DiEM25 | Eleições para o Colectivo Coordenador 2018

O momento chegou. Estamos de novo a renovar o nosso Colectivo Coordenador (CC), e todos os membros do DiEM25 estão convidados a candidatarem-se.
O CC coordena eventos, assembleias e campanhas que foram propostas pelos conselheiros, membros, DSCs ou pelos VC, organiza questões de política e prepara as votações internas, atua em resposta a eventos e gere as relações públicas do DIEM25.

De acordo com os princípios de organização do DIEM25, seis das doze posições do Colectivo Coordenador (CC) estão abertas para preenchimento via eleições internas. Os seis membros deste CC a postos para reeleição:

  • Renata Avila
  • Rosemary Bechler
  • Noam Chomsky
  • Brian Eno
  • Elif Shafak
  • Agnieszka Wiśniewska

Se quiseres candidatar-te a estes lugares, podes ler os requisitos e submeter a tua candidatura aqui

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Portugal e a escravatura: dois mal-entendidos | João Pedro Marques | in Jornal “Observador”

6/7/2018

Se o fito de Fernanda Câncio for esclarecer a opinião pública, então deve parar um pouco para se informar melhor. Mas se a sua intenção for flagelar Portugal, então não precisa de se informar.

A jornalista Fernanda Câncio, que, em Abril de 2017, na sequência da ida de Marcelo Rebelo de Sousa à ilha de Gorée, no Senegal, foi uma das iniciadoras do debate em torno da questão da antiga escravatura, esteve longos meses alheada desse tema, mas regressou agora a ele num artigo publicado no DN, no qual fez duas afirmações enganadoras. Disse, nomeadamente,“que Portugal sozinho (…) foi responsável por quase metade dos 12,5 milhões de negros escravizados e traficados de África para as Américas entre 1501 e 1875”; e acrescentou que “o grosso desse recorde mundial decorreu entre 1826 e 1850, ou seja, já após a mítica abolição da escravatura por Pombal (1761)”.

Comecemos pelo fim. Há, da parte de Fernanda Câncio, um mal-entendido quanto ao alvará abolicionista de Pombal. O dito alvará nada tinha a ver com tráfico transatlântico, aplicava-se apenas a Portugal metropolitano. Mas não é mítico. Existiu e produziu efeito. Deixaram de se importar escravos para o território metropolitano e um alvará posterior (1773) extinguiu gradualmente o estado de escravidão em Portugal continental. Foram os primeiros passos no sentido da abolição que, no âmbito do império português, só décadas depois seriam continuados. Mas esses passos deram-se e não foram revertidos. Fernanda Câncio parece ignorar que as leis abolicionistas foram muitas vezes graduais e sucessivas, abolindo parcela a parcela. A própria Inglaterra, a incontestável campeã do abolicionismo, aboliu o seu tráfico de escravos em anos sucessivos e não de uma só vez. Fernanda Câncio parece ignorar, também, que na terminologia do século XVIII, a palavra escravatura significava geralmente tráfico de escravos (e não escravidão, como significa para nós). Daí, talvez, alguma da sua confusão.

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O descobrimento de Portugal | Fernanda Câncio | in Diário de Notícias

25 Junho 2018

O debate sobre o nome do museu “Das Descobertas” descobre-nos um país obstinado no negacionismo.

Em memória dos milhares de judeus vítimas da intolerância e do fanatismo religioso assassinados no massacre iniciado a 19 de abril de 1506 neste largo”. A frase lê-se numa estrela de David recortada em pedra, monumento inaugurado a 23 de abril de 2008, no Largo de São Domingos, Lisboa. O erigir deste memorial era uma antiga aspiração da Comunidade Israelita Lisboeta, cuja presidente, Esther Mucznik, dois anos antes, no mesmo largo e na celebração do quinto centenário do pogrom que matou entre dois mil e quatro mil “cristãos novos”, lamentava a inexistência, na cidade, de “um único marco público relacionado com a perseguição dos judeus”. Políticos identificáveis, nesse assinalar de um acontecimento terrível de que a maioria dos portugueses nunca teria ouvido falar, só três deputados do BE, incluindo Francisco Louçã, que disse ao DN ter ido “fazer um encontro com a história” e o ex Provedor e ex ministro da Justiça, Menéres Pimentel. Também referida nas notícias foi a comparência do então diretor do Público, hoje “publisher” do Observador, José Manuel Fernandes, e da filósofa Maria Filomena Molder, que, questionada pelo DN sobre a razão pela qual estaria ali tão pouca gente, falou da “supressão da memória como um problema muito português.”

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DiEM25 | Uma ideia cuja altura chegou

Durante mais de dois anos o DiEM25 tem estado a sensibilizar para a desintegração da União Europeia e desenvolver políticas para estabilizar e recontruir o projecto europeu. No último Outono, ativámos a nossa ‘ala eleitoral’ in para podermos levar o nosso projeto político nas urnas. Há duas semanas atrás os membros alemães do DiEM25 fundaram um partido em linha com os nossos princípios. Na última semana em Paris, a Primavera Europeia – a coaligação transnacional liderado pelo DiEM25 — teve a sua reunião mais importante até hoje: acordamos a nossa agenda política que levaremos para o Parlamento Europeu em 2019 – as alterações climáticas, as migrações e os refugiados, a evasão fiscal e a dívida pública e privada.

O objetivo deste programa é dar uma alternativa ao status quo de Bruxelas e aos movimentos xenófobos. A Primavera Europeia está a liderar a mudançapara construir uma nova Europa democrática, com uma lista transnacional, um spitzenkandidat, e um programa político.

Nas semanas e meses vindouros, vamos perguntar a ti — a todos os membros da Primavera Europeia e aos membros das organizações da Primavera Europeia — para propor emendas ao nosso programa político, comentar nos nossos avanços e votar nos nossos candidatos europeus. É um processo de consulta e decisão de cidadãos para decisão das políticas que vamos trazer para Bruxelas e para as pessoas que lutam por elas!

Seja uma luta pelo Parlamento Europeu, eleições legislativas ou eleições municipais, chegou a altura para trazer a visão do DiEM25 para o debate político.

Se nos juntarmos, temos uma hipótese de abalar o status quo – de Lisboa a Varsóvia, de Copenhaga a Atenas.

Vítor, para lançar a primeira campanha política transnacional precisamos que participes nos nossos processos de democracia interna assim como ajudar a espalhar a mensagem para amigos e família. Se puderes também podes ajudar de outras maneiras:

  • Junta-te à nossa força de voluntários
  • Faz uma doação to ao nosso movimento, por mais pequena que seja, porque são essenciais

Diz-se que nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou. Chegou a altura do DiEM25!

Carpe DiEM25!

Luis Martín

>>Coordenador de Comunicações do DiEM25

José Goulão | “O LADO OCULTO” A 7 DE SETEMBRO

Car@s amig@s 

Informo que o primeiro número da newsletter de informação internacional “O Lado Oculto – Antídoto para a propaganda global” será enviado no dia 7 de Setembro aos assinantes. Duas semanas antes, a 24 de Agosto, os candidatos a assinantes que estão a manifestar esse interesse através do meu mail josemanuelgoulao@gmail.com receberão o número zero, uma amostra do que a publicação virá a ser e que incluirá o boletim de registo e assinatura, bem como as condições de pagamento. Só então serão formalizados os vínculos dos aderentes.

As assinaturas estão disponíveis nas seguintes modalidades: anual (52 números), 15 euros, 29 cêntimos/número; semestral (26 números), 10 euros, 38 cêntimos/número; seis números, 3 euros, 50 cêntimos/número.

Haverá ainda a possíbilidade de os assinantes contribuírem com um valor adicional, acto de solidariedade para com um projecto que parte apenas com o mínimo de subsistência assegurado.

“O Lado Oculto” é um projecto independente, sem qualquer apoio de entidades públicas, privadas, sociais ou mecenas, e viverá apenas dos seus assinantes. O objectivo único dos responsáveis pelo projecto, cinco jornalistas europeus seniores entre os quais me incluo, é o de combater a informação dominante, transformada em propaganda de um sistema único que nos manipula, engana e oprime. Desde já todos nós manifestamos profunda gratidão pela grande adesão que sentimos após o anúncio desta publicação a que dedicaremos o máximo das nossas energias, experiência e saber, sustentado numa rede de contactos que, sem hesitação, qualificamos como notável, abrangente e profunda.

Manteremos o contacto e continuamos a aceitar as vossas manifestações de interesse em aderir a este projecto.

José Goulão

Retirado do Facebook | Mural de José Goulão

A social-democracia para além da “terceira via” | Pedro Nuno Santos in Jornal “Público”

I

Num momento em que social-democracia está em forte retrocesso político em toda a Europa, o Partido Socialista em Portugal é uma exceção. Sem pretender dar lições a outros partidos da família social-democrata – cada partido opera num contexto nacional com oportunidades e constrangimentos específicos –, precisamos compreender o que nos permite ter hoje níveis de apoio popular elevados.

Como venho defendendo, a decisão tomada em 2015 de procurarmos construir com a esquerda parlamentar uma solução de governo maioritária, alternativa à viabilização de um governo de direita, pode ter salvo o PS do destino de outros partidos europeus da mesma família política.

A solução traduziu-se num programa político que restituiu a esperança de uma vida melhor a muitos portugueses. A configuração inédita da nova maioria enriqueceu a democracia, trazendo para a esfera governativa partidos que representam cerca de um milhão de portugueses. Mas foi o seu programa, que promoveu a recuperação de rendimentos e direitos, o crescimento económico e a criação de emprego, por um lado, e o respeito por quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, por outro, que gerou o nível de apoio de que o PS dispõe atualmente.

Teria sido bem diferente se tivéssemos feito o que alguns, mesmo dentro do PS, consideravam natural: a viabilização de um governo minoritário do PSD/CDS. Nesse caso, estaríamos hoje, certamente, na posição de outros partidos social-democratas europeus e incapacitados de disputar a liderança governativa em Portugal. Sobretudo, nunca teria sido possível construir com o PSD e o CDS o programa de mudança económica e social e de comprometimento com o Estado social público e universal, base de uma comunidade decente, que foi possível – apesar das diferenças com estes partidos – com o apoio do PCP, BE e PEV.

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Da Síria à Coreia, o mesmo princípio: em Washington a paz é péssima para os negócios! | Carlos Matos Gomes in MOVER A MONTANHA

A intervenção na II Guerra Mundial deu origem a um regime de oligarquia nos Estados Unidos, ou foi fruto dela. Uma oligarquia que o presidente Eisenhower designou como “complexo-militar industrial”, que integra também o complexo financeiro de Wall Street. A partir daí o slogan “o que é bom para a General Motors é bom para a América” passou a ser o que é bom para o complexo militar-industrial é bom para a América e todas as ações gizadas em Washington devem ser analisadas à luz dos interesses da oligarquia que o controla.

A oligarquia americana instituiu-se como ”perturbador mundial” e desde o final da IIGM desenvolveu a sua manobra de domínio planetário através da criação de pontos quentes e situações de conflito permanente em zonas chave. Um pouco a estratégia de domínio de estreitos que Afonso de Albuquerque utilizou para dominar o Índico com forças reduzidas, em que os EUA criam os estreitos para depois induzirem a necessidade de os defender.

São os interesses desta oligarquia que estão em jogo na atual fase de aproximação das duas Coreias e de desestabilização da Síria e do Médio Oriente, em geral.

A estratégia do regime de Washington de aumentar as tensões nos pontos quentes que são a península da Coreia e o Médio Oriente sofreu recentemente dois sérios contratempos, um com o encontro dos presidentes das duas Coreias, o outro com a derrota na Síria dos exércitos islâmicos que os EUA apoiaram.

Na Síria, a desestabilização provocada pelos Estados Unidos trouxe a Rússia para zonas no Médio Oriente e nas margens do Mediterrâneo que a esta lhe interessava ocupar, deixaram desamparados e na expetativa os seus peões na região, Israel e a Arábia Saudita, e fê-los perder a Turquia como aliado incondicional. O tiro saiu pela culatra.

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DA GRATIDÃO | André Gago

A 2 de Maio de 1945, as tropas soviéticas tomam Berlim e hasteiam a bandeira soviética no Reichstag Alemão. A guerra custou aos russos 27 milhões de vidas. Nos primeiros minutos do dia 9 de Maio (hora de Moscovo, na última hora do dia 8 em Berlim), o alto comando alemão assina a rendição. O acto decorreu na Administração Militar Soviética em Berlin-Karlshorst.

Representantes:
União Soviética: Marechal Georgy Zhukov;
Reino Unido: Marechal Chefe da Força Aérea Arthur Tedder;
Estados Unidos: General Carl Spaatz, como testemunha;
França: General Jean de Lattre de Tassigny, como testemunha;
Alemanha: Marechal de Campo Wilhelm Keitel; General Almirante Hans-Georg von Friedeburg; Coronel-General Hans-Jürgen Stumpff.

Retirado do Facebook | Mural de André Gago

Quem manda na sombra | Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias”

É uma pedra no sapato do Banco de Portugal. A empresa de investimentos BlackRock faz parte de um consórcio da mais alta finança mundial que ameaça boicotar o país por conta da transferência de 2000 milhões de euros de dívida que vinha do antigo BES e que passou do Novo Banco para o “banco mau”. Mas, como relata o jornalista Paulo Pena em dois artigos recentes no “Público”, esta não é a única ligação do BlackRock ao banco de Ricardo Salgado e à economia portuguesa.

A BlackRock comprou quase 5% do BES apenas seis meses antes da sua resolução. Essas ações foram depois misteriosamente vendidas quando já não tinham qualquer valor. Porquê e a quem? Ninguém sabe, nem mesmo o Governo da altura ou os supervisores.

Para além do BES, a BlackRock é ainda acionista de 14 outras empresas, da EDP ao BCP, passando pela Jerónimo Martins, detendo quase 2000 milhões de euros de ações de empresas cotadas em Portugal.

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DiEM25

No DiEM25, a nossa visão não é só soundbites e slogans – inclui propostas políticas concretas e credíveis. A nossa plataforma política mostra que existe uma alternativa antisistema. Mostra também que estamos aptos a levar a Europa para um mundo melhor.

É por isto que vamos redobrar os esforços para expandir a nossa Agenda Progressista para a Europa – e pedimos por isso as vossas contribuições.

Como podes ver pelo nosso novo site, estamos no caminho certo para concluir todos os documentos dos pilares até ao Outono deste ano.
Em Abril, lançamos oficialmente o nosso  Pilar do Trabalho – coordenado pelo Jacques Terrenoire – que vai entregar o nosso primeiro Green Paper até ao final de Junho.

