

AUKUS: UM ACORDO PARA ACORDAR A UNIÃO EUROPEIA | Paulo Sande

Não podia vir mais a propósito.

Três países – EUA, Reino Unido e Austrália, aliados antigos, um dia depois de Ursula von der Leyen ter feito o seu discurso da União e apelado à Europa da Defesa, anunciaram um acordo de segurança que é, na opinião de muitos especialistas de segurança, o maior desde a 2ª guerra mundial.

O AU – (u)K – US (AUKUS) formaliza a cooperação de defesa entre estes países na região do Indo-Pacífico e foca-se na capacidade militar, com dimensões como a cibernética, tecnologias quânticas, inteligência artificial. E depois (ou antes) há os submarinos.

1. SUBMARINO AO FUNDO

A compra de submarinos nucleares pela Austrália, o investimento mais caro de todo o acordo, criou um incidente diplomático com a França. Não admira, pois fica em causa o contrato (de 2016) de venda de 12 submarinos convencionais por parte da França à Austrália que, com este acordo, compra submarinos nucleares aos EUA (que pela 2ª vez apenas partilham a sua tecnologia submarina), tornando-se o 7º país do mundo a tê-los.

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SOCIAL DEMOCRACIA | Estado de bem-estar social | Otto von Bismarck | John Maynard Keynes

O Estado de bem-estar social, ou Estado-providência, ou Estado social, é um tipo de organização política, económica e sócio-cultural que coloca o Estado como agente da promoção social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda a vida e saúde social, política e económica do país, em parceria com empresas privadas e sindicatos, em níveis diferentes de acordo com o país em questão. Cabe, ao Estado de bem-estar social, garantir serviços públicos e proteção à população, provendo dignidade aos naturais da nação.

O Estado de bem-estar social moderno nasceu na década de 1880, na Alemanha, com Otto von Bismarck, como alternativa ao liberalismo económico e ao socialismo.

Pelos princípios do Estado de bem-estar social, todo indivíduo tem direito, desde seu nascimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços, que deveriam ter seu fornecimento garantido seja diretamente através do Estado ou indiretamente mediante seu poder de regulamentação sobre a sociedade civil. São as chamadas prestações positivas ou direitos de segunda geração, em que se inclui gratuidade e universalidade do acesso à educação, à assistência médica, ao auxílio ao desempregado, à aposentadoria, bem como à proteção maternal, à infantil e à senil.

Os apoiantes demonstram como exemplo de sucesso na adoção integral do Estado de bem-estar social a experiência de países nórdicos. Por outro lado, críticos alegam que pode haver compreensão equivocada do funcionamento do Modelo nórdico, e que os defensores do Estado de bem-estar social em outros lugares tentam copiar apenas os direitos e não as obrigações implementadas por aqueles países. De todo modo, os dados frios nórdicos, oriundos de nações que adotaram o sistema corretamente, independentemente de apoiadores onde o modelo não foi adotado por completo, mostram eficiência desse modelo de dignidade universal refletida em seu IDH, que, ao contrário do senso comum, não elimina a possibilidade de enriquecimento, apenas diminui a miséria quase por completo com distribuição de recursos e de renda realizadas sob regras reforçadas, objetivando mera dignidade para todos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_bem-estar_social

Nas fotos: John Maynard Keynes | Otto von Bismarck

A ORIGEM DO MEDO | Pedro Adão e Silva

Porventura, se optasse por examinar, por exemplo, o que é que permitiu a Marcelo Rebelo de Sousa, sendo de direita, vencer eleições com amplas maiorias, perceberia que as vitórias sustentáveis não se constroem a partir do ressentimento social, de polarizações artificiais ou de batalhas culturais fictícias. Tudo fatores que, enquanto descentram o debate público da discussão de alternativas, promovem um entrincheiramento que degrada a capacidade de compromisso.

Pedro Adão e Silva  | Jornal Expresso 03-09-2021

Afeganistão | Carlos Matos Gomes

Os Javalis do Afeganistão

Sobre o que acontece no Afeganistão se poderá dizer que se cumpriu a lei de Murphy: “tudo o que puder correr mal, vai correr mal”, que poderia ter sido inspirada na Batalha de Alcácer Quibir. O que hoje correu ainda pior do que o mal começou aí por volta de 1983, com a presciência de dois vultos que o conservadorismo elevou às glórias dos seus panteões, o antigo ator americano Ronald Reagan e uma senhora inglesa de classe média baixa ressabiada com as upper class e os intelectuais, chamada Margaret Tatcher

A propósito do Afeganistão foi agora recuperada uma fotografia de 1983 em que Reagan recebe na Casa Branca uma delegação de mujahedeens, que lutavam contra a presença da URSS e o governo que esta apoiava no Afeganistão.

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China | Jimmy Carter para Donald Trump

“… Você tem medo que a China nos supere, e eu concordo com você. Mas você sabe por que a China nos superará? Eu normalizei relações diplomáticas com Pequim em 1979, desde essa data… você sabe quantas vezes a China entrou em guerra com alguém? Nem uma vez, enquanto nós estamos constantemente em guerra.

Os Estados Unidos é a nação mais guerreira da história do mundo, pois quer impor aos Estados que respondam ao nosso governo e aos valores americanos em todo o Ocidente, e controlar as empresas que dispõem de recursos energéticos em outros países.

A China, por seu lado, está investindo seus recursos em projetos de infraestrutura, ferrovias de alta velocidade intercontinentais e transoceânicos, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios em vez de usá-los em despesas militares. Quantos quilômetros de ferrovias de alta velocidade temos em nosso país? Nós desperdiçamos U$ 300 bilhões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou nem um centavo em guerra, e é por isso que nos ultrapassa em quase todas as áreas.

E se tivéssemos tomado U$ 300 bilhões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade.

Teríamos caminhos que se mantenham adequadamente. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai”.

(Jimmy Carter, na Newsweek Magazine, em 04/2019)

Pedido de Verão: Vota, comenta, contribui e candidata-te!

Pouco a pouco o verão está a chegar ao fim e voltamos novamente a ganhar ritmo!

Cá estamos com alguns pedidos para ti!

Segunda-feira, o TLDR News publicou um vídeo sobre o DiEM25. Já foi visto por mais de 50.000 pessoas e tem mais de 1.000 comentários! Convidamos-te para ver o vídeo e ajudar a responder aos comentários, onde aparecem diversas dúvidas, direcionando as pessoas para se juntarem a nós. O vídeo também tem algumas falhas que precisam do teu feedback, ajuda e partilha se fores ativo nas Redes Sociais.

Até 28 de Agosto: Vota aqui no próximo Coletivo Coordenador! 6 das 12 posições serão renovadas.

Até 29 de agosto: Responde ao Questionário da equipa do DiEM25 para o Programa sobre o Processo Constitucional Europeu aqui (em inglês) e dá o teu feedback sobre o esboço do programa para o DiEM25 na Alemanha aqui (em alemão).

Até 31 de agosto: O DiEM25 está a contratar novamente! Desta vez, procuramos um profissional de comunicação experiente. Lê a descrição do cargo aqui (em inglês) e, se tiveres as capacidades necessárias, inscreve-te ou encaminha!

Também até 31 de agosto: Após várias discussões no nosso fórum e de um debate transmitido ao vivo, estamos a dar os passos seguintes na direção de um Manifesto DiEM25 para a próxima década. Deixa a tua contribuição aqui (em qualquer idioma).  Juntos vamos escrever um Manifesto DiEM25 para a década de 2020!

Esperamos ter um Outono cheio de actividade com todos vocês!

Carpe DiEM

Johannes
Coordenador dos voluntários

OTELO E A MEMÓRIA DO PREC Público, 16.08.2021 | Elísio Estanque

Vivi esse período de forma intensa como grande parte dos portugueses da minha geração. Assim, e porque a historia dos acontecimentos é conhecida, talvez se possa agora acrescentar conhecimento sobre o PREC e Otelo Saraiva de Carvalho recorrendo a uma perspetiva subjetiva, vinda do seio da multidão, mas enquadrada pelo exercício de reflexão e autocritica à distância de quatro décadas.

Foi Otelo e o MFA que abriram as portas da liberdade. Mas foi ao longo daqueles meses de brasa que se seguiram ao 25 de Abril, que a revolução se desencadeou. Os sonhos libertários irromperam das esquinas mais recônditas dos bairros operários, das fábricas industriais, dos amontoados de barracas onde os esgotos eram ainda a céu aberto, etc. Foi para aí que convergiram os mais diversos grupos de ativistas espontâneos, os setores sociais mais inquietos, em especial os jovens, alguns ainda sob a influência do Maio de 68 e dos movimentos estudantis da década anterior. Por detrás da linguagem polarizada da “classe contra classe” (democracia contra fascismo, ricos contra pobres ou operários contra a burguesia) ocorreu uma autêntica “fusão de classes”, quando o radicalismo de classe média rompeu com os valores pequeno-burgueses para abraçar a causa operária e popular. Uma força imparável de invenção criativa brotou dessa comunhão interclassista capaz de vislumbrar o paraíso debaixo das ruas insalubres dos bairros da periferia. Uma torrente de gente feliz, igualitária, unida em torno de projetos verdadeiramente emancipatórios como o dos “índios da Meia-Praia” (em Lagos) celebrizado pela conhecida canção do Zeca Afonso. Apesar da incipiente cultura democrática, a democracia nunca foi tão efetiva, não apenas pela mobilização coletiva mas até pelo envolvimento direto das Forças Armadas (MFA) numa dinâmica de «bottom-up», de que é exemplo o projeto SAAL.

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Cabul e a vitória da guerrilha | Luís Alves de Fraga

O Afeganistão foi um território onde ingleses, russos e americanos nunca conseguiram impor-se à cultura local.

Só há uma explicação para isso: ao contrário de compreenderem o povo afegão, os seus costumes, as suas necessidades e os seus anseios, tentaram ocidentalizá-los, abrindo estradas, fazendo escolas e hospitais. Tudo isso constituiu um tremendo erro.

O islamismo tem de ser compreendido, estudado e interpretado segundo os princípios que o regem. A primeira grande diferença entre as culturas ocidentais, influenciadas pelas culturas greco-romana e judaica é que a religião, tal como Jesus afirmou, “é de Deus” e a política “é de César”. No islamismo, política, justiça e religião confundem-se sem dar lugar à tripartição do poder ‒ legislativo, executivo e judicial ‒ porque, soberano é Deus, que se revelou e ditou a justiça, as leis e a governação, através do seu profeta, Maomé.

As fontes da Lei são o Alcorão seguido da Suna (relato da vida e dos caminhos do profeta) e, depois, os hádices (narrativas do profeta). Tudo está contemplado nestes escritos tidos como sagrados e, mais do que isso, soberanos no sentido atribuído pelo Ocidente à palavra (depois da Revolução Francesa), ou seja, detentores de todos os poderes.

É assim, deste modo que, para um muçulmano, o Estado, a chefia do Estado e a chefia religiosa se confundem. Um condutor religioso é, também, um condutor político e jurídico.

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Afeganistão – um mono | Carlos Matos Gomes

Tht’s all folks — é tudo, malta. Não há mais pipocas

Uma das definições de mono é a de “mercadoria sem venda no comércio”, de “qualquer coisa que deixou de interessar”. Desde o 11 de Setembro de 2001, o Afeganistão foi um falso alvo, uma fancaria. Um tigre de papel, na linguagem maoista dos anos 60 e 70. Transformou-se definitivamente num nono para os Estados Unidos com o anúncio da captura e morte no Paquistão, de Bin Laden, o saudita chefe da Alqaeda, em 2011, com direito a filme de rambos.

A Alqaeda e Bin Laden foram o produto desenvolvido a partir de um dos muitos bandos da região e de fanáticos locais, inchado, armado e subcontratado pela administração Reagan para fazer a guerrilha contra a URSS, que ocupara o Afeganistão para evitar a islamização das repúblicas soviéticas do sul. A teoria de que a URSS pretendia avançar para as “águas quentes” do Índico foi uma narrativa para vender armas e justificar ações, que muitos “estrategistas”, incluindo militares, pregaram sem correspondência com qualquer racionalidade. Na realidade, a administração Reagan pretendeu apenas negar a um inimigo (a URSS) a posse de um território que lhe era relativamente importante. Um objetivo clássico nas manobras militares. A administração dos EUA conseguiu a vitória de Pirro: a URSS abandonou o Afeganistão e os EUA “ganharam” a Alqaeda bem treinada e equipada, com um louco como chefe carismático e um imbróglio com os aliados sauditas, os maiores compradores da quinquilharia produzida pelo complexo militar americano e comparsas de Israel na desestabilização do Médio Oriente.

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Algumas notas a propósito da derrota do Ocidente no Afeganistão | Nuno Pereira da Silva Coronel (R)

Participámos como nação aliada da NATO, muito ativamente na guerra do Afeganistão, e na sua Reconstrução, muito em especial na Capacitação das suas Forças Armadas, onde inclusive tivemos dois mortos, um graduado do RI1, e uma praça paraquedista.

Não estive no Afeganistão, mas participei na Reconstrução do Iraque, na Reforma do seu Setor de Segurança, ou seja na Capacitação duma Forças Armadas modernas. Pelo que sei no Afeganistão foi seguido o mesmo modelo Americano, Chapa4, ou seja uma imposição dum modelo ocidental expúreo à sociedade, à cultura, e às Forças Armadas  e de Segurança  Afegãs, que  não são nacionais mas tribais, pertencem aos Senhores da Guerra.

Os militares americanos e da NATO trabalhando dia e noite, esforçando-se, por vezes zangando-se com a contra-parte Iraquiana que não queria, ou não tem capacidade para compreender o que se lhes pede, era o denominador comum.

Formar Comandantes de Divisões, a partir de guerrilheiros sem formação, é um esforço inútil.

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Em defesa do ano 1975 e desmontando o ataque miserável e cobarde a Otelo | Liquidar Abril e a esquerda militar revolucionária | Manuel Duran Clemente

«Apenas – Otelo,e não só – evitou uma possível guerra civil. O falecido camarada Diniz Almeida, nunca compreendeu o papel de Otelo, nesse dia, e ficou desde sempre agastado com ele e com Vasco Lourenço. Nunca mais pôs os pés na Associação 25 de Abril, ficou muito chocado com o acontecimento e proferiu palavras amargas debaixo duma pressão inicial e mágoa por ter sido preso injustamente. Este estado de espirito ao longo dos anos e para sempre. Não perdoou aos que fabricaram o inventado golpe de 25 de Nov.  Nunca quis discutir o caso.Retirou-se do meio militar de forma radical. Respeita-se. Paz aos dois falecidos. Honra ao que fizeram e participaram na conquista da Liberdade. Os acontecimentos são bastante mais complexos e este aproveitamento é pouco sério. Ainda hoje e aqui tentarei explicar o que se passou,evitando uma provável guerra civil, e como foi decisiva a intervenção de Rosa Coutinho,Martins Guerreiro,Carlos Contreiras,José Emilio,Costa Martins, Comandante dos Fuzileiros …e outros . Otelo recusou um banho de sangue que seria provável se os Fuzileiros (como se propuseram) atacassem os Comandos. Como sabemos não houve nenhum golpe de esquerda nem de direita. Sim um aproveitamento da saída dos paraquedistas em litígio com o seu CEMFA.

 Leiam o livro “A Resistência” de Gomes Mota/1976. Ele explica as acções do grupo dos nove. Otelo não era desse grupo.» 

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Mas … dos que atiram a pedra e escondem a mão | Carlos Matos Gomes

Além dos putativos herdeiros dos movimentos mais violentos e totalitários da história moderna e contemporânea de Portugal, desde a Vilafrancada miguelista de 1823, até aos bombistas e saqueadores reunidos na sé de Braga e nas escritórios do franquismo em Madrid, do cónego Melo ao comandante Alpoim Calvão que colocaram “Portugal a arder” com o ELP e o movimento Maria da Fonte, dos que ainda choram o fim da ditadura e da guerra colonial, a morte de Otelo Saraiva de Carvalho proporcionou o ressurgimento de um outro grupo, o do “mas”. O grupo dos falsos “cândidos”, dos que argumentam candidamente que a operação militar foi boa, “mas” a revolução não foi democrática e o seu desenrolar até foi atribulado.

Os do “mas” não perdoam a Otelo a responsabilidade de ter transformado um putsh militar numa revolução, incentivado os portugueses a agir e a organizar-se espontaneamente para decidir o que fazer após o derrube da ditadura, o fim da polícia política, dos tribunais plenários, da censura, do poder patronal absoluto! Ora, esta liberdade tomada por necessidade e impulsionada por Otelo, constituiu e constitui uma ofensa imperdoável aos “mas” sobre o que “devia ser uma democracia”, trazida já talhada, pronta-a-vestir do Posto de Comando da Pontinha, ou, ainda melhor, de casa do general Spínola.

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Portugal Ressabiado | Carlos Matos Gomes

Em 1972, Mário Soares publicou em França um livro sobre Portugal a que deu o título de «Portugal Amordaçado». Havia, então, um Portugal amordaçado pelo Estado Novo e a sua polícia política, um Portugal amordaçado pela falta de direitos elementares de cidadania, direito à palavra, à representação, direito de reunião, de organização, havia um Portugal amordaçado que não podia falar do colonialismo, nem da guerra colonial, nem na busca de soluções que não fossem a continuação da guerra, havia um Portugal amordaçado pelos grandes patrões da indústria e da banca, um Portugal amordaçado pela Igreja Católica e pelo partido único, a União Nacional.

