UCRÂNIA | Emb. Seixas da Costa, in Observador, 15 de Junho de 2022

«A Ucrânia está ainda muito longe de poder vir a ser um membro da UE e, mais do que isso, não é ainda claro que tenha condições para o poder vir a ser um dia. É impopular dizer isto? Talvez, mas eu digo.» – Emb. Seixas da Costa, in Observador, 15 de Junho de 2022.

Há uns tempos, no início deste conflito, chamámos a atenção para a pobreza e atraso extremos da Ucrânia – o país mais pobre da Europa – e para o facto de os indicadores económicos e de desenvolvimento social do país só encontrarem termo de comparação em países africanos. O estranho, ou nem tanto, é que na Ucrânia – outrora o centro da indústria aeroespacial, das tecnologias de computação, da investigação médica de ponta, da indústria de construção naval e metalurgia da era soviética – o tempo tenha parado em 1991 e que aquele país imenso que foi até 1980 a 5ª economia europeia em termos brutos, estar hoje 40 anos atrasado em relação à Europa ocidental. Desde a independência, o país perdeu 6 milhões de habitantes para a emigração, metade dos quais procuraram refúgio na Rússia.

Para lá das três dezenas de capítulos e das 88.000 páginas de cerradas exigências para o cumprimento das condições, o país é o inferno do trabalho infantil, da indústria da pedofilia, das barrigas de aluguer, do tráfico de carne branca, da desistência escolar e das 200.000 crianças deficientes reduzidas a esconsos pútridos ali chamados orfanatos; o Estado mais negligente da Europa, o mais pobre e violento apontado até 2020 por todos os relatórios da UNICEF, da Human Rights Watch, da Organização Internacional do Trabalho e outros centos de agências internacionais e ONG’s.

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DIZ MNE DA HUNGRIA | “SANÇÕES SÃO ALTAMENTE PREJUDICIAIS À EUROPA”

Nações Unidas, 24 de setembro. /TASS/. As medidas restritivas em larga escala impostas pela União Europeia contra a Rússia por causa da situação em torno da Ucrânia são altamente prejudiciais para a Europa e os europeus, disse o ministro húngaro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, em entrevista à TASS à margem da Assembleia Geral da ONU.

“Se você olhar para a política de sanções da União Europeia, não de forma ideológica, não política, mas profissional, então é óbvio que essa política tem resultados extremamente dolorosos para a Europa, extremamente dolorosos, meu Deus! O aumento dos preços dos bens alimentares é um inferno. Portanto, esta política de sanções é sem qualquer dúvida extremamente prejudicial para a Europa e para o povo europeu”, afirmou.

BLOGUE DE JOSÉ MILHAZES | Potências Ocidentais Apoiam Golpe Neonazi na Ucrânia

13/Fevereiro/2014 | Texto traduzido e enviado pelo leitor Fernando Negro | in https://darussia.blogspot.com | “Estudo feito por uma Equipa de Pesquisa da EIR “Executive Intelligence Review”

2 de Fevereiro – Nações ocidentais, lideradas pela União Europeia e pela Administração Obama, estão a apoiar um golpe abertamente neonazi com vista a uma mudança de regime na Ucrânia.

Se o esforço for bem sucedido, as consequências irão estender-se muito para além das fronteiras da Ucrânia e dos seus estados vizinhos. Para a Rússia, tal golpe constituiria um casus belli, vindo como vem no contexto da expansão da defesa antimíssil da OTAN para a Europa Central e da evolução de uma doutrina EUA-OTAN de “Ataque Global Rápido”, que presume que os Estados Unidos podem lançar um primeiro ataque preventivo contra a Rússia e a China e sobreviver à retaliação.

Os acontecimentos na Ucrânia constituem um potencial espoletar de uma guerra global que poderá rápida e facilmente escalar para uma guerra termonuclear de extinção. Na Conferência de Segurança de Munique deste fim-de-semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Sergei Lavrov teve uma acalorada troca de palavras pública com o Secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen, na qual o último acusou a Rússia de “retórica belicosa” e Lavrov respondeu citando o programa de defesa antimíssil europeu como uma tentativa de assegurar uma capacidade de primeiro ataque nuclear contra a Rússia.

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TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares

“A NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!” | Out 06, 2008

Observadores da política internacional reconhecem que o mundo está inquietante. O Afeganistão, em que a administração Bush envolveu a NATO – o que considerei um «precedente perigoso» –, está porventura pior do que antes. As forças armadas eram, então, compostas por americanos e ingleses. Hoje, a participação alargou-se, incluindo até um contingente português. No entanto, a situação militar, expulsos os talibans, não é melhor: os talibans comandam uma guerrilha terrível; a Al Qaeda – e Bin Laden – não só sobreviveu como está mais forte, algures no seu santuário.

O Paquistão, depois da renúncia do Presidente Musharraf, está em risco de mergulhar no caos. E o pior é que dispõe, esse sim, da bomba atómica…

Para o Ocidente, a situação no Afeganistão é mais grave do que a no Iraque. Apesar de o Iraque estar praticamente destruído, dividido, a braços com uma guerrilha infindável, entre sunitas, xiitas e curdos, fustigado pelo terrorismo da Al Qaeda ou associados e tenha deixado de ser, por longos anos – o que é péssimo – um Estado laico e tampão relativamente ao Irão.

No Iraque estão hoje quase só militares americanos e mercenários, numa situação que lembra o Vietname. Mais tarde ou mais cedo, serão obrigados a retirar as suas tropas. Enquanto o desastre do Afeganistão/Paquistão está a corroer e a desacreditar a NATO – o que do meu ponto de vista não tem grande importância, visto que hoje é uma organização que não faz sentido – e afectará gravemente os europeus, se os seus dirigentes não tiverem a coragem e a lucidez de retirarem de lá as suas tropas, quanto antes…

A NATO, QUE SE TORNOU um verdadeiro braço armado dos Estados Unidos, está a fazer também estragos noutras regiões do mundo. Refiro-me ao Cáucaso, às zonas do Cáspio e do mar Negro e aos países limítrofes da Rússia Ocidental.

Estes quiseram logo entrar para a NATO, com a ilusão de que teriam mais garantias de segurança, sob o chapéu americano, do que na União Europeia… E a NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de mísseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia, que a pode tornar agressiva. Um perigo!

O vice-presidente Dick Cheney, em fim do mandato, fez uma recente visita, altamente desestabilizadora, para dar, em nome da NATO, apoio à Geórgia. Mas, felizmente, ficou tudo em retórica inconsequente. Após a provocação do Presidente da Geórgia – e da guerra –, os russos reagiram e os europeus procuraram pacificar a situação. Ainda bem. Se a guerra não acabasse, os europeus seriam os primeiros a ser atingidos, com o corte do petróleo e do gás; e pior: entrariam numa fase com grandes riscos para a paz na Região. Putine não é Hitler e não ressuscitemos a «guerra fria»…

CHENEY FOI À UCRÂNIA, onde tentou também dividir os dirigentes políticos, estimulando a primeira-ministra, Iúlia Timoshenko, anti-russa, contra o Presidente, Victor Yushchenko, mais apaziguador.

Tudo em nome da NATO. Isto é: a NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!

Moratinos, o ministro espanhol dos Estrangeiros, bem advertiu, numa entrevista ao El País: «A Rússia actual não é a soviética, mas também não é a de Ieltsin. Devemos evitar que nos imponha uma agenda do tempo da guerra fria.» E eu acrescento: não ameaçar a Rússia, negociar, com firmeza, com ela.

Enquanto isto, a ONU esteve estranhamente ausente e silenciosa. Que diferença entre este secretário-geral, Ban Ki-moon, um homem, até agora, apagado e quase invisível, mais burocrata do que político, e o seu antecessor, o saudoso, prudente e corajoso Kofi Annan… A ONU vai ter de se reestruturar e democratizar, após as eleições americanas, para desempenhar o seu tão decisivo papel na construção de uma nova ordem internacional e da paz, neste nosso novo século tão conturbado.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

VER ( PÁGINA SEGUINTE), CRÓNICA DE JOÃO GOMES COLOCADO EM COMENTÁRIO NESTE TEXTO DO FACEBOOK

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Um raro exemplo de cooperação entre EUA e Rússia | in SIC Notícias

[ Adenda pessoal ao título ; provavelmente não haverá guerra nuclear – Joe Biden/CIA/FBI/CMI são uns “brincalhões/cínicos” – está visto – provocam esta guerra sem sentido usando os ucranianos como bolas de ping-pong/carne para canhão e, depois, organizam passeios ao espaço com a “inimiga” Rússia! | uma peça de humor negro e maquiavélica (vcs) ]

Numa altura em que as relações entre Washington e Moscovo estão tremidas devido à guerra na Ucrânia.

Um foguetão Soyouz descolou esta quarta-feira rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, com um norte-americano e dois russos a bordo, em plena tensão ligada à ofensiva na Ucrânia.

A estabilidade é boa (…), a equipa sente-se bem“, declarou um comentador da NASA após a descolagem, transmitida em direto simultaneamente nos sites das agências espaciais norte-americana e russa.

O foguetão russo descolou à hora prevista (12:54, hora de Portugal), das estepes do Cazaquistão. A missão do americano Frank Rubio, da NASA, e dos russos Sergueï Prokopiev e Dmitri Peteline, da agência espacial russa Roscosmos, é um raro exemplo de cooperação entre Moscovo e Washington, quando as suas relações estão ao nível mais baixo devido à guerra na Ucrânia.

Frank Rubio é o primeiro astronauta norte-americano a deslocar-se à Estação Espacial Internacional num foguetão russo desde o início da intervenção militar russa na Ucrânia. Também é o seu primeiro voo, e de Dmitri Peteline também, já para Sergueï Prokopiev será o segundo.

A equipa deverá passar seis meses a bordo da ISS, onde encontrará os cosmonautas russos Oleg Artemiev, Denis Matveïev e Sergueï Korsakov, os astronautas norte-americanos Bob Hines, Kjell Lindgren e Jessica Watkins, e a astronauta italiana Samantha Cristoforetti.

A chegada ao segmento russo do ISS está prevista após um voo de três horas do Soyouz. | 21-09-2022

A guerra dos EUA contra a Rússia usou a Ucrânia numa guerra por procuração que Zelensky aceitou anos antes da invasão russa. | António Abreu

Com as agressões que Zelenski agravou contra os povos do Donbass, estes viriam a pedir uma intervenção russa que lhes garantisse a sua segurança.

Com a importação de grandes arsenais de “países amigos” Zelenski anunciou que se destinavam a conter as ameaças russas.

Zelenski viabilizou a morte até agora de muitas dezenas de milhares ucranianos e russos, e permitiu que os EUA – uma vez mais! – não vissem soldados seus tombar (excetuam-se os oficiais de espionagem que, em bunkers de diversos centros de comando morreram como pessoal de inteligência de outros países, devido a bombardeamentos russos).

Hoje, no terreno, quem dirige os combates ucranianos são os oficiais de informações norte-americanos.

Porque tem este dedo sido apontado tantas vezes aos EUA?

Usamos o Blog de Washington, de 20 de fevereiro de 2015 para ilustrar a resposta.

Desde que os Estados Unidos foram fundados em 1776, ela esteve em guerra durante 214 dos seus 235 anos de existência. Em outras palavras, houve apenas 21 anos civis em que os EUA não travaram nenhuma guerra.

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“Russos esgotam bilhetes de avião para fugir do país, após discurso de Putin” | GRANDE DN! | por Carlos Fino

“Russos esgotam bilhetes de avião para fugir do país, após discurso de Putin” – Titula num dos seus artigos o centenário DN de hoje. Oh, DN, como te compreendo – a idade não perdoa…

Da Rússia, segundo os nossos queridos media, há sempre que esperar o pior: ou um poder militar ameaçador que pode destruir a civilização ocidental e o mundo inteiro, ou uma incompetência monumental (o outro lado da mesma moeda) ou, neste caso, uma instabilidade social assustadora, capaz de gerar milhões em fuga. Esta reação dos russos a sair em massa do país foi mais rápida que aquele internauta anónimo que antes ainda de receber o post que você vai enviar já colocou a reação dele no FB…

De fazer inveja ao Billy the Kid! (CF)

NOTA do Coordenador: gargalhei imenso !!! [vcs]

Carlos Branco/Major-General, Carlos Fino, Carlos Matos Gomes e Rodrigo de Sousa e Castro

Tributo simples a quatro portugueses notáveis. Caro leitor, se pretender seguir com a objectividade necessária a Intervenção Militar Especial na Ucrânia, leiam os quatro atentamente. Sem desprimor para outros militares, jornalistas e demais interessados no tema, e que também tanto se esforçam para entender e claramente explicar.

Olhar e compreender AS CAUSAS, não olhemos “apenas e só” para as consequências.

Que a paz e a concórdia voltem em breve. Europa do Atlântico aos Urais. Como dizia o General De GAULLE.

Effondrement de la Russie/ Poutine défie les Occidentaux : « ils n’y arriveront jamais » | VALERY BERNABE | in AfrikMag

Le président Poutine a rassuré le peuple russe sur l’impossibilité pour l’Occident de briser à nouveau l’unité et la puissance de leur pays.

Poutine ne le sait que trop. L’Occident rêve de rééditer l’exploit de 1991 qui a conduit au démantèlement de l’empire soviétique. Une question géopolitique qui fut une catastrophe majeure selon Vladimir Poutine. Au pouvoir depuis 23 ans, Poutine s’emploie à faire revenir la Russie au premier plan. Elle est aujourd’hui au centre de toutes les actualités.

Les Etats-Unis et l’Europe n’ont pas renoncé à leurs ambitions. « L’Occident a toujours rêvé d’un effondrement de Russie, ils n’y arriveront jamais. Récemment, l’armée russe a porté quelques coups douloureux. Disons que ce n’était qu’un avertissement. Si la situation continue d’évoluer, notre réponse sera bien plus sérieuse », a prévenu Vladimir Poutine.

Vladimir Poutine a fait cette mise au point lors du sommet des pays asiatiques qui font bloc contre l’hégémonie des Etats-Unis et l’Europe. Une rencontre au sommet où Vladimir Poutine a renforcé ses liens avec ses voisins turc et chinois. Son allié biélorusse était aussi présent lors de cette rencontre des non-alignés.

L’article Effondrement de la Russie/ Poutine défie les Occidentaux : « ils n’y arriveront jamais » est apparu en premier sur AfrikMag.

DOS LIMITES POLÍTICOS DA GUERRA | Viriato Soromenho Marques | in Opinião/DN

Os peritos militares que durante a guerra-fria aconselharam os governos, olhariam para o que está a suceder com a atual guerra na Ucrânia com incredulidade. A razão por que nunca os EUA e a URSS, mais a multidão dos Estados seus dependentes, chegaram a um conflito direto foi a convicção, partilhada em Moscovo e Washington, de que uma guerra central dificilmente poderia ser controlada.

