Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Manuel Alegre, António Portugal – “Trova do Vento que Passa”, 10 Junho 2026

Bing Vídeos

Manuel Alegre foi chamado a cumprir serviço militar em 1961 e, no ano seguinte, foi mobilizado para Angola para servir o país na guerra colonial. Já nos anos universitários em Coimbra se havia juntado aos grupos de oposição ao salazarismo e, mantendo a mesma faceta ideológica, acaba por ser preso pela PIDE em 1963, ainda em Angola. Regressa a Portugal depois de sete meses de cárcere, onde lhe é fixada residência em Coimbra, e se vê perseguido sistematicamente pelas autoridades.

É neste contexto que, numa noite a caminho de casa, acompanhado pelo seu amigo Adriano Correia de Oliveira se exprime nos seguintes termos: “Mesmo na noite mais triste / Em tempos de servidão / Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não”. Adriano terá afirmado, em resposta, que mesmo que não fossem escritos mais versos, aqueles durariam para sempre. Tinha razão mas o certo é que o poema surgiu, depois, com naturalidade.

Depois de escrita a «Trova do vento que passa», tentou-se adaptá-la à estrutura do fado tradicional, sem sucesso. Foi António Portugal a desbloquear a composição musical, optando por um estilo mais semelhante à balada. Quando Adriano Correia de Oliveira cantou a canção na casa dos pais de Alegre, com a presença de [Zeca Afonso](https://knoow.net/arteseletras/musica/zeca-afonso/), este percebeu que tinham criado algo verdadeiramente único.

Três dias depois, sem a autorização da PIDE, Adriano cantou a balada numa festa de recepção aos caloiros na Faculdade de Medicina de Lisboa, depois de um discurso de Manuel Alegre. Nas palavras do próprio: “foi um delírio, teve que repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino para aquela gente” (Raposo, 2000, p.172).

Trova do Vento que Passa” é um poema de Manuel Alegre, escrito em 1963, que reflete sobre a liberdade, a resistência e a esperança em tempos de opressão.

Sobre o Poema

“Trova do Vento que Passa” é uma obra emblemática de Manuel Alegre, poeta e figura política portuguesa, conhecida por sua poesia engajada e lírica, profundamente ligada à história recente de Portugal, especialmente ao período da ditadura e à luta pela liberdade escritas.orgescritas.org. O poema explora temas como identidade, memória, justiça e esperança, transmitindo a ideia de que mesmo em tempos de desgraça e servidão, há sempre resistência e alguém que semeia canções de liberdade escritas.orgescritas.org+1.

Trecho do Poema

Um dos trechos mais conhecidos diz:
“Pergunto ao vento que passa notícias do meu país
e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia canções no vento que passa” YouTubeYouTube.
O poema enfatiza a persistência da esperança e da resistência, mesmo quando o silêncio e a opressão predominam.

Versão Musicada

O poema foi musicado por António Portugal e interpretado por Adriano Correia de Oliveira, tornando-se uma canção icônica da música de intervenção portuguesa manuelalegre.commanuelalegre.com. A versão musical destaca a força emocional do texto, reforçando a mensagem de resistência e solidariedade em tempos difíceis YouTubeYouTube+1.

Contexto Histórico

Escrito em 1963, o poema reflete o clima político de Portugal sob a ditadura do Estado Novo, quando a censura e a repressão limitavam a liberdade de expressão. A obra de Manuel Alegre, incluindo este poema, tornou-se símbolo de luta pela democracia e pelos direitos civis escritas.orgescritas.org+1.

Significado Cultural

“Trova do Vento que Passa” continua a ser uma referência na literatura e na música portuguesa, celebrando a coragem de resistir e a importância de manter viva a memória e a esperança, mesmo diante da adversidade escritas.orgescritas.org+1.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.