Havia, de facto, um Portugal amordaçado, mas havia e há um Portugal que gostava e gosta da segurança da mordaça, da tortura, da violência dos Pides, dos assassínios dos opositores, da censura, da União Nacional, dos regedores e autarcas nomeados, dos deputados escolhidos entre os fiéis e os compadres, um Portugal que gostava e gosta das cargas da Polícia de Choque e da GNR, das arruaças dos legionários, havia e há um Portugal herdeiro do ultramontanismo absolutista do século xix, um Portugal miguelista, satisfeito com as ordenações do trono de Salazar e as bênçãos do altar do Cardeal Cerejeira, confortado com as denúncias dos informadores. Havia e há um Portugal agradecido por pertencer a um rebanho, por ter pastor e cão de guarda.

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Os Espirito Santo, Otelo e os 4 pilares do regime | Carlos Matos Gomes

O regime em que ainda vivemos assenta em quatro pilares fundadores: os Espirito Santo (representados pelo atual patriarca Ricardo Salgado), Otelo, Mário Soares e Eanes. Os Espirito Santo eram os banqueiros do regime de Salazar (não os únicos, mas os principais); Otelo foi o comandante da operação que derrubou o regime de Salazar (Marcelo Caetano não passou de um cuidador de tratamentos paliativos) e deixou o povo entrar na história; Eanes comandou o 25 de Novembro de 75, que abriu as portas ao regresso dos banqueiros e do seu sistema de criação de moeda, tarefa fundamental para a existência do atual regime de democracia liberal, um retorno de que Mário Soares politicamente se encarregou e apadrinhou.

O novo regime pós 25 de Novembro reestruturou o sistema financeiro português, aproveitando a reversão das nacionalizações de Março de 1975, varrendo os banqueiros da “velha guarda”, para integrar o capital nacional no sistema financeiro internacional e na dependência do espanhol, criando um mercado ibérico. Levou na enxurrada desde Champalimaud (Banco Sottomayor) a Cupertino de Miranda (BPA), os mais representativos desta classe. Foram substituídos por um banco da Opus Dei (Jardim Gonçalves — Milleninum/BCP, vindo de Espanha) e Maçonaria (BPI/Santos Silva). Do antigo regime, restou a família Espirito Santo, respaldada pelas ligações aos Rothschild e Rockfeller, à banca francesa e americana e aos interesses em Angola. (Era importante fazer a história do desaparecimento dos Banco Português do Atlântico e do Sottomayor.)

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Atrapalhações cubanas | Francisco Louçã

Não sei se gosta de romances policiais e se leu o “Quarteto de Havana”. Vale a pena, esses livros são alguns dos raros mas saborosos casos em que a história foge do pitoresco e escapa ao padrão que define aquele estilo literário. São, simplesmente, grandes romances. Mas, como não podia deixar de ser, há um fio condutor, que no caso é a vida difícil, quem sabe se a decadência, ou devemos chamar-lhe a persistência?, de um personagem que nos conduz pelo dia a dia de Cuba: Mário Conde foi polícia, tornou-se detetive privado, é um desenrascador, vagamente justiceiro, além de ser um gastrónomo militante, sobrevivendo encostado aos milagres da cozinha da mãe de um antigo camarada de aventuras. Navegando pelas ruas de Havana, Conde chega onde os seus antigos colegas não vão, descobre o crime de um membro do Comité Central, investiga traficâncias de diplomatas, roubos de arte, negócios de emigrados, polícias corruptos e que fecham os olhos, contorna burocratas implacáveis. Há nos livros alguma tristeza, bastante nostalgia e um gigantesca afirmação de amor pela sua terra. E perdemo-nos em intrigas sem concessões, chegamos a finais amargos, o escritor não nos facilita a vida, a rotina continua em Havana.

Leonardo Padura, o autor, é mais conhecido por outros escritos ousados, “O Homem que Gostava de Cães” ou “Os Hereges”. Mas foi com Mário Conde que começou e foi assim que foi descoberto pelos seus compatriotas. Porventura por isso, Conde regressou em “A Transparência do Tempo” para novas rodadas. Graças ao “Quarteto”, a Conde e a toda a sua obra, Padura será o escritor mais popular no seu país, onde ninguém ignora que se trata de uma voz crítica. Por isso, quando a direita festeja os protestos populares nas ruas de várias cidades, fantasiando triunfantemente a vingança de Batista, e enquanto nas esquerdas as opiniões se dividem entre defensores do regime, incluindo alguns dos seus conversos mais recentes que, ao tempo do choque entre Krutchov e Castro estavam indefetivelmente do lado soviético, e aqueles que sentem o protesto popular sobre dificuldades reais de gente real, quando tantas palavras são esgrimidas sem candura, ficamos a saber mais sobre Cuba se o ouvirmos.

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A direita em Portugal | Ana Spínola

A direita na Europa ocidental teve como antecedentes a experiência do nazismo e da resistência ao seu belicismo e atrocidades, por isso a democracia cristã e a social-democracia foram capazes de se coligarem para importantes projectos europeus no pós-guerra, inclusivé a, hoje, UE.

A direita portuguesa não passou por essa dura e útil aprendizagem, dava-se bem com a ditadura. Convivia bem com a repressão das liberdades, a violação dos direitos humanos, a perseguição das pessoas que se lhe opunham, com a arbitrariedade e o autoritarismo quotidianos.

A direita portuguesa não recebeu o 25 de Abril com júbilo nem o viveu como uma libertação, pelo contrário, viveu-o com medo (também pela má-consciência), com ressabiamento e com ódio, por isso quando tem poder não resiste a medidas de retaliação e a tiques revanchistas.

A direita em Portugal ainda não integrou nem valoriza a cultura democrática, serve-se da democracia para alcançar o poder e para atacar as fragilidades próprias de um regime aberto como é o regime democrático.

Não admira, pois, que aproveite todos os pretextos para recalcitrar e todas as oportunidades para atacar o 25 de Abril e os seus símbolos. E, claro, dizer barbaridades todos os dias com a desfaçatez própria da sua ignorância.

Retirado do facebook | 29-07-2021 | Mural de Ana Spínola

Capitão de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho morre aos 84 anos | Carlos Matos Gomes

Recebi agora mesmo a notícia do falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho. Era seu amigo e seu camarada desde as primeiras reuniões do Movimento dos Capitães na Guiné, no Verão de 1973. Neste momento, deixo o apontamento de um texto que publicarei, talvez, com uma outra história (a minha e a da geração dos dilemas a que pertenço) dos tempos que nos trouxeram aos tempos que vivemos: ” O instinto de Otelo.

Otelo é um instintivo que capta os ambientes e os organiza racionalmente. Em minha opinião foi o militar que melhor entendeu a “atmosfera social” de esperança criada com o 25 de Abril.

Já Costa Gomes terá sido o que conduziu todo o processo como um «Deus falsamente ausente», equacionando a relação de forças em cada momento até atingir o fim último, pré-estabelecido: a inevitabilidade da solução final de uma democracia com um fatinho de pronto-a-vestir a que nem sequer os financiadores autorizaram ajustamentos.

Aquela roupagem de amanuense que Eça de Queiroz, um génio, como o padre António Vieira, ou Pessoa, dizia dever ser feita na adaptação do regime político português aos da Europa: uma democracia que nos ficava sempre comprida nas mangas e curta nas calças, ou ao contrário.”

Que os portugueses saibam respeitar a sua memória. Foi ele que abriu as portas do golpe de Estado aos portugueses para estes fazerem uma revolução.

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Acção transnacional do DiEM25 para o 50º aniversário de Julian Assange a 3 de Julho

Há quase 10 anos que Julian Assange expia com a sua liberdade os seus actos como jornalista. O dia 3 de Julho marca o seu 50º aniversário e o DiEM25 não quer deixar passar a data em branco.

Numa acção coordenada com diferentes cidades europeias, membros do DiEM25 reúnem-se em frente à embaixada do Reino Unido com cartazes que exibem obras de arte (pinturas, imagens gráficas, etc) criadas por artistas de toda a Europa e do mundo! 

Nós levamos os cartazes! 

Convidamos-te a participar nesta iniciativa, mostrando ao mundo que Julian Assange e o seu sacrifício pessoal pela nossa liberdade de expressão, não foram esquecidos.  

Esta acção observará todas as regras impostas pela pandemia, pelo que não te esqueças de levar máscara, cumprir com o distanciamento social e seguir as indicações da organização.

Data e hora: 3 de Julho, 11:00h

Local:   em frente à embaixada do Reino Unido 
             (R. de São Bernardo 33, 1249-082 Lisboa)

Contamos contigo!
DiEM25 Portugal

Como se constrói um inquestionável | Carlos Matos Gomes

(ou como os manhosos se oferecem para pastor, ou salvador sem parecer invejosos)

A propósito da nomeação do presidente da comissão para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, ponto assente: Se lá chegar, serei o presidente da minha comemoração! Não procuro lugar.

As campanhas a propósito da nomeação da nomeação do presidente das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril são idênticas a tantas outras a propósito da nomeação de tantos outros quadros, homens e mulheres para funções de relevo. Nunca o nomeado é o adequado. Nunca é inquestionável!

Este ruído tem como autores os que em várias partes do mundo e ao longo dos tempos, frequentemente em circunstâncias de ataque às liberdades e de redistribuição de riqueza convocam multidões para bater panelas contra os regimes de direitos fundamentais, mesmo com defeitos. Estas operações têm como finalidade sub-reptícia corroer o regime democrático com propostas de luta pela utopia da Sociedade Perfeita, do homem ou da mulher sem mácula e argumentos de fácil aquisição: transparência, privilégios, corrupção, compadrio, entre outros, mas sempre os mesmos.

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Ana Catarina Mendes | Flashback | por Paulo Querido

Hoje foi um domingo tranquilo, calmo, pacífico. As polémicas que por aí andam são indignas, coisa de tablóides e folhas panfletárias, e estamos no Mês da Grande Alienação. De modos que escrevo sobre o lançamento de Ana Catarina Mendes no Flashback (ou lá como aquilo se chama atualmente).

Seja qual for o nome que tem atualmente — não vou gastar neurónios a atualizar o nome cada vez que se lembram de o mudar, o que sucede com inusitada frequência e mau gosto —, o Flashback está numa boa fase. A entrada de Ana Catarina Mendes, a primeira mulher no programa em cerca de 40 anos, trouxe uma novidade refrescante: levou José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier a um mais elevado nível de aprumo discursivo.

Por outro lado, JPP tem vindo a melhorar num aspeto que considero fundamental: abandonou o tudologismo em que caiu durante anos. E parece que prepara melhor a generalidade dos temas (nem todos, mas a grande maioria). E ALB tem feito maravilhas para se distanciar do CDS e da IL, ao mesmo tempo que mantém bem fechada a fronteira com o selvagem da extrema-direita, ganhando assertividade no processo.

Mas esta menção tem outro fundamento. Repara nos dois fotogramas seguintes, que são do programa de há duas semanas:

No primeiro, Pacheco Pereira aplaude Ana Catarina Mendes. Discretamente, mas notoriamente. No segundo, Lobo Xavier tira o chapéu a Ana Catarina Mendes e não é um mero salamaleque de queque. Há um intervalo de menos de um minuto entre os dois fotogramas.

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Moderados, uma espécie em extinção? Paulo Sande

1 Os partidos políticos em Portugal vivem sob o signo da inquietude, com dúvidas existenciais sobre o que fazer para assegurar aquilo para que existem, isto é, para conquistar o poder e, depois, mantê-lo. A todo o custo. Custe o que custar, mesmo que isso implique coligarem-se com partidos cuja ideologia execram ou renegarem os eleitores que os elegeram, para satisfazer os mecenas ou sublimar a mais recente, embora efémera, agenda da moda. Temem, se falharem, pela razão de ser da sua existência enquanto partidos políticos. A qual é, como escrevi, conquistar o poder e mantê-lo, a todo o custo.

2 Só que não é. Não que o não seja vezes demais, mas porque não deve ser assim. Não pode ser. Os partidos e os políticos que abandonam os seus eleitores – prometem, sabendo que não cumprirão, traem, escolhendo o poder em detrimento do bem público – não cabem na democracia do século XXI. Que não pode ser igual à do século XX.

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Do MDLP ao MEL e do ELP ao Chega: sempre o mesmo fel | Carlos Matos Gomes

Do MDLP ao MEL e do ELP ao Chega: sempre o mesmo fel.

Do que li, vi e ouvi a propósito de presença de Rui Rio e Passos Coelho numa sessão organizada por uma nova empresa de marketing político que adotou para o efeito o pseudónimo de MEL — Movimento Europa e Liberdade — conclui que eles não sabem de quem são filhos, ou quem são os pais. Em sentido político, é evidente. São dois seres sem raízes, sem passado, sem história, sem leituras, sem referências, sem credibilidade. Os frangos de aviário são assim fabricados, como os hambúrgueres ou as salsichas em lata. Já quanto à participação de políticos até agora aderentes ao Partido Socialista, a questão não é a de desconhecerem a paternidade, mas sim a de, segundo o Princípio de Peter, terem atingido o seu patamar de incompetência e de ali terem ido para adoção e uma segunda vida. Foram seguir os passos da atriz em decadência Maria Vieira, que representa o papel de madrinha do Chega.

Quanto ao convívio do MEL, na realidade uma ação de relações públicas do Chega, as presenças significativas são as de Rio e de Passos Coelho. Eles são ou foram dirigentes de um partido político que em 1974 começou por se designar PPD e mais tarde, para aproveitar as aragens da história, assumiu a social-democracia!

Um pouco de passado:

Após o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 realizado pelo Movimento das Forças Armadas, quer o PS quer o PPD fizeram parte de todos os acontecimentos marcantes e ocuparam todos os degraus do poder que construiu o regime em que hoje vivemos. Um regime de democracia política, económica e social com variantes mais ou menos avançadas. O PS e o PPD/PSD fizeram parte do consenso político que definiu a Constituição de 1976, aceite e aprovada pelos dois partidos mais o PCP, o MDP/CDE e a UDP.

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Para quem gosta de se manter bem informado | Uma boa aposta do Paulo Querido | CERTAMENTE

Hoje o Bloco dominou o noticiário com duas pressões: à direita e ao Governo. Amanhã o partido tem a sua Convenção, é provável que continue a atrair a atenção dos media. Oxalá. Para variar do enjoo de Ventura.

Grande cobertura mediática da coordenadora do Bloco de Esquerda hoje! Não é por acaso: vai correr este fim de semana a XII Convenção Nacional do partido. Mas é uma raridade: BE Catarina Martins dominaram a atenção dos media com 19 e 18 citações cada, com o PS na terceira posição com 15 e António Costa com 12 no quarto lugar (o PM é o primeiro desta lista 80% do tempo). Isto num dia em que as atenções deveriam estar centradas nos apoios do Estado ao turismo e aos setores mais afetados pela pandemia.

Patente no print-screen tirado à recolha do meu assistente Cecil, a ofensiva do Bloco (envolveu mais do que a sua coordenadora) consistiu em dois pontos:

  • pressão sobre a direita, com Catarina Martins a gritar para Rui Rio o que o país grita para o PSD, there’s nothing there in the ultra right wing, come on
  • sacudir o PS/Governo em matéria de Orçamento de Estado e políticas de futuro, posicionando-se desde já o Bloco como eventual parceiro.
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O equilíbrio político no Médio Oriente parece estar a mudar | Francisco Seixas da Costa in Jornal de Negócios

Não me refiro à recente eclosão de mais um tempo de incidentes de guerra entre Israel e a liderança militar que o Hamas tem na Faixa de Gaza – o que só uma visão ideologicamente distorcida ou ignorante pode confundir com a questão israelo-palestina em geral. Esse é um tema diferente daquilo que hoje aqui trago.

Foi a Guerra Fria que levou os Estados Unidos para o Médio Oriente, como forma de tentar evitar a influência da União Soviética, atento o crescente declínio regional dos dois aliados europeus – o Reino Unido e a França – naquele cenário estratégico, que teria a sua expressão evidente na humilhação de ambos no Suez.

Ao contrário do que décadas mais recentes podem fazer crer, na proteção internacional do Estado de Israel, a França começou por ser muito mais relevante do que os Estados Unidos. Não ouso datar o início do envolvimento mais intenso dos EUA na proteção de Israel, mas a “guerra dos seis dias” e, em especial, a “guerra do Yon Kippur” marcaram um tempo decisivo na fixação da influência do lóbi judaico junto das administrações em Washington, inicialmente mais no lado democrático, posteriormente abrangendo também as alas republicanas.

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A EUROPA EM NEGAÇÃO – UMA CEGUEIRA VOLUNTÁRIA | por Viriato Soromenho Marques

Uma união em negação

por Viriato Soromenho Marques

DN/Opinião

Apolítica europeia parece cada vez mais embarcada na construção de efeitos especiais, apresentados como se fossem realidades objetivas, sendo isso servido por uma enfática apologia de “valores europeus” que, depois de retirada a espuma retórica, se verifica não passar de um exercício narcisista de autocomprazimento.