A escalada, isto é, a subida de intensidade no conflito acabaria por conduzir ao colapso infernal de uma destruição mútua assegurada com o uso generalizado de armas atómicas.

Uma forma de homenagear a memória de Gorbachev será a de recordar que um dos seus méritos foi o de ter recusado a perigosa ilusão de que seria possível travar uma guerra nuclear limitada à Europa central (afetando “apenas” a RFA, a RDA, a Checoslováquia e a Polónia).

Na verdade, até ao quebrar do gelo entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia pelas iniciativas de paz de Gorbachev, estavam vigentes, tanto a Ocidente como a Leste, doutrinas militares ofensivas que previam o eventual uso de armas nucleares táticas no próprio campo de batalha.

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Pátria ou Morte! O histórico discurso de Che Guevara na ONU em 1964 | In Jornalistas Livres

Senhor Presidente, distintos delegados:

A representação cubana perante esta Assembleia tem o prazer de cumprir, em primeiro lugar, com o agradável dever de saudar a incorporação de três novas nações ao importante número daqueles que aqui discutem os problemas mundiais. Saudamos, portanto, nas pessoas do seu Presidente e Primeiros Ministros, os povos da Zâmbia, Malawi e Malta e esperamos que estes países se incorporem desde o primeiro momento no grupo das nações não-alinhadas que lutam contra o imperialismo, o colonialismo e o neocolonialismo (…)

Em alguns casos, é a cegueira causada pelo ódio das classes dominantes de países latino-americanos contra nossa Revolução; em outros, mais tristes ainda, é o produto dos deslumbramentos com o brilho de Mammon².


(² Termo bíblico usado para descrever riqueza material, ganância, cobiça, ou literalmente, dinheiro.)


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A GUERRA NATO-RÚSSIA | CONTEXTO ACTUAL | Editorial in Foicebook, 16/09/2022 via Estátua de Sal

Conforme dissemos anteriormente, a ofensiva Nato/Ucrânia, parou, tentativas de retomar têm sido anuladas. O próprio Stoltenberg o reconhece: “o contra ataque da Ucrânia foi muito eficaz, mas isto não é o fim da guerra, temos de estar preparados para um longo caminho.”

Desde o fim de fevereiro um total de mais de 47 mil toneladas de material foram entregues para a Ucrânia. O exército ucraniano é na realidade um exército Nato composto por ucranianos, mercenários e “conselheiros” Nato. A organização e os equipamentos são Nato, que tem proporcionado milhares de milhões de dólares em equipamento e treino. Dezenas de milhares de efetivos foram e estão a ser treinados pela Nato.

Neste contexto, a guerra prosseguirá até a Ucrânia esgotar a sua vontade de lutar e morrer, a Nato esgotar a sua capacidade de continuar a fornecer material e dinheiro ou a Rússia esgotar a sua disposição de combater um conflito inconclusivo na Ucrânia. O resultado são mais forças ucranianas e russas mortas, mais civis mortos e mais equipamentos destruídos.

As baixas que a Ucrânia sofreu e sofre são insustentáveis. A Ucrânia está a esgotar as suas reservas estratégicas, e eles terão que ser reconstituídos se a Ucrânia tiver alguma aspiração de continuar a guerra. A Rússia, por sua vez, perdeu nada mais do que um espaço indefensável. As baixas russas foram mínimas e as perdas de equipamentos foram prontamente substituídas.

De acordo com um documento assinado pelo Comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Zaluzhny, até o início de julho de 2022, 76 640 soldados ucranianos tinam sido mortos (dez semanas depois, devem ser quase 100 000). Com os feridos graves geralmente numa proporção de 1 para 1, isso significa que até 200 000 tropas de Kiev podem ter sido postos fora de ação permanentemente. E isso não inclui desertores, capturados e desaparecidos em ação, o que poderia fazer outros 50 000.

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A GUERRA (2) – A União Europeia enredada em nacionalismos | Carlos Esperança

Poucas notícias são tão alarmantes como os exercícios militares conjuntos da China e da Rússia, duas potências rivais que a Nato uniu contra a Europa e os EUA, ainda que não coincidam sobre a invasão da Ucrânia.

A UE, ansiosa por alargar a sua influência a leste, na convicção de que seria herdeira do colapso soviético, não mediu as consequências da hipoteca ao espaço anglo-americano, e preferiu promover a expansão da Nato à sua coesão. Em vez de se tornar uma potência não hostil, garantindo a independência face aos EUA, tornou-se seu satélite, enquanto a aliança anglo-americana se reforçou. A Europa entrou na guerra, sem estratégia própria, sem prever os custos financeiros, sem gás, sem cereais e sem alternativas.

O Reino Unido, cujo império é uma fachada mantida no fausto da monarquia, corroeu a coesão europeia e estimulou a UE, depois de a ter traído, a seguir a NATO. A belicosa sr.ª Ursula Von der Leyen, sem o carácter e coragem de Jacques Delors, reduz à míngua os europeus, e alinhou a política externa pela da Nato, pseudónimo militar dos EUA.

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Assim o quiseste, assim o tiveste | o preço da energia | por Carlos Matos Gomes

Os agentes de comunicação de massas impuseram uma verdade. Essa verdade tem consequências que começam a doer. Agora, os mesmos que apoiavam as sanções e os embargos perguntam aos políticos o que vão fazer. É hipocrisia em estado puro. Os assim designados jornalistas são cúmplices da situação que estamos e vamos viver.


Os jornalistas têm responsabilidades sociais. Não podem atirar a pedra e esconder a mão.

Digámos. Assim começava um dos televangelistas contratados para formatar a opinião pública para das intenções expansionistas da Rússia as suas prédicas diárias. Era necessário formar uma opinião que aderisse à narrativa de que a Ucrânia era pacífica e democrática, um Estado exemplar que, de um momento para o outro, e sem qualquer motivo, se vê invadido pelo ameaçador vizinho.

Houve alguns, poucos, que se atreveram a desmascarar esta história de cobertura de intenções. Os grandes meios de manipulação adotaram com fervor militante a tese da iníqua e criminosa invasão, que contrariava os princípios do Direito Internacional e até a doutrina da guerra justa de Santo Agostinho.

Sabe-se hoje pela voz da administração americana e do governo do Reino Unido que americanos e ingleses, com a cobertura da NATO (essa virtuosa aliança defensiva) andavam a treinar o exército ucraniano desde 2004, com maior intensidade a partir de 2014, que lhe haviam fornecido material moderno e apoio de informações (intelligence), incluindo via satélite. Um exército especialmente criado para o efeito foi instalado na zona russófila do Leste da Ucrânia, causando cerca de 14 mil mortos. O novo governo pró-americano da Ucrânia, que tinha como figura de boca de cena Zelenski, foi incentivado a provocar a Rússia com um pedido de adesão à NATO. O que tinha ficado acordado que não aconteceria e que colocaria Moscovo a 10 minutos de voo dos novos misseis táticos. Isto é, a capital da Rússia ficava dentro do teatro de combate e sem possibilidades de defesa!

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Tita Alvarez | BEM-VINDOS AO CIRCO EUROPEU!

Alemanha, França, Itália, Espanha e até a Suíça preparam-se para apagões programados. Mais tarde ou mais cedo teria de acontecer: a falta de luz nas cabecinhas das lideranças teria de extravasar para o exterior.

Entretanto, esses mesmo e outros países Europeus, falam de aumentarem despesas militares. Há muito que andam armados em parvos e portanto não me espanta que pensem que tudo será possível ao mesmo tempo: cair na produção industrial e agrícola, enquanto se cresce na produção de armas.

Enviar mais armas para a Ucrânia e ter mais armas em casa. Combater os russos e reprimir internamente as populações descontentes. Reforçar a coesão da União Europeia, enquanto se ameaçam as vozes discordantes dessa fingida União.

Tantas contradições obviamente produzirão choques e ruturas mas parece haver uma certeza no caminho de degradação, confirmada de resto pela contínua degradação das lideranças.

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O Estado da União | O Estado de Direito Já é uma questão ideológica! | por Carlos Matos Gomes

O facto de estar de pensionato, mas não por motivos de saúde ou de justiça, em quarto com televisão, permitiu-me assistir ao discurso da querida líder da União Europeia, Ursula Von der Leyen sobre o estado da União, no magnífico auditório do Parlamento Europeu, muito composto de público.

A senhora Von der Leyen vestia um espampanante conjunto de saia e casaco com as cores gloriosas do azul da União e as Estrelas amarelas dos estados europeus.

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João Gomes | Comentário ao texto anterior “TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares”

Boa tarde a Carlos Fino e participantes ! Um certo “cansaço” instala-se para continuar a comentar sobre esta matéria. Será a próxima evolução do conflito da Ucrânia que “ditará” que caminho o Mundo está a seguir pois, enquanto “discutimos” a questão da “operação especial”, outros embriões conflituosos se colocam em áreas próximas, como o caso da Sérvia/Kosovo e o agora da Arménia.

Bem dizia Mário Soares, astuto dirigente europeu que, para lá dos seus “defeitos” de um “socialismo” demasiado metido na gaveta, conhecia os meandros de certas politicas internacionais, nomeadamente as americanas.

Para os russos, a questão sobre se a OTAN é ofensiva ou defensiva não será o ponto. Para entender o ponto de vista de Putin, temos de considerar duas coisas que geralmente são negligenciadas pelos comentaristas ocidentais: o alargamento da OTAN em direção ao Oriente e o abandono incremental do quadro normativo da segurança internacional pelos EUA.

Na verdade, enquanto os EUA não lançavam mísseis nas proximidades de suas fronteiras, a Rússia não se preocupava tanto com a extensão da OTAN. A própria Rússia considerou-se candidatar à adesão, o que só não ocorreu pelo “medo” americano de abrir mão dos “segredos” da organização.

Os problemas que declararam-se em 2001, quando Bush decidiu retirar-se unilateralmente do Tratado ABM e implantar mísseis antibalísticos (ABM) na Europa Oriental. O Tratado ABM destinava-se a limitar o uso de mísseis defensivos, com a justificativa de manter o efeito dissuasivo de uma destruição mútua, permitindo a proteção de órgãos decisórios por um escudo balístico (a fim de preservar uma capacidade de negociação). Assim, limitou a implantação de mísseis antibalísticos a certas zonas específicas (notadamente em torno de Washington DC e Moscovo) e proibiu-o fora dos territórios nacionais.

Desde então, os Estados Unidos têm-se progressivamente retirado de todos os acordos de controle de armas estabelecidos durante a Guerra Fria: o Tratado ABM (2002), o Tratado de Céu Aberto (2018) e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) (2019). Em 2019, Donald Trump justificou a sua retirada do Tratado INF por supostas violações do lado russo. Mas, como observa o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), os americanos nunca forneceram provas dessas violações. Na verdade, os EUA estavam simplesmente tentando sair do acordo a fim de instalar os seus sistemas de mísseis AEGIS na Polónia e Roménia. De acordo os EUA, esses sistemas são oficialmente destinados a interceptar mísseis balísticos iranianos. Mas há dois problemas que claramente colocam em dúvida a boa fé dos americanos:

. A primeira é que não há indicação de que os iranianos estejam a desenvolver tais mísseis, como Michael Ellemann da Lockheed-Martin declarou perante um comitê do Senado americano.

. A segunda é que esses sistemas usam lançadores Mk41, que podem ser usados para lançar mísseis antibalísticos ou mísseis nucleares. O sítio radzikowo, na Polónia, fica a 800 km da fronteira com a Rússia e a 1.300 km de Moscovo.

As administrações Bush e Trump disseram que os sistemas implantados na Europa eram puramente defensivos. No entanto, mesmo que teoricamente verdadeiro, é tecnicamente e estrategicamente falso. Pois a dúvida, que lhes permitiu a instalação, é a mesma dúvida que os russos poderiam legitimamente ter em caso de conflito. Esta presença nas proximidades do território nacional da Rússia pode de fato levar a um conflito nuclear. Em caso de conflito, não seria possível saber precisamente a natureza dos mísseis carregados nos sistemas – deveriam os russos esperar por explosões antes de reagir ? Na verdade, sabemos a resposta: sem tempo de aviso antecipado, os russos praticamente não teriam tempo para determinar a natureza de um míssil disparado e, portanto, seriam forçados a responder preventivamente com um ataque nuclear.

Vladimir Putin não só vê isso como um risco para a segurança da Rússia, mas também observa que os Estados Unidos estão cada vez mais desrespeitando o direito internacional para prosseguir uma política unilateral. É por isso que Vladimir Putin diz que os países europeus podem ser arrastados para um conflito nuclear sem querer. Este foi o conteúdo de seu discurso em Munique em 2007, e ele veio com o mesmo argumento no início de 2022, quando Emmanuel Macron foi a Moscovo em fevereiro.

Mário Soares não falava de “borla”. Ele sabia que, no fundo, o processo de expansão da hegemonia dos EUA em relação à Europa se destinava a pressionar a Rússia e a obrigá-la a ceder ou encontrar as respostas que defendessem o seu ponto de vista estratégico. Ora, Putin optou pela segunda delas e, quem estiver atento à “história” dos desenvolvimento bélicos americanos, só pode estar de acordo com essa posição.

João Gomes in Facebook 15/09/2022 | João Gomes

A GUERRA | “O medo está a encostar os europeus à extrema-direita” | Carlos Esperança

É preciso ser demasiado ingénuo ou excessivamente cínico para imaginar que o nível de vida dos europeus se manterá durante e depois da guerra que a Rússia trava com a Nato, na Ucrânia, agora com apoio explícito da UE e dificuldades crescentes da Rússia.

Só o delírio de quem duvida das alterações climáticas e ignora as catástrofes que, ano após ano, aumentam a frequência, duração e intensidade, pode levar a acreditar que as economias europeias vão resistir aos aumentos brutais da energia e de bens essenciais de cuja importação dependem.

A exaltação de quem pensou ter encontrado uma causa nobre, por que valia a pena lutar, impediu de prever que as sanções europeias à Rússia e as contrassanções desta à Europa destruiriam as economias de ambas e levariam o caos e o desespero aos seus países, e o colossal sacrifício de vidas aos ucranianos e russos. A inflação galopante, a subida dos juros e a escassez de bens essenciais são o ónus que, independentemente da bondade ou leveza das decisões tomadas, todos pagaremos, com especial sofrimento dos países e das pessoas mais pobres.