É uma semana preenchida!

Os outros pilares também estão a avançar. Estamos a avançar com o paper da Constituição Europeia e com o trabalho sobre Tecnologia e a Internet das Pessoas. Vamos manter-te a par de todos os desenvolvimentos, por isso mantenham-se atentos.

Nos próximos meses vamos agrupar as nossas políticas num programa político para a nossa lista transnacional – a Primavera Europeia. Juntamente com os nossos parceiros estamos a construir uma plataforma para encaminhar a ala eleitoral do DiEM25 para as eleições parlamentares de Maio de 2019. Em Junho teremos um rascunho que enviaremos para todos membros para poder ser consultado.

Apesar de estarmos muito contentes com o nosso progresso na nossa plataforma, não podemos cumprir o nosso trabalho sem as vossas ideias, contribuições e comentários. Portanto por favor entrem na discussão  dos processos de desenvolvimento político e façam parte da Agenda Progressiva que vai tornar a Europa muito melhor!

Carpe DiEM!

Paola Pietrandrea e David Adler da Coordenação do Conteúdo Político

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Estamos a caminho da autodestruição | Mohamed El Baradei in “Notícias ao Minuto”

O diplomata egípcio Mohamed El Baradei, ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), alertou hoje para o facto de, com o tipo de armamento que existe, mais tarde ou mais cedo, o mundo vai “autodestruir-se”.

Mais tarde ou mais cedo, intencionalmente, por engano ou acidentalmente, vamos autodestruirmo-nos”, afirmou à agência Lusa, em Cascais, arredores de Lisboa, o Prémio Nobel da Paz de 2005, em conjunto com a AIEA, e antigo vice-presidente do Egito (2013), que participa nos trabalhos da Horasis Global Meeting.

À Lusa, El Baradei saudou o acordo entre as duas Coreias e criticou implicitamente as declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu, sobre o Irão — disse ter provas de que Teerão nunca abandonou o programa nuclear -, salientando que, se há novas informações, devem ser partilhadas, antes de anunciadas publicamente, com a entidade fiscalizadora, precisamente a AIEA.

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Karl Marx | UMA SEPULTURA EM LONDRES | Jorge de Sena

Pelo bicentenário do nascimento de Karl Marx 
(Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883)

UMA SEPULTURA EM LONDRES

No frio e no nevoeiro de Londres,
numa daquelas casas que são todas iguais,
debruça-se sobre todas as dores do mundo,
desde que no mundo houve escravos.
As dores são iguais como aquelas casas
modestas, de tijolo, fumegando sombrias, solitárias.
Os escravos são todos iguais também:
De Ramsés II, de Cleópatra, dos imperadores Tai-Ping,
de Assurbanípal, do Rei David, do infante
D. Henrique, dos Sartoris de Memphis, dos
civilizados barões do imperador D. Pedro II.
Ou das «potteries», ou da Silésia, de África,
da Rússia. (E o coronel Lawrence da Arábia
chegou mesmo a filosofar sobre a liberdade moral
dos jovens escravos com quem dormia.)
No frio inenarrável das eras e das gerações de escravos,
que nenhuma lareira aquece no seu coração,
escreve artigos, panfletos, lê interminavelmente,
e toma notas, historiando infatigavelmente
até à morte. Mas o coração, esmagado
pelo amor e pelos números, pelas censuras
e as perseguições, arde, arde luminoso
até à morte. – Eu quero ver publicadas
as suas obras completas – diz-lhe o discípulo.
– Também eu – responde. E, olhando as montanhas
de papéis, as notas e os manuscritos, acrescenta com
esperança e amargura – Mas é preciso
escrevê-las primeiro -.
Como têm sido escritas e reescritas! Como
não têm sido lidas. Mas importa pouco.
Naquela noite – creiam – a neve inteira
derreteu em Londres. E houve mesmo
um imperador que morreu afogado
em neve derretida. Os imperadores, em geral,
libertam os escravos, para que eles fiquem mais baratos,
e possam ser alugados sem responsabilidade alguma.
O coronel Lawrence (como anotámos acima), com os seus jovens escravos,
também tinha um contrato de trabalho. Mais tarde,
criou-se mesmo a previdência social.
No frio e no nevoeiro de Londres, há, porém,
um lugar tão espesso, tão espesso,
que é impossível atravessá-lo, mesmo sendo
o vento que derrete a neve. Um lugar
ardente, porque todos os escravos, desde sempre todos
aqueles cuja poeira se perdeu – ó Spartacus –
lá se concentram invisíveis mas compactos,
um bastião de amor que nunca foi traído,
porque não há como desistir de compreender o
mundo. Os escravos sabem que só podem
transformá-lo.
Que mais precisamos de saber?

1962
Jorge de Sena, In “Poesia III”.

Retirado do Facebook | Mural de Eduardo Graça

O espectro de uma ideia que mudou o mundo | Karl Marx | MANUEL CARVALHO, 5 de Maio de 2018 in Jornal “Público”

A leitura que Karl Marx fez do capitalismo e o programa de acção que propôs para o demolir mudaram o curso da História. Para o bem? Para o mal? Dos regimes brutais que se serviram das suas ideias à apologia da sua mensagem libertadora, que sentido faz Marx hoje? A crise de 2007, a desigualdade crescente ou o gigantismo de empresas como a Google podem ressuscitar a sua crítica do capitalismo? Karl Marx nasceu há 200 anos.

 Os últimos dias de Fevereiro de 1848 Paris entrou em estado de sítio. Soldados em parada ousaram vaiar o rei Luís Filipe, milhares de operários e estudantes tomaram as ruas de assalto, montaram barricadas, afrontaram as classes médias, determinaram a demissão do primeiro-ministro (Guizot), ousaram reclamar o poder e logo a seguir ditaram a abdicação do monarca e a criação da Segunda República. Não foi coincidência, mas por esses dias tumultuosos, a 24 de Fevereiro, Karl Marx publicava o Manifesto Comunista que parecia adivinhar e explicar a insurreição de Paris. “Um espectro assombra a Europa… o espectro do comunismo”, lia-se na primeira linha do Manifesto. A França habituada aos tumultos revolucionários acabaria por derrotar os sublevados e na verdade Marx já não era vivo quando, em Outubro de 1917, a sua deixou de ser sombra para se tornar realidade nas ruas de Petrogrado (São Petersburgo). Pela primeira vez, um projecto de comunismo estava em execução.

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Kissinger : « Le printemps arabe, c’est pour brûler la Syrie et l’Iran » in Journal Realités Online

Dans une interview accordée à un journal New Yorkais, rapportée par le journal « Al Chorouk », l’ex-ministre américain des affaires étrangères, Henry Kissinger a déclaré que tout au long de sa carrière diplomatique, les seuls présidents qui l’ont tracassé sont Hafedh Al Assad et son fils Bachar Al Assad.
Kissinger a expliqué que les Etats-Unis croyaient que Hafedh Al Assad avait chassé tous « les abrutis« . Mais, heureusement pour les Etats-Unis  il en reste encore quelques uns.
A propos du « printemps arabe« , le politologue américain de confession juive, a affirmé que ces « révolutions qui secouent le monde arabe » ne se sont pas déclenchées de manière anodine  » Vous pensez que ces révolutions en Tunisie, en Egypte et en Libye étaient pour les beaux yeux des arabes ?!! nos cibles sont la Syrie et l’Iran. » a-t-il précisé sur  un ton railleur.
Il a avoué que Hafedh Al Assad était la seule personnalité qui l’a vaincu. Il a ajouté que depuis août 2011 « la révolution syrienne » a déclenché une guerre froide qui va s’intensifier encore plus les mois prochains.
Pourquoi la Syrie particulièrement? Kissinger a répondu que la Syrie est le pôle de l’Islam modéré dans le monde. La Syrie c’est aussi le pôle du christianisme. Les Etats-Unis œuvrent, selon lui, pour la destruction des  structures urbaines relatives à la chrétienté et à déplacer par la force les chrétiens syriens. En effet, la Syrie est au cœur du conflit russo-américain. Les orthodoxes de Russie et de l’Europe de l’Est appartiennent confessionnellement à la Syrie. D’après lui, le conflit actuel entre les forces mondiales ne se limite pas à la domination des ressources pétrolières, c’est un conflit beaucoup plus profond.
Le diplomate américain a ajouté que c’est à cause de la « stupidité » de l’ex- président américain Richard Nixon que les Etats-Unis n’ont pas pu occuper la Syrie. « La seule solution pour la mettre au pilon c’est de la brûler de l’intérieur, c’est ce qui se passe actuellement », a-t-il renchéri.
Il a conclu qu’il a toujours admiré le peuple syrien qui a réussi à instaurer une infrastructure imposante malgré le peu de moyens à sa disposition. « C’est surprenant comment un peuple composé de plusieurs ethnies et confessions soit aussi homogène » a-t-il exprimé.
Il a souligné que la plupart des syriens en réalité soutiennent Bachar Al Assad et que seulement 1511 soldats, ont quitté l’armée syrienne. Cette dernière compte 511 000 soldats et occupe la 4ème position dans le dernier classement des plus fortes armées au monde.

https://www.realites.com.tn/2017/04/kissinger-le-printemps-arabe-cest-pour-bruler-la-syrie-et-liran/

Nem Descobrimentos nem Expansão | Pedro Lains | in Diário de Notícias

29 Abril 2018

Nem Descobrimentos nem Expansão: aquilo que é preciso é um museu da História de Portugal. E um museu em que primeiro se pensem os conteúdos e só depois o edifício.

Muitos países tiveram passados grandiosos. Apenas alguns exemplos próximos de nós servem. A Dinamarca já foi um império, a Turquia, o centro do Império Otomano e, claro, a Grã-Bretanha, que já foi o maior império que o mundo alguma vez conheceu. Portugal teve três impérios, cuja história é muito importante e o público sabe isso, porque sente o seu reflexo. Mas é preciso ir mais longe.

Quem estuda um aspecto específico da história da Expansão cedo reconhece que o mundo lá fora dá atenção a dois ou três aspectos e a pouco mais. Certo que Vasco da Gama e António Vieira são figuras de craveira mundial. Mas já muito poucos saberão quem foi Pedro Nunes ou o nónio. Dizer isto é reconhecer que o país é grande, mas à sua dimensão.

Então, será preciso um museu para mostrar quem foi Pedro Nunes? A pergunta pode ser respondida com uma outra: precisamos de um museu do Império Otomano ou da Expansão dinamarquesa? Precisamos de um museu do Império Britânico?

Pedir um museu da Expansão é pormo-nos exactamente ao nível dos que no passado tanto vangloriaram os Descobrimentos.

Os governos da monarquia liberal do século XIX, da República e do Estado Novo usaram os impérios como forma de se justificar perante os cidadãos. Seguramente foi o Estado Novo que mais o fez, com a Exposição do Mundo Português, em 1940, ou as comemorações henriquinas, em 1960. Queremos continuar nessa senda? A discussão do nome de um museu sobre este tema esconde esta questão. Faz o mesmo apenas mudando o nome.

O país precisa de um museu da História de Portugal. Um museu da presença no território que hoje é Portugal dos povos antigos, do Império Romano, das gentes muçulmanas, da reconquista cristã, da formação do Estado medieval e, claro, dos Descobrimentos e da Expansão. Precisa de um museu que mostre e explique a união dinástica com Espanha, a Restauração, o absolutismo, o liberalismo, a República, o Estado Novo, a democracia e o que somos hoje. Um museu que mostre as origens diversas de um país diverso num mundo diverso, de Viriato a Marco Paulo. Um museu de um período específico da história do país, escolhido por razões enraizadas num passado menos aberto, empobrece o país – e o próprio período que deveria enaltecer. E não seria alargando o âmbito do tema que o projecto melhoraria, pois do que não precisamos mesmo é de ver a história do país – e do mundo – através do binóculo da Expansão.

A teoria desta coisa tem uma tradução prática. Nunca haverá peças suficientes para um museu dos Descobrimentos ou da Expansão. Não há um número suficiente de objectos por aí espalhados à espera de serem reunidos. Não é uma triste realidade, é a realidade. Não há vestígios de uma única nau; o número de instrumentos de navegação é escasso; não há um espólio de Bartolomeu Dias, de Vasco da Gama ou de Pedro Nunes. Há cartas, documentos, pinturas e outras coisas, que faria sentido reunir. E há objectos que podem representar os mundos a que os navegadores e os comerciantes chegaram. Mas tudo isso não encherá um museu. Um museu da Expansão seria sempre um museu com mais ideias do que objectos, em que a ausência de materiais seria compensada por ideias, textos, conceitos. O mesmo não se aplica ao todo milenar que é a história de Portugal.

Todas as boas ideias já foram inventadas. Uma nação que já foi grande territorialmente, que já foi uma grande potência europeia, e que hoje é grande por aquilo que sabe fazer, a Dinamarca, tem o seu Museu de História Nacional. Exemplar, aliás. Com um museu da História de Portugal podíamos compreender os vários tempos históricos das pessoas e dos povos que viveram neste canto de Europa, e colocar os Descobrimentos e a Expansão no contexto nacional e internacional apropriado. Mas primeiro os conteúdos e depois o edifício, já que o país – sobretudo, Lisboa – já tem um número suficiente de obras de regime vazias, algumas feitas de propósito para serem “museus”.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Pedro Lains in Diário de Notícias

DiEM25 | Yanis Varoufakis desce a Avenida da Liberdade no 25 de Abril

Ex-ministro das Finanças grego lançou movimento pan-europeu DiEM25

No dia 25 de Abril, o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis fará a tradicional descida da Avenida da Liberdade para assinalar os 44 anos da revolução portuguesa. Além do movimento pan-europeu DiEM25, fundado por Varoufakis, também o Géneration.s, liderado pelo francês Benoît Hamon, o Alternativet, da Dinamarca, o Bündnis – DiEM25, da Alemanha, o DeMA, de Itália, e o Razem, da Polónia, participarão no desfile.

O grego DiEM25 e o português LIVRE estão a construir juntos uma espécie de lista pan-europeia para concorrer às eleições europeias de 2019. Por essa razão, dirigentes do LIVRE e de outros movimentos estiveram recentemente em Nápoles a debater soluções para combater a emergência do “nacional-populismo e o marasmo” da União Europeia.

