Citação | Virginia Woolf

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Les femmes doivent toujours se souvenir de qui je suis, et de quoi ils sont capables. Ne doivent pas avoir peur de traverser les exterminés champs de l’irrationalité est, ni même de rester suspendues sur les étoiles, la nuit, appuyées au balcon du ciel. Ne doivent pas avoir peur du noir qui engloutit les choses, parce que ce noir libre une multitude de trésors. Ce sombre qui eux, libres, scarmigliate et foires, connaissent comme aucun homme ne saura jamais.
Virginia Woolf

Citação | Professor João Lobo Antunes

joao-lobo-antunes(…) Pela impureza das palavras que se dizem. O desrespeito pela verdade, a violência dos termos, o estarmos longe daquilo que alguém chamou de “democracia humilde”, aquela que aceita o ponto de vista do outro, ouvindo-o. Fernando Gil falava muito da má-fé, que é um sentimento relacional e significa que a nossa posição está tomada antes de ouvirmos o argumento do outro. Passados os 70 anos tenho pena de estar a viver este tempo.
– Um tempo de má-fé? – sim, um tempo de má-fé.

(Professor João Lobo Antunes)

Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial” | Continuação

fotocarlosmatosgomesAinda a propósito das efervescências patrioteiras a despropósito das responsabilidades do dr Mário Soares na descolonização.
Em primeiro lugar não foi o doutor Mário Soares que decidiu derrubar o a ditadura, nem terminar com o sistema colonial que após 13 anos de guerra não tinha outra solução que não fosse continuar a guerra.
Não foi o dr Mario Soares que decidiu o cessar fogo na Guiné, nem o estabelecimento de conversações com o PAIGC.
Não foi o dri Mário Soares que decidiu estabelecer ligações com a Frelimo, nem com os 3 movimentos em Angola. Foram alguns militares, entre os quais me orgulho de estar incluído.
Antes desses militares, os do 25 de Abril, já o professor Marcelo Caetano estabelecera conversações com o PAIGC em Londres, com o MPLA através de Paris e Roma, com a Frelimo através do engenheiro Jardim e de Keneth Kaunda.da Zambia (planos Lusaka).
Já vários generais conspiravam para derrubar Marcelo Caetano, Spinola, Kaulza de Arriaga, entre outros.
Mas, antes de tudo, já o doutor Salazar se tinha comportado com a estranha inação perante os massacres de Março de 1961, para se manter no poder e mais tarde, em Dezembro, deixaria os militares portugueses . abandonados na Índia.
Isto é, quanto a “traidores”, traidores a sério, chefes que traem os seus militares estamos conversados.

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ANGOLA | OS MASSACRES DE MARÇO DE 1961 | Os sinais que Salazar não quis receber | Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial”

carlosdematosgomesSoares e a descolonização. Circula por aí um texto de propaganda negra de pretensas afirmações de Mário Soares sobre a descolonização com o título de uma frase referente aos colonos: “Atirem-nos ao mar”, ou qq coisa do género, que há uns anos aparecia atribuída a Rosa Coutinho. O texto é uma manifestação de estupidez de quem os publica. Acreditar que algum dirigente político faça uma afirmação daquelas em público é estupidez, ninguem faz. Tive divergências políticas sérias com a forma como as opções políticas do doutor Mário Soares após o 25 de abril, mas há a verdade, a descolonização tem outro responsável.  Tentar que alguém acredite é tomar os outros por estúpidos. Agora o que é verdade é que Salazar sabia que os massacres de Março de 1961 iam ocorrer naquela data e nada fez. E isso sim é verdadeiramente criminoso. Eu e o Aniceto Afonso publicámos o seguinte texto na obra “Os Anos da Guerra Colonial” – Edição QuidNovi Porto 2010 com 9 (Nove) notícias do que ia acontecer e que eram do conhecimento do governo de Salazar, que não agiu.

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1 de Dezembro de 1640 | António Pina

antonio-pina-200Nesta data que marca a restauração da independência nacional, perdida em 1580 para Espanha, depois do desaire militar em Alcácer-Quibir e da destruição das forças militares portuguesas, Portugal iniciou um período de 28 anos de lutas e guerras que levaram à assinatura do Tratado de Lisboa, em 1668, no qual Espanha reconhece a nossa independência.
Este facto apenas foi possível, não só pelo reencontrar da nação, mas também porque a Espanha teve de fazer frente a revoltas na Catalunha e Andaluzia, ao mesmo tempo que enfrentava guerras com a Inglaterra, Holanda e França, países que ajudaram o país na sua luta, ainda que de forma dúbia, já que se na Europa apoiavam a luta pela independência, no resto do mundo continuavam a conquistar-nos territórios, como foi o caso de Malaca, Ormuz, Ceilão, Japão, algumas ilhas na atual Indonésia, a maioria das cidades indianas, para a além da maioria das feitorias / cidades africanas (nomeadamente S. Jorge da Mina). Ceuta perdeu-se para os espanhóis.
Esta realidade levou os revoltosos a optar pelo abandono do império do Oriente e a concentrar os seus esforço na recuperação da parte atlântica do mesmo, tendo conseguido recuperar o Brasil, Angola e S Tomé e Príncipe. A opção assumida, decorria da consciência das elites nacionais, que a independência do país apenas seria possível, suportando-se na exploração de territórios coloniais, o que se confirmou nos séculos seguintes. Realidade que implicou a adesão formal à CEE (1986), após a perda das colónias, a última das quais perdida formalmente em 2002.
A luta pela independência deveu-se em grande parte aos prejuízos causados à nobreza e burguesia, pela política implementada por Espanha a partir de 1610 que, prejudicava profundamente as elites económicas, as mesmas que em 1580 permitiram a ocupação espanhola, pelos benefícios que poderiam retirar dessa união. Para além dos prejuízos causados à burguesia, dos cargos e benesses retirados à nobreza, o aumento de impostos (sobre o linho, da sisa, do real da água) sobre a restante população provocou a revolta generalizada.