A conduta política europeia constitui uma penosa recusa de enfrentar os riscos do futuro. Não se percebe como poderá surgir a lucidez e a coragem para os diagnosticar e combater, ou para os assumir como uma consequência inevitável da deliberada manutenção da UE nesta instável encruzilhada.

Estagnámos entre o completar das reformas indispensáveis para democratizar e salvar a UE ou o assumir resignado do falhanço da integração europeia, com o turbulento e devastador regresso à balança do poder dos Estados nacionais.

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A Carta dos generais e Bizâncio Carlos Matos Gomes

Em Bizâncio, há séculos, discutiam-se extravagância teológicas. O sexo dos anjos, por exemplo. Os sumo sacerdotes que discutiam esses temas levavam-se a sério e levavam-nos a sério e a peito, mas os assuntos importantes ocorriam noutro âmbito, noutro universo onde os assuntos a sério originavam guerras a sério. Não foi a discussão sobre a hierarquia da trindade do cristianismo entre pai, filho e espirito santo que originou cismas e mortes, foram interesses.

Eu tenho o maior respeito e consideração por todos estes oficiais generais, e penso que as Forças Armadas são um elemento essencial para mantermos a nossa soberania (a que puder ser), o que para mim significa no mínimo garantir a liberdade de decidir sobre o nosso destino e manter o padrão civilizacional que desenvolvemos ao longo da nossa história.

Julgo que cada vez mais as ameaças são globais e exigem respostas centralizadas (unidade de comando) e em tempo oportuno, com meios tecnológicos comuns aos vários elementos da estrutura de defesa, operados por profissionais competentes.

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Angoche | Os fantasmas do império | de Carlos Vale Ferraz

SINOPSE

Nacala, 23 de abril de 1971. Um navio da Marinha mercante portuguesa parte desse porto moçambicano com destino a Porto Amélia (hoje, Pemba). A bordo leva a tripulação e um civil, num total de vinte e quatro almas, bem como um importante carregamento de material de guerra destinado ao Exército português no Ultramar. No dia seguinte, de madrugada, um petroleiro encontra esse mesmo navio, de seu nome Angoche, à deriva, incendiado e sem ninguém a bordo, como se de um navio-fantasma se tratasse.
De imediato, a PIDE/DGS abre um inquérito. Os relatórios iniciais mencionam duas explosões, e as teorias para o que aconteceu surgem em catadupa. Não faltam presumíveis culpados a quem apontar o dedo, mas não há provas. Para adensar o mistério, na noite do desaparecimento do Angoche, uma portuguesa, que trabalhava num cabaré da cidade da Beira e é tida como amante de um oficial da Marinha, cai de um edifício. Suicídio ou assassinato, as circunstâncias da sua morte nunca são verdadeiramente esclarecidas, e a dúvida paira…
Depois do 25 de Abril, os relatórios da PIDE/DGS desaparecem. A carcaça do navio, ancorado no porto de Lourenço Marques, acaba por ser afundada. Se testemunhas houve, não falam.
Estes são os factos. A partir deles, Carlos Vale Ferraz constrói um romance puramente ficcional, embora essencial e certeiro, sobre moralidade e heroísmo; e onde se demonstra como a imagem de um país se pode construir, não de verdade e justiça, mas da glorificação dos seus mais vergonhosos feitos.

Angoche – Livro – WOOK

União Europeia (UE) | O dia da Europa Carlos Esperança

Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebrou auspiciosamente a data durante a cimeira portuguesa, com o discurso notável de António Costa a abrir, na qualidade de Presidente da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a Conferência sobre o Futuro da Europa, com Ursula von der Leyen e o Presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli.

Após a parceria estratégica com a Índia, de enorme relevância, e da colocação do pilar social no centro das políticas europeias, seria injusto ignorar o mérito português para o futuro comum da Europa.

A UE é um projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes, o maior desastre de origem humana de toda a História. O Dia da Europa, instituído em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, precursora da União Europeia.

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N.Y.TIMES | JOE BIDEN APOIA QUEBRA DAS PATENTES | por Carlos Fino

PARA ACELERAR PRODUÇÃO DE VACINAS NO MUNDO INTEIRO

The Biden administration on Wednesday came out in support of waiving intellectual property protections for Covid-19 vaccines, a breakthrough for international efforts to suspend patent rules as the pandemic rages in India and South America.

The United States had been a major holdout at the World Trade Organization over a proposal to suspend intellectual property protections in an effort to ramp up vaccine production. But President Biden had come under increasing pressure to throw his support behind the proposal, including from many congressional Democrats.

Katherine Tai, the United States trade representative, announced the administration’s position in a statement on Wednesday afternoon.

“This is a global health crisis, and the extraordinary circumstances of the Covid-19 pandemic call for extraordinary measures,” she said. “The administration believes strongly in intellectual property protections, but in service of ending this pandemic, supports the waiver of those protections for Covid-19 vaccines.”

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

REFLEXÕES EM TORNO DO G7 Inquietações: um G7 muito combativo Victor Ângelo | in Diário de Notícias

O G7 agrupa as maiores economias liberais, ou seja, por ordem decrescente de grandeza, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, a Itália e o Canadá. Representam, no seu conjunto, cerca de 50% da economia mundial. A liderança do G7 em 2021 cabe aos britânicos, que organizaram nesta semana uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em preparação da cimeira prevista para junho.

Passaram dois anos sem se reunir.

A pandemia e o mal-estar causado pela presidência de Donald Trump explicam o longo hiato. Agora as realidades são outras. O controlo da pandemia parece possível, graças às campanhas de vacinação. E as políticas seguidas em Washington já não são imprevisíveis. Mesmo assim, foi preciso decidir entre uma reunião presencial ou não. Após um ano de conferências virtuais, concluiu-se que, em matéria de diplomacia, o contacto pessoal é, de longe, o mais produtivo. A maioria das videoconferências realizadas entre políticos ao longo da pandemia acabou por ser um mero exercício formal, em que cada um lia o texto que tinha à sua frente, sem se proceder a uma troca de ideias, a uma análise das opções ou a um comprometimento pessoal. Regressamos agora, a passo seguro, às discussões frente a frente.

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Quando Rio, Santos, Ventura e Figueiredo se encontram num salão | Francisco Louçã in Jornal Expresso

É uma festa, que promete nada mais e nada menos do que abundar sobre a “reconfiguração social, política e económica para as próximas décadas”, nas vésperas da inauguração do congresso do Chega, que foi apontada para o faustoso dia 28 de maio. A caminho destas décadas tão prometedoras, a convenção do MEL junta os chefes dos quatro partidos da direita, os recentemente chegados encerram as manhãs, os que têm mais pedigree encerram os dias (Rio faltou no ano passado, vai este ano ser a estrela da companhia). Acrescenta-se a aristocracia do Observador, que veio em peso, José Manuel Fernandes, Rui Ramos e Helena Matos, mais alguns cronistas avulsos (e que injustiça esquecerem os do Sol), um painel dos notáveis do PS que são parceiros deste mundo, Luís Amado, Sérgio Sousa Pinto, Álvaro Beleza, mais um ex-governante PS que era do PSD e retornou ao PSD, Nogueira Leite, também Henrique Monteiro, não podia faltar, e mais algumas glórias laranjas, Joaquim Sarmento, Miguel Morgado e Poiares Maduro, desta vez Montenegro foi esquecido, e do CDS, Paulo Portas. Há ainda uma feira de extravagâncias: o representante dos hospitais privados, Óscar Gaspar, ou Camilo Lourenço, que escreve sobre a “deriva bloquista de Vítor Gaspar” e do FMI, lá se irão explicar ao Centro de Congressos. Numa palavra, está toda a gente que devia estar e, em vez de notarem com surpresa esta confraternização, os analistas deviam saudar o acontecimento, do qual resulta um interessante sinal convivial. Quanto mais juntos melhor, quanto mais falarem melhor.

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O que devíamos todos era olhar para a América de Joe Biden | Paulo Querido

A questão ficará sem resposta uma vez que não temos forma de a responder: foi a extraordinária reversão política levada a cabo em três meses pela administração Biden que apagou Donald Trump do espaço público americano (e mundial), ou foi o facto de ter sido banido do Twitter, Facebook, Instagram e Youtube?

Podemos sempre dizer: é uma mistura das duas coisas. Ou apostar numa delas. Com todo o respeito pelo papel dos megafones, eu relevo a primeira. Porque o que Joe Biden fez à America é notável. Um terramoto que ainda não terminou e que terá réplicas. E uma completa surpresa — primeiro julguei que era uma questão minha, por achar que era tarefa muitíssimo difícil retirar as aspas que Trump colocou em Estados “Unidos” da América, depois percebi que está toda a gente de cara à banda.

Esperava-se uma administração bem menos enérgica, centrista e apaziguadora, a garantia de que Biden não era Sanders, um “socialista”, ai, vade retro. Um velhinho a preparar a Casa Branca para a sua vice, essa sim um poço de energia, Kamala Harris. E esperava-se porque toda a campanha foi isso: o partido democrata a adormecer o eleitorado no embalo do centrismo, o próprio Biden repetiu “I’m not a socialist” bastas vezes.

Peeeemmp!, wrong. Saiu na rifa uma administração revolucionária, não encontro palavra mais adequada. A coragem de dez Obamas, a competência de cinco Clintons.

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Faltam 2 dias para o mais belo de todos os dias | Carlos Esperança

Faltam 2 dias para o mais belo de todos os dias (texto reeditado)

Há quem, antes, não tivesse precisado de partido, quem não sentisse a falta da liberdade, quem se desse bem a viver de joelhos e a andar de rastos.

Houve cúmplices da ditadura, bufos e torturadores, quem sentisse medo, quem estivesse desesperado, quem visse morrer na guerra os filhos e nas prisões os irmãos, e se calasse. Houve quem resistisse e gritasse. E quem foi calado a tiro ou nas prisões.

Uns pagaram com a liberdade e a vida a revolta que sentiram, outros governaram a vida com a vergonha que calaram.

Houve quem visse apodrecer o regime e quisesse a glória de exibir o cadáver e a glória da libertação. Viram-se frustrados por um punhado de capitães sem medo, por uma plêiade de heróis que arriscaram tudo para que todos pudéssemos agarrar o futuro.

Passada a euforia da vitória, ninguém lhes perdoou. Os heróis da mais bela revolução da História e agentes da maior transformação que Portugal viveu são hoje proscritos e humilhados por quem lhes deve o poder.

Uns esqueceram os cravos que lhes abriram a gamela onde refocilam, outros reabilitam os crápulas que nos oprimiram, outros, ainda, sem memória nem dignidade, afrontam o dia 25 de Abril com afloramentos fascistas e lúgubres evocações do tirano deposto.

Perante os ingratos e medíocres deixo aqui a TODOS os capitães de Abril o meu eterno obrigado.

Não quero saber o que fizeram depois, basta-me o que nesse dia fizeram.

Obrigado a todos. Aos que partiram e aos que estão vivos. Por cada ofensa que vos fazem é mais um pedaço de náusea que provocam.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

SONDAGEM EXPRESSO/SIC | 23-04-2021

SONDAGEM DO ICS/ISCTE PARA A SIC E O EXPRESSO


PS – 37%, PSD – 29%, BE – 9%, CDU – 7%, CH – 6%, PAN – 2%, CDS – 1%, IL – 1%


1) A Direita continua em minoria;


2) o PS continua longe da maioria absoluta;


3) o BE e a CDU sobem;


4) o CHEGA desce (e é ultrapassado pela CDU).

ESQUERDAS = 37 + 9 + 7 + 2 = 55%
DIREITAS | Sociais-democratas, Conservadores, Centristas, Liberais e Extrema-Direita = 29 + 6 + 1 + 1 = 37%

Olivença é um tesouro patrimonial e cultural, mas também moral, humano e espiritual | JOSÉ RIBEIRO E CASTRO | JUAN MIGUEL MÉNDEZ

Se há quem tenha apostado com verdadeiro zelo pela aproximação entre Espanha e Portugal, tendo Olivença como ponto de encontro, esse é José Duarte de Almeida Ribeiro e Castro (Lisboa, 1953) Advogado português de longa carreira política e social desde o nível municipal ao nível comunitário, ao ter sido membro do Parlamento Europeu. A sua figura tem sido fundamental para que os Oliventinos hoje também possam adquirir a nacionalidade portuguesa. HOY Olivenza faz em exclusivo um balanço com o Dr. Ribeiro e Castro da sua experiência institucional e da sua relação com Olivença.

– Lembra-se quando foi a sua primeira visita e como se sentiu quando conheceu Olivença?

– Foi no final de 1974. O meu pai viveu em Badajoz durante algumas semanas e eu ia estar muitas vezes com ele. Numa dessas visitas, aproveitei para dar uma saltada a Olivença. Vi, gostei, respondi à minha curiosidade, mas não senti nada de especial. Tinha 20 anos, a visita foi muito rápida. Fui sozinho, não conhecia ninguém. Na verdade, vi, mas não entendi.

Depois, no fim de 1980, vindo do sul de Espanha, em lua-de-mel, passei na estrada ao lado de Olivença, só para mostrar a minha mulher onde era. Mas nem chegámos a entrar. Vínhamos de regresso a Lisboa e não parámos. Estava muito longe de perceber e sentir o mistério e o feitiço de Olivença.

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A Abrilada de 1961 – Para Angola em força? Não: Para São Bento em Força! | Carlos Matos Gomes

A Abrilada de 1961 – Para Angola em força? Não: Para São Bento em Força!

Ontem, 13 de Abril, passaram 60 anos da Abrilada de 1961 – reduzida na historiografia oficial a um pronunciamento conduzido pelo general Botelho Moniz para afastar Salazar.

A RTP apresentou um apontamento sobre a efeméride, em que participei. Resultante de uma excelente entrevista de quase duas horas com a jornalista Ana Luísa Rodrigues, muito bem preparada e muito bem informada.

A efeméride bem merecia outro tratamento e a direção de informação da RTP tinha a obrigação de lho dar, porque é serviço público.

Tinha a obrigação porque em 13 de Abril de 1961 se jogou o futuro de Portugal: os 13 anos de guerra e a descolonização como ela ocorreu. Eu apresentei o meu entendimento de que Salazar poderia (e deveria) ter evitado guerra e poderia ter aberto Portugal ao exterior. Até a história de África poderia ter sido diferente se o desfecho do que aconteceu a 13 de Abril de 1961 tivesse sido outro, se a Abrilada tivesse vingado.

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SOFAGATE | A IMORAL MORALIDADE DA EUROPA | Paulo Sande

NÃO

Não aceitamos que o passado esclavagista da Europa, cujos epígonos são sobretudo portugueses, britânicos, espanhóis, franceses, permaneça vivo nos livros de História (e até nas histórias sussurradas de geração em geração). Em nome da moralidade e dos princípios, não o podemos aceitar, ainda que tenha sido essa mesma Europa a proclamar a imoralidade da escravatura e a decretar “urbi et orbi” a sua abolição.

MAS SIM

Toleramos o passado esclavagista de outros continentes, países e regiões, onde ainda hoje milhões de seres humanos vivem em condições que, quando não são de escravatura, são-no da mais abjeta servitude.

NÃO

Não aceitamos que as mulheres, a outra metade da Humanidade, sejam tratadas como seres de segunda categoria, sexualizadas para além da decência (um prolongamento da moral feita ética), maltratadas e abusadas. “Me too” e outros movimentos, todos de origem ocidental, o que é quase o mesmo que dizer europeia, decretaram respeito, consensualidade, tratamento igualitário. E se há abusos e excessos, o princípio é sagrado – homens e mulheres, iguais perante Deus, a sociedade, a lei.

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Mariana Mazzucato | A economista que defende uma mudança radical do capitalismo para o mundo pós-pandemia

Mariana Mazzucato é professora de Economia da Inovação na University College London, no Reino Unido

Mariana Mazzucato é considerada uma das economistas mais influentes dos últimos anos. E existe algo que ela quer ajudar a consertar: a economia global.

“Admirada por Bill Gates, consultada por governos, Mariana Mazzucato é a especialista com quem outras pessoas discutem por sua conta e risco”, escreveu a jornalista Helen Rumbelow no jornal britânico The Times, em um artigo de 2017 intitulado “Não mexa com Mariana Mazzucato, a mais assustadora economista do mundo”.

Para Eshe Nelson, da publicação especializada Quartz, a economista ítalo-americana não é assustadora, mas “franca e direta, a serviço de uma missão que poderia salvar o capitalismo de si mesmo”.

O jornal The New York Times a definiu como “a economista de esquerda com uma nova história sobre o capitalismo”, em 2019. Em maio deste ano, a revista Forbes a incluiu no relatório: “5 economistas que estão redefinindo tudo. Ah, sim, e elas são mulheres”.

“Ela quer fazer com que a economia sirva às pessoas, em vez de focar em sua servidão”, escreveu o colunista Avivah Wittenberg-Cox.

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A propósito dos 100 anos do PCP | O PCP e a independência das colónias | Vítor Dias in O Tempo das Cerejas

Título no «Avante! de Julho de 1961

Contam-me que, num recente debate de âmbito universitário sobre os 100 anos do PCP, um historiador voltou a menorizar o papel do PCP na luta contra a guerra colonial preferindo atribuir uma maior coerência nessa luta a sectores católicos e de extrema-esquerda.

