Caligrafias de Luz – António Correia

Tudo nesta paisagem sempre ali existiu, esperando, ao longo de séculos, vir a ser surpreendida num momento. Batida a foto: montanhas, luz, cor e espanto podem retirar-se. Como alguém que recolhe a roupa ao fim do dia. O seu momento glorioso de pose foi consumado.

(Série Postais Ilustrados – Vista dos Himalaias – 2013)

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O fotógrafo é o leitor de luzes fixas e irrequietas. A sua caligrafia não conhece limites. O momento mágico, que só a ele pertence, fixa o que até aí era reflexo e irrequietude, lançando sobre o caos um definitivo e clarificador instante.

(Série Reflex – Dal Lake – 2013)

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Alguém, num tempo já esquecido, dispôs objetos numa abstrata ordem. Talvez lhes tenha encontrado uma relação, uma proximidade de fim de vida, uma não qualquer utilidade comum. Pedaço de código escrito numa mensagem adormecida. O ato do fotógrafo é esse despertar dos sentidos, a sua redação final.

(Série Requiescat in pace – 2013)

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Fotos de António Correia, recolha e textos de António Ganhão.

Bio
A fotografia já está na família quando António nasce em Setúbal Portugal, nos finais da década de 40 quando o pai já a fazia captando imagens da cidade, do porto e do rio chegando mesmo a organizar um salão internacional na cidade. Lembra-se do pai com o tio na camara escura até tarde, num vão de escada a revelar as fotos.
Nos anos da adolescência lembra-se do pai lhe ter emprestado a Rolleicord e de o ensinar a trabalhar com ela. Nos primeiros anos do Liceu inscreve-se na Secção de Fotografia da Mocidade Portuguesa por sugestão (quase imposição) do pai tendo mais tarde trabalhado no estúdio do Círculo Cultural de Setúbal, aí já com uma Pentax.
Este gostar de fotografia foi cortado pelo serviço militar prestado em dois longos anos na atual República Democrática de Timor Leste. De regresso a Setúbal, licencia-se em Arquitetura tendo trabalhado como Arquiteto durante 31 anos e dedicando pouco tempo à fotografia pois havia uma família a crescer. Contudo, a alguns anos da reforma, recomeça a fotografar e nunca mais tem parado.
António Correia integra e apoia um pequeno grupo de fotógrafos amadores com quem colabora ativamente continuando paralelamente os seus trabalhos, investigações e aprendizagem, experimentando e afinando técnicas e partidos estéticos.

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