Romance Social O LIXEIRO E O PRESIDENTE de Silas Corrêa Leite

  • Se arte e criatividade são, entre outras coisas, a inteligência e a imaginação se divertindo, segundo Albert Einstein, e, como diz Nelson Oliveira (Prêmio casa de las Américas), o maior mérito de uma obra literária é ser, acima de tudo, uma festa para a inteligência, em O LIXEIRO E O PRESIDENTE, romance social, o escritor, poeta e ficcionista premiado, Silas Corrêa Leite, mostra nesse novo trabalho e de novo polêmico e diferenciado, a face da personagem principal do livro, o Presidente Fernando 2, o néscio, como rotula ele, bem a propósito do que preconiza Sigmund Freud, de que cada pessoa é um abismo, e dá vertigem olhar dentro delas. Bem isso.
  • O livro criativo, ousado, e ainda assim cativante, finca o palco nas narrativas todas em diálogos, entre causos, humores políticos, contações e abobrinhas afins, no Palácio do Planalto, as redondezas e quadradezas, entornos e antros, na Era D.c (Depois de Collor), em que um Fernando 2 – e de Fernando em Fernando o Brasil vai se ferrando – deita e rola no mesmo funesto modus operandi de maracutaias de carteis e propinas da anterior era civil e mesmo do militarismo incompetente e corrupto no processo histórico que o antecedeu, e que nasceu nas hediondas capitanias hereditárias até hoje nos podres poderes do planalto central.
  • A obra, entre uma comédia escondida e uma tragédia camuflada – corja blindada pela justiça e pela mídia abutre corruptas – resgata desvão de almas corrompidas nos flancos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, mais o quarto poder, a imprensa blindando uma elite pústula em nome de neoescravistas neoliberais e agiotas do capital emboaba.
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O MARCENEIRO, A ÚLTIMA TENTATIVA DE CRISTO | Silas Correa Leite

Ao ler o novo – e de novo polêmico e de novo diferenciado – romance (místico, ecumênico, religioso?) “O MARCENEIRO, A última Tentativa de Cristo”, Editora Viseu, 2018, de Silas Corrêa Leite, a primeira coisa que nos vem à mente é uma frase de Friedrich Nietzche: “A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar?”. Simples assim. O livro, segundo o autor, é do final do ano 2.000, com aquela história do tal bug do milênio, o mundo iria acabar, coisa assim, e ele escreveu este despojo para não dizer que não era capaz de escrever um romance, principalmente se mirando o livro Memorial de Maria Moura, de Raquel de Queiroz, quando então se decidiu que, se aquele era um romance contemporâneo, atual, também poderia bolar um. Deu nisso. Um desafio? Um braço quebrado, engessado, outro com problema, pois pegou uma velha maquina remington, botou papel de formulário contínuo, e, feito um surto-circuito – psicografado? Jorro neural? –  por quinze dias, a média de doze horas por dia, de licença médica, macetou o começo, meio e fim do projeto então se formalizando. Às vezes, confessa, aqui e ali, numa parte emocionante e elevadora, do registro que punha para fora, sentia que, madrugada a dentro, a sala do apartamento da Alameda Barros onde morava no bairro de Santa Cecilia como se iluminava, e ele, que tem medo de fantasma, de espírito, feito um bobo, parava assustado e chamando a esposa, acendia todas as lâmpadas do lugar, quando ela assustada, mas já o conhecendo, perguntava:

-O que você está fazendo?

-Estava escrevendo sobre Jesus, dizia ele.

Ela então entendia, e respondia:

– E você quer escrever sobre Jesus sem iluminação de algum lugar? Quem procura, acha…

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Silas Correa Leite Lança seu Romance Místico ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS

ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, Romance místico, romance religioso ou romance ecumênico? Depois de Goto, A Lenda do Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, pela Clube de Autores Editora, SC, romance pós-moderno (considerado a melhor obra do escritor); depois do gracioso Gute-Gute, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia-RJ, e depois do revoltado Tibete-De quando você não quiser mais ser gente, Editora Jaguatirica, RJ, três romances de peso e agraciados por boas críticas literárias de renome, o escritor, ciberpoeta, ensaísta, crítico literário e então por isso mesmo romancista, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, premiado em diversos concursos literários, lança finalmente o romance ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, primeiro de uma trilogia. Este livro começou a ser escrito em 1998, terminado em 2015, e só agora finalmente lançado pela Sendas Editora do grupo Kotter Editorial de Curitiba-PR.

Como todos os livros diferenciados do autor, polêmicos, críticos, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS não foge à regra e ao estilo de Silas Correa Leite vai nesse fulcro literário. Desta feita, entrando num campo por assim dizer místico, ele narra a história de um cidadão de Itararé, claro – “Canta a tua aldeia e serás eterno”, disse Leon Tolstoi – (e isso o Silas faz como primeiro expoente da chamada Literatura Itarareense), e narra sobre um cidadão pobre, renegado pelo pai empresário rico da cidade de origem, que depois de décadas de muitos trabalhos e estudos em SP, vence na vida, feito um new rich da chamada alta sociedade paulistana.  Menino sensível, camuflou seu lado sentidor, especial, para ganhar dinheiro. Ficando rico – e ninguém fica muito rico impunemente entre riquezas impunes e lucros injustos – o personagem (real, imaginário?), dr Paulo de Tarso Trigueiro um dia ao sair de um luxuoso jantar em point rico de área nobre da capital, tem uma visão que o alumbra.

