Manifesto dos 50+. Rui Rio afirma que o país precisa de uma “transformação profunda”, in RTP

Para o ex-presidente do PSD, Rui Rio, o país necessita de uma “transformação profunda” e frisa que “estamos a perder a democracia”.

Os autores do Manifesto dos 50+ “Por uma Reforma na Justiça” exigiram esta terça-feira conhecer o resultado de investigações e de processos “de grande envergadura” que se arrastam há anos sem chegar a julgamento. Rui Rio, um dos subscritores, defendeu na RTP Notícias que é necessário uma “transformação profunda” e considerou que “estamos a perder a Democracia”. Os subscritores da iniciativa lançada em 2024, por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril, pretendem que sejam fixados prazos obrigatórios para procuradores e juízes na condução e apreciação dos processos.

De acordo com os responsáveis pelo Manifesto, dois anos após o lançamento deste repto “nada melhorou” e entrou-se mesmo numa fase de “normalização dos abusos”.

Rui Rio, um dos subscritores do Manifesto esteve na RTP Notícias onde explicou o que piorou com as alterações aprovadas a 12 de junho aos Códigos Penal e de Processo Penal e ao Regulamento das Custas Processuais propostas pelo Governo no início do ano. “O que piora, no geral, eu poderia dizer que estamos a caminhar para a normalização do abuso. Desde que fizemos o Manifesto, há dois anos, nem piorou, nem melhorou, Normalizou-se o abuso. O Ministério Público vai fazendo como quer e lhe apetece. E quase já não há reação“, afirmou o ex-presidente do PSD.

Rui Rio frisa que apesar da “alteraçãozita” ao Código do Processo Penal, “mais-valia terem ficado quietos”. “Esta gente, como não faz reformas, quando faz qualquer coisa chama-lhe reforma”.

Questionado sobre a quem apelida de esta gente, Rui Rio esclarece que se trata “da política de modo geral”.“A justiça está pior hoje do que estava no 25 de Abril. Os cidadãos que recorrem à justiça para a sua vida quotidiana têm mais dificuldade do que tinham naquela altura. E chamam a isto uma democracia”, afirmou.

Para o ex-presidente do PSD, o país necessita de uma “transformação profunda” e frisa que “estamos a perder a democracia”.

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A Concepção de Cérebro e Realidade em David Bohm. | “Uma Defesa da Ordem Implicada e do Holomovimento”, por Horácio Dutra Mello

Introdução

A compreensão da realidade e da consciência tem sido um dos pilares da investigação filosófica e científica ao longo da história. No século XX, a física quântica, com suas implicações profundas sobre a natureza da matéria e da energia, desafiou as concepções clássicas e mecanicistas do universo. Nesse contexto, o físico David Bohm (1917-1992) emergiu como uma figura proeminente, propondo uma visão radicalmente nova que transcende as dicotomias tradicionais e oferece uma perspectiva unificada da realidade. Este artigo de opinião visa defender a concepção de David Bohm sobre o cérebro e a realidade, com foco em seus conceitos de ordem implicada, ordem explícita e holomovimento, e sua ressonância com o modelo holográfico do cérebro, conforme desenvolvido por Karl Pribram.

Bohm, em sua trajetória intelectual, buscou romper com a rigidez do pensamento reducionista que dominou grande parte da ciência moderna. Sua experiência no Brasil, como professor na Universidade de São Paulo entre 1951 e 1955, e sua posterior perseguição política nos Estados Unidos, moldaram sua visão crítica sobre as limitações das abordagens científicas convencionais [1]. Ele propôs que a realidade não pode ser adequadamente compreendida através da fragmentação e da análise de partes isoladas, mas sim como um todo indivisível e em constante fluxo. Essa perspectiva holística é central para sua teoria da ordem implicada, que postula uma realidade subjacente, mais fundamental e coerente, da qual a realidade que percebemos (a ordem explícita) se desdobra.

A Teoria do Plasma e a Gênese da Ordem Implicada

A gênese do pensamento de Bohm, que culminaria na formulação da ordem implicada, pode ser rastreada até suas pesquisas sobre a teoria do plasma. Conforme Rodrigo França Carvalho [1], Bohm se interessou profundamente pela forma como os elétrons em um plasma, apesar de serem partículas livres, coordenavam seus movimentos para formar um comportamento coletivo e organizado. Essa combinação de liberdade individual e coerência coletiva exerceu um forte apelo sobre ele, apontando para um aspecto criativo e livre da natureza que, no entanto, não impedia um movimento ordenado. Carvalho [1] destaca que Bohm via no plasma uma analogia para o problema individual e social, onde o comportamento coletivo e determinado se relaciona intrinsecamente com o aleatório e indeterminado.

