Homem Irracional, de Woody Allen

Um professor de filosofia atravessando uma crise existencial deixa de se rever nas teorias filosóficas que ensina. A liberdade de escolha entre a submissão moral e o dever, leva-o a dissertar sobre Kant e Kierkegaard, sem que o espectador se sinta perdido. Ao relacionar-se com uma aluna, decide corrigir uma injustiça, numa atitude que mude definitivamente o mundo.

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Motel 29 com Pedro Almeida Vieira

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PEDRO ALMEIDA VIEIRA convida ANA PEREIRINHA; VÍTOR QUELHAS e JORGE SILVA.

Participação especial de PAULA CANDEIAS e ISAC MINERVAS (um de cada vez e a seu tempo, no devido contexto).

Pedro Almeida Vieira nasceu em Coimbra em 1969 e já fez muito e eventualmente há-de fazer mais. Tendo feito muito significa então que já tem no seu currículo alguns «ex»: ex-investigador universitário (ISA e ICS), ex-ambientalista (LPN e Quercus), ex-jornalista (Grande Reportagem e Expresso, entre outros) e só não é ex-engenheiro porque o título é vitalício por concessão de universidade pública (Évora), pese embora o dito curso (Engenharia Biofísica) já nem seja ministrado. É ainda ex-fumador (desde Agosto do ano passado). Não é, porém, aficionado de ex-votos.

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Gnaisse – o novo romance de Luís Carmelo

Gnaisse_convite_LCVem aí o meu próximo romance. Vai ser lançado hoje, na Barraca (Cinearte / a Santos). Intitula-se ‘Gnaisse‘ e será lançado pelo Valério Romão e pelo Raul Henriques. É o meu 12º publicado. O tempo foge (e reencontra-se). Espero que toda/o(s) apareçam por lá. (Luís Carmelo)

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Joaquim Pessoa – a página oficial

JoaquimPessoa-pianoUma oportunidade de acompanhar a obra de Joaquim Pessoa, poeta, letrista e artista plástico.

«… julgo que a poesia tem, também, a obrigação de palpar o mundo, de estar atenta aos sintomas e ajudar ao diagnóstico.»

Joaquim Maria Pessoa (Barreiro, 22 de fevereiro de 1948), conhecido por Joaquim Pessoa, é um poeta, artista plástico, publicitário e estudioso de arte pré-histórica português.

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Mapa Mudo – labirinto poético

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Um devaneio alimentado durante trinta anos. O intricado credível de cidades imaginadas num planeta possível. Sem legendas ou sinalética, não existem vetores que conduzam o visitante recém-chegado. Todas as direções lhe estão abertas: a descoberta transforma-se uma experiência pessoalíssima. O tricotado destas cidades, onde podemos reconhecer ruas, bairros, zonas agrícolas, marinas, aeroportos, estádios de futebol e até uma base militar, não seguiu um plano premeditado. Como todas as cidades, o seu traçado foi crescendo, evoluindo de acordo com o gosto dos tempos. Zonas históricas foram arrasadas para dar lugar a novas e largas avenidas. Em exposição na galeria Abysmo. O autor considera a possibilidade de organizar visitas guiadas. A não perder.

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Herberto Helder ( 1930 – 2015 ) – por Cristina Carvalho

HerbeHerberto Heder AlfredoCunharto Helder foi, é considerado um dos poetas maiores da segunda metade do século XX em Portugal. Personalidade misteriosa, aparentemente misantropo, seguramente avesso a prémios, aplausos e encontros, viveu e trabalhou por essa Europa fora, sempre desenhando a sua literatura poderosa em numerosas obras, livros de poesia e prosa.

Nos verdes anos frequentou o Café Gelo, onde paravam os poetas surrealistas e artistas de variados contornos. Que se saiba, frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e na Faculdade de Letras, o curso de Filologia Românica, sem ter terminado nenhum destes propósitos.

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Filipe Morato Gomes – Cronista de Viagens

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Filipe Morato Gomes define-se como uma espécie de viajante profissional.

Tenho, atualmente, 43 anos e muita experiência de viagem acumulada. Já dei duas voltas ao mundo, estive em quase 100 países e estou certo de que essa experiência pode ser útil para os que, como tu, querem também descobrir o mundo. Estejas a dar os primeiros passos ou a desbravar novas e mais desafiantes geografias.
Quero, especialmente, inspirar-te.

