Luís Vaz de Camões: A Alma de um Povo, mural de Maria Helena Manaia, in Facebook

A 10 de junho, celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. 

Recordamos o nosso maior poeta, o homem que fez das palavras a maior caravela da nossa história e que imortalizou a coragem, a audácia e o fado de sermos portugueses.

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta.” 

Os Lusíadas

Que a grandiosidade da nossa língua e a força da nossa identidade nos inspirem a navegar sempre em direção à luz e à superação.

Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Manuel Alegre, António Portugal – “Trova do Vento que Passa”, 10 Junho 2026

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Manuel Alegre foi chamado a cumprir serviço militar em 1961 e, no ano seguinte, foi mobilizado para Angola para servir o país na guerra colonial. Já nos anos universitários em Coimbra se havia juntado aos grupos de oposição ao salazarismo e, mantendo a mesma faceta ideológica, acaba por ser preso pela PIDE em 1963, ainda em Angola. Regressa a Portugal depois de sete meses de cárcere, onde lhe é fixada residência em Coimbra, e se vê perseguido sistematicamente pelas autoridades.

É neste contexto que, numa noite a caminho de casa, acompanhado pelo seu amigo Adriano Correia de Oliveira se exprime nos seguintes termos: “Mesmo na noite mais triste / Em tempos de servidão / Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não”. Adriano terá afirmado, em resposta, que mesmo que não fossem escritos mais versos, aqueles durariam para sempre. Tinha razão mas o certo é que o poema surgiu, depois, com naturalidade.

Depois de escrita a «Trova do vento que passa», tentou-se adaptá-la à estrutura do fado tradicional, sem sucesso. Foi António Portugal a desbloquear a composição musical, optando por um estilo mais semelhante à balada. Quando Adriano Correia de Oliveira cantou a canção na casa dos pais de Alegre, com a presença de [Zeca Afonso](https://knoow.net/arteseletras/musica/zeca-afonso/), este percebeu que tinham criado algo verdadeiramente único.

Três dias depois, sem a autorização da PIDE, Adriano cantou a balada numa festa de recepção aos caloiros na Faculdade de Medicina de Lisboa, depois de um discurso de Manuel Alegre. Nas palavras do próprio: “foi um delírio, teve que repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino para aquela gente” (Raposo, 2000, p.172).

Trova do Vento que Passa” é um poema de Manuel Alegre, escrito em 1963, que reflete sobre a liberdade, a resistência e a esperança em tempos de opressão.

Sobre o Poema

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