Essa observação levou Bohm a questionar as dicotomias rígidas entre determinismo e indeterminismo, que ele considerava insuficientes para descrever a complexidade da realidade. Para Bohm, a natureza efetiva-se de modo a mesclar esses dois polos, transcendendo-os. A teoria do plasma, ao revelar uma ordem sutil em um sistema aparentemente caótico, serviu como um prelúdio para a ideia de que existe uma ordem mais profunda subjacente à realidade observável. Essa intuição inicial foi crucial para o desenvolvimento de sua interpretação ontológica da teoria quântica e, posteriormente, para o programa científico da totalidade, da ordem implícita e da ordem explícita [1].

Ordem Implicada, Ordem Explícita e Holomovimento

O conceito central da cosmologia de Bohm é a distinção entre a ordem implicada (ou ordem implícita) e a ordem explícita (ou ordem manifesta). A ordem explícita é a realidade que experimentamos diariamente, caracterizada pela separação e pela fragmentação. É o mundo dos objetos distintos, das localizações espaciais e temporais bem definidas. Em contraste, a ordem implicada é uma realidade mais profunda e fundamental, onde tudo está interconectado e “dobrado” em um todo indivisível. É uma ordem de totalidade ininterrupta, onde as distinções que percebemos na ordem explícita estão, na verdade, “envolvidas” ou “implicadas” [2].

Bohm utilizou a analogia do holograma para ilustrar essa ideia. Em um holograma, cada parte contém a informação do todo. Se um holograma for quebrado, cada fragmento ainda pode projetar a imagem completa, embora com menos detalhes. Da mesma forma, na ordem implicada, cada “parte” do universo contém a informação do todo. A realidade explícita que percebemos é como uma projeção ou “desdobramento” da ordem implicada. O processo contínuo de desdobramento e envolvimento entre essas duas ordens é o que Bohm chamou de holomovimento. O holomovimento é o fluxo fundamental e indivisível que constitui a totalidade da realidade, sendo a fonte tanto da ordem implicada quanto da ordem explícita [2].

Essa visão holística e dinâmica da realidade desafia a noção cartesiana de um universo composto por partes separadas e independentes. Para Bohm, a fragmentação é uma ilusão decorrente de nossa forma de perceber e conceituar o mundo. A verdadeira natureza da realidade é um fluxo ininterrupto e uma totalidade indivisível, onde mente e matéria não são entidades separadas, mas diferentes aspectos do mesmo holomovimento. Essa perspectiva tem profundas implicações para a compreensão da consciência e do cérebro.

O Cérebro Holográfico e a Consciência

A concepção de Bohm sobre a ordem implicada encontrou um paralelo notável no trabalho do neurofisiologista Karl Pribram, que propôs o modelo holográfico do cérebro. Pribram, em suas pesquisas sobre a memória e a percepção, sugeriu que o cérebro armazena informações de uma maneira análoga a um holograma. Em vez de memórias serem localizadas em áreas específicas do cérebro, elas estariam distribuídas por todo o córtex, de modo que cada parte do cérebro conteria a informação do todo [3].

A colaboração e a ressonância entre as ideias de Bohm e Pribram deram origem à hipótese holofluxo, que postula que o cérebro opera como um decodificador da ordem implicada. Ou seja, o cérebro não apenas processa informações sensoriais de forma linear, mas também acessa e interpreta a totalidade de informações contidas na ordem implicada, desdobrando-as na ordem explícita que experimentamos como realidade consciente. Essa perspectiva oferece uma explicação para fenômenos como a não-localidade na consciência, a capacidade de reconhecimento de padrões e a natureza fluida da percepção [3].

O modelo holográfico do cérebro, em consonância com a ordem implicada de Bohm, sugere que a consciência não é meramente um produto do cérebro físico, mas uma manifestação do holomovimento. A mente e o cérebro seriam, portanto, aspectos interligados de um processo mais fundamental, onde a consciência emerge da interação entre a ordem implicada e a ordem explícita. Essa visão desafia as abordagens materialistas reducionistas da consciência, que tentam explicá-la exclusivamente em termos de processos neuronais localizados, e abre caminho para uma compreensão mais profunda da natureza da experiência subjetiva e da interconexão entre o indivíduo e o universo.

Conclusão

A concepção de David Bohm sobre o cérebro e a realidade, centrada nos conceitos de ordem implicada, ordem explícita e holomovimento, oferece uma alternativa robusta e coerente às visões fragmentadas e mecanicistas predominantes. Ao defender uma realidade subjacente de totalidade indivisível e em fluxo constante, Bohm nos convida a transcender as dicotomias tradicionais e a reconhecer a interconexão fundamental de todas as coisas. A ressonância de suas ideias com o modelo holográfico do cérebro de Karl Pribram fortalece ainda mais essa perspectiva, sugerindo que a consciência é um desdobramento da ordem implicada e que o cérebro atua como um decodificador dessa realidade mais profunda.

