Au moment où une grande partie de l’Europe parle de murs, d’expulsions et de peur, Pedro Sánchez choisit une phrase presque opposée : l’Espagne est fille de la migration, et elle ne sera pas mère de la xénophobie.

Cette phrase ne tombe pas dans le vide.

Elle arrive dans un pays qui connaît très bien le départ.

Pendant des décennies, des Espagnols ont quitté leur terre pour chercher du travail, de la sécurité, une vie possible ailleurs.

Amérique latine.

France.

Allemagne.

Suisse.

Belgique.

Des familles entières ont connu la valise, le bateau, le train, l’accent étranger, les papiers, l’humiliation parfois, et l’espoir souvent.

Alors Sánchez utilise cette mémoire comme un miroir.

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Raquel Varela. Explicar o dia de ontem, de greve geral (03/06/2026)

Para explicar o dia de ontem é preciso não ter medo das palavras, nem mentir a nós próprios (a mentira mais perfeita porque parece verdade). Quero contar-vos o que a direita vai tentar fazer, e tocar nas nossas feridas, as feridas da esquerda. Só a verdade é revolucionária. Porque quero, como vocês, vencer. 

E dedicar-me às minhas paixões, aos que amo, à história, jardinagem, literatura, bicicleta, e não a lutas sistemáticas por direitos elementares.

Warren Buffett disse à CNN a seguir às medidas “anti-crise”, em 2011 – “Claro que há luta de classes, e é a minha classe, a dos ricos, que está a  lutar e a ganhar”. Quando se retira a luta de classes, não se percebe nada. E fica-se na mão de comentadores superficiais, que repetem o discurso do PS da “dignidade do trabalho” e da “produtividade é culpa dos patrões” ou de mentirosos compulsivos, e patéticos, que actuam nas TVs pagos para tal pelos empresários de uma comunicação social que deixou de informar ou pensar. Primeiro,  existem classes sociais e cada vez mais só existem duas classes (a burguesa, ou capitalista, e a trabalhadora, a nossa). A outra palavra é a Política, a única palavra que nos pode salvar, porque ela é a estratégia, para vencer. Porque podemos ser derrotados.

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PS | José Luís Carneiro imita Costa e procura ajuda de 20 economistas, in Observador

SUGESTÃO | E criar um grupo de “políticos/economistas”, se possível libertos de compromissos partidários, para estudar propostas de social democratização progressistas e adaptadas ao “caso da portugalidade”? (Vítor Coelho da Silva)

Na tarde em que aconteceram buscas na sede nacional do PS, no final da semana passada, José Luís Carneiro tinha prevista uma conferência de imprensa para apresentar uma contraofensiva à reforma laboral do Governo. A iniciativa acabou cancelada e o partido tenta agora relançá-la com a constituição de um grupo de 20 economistas para trabalhar em propostas para a competitividade e a produtividade da economia, em diálogo com os parceiros sociais.

A decisão foi apresentada aos jornalistas pela secretária nacional Fátima Fonseca, quando ainda decorria a reunião de direção na sede nacional do partido, em Lisboa. “Ainda durante este mês de junho, temos previsto encetar contactos com 20 economistas para validar uma metodologia de trabalho que, com a constituição de uma equipa dedicada, reúna com parceiros sociais e aborde os diferentes setores da economia portuguesa para prosseguirmos com um conjunto de linhas de ação, tendo em vista um objetivo agregador e transformador” da economia.

A iniciativa faz lembrar uma outra semelhante, quando o antigo líder socialista, António Costa, chamou 12 economistas para preparar a base técnica e programática da alternativa socialista para as legislativas de 2015 e os dez anos seguintes. Os trabalhos desse grupo foram então coordenados por Mário Centeno, que acabou por ser ministro das Finanças de Costa durante vários anos. Mas na conferência de imprensa desta tarde, Fátima Fonseca não quis adiantar se Centeno fará parte dos convocados também desta vez.

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A LIBERDADE SEGUNDO BARUCH SPINOZA

As pessoas acreditam ser livres. Acreditam que a sua vontade é livre e pensam que possuem livre-arbítrio. Para Baruch Spinoza, esta aparência de liberdade é uma ilusão. Na Ética a Nicómaco (1677), afirma claramente: “As pessoas julgam-se livres porque têm consciência das suas vontades e desejos, e nem sequer consideram as causas que as dispõem a desejar e a querer, pois não têm conhecimento delas”.

Não somos senhores absolutos das nossas escolhas e ações, pois muitas vezes desconhecemos as causas subjacentes que nos levam a elas. As nossas ações são precedidas por uma complexa cadeia de causas e efeitos de que raramente temos consciência.

Por exemplo, está a ver televisão e, de repente, um desejo domina-o. Você age de acordo com ele. À primeira vista, parece livre para fazer essa escolha. No entanto, foi influenciado por uma imagem percebida alguns instantes antes.

Espinosa compara esta ilusão à de uma pedra atirada ao ar que, se tivesse consciência do seu movimento, acreditaria ser livre e mover-se apenas por vontade própria. É precisamente esta a nossa condição: acreditamos ser a origem das nossas ações, quando na verdade somos apenas a sua extensão.

Espinosa explica que somos determinados por uma longa cadeia de causas e efeitos inconscientes. Estes determinantes podem ser externos (acontecimentos, ambiente social, educação, encontros) ou internos (paixões, desejos, constituição biológica).

Na Ética, chama a esta força fundamental que impele cada ser a perseverar na sua existência conatus; e é esta força, muito mais do que a nossa razão, que orienta as nossas escolhas diárias. Um homem que compra um carro de luxo acredita muitas vezes estar a agir livremente. No entanto, é provável que esteja a procurar impressionar, existir aos olhos dos outros. A sua decisão é influenciada por desejos dos quais não tem plena consciência.

Contudo, não devemos sucumbir ao fatalismo. Para Espinosa, a liberdade continua a ser possível; Mas não é algo dado, precisa de ser conquistado. Não consiste em escapar às leis da natureza, o que é impossível, mas em agir de acordo com a nossa própria natureza mais profunda, em vez de sob o domínio das paixões externas.

Assim, define a liberdade não como a ausência de causa, mas como autodeterminação: “Uma coisa é livre quando existe unicamente pela necessidade da sua natureza e está determinada a agir apenas por si mesma.”

A servidão, por outro lado, é ser governado por causas externas que não compreendemos.

Por isso, é essencial ter um conhecimento preciso da nossa biologia, da nossa psicologia e das nossas paixões para melhor as influenciar. Espinosa dedica grande parte da Ética a esta análise das emoções — alegria, tristeza, desejo, amor, ódio — para mostrar como elas nos aprisionam ou, inversamente, podem ser transformadas pelo conhecimento. Porque compreender uma paixão é já um passo para sermos menos escravizados por ela: “Uma emoção que é uma paixão deixa de o ser assim que formamos dela uma ideia clara e distinta.” Ética