Sobre o assunto, entendo sublinhar o seguinte :

1. Bastaria consultar a imprensa clandestina do PCP, os seus numerosos comunicados e materiais de agitação, as emissões da Rádio Portugal Livre (que teve um enviado à guerrilha do PAIGC na Guiné-Bissau) ou ter em conta as acções da ARA contra o aparelho de guerra colonial para se concluir da completa falta de fundamento da referida menorização.

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RAPIDAMENTE E EM FORÇA | Francisco Seixas da Costa

Se acaso eu fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.Como o haviam sido, desde o século XIX, os republicanos, os combatentes contra a ditadura, os anti-fascistas. Ser colonialista, ser adepto da manutenção do império colonial era um desígnio nacional, patriótico. Os republicanos puseram o país a ferro e indignação porque a “pérfida Albion” nos não deixou executar o sonho do “mapa cor-de-rosa”.

Portugal teimou, depois, em ir para a Grande Guerra para defender as suas possessões ultramarinas, as suas colónias. Cunha Leal, expoente da luta contra Salazar, era um ferrenho colonialista. Norton de Matos, antigo governador-geral de Angola, pedia meças ao ditador de Santa Comba no interesse em manter a nossa África nossa.

Nos anos 50, até o movimento descolonizador ter começado a abalar as anteriores certezas da esquerda portuguesa, as colónias eram “nossas”. Repito o que disse, com total convicção: se acaso fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.

A legitimidade da “posse” colonial só começou a ser posta em causa, em Portugal, pelo PCP. Honra lhe seja! Fê-lo, naturalmente, porque a opinião de quem o guiava (leia-se, Moscovo) tinha entretanto mudado. Já havia tido lugar, entretanto, a Conferência de Bandung. A China de Mao, ainda antes do cisma sino-soviético, já tinha cheirado “l’air du temps” e pressentido que o “terceiro-mundo”, a Tricontinental, o suposto “não-alinhamento”, eram a nova fronteira de um Norte-Sul inevitável.

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Social-democracia | Wikipédia

social-democracia é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo Estado de bem-estar socialsindicatos e regulação econômica, assim promovendo uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa. É uma ideologia política originalmente de centro-esquerda, surgida no fim do século XIX dentre os partidários de Ferdinand Lassalle, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução, mas sim, em oposição à ortodoxia marxista, por meio de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário.[1]

O conceito de social-democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução. A diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de ideologia política, como o marxismo ortodoxo, é a crença na supremacia da ação política em contraste à supremacia da ação económica ou do determinismo económico-socioindustrial.[2][3]

Historicamente, os partidos sociais-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes. No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras ideias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas. Essas posições mais moderadas incluíram a crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo. Dessa forma, a social-democracia moderna se desviou do socialismo científico, aproximando-se da ideia de um Estado de bem-estar social democrático, e incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo. Os social-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como Rendimento Social de Inserção (Portugal), Bolsa Família (Brasil) e Opportunity NYC. Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem, como objetivo, substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

Atualmente em vários países, os sociais-democratas atuam em conjunto com os socialistas democráticos, que se situam à esquerda da social-democracia no espectro político. No final do século XX, alguns partidos sociais-democratas, como o Partido Trabalhista britânico e o Partido Social-Democrata da Alemanha, começaram a flertar com políticas econômicas neoliberais,[4] originando o que foi caracterizado de “Terceira Via“. Isto gerou, além de grande controvérsia, uma grave crise de identidade entre os membros e eleitores desses partidos.

A social-democracia se distingue do liberalismo econômico. Enquanto a social-democracia defende benefícios sociais universais e uma extensa regulação econômica, o liberalismo apoia benefícios sociais pontuais e a liberdade econômica mais ampla.[5]

CONTINUA: https://pt.wikipedia.org/wiki/Social-democracia

A IMENSA ESTUPIDEZ DE QUERER DEIXAR QUIETA A HISTÓRIA E OS CRIMES DE GUERRA, DE FORMA DESONESTA E IRRESPONSÁVEL | Alfredo Barroso

Ao invés do que sugere Miguel Sousa Tavares, no semanário Expresso, nem todos os combatentes que são envolvidos nas guerras cometem ‘crimes de guerra’, nem é compreensível que os cometam, porque há leis e convenções sobre a guerra que devem ser respeitadas. Mais: não é o facto de, no pós-guerra, prevalecer inevitavelmente a ‘justiça dos vencedores’, que inibe qualquer de nós, de denunciar que também estes cometeram vários ‘crimes de guerra’, os quais, nem por serem menos abomináveis do que os cometidos pelos vencidos, deixam de ser, também, aterradores. A grande diferença é a de que nunca serão julgados pelos vencedores, e muito menos pelos vencidos…

Se porventura existe uma qualquer ‘escala’ para a abominação, direi, então, que os terríveis e abomináveis crimes de guerra cometidos pelos nazis alemães e os fascistas italianos – quer na Guerra Civil de Espanha (1936-1939) em apoio às tropas franquistas (cujo símbolo maior é, sem dúvida, o bombardeamento de Guernica, no País Basco), quer durante a II Guerra Mundial (cujo símbolo maior, para além de outras inúmeras atrocidades, é, sem dúvida, o Holocausto, no qual foram assassinados milhões de judeus e muitos milhares de ciganos, de deficientes físicos e mentais, e de políticos antinazis comunistas, socialistas e católicos) – tais crimes são hoje considerados como a contrapartida que justifica os vários ‘crimes de guerra’ cometidos pelos aliados – cujos símbolos maiores são os bombardeamentos de Dresde (na Alemanha) e de Tóquio (no Japão), em que milhares de civis morreram queimados vivos pelas bombas incendiárias, além dos horríveis massacres cometidos pelos EUA com o lançamento das duas primeiras bombas atómicas em Hiroshima e em Nagasaki (também no Japão). Há o direito de esquecer tais atrocidades?!

Sou dos que acham que não existe – nem na vida comum, nem na vida política, nem no ordenamento jurídico democrático, e muito menos na História – qualquer “direito ao esquecimento”. E até acho vergonhoso que o Tribunal Constitucional seja agora presidido por um jurista que defende esse direito – inexistente – ao esquecimento, de nome João Caupers (colega de curso de Miguel Sousa Tavares, como este referiu) e que, a meu ver, devia ser removido do próprio TC pelos juristas que o cooptaram e que, agora, o elegeram.

Tenho à minha frente Histórias da Guerra dos Cem Anos (a qual, na realidade, decorreu entre 1337 e 1453), da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), e da Guerra dos Sete Anos (1756-1763). E, desde que as li, posso afirmar que – porventura com excepção da brutal Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão (1861-1865) entre os do Norte (Unionistas) e os do Sul (Confederados) – a Guerra dos Trinta Anos foi, sem dúvida, a mais cruel e devastadora de que há memória, até à eclosão da I Grande Guerra (1914-1918), da Guerra Civil de Espanha (1936-1939), da II Guerra Mundial (1939-1945) e da Guerra do Vietnam (1955-1975), na qual a prática dos bombardeamentos de napalm (a que também recorreram as tropas portuguesas em África) sobre florestas, campos de cultivo e camponeses vietnamitas, foi de uso corrente pelas tropas americanas.

Tudo isto para concluir que, a meu ver, por maior que tenha sido a valentia demonstrada por Marcelino da Mata nos cenários da Guerra Colonial (1962-1974) em que actuou, se de facto cometeu os crimes de guerra de que é acusado, não me parece que deva ser considerado um ‘herói’. Do mesmo modo me custa imaginar que seja considerado um herói da II Guerra Mundial o baronete inglês conhecido como Sir Arthur “Bomber” Harris – nomeado, em 1942, comandante-chefe do ‘Bomber Command’ da Royal Air Force e promovido a Marechal do Ar – que terá sido o responsável pela morte de quase um milhão de civis alemães, em consequência dos bombardeamentos que ele planeou e ordenou sobre mais de um milhar de cidades, vilas e aldeias alemãs, sobre as quais foram despejadas um milhão de toneladas de bombas incendiárias e explosivas, que forem assim fabricadas tendo em conta os materiais inflamáveis (sobretudo a madeira) predominantes nas habitações atingidas. Da longa série de bombardeamentos constam as bombas que devastaram a cidade de Colónia, em Maio de 1942, e as que arrasaram a cidade de Dresde, em Fevereiro de 1945. Outro tanto se diga do general norte-americano Curtis Le May – que ordenou os bombardeamentos que arrasaram Tóquio com bombas incendiárias e explosivas – e do presidente dos EUA, Harry Truman – que ordenou o lançamento das duas bombas atómicas que arrasaram Hiroshima e Nagasaki. A confirmação histórica destes factos obtive-a graças à leitura de dois livros impressionantes: a “História Natural da Destruição – Guerra Aérea e Literatura” (1999), do grande escritor alemão W .G. Sebald (1944-2001); e “O Incêndio – a Alemanha sob as bombas, 1940-1945” (2002), do historiador alemão Jörg Friedrich (1944), especialista em criminalogia da guerra, quer terrestre quer aérea, investigador dos crimes cometidos pelo Terceiro Reich, o Estado nazi, e colaborador da “Enciclopédia do Holocausto”.

Só para terminar: não é sério pegar no exemplo de um deputado e ex-governante de ‘poucochinha’ envergadura e sedento de atrair sobre si as atenções – desta vez com a ideia macaca e imbecil de ‘destruir o padrão dos Decobrimentos’ – para tentar generalizá-lo, indirecta mas sugestivamente, à classe política, sobretudo à do partido a que ele pertence, o PS. É truque barato e exemplo típico da desonestidade política e intelectual do jornalismo de baixo calibre que, infelizmente, continuamos a ter em Portugal.

Campo d’Ourique, 27 de Fevereiro de 2021

Retirado do Facebook | Mural de Alfredo Barroso

Plano de reestruturação. “Se falharem as negociações em Bruxelas, a TAP é liquidada” | Ministro Pedro Nuno Santos | Texto de André Freire

Muitos parabéns ao senhor ministro das infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, pela excelente entrevista que deu ontem, 11-12-2020, na SICN, 23-24h, no horário habitual do Expresso da Meia Noite. Primeiro, pela forma vigorosa e contundente como desmascarou e contrariou um estilo de “entrevista jornalística” hoje muito em voga, não apenas na SICN (estes são apenas campeões, mas é geral), em que os jornalistas se comportam como opinadores num debate (no caso o diretor de expresso, João Vieira Pereira, e José Gomes Ferreira), emitindo opiniões (geralmente eivadas de uma vertigem populista, anti estado e anti político, de forte recorte neoliberal, defendendo tudo e o seu contrário) e impedindo amiúde o entrevistado de falar, para emitirem as suas opiniões…. Segundo, porque o plano de restruturação da TAP é muitíssimo duro e difícil, sobretudo para um governo de centro-esquerda e um ministro da ala esquerda do governo, e o Pedro defendeu-o com muita coragem, clareza e frontalidade! Terceiro pela preparação técnica que demonstrou à exaustão e pela forma como evidenciou também à exaustão a importância estratégica da TAP para o país! Quarto, pela defesa clara e inequívoca como defendeu o papel do Estado na companhia, contra o canto de sereia da vertigem neoliberal de privatizar tudo o que mexe, negando porém a rotunda falsidade de que o Estado queria o controlo total da TAP e fez sair os privados: estes é que, perante as dificuldades, “não quiseram colocar mais um tostão na TAP” e preferiram vender a sua posição ao Estado!

André Freire

Retirado do Facebook | Mural de André Freire

ENTREVISTA | VIDEO DA SIC NOTÍCIAS

https://sicnoticias.pt/economia/2020-12-12-Plano-de-reestruturacao.-Se-falharem-as-negociacoes-em-Bruxelas-a-TAP-e-liquidada

Cabo Delgado | Moçambique | Carlos Matos Gomes

A violência em Cabo Delgado é simultaneamente simples de perceber e propositadamente difícil de explicar. A causa simples é a luta pelo poder, enquanto domínio que permite o acesso de um dado grupo às riquezas. Neste sentido, a causa da violência em Cabo Delgado é idêntica à da violência que conduziu às invasões do Iraque, da Síria e à destruição da Líbia. A única diferença é que a região onde se encontram as riquezas – petróleo, gás, e também pedras semipreciosas – é habitada por uma sociedade com poucos ou nenhuns meios de defesa (os macondes) e faz parte de um Estado fraco, incapaz de garantir a ordem interna e de se defender de ataques externos. Cabo Delgado é um alvo mole e barato para os assaltantes.

É deliberada a complexidade das diversas explicações para a violência em Cabo Delgado, classificada como «conflito» – não há qualquer conflito, há imposição de um poder pelo terror. A complexidade destina-se a esconder os responsáveis perante a opinião pública e a confundi-la. Os argumentos que salientam tensões etnolinguísticas, particularmente entre povos muçulmanos da costa, macuas, e macondes (animistas/cristãos), desigualdades no acesso a benefícios do Estado por parte dos macondes, favorecidos pelo estatuto dos antigos combatentes, representação política, assimetrias, lançadas para a opinião pública como estando na origem do jhiadismo e das suas práticas de terrorismo religioso são meras falácias, engodos e enganos.

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O PCP e o Orçamento do Estado para 2021 | António Filipe

O PCP posicionou-se perante o OE para 2021 em absoluta coerência com o que fez entre 2015 e 2020 e como sempre disse que faria.

Apreciou as propostas pelo seu conteúdo e sem perder nenhuma oportunidade para obter avanços favoráveis ao povo português. O PCP sempre disse que a sua relação com o Governo PS não dependeria de qualquer documento assinado mas da análise das propostas em discussão. A questão não é notarial. É política. Não assenta em proclamações mas em conteúdos. O PCP obteve ganhos de causa muito importantes neste Orçamento do Estado. Não para si, mas para os trabalhadores sujeitos a lay-off, para os reformados ou para quem defende o reforço do SNS.

Se o PCP não tivesse aberto a possibilidade de discussão na especialidade e tivesse votado contra, nada disso teria sido possível. A discussão na especialidade foi um terreno de luta de que o PCP não abdicou e com a sua posição permitiu que propostas de outros partidos tivessem sido aprovadas com os seus votos mesmo contra os votos do PS. Também foi a posição e a coerência do PCP que, ao permitir a discussão na especialidade e ao viabilizar o Orçamento, tornou isso possivel.

O PCP não desiste de lutar pelo que não conseguiu obter. O Governo PS não é melhor nem pior do que era antes, mas esta luta continua em melhores condições do que continuaria se este Orçamento tivesse sido rejeitado. O PCP terminou este processo orçamental com a consciência do dever cumprido porque foram obtidos avanços concretos que os portugueses não deixarão de sentir.

António Filipe

Retirado do Facebook | Mural de António Filipe

O que o Gambito da Rainha nos ensina sobre a vida (e a política) | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Para bastante gente, “O Gambito da Rainha” tem sido uma acolhedora companhia no semi-confinamento em que vivemos. A série tem tido sucesso, seja porque junta uma personagem fascinante, mesmo que puramente ficcional, Elizabeth Harmon, a algum romance, pouco, ao retrato sofrido das esquinas da vida, ou ainda a uma pitada de Guerra Fria em tom de época, seja, e sobretudo, porque se constrói sobre um mistério. Esse mistério é o xadrez, dois exércitos de oito peões e oito aristocratas frente a frente num pequeno tabuleiro.

O comunismo ainda não existiu, o fascismo e o nazismo, sim | Gabriel Leite Mota in Jornal Económico

PCP e Bloco estão do lado humanista da política. O Chega, não. Essa é a grande fronteira. Esse é o grande muro que não devemos deixar cair.

Tem sido motivo de aceso debate o acordo de governo que CDS, PPM, PSD, Chega e IL fizeram no Açores. Nesse acordo, ficou estabelecido que PSD, CDS e PPM governam em coligação, com o beneplácito parlamentar de Chega e IL.

A notícia é o facto de o Chega ter sido incluído nesse acordo, sabendo-se que este recente partido é, o que hoje chamamos, da extrema-direita populista, uma novidade no nosso sistema político.

CARTA DE AMOR A MOÇAMBIQUE | Paulo Sande

1. Os telejornais inteiros cheios de Covid e suas sequelas. Um cheirinho de Trump, alguma coisa de Biden, quase nada de tudo o resto. Futebol, sempre, mesmo esventrado. De Moçambique, reportagens rápidas, friamente compungidas, a despachar. Temos de fazer muito melhor.

2. Vivi em Lourenço Marques alguns anos, quando ainda se chamava assim. Passei duas férias grandes – quatro longos meses de verão – em Nampula, na adolescência, um tempo de primícias e promessas. Fundei a primeira Câmara de Comércio com um país africano lusófono, justamente Moçambique e fui o seu primeiro Presidente. Visitei o país dezenas de vezes em três anos.

3. Assassinos a quem chamam “al-shabab”, mas que não deviam ter nome porque não podem ter nome os seres sem alma nem rosto, tão feios são, há meses que matam, violam, destroem, roubam. São maka, como os macuas chamam aos muçulmanos do litoral, ou talvez sejam tumpurawus (tubarões) de duas pernas que chegam das terras do norte, fanáticos, ou simplesmente baratas, praga difícil de exterminar.

4. Horrorizaram-nos as torres a desabar como castelos de cartas, fomos todos Charlie Hebdo até à exaustão, chorámos lágrimas sentidas pelos inocentes do Bataclan e os mortos de Paris, revendo dezenas de vezes as imagens e a imaginar o medo, o sofrimento, escandalizámo-nos com os degolados de Nice, os sacrificados de Viena de Áustria. Os nossos irmãos europeus.