Essa abordagem holística não apenas oferece um arcabouço teórico para compreender fenômenos complexos da física quântica e da neurociência, mas também tem implicações profundas para nossa visão de mundo e para a própria natureza da existência humana. Ao reconhecer que somos parte integrante de um holomovimento universal, somos incentivados a cultivar uma percepção mais integrada e a agir de forma mais consciente em relação ao todo. A obra de David Bohm, portanto, não é apenas uma contribuição significativa para a física e a filosofia, mas um convite à reavaliação de nossa própria relação com a realidade e com o universo em sua totalidade.

Referências

[1] CARVALHO, Rodrigo França. Além das nuvens e dos relógios: a percepção da realidade em David Bohm. Scientiae Studia, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 409-433, 2016. Disponível em: https://revistas.usp.br/ss/it/article/download/125941/122812/239640. Acesso em: 30 jun. 2026.

[2] O aparente e o oculto: entrevista com David Bohm. Estudos Avançados, São Paulo, v. 4, n. 8, p. 195-208, abr. 1990. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/WKj7rykPXWvQrXN8TtTKZwj/?lang=pt. Acesso em: 30 jun. 2026.

[3] Karl Pribram’s Holonomic Brain Theory and David Bohm’s Implicate Order. Cosmos and History: The Journal of Natural and Social Philosophy, v. 13, n. 1, p. 1-26, Mar. 2017. Disponível em: https://cosmosandhistory.org/index.php/journal/article/view/601. Acesso em: 30 jun. 2026.

No fundo, não estamos separados… por David Bohm | Aproximando-se de Bento de Espinosa?

“No fundo, a consciência da humanidade é só uma”. David Bohm, um dos físicos mais originais do século XX, não ofereceu esta frase como poesia. Apresentou-a como uma proposta séria sobre a própria natureza da realidade, fruto de décadas dedicadas a investigar as estranhas implicações da teoria quântica.

Bohm passou a carreira atormentado por uma questão que a maioria dos físicos evitava. Se a mecânica quântica descreve a realidade com precisão, porque é que parece exigir um universo onde a separação é, a algum nível, uma ilusão? A sua teoria da ordem implícita propunha que, sob as coisas visíveis e separadas, reside uma totalidade indivisível.

Nesta perspectiva, partículas que parecem distantes e desconexas podem ser expressões de um único campo subjacente, desdobrado naquilo que aparenta ser separação. Bohm chamou a esta camada mais profunda ordem implícita, e ao mundo objetos separados que percebemos de ordem explícita, o seu desdobramento.

Estendeu este pensamento para além da física, abrangendo a própria mente. Se a matéria e a consciência emergem do mesmo fundamento indivisível, então as fronteiras que traçamos entre o eu e o outro, o pensamento e o pensador, o observador e o observado, podem ser muito menos fundamentais do que parecem.

É aqui que a amizade de Bohm com o filósofo Jiddu Krishnamurti se torna significativa. Os seus diálogos, que se estenderam por décadas, exploraram se a fragmentação, a sensação de um eu separado a observar um mundo separado, poderia ser a raiz tanto do sofrimento psicológico como da confusão científica.

Bohm suspeitava que o conflito humano, tal como o paradoxo quântico, deriva da confusão entre o explícito e o todo. Vemos fragmentos e esquecemos o campo ininterrupto subjacente. A consciência dividida contra si mesma produz divisão no mundo que percepciona e sobre o qual actua.

É uma afirmação surpreendente para um físico, mas ecoa a era profunda do Vedanta, que durante muito tempo sustentou que sob a aparente multiplicidade reside um fundamento único e indivisível do ser. A física moderna, nas mãos de Bohm, parecia regressar a algo ancestral.

Kim Peek memorizou milhares de livros, lia duas páginas ao mesmo tempo, uma com cada olho.

Ele conseguia ler duas páginas ao mesmo tempo, uma com cada olho. Memorizou milhares de livros. Os médicos chegaram a recomendar que fosse internado em uma instituição. Seu pai recusou. Décadas depois, sua história ajudaria a inspirar um dos personagens mais conhecidos do cinema.

Quando Kim Peek nasceu, em 11 de novembro de 1951, os médicos perceberam que havia algo diferente em seu cérebro. Exames posteriores mostraram que ele havia nascido sem o corpo caloso, a estrutura formada por milhões de fibras nervosas que conecta os dois hemisférios cerebrais.