Surpreende que os que mais demonizaram a Rússia não tenham ponderado a loucura de quem é capaz de recorrer à chantagem nuclear e, quiçá, à utilização desesperada do seu último recurso. Há quem prefira a guerra à paz, com o risco nuclear a agravar-se. Não se pode ver a supremacia ucraniana na vontade de combater como uma vitória, pois o risco de um ato desesperado da Rússia agrava o perigo para a Humanidade.

Há quem acredite que a Rússia bombardeia as suas próprias tropas na central nuclear de Zaporizhzhia. A censura e a propaganda são armas poderosas de que não prescindem as partes em conflito, seja qual for a guerra, quaisquer que sejam os beligerantes.

Perigoso é ignorar esta verdade, tautologicamente demonstrada ao longo dos tempos e, hoje, com meios nunca antes disponíveis. Perante a incúria coletiva para procurar fontes de informação alternativa, criam-se entusiasmos com as primeiras verdades perfilhadas, que conduzem à divulgação acrítica e, em muitos casos, à negação dos factos e à recusa obstinada dos argumentos que as contrariem.

É este o ambiente propício às verdades únicas, à intolerância e ao maniqueísmo numa deriva que cria o húmus onde medram os totalitarismos, não faltando censores e bufos voluntários para a sua defesa. O medo está a encostar os europeus à extrema-direita.

Julgando defender a liberdade, movidos por entusiasmos solidários, podemos tornar-nos cúmplices da repetição de regimes autoritários que, no passado, combatemos.

Em nome do humanismo reabilitamos uns e execramos outros, capazes de escolher, entre crápulas, os heróis e os vilões, os anjos e os demónios, os amigos e os inimigos, exonerando todas as dúvidas e recusando os factos que, por mais evidentes que sejam, nos contrariem.

Imagina-se a felicidade de quem acredita sem ver e a dilaceração de quem se interroga, sabendo-se que é feliz quem tem certezas e se angustia quem carrega dúvidas.

Para defesa das ditaduras bastavam os que sempre as apoiaram, e as ditaduras são mais baratas do que as democracias.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

A IMPOTÊNCIA EUROPEIA | Fonte Agência MTI | Hungria

Os Estados Unidos mandam. A Europa obedece. O CMI factura. O “povão” infeliz bate palmas. (vcs)

O presidente da Assembleia Nacional da Hungria (parlamento), Laszlo Kover, disse no domingo que a União Europeia pode ser considerada uma perdedora no conflito ucraniano, já que o bloco tem atuado contra seus próprios interesses económicos.

Hoje, a União Europeia “está sob pressão externa, é incapaz de restabelecer a paz diplomaticamente, está agindo contra seus interesses fundamentais e pode ser considerada uma perdedora independentemente de qual dos lados diretamente envolvidos em operações militares se apresente no inverno ” – disse Kover, segundo a agência de notícias MTI da Hungria.

Para Kover, nas circunstâncias actuais, Bruxelas tem “servido a grupos de interesses não europeus”, o que condena a UE e seus países membros à “vulnerabilidade militar, dependência política, inviabilidade económica e energética e desintegração social”.

Riscos de uma guerra nuclear “são cada vez maiores”, alerta Papa Francisco | in SIC Notícias

O Papa Francisco alertou, este sábado, que são cada vez maiores os riscos de uma guerra nuclear e pediu à comunidade científica que se una pelo desarmamento e numa força para a paz.

“Os riscos para as pessoas e para o planeta são cada vez maiores”, afirmou o Papa, citado pela agência EFE, na cerimónia em que recebeu em audiência, no Vaticano, representantes da Academia Pontifícia das Ciências.

Francisco lembrou que João Paulo II “deu graças a Deus porque, pela intercessão de Maria, o mundo tinha sido salvo da guerra atómica”, para acrescentar que “infelizmente é necessário continuar a rezar por este perigo, que devia ter sido evitado há muito tempo”.

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ISABEL II E SUA HERANÇA | Fonte – Washington Post

“Como herdeira aparente e depois rainha, Elizabeth talvez não estivesse a par de todos os detalhes sórdidos das operações realizadas para preservar seu império após o fim da Segunda Guerra Mundial e durante a década de 1960.

Isso inclui contra-insurreições brutais no que hoje são Malásia, Iémen, Chipre e Quênia – onde dezenas de milhares de pessoas foram detidas e torturadas pelas autoridades coloniais enquanto tentavam reprimir o movimento anticolonial Mau Mau.

Esses crimes só tardiamente levaram a um acerto de contas na Grã-Bretanha, com o governo pagando indenizações a algumas vítimas de suas políticas coloniais, enquanto ativistas pressionam pela remoção de estátuas e pela revisão dos currículos escolares que glorificam o império britânico.

Elizabeth se apresentou como a feliz administradora da Commonwealth, agora um bloco de 56 países independentes que todos, em algum momento, foram governados pela coroa britânica. Mas sua história dificilmente era benigna.

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O Idiota. Relatório de primeiras impressões. | Carlos Matos Gomes

Estamos tão idiotizados que discutimos os tostões da esmola e não quem nos colocou na condição de pedintes, se foram idiotas, ou traidores.

Na minha vida solicitaram-me várias vezes um FIR (First Impression Report), um relatório de primeiras impressões. O meu FIR (não o meu feeling) após ouvir a conferência do primeiro-ministro a anunciar medidas extraordinárias de apoio à crise que já vivemos e que se vai agravar foi lembrar-me de uma obra clássica da literatura russa (tinha de ser), «O Idiota», de Dostoievsky.

Não, o idiota não é António Costa. O Idiota é quem nos meteu nesta camisa de onze varas de empobrecimento, miséria que necessita de uma esmola nacional e transeuropeia para ser suportável. De repente os europeus estamos todos a esmolar, de Portugal à Polónia, à Hungria, aos países bálticos, todas de mão estendida para receber uma esmola maior ou menor.

E ninguém se questiona quem foi o Idiota que nos colocou nesta situação?

O enredo do romance de Dostoievski gira em torno do príncipe Míchkin, criado longe da Rússia devido a epilepsia que após longa permanência na Suíça decide regressar à aos seus domínios, sem a menor ideia do que o aguarda. O príncipe é atirado para situações sobre as quais pouco entende e nas quais as suas supostas qualidades, ou idiotia, causam mais tumulto do que solução. Em diversas passagens da história, a ingenuidade do príncipe roça a estupidez crassa e espanta o leitor, como quando escuta com paciência inacreditável as mentiras do velho general Ívolguin, que jura ter sido pajem de Napoleão; ou quando é acusado por um grupo de jovens liderado por um moribundo de dever metade de sua fortuna a um filho ilegítimo. As referências de Dostoievski para a construção do protagonista foram duas figuras que ultrapassam os limites do senso comum: Dom Quixote e Jesus Cristo.

O Idiota, neste caso, no caso que deu origem às nossas esmolas, é uma figura dúplice, como Janus: a NATO e a UE.

Devemos a estas duas  entidades, que podiam ser o idiota do príncipe Míchkin, estarmos hoje a discutir a esmola dos governos. Mas ninguém na Europa, ao anunciar o estado de pedincha em que os cidadãos foram colocados, falou nos idiotas que nos colocaram nesta situação de indignidade.

Estamos tão idiotizados que discutimos os tostões da esmola e não quem nos colocou na condição de pedintes, se foram idiotas, ou traidores.

Retirado do facebook | Mural de Carlos Matos Gomes


Medvedev acusa Alemanha de “declarar uma guerra híbrida” à Rússia

Para Medvedev, a Alemanha é “um país hostil”, que “impôs sanções contra toda a economia da Rússia e seus cidadãos” e que “fornece armas letais à Ucrânia”.

“Noutras palavras, a Alemanha declarou uma guerra híbrida à Rússia. Consequentemente, a Alemanha atua como inimigo da Rússia”,

A propósito, para quando a paz, para quando a amizade entre os povos da Europa e do Mundo?

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2066261/ao-minuto-zaporijia-e-preocupacao-soldados-russos-sem-condicoes

Ucrânia — A última fronteira dos EUA | Carlos Matos Gomes

(e a nossa — mas não nos pediram nenhuma opinião)

A Última Fronteira é um título apelativo para transmitir a ideia de objetivo final de um longo processo de conquista. O título foi usado, por exemplo, num western de 1940, realizado por William Wyler, a propósito da conquista do Oeste pelos europeus; foi o título de um drama romântico realizado por Sean Penn (2016), de relações sentimentais e de limites de consciência, num ambiente africano; foi o título de um conjunto de produtos multimédia da Twentieth Century Fox Film Corporation — Planeta dos Macacos: A Última Fronteira — uma aventura sobre conquista, traição e sobrevivência. Quando os destinos de uma tribo de macacos e um grupo de sobreviventes humanos se cruzam, os seus mundos colidem e as suas vidas são postas em risco. Estão publicados inúmeros livros com o mesmo título, sempre remetendo para um ponto final numa grande ação.

A Ucrânia cabe na definição de Última Fronteira para a estratégia dos EUA após o final da URSS, conduzida por Gorbatchev, que morreu há dias. Essa estratégia foi e é clara: Fazer avançar a fronteira dos EUA (através de NATO) até à fronteira Oeste da Rússia. Foi conseguida numa primeira fase com a adesão dos países do ex-Pacto de Varsóvia à UE e à NATO, um papel de recrutamento atribuído ao Reino Unido e que culminou com o avanço de mil quilómetros da fronteira dos EUA até às fronteiras Leste dos Estados Bálticos, da Polónia, República Checa e Eslováquia, Hungria e Roménia.

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Usina nuclear de Zaporizhia: ONU confirma tentativa de sabotagem ucraniana e agradece à Rússia | (Por Francesca Villasmundo, in Reseau International, 03/09/2022) | in Estátua de Sal

O perigo nuclear que afecta a central de Energodar (Zaporijia), sob constante bombardeamento, continua a ser uma questão fundamental, ainda que a urgência de um possível perigo de explosão tenda a ser posta de lado.

A Energodar e a usina nuclear de Zaporizhia estão sob controle russo desde o início de março. Em agosto, a instalação nuclear foi alvo de ataques regulares de artilharia e drones, que Moscou e Kyiv atribuíram um ao outro. Autoridades ucranianas também alegaram que os militares russos usaram a fábrica como base militar, estacionando armas pesadas lá. Moscou negou as acusações, dizendo que havia apenas guardas levemente armados defendendo a instalação.

Moscou pediu uma visita da AIEA a Zaporizhia, a maior usina nuclear da Europa, desde junho, mas a insistência da Ucrânia de que a missão passe por Kyiv para defender a soberania ucraniana ajudou a adiar a missão até esta semana.

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Mais biliões para a Ucrânia à medida que a América se desmorona | in Estátua de Sal

(Dr. Ron Paul, in http://www.lewrockwell.com, 23/08/2022, trad. Estátua de Sal)

(Publico este texto como demonstração de que, nos EUA, também há gente acordada opondo-se à política externa de Biden e dos seus sequazes. Ou seja, aqueles que defendem a melhoria das condições de vida na América, para os americanos. E os pastorinhos não venham dizer que o autor, também é putinista…

Estátua de Sal, 24/08/2022)


Há um videoclipe a circular que mostra o presidente Biden falando numa recente cimeira da NATO sobre os sete biliões de dólares que o governo dos EUA havia – há época – fornecido à Ucrânia. Em contraponto há também outro clipe que mostra o estado horrível de várias grandes cidades dos EUA, mormente na Pensilvânia, Califórnia e Ohio. O vídeo das cidades americanas é chocante: paisagens intermináveis ​​de sujeira, lixo, pessoas sem-abrigo, fogueiras na rua, zombies viciados em drogas. Não há qualquer semelhança com a América de que a maioria de nós se lembra.

Ver Biden gabar-se de enviar biliões de dólares para líderes corruptos no exterior, existindo cidades americanas que parecem o Iraque ou a Líbia bombardeados, é em síntese a política externa dos EUA. As elites de Washington dizem ao resto da América que devem “promover a democracia” numa qualquer terra distante. Qualquer um que se oponha é considerado aliado do inimigo escolhido do dia. Este já foi Saddam, depois Assad e Gaddafi. Agora é Putin. O jogo é o mesmo, apenas se alteram os nomes.

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NA MORTE DE GORBACHEV (1931-2022) | por Carlos Fino

No momento em que é anunciada a morte de Mikhail Gorbachev recordo naturalmente com emoção as imagens e vivências desses dias longínquos de novembro de 1987, em que integrei como tradutor a delegação portuguesa, durante visita oficial à URSS do então Presidente Mário Soares.

Ao entrarmos na sumptuosa sala de São Jorge, no Grande Palácio do Kremlin, toda coberta de seda debruada a ouro tendo apensas as mais imponentes condecorações por coragem e heroísmo militares do tempo de Catarina, a sensação que tive e conservo até hoje foi a de estar num museu de cera, de hieráticas figuras envelhecidas em que de repente havia uma que ganhava vida e falava – Gorbachev.

Havia nele uma mistura de seriedade aparatchik e visão aggionarta que o impulsionavam para a mudança, então ainda sem suspeitar que um dia tudo iria escapar do seu controlo.

Com a simpatia e fina intuição política que o caracterizavam, Soares (que ficou alojado no Kremlin, deferência rara) captou a novidade e aproveitou bem o momento, travando com Gorbachev um diálogo animado e franco, em que Angola foi um dos pontos em destaque.

De passagem, soube também lisonjear o interlocutor com uma deslocação ao túmulo do Soldado Desconhecido, junto à muralha do Kremlin, onde prestou homenagem “ao esforço decisivo da URSS para a vitória sobre o nazismo na segunda guerra mundial”.

Apesar de toda agitação social que a Perestroika desencadeou no país, do caos político e dos conflitos armados que acabaram por eclodir em diferentes regiões da ex-URSS, Gorbachev e a direção política a que presidiu conseguiram sempre manter sob controlo o armamento nuclear.

Acreditou porventura demais nas promessas de não expansão da NATO para leste que então lhe foram feitas, acabando por ver desfazer-se o sonho de uma Europa do Atlântico aos Urais – “Nossa Casa Comum”. Mas o mérito do derrube do muro de Berlim, pondo fim à Guerra Fria, é todo seu, ao ter impedido Honecker de reprimir as manifestações populares na Alemanha de Leste.

Gorbachev não é hoje popular na Rússia – apontam-lhe a responsabilidade de ter aberto as portas ao fim do império, como se esse declínio não viesse já de muito antes e ele afinal mais não tivesse tentado do que evitá-lo pela mudança quando era já evidente onde estava conduzindo a estagnação.

Com o seu desaparecimento parece agora morrer também a era de esperança e diálogo a que deu início, com a Europa a mergulhar de novo no confronto, na intolerância e na guerra. Fechou-se a janela de oportunidade aberta por Gorbachev de estabelecer com a Rússia um modus vivendi mutuamente vantajoso com uma perspectiva democrática no horizonte.