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O grande manipulador.

FD_Set_02Fernando Dacosta esteve no Muito Cá de Casa, em Setúbal, para nos falar do Estado Novo e das suas manhas, dos seus personagens e das suas máscaras.

Salazar, que se confundia com o Estado Novo que ajudou a formatar, foi um grande conhecedor da natureza humana e manipulador de vontades, sonhos e aspirações. Percebeu como ninguém a forma de se perpetuar no poder, para o que contou com o parelho repressivo do Estado e não só.

O país vivia entregue a dois ditadores: fora de S. Bento mandava Salazar, portas adentro mandava a D. Maria. Impiedosa, impunha o seu poder com igual terror sobre os que a rodeavam. Fernando Dacosta, jornalista da imprensa internacional, cai-lhe nas boas graças. Torna-se assíduo de S. Bento e através das suas conversas com a D. Maria, lá vai escutando algumas reações a Salazar.

Homem austero e rural, Salazar não tinha fé alguma na natureza humana. Confidencia: a diferença entre um rico e um pobre, é que o pobre não tem posses para exercer a sua maldade.

O Estado Novo, os seus momentos mais tensos e o homem que se “perpetuou” no poder (a própria queda da cadeira), estiveram a debate. Como manda a tradição: entre a verdade e a lenda publique-se a lenda.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, livraria Culsete, Ler de Carreirinha e BlogOperatório.

Citando Maria Teresa Horta

Azul Claro, é a cor mote que coube a Maria Teresa Horta nesta coletânea Do Branco ao Negro.

Quando se deita pela primeira vez com um homem, Raquel usa uma liga azul-clara, cor de um céu esvaído…

1977327_10201842620851645_5609680712669485005_nCompõe o corpo, sente prazer nisso, enquanto, centrada em si própria, tudo imagina. É ela a teia que atrapa. O seu corpo é um caminho, o trajeto mais curto, por onde eles descerão os lábios, a quererem ir matar a sede no poço sombrio do seu corpo candente e febril… Assume então a condição da arte do voo e a teia é a sua constelação.

Comia aranhas quando era menina, macilenta e dúctil, olhos azul do céu sumido no extravio da salvação, criança de suspeição e agrura sem alimentos de quase nada. Raquel, esculpindo a si mesma, enquanto personagem. Sabe que a loucura das mulheres sempre assustou os homens, não lhe é estranha a velocidade da aranha. O percurso mais curto de regresso a casa, a teia que nunca foi liberdade.

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Cristina Carvalho na Alemanha

Numa iniciativa promovida pelo Instituto Camões e a exemplo de algumas06_6 visitas que já efetuou noutras Universidades da Europa, a escritora Cristina Carvalho estará em Berlim, Hamburgo e Leipzig, na Alemanha, entre os dias 5 e 9 de Maio, para um encontro com alunos de escolas e universidades.

Ao Das Culturas afirmou:

“O meu contacto com alunos estrangeiros é tão reconfortante como as conversas que tenho com alunos portugueses. Todos querem saber, todos interrogam. E fazem o mesmo tipo de perguntas que me são feitas aqui em Portugal, “como é ser escritora”, “como aparecem as ideias para escrever um livro”, “o que gosta mais de escrever”, “descreva-nos o seu dia a dia enquanto escritora a tempo inteiro”, etc, etc, ou seja, a curiosidade é universal. Da minha parte, enquanto surgirem os convites e sempre que eu possa, lá estarei, aqui, ali, mais longe, mais perto, mas sempre com orgulho e esperança de poder ser útil a todos os que me procuram.”

Cristina Carvalho, Abril 2014

KingsKings College, Londres, Março de 2013

Conheça alguns dos títulos da autora no Acrítico – leituras dispersas.

A Mulher e a Literatura – Encontro

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Três escritoras e uma editora. Esta é a proposta doMuito cá de casa para este sábado, dia 8, dia Internacional da Mulher.