Na época, os médicos acreditavam que sua condição impediria um desenvolvimento normal e chegaram a recomendar que ele fosse institucionalizado. Mas seu pai, Fran Peek, decidiu levá-lo para casa.

E, conforme Kim crescia, ficou claro que seu desenvolvimento não seguiria os padrões esperados.

Ainda criança, começou a demonstrar uma memória extraordinária. Seu pai lia livros para ele, e Kim conseguia memorizar enormes quantidades de informação com uma precisão impressionante. Ele não guardava apenas as histórias, mas também detalhes específicos das páginas e dos conteúdos que havia lido.

Com o passar dos anos, suas habilidades se tornaram ainda mais impressionantes. Kim conseguia ler rapidamente, utilizando cada olho para acompanhar uma página diferente. Também desenvolveu uma memória excepcional para informações sobre história, geografia, literatura, música, esportes, datas e estatísticas. Estima-se que tenha memorizado cerca de 12 mil livros ao longo da vida.

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Guterres avisa superpotências para os limites do seu poder, in Observador

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que as superpotências estão a ver o seu poder limitado e garante que, apesar das dificuldades, a ONU mantém-se relevante.

“Chegou a hora de as superpotências entenderem os limites do seu poder”, afirma em entrevista ao Financial Times, dando os exemplos da Rússia com a Ucrânia e dos Estados Unidos com o Irão, em que ambas as potências planeavam vencer as respetivas guerras em pouco tempo. “Se analisarmos o que aconteceu recentemente, a capacidade das superpotências de impor a sua vontade, a sua força ou o seu poder em diversas situações foi severamente limitada”, acrescenta.

Porém, o secretário-geral das Nações Unidas avisa para os riscos de um mundo multipolar, em que outras potências, como a Índia e os estados do Golfo, estão a assumir um papel maior no sistema internacional. Guterres teme que a multipolaridade se traduza em “mais competição e, eventualmente, em mais confrontos”. “Não nos esqueçamos de que a Europa antes da Primeira Guerra Mundial era multipolar“, avisa.

Em relação a críticas sobre uma ONU “mais silenciosa”, Guterres esclarece que tem sido audível contra a guerra da Ucrânia, os ataques do 7 de outubro e o genocídio em Gaza, e que a organização não “entrou em colapso”.

“Nada entrou em colapso. Claro que fomos reduzidos. As agências estão perto do colapso? Não, porque estávamos organizados de uma forma que nos permitiu ajustar-nos rapidamente”, sublinha. No entanto, admite que é necessária uma reforma na composição do Conselho de Segurança e que a existência de três membros permanentes europeus é “insustentável”.

“A realidade no terreno terá de prevalecer no final. Será inevitável que o Conselho de Segurança tenha de se adaptar ao peso relativo das diferentes potências mundiais”, sublinha, afirmando que o consenso sobre novos membros terá de ser feito através de consenso.

Guterres também admitiu que o secretário-geral das Nações Unidas tem “voz”, mas não tem poder e recusa inação em relação aos conflitos globais, sublinhando a visita que fez ao Chipre, dividido desde 1974 entre a comunidade turca, no norte, e a grega, no sul.

“O secretário-geral não tem poderes. O secretário-geral tem voz e alguma capacidade de convocação. Poder é outra coisa, e isso não temos. Mas a voz não será silenciada”, conclui.

Pensamento | Carl Sagan

A ciência não deve ser vista apenas como uma fábrica de produtos e tecnologias, mas como uma forma de compreender o mundo, questionar afirmações e tomar decisões com base em evidências.

🧠Sagan via o conhecimento científico como uma das melhores ferramentas humanas para ampliar a liberdade e reduzir a vulnerabilidade à superstição, à manipulação e à pseudociência. O problema surge quando as pessoas aceitam os benefícios da ciência, mas rejeitam o esforço de aprender, questionar e avaliar evidências.

⚛️ Uma sociedade tecnologicamente avançada também precisa ser intelectualmente preparada. Sem curiosidade, educação e pensamento crítico, o poder criado pela ciência pode acabar sendo controlado por poucos ou usado por pessoas que exploram a ignorância dos demais.

Brasil, Ponte Salvador-Itaparica. Xi Jinping constroi e vai controlando o Mundo.

Xi Jinping está a construir a maior ponte sobre o mar de toda a América Latina, diretamente na Bahia! Com um investimento esmagador de 11 bilhões de reais, gigantes construtoras chinesas assumiram o comando da Ponte Salvador-Itaparica, uma megaestrutura de 12,4 quilômetros de extensão que vai transformar de forma drástica a logística, o escoamento e o poder econômico da região.