Resta desejar que descanse em paz e que a sua ideia de uma Rússia reconciliada com o Ocidente e vice versa ainda possa um dia renascer

CF | Foto: Luís Vasconcelos

The former Soviet leader Mikhail Gorbachev full interview | BBC News

The former Soviet leader Mikhail Gorbachev has warned that current tension between Russia and the West is putting the world in “colossal danger” due to the threat from nuclear weapons. In an interview with the BBC’s Steve Rosenberg, former President Gorbachev called for all countries to declare that nuclear weapons should be destroyed. 08/11/2019

António Guterres | United Nations

“A desinformação não é apenas enganosa, é perigosa e potencialmente mortal. ” — O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ao Conselho de Segurança que a desinformação, a desinformação e o discurso de ódio estão sendo cada vez mais usados ​​como armas de guerra.


« La désinformation n’est pas seulement trompeuse, elle est dangereuse et potentiellement mortelle. “

— Le secrétaire général de l’ONU António Guterres dit au Conseil de sécurité que la désinformation, la désinformation et les discours haineux sont de plus en plus utilisés comme armes de guerre.  · 


As notícias chegadas de Kherson, Ucrânia | por Miguel Castelo Branco

As notícias chegadas de Kherson são terríveis, como oportunamente nota o Rafael Pinto Borges. Lançar milhares de homens mal treinados em tropel contra um exército profissional, bem armado, bem comandado, bem treinado, bem entrincheirado e com um formidável dispositivo de fogos de apoio e de aviação não é uma temeridade, mas um crime, pois não visa a ruptura da frente, nem a vitória, mas meia dúzia de linhas em tweets que justifiquem uma guerra antecipadamente votada ao desastre. O exército ucraniano está a ser inapelavelmente desbaratado, apenas e só para cumprir as bombásticas juras de um regime que há muito substituiu o real pelo virtual, assim como pelas fantasias dos propagandistas e avençados do negócio da guerra.

A tão insistentemente anunciada contra-ofensiva parece ter durado meia dúzia de horas e terá causado grandes perdas em homens e material entre os atacantes . No conforto dos estúdios de televisão, dos gabinetes ministeriais e das casas, os formadores de opinião lá encontrarão argumentos para o desastre deste dia funesto, mas amanhã deslocarão o foco para outros abracadabrantes acenos de vitória numa guerra que há três ou quatro meses ainda terminaria com um acordo de paz e cedência de territórios da Ucrânia à Rússia, mas agora parece estar fadada para ser a guerra que ditará o fim do Estado ucraniano. Anuncia-se o grande castigo dos mentirosos, dos inábeis políticos, dos maus diplomatas, dos analistas enganadores, dos conselheiros sem discernimento e demais legião daqueles que se diziam amigos da causa ucraniana, quando, afinal, eram os coveiros entusiastas da sua perdição.

Retirado do Facebook | Mural de Miguel Castelo Branco

Parte da opinião pública chinesa considera invasão da Ucrânia legítima | in LUSA 27/8/2022

Parte da opinião pública chinesa considera invasão da Ucrânia legítima© Sergio Amiti/Getty Imagens

De acordo com uma sondagem publicada pelo Carter Center, 75% dos entrevistados chineses concordam que apoiar a Rússia é do interesse nacional da China.

Parte da opinião pública chinesa vê a invasão da Ucrânia como uma ação legítima por parte da Rússia, face à rivalidade comum contra o “hegemonismo ocidental”, encabeçado pelos Estados Unidos, e ao paralelismo com Taiwan.

Na visão dos chineses que defendem a invasão russa, os intitulados grandes países têm o direito a desfrutar de segurança nas suas fronteiras.

“O povo ucraniano devia culpar sobretudo os seus líderes por terem provocado a Rússia ao aproximarem-se dos Estados Unidos”, aponta Weiwei, agente imobiliária em Nanning, cidade do sudoeste da China, em declarações à Lusa.

Para o taxista Wang Tao, também ouvido pela Lusa, Moscovo teve que agir, perante a “iminência” de a Ucrânia ser armada por Washington para “lançar um ataque” contra a Rússia.

De acordo com uma sondagem publicada pelo Carter Center, organização sem fins lucrativos fundada pelo ex-Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, 75% dos entrevistados chineses concordam que apoiar a Rússia é do interesse nacional da China.

Cerca de 60% dos entrevistados esperam, no entanto, que a China desempenhe um papel na mediação do fim da guerra.

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GUERRA DA UCRÂNIA | GENERAL FRANCÊS NA RESERVA CRITICA  UE e FRANÇA | Via Alfredo Barroso

O general JEAN-YVES LAUZIER, antigo comandante das escolas do Exército francês e autor do livro “L’Europe contre l’Europe” (“A Europa contra a Europa”) publicado em 2021, comenta a situação a que chegaram a União Europeia e a França presidida por Emmanuel Macron:

«Não se poderá criticar os Americanos por defenderem, promoverem e agirem a favor dos interesses dos Estados-Unidos da América EUA). Em contrapartida, pode-se e deve-se pedir contas aos responsáveis europeus que não defendem os interesses europeus, e mais ainda aos responsáveis nacionais que nem sequer representam os interesses dos que os elegeram. Como dizia Lord Palmerston, «a Inglaterra não tem amigos: o que ela tem são interesses permanentes», e isto é verdade para todos os Estados.

Está à vista que os interesses franceses não serão defendidos pela União Europeia (UE). Mas seria preciso que ao menos fossem defendidos pelos seus dirigentes políticos eleitos.

Ora, o Presidente Emmanuel Macron, adepto do supranacionalismo, está estruturalmente desprovido de recursos face à adversidade das relações internacionais. Mas na guerra, e a diplomacia é uma forma de guerra, podemos ser surpreendidos, mas nunca estar desprevenidos. É o que distingue o estratego visionário do gestor impotente. Este último prefere, então, refugiar-se no simbólico para dar a si próprio a ilusão de estar a agir, confundindo a agitação com a acção.

«Mas, no que respeita à guerra na Ucrânia, a União Europeia manifesta nesta situação todos os defeitos que bem sublinhou, no seu tempo, o general De Gaulle. A começar pelo “entrismo” de Ursula von der Leyen, que tem vindo a projectar-se como uma espécie de presidente supranacional. Quando o primeiro dos presidentes da Comissão Europeia, Walter Hallstein, manifestou veleidades semelhantes – mas claramente menos intensas – o Presidente De Gaulle recusou-se imediatamente a tomar assento entre os ‘Seis’, obtendo “in fine” a demissão de Hallstein. Nada do que sucede com o Presidente Macron, que deixa que lhe tomem a mão, quer no que respeita ao apoio militar à Ucrânia quer no que respeita à admissão desta no seio da União Europeia.

«Os Russos vão sem dúvida ganhar esta guerra na Ucrânia. E a França, que teve uma relativa ambição inicial de desempenhar um papel de mediador antes de se ter posto na forma, acabou por se encontrar diplomaticamente diminuída. Quando constatamos que o Presidente Zelenski se permite dar lições ao Presidente francês, criticando-o pela sua falta de empenhamento a favor da Ucrânia!… O tropismo supranacional europeu e pró-americano da Presidência de Macron consegue o ‘tour de force’ de desconsiderar a França tanto em relação aos Russos como aos Ucranianos, já sem falar dos Alemães, ao mesmo tempo que enfraquece a economia francesa por causa das sanções relativas ao bloqueio comercial, que prejudicam a França mais do que impedem os Russos de continuar a guerra.


Ao mesmo tempo que, sempre pragmáticos, os EUA continuam a importar o urânio russo.


Para a França, uma das consequências nefastas desta guerra é o reforço da NATO, organização que a versatilidade do Presidente Macron considerava há alguns meses em «morte cerebral», e portanto reforço da tutela dos EUA sobre a Europa.

Uma luz de esperança é ver a União Europeia desagregar-se sob o efeito, quer da crise económica e financeira que está à vista, quer do ressurgimento da defesa dos interesses nacionais que vai ser reclamada aos Governos.

Seja como for, enquanto os responsáveis políticos franceses forem escolhidos entre antigos membros da French-American Foundation (como Macron e vários outros senhores), será difícil a libertação da tutela americana».

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

Irão e Rússia em negociações

Está em Moscovo o ministro dos Estrangeiros do Irão para negociar com a Rússia assuntos relativos ao cartel do gás natural, produto vital para as economias dos países industrializados e em cuja produção a Rússia e Irão ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugares.

O titular chama-se Reza Fatemi Amin que, traduzido para português, será algo como Reza Devoto de Fátima.

Há no xiismo um intenso fundo de piedade mariana, pelo que foi um erro clamoroso termos embarcado nos anos 80 em todas as campanhas de hostilização contra aquele país que foi sempre, juntamente com a Síria, um dos únicos Estados muçulmanos a respeitar o Cristianismo e a cultuar Jesus e Maria. O cerco ao Irão ficará nos anais da história das relações internacionais como o princípio do fim da influência ocidental na região.

HUNGRIA DÁ LUZ VERDE À CONSTRUÇÃO PELA RÚSSIA DE MAIS DOIS REATORES NUCLEARES

A Hungria emitiu uma licença-chave para a expansão liderada pela Rússia de sua única central nuclear, reforçando as ligações energéticas do país com Moscovo, apesar dos seus pares da União Europeia continuarem a distanciar-se da invasão da Ucrânia.

A Agência Nacional de Energia Atómica emitiu uma “licença de estabelecimento” para construir um quinto e sexto reator nuclear na cidade de Paks, ao lado de quatro unidades existentes cuja vida útil está expirando, de acordo com um comunicado publicado no site da autoridade na quinta-feira. A estatal russa Rosatom Corp. é a principal construtora.


By Veronika Gulyas

26 de agosto de 2022 às 09:19 GMT+1Atualizado em

Hungria emitiu uma chave permitir para a expansão liderada pela Rússia de sua única usina nuclear, reforçando os laços energéticos do país com Moscou, mesmo quando os pares da União Europeia buscam distanciar-se sobre a invasão da Ucrânia.

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O Armagedão | Carlos Matos Gomes

Zelenski anunciou que os russos estavam a provocar o fim do mundo com uma explosão atómica na central de Zaporija, que eles, russos, controlam desde Março e que, não se sabe porquê, nem Zelesnski se digna explicar, começaram a bombardear estando lá.

A farsa era óbvia e foi passada pela propaganda ocidental como verdade irrefutável. Quem duvidava era putinista.

Agora, na véspera da visita de uma delegação da agência da ONU para a energia atómica, o pequeno charlatão diviniizado, já fala de termos estado à beira de uma catástrofe atómica. Safámo-nos segundo o locutor.

A dúvida (que servia de escape à mentira) sobre a autoria dos ataques foi apoiada por essa figura risível que é o senhor Borrel, representante da UE para os assuntos exteriores. Não se sabia quem era o autor, dizia o homem.

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(Major-General Carlos Branco, in Facebook, 25/08/2022) | O Henrique Burnay foi à tosquia e saiu tosquiado | in Estátua de Sal

(Henrique Burnay respondeu ofensivamente ao texto do General Carlos Branco que publicámos aqui. A resposta que teve e que segue abaixo é demolidora e pedagógica. Parabéns Senhor General. Que não lhe doa a pena e o verbo para desancar em tão ignara e servil gente.

Estátua de Sal, 26/08/2022)


Esta guerra é fundamentalmente consequência de a obstinação de Washington querer integrar a Ucrânia na NATO, parte integrante do seu projeto hegemónico. Chamem-lhe autocracias, imperialismos, inventem as narrativas que quiserem. Mas é neste ponto que reside a coisa. Este conflito estava anunciado há décadas. Não por mim, mas por Kissinger, Mearsheimer, Stephen Walt, Keagan, muitos outros. Segundo HB também pulhas e homens sem vergonha. Como, aliás, alguns setores liberais da elite russa que não se revê em Putin.


Julgava o tema esgotado, mas parece que não. Tenho bloqueado quem neste mural ofende ou faz agressões verbais. Hoje tive de abrir uma exceção ao post do Dr. Henrique Burnay (HB), que veio ao meu mural apelidar-me de “vergonha de homem”. HB anda a ofender-me nas redes sociais, que lhe são próximas há meses (chama-me pulha e outros mimos). Hoje teve a desfaçatez de o vir fazer no meu mural do FB. Nunca o ofendi. Não é que não me faltasse vontade e pretexto. Procuro centrar-me no debate das ideias, e não em coisas ou pessoas. Neste tema, como noutros, encontramo-nos muito distantes.

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O plano secreto americano para tornar a Rússia grande novamente

24 de maio de 2022 | Por Dmitry Orlov para o Blog Saker

Geralmente é uma boa ideia evitar atribuir intenção nefasta a ações explicadas por mera estupidez. Mas este é um caso em que a mera estupidez não pode explicar a longa e constante procissão de erros de política externa ao longo de três décadas, todos eles especificamente destinados a fortalecer a Rússia. Não é possível argumentar que um excesso de arrogância, ignorância, ganância e oportunismo político e um déficit de analistas de política externa competentes possam produzir tal resultado, pois isso seria essencialmente o mesmo que argumentar que alguns macacos armados com furadeiras, moinhos e tornos podem produzir um relógio suíço.

Aparentemente, o plano era enfraquecer e destruir a Rússia; mas então, após o colapso soviético, a Rússia estava enfraquecendo e se destruindo muito bem sozinha, sem necessidade de intervenção. Além disso, todo esforço dos EUA para enfraquecer e destruir a Rússia a tornou mais forte; se existisse mesmo um mecanismo de feedback mais rudimentar, uma discrepância tão grande entre os objetivos da política e os resultados da política teria sido detectada e ajustes teriam sido feitos. Superficialmente, isso pode ser explicado pela natureza da democracia simulada da América, onde cada governo pode culpar seus fracassos por erros cometidos pelo governo anterior, mas o Deep State permanece no poder o tempo todo e seria simplesmente forçado a admitir para si mesmo que há um problema com o plano de enfraquecer e destruir a Rússia após alguns ciclos desse fiasco que se desenrola.

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MIGUEL CASTELO BRANCO

Com 70% dos alemães a exigirem a imediata reabertura de todas as relações comerciais com a Rússia, o grande mistério deste verão carregado de funestos prognósticos para o nosso futuro imediato é o de saber se o desaparecimento público de Ursula Von der Leyen se deve a férias, ou se está em curso uma mais que justa substituição da senhora adepta da guerra que destruirá a Europa.

