Umberto Eco | Sobre o colapso silencioso e perigoso do espaço entre ter uma opinião e ter conhecimentos especializados.

“O seu nome era Umberto Eco. Semiótico. Medievalista. Romancista. Um dos intelectuais mais condecorados da história moderna, o homem que deu ao mundo O Nome da Rosa — um mistério labiríntico passado num mosteiro do século XIV, permeado pela filosofia, pela teologia e pelo poder do conhecimento proibido.
Passou a vida inteira a estudar uma coisa acima de todas as outras: como os seres humanos criam significado. Como pegamos num signo, num símbolo, numa palavra — e o transformamos em crença.
Por isso, quando se apresentou perante jornalistas em Turim, em 2015, depois de receber mais um título honorário, e disse algo incisivo e incómodo sobre o mundo que estávamos a construir online, as pessoas ouviram-no.
E depois, lentamente, perceberam que ele tinha razão.


“As redes sociais”, disse, “dão a legiões de idiotas o direito de falar quando antes só falavam num bar depois de um copo de vinho, sem prejudicar a comunidade. Aí eram rapidamente silenciados.

Mas agora têm o mesmo direito de falar que um Prémio Nobel. É a invasão do “Idiotas.”

Duro? Talvez.

Mas considere o que ele estava realmente a apontar.

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O Mito das Escolas de Salazar: O Que Dizem os Factos, por Christian Salles, in Mural “Comunidade Lusófona”, Facebook

É comum ver o argumento de que “Salazar construiu 7.000 escolas e acabou com o analfabetismo”. Mas a história real, longe da propaganda, mostra que o regime usou a falta de instrução como uma ferramenta de controlo social.

O próprio Oliveira Salazar nunca escondeu o seu pavor em relação a um povo instruído. Numa entrevista a António Ferro, o ditador afirmou textualmente:

“Considero mais urgente a criação de elites do que a necessidade de ensinar o povo a ler.” Justificando, noutra ocasião, que a instrução de massa gerava “descontentes e rebeldes”.

As escolas do Plano dos Centenários existiam, mas o ensino obrigatório foi deliberadamente reduzido pelo regime para apenas 3 ou 4 anos. O objetivo não era criar cidadãos críticos ou técnicos qualificados, mas sim ensinar o mínimo indispensável para formar uma massa trabalhadora submissa e obediente.

O resultado desta política foi catastrófico: em 1970, enquanto o resto da Europa Ocidental tinha o analfabetismo praticamente erradicado (perto de 0%), Portugal ainda tinha cerca de 25% a 30% da sua população sem saber ler nem escrever.

Foi este país rural, analfabeto e de salários miseráveis que empurrou mais de um milhão de portugueses a fugir “a salto” para a periferia de Paris. As pessoas não emigravam por ideologia política; fugiam da fome e do subdesenvolvimento a que o regime as condenou. Celebrar estes números como uma vitória é ignorar a história e insultar o sofrimento dos nossos avós.

“A quem não sabe ler, qualquer papel o faz calar.”

Elisabete Aguiar | Repete-se até à exaustão o chavão dos “50 anos de socialismo” como se isso fosse a explicação para todos os problemas do país. Não é análise, não é política, é propaganda. E só funciona porque muita gente aceita a frase sem nunca olhar para os factos (60 ítens)

Então olhemos para eles.

Se isto é o que se chama “50 anos de socialismo”, então é preciso dizer claramente ao país o que se está a atacar quando se usa essa expressão:

Tudo isto é socialismo (ou, pelo menos, herança dele):

1. Jornada de 8 horas

2. Semana de 5 dias

3. Descanso semanal obrigatório

4. Férias pagas

5. Feriados pagos

6. Subsídio de férias

7. Subsídio de Natal (13.º mês)

8. Proibição do trabalho infantil

9. Escolaridade obrigatória e escola pública gratuita

10. Salário Mínimo Nacional (SMN)

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