Mas a verdade que assusta o Ocidente é que isso não é apenas uma obra pública: é a reconfiguração brutal do tabuleiro geopolítico. Enquanto os Estados Unidos afundam numa montanha de dívidas trilionárias e esgotam as suas reservas a tentar ditar ordens pelo mundo, a China avança construindo a infraestrutura real e palpável do Sul Global. Pequim não está a injetar bilhões na América Latina por acaso.

Xi Jinping está a blindar a economia brasileira para garantir que o líder da região tenha a força logística e a soberania necessárias para peitar, ignorar e anular qualquer tentativa de chantagem comercial ou sanção vinda de Washington. Os líderes americanos assistem a essa movimentação de forma totalmente impotente e desorientada, percebendo que perderam o controle sobre o antigo quintal do império e que já não têm capacidade financeira nem industrial para competir com os investimentos do eixo eurasiano. Ganha a articulação estratégica do bloco China-Brasil, que ergue as bases de concreto da nova ordem mundial; perde a velha hegemonia de Washington, que assiste ao fim do seu domínio sem ter como reagir!

Um refúgio imaginário de liberdade, por Silas Corrêa Leite

Em novo livro, Silas Corrêa Leite reconstitui na imaginação o que teria
sido uma colônia secreta de imigrantes perto dos Campos Gerais do
Paraná

Adelto Gonçalves (*)

                                               I

Talvez o mais profícuo e produtivo dos escritores brasileiros contemporâneos, Silas Corrêa Leite (1952) publicou, entre suas obras mais recentes, o romance Porto Garcia: no quarto escuro de meu ego sem respostas (Ouro Preto-MG, Caravana Grupo Editorial, 2025), em que volta às origens, reconstituindo e recuperando histórias de uma colônia secreta que teria existido perto dos Campos Gerais do Paraná, uma região no Centro-Leste do Estado, famosa por suas paisagens de campos nativos, relevo de arenito, forte agronegócio e rica herança do tropeirismo.

Como sugere o subtítulo que reproduz uma frase de uma música de sucesso da cantora e compositora Roberta Miranda, conhecida como Rainha do Sertanejo, Silas Corrêa Leite, nascido em Monte  Alegre-PR, hoje Telêmaco Borba, cidade localizada nos Campos Gerais, e criado em Itararé, na divisa entre São Paulo e Paraná,  surpreende com histórias que ouviu e viveu em seu tempo de juventude, buscando o que definiu como “Pasárgada ao Sul do Equador”, referindo-se ao nome da antiga cidade persa que levou o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) a idealizá-la como refúgio imaginário de liberdade. E que o autor define como “um lugar feito paraíso tropical, onde se tenta fugir de um mundo conturbado, para um recanto em que se plantando tudo dá”.

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Numa democracia, a maioria não pode tudo, por Bernardo Ivo Cruz, in DN

Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump e uma das vozes mais influentes da direita americana, afirmou recentemente que Trump voltará a ser presidente em 2028. A Constituição americana impede que alguém seja eleito presidente mais de duas vezes, mas Bannon respondeu que há um plano.

O mais interessante não é a ideia de um terceiro mandato, mas a pergunta que fica em aberto: se os americanos quiserem devolver Trump à Casa Branca, deve uma regra constitucional poder impedi-los?

Portugal vive hoje uma versão desta mesma discussão. Em maio, o Chega apresentou uma proposta de revisão constitucional que prevê a revogação do artigo 288º, onde estão os limites materiais que nenhuma revisão pode ultrapassar, entre eles os direitos, liberdades e garantias, o sufrágio universal, a separação dos órgãos de soberania, a fiscalização da constitucionalidade ou a independência dos tribunais.

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Pensamento | Hannah Arendt

“Mentir constantemente não tem como objetivo fazer com que as pessoas acreditem em uma mentira, mas garantir que ninguém mais acredite em nada. Um povo que já não consegue distinguir entre verdade e mentira não consegue distinguir o bem do mal.

E um povo assim, privado do poder de pensar e julgar, está, sem saber nem querer, completamente submetido ao império da mentira. Com pessoas assim, você pode fazer o que quiser. “

Hannah Arendt

Lisboa com menos turismo, Açores em crise, Algarve sem filas. O país que pilha os turistas perde-os. Por Raquel Varela

O país a saque. Lisboa com menos turismo, Açores em crise, Algarve sem filas. O país que pilha os turistas perde-os. Em 2016, com várias críticas publicas, defendi na SIC que o turismo era uma bolha auto destrutiva que só servia como testa de ferro da especulação imobiliária (venda de propriedade). 

