DECLARAÇÃO DE PAULO RAIMUNDO, SECRETÁRIO-GERAL DO PCP, 03/06/2026, Greve Geral

Greve Geral de 3 de Junho de 2026: grande afirmação de força para a derrota do Pacote Laboral e de esperança num Portugal com futuro

A grande Greve Geral de hoje constitui uma poderosa acção para a derrota do Pacote Laboral, apresentado pelo Governo PSD/CDS e apoiado pelo Chega , IL e confederações patronais, e uma clara rejeição do retrocesso social e do aumento da exploração que querem impor aos trabalhadores.

Uma inequívoca rejeição da tentativa de agravar a insustentável situação de baixos salários, promover os despedimentos sem justa causa, generalizar e perpetuar a precariedade, desregular ainda mais os horários de trabalho, atacar os direitos dos pais e das crianças, a contratação colectiva, o direito à greve, o direito de acção e informação sindical.

Uma jornada de luta que é também uma forte expressão de descontentamento e indignação dos trabalhadores contra o aumento do custo de vida, a degradação e desmantelamento dos serviços públicos, as dificuldades de acesso à habitação, pela  defesa de direitos e por melhores condições de vida. 

Uma Greve Geral que, integrada num impressionante movimento de luta desenvolvido a partir do Verão de 2025, se realiza num momento crucial da vida do País e no seguimento do envio do Pacote Laboral por parte do Governo para a Assembleia da República. Uma Greve que constitui um sinal claro de disponibilidade para a intensificação e multiplicação da luta para a derrota do Pacote Laboral e pela exigência de melhores salários e pensões, condições de vida e de trabalho, de justiça, dignidade e respeito. 

É de sublinhar a participação de trabalhadores que nunca tinham feito greve, com vínculos efectivos e precários, a participação destacada dos jovens, das mulheres, dos imigrantes, numa Greve Geral no patamar das maiores até hoje realizadas, que teve uma grande participação e impacto em todo o País, com uma forte expressão nos diversos sectores de actividade, no sector privado e no sector público, assumindo-se como uma grande afirmação da força e da unidade dos trabalhadores.

Na indústria, nos diversos sectores, em inúmeras empresas como a Groz Beckert, Ficocables, AAPICO, Browning, ZF, Mitsubishi, Faurécia, Aumovio, Bosch, Apptiv, Amtrol-Alpha, Herdemar, Horse (ex-Renault), Huf, GLN – Novares,  DS Smith, Exide, Celcat, Frismag, Hanon, Visteon, Teijin, Forvia, Sovena, SMP, Euroresinas, Orica, Hutchinson, Minas da Panasqueira, Tearfil, Mabera (ex-Coelima), Tescap, Huber Tricot, Ecco, Paulo Oliveira, Penteadora, Gallo Vidro, Viroc, Super Bock, Lactogal, Cerealto, Cervejas da Madeira, Carnes Nobre, Bimbo, Cofisa, Vitacress, Silotagus, nos resíduos, como a Valorsul, Amarsul ERSUC e Gesamb.

Nos transportes, com a paralisação do Metropolitano de Lisboa, CP, IP, STCP, dos transportes municipais  (Braga, Coimbra, Barreiro, Portalegre), elevadas adesões no Metro do Porto, no Metro Sul do Tejo, na Carris, na Transtejo/Soflusa, na Atlantic Ferries, nos transportes rodoviários privados de passageiros. Os portos nacionais tiveram uma elevada adesão, que em grande parte os paralisaram. No sector aéreo,com uma adesão próxima da totalidade, excepto a realização dos serviços mínimos. 

Na Administração Pública, com uma grande adesão na saúde (hospitais e centros de saúde), na educação, com a generalidade das escolas fechadas, no ensino superior, na segurança social, na justiça, nas finanças, nos museus e outros serviços, salientando-se também a forte adesão na Administração Local.

Nos serviços da logística, grande distribuição comercial, hotelaria e cantinas, no sector financeiro e no sector social, nomeadamente em IPSS e Misericórdias.

Noutros sectores, com uma elevada expressão nos correios, telecomunicações, energia, cultura, artes e espectáculos e comunicação social, bem como a paralisação das lotas de pesca.

A Greve Geral traduziu-se também na participação de muitos milhares de pessoas em centenas de piquetes e dezenas de concentrações e manifestações nas ruas por todo o País.

O PCP saúda os trabalhadores pela sua participação na Greve Geral, saúda a CGTP-IN, a grande central sindical dos trabalhadores portugueses que a convocou, saúda as estruturas sindicais e outras organizações dos trabalhadores que marcaram posição e se associaram, os milhares de dirigentes e delegados sindicais, membros de Comissões de Trabalhadores e todos os trabalhadores, que participaram activamente no esclarecimento, na mobilização e na organização que determinou o êxito desta grande e oportuna jornada de luta.

Uma grande Greve Geral, cujo êxito assume ainda mais significado quando enfrentou e derrotou pressões, chantagens, abuso dos serviços mínimos para limitar o direito à greve e tentativas de manipulação e silenciamento.

Face a uma legislação laboral já muito desfavorável aos trabalhadores, o que se impõe é a derrota e o abandono do Pacote Laboral e avançar com a revogação das normas gravosas que já hoje integram a legislação laboral.

Com uma vida marcada por crescentes dificuldades, pelo aumento do custo de vida e por  profundas injustiças e desigualdades que contrastam com a acumulação de lucros colossais pelos grupos económicos e as multinacionais, os trabalhadores e o povo fizeram ouvir a sua voz. E perante um Governo PSD/CDS que, com o apoio da IL e do Chega, desenvolve uma política anti-social, antidemocrática e anti-patriótica, onde se inclui o Pacote Laboral, o ataque ao SNS, à Segurança Social, à Escola Pública, as privatizações, a negação do direito à habitação, a entrega de milhares de milhões de euros de recursos públicos ao grande capital, quando estes partidos procuram o entendimento para um golpe de subversão da Constituição da República, a força da luta dos trabalhadores evidenciou a necessidade da ruptura com esta política e este rumo de injustiça e desastre nacional.

Aumentar salários, combater a precariedade, valorizar a contratação colectiva, defender e reforçar os serviços  públicos, garantir o direito à habitação e os direitos dos pais e das crianças, promover a produção nacional e o investimento público, é esse o rumo que se impõe.

A Greve Geral de hoje, e todo o processo de luta que a antecedeu e prosseguirá, é um sinal de combate e esperança. Mostra que é possível derrotar o Pacote Laboral, e que há força para defender os direitos dos trabalhadores e do povo, para defender os valores de Abril, romper com a política de direita e abrir o caminho que o País precisa, onde os direitos de quem trabalha são condição e objectivo do desenvolvimento.

Força para impor o rumo para um Portugal justo, desenvolvido e soberano, com o cumprimento da Constituição da República e a aplicação dos direitos que consagra, um caminho que está nas mãos dos trabalhadores, da juventude, do povo, dessa força imensa que hoje mais uma vez se demonstrou.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.