O PSD QUE EU CONHECI E O ACTUAL ESTADO DA ARTE | Rodrigo Sousa e Castro

Após a revolução tive a oportunidade de conhecer notáveis personalidades do PPD.
Era jovem, comprometido com a revolução e com a mudança e também comprometido com a defesa intransigente das Instituições Democráticas nascentes, particularmente a Constituição da República Portuguesa tinha um enorme interesse em conhecer esses políticos e com eles dialogar.
A notável plêiade de fundadores e artífices do PPD, Sá Carneiro, Sá Borges, Magalhães Mota , Pinto Balsemão, Jorge Miranda , Victor Crespo, Fernando Amaral, Mota Amaral e muitos mais, confortava os que lutavam pela Democracia, Igualdade e Justiça e colocava o partido como elemento estrutural do novo Regime , a III República, conjuntamente com o partido socialista de Mário Soares, Salgado Zenha, Almeida Santos e outros.
Era claro, que ao longo do País e sobretudo nas pequenas localidades, os que apoiavam ou militavam no partido, constituíam na maior parte dos casos, núcleos conservadores muitas vezes tutelados pelos curas católicos, mas gente, que havia acatado a ideia de Liberdade e Democracia como uma nova esperança.
A liderança politica, acima citada, urbana, cosmopolita e académica teve a arte e o condão de conduzir essa massa conservadora em apoio duma solução progressista para a Nova República, e foi ela própria muitas vezes o motor da mudança (Jorge Miranda p. ex.) tal como noutras alturas foi o moderador dos excessos.
Essa insigne geração de políticos desapareceu ou está em vias disso e o partido PPD que entretanto tomou o nome de PSD gerou dentro de si, através do carreirismo partidário, as alternativas subsequentes.
A transição foi feita por um homem de características totalmente diversas, Cavaco Silva, que rodeado de arrivistas da “ província” geriu o partido numa fase de vacas gordas, constituindo um núcleo duro de indivíduos que hoje podemos recordar pelas piores razões.
Uma parte enveredou por processos fraudulentos de enriquecimento sem causa, outra parte aninhou-se na comodidade dos negócios privados mais ou menos sérios e benéficos para a Nação.
Eis agora chegados a um ponto em que a liderança perdeu valor e prestigio, qualidade humana e técnica, e mais grave perdeu a noção do tempo politico e da vacuidade do seu vazio estratégico e de pensamento.
Resultante de uma cooptação sem critério das lideranças intermédias, o arrivismo, nepotismo e compadrio não é mais escamoteável como uma realidade incontornável deste e de outros partidos políticos.
É nesse quadro que Pedro Passos Coelho, alguém sem a mínima preparação ou qualidade para governar o País, chega a Primeiro Ministro.
A inércia das Instituições garantirá pela certa que o PSD não vai desaparecer de pé para a mão, mas o caminho que se perfila, a não ser arrepiado, é de decadência .
O que não augura nada de bom para a saúde da Democracia que tanto prezamos.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Entrevista a Catarina Martins | “Extrema-esquerda está associada a totalitarismos, perseguição, ódio. Não encontra disso no BE” | in Jornal “O Observador”

“As pessoas precisam de saber que estamos a pagar a um sistema financeiro — que salvámos repetidas vezes e que nunca quer socialização de ganhos — tanto como gastamos no SNS.”

Em quase hora e meia de conversa, só por uma vez Catarina Martins hesitou a meio de uma resposta. Foi quando lhe pedimos um defeito que apontava a António Costa. Não porque não tenha críticas a fazer-lhe (tem várias, do ponto de vista político, a ele, ao governo e ao PS), mas porque estava à procura da melhor formulação para aquilo que queria dizer: “Tem esperança de que os problemas se resolvam mais depressa, quando eles precisavam de um pouco mais de olhar.” Que é como quem diz, fica à espera que as coisas se resolvam por si. De resto tinha frase pronta para quase todas as perguntas do Observador, naquela que é a primeira grande entrevista deste ano eleitoral para a dirigente bloquista.

A conversa começa na Lei de Bases da Saúde (a do governo seria “perfeita” se tivesse lá escritas as palavras da nova ministra da Saúde), segue pela legislação laboral, Europa, propinas. E quando chega ao tema professores, Catarina Martins ataca com palavras duras: “O governo está a fazer populismo. É absolutamente irresponsável”. Estabelece como uma das prioridades económicas do país e da Europa as alterações climáticas. Não traça metas nem cenários de governo para as próximas legislativas, diz apenas que a esquerda precisa de “mais força”. Até porque “o Partido Socialista é o Partido Socialista”.

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