Estive no sul de França de férias, em vários hotéis em aldeias lindas, quartos com vista para o rio, pequeno almoço biológico, 100 euros para duas pessoas – sim, basta sair do centro da cidade, 50 por pessoa (ovos caseiros, fiambre divinal, queijos locais), silêncio, camas com colchões de topo, lençóis macios, ouvimos os pássaros e não música tecno, festas populares (não sintetizadores a tocar pimba) com teatro, jazz e ostras a 1 ou 2 euros, petingas a 5 euros; restaurantes vários onde os vinhos, na sua generalidade também bio, custavam entre 21 e 26 euros – quantos restaurantes em Portugal vendem Borba e Monte Velho a 18 euros? -; comboio para todo o lado, entre 3, 7 e 30 euros e mesmo 50 euros TGV. Cafés em esplanadas lindas nos centros históricos, 1  a 2 euros, limonada a 3 euros, tábua de queijos e enchidos farta com tomate dos Deuses 16 euros. Notem que ir daqui ao sul de França em avião são 50 euros e 1 hora e meia…Porque alguém há-de vir para Portugal pagar 200 euros num hotel com fiambre que não se dá a um cão, um colchão velho que afunda, e beber Borba a 20 euros e limonadas a 7 euros, e ser servido sem qualquer carinho, formação e atenção, e ainda ver o gerente passar pelos empregados e os molestar à nossa frente? 

Portugal está a saque, os governos, este em particular mas os anteriores, todos, fizeram, do país o ALLgarve – roubar tudo, do vinho às pensões, o mais rápido possível. 

Pode haver solução? Há solução. Precisamos de partidos políticos novos, sem nos organizarmos colectivamente nada feito, que coloquem em cima da mesa não a agenda que nos querem impor (assuntos laterais) ou defesa de instituições moribundas mas a:  subida radical dos salários com emprego público (que arrasta a subida no sector privado), serviços públicos com chefes eleitos democraticamente, fora com gestores nomeados em qualquer serviço! e cuja função é por norma roubar-nos – subsídios aos pequenos agricultores e artesões -sem eles não há nada de “típico” -; fim aos subsídios a painéis solares e minas e apoios à agricultura local; e claro, com isto há um aumento geral do consumo interno. 

Se continuarmos neste rumo ninguém aqui consegue ou quer sair de casa, sequer a um restaurante, onde come mal, paga muito e é mal tratado (sim, fomos tratados na Occitância com simpatia genuína, não por favor ciníco mas com a verdade de quem tem o que é seu, com delicadeza, humor, ninguém nos serve sem parar para conversar, oferecem-nos várias coisas, são pessoas e serviços reais, que existem todo o ano e para os locais, não são vendedores de verão. Portugal está a destruir os salários públicos, com isso os serviços públicos, com isso o mercado interno, os impostos financiam a guerra, e as casas estão à venda a quem quer refugio das bolhas bancárias.  O saque das pensões, com um “estudo” que falha, falhou e falhará, a transição digital do médico e do professor e o colapso do mercado habitacional transformado em poupança de fundos bancários, ao lado de famílias a explodir de violência e pobreza, eis o programa do PS-PSD-IL e Chega. E uma esquerda apagada a defender as instituições, ou seja, o mesmo.

Eis o ALLgarve. Non, merci.

Descalça vai para a fonte, Luís Vaz de Camões

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;

Vai formosa e não segura.

Leva na cabeça o pote,

O texto nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata.

Sainho de chamalote;

Traz a vasquinha de cote.

Mais branca que a neve pura;

Vai formosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro o trançado,

Fita de cõr de encarnado,

Tão linda que o mundo
espanta;

Chove nela graça tanta

Que dá graça a formesura;

Vai formosa e não segura.

Vade-retro União Nacional, por Carlos Esperança

Há 94 anos (1932) foram publicados os estatutos da União Nacional (UN), a única força política autorizada em Portugal, durante a ditadura fascista.

Quem nunca viveu o horror de um partido único, o cinismo de um frio ditador e o poder ilimitado do regime fascista, pode pensar que Salazar era um ditador honesto e manso.

Quando o general Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE, em Espanha, ele e sua secretária, Salazar foi à televisão garantir que os autores do crime eram os comunistas. Quando surgiu um enorme escândalo sexual do regime, com ministros, generais e altos dignitários eclesiásticos, o antigo seminarista e presidente do CADC proibiu as notícias e a investigação policial e judicial.

O regime não pode ser avaliado apenas pelo número dos que prendeu, torturou e matou, mas pelos que deixou morrer e, sobretudo, impediu de viver. Caxias, Tarrafal, Peniche, Aljube e Campo de S. Nicolau foram alguns dos mais perversos centros de tortura onde penaram intelectuais, artistas e democratas de vários quadrantes. Recordar os Tribunais Plenários, os juízes venais que aí conspurcaram as becas e a decência, os degredados e demitidos por razões políticas, é regressar ao mundo concentracionário do salazarismo.

