O polivalente escritor e promotor cultural Luiz Eudes e a Cangalha de Contações Maviosas | Breve resenha Crítica | por Silas Corrêa Leite

“Se cada dia cai, dentro de cada noite/Há um poço/Onde a claridade está presa./Há que sentar-se na beira/Do poço da sombra/E pescar luz caída/Com paciência.” (Pablo Neruda)

-A internet tem disso, aproxima pessoas dos lugares mais distantes possíveis, principalmente nas continentais lonjuras desses brasis gerais, sertões e veredas, trilhas e turnos. Como se diz que todo artista toca seu Deus quando cria, os arteiros; e a arte como levitação e libertação, também aproximam os iguais na seara de escrevivências, que labutam com a palavra, a literatura, os assentos narrativos. Num vareio de ventos insurgentes desses, por assim dizer, conheci o Luiz Eudes e nos fizemos amigos virtuais e dele recebi o precioso livro CANGALHA DO VENTO, contos que se entrelaçam, segunda edição, Editora Zarte, Feira de Santana, Bahia.

-Escrito e feito, e dito e feito, tomei do livro e pus-me a saborear o cardume dos causos entrelaçados, contos, acontecências num projeto que se pode a bem dizer colocar e nominando como se um romanceiro de contações do arco da velha, mais registros de saudades, revisitanças, inocências perdidas, lares e bares, luares e contares, aprumada conversa fiada para nos deliciar. E o autor já tem outros livros e nesse, CANGALHA DO VENTO, com ilustrações de Samuel Costa, e sua bucólica prosa ligeirinha vai nos levando, tomando-nos pela mão, e vamos entrando preciosos no Junco pela porta aberta dos olhos sadios de um contador portentoso.

Garoto de Sátiro Dias, o escritor Luís Eudes, 50 anos, autor de outros livros e com participações em várias antologias em verso e prosa, diz ter começado muito cedo na arte de escrever, e nesse treino e ritmo retumbante hoje destaca-se como paladino da arte e cultura, promotor lítero-cultural profícuo, que com CANGALHA DO VENTO se consagra como literato de verve

-Cangalha do vento tem aquele gosto sabore-delícia de “quero mais”, que você começa a ler e entra no livro, come, bebe, morde, habita a narrativa gostosa, cativante, saboreando o livro com o gume do deguste. Fincado e criando raízes, árvores, beiras de rios e iluminuras na terra-mãe do consagrado Antonio Torres, Luiz Eudes vai retrazendo as cangalhas de causos, de seu tempo, espaço e lugar, em que fez seu residencial palco iluminado, seu chão de estrela, seu berço esplêndido, seu cadinho de recolhes para enlivrar-se. Fui lendo o livro, e, dobrando aqui e ali, que quando acabei, querendo ler mais e saber sobre, notei que o meu exemplar parecia uma sanfona, e foi quando me lembrei de Luiz Gonzaga, lembrei-me do luar do sertão, lembrei de Graciliano e sendas afins, lua alta, céu risonho…

-O livro traz, na sua segunda edição com bela capa de Allan Oliveira, sobre foto do próprio autor, um final com bela soma de resenhas críticas, feito por assim dizer a fortuna crítica do autor e do livro, que resolvi cá com meus botões de laranjeira, também palpitar pela obra e pelo autor, cativado que fui. Livro escrito com a alma, para se ler cm o coração, e sentir com os pés no chão desse interior em cangalhas e lonjuras por onde o judas perdeu o all-star.

-Parabéns, amigo. Que venha a continuação. Abra suas cangalhas de doces memórias salutares, de saudosas lembranças, e sirva-nos outras guloseimas e jububas de seus contares no mesmo fulcro e diapasão.

-Quem conta um conto, aumenta um pouco, diria o proseador matuto no dito popular, mas acho que no seu caso, quem conta um conto, inventaria a vida, a saudade-raiz, e alimenta imagens e palavras, desses cantos gerais dessa Bahia de todos os santos e tantos encantos. E tome as procissões de palavras nessa cangalha que o vento alimenta a fornalha da imaginação saradinha do autor.

Todo louco criador sensível, ao revisitar memórias, quer ser sempre um livro aberto na página eivada de si mesmo. Páginas de rostos, páginas de horizontes, páginas como cangalhas ao vento.

Bravo!

Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, reside em São Paulo-SP, E-mail: poesilas@terra.com.br – Poeta, professor, jornalista comunitário, conselheiro em Direitos Humanos e Cidadania. Autor, entre outros, de CAVALOS SELVAGENS, em co-edição da Editora Kotter (PR) e LetraSelvagem (SP), no prelo.

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