Em As Mulheres da Fonte NovaAlice Brito, oferece-nos o retrato de uma cidade conserveira a trabalhar para encher a despensa de uma europa à beira da guerra. Os homens no mar e as mulheres nas fábricas de conservas. Uma indústria de mulheres cheia de artes e segredos, cheia de lógicas próprias, perícias únicas e muita pulhice patronal. A riqueza fica nos bolsos dos patrões, a cidade e o país desperdiçam a oportunidade de melhorar o nível de vida das populações. As mulheres são operárias, donas de casa e mães. Pede-se-lhes ainda que sejam honradas. Os homens, sem direitos de cidadania, têm a autoridade definitiva sobre as mulheres e sobre elas impõem o que a sua educação machista lhes ensinou.
Ao longo do livro, ocasionalmente, uma voz desponta, uma voz contemporânea ao ato da escrita, ao nosso momento de leitura, que interroga a autora. Uma voz crítica, que vigia e chama a atenção: “Já disseste isso lá atrás…” Uma voz de mulher. Existe na escrita no feminino uma maior acutilância? Uma apurada consciência de combate?

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Cristina Carvalho na Culsete

O universo da escrita de Cristina Carvalho move-se entre o fantástico e o romance de narrativa mais clássica. O conto marca também uma presença assídua, quer para adultos como na sua participação na coletânea Contos Capitais, quer para um público infanto-juvenil como em Tarde FantásticaAna de Londres, antes de ser romance, foi publicado como conto.

Dentro do fantástico, Lusco-Fusco é um breviário dos elementais e O Gato de Upsala a descoberta da idade adulta. Agneta e Elvis partem com a ilusão ver o Vasa, o maior navio de guerra até então construído e, quem sabe, subir bordo e conhecer terras distantes. O Vasa afundar-se-á diante dos seus olhos sem lhes levar o sonho de uma vida a dois que então começava. Homem e mulher completando-se como nas histórias mais antigas.

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RTP – canal de cultura

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Ontem muita gente protestou: “A televisão não dá nada de jeito.” E, no entanto, a RTP Memória passou, em horário nobre, um excelente documentário sobre Rómulo de Carvalho/António Gedeão. Seria fácil complementar esta opção com uma ida ao RTP Play para ver uma entrevista da escritora Cristina Carvalho a respeito da biografia que escreveu sobre Rómulo de Carvalho, seu pai. Ou, ainda, escutar uma entrevista sua à Ana Daniela Silva, no À Volta dos Livros. Claro que um televisor com Internet e uma ligação WiFi, torna a experiência muito mais fácil.

Ou não. Na pesquisa “Ler Mais Ler Melhor Rómulo de Carvalho Cristina Carvalho” não se obtém a RTP Play como resposta, apenas nos surge o Youtube e o GoodReads. Podemos então ver o programa, mas fora da plataforma da RTP.

A RTP é o maior canal cultural de Portugal. A empresa tem a consciência disso e, por isso, criou o portal Ensina promovendo os seus conteúdos numa perspetiva didática. Por que não criar um portal RTP Cultura que ofereça informação sobre os programas culturais do dia, que a sua programação linear oferece, e complementar com o arquivo disponível no RTP Play?

Citando Bruno Vieira Amaral

As primeiras coi

“Da mãe, os filhos só vêem o que é mãe. Só conhecem a mãe. A mãe é sopa e o cheiro dos refogados. A mãe é a mão que esfrega as costas no banho, que escova o cabelo enriçado, que seca o cabelo molhado, a mão que afaga, que estraga. A boca que sopra a sopa, que sopra a ferida. Os filhos são os parasitas da mãe. Comem-lhe o coração que cresce da noite para o dia para que nunca lhes falte o pão-coração. O que é que a mãe quer? A mãe não quer nada. Quem tem mãe, tem tudo, diz a quadra, e quem é tudo não precisa de nada.”

Excerto de uma nota de rodapé do livro As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral, Quetzal.

 

Cidade Proibida – nas livrarias.

CidadeProib

No ginásio que frequentava havia quem conhecesse Lisboa, uma cidade, diziam, «cheia de sol e de moscas», onde os bares fecham «praticamente de manhã» e as pessoas «vão de carro
à mercearia da esquina». Num bar de Old Compton Road também lhe disseram que os rapazes portugueses eram bonitos e, por norma, cooperantes.
– Cooperantes como? Como em Marrocos?
– Não é a mesma coisa. Os magrebinos são insistentes. Os portugueses empatam, raramente sorriem, preferem ser seduzidos… Quando estão no ponto, vale tudo.
– E são mesmo bons…?
– Gorgeous!