No dia a seguir ao desfile, pelas 9h30, inicia-se na Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, a segunda reunião do Conselho para a Lista Transnacional (a primeira foi a de Nápoles), após a qual, às 18h30, haverá uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados do debate, bem como o “nome do movimento, o conteúdo do código de ética que os candidatos da lista terão de seguir e os progressos feitos a nível de programa eleitoral comum”, como se lê num comunicado enviado pelo LIVRE às redacções.

https://www.publico.pt/2018/04/23/politica/noticia/yanis-varoufakis-desce-a-avenida-da-liberdade-no-25-de-abril-1811433

Capitão de Abril, Capitão de Novembro | Rodrigo Sousa e Castro

Dos pecados mortais de Spínola às armas em boas mãos de Otelo

COMO JAIME NEVES NÃO QUIS SER NOVAMENTE HERÓI. OS «PECADOS MORTAIS» DE SPÍNOLA. OTELO PÕE AS ARMAS EM «BOAS MÃOS».

O coronel Sousa e Castro foi um dos mais destacados protagonistas do ciclo de mudanças políticas, militares e sociais que Portugal viveu entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Neste livro, Rodrigo Sousa e Castro faz o relato de um dos períodos mais turbulentos do século XX português.

Percorremos com o autor os bastidores da história. Como ele somos espectadores privilegiados e emocionados da preparação do 25 de Abril, do plano de batalha que os capitães traçaram e da explosão pós-revolucionária que se lhe seguiu.

Sousa e Castro mostra-nos sobretudo a face oculta da história. O verdadeiro teatro que foi o Verão Quente de 75, a contagem de espingardas que precedeu o 25 de Novembro, e o definitivo estabelecimento da democracia que nesse dia Portugal ganhou.

No «quem é quem» e no «quem fez o quê» da história, Rodrigo Sousa e Castro revela-nos muitas surpresas e estilhaça alguns mitos.

« […] é curioso ver como Rodrigo de Sousa Castro chegou a 1974, como descreve o 16 de Março, o 25 de Abril e o 25 de Novembro, como critica Spínola ou Otelo, como faz sobressair Vasco Lourenço, Melo Antunes e Eanes, como conta a sua experiência de conselheiro da Revolução.» Do prefácio de MARCELO REBELO DE SOUSA.

Ninguém quer saber da Síria | Marisa Matias in jornal “Público”

É preciso ter coragem e força de condenar este ataque, a mesma força e coragem que alguns têm tido para condenar a acção de Bashar Al Assad e da Rússia. O único lado que há para defender é mesmo o do povo sírio. O mundo está a ser comandado por loucos. 

O recente lançamento de 100 mísseis sobre a Síria, a mando dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, é apenas mais um triste episódio da tragédia que se abateu sobre o povo sírio. Não faltaram as vozes que ecoaram: “finalmente uma resposta”. Nada mais errado. O ataque de mísseis nada resolve a adia a solução política e diplomática que o povo sírio há tanto tempo merece. Repudiar este ataque não é em nada sinónimo de apoiar a política de Assad ou de não querer derrotar o terrorismo na região. Repudiar e condenar este ataque tem a mesma importância que repudiar e condenar o uso de armas químicas ou os sucessivos ataques contra o povo sírio. Nesta história, não há lideranças boas e más. São todas más.

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Queres ligar-te a TODOS os membros do DiEM25 members? Agora é possível!

Quando: Quinta-feira, 26 de Abril | 10am – 1pm | 3pm – 5pm

Onde: Biblioteca de São Lázaro, Rua do Saco, 1, 1169-107 Lisboa (Freguesia da Arroios)

Vai ao nosso site para te manteres informado sobre os procedimentos desta reunião. Depois vamos publicar as conclusões, tal como fizemos depois do Lançamento do Conselho em Nápoles

Luis Martín

>>Coordenador de Comunicações do DiEM25

O DiEM25 não foi criado para promover uma agenda piramidal qualquer. Estamos a lutar para mudar a vida de milhões através de um movimento de bases. É por isso que precisamos que mais membros estejam envolvidos nas nossas discussões, nos processos políticos e nas votações internas. Parte do trabalho que tem de ser feito quando se constrói uma movimento transnacional é melhorar a forma como comunicamos. É por isso que estamos muito contentes por apresentar o nosso novo fórum online.

Como temos milhares de membros e ativistas espalhados por todo o mundo, procurámos várias formas de comunicarmos melhor e ligar toda a gente.

Portanto Vítor agora podes fazer login na nossa zona para membros e fazer-nos uma visita!

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Os Demónios Loucos que governam o mundo | Carlos Matos Gomes in “Medium”

(…) os comunicadores querem fazer-nos acreditar que um ser como o Trump, ou a May ou o pequeno Macron, estão inconsolavelmente preocupados com a saúde e as comodidades essenciais dos comerciantes de damascos sirios, dos vendedores de tecidos, dos velhinhos sírios, dos sírios de meia idade, os estudantes sírios! Eles amam desinteressadamente os sírios e a Síria!

Os recentes ataques à Síria, o anterior à Líbia, a invasão do Iraque, mas também a negação das alterações climáticas, ou ainda, para ir mais atrás, a ideia de um Povo Eleito, as invasões napoleónicas, ou a construção da Muralha da China e agora da do México, só para recordar alguns atos de dirigentes políticos ao longo dos tempos, levantam a questão da natureza racional e moral dos seres que ao logo dos século alcançaram o poder de governar os povos. Da racionalidade e da moralidade dos condutores da humanidade. Em linguagem maoista, da natureza dos nossos queridos lideres e também dos santos que adoramos.

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Novidades do DiEM25 Portugal

Temos 8 novidades importantes a anunciar em Portugal:

1) Coletivo Nacional Provisório: O DiEM25 Portugal está agora constituído com um  o seu CNP até que haja eleições para o Coletivo Nacional. Vê quem são os membros que compõe o coletivo aqui:https://internal.diem25.org/en/vote/48/results

2) O CED Lisboa 01 (Coletivo Espontâneo DiEM25 – grupo local) está a organizar um ciclo de 5 conversas/conferências com início a 21/ -Podes consultar o link para o evento no facebook aqui https://www.facebook.com/events/205646963544397/

3) O CED Porto 01 vai celebrar o seu 2º aniversário no dia 21 de Abril e convida todos os membros em Portugal para uma reunião aberta de CED + Workshop sobre Migração pela especialista e parte do CNP Manuela Niza. Haverá também um jantar de convívio -: Inscreve-te já neste link para reservar lugar: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScIDRnhUlkTLXlQhh44QOSpkbsp5b2JsDuk92TgcpZ-dLYa_Q/viewform

4) 25 Abril e Descida da Avenida da Liberdade em Lisboa- Junta-te às bandeiras/cartazes do DiEM25. Tratando-se de uma data especial e da véspera do Conselho da Lista Transnacional (que terá a sua segunda edição dia 26/4 em Lisboa depois da primeira em Nápoles) estarão já presentes alguns membros do Coletivo Coordenador do DiEM25 que descerão a Avenida connosco – fica atento a mais novidades!Também poderás descer a Av. Aliados no Porto com os membros do Porto.

5) Online e para todos/as :Dia  2 de Maio às 19h  haverá lugar à primeira edição da iniciativa “Arquipélago Português” . Dois membros do CNP estarão online num zoom para vos acolher e apoiar no fortalecimento do nosso movimento a nível nacional. Reserva já esta data: e o link de acesso. Traz os teus contributos e questões e acede nesse dia a este link para o efeito – https://zoom.us/j/792660404

6) O DiEM25 Portugal precisa de ti: Para te tornares mais activo/a no movimento em Portugal ou criares/juntar-te a um Colectivo Espontâneo DiEM25 local (CED) escreve para o email gruposlocais@diem25.org para mais informações.

7) Dúvidas e sugestões? Agora podes agora contactar o DiEM25 Portugal com questões e sugestões para o email info@pt.diem25.org e as mesmas serão reencaminhadas. Poderás também usar esse email caso querias ser voluntário/a nalguma área em específico ( equipa criativa, escrever artigos para o site, traduções ou outros).

8) Redes sociais: se fores utilizador convidamos-te a fazer like e a seguir a nossa página de facebook oficial aqui:https://www.facebook.com/diem25.pt.oficial/

DiEM25 Portugal

Bloco de Esquerda, Podemos e Esquerda Insubmissa criam movimento europeu | Raquel de Melo in “TSF”

Catarina Martins, Pablo Iglesias e Jean-Luc Melénchon assinaram declaração “Agora, o Povo. Por uma revolução cidadã na Europa” para apelar à união dos cidadãos “para romper com espiral política inaceitável”.

Os líderes do Bloco de Esquerda, do espanhol Podemos e do França Insubmissa assinaram, esta quinta-feira, em Lisboa, um documento conjunto, que visa a criação de um movimento político europeu, descrito como “um passo em frente” para romper com o que classificam de “espiral inaceitável” a ocorrer na Europa.

“Chegou a hora de romper com os grilhões dos tratados europeus, que impõem austeridade e promovem o ‘dumping’ fiscal e social”, lê-se na declaração “Agora, o Povo. Por uma revolta cidadã na Europa”, na qual Catarina Martins (BE), Pablo Iglesias (Podemos) e Jean-Luc Melénchon (Esquerda Insubmissa) acusam os governantes europeus de terem condenado os países “a uma década perdida” com uma “aplicação dogmática, irracional e ineficaz das políticas de austeridade” e dirigem um apelo aos cidadãos.

“Apelamos aos povos da Europa para que se unam na tarefa de construir um movimento político internacional, popular e democrático de forma a organizarmos a defesa dos nossos direitos e a soberania dos nossos povos face a uma velha ordem, injusta e que nos conduzirá ao desastre”, escrevem.

Salientando que o novo movimento “ao serviço das pessoas” se abre a todos os que defendem a democracia “económica”, “política” (contra “ódios e xenofobias”), “feminista”, “ecológica” e “da paz”, os três líderes partidários dizem-se “cansados de acreditar naqueles nos governam de Berlim e de Bruxelas”.

“Estamos a trabalhar arduamente para construir um novo projeto de organização para a Europa”, acrescentam, concluindo que tratar-se de “uma organização democrática, justa e equitativa que respeita a soberania dos povos”.

Criado a um ano das eleições europeias, o movimento abre-se agora “a outras forças políticas” para dizer à União: “Agora, o povo”.

Raquel de Melo

https://www.tsf.pt/politica/interior/bloco-de-esquerda-podemos-e-esquerda-insubmissa-criam-movimento-europeu-9254877.html

DiEM25 | Estás a inspirar vários elementos progressivos no mundo – literalmente.

Algumas semanas atrás pedimos a tua ajuda para lançar o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia. É preciso dizer que respondeste à nossa iniciativa de forma abosultamente espetacular.

Não só ajudaste a lançar uma alternativa política para a Grécia, inspiraste também milhares a juntarem-se ao nosso movimento – Na Grécia e em todo o lado.

Inspiraste os nossos membros na Grécia e eles agora sabem que não estão sozinhos.

Insiraste os cidadãos gregos a rejeitar o status quo que foi imposto em 2015.

E inspiraste Zack Exley e Saikat Chakrabarti – dois conselheiros da campanha de Bernie Sanders, a assisitir ao lançamento do MeRA25 – e a juntarem-se à nossa luta e à revolução democrática do DiEM25.

Temos ainda muito que fazer e muitos desafios a superar.

O DiEM25 já é uma fonte de esperança para a Europa – e um pilar de resistência contra os interesses instalados do sistema financeiro e político.

Com o teu apoio vamos tornar-nos mais fortes e vamos recuperar a nossa democracia.

Obrigado e carpe DiEM!

Luis Martín

>>Coordenador de comunicações do DiEM25

TRUMP, A RÚSSIA E A VELHA SENHORA | José Gabriel Pereira Bastos

Desde as negociações entre Woodrow Wilson e Churchil que não se sabe quem manda na “Aliança” deles – os Americanos no palco, tentando construir o Século Americano, os Ingleses, gerindo a herança do Século Britânico, por detrás dos panos. Quando tinham inimigo comum (Alemanha) ou o inventavam (a URSS), ainda disfarçavam que não se entendiam. Com a Queda do Muro de Berlim e a retirada da Rússia para a sua fronteira, tiveram que inventar à pressa um novo inimigo, o Islão, onde a América se enterrou mais uma vez numa Guerra perdida (a da Síria, a seguir à da Coreia e à do Vietname), ensaiando a retirada a custo (entraram no Afeganistão a pensar que era rápido e já lá estão enterrados há 17 anos, o pântano militar mais longo da sua história de desaires).

De cabeça perdida, e colocando-se por um momento aos comandos da NATO, a Inglaterra quis liderar uma manobra de diversão. Disfarçava o fracasso das negociações com a UE, acusava, sem provas, a Rússia da tentativa de assassinato de um espião duplo, com um gás que todos sabem fabricar, ameaçava bloquear os Mundiais de Futebol na Rússia, alimentava a fome de escândalos dos Media e a histeria popular com três novas telenovelas, e entretinha Corbyn e os Trabalhistas. Nada mal pensado.

Trump não é um político, é um comercial chantagista (um pleonasmo?), de tipo histérico (teatral) e vai a jogo em todas as direcções, mas a Inglaterra Brexitada, Israel e o Deep State têm estado a empurrá-lo para uma nova Guerra Fria (ou até para uma guerra invasiva, com a Coreia do Norte ou com o Irão), que não faz parte do seu projecto pessoal. Putin, um exímio jogador de xadrez, dá-se bem com Trump, que finge de palhaço mas é esperto que nem um alho..

Os Presidentes anteriores (nomeadamente os ‘democratas’, Clinton e Obama, e a srª Hillary ia pelo mesmo caminho) obedeceram ao Deep State no derrube das Torres Rockfeller e no ataque ao Islão Sunita (entrando pelo Afeganistão e pelo Iraque adentro, uma invasão preparada bastante antes de terem implementado o pretexto que sabiam necessitar, sempre foram especialistas nisso), e, já em perda, estão a virá-lo agora contra o Islão Xiita, mas já fracassaram na Síria, o que os obriga a mudar de plano. A tripartição do Iraque à custa da Síria saíu-lhes pela culatra. Perderam na Síria e, apoiando os Curdos, viraram Erdogan para a Rússia..

