UM POEMA DE SAFO DE LESBOS | O HOMEM QUE SE SENTA A TEU LADO | CASIMIRO DE BRITO

O homem que se senta a teu lado

E ouve de perto a tua voz tão doce

O riso que se infiltra no meu coração

Invejo esse homem como se fosse um deus

Pois só de vê-lo a fala me falta

A língua me seca na boca e os olhos

Me ficam cegos e surdos os ouvidos

O suor aninha-se na pele e o corpo

Todo me treme e já desfaleço e verde

Como as ervas fico e nem sequer respiro

Poderei eu viver com tal calamidade?

 

DEDICADO A UMA QUERIDA AMIGA MINHA | Casimiro de Brito

Retirado do Facebook | Mural de Casimiro de Brito

As estratégias Martin Luther King e Louis Farrakhan

A emergência de um movimento negro faz de Portugal um país melhor. Se as leis forem respeitadoras da universalidade dos direitos, se não houver abuso na base da cor da pele, se o espaço público viver a pluralidade cultural, as políticas integradoras da vida social serão mais potentes. Há portanto uma obrigação para o Estado, para quem legisla, para as câmaras municipais, para as autoridades. Mas há também uma obrigação para esse movimento negro. É que tem que decidir para onde vai, escolhendo entre pelo menos dois caminhos.
O primeiro caminho é o mais difícil. É o da aliança dos movimentos para uma política maioritária, exigindo o reconhecimento para conseguir a redistribuição social. O reconhecimento identifica mas separa: o movimento feminista parte da vivência de uma opressão, o movimento negro de uma discriminação, e elas distinguem. Reconhecer a imposição dessa distinção é a condição primeira para a enfrentar. Mas é por isso que o reconhecimento exige redistribuição, o processo que une as classes populares, em vez de as separar. Esta estratégia foi a seguida por Martin Luther King na Marcha sobre Washington em 1963: pelos direitos cívicos dos negros e ainda pelo aumento do salário mínimo e pelo emprego para toda a gente. Reconhecimento e redistribuição. Era essa a estratégia dos fundadores do movimento negro, como Du Bois, e por isso se tornou socialista. Foi o caminho que percorreu Malcolm X. É a voz de Angela Davis, nos nossos dias.
O segundo caminho é o de Louis Farrakhan: criou um movimento sob a forma de gueto, a Nação do Islão, e responde ao ódio com o discurso do ódio. É uma posição confortável, não pretende conseguir nada, só formar uma igreja. Isso levou-o muito longe, ao convívio com a extrema-direita. Alguns dos seus apoiantes assassinaram Malcolm X pelo pecado capital de ter abandonado a ideia de gueto e por se ter tornado socialista, ou seja, por ter defendido a política mais inclusiva, a da união de classe na resposta ao capitalismo e ao racismo.
No movimento negro norte-americano, em cada frase, em cada ação, os movimentos estão a escolher entre King e Farrakhan. Ainda bem que se aprende com ele.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Notícias DiEM25 Portugal

Olá

Convidamos-te para a Iniciativa Arquipélago que terá lugar no próximo dia 1 de Fevereiro, sexta feira pelas 20h. Trata-se de uma chamada online onde todos os membros do DiEM25 dos diversos pontos do país poderão conversar e conhecer-se. Estarão presentes nesta reunião pelo menos dois membros do nosso Coletivo Nacional. Para te juntares à reunião basta acederes a este link na data e hora indicadas –   https://zoom.us/j/383127199. Também poderás inscrever-te se quiseres participar numa futura reunião aqui:https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfDM1a9myufJYrDwWRTdogJLHQ-ZLa0gnPfcwf97QbTRz9lQ/viewform?usp=sf_link . Contamos contigo!

Relativamente às eleições europeias de Maio 2019, não foi formada ala eleitoral em Portugal no sentido de se constituir um partido para além de movimento DiEM25 Portugal (como ocorreu na Alemanha e na Grécia, por exemplo). Por cá,apoiamos a candidatura de partidos ou coligações que estejam alinhados com a nossa agenda progressista no âmbito da Primavera Europeia, neste caso específico o partido LIVRE. Aproveitamos assim para partilhar que o mesmo terá o seu congresso dia 2 de Fevereiro no qual, da parte da tarde, será votado o Programa “A New Deal For Europe” o Programa da Primavera Europeia, como programa eleitoral do LIVRE para as eleições europeias de 2019.
Se estiveres interessado em ser voluntário para a campanha eleitoral para as europeias, nomeadamente a nível das redes sociais, campanhas, eventos de rua, design gráfico, etc. contacta-nos para info@pt.diem25.org com o assunto “ Campanha eleitoral europeias” para te reencaminharmos.

Relativamente às iniciativas de bases do DiEM25 Portugal podes escrever ao Coletivo Nacional para o info@pt.diem25.org e  para os Coletivos/grupos locais de Faro, Lisboa, Oeiras, Porto através dos emails oficiais visíveis aqui. Se precisas de apoio para te juntar ou formar um coletivo/grupo local noutra zona do país escreve para gruposlocais@diem25.org. O mesmo aplica-se caso queiras ser voluntário nalguma área, nomeadamente em tradução de conteúdos do site.

Esperamos o teu contacto,

Carpe DiEM!

>>Os membros do Coletivo Nacional

Natalia Osipova | L’histoire de Manon

L’histoire de Manon, generally referred to as Manon, is a ballet choreographed by Kenneth MacMillan to music by Jules Massenet and based on the 1731 novel Manon Lescaut by Abbé Prévost. The ballet was first performed by The Royal Ballet in London in 1974 with Antoinette Sibley and Anthony Dowell in the leading roles. It continues to be performed and recognised internationally.

Rui Vieira Nery | Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Estive, por curiosidade, a consultar a lista dos comissários das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades desde que elas recomeçaram sob esta designação, em 1977, na Guarda. Aqui vão alguns dos nomes: António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, António Barreto, Elvira Fortunato, João Caraça, Manuel Sobrinho Simões, Onésimo Teotónio de Almeida… E em 1977, na primeira comemoração, cujo comissário era o Major Vítor Alves, o orador convidado foi Jorge de Sena…

Para 2019 – soubemo-lo hoje – o comissário será João Miguel Tavares…

O que me perturba nesta escolha não é, obviamente, o princípio genérico do rejuvenescimento do perfil do orador. Podemos discuti-lo, alegando que, bem vistas as coisas, a efectiva juventude das ideias de cada um não se mede pela idade do portador mas pelo seu carácter inovador intrínseco. E a esse nível Onésimo Teotónio de Almeida, que segundo as minhas contas fará este ano 73 anos, é certamente uma cabeça dez vezes mais informada do pensamento contemporâneo do que João Miguel Tavares, cuja coluna não passa de uma sebenta requentada de clichês neo-liberais simplistas que remontam pelo menos ao consulado da Senhora Thatcher. Mas neste nível etário ocorrem-me tantos nomes de gente da mesma geração com tanta coisa de mais sólido para dizer: uma Maria Mota, um Gonçalo M. Tavares, uma Carmo Fonseca, um Miguel Gomes, um Tiago Rodrigues, um Luís Tinoco…

Também não me incomoda a opção por um autor conservador. Quem me conhece sabe que considero a Direita democrática como um pilar indispensável de qualquer regime constitucional e que valorizo o debate franco e aberto com todas as correntes de pensamento que se reivindicam dos direitos, garantias e liberdades consagrados na nossa Constituição. Mas, mais uma vez, passam-me pela cabeça tantos nomes de pensadores conservadores com outra consistência, com outra profundidade de reflexão, com outra preparação de base: cito, só a título de exemplo, um Miguel Poiares Maduro, um António Araújo, um Paulo Rangel ou o próprio Pedro Mexia, que o Presidente da República tinha ali mesmo à mão na sua Casa Civil…

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Maria João Pires: “O estrelato é muito mais perigoso do que pensamos” | Entrevista de Diana Ferreira in Jornal “Público”

“Digo sempre que não tem mal pensar em ter trabalho e em ganhar a vida – é aliás muito saudável –, simplesmente que isso não seja primordial, porque o artista também tem uma missão que é importante ele saber separar da ambição material.” 27 de Janeiro de 2019

Para o grande público, Maria João Pires estará sempre numa grande carreira internacional ao piano, mas o instrumento não representa o centro da sua vida. A propósito do seu regresso a Portugal e do arranque do projecto do Centro de Artes de Belgais – que abriu portas em Dezembro passado, com um ciclo de concertos que se estende até Maio –, o PÚBLICO visitou a sua quinta, no distrito de Castelo Branco, e foi conhecer as intenções desta pianista, que é difícil separar da pedagoga e da cidadã activa com preocupações sociais.