Eduardo Pitta revela-nos, numa linguagem áspera, sem nunca perder a elegância, uma realidade que muitas das vezes nos passa ao lado, ou não, mas que insistimos em não reparar, como se nos fosse proibido ver. Quando acreditávamos que certos tabus haviam caído em desuso, eis que, em pleno retrocesso civilizacional, assistimos ao regresso de todas as fobias. O jogo institucional dos capados impõe a sua visão de uma sociedade homofóbica.

O mais que fez (o gato Teddy) foi esperar três dias. Assim que intuiu o carácter definitivo da mudança, urinou sem complacência na porta do quarto do dono. Passava a ser o macho da casa.

Todos temos os nossos rituais de afirmação, mais ou menos exuberantes.

Cidade Proibida de Eduardo Pitta chega hoje, quarta-feira, às livrarias. Leitura obrigatória.

Citando John Wolf

Um porta-chaves que não é uma coisa nem outra. Porque a ranhura é um perigo. Parece insignificante, mas já vi muitos e bons homens desaparecerem por esse buraco que anunciam como fenda, a passagem estreita de um gargalo mentiroso. Daqui a umas horas, quando regressarem a casa, dirão algo que soa a absurdo: que nunca tinham ouvido falar. Que nunca tinham estado na presença de um homem que se revisita sem despudor. Que nunca poderiam imaginar uma língua cumprida à risca, instruída por problemas de consciência.

Contagem Descrente é o mais recente livro de John Wolf, um pungente testemunho de quem não se conforma. Numa lucidez verbalizada, estamos perante um ato de rebelião, um acordar de consciências mas só para não descrentes.

leia mais no Acrítico – Leituras dispersas.

Muito Cá de Casa com Agualusa

Agualusa2Quando a água cobre todo o planeta e a temperatura sobe, o homem é expulso da terra. E para onde vai o homem quando perde o chão? VAI PARA O CÉU.
Esta sexta-feira, na Casa da Cultura de Setúbal, foi noite de Agualusa. Quando lhe foi dada a palavra, usou-a como uma balsa salva-vidas, dessas que entram no seu mais recente romance, A Vida no Céu. Elevou-se, então, aos céus e convidou-nos a acompanhá-lo. Tranquilo, dotado de um sentido de equilíbrio, típico dos nefelibatas, Agualusa falou com desassombro, não evitando as perguntas do “politicamente incorreto”, ciente que o poder, em qualquer parte do mundo, não lê. Apenas se incomoda com as entrevistas.

O seu discurso tem o tom aveludado da escrita que imprimiu a este romance. Escritor do mundo, Agualusa, lança sobre a vida um olhar rico de experiência, temperado pela multiculturalidade de quem vive entre três países e o resto do mundo. O escritor, nas suas palavras, transformou-se em caixeiro-viajante dos livros, com todo o seu lado enriquecedor.
Foi uma sessão com a sala a transbordar, pessoas a assistir de pé, algumas à porta. Embarcámos nesta aventura e estendemos o nosso olhar sobre as lonjuras apenas possíveis de alcançar nas grandes planícies africanas. Fomos todos nefelibatas por uma noite.

Citando Cristina Carvalho

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(…) Por esta altura do dia em que já era noite, os teus pais dormiam, todos dormiam em todo o lado excepto tu que pé ante pé e com dedos de veludo abrias a porta da rua e deixavas entrar esse rapaz. Ele tinha subido a escada quase invisível e no maior silêncio. Entrava. Não havia o menor ruído, nem beijos, nem afagos, nada! Deslizavam, então, para a cozinha e fechavas a porta. Um risco! A vida era arriscada! Uma aventura de ovos mexidos com rodelas de chouriço e os restos do pão do jantar. Esfomeados! Vocês andavam esfomeados! Havia o risco do cheiro das rodelas do chouriço a fritar na pequena frigideira, havia o risco do ruído produzido pelos maxilares a triturar o pão já ressequido, o risco dos ovos a ser partidos, o risco do garfo a bater os ovos, o risco da vontade de comer, o risco da vontade de beijar, o risco da vontade de tu mexeres no corpo dele, o risco da vontade dele mexer no teu corpo, o risco dos dois corpos, o risco do desejo, o risco de o conter, o risco de o não conter, o risco do risco. A tua vida era um risco.