Trump parece ter uma política própria, diferente da do Deep State e da “Velha Aliança”. Ao convidar Putin para um encontro em Washington, rasteira e põe em cheque os Brexitistas, contorna as acusações ‘democratas’ de ter uma aliança com Moscovo e retoma o projecto do relançamento das áreas de influência, o que lhe permitiria retirar do Afeganistão, do Iraque e da Síria, deixando o confronto local entregue à liderança dos Sunitas (Turcos e Sauditas), se eles tiverem a coragem que lhes falta (armas já têm, Trump, o grande comerciante, foi vender-lhes 120 mil milhões de brinquedos desses, para Sheiks exibirem).

De fora, a UE, Estado-vassalo da Frente Anglo-Americana-Israelita parece uma barata tonta e tanto mais quanto a Fachada do Deep State se desentende, e é ultrapassada por Trump e por Putin, os novos Líderes políticos do início do Século XXI.

O governo português mantêm-se lúcido, no meio da confusão. Nenhum “Aliado” é confiável (por definição), os Interesses dos Portugueses não são binárizáveis, são extensamente diversos e mundiais, “eles é que são ‘brancos’, eles que se entendam”. Amamos a Paz e continuamos ‘neutrais’, sem dar nas vistas.

José Gabriel Pereira Bastos

Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos

Les Almoravides | Alexandre Noble

“Par contre, les femmes almoravides ne portent pas de voile. Elles jouissent d’une liberté d’allure qui atteste la persistance des vieilles mœurs bédouines. Au surplus, elles paraissent jouer un rôle important dans les affaires publiques. La possession de la belle Zaynab al-Nafzawiyya, surnommé « la Magicienne », semble, au début de la secte almoravide, une condition nécessaire à l’exercice du commandement. Après la conquête du pouvoir, les Almoravides associent les femmes à la vie politique, voire militaire de l’ensemble de l’Empire et les laissent vivre comme avant dans les campements sahariens”

Les Almoravides

sont des tribus berbères du groupe des Sanhadjas, apparentés aux Touareg. Pasteurs nomades, ils se lancent au milieu du XIe s., à partir de leur désert, à la conquête de terres plus riches et parviennent à constituer un immense empire, englobant un double domaine africain et européen. Ce mouvement, qui traduit un épisode de lutte pour la vie que mènent constamment, au Maghreb, les nomades contre les sédentaires, s’expriment en termes religieux. En effet, les Almoravides sont en même temps qu’une confédération de tribus, une confrérie religieuse. Tout comme les Arabes au début de l’islam, ils se mettent en marche pour occuper des territoires et propager une doctrine.

Toutefois, cette doctrine n’a rien d’original et ne fait que reprendre les principes du rite malékite, hérités des grands docteurs de Kairouan. En 1035, des chefs de la tribu des Lamtunas, de retour de pèlerinage, s’arrêtent à Kairouan, où ils entendent Abu Imran, savant originaire de Fès. Pris d’admiration pour ce maître, ils lui demandent d’envoyer parmi eux, dans le désert, l’un de ses disciples. Ce sera Abd Allah ibn Yasin, fondateur du mouvement almoravide. Réformateur rigoureux, ibn Yasin invite les nomades à respecter scrupuleusement les prescriptions de l’islam et, par conséquent, à ne plus épouser plus de quatre femmes et à payer l’impôt rituel.

Trouvant ces obligations insupportables, les nomades ne répondent pas à son appel. Ibn Yasin les abandonne alors et se rend, en compagnie de l’un de leurs chefs, dans une île du cours inférieur du Sénégal. Très vite, quelques chefs de tribus les suivent, encourageant par leur exemple beaucoup de nomades à faire de même. C’est ainsi que le ribat fondé par ibn Yasin essaime et compte, en peu de temps, de nombreux fidèles.

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Abdelaziz Bouteflika, fossoyeur madré de l’islam politique | Par Nicolas Beau

L’Algérie est l’un des rares pays du monde arabe où l’islamisme politique est en décomposition.

Les résultats des élections locales de 2017 ont confirmé cette nouvelle donne politique : l’islamisme est en perte de vitesse et ne séduit plus en Algérie.  Le MSP, le TAJ et toutes les autres composantes de l’islamisme algérien ont reçu une véritable gifle en perdant de nombreux sièges dans les communes et les assemblées locales des wilayas. La descente en enfer n’est pas due au hasard mais à une stratégie redoutable du président algérien, Abdelaziz Bouteflika. Tout en douceur.

Des islamistes émasculés 

L’islamisme algérien est tombé dans le piège tendu par Bouteflika depuis son arrivée au pouvoir en 1999. L’acte 1 a débuté lorsque Bouteflika a convaincu les frères musulmans du MSP, créé par feu Chekih Mahfoud Nahnah, de s’associer avec lui pour diriger l’Algérie. La posture affichée alors par la présidence était de fermer la parenthèse d’une décennie noire marquée par les violences sanglantes. Le MSP, à l’époque la deuxième force politique algérienne, vit certains des siens accéder aux responsabilités, perdant ainsi l’essentiel de sa combativité. Le piège se refermait sur ces notables pieux happés par un exercice très partiel du pouvoir..

En revanche, il ne fut jamais question à ce stade de laisser se recréer un succédané du Front Islamique du Salut (FIS) dont les principaux cadres avaient combattu dans les maquis durant la décennie noire. Sur ce point, le « deal » était parfaitement clair entre Bouteflika et les militaires, notamment le DRS (services secrets algériens) du général Toufik. Ce fut même la condition sine qua non posée par l’armée à l’intronisation de l’actuel chef de l’Etat en 1999.

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Lançamento do MeRA25 | Atenas, Grécia | DiEM25

Esta segunda-feira demos mais um passo para a democracia EuropeiaLançamos o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia.

O lançamento do MeRA25 decorreu num teatro apinhado de Atenas e à medida que a nossa magnífica cerimónia de lançamento terminava, cerca de vinte neonazis atacaram os nossos membros. Felizmente os nosso apoiantes e voluntários conseguiram controlar a situação e ninguém se magoou.

Esta foi uma ação coordenada e os media oligárquicos gregos fizeram os possíveis para matar o MeRA25 à nascença.

Na terça-feira Julian Assange, membro do Painel Consultivo e fundador do WikiLeaks ficou sem acesso à internet e sem permissão para visitas. Porquê? Porque quiz apenas partilhar a sua opinião sobre o que se passa no mundo.

O DiEM25 emitiu um comunicado assinado pelo co-fundador do DiEM25 Yanis Varoufakis e por Brian Eno, membro do Colectivo Coordenador a criticar o Equador por deixar Assange sem capacidade de comunicação.

Sempre soubemos que não seria fácil. À medida que nos vamos tornando mais fortes, o status quo e os seus aliados vão tentar tudo para silenciar o nosso apelo à democracia, transparência e justiça.

Sabemos o que temos de fazer e estamos certos que juntos somos mais fortes.

Tu podes ajudar, vê como:

  • Assina e partilha a nossa petição para permitir que Assange tenha acesso à internet e a visitas

  • Doar ao MeRA25 para que os ativistas do DiEM25 consigam formar uma política alternativa para a Grécia

Vítor, estamos a entrar numa nova fase,crítica para curar a União Europeia e realizar o nosso sonho coletivo. Precisamos por isso do teu apoio.

Carpe DiEM!

Luis Martin – Coordenador de comunicações do DiEM25

Grã-Bretanha | A razão para a expulsão de diplomatas russos | Carlos Matos Gomes

A derrota dos Estados Unidos e da Grâ Bretanha na Siria são a razão para a patética “guerra” de expulsão de diplomatas russos da Grã-Bretaha, dos Estados Unidos e dos seus satélites aliados na guerra perdida para fazer da Siria um Iraque a saque e base de apoio da coligação contra o Irão.
A história da morte dos agentes duplos em Londres é uma historieta para crianças e idiotizados.
A expulsão de diplomatas russos de Inglaterra a pretexto de uma alegada e nunca provada ação de envenenamento de um alegado agente duplo – sem qualquer prova – é um fellatio que a senhora May faz aos americanos como resultado da derrota da dita “coligação” na Siria.
Os Estados Unidos (animados pela Inglaterra da May) respondem assim à derrota da sua manobra de desestabilização e ocupação da Siria. É disso que se trata.
A estratégia dos Estados Unidos de ocupar a Siria e de, a partir dali, construir uma base para o ataque ao Irão e ali instituir um regime fantoche e corrupto para vender o espaço para construção de oleodutos falhou redondamente.
A intervenção da Rússia em apoio do governo Sírio, a aliança da Rússia com a Turquia, a abertura de um porto no Mediterrâneo à China deixou os americanos e os seus agentes locais, Israel em estado de choque.
O Médio Oriente deixou de ser uma coutada americo-israelita, como foi desde a II Guerra Mundial.
Por outro lado os americanos são obrigados a tratar a Coreia do Norte como um parceiro respeitável. Uma nova moeda está a surgir como alternativa ao dólar nos negócios internacionais.
Trump é uma figura desacreditada internamente, como Theresa May em Inglaterra com o Brexit. Nestas circunstâncias, arranjar um inimigo externo é a solução clássica.
É na palhaçada em que estamos. Esta palhaçada tem tudo para correr mal. Nós, os cidadãos do mundo desta parte do mundo estamos, mais uma vez, a ser arrastados para um jogo muito perigoso, comandados por tipos e tipas sem escrúpulos, capazes de tudo.
A Revista Militar do Exército dos Estados Unidos, uma fonte credível e que reflete o pensamento dos militares americanos reconhece a derrota. Já o tinha feito anteriormente, a propósito do Vietname.


http://www.businessinsider.com/the-armys-military-review-declared-the-us-was-defeated-in-syria-2018-3?utm_source=facebook&utm_content=top-bar&utm_term=desktop

DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES | José Gabriel Pereira Bastos

É chegada a altura de ir para além das tradicionais formas de acção e organização (estilhaçadas temática, religiosa e ideologicamente) e de nos unirmos EM REDE, á escala nacional, internacional e mundial, como PARTIDÁRIOS DE UM MUNDO MELHOR, em Amor, Respeito, Paz e Solidariedade.

Somos muitos mais do que pensamos, somos quase todos. Só falta que nos organizemos à escala mundial e corramos democraticamente com os Grandes Opressores Criminosos a quem temos vindo a delegar a competência de nos representarem à escala nacional e europeia.

Os nossos inimigos são os Aparelhos de Estado, sobretudo os Aparelhos Bancários e Militares, associados a organizações secretas, mafiosas e criminais que se ocultam noutros aparelhos, como os Judiciais e policiais.

A estratégia do PODER MAFIOSO é “dividir-nos, para reinar sobre nós”. A nossa estratégia contra o Poder Mafioso (parcialmente secreto, parcialmente controlando a organização e os programas dos Aparelhos Escolares e Universitários e controlando os Media, para nos alienarem), deve UNIR-NOS À ESCALA MUNDIAL para lhes retirarmos o Poder Maligno, de forma pacífica e democrática. A MAIORIA SOMOS NÓS, GENTE BOA DE TODO O MUNDO.

A DIVERSIDADE É UMA FORÇA VITAL A RESPEITAR.

Vamos confederar a Diversidade da Gente Boa que quer um Mundo Melhor. Eu estarei na primeira linha. Convosco.

Chega de ‘manifestações’ e de discursos. Vamos finalmente organizar-nos, construir o CADERNO REIVINDICATIVO, e impô-lo, através de Referendos?

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Reacção desesperada de Governos Ocidentais | José Gabriel Pereira Bastos

Está a ser fascinante a reacção desesperada de governos Ocidentais (e de seguidores dessa religião política) à vitoria da aliança Síria-Rússia, que vai gorar as fantasias de dominação imperialista Anglo-Americana, começada com a Guerra Iraque-Irão, paga por Anglo-Americanos e continuada com a invasão do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e da Síria, com liquidação de dois velhos aliados que convinha que não pudessem contar a História (Sadam Hussein, pago para atacar o Irão, e Kadhafi, que financiou Governos Europeus periclitantes, como agora dizem que Putin financiou Trump, é, pelos vistos, um hábito de falsificação das Democracias Eleitorais falsificadas em que vivemos).

Abater Assad era a nova obsessão, para dividir a Síria (como fizeram no Iraque) e arranjar um Governo para entregar aos Sunitas que tinham expulso do governo do Iraque, entregue por eles (Anglo-Americanos) aos Xiitas, nas suas já habituais manipulações de engenharia política, sempre falhadas e com péssimos resultados (enormes instabilidades e destruições, e milhões de mortos e refugiados em fuga para dentro da UE, dividindo-a e pondo-a na mão de Erdogan, o novo Imperador Turco que tinha sonhado invadir a Europa com as suas dezenas de milhões de muçulmanos e foi, por isso, rejeitado e desrespeitado pela UE).

No FB corre uma petição histérica da Avaaz querendo que os Jogos Olímpicos na Rússia sejam alvo de bloqueio ‘Ocidental’ e Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico vem, com um raciocínio paranóide, acusar a Rússia da agressão que o ‘Ocidente’ patrocinou e ainda quer teimosamente vencer.e propor esse bloqueio aos Jogos Olímpicos (a inveja, mesmo política, é uma das maiores motivações dos obsessivos, não aguentam que outros brilhem).

Nunca, como é óbvio, um Governo Russo liquidaria ex-expiões com veneno de origem russa na véspera de eleições russas que estavam mais do que ganhas. A Inglaterra dispunha da fórmula química daquele veneno e só se nunca viram filmes de espionagem é que não conhecem a manobra de fazer o mal e a caramunha, imputando ao opositor um crime feito pelos seus próprios Serviços Secretos.(contra um ex-espião duplo, que atraiçoou dois Estados).

José Gabriel Pereira Bastos

Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos

Constituição | Artigo 271.º

Constituição: Artigo 271.º

Responsabilidade dos funcionários e agentes

1. Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas ações ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a ação ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.

2. É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que atue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.

3. Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.

4. A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.

DiEM25 na Grécia | Novo Partido Político

A última semana foi histórica. Lançamos a primeiro lista transnacional para participar nas eleições na Europa.

Desde então recebemos uma enchente de mensagens de apoio dos apoiantes do DiEM25! E foram disparados tiros de aviso aos políticos do “status quo” e aos seus trolls espalhados pelos media. Estão a ficar preocupados e fazem bem em estar.

A nossa estratégia para os dois meses seguintes divide-se em duas partes:

  • No nosso Movimento: Vamos continuar a crescer e a fortalecer o nosso movimento para que consigamos chamar a atenção dos cidadãos da UE. Vamos também expandir o número de ativistas e voluntários e manter a pressão sobre o sistema político europeu.
  • Na nossa Ala eleitoral: Vamos continuar a contruir uma força política progressiva e transnacional que possa apoiar e eleger os candidatos que não são financiados pelos suspeitos do costume, o que dará peso político real às nossas políticas.