O que a trouxe de volta a Belgais?
As saudades duma casa que construí durante 20 e tal anos. Percebi que não fazia sentido desligar-me dela completamente. Houve uma altura em que pensei nisso, mas não funcionou. Esperei uns anos, vivi sempre numa casa alugada, tive projectos em locais muito difíceis – dois coros infantis na Bélgica, em lugares sem acústica, sujos, com imensos problemas, em escolas que não facilitavam nada as coisas… Todas as pequenas contrariedades fizeram com que eu sentisse que um projecto como o que queria fazer necessitava de um espaço.

Mas Belgais é bastante diferente dos coros que tem na Bélgica, não é?
O meu objectivo com os coros, que integram crianças a partir dos cinco, seis anos, é encontrar o método certo para fazer com que a música influencie o seu crescimento e a forma como encaram a vida. É um trabalho sobre a resiliência da criança para, através da qualidade na forma de cantar e de ouvir, desenvolver a cooperação com os outros. Trata-se de crianças praticamente sem experiências musicais. Actualmente, temos sobretudo crianças de países africanos e, em grande maioria, muçulmanos, com um passado complicado, de guerra ou de outro tipo de abusos, algumas órfãs, ou que foram retiradas aos pais… Encontrar o melhor método tem-me levado muitos anos! Em Portugal tive uma boa experiência, graças a uma grande chefe de coro, que me deu um apoio extraordinário. Na Bélgica tenho um dos meus assistentes, o pianista Miloš Popović, que fez uma formação extraordinária neste anos. Com a mulher dele, cantora, formamos um grupo de três. Eu vou lá a cada dois meses, para supervisão. Sem um bom chefe de coro não se consegue.

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A propósito de “racismo” (título do Coordenador e Proprietário do Blog) | Bruno Sena Martins

Além de definir rígidas estruturas de desigualdade e de te expor a inúmeras violências – que serão mais quotidianas ou pontuais em função do vigor do negro na tua pele, da classe social a que pertences, da parte da cidade onde moras – o racismo em Portugal funciona como um perverso manual que te quer ensinar, às expensas de muita dor cumulada, a arte de falar baixo e de calar.

Durante décadas, joguei futebol entre pavilhões e pelados, em clubes da cidade e da província (não era suficientemente bom para relvados naturais e os sintéticos vieram tarde, com as lesões musculares). Pois bem, cada vez que entrava em campo, sabia que aos olhos do público adversário eu deixaria de ser mais um jogador entretido nos bailados do jogo e que passaria a ser o afamado Preto da Guiné, o tal que deve ir para a sua terra, logo que reclamasse uma falta, que me permitisse a uma entrada mais dura ou – escândalo – festejasse efusivamente um golo. Uma troca de palavras mais acesa com um colega de equipa poderia ser o suficiente para o racismo entrar no nosso balneário.

O racismo quer-te convencer (quando essa margem sequer existe) que te podes furtar à violência racial mantendo um perfil discreto, evitando escusadas indignações, idiossincrasias censuráveis ou quaisquer vaidades, jamais criticando a sociedade que te “recebeu” e, sobretudo, quer-te ensinar que não tens o direito a uma frase mal colocada ou a uma linha fora do tom, porque aí natural e lamentavelmente cumpres a profecia dos racistas acerca da tua ingratidão, menoridade, ou da tua propensão para colocar em perigo a paz social.

Denunciar a violência racista, recusar olimpicamente regras de bom comportamento, ousar gritar, reivindicar o universal direito a errar e falar nas alturas que a raiva te leva, são ensinamentos que vêm da perseverança de um longa luta anti-racista em portugal e que felizmente estão para ficar: negras e negros de braço erguido raivosamente gritando contra a violência e contra a violência da desigualdade seguiremos ocupando as avenidas. Este caminho não tem volta e devemos estar gratos a pessoas como o Mamadou Ba – por estes dias sumamente acossado pelo mais virulento ódio racista – pela insigne coragem de nos ajudar a rasgar as cartilhas racistas e de ousar enfrentar o racismo institucional, arriscando a própria vida. Não pode haver outra arte. A luta continua.

Bruno Sena Martins

Retirado do Facebook | Mural de Bruno Sena Martins

Poema em forma de prosa | Maria Isabel Fidalgo

nesta manhã de sol, a intensidade da luz é um oboé de esperança. sopro e ocorrem-me primaveras intensas, tanta a beleza do verde ao longe. a noite, em marés de receios é um apeadeiro de desgraças. hoje canto o dia e o mistério da claridade a sacudir os sentidos. sagrado este brilho onde o coração dos pássaros se ergue alto.
hoje celebro o dia, a manhã clara para planar numa colina de sonho onde haja futuro para os nossos voos.
depois sorrimos. és tão depressa quando me fazes sorrir depois da noite.

Brexit | Se todos querem que dê desgraça, assim será | Francisco Louçã

O desastre do Brexit não estava escrito nas estrelas, é antes o resultado de uma meticulosa construção em que nada foi deixado ao acaso. Começou pela intriga partidária, Cameron queria arrumar o Partido Conservador e prometeu o que não tencionava cumprir, até que uma inopinada maioria eleitoral o obrigou ao referendo. Aí chegado, pediu à Comissão Europeia a facilidade de incumprir normas dos tratados para mostrar músculo contra os imigrantes europeus e levou o que queria. Armado de demagogia contra a ameaça da vinda de trabalhadores, chegou à noite da contagem dos votos confortado pelas sondagens, mas amanheceu derrotado. E foi então que a intriga se adensou.

Vingança

Demitido Cameron, chegou May e a sua história conta-se em poucas palavras: foi a eleições para se reforçar e acabou minoritária e pendurada numa aliança com os unionistas irlandeses, e com um Labour renascido com Corbyn, um crítico das políticas liberais europeias que não lhe facilita a vida. A partir daí, foi uma penosa negociação em que a diplomacia britânica, tida como profissional, se afundou e descobriu que ninguém lhe dava a mão. May foi humilhada e despachada para fora da sala, ficando a saber o que é o bullying em versão bruxelense. A lição é esta: com a Suíça, com a Noruega, até com a Irlanda depois do seu referendo, com o Canadá, a negociação é para um acordo, com o Reino Unido é uma punição.

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Um matemático e um filósofo na Grécia antiga | Frederico Duarte Carvalho

Na Grécia antiga, estava um matemático sentado numa estrada, muito triste. Um filósofo que passava, abordou-o:
– O que se passa? – perguntou o filósofo.
– Estou triste – respondeu o matemático.
– Então porquê?
– Porque não tenho um problema para resolver…
– Mas, está triste por causa disso? – perguntou, espantado, o filósofo.
– Pois é – confirmou o matemático, que acrescentou: Sabe, eu gosto de resolver problemas. E agora não tenho nenhum…
– Mas, isso é um problema! – exclamou o filósofo!
– Então e como é o vamos resolver?
– Pois não sei – respondeu o filósofo que, sem saber o que poderia fazer, sentou-se ao lado do matemático e ficaram ambos tristes.
Um político ia a passar e viu ambos, matemático e filósofo, tristes. E perguntou o que passava.
– O matemático não tem um problema para resolver e eu não sei como resolver esse problema – explicou o filósofo.
O político sorriu e disse:
– Não há problema nenhum! Eu ajudo-vos!
– A sério? Como? – perguntaram filósofo e matemático quase em uníssono.
– Simples: o matemático vai pensar numa questão filosófica para colocar e, em troca, o filósofo pensa num problema matemático. Assim, cada um terá um problema para resolver!
– Mas, isso não faz parte das minhas competências! Eu não percebo de filosofia – respondeu o matemático.
– E eu não percebo de matemática – informou o filósofo, surpreendido com a proposta do político.
– Não quero saber. Isso agora é com cada um de vocês. Eu limitei-me a apresentar uma solução para os vossos problemas. Agora, vocês é que sabem o que podem – e, dito isto, o político continuou, triunfante, o seu caminho.
Conclusão: um político não precisa de entender de matemática ou de filosofia para apresentar soluções. Se depois os problemas não se resolvem, é porque nem matemáticos e filósofos os sabem resolver!

