Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

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O pesadelo da Jugoslávia, 23 anos depois | por Lisa Portugal

O coro hipócrita de muitos dos que agora choram lágrimas de crocodilo pela Ucrânia inclui os agressores da Jugoslávia.  

Alguns que agora se sentem tão chocados por haver “guerra na Europa” operaram ou foram cúmplices na bárbara destruição e desmembramento de um país europeu.  

Um deles é o amnésico António Guterres, então primeiro-ministro do nosso país, responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na «coligação» que bombardeou a República da Jugoslávia. 

A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos da aviação da NATO à Jugoslávia. Durante 78 dias, cumpriram 38 mil missões, das quais 11 mil de bombardeamento, com mais de 23 mil bombas e mísseis. 

Os bombardeamentos da NATO, que se iniciaram sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, lançaram entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um número indeterminado de mortos por cancros causados pelas radiações, e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas. 

Os ataques aéreos deixaram o país em ruínas, com milhares de mortos, incluindo civis, e dezenas de milhar de feridos, para além do desastre ambiental que provocou. 

Em 2019, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve a desfaçatez de afirmar, durante uma conferência com estudantes na Universidade de Belgrado, que os bombardeamentos da Jugoslávia em 1999 foram para «proteger os civis e travar o regime» do então presidente, Slobodan Milosevic. 

Neste ataque, ficou célebre a madrugada do dia 23 de Abril de 1999, quando a NATO bombardeou a sede da Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), em Belgrado, transformado em alvo militar a abater pelo facto de revelar a agressão à Jugoslávia e uma realidade não conforme com a que foi fabricada pelo Ocidente, nomeadamente evidenciando as consequências dos ataques da Aliança Atlântica a pontes, comboios, mercados e fábricas. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, que afirmou recentemente não fazer «qualquer sentido» a guerra na Ucrânia, sublinhando que a operação russa «viola a Carta das Nações Unidas e causará um nível de sofrimento que a Europa não conhece desde pelo menos a crise dos Balcãs dos anos 90», enquanto primeiro-ministro de Portugal foi responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na coligação que bombardeou a República da Jugoslávia, sob a hegemonia da NATO, dos EUA de Bill Clinton e do Reino Unido de Tony Blair. 

Foto: Guerra na Jugoslávia – invadida pelos EUA/NATO 

Retirado do Facebook | Murais de Lisa Portugal e José Luis Roquete

Le Grand jeu : cette autre Ukraine qui se prépare en mer de Chine… | Observatus Geopoliticus | in YETIBLOG.ORG

Alors que les yeux de la planète sont fixés sur l’Ukraine, l’autre bout de l’échiquier eurasien réunit petit à petit tous les ingrédients d’un futur conflit jumeau. N’acceptant visiblement pas le reflux impérial, la thalassocratie américaine semble en effet décidée à allumer des feux sur tout le pourtour du continent-monde.

Bras de fer en extrême-Orient

Mais avant d’y venir, quelques rappels sont nécessaires. Nous avons expliqué à de multiples reprises que les tensions en Extrême-Orient, coréennes par exemple, n’étaient elles-mêmes qu’un épisode d’un bras de fer bien plus vaste :

C’est de haute géostratégie dont ils s’agit. Nous sommes évidemment en plein Grand jeu, qui voit la tentative de containment du Heartland eurasien par la puissance maritime américaine (…) La guerre froide entre les deux Corées ou entre Pékin et Taïwan sont du pain béni pour Washington, prétexte au maintien des bases américaines dans la région.

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“É preciso ensinar a compreensão humana” | Edgar Morin | in Revista Prosa Verso e Arte

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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Teatro Romano de Palmira | Síria

Teatro romano de Palmira (em árabe: المسرح الروماني بتدمر) é um teatro romano na antiga cidade de Palmira, no Deserto Sírio. O edifício, nunca completamente concluído, foi construído no século II d.C.  As ruínas foram restauradas no século XX antes da Guerra Civil Síria (iniciada em 2011) era o local onde se realizavam os espetáculos do Festival de Palmira de Cultura e Artes.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_romano_de_Palmira

Para quem acha que, por mau que seja, só há um culpado | Análise de Jaime Nogueira Pinto in (Observador)

Em 1815, no Congresso de Viena, os vencedores da guerra contra o Império napoleónico tiveram o cuidado de não humilhar a França, de fazer de conta que a Revolução e Napoleão eram os únicos culpados dos 25 anos de guerra na Europa, que esses anos de guerra e sofrimento não tinham nada a ver com o povo francês e que a restauração dos Bourbon curava as feridas passadas.

Cem anos depois, os vencedores da Grande Guerra fizeram do Tratado de Versalhes uma paz punitiva para a Alemanha e para o povo alemão, pondo a primeira pedra para o que seria a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler.

Em 1945, as políticas seguidas com a Alemanha e o Japão vencidos foram diferentes. A Alemanha ficou dividida, mas como a Guerra Fria começou logo a seguir, soviéticos e ocidentais, depois dos primeiros tempos de brutal ocupação, tiveram o cuidado de tratar bem os “seus” alemães.

A vitória do Ocidente na Guerra Fria resultou da aliança de uma tríade – Reagan, Thatcher, João Paulo II – que, alimentando a resistência polaca, rearmando militarmente e usando o bluff da SDI-Guerra das Estrelas, forçou Gorbachev a “reformar” o sistema, retirando-lhe aquilo que o sustentava – o medo.

Assim, as Repúblicas Soviéticas, usando as suas constituições “independentes”, abandonaram uma estrutura que era mantida pela hegemonia do Partido Comunista e pelo sistema securitário. Porém, uma das preocupações nas negociações finais entre americanos e soviéticos foi a salvaguarda de um certo espaço livre entre as fronteiras da NATO e da Rússia.

O Presidente George H. Bush e os seus colaboradores, especialmente o Conselheiro Nacional de Segurança, general Brent Scowcroft, homens de formação realista, avessos a paixões ideológicas e conhecedores da História e da mentalidade russas, prepararam com toda a cautela o soft landing da URSS, percebendo que um Estado com semelhante poder militar e nuclear tinha de ser respeitado e bem tratado para não dar origem a fenómenos de ressentimento nacional de tipo hitleriano.

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O QUE SIGNIFICA DEFENDER A EUROPA? | por Slavoj Žižek | Opinião – DN

Após o ataque russo à Ucrânia, o governo esloveno imediatamente proclamou a sua prontidão para receber milhares de refugiados ucranianos. Como cidadão esloveno, senti-me não só orgulhoso como também envergonhado.

Afinal, quando o Afeganistão caiu para os talibãs há seis meses, esse mesmo governo recusou-se a aceitar refugiados afegãos, argumentando que eles deveriam ficar no seu país e lutar.

E há alguns meses, quando milhares de refugiados – principalmente curdos iraquianos – tentaram entrar na Polónia vindos da Bielorrússia, o governo esloveno, alegando que a Europa estava sob ataque, ofereceu ajuda militar para apoiar o vil esforço da Polónia para os manter afastados.

Em toda a região, surgiram duas espécies de refugiados. Um tweet do governo esloveno em 25 de fevereiro esclareceu a distinção: “Os refugiados da Ucrânia vêm de um ambiente que é no seu sentido cultural, religioso e histórico algo totalmente diferente do ambiente de onde os refugiados do Afeganistão estão a sair”. Após um clamor, o tweet foi rapidamente apagado, mas a verdade obscena foi divulgada: a Europa deve defender-se da não-Europa.

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Os militares e a análise da guerra no espaço público | Carlos de Matos Gomes

Esta guerra na Ucrânia é como todas a outras. É um facto político recorrente. Pode ser analisado recorrendo a métodos racionais ou emocionais. Para os militares esta guerra é analisada recorrendo à racionalidade. Qual é o objetivo da guerra: «Destruir o inimigo ou retirar-lhe a vontade de combater» (Clausewitz — A Guerra). Quando uma parte destrói o inimigo a guerra termina com uma rendição; quando uma parte entende que é mais ruinoso jogar no tudo ou nada, que perdeu o ânimo para combater a guerra termina por negociação. 

Os militares reconhecem a ineficácia de insultar os contendores, exceto para os implicados no fragor do combate e da batalha, como escape das ansiedades. Os militares também sabem que a análise de uma guerra não depende da bondade e ou maldade dos propósitos dos contendores, mas do seu potencial, o que inclui equipamento, treino, comando e combatividade. Os militares sabem que o resultado das guerras entre Atenas e Esparta, das invasões romanas, napoleónicas e nazis, a batalha de Trafalgar, ou de Lepanto, a ocupação das Américas e de África não foi determinado pela moral, nem pelos princípios da guerra justa, já de si um conceito bastante difuso, que hoje surge associado a um outro que é o do Direito Internacional, aplicado segundo as conveniências e os preconceitos, de forma amoral, porque hipócrita. 

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Norma Jeane Mortenson | Los Angeles

Nascida em Los Angeles, 1 de junho de 1926 — Brentwood, 4 de agosto de 1962) foi uma atriz, modelo e cantora norte-americana. Como estrela de cinema de Hollywood, é um dos maiores símbolos sexuais do século XX, imortalizada pelos cabelos loiros e as suas formas voluptuosas. Inicialmente, ficou famosa por interpretar personagens cômicos, tornando-se sucesso no cinema. Apesar de sua carreira ter durado apenas uma década, seus filmes arrecadaram mais de duzentos milhões de dólares até sua morte inesperada em 1962. Mais de cinquenta anos após sua morte, continua sendo considerada um dos maiores ícones da cultura popular.

Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003 | por Carlos Esperança

Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003

Na tarde de hoje, há 19 anos, na base das Lajes, teve lugar a cimeira da guerra onde, em macabra encenação, foi anunciada a invasão do Iraque.

George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar foram recebidos pelo mordomo luso, que fora a Londres ver as provas das armas químicas de Saddam Hussein, mentira que serviu de pretexto à agressão. Os sinistros cruzados já antes tinham decidido a invasão que ali fingiram acordar. Isso mesmo veio a ser confirmado num relatório parlamentar britânico.

Na Assembleia da República, em Portugal, o PSD e o CDS, então maioritários, votaram a participação no crime. Só não seguiu uma força militar, com desgosto de Paulo Portas, então ministro da Defesa, por oposição do honrado PR, Jorge Sampaio, invocando a sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas. A direita parlamentar e o seu governo avançaram então com um contingente da GNR.

Barroso, esse gigante da ética, videirinho e vil, havia de dizer, muito depois, que teve o apoio do PR, reincidindo em mais uma mentira que apenas reforçou a pusilanimidade do cúmplice.

Hoje, volvidos 19 anos, centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados são as vítimas doe crime cujos autores ficarão impunes.

Então, a Europa herdeira do Iluminismo, a Europa da cultura e das democracias em que me revejo, renunciou ao ideal de paz para ser satélite de interesses alheios e cúmplice de uma invasão idêntica à que ora sofre, por três líderes que a desonraram.

É por isso que a luta contra o esquecimento exige que se recordem os autores amorais da invasão que destruiu um país, destabilizou o Médio Oriente e perturba o Mundo.

Não podemos esquecer.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

VERDI, AIDA “MARCHA TRIUNFAL”

AIDA Es un nombre femenino que significa “visitante” o “regresando” es una ópera en cuatro actos con música de Giuseppe Verdi y libreto en italiano de Antonio Ghislanzoni, fue estrenada en el Teatro de Ópera del Jedive en El Cairo el 24 de diciembre de 1871 Y dirigida por Giovanni Bottesini.

En contra de la creencia popular, la ópera no se escribió para conmemorar la inauguración del Canal de Suez en 1869, ni tampoco para el Teatro de Ópera del Jedive en el Cairo y el mismo año.

Es cierto que A Verdi le pidieron componer una oda para la apertura del Canal, pero declinó la petición arguyendo que no escribía “piezas ocasionales”, más cuando Verdi leyó el argumento escrito por Auguste Mariette lo consideró como una buena opción y finalmente aceptó el encargo el 2 de junio de 1870.

Música | Aïda, Aida, Act II: Triumphal March

Artista | Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, Carl-August Bünte

VIAGEM AO PASSADO POR CAUSA DO PRESENTE | por José Pacheco Pereira in Jornal Público | 22/12/2012 (nós, humanidade, não temos vergonha – vcs)

Hoje tudo é muito diferente em relação ao passado, mas também muita coisa é demasiadamente igual.

No final do século XIX, princípio do século XX, o incipiente operariado português concentrava-se em poucas fábricas dignas desse nome no Norte do país, em particular no Porto, e numa multidão de pequenas oficinas em Lisboa e Setúbal e nas principais cidades do país. Eram operários e operárias, tabaqueiros, têxteis, soldadores, conserveiros, corticeiros, mineiros, padeiros, alfaiates, costureiras, cinzeladores, cortadores de carnes verdes, carpinteiros, fragateiros, estivadores, carregadores, carrejonas no Porto, carvoeiros, costureiras, douradores, etc., etc. Havia uma multidão de criados e criadas, criadas “de servir”, e muito trabalho infantil em todas as profissões, em particular nas mercearias, onde os marçanos viviam uma infância muitas vezes brutal, dormindo na loja e carregando com cargas muito pesadas. Falei em operariado, mas na verdade, muito poucos correspondem ao conceito, porque se trata mais de artífices, trabalhadores indiscriminados, e em muitos casos com profissões hierarquizadas em que os aprendizes eram sujeitos a todos os abusos. Havia depois uma aristocracia operária, essencialmente entre os que faziam tarefas qualificadas e mais bem pagas, como era o caso dos tipógrafos, que sabiam ler e por isso tinham um mundo social diferente. Antero de Quental foi tipógrafo de passagem.

Deixo o campo de lado, em que a maioria dos portugueses ainda vivia, onde havia igualmente um território obscuro e pouco conhecido que despertou com a I República, os trabalhadores rurais alentejanos. Estes viviam uma vida violenta e esquecida no meio do deserto alentejano. Nos meios rurais vários grupos de trabalhadores vegetavam na mais negra miséria e vendiam o seu trabalho sazonalmente, nas vinhas do Douro, nos campos do Alentejo e Ribatejo como maltezes e ratinhos. O que de mau se pode dizer das cidades, pode-se dizer pior do campo ou das vilas piscatórias do litoral e mineiras do interior.

A economia do mundo operário centrava-se no salário muito escasso, na renda de casa, numa vila operária ou numa “ilha” se fosse no Norte do país, onde se amontoavam em condições higiénicas e sanitárias inimagináveis. A epidemia de cólera no Porto, e a habitual ocorrência de tifo, demoraram muito anos a lembrar os governantes do problema de insalubridade da “habitação operária” e deram origem aos bairros sociais no salazarismo.

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O Fim da Civilização | Gustave Flaubert, in ‘Memória de um Louco’

Quando se extinguirá esta sociedade corrompida por todas as devassidões, devassidões de espírito, de corpo e de alma? Quando morrer esse vampiro mentiroso e hipócrita a que se chama civilização, haverá sem dúvida alegria sobre a terra; abandonar-se-á o manto real, o ceptro, os diamantes, o palácio em ruínas, a cidade a desmoronar-se, para se ir ao encontro da égua e da loba.

Depois de ter passado a vida nos palácios e gasto os pés nas lajes das grandes cidades, o homem irá morrer nos bosques. A terra estará ressequida pelos incêncios que a devastaram e coberta pela poeira dos combates; o sopro da desolação que passou sobre os homens terá passado sobre ela e só dará frutos amargos e rosas com espinhos, e as raças extinguir-se-ão no berço, como as plantas fustigadas pelos ventos, que morrem antes de ter florido.

Porque tudo tem de acabar e a terra, de tanto ser pisada, tem de gastar-se; porque a imensidão deve acabar por cansar-se desse grão de poeira que faz tanto alarido e perturba a majestade do nada. De tanto passar de mãos e de corromper, o outro esgotar-se-á; este vapor de sangue abrandará, o palácio desmoronar-se-á sob o peso das riquezas que oculta, a orgia cessará e nós despertaremos.

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As dimensões racista, xenófoba, misógina ou globalmente autocráticas | João Mendes

Há quem não compreenda as dimensões racista, xenófoba, misógina ou globalmente autocrática – to name a few – do Chega. Pior: há quem as compreenda, compreendendo também as consequências que daí resultam, mas opta por desvalorizar e normalizar, por ódio à esquerda, por simpatia envergonhada pelo Chega ou por comungar do mesmo ideário. Ou por todos estes motivos. E mais alguns.

Daqui salta-se quase sempre para a vitimização. E uma das modalidades de vitimização mais comuns é esta: então e a extrema-esquerda? Quando me deparo com esta sobrevorização do papel de micropartidos como o MRPP ou o MAS, fico sempre perplexo. Bem sei que o MRPP defende a morte dos traidores, mas será que alguém os leva a sério? Têm relevância política? Recebem financiamento significativo que possa transformar estes partidos numa ameaça real? Não, não e não. Três vezes não.

Depois percebo que estão a falar do BE e o PCP. E pergunto-me, como pergunto a essas pessoas, quando me cruzo com elas, que ameaça representam estes dois partidos. Raramente obtenho uma resposta clara e objectiva. Só frases feitas e clichés. Aparentemente, o BE quer impor uma ditadura em que todos temos que ser gays. E quer sair da Europa. E do Euro. Raios, isto é uma grande ameaça! Imagino-os logo na rua, de cabeça rapada, a espancar transeuntes pelo seu europeismo. Fico até com algum medo, na medida em que sou acérrimo defensor da UE, e a seguir posso ser eu.

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Mão Invisível | uma história do neoliberalismo em Portugal | por Ricardo Paes Mamede

Desde os anos 80, as ideias económicas conhecidas por neoliberais tornaram-se dominantes em Portugal. A sua aplicação, em consonância com a integração europeia, modificou as estruturas económicas, mas registou fracos resultados no desenvolvimento do país. Como foi que essas ideias chegaram a Portugal, se difundiram e espalharam até se tornarem hegemónicas? E por que é tão difícil removê-las? Este filme procura responder as estas perguntas e questionar o futuro. Este trabalho tem o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT/MEC), através de fundos nacionais, e é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER, através do Programa Operacional Competitividade e Inovação – COMPETE2020, no âmbito do projeto RECON – Que ciência económica se faz em Portugal? Um estudo da investigação portuguesa recente em Economia (1980 à atualidade).