Vítor, se estás em Atenas, ou podes vir até cá, por favor junta-te a nós dia 26 de Março quando iremos lançar o MeRA25, , a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia.

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Manual de Ciência Política | José Adelino Maltez

Chegou-me hoje a versão final do “Manual de Ciência Política”. Talvez saia do prelo, dentro de um mês. Tinha o dever de o editar: “O autor deste manual, apesar de uma manifesta conceção do mundo e da vida, não quer converter qualquer leitor, ou aluno, mas apenas peregrinar pelos tópicos fundamentais da coisa pública, embora invoque os seus mestres-pensadores, aqueles que o provocam neste caminho de procura da verdade, incluindo os da segunda metade do século XX, quase todos mortos no dobrar do milénio. Assim se confirma como os professores, quando se julgam na madura idade, isto é, no pleno exercício da liberdade académica, não passam de avôs de si mesmos, quando invocam aqueles inspiradores que lhes ensinaram a caminhar, das anteriores gerações. Nihil sub sole novi…Daí que não ocultemos autores malditos, de fascistas a comunistas, de reacionários a progressistas, marcados pelos sobressaltos autoritários e totalitários da primeira metade do século XX. Contudo, sempre começamos por dizer que a doutrinação missionária não cabe à universidade, mas sim às seitas que, dos seus púlpitos ou das suas redes sociais, podem diabolizar…”

José Adelino Maltez

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

encomendas: ISCSP: editorial@iscsp.ulisboa.pt

Ils ont changé le monde | Les Arabes | France 5

A l’origine, des tribus nomades vivant dans les déserts de la péninsule arabique s’unissent sous l’influence d’un homme, le prophète Muhammad. Par la suite, ce peuple parvient à conquérir un large empire, ce qui l’amène à se rapprocher d’un grand nombre de civilisations différentes. Bagdad devient ainsi la capitale intellectuelle de son époque et accueille les savant étrangers de toutes les disciplines. De nombreux traités de référence en chirurgie, botanique, mathématiques et astronomie voient le jour. Mais les luttes intestines et les invasions successives affaiblissent peu à peu l’empire des califes jusqu’à sa disparition.

Os desafios da social democracia | Pedro Nuno Santos in Jornal Público

1. Em 2015 deu-se uma viragem histórica em Portugal: pela primeira vez na história da nossa democracia a esquerda entendia-se para formar uma maioria que sustentasse um governo. Ganhou a representação democrática: temos uma democracia mais plural, com mais configurações parlamentares disponíveis e sem nenhum partido excluído, por definição, da esfera governativa. O nosso sistema político tem hoje dois pólos distintos, o que promove a dialética entre visões diferentes da sociedade, facilita a escolha do eleitorado e torna mais difícil a emergência de extremismos.

Ganhou também o país: Este Governo e esta maioria estão a mostrar que é possível viver melhor em Portugal e a imprimir mudanças profundas nas políticas públicas. O que estamos a fazer na política orçamental e de rendimentos, na trajetória do salário mínimo, no alargamento de direitos e mínimos sociais, na recuperação dos serviços públicos ou na diversificação do financiamento da segurança social é mesmo diferente do que um Governo apoiado numa maioria de direita faria.

Ganhou, por fim, o PS: com esta solução governativa, aumentou a sua autonomia estratégica. Não está impedido de procurar compromissos alargados em áreas específicas (como as de soberania), mas deixou de estar obrigado a governar com a direita.

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DiEM25 | Estamos um passo mais perto de concorrer a eleições!

Começamos o ano novo com notícias entusiasmantes: se os nossos membros o aprovarem o DiEM25 poderá participar pela primeira vez em eleições já em Março!

Após o voto por parte de todos os membros  em Novembro passado foi ativada uma “vertente eleitoral” que permitiria levar a agenda progressista do DiEM25 às urnas por toda a Europa. O nosso grupo local (CED) de Amesterdão iniciou o processo e registou lá um partido político.
Aqui está como o fizeram:

  • De acordo com o procedimento descrito na proposta relativa à vertente eleitoral e após consulta com o Coletivo de Coordenação (CC) do DiEM25, o CED -Amsterdão realizou várias reuniões no mês passado para discutir a sua potencial participação potencial nas eleições municipais deste ano (Março de 2018).
  • Depois de perguntarem aos membros locais se concordavam em levar o DiEM25 às urnas, o CED- Amesterdão entrou em contato com o CC para continuar a consulta quando às próximas etapas, a saber: registar o DiEM25 como um partido político (o prazo para se registar para as eleições municipais foi 27 de dezembro) e começar a elaborar o programa, a lista de candidatos e a proposta geral que os membros do DiEM25 em todos os cantos da Europa terão de votar.
  • Claro que o registo de um partido político não significa que o DiEM25 vá definitivamente participar em qualquer concurso eleitoral. Este é apenas um primeiro passo!

Assim, o CED Amesterdão apresentará em breve a sua proposta completa e buscará o apoio dos nossos membros através dos nossos procedimentos habituais de votação interna.

No final de 2017, delineámos as nossas conquistas até o momento, bem como o nosso desejo de tornar 2018 no ano em que nos preparamos para enfrentar os poderes instalados de forma direta. E enquanto as eleições para o Parlamento Europeu de 2019 continuam a ser o foco principal da nossa ala eleitoral, estamos muito entusiasmados, orgulhosos e encorajados pela iniciativa do CED Amesterdão de levar a nossa luta ao seu município: uma luta de baixo para desafiar os poderes instalados e transformar Amesterdão numa uma cidade rebelde!

Hoje é Amesterdão, amanhã? É o início!

Carpe DiEM!

Luis Martín
>>Coordenador de Comunicações DiEM25 

Palestine | Malika Mellal

Palestine

Trois millénaires de confessions
Tu gardes le sceau des religions
Bénédiction de toutes les terres
De toutes patries tu es la mère
Chère Palestine bénie de Dieu
De toutes croyances tu es le lieu
Théâtre des miracles divins
Ton histoire enseigne le bien
Terre des livres et des prophètes
Terre convoitée et si parfaite
Chère Palestine bénie de Dieu
Sur ta terre les hommes ont mis le feu
Sans se soucier des Ecrits de Dieu
Des sacrilèges des plus odieux
Les enfants tués en sont de ceux
Il faudra bien rendre des comptes
Terre profanée par tant de honte
Du sang d’innocents qui coule sans fin
Un peuple exterminé pour ses biens
L’homme qui imagine n’y être pour rien
N’a jamais cru au sacre divin
Palestine terre de tous les liens
Sonnera un jour l’heure de la fin
Une terre sainte ne peut être souillée
Sans que Dieu ne le fasse payer
À tous ces enfants valeureux
Que l’on empêche d’être heureux
Bientôt viendra la fin du malheur
Et plus jamais vous n’aurez peur
Dieu est grand et omniscient
La libération est un divin serment.

Malika Mellal 25/12/2017

Retirado do Facebook | Mural de Malika Mellal 

 

Independência de las Ramblas por supuesto — um caso pícaro | Carlos Matos Gomes

A declaração unilateral de independência da Catalunha de Espanha é uma sequência pícara. A literatura espanhola tem uma tradição de obras e autores pícaros, desde o clássico Lazarillo de Tormes, de sus fortunas y adversidades, de autor anónimo a La vida del Buscón, de Quevedo, de Alonso moço de muchos amos, de Jeronimo de Alcalá, ao D. Quijote, de Cervantes, a autores mais modernos como Alejandro Swa, cego e louco, que inspirou a figura de Max Estrella a Valle-Inclán, a Pedro Galvez. Puigdemont e a sua declaração de independência e de república das Ramblas acederam neste final de ano às glórias deste subgénero literário em que o protagonista, o pícaro, é quase sempre um humilde arrivista, um anti-herói, um anti-cavaleiro errante numa «epopeia de fome». Uma personagem que sobrevive graças aos enganos e vigarices e vive na ilusão de uma subida na escala social, o seu verdadeiro ideal.

A declaração de independência de Puigdemont a 27 de outubro de 2017, na sala do parlamento catalão, nas Ramblas, é um ato pícaro. Aproveitando a ocasião, os parlamentares presentes declararam também a fundação de uma «República Catalã independente». A cerimónia de apresentação urbi et orbidestas duas cruciais decisões decorreu, como foi possível ver nas reportagens televisivas, num ambiente de velório, com os libertadores da Catalunha e pais fundadores da República de facies de clandestinos, comprometidos, a beberem um copo de espumante, enquanto no exterior subia aos céus um fogo de artifício de arraial de pobre pueblo ao seu santo patrono.

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A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos | Tiago Barbosa Ribeiro

A Revolução de Outubro de 1917 comemora 100 anos. Entre alocuções apologéticas e críticas anti-comunistas, há espaço para uma celebração simbólica e afectiva no campo das esquerdas – porque a Revolução é património das esquerdas – e há também espaço para uma fervilhante reflexividade em muitas iniciativas académicas e culturais que tenho visto ao longo dos últimos dias. É bom que assim seja.

A Revolução de Outubro, a «mãe» das revoluções, foi objectivamente o acontecimento mais marcante do século XX. O seu impacto mudou a geopolítica da Humanidade. Foi um «game changer» tão grande como a Revolução Francesa, em relação à qual falar do «grande terror» parece – porque é – um anacronismo face ao que significou no curso da história. Obviamente que a segunda revolução de 1917, a bolchevique, resultou de uma conjugação de factores e não da acção mitificada de um grupo de homens que muitos acasos poderiam não ter permitido. Mas permitiram: os acontecimentos do final do século XIX, as aprendizagens da Comuna de Paris, a «revolução» de 1905, a Primeira Guerra Mundial, a «guerra imperialista», o desequilíbrio entre o Governo Provisório e os Sovietes, em especial o de Petrogrado, o exílio bem sucedido de Lenine, a Revolução de Fevereiro, a acção resoluta dos bolcheviques na tomada de poder em Outubro (na realidade, Novembro), a teorização orgânica do marxismo por esse brilhante estratega político que foi Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, um grande conspirador, um operacional e um teórico da revolução operária.

A Rússia da época não tinha o «húmus» social que Marx e Engels previram para a insurreição proletária no fio do materialismo histórico: viam-na em países do capitalismo industrial avançado, em especial a Inglaterra e a Alemanha do Kaiser. Mas as coisas são o que são ela irrompeu naquele contexto histórico preciso, criando ondas de choque que perduraram e ainda perduram.

Na Rússia dos czares, um império que então ocupava 1/6 do planeta, com uma população analfabeta e pobre, foi possível derrubar uma dinastia opressora com 300 anos e abalar os alicerces – políticos, sociais, económicos, militares – do mundo moderno. Depois de uma das guerras civis mais sangrentas da história, os bolcheviques triunfaram e criaram o primeiro «Estado proletário» com a socialização efectiva dos meios de produção, servindo de «farol do socialismo» para experiências em todo o mundo. Em pouco tempo, a Rússia passou de um país-continente feudal para uma das maiores potências mundiais.

Não é possível postular como teria sido se Lenine não tivesse desaparecido precocemente ou se Trostky não tivesse sido assassinado. Talvez o PCUS não tivesse feito a «desestalinização» no seu famoso XX Congresso nem fosse necessário, mais tarde, derrubar uma Cortina de Ferro. Mas também não teríamos tido o Exército Vermelho a dar um contributo decisivo para a derrota dos nazis, só para dar um exemplo, nem tão pouco existiria uma URSS a exercer força gravitacional para o desenvolvimento dos Estados Sociais no Ocidente ou para a emancipação das velhas colónias europeias. Mesmo as dissidências «sessentistas» ou as revoluções dos trópicos, desalinhadas da burocracia mecânica do leste, não existiriam sem referência ao ideal fundador de 1917.

A história é o que é. Para lá de todas as disputas que o tempo presente ainda convoca, Outubro é uma das chaves do século XX e uma das marcas mais poderosas da história do movimento operário. Emancipadora, pois claro, no contexto que a permitiu e a consolidou. Celebre-se, pois.

Tiago Barbosa Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Barbosa Ribeiro

Carlos Matos Gomes | A Catalunha: a técnica do golpe de estado e as arengas antes da batalha

As peripécias a propósito das chamas do incêndio de fervor nacionalista que percorre a Catalunha (mais Barcelona e menos Catalunha), é um espectáculo de fogo de artifício.

Acender a fogueira nacionalista e atirar-lhe petróleo como estão a fazer os líderes da rebelião de Barcelona constituem técnicas clássicas de golpe de estado, técnicas de conquista do poder por parte de um grupo organizado para o tomar. Curzio Malaparte demostrou que o assalto ao poder, que é do que se trata em Barcelona, não tem que ser necessariamente violento, muitas vezes basta um grupo de tipos determinados e sem escrúpulos apoderar-se de certas instituições para as confrontar com o aparelho do Estado, uns demagogos excitarem as massas com os temas que sempre as mobilizam: a liberdade em primeiro lugar. Palavra estandarte de todos os chefes populistas, condimentada com uns excitantes também eficazes de história: Patriotismo e Traição qb! Demagogia e populismo com todas as letras, a que podem juntar-se doses maiores ou menores de provocação e agitação.

O nacionalismo catalão e a atual urticária independentista é muito fácil de explicar: Após o fim da ditadura franquista e do desmantelamento do seu aparelho repressivo, um grupo de senhoritos locais, depois de bem seguro e certo da ausência de perigos materiais e físicos (são de pouca coragem e muito desplante), aproveitou a cómoda situação para se chegar ao poder içando a bandeira do nacionalismo catalão, o que incluiu até a tomada do poder no Barcelona clube de futebol, as manobras que levaram os jogos olímpicos a Barcelona, a imposição de um esquecido dialeto local como língua nacional, entre outras.

