GALILEU GALILEI ( E o poema que António Gedeão lhe dedicou )

No dia 15 de Fevereiro de 1564, nasceu em Pisa, GALILEU GALILEI ,físico e astrónomo italiano.

Desde muito cedo, revelou grande aptidão para a Matemática. Foi professor de várias Universidades. Chegaram a vir estudantes de vários países da Europa só para assistir às suas aulas.

A todos falava do universo e explicava que nele nada permanece imóvel. Citava Pitágoras e a sua teoria que a Terra não era o centro do universo.

No dia em que GALILEU utilizou pela primeira vez o telescópio, que ele próprio construíra, levou-o para o cimo do campanário de São Marcos, em Veneza, e ficou deslumbrado. A lua já não estava longe, nem as estrelas. E foi nessa noite que nasceu a astronomia como ciência.

O pior é que a Inquisição estava alerta e proibiu GALILEU de ensinar as suas teorias sobre o sistema solar.

Durante 16 anos, GALILEU obedeceu, mas em 1632, publicou um livro em que expunha comparativamente as teorias de Ptolomeu e Copérnico. Imediatamente a venda do livro foi proibida e GALILEU foi chamado a Roma

para responder perante as autoridades eclesiásticas.

GALILEU compareceu. Ameaçaram-no com a tortura caso não se retractasse das suas teorias. Para salvar a vida, não teve alternativa.

GALILEU teve então de se ajoelhar, ler em voz alta e assinar um documento em que “confessava” que a teoria de Copérnico era falsa e comprometia-se

a nunca mais ensinar ou dela falar, sob pena de morte.

Diz a lenda que GALILEU, depois de se ter retractado, terá murmurado entre dentes  “ E no entanto, ela move-se ! “

ANTÓNIO GEDEÃO dedica-lhe um longo poema de que se transcreve o seguinte excerto:

                                     “POEMA   PARA ”GALILEU”

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce 

sobre um modesto cabeção de pano.

(…)

Olha. Sabes ? Lá em Florença 

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está !

As voltas que o mundo dá !

(…)

Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se estivesse tornando num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

(…)

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias 

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e escrevias

para eterna perdição da tua alma.

Imagem : “ A ABJURAÇÃO DE  GALILEO “ ( o cientista já septuagenário no Tribunal  do Santo Ofício)

     Autor : Joseph- Nicolas Robert FLEURY]

     Romana Gaspar in” Arte, Cultura e História

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