POSTAL DO DIA | António Lacerda Sales | por Luís Osório

1.

Muito se falou na noite eleitoral da vitória esmagadora de António Costa.

Do modo como o PS conseguiu ganhar em todos os distritos – com a exceção da Madeira. Uma coisa que nunca acontecera na história da democracia. E muito se acentuou que Bragança, Viseu e Leiria eram objetivos que ninguém pensaria poder alcançar.

Então no distrito de Leiria era mesmo considerado impossível.

Nunca antes o PS lá vencera.

Aconteceu.

2.

E estou convencido de que a influência de António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde e cabeça de lista no distrito, foi determinante.

Muitas vezes, as elites políticas e jornalísticas esquecem-se que as pessoas boas, as que passam uma imagem de bondade, seriedade e amor pelo próximo podem ser decisivas – esquecem-se do fator humano.

Lacerda Sales está nesse grupo.

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Miguel Esteves Cardoso e o SNS

“Se não fosse o NHS – o sistema de saúde do Reino Unido, onde nasceram, muito prematuramente, as minhas filhas – elas não teriam sobrevivido. Elas devem a vida ao NHS. E eu devo-lhe o amor e a alegria de conhecer a Sara e a Tristana, para não falar no meu neto, António, igualmente devedor, mais as netas e netos que aí vêm.

Se não fosse o SNS (Serviço Nacional de Saúde) eu teria morrido em 2005, com uma hepatite alcoólica causada unicamente por culpa minha. Seria também coxo, quando me deram uma prótese para anca. E, sobretudo, teria morrido, se o SNS não me tivesse dado o antibiótico caríssimo (Linozelid) que me salvou do MRSA assassino que me infectou durante a operação.

Se não fosse o SNS, a Maria João, o meu amor, estaria morta. Se não fossem o IPO e o Hospital de Santa Maria, pagos pelo SNS, ela não estaria viva, por duas vezes.

Sem a NHS e o SNS, eu seria um morto, sem mulher, filhas ou netos. Estaríamos todos mortos ou condenados à inexistência.

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Branislav Hrvol | Você está perguntando sobre os resultados da “agressão” russa? | in Facebook

24 de dezembro de 2021

Um blogueiro finlandês chocou o Facebook quando publicou este artigo: Você está perguntando sobre os resultados da “agressão” russa? Eles são os seguintes: metade da Europa e parte da Ásia obteve a sua cidadania das mãos deste Estado em particular.

Vamos nos lembrar de quem exatamente:

– Finlândia nos anos 1802 e 1918… (até 1802 nunca teve seu próprio estado).

– Letônia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).

– Estónia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).

– A Lituânia restaurou o seu estado em 1918 graças à Rússia.

– A Polónia restaurou o seu estado com a ajuda da Rússia duas vezes, em 1918 e 1944. A divisão da Polónia entre a URSS e a Alemanha é apenas por um curto período de tempo!

– A Roménia nasceu como resultado das guerras russo-turcas e tornou-se soberana pela vontade da Rússia em 1877-1878.

– A Moldávia como um estado nasceu dentro da URSS.

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Na noite das eleições | Paulo Querido

Na noite das eleições “ao lado de António Costa sentava-se Pedro Nuno Santos, o seu maior adversário interno e o que mais ameaça ou difere do seu legado ideológico.

O diretor de campanha de António Costa foi Duarte Cordeiro, um dos melhores amigos de Pedro Nuno Santos.

Como secretário-geral adjunto apresenta-se José Luís Carneiro, ex-braço direito de António José Seguro.

No penúltimo comício de campanha apareceu Manuel Alegre que nos últimos anos criticou mais vezes António Costa do que elogiou.

Apesar de muito aplaudido por muitos de nós sempre que desanca na Geringonça, Sérgio Sousa Pinto nunca esteve em causa nas listas do PS.

António Costa mostrou aos portugueses que sabia unir, sabia fazer pontes quer com os seus adversários internos quer externos.”

Quem escreveu este que é um dos melhores elogios a António Costa (e ajuda a compreender a facilidade com que tantos eleitores lhe deram a maioria absoluta, ainda que tenha contado mais a excelente prestação económica dos últimos 6 anos) foi Duarte Marques.

O antigo deputado do PSD (que eu não lia há mais de 10 anos) estava a desancar em Rui Rio precisamente por ter ‘secado’ as oposições internas, numa via diametralmente oposta à de Costa.

A forma, tão de direita, tão das direitas, a antiga em ciclo decrescente e as duas extremas que estão em ciclo crescente, como se olha para as eleições como se de um jogo se tratasse, em que se vence para esmagar o inimigo, como se olha para o Parlamento como um território a capturar e como se vê o Governo como uma ferramenta legal para açaimar e desapoderar todos os que não são da tribo é um dos Grandes Males da democracia.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

Harrison Ford at IUCN Congress | 03/09/2021

“É difícil ler as manchetes e dizer aos filhos que está tudo bem. Não está tudo bem”, desabafa Harrison Ford | in https://www.pensarcontemporaneo.com

Suzana Camargo / Conexão Planeta

Esta não foi a primeira vez que o ator e ambientalista americano Harrison Ford fez um discurso forte e contundente. No ano passado, disse que “Nossa maior ameaça não é a crise climática. Mas as pessoas que estão no poder e não acreditam na ciência”. Há poucos dias, durante a abertura do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), realizado em Marselha, na França, ele voltou a arrancar aplausos do público. Durante cinco minutos, falou com muita honestidade e demonstrou toda sua frustração perante o momento que vivemos.

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Pedro Nuno Santos no Comício em Aveiro | Legislativas 2022 | Discurso escrito + Discurso em vídeo

Deixo-vos o meu discurso ontem em Aveiro:

Caros camaradas e amigos,

No próximo domingo, o país vai ter de fazer uma escolha. Uma escolha entre um governo do Partido Socialista e um governo de direita. Os portugueses precisam, por isso, de conhecer os valores em que acreditam os partidos e as políticas que defendem para responder aos problemas do país. Vejamos algumas propostas emblemáticas que a direita apresenta aos portugueses.

– O líder do PSD defendeu num debate televisivo o regime misto de Segurança Social. Isto é, as pensões teriam uma parte financiada pelo sistema público e outra por um sistema de capitalização individual. Este sistema criaria dois problemas graves: primeiro, colocaria parte das pensões dos reformados na bolsa, correndo-se o risco de perder tudo como aconteceu com milhares de reformados americanos a seguir à grande crise financeira; segundo, provocaria um rombo nas contas públicas porque durante algumas décadas o Orçamento do Estado teria de financiar a parte das pensões, dos reformados atuais, que deixaria de ser financiada pelos descontos dos que hoje estão a trabalhar e a descontar. Esta proposta traduz uma determinada visão de sociedade.

– O CDS defende o cheque-ensino. Dizem-nos que isso daria a possibilidade às famílias da classe média de estudarem nos colégios dos ricos. Só não foi capaz de explicar que o que aconteceria era que os preços dos colégios mais caros subiriam na proporção do cheque-ensino e que assim continuariam reservados aos mais ricos. Teríamos colégios privados assim-assim para a classe média e continuaríamos a ter os melhores colégios só para os mais ricos. A única coisa que aconteceria era que o Estado passaria a ter menos dinheiro para melhorar a escola pública e pagar mais aos professores e passaria a financiar o negócio privado de educação. Mas esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.

– Já a Iniciativa Liberal quer convencer alguns jovens qualificados a defenderem o desmantelamento do Estado que lhes permitiu qualificarem-se e, enfim, defende uma taxa única de IRS. Isto é, defende uma reforma fiscal que devolveria mais dinheiro aos mais ricos e menos, ou nenhum, aos que ganham menos. Uma reforma fiscal que em vez de diminuir a desigualdade a aumentaria de forma grave. A redução do IRS para os mais ricos obrigaria a reduzir a oferta de serviços públicos de que beneficiam todos os portugueses – que, depois, teriam que ainda gastar dinheiro a comprar esses serviços no privado, sujeitando-se a todas as arbitrariedades. Também aqui o maior problema é que esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.

  • Camaradas e amigos, o que atravessa todas estas propostas da direita portuguesa é uma visão profundamente individualista da sociedade. É a ideia que as pessoas se interessam, aliás, se devem apenas interessar com as suas vidas; a ideia de sociedade de cada um por si, sem querer saber o que acontece aos outros. É por isso que dá tanta centralidade ao mercado; e é por isso que nunca fala de desigualdades. Acredita numa sociedade de vencedores e vencidos, em que o sucesso de alguns é o insucesso de muitos.
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O PS é herdeiro de Leon Blum e Olof Palme e não de Trótski e Lenine | Manuel Alegre | 28.01.2022 | O que é a Social-Democracia

Swedish Prime Minister Olof Palme was fatally shot at point-blank range on one of the busiest streets in downtown Stockholm as he and his wife, Lisbet, were leaving a movie theater on Feb. 28, 1986.

BLUM LÉON

(1872-1950)

Haï et injurié de son vivant par ses adversaires politiques comme rare ment ce fut le cas dans la vie politique française, Léon Blum apparaît aujourd’hui, avec le recul du temps, comme un des acteurs principaux de l’évolution de la France vers la modernité et la justice sociale ; il est aussi à placer parmi les penseurs du socialisme français au XXe siècle.