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ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS | Silas Correa Leite | Lançamento

Romance místico, romance religioso ou romance ecumênico? Depois de Goto, A Lenda do Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, pela Clube de Autores Editora, SC, romance pós-moderno (considerado a melhor obra do escritor); depois do gracioso Gute-Gute, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia-RJ, e depois do revoltado Tibete-De quando você não quiser mais ser gente, Editora Jaguatirica, RJ, três romances de peso e agraciados por boas críticas literárias de renome, o escritor, ciberpoeta, ensaísta, crítico literário e então por isso mesmo romancista, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, premiado em diversos concursos literários, lança finalmente o romance ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, primeiro de uma trilogia. Este livro começou a ser escrito em 1998, terminado em 2015, e só agora finalmente lançado pela Sendas Editora do grupo Kotter Editorial de Curitiba-PR.

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TIBETE | o novo romance de Silas Corrêa Leite | E quando você não quiser mais ser gente?

O novo romance do escritor Silas Corrêa Leite, lançado ao final do ano passado pela Editora Jaguatirica, RJ, vem bem a calhar, tendo em vista o tenebroso momento em que se resta o Planeta Terra, e particularmente o Brasil também em crise sem precedentes históricos, em que há uma falência generalizada de valores e estruturas sociais, terrivelmente depondo com o que deveria ser o público fito ético-plural-comunitário da  sociedade nesses tempos de falta de qualidade de vida e de uma convivência humana de baixíssimo nível. Fugir seria a melhor estratégia? Loucos escrevem. Céu ou inferno moram nos desfechos?  O personagem principal do livro, nesse contexto todo relata sobre as tormentas de um ex-escritor marcado, com altos e baixos na vida, mas, afinal evoluído socialmente falando, e que num estranho súbito momento, um bendito dia saca que não é feliz; avalia que o que conquistou não o satisfaz, quando conclui que “vencer na vida” não é tudo, não significa nada, não faz sentido, e, parafraseando Caetano veloso se questiona: tudo o que conquistou, a que será que se destina? Fechamento de ciclo.

De cara resolve pular fora do sistema, da redoma de infernos que é seu meio conturbado. Larga tudo e vai em busca de um lugar para chamar de céu, um infinito particular que seja. Quer um canto para se esconder de ser gente, de ver gente, se tratar de si, se reconciliar, cavar uma trilha, um buraco, antes que faça uma besteira… Estresse e paranoia de finalmente se descobrir sendo uma coisa que não quis ao final de tudo, passando da idade do lobo.

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BELTERRA – Folhas de Regresso a Uma Ítaca de Lonjuras Íntimas

“Nada é para sempre(…). Mas há momentos

que parecem ficar suspensos, pairando sobre o

fluir inexorável do tempo”. (José Saramago)

 

  • Na açodado do momento, sem razão e nem porque, de imediato, a revisitada canção explode na minha mente atiçada, mal acabei de começar a ler (e de chorar, lendo) o novo livro BELTERRA de Nicodemos Sena, Editora LetraSelvagem. Jatos de música e letra: -“Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo// A morte tece seu fio de vida feita ao avesso//O olhar que prende anda solto//O olhar que solta anda preso//Mas quando eu chego eu me enredo//Nas tramas do teu desejo//O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo//A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo//O olhar que assusta anda morto//O olhar que avisa anda aceso//Mas quando eu chego eu me perco//Nas tranças do teu segredo//(…)… é hora de partir, eu vou//(Desenredo – Dorival Caymmi)

-Era o livro tomando forma em minha mente atiçada. Leitura é entrar no mapeamento das palavras, espaços e tempos. Lonjuras íntimas. Procuras. Fotos. Desenhos apalavreados de rostos e almas, nos confins. Como Homero querendo voltar para casa, o autor leva o pai para um distante caminho de volta, atrás de um eldorado que acabou sendo lágrima e dor, e, revisitando trilhas e sentenças, veios e capões, matas e pesadelos, tenta redescobrir o encoberto, tenta retrazer o curtume de um tempo chamado já-hoje, e perpassa a narrativa fluindo como linhas de cerol na alma, na saudade, na história, como se um belo caderno de viagem dizendo dessa cicatriz lixada, de um magno patriarca sofrido e ainda assim resistente e herói, de uma lágrima sedenta de lavar os vidros dos olhos, de serenar os cacos de espelhos da alma. Olhares. Páginas de lágrimas. O menino que envelheceu, o velho que quer voltar a ser menino, na pureza do olhar de um sensível e destemido filho escritor renomado, ponderando, pausando, contemplando, reinando, respeitando, admirando – ah o reencontro – clicando, repaginando um tempo antigo; o agora menino-pai tomando o pai-menino pela mão… Tempo-rei. Como não se encantar? Os dias eram assim…