5. Moçambique, sobretudo aquele norte distante onde em tempos morreram tantos portugueses – e moçambicanos – a lutar por uma causa em que acreditavam, aquele norte que nos soa a qualquer coisa quando nos falam de Mueda, de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, das Quirimbas (belo e ensanguentado arquipélago), do Rovuma que é fronteira com a Tanzânia, esse norte merece-nos um rápido “que horror”, um breve “coitados”, um capilé de palavras sem alma e depois de volta ao jantar que o recolher obrigatório não espera.

6. Devíamos ligar mais a Moçambique, ao que se passa no seu norte? Às vinte pessoas mortas nos últimos dias, aos milhares assassinados nos últimos meses, a tiro, à catana, degoladas, espancadas? Lamentar os inocentes, homens, mulheres, crianças, sacrificados em Mucojo, Naunde, Pangane, Nambo, na Ilha Mais? Preocupar-nos com os assaltos às penitenciárias de Mocímboa da Praia e Mieze? Com os mais de 300 mil deslocados?

7. Portugal tem uma obrigação moral. Tem uma obrigação política. Tem uma obrigação humanitária. Tem uma obrigação para consigo próprio e com o seu passado.

8. Acreditem: conheço-os, não certamente muito bem, mas sei do seu carácter afável e da sua hospitalidade. São gente boa e isso não é dizer qualquer coisa, isso é dizer tudo. A palavra Portugal tem valor em Moçambique. Os moçambicanos gostam maningue dos portugueses (eu sei). Façamos desse valor fortuna, ajudando. Preocupando-nos.

9. O país apelou à comunidade internacional, a ministra moçambicana dos negócios estrangeiros reuniu-se com o corpo diplomático em Maputo e exigiu a condenação inequívoca do terrorismo; cooperação para o eliminar; apoio no controlo de fronteiras (as belas mas ó tão permeáveis fronteiras marítimas e terrestres do país longo, tropical, coralífero); no combate ao crime organizado; na cibersegurança. E o mais importante: no apoio humanitário. Fome, doenças diarreicas, milhares de deslocados a precisar de ajuda.

10. Portugal pode fazer mais? Há certamente limitações para a ajuda que podemos dar, sejam elas diplomáticas, logísticas, financeiras, militares. Mas temos a obrigação de ajudar tanto quanto essas limitações permitam. E se calhar ultrapassá-las. Senão, não vale a pena continuarmos a encher a boca com retóricas desgarradas sobre a amizade com os povos irmãos lusófonos. É tempo de mostrar que a alma – a grande e antiga alma lusitana – não é pequena, mas generosa, grata e solidária.

Ororomela (esperar com esperança) …

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Sande

CARTA ABERTA AO actual PSD | Gaëlle Becker Silva Marques

A coligação do PSD Açores com o Chega é reveladora de uma grande enfermidade!

Enquanto filha de um ex-deputado do PSD, não posso deixar de manifestar um profundo desprezo pela decisão política dos actuais dirigentes deste partido.

Enquanto filha de um ex-Presidente da Bancada Parlamentar do PSD, não posso ficar calada perante esta assombrosa decisão.

Enquanto filha de um dissidente do Estado novo, de um grande lutador pela Democracia em Portugal, sinto-me na obrigação de denunciar o inimaginável e de acusar o actual PSD Açores de defraudar os ideias democráticos que o fizeram nascer e crescer enquanto partido.

Acusar o actual PSD Açores de defraudar os portugueses que nele votaram, acreditando que os princípios fundadores do partido continuariam a ser os mesmos princípios de sempre e, por isso, os de respeito, de diálogo, de defesa da Democracia e de combate em prol da Democracia. Acusar o actual PSD Açores de defraudar os seus eleitores, que se reviram naqueles princípios e que deram o seu voto para que esses fossem firmemente aplicados em nome da Democracia. Acusar o actual PSD de defraudar, sem o mínimo sentido crítico, sem a mínima consciência histórica e partidária, de forma deliberada, oportunista e desonesta, o seu próprio partido. Acusar o actual PSD Açores de defraudar a memória dos seus fundadores, a memória de Francisco Sá Carneiro que acreditou que a reconstrução política através do diálogo era não só possível, mas louvável.

Também é como filha de um pai resiliente e lutador que denuncio. A que presenciou a uma realidade perturbante. A que cresceu ao lado de um pai que foi preso, perseguido, torturado e obrigado a viver no exílio porque acreditava no Ideal Democrático. A que soube o quão devastador foi para ele o afastamento com a sua família. A que soube como se acentuaram as complicações que os anos de Clandestinidade provocaram no seio familiar: ameaças de morte, rusgas, pilhagem. A que o viu abraçar-se ao seu próprio pai, bafejado pelas lágrimas, este que o julgara morto e que por isso demorou a desculpá-lo. A que pressentiu e presenciou: as suas angústias, os seus terrores nocturnos, as suas cicatrizes no corpo, as suas tensões e crispações, os seus sobressaltos, a sua revolta contra a injustiça, a sua luta na defesa do oprimido, da dignidade humana, do direito das mulheres e de todos os direitos que um regime totalitário pretende à força, a ferro, a tiro e a sangue abafar e anular.

Esta coligação não só ataca a Democracia, como também ataca directamente as famílias nos seus lares. Ataca o que de mais precioso se exala: o livre Pensamento, a Liberdade em si, a Humanidade, o direito à Escolha, mas também a Responsabilidade.

A política existe, antes de mais, para servir o eleitor. Jamais deve obstruir a livre circulação da democracia. Jamais deve pactuar com a gangrena que se queira instalar.

E é em nome de todos os cidadãos que acreditam nos valores da Democracia, mas também em nome do meu Pai, que hoje denuncio:

Acuso! Acuso o actual PSD de fragilizar a via democrática e de empurrar, mesmo que a longo prazo, a nação portuguesa para a via totalitária!

Não à gangrena!

A gangrena, Nunca Mais! Nem a da Esquerda, nem a da Direita!

E que o medo nunca nos cale!

Gaëlle Silva Marques

Hoje, no dia 7 de Novembro de 2020, dia em que o meu Pai faria anos, denuncio o que ele próprio denunciaria se ainda estivesse vivo.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Eu sou do tempo do Silva Marques deputado do PSD, e também de Emídio Guerreiro e uns tantos mais (Nuno Rodrigues dos Santos) que nos (aos militares do 25 de abril) mereciam respeito embora e apesar das suas opções e ruturas. Eram uma garantia de antifascismo. Esses garantes pelo que lemos na corajosa e límpida carta da filha deixaram de existir com Rui Rio.

Carlos Matos Gomes

Kamala Harris | Vice-Présidente des États-Unis

Kamala Harris, sénatrice de Californie est désormais la première femme vice-présidente des États-Unis✌️
Joie Biden lui doit incontestablement sa victoire en mobilisant sans relâche,les jeunes, les femmes et les minorités.
Sa pugnacité et son dynamisme la mèneront sans aucun doute en 2024 à être première femme noire présidente des États-Unis! Et que vive la diversité.

Nadia Bensmaia | Facebook

Literalmente, cortaram-lhe o pio! | por Carlos Matos Gomes

Algumas televisões dos Estados Unidos cortaram a intervenção que Donald Trump fez sexta-feira, na Casa Branca. Literalmente, cortaram-lhe o pio!

Justificaram dizendo que o Presidente estava a mentir. O título da edição brasileira do El País é divertido:

“Três grandes redes de TV dos EUA interrompem o discurso em que Trump blefava sobre fraude eleitoral. ABC, CBS e NBC cortam a transmissão da fala em que, sem prova alguma, o presidente acusava adversários de tentar “roubar” na apuração e atacava todo o sistema eleitoral dos EUA”

Algumas almas mais cândidas levantaram a questão de defender o regime americano, pois não seria possível imaginar outro país democrático onde algo de semelhante pudesse acontecer, com um Presidente ou com outra qualquer pessoa, e com o mesmo argumento.

Ora, as decisões nos EUA nunca são tomadas tendo como base a “democracia” , mas sempre tendo por base o “ mercado”. A decisão das estações de TV americanas não é, não foi, nem deixa de ser democrática.

Foi uma decisão empresarial. Os acionistas das estações, com a força do seu negócio, entenderam que aquele produto (Trump) já lhes estragava a imagem (eles vivem da imagem) o negócio e as vendas. Descontinuaram-no. Simplesmente despejaram da montra um manequim que deixou de ter préstimo.

O mercado a funcionar. A democracia é outra coisa.

Carlos Matos Gomes | Facebook

Barack Obama | Joe Biden and Kamala Harris

I could not be prouder to congratulate our next President, Joe Biden, and our next First Lady, Jill Biden.

I also couldn’t be prouder to congratulate Kamala Harris and Doug Emhoff for Kamala’s groundbreaking election as our next Vice President.

In this election, under circumstances never experienced, Americans turned out in numbers never seen. And once every vote is counted, President-Elect Biden and Vice President-Elect Harris will have won a historic and decisive victory.

We’re fortunate that Joe’s got what it takes to be President and already carries himself that way. Because when he walks into the White House in January, he’ll face a series of extraordinary challenges no incoming President ever has – a raging pandemic, an unequal economy and justice system, a democracy at risk, and a climate in peril.

I know he’ll do the job with the best interests of every American at heart, whether or not he had their vote. So I encourage every American to give him a chance and lend him your support. The election results at every level show that the country remains deeply and bitterly divided. It will be up to not just Joe and Kamala, but each of us, to do our part – to reach out beyond our comfort zone, to listen to others, to lower the temperature and find some common ground from which to move forward, all of us remembering that we are one nation, under God.

Finally, I want to thank everyone who worked, organized, and volunteered for the Biden campaign, every American who got involved in their own way, and everybody who voted for the first time. Your efforts made a difference. Enjoy this moment. Then stay engaged. I know it can be exhausting. But for this democracy to endure, it requires our active citizenship and sustained focus on the issues – not just in an election season, but all the days in between.

Our democracy needs all of us more than ever. And Michelle and I look forward to supporting our next President and First Lady however we can.

Barack Obama ( Facebook)

Yuval Noah Harari | Sapiens, une brève histoire de l’humanité – Homo Deus, une brève histoire de l’avenir – 21 leçons pour le XXIe siècle | by Rania Hadjer

Je viens de finir la série de Yuval Noah Harari et je pense qu’elle doit faire partie du top 10 des livres à lire dans sa vie. Un rythme haletant et captivant autour d’un voyage en trois temps : passé, présent et futur.

– Dans « Sapiens, une brève histoire de l’humanité » l’auteur interroge de manière inédite le passé sur Comment notre espèce a-t-elle réussi à dominer la planète ? Pourquoi nos ancêtres ont-ils uni leurs forces pour créer villes et royaumes ? Comment en sommes-nous arrivés à créer les concepts de religion, de nation, de droits de l’homme ? À dépendre de l’argent, des livres et des lois ? À devenir esclaves de la bureaucratie, des horaires, de la consommation de masse ? Et à quoi ressemblera notre monde dans le millénaire à venir ?

– Homo Deus, une brève histoire de l’avenir nous dévoile ce que sera le monde d’aujourd’hui lorsque, à nos mythes collectifs tels que les dieux, l’argent, l’égalité et la liberté, s’allieront de nouvelles technologies démiurgiques. Et que les algorithmes, de plus en plus intelligents, pourront se passer de notre pouvoir de décision. Car, tandis que l’Homo Sapiens devient un Homo Deus, nous nous forgeons un nouveau destin : Que deviendront nos démocraties quand Google et Facebook connaîtront nos goûts et nos préférences politiques mieux que nous-mêmes ? Qu’adviendra-t-il de l’Etat providence lorsque nous, les humains, serons évincés du marché de l’emploi par des ordinateurs plus performants ? Quelle utilisation certaines religions feront-elles de la manipulation génétique ?

– Enfin, dans 21 leçons pour le XXIe siècle, Yuval Noah Harari décrypte le XXIe siècle sous tous ses aspects: politique, social, technologique, environnemental, religieux, existentiel…Avec l’intelligence, la perspicacité et la clarté qui ont fait le succès des deux premiers ouvrages, l’auteur répond à des questions centrales de notre siècle telles que : Pourquoi la démocratie libérale est-elle en crise ? Sommes-nous à l’aube d’une nouvelle guerre mondiale ? Que faire devant l’épidémie de « fake news » ? Quelle civilisation domine le monde ? Que pouvons-nous faire face au terrorisme ? Que devons-nous enseigner à nos enfants ?

Bref, un vrai coup de cœur que je vous conseille vivement.

Rien de mieux qu’un livre entre les mains mais pour ceux qui les veulent en version PDF je les ai, laissez moi vos adresses mails en commentaire ou en privé si vous les voulez en version électronique (gratuite)

Rania Hadjer (Facebook)

La société autophage | Capitalisme, démesure et autodestruction | Anselm Jappe | in Facebook Mur de Yacine Bouzaher

” La société capitaliste est-elle en train de s’auto-dévorer ? On voit partout les signes non seulement d’un effondrement économique, mais aussi d’un délitement des structures psychiques qui ont caractérisé la modernité. Le narcissisme est en train de devenir la pathologie dominante. La critique radicale de la valeur et de l’argent, du travail, de la marchandise et de l’État peut-elle aider à mieux comprendre ces phénomènes ? “

Le mythe grec d’Érysichthon nous parle d’un roi qui s’autodévora parce que rien ne pouvait assouvir sa faim – punition divine pour un outrage fait à la nature. Cette anticipation d’une société vouée à une dynamique autodestructrice constitue le point de départ de La Société autophage. Anselm Jappe y poursuit l’enquête commencée dans ses livres précédents, où il montrait – en relisant les théories de Karl Marx au prisme de la « critique de la valeur » – que la société moderne est entièrement fondée sur le travail abstrait et l’argent, la marchandise et la valeur.Mais comment les individus vivent-ils la société marchande ? Quel type de subjectivité le capitalisme produit-il ? Pour le comprendre, il faut rouvrir le dialogue avec la tradition psychanalytique, de Freud à Erich Fromm ou Christopher Lasch. Et renoncer à l’idée, forgée par la Raison moderne, que le « sujet » est un individu libre et autonome. En réalité, ce dernier est le fruit de l’intériorisation des contraintes créées par le capitalisme, et aujourd’hui le réceptacle d’une combinaison létale entre narcissisme et fétichisme de la marchandise.

Le sujet fétichiste-narcissique ne tolère plus aucune frustration et conçoit le monde comme un moyen sans fin voué à l’illimitation et la démesure. Cette perte de sens et cette négation des limites débouchent sur ce qu’Anselm Jappe appelle la « pulsion de mort du capitalisme » : un déchaînement de violences extrêmes, de tueries de masse et de meurtres « gratuits » qui précipite le monde des hommes vers sa chute.Dans ce contexte, les tenants de l’émancipation sociale doivent urgemment dépasser la simple indignation contre les tares du présent – qui est souvent le masque d’une nostalgie pour des stades antérieurs du capitalisme – et prendre acte d’une véritable « mutation anthropologique » ayant tous les atours d’une dynamique régressive.

O mercado da diferença | O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas | Carlos Matos Gomes

O mercado da diferença. Pode alguém ser o que não é? É o título de uma canção, que podia aplicar-se às dificuldades do BE e do PCP em aceitarem um compromisso com o PS para a aprovação de um Orçamento e ajuda a entender as manobras em curso. O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas, por muito que se esforcem ao nível do discurso por se apresentarem como portadoras de um projeto revolucionário.

O processo histórico do pós-Muro de Berlim provocou uma nova divisão de modelos políticos, de um lado os neoliberais, de outro os estados que na Europa ainda mantêm a matriz de estado social, ou social democrata. Para já a situação é esta e não se alterará com o Orçamento do Estado Português para 2021.O PCP e o BE estão hoje neste grupo social democrata a competir com o tradicional ocupante do espaço, o Partido Socialista. Para sobreviverem neste mercado têm de “mostrar serviço”. Vivem a conhecida situação das mercearias que se transformaram em minimercados na zona dos supermercados. Fazem promoções nos produtos de maior impacto, são mais agressivos nas campanhas, recusam alianças, mesmo que mutuamente vantajosas, procuram fidelizar nichos de mercado, mas vendem o mesmo.

A sua sobrevivência depende da demonstração de diferença. A apresentação de um candidato à presidência de República por cada uma das formações é reveladora da indispensabilidade de cada uma “marcar a diferença a todo o custo” para sobreviver.As disputas sobre o Orçamento são parte da afirmação de existência do PCP e do BE. São opções conscientes e compreensíveis tomadas pelos seus dirigentes para se manterem no jogo da política e fidelizarem a clientela tradicional. É um jogo arriscado, que pode remeter para fábula do escorpião que ia às costas da rã e que a matou por ser a sua natureza e assim morreu também, mas é um jogo legítimo, que os órgãos de direção dos dois partidos decidiram correr e que têm praticado ao longo dos tempos. É o mercado a funcionar. A clientela decidirá.