Venu au socialisme au début du siècle, cet intellectuel marqué par l’affaire Dreyfus, « disciple » de Jaurès, eut la redoutable charge d’incarner le socialisme démocratique alors que les guerres mondiales et les totalitarismes semblaient entraîner l’Europe vers la barbarie. Souvent, les penseurs socialistes ont eu la chance de rester à l’écart des difficultés du pouvoir ; Blum fut contraint d’affronter les responsabilités suprêmes de chef de gouvernement en un moment dramatique, alors que la France était au bord de la guerre civile. Plus tard, prisonnier politique, déporté, il devint « le sage » de la résistance socialiste pendant la Seconde Guerre mondiale. À la fin de sa vie, il dut encore monter au créneau au temps de la guerre froide.

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O SEXO DOS ANJOS OU A OPORTUNIDADE PERDIDA | Paulo Sande

A campanha eleitoral chega ao fim. Entretanto, das longínquas fronteiras eslavas ecoam sons de guerra. A NATO está pronta, anuncia o seu secretário-geral. E em Portugal, o que se disse sobre essa eventualidade?

O SEXO DOS ANJOS OU A OPORTUNIDADE PERDIDA

28 de maio de 1453. Constantinopla, a capital do Império Bizantino, a pérola do Levante, o símbolo da Cristandade na fronteira oriental, está cercada por 80 mil turcos comandados por Mehmed II. O imperador Constantino XI, último de seu nome, resiste desesperadamente, à cabeça de 7 mil homens mal-armados.

Em concílio, enquanto os soldados morrem, na Santa Catedral de Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, os clérigos cristãos, hesicastas e místicos, reunidos no âmbito da Escola Patriarcal, discutem um assunto fundamental para o futuro da humanidade:

Que sexo têm os anjos?

SOAM OS TAMBORES DE GUERRA

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CINTIA MARTINS | RACISMO | DESPORTO | EDUCAÇÃO | POLÍTICA | António Carlos Cortez

CINTIA MARTINS é atleta do Sporting. Joga futebol, é talentosa e respeitada no clube por colegas, treinadores e dirigentes. Num jogo com a FUNDAÇÃO SALESIANOS, alguém a ofendeu, gritando “Macaca vai para a tua terra”.

Soube desta tristíssima notícia através dum post de Luís Osório. Junto-me à sua indignação e acrescento alguns dados e ideias.

Não só o CHEGA é um partido que tem alimentado o discurso racista em Portugal, como, provincianamente, procura normalizar-se a sua presença na nossa democracia. Um dos problemas que urgentemente o PS, o PSD e o PCP e o CDS – partidos que fizeram o regime democrático, fundando-o com Soares, Cunhal, Sá-Carneiro e Freitas do Amaral, – têm de resolver é este:

– não pactuar de forma alguma com o CHEGA. Há um princípio bíblico de que se deveriam lembrar: não se fazem festas a cobras. É responsabilidade de Costa e Rui Rio, de Chico e de Jerónimo de Sousa denunciar André ventura e condenar veementemente os comportamentos racistas, sexistas, xenófobos e machistas que vão fracturando a sociedade portuguesa.

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“Apelo” | Carlos Drummond de Andrade

Em 1965, a jovem Nara Leão, então com 23 anos, dá uma entrevista por telefone a um jornal brasileiro em que critica duramente o regime militar ditatorial acabado de instalar: “Sou contra militar no poder. Considero os exércitos, no plural, desnecessários e prepotentes.” A censura ainda não tinha sido instaurada no país e a musa da Bossa Nova, que deve conhecer do clássico “João e Maria”, enfrentava a ameaça de prisão e tortura. Mas não vacilava: “Não mudo de opinião.” O poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, que nem a conhecia pessoalmente, escreveu então um poema ao marechal-ditador Castelo Branco que mandou publicar nos jornais.

É assim: 

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AS ORIGENS | A albergaria de Minde | 20 de Janeiro de 1165 | por Abílio Madeira Martins

Nos recuados tempos da fundação da monarquia a região montanhosa denominada Maciço Calcário Estremenho era certamente o que, nos tempos atuais, se poderia chamar um maravilhoso e genuíno parque natural.

Poderiam considerar-se como povoados demarcantes de toda essa vasta área, então praticamente despovoada, as vilas de Alcobaça, Aljubarrota, Porto de Mós, Ourém, Torres Novas e Alcanede que balizavam um perímetro de mais de 120 quilómetros, e entre elas a espessura dos matos ou o escalvado dos fraguedos onde o chão minguava, intercalados com a exuberância dos bosques que preenchiam as pregas e os covões de terra funda, quais oásis disseminados pelo imenso manto verde do corpo da serrania.

Era preciso que esta enorme cadeia rochosa, a servir de barreira às ligações entre o norte e o sul, o litoral e o interior, se tornasse mais fácil de transpor por quem, se viesse a meter pelas suas brenhas.

Foi o reconhecimento dessa necessidade que levou o rei D. Afonso Henriques a decretar a criação de albergarias em lugares estratégicos do maciço com vista a darem poiso e apoio aos transeuntes nos trajetos viáveis indicados pela conjugação de vales e portelas. Daí a fundação da albergaria de Minde, por carta régia desse mesmo rei, datada de 20 de Janeiro de 1165 no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Esta carta que, com alguma lógica , se pode considerar a certidão de nascimento de Minde como povoação, confere-lhe, portanto, existência institucional desde os primeiros anos da monarquia.

in Martins, Abílio Madeira, “A herança de Dom David”. Folheto Edições e Design, 15-17

Retirado do Facebook | Mural de Junta de Freguesia de Minde

2022 | António Carlos Cortez

– ameaça de guerra na Ucrânia

– conflito entre China e EUA por causa de Taiwan

– desastre humanitário no Iémen

– multiplicação dos eventos climáticos extremos

– Índia e China não cumprem na íntegra o protocolo de Quioto

– continuação de ataques terroristas

– continuação de crimes com armas de fogo em estabelecimentos de ensino, seja nos EUA, na Rússia ou em França

– ameaça da extrema-direita vir a ser poder em França

– ameaça de guerra no médio-oriente devido às tensões sobre o nuclear no irão e a questão israelo-palestiniana

– em África o perigo de fome de proporções bíblicas, da Etiópia à Eritreia, do Níger à Somália milhões poderão morrer

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Fernão de Magalhães | um herói de Portugal para o mundo | A Era dos Descobrimentos | in Ncultura

A Era dos Descobrimentos tornou Portugal num país poderoso. Outro país, Espanha, também se revelou influente. Um nome tornou-se numa referência, Fernão de Magalhães.

Ao longo da nossa história, com quase 900 anos, foram vários os momentos marcantes. No entanto, poucos momentos terão sido tão notáveis como a Era dos Descobrimentos.

Fernão de Magalhães (1480-1521)

Fernão de Magalhães foi um fidalgo da pequena nobreza, existindo diferentes versões que identificam locais de nascimento distintos. Uns defendem Trás-os-Montes, enquanto outros historiadores defendem que ele terá nascido no Porto.

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FELIZ NATAL | 24.12.2021

Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os braços e viver a vida:
– Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa… em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!

FLORBELA ESPANCA

Se lhe oferecem uma magia antissistema, desconfie | Francisco Louçã | in Jornal Expresso

A frase trumpista de Rui Rio pode resultar simplesmente de uma sobre-representação num mundo em que não há coincidências mas sobram poses, ou pode até constituir uma revelação da sua metade obscura, o indizível de uma apetência radical, ambas as interpretações correram ontem pela tinta das gazetas e das redes sociais. Tudo ligeiramente ridículo: a “América grande” era o discurso imperial na maior potência militar e financeira do mundo, ao passo que a promessa de “Portugal grande” é assim um arremedo de coisa pouca, sem projeto económico que não seja a obediência a Bruxelas e, quando muito, a Frankfurt. Em qualquer caso, foi o suficiente para Ventura se entusiasmar: “Rui Rio aproximou-se mais do discurso antissistema – aliás ele próprio usou a expressão antissistema – do que fez durante todo o seu mandato”, disse o chefe da extrema direita, para depois concluir que “já temos um caminho para andar. Agora, vamos ver se andamos ou se não andamos”. Andando por aí fora, “Rui Rio pode ter dado o primeiro passo para conseguirmos um governo de direita em Portugal”, concluiu ele, com um brilhozinho nos olhos.

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Pedro Hispano | o português mais poderoso de sempre | in vortexmag

Quem foi Pedro Hispano? O português mais poderoso de sempre viveu na Idade Média e foi o Papa João XXI. Conheça a sua história e como chegou a Papa.

A 20 de setembro de 1276, Pedro Julião (ou Pedro Hispano, como também era conhecido) foi coroado com o nome de Papa João XXI, uma semana depois da sua eleição para o papado, em Viterbo. Esta votação esteve envolvida nalguma agitação, já que o seu predecessor, Adriano V, tinha falecido prematuramente, pouco mais de um mês após a sua eleição.

Numa altura em que na Europa prevaleciam os conflitos e guerras entre vários pequenos reinos e com a ameaça dos muçulmanos à porta, ser Papa significava ser a pessoa mais poderosa do mundo naquela época. Reis, nobres e povo… todos deviam obediência ao sumo pontífice. Era ele quem ditava as leis, estabelecia as regras e mediava conflitos.