Cristina Carvalho em “ANA DE LONDRES” – publicado por Parsifal. No PNL (Plano Nacional de Leitura) para o ensino secundário (10º, 11º e 12º anos)

Leia a recensão no Acrítico- leituras dispersas.

 

Citando Ana Saragoça

Quando fores mae

Se engolires a pastilha, morres.

E de repente – glup! – engoli a porcaria da pastilha. Senti-a nitidamente descer-me o esófago e chegar-me ao estômago, cada vez mais comprida e rarefeita, colando-se-me às entranhas e paralisando-as. Nem tive força para gritar: ergui a cabeça de supetão e fiquei a olhá-las às duas, a minha mãe e a minha avó, de agulhas em movimento e a terem conversas insignificantes, sem fazerem a mínima ideia de que dentro de momentos EU IA MORRER! Tive tanta pena delas… Comecei a imaginar os seus choros e gritos, o meu funeral num caixãozinho branco (sim, com a minha idade as crianças iam a velórios e funerais e estavam familiarizadas com tudo aquilo), o cortejo infindável de vizinhos e amigos, os soluços, o meu enterro na campa onde já estava o meu avô…
Foi uma surpresa imensa encontrar-me viva e na minha cama na manhã seguinte. E passaram anos até voltar a atrever-me a comer uma pastilha.

Quando Fores Mãe, Vais Ver, de Ana Saragoça

Leia mais sobre este livro no Acrítico – Leituras dispersas.

Citando Sónia Cravo

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Os olhos dela espelham um misto de nervos e humilhação e desordem. É um derrame infinito, é um desejo quase constante de estar noutro lugar qualquer, sinta embora que, nesta vida, há muito a suportar.
É uma vontade imensa de beber, beber também por isto. A governanta, sentada ao seu lado, está em silêncio; arruma a caixa de costura.
– Estou a … – balbucia Lia.
– Vou para o escritório, chama-me quando o jantar estiver pronto – interrompe Custódio, cortando pela raiz o que quer que ela fosse dizer.

Deste Lado do Mar Vermelho, de Sónia Cravo

Este é um livro sobre o medo. O medo da loucura, da normalidade, do segredo, o medo do medo. Neste livro existe um cão que se chama Pide e que é espancado. Este livro não é sobre o medo, é sobre a possibilidade de renascermos. (Acrítico – Leituras dispersas)

 

 

A Misteriosa Mulher da Ópera

A Misteriosa Mulher da ÓperaA Misteriosa Mulher da Ópera by Afonso Cruz

Quantas mortes pode sofrer uma mulher? Uma mulher que regressa, ainda que num estranho jogo de espelhos ou de memória, é uma mulher que se torna múltipla de si. Este livro, um quase policial, abre com o Roda que mantém a mãe, já cadáver, deitada na cama. Roda também se esqueceu do rosto da mulher por quem se apaixonou. Desesperadamente procura encontrá-la, já não consegue ser feliz, pois não reconhece a cara da felicidade mesmo que passe por ela na rua.

A misteriosa mulher da Ópera, mais do que um rosto esquecido por Roda, é uma má tradução de uma história que alguém já não está disposto a viver: a segunda oportunidade que, acontecendo, é repudiada. Tudo, afinal, se resume a viver uma vida boa.

Ler mais em Acrítico – leituras dispersas

Da Literatura – 9 anos

Da-Literatura

Da Literatura, o blogue de Eduardo Pitta faz hoje nove anos. Cidadania e cultura, porque uma não sobrevive sem a outra.

Um olhar atento, disposto a correr riscos e a grande literatura, enchem as páginas deste blogue. Em tempos de retrocesso civilizacional, eis um dos grandes resistentes. Há que não ceder à indigência dos tempos e lutar pela cultura e pelos valores humanos. Uma leitura obrigatória. Crescemos nestas páginas.

daliteratura.blogspot.pt