Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima, Mon Amour, 1959) | Alain Resnais

“Hiroshima, Meu Amor”, filme seminal da Nouvelle Vague, muito embora seu diretor, Alain Resnais, não fizesse exatamente parte do movimento. O filme narra a história de dois amantes, ela uma atriz, ele um arquiteto, que se encontram na cidade de Hiroshima.

A atriz rememora seu ´passado na cidade francesa de Nevers, onde viveu um romance proibido com um militar alemão.Uma obra seminal, com uma linguagem soa moderna até hoje.

Direção: Alain Resnais Roteiro: Marguerite Duras Elenco: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stela Dassas, Pierre Barbaud e Bernard Fresson.

O Tempo, Esse Grande Escultor Marguerite Yourcenar

«No dia em que uma estátua é acabada, começa, de certo modo, a sua vida. Fechou-se a primeira fase, em que, pela mão do escultor, ela passou de bloco a forma humana; numa outra fase, ao correr dos séculos, irão alternar-se a adoração, a admiração, o amor, o desprezo ou a indiferença, em graus sucessivos de erosão e desgaste, até chegar, pouco a pouco, ao estado de mineral informe a que o seu escultor a tinha arrancado.
Já não temos hoje, todos o sabemos, uma única estátua grega tal como a conheceram os seus contemporâneos.»

SOBRE A AUTORA:

Marguerite Yourcenar (quase um anagrama do seu apelido verdadeiro, Crayencour) nasceu a 8 de Junho de 1903 em Bruxelas. Escreveu romances como Memórias de Adriano e A Obra ao Negro, e várias novelas. Publicou poesia e traduziu Virginia Woolf, Kavafis, Henry James e espirituais negros. Foi ainda ensaísta e crítica.Primeira mulher eleita para a Academia Francesa, em 1980, afirmou não conceder importância a tal distinção. A sua infância foi invulgar. A mãe morreu quando ela tinha dez dias, sendo educada pela rígida avó paterna e pelo pai, ligado à aristocracia, um viajante inconformista que desempenhou um papel de relevo na sua formação pessoal e literária. Marguerite Yourcenar passava os Invernos em Lille e os Verões, até aos 11 anos, na propriedade familiar em Mont Noir. Estudou em casa e o seu pouco memorável livro de poemas, Le Jardin des chimères, saiu em edição de autor quando tinha 18 anos. Acompanhou o pai em viagens a Londres, durante a Primeira Guerra Mundial, à Suíça e a Itália, onde descobriram a Villa Adriana.

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O polivalente escritor e promotor cultural Luiz Eudes e a Cangalha de Contações Maviosas | Breve resenha Crítica | por Silas Corrêa Leite

“Se cada dia cai, dentro de cada noite/Há um poço/Onde a claridade está presa./Há que sentar-se na beira/Do poço da sombra/E pescar luz caída/Com paciência.” (Pablo Neruda)

-A internet tem disso, aproxima pessoas dos lugares mais distantes possíveis, principalmente nas continentais lonjuras desses brasis gerais, sertões e veredas, trilhas e turnos. Como se diz que todo artista toca seu Deus quando cria, os arteiros; e a arte como levitação e libertação, também aproximam os iguais na seara de escrevivências, que labutam com a palavra, a literatura, os assentos narrativos. Num vareio de ventos insurgentes desses, por assim dizer, conheci o Luiz Eudes e nos fizemos amigos virtuais e dele recebi o precioso livro CANGALHA DO VENTO, contos que se entrelaçam, segunda edição, Editora Zarte, Feira de Santana, Bahia.

-Escrito e feito, e dito e feito, tomei do livro e pus-me a saborear o cardume dos causos entrelaçados, contos, acontecências num projeto que se pode a bem dizer colocar e nominando como se um romanceiro de contações do arco da velha, mais registros de saudades, revisitanças, inocências perdidas, lares e bares, luares e contares, aprumada conversa fiada para nos deliciar. E o autor já tem outros livros e nesse, CANGALHA DO VENTO, com ilustrações de Samuel Costa, e sua bucólica prosa ligeirinha vai nos levando, tomando-nos pela mão, e vamos entrando preciosos no Junco pela porta aberta dos olhos sadios de um contador portentoso.

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