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Para o centro, direita volver | Francisco Louçã in Jornal Expresso

E, pronto, Rui Rio arrasou as previsões, o aparelho e as conveniências do seu principal opositor externo, o primeiro-ministro. Fica assim definido o quadro das eleições de janeiro, com um PSD a procurar somar votos do centro por via da polarização à direita, com o PS a procurar votos de centro usando a guerra contra as esquerdas, que procuram impedir aquele salto para o bloco central, com o PAN a oferecer-se tanto ao PS quanto ao PSD e com o CDS a lutar pela sobrevivência face ao Chega, que insinua um convite a Telmo Correia. Tudo no seu lugar, mas ainda sobram algumas incógnitas.

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Albert Einstein | Leçon de vie

Un jour, Albert Einstein a écrit sur tableau :

9 x 1 = 9

9 x 2 = 18

9×3 = 27

9×4 = 36

9×5 = 45

9 x 6 = 54

9 x 7 = 63

9 x 8 = 72

9 x 9 = 81

9 x 10 = 91

Le chuchotement a soudainement commencé dans la salle parce qu’Einstein s’est trompé.

La bonne réponse est : 9×10=90

Tous ses élèves se moquaient de lui. Einstein a attendu que tout le monde se taise et a dit: “Même si j’ai résolu neuf problèmes correctement, personne ne m’a félicité. Mais quand j’ai fait une erreur, tout le monde a commencé à rire.”

“Cela signifie que même si une personne réussit, la communauté remarquera sa moindre erreur et elle l’aimera. Alors ne laissez pas la critique détruire vos rêves. La seule personne qui ne fait jamais d’erreurs est celle qui ne fait rien.”

O homem Massa | Günther Anders | ′′ A obsolescência do homem ′′ 1956 | via Manuel Tavares

Foi em 1956 que o filósofo judeu alemão Günther Anders escreveu essa reflexão premonitória:

′′ Para sufocar antecipadamente qualquer revolta, não deve ser feito de forma violenta. Métodos arcaicos como os de Hitler estão claramente ultrapassados. Basta criar um condicionamento coletivo tão poderoso que a própria ideia de revolta já nem virá à mente dos homens. O ideal seria formatar os indivíduos desde o nascimento limitando suas habilidades biológicas inatas…

Em seguida, o acondicionamento continuará reduzindo drásticamente o nível e a qualidade da educação, reduzindo-a para uma forma de inserção profissional. Um indivíduo inculto tem apenas um horizonte de pensamento limitado e quanto mais seu pensamento está limitado a preocupações materiais, medíocres, menos ele pode se revoltar.

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O 25 de Novembro e a sua novembreza | Carlos Matos Gomes

Escrevi há poucos dias um texto sobre o evento de apresentação do franchising português da CNN, realizado no edifício dos Jerónimos, na parte ocupada pelo Museu Arqueológico. Considero que os monumentos nacionais, evocadores do passado, podem e devem ser utilizados para eventos marcantes do presente. E o que se comemorava a 22 de Novembro é marcante em termos de apresentação e representação de um novo poder, da novembreza.

Não tive uma palavra de expetativa sobre o produto que vai entrar no mercado. Portugal é um pequeno país, não produz acontecimentos de relevo mundial, vive uma cómoda paz, felizmente. As notícias sobre Portugal serão sempre casos menores. A primeira página do tabloide Correio da Manhã, ou do site do Sapo explicam a nossa insignificância. Sem ovos não se fazem omeletas e a estação CNN Portugal não fará o milagre de nos colocar no centro de um universo de manipulação informativa, a não ser em caso de grande catástrofe. Espremerá até à última gota os pequenos frutos locais (ia a escrever furtos e também se adequava). A notícia importante no happening dos Jerónimos foram os seus convidados, que se entrevistaram uns aos outros, mesmos os exilados por terem cometido excessos ao trepar.

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Terras da Beira | Jornal do Fundão, 21-09-2006 e Pedras Soltas (Ed. 2006) | Carlos Esperança

São cada vez mais os mortos que povoam os cemitérios e menos os vivos que restam. Os jovens saíram pelas estradas que invadiram o seu habitat. Fugiram das courelas que irmãos disputavam à sacholada e à facada, dos regatos que secaram a caminho das hortas, da humidade que penetrava as casas e os ossos, e da pobreza que os consumia.

Não há estímulo para permanecer. Não se percebe que as penedias tivessem custado vidas na disputa da fronteira, que homens se tivessem agarrado aos sítios e enchido de filhos as mulheres que lhes suportavam o vinho, a rudeza e os maus tratos.

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MINDE | INAUGURAÇÃO DO MUSEU ROQUE GAMEIRO | 21 Novembro DE 1970

FOI HÁ 51 ANOS QUE FOI INAUGURADO O MUSEU ROQUE GAMEIRO Em 21 de Novembro de 1970 Minde vivia momentos de grande agitação. Foi inaugurado o MUSEU ROQUE GAMEIRO e Minde recebeu a presença do Senhor Presidente da República, Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz.

Os membros da Junta de Freguesia de Minde eram Lourenço Coelho Anjos da Silva, seu Presidente, Manuel da Silva Micaelo e João Almeida Mengas, que lideraram o grupo que se empenhou com grande bairrismo na concretização deste belo projecto. O Presidente da Câmara era o Sr. José Maria Baptista. Recordamos também o Senhor Rogério Venâncio, figura ímpar e marcante da Cultura de Minde, sempre disponível e activo na colaboração com a Junta de Freguesia, tal como todos os membros da Comissão Instaladora do Museu Roque Gameiro. Os Mindericos estiveram orgulhosamente presentes na recepção ao Sr. Presidente da República, na inauguração e no almoço de confraternização que se seguiu. Liderava a Banda da Sociedade Musical Mindense o Sr. Padre Mário Marques dos Anjos, que acompanhou o desfile da população na recepção ao Sr. Presidente da República. Foi bonito. O Pintor Alfredo Roque Gameiro, que nasceu na casa onde foi inaugurado o Museu em 4 de Abril de 1864, tendo falecido em 4 de Agosto de 1935, é considerado o maior pintor aguarelista português.

21-11-2021 | Vítor Coelho da Silva

JORNAL DE MINDE | NOVEMBRO DE 1970

clicar no link

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ver 32 fotos alusivas ao evento

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Calão Minderico | Minde | Portugal

piacao3Piação do Ninhou – Linguagem  Comum 

António de Jesus e Silva , Augusto Porfírio Fragoso , Cid Manata Pires , Dr.Miguel Coelho dos Reis , José António de Carvalho , Prof. Abílio Madeira Martins , Tiago Madeira Martins , Vítor Manuel Coelho da Silva, 06-09-2013

CALÃO MINDERICO – PORTUGUÊS

Letra A

Abecê – Poucos ( são muito abecê = são muito
poucos )
Abobrar – Descansar
Abrilense – Cuco
Achega – Funcionário dos Correios ( mulher )
Migança ( homem )
nota : do apelido da primeira-chefe do
Correio de Minde
Adegueira – Vasilha ; pipa ( vid. Tavares )
Adueiro – Castanheiro ( vid. Tavares ; por dar
uma das madeiras mais usadas em aduelas
Agadanhar . Apanhar ; colher ; furtar
Agoirento – Mocho
Aguentas(Os…) – Os ombros
Albertinas – Bolachas
Aldeia Grande – Ourém
Aleluia – Pedra de grande peso ; tudo o que
represente peso
Alentejas – Azinhas
Alexandre – Coxo
Alexandrino – Fotógrafo
Alexandrinas – Fotografias( do nome de um fotógrafo que durante anos tirou fotos ” à la minuta ” na Feira de Sant’Ana
Alhandra(O de …) – O lume ; o fósforo ; uma fogueira – O de Alhandra preto=carvão
Alhoa – Praga ( Jordou pela d’el rei na piação da Alhoa = seguiu pela estrada a rogar pragas )
Alqueire ancho – Moio ; o equivalente a sessenta alqueires

Ver tudo:

http://minderico.net/artigo.asp?cod_artigo=123069

Site desactivado – em breve voltará ( Vítor Manuel Coelho da Silva )

PORTUGUÊS – CALÃO MINDERICO 

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Biografía Ludwig Van Beethoven

Beethoven pese a la profunda desesperanza que experimentó se inspiró para realizar la sinfonía cumbre de su carrera, la novena, apasionada y optimista, fue escrita por un Ludwig sordo que no podía vencer la miseria de la vida diaria, la finalizó basándose en el poema “Oda a la alegría” de Schiller que era un elevado himno a un Dios virtuoso y la hermandad entre todos los hombres. Enfermo, intentó escribir una décima sinfonía en un último gesto de poder ante la adversidad pero su propia imperfección heredada lo venció, ¿lo volveremos a ver? eso queda entre Jehová Dios y usted.

El mejor baile de pareja de la Historia | Eleanor Powell y Fred Astaire

Nunca volvieron a bailar juntos. Pero cuando lo hicieron, en 1940, se escribió la mejor página de la historia del baile. Eleanor Powell y Fred Astaire parecían la sombra de cada uno. Él nunca tuvo una pareja más competitiva y perfecta. Ella era él. Aquí les vemos al son del Begin the Beguine, la inmortal melodía de Cole Porter. Comenta brevemente la escena Frank Sinatra.