A guerra colonial onde imolou a juventude portuguesa e assassinou combatentes da independência, onde explorou rivalidades tribais e a fome de quem se alistava para ter comida, é uma ferida aberta entre os que tiveram de fugir, abandonando os seus haveres e alguns mortos, os militares que vieram estropiados e as famílias dos que se enganaram na trincheira e pereceram na vertigem do ódio dos vencedores, tornado vingança.

Há quem apelide de honesto o abutre de Santa Comba, que condenou os portugueses ao medo, à miséria e ao analfabetismo, que transformou a República num bando de beatos, tímidos e idiotas, que o aclamavam por medo e o incensavam. O frio ditador, que fez de Portugal o país mais atrasado da Europa, com maior mortalidade infantil e materno-fetal e com menor esperança de vida, foi um ex-seminarista e presidente do CADC.

A ignorância e a falta de memória e de vergonha andam aí, de mãos dadas, a limpar o passado de quem viveu da censura, repressão e analfabetismo, a reabilitar o criminoso que tinha sobre a escrevaninha a fotografia autografada de Benito Mussolini.

Como é débil a memória dos povos, e como idiotas úteis e eternos reacionários se unem no apagamento da memória! 

Faz hoje 94 anos que foi criada a União Nacional.

“O livro que o Ocidente se recusa a ler “( Por Arnaud Bertrand ), por Rodrigo Sousa e Castro

Isto é realmente chocante e diz muito sobre nossa abordagem em relação à China. Decidi procurar resenhas independentes da versão em inglês do último livro de Xi Jinping, publicado há um ano, para ver o que as pessoas tinham a dizer sobre ele, já que eu mesmo não o havia lido. Para minha surpresa, não encontrei nenhuma: nem uma única resenha ponderada sobre o livro! Mesmo na Amazon, confira você mesmo (https://amazon.com/XI-JINPING-GOVERNANCE-CHINA-V/dp/7119143360/ ): o livro tem apenas 3 avaliações, só isso.

Independentemente da sua opinião sobre a China, você tem que admitir que isso é bastante absurdo: o presidente em exercício da superpotência emergente do mundo publica um livro de 700 páginas explicando exatamente o que está fazendo e por quê, e nós nem nos damos ao trabalho de ler. Se existe um fato que ilustra o quão deliberadamente ignorantes somos sobre a China, é este. Ainda mais porque depois repetimos os clichês de sempre sobre como o sistema chinês é secreto e impenetrável: o livro está na Amazon por US$ 21, para você ter uma ideia! Enfim, isso me pareceu tão errado que resolvi corrigir.

Comprei o livro, li atentamente e escrevi o que espero que vocês considerem uma resenha ponderada. O livro contém passagens genuinamente surpreendentes, como Xi Jinping escrevendo que a supervisão do Partido Comunista pelo “judiciário, pelo público e pela mídia” não era apenas algo que o Partido deveria “aceitar prontamente”, mas algo que ele enquadrou como historicamente decisivo – um componente essencial para “escapar do ciclo histórico de ascensão e queda” que condenou todas as dinastias na história da China.

Outra passagem que certamente surpreenderá muitos: uma narrativa comum é que a China culpa o Ocidente pelo século de humilhação e é movida por vingança. Bem, Xi explica que isso não é verdade: o século de humilhação foi um erro da própria China, originado na desastrosa “política de isolamento nacional” da Dinastia Ming, que “resultou na perda de oportunidades oferecidas pela Revolução Industrial” e “levou ao declínio da China”. Em suma, o livro é notavelmente introspectivo e ponderado.

Por exemplo, Xi reconhece que seu empenho por uma “governança interna plena e rigorosa” — incluindo a erradicação da corrupção do Partido — corria o risco de “instilar medo e apreensão, ou intimidar os membros, levando-os à inação”. Ele enfatiza a necessidade de pragmatismo nesse sentido, codificado em uma estrutura chamada “Três Distinções”, que separa erros honestos — cometidos durante experimentos, reformas ou operações sem precedentes — de violações deliberadas cometidas para ganho pessoal.

E muitas outras surpresas ainda. Achei a leitura genuinamente fascinante para qualquer pessoa interessada em como o sistema chinês funciona e como Xi pensa — ou para qualquer pessoa interessada em governança em geral, já que muito do que ele escreve é ​​bastante universalmente aplicável. Este é o link para minha resenha do livro, um artigo que intitulei

“O ​​Livro que o Ocidente se Recusa a Ler”:https://open.substack.com/pub/arnaudbertrand/p/the-book-the-west-refuses-to-read?