Paulo Portas | De VÍTOR MATOS no EXPRESSO CURTO de 19/10/2020

“Entrevista de Paulo Portas ontem ao “Público”, que convém guardar para reler daqui a uns anos. O ex-líder do CDS faz o mais importante endorsment da direita a Marcelo Rebelo de Sousa. Nem Rui Rio o tinha feito nestes termos, nem Pedro Passos Coelho o faria assim, muito menos Francisco Rodrigues dos Santos. Portas surge como personalidade federadora da direita, à revelia de radicalismos e em contraste com a gritaria que para aí vai: compreende a ação de Marcelo, faz críticas ligeiras e enaltece o Presidente por defender pontos de vista caros à direita (como o papel do mercado e dos privados). A frase “Marcelo está do lado certo das coisas” mete as reservas de ‘Chicão’ no bolso, secundariza as declarações de circunstância de Rui Rio e arruma Ventura. Para memória futura fica o registo: daqui a cinco anos Portas estará no cardápio da direita para Belém, com uma posição suficientemente moderada para se apresentar preparado para o coabitar com governos de esquerda, à imagem de Marcelo. Para segundas leituras fica a ausência de comentários à situação do CDS e da direita em geral, sobretudo a omissão de qualquer análise ao fenómeno do Chega. Não é o momento de fragilizar a liderança.”

LER MAIS: https://www.publico.pt/2020/10/18/politica/entrevista/marcelo-lado-certo-1935394

BATER NO FUNDO | Soromenho Marques | in Jornal DN

«Faltou a bola vermelha no canto superior direito na transmissão do debate presidencial entre Trump e Biden. Aquele deplorável choque de anciãos, marcando pontos num pugilato verbal de mentira, ignorância e desprezo por quem se deu ao trabalho de os ver e escutar, merecia ter um aviso desaconselhando os jovens e as almas mais frágeis.

Quase duas horas a escutar aqueles improváveis campeões da política de Washington podem levar muitos a perder o pouco de confiança que ainda possa restar na humanidade. Trump foi igual a si próprio, um vulcão de descabelado narcisismo, ancorado numa autoconfiança postiça, que indicia uma tortuosa história clínica para biógrafos e outros curiosos. Biden fez a prova de vida que muitos duvidavam ser possível.O que a aldeia global assistiu foi ao aparente certificado de óbito do sonho americano, à sua crescente transformação em pesadelo.

No debate Trump-Biden corporizaram-se dois dos principais temores dos antigos autores, que no debate constitucional fundacional de 1787-1788 ficaram conhecidos como “antifederalistas, sendo o primeiro o risco de a figura do Presidente federal poder transformar-se, nas mãos de um candidato a tirano, num perigo para as liberdades públicas. Sem qualquer rebuço, Trump mostrou que não vai respeitar os resultados eleitorais se estes não lhe forem favoráveis. Explicou que irá tratar os juízes do Supremo Tribunal, destinados a serem intérpretes isentos da Constituição, como cúmplices de fação para invalidar a expressão da vontade popular.

Recusou-se a condenar as milícias da “supremacia branca”, falou sempre e só para o seu exército de obedientes seguidores, deixando latente o possível recurso à violência para se manter no comando.O segundo receio dos antifederalistas veio à evidência quando o pivô da Fox News, Chris Wallace, interrogou os dois candidatos sobre se acreditavam na responsabilidade humana pelas alterações climáticas.

A pergunta é idiota, mas, pior ainda, foi a primeira vez em 20 anos (desde o debate Gore-Bush) que num pleito televisivo presidencial o tema foi aludido! Trump reiterou a insensatez habitual e Biden acentuou a sua recusa do Green New Deal, para fugir do embaraço de poder ser conotado com a esquerda do seu partido.Como é possível que num mês em que os EUA foram atingidos com particular violência por fenómenos extremos – incluindo incêndios apocalípticos que puseram em fuga, só no Oregon, meio milhão de pessoas (mais de 10% da população do Estado!) – estes candidatos tratem das alterações climáticas como tema menor? Isso ocorre porque, como temiam os antifederalistas, o sistema político federal foi capturado pelos grandes negócios.

Os EUA aparentam ser hoje uma democracia em decomposição, transmutada em plutocracia, e isso embacia qualquer visão lúcida do futuro.Em 1990 assistimos ao milagre da implosão pacífica do império soviético. Esperemos que um milagre ainda maior possa ocorrer para evitar a explosiva desintegração dos EUA. Caso contrário, não faltarão estilhaços cortantes a irromper em todas as direções.»

VIRIATO SOROMENHO MARQUES

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

O documento programático do DiEM25 sobre Paz e Política Internacional

Um comunicado rápido destinado a todos os interessados sobre a posição do DiEM25 no que diz respeito a assuntos internacionais, guerra e paz:

O prazo de contribuição para o documento programático do DiEM25 sobre Paz e Política Internacional foi alargado até ao dia 11 de outubro! Por favor dirija-se aqui para submeter as suas considerações. No DiEM25, temos orgulho de que sejam os nossos membros como um todo, e não um organismo eleito, a ditar todos os nossos documentos programáticos. Depois do dia 11 de outubro, o grupo de trabalho para a Paz e Política Internacional reverá todas as contribuições escritas, e preparará um primeiro esboço do documento programático – que será então novamente sujeito aos vossos comentários e correções. E vamos repetir o processo ainda mais uma vez, de forma a produzirmos um documento programático que tenha verdadeiramente sido produzido em co-autoria por todos os membros do DiEM25.

Lembre-se de não precisa de responder a todas as perguntas – responda apenas às que verdadeiramente lhe interessem, ou nas quais tenha uma ideia do que o DiEM25 deve exigir aos políticos. Se quiser ler algumas considerações iniciais, o grupo de trabalho publicou este pequeno folheto. Mas o conteúdo do nosso documento programático será escrito por si!

URSULA VON DER LEYEN EM PORTUGAL | por Nuno Vidal

Ursula von der Leyen, a Presidente da União Europeia, está em Portugal hoje e amanhã. Impressionou com o seu recente discurso do Estado da União. Embora proclamatório – tudo na Europa tem de ser aprovado por 27 países – destacou-se a defesa da dignidade do trabalho, designadamente pela criação de um salário mínimo europeu; o lançamento do NextGenerationEU, a prioridade ao Pacto Ecológico Europeu e a criação da Década Digital da Europa.

A determinação europeia que revelou faz-nos recordar que Van Der Leyen viveu sob proteção policial na sua juventude, tendo de ir viver para Inglaterra – onde se licenciou em Economia – devido a ameaça da RAF (grupo terrorista de extrema-esquerda) contra a sua família, tendo, depois do seu regresso à Alemanha, feito um doutoramento em Medicina em Hamburgo.

Em todos os lugares por onde tem passado (foi Ministra de três pastas na Alemanha) tem promovido a paridade, como fez agora na Comissão. Apoiou a aplicabilidade das mesmas regras fiscais a casais heterossexuais e homossexuais, bem como direitos iguais de adopção para casamentos do mesmo sexo e votou favoravelmente no Parlamento a aprovação da lei que prevê a igualdade entre casamentos homossexuais e heterossexuais, tendo combatido a pornografia infantil.

Uma democrata-cristã tolerante, aberta ao mundo e do seu tempo (em profundo contraste com os políticos bota-de-elástico que dominam a cena portuguesa).

Nuno Vidal

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

AS DUAS INTERNETS | Francisco Louçã | Expresso, 26.09.2020

A ofensiva de Trump contra a China, tendo como alvos imediatos a Huawei, a TikTok e a WeChat, é a guerra fria do nosso tempo. O resultado será a polarização do mundo entre duas internets.

O PODER DE MANDAR

A ordem da Casa Branca para proibir, a partir deste mês, o fornecimento de semicondutores é um golpe poderoso contra a Huawei. A empresa chinesa, que domina o 5G, depende da compra de chips e pode ficar sem acesso aos fornecedores. O efeito é mundial: uma empresa de Taiwan, a MediaTek, pediu às autoridades norte-americanas autorização para lhe continuar a vender, mas o Departamento do Comércio, que conduz a operação sob instruções do Presidente, deve recusar a licença. Mesmo o principal fornecedor chinês, a SMIC, pode ter que fechar os seus negócios com a Huawei, dado que depende de equipamento importado dos EUA e não pode arriscar-se a ficar sem essa capacidade.

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Que posição deveria ter o DiEM25 em relação à paz e assuntos internacionais?

Agora que as férias de Verão e as eleições do CC estão terminadas, (resultados aqui), queremos voltar ao activismo e à actividade política. Relativamente ao último ponto, o Conselho de Validação aprovou a criação de um novo pilar relativo a “Paz e Políica Internacional”, que será desenvolvido em deliberação com todos os DIEMers, de acordo com o nosso modelo habitual para os documentos políticos:

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A NOVA ORDEM MUNDIAL NÃO É UMA ‘TEORIA DA CONSPIRAÇÃO’ | José Gabriel Pereira Bastos

Quem se informa sabe que a Nova Ordem Mundial é um Projecto Imperial Anglo-Americano, herdeiro do Secretismo Maçónico (inscrito na nota do Dollar) e do Suprematismo WASP (racista), dotados de um “Destino Manifesto” e de um “Excepcionalismo” que configuraram o século XIX americano, projecto esse criado com Instituições próprias (Council on Foreign Relations, em Nova York, Chattam House, em Londres), logo à saída da Guerra de 1918, tendo enormes desenvolvimentos funcionais entre guerras, que não cabe aqui enunciar.
(“The Century of the Self”, abaixo, pode servir de Introdução).

A vitória de 45 levou ao relançamento de novas Organizações Instrumentais (NATO, ONU e organizações satélites, etc.) e de inúmeras “iniciativas privadas”. antevendo e propulsionando o futuro WASP Idealizado.

Em 1952, Bertrand Russell publicou “A última oportunidade do homem” (New Hopes for a changing world, New York, Simon and Shuster), contendo o Projecto Despótico da Globalização Anglo-Americana (que o Brexit actual vai reforçar), sob a forma antevista e proposta de uma Ditadura Militar por um século até que todos os povos dos cinco continentes se submetam pela Força à “Nova Democracia Mundial” WASP.

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Hipernormalisation (2016) | Legendado | Documentário do cineasta Adam Curtis

Documentário do cineasta Adam Curtis. O filme argumenta que desde a década de 1970, os governos, o mercado financeiro e os tecnocratas desistiram do complexo “mundo real” em prol de um “mundo falso”, mais simples, comandado pelas corporações e controlado pelos políticos.

Acórdão do Tribunal Constitucional Alemão sobre o programa de compra de ativos do BCE | Texto de José Luís da Cruz Vilaça | Introdução de Paulo Sande | in Facebook

Este texto resume o essencial da análise feita por José Luís da Cruz Vilaça ao acórdão do Tribunal Constitucional Alemão sobre o programa de compra de ativos do BCE.
Antigo Juiz do Tribunal de Justiça da União Europeia, seu Advogado Geral e primeiro Presidente do Tribunal de Primeira Instância, atual Tribunal Geral da União Europeia, Cruz Vilaça é dos portugueses mais abalizados para interpretar o referido acórdão nos seus devidos termos e consequências
O TC alemão ultrapassou várias linhas vermelhas
1. O acórdão do 2º Senado do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha (adiante “TC alemão”), de 5 de maio, sobre o programa PSPP – Public Sector Purchase Programme (programa de compra de ativos do setor público em mercados secundários) do Banco Central Europeu (BCE), provocou ondas de choque em toda a Europa. Não é caso para menos: o debate jurisdicional entre o TC alemão e o Tribunal de Justiça da União Europeia(adiante “TJUE”) suscita, inevitavelmente, a questão essencial de saber se é possível evitar o risco de desagregação constitucional na UE.

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UE | UMA VISÃO OPTIMISTA, APESAR DE TUDO | Do lado certo da história | Bernardo Pires de Lima

A proposta franco-alemã vai muito além dos 500 mil milhões de euros. Responde à enésima crise europeia, forjando o aprofundamento da integração, reflete a evolução qualitativa no debate alemão e tem a ambição de moldar positivamente a globalização. Cinco páginas que podem ficar na história.

Já dizia Jean Monnet, o europeu nunca eleito mais importante do pós-Guerra, que a “Europa será forjada em crises”. Caro Monnet: tem sido na mouche. Guerras totais ou regionais forçaram a paz improvável entre a França e a Alemanha ou entre repúblicas da antiga Jugoslávia. Crises económicas ou choques geopolíticos aceleram adesões, transições democráticas e transferências voluntárias de soberania para fortalecer políticas comuns. Crises e integração europeia têm andado de braço dado desde sempre. Por outras palavras, a consolidação da paz, através do comércio e da diplomacia, e o alargamento da geografia democrática, têm sido as duas grandes estratégias de sucesso destes 70 anos de Europa progressivamente integrada.

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Tens 5 minutos para melhorar o DiEM25?

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Isto vai permitir-nos compreender melhor os membros do DiEM25, melhorar o nosso trabalho e identificar organizadores para campanhas do DiEM25.

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Campanha Green New Deal para a Europa | DiEM25

Vamos ter mais uma sessão de boas vindas para a nossa campanha do Green New Deal para a Europa (GNDE), na próxima sexta-feira, 22 de Maio, pelas 17h00 CEST (16h00 hora de Portugal). A sessão será em inglês.

Se estiveres interessado(a) em te juntares à equipa, mesmo que seja apenas uma ou duas horas por semana, esta sessão é uma grande oportunidade para conhecer melhor as ideias, princípios e estratégias da nossa campanha. É também uma boa oportunidade para falar com o coordenador principal da campanha e tirar todas as dúvidas sobre este tema.

O Green New Deal para a Europa é uma campanha internacional para uma transição rápida, justa e democrática para uma Europa sustentável. O nosso relatório descreve um plano pormenorizado para a Europa alcançar este objetivo — agora só temos de construir as bases para concretizarmos a mudança (ver aqui também o resumo em português).

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A minha resposta ao CDS sobre a TAP | Pedro Nuno Santos

“A TAP não estava a ser bem gerida, mesmo antes do Covid. 800 milhões de euros é a dívida da TAP.
Pergunto-lhe senhor deputado João Gonçalves Pereira (CDS): Um empréstimo de 350 milhões garantido pelo povo português vai resolver o problema da empresa? 350 milhões acima de 800 milhões de dívida que já tem? Se a empresa não pagar, o empréstimo é de quem? É o povo português que paga. E se é o povo português que paga, é bom que seja o povo português a mandar. A partir deste momento a conversa Com a comissão executiva tem de ser feita fora do quadro do acordo parassocial, pelo Estado soberano.

Retirado do Facebook | Mural de Pedro Nuno Santos

 

El orden natural de las cosas | ARTURO PÉREZ-REVERTE | in ZENDA LIBROS

En el restaurante Martinho de Arcada, mi casa de comidas habitual en Lisboa (allí donde el espía Lorenzo Falcó cena con la vedette Rita Moura tras cargarse a un agente republicano en Alfama), comento con Nuno y Paulo, camareros y amigos desde hace mucho, las cosas que pasan en Portugal, en España y en el mundo. El veterano Nuno, que es pequeño, rubio y simpático, trae un vino del Alentejo estupendo y barato, que yo no conocía, y mientras me lo hace probar cuenta que el alcalde de Oporto acaba de proponer unir a Portugal y España en un solo espacio político. ¿Te imaginas?, dice. Y le digo que sí, que lo imagino. Es la vieja idea de la Unión Ibérica de Garret, Saramago, Maragall y Unamuno, que resucita de vez en cuando, o tal vez nunca muere. Sesenta millones de personas y dos economías coordinadas. Lo que seríamos juntos. Un sueño maravilloso e imposible.

Algo más tarde, mientras paseo por la Baixa esquivando turistas anglosajones y japoneses, sigo dándole vueltas, pues me acuerdo de España y Portugal juntos como parte da orden natural das coisasque decía Teófilo Braga, o del somos hispanos, e devemos chamar hispanos a quantos habitamos a Península hispânica de Almeida Garret. Y, bueno. Es difícil no hacerlo, cuando pienso en el poco peso de Portugal y España en las decisiones que se toman en Bruselas, donde los españoles somos con harta frecuencia el hazmerreír de Europa; en el detalle de que los dos idiomas tengan una similitud léxica del 89%; en que la economía de los países que hablan español y portugués represente un 14% del PIB mundial, y en el hecho encuestado de que casi la mitad de los españoles y más de la mitad de los portugueses verían con buenos ojos una unión ibérica de tipo confederal: una asociación coordinada y fuerte, como el Benelux con que Bélgica, Holanda y Luxemburgo fundaron lo que luego sería Comunidad Económica Europea.

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A corrupção, a política e a demagogia | Carlos Esperança

Quando alguém afirma que “todos os políticos são corruptos”, interrogo-me se esse alguém é ignorante, fascista ou pretende, apenas, gritar as frustrações e dizer que, ao contrário de ‘todos os políticos’, (ele ou ela) não é ou não pode.

Cinco anos de ditadura militar e 43 de fascismo deixaram marcas indeléveis na nossa sociedade. A raiva contra os políticos é a herança transitada por má fé ou ignorância, de geração em geração, como se os políticos fossem menos honrados do que o comum dos cidadãos e as generalizações não fossem a revelação da indigência intelectual e cívica que habita um país cujas causas do atraso foram magistralmente analisadas por Antero de Quental na conferência sobre «As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares».