Un seguidor de este canal opina que Rita Hayworth era mejor bailarina que Eleanor Powell, y que bordó la Bossa Nova junto a Fred Astaire.

Quiero, al hilo de esto, matizar varias cosas: Rita tenía buen tipo y bailaba muy dignamente, pero nunca fue –para los estudios de cine– una experta del baile, como sí Eleanor Powell, quien, como Fred Astaire, Donald O’Connor, Ray Bolger, Gene Kelly, Vera-Ellen y otros grandes, se especializaron en ello. Cada cual en lo suyo. Es verdad que Fred sintió a Rita como su mejor pareja de baile, pero ella no puede competir con la maestría de la Powell en esta escena. Además, nunca bailaron la Bossa Nova juntos Fred y Rita, aunque se le haya puesto después esta melodía a alguna secuencia con ambos.

Rita Hayworth bailaba con mucho estilo, pero en este ámbito solo nos la dejaron conocer a medias.

En realidad, Eleanor Powell no formó pareja con Fred Astaire. Solo bailaron juntos en esta ocasión. Puede que Fred la tuviera mucho respeto, dada la altísima perfección de ella. Además, Eleanor se retiró pronto del mundo del espectáculo para convertirse en señora de Glenn Ford. Estoy de acuerdo con que Astaire tuvo otras buenas parejas, la más elegante, sin duda, Cyd Charisse, maravilla clásica en sus piernas infinitas. Cyd venía de otro estilo, el ballet clásico, lo mismo que Leslie Caron (quien acompañó a Fred en “Papá piernas largas”), y eso aportaba mucha clase al ritmo de temas como “Bailando en la oscuridad” (Dancing in the Dark), de “The Band Wagon” (1953).

História da minha viagem rumo ao socialismo | Helena Pato

Em 1964, com o fascismo no seu pleno, eu tinha 25 anos, ia a caminho de me tornar uma marxista-leninista convicta e militava fervorosamente nas fileiras do PCP. Para mim era sagrada a frase «um terço dos países do mundo e dois terços da humanidade vivem em regimes socialistas» e nunca duvidava de que o Socialismo seria o destino de toda Humanidade. Lembro-me de que sonhava com a oportunidade de, alguma vez no futuro, poder conhecer de perto o mais avançado desses países, a «pátria-mãe» das sociedades sem classes. Não havia de morrer sem ver o socialismo com os meus próprios olhos. O dia em que me comunicaram que iria integrar a delegação portuguesa ao Fórum da Juventude, em Moscovo, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Éramos dez – apenas duas raparigas – e nem todos militantes do partido. Saídos quase todos de Portugal e a conta- -gotas, concentrámo-nos, na maioria, em Paris. Aí se planeou cuidadosamente essa viagem à União Soviética e aí ficou (em turismo) um dos companheiros, ido de Lisboa, desistente por na reunião preparatória se ter apercebido do risco de ser preso no regresso ao país.

A 13 de Setembro, ainda era Verão na Europa ocidental, voei sozinha para Moscovo e trajada tão primaveril quanto me pedia a minha alma, pois não houve por perto uma criatura informada ou sensata, que me desse um lamiré acerca do frio rigoroso que, por essa altura, já se fazia sentir nas redondezas dos Montes Urais. Nevava quando desci a escada do avião, e não exagero se disser que a temperatura rondava os 15 graus negativos. Atravessei a pista em sandálias, de manga curta e casaquinho de malha, envolvida pela aba do casaco de pele de raposa, que vestia a opulenta cama rada russa, destacada para me receber na pista do aeroporto. Poucos minutos depois, colada à Elena – assim se chamava –, eu entrava, superprotegida, num sonho, numa história fantástica, construída nas muitas leituras de romances de Gorki e nos manuais de Lenine. No balcão da polícia ouvi falar russo pela primeira vez e o vozear dos funcionários transportou-me para as canções populares da revolução de 1917. «O socialismo começou aqui!» – pensei, enquanto a minha simpática acompanhante recusava, no tom firme do poder, a entrega do meu passaporte à polícia, facultando-lhes uma folha à parte, dobrada em quatro, destinada a ser carimbada, conforme o combinado entre a funcionária do meu partido e a Embaixada Soviética em Paris. Tudo muito bem delineado, já que, era sabido, carimbo de entrada num país socialista dava prisão pela PIDE no regresso a Portugal. Os enormes prédios na ampla e longuíssima avenida que percorri após a saída do aeroporto – primeiro eu e, nos dias seguintes, os restantes jovens portugueses – deixaram-nos embasbacados: naturais de um Portugal pobre e provinciano, nunca víramos nada as sim, e o nosso olhar estava particularmente desperto para admirar as glórias do socialismo.

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À procura do túmulo de Vergílio (Nápoles, Outubro 2021) Frederico Lourenço

Desde que descobri – já não sei como – que existe em Nápoles um lugar tido como o túmulo de Vergílio, não me largou mais a ideia de ir lá prestar homenagem ao deus maior do meu panteão. Graças ao talento organizacional do André, foi possível pôr essa aventura em marcha durante uma curta estadia em Itália. O problema foi perceber onde, em Nápoles, se situava o túmulo, já que toda a investigação que eu tinha feito (com a leitura de artigos eruditos em revistas de filologia clássica) me deixara sempre uma impressão confusa. O túmulo era em Posillipo (a colina nobre de Nápoles onde vivera a aristocracia na época romana – e o próprio Vergílio, muito provavelmente – e onde vivem agora os «calciatori», vedetas do futebol), ou no sopé da colina, em Piedigrotta?

E em qual dos dois parques napolitanos dedicados a Vergílio é que se situaria? No «Parco Virgiliano» ou no «Parco Vergiliano»? (Nunca nos livraremos do problema Vergílio/Virgílio…)

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Epístola sobre o que celebramos hoje | Todos os Santos. Há festa no Olimpo.

A ideia de a Igreja Católica Romana, através do Papa Bonifácio IV, no século sétimo, de dedicar o Panteão dos deuses romanos a todos os santos do cristianismo, de promover um festival de santos, o que na neolinguagem poderia ser uma Rave de santidade, foi e é, porventura, bem intencionada, mas não deixa de ser desanimadora.

Olhando a história da humanidade, e não só o seu presente, desde há quinze séculos que em vez de esperança, apesar dos esforços e sacrifícios de todos os santos, mártires, virgens, doutores, o que temos é um percurso do homem lobo do homem e predador da natureza. Os santos não conseguiram que o homem ganhasse, se não bondade e virtude, pelo menos juízo.

Este dia de Todos os Santos de 2021 não é diferente dos anteriores e não será, presume-se, diferente dos do futuro. No caso, todos os grandes santos do momento estiveram reunidos na cimeira do G-20 e partiram em voo de Roma para Glasgow, a fim de tratarem das ameaças das alterações climáticas que os santos que estiveram nas anteriores celebrações causaram com a sua ganância e perversidade, explorando recursos até os humanos comuns, os que não obtiveram reconhecimento de santidade, terem decidir se querem desaparecer afogados ou gaseados.

Entretanto, os atuais santos e os seus arcanjos, os que à volta deles surgem nos ecrãs de televisão e nas páginas de jornais gordinhos, a tocar trombetas, já fizeram desaparecer das preocupações as tristes figuras que lhes poderiam entortar a auréola dourada que paira sobre as suas cabeças e borrar as asinhas que os fazem flutuar.

De repente, os santos do momento, através dos seus mágicos manipuladores da realidade, fizeram desparecer as vergonhosas imagens do Afeganistão, por exemplo. Como estarão os homens e mulheres do Afeganistão a celebrar o dia de Todos os Santos? E os migrantes do Mediterrâneo? E os sírios? E os palestinianos? E os hondurenhos e haitianos? Não há, como parece evidente, santos que lhes valham. Nem todos juntos.

Sendo os santos tão historicamente inúteis o que celebramos hoje nos vários templos e púlpitos? Que som sai dos sinos?

Born 1946; retired military, historian Carlos Matos Gomes

Palácio Nacional da Ajuda

Na manhã de 1 de Novembro de 1755, a  Família Real estava na sua Quinta de Belém  quando eclodiu o Terramoto e a residência oficial régia-   Paço da Ribeira foi fortemente atingida.  O rei D. José I ficou em  pânico e recusou-se a  voltar a morar em  edifícios construídos “em pedra e cal”.

 A urgência da construção de um novo Palácio e o facto da Família Real ter sobrevivido ao cataclismo por se encontrar na zona de baixa sismicidade de Belém/Ajuda, justificou a escolha do local: o  alto da colina da Ajuda.

O Palácio, construído em madeira para melhor resistir a abalos sísmicos, ficou conhecido por Paço de Madeira ou Real Barraca.  O novo Paço, habitável desde 1761, veio a ser a residência da Corte durante cerca de três décadas. Em 1794, no reinado de D. Maria I, um incêndio destruiu por completo esta habitação real e grande parte do seu valioso recheio.