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Catalunha | Ponto da situação | Carlos Matos Gomes

Deixem-me fazer um ponto da situação para me situar contra os bem intencionados que acreditam que é a bondade e a maldade que determinam as ações politicas. Abençoados. Mas não pertenço a essa confraria de crentes. Tenho muito respeito por aqueles que falam em povo – no caso povo catalão; como há uns tempos Jardim falava de povo madeirense, como no Estado Novo éramos tratados: Bom povo. Tenho, ao contrário desses apoiantes do povo as mais sérias dúvidas sobre o conceito de povo e as mais sérias desconfianças quando me falam na vontade do povo.
Quanto à vontade do povo, não acredito nela, acredito na convergência de interesses e de percepções que se podem traduzir numa ação com uma resultante numa dada direcção. Acredito que grupos de interesses organizados e com os meios adequados podem condicionar e quase sempre condicionam e determinam aquilo que surge como vontade popular.
As votações em representantes de partidos parece-me bastante mais fiável do que referendos. Os partidos têm uma história, têm dirigentes que podem ser responsabilizados pelas propostas, têm um passado e um futuro. Pelo contrário o referendo é facilmente manipulado, não responsabiliza os seus proponentes. O referendo traduz apenas o presente. Pode não ser filho de pai incógnito, mas é de certeza um filho entregue ao Deus dará. Como o Brexit tem demonstrado.
Dito isto, não acredito na “vontade” de independência do “povo” catalão. Considero que os proponentes do referendo da independência da Catalunha são golpistas demagogos, como a fuga deles no dia seguinte à dita declaração prova e incompetentes por não terem qualquer plano de resposta à mais que previsível negação dos seus adversários. Gente sem plano contra o inimigo, sem amigos, sem coragem para lutar e sem carisma para conduzir os seus seguidores.
Se o Cristo fosse como o Puigdmont, o cristianismo tinha acabado com uns copos e uns vivas na Última Ceia!

Carlos Matos Gomes 

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Che, o mito anti-imperialista e os mercenários do império | Carlos Matos Gomes | 09/10/2017

Hoje, 9 de outubro, passam 50 anos do assassinato de Che Guevara na Bolívia, dominada na época por um ditador fantoche dos Estados Unidos. Como acontece com as marcas “redondas” são mais abundantes as referências à figura e à vida do revolucionário argentino, herói da revolução cubana mas, entre todas, interessam-me as que apresentam Che Guevara como um homem execrável, um criminoso do pior calibre, merecedor da sorte que teve às mãos dos rangeres da CIA, que o assassinaram depois de o capturarem ferido e desarmado, lhe cortaram as mãos para servirem de prova da sua morte. Os artigos negros não referem geralmente estes pormenores macabros. A sua função é diabolizá-lo.

Porque recebe Che Guevara por parte dos estrategas de propaganda americana um tratamento tão distinto do de outros líderes de guerrilhas e movimentos políticos que, ao contrário dele, obtiveram sucesso e que os Estados Unidos não assassinaram? Porque gastam ainda hoje os Estados Unidos tanto dinheiro a comprar mercenários para a campanha anti-Guevara, entre os quais alguns milicianos lusos? Porque mete ainda tanto medo aos herdeiros dos que o assassinaram? Porque tem de ser tão persistentemente denegrido?

A morte de Guevara às mãos da CIA, traído por um camponês comprado pela agência americana, é um facto histórico investigado e conhecido, como conhecidas são as divergências entre militantes cubanos dos movimentos que derrubaram a ditadura de Fulgêncio Baptista em Cuba. Divergências que envolveram Guevara e Fidel de Castro. Porquê, então, esta rancorosa cruzada anual das forças ao serviço da estratégia de domínio americano contra Guevara, se ele próprio classificou como um fracasso a sua expedição ao Congo, a campanha dos simba nas margens do lago Tanganica, e expôs no seu Diário a debilidade da guerrilha que comandou na Bolívia?

Che Guevara merece este ódio por parte do poder americano, dos seus meios de guerra psicológica e contra-informação, dos aparelhos ideológicos por dois motivos: Transformou-se, goste-se ou não, numa figura mitológica do anti-imperialismo e o imperialismo, sendo a principal determinante dos jogos de poder que sujeitam os povos aos seus interesses, reage a quem o enfrenta e o desmascara. As fotografias do Che, as suas barbas, a sua boina com estrela, são as de um ícone, de um ídolo que atrai e fascina, que transmite esperança a milhões de seres humanos. Ora, os deuses inimigos têm de ser destruídos, apoucados, enlameados, mesmo em efígie.

A segunda razão para a propaganda imperial americana disparar ciclicamente contra a sua imagem tem um outro objectivo, também claro e pragmático: justificar as acções desestabilizadoras que os Estados Unidos levam a cabo no presente no Médio Oriente, na Coreia, nas fronteiras da Rússia e da China, que substituíram a coutada de intervenção exclusiva da América Central e da América do Sul dos anos 50 e 60, dos anos da guerra fria. Justificam o imperialismo do presente.

A figura de Guevara não é sagrada, pode e deve ser objeto de análise e crítica em todos os seus aspetos, pessoais e políticos, excepto o de não ser anti-imperialista, a verdadeira razão pela qual os serviçais do império o execram.

No meu novo romance, A Última Viúva de África, interessou-me o Guevara desiludido e, mais do que desiludido, de esperanças perdidas. Interessou-me entender porque perdera Guevara a luta com a realidade dos homens. Atraiu-me a heresia de juntar o revolucionário Guevara ao mercenário Scrame, do Congo, como dois comparsas vencidos, unidos pela derrota das ilusões fruto de desejos e não da razão.

A desilusão, em África:

“Che Guevara chegou ao Congo acompanhado por um grupo formado por cubanos negros, com a ilusão de estabelecer na antiga e imensa colónia belga uma plataforma contra o «imperialismo ianque» e o «neocolonialismo» que despertasse todo o continente africano.”

“O diário do Congo reflete a sua desilusão. Guevara viu a espécie humana como ela é e não como a sua ilusão de profeta a pintara. Mais perto das hienas do que dos leões, mais perto dos abutres do que das águias: O caos é aqui tão genético como os pigmentos da pele.”

“…Guevara deu por finda a tentativa de criar um foco revolucionário em África, além de ter perdido boa parte das ilusões sobre o desejo de liberdade, de independência, de justiça das massas populares africanas…”

A morte, na Bolívia:

“…a aventura boliviana do herói de Cuba decorreu ainda em condições piores do que a do Congo. Scrame revelou-me que depois de o ver morto, estendido numa mesa da escola da pequena aldeia de Higuera, e de ter lido o seu «Diário da Bolívia» acreditava que ele procurara deliberadamente o suicídio…”

”Enojou-me ver a profanação do corpo de Guevara pelo coronel chefe da polícia política, responsável pelo ultraje final da amputação das suas mãos, para os polícias americanos confirmarem através delas a identidade do guerrilheiro que os enfrentara.”

“Jean Scrame não se orgulhava da sua participação na morte de Guevara: Ele lutava por uma ideia, como eu pelo direito a ter uma terra!”

“Para homens como Scrame e Guevara a dor da derrota é maior e mais profunda porque não buscam a glória, nem lutam pelo reconhecimento do herói, mas pela paz interior de conseguirem o que entendem ser o seu dever, o seu bem, independentemente do que os outros possam pensar dos seus objectivos. A derrota é para eles um castigo e simultaneamente uma injustiça, um erro do destino que impedirá a felicidade ou a riqueza daqueles para quem trabalham. Quando não levam os seus sonhos até ao fim, sentem-se deuses falhados, que perderam uma oportunidade de conduzir os seus fiéis à Terra Prometida.”

Qual o segredo de transformar um vencido real num vencedor idealizado? O Che foi o senhor absoluto da sua luz. Os homens das trevas nunca o apagarão.

Carlos Vale Ferraz (excertos de A Última Viúva de África)

https://medium.com

CATALUNHA DA AUTONOMIA À INDEPENDÊNCIA | UM SONHO SECULAR Fonte: Grande Angle/La Tribune, por Carlos Fino

ANO 878 – OS ÁRABES OCUPAM A CATALUNHA

Conquistada pelos árabes no século VIII, tal como grande parte da península ibérica, a Catalunha é reconquistada por Carlos Magno no ano de 801. Em 878, quando o imperio carolíngio se desfaz, o território catalão é unificado sob a designação de Condado da Catalunha, dependente do império franco.

ANO 987 – AL MANSOUR RETOMA BARCELONA

O emir árabe Al-Mansour retoma Barcelona. O conde catalão Borell II pede ajuda à França, mas não obtém apoio, tendo que contar apenas com as suas próprias forças para se opôr ao invasor. Consequência – o laço de dependência com a França praticamente desfaz-se, tornando-se a Catalunha praticamente independente. A partir do século XI, passa a designar-se Principado da Catalunha, título que mantém até hoje.

ANO 1162 – UNIÃO COM ARAGÃO

O conde de Barcelona Afonso, o Casto, unifica os condados catalães com o reino de Aragão, que herda da mãe. Barcelona torna-se centro de um poderoso reino que vai reconquistar Valência e as Baleares aos árabes. No século XIV, os exércitos catalães são considerados dos mais poderosos da Europa. Aragão-Catalunha estendem a sua influência à Sardenha, Sicília, sul da Itália e Grécia.

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DESAFÍO INDEPENDENTISTA | El ruido y la furia de la Cataluña de los mecenas | MANUEL JABOIS in “El País”

Joan Baptista Cendrós fue un hombre tan importante en Cataluña que se convirtió en un olor. Un olor muy intenso y mentolado. Era la fragancia de la crema Floïd, after shave que Cendrós ideó en la barbería que heredó de sus padres: la exportó a 50 países y le hizo millonario. Cendrós acogía en su casa a otros hombres ricos, amigos suyos, unidos por una voluntad exquisitamente revolucionaria. Uno de ellos era Fèlix Millet i Marista, un empresario que huyó a Italia para salvar su vida en la Guerra Civil y regresó para combatir en el bando franquista. Con ellos estaba otro patricio, Lluís Carulla, que usó su conocimiento de la botica familiar para crear, junto a su esposa María Font, Gallina D’Or, que luego rebautizó como Gallina Blanca antes de inventar Avecrem. Joan Vallvé fabricaba dinero, literalmente: su factoría en Poblenou acuñaba la peseta. El quinteto lo cerraba el industrial Pau Riera, hijo de Tecla Sala Miralpeix, una empresaria de vida extraordinaria que levantó su imperio textil en un mundo de mujeres empleadas y hombres directivos.

A todos les unía el catalanismo, su voluntad de desbordar la dictadura desde el único lugar donde empezaba a correr un poco de aire: la cultura. Eran, esencialmente, mecenas. Y crearon Òmnium en el año 1961. Le inyectaron dinero, muchísimo, para abrir terminales en toda Cataluña y fomentar la lengua y la cultura catalanas. Fuera de Òmnium esa burguesía intelectual, junto otros apellidos de fuste, fundó un universo propio sobre el que orbitaría la futura Cataluña: la Nova Cancó, los premios Sant Jordi y Carles Riba, la Gran Enciclopedia Catalana, el Instituto de Estudios Catalanes, el Orfeò, el Palau, el Liceu, Banca Catalana; estuvieron detrás de los inicios de Terenci Moix y de Raimon, entre otros. Intentaron que la Academia Sueca le diese el Nobel a Salvador Espriu. Hicieron también grandes tropelías; se adueñaron del espacio, y el dominio cultural que llegó hasta el pujolismo fue de tal asfixia que Cendrós le negó el Premi d’Honor de les Lletres Catalanes, también creado por él, al escritor catalán más importante del siglo XX, Josep Pla, alegando su implicación en el franquismo. Muchos años después, Fèlix Millet hijo hizo recuento de la élite: “Somos unas cuatrocientas personas, no seremos muchas más, pues nos encontramos en todas partes y somos siempre los mismos”.

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«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes) | O Partido ‘bipolar’: uma crítica de esquerda (por Elísio Estanque)

O jornal do PCP «Avante!» decidiu dar-me a “honra” de responder a um artigo que publiquei no jornal Público (31.08.2017): Aos meus amigos peço desculpa pela longa preleção e “reprimenda” que o seu autor me dedicou. Em todo o caso, deixo o referido texto na íntegra, seguido do meu artigo (o qual pode considerar-se a minha “resposta”). Sem mais. Vale a pena ler…

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes)

O PCP, a sua história, o seu insubstituível papel na vida social e política nacional incomoda e faz inveja a muita gente. À direita e à «esquerda», nomeadamente a uma «esquerda» de que se reclama Elísio Estanque (EE) como mostra o seu artigo «O partido bipolar: uma crítica de esquerda» (Público de 31.08.17) curiosamente publicado na véspera da abertura da Festa do Avante!. Mas não fosse alguém confundir o seu escrito com uma vulgar diatribe e intriga anti-comunista apresenta-o como uma «crítica de esquerda» insinuando a autoridade de quem sabe do que fala para melhor fazer passar o propósito que percorre todo o seu artigo: introduzir a dúvida e a divisão em relação à direcção e à orientação do Partido, seja em torno da sua definição ideológica (a «velha cartilha marxista-leninista» relativamente à qual «muitos militantes comunistas se interrogam no seu íntimo») seja quanto à posição em relação à actual solução política (com a «incomodidade de sectores da «linha dura» com o facto de o partido se ter tornado “muleta» do Governo PS»).

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O QUE EU DIRIA SE FOSSE A UM CONGRESSO DO PSD… | José Pacheco Pereira in blog “Abrupto”

…onde não posso ir porque não sou delegado, não tive nenhum cargo que me desse esse direito por inerência e não quereria falar numa condição de favor em relação aos que têm o direito de lá estar. Aliás, essa hipótese já se colocou num dos primeiros congressos da era Passos Coelho e foi recusada pela direcção do partido. Aos energúmenos que nos partidos têm a sua única vida profissional e que adorariam essa ocasião para me apupar devo dizer-lhes que é para o lado em que durmo melhor. Já tive na vida muitas mais ocasiões de incómodo e riscos muito maiores, para me assustar com isso. Além disso seria uma honra, como se percebe deste texto. Aqui vai, de fora, como se fosse lá dentro.

Ponham lá nas paredes das sedes do PSD… 

Passavam menos de 15 dias sobre o 25 de Abril de 1974, a 6 de Maio, três homens, Francisco Sá Carneiro, Joaquim Magalhães Mota e Francisco Pinto Balsemão, liam a declaração genética do PPD, depois PSD, intitulada Linhas para um Programa. Chamo a atenção: o habitual argumento destinado a desqualificar os documentos dos primeiros anos do PSD, de que são o resultado de habilidades linguísticas destinadas a obter legitimidade nos anos do PREC, não colhe de todo. Este documento é escrito muito antes de se dar a radicalização política do ano de 1975 e aliás não esconde a génese do novo partido na chamada “ala liberal” cuja actividade cessava então “pelo nascimento dum partido de orientação social-democrata“. Ou seja, os autores desta declaração estavam a dizer exactamente o que queriam dizer e a situar-se exactamente onde queriam situar-se.