Frederico Duarte Carvalho

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Duarte Carvalho

Garças | Lídia Borges | novo livro de poemas

No próximo dia 26 de Janeiro de 2019, pelas 15h30, na biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, vem à luz um novo livro de poemas.
Com um percurso em crescendo, e uma poesia apurada e depurada em imagens do mais puro lirismo,intimista, de raízes telúricas e afetivas, onde o mundo é absorvido na esfera do belo e do inteiro, Lídia Borges/Olívia Marques, traz-nos, agora, as ” Garças”.
A apresentação será feita por Isabel Cristina Mateus.

(…) Ao entrar na cozinha nesta manhã tão antiga
são as cerejas, o pão, o leite
a manteiga, a voz da avó
a trazer ao céu da minha boca
o sabor do amor mais pleno que senti. (…)

Este lançamento coincide com a reedição da obra “Sementes Daqui”, vencedora do Prémio Literário Maria Ondina Braga 2013 (1ª edição Novembro de 2013).

Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité

Un site, un musée a ciel ouvert, tout comme Khemissa, Madaure et la grandiose el DJEMILA

Magnifique reportage réalisé pour l’ UNESCO par la chaîne japonaise NHK sur la Pompeii d’Afrique: Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité.

París y Berlín alumbran un nuevo tratado para hacer frente a los desafíos de la Unión | Merkel y Macron firman en Aquisgrán un nuevo acuerdo de cooperación franco-alemán | in “EL PAÍS”

Sumar fuerzas para hacer frente a los mayúsculos desafíos a los que se enfrenta una Unión Europea alicaída, que se asoma a un abismo existencial. Ese es el mensaje que subyace en el Tratado de Cooperación e Integración franco-alemán que Angela Merkel y Emmanuel Macron han firmado este martes en Aquisgrán, la ciudad fronteriza, símbolo del espíritu europeo.

La canciller alemana y el presidente francés han acordado reforzar los lazos que unen el llamado eje París-Berlín, en un momento especialmente complicado para la Unión. Con las elecciones europeas a las puertas, Reino Unido de salida, los populismos galopando sin aparente freno, París y Berlín son conscientes de que emitir señales de fortaleza y determinación europea se ha convertido en una necesidad acuciante. El tratado encarna la defensa del multilateralismo y propugna una Unión “soberana y fuerte” impulsada por el motor franco-alemán.

El preámbulo del acuerdo anuncia una “profundización de las relaciones bilaterales” para hacer frente a “los desafíos a los que los Estados de Europa deben enfrentarse en el siglo XXI”. “Deseamos hacer converger las economías, los modelos sociales, favorecer la diversidad cultural y acercar a las sociedades y sus ciudadanos”, reza el texto de 13 páginas que firmarán este martes Macron y Merkel en la sala de la coronación del Ayuntamiento de Aquisgrán.

París y Berlín se muestran convencidos de que “la amistad estrecha entre Francia y Alemania ha sido determinante y continúa siendo un elemento indispensable de una Unión Europea unida, eficaz, soberana y fuerte”.

El tratado defiende también una política Exterior y de Defensa y Seguridad común, con el objetivo de “reforzar la capacidad de acción autónoma de Europa”. Establece el “refuerzo y profundización de la unión económica y monetaria” y promueve la “convergencia económica y fiscal”, sin entrar en excesivas concreciones. Las expectativas quedan así muy rebajadas respecto a las suscitadas tras el discurso pronunciado por Macron en La Sorbona, en el que detalló un ambicioso plan para avanzar en la integración europea en otoño de 2017. Desde entonces, Berlín ensimismada en una sucesión de crisis internas, ha mermado la ambición de unas reformas —sobre todo las de la eurozona— que aspiraban a refundar la Unión.

Este martes se cumplen 56 años del Tratado del Elíseo, el que en 1963 firmaron el presidente francés Charles de Gaulle y el canciller Konrad Adenauer en París y con el que sellaron la alianza entre los dos países. Habían pasado 18 años desde el fin de la Segunda Guerra Mundial y aquel documento consolidó la reconciliación y puso en marcha el motor franco-alemán, que hoy aspira a cobrar un nuevo impulso en Aquisgrán. El tratado que este martes se firma, prentende “completar” aquel de la reconciliación franco-alemana.

Grandes dosis de simbolismo

El lugar elegido para la firma no es casual. Este rincón del continente representa la condensación del europeísmo. Bélgica, Holanda y Alemania son los tres países fundadores, que la geografía reúne en este encuentro de fronteras. Un puñado de kilómetros más allá, Francia y Luxemburgo. Esta fue la residencia del emperador Carlomagno, que dominó el continente, y aquí se entrega cada año el premio que lleva su nombre y que distingue a personalidades europeas.

Grandes dosis de simbolismo pues, para un tratado que Merkel consideró el pasado fin de semana “necesario” para inyectar nueva fuerza en la UE. “El mundo ha cambiado y es necesario un nuevo tratado para consolidar los postulados del Tratado del Elíseo”, ha indicado la canciller. Más allá del simbolismo, el texto contempla algunas medidas concretas como la armonización de la legislación mercantil y la coordinación de la política económica. La cooperación militar y el intercambio y coordinación de posiciones en instituciones como Naciones Unidas o la OTAN, además de la UE son otros de los puntos que aborda un tratado, criticado por numerosos analistas por su falta de ambición.

La convergencia de la que habla el texto franco-alemán es precisamente la que ha dado alas a las fuerzas populistas, que en Francia acusan a Macron de minar la soberanía nacional y de “vender” el país a la potencia alemana. Le acusan incluso de querer ceder la Alsacia a los alemanes, así como su asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, haciendo un ruido que no casa con el contenido del acuerdo. El presidente francés hizo una excepción y viajó fuera de las fronteras de su país, donde se encuentra asediado políticamente por la crisis de los chalecos amarillos.

ANA CARBAJOSA, EL PAÍS

https://elpais.com/internacional/2019/01/21/actualidad/1548093362_419483.html

Entrevista a Daniel Bessa: “O Diabo não veio, mas isto está por arames”| in Jornal “O Observador”

Entrevista conduzida Por Edgar Caetano | 21/01/2019 

Quando se diz que Portugal “dá lucro”, excluindo as responsabilidades com o pagamento da dívida — como fizeram recentemente Catarina Martins e Marisa Matias, do Bloco de Esquerda — isso mostra que somos governados por pessoas comparáveis a “alguém que vai pedir ajuda ao balcão de sobreendividados da DECO mas garante que ‘está tudo muito bem, só não consigo pagar a dívida´”. Em entrevista ao Observador, Daniel Bessa diz que este é um tipo de raciocínio que não vem só dos partidos mais à esquerda mas, também, de um Partido Socialista onde os “pedronunistas” têm cada vez mais influência, pese embora a “mestria” de António Costa a conter essa transformação do partido em algo “muito diferente do que era dantes”, do que era no tempo de Mário Soares e do tempo em que Daniel Bessa foi ministro da Economia (de Guterres).