Coube a Manuel Caetano de Sousa, Arquitecto das Obras Públicas, a tarefa de projectar um novo palácio de pedra e cal, que foi traçado ainda de acordo com as tendências arquitectónicas do Barroco. Mais tarde a construção passaria por outras intervençoes arquitectónicas.  Para saber mais sobre esta história, basta acessar o link : http://www.pnajuda.imc-ip.pt/…/historia/ContentDetail.aspx

fontes:

texto – Palácio Nacional da Ajuda

imagem  – IMC- Palácio Nacional da Ajuda

Legenda da imagem: Palácio da Ajuda, Portugal, Enrique Casanova, século XIX (2ª metade), Ass.: «CA», Aguarela sobre papel, 20 x 27,5 cm, Aquisição: BTA,1991, Palácio Nacional da Ajuda, inv. 54502

Retirado do Facebook | Mural de Projeto Memória

Carl Perkins, George Harrison, Eric Clapton, Ringo Star | Medley – 9/9/1985 – Capitol Theatre

This clip is historic. Carl Perkins, George Harrison (who snagged/developed Carl’s licks to make his own sound), Eric who played with Carl during a Derek & the Dominos set on the Johnny Cash Show (YouTube it), Dave Edmunds, Ringo, cats from the Stray Cats, & Rosanne Cash.

The joy on their faces says it all! And George in awe, having the time off his life, looking at Carl for Daddy’s approval. And he got it! Thx for the upload!

Notas sobre a situação política | por Paulo Querido | Título de Vítor Coelho da Silva

O Governo cometeu algum erro gravíssimo? Não. Um conjunto de desastres? Não.

A pandemia foi mal gerida? Não.

Algum ministro foi julgado num escândalo de corrupção? Não.

Casos, houve. Há sempre casos. Mas houve algum caso grave, tipo terramoto político, capaz de abanar as intenções de voto? Capaz de alterar o rumo? Não se vislumbrou nem vislumbra. É de tal forma que as alminhas andam a agitar a sombra do acidente de Eduardo Cabrita há meses, em loop, um disco riscado, uma cassete triste — o ponto é: uma cassete única e um casinho lamentável, lamentavelzinho, inho. Grau 2 na escala de Richter política.

As finanças, como estão? As contas públicas estão bem e recomendam-se.

A economia está mal? Nem na cabeça do mais empedernido ayatollah da direita, o que inclui o Sol e i, quase toda a SIC, Observador, grande parte da TVI, metade do Expresso, pelo menos. A realidade é que Portugal está a crescer.

A crescer mais do que a previsão. A crescer acima da média europeia.

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TARRAFAL – o Campo da Morte Lenta (85.º aniversário) Texto atualizado | por Carlos Esperança

Há 85 anos, 29 de outubro de 1936, degredados, chegaram ao Campo de Concentração do Tarrafal 152 presos políticos. Nesse dia, com a chegada dos primeiros prisioneiros, começou a funcionar o presídio onde era mais doce a morte do que o Inferno da vida que os torturadores lhes reservavam.

Tinham sido 11 dias de viagem, de Lisboa ao Tarrafal, para a primeira leva de vítimas, grevistas do 18 de janeiro de 1934, na Marinha Grande, e alguns dos marinheiros que participaram na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro desse ano.

O Tarrafal foi demasiado grande no campo da infâmia e do sofrimento para caber num museu. Salazar teve aí, no degredo da ilha de Santiago, Cabo Verde, o seu Auschwitz, à sua dimensão paroquial, ao seu jeito de tartufo e de fascista.

Ali morreram 37 presos políticos desterrados, na «frigideira» ou privados de assistência médica, água, alimentos, e elementares direitos humanos, alvos de sevícias, exumados e trasladados depois do 25 de Abril.

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Histórias da História de Portugal | Mário Faria | 5 Outubro 1143

Via Celestino Gomes e Carlos Fino

A fundação ou a independência do Reino de Portugal não foi um acto circunstancial isolado. Foi um processo constituído por vários actores e acontecimentos, e não deveria ser atribuído a nenhum em específico.

O uso do título e a designação de Rei (Reino) de Portugal é muito anterior a D.Afonso Henriques.

O primeiro monarca a utilizá-lo foi Garcia II, Rei de Portugal e da Galiza, ainda que por um curtíssimo período, no ano de 1071:

H. R. DOMINUS GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE

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Afonso, O Conquistador | de Maria Helena Ventura 

SINOPSE

Esta é a história de um homem, do seu sonho e do nascimento de uma nação.

Tem nas suas mãos um romance épico: a vida de D. Afonso Henriques. Recorrendo a uma meticulosa pesquisa histórica, Maria Helena Ventura transporta-nos para o século XII e envolve-nos com as paisagens, culturas e figuras dessa época distante. No centro da acção está Afonso Henriques, o primeiro homem a sonhar Portugal, e que tornou esse sonho realidade com golpes de espada, traições familiares, intrigas religiosas e muita determinação.

Afonso chegou até nós como um homem sem medo, vencedor de batalhas impossíveis, líder na frente de combate e na frente diplomática. Mas Maria Helena Ventura vai mais longe e apresenta-nos um homem que faria as delícias de Maquiavel: astuto como poucos e sem escrúpulos sempre que necessário. E também um homem apaixonado pela vida, pelos filhos – fossem eles legítimos ou bastardos – e até pela mulher, que finalmente aprendeu a amar.

Amadurecendo de príncipe impulsivo para soberano ponderado, no fim da vida Afonso deixa-nos um território um pouco diferente daquele que temos hoje em dia. Sem ele não haveria Portugal nem língua portuguesa, e nunca as caravelas com a cruz de Cristo teriam partido em busca de novas paragens nem Camões cantado Os Lusíadas.

Biografia

Maria Helena Ventura nasceu em Coimbra, terra de toda a família materna. Mantém ainda uma profunda ligação afetiva ao Porto, de onde o pai era natural, e a Lisboa, para onde veio no final da adolescência, onde se licenciou e fez o Mestrado em Sociologia da Cultura. Vive no concelho de Cascais. É membro da IWA – International Writers and Artists Association, Sociedade de Geografia de Lisboa e Associação Portuguesa de Escritores. Tem dezanove títulos publicados, até ao momento: sete de poesia, onze de ficção (romance) e um título de literatura infantil, além de trabalhos académicos nas áreas da Sociologia da Educação e da Cultura.

Katharine Hepburn, en sus propias palabras. O Humanismo, essa atitude bela!

“Una vez, cuando era adolescente, mi padre y yo estábamos haciendo fila para comprar entradas para el circo. Finalmente, solo había otra familia entre nosotros y el mostrador de entradas.

Esta familia me causó una gran impresión.

Había ocho niños, todos ellos menores de 12 años. De la forma en que estaban vestidos se podía decir que no tenían mucho dinero, pero su ropa era limpia, muy limpia. Los niños eran muy bien educados, todos ellos parados en la fila, de dos en dos detrás de sus padres, tomados de las manos.

Estaban emocionados por los payasos, los animales y todos los actos que verían esa noche.

Por su emoción, podías percibir que nunca antes habían estado en un circo. Sería un punto culminante en sus vidas.

El padre y la madre estaban a la cabeza de la manada de pie, orgullosos como podría ser. La madre estaba sosteniendo la mano de su marido, mirándolo como si dijera: ‘Eres mi caballero en armadura brillante’.

El estaba sonriendo y disfrutando viendo a su familia feliz.

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Cette expérience valide la théorie de la relativité d’Einstein

En 2019, l’observation du trou noir supermassif situé au centre de notre galaxie permet de tester une nouvelle fois la théorie de la relativité générale publiée en 1915.

Que se passe-t-il lorsqu’une étoile passe près d’un trou noir supermassif ? Elle offre aux astronomes l’opportunité de tester les théories d’Einstein.

En observant le comportement d’une étoile tournant autour du trou noir situé au centre de notre galaxie, les scientifiques ont confirmé que le champ gravitationnel intense de ce mystérieux objet cosmique avait un effet sur la lumière stellaire, retardant considérablement le voyage dans l’espace de ses visiteurs. Cette observation est le meilleur moyen de tester une prédiction clef de la théorie de la relativité générale d’Einstein, qui suggère que la lumière perd de l’énergie lorsqu’elle a du mal à se déplacer à travers un champ gravitationnel extrême.

https://www.nationalgeographic.fr/espace/2019/07/une-nouvelle-experience-valide-la-theorie-de-la-relativite-deinstein?fbclid=IwAR2TFJfnqynJTl41SW2g5ZZoxvnxNgGnJRsMba4BeHa5wo-B3N5xaHWuO3w

Insubstituíveis e heróis circunstanciais | Carlos Matos Gomes

Jorge Sampaio deixou um exemplo. Um exemplo de santidade ou martírio? Não: um exemplo de decência!

Os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. É uma frase feita para querer significar que nem nos devemos dar demasiada importância, nem aos outros, porque o mundo seguirá a sua marcha, independentemente dos nossos trabalhos, preocupações e esforços.

A frase é feita e, como falácia, contem verdade e não a verdade. A questão não é a dos insubstituíveis. A questão é a de que não existimos para nos substituir uns aos outros, mas sim para nos continuarmos, seja por evolução, seja por rutura. Nesse sentido, somos como os corredores de estafetas: tem de existir alguém que, terminado o nosso percurso, pegue no testemunho e prossiga a prova. Ou que parta para outro destino e por outra pista!