Inscrito a letras de ouro … 

Deixemos de lado a parte do apoio ao MFA e ao 25 de Abril, para nos atermos às demarcações do texto e ao seu conteúdo programático. Primeira demarcação: a “concepção e execução dum projecto socialista viável em Portugal, hoje, exige a escolha dos caminhos justos e equilibrados duma social-democracia, em que possam coexistir, na solidariedade, os ideais de liberdade e de igualdade.” A expressão “caminhos justos e equilibrados duma social-democracia” significa que o novo partido se distanciava dos outros “socialismos”, em particular dos dois partidos que tinham chegado ao 25 de Abril aliados por um “programa comum”: o PS e o PCP. Esse “programa” não durou muito, mas existia.

Para não se esquecerem de onde vimos… 

O que é que significava esta “visão social-democrata da vida económico -social“?

a) Planificação e organização da economia com participação de todos os interessados, designadamente das classes trabalhadoras e tendo como objectivos: desenvolvimento económico acelerado; – satisfação das necessidades individuais e colectivas, com absoluta prioridade às condições de base da população (alimentação, habitação, educação, saúde e segurança social); – justa distribuição do rendimento nacional. b) Predomínio do interesse público sobre os interesses privados, assegurando o controlo da vida económica pelo poder político (…). c) Todo o sector público da economia deve ser democraticamente administrado (…) . d) A liberdade de trabalho e de empresa e a propriedade privada serão sempre garantidas até onde constituírem instrumento da realização pessoal dos cidadãos e do desenvolvimento cultural e económico da sociedade, devendo ser objecto de uma justa programação e disciplina por parte dos órgãos representativos da comunidade política. (…) f) Adopção de medidas de justiça social (salário mínimo nacional, frequente actualização deste salário e das pensões de reforma e sobrevivência, de acordo com as alterações sofridas pelos índices de custo de vida, reformulação do sistema de previdência e segurança social, sistema de imposto incidindo sobre a fortuna pessoal preferentemente ao rendimento de trabalho com vista à correcção das desigualdades).

Citei mais extensivamente porque é uma parte crucial da “visão”. Estão lá mais coisas, como a crítica ao absentismo dos latifundiários, a defesa do direito à greve (“meios necessários para uma permanente e contínua subordinação da iniciativa privada e da concorrência aos interesses de todos e à justiça social“); a possibilidade de nacionalizações para garantir o “controlo da vida económica pelo poder político“; a defesa do “saneamento” e do “julgamento dos crimes constitucionais de responsabilidade, de corrupção, contra a saúde pública e os consumidores e, dum modo geral, contra a vida económica nacional, bem como dos abusos do poder.

No plano político está lá a defesa daquilo que viria a chamar-se o “poder local”; a independência do poder judicial; a laicidade do Estado; o fim da discriminação das mulheres, e a afirmação de que a “educação e a formação constituem serviço público no mais amplo e digno sentido de expressão porquanto são fundamento e garantia de liberdade e de responsabilidade. A igualdade de oportunidades, alargamento de horizontes e a preparação ou readaptação à vida em sociedade são os objectivos fundamentais de educação e formação.” Ou seja, a educação é o mecanismo-chave da mobilidade social. E por fim, a defesa da “autodeterminação” nas colónias com imediato cessar-fogo.

Para quem não sabe o que é a social-democracia… 

Talvez a mais significativa frase do texto seja esta:

Consideração do trabalhador como sujeito e não como objecto de qualquer actividade. O homem português terá de libertar-se e ser libertado da condição de objecto em que tem vivido, para assumir a sua posição própria de sujeito autónomo e responsável por todo o processo social, cultural e económico.”

Ela é uma das chaves para perceber o pensamento de Sá Carneiro e dos fundadores. Não vem do marxismo, nem do socialismo, nem do esquerdismo, vem da doutrina social da Igreja tal como se materializava no pensamento da social-democracia que se queria instituir. Demarca o PSD do PS, do PCP mas, acima de tudo, daqueles que no lugar do “trabalhador” colocam as “empresas”, a “economia”, ou outras variantes de qualquer poder que não “liberta”.

A escolha e a ordem das palavras não são arbitrárias. Estes homens devem ter ponderado todas as palavras, todas as ideias e todas as frases deste documento com o máximo cuidado e rigor. Sabiam que estavam a escrever para a História e para o dia seguinte, para os portugueses e para Portugal. Nem é preciso dizer, de tão evidente que é, que nada disto é o que pensa e o que diz a direcção do neo-PSD que hoje existe.

Este é o PSD antigo, mas esta é também a parte que não é “modernizável”.

José Pacheco Pereira

htpp://abrupto.blogspot.com/2016/06/o-que-eu-diria-se-fosse-um-congresso-do.html

É urgente voltar a Marx para entender nova fase da economia, diz professor | Nick Nesbitt entrevistado por Luís Costa para a Folha de S. Paulo

Karl Marx antecipou o que ele chama de “capitalismo pós-humano”, isto é, uma dupla tendência à eliminação gradual do trabalho humano das cadeias produtivas e à precarização da força de trabalho. 

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O NOVO PERIGO NUCLEAR por Joschka Fisher, in jornal Diário de Notícias

Para alguém que nasceu em 1948, o risco de uma III Guerra Mundial nuclear foi uma faceta muito real da minha infância. Essa ameaça – ou pelo menos a ameaça de a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental serem ambas totalmente destruídas – manteve-se até ao final da Guerra Fria e ao colapso da União Soviética.

Desde então, o risco de as potências nucleares desencadearem o Armagedão reduziu-se substancialmente, se bem que não tenha desaparecido por completo. Hoje, o perigo maior é o de um número crescente de pequenos países governados por regimes instáveis ou ditatoriais tentar adquirir armas nucleares. Ao tornarem-se potências nucleares, esses regimes podem assegurar a sua própria sobrevivência, promover os seus interesses geopolíticos locais ou regionais e até enveredarem por um programa expansionista.

Neste novo cenário, “a racionalidade da dissuasão” mantida pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante a Guerra Fria dissipou-se. Atualmente, se a proliferação nuclear aumentar, é bem provável que o limiar para a utilização de armas nucleares baixe.

Tal como demonstra a atual situação na Coreia do Norte, a nuclearização da Ásia Oriental ou do golfo Pérsico pode constituir uma ameaça direta à paz mundial. Veja-se a recente confrontação retórica entre o ditador norte-coreano Kim Jong-un e o presidente dos EUA Donald Trump, em que Trump prometeu responder com “fogo e fúria” a quaisquer novas provocações norte-coreanas. Obviamente, Trump não está a confiar na racionalidade da dissuasão, como seria de esperar por parte do dirigente da única superpotência que ainda resta. Em vez disso, deu livre curso às suas emoções.

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Venezuela? Siga a pista do petróleo | José Goulão in blog AbrilAbril.pt

Os conglomerados censórios omitem o potencial golpista da pista do petróleo na Venezuela. Mas não conseguem apagá-la.

À revelia da enxurrada de doutas opiniões e anafadas informações sobre as diatribes do «ditador» Maduro e suas gentes, herdeiras do diabólico «chavismo», que teve o desplante de ganhar todas as consultas populares democráticas do último quarto de século – menos duas – venho dar-vos uma dica sobre um facto esquecido que explica a agressão em curso contra a Venezuela: sigam a pista do petróleo.

Esta via de análise é de tal maneira larga e determinante que parece impossível omiti-la. No entanto, é o que acontece, do mesmo modo que se ignora uma manada de elefantes banhando-se numa pequena praia em pleno domingo de Agosto. Só fechando os olhos ou não querendo ver.

Esconder a coincidência possível entre o permanente golpe contra as instituições democráticas na Venezuela e o facto de este país albergar as maiores reservas de petróleo mundiais, superando as da ditadura saudita, quase triplicando as da Rússia e valendo, por si só, as do Iraque e do Irão somadas, é um caso de censura.

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Que terroristas vai Trump matar para o Afeganistão? | Carlos Matos Gomes

Lemos, vemos, ouvimos, mas não pensamos. Que vale termos acesso à informação se a engolimos sem a mastigar? No Le Monde de 22 de Agosto saíram duas notícias a par. Numa, mais um pontapé de Donald Trump nas promessas da campanha eleitoral. Trump candidato tinha prometido retirar as tropas americanas do Afeganistão. Trump eleito, num discurso de 21 de Agosto engole as afirmações e lê o discurso preparado pelos generais e pelo o complexo militar-industrial. Um discurso articulado em dois blocos, um perceptível por um auditório médio: “Não se trata de um cheque em branco, nem de exportar a democracia” e outro para satisfazer os pistoleiros broncos do nível de Trump: “Trata-se de matar os terroristas!” A eles, sus!

Haverá quem acredite que os americanos andam a matar os terroristas no Afeganistão? O Le Monde parece que sim e os seus leitores também. Não existe nenhuma crítica à afirmação. No entanto, confiante que os consumidores comem tudo, o Le Monde coloca ao lado da banha de cobra de Trump a notícia de que os atentados da Catalunha foram realizados por cidadãos marroquinos, conduzidos ao crime por um também marroquino estabelecido com banca de atentados numa mesquita em Ripoll, uma localidade espanhola e que tinha passado várias temporadas na Bélgica a traficar droga. Um delinquente como tantos outros que cresceram entre nós e que foram por nós educados, como recordaram os avós de dois dos assassinos. Não há notícia destes terroristas de Barcelona terem passado pelo Afeganistão, por onde também não passaram os assassinos de Londres, da Alemanha, de Paris, de Nice, de Bruxelas…

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O Golpe de Estado de 21 de Agosto em Washington | Carlos Matos Gomes

O discurso de 21 de Agosto de Trump aos Estados Unidos, a propósito da política para o Afeganistão, foi o resultado visível de um golpe de estado em Washington. Os generais do Pentágono tomaram o poder. Trump é, a partir de ontem à noite, apenas o títere dos militares americanos. Numa manobra prévia, os generais correram, defenestraram, todos os cortesãos iniciais de Trump e apenas o deixaram a ele, à mesa da sala oval, a fazer de espantalho. No dia 21 à noite, impuseram-lhe um discurso de resignação sob a forma de “nova política para o Afeganistão”, onde o colocaram a desdizer tudo o que tinha dito e prometido quanto a política de intervenção militar na campanha eleitoral. Puseram-no a defender a política de Hilary Clinton, a sua candidata!

A 20 de janeiro deste ano de 2017, Donald Trump proclamou que daí em diante seria «America First », isto é, a América não se aventuraria mais no estrangeiro. Agora, como escreve o Washington Post, «teve de se vergar diante da realidade.» E a realidade é que quem manda são os generais. E o que os generais dizem é que o Afeganistão é um saloon numa região árida e sem lei. Por isso os americanos têm de lá estar para competirem com os outros pretendentes a donos do local. Um clássico dos westerns. O Afeganistão interessa à Rússia, é parte da sua fronteira sul, interessa à China, é parte da sua fronteira ocidental (mesmo que numa estreita língua), permite a ligação ao sub-continente indiano e ao Índico, faz fronteira com o Irão.

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O PROVEDOR | Francisco Seixas da Costa

Não vale a pena iludirmo-nos: a questão dos incêndios florestais é muito séria. Tanto pelos imensos danos materiais provocados como pelo descrédito induzido na imagem do Estado.

Por muito que alguns, na esfera política, possam não querer aceitar, é uma evidência que está criada, na sociedade portuguesa, a ideia de que a administração do Estado é hoje impotente para gerir, com aceitável eficácia, esta situação, limitando-se a reagir, perante os factos com que se vê confrontada, numa penosa e quase patética navegação à vista.

O executivo faz o que pode: tenta utilizar da melhor forma os meios ao seu dispor, mas já terá percebido que, a repetirem-se, no futuro, conjugações climatéricas negativas, o que não parece improvável, a tragédia vai reeditar-se. No meio de tudo isto, a fé na eficácia tempestiva das alterações legislativas acaba por ser uma atitude quase ridícula. Não que o “pacote florestal” não seja necessário, mas é mais do que óbvio que a sua completa implementação vai demorar um imenso tempo que o país não tem. E, até lá, é preciso agir com medidas urgentes e excecionais, a montante de uma nova crise, com as autarquias e com o governo central na primeira linha da prevenção, aproveitando o que a declaração de calamidade pública agora facilita.

A mais miserável dimensão desta história é a sua exploração político-partidária. Será que alguém, minimamente honesto, acredita que, se acaso a direita estivesse no poder, a Proteção Civil teria sido mais eficaz, o Siresp teria funcionado melhor, outro modelo de responsabilização funcional e pessoal teria levado a resultados diferentes?

Sejamos claros: PS ou PSD/CDS (PCP ou BE quase não contam aqui) são as duas faces da mesma moeda – onde se misturam o aparelhismo e o compadrio político, a instrumentalização partidária dos bombeiros, uma maior ou menor complacência face às negociatas em torno do material de combate aos incêndios. Ter a esquerda ou a direita no poder, nesta questão dos incêndios é, como dizem os franceses, “bonnet blanc/blanc bonnet”. É absolutamente indiferente. Toda a gente sabe isto, de António Costa a Passos Coelho, embora todos façam de conta que não.

Contudo, os incêndios deste ano não foram iguais aos outros. Na dimensão, nas tragédias, no trauma coletivo que provocaram. O Estado, e a confiança no Estado, não saem intocados disto. É aqui que, inevitavelmente, entra o papel do chefe desse Estado, pelo crédito afetivo que hoje o responsabiliza perante o país. No tradicional Inverno do nosso esquecimento que aí vem, compete-lhe ser o provedor do sentimento nacional de urgência e desespero e não permitir que a espuma dos dias seguintes abafe a necessidade de atuar. Já.

Francisco Seixas da Costa

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

16-08-2017 | Governo diz que há mão criminosa nos incêndios em Portugal | in Jornal de Notícias

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou na terça-feira que os fogos que começam à noite e em “lugares estratégicos e cirúrgicos” não podem ser de “mão bondosa”, apontando situações de “criação de incêndios”.

“Estou apenas a constatar o que está a acontecer: e não é às 22:30 que nasce um incêndio em Idanha e que podemos culpar o sol e nem são dois incêndios em Vila de Rei, [ocorridos hoje] depois de [o fogo] estar extinto e que aparecem em locais estratégicos e cirúrgicos, que são de mão bondosa”, afirmou.

O governante falava ao final da noite de terça-feira, no Fundão, concelhos onde desde domingo lavra um incêndio de grande dimensão, que tem dizimado Serra da Gardunha e que começou na madrugada desse dia no Louriçal do Campo, no concelho de Castelo Branco.