Daniel Bessa acredita que Mário Centeno não irá fazer outro mandato como ministro das Finanças, até para não ter de ser ele a “gerir as consequências da política que tem sido seguida”. Depois de anos em que o Governo “não investiu nada”, agora estão a ser lançados “novos investimentos todos os dias, talvez para promover o ministro Pedro Marques”, mas já a partir do próximo ano “não vai haver dinheiro para esses investimentos todos”. “Vão ter de pagar às farmácias… Vão ter de recrutar os funcionários para resolver o problema das 35 horas. Não vão querer reduzir os salários ou aumentar os impostos… Têm os compromissos que foram agora anunciados em matéria de investimento… A maionese não prende, como se costuma dizer”, afirma Daniel Bessa, atirando que “o Diabo não chegou, mas isto está por arames”.

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Jesus, mestre do Bem | Frederico Lourenço

Se é verdade que os quatro evangelhos canónicos retratam Jesus como profeta, não é menos evidente para quem lê estes mais maravilhosos de todos os textos que a sua figura central, Jesus de Nazaré, é retratado também como mestre. A palavra «mestre» (em grego «didáskalos») é usada como forma de alguém se dirigir a Jesus pela primeira vez, no evangelho mais antigo, em Marcos 4:38. Neste evangelho, há uma dúzia de ocorrências da palavra «mestre», em que tanto os discípulos de Jesus como pessoas do público em geral se lhe referem por meio dessa palavra.

Marcos também nos clarifica o conteúdo da didáctica praticada por este extraordinário «didáskalos»: trata-se de um «ensinamento novo» (διδαχὴ καινή, Marcos 1:27). Nunca é de mais sublinhar a novidade cortante daquilo que Jesus veio ensinar. Jesus – com a doutrina de «fazei bem àqueles que vos odeiam» (Lucas 6:27) – veio ensinar à humanidade a novidade absoluta do Bem.

Mencionei que, em Marcos, tanto os discípulos como o público em geral se dirigem a Jesus com a interpelação «mestre». Curiosamente, a situação é subtilmente diferente nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Nestes dois evangelhos, o público em geral usa a palavra «mestre» para referir Jesus, mas os discípulos não lhe chamam διδάσκαλος. Chamam-lhe «senhor» (κύριος) e, em Lucas, temos a situação curiosa de Jesus ser chamado por um nome que está ausente de todos os outros livros do Novo Testamento: trata-se da palavra homérica «epistátês» (ἐπιστάτης), que ocorre pela primeira vez na literatura grega no Canto 17 da Odisseia.

O termo em Homero significa algo como «suplicante», mas na literatura grega da época clássica tem o sentido de «comandante». No «Édipo em Colono» de Sófocles, o deus Posídon é referido como o «epistátês» de Colono, ou seja «divindade tutelar de Colono». Quando os discípulos de Jesus no Evangelho de Lucas aplicam ao seu mestre esta palavra ausente de todo o restante Novo Testamento, estão a aplicar-lhe uma palavra cheia de História.

Voltando a «mestre» como «didáskalos»: a palavra também é usada por Lucas com referência a João Baptista (Lucas 3:12). Há muitas semelhanças entre Jesus e João Baptista que ressaltam da leitura dos quatro evangelhos. Entre as diferenças, no entanto, há uma fundamental: João Baptista preconizava o ascetismo. Jesus, não.

Isso está claríssimo logo a partir de Marcos 2:18. O prazer da vida humana fazia parte da maneira de Jesus estar na terra – e os seus discípulos, contrariamente aos de João, não jejuavam: apreciavam o prazer da boa mesa e do bom vinho. Esta desvalorização do ascetismo e da abstinência por parte de Jesus está clara em Mateus 9:19; 11:18, Lucas 7:33-34. Toda a gente sabe o que Jesus fez perante a perspectiva de dar água a beber numa festa: transformou-a em vinho.

O cristianismo que se estabeleceu a partir do «ensino novo» de Jesus pautou-se, na sua obsessão pela abstinência, por João Baptista. Estabeleceu a ideia de que o prazer terreno é mau, que é preciso jejuar, que há uma incompatibilidade básica entre espiritualidade e corporalidade: que o corpo é, de alguma forma, intrinsecamente profano. Os apetites humanos são para NÃO satisfazer, na doutrina do cristianismo, à boa maneira de João Baptista. No entanto, não foi esse o ensinamento do mestre do Bem, Jesus.

Por isso, uma das frases mais deliciosas de Jesus é a que ocorre quando Jesus, já ressuscitado e, para todos os efeitos, já só com corpo espiritual, aparece aos discípulos e diz: «Rapazes! Tendes algo para comer?!» (João 21:5)

Comamos, pois. Não martirizemos o nosso corpo. Porque o mestre do Bem nos ensinou que fazer bem ao corpo faz bem.

(na imagem: Jesus e João Baptista por Guido Reni)

Frederico Lourenço

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço

 

Vinte Poemas de Amor e Uma Crônica Desesperada | Valdeck Almeida de Jesus

Sinopse: O poeta Valdeck Almeida escreveu vinte textos poéticos e uma crônica, os quais refletem um amor não realizado por uma pessoa conhecida através de cartas e outra através de redes sociais. Ambas são do Triângulo Mineiro, e nenhuma das duas foram encontradas pessoalmente, nesse trânsito que durou mais de trinta anos. O livro foi traduzido ao espanhol, com ilustrações de Zezé Olukemi.

Interessados podem clicar nesse link e baixar gratuitamente:
Para Valdeck “esta é uma oportunidade de circular por lugares não acessíveis e ter a sensação de poder fazer parte do imaginário de leitores de todos os cantos, além de ser uma alternativa para escritores iniciantes e/ou veteranos para democratizar sua produção literária”.

“Uma coligação à direita é a única forma de retirar a esquerda do poder” | Pedro Santana Lopes in ENTREVISTA TSF DN

O Dr. António Costa introduziu este fator novo que acho que foi muito clarificador na política portuguesa. Fazia falta o PCP e o Bloco estarem comprometidos com soluções governativas e essa experiência aconteceu. Agora o caminho, na minha opinião, é apresentar alternativa à política que eles seguiram, e é por isso que estou a trabalhar. Portanto, falam por mim os atos e as propostas pela positiva que faço. Não gosto de dizer que nunca me coligarei com o PC ou com o Bloco ou com o PS, ou seja o que for, não comparando. Prefiro falar pela positiva, sobre com quem admito a hipótese de me coligar depois das legislativas, se tivermos representação parlamentar (…) | 19 DE JANEIRO DE 2019

Pacificado no seu papel de líder do Aliança, Pedro Santana Lopes apresenta o seu novo partido à direita do PSD – indicando os impostos e as empresas como prioridades. Aliás, diz que só haverá uma alternativa à esquerda quando a direita se unir. E quer fazer parte dessa união.

A manutenção de Rui Rio na liderança do PSD é uma boa ou má notícia para o Aliança de Pedro Santana Lopes?
Vamos ver, que os outros partidos políticos tenham a sua casa arrumada e a sua vida organizada é bom para o sistema político em geral. Neste caso, trata-se obviamente de um partido com quem a Aliança poderá trabalhar – não é um partido distante do Aliança. Eu, por ter deixado esse partido, não passei a estar mais próximo do PCP ou do Bloco de Esquerda, estou no espaço político onde sempre estive. Por isso, é bom que as outras forças políticas tenham as suas decisões tomadas, preparando as opções que têm de fazer em ano eleitoral para os programas serem nítidos, as diferenças também, e para se saber qual é a estratégia política de cada um.