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O Alentejo, por Miguel Torga

Em Portugal, há duas coisas grandes, pela força e pelo tamanho: Trás-os-Montes e o Alentejo. Trás-os-Montes é o ímpeto, a convulsão; o Alentejo, o fôlego, a extensão do alento. Províncias irmãs pela semelhança de certos traços humanos e telúricos, a transtagana, se não é mais bela, tem uma serenidade mais criadora. Os espasmos irreprimíveis da outra, demasiado instintivos e afirmativos, não lhe permitem uma meditação construtiva e harmoniosa. E compreende-se que fosse do seio da imensa planura alentejana que nascesse a fé e a esperança num destino nacional do tamanho do mundo. Só daquelas ondas de barro, que se sucedem sem naufrágios e sem abismos, se poderia partir com confiança para as verdadeiras. Enquanto a nação andava esquiva pelas serras, ninguém se atreveu a visionar horizontes para lá da primeira encosta. Mas, passado o Tejo, a grei foi afeiçoando os olhos à grande luz das distâncias, e D. Manuel pôde receber ali a notícia da chegada de Vasco da Gama à Índia.

Terra da nossa promissão, da exígua promissão de sete sementes, o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.

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É JÁ ALI … | Autor desconhecido | Retirado do Facebook, Mural de Carlos Fino

(Via José Branco, a quem agradeço – Carlos Fino)

“Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar… E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado.”…

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A ORIGEM DO MEDO | Pedro Adão e Silva

Porventura, se optasse por examinar, por exemplo, o que é que permitiu a Marcelo Rebelo de Sousa, sendo de direita, vencer eleições com amplas maiorias, perceberia que as vitórias sustentáveis não se constroem a partir do ressentimento social, de polarizações artificiais ou de batalhas culturais fictícias. Tudo fatores que, enquanto descentram o debate público da discussão de alternativas, promovem um entrincheiramento que degrada a capacidade de compromisso.

Pedro Adão e Silva  | Jornal Expresso 03-09-2021

SINAIS DE BARBÁRIE | Massacre do Triunvirato | Pintura de Antoine Caron | por Vítor Serrão

A História da Humanidade poderia ser contada seguindo o rol sangrento das atrocidades cometidas contra os «outros». É um ciclo ininterrupto e, hoje, com crescente refinamento na maldade: os homens, sejam alienados, incultos, insensíveis, tomados pela cobiça pessoal ou seguindo a febre das massas, enfrentam aquilo que desconhecem e temem como legitimação para as suas intolerâncias e preconceitos e, no extremo, justificação dos massacres que praticam ou toleram…

Sempre me impressionou a crueldade descrita numa pintura de Antoine Caron (1521-1599), maneirista francês ligado à Escola de Fontainebleau que viveu a sinistra noite de St Barthélemy, no seu ‘Massacre do Triunvirato’ (1566), exposto no Musée du Louvre.

Também a História da Arte poderia ser contada através da miséria das guerras e da refinada crueldade contra os indefesos: será esse, afinal, o seu maior papel ? Como perguntava em 1547 o atormentado pintor florentino Jacopo Pontormo (na célebre parangona de Benedetto Varchi sobre a superioridade das artes: seria a Pintura superior à Escultura, ou vice-versa ?), que Deus inepto é este que criou de tão vil barro estas criaturas que somos ?

Só os artistas (e só por vezes) superam essa inépcia ao tocarem as asas do sublime: na música, na poesia, na literatura, na pintura — no humanismo… Por isso também, o poeta Sidónio Muralha (1920-1982), em ‘A Viagem dos Argonautas’, escalpelizava estes «selvagens gnomos que nós fomos — e somos», que querem ir a Marte buscar a sobrevivência da espécie não cuidando antes da paz e da harmonia na Terra.

Retirado do Facebook | Mural de Vitor Serrão

Savez-vous à quoi ressemble la mort ?

« Savez-vous à quoi ressemble la mort ? La personne jette le dernier souffle, c’est l’esprit qui quitte le corps. Le corps meurt complètement, c’est un déchet, mais l’esprit sort de la bouche et se mélange à l’esprit universel. C’est comme les fleuves, qui perdent leur caractère lorsqu’ils atteignent la mer. Mais ils en font partie, et la mer est la même partout. »

Explication de Manoel de Oliveira, quelques jours avant sa mort, à Luís Miguel Cintra.

Photographie | Embouchure de la Rivière Tejo à Lisbonne, Portugal.

29 de Agosto de 1915 | Nasce a actriz sueca Ingrid Bergman

Actriz sueca, nasceu em 29 de agosto de 1915, em Estocolmo, e faleceu em Londres a 29 de agosto de 1982, vitimada por um linfoma.

Foi uma das actrizes mais conceituadas do Mundo, especialmente durante os anos 40, quando estava no auge da sua beleza natural. Órfã de mãe com apenas dois anos, foi graças à herança deixada pela sua progenitora que se inscreveu no curso de Interpretação da Academia Real Dramática de Estocolmo. Depois dum início de carreira no teatro, interpretou o seu primeiro papel cinematográfico com uma figuração em Landskamp (1932).

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Afeganistão | Carlos Matos Gomes

Os Javalis do Afeganistão

Sobre o que acontece no Afeganistão se poderá dizer que se cumpriu a lei de Murphy: “tudo o que puder correr mal, vai correr mal”, que poderia ter sido inspirada na Batalha de Alcácer Quibir. O que hoje correu ainda pior do que o mal começou aí por volta de 1983, com a presciência de dois vultos que o conservadorismo elevou às glórias dos seus panteões, o antigo ator americano Ronald Reagan e uma senhora inglesa de classe média baixa ressabiada com as upper class e os intelectuais, chamada Margaret Tatcher

A propósito do Afeganistão foi agora recuperada uma fotografia de 1983 em que Reagan recebe na Casa Branca uma delegação de mujahedeens, que lutavam contra a presença da URSS e o governo que esta apoiava no Afeganistão.

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OTELO E A MEMÓRIA DO PREC Público, 16.08.2021 | Elísio Estanque

Vivi esse período de forma intensa como grande parte dos portugueses da minha geração. Assim, e porque a historia dos acontecimentos é conhecida, talvez se possa agora acrescentar conhecimento sobre o PREC e Otelo Saraiva de Carvalho recorrendo a uma perspetiva subjetiva, vinda do seio da multidão, mas enquadrada pelo exercício de reflexão e autocritica à distância de quatro décadas.

Foi Otelo e o MFA que abriram as portas da liberdade. Mas foi ao longo daqueles meses de brasa que se seguiram ao 25 de Abril, que a revolução se desencadeou. Os sonhos libertários irromperam das esquinas mais recônditas dos bairros operários, das fábricas industriais, dos amontoados de barracas onde os esgotos eram ainda a céu aberto, etc. Foi para aí que convergiram os mais diversos grupos de ativistas espontâneos, os setores sociais mais inquietos, em especial os jovens, alguns ainda sob a influência do Maio de 68 e dos movimentos estudantis da década anterior. Por detrás da linguagem polarizada da “classe contra classe” (democracia contra fascismo, ricos contra pobres ou operários contra a burguesia) ocorreu uma autêntica “fusão de classes”, quando o radicalismo de classe média rompeu com os valores pequeno-burgueses para abraçar a causa operária e popular. Uma força imparável de invenção criativa brotou dessa comunhão interclassista capaz de vislumbrar o paraíso debaixo das ruas insalubres dos bairros da periferia. Uma torrente de gente feliz, igualitária, unida em torno de projetos verdadeiramente emancipatórios como o dos “índios da Meia-Praia” (em Lagos) celebrizado pela conhecida canção do Zeca Afonso. Apesar da incipiente cultura democrática, a democracia nunca foi tão efetiva, não apenas pela mobilização coletiva mas até pelo envolvimento direto das Forças Armadas (MFA) numa dinâmica de «bottom-up», de que é exemplo o projeto SAAL.

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Da política internacional | José Maltez

O problema das análises de política internacional do nosso tempo é perdermos a noção de tempo, ao dizermos que os talibãs são medievais. Não são. São dos finais do século XX. As palas da visão ocidental da história como uma linha de caminho de ferro, como passagem do medieval para o moderno e deste para o contemporâneo é pura treta. Felizmente, a humanidade viveu fora das balizas de 476, queda de Roma, e de 1453, queda de Bizâncio. Maomé é mais moderno do que Cristo e o meu povo ibérico foi o primeiro a provar que a terra era redonda. Armilámos.

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

Sartre : “L’enfer, c’est les autres”

Ce n’est pas une guerre de tous contre tous que dépeint Sartre, mais un drame intérieur à la conscience, qui se découvre exposée au regard d’autrui. Explications. Par Sébastien Blanc

« L’enfer, c’est les autres. » Cette phrase de Huis clos de Sartre prête à contresens. On la comprend souvent comme simple modulation de la phrase tout aussi célèbre de Hobbes : «  L’homme est un loup pour l’homme.  » Pourtant, ce n’est pas une guerre de tous contre tous que dépeint Sartre, c’est un drame intérieur à la conscience, par quoi elle se découvre exposée au regard d’autrui. Pour le saisir, il faut revenir à ce que dit Garcin, l’un des trois personnages de la pièce, à la fin de Huis clos : «  Tous ces regards qui me mangent. […] Pas besoin de gril, l’enfer c’est les autres.  » L’enfer ne relève pas de la torture physique, mais du fait de ne jamais pouvoir s’extraire du jugement d’autrui.

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