Não foram precisos seis meses para reconhecer que a histeria odiosa escondia o aprofundamento da vassalidade da UE aos EUA e um mais que certo colapso económico, pelo que se até Outubro não se verificar um volte-face que reponha a normalidade das relações com a Rússia, a fome, o frio e a escuridão decretados pela UE contra a Europa terão resultados inimagináveis. Já vejo os ânimos muito serenados, mas custa muito manter a espinha quando a maioria frívola e manipulável uma vez mais deu mostras de quão voláteis são as pessoas.

Retirado do Facebook | Mural de Miguel Castelo Branco

Geopolítica, com Pepe Escobar (18.8.22)

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o correspondente internacional Pepe Escobar sobre os fatos mais importantes da conjuntura internacional

0:00 Boas vindas 2:00 Pepe manda saudações de Samarcanda 6:00 Uzbequistão está no meio das novas rotas da seda 12:00 Haverá uma nova moeda russo-centro asiática, para passar ao largo do dólar. O trem do mundo multipolar já saiu da estação 13:00 Ucrânia é um peão no meio do jogo entre OTAN e Eurásia 18:00 Alemanha está saindo do estado de negação. Os seis pacotes e sanções estão destruindo a economia europeia 22:30 O establishment britânico está diretamente implicado na guerra contra a Rússia. Vai ganhar a Liz Truss porque um indiano não pode ser primeiro-ministro inglês 38:00 Pepe fala sobre Taiwan. Jamais a resposta chinesa seria agressiva. É uma reação calculada, no tempo deles e a longo prazo. O que os chineses farão é o ensaio do bloqueio total de Taiwan. Xi Jinping já colocou a sexta marcha 46:00 Parceria China-Rússia é de altíssimo nível também no campo militar 52:00 Europa está virando um grande Porto Rico 59:00 Vitória de Lula será um game changer para o Sul Global. Estamos assistindo à guerra entre o império e seus vassalos contra a Eurásia 1:04:00 O império está sofrendo duas humilhações: uma no Afeganistão e uma na Ucrânia 1:07:00 Lula é o único dirigente do Sul Global que tem perfil de líder aceito por todos 1:09:00 Prisão na cultura asiática é vista como um rito de passagem para a sabedoria. Prisão de Lula foi isso 1:28:00 Ucranianos podem provocar um desastre nuclear, que vai invadir a Europa 1:33:00 Brasil é visto como colônia por Rússia e China. Elites europeias foram compradas e doutrinada pelo império 1:43:00 Sim, o império pode ruir porque o tecido social está se rompendo nos EUA

ANNIE, A FILHA REBELDE DO DIRETOR DA PIDE | por Paulo Marques

O que começou por ser uma reportagem dos jornalistas José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz para o jornal Expresso (distinguida com o Grande Prémio Gazeta 2002, principal galardão de jornalismo concedido em Portugal) acabou num livro. “A Filha Rebelde”, obra editada pela Temas e Debates, em 2003, constitui o desenvolvimento dessa reportagem.

Trata-se da história de Ana Maria Palhota Silva Pais (1935 – 1990), conhecida pelo petit nom Annie, a filha única do último diretor da PIDE, o major Fernando Silva Pais, que dirigiu a polícia política do regime fascista durante os seus últimos doze anos (de 1962 a 1974), que se apaixonou pela revolução cubana, deixando-se envolver pelo clima de efervescência política e social vivido em Havana nos agitados anos 60.

Annie era uma mulher extremamente bonita, culta e com uma sólida formação, determinada, corajosa, que vivia com todas as facilidades e mordomias, e que abandonou todo o seu passado e estatuto, todas as suas referências familiares, todas as suas amizades, para, sob o fascínio da figura de Che Guevara, se entregar à revolução cubana com a qual se identificou.

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UCRÂNIA NUM IMPASSE, À BEIRA DE TRÊS TEMPESTADES PERFEITAS – MILITAR, ECONÓMICA E DIPLOMÁTICA | a opinião de Pierre Lellouch resumida por Alfredo Barroso

A neutralidade da Ucrânia teria evitado a guerra iniciada com uma invasão russa. Mas o presidente dos EUA, Joe Biden, e os submissos dirigentes da União Europeia e de praticamente todos os seus países membros preferiram, por razões ideológicas, deixar aberta a porta da NATO, mas sem proteger a Ucrânia. E agora alimentam mais e mais a continuação da guerra com o fornecimento de armas cada vez mais poderosas e sofisticadas.

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Social-democracia | Wikipédia

rosa vermelha é o símbolo da social-democracia.

social-democracia é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo Estado de bem-estar socialsindicatos e regulação econômica, assim promovendo uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa. É uma ideologia política originalmente de centro-esquerda, surgida no fim do século XIX dentre os partidários de Ferdinand Lassalle, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução, mas sim, em oposição à ortodoxia marxista, por meio de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário.[1]

O conceito de social-democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução. A diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de ideologia política, como o marxismo ortodoxo, é a crença na supremacia da ação política em contraste à supremacia da ação económica ou do determinismo económico-socioindustrial.[2][3]

Historicamente, os partidos sociais-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes. No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras ideias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas. Essas posições mais moderadas incluíram a crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo. Dessa forma, a social-democracia moderna se desviou do socialismo científico, aproximando-se da ideia de um Estado de bem-estar social democrático, e incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo. Os social-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como Rendimento Social de Inserção (Portugal), Bolsa Família (Brasil) e Opportunity NYC. Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem, como objetivo, substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

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Chanceler alemão quer gasoduto a partir de Portugal até à Europa central | in MSN

O grande objetivo desta medida passa por acabar com a dependência energética da Rússia.

O Chanceler alemão, Olaf Scholz, insiste na construção de um gasoduto de Portugal para a Europa Central.

O grande objetivo desta medida passa por acabar com a dependência energética da Rússia.

Esta quinta-feira, em conferência de imprensa, Olaf Scholz defendeu a construção de um gasoduto que chegaria à Europa Central atravessando Portugal e Espanha, de modo a reduzir a necessidade de importação de gás russo.

Segundo o Chanceler alemão, a medida beneficiaria a Europa, que atravessa atualmente uma crise energética.

Para o próprio, o gasoduto é fundamental para restabelecer a estabilidade energética no velho continente.

Scholz revelou também que já iniciou contactos com os líderes de Portugal, Espanha, França e da Comissão Europeia, para lhes fazer chegar a sua vontade em fazer avançar o projeto.

PRECISÃO CIRÚRGICA E ESTRANHO DESCONHECIMENTO | ACREDITE SE QUISER | por Carlos Matos Gomes

A verdade é o que queremos acreditar. E é a verdade que os clientes querem.

A verdade sobre os ataques à central nuclear de Zaporizhia, na Ucrânia.

A verdade oficial para clientes já convertidos é a de que a central, situada em território ocupado pelas Forças Russas está a ser bombardeada pelas forças Russas;

A verdade oficial para quem quer ficar de bem com a sua consciência e para isso necessita de acreditar é a de que o Ocidente (os EUA, ea NATO) não sabem quem ataca, se os russos atiram sobre si próprios, em operações de falsa bandeira, como defendeu um general português vindo da NATO, na TVI. Ou se serão, de facto os ucranianos.

O busilis das verdades dos EUA e da NATO (acolitadas pela ONU, que remédio) é que é muito difícil de acreditar que um sistema de observação por satélite tão eficaz e rigoroso que permite aos EUA matar o lider da Al-Qeda – al-Zawahiri – na varanda sua casa, num prédio indistinto da confusa cidade que é Cabul, disparando um míssil tão certeiro que poupou a pobre família do homem, não consiga saber com certeza quem dispara misseis contra a central nuclear, ainda para mais com as armas que lhe forneceu!.

Pois é nesta elevada competencia em rastrear movimentos de um homem e atingi-lo na varanda da sua casa, em Cabul e na elevada incompetencia em saber quem dispara há dias armas pesadas em direção a uma central nuclear que os “amigos de Zelenski” querem que os pobres de espirito, nós, acreditemos.

Em conclusão, biblica, é mais fácil um camaelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico ir para o Céu. Ou, é mais fácil aos americanos descobrirem um homem à varanda de casa em Kabul do que uma bateria de mísseis e artilharia pesada na Ucrânia!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Ideologia ou pragmatismo? | Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 18/07/2022

Num artigo publicado em 2010, o antigo diplomata singapurense Kishore Mahbubani alertava-nos para o que diferencia, em assuntos de segurança, a cultura ocidental, leia-se norte-americana e europeia, da asiática. A primeira baseia-se em aspetos ideológicos e morais, enquanto a segunda no pragmatismo, e, consequentemente, no compromisso. Mahbubani defendia serem as decisões assentes no primado da ideologia e não no pragmatismo que tornam, muitas vezes, as abordagens ocidentais ineficazes e/ou contraproducentes.

Não terá sido por acaso que as duas guerras mundiais tiveram o seu epicentro no espaço europeu. A maioria dos decisores asiáticos prefere concentrar-se nos resultados. Isso explica, segundo Mahbubani, que as políticas europeias maniqueístas, baseadas em preconceitos ideológicos, obrigando a escolher e a tomar partido, têm-se revelado, infelizmente, pouco subtis e de reduzido efeito.

O argumento de Mahbubani pode ser testado empiricamente nos acontecimentos em curso na Ucrânia. A sua validade é por demais evidente nas escolhas que conduziram à eclosão da guerra – a obstinação do Ocidente em não respeitar durante três décadas as reiteradas preocupações securitárias da Rússia (de Gorbatchov até Putin, passando por Yeltsin), e insistir em trazer a Ucrânia para a NATO, que continua a reiterar (veja-se o conceito estratégico recentemente aprovado na cimeira de Madrid), mesmo depois dos acontecimentos na Geórgia, em agosto de 2008.

Um compromisso com a Rússia, tornando a Ucrânia num Estado geopoliticamente neutral, teria sido uma solução suportável e teria impedido a guerra. O mesmo se aplica aos acontecimentos que se seguiram a 24 de fevereiro de 2022.

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A GUERRA CIVIL NA UCRÂNIA | Os pontos nos is | por Rodrigo Sousa e Castro

Nas planuras ucranianas, que os soldados hitlerianos calcaram até serem parados, cercados, derrotados e humilhados já nas margens do Volga, trava-se hoje uma guerra civil, entre os nacionalistas ucranianos de Kiev, apoiados pelo chamado agora Ocidente alargado, e os independentistas do Donbass, ucranianos russófonos, apoiados pela Rússia.

Como se chegou aqui parece hoje tudo muito claro.

Quando o general secretário de estado da defesa americano declarou urbi et orbi que o objectivo dos EUA era quebrarem a espinha dorsal da resistência russa, que querendo ou não, se havia metido naquela armadilha, as dúvidas desvaneceram-se.

Face ao acelerar da globalização e consequente acréscimo do poderio chinês condicionar a Rússia, para os americanos, era o passo essencial para tornar as fronteiras terrestres da China, na imensidão asiática, altamente vulneráveis.

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Boaventura Sousa Santos | Mereceu a pena? | in Jornal Público

Começa a ser evidente que os neoconservadores norte-americanos conseguiram impor na Europa, através de uma guerra de informação sem precedentes, uma vertigem bélica e anti-russa, cujas consequências levará tempo a avaliar. É, no entanto, possível identificar os sinais do que vem por aí.

Derrotados. Não se sabe ainda quem ganhará esta guerra (se é que alguém a ganhará, para além da indústria do armamento), mas já se sabe quem mais perde com ela. São o povo ucraniano e os restantes povos europeus. A Ucrânia em ruínas e os milhões de refugiados e a descida da cotação do euro são os sinais mais claros da derrota.

Nas sete décadas que se seguiram à destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, a Europa, então designada como ocidental, reergueu-se. Liderada por governantes de alto nível intelectual e apoiada pelos EUA em sua cruzada para travar o comunismo, a Europa Ocidental conseguiu impor-se como uma região de paz e de desenvolvimento, ainda que muito deste fosse à custa do capital colonial que acumulara durante séculos. Bastou uma guerra fantasma – travada na Europa, mas não protagonizada pela Europa e nem sequer no interesse dos europeus – para pôr tudo isto a perder.

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Zelensky OUTRAGED By Amnesty Report on Ukrainian War Crimes as Kyiv demands $750 BILLION | + Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização


TÁTICAS DE COMBATE UCRANIANAS COLOCAM CIVIS EM PERIGO

( ler o texto traduzido em português neste link)

https://www.amnestyusa.org/press-releases/ukrainian-fighting-tactics-endanger-civilians/

Responsável da Amnistia Internacional em Kiev demite-se criticando organização

(clicar no URL em baixo)

O relatório, divulgado na quinta-feira, alertava que as forças ucranianas colocam em perigo a população civil quando estabelecem bases militares em zonas residenciais e lançam ataques a partir de áreas habitadas por civis.

As forças ucranianas põem civis em perigo quando montam bases e operam sistemas de armas “em zonas habitadas por civis, incluindo em escolas e hospitais, para repelir a invasão russa que começou em fevereiro”, refere a organização no documento, acrescentando que essas táticas violam o direito internacional e tornam zonas civis em objetivos militares contra os quais os russos retaliam.

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2022-08-06-Responsavel-da-Amnistia-Internacional-em-Kiev-demite-se-criticando-organizacao-a40112e6?fbclid=IwAR34PtIfqfYilFN207weN2JV-UiKn4uQCq8q3k-D_V_5TmGwNXXVAYgoC1k

CRESCENTE APROXIMAÇÃO RÚSSIA-TURQUIA DISPARA ALARMES NAS CAPITAIS OCIDENTAIS

As capitais ocidentais estão cada vez mais alarmadas com o aprofundamento da cooperação económica entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e Vladimir Putin, alertando para o risco crescente de que o Estado membro da NATO possa ser atingido por retaliação punitiva se ajudar a Rússia a evitar sanções.

Seis funcionários ocidentais disseram ao Financial Times que estavam preocupados com a promessa feita na sexta-feira pelos líderes turcos e russos de expandir sua cooperação em comércio e energia após uma reunião de quatro horas em Sochi.

Um funcionário da UE disse que o bloco de 27 membros está monitorando a cooperação turco-russa “cada vez mais de perto”, expressando preocupação de que a Turquia esteja “cada vez mais” se tornando uma plataforma para o comércio com a Rússia.

Outro descreveu o comportamento da Turquia em relação à Rússia como “muito oportunista”, acrescentando: “Estamos tentando fazer com que os turcos prestem atenção às nossas preocupações”.

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Conselho Português para a Paz e Cooperação – CPPC

Hiroxima e Nagasaki nunca mais!