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O PSD QUE EU CONHECI E O ACTUAL ESTADO DA ARTE | Rodrigo Sousa e Castro

Após a revolução tive a oportunidade de conhecer notáveis personalidades do PPD.
Era jovem, comprometido com a revolução e com a mudança e também comprometido com a defesa intransigente das Instituições Democráticas nascentes, particularmente a Constituição da República Portuguesa tinha um enorme interesse em conhecer esses políticos e com eles dialogar.
A notável plêiade de fundadores e artífices do PPD, Sá Carneiro, Sá Borges, Magalhães Mota , Pinto Balsemão, Jorge Miranda , Victor Crespo, Fernando Amaral, Mota Amaral e muitos mais, confortava os que lutavam pela Democracia, Igualdade e Justiça e colocava o partido como elemento estrutural do novo Regime , a III República, conjuntamente com o partido socialista de Mário Soares, Salgado Zenha, Almeida Santos e outros.
Era claro, que ao longo do País e sobretudo nas pequenas localidades, os que apoiavam ou militavam no partido, constituíam na maior parte dos casos, núcleos conservadores muitas vezes tutelados pelos curas católicos, mas gente, que havia acatado a ideia de Liberdade e Democracia como uma nova esperança.
A liderança politica, acima citada, urbana, cosmopolita e académica teve a arte e o condão de conduzir essa massa conservadora em apoio duma solução progressista para a Nova República, e foi ela própria muitas vezes o motor da mudança (Jorge Miranda p. ex.) tal como noutras alturas foi o moderador dos excessos.
Essa insigne geração de políticos desapareceu ou está em vias disso e o partido PPD que entretanto tomou o nome de PSD gerou dentro de si, através do carreirismo partidário, as alternativas subsequentes.
A transição foi feita por um homem de características totalmente diversas, Cavaco Silva, que rodeado de arrivistas da “ província” geriu o partido numa fase de vacas gordas, constituindo um núcleo duro de indivíduos que hoje podemos recordar pelas piores razões.
Uma parte enveredou por processos fraudulentos de enriquecimento sem causa, outra parte aninhou-se na comodidade dos negócios privados mais ou menos sérios e benéficos para a Nação.
Eis agora chegados a um ponto em que a liderança perdeu valor e prestigio, qualidade humana e técnica, e mais grave perdeu a noção do tempo politico e da vacuidade do seu vazio estratégico e de pensamento.
Resultante de uma cooptação sem critério das lideranças intermédias, o arrivismo, nepotismo e compadrio não é mais escamoteável como uma realidade incontornável deste e de outros partidos políticos.
É nesse quadro que Pedro Passos Coelho, alguém sem a mínima preparação ou qualidade para governar o País, chega a Primeiro Ministro.
A inércia das Instituições garantirá pela certa que o PSD não vai desaparecer de pé para a mão, mas o caminho que se perfila, a não ser arrepiado, é de decadência .
O que não augura nada de bom para a saúde da Democracia que tanto prezamos.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Entrevista a Catarina Martins | “Extrema-esquerda está associada a totalitarismos, perseguição, ódio. Não encontra disso no BE” | in Jornal “O Observador”

“As pessoas precisam de saber que estamos a pagar a um sistema financeiro — que salvámos repetidas vezes e que nunca quer socialização de ganhos — tanto como gastamos no SNS.”

Em quase hora e meia de conversa, só por uma vez Catarina Martins hesitou a meio de uma resposta. Foi quando lhe pedimos um defeito que apontava a António Costa. Não porque não tenha críticas a fazer-lhe (tem várias, do ponto de vista político, a ele, ao governo e ao PS), mas porque estava à procura da melhor formulação para aquilo que queria dizer: “Tem esperança de que os problemas se resolvam mais depressa, quando eles precisavam de um pouco mais de olhar.” Que é como quem diz, fica à espera que as coisas se resolvam por si. De resto tinha frase pronta para quase todas as perguntas do Observador, naquela que é a primeira grande entrevista deste ano eleitoral para a dirigente bloquista.

A conversa começa na Lei de Bases da Saúde (a do governo seria “perfeita” se tivesse lá escritas as palavras da nova ministra da Saúde), segue pela legislação laboral, Europa, propinas. E quando chega ao tema professores, Catarina Martins ataca com palavras duras: “O governo está a fazer populismo. É absolutamente irresponsável”. Estabelece como uma das prioridades económicas do país e da Europa as alterações climáticas. Não traça metas nem cenários de governo para as próximas legislativas, diz apenas que a esquerda precisa de “mais força”. Até porque “o Partido Socialista é o Partido Socialista”.

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Bernini, Pluto et Proserpina | Gian Lorenzo Bernini

Gian Lorenzo Bernini, Pluton et Proserpine (Persephone), 1621-22, marbre de Carrare, 225 cm de hauteur (Galleria Borghese, Rome) Entretien entre les docteurs Beth Harris et Steven Zucker. Proserpine est la variante latine du mythique Perséphone grec. Créé par Beth Harris et Steven Zucker.

O Livro do Império | João Morgado

Um manuscrito resgatado pela Inquisição para redenção de Portugal.

«Portugal tem um império em declínio, com um rei destemido, mas influenciado por uma nobreza e um clero corruptos. Omnipotente, a Inquisição não hesita em prender, matar e destruir as mentes e as obras mais brilhantes.

No país vizinho, observam a decadência de Portugal, jogam com o poder e o apoio dos jesuítas, e mantêm a esperança de voltar a dominar toda a península.

Mas eis que um trota-mundos sem eira nem beira, apesar de uma vida de prisões, putaria e inimigos poderosos, decide cantar as glórias desse povo num poema épico que lembra todos “aqueles, que por obras valerosas” se foram da “lei da morte libertando”. Mas ao cantar uma estirpe de homens que se igualara a deuses, por contraste compunha também um libelo acusatório contra a depravação vigente. Como foi possível que el-rei e o Santo Ofício tenham deixado publicar esta obra?

Livro do Império narra a vida de um poeta arrependido e a história de Portugal em vésperas da batalha de Alcácer-Quibir.»

JL Jornal de Letras “Glória, Decadência, Redenção”, por Miguel Real (19.12.2018)

“Se um Eça do nosso tempo se atrevesse a perguntar a João Morgado – Filho, tu estavas lá? – teria rigorosa resposta – Sim, estive lá. Porque a expressão aliciante da sua prosa consegue despertar a convicção de que o autor estava efectivamente esteve lá, e tudo o que diz tem igual autoridade à dos documentos que lhe permitem enriquecer a crónica dos acontecimentos, que recria e medita com a minúcia do seu espírito criador”,

Prof. Adriano Moreira Apresentação da obra, 17.DEZ.18

“Após séculos de mal-entendidos, «O Livro do Império» vem, por fim, reconciliar um Camões humanizado com o público leitor”, numa obra que “pela sua argúcia analítica, pela cultura da época, riqueza da linguagem e ritmo narrativo, consagra João Morgado como um escritor de referência no romance histórico e na literatura portuguesa.”

F. Delfim dos Santos, Universidade Nova. Apresentação da Obra, FNAC Chiado, 17.DEZ.18

Os Lusíadas, (Canto IX, 83) | Luis Vaz de Camões

Oh, que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

Os Lusíadas, (Canto IX, 83)

Luis Vaz de Camões

YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente 
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte     violar-nos     tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas     portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida     há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

MÁRIO CESARINY

Poema | Licínia Quitério

Há homens que atravessam a rua
sem olhar
Levam nos ombros pedaços da noite
e não há cor que os vista
São homens cinzentos 
indiferentes ao sol ou à borrasca
Quem os vê diz
ali vão os homens tristes
mas nem eles sabem o tamanho
da tristeza ou da improvável alegria
O chão da rua conhece
a cadência incerta
a leveza ausente
dos passos destes homens
Há quem lhes chame homens de bruma
porque vagos são
os seus contornos
Virá uma manhã sem homens tristes
Ninguém perguntará
para onde foram
Alguém escreverá a sua história
no livro branco
do esquecimento
A rua permanece

Licínia Quitério

Estados Unidos da América | o mais longo “shutdown” da sua História | Germano Almeida

A partir de ontem, segunda, 14 Janeiro 2019, os Estados Unidos estão já a viver o mais longo “shutdown” da sua História – e já tiveram mais de 20. Nunca se assistiu em Washington DC a um clima de paralisação e impasse político tão grave e irresolúvel como o que existe neste momento, com Presidente e liderança democrata no Congresso a terem posições aparentemente inconciliáveis sobre o financiamento do muro. Já vamos no dia 25 da paralisação parcial dos serviços federais – é certo que só afetam cerca de um quarto do total dos ministérios, mas parece-me, no mínimo, ridículo desvalorizar (como já vi um ou outro comentador da nossa praça fazê-lo) a dimensão e o alcance que isso tem: estamos a falar de mais de 800 mil funcionários públicos americanos sem ganhar há quase um mês, alguns deles já almoçam e juntam à custa da caridade. É isto “melhorar a economia americana” e “proteger o trabalhar americano”? Esqueçam. Não são só “os museus e os parques” que deixam de funcionar. Há vários serviços que não abrem, há programas de assistência que não se cumprem, há pessoas necessitadas ou dependentes que deixam de ser assistidas.

