Vade-retro União Nacional, por Carlos Esperança

Há 94 anos (1932) foram publicados os estatutos da União Nacional (UN), a única força política autorizada em Portugal, durante a ditadura fascista.

Quem nunca viveu o horror de um partido único, o cinismo de um frio ditador e o poder ilimitado do regime fascista, pode pensar que Salazar era um ditador honesto e manso.

Quando o general Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE, em Espanha, ele e sua secretária, Salazar foi à televisão garantir que os autores do crime eram os comunistas. Quando surgiu um enorme escândalo sexual do regime, com ministros, generais e altos dignitários eclesiásticos, o antigo seminarista e presidente do CADC proibiu as notícias e a investigação policial e judicial.

O regime não pode ser avaliado apenas pelo número dos que prendeu, torturou e matou, mas pelos que deixou morrer e, sobretudo, impediu de viver. Caxias, Tarrafal, Peniche, Aljube e Campo de S. Nicolau foram alguns dos mais perversos centros de tortura onde penaram intelectuais, artistas e democratas de vários quadrantes. Recordar os Tribunais Plenários, os juízes venais que aí conspurcaram as becas e a decência, os degredados e demitidos por razões políticas, é regressar ao mundo concentracionário do salazarismo.

A guerra colonial onde imolou a juventude portuguesa e assassinou combatentes da independência, onde explorou rivalidades tribais e a fome de quem se alistava para ter comida, é uma ferida aberta entre os que tiveram de fugir, abandonando os seus haveres e alguns mortos, os militares que vieram estropiados e as famílias dos que se enganaram na trincheira e pereceram na vertigem do ódio dos vencedores, tornado vingança.

Há quem apelide de honesto o abutre de Santa Comba, que condenou os portugueses ao medo, à miséria e ao analfabetismo, que transformou a República num bando de beatos, tímidos e idiotas, que o aclamavam por medo e o incensavam. O frio ditador, que fez de Portugal o país mais atrasado da Europa, com maior mortalidade infantil e materno-fetal e com menor esperança de vida, foi um ex-seminarista e presidente do CADC.

A ignorância e a falta de memória e de vergonha andam aí, de mãos dadas, a limpar o passado de quem viveu da censura, repressão e analfabetismo, a reabilitar o criminoso que tinha sobre a escrevaninha a fotografia autografada de Benito Mussolini.

Como é débil a memória dos povos, e como idiotas úteis e eternos reacionários se unem no apagamento da memória! 

Faz hoje 94 anos que foi criada a União Nacional.

“O livro que o Ocidente se recusa a ler “( Por Arnaud Bertrand ), por Rodrigo Sousa e Castro

Isto é realmente chocante e diz muito sobre nossa abordagem em relação à China. Decidi procurar resenhas independentes da versão em inglês do último livro de Xi Jinping, publicado há um ano, para ver o que as pessoas tinham a dizer sobre ele, já que eu mesmo não o havia lido. Para minha surpresa, não encontrei nenhuma: nem uma única resenha ponderada sobre o livro! Mesmo na Amazon, confira você mesmo (https://amazon.com/XI-JINPING-GOVERNANCE-CHINA-V/dp/7119143360/ ): o livro tem apenas 3 avaliações, só isso.

Independentemente da sua opinião sobre a China, você tem que admitir que isso é bastante absurdo: o presidente em exercício da superpotência emergente do mundo publica um livro de 700 páginas explicando exatamente o que está fazendo e por quê, e nós nem nos damos ao trabalho de ler. Se existe um fato que ilustra o quão deliberadamente ignorantes somos sobre a China, é este. Ainda mais porque depois repetimos os clichês de sempre sobre como o sistema chinês é secreto e impenetrável: o livro está na Amazon por US$ 21, para você ter uma ideia! Enfim, isso me pareceu tão errado que resolvi corrigir.

Comprei o livro, li atentamente e escrevi o que espero que vocês considerem uma resenha ponderada. O livro contém passagens genuinamente surpreendentes, como Xi Jinping escrevendo que a supervisão do Partido Comunista pelo “judiciário, pelo público e pela mídia” não era apenas algo que o Partido deveria “aceitar prontamente”, mas algo que ele enquadrou como historicamente decisivo – um componente essencial para “escapar do ciclo histórico de ascensão e queda” que condenou todas as dinastias na história da China.

Outra passagem que certamente surpreenderá muitos: uma narrativa comum é que a China culpa o Ocidente pelo século de humilhação e é movida por vingança. Bem, Xi explica que isso não é verdade: o século de humilhação foi um erro da própria China, originado na desastrosa “política de isolamento nacional” da Dinastia Ming, que “resultou na perda de oportunidades oferecidas pela Revolução Industrial” e “levou ao declínio da China”. Em suma, o livro é notavelmente introspectivo e ponderado.

Por exemplo, Xi reconhece que seu empenho por uma “governança interna plena e rigorosa” — incluindo a erradicação da corrupção do Partido — corria o risco de “instilar medo e apreensão, ou intimidar os membros, levando-os à inação”. Ele enfatiza a necessidade de pragmatismo nesse sentido, codificado em uma estrutura chamada “Três Distinções”, que separa erros honestos — cometidos durante experimentos, reformas ou operações sem precedentes — de violações deliberadas cometidas para ganho pessoal.

E muitas outras surpresas ainda. Achei a leitura genuinamente fascinante para qualquer pessoa interessada em como o sistema chinês funciona e como Xi pensa — ou para qualquer pessoa interessada em governança em geral, já que muito do que ele escreve é ​​bastante universalmente aplicável. Este é o link para minha resenha do livro, um artigo que intitulei

“O ​​Livro que o Ocidente se Recusa a Ler”:https://open.substack.com/pub/arnaudbertrand/p/the-book-the-west-refuses-to-read?

Giovanni Battista Lombardi, “A Ninfa”

Em 1858, o escultor italiano Giovanni Battista Lombardi transformou mármore em uma água que parece ainda se mover na obra** ‘A Ninfa’.** A figura mostra uma jovem prestes a entrar na água, tocando a superfície com a ponta do pé. Na base da escultura, surgem ondas talhadas no mármore com uma leveza impressionante. Cada detalhe exigiu muita precisão, pois um corte errado poderia estragar semanas de trabalho. Lombardi dominava uma técnica que fazia o mármore ganhar aparência de pele, tecido e movimento. Obra espetacular 🇮🇹

*(fonte: Curiosidades da Terra)*