O Conselho Português para a Paz e Cooperação assinala os 77 anos dos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui

– É urgente a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares

Em agosto de 1945 – a Segunda Guerra Mundial terminara na Europa, formalmente, apenas há três meses –, o mundo era confrontado com um ato inumano e inesperado. Sem aviso prévio, no dia 6, os Estados Unidos da América (EUA) lançavam sobre a cidade japonesa de Hiroxima uma bomba atómica, e três dias depois, outra sobre a cidade de Nagasáqui. À época, essas cidades eram desprovidas de importância militar, e o Japão encontrava-se em processo de capitulação.

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Sobre a Rússia | por Carlos Fino | Eu poderia ter escrito exactamente um texto assim. (vcs)

Não é tanto simpatia pela Rússia – não tenho saudades. É mais dúvidas quanto ao acerto das políticas que vêm sendo seguidas contra ela.

Querer “isolar” a Rússia, que é um continente riquíssimo em todo o tipo de matérias-primas e de onde nos vinha até agora energia barata, ainda por cima com países como a China, a Índia, a África do Sul ou até o Brasil contrários a essa posição, parece-me que não faz muito sentido e vai contra os interesses dos europeus.

A política externa, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, não se deve orientar só por “valores” – caminho direto para o confronto -, mas antes de mais pela defesa bem ponderada de quais são ou não são os nossos reais interesses. Ignorar isso e morder a isca dos “valores”, pode levar-nos, como já está a levar, a subordinar os nossos interesses aos dos outros.

Como já se percebeu, quem ganha com a guerra da Ucrânia e com as políticas europeias que vêm sendo seguidas são os Estados Unidos e a China. Não é, certamente, como também já se viu, a Europa. Portanto…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

A União Europeia morreu e ninguém a informou | José Goulão, in AbrilAbril, 02/08/2022

A Europa Ocidental tem apenas mais 20 a 30 anos de democracia; depois disso deslizará sem motor e sem leme sob o mar envolvente da ditadura (…)
                      Willy Brandt, chanceler da República Federal da Alemanha, 1974


Willy Brandt, polémico mas suficientemente lúcido para não fechar pontes em plena guerra fria, era um estadista, espécie entretanto desaparecida como os dinossauros. Governou nos tempos em que se pensava existir uma coisa chamada «social-democracia», que durante as últimas décadas também «deslizou sem motor e sem leme» para a selvajaria neoliberal, a ditadura da economia sobre a política, passo decisivo para a extinção da democracia – como estamos a perceber.

Brandt não era um bruxo; limitou-se a reflectir sobre perspectivas a médio prazo com base na percepção, leitura objectiva das realidades, experiência e intuição que não lhe faltavam porque era um praticante de política, actividade que é um direito geral de cidadania entretanto «promovida» a uma espécie de «ciência oculta» actualmente apenas ao alcance de uma seita de predestinados com capacidade para governar, dominada pela arrogância, a frieza desumana, a irresponsabilidade e a mediocridade, particularidades afinal essenciais num regime autoritário.

As palavras do antigo chanceler alemão, proferidas pouco antes de deixar o cargo, projectam-se na actualidade de maneira tão evidente como inquietante. Acertam em cheio no «deslizamento» da Europa para a ditadura política, completando-se assim o cenário aberto pelo totalitarismo da economia (ditadura do mercado), embora mantendo aparências formais em matéria de direitos cívicos, entretanto ferozmente vigiados e combatidos passo-a-passo por meios antidemocráticos.

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Das moscas do mercado | Carlos Matos Gomes

Das moscas do mercado é uma frase-título do livro «Assim Falava Zaratustra», de Friedrich Nietzsche. “Das moscas do mercado”: “Foge, meu amigo, para a solidão! Vejo-te ensurdecido pelo ruído dos grandes homens e picado pelos ferrões dos pequenos”.

Parece-me uma apreciação adequada ao tempo que vivemos. Os ditos grandes homens, e grandes mulheres, aqueles que determinam a nossa vida venderam-nos um conjunto de felicidades futuras se os apoiássemos na guerra contra a Rússia. O diabolizado presidente da Federação Russa, que invadira a pacífica e ordeira Ucrânia, governada por um quase santo revelado nas televisões locais. Havia que repor a ordem e punir o agressor. Nós, as moscas, éramos convocados para a gesta dos grandes homens e mulheres.

Nietzsche tinha uma opinião sobre os grandes homens e mulheres que governavam o mundo quando chega o momento de verificar o balanço entre promessas e realizações:

“Tornaram-se todos outra vez devotos; estão a rezar, estão doidos!” (…) E, de facto, todos aqueles homens superiores, os dois reis, o Papa aposentado, o maligno enfeitiçador, o mendigo voluntário, o viajante sombra, o velho vaticinador, o consciencioso do espírito e o homem mais feio, estavam de joelhos, todos como crianças ou velhinhas piedosas, e adoravam o burro. E, nesse preciso momento, o homem mais feio começou a gorgolejar e a bufar como se algo inexprimível dele quisesse sair; mas quando, realmente, conseguiu chegar a articular palavras, eis que surdiu uma estranha e devota ladainha para glorificação do adorado e incensado burro. Ora, essa ladainha rezava assim: “Ámen! Louvor, honra, sabedoria, gratidão, recompensa e força ao nosso Deus, de eternidade em eternidade!” Ao que o burro, porém, zurrou: “Hi-han!”

Os grandes homens e mulheres de hoje não parecem muito distintos do retrato que dele fez Nietzsche e zurram, até gritarem: Salve-se quem puder!

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O ESTRANHO CASO DA UE: SUICÍDIO, ASSASSINATO OU EUTANÁSIA? (1) | Artigo publicado em RESISTIR.INF

Terá sido suicídio ou crime? – interroga o inspetor.   A dra. Nikki Alexander (protagonista na série Silent Witness) afirma que a vítima estava em estado terminal devido ao abuso de drogas, mas a sua morte foi induzida.   A análise revelou que estava viciada em neoliberalismo e atlantismo, de que não se conseguiu libertar.

Daniel Vaz de Carvalho

Vassalagem total da UE.

1 – UE, propaganda e distopia

Na UE o que salta à vista desde logo é a incompetência, a ineficácia dos seus dirigentes. Mas não só. Pelos media proliferam comentadores cuja nulidade é aflitiva, autênticos moinhos de palavras, repetem-se exaustivamente sobre os mesmos temas, incapazes de se debruçarem sobre as causas.

A UE entrou no campo da distopia, a utopia negativa, deixou de representar os interesses dos seus países, deixou-se arrastar pela arrogância belicista do que mais negativo veio do outro lado do Atlântico: os neocons, que forjaram uma “ameaça russa”, nova versão da “ameaça russa” do tempo da União Soviética. Neste contexto, a NATO quer que os países dediquem 2% do PIB para o orçamento militar. Mau vai quando o orçamento militar é maior que o da cultura, em Portugal 0,25% da despesa da Administração Central.

Que ameaça representava a Rússia quando nos finais de 2021, propôs um tratado de segurança coletiva aos países ocidentais, dada a expansão da NATO – ao contrário do acordado com Gorbatchov – e o intenso rearmamento da Ucrânia para prosseguir o conflito contra os independentistas antifascistas do Donbass e a Crimeia?

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O ENCOLHIMENTO DO OCIDENTE / OPINIÃO | Boaventura Sousa Santos, In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

O que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China).

A partir de então, o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa.

Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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FUCKIN E A REALIDADE / OPINIÃO | Carlos Matos Gomes

in Medium.com, 29/07/2022

Mandar umas bojardas num concerto é um tónico para contas e egos. Nada de mal. Haja liberdade de expressão.

A bojarda é apenas um adereço de palco. O público bate palmas, alivia-se de gases e ri-se. O artista sai em ombros escoltado pelos seguranças privados das claques das SAD da bola. Malta fina.

O número é de excelente e seguro efeito. O Putin que vá para a mãe dele.

O chato é que há uma guerra de resultados conhecidos. A realidade é a son of a bitch. (existe tradução automática para quem quiser).

Qual é a realidade: O Putin ganha! E quem se meteu com ele sabia isso desde o início. As maiores empresas mundiais como sabiam disso nunca tiveram lucros tão assombrosos como os do primeiro semestre deste ano, devido à guerra. Até as empresas portuguesas foram ao pote.

Porque sabiam e sabem o resultado da guerra as grandes empresas do mundo, os conferencistas do Forum de Davos, os sócios do Clube de Bildberg, o G-7, o G-20, o Vaticano, a NATO, a Casa Branca, Wall Street, o Bank of America, tiveram enormes lucros. A esses ninguém os manda àquela parte! São o sistema.

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Como o Ocidente fracassará na Ucrânia | Jeffrey D. Sachs, in Outras Palavras, 19/07/2022

A guerra na Ucrânia é o ápice de um projeto de 30 anos do movimento neoconservador americano. O governo Biden está repleto dos mesmos neocons que defenderam as guerras de escolha dos EUA na Sérvia (1999), Afeganistão (2001), Iraque (2003), Síria (2011), Líbia (2011), e que tanto fizeram para provocar a Rússia a invadir a Ucrânia. O histórico dos neoconservadores é de um desastre absoluto, mesmo assim Biden formou sua equipe com neoconservadores. Como resultado, Biden está levando a Ucrânia, os EUA e a União Europeia a mais um desastre geopolítico. Se a Europa tiver alguma visão própria, ela se separará desses desastres da política externa dos EUA.

O movimento neocon surgiu na década de 1970 em torno de um grupo de intelectuais de atuação pública, vários dos quais foram influenciados pelo cientista político da Universidade de Chicago, Leo Strauss, e pelo classicista da Universidade de Yale, Donald Kagan. Os líderes neoconservadores incluíam Norman Podhoretz, Irving Kristol, Paul Wolfowitz, Robert Kagan (filho de Donald), Frederick Kagan (filho de Donald), Victoria Nuland (esposa de Robert), Elliott Cohen, Elliott Abrams e Kimberley Allen Kagan (esposa de Frederick). 

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Le 11 juillet 711, Tarik Ibn Zyad conquiert la péninsule ibérique | in babzman.com

Le 11 juillet de l’an 711, les troupes de Rodrigue, le roi wisigoth de l’Espagne chrétienne, voit ses troupes tomber sous les quelques centaines disciples du prophète Mohammed [QSSSL]. Cette modeste bataille de Guadalete, livrera la plus grande partie de la péninsule ibérique aux musulmans qui vont l’occuper durant près de sept siècles.

La tribu germaine des Wisigoths est venue, trois siècles plus tôt, d’au-delà du Rhin, après avoir créé un royaume à Toulouse (France). Chassée par Clovis et ses Franc, elle s’est repliée sur la péninsule espagnole où elle établit un royaume chrétien relativement prospère.

Démis de ses fonctions, à l’aube du VIIIe siècle, Wittiza, le roi wisigoth fit appel à un seigneur Maghrébin, l’Emir de Tanger, Moussa Ibn Nocair, pour lui venir en aide.

Il faudrait souligner qu’à cette époque, les chrétiens d’Occident ne connaissent pas véritablement l’Islam et le perçoivent plutôt comme une secte chrétienne, plutôt qu’une religion rivale. L’Emir ne se fit pas prier et envoya une armée de 6 000 guerriers, commandés par un jeune chef berbère nouvellement converti à l’Islam, le célèbre Tarik Ibn Zyad. Si l’Emir a pu rassembler autant d’hommes, c’est parce que les Wisigoths n’étaient pas populaires. L’armée d’Ibn Zyad, essentiellement composée de Berbères, d’arabes, de syriens, … des musulmans, mais également de juifs et de chrétiens, avait débarqué sur un rocher qui prendra le nom de Gibraltar, en arabe, Djabal Tarik, ou la montagne de Tarik. Débarquant sans difficulté sur l’Algésira, ils s’en emparèrent et avancèrent vers Cordoue et l’intérieur des terres pour se heurter plus tard à l’armée du roi Rodrigue.

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Caos no centro do Mundo | Carlos Matos Gomes

A lógica binária no Ocidente leva à conclusão de que o caos é mau e é desordem e o bem é a ordem. Na antiguidade, na Babilónia, o deus mais importante era Marduk, o da Ordem que venceu o Caos.

A moderna Teoria do Caos surge com a ideia fundamental de que, em determinados sistemas, pequenas variações nas condições iniciais podem gerar grandes variações nos resultados finais. Trata-se do famoso “Efeito Borboleta”, que recebeu o nome técnico de “dependência sensível das condições iniciais”. Esta teoria é — continua a ser — uma heresia nos grandes meios de manipulação de opinião, que defendem para os rebanhos a simplicidade das crenças na bondade dos pastores, sejam eles dirigentes de grandes instituições financeiras, de oligarquias que gerem monopólios de produtos essenciais, sejam dirigentes políticos. O Caos ofende a Ordem. O Caos implica renovação. Mas para quem nos pastoreia existe um caos bom, o das crises financeiras e económicas e um caos mau, o das revoltas das massas e das sociedades.

A análise estratégica é, para surpresa de muitos e muitas especialistas de verbo gongórico e pensamento oco — em última estância, uma aplicação da Teoria do Caos.

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EXPANSÃO DA NATO | “UM ERRO FATAL” George Kennan

George Kennan, o diplomata norte-americano que concebeu toda a política de contenção da Guerra Fria, não mediu palavras ao argumentar que “expandir a NATO seria o erro mais fatal da política americana em toda a era pós-guerra fria”.

Entre as consequências previsíveis de uma tal decisão, Kennan indicou as seguintes:

– “aumentaria as tendências nacionalistas, antiocidentais e militaristas na opinião russa”;

– “teria um efeito adverso para o desenvolvimento da democracia russa”,

– iria “restaurar a atmosfera de guerra fria nas relações leste-oeste” e ainda,

– “impelir a política externa russa em direções decididamente não do nosso agrado”.

“A Ucrânia não é reconstruível!” | Carlos Matos Gomes entrevistado por Humberto Costa

Humberto Costa |

O Coronel Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril e fundador do Movimento dos Capitães, fala do conflito da Ucrânia, de como e de quem o alimenta e porquê, do cenário que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: “Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…”

Este conflito era evitável?

Este conflito apenas não foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e até agora característico de uma guerra convencional, resulta da análise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estratégicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar potências concorrentes, no caso a Rússia e a China.

Porquê a Ucrânia?

A Ucrânia é apenas o palco mais adequado ao conflito que opõe os EUA à Rússia e à China, uma barriga de aluguer. Aliás, o objetivo declarado dos EUA é o enfraquecimento da Rússia e a conclusão da cimeira da NATO de Madrid foi que a China é uma ameaça aos valores do “Ocidente”, aqui representado pela NATO, a aliança militar dos países de capitalismo avançado.