Tudo por causa de um Presidente disfuncional, que preso a um egocentrismo cego não sabe negociar politicamente – nem faz a mínima ideia do que significam as palavras “compromissos” ou “cedências”. Trump insiste em tentar virar o bico ao prego e vai dizendo que “os democratas estão a prejudicar os americanos” e está à espera que “eles comecem a trabalhar”. Mas não é assim: num impasse como este, quem tem que ter a chave da solução é, obviamente, o Presidente. Ameaças de recorrer à “emergência nacional” (utilizando fundos que estariam destinados a acontecimentos como catástrofes) não vão, desta vez, safar Donald. O que esta enorme crise política do “shutdown” está a revelar, essencialmente, é que o estilo manhoso de “artista de variedades” de Donald Trump – uma espécie de vendedor de banha de cobra com uma conversa sexy para quem é vulnerável a cair em populismos baratos e nada sustentados em factos – resultou no ambiente eleitoral da campanha de 2016 para um nicho muito significativo do eleitorado americano. Mas é curto – mesmo muito curto – para alguém que ocupa as funções (mesmo muito difíceis) de Presidente dos EUA. Trump está a exibir, nesta crise, toda a sua incompetência e todas as suas limitações políticas. Naquele sistema complexo, ser Presidente implica saber negociar, fazer compromissos, ceder um pouco para levar a sua avante. Trump tem sido o contrário disso: tem passado os últimos dias a insultar os democratas, a minimizar os efeitos do que provocou.

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QUANDO A PASIONÁRIA VIROU CATÓLICA | José Luís Andrade | in “Observador” 14/1/2019

Depois de ter sido uma das figuras maiores da máquina de propaganda de Moscovo, a “Pasionaria” acabou os seus dias reconciliada com a sua fé de infância e juventude, tendo regressado à Igreja Católica.

Dolores Ibárruri Gómez, mais conhecida por la Pasionaria, foi uma encarniçada militante comunista espanhola, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Espanha desde 1932, e sua presidente desde 1960 até à sua morte em 1989. Nascida em 1895, crescera numa família basca de simpatias carlistas, entranhadamente católica. Os parcos recursos do pai, mineiro, e a sua larga prole (11 filhos), levaram-na a ter de sair da escola aos 16 anos para ganhar a vida e ajudar a família. Pouco depois, conheceu o seu primeiro companheiro, Julián Ruiz, um militante socialista filo-bolchevista, com quem casaria em 1916. Ruiz foi determinante na sua conversão ao comunismo e, com ela, e com outros defensores da inscrição do PSOE na Internacional Comunista, fundaria o PCE, em Novembro de 1921.

Ao escrever o seu primeiro artigo em El Minero Vizcaíno, adoptou o pseudónimo de Pasionaria, ou porque o tivesse redigido durante a Semana Santa, como sugere a maioria dos seus biógrafos, ou porque o usasse nos seus anteriores textos de colaboração no boletim paroquial, como defendem alguns. Mercê do seu papel na revolução das Astúrias de 1934, iniciada pelo PSOE mas a que o PCE se anexara oportunisticamente, foi «eleita» para o Comité Executivo da Komintern, no 7º (e último) Congresso da Internacional Comunista, em Agosto de 1935. Foi nesta reunião magna dos comunistas estalinistas que foi aprovada a estratégia das Frentes Populares que, poucos meses depois, daria frutos em Espanha. A Pasionaria seria uma das principais intérpretes dessa orientação política e uma das figuras de proa da eficaz máquina de propaganda de Moscovo.

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Lancement du Prix littéraire francophone régional : «Le Choix Goncourt de l’Algérie» | in “alifa” le magazine de l’art et de la culture

Le Choix Goncourt de l’Algérie est un prix créé par l’Académie Goncourt et porté par l’ambassade de France et l’Institut français Algérie.

L’Institut français d’Algérie a obtenu cette année la création d’un prix littéraire spécifique, parrainé par l’Académie Goncourt : «Le Choix Goncourt de l’Algérie». Organisé seulement dans une douzaine de pays à travers le monde, le Choix Goncourt sera décerné pour la première fois en 2019 en Algérie. Cette première édition est donc un événement.

Dans chaque ville où l’Institut français d’Algérie est présent (Alger- Annaba – Constantine – Oran – Tlemcen), des jurys composés d’étudiants, de lycéens et d’adhérents aux médiathèques des cinq instituts français voteront pour désigner leur lauréat. Ce dernier sera choisi parmi les huit ouvrages francophones présélectionnés en 2018 par l’Académie Goncourt, en vue de l’attribution de son célèbre prix.

La proclamation du prix «Le Choix Goncourt de l’Algérie» aura lieu en mars 2019, à l’occasion de la Semaine de la langue française et de la francophonie, en présence des présidents des différents jurys. L’écrivain(e), dont le roman aura été choisi, sera invité(e) à parrainer l’édition suivante.

Pour en savoir plus : www.academiegoncourt.com/choix-goncourt-algerie.

Contact presse : meliza.beghdad@diplomatie.gouv.fr

https://www.alifa-dz.com/lancement-du-prix-litteraire-francophone-regional-le-choix-goncourt-de-lalgerie/

Se eu morrer | Maria Isabel Fidalgo

Se eu morrer grita aos céus que foi por ti. vela o meu rosto com um leque de seda e encosta-o ao teu bafo quente para que o frio não me quebre. ficarei assim um pouco mais de tempo sobre o mundo num agasalho de hálito perfumado. não me despenteies. olha-me como no primeiro momento em que me cegaste com os ponteiros do olhar e talvez eu acorde para uma última despedida. pega no meu corpo inerte como num lenço de vidro e pousa-o sobre o mar no travesseiro das ondas onde o teu busca a liquidez no verão. escreve no azul – amo-te- e sorrir-te-ei em cada braçada de água como um verso que se desnuda quando se diz amor pela primeira vez.

mif

Casimiro de Brito | Fragmento 3454 | LIVRO DE EROS

“Era como se as nossas cerimónias de amor fossem um quarteto de cordas (a mais perfeita das formas musicais) e tivessem quatro andamentos brilhantemente improvisados:
um, “lento assai, cantate e tranquillo”, em que as nossas ondulações empreendiam a bela iniciação da respirar e aspirar o outro, o seu corpo todo;
um “andante cantabile”, em que ela subitamente se inclinava sobre o meu corpo deitado e lambia e moldava o meu sexo detendo-se apenas quando ele já se transformava em mármore exactamente ao mesmo tempo que os meus dedos ligeiramente ensalivados tocavam no seu clítoris e se sentiam subitamente dulcificados sob uma ainda frágil cascata;
seguia-se depois a penetração, o “allegro vivace”, com ela quase sempre por cima de mim, cavalgando-me, e assim o prazer era cada vez mais profundo e duas vezes fogoso;
e, por fim, depois do grande orgasmo dela (o meu sabia retê-lo e deixava-o para os seus seios ou para a sua boca) — ó como se contraíam e vibravam todos os nossos músculos —, “o adagio ma non troppo e molto expressivo”, em que ela se deitava e abria as pernas e colocava os pés no meu peito ou nos meus ombros e eu sugava todos aqueles delicados odores, a sua ambrósia, os seus sucos tão delicados que não apenas os conservava na boca como os derramava na boca dela, e assim ficávamos irradiados pelos corpos que, deste modo, o meu estendido sobre o dela, abraçados, pareciam um só animal terroso e sagrado. Depois gemíamos e ríamos e chorávamos até adormecer.”

