Centeno alerta para um problema de “12 mil milhões de euros” que Portugal tem em mãos – e uma das soluções pode ser o aumento de impostos, in CNN

Mário Centeno avisou esta segunda-feira à noite, no seu habitual espaço de comentário na CNN Portugal às segundas-feiras, que Portugal corre um sério risco de voltar a entrar em incumprimento com a Comissão Europeia por ter a carga fiscal em máximos históricos. “Nós incumprimos as regras em 2025 e estamos em risco de o fazer em 2026”, afirmou o antigo governador do Banco de Portugal, sublinhando que Portugal é “o país com o maior desvio orçamental” da União Europeia.

“A verdade é que neste ciclo de regras europeias, que são quatro anos entre 2025 e 2028, aquilo que a Comissão Europeia e o Banco de Portugal têm dito – e ainda em dezembro de 2025 o Banco de Portugal voltou a divulgar esses números – é que há um incumprimento generalizado da regra da despesa”, aponta Centeno.

E esse incumprimento é cumulativo. Ou seja, o país “está a acumular desvios e incumprimentos face ao compromisso que assumiu” com Bruxelas. E, no final deste ciclo orçamental – que acaba em 2028 – “é preciso que a conta fique a zero”.

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Descalça vai para a fonte, Luís de Camões

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

O discurso de António José Seguro no Dia de Portugal, 10 Junho 2026, in SIC e LUSA

António José Seguro assinalou esta quarta-feira, pela primeira vez, o Dia de Portugal no papel de Presidente da República. No discurso, o chefe de Estado pediu diálogo “em tempos de trincheiras” e coragem para se fazer “escolhas difíceis”, defendendo mudanças no mercado de trabalho e na habitação que permitam fixar jovens no país. Porque, avisou, Portugal não pode “ficar à espera de milagres”.

O Presidente da República defendeu esta quarta-feira, a partir dos Açores, a paz, os direitos humanos e a Carta das Nações Unidas e uma “relação de equilíbrio” com os aliados, no seu discurso do 10 de Junho.

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Luís Vaz de Camões: A Alma de um Povo, mural de Maria Helena Manaia, in Facebook

A 10 de junho, celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. 

Recordamos o nosso maior poeta, o homem que fez das palavras a maior caravela da nossa história e que imortalizou a coragem, a audácia e o fado de sermos portugueses.

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta.” 

Os Lusíadas

Que a grandiosidade da nossa língua e a força da nossa identidade nos inspirem a navegar sempre em direção à luz e à superação.

Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Manuel Alegre, António Portugal – “Trova do Vento que Passa”, 10 Junho 2026

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Manuel Alegre foi chamado a cumprir serviço militar em 1961 e, no ano seguinte, foi mobilizado para Angola para servir o país na guerra colonial. Já nos anos universitários em Coimbra se havia juntado aos grupos de oposição ao salazarismo e, mantendo a mesma faceta ideológica, acaba por ser preso pela PIDE em 1963, ainda em Angola. Regressa a Portugal depois de sete meses de cárcere, onde lhe é fixada residência em Coimbra, e se vê perseguido sistematicamente pelas autoridades.

É neste contexto que, numa noite a caminho de casa, acompanhado pelo seu amigo Adriano Correia de Oliveira se exprime nos seguintes termos: “Mesmo na noite mais triste / Em tempos de servidão / Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não”. Adriano terá afirmado, em resposta, que mesmo que não fossem escritos mais versos, aqueles durariam para sempre. Tinha razão mas o certo é que o poema surgiu, depois, com naturalidade.

Depois de escrita a «Trova do vento que passa», tentou-se adaptá-la à estrutura do fado tradicional, sem sucesso. Foi António Portugal a desbloquear a composição musical, optando por um estilo mais semelhante à balada. Quando Adriano Correia de Oliveira cantou a canção na casa dos pais de Alegre, com a presença de [Zeca Afonso](https://knoow.net/arteseletras/musica/zeca-afonso/), este percebeu que tinham criado algo verdadeiramente único.

Três dias depois, sem a autorização da PIDE, Adriano cantou a balada numa festa de recepção aos caloiros na Faculdade de Medicina de Lisboa, depois de um discurso de Manuel Alegre. Nas palavras do próprio: “foi um delírio, teve que repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino para aquela gente” (Raposo, 2000, p.172).

Trova do Vento que Passa” é um poema de Manuel Alegre, escrito em 1963, que reflete sobre a liberdade, a resistência e a esperança em tempos de opressão.

Sobre o Poema

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