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Não Há ‘Bala Mágica’ Que Possa Virar A Maré Para A Ucrânia | por Daniel Davis in 19fortyfive

No domingo passado, quando o restante soldado ucraniano se retirou de Lysychansk, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que evacuar suas tropas da cidade “onde o inimigo tem a maior vantagem no poder de fogo”, foi a decisão certa, mas “significa apenas uma coisa… Que voltaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas.” Embora muitos no Ocidente queiram que isso seja verdade, a realidade é muito diferente: não há base para esperar uma futura ofensiva para expulsar as tropas russas dos territórios conquistados.

O resultado mais provável para as Forças Armadas ucranianas (UAF) se continuarem lutando contra os russos é que mais tropas de Zelensky serão mortas, mais cidades ucranianas serão transformadas em escombros, e mais território Kyiv perderá para os invasores. Uma análise sóbria da capacidade das duas forças armadas, uma avaliação dos fundamentos militares que historicamente se mostraram decisivos no campo de batalha, e um exame do potencial de sustentabilidade para ambos os lados, deixam claro que a Rússia quase certamente ganhará uma vitória tática.

O conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych disse que, pelo contrário, as retiradas em Severodonetsk e Lysychansk não foram derrotas, mas sim “bem sucedidas” na qual ele alegou que permitiram à Ucrânia “ganhar tempo para o fornecimento de armas ocidentais e a melhoria da segunda linha de defesa, para criar condições para nossas ações ofensivas em outras áreas da frente”. Esta é uma crença comum no Ocidente, mas não suportada pelos fatos.

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O PAPA É PUTINISTA? | Pedro Tadeu | Opinião/DN

No dia 25 de fevereiro, o dia seguinte ao início da invasão russa da Ucrânia, o Papa Francisco telefonou ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, e deslocou-se à embaixada russa na Santa Sé.

Numa entrevista, citada pela agência Ecclesia, dada ao jornal argentino La Nación, Francisco explicou-se desta maneira: “Fui sozinho, não quis que ninguém me acompanhasse. Foi uma responsabilidade pessoal, minha, uma decisão que tomei numa noite em branco, pensando na Ucrânia. É claro, para quem o quer ver, que estava a sinalizar o governo que pode pôr fim à guerra no instante seguinte”.

Num texto de balanço aos 100 dias de guerra, que a agência Ecclesia difundiu, focado na atividade do Papa decorrente do conflito, lembra-se toda uma série de outros episódios:

– A 25 de março, numa celebração que ligou o Vaticano ao Santuário de Fátima, o Papa consagrou a Ucrânia e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, perante a “ameaça nuclear”.

– A 6 de abril, Francisco beijou um bandeira ucraniana numa homenagem às vítimas do massacre de Bucha.

– A 14 de abril, quinta-feira de Páscoa, Francisco lançou o livro Contra a guerra. A coragem de construir a paz que apela ao diálogo e ao desarmamento, como uma escolha estratégica decisiva para os destinos da humanidade.

– A 15 de abril, Sexta-feira Santa, no final da Via Sacra, o Papa apelou à reconciliação entre adversários. Antes foi confrontado com um incidente: uma leitura que deveria ter sido feita, nessa cerimónia, em conjunto por uma russa e uma ucraniana foi cancelada por pressão da Ucrânia.

– No Domingo de Páscoa, Francisco voltou à carga e evocou as vítimas ucranianas, os milhões de refugiados, as famílias divididas, os idosos abandonados.

– A 3 de maio, o Papa explicou que, antes de ir a Kiev, estava a tentar ir a Moscovo. Numa entrevista publicada nesse dia pelo jornal Corriere della Sera, Francisco criticou as razões da guerra e o “comércio” de armas, que definiu como um “escândalo” a que poucos se opõem e falou de “uma raiva facilitada” pelo “ladrar da NATO à porta da Rússia” que levou o Kremlin a “reagir mal e a desencadear o conflito”. Também manifestou algumas dúvidas sobre o fornecimento de armas à Ucrânia, alertando que esse fornecimento iria levar a Rússia a testar armas mais destrutivas.

– A 12 de maio o Papa encontrou-se com duas esposas de militares ucranianos que se encontravam barricados em Mariupol.

– A 24 de maio Francisco enviou a Moscovo uma mensagem ao patriarca da Igreja Ortodoxa para rezarem pela vida humana.

– Na semana passada, no Vaticano, o líder da Igreja Católica, um dia depois de dirigir uma cerimónia religiosa que evocou as vítimas da guerra, apelou a que não se use a distribuição de cereais como arma de guerra, que irá vitimar, sobretudo, as populações dos países mais pobres.

– Quase todos os domingos, na cerimónia que costuma fazer para a Praça de São Pedro, Francisco, recorrentemente, fala da necessidade de paz na Ucrânia e recorda várias vezes outros conflitos no mundo: Congo, Sudão do Sul, Síria, Iémen, “o maior desastre humanitário do nosso tempo”, disse, rebelando-se contra a indiferença ocidental face a essa catástrofe.

– Esta semana, numa entrevista à agência Reuters, Francisco assinalou que a possibilidade de ir a Moscovo volta a estar em cima da mesa “se o presidente russo me conceder uma pequena janela para servir a causa da paz”.

– Noutra entrevista, anterior, o Papa fora questionado sobre o facto de nunca ter condenado explicitamente Vladimir Putin ou a Rússia. Respondeu assim: “Nunca nomeei um chefe de Estado e, muito menos, um país, que está acima do seu chefe de Estado”. Isto nunca impediu, porém, Francisco de condenar várias vezes e de forma veemente a invasão à Ucrânia.

– Neste domingo, novamente na Praça de São Pedro, o líder católico disse isto: “Devemos passar das estratégias de poder político, económico e militar para um projeto de paz global. Não para um mundo dividido entre potências em conflito; sim para um mundo unido entre povos e civilizações, que se respeitam mutuamente”.

Pelos critérios que têm prevalecido na fila de políticos, jornalistas e comentadores portugueses, de direita e de esquerda, que todos os dias passam pela televisão a tentar vencer no campeonato da corrida armamentista, do belicismo pro-NATO, da russofobia, da intolerância, da teoria da conspiração, da censura às notícias de guerra, da desumanidade disfarçada de caridade pelo povo ucraniano, este Papa, apesar de criticar a invasão russa, é, como todos os que procuram abrir um caminho que leve à paz, um putinista.

É ridículo, mas é onde estamos.

Retiradoo do Facebook | Mural de Carlos Fino

A NATO E A BREVE HISTÓRIA DA HEGEMONIA OCIDENTAL | Manuel Begonha

O culto da superioridade do homem branco tem vindo a ser inculcado ao longo do tempo, na maioria das manifestações artísticas , mas para desenvolver este tema vou recorrer por vezes ao cinema.

Desde jovens que fomos habituados a ver nos filmes de “cowboys”, o bom homem branco, a matar indiscriminadamente os maus nativos, designados por índios, selvagens ou peles vermelhas, que afinal apenas defendiam as suas terras do invasor.

Contudo, mais recentemente surgiram alguns poucos realizadores que tentaram reabilitar a imagem do índio como Arthur Penn no filme “O pequeno grande homem”.

Numa cena inesquecível de outro grande filme, aliás, que é “Apocalypse Now”, sob o som da Cavalgada das Valquirias de Richard Wagner, os heróicos combatentes norte-americanos, como invasores, voam galvanizados nos seus helicópteros para exterminar os enfezados e amarelados vietnamitas.

Numa propaganda clássica ao colonialismo, o valente e luminoso Mourinho de Albuquerque que, obviamente equipado com armas de fogo, subjuga, como se pode ver no filme “Chaimite”, a força e o primitivismo do régulo rebelde Gungunhana, o leão de Gaza, a quem para humilhar mandou sentar no chão.

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O Ocidente, a NATO e a China | Um novo mundo! | Carlos Matos Gomes

O documento que saiu da cimeira da NATO de Madrid coloca a questão central da definição do “Ocidente”, que é a referência à entidade ao serviço de cujos interesse a aliança militar age; e dos valores ocidentais, aquilo que constitui o núcleo que identifica e distingue os ocidentais dos outros grandes grupos políticos, militares e económicos.

Contém uma frase decisiva, que os líderes europeus deviam esclarecer. O comunicado salienta enfaticamente: “as ambições e políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores”.

Presume-se que os valores são os valores ocidentais. Seria importante para os cidadãos dos Estados que fazem parte da NATO, os que vão pagar as consequências destas afirmações, saber quais são para a “cúpula” da NATO representada pelo seu secretário-geral os “nossos valores” e até o que entende NATO por Ocidente.

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Russia hits the goldmine in Uganda | in tfiglobalnews.com

The African country of Uganda is in the limelight again and this time it is literally shining gold. Good news is piling up for Uganda. The country has recently announced the discovery of a deposit of 31 million tonnes of gold ore, with extractable pure gold estimated to gross 320,000 tonnes.

The discovered gold is expected to mine the country in excess of a whopping $12 Trillion. If you are facing difficulty processing how exorbitant the amount is then let me help you. The amount is approximately 4 times India’s annual GDP.

Uganda has also recently witnessed a boost in foreign investments owing to the fresh discovery of hydrocarbon resources in its western region on the border with the Democratic Republic of Congo. Perhaps, the good days for the landlocked country have started.

Russian Connection

The major issue African countries face even after the presence of valuable minerals and metals under their soil is the unavailability of technology and capital for extraction. Major developed countries with the appropriate means are known to have considerable interest in African countries majorly due to their resources.

Moscow has maintained strong relations with Kampala. Uganda’s President Yoweri Museveni did call Russia ‘Europe’s Center Of Gravity,’ and expressed strong support for the Kremlin amid the ongoing war.

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De Gaulle and Europe | por Éric ANCEAU | in DIGITAL ENCYCLOPEDIA OF EUROPEAN HISTORY

General de Gaulle understood Europe as a key geographical and historical construct. From the Second World War until he left power in 1969, he wanted European states to join together and cooperate closely, because he saw this is a means of increasing their power, particularly that of France. However, he was hostile to any loss of sovereignty, seeing it as a possibly prelude to subjugation by the United States.

A man of culture, Charles de Gaulle understood Europe as the product of geography and history, transcending the artificial and ephemeral divisions inherited from wars. As such, he argued that Europe stretched from Gibraltar to the Urals, an assertion that he repeated many times throughout his life. As such, he refused, after 1945, to accept the Iron Curtain as definitive and to consider Europe as one and the same as “the West,” i.e. as the ally of the United States in the Cold War and the enemy of the Eastern Bloc. Yet for all that, he did not seek to please the USSR, which his famous phrase amputated of the three quarters of its territory beyond the Urals. In fact, he always preferred to speak of “Russia” rather than the USSR because, to his mind, regimes come and go whereas nations endure. His Europe, defined in these broad terms, was destined to play a pre-eminent role in the world. In his famous speech at the University of Strasbourg on 22 November 1959 he declared “Yes, it is Europe, from the Atlantic to the Urals, it is Europe, all of Europe, which will decide the fate of the world!” He viewed historical and geographical Europe as a means of combining and increasing the power of the states of the continent, states which he saw as Europe’s unalterable horizon.

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A PREPARAR AS NOSSAS CABECINHAS PARA A GUERRA NUCLEAR | Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 01/07/2022

1. Reunido em mangas de camisa num castelo alemão, o G7 actualizou as sanções à Rússia e as novas verdades sobre a guerra. De facto, foi o G7+1, pois, como sempre, Zelensky esteve presente por vídeo para pedir mais e mais sofisticadas armas, a tempo de poder decidir a guerra antes do Inverno.

Ficou-se a saber que, só dos americanos, ele recebe todos os meses armamento no valor de 7,5 mil milhões de dólares — um festim para as Lockheed Martin dos Estados Unidos. No final e sobre um horizonte de ruínas, alguém há-de ter de pagar isto e suponho que não sejam só os contribuintes americanos, mas todos os da NATO.

2. Na sua intervenção, Zelensky informou os outros de que na véspera os russos tinham atacado com mísseis um centro comercial onde se encontravam mil civis: dez tinham morrido nesse dia, 18 até hoje. Os russos argumentaram que não tinham atacado nenhum centro comercial mas sim um depósito de armas que ficava ao lado e que, ao incendiar-se, atingira com destroços o centro comercial. Como é óbvio, essa versão foi imediatamente descartada, em favor do “crime de guerra”.

3. Ao mesmo tempo que acrescentava o ouro à lista de bens russos cuja exportação passa a ficar proibida, o G7 insurgiu-se contra “o roubo e impedimento das exportações de cereais” ucranianos por parte da Rússia.

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O SNS não se salva com ilusões | por Francisco Louçã | in Expresso

Quem defende o SNS já não pode escapar ao dilema entre ignorar o colapso e recusar a continuidade da ilusão sobre a estratégia presente, pois a evidência demonstra que o governo não enfrentará o problema. É preciso virar a agulha. Apresentar o atual SNS como o modelo da virtude democrática custa a derrota, pois a realidade do desespero dos profissionais, da desorganização das unidades e dos tormentos dos utentes em centros de saúde ou em urgências impõe-se sem mais argumentos e cada ano será pior, com a aposentação de mais especialistas. Graças a estes fracassos programados, os privatizadores têm a estrada aberta e, apesar de alguns floreados alucinados (descobriram a “sovietização” do SNS, seguindo o guião ideológico da associação de médicos dos EUA, que no século passado conseguiu, na vaga da Guerra Fria, impedir que fosse instalado um serviço público de saúde no seu país), insistem na proposta mais simples: deem dinheiro aos nossos amigos que eles tratam de mais utentes do SNS.

 Nesse caminho, a estratégia de desmantelamento do setor público tem-se imposto. Os investimentos são adiados, os concursos ficam parcialmente vazios, os tarefeiros recebem três a cinco vezes mais do que os seus ex-colegas numa urgência, os serviços navegam na imprevisibilidade. Na incerteza, os seguros cresceram e são um florescente ativo financeiro, que promete lucros confortáveis, graças ao controlo dos preços. A consequência é uma saúde mais cara para as pessoas: dois grupos privados já realizam a maioria dos partos na Grande Lisboa, naturalmente promovendo a cesariana como método preferencial, o que salga as contas finais; durante a fase aguda da pandemia, os hospitais privados ofereceram a sua disponibilidade por 13 mil euros e, se fosse caso grave, o doente era recambiado para o público; e as PPP, que transformaram em arte a regra do afastamento dos doentes mais caros, são elogiadas como se essa manigância fosse boa gestão. Apesar destes resultados, está montado o cenário da atrevida proposta dos grupos privados e dos seus liberais: aguentem o custo dos hospitais públicos desde que nos paguem mais, queremos os vossos impostos.