Casimiro de Brito
Fragmento 3454
LIVRO DE EROS

Retirado do Facebook | Mural de Sónia Soares Coelho

Declaração de Melo Antunes em 26 de Novembro: a mão estendida ao PCP

Numa longa declaração emitida no dia seguinte à vitória novembrista, um dos vencedores, o conselheiro da Revolução Melo Antunes afirmou que considerava indispensável a participação do PCP na construção do socialismo.

VER VÍDEO 

Em 26 de Novembro de 1975, o major Melo Antunes, conselheiro da Revolução, verberou os “desvarios” de militares e civis que quiseram promover ideias por ele consideradas pseudo-revolucionárias. Falou ainda da “desagregação das estruturas do Estado que ameaçavam tornar-se irreversíveis”, verificáveis nos meses anteriores.

Melo Antunes referiu-se à sublevação dos páraquedistas como uma causa próxima da crise mais recente, tendo havido vários outros factores que ultrapassaram largamente a mera sublevação dos páraquedistas.

O ideólogo do “Grupo dos Nove” emitiu um rasgado louvor a Jaime Neves, comandante do regimento de comandos, e passou daí a apelar a uma acalmia da situação, com vista a uma transição para o socialismo sobre carris democráticos, dando corpo a um “projecto viável de esquerda”.

Melo Antunes descartou ainda os caminhos de “retorno directo ou indirecto às formas de organização capitalista da sociedade”, que considerou “para sempre cortadas”.

E, ao defender uma “sociedade pluralista, em transição pacífica para o socialismo”, sublinha que considera muito importante o PCP participar num socialismo com essas características. Era este o ponto essencial da declaração de Melo Antunes, que delimitava o terreno relativamente a outros vencedores do 25 de Novembro, e que ficou conhecido como o seu beau geste, de mão estendida aos putativos vencidos, na hora da vitória.

VER VÍDEO : https://www.rtp.pt/noticias/25-novembro-1975/declaracao-de-melo-antunes-em-26-de-novembro-a-mao-estendida-ao-pcp_v874940

Autismo | Valério Romão

ROMANCE FINALISTA DO PRÊMIO FEMINA (França, 2016)

“Uma obra maior.” — Le Figaro

“Eu acho que o Henrique é
Faltava só uma palavra, era o parto ao contrário, já tinha saído o corpo todo e faltava unicamente a cabeça da frase, o cérebro da frase, o complemento que dava o significado integral à frase e Rogério, como um carro que desaprendesse de arrancar à primeira, soluçava num martírio solitário as sílabas […], e Marta, do seu lado, esperava pelo fim da frase com os pés bem calcados no soalho do carro, com as mãos a agarrarem os estofos com a força possível, com todo o corpo eriçado como um gato a quem quisessem tirar da caixa no veterinário.
O Henrique, Marta, eu acho que ele é autista.”

“Um livro tremendo, brutal de tão honesto, sobre um casal que descobre no filho os sinais de uma doença que o isola do mundo e do afeto dos pais. Autismo revela um escritor capaz de tocar nas feridas humanas mais fundas.”
—Expresso

“Romão vai diretamente à jugular. Um livro impiedoso, que impressiona pela proximidade entre enredo e biografia. O autor pode estar a exorcizar os seus fantasmas, mas fá-lo com uma capacidade única de meter o leitor dentro da sua casa assombrada.”
—Time Out

«DAQUI A 20 ANOS VAI SER UM PESADELO» | Jonathan Littell | in Jornal Expresso

( … ) Diz o escritor Jonathan Littell na importante entrevista que o “Expresso” publica hoje. E a entrevistadora pede para ele desenvolver. Littell desenvolve:

«Vamos estar demasiado ocupados em sobreviver. Se nada mudar, podemos até ter uma guerra na Europa. É matemático: se não fizermos nada acerca das alterações climáticas, as previsões são catastróficas. Agora temos um milhão de migrantes. Imagine 20 ou 30 milhões, a virem de toda a aprte, porque as suas regiões foram destruídas. Nessa altura, toda a gente se vai passar, e muito sangue vai ser derramado. E as democracias ocidentais vão sucumbir nos seus valores elementares – o que é típico da forma como os seres humanos gerem as coisas. Criamos todos estes brinquedos, estes computadores, estes “smartphones”, e nem sabemos como os usar. Uma das mais complexas conquistas da humanidade é utilizada parar tirar “selfies” e fotografias de comida, que partilhamos nas redes sociais.» A entrevistadora observa que Littell «pinta um quadro de alienação generalizada, o reinado do egocentrismo». E o escritor acrescenta: 

«Amplificado por estas máquinas, que foram desenhadas para aumentar os traços mais negativos das pessoas. Gostemos ou não do comunismo, o movimento que o originou foi o das pessoas a unirem-se e a tentarem mudar a sociedade. O mesmo aconteceu com as democracias: é sempre a acção colectiva que faz o mundo avançar. Todos estes brinquedos estão a conduzir à desintegração da sociedade, cada um está a olhar para si próprio, a entreter-se e a tirar fotografias. Neste contexto, as pessoas mais estúpidas ficam muito vulneráveis a tipos como Trump ou Bolsonaro. E as pessoas inteligentes estão demasiado ocupadas com as “selfies” para empreender algum tipo de acção. Então, quando Lisboa se tiver afundado no Oceano Atlântico, vão poder fotografar-se enquanto se afogam e vai ser genial! Vão com certeza captar momentos muito bonitos.»

Retirado do Facebook | Mural de Mário Machaqueiro

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa | Assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990

Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado
em Lisboa, em 12 de Outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia
Brasileira de Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São
Tomé e Príncipe, com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo
importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestigio
internacional,

Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos
Países signatários.

a República Popular de Angola,
a República Federativa do Brasil,
a República de Cabo Verde,
a República da Guiné-Bissau,
a República de Moçambique,
a República Portuguesa,
a República Democrática de São Tomé e Príncipe, acordam no seguinte:

Artigo 1º

É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente
instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
(1990) e vai acompanhado da respectiva rota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo
instrumento de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da
Língua Portuguesa (1990).

Artigo 2º

Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as
providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário
ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador
quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.

Artigo 3º

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1994, após
depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República
Portuguesa.

Artigo 4º

Os Estados signatários adaptarão as medidas que entenderem adequadas ao efectivo respeito
da data da entrada em vigor estabelecida no artigo 3º.
Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o
presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares, todos igualmente
autênticos.

Assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990.

CLICAR AQUI PARA VER O TEXTO DO ACORDO

http://www.cplp.org/Files/Filer/cplp/Acordos/maisAcordos/AcordoOrtogrLinguaPortug.pdf

DiEM25 | Reunião aberta em Cascais

Olá a tod@s,

Gostava de vos convidar para uma reunião em Cascais aberta a todos os membros inscritos no DiEM25 nessa área e que queiram participar de uma forma mais activa no movimento.

Vou estar no dia 12 de Janeiro pelas 17h no andar de cima da SMUP (https://www.smup.pt/) ao lado da estação de comboios da Parede.

Deixo o meu e-mail para que me possam contactar directamente: martadesousaesilva@gmail.com

Obrigada e até lá!

Marta de Sousa Silva 

Um ‘New Deal’ contra o populismo | Bernie Sanders e Yanis Varoufakis | AMANDA MARS in El País

O democrata norte-americano Bernie Sanders e o ex-ministro grego Yanis Varoufakis promovem uma Internacional Progressista | AMANDA MARS | 3 JAN 2019

Reunião da Internacional Progressista com Ada Colau no centro, Bernie Sanders a sua esquerda e Yanis Varoufakis de perfil.