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Lulu Santos Transformou o Rock Groselha do Rei Roberto Carlos em Rock Raul | Silas Correa Leite

Silas Correa Leite 250Crítica
Lulu Santos Transformou o Rock Groselha do Rei Roberto Carlos em Rock Raul
(Cedê LULU CANTA & TOCA ROBERTO E ERASMO)

-Crescemos, parimos, regurgitamos, sonhamos amor & flor,  e amamos os Beatles e Tonico e Tinoco, ouvindo a Jovem Guarda do Rei Roberto, que gritava no auge que tudo mais fosse pro inferno, mora? Erasmo Carlos, lado a lado mas ele mesmo muito roqueiro de origem e mentalidade, era o parceiro-rock que gritava contra a banda dos contentes. O rei era o rei. Mas jovem, guarda, né não? Daquilo para tropicália, festival universitário, bossa nova, foi um pulo. Para não dizer que não falei de flores, ficamos com um rei na cabeça e o rei com o rei na barriga.  Os deuses quando querem detonar os reis, enlouquece-os, desde Shakespeare.
-Pois não é que o rei proibiu a biografia não autorizada, virou padrão global (o que não significa nada), cantou bregas e idolatrias, cristianizou-se, e, desde As Baleias não se viu um reinado tão coxinha-daslu e uma mesmice tão brega que perdeu a graça. Mas Roberto é Roberto.
-Elis cantou Roberto de arrepiar. Caetano abrilhantou Roberto, na veia. Agora, Lulu Santos botou as letras que o Roberto fez pra mim, e as músicas suaves, em arroubos de rock mesmo, e, falando sério, ficou bonito, tudo muito mais Jovem Guarda a la Rock Raul Seixas e Rita Lee do que Roberto Carlos rock groselha. Claro, aqui e ali Lulu botou um e outro para cantar, quando o cedê é dele e era ele quem queríamos ouvir com sua guitarra empolgante e forte e brilhante. Tampem podia tirar as tais vinhetas, e mesmo, a musica bobinha É preciso Saber Viver que já deu o que tinha de dar de falso pop, mas, no frigir dos ovos, Lulu acetou na maioria das escolhas entre tantas (não é fácil), embora devesse também ter gravado As Baleias,  Quando as Crianças Saíssem de Férias, Maria Carnaval e Cinzas, e, ainda, Quero Que Vá tudo pro Inferno, ou o rei refugou essa, de novo?

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Os Cascalhos dos Poços Íntimos do Livro de Poesia “Alvéolos de Petit Pavê” de Ricardo Pozzo | Silas Corrêa Leite

pozzoBreve Resenha Crítica

Os Cascalhos dos Poços Íntimos do Livro de Poesia “Alvéolos de Petit Pavê” de Ricardo Pozzo

“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada(…)/
Agora não espero mais aquela madrugada(…)/
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada/”

(Fé Cega, Faca Amolada, Milton Nascimento)

As vezes brinco de dizer que a Poesia é o meu “sábio chinês” que me resgatou do cárcere privado sem porcelana da vida vã, me cuidou como um triste cachorro craquento da pá virada, e ainda me preserva frutado como uma bananeira que já deu goiaba. Desacelerações de partículas na parte, poesia pode ser tudo e nada ao mesmo tempo, paradoxalmente isso mesmo: criar Poesia propriamente dita. Ou, talvez, Poesia é… ponhamos:  varreção de fragmentos e chorumes de subterrâneos mal resolvidos para debaixo do tapete dos palavrórios… O aparato técnico para mim, perdão, é não ter aparato técnico nenhum, as vias acadêmicas às vezes tripudiam sobre o inominável e matam a arte-criação. A subjetividade é, aqui e ali, um lampejo, ou ainda faz desandar a polenta da arte com lume neutro. Todas as alternativas são apenas alter-nativas… Aliás, a própria vida é uma poesia esperando tradução. A Poesia tem que ser levada até o mais extremo, ou não seria poesia, seria rima, ritmo, metáfora, e eu gosto da santa loucura-lucidez da poesia, que revisita os bulbos inomináveis das entranhas da angústia-vívere, da solidão-coivara, da tristeza-coxia e do terrível e indizível medo de sobreviver; como um dezelo íntimo, um ranço tácito, uma cruz que se extravasa na arte como cicatriz, na poesia como fermento, na criação como um tabule de mixórdia, feito então – como sequela – uma assustadora levitação lustral. Curto e grosso, a poesia também pode ser casca de banana-caturra no trapézio, a casca de tangerina na linha do horizonte, o arco-íris marrom, o chute na canela da escurez, a placa de sinalização estrambólica das erratas de percurso acidentado, o humor irônico dos suicidas, a própria faca de dois legumes das metáforas barulhadas, e ainda assim e por isso mesmo, talvez, as iluminuras de desvairados inutensílios com impropriedades de incompletudes, mais os bulbos paraexistenciais. Talvez até, um liquidificador de ideias mais as fugas das tentativas de abismos da vida como achadouros de cintilâncias…

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