Retirado do Facebook | Mural de António Pina

1640

Che Guevara | aforismos e excertos

che02-200É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

O caminho é longo e em parte desconhecido; conhecemos nossas limitações. Faremos, nós mesmos, o homem do século XXI. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Deixe-me lhe dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

A universidade deve ser flexível, pintar-se de negro, de mulato, de operário, de camponês ou então ficar sem portas, e o povo invadirá a Universidade e a pintará com as cores que quiser. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

Direitos Universais da Carneirada | in “mural de Facebook” de José Filipe da Silva

Olhai os poderosos do mundo e reflictam. É necessário estabelecer, desde já, os Direitos Universais da Carneirada.

1 – A carneirada deverá ter direito a pasto suficiente, para que não morra de fome;
2 – A carneirada deverá ter direito a um redil, de escolha do seu pastor;
3 – A carneirada tem direito a manter a cabeça sobre o corpo, independentemente do uso que lhe dá;
4 – A carneirada pode ser tosquiada, desde que lhe seja mantida lã suficiente para que não morra de frio;
5 – Ninguém poderá inibir o balir da carneirada, mesmo que haja total indiferença aos “més-més” e à interpretação dos mesmos;
6 – Mais do que um dever, é um direito do carneiro ser escolhido para imolação;
7 – Cada grupo de carneiros deverá ter direito a um cão pastor e “perceber” que ele está presente para sua protecção e segurança;
8 – Se o pastor tiver “patrões” ocultos a carneirada pode adorar esses “patrões” como se de o pastor se tratasse;
9 – A carneirada tem direito à procriação e à multiplicação do rebanho, desde que eduque os carneirinhos nos são princípios enunciados pelos pastores e de que não faça deles coisa sua;
10 – Sempre que a carneirada julgue ter razão poderá dar um “mês-més” mais altos, sem que nunca questione as soluções do pastor;
11 – A carneirada tem direito a um cantinho de pasto, desde que pague taxa de relva, taxa de ocupação de terra, taxa de rega, taxa de sol sobre a eira e taxa de ventilação de ar puro;
12 – É livre a circulação da carneirada, dentro dos limites do arame farpado definido pelos pastores;
13 – A carneirada tem o direito de escolher periodicamente o menos mau dos pastores e a fazer ensaios entre os mais improváveis para essa tarefa.

carneirada

Adonis [Ali Ahmad Said Esber] | Poeta Sírio | in revista do jornal “Expresso”

adonisTambém escreveu muita poesia das ruínas. Poemas sobre Beirute, sobre a cidade como inferno. Cidades onde a guerra e a violência são uma constante.

Isso está ligado também ao monoteísmo. A visão monoteísta do mundo deformou as relações do homem com o homem, do homem com a natureza, do homem com o além da natureza. Deformou tudo. O monoteísmo colonizou o nosso cérebri e não podemos ver a realidade do universo se não nos libertarmos desse fechamento do mono teísmo. É esse actualmente o nosso grande problema, não apenas no mundo árabe mas também no mundo ocidental.

A certa altura diz que o nosso tempo “não sabe ler senão o livro do assassínio”.

Não posso imaginar que o ser humano, que foi criado à imagem de Deus, seja selvagem, e mais selvagem do que os animais selvagens. Mesmo o animal selvagem só mata os outros animais para se alimentar, mas um ser humano mata outro ser humano por maldade.

Essa desumanidade não o desencorajou?

Não, eu acredito no ser humano, acredito no Homem. Mas as culturas monoteístas tornaram-se prisões contra a alegria, contra o corpo, contra a criatividade, contra tudo. O grande combate intelectual do mundo é saber como ultrapassar o monoteísmo e a sua cultura. É esse o nosso problema comum.

http://expresso.sapo.pt

Citação | Mariana Mortágua

“A primeira coisa que acho que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro. Quando estamos a apresentar taxas sobre grandes patrimónios ou grandes rendimentos estamos a fazê-lo porque queremos diminuir as desigualdades mas também porque dizemos que