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O encolhimento do Ocidente | por Boaventura Sousa Santos | In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China). A partir de então o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa. Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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Dr. Volodymyr & Sr. Zelensky: o rosto oculto do presidente ucraniano | por Guy Mettan

Nos últimos três meses, o chefe de Estado ucraniano tem feito a primeira página de revistas, abrindo noticiários, inaugurando o Festival de Cannes, amando parlamentos, parabenizando e admoestando seus colegas à frente de Estados dez vezes mais poderosos do que ele com uma felicidade e um senso tático que nenhum ator de cinema ou líder político antes dele havia conhecido.

Não foi ele quem disse a um jornalista francês em 5 de março, dez dias após a invasão russa: ” Hoje, minha vida é linda. Acho que sou desejado. Eu sinto que este é o significado mais importante da minha vida: ser desejado. Sentindo que você não está normalmente respirando, andando e comendo alguma coisa. Você vive! ».

Guy Mettan

Membro do Grande Conselho do Cantão de Genebra (Democrata Cristão). Ex-editor-chefe do Tribune de Genève e fundador do Swiss Press Club. Autor do livro Rússia-Oeste. A Mil Years War (a ser publicado em 8 de setembro de 2022).

https://www.voltairenet.org/article217398.html?fbclid=IwAR0ROirKu1Hjod9fn_0WWCkNkidianqD8cfgVIWFkvv1KA5TnMA4XQ60q-w

COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | in Facebook | 10/06/2022 | Intervenção Militar Especial | Acordos de Minsk | Ucrânia

1. COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | (resposta ao Senhor Manuel Pinto Oliveira) | Manuel Pinto de Oliveira , creio que é jurista e estudou direito internacional público.

2. Se é, faz pouco sentido replicar: não ignora certamente que na Carta das Nações Unidas se prevêem o ataque preemptivo e a legítima defesa, esta também na modalidade preemptiva.

Foi invocando esta regra (art. 51, 1, se não erro) que a coligação de. EUA e RU invadiram o Iraque e o Afeganistão, sob a ameaça das infames “armas de destruição massiva” e de “sede do terror”, ambas alegadamente pondo em causa a sua segurança.

Neste último caso, a ONU contestou a invasão, ao contrário do que aconteceu na primeira. Coisa intermédia aconteceu miseravelmente com a Líbia. Em todos os casos destruindo países, reduzindo-os a escombros e plantando a guerra civil a muitos milhares de quilómetros das suas fronteiras. A Líbia escapou desse destino graças às forças russas, cujo auxílio o governo legítimo solicitou, apesar da violação das suas fronteiras pelas forças britânicas, francesas e, sobretudo, dos EUA, que para lá levaram muitos milhares de mercenários sob o estandarte do Daesh, criação óbvia da CIA.

Nas fronteira oeste da Federação Russa, desde o golpe Maidan de 2014 (foi o segundo!), ficou declarada pelo poder triunfante dos seus apaniguados uma guerra de extermínio contra a afirmação russófona das comunidades de Lugansk e Donetsk, cuja autonomia a Ucrânia reconheceu nos acordos de Minsk, negociados com a mediação francesa e alemã, homologados por Resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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O Mundo virado da cabeça para os pés | por Carlos Matos Gomes

O jornal inglês The Guardian titulava um artigo de opinião a propósito da reunião do G/ na Alemanha do seguinte modo: “G7 com agenda cheia num mundo virado de cabeça para baixo” — Em inglês:” G7 grapples with packed agenda of world turned upside down”.

“A agenda da reunião do G7 revela como o mundo virou de cabeça para baixo desde que os líderes dos estados industrializados se encontraram pela última vez na Cornualha, há um ano, numa cimeira presidida pela Grã-Bretanha, em grande parte para se concentrar na ameaça representada pela China.

Antes da cimeira na Alemanha, Boris Johnson emitiu um alerta para que o Ocidente não demonstre fadiga de guerra, um ponto que será ecoado quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, discursar na reunião por videoconferência. Espera-se que ele saliente as dificuldades que as suas tropas enfrentam no leste da Ucrânia, bem como a necessidade de armas mais pesadas de longo alcance.”

Entretanto, a 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a Conferência dos Oceanos. “As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, acolhem a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022. A Conferência é um apelo à ação pelos oceanos — exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentarem a ambição, a mobilizarem parcerias e aumentarem o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos. A Conferência dos Oceanos acontece num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procurará impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras baseadas na ciência, destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos.” (do site da ONU)

Nenhum dos participantes da cimeira do G/ estará presente na Conferência dos Oceanos, embora estes representem 70% da superfície do planeta!

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“J’ai vu des crimes abominables commis par Azov.” De retour d’Ukraine, Adrien Bocquet raconte.

Quanto a Bucha, o que posso dizer é que foi um espectáculo. Os cadáveres foram ali colocados para que as imagens fossem feitas.»

Adrien Bocquet, antigo militar e desportista, autor de uma autobiografia que comoveu a França (Lève-toi et marche !), ofereceu-se nos primeiros dias da guerra para prestar apoio médico aos civis e militares ucranianos em zonas de combate.

Após semanas na frente, regressou chocado a França e concedeu ontem o seu testemunho sobre as exações cometidas pelo exército de Kiev, sobretudo pela milícia Azov.

Adrien Bocquet:

«Assumo plenamente o que digo. Fui testemunha de crimes de guerra e os únicos crimes de guerra com os quais fui confrontado foram perpetrados por militares ucranianos e não por militares russos. (…)

Ao regressar a França, fiquei extremamente chocado ao confrontar aquilo que me foi dado ver com a versão que por cá domina a comunicação social. É abominável. (…)

Quanto aos militares Azov, estão por todo o lado, até em Lviv, fardados e com aquele símbolo neo-nazi no camuflado. O que me choca é que a Europa oferece armamento a militares neo-nazis, com um símbolo nazi inspirado nas antigas SS. Estão por todo o lado e não levantam qualquer problema para os europeus.

Quando lhes prestei apoio médico, e como falo ucraniano e russo, ouvi as conversas sobre como matar e esmagar judeus e negros.

Depois, num hangar, assisti à chegada de prisioneiros russos manietados por cordas que chegavam em grupos de três ou quatro em pequenas furgonetas.

Cada prisioneiro que saía da carrinha era de imediato alvejado no joelho com um tiro de Kalashnikov. Tenho filmes e poderei disponibilizá-los.

Se os prisioneiros se identificassem como oficiais ou sargentos, eram de imediato abatidos com um tiro na cabeça. (…) Até lhe posso dizer algo de muito mais grave: parte dos bombardeamentos sobre zonas civis, sobretudo em Bucha, foram executados pelos morteiros ucranianos. Mas não só, pois em Lviv, onde estava por ocasião dos bombardeamentos russos aos depósitos de armamento acabado de chegar da Europa, verifiquei que todo esse armamento havia sido colocado em edifícios civis habitados, em zonas residenciais e sem que os moradores de tal tivessem conhecimento. A isso chamo servir-se das populações como escudos humanos. (…)

Quanto a Bucha, o que posso dizer é que foi um espectáculo. Os cadáveres foram ali colocados para que as imagens fossem feitas.»

Mistério na Suíça: quem poderia ter comprado ouro russo? | por Jonathan Zalts | in https://www.20min.ch

Mais de três toneladas de ouro russo foram importadas para a Suíça no mês passado. A primeira desde o início da invasão.

Madeira, cimento, caviar: tomando um Pacote de sanções da UE Em abril passado, a Suíça proibiu a importação de uma série de mercadorias que eram uma importante fonte de renda para a Rússia. O ouro, no entanto, não estava na lista.

Ainda assim, a compra de ouro russo tornou-se um tabu desde o início da guerra na Ucrânia. A London Bullion Market Association, autoridade que supervisiona o mercado global de barras, removeu os fabricantes russos de sua lista de acreditação após a invasão.

Desde então, a maioria das refinarias desistiu de aceitar ouro da Rússia. A Suíça também parou completamente as importações.

Mais de três toneladas

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Pepe Escobar explica o fim do mundo unipolar

23/06/2022 | O jornalista Leonardo Attuch entrevista o analista geopolítico Pepe Escobar

0:00 Boas vindas 2:00 Rússia perdeu de vez a paciência com o Ocidente. Eles sabem que não têm mais interlocutores. O fato é que o Ocidente perdeu a guerra para a Rússia 7:00 BRICS vão se expandir, com mais candidatos e membros. Hoje, o principal candidato é a Argentina. Surgirá também um novo G8. 10:30 Alemanha já entrou no alerta vermelho energético. O país está se auto-sufocando 13:00 Macron ganhou mas não levou na França. Populações europeias começam a ficar extremamente raivosas. Os protestos já miram a OTAN 16:30 Ninguém compra essa palhaçada de inflação do Putin. Os cidadãos estadunidenses perderam a paciência com Biden 22:00 Estamos vivendo a última cavalgada do Império 26:00 É impossível vislumbrar o final da Operação Z. A conquista total do Donbass pode acontecer até julho. Rússia não permitirá que o que sobrou da Ucrânia tenha acesso ao Mar Negro 28:00 Resposta russa na Lituânia será duríssima 31:00 Ou você é soberano ou é uma colônia 35:00 Turquia está cada vez mais próxima da união euroasiática. É a capital do mundo muçulmano 42:00 O Sul Global identifica cada vez mais a falta de limites da barbárie. Agora, pela primeira vez, um outro mundo é possível, porque pesos pesados, como Rússia e China, estão de fato apostando nisso 51:00 BRICS já estudam criar sua cesta de moedas. Isso poderá ser espalhado para a África e o Sul Global. O trem já saiu da estação 54:00 Caso da Colômbia será discutido na reunião da OTAN. Estando no quintal, é muito complicado lidar com o Império 1:03:00 Situação no Brasil ficou mais perigosa depois das eleições na Colômbia 1:07:00 A Rússia controla os seus oligarcas, diferentemente do Brasil 1:13:00 O Império vai tentar cooptar o governo Lula 1:18:00 Relação ganha-ganha é a sério. China quer ser líder no mundo multipolar, mas não no modo imperial 1:22:00 Lula saberá equilibrar os interesses brasileiros 1:30:00 Sonho europeu ucraniano não será realizado. Europa não quer esse abacaxi

Putin detém todos os ases em uma guerra por procuração, que deu terrivelmente errado para o Ocidente | Ashish Shukla

10 de junho de 2022

Ashish Shukla é um autor indiano de geopolítica e terrorismo que administra um site de notícias sobre relações internacionais, o Newsbred.

O Ocidente é forçado a negociar com a Rússia após três meses da intervenção deste na Ucrânia para se livrar dos Ukronazis e dos passos rastejantes da OTAN em suas portas.

Francamente, não há outra opção para West.

Não pode forçar um confronto com a Rússia, apesar de bilhões de ajuda e fornecimento de armas para Kiev, pois, se o fizer, Vladimir Putin fecharia as torneiras de petróleo e gás para a Europa, o que mergulharia o Velho Continente na escuridão, carros em garagens, modo de transporte para trilhas enferrujadas etc.

Isso forçaria os gigantes manufatureiros como BMW ou Bayer a fechar ou se localizar fora da Europa, de qualquer forma causando um desemprego maciço e agitação pública que forçaria mudanças de regime de Berlim a Paris a Genebra, o que você quiser.

A Europa não está em posição de se livrar do suprimento de energia da Rússia. A mistura típica de diesel que a Rússia fornece e para a qual as unidades de processamento da Europa são orientadas para isso não pode ser substituída da noite para o dia.

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São Petersburgo prepara o palco para a Guerra dos Corredores Econômicos | por Pepe Escobar

18 de junho de 2022 | Em São Petersburgo, as novas potências mundiais se reúnem para acabar com a “ordem baseada em regras” inventada pelos EUA e reconectar o mundo à sua maneira.

Pepe Escobar é colunista do The Cradle, editor geral da Asia Times e analista geopolítico independente focado na Eurásia. Desde meados da década de 1980, ele viveu e trabalhou como correspondente estrangeiro em Londres, Paris, Milão, Los Angeles, Cingapura e Bangkok. Ele é o autor de inúmeros livros; seu último é Raging Twenties.

Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo está configurado há anos como absolutamente essencial para entender a dinâmica em evolução e os julgamentos e tribulações da integração da Eurásia.

São Petersburgo em 2022 é ainda mais crucial, pois se conecta diretamente a três desenvolvimentos simultâneos que eu havia delineado anteriormente, em nenhuma ordem particular:

Primeiro, a vinda do “novo G8” – quatro nações do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China), além do Irã, Indonésia, Turquia e México, cujo PIB por poder de paridade de compra (PPP) já supera o antigo G8 dominado pelo ocidente.

Em segundo lugar, a estratégia chinesa de “Três Anéis” de desenvolver relações geoeconômicas com seus vizinhos e parceiros.

Em terceiro lugar, o desenvolvimento do BRICS+, ou brics estendidos, incluindo alguns membros do “novo G8”, a ser discutido na próxima cúpula na China.

Não havia dúvida de que o presidente Putin seria a estrela de São Petersburgo 2022, fazendo um discurso afiado e detalhado na sessão plenária.

Entre os destaques, Putin quebrou as ilusões do chamado “bilhão de ouro” que vivem no ocidente industrializado (apenas 12% da população global) e das “políticas macroeconômicas irresponsáveis dos países do G7”.

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Boris Johnson, Brexit, Mentiras e Gravações Carlos Matos Gomes

(Com um apontamento ao filme Doctor Strangelove, a Peter Sellers e a Kubrick)

A internet tem também as suas vantagens — desvantagens para os aldrabões. Boris Johnson é hoje um afadigado caixeiro viajante a promover os interesses dos Estados Unidos na Ucrânia, como Blair o foi na invasão americana do Iraque.

http://www.voteleavetakecontrol.org/key_speeches_interviews_and_op_eds.html

O produto que Johnson se esfalfa por vender é a entrada da Ucrânia na União Europeia, isto tendo ele sido um dos mais entusiastas ativistas da saída do Reino Unido da UE. O que não servia para o Reino Unido serve e bem para a Ucrânia!

É evidente que a saída do Reino Unido da EU fazia parte da estratégia dos Estados Unidos de barragem de criação de um novo espaço político, económico e militar, de enfraquecimento da EU e da sabotagem de qualquer reforço da ligação da União à Rússia. É evidente que a entrada da Ucrânia na UE serve os propósitos dos Estados Unidos, que à custa dos ucranianos, enfraquecem a UE e dinamitam o estreitamento de relações desta com a Rússia.

Para cumprir a sua missão de sapador, Boris Johnson, como Blair, presta-se a todos os trabalhos sujos. Mente, desdiz-se e, tanto quanto se sabe, ainda se diverte em parties no gabinete.

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