“Há uma guerra global em curso contra os trabalhadores, contra o meio ambiente, contra a democracia, contra a decência. Uma rede de facções direitistas está se espalhando através das fronteiras para erodir os direitos humanos, silenciar a discordância e promover a intolerância. Desde 1930 a humanidade não enfrentava uma ameaça dessas.” Com estas palavras tão diretas começa o manifesto da Internacional Progressista, uma plataforma promovida pelo veterano senador esquerdista norte-americano Bernie Sanders e pelo célebre economista grego Yanis Varoufakis como resposta a velhos e novos inimigos. Os velhos são as elites que eles acusam de criar um sistema econômico cada vez mais desigual; os novos são os movimentos populistas de corte conservador com os quais ninguém contava há alguns anos.
As vitórias eleitorais de Donald Trump nos Estados Unidos, de Jair Bolsonaro no Brasil e do vice-premiê italiano Matteo Salvini serviram como um atestado de vida dessa tendência, uma prova empírica, quase um endereço postal. A Internacional Progressista procura o seu de alguma forma. Propõe uma “rede global” de esquerda que rebata essa maré que vem da direita. Quando políticos e intelectuais se reuniram entre os dias 29 de novembro e 1º. de dezembro na sede do Instituto Sanders, em Burlington (Vermont), para apresentar a iniciativa, chegaram a diagnósticos muito similares.

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O mito da honestidade de Salazar | Inês M. Santos

O mito da honestidade de Salazar só interessa a quem tem uma ideia errada do que era a vida naquela altura. A quem vive numa ignorância deslumbrada. E que não quer aprender o que realmente se passou.

Argumentam que naquele tempo é que era, que naquele tempo não havia políticos corruptos, naquele tempo os valores morais é que eram.

Sabem que mais? Salazar era corrupto. Salazar favorecia elites. Salazar sabia que eram as elites que lhe davam o poder e o mantinham à frente do país. Salazar sabia que a ignorância da população o ajudava a manter-se à frente do país. Salazar tirava aos pobres para dar às elites. Estão a ver o Robin Hood? É exactamente o contrário.

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Eu, Guilhermina | Ou a Verdadeira História das Mães de Bragança | Jorge Monteiro Alves

Esta estória baseia-se numa série de acontecimentos extraordinários registados em Bragança no Outono de 2003. Contudo, qualquer semelhança entre ficção e realidade será pura coincidência.

Dedicado a todas as nordestinas, de um e do outro lado do Atlântico

A estória da nordestina Guilhermina e do seu marido Quitério, tentado por fragâncias de amores-perfeitos que depressa murcharam, ou como um homem com uma rica vidinha estraga tudo por um par de mamas.

Santo Amaro de Oeiras

Jorge Monteiro Alves é natural do Porto, desse Norte onde não corre sangue lusitano nem magrebino, mas sim suevo, vândalo e godo, e onde as gentes parecem paridas do granito que cobre a terra. Talvez por isso não haja vento que as dobre. Ali, muito cedo aprende-se com as árvores – antes quebrar que torcer. E também elas gostam de morrer de pé. Partilham um sonho desde crianças: ver o Benfica na 2ª divisão. Ainda não o concretizaram. Mas não perderam a esperança.

— // — 

I – A velha apontou o dedo indicador na sua direcção e os olhos fizeram um esgar trocista, assim como a boca, coberta de dentes podres. Que podia ela fazer, pobre cega, contra poções de raízes de amor-perfeito, restantes ervas do demónio e macumbas com água suja das partes? Nada! O feitiço era demasiado poderoso. Mas que não perdesse a esperança, que vinha aí luz por entre nuvens escuras! Guilhermina, chorosa, ainda se atreveu a perguntar àquela bruxa medonha, coberta de rugas e de um xaile negro, se não havia mesmo forma de matar a vadia. A curandeira soltou um grunhido de protesto e fez um gesto brusco com a mão esquerda, como se afastasse maus espíritos ou a mandasse embora. Na dúvida, foi isto que fez. Não sem antes largar uma nota no imundo copo de plástico verde que servia de ornamento único à mesa comida pelos ratos.
Guilhermina saiu do casebre para a rua com alívio, liberta do cheiro a mofo, olhos de morcego e rabos de lagartixa. Má ideia tivera a comadre Otília em recomendar-lhe aquela ida à Benfazeja. E lá se tinham ido 50 euros naquela história! Mais do que não arranjar forma de matar a outra, o que lhe doía mesmo era ter largado tal quantia. E em troca de quê? De nada, pois então, que é igual a coisa nenhuma! Ela sabia lá quando vinha a luz ou que história era aquela das nuvens escuras! Quais esperanças, qual carapuça! Certo, mas certinho mesmo, era que o dinheiro se estava a ir. E mais depressa do que um balão furado perdia o ar.
Cumprimentou à direita e à esquerda. Olá, Guilhermina, olá! Onde vais a esta hora? Tu, por aqui? Ora bons olhos te vejam, rapariga! E ela estugava o passo, respondendo ao acaso e fugindo a todas. Atravessou meia Bragança cosida com as paredes das casas, como se fugisse do sol daquela manhã de Outono. Passou pelo cabeleireiro, cheiinho de vadias a tresandarem àquele perfume, de esplanadas com moças bonitas de perna traçada que falavam alto. E decerto dela. E assim passava de cabeça baixa, envergonhada, quase a medo. Estava certa, chegada que estava às portas da Igreja de Santa Clara, que todas a apontavam agora a dedo. Correu os últimos metros que a separavam do portão de casa, que abriu com dedos trémulos.

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JESUS CRISTO | Narrativas evangélicas do Natal | Anselmo Borges | in Jornal “O Observador”

A Igreja só se justifica enquanto vive, transporta e entrega a todos, por palavras e obras, o Evangelho de Jesus, a sua mensagem de dignificação de todos, mensagem que mudou a História.

Para se entender o que se passa com as narrativas dos Evangelhos à volta do Natal, há pressupostos fundamentais.

1. Em primeiro lugar, a fé cristã dirige-se a uma pessoa, Jesus confessado como o Cristo (o Messias) e, através dele, a Deus que Jesus revelou como Pai e poderemos também dizer como Mãe, com todas as consequências que daí derivam para a existência.

O que diz o Credo cristão, símbolo da fé? “Creio em Jesus Cristo. Gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, ressuscitou ao terceiro dia.” Segundo a fé cristã, isto é verdade? Sim, é verdade. Mas segue-se a pergunta fundamental: o que deriva dessas afirmações para a nossa existência de homens e mulheres, cristãos ou não? O Credo é teologia dogmática, especulativa, em contexto linguístico da ontologia grega. Ora, a teologia dogmática tem que ver com doutrinas e dogmas, com uma estrutura essencialmente filosófica. Pergunta-se: os dogmas movem alguém, convertem alguém, transformam a existência para o melhor, dizem-nos verdadeiramente quem é Deus para os seres humanos e estes para Deus?

Exemplos mais concretos, um do Antigo Testamento e outro do Novo, até para se perceber a passagem do universo hebraico em que Jesus se moveu e o universo grego no qual aparecem redigidos os Evangelhos. No capítulo 3 do livro do Êxodo aparece a manifestação de Deus na sarça ardente e Moisés dirige-se a Deus: se me perguntarem qual é o teu nome, que devo responder-lhes? E Deus: “Eu sou aquele que sou”. Dir-lhes-ás: “Eu sou” enviou-me a vós. A fórmula em hebraico: ehyeh asher ehyeh(“eu sou quem sou”, “eu sou o que sou”) é o modo de dizer que Deus está acima de todo o nome, pois é Transcendência pura, que não está à mercê dos homens, mas diz também (a ontologia hebraica é dinâmica) o que Deus faz: Eu sou aquele que está convosco na história da libertação, que vos acompanha no caminho da liberdade e da salvação. Depois, com a tradução dos Setenta, compreendeu-se este ehyeh asher ehyeh como “Eu sou aquele que é”, “Eu sou aquele que sou”, o Absoluto. Filosofando sobre Deus, a partir daqui, Santo Tomás de Aquino dirá que Deus é “Ipsum Esse Subsistens” (O próprio ser subsistente), Aquele cuja essência é a sua existência. Isto é verdade, mas significa o quê para iluminar a existência? Perdeu-se a dinâmica do Deus que está presente e acompanha a Humanidade na história da libertação salvadora.

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