Um sítio onde, segundo o secretário de Estado, já se tinham registado, anteriormente, 20 tentativas de incêndios, todas apagadas com sucesso, até que “conseguiram o pretendiam”, referiu.

Sempre sem usar a palavra “incendiário”, Jorge Gomes também considerou estranho o fogo que começou esta noite em Idanha-a-Nova, exatamente quando reunia com os responsáveis do teatro de operações no Fundão, ou ainda os dois incêndios registados em Vila de Rei e que não configuram situações de reacendimento.

Questionado sobre se tais conclusões vão levar a tutela a preparar legislação mais dura para o crime de fogo posto, o governante referiu que importa sensibilizar e chamar a atenção dos cidadãos para os próprios comportamentos e também para aquilo que chamou de “mão menos boa”.

Por outro lado, referiu que os exemplos citados, todos no distrito de Castelo Branco, também demonstram que, “quando há vontade de que as coisas ardam”, por “muito bem organizados e instalados” que os sistemas de proteção estejam, “por vezes não conseguem ter capacidade de resposta”.

Confrontado com as queixas e apelos constantes do presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, relativos à falta de meios e necessidade de um “reforço musculado”, Jorge Gomes garantiu que a Proteção Civil está no terreno com a força máxima, mas também lembrou que “os recursos são finitos” e que, por isso, têm de ser geridos.

Enaltecendo o trabalho feito pelos operacionais, bem como pela autarquia local, apontou o comportamento deste fogo e as constantes mudanças de direção como uma das causas para a intensidade que atingiu.

Adiantou ainda que este incêndio tinha cerca de 600 operacionais envolvidos no combate, já provocou 12 feridos, todos ligeiros e oito dos quais bombeiros, mas salientou que nenhuma situação inspira cuidado.

Retirado do Facebook | Mural do Jornal de Notícias

http://www.jn.pt/nacional/interior/governo-diz-que-ha-mao-criminosa-nos-incendios-em-portugal-8708225.html

Trump and his friends cannot hear the dead who are crying to be heard. Can you? | Richard Zimler

418,000 American women and men died in World War II, most of them while fighting fascists, ultra-nationalists, Nazis and neo-Nazis. To speak of neo-Nazis and Nazis and KKK members marching in Charlottesville as having a valid and legitimate “philosophy” and value system – equal to those who oppose them – is an insult to all those dead American soldiers who fought to liberate France, Italy, Germany and the rest of the Europe. Yes, Trump has insulted 418,000 dead American soldiers and their families and friends, as well as everyone else, like me, who greatly respects and thanks the sacrifice they made. It is also an insult to every African-American and Jew. Tens of millions of Africans were tormented and tortured as slaves from the early 1600s up until the end of the Civil War, and then, after they were granted freedom, persecuted and hounded by White nationalists and even the police right up until the present day. Every American who died in World War II and every lynched African American and every Jew murdered in the Holocaust is telling us us that there is no place in America for neo-Nazis, Nazis, KKK segregationists and White Nationalists. Trump and his friends cannot hear the dead who are crying to be heard. Can you?

Retirado do Facebook | Mural de Richar Zimler

Umberto Eco | 14 lições para identificar o neofascismo e o fascismo eterno

Intelectual italiano, romancista e filósofo, autor de “O pêndulo de Foucault” e “O Nome da Rosa”, morreu em 19 de fevereiro, aos 84 anos; “O fascismo eterno ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis”, diz Eco.

Revista Samuel reproduz o texto de Umberto Eco “Ur-Fascismo”, produzido originalmente para uma conferência proferida na Universidade Columbia, em abril de 1995, numa celebração da liberação da Europa.

‘O Fascismo Eterno’

Em 1942, com a idade de dez anos, ganhei o prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos — o que vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?” Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto.

Depois, em 1943, descobri o significado da palavra “liberdade”. Contarei esta história no fim do meu discurso. Naquele momento, “liberdade” ainda não significava “liberação”.

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A PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO E A “DEMOCRACIA MODERNA” | José Goulão

Há muito que escutamos indiscutíveis lições a ensinar-nos o quão saudáveis são as privatizações para o nosso tecido económico, enquanto elas vão progredindo, tomando conta de tudo.

Todos os dias, em ambiente de acrescida e assustadora indiferença, somos testemunhas de fenómenos absurdos que gradualmente se vão inserindo, com anormal normalidade, num quotidiano cada vez mais em marcha – assim proclamam os tempos – que se acha moderno, inovador, de tal maneira prafrentex que até há quem goste de lhe chamar «progressista».

Isto por contraponto inquestionável ao «conservadorismo» de quem continua a defender que o ser humano deve ter direitos e não apenas deveres, uma vida decente e não uma servidão que alimente os números das estatísticas e os valores dos lucros ditados pelos sumos-sacerdotes do mercado.

É a «democracia moderna», sentenciam alguns que ganharam colunas de «referência» em observadores expressos e todos privados, embora alguns se digam públicos, correios, diários i jornais das notícias da manhã, da tarde ou da noite, todas iguais, mais ou menos polidas, por regra contaminadas pela verve do engano, pelo vírus da falsificação.

Nunca se explica muito bem o que é essa «democracia moderna», talvez porque faltem artes mágicas aos colunistas para convencerem leitores, ouvintes e espectadores de que é marchando em rebanho para a ditadura que se moderniza a democracia. Por isso navegam discorrendo com impagável sabedoria pelos pântanos daquilo a que chamam política, uma lama fedorenta e repugnante a que os cidadãos devem fugir cada um por si para tratarem do que é seu, entregando-se aos deuses ou à sorte, o que vem a dar no mesmo.

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Bilderberg | O Clube Secreto dos Poderosos | Cristina Martín Jiménez

“Parece o argumento de um filme mas trata-se de algo real: o clube Bilderberg, que se reúne há 61 anos, congrega as individualidades mais poderosas do mundo e aqueles que um dia serão altos dirigentes”, afirma a TVI numa reportagem sobre o livro O Clube Secreto dos Poderosos, da jornalista Cristina Martín Jiménez. Esta sevilhana explica que os membros do Bilderberg “têm o poder como ideologia” e implementam “planos secretos para governar o mundo inteiro, destruindo gradualmente as soberanias nacionais e tirando aos países a capacidade de decidir. Desde o 25 de Abril que os portugueses estão muito alheados do que realmente se passa e muito dependentes dos políticos, que promovem certas pessoas e outras não. A crise terá sido fabricada entre quatro paredes para dar mais poder a quem já o tem.”

“José Sócrates foi ao Bilderberg um mês antes de ser líder do PS e um ano depois ganha as eleições legislativas. Quando eles vêem que alguém se pode destacar chamam-no e, se passar no teste, terá todo o apoio de Bilderberg”, garante Cristina Jiménez, recordando que António Costa é também – tal como Sócrates – outro servo das elites políticas, tendo ingressado no Bilderberg em 2008.

O vídeo acima inclui a entrevista que a escritora deu à revista Sábado.

Sete razões para não votar Fernando Medina nas autárquicas de Lisboa (I) | André Freire in jornal Público

É preciso que o PS perca a maioria absoluta e tenha de negociar com forças com efetivo e conhecido peso político-eleitoral.

Há um principio básico em democracia, a prestação de contas. O caso do PS/Medina, em Lisboa, aponta em sentido oposto. Ao fim de 10 anos no poder, 2007-2017, estão a fazer todas e mais alguma obra(s) no final do terceiro mandato, como se tivessem chegado anteontem, e tornando a vida dos eleitores num inferno, e uma série de coisas que deveriam ter feito até aqui… prometem-nos agora para o futuro… precisarão de mais 10 anos? Claro que é improvável que percam as eleições em Lisboa, desde logo porque a comunicação social anda praticamente “com ele(s) ao colo”. Depois porque as forças partidárias à direita estão de cabeça perdida, e nem fazem oposição que se veja, nem apresentam alternativas sérias e construtivas. Mas seria desejável que recebessem pelo menos um bom castigo eleitoral que os levasse a perder a sobranceria da maioria absoluta atual, tendo de negociar um acordo político com outro(s) partido(s). Pela minha parte, passo a apresentar sete razões para isso.

1. Um eleitoralismo nunca visto e a vida dos lisboetas num inferno

A cidade de Lisboa está um inferno dadas as mil e uma obras praticamente iniciadas todas no último ano de mandato, ao fim de dez anos. Vejamos: têm sido as inúmeras obras no eixo central (Avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, Praça do Saldanha e Picoas); há o programa “pavimentar Lisboa”, que pretende recuperar os pavimentos para peões e automóveis em 150 ruas; tem sido o programa “uma praça em cada bairro” que obrigará a 31 intervenções em múltiplas zonas; etc., etc. Mostrar trabalho feito em anos de eleições é algo positivo em democracia, algum eleitoralismo é até quiçá positivo, sempre existiu e existirá, mas este nível desmesurado de eleitoralismo, que tem tornado a vida dos lisboetas e seus visitantes muitíssimo desagradável, nunca se tinha presenciado, e é claramente pernicioso. Para um partido que está há dez anos no poder fazer tantas obras no décimo ano de mandato, várias questões se colocam. Será mau planeamento? Será má gestão? Estarão a extravasar o mandato político de 2013? Qualquer resposta positiva é um problema, teme-se que sejam todas.

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El retroceso «nacional-estalinista» | Pablo Stefanoni in jornal Nueva Sociedad

El nacional-estalinismo es una especie de populismo de minorías que gobierna como si estuviera resistiendo en la oposición.

Tras un viaje en 1920 a la Rusia revolucionaria, junto con un grupo de sindicalistas laboristas, el pensador británico Bertrand Russell escribió un pequeño libro –Teoría y práctica del bolchevismo– en el que plasmaba sus impresiones sobre la reciente revolución bolchevique. Allí planteó con simpleza y visión anticipatoria algunos problemas de la acumulación del poder y los riesgos de construir una nueva religión de Estado. En un texto fuertemente empático hacia la tarea titánica que llevaban a cabo los bolcheviques, sostuvo que el precio de sus métodos era muy alto y que, incluso pagando ese precio, el resultado era incierto. En este sencillo razonamiento residen muchas de las dificultades del socialismo soviético y su devenir posterior durante el siglo XX.

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Em defesa da Venezuela | Boaventura Sousa Santos in Jornal “Público”

Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela.

A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.” De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.

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MOVIMENTO DOS CAPITÃES – O QUE É NECESSÁRIO PARA UM MOVIMENTO MILITAR TRIUNFAR? | Aniceto Afonso

Nos dias 27 de fevereiro a 1 de março de 2014, o Instituto de História Contemporânea organizou uma conferência internacional chamada “Resistir à Guerra no séc. XX”/”Resisting war in the 20th century”, para a qual me convidou a proferir uma conferência.

Escolhi falar sobre o Movimento dos Capitães e aquilo que ele representou de resistência à Guerra Colonial e de esperança para a sociedade portuguesa. A sessão decorreu na Torre do Tombo e o meu título foi este: “Do Movimento dos Capitães ao MFA – Uma Forma de Resistir à Guerra”.

Pareceu-me agora uma boa altura para divulgar este texto, num tempo em que aparecem uns pretensos arautos de uma intervenção dos militares na política, sem bem saberem o que isso representa e como as sociedades se exprimem e se reconhecem. Prefiro por isso outro título.

O Movimento dos Capitães constitui-se a partir de meados de 1973, com o fim último de levar a efeito uma intervenção política, que viria a ocorrer a 25 de Abril de 1974 através de um golpe de Estado, a que se seguiu um processo revolucionário.
Ora, uma intervenção política dos militares necessita de condições envolventes para poder ter êxito.

Em primeiro lugar, é necessário uma disposição interna suficientemente densa que garanta uma capacidade militar razoável. E como uma intervenção dos militares na política equaciona sempre o uso da violência, os militares que se movimentam devem ter a convicção dessa disposição do corpo militar, ou pelo menos de uma sua parte significativa. Eles sabem que, como detentores legítimos dos meios de violência, são o único corpo com capacidade para gerar uma acção de força para atingir fins políticos.

Ou seja, aqueles que preparam uma intervenção militar na política tendem a acreditar que têm boas hipóteses de vencer.

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Georges Corm | Le monde arabe est dans un chaos mental absolu | In jornal “el watan”

Dans la meilleure tradition de l’intellectuel total, Georges Corm questionne nos présupposés et nos postulats, souvent erronés ou dépassés pour saisir un monde en perpétuel changement.

De notre correspondante particulière du Liban.

Le chaos, fruit de la guerre et des multiples conflits, se reflète aussi dans la conscience des hommes, une fausse conscience qui alimente le désastre issu de la domination occidentale. Sans concession et avec rigueur, Georges Corm n’accuse pas seulement le camp occidental, mais dénonce l’appauvrissement culturel et intellectuel dans le monde arabe qui a conduit au triomphe de l’idéologie wahhabite imposant son monolithisme dans les esprits de la nouvelle génération.

« Là où croit le péril croit aussi ce qui sauve», peut illustrer la pensée stimulante et quelque part optimiste de l’historien et intellectuel libanais, qui invite à penser les conditions d’une nouvelle renaissance du monde arabe. Dans cet entretien pour El Watan, l’ancien ministre des Finances de la République Libanaise revient sur son dernier ouvrage « la Nouvelle question d’Orient » dans lequel il prolonge la réflexion de ses précédents écrits et démontre le danger de la thèse essentialiste de Samuel Huntington sur le choc des civilisations érigée aujourd’hui en dogme de la géopolitique mondiale.

Dans l’introduction de votre ouvrage, vous abordez en même temps la notion de «chaos mental», qui brouille la perception de la réalité de nos sociétés et la compréhension des dynamiques conflictuelles à l’œuvre, et l’idée d’une remise en ordre épistémologique. Pouvez-vous revenir sur les préalables nécessaires à la déconstruction du discours simplificateur et des thèses essentialistes souvent mobilisées dans l’analyse des sociétés arabes ?

Je pense qu’il y a eu une dérive extrêmement grave dans les perceptions du Moyen-Orient, du monde arabe et du monde musulman. Ces dérives ont donné à voir ces régions du monde comme étant celles du nouveau danger géopolitique, existentiel et civilisationnel, tel que l’a forgé et formulé l’ouvrage de Samuel Huntington sur le choc des civilisations. Il s’agit en fait d’un manifeste qui sert à donner de la légitimité aux guerres illégitimes que mènent l’empire américain et ses alliés européens.

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