Giovanni Battista Lombardi, “A Ninfa”

Em 1858, o escultor italiano Giovanni Battista Lombardi transformou mármore em uma água que parece ainda se mover na obra** ‘A Ninfa’.** A figura mostra uma jovem prestes a entrar na água, tocando a superfície com a ponta do pé. Na base da escultura, surgem ondas talhadas no mármore com uma leveza impressionante. Cada detalhe exigiu muita precisão, pois um corte errado poderia estragar semanas de trabalho. Lombardi dominava uma técnica que fazia o mármore ganhar aparência de pele, tecido e movimento. Obra espetacular 🇮🇹

*(fonte: Curiosidades da Terra)*

De homem mais rico da China a condenado a prisão perpétua: eis o fim de uma das figuras da grande crise da China, Agência EFE e CNN Portugal

O percurso de Xu Jiayin resume a ascensão e queda da Evergrande: de magnata imobiliário e homem mais rico da China a condenado a prisão perpétua no caso do grupo que se tornou um símbolo da crise imobiliária chinesa.

Na imagem divulgada esta quinta-feira por um tribunal de Shenzhen (sudeste da China) após a sentença, Xu surge envelhecido, de cabelo branco, expressão séria e ladeado por dois polícias em frente ao banco dos réus — uma imagem bem diferente do retrato de 2017, no qual a revista Hurun o apresentou como o novo homem mais rico do país.

Nessa altura, a chamada “Forbes chinesa” descreveu-o como um empresário que tinha completado a transformação “perfeita” de empreendedor para “criador de super-riqueza”, além de fundador de um grupo em rápida expansão, promotor de futebol, filantropo e membro de importantes órgãos políticos.

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António Barreto, 6/8/2022, “serviços de notícias, a banalidade reina”

“É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal.

Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.

Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos *papagaios no seu melhor!

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

*Papagaios não, chilreada de periquitos sim!*”

(António Barreto) 6/8/2022

Roger Penrose, A Matemática é Inventada ou Descoberta?

Eis aqui uma análise abrangente, filosófica e científica da profunda questão de Roger Penrose sobre a natureza da matemática, escrita em inglês e estruturada de acordo com sua perspectiva dialética e materialista.

O Espelho Epistêmico: A Matemática é Inventada ou Descoberta?

Uma análise abrangente da realidade triádica de Roger Penrose através da dialética materialista.

Roger Penrose postulou, de forma célebre, que a realidade consiste em três mundos coexistentes: o Físico, o Mental e o Matemático. O profundo mistério que ele destaca — frequentemente ecoado pelo físico Eugene Wigner como “a eficácia irracional da matemática nas ciências naturais” — questiona se a matemática é uma propriedade fundamental do cosmos ou uma ferramenta fabricada pela cognição humana.

Partindo de uma perspectiva equilibrada entre o materialismo científico e a dialética, a resposta é unificada: a matemática é uma abstração consciente da realidade objetiva; ela é descoberta em suas relações fundamentais objetivas, mas inventada em sua expressão simbólica e estrutural.

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“O bem-te-vi e a folha amarela”, de Flávio. R. Kothe.

Contos feitos de memória, reflexão e ficção
Obra mais recente do professor Flávio R. Kothe reúne narrativas que expõem dúvidas e perplexidades dos personagens 
                     Adelto Gonçalves (*)

                    I
Se como disse o saudoso professor, ensaísta e crítico Massaud Moisés (1928-2018), em Dicionário de Termos Literários (São Paulo, Editora Cultrix, 2004), o conto deve ter ênfase antes na ação, antes no conflito que nos participantes, enquanto a narração representa papel menor, aparecendo apenas para abreviar o desfile de acontecimentos secundários ou anteriores à ação principal, os trinta contos que compõem O bem-te-vi e a folha amarela (São Paulo, Editora Cajuína, 2026), do professor Flávio R. Kothe, cumprem esse papel. São textos que partem da memória do autor, de seus primeiros anos e de sua vida profissional, mas que não deixam de adentrar as searas da ficção e da reflexão, para, através do desvelar do novelo da memória,  percorrer os caminhos da parte íntima dos personagens. 

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RTP Memória | Marilyn Monroe

Marilyn Monroe (1926–1962) foi uma das maiores estrelas da história do cinema e um dos maiores ícones da cultura popular do século XX. Muito para além da imagem de símbolo sexual que Hollywood lhe atribuiu, deixou reflexões marcantes sobre a fama, a indústria cinematográfica e a condição humana que continuam a ecoar décadas depois.