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EXTREMOS | Francisco Seixas da Costa in Jornal de Notícias

As expressões “extrema direita” e “extrema esquerda” têm duas similitudes. A primeira é semântica: em ambas, existe a palavra “extrema”. A segunda é que o passado em que essas correntes tiveram origem foi marcado por sinistras ditaduras – de um lado o fascismo e o nazismo, do outro os regimes comunistas, que resultaram num desastre totalitário. As similitudes acabam aí, pelo que é hoje profundamente desonesto procurar equiparar os dois conceitos.

A extrema direita é xenófoba, racista, discriminatória e promotora de políticas de ódio, obsessivamente securitária, cavalgando um sinistro nacionalismo.

A extrema esquerda, chamemos-lhe assim por facilidade, pelo contrário, defende políticas de igualdade e integração social, é anti-racista e anti-xenófoba e tem uma agenda política basicamente humanista – embora eu discorde do seu anti-europeísmo, do radicalismo simplista de muitas das suas receitas e ache irrealistas grande parte das suas propostas, por muito generosas que possam parecer.

Mas eu não esqueço nunca quem esteve do lado certo na 2ª Guerra Mundial, tendo tido um papel fundamental para a derrota do mais odiento projeto político que se conhece – o nazi-fascismo. E também me lembro bem de que, por cá, quando se tratou de ajudar a derrubar o projeto de fascismo saloio, mas criminoso, de Salazar, bem como lutar contra o colonialismo, essa esquerda foi essencial e, por virtude da sua luta corajosa, pagou um elevado preço, sofrendo o que nenhuma outra força de esquerda então sofreu.

Se é verdade que, nos anos de 1974/75 – vai para meio século! -, parte dessa esquerda foi tentada a uma deriva de populismo autoritário, é também uma evidência que a democraticidade da sua postura no sistema político tem sido, desde então, inquestionável. A sua participação na “geringonça” foi o reconhecimento natural desse seu pleno estatuto democrático.

Por isso, não votando eu nos partidos de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins, de que muitas coisas me separam, deixo expresso que tenho consideração política (e, por sinal, também pessoal) por essas figuras e pelas formações que dirigem. E, como é óbvio, não tenho a menor consideração por quem titula políticas de extrema-direita, bem como por quem tende a desculpabilizá-las e por quem vier a prestar-se a estender-lhes a mão.

Há muito que me apetecia deixar isto bem claro. Seria porventura mais cómodo não o fazer, mas começo a estar cansado da fraude que é a recorrente tentativa de equiparar duas realidades que não se podem comparar.

Francisco Seixas da Costa

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa 

NOTA PESSOAL : subscrevo na totalidade esta reflexão do Sr. Embaixador – como melhor não sei expor e escrever, aqui deixo o testemunho de quanto me fatiga e desgosta ver testemunhos de pessoas que apoiam a extrema direita e todo e qualquer nazi/fascismo. De facto, e subscrevendo também as considerações expostas pelo Sr. Embaixador, é uma fraude equiparar duas realidades que não se podem comparar.

O Colapso da condução “ocidental” do Mundo contemporâneo liderado pela “Grande América” | José Gabriel Pereira Bastos

A condução secretista, despótica e manipulativa do “mundo ocidental”, com uma acumulação cada vez mais acelerada da riqueza em cada vez menos mãos, desespera cada fez mais uma maior fatia de população não apenas pobre mas da classe média baixa e até da classe média dos “academizados” à pressa, cada vez mais excluídos das grandes cidades, com habitações cada vez mais inacessíveis e com ordenados que cada vez chegam para menos, para casais com cada vez menos filhos e mais animais domésticos.

Uma vaga de autoritarismo socialista (comunista, fascista e nazi) saiu do desespero associado ao catastrófico empobrecimento promovido pela Guerra de 14-18 e pela crise financeira que se seguiu (1928).

Oitenta anos depois (2008) o capitalismo americano atirou para cima da Europa uma falência dos Estados mediterrânicos que não esconde o colapso económico da Alemanha e da Itália, com uma “democracia de Bruxelas” desacreditada e servil, através da NATO, para com os interesses americanos, com os seus gastos massivos em armamento e em destruição de países islâmicos e com a abertura das postas da Líbia, do Iraque e da Síria à invasão islâmica da Europa, utilizada para a experiência de Engenharia Histórica que seria a fusão da religiões de Moisés e de “espiritualidades” maçónicas e tibenanas num Caldo “New Age” banhado em alucinógenos e bacanais (como em ‘Eyes wide shut’, de Kubrick, que bem nos vem avisando com os seus filmes.

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A NOVA POTÊNCIA REGIONAL | Francisco Seixas da Costa in Jornal Negócios.pt

Barack Obama chamou um dia “potência regional” à Rússia, uma expressão cujo impacto deve ter medido bem, porque, ao contrário do seu sucessor, ele conhece o peso das palavras. O antigo presidente queria significar que, não obstante se tratar de um poder nuclear, com forças convencionais nada desprezíveis, a potência sucessora da União Soviética sofre, nos tempos que correm, de fortes constrangimentos económicos e tecnológicos, que a colocam muito longe dos anos áureos em que se afirmava como um poder geopolítico global, concorrencial com os Estados Unidos, com uma forte capacidade de proselitismo, atração e influência. Acresce ainda, no caso da Rússia, ser atravessada por uma tendência demográfica trágica, que não parece facilmente reversível e pode ter consequências muito sérias no futuro do país.

A expressão de Obama, que encerrava uma inegável verdade, esconde, contudo, uma ironia: para “potência regional”, a nova Rússia de Vladimir Putin mostra uma vitalidade muito apreciável, uma capacidade de ser estrategicamente relevante no seu “near abroad” e mesmo, por vezes, de ir um pouco mais além, como se tem visto em alguns arroubos na Venezuela.

Não cabe aqui analisar o poder do “czar” desta nova Rússia, que dirige com mão forte e evidente apoio popular um país que continua a sentir-se muito maltratado pela História recente, que considera que os seus imediatos antecessores foram incapazes de negociar um final mais honroso para a clamorosa derrota sofrida na Guerra Fria.

O alargamento das fronteiras da NATO até uma escassa distância de Moscovo, bem como de uma União Europeia que integra hoje países que olham para a Rússia quase como um Estado inimigo, deu a Putin um argumento para testar as “linhas vermelhas” do mundo ocidental. A travagem da deriva ocidentalizante na Geórgia, a resposta firme ao “golpe de Estado” que a Europa e os EUA estimularam em Kiev, garantindo a retomada da Crimeia e o hábil “congelamento” do conflito no Donbass, suscitam hoje em alguns a dúvida sobre se o líder russo pode ser tentado a ir mais longe. Em particular nos Estados bálticos, essa questão está bem viva.

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Passam hoje 44 anos sobre o 25 de Novembro | Jorge Alves

Bom dia, amigos.

Passam hoje 44 anos sobre o 25 de Novembro. Para mim, é uma data a comemorar. O 25 de Abril permitiu a Revolução, o 25 de Novembro trouxe-nos a Democracia. Pena é que esta data não tenha, para muitos, a dignidade que deveria ter. Não fosse a acção firme de homens corajosos, capitaneados pelo general Eanes, devidamente escudado, é bom dizê-lo, por Mário Soares, Francisco de Sá Carneiro, Freitas do Amaral e a própria Igreja Católica, Portugal seria hoje a Cuba da Europa.

Da minha parte, uma palavra de apreço, porque merecida, para o Regimento de Comandos, então comandado pelo coronel Jaime Neves, quantas vezes vilipendiado mas verdadeiro ponta-de-lança para travar de vez os radicais que pretendiam transformar este País numa bandalheira, sob a batuta de Otelo.

Uma palavra de homenagem aos comandos caídos no Regimento da Polícia Militar, na Ajuda, vítimas das balas assassinas que dali foram disparadas. Na sequência dessa acção cobarde, só a voz firme do general Eanes, secundado por Jaime Neves, que se viu obrigado a distribuir bofetadas a alguns dos seus homens, impediu que os comandos fizessem ali uma chacina, na pretensão de vingar os camaradas mortos.

Uma última palavra de apreço para Álvaro Cunhal, que a pedido do general Costa Gomes recusou pegar em armas e deu provas de elevado sentido de patriotismo, evitando assim que este País caísse numa guerra civil que seria trágica.

Pessoalmente, em especial ao meu querido general Eanes, o meu muito obrigado por ter evitado que o meu País caísse numa nova ditadura.

Bem-haja! Uma boa segunda-feira para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

“ELLOS ENTENDIERON QUE ERA MÁS SENCILLO CREAR CONSUMIDORES QUE SOMETER A ESCLAVOS” CHOMSKY | MARÍA HIDALGO | POLÍTICA Y ECONOMÍA

“Mientras la población general sea pasiva, apática y desviada hacia el consumismo o el odio de los vulnerables, los poderosos podrán hacer lo que quieran, y los que sobrevivan se quedarán a contemplar el resultado”.

Consumidores esclavos

Noam Chomsky es filósofo, escritor, controvertido activista y uno de los lingüistas más brillantes y reconocidos de la actualidad. Su trabajo es estudiado en las universidades de todo el mundo, desde facultades de psicología hasta titulaciones lingüísticas, pasando por muchas otras disciplinas. En este post os explicaremos brevemente lo que él considera la estrategia más común en la manipulación mediática. Os dejamos una de sus últimas reflexiones sobre un tema que nos afecta a todos: la industria de la publicidad.

“La industria de las relaciones públicas, la industria de la publicidad es la que se dedica a la creación de consumidores. Este es un fenómeno que se desarrolló en los países más libres, en Gran Bretaña y los Estados Unidos. Y la razón está muy clara. Se volvió clara hace aproximadamente un siglo, cuando esta industria se dió cuenta de que no iba a ser fácil controlar a una población con el uso de la fuerza. Habían ganado demasiada libertad: sindicatos, parlamentos con partidos para los trabajadores en muchos países, el derecho al voto de la mujer… Por lo tanto, tenían que encontrar otros medios para controlar a la gente.

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CATALUNHA, UMA CRISE SEM FIM À VISTA | Fernando Couto e Santos

Há uma canção do cantautor Lluis Llach, um dos expoentes máximos da música catalã e um confesso independentista, chamada «Corrandes d´exili» (que se poderia traduzir por «Estrofes do exílio»), que acaba assim: «Una esperança desfeta/ una recança infinita/ i una pàtria tan petita/que la somio completa (Uma esperança desfeita/um remorso imenso/e uma pátria tão pequena/que até a posso sonhar de uma só vez).
Lluis Llach, hoje com 71 anos, esteve exilado em França no início da idade adulta, numa época em que o catalão não era bem visto pelo franquismo e era uma língua falada sobretudo em casa. Durante o período franquista, os catalães, os bascos, os galegos e os espanhóis em geral que ousassem dissentir eram obviamente reprimidos. Muitos viam a independência como uma saída – data do estertor do franquismo o atentado mais espectacular perpetrado pelo movimento terrorista basco ETA, com o assassinato do almirante Luis Carrero Blanco, então presidente do governo de Espanha, no final de 1973 -, mas a transição pacífica para a democracia, apesar dos sobressaltos iniciais – e à custa, é um facto, da amnésia –, aplacou ou amainou esses ímpetos, com a excepção dos atentados do citado grupo terrorista basco, movimento que só há poucos anos abandonou a luta armada. A constituição de 1978, com a criação das regiões autónomas, deu a possibilidade à Catalunha, ao País Basco, à Galiza e a outras comunidades de se auto-governarem, com um parlamento próprio e ampla autonomia em vários domínios, nomeadamente na educação, com a possibilidade da aprendizagem sem entraves das outras línguas do país que não o castelhano (vulgo espanhol).

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DA BANDEIRA E OUTRAS COISAS | Francisco Seixas da Costa

Joacine Katar Moreira pode vir a fazer muito bem ao arejamento das cabeças deste país. Eu, apesar de tudo, acredito sempre na vitória das luzes sobre as trevas.

Francisco Seixas da Costa 

O tempo está para temas quentes. Começou com a gaguez da nova deputada do Livre, agora é tempo de se falar da bandeira da Guiné-Bissau que, para escândalo de alguns, surgiu nas comemorações da sua eleição. Vamos a isso, sem receios. Não vou utilizar o léxico do politicamente correto, vou dizer as coisas com a linguagem da conversa comum, que é a minha.

Começo por notar que, se Portugal estivesse em conflito político aberto com um qualquer país, eu sentir-me-ia chocado que surgisse uma bandeira desse Estado num ato público português. Era, no mínimo, um gesto agressivo, por muito que preze a liberdade de expressão. E indignar-me-ia.

A Guiné-Bissau, porém, é um país amigo, de onde tem vindo para Portugal muita e boa gente, que aqui ajuda à nossa diversidade, que aqui honestamente trabalha, que aqui continua a habituar os portugueses a viverem com a diferença, o que muito contribui para a nossa riqueza cultural – embora, pelos vistos, ainda não o suficiente para convocar a tolerância em muitas cabeças.

Que uma cidadã oriunda da Guiné-Bissau consiga singrar na sociedade portuguesa e, para além de uma carreira académica de relevo, tenha conseguido ser uma das 230 pessoas que os portugueses escolheram para os representar, isso deveria, na minha modesta opinião, constituir um orgulho nacional, um preito à nossa política de integração. Um país que andou pelo mundo tem obrigação de ficar contente que esse mundo, onde também se fala a sua língua, aqui se acolha e viva.

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DiEM25 | Varoufakis pede a tua ajuda

Companheira/o DiEMer,

Sou o Yanis Varoufakis e tenho uma mensagem para ti. Escrevo isto porque estamos num momento decisivo. Uma encruzilhada. 

Há alturas em que nos encontramos exaustos e desanimados à beira do desespero. Pode ser extremamente frustrante ver o establishment da UE implementar políticas de austeridade que dão força aos movimentos misantropos  e os fazem ganhar terreno, ver a nova extrema-direita espanhola, aliada à direita tradicional, chamar “feminazis” ao movimento feminista, ver Itália ser governada por homens autoritários de outros tempos, dispostos a deixar morrer pessoas no mar para ganharem as suas credenciais xenófobas, ou ainda ver a Europa numa corrida em direcção à próxima catástrofe económica – quando a maioria dos europeus ainda não recuperou da anterior.

Mas são pessoas como tu que trazem de volta a esperança. Dirijo-me a ti porque tu pertences a um número crescente de pessoas que compreendem verdadeiramente a necessidade de políticas de transformação na Europa.

Somos muitos mais do que pensas e em breve atingiremos a massa crítica. Se nos esforçarmos ainda mais e se avançarmos ainda antes das eleições europeias, poderemos talvez mover suficientemente a agulha para inverter o jogo. Mas para o conseguirmos precisamos de ser uma força coesa.Ninguém nos vai dar apoio financeiro para pagar os custos do nosso trabalho nesta encruzilhada – excepto tu e eu.

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“Brexit” sob ventos de mudança | Álvaro Vasconcelos in Jornal Público

O futuro da democracia e da União Europeia reside na capacidade de os seus dirigentes estarem atentos aos ventos de mudança, de aceitarem que a Europa não é apenas um espaço para as velhas correntes da democracia-cristã e da social-democracia.

Se o “Brexit” foi a primeira grande vitória dos nacionais-populistas, as dificuldades para levarem a cabo o seu “Brexit”, apesar das concessões de Theresa May ao populista Boris Johnson, são um sinal de mudança.

A decisão de Theresa May de procurar um consenso com o líder dos trabalhistas é sinal de que começa a compreender o perigo de ficar refém dos nacionais-populistas.

Depois de anos de recessão democrática, surgem indícios de que emerge não apenas uma contracorrente progressista e social, que recusa o nacional-populismo de direita, mas também o nacionalismo da esquerda conservadora. São liberais nos valores e sociais nas políticas económicas, intransigentes na defesa dos direitos humanos, do ambiente e da hospitalidade. São uma força indispensável para a derrota dos Trumps, Jonhsons e Bolsonaros deste mundo.

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Votez pour vos candidats français à l’élection européenne!

(translation in english below)

Chers membres de DiEM25, nous avons le plaisir de vous inviter à voter pour les candidats DiEM25 français aux élections européennes de mai 2019. Le vote est désormais ouvert. Il vous est demandé de retenir 6 femmes et 6 hommes de votre choix.
Nous attirons votre attention sur le fait que ces candidats seront proposés sur la liste française du Printemps Européen dans l’ordre de préférence que les membres de DiEM25 auront choisi. En revanche, dans la mesure où la liste Printemps Européen est constituée de plusieurs mouvements, il est possible que les candidats DiEM25 ne soient pas en position éligible voire que la liste soit réduite.
Nous vous remercions pour votre participation nombreuse et active. Parlez-en autour de vous. Carpe Diem ! »

« Dear Diem25 members, we have the pleasure to invite you to participate in the selection of the French candidates to the May 2019 European Elections. We hereby announce that the voting process is open. Please select 6 women and 6 men amongst the candidates.
We draw your attention to the fact that the 12 selected candidates will be proposed in the order of your preference to be placed on the list of the European Spring in France. Nevertheless since the European Spring in France is composed of several parties it is not guaranteed that the DiEM25 candidates be placed in the top of the list in elegible positions and/or that the DiEM25 list may not be reduced.
Thank you for your active participation. Please spread the vote about this vote because we want maximum participation throughout Europe. 

Carpe DiEM25 !

The French Coordination of >>DiEM25

Quem é o teu candidato à Comissão Europeia? | DiEM25

Já alguma vez votaste para o Presidente da Comissão Europeia?

O DiEM25 nasceu para lançar luz nos corredores escuros de Bruxelas. Lançámos o primeiro movimento pan-europeu para pôr os cidadãos no comando das operações. Pretendemos nada menos do que trazer de volta o demos à nossa democracia europeia.

Decidimos, juntamente com todos os parceiros da nossa lista transnacionalPrimavera Europeia, que devem ser vocês, os nossos membros, a escolher quem vamos apresentar como candidatos aos cargos cruciais de Presidente da Comissão Europeia e Presidente do Parlamento Europeu.

Como vai funcionar isto? Terás até ao meio-dia de 17 de fevereiro para nos enviar as tuas sugestões para os dois cargos. Nomeia o teu candidato aqui. No dia 17 de fevereiro, o Conselho da Primavera Europeia reunirá para elaborar uma lista restrita de candidatos. E de 19 de fevereiro até 25 de fevereiro, terás oportunidade de votar nas tuas opções preferidas.

Isto muda tudo. Pela primeira vez desde a fundação da União Europeia, os principais candidatos não serão escolhidos nos acordos de bastidores do costume, mas através de uma votação aberta e transnacional. Nós somos democracia europeia em acção. Junta-te à aventura!

Nomeia os teus presidentes

Além disso, relembramos que se quiseres ser candidato do DiEM25 ao Parlamento Europeu em França, podes apresentar a tua candidatura até 19 de fevereiro. Declara a tua candidatura aqui.

Carpe DiEM!

Lorenzo Marsili
Membro do Colectivo Cordenador do DiEM25

Eles precisam do nosso apoio | DiEM25

Batalhões de advogados de grandes empresas têm-se esforçado por acumular e concentrar mais poder – o nosso poder. Estão há anos a trabalhar incansavelmente para consagrar no Direito Europeu privilégios para os seus clientes: as multinacionais, os grandes investidores e os mais ricosde entre o 1% do topo.

Yanis Varoufakis, co-fundador do DiEM25, já o repetiu inúmeras vezes: ou a Europa se democratiza ou se desintegra, mas a atribuição de poderes especiais aos mais poderosos é o oposto da democratização. Os DiEMers não são os únicos que estão preocupados com esta situação – vários movimentos decidiram este mês, depois de muito debate, lutar contra este ataque à democracia, unindo esforços para tornar as nossas exigências verdadeiramente transnacionais, verdadeiramente inequívocas.

Dentro de 48h, o Parlamento Europeu terá oportunidade de rejeitar o ISDS – os insidiosos tribunais arbitrais promovidos pelos advogados das grandes empresas, nos quais os mais poderosos poderão pressionar os governos e embolsar o nosso dinheiro público. Juntemo-nos à onda de acção através da Europa – já são mais de 290.000 pessoas! Vamos ajudar a atingir a meta dos 350.000, com o nosso apoio do DiEM25, antes da votação de terça-feira!

Diz ao Parlamento Europeu o que nós, DiEMers, queremos 

O que há de tão errado nestes tribunais, que esta estranha sigla, ISDS [1], encobre? Peritos activistas que trabalham para revelar os seus perigos descrevem-na como “um obscuro sistema de justiça paralelo apenas acessível aos super-ricos.”

Há alguns meses, o parlamento romeno rejeitou um projecto mineiro que derramaria nas suas terras 240.000 toneladas de cianeto tóxico – veneno suficiente para matar 80 vezes toda a população mundial. Em resposta, a empresa mineira utilizou o ISDS para exigir $4 mil milhões de indemnização – a serem pagos pelo povo romeno. Numa circunstância destas, os deputados romenos podem ter de ceder e aceitar uma grande catástrofe ambiental e sanitária.

Este é apenas um exemplo. Até agora, as grandes empresas têm utilizado o ISDS para contestar leis que regulam os níveis de poluição de uma central eléctrica de carvão, que introduzem advertências sobre a saúde nos cigarros, que impõem uma moratória no fracking, que aumentam o salário mínimo, e muitas mais. E nem sempre precisam de ganhar para conseguirem o que querem… Para muitos países, a mera ameaça de uma enorme reclamação pode ser suficiente para os dissuadir e deixar o dinheiro triunfar.

Só temos uma oportunidade: se na votação de terça-feira os eurodeputados perceberem finalmente que o próprio poder democrático do parlamento europeu é minado pelo ISDS, poderão ser persuadidos a bloqueá-lo. Vamos assegurar-nos que eles cheguem a essa conclusão antes da votação de terça-feira.  
Diz aos eurodeputados que o seu próprio poder é minado pelo ISDS!

Obrigado pelo teu apoio e Carpe DiEM!

Luis Martín
>>Coordenador de Comunicação do DiEM25 

PS. Os que apoiam o ISDS defendem que este é positivo para os países receberem investimento directo estrangeiro. Mas não é verdade! Há estudos que demonstram que este sistema não serviu este objectivo. Os governos pelo mundo fora – incluindo os da África do Sul, Indonésia, Tanzânia e até EUA – estão a retirar o apoio ao sistema de ISDS por essa mesma razão. Nós europeus devíamos fazer o mesmo. Assina a petição!

[1] ISDS é a sigla de ‘Investor-State-Dispute-Settlement’ (Resolução de litígios entre os investidores e o Estado).

Milhões de mortes devidas à colonização das Américas mudaram o clima mundial | in Esquerda.Net

O extermínio dos povos originários do continente americano provocado pela colonização europeia causou alterações climáticas segundo sustenta um estudo científico da University College London.

Foram dizimados 56 milhões de nativos americanos no primeiro século de colonização ocidental. A dimensão desta tragédia humana era já conhecida, a sua relação com as alterações climáticas ocorridas no século XVII ainda não tinha sido explorada.

O genocídio dos povos originários da América foi de tal ordem que causou o abandono da agricultura em várias zonas e a consequente reflorestação de uma área estimada como tendo o tamanho de França. Este aumento de árvores e vegetação causou uma diminuição do dióxido de carbono na atmosfera. De tal forma que houve uma mudança no efeito dos gases de estufa, originando alterações climáticas. O professor de Geografia Mark Maslin, co-autor deste estudo(link is external), explica que “o CO2 e o clima estavam relativamente estáveis até esse momento”.
Maslin e os seus colegas desafiam assim ideia de que a “pequena idade do gelo” dos anos 1600 teria sido causada devido apenas a fenómenos naturais.

Na sua investigação combinaram a análise das provas arqueológicas com os dados sobre o dióxido de carbono encontrados no gelo da Antártida que, capturando gases atmosféricos, permite analisar a sua quantidade em séculos passados. Alexander Koch, o investigador principal, sublinha que “os núcleos de gelo mostraram que houve uma queda maior de CO2 em 1610, provocada pela terra e não pelos oceanos”. Por isso, desceu um décimo de grau no século XVII. E estas alterações climáticas fizeram fracassar colheitas a nível mundial.

https://www.esquerda.net

As estratégias Martin Luther King e Louis Farrakhan

A emergência de um movimento negro faz de Portugal um país melhor. Se as leis forem respeitadoras da universalidade dos direitos, se não houver abuso na base da cor da pele, se o espaço público viver a pluralidade cultural, as políticas integradoras da vida social serão mais potentes. Há portanto uma obrigação para o Estado, para quem legisla, para as câmaras municipais, para as autoridades. Mas há também uma obrigação para esse movimento negro. É que tem que decidir para onde vai, escolhendo entre pelo menos dois caminhos.
O primeiro caminho é o mais difícil. É o da aliança dos movimentos para uma política maioritária, exigindo o reconhecimento para conseguir a redistribuição social. O reconhecimento identifica mas separa: o movimento feminista parte da vivência de uma opressão, o movimento negro de uma discriminação, e elas distinguem. Reconhecer a imposição dessa distinção é a condição primeira para a enfrentar. Mas é por isso que o reconhecimento exige redistribuição, o processo que une as classes populares, em vez de as separar. Esta estratégia foi a seguida por Martin Luther King na Marcha sobre Washington em 1963: pelos direitos cívicos dos negros e ainda pelo aumento do salário mínimo e pelo emprego para toda a gente. Reconhecimento e redistribuição. Era essa a estratégia dos fundadores do movimento negro, como Du Bois, e por isso se tornou socialista. Foi o caminho que percorreu Malcolm X. É a voz de Angela Davis, nos nossos dias.
O segundo caminho é o de Louis Farrakhan: criou um movimento sob a forma de gueto, a Nação do Islão, e responde ao ódio com o discurso do ódio. É uma posição confortável, não pretende conseguir nada, só formar uma igreja. Isso levou-o muito longe, ao convívio com a extrema-direita. Alguns dos seus apoiantes assassinaram Malcolm X pelo pecado capital de ter abandonado a ideia de gueto e por se ter tornado socialista, ou seja, por ter defendido a política mais inclusiva, a da união de classe na resposta ao capitalismo e ao racismo.
No movimento negro norte-americano, em cada frase, em cada ação, os movimentos estão a escolher entre King e Farrakhan. Ainda bem que se aprende com ele.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Notícias DiEM25 Portugal

Olá

Convidamos-te para a Iniciativa Arquipélago que terá lugar no próximo dia 1 de Fevereiro, sexta feira pelas 20h. Trata-se de uma chamada online onde todos os membros do DiEM25 dos diversos pontos do país poderão conversar e conhecer-se. Estarão presentes nesta reunião pelo menos dois membros do nosso Coletivo Nacional. Para te juntares à reunião basta acederes a este link na data e hora indicadas –   https://zoom.us/j/383127199. Também poderás inscrever-te se quiseres participar numa futura reunião aqui:https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfDM1a9myufJYrDwWRTdogJLHQ-ZLa0gnPfcwf97QbTRz9lQ/viewform?usp=sf_link . Contamos contigo!

Relativamente às eleições europeias de Maio 2019, não foi formada ala eleitoral em Portugal no sentido de se constituir um partido para além de movimento DiEM25 Portugal (como ocorreu na Alemanha e na Grécia, por exemplo). Por cá,apoiamos a candidatura de partidos ou coligações que estejam alinhados com a nossa agenda progressista no âmbito da Primavera Europeia, neste caso específico o partido LIVRE. Aproveitamos assim para partilhar que o mesmo terá o seu congresso dia 2 de Fevereiro no qual, da parte da tarde, será votado o Programa “A New Deal For Europe” o Programa da Primavera Europeia, como programa eleitoral do LIVRE para as eleições europeias de 2019.
Se estiveres interessado em ser voluntário para a campanha eleitoral para as europeias, nomeadamente a nível das redes sociais, campanhas, eventos de rua, design gráfico, etc. contacta-nos para info@pt.diem25.org com o assunto “ Campanha eleitoral europeias” para te reencaminharmos.

Relativamente às iniciativas de bases do DiEM25 Portugal podes escrever ao Coletivo Nacional para o info@pt.diem25.org e  para os Coletivos/grupos locais de Faro, Lisboa, Oeiras, Porto através dos emails oficiais visíveis aqui. Se precisas de apoio para te juntar ou formar um coletivo/grupo local noutra zona do país escreve para gruposlocais@diem25.org. O mesmo aplica-se caso queiras ser voluntário nalguma área, nomeadamente em tradução de conteúdos do site.

Esperamos o teu contacto,

Carpe DiEM!

>>Os membros do Coletivo Nacional

Brexit | Se todos querem que dê desgraça, assim será | Francisco Louçã

O desastre do Brexit não estava escrito nas estrelas, é antes o resultado de uma meticulosa construção em que nada foi deixado ao acaso. Começou pela intriga partidária, Cameron queria arrumar o Partido Conservador e prometeu o que não tencionava cumprir, até que uma inopinada maioria eleitoral o obrigou ao referendo. Aí chegado, pediu à Comissão Europeia a facilidade de incumprir normas dos tratados para mostrar músculo contra os imigrantes europeus e levou o que queria. Armado de demagogia contra a ameaça da vinda de trabalhadores, chegou à noite da contagem dos votos confortado pelas sondagens, mas amanheceu derrotado. E foi então que a intriga se adensou.

Vingança

Demitido Cameron, chegou May e a sua história conta-se em poucas palavras: foi a eleições para se reforçar e acabou minoritária e pendurada numa aliança com os unionistas irlandeses, e com um Labour renascido com Corbyn, um crítico das políticas liberais europeias que não lhe facilita a vida. A partir daí, foi uma penosa negociação em que a diplomacia britânica, tida como profissional, se afundou e descobriu que ninguém lhe dava a mão. May foi humilhada e despachada para fora da sala, ficando a saber o que é o bullying em versão bruxelense. A lição é esta: com a Suíça, com a Noruega, até com a Irlanda depois do seu referendo, com o Canadá, a negociação é para um acordo, com o Reino Unido é uma punição.

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París y Berlín alumbran un nuevo tratado para hacer frente a los desafíos de la Unión | Merkel y Macron firman en Aquisgrán un nuevo acuerdo de cooperación franco-alemán | in “EL PAÍS”

Sumar fuerzas para hacer frente a los mayúsculos desafíos a los que se enfrenta una Unión Europea alicaída, que se asoma a un abismo existencial. Ese es el mensaje que subyace en el Tratado de Cooperación e Integración franco-alemán que Angela Merkel y Emmanuel Macron han firmado este martes en Aquisgrán, la ciudad fronteriza, símbolo del espíritu europeo.

La canciller alemana y el presidente francés han acordado reforzar los lazos que unen el llamado eje París-Berlín, en un momento especialmente complicado para la Unión. Con las elecciones europeas a las puertas, Reino Unido de salida, los populismos galopando sin aparente freno, París y Berlín son conscientes de que emitir señales de fortaleza y determinación europea se ha convertido en una necesidad acuciante. El tratado encarna la defensa del multilateralismo y propugna una Unión “soberana y fuerte” impulsada por el motor franco-alemán.

El preámbulo del acuerdo anuncia una “profundización de las relaciones bilaterales” para hacer frente a “los desafíos a los que los Estados de Europa deben enfrentarse en el siglo XXI”. “Deseamos hacer converger las economías, los modelos sociales, favorecer la diversidad cultural y acercar a las sociedades y sus ciudadanos”, reza el texto de 13 páginas que firmarán este martes Macron y Merkel en la sala de la coronación del Ayuntamiento de Aquisgrán.

París y Berlín se muestran convencidos de que “la amistad estrecha entre Francia y Alemania ha sido determinante y continúa siendo un elemento indispensable de una Unión Europea unida, eficaz, soberana y fuerte”.

El tratado defiende también una política Exterior y de Defensa y Seguridad común, con el objetivo de “reforzar la capacidad de acción autónoma de Europa”. Establece el “refuerzo y profundización de la unión económica y monetaria” y promueve la “convergencia económica y fiscal”, sin entrar en excesivas concreciones. Las expectativas quedan así muy rebajadas respecto a las suscitadas tras el discurso pronunciado por Macron en La Sorbona, en el que detalló un ambicioso plan para avanzar en la integración europea en otoño de 2017. Desde entonces, Berlín ensimismada en una sucesión de crisis internas, ha mermado la ambición de unas reformas —sobre todo las de la eurozona— que aspiraban a refundar la Unión.

Este martes se cumplen 56 años del Tratado del Elíseo, el que en 1963 firmaron el presidente francés Charles de Gaulle y el canciller Konrad Adenauer en París y con el que sellaron la alianza entre los dos países. Habían pasado 18 años desde el fin de la Segunda Guerra Mundial y aquel documento consolidó la reconciliación y puso en marcha el motor franco-alemán, que hoy aspira a cobrar un nuevo impulso en Aquisgrán. El tratado que este martes se firma, prentende “completar” aquel de la reconciliación franco-alemana.

Grandes dosis de simbolismo

El lugar elegido para la firma no es casual. Este rincón del continente representa la condensación del europeísmo. Bélgica, Holanda y Alemania son los tres países fundadores, que la geografía reúne en este encuentro de fronteras. Un puñado de kilómetros más allá, Francia y Luxemburgo. Esta fue la residencia del emperador Carlomagno, que dominó el continente, y aquí se entrega cada año el premio que lleva su nombre y que distingue a personalidades europeas.

Grandes dosis de simbolismo pues, para un tratado que Merkel consideró el pasado fin de semana “necesario” para inyectar nueva fuerza en la UE. “El mundo ha cambiado y es necesario un nuevo tratado para consolidar los postulados del Tratado del Elíseo”, ha indicado la canciller. Más allá del simbolismo, el texto contempla algunas medidas concretas como la armonización de la legislación mercantil y la coordinación de la política económica. La cooperación militar y el intercambio y coordinación de posiciones en instituciones como Naciones Unidas o la OTAN, además de la UE son otros de los puntos que aborda un tratado, criticado por numerosos analistas por su falta de ambición.

La convergencia de la que habla el texto franco-alemán es precisamente la que ha dado alas a las fuerzas populistas, que en Francia acusan a Macron de minar la soberanía nacional y de “vender” el país a la potencia alemana. Le acusan incluso de querer ceder la Alsacia a los alemanes, así como su asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, haciendo un ruido que no casa con el contenido del acuerdo. El presidente francés hizo una excepción y viajó fuera de las fronteras de su país, donde se encuentra asediado políticamente por la crisis de los chalecos amarillos.

ANA CARBAJOSA, EL PAÍS

https://elpais.com/internacional/2019/01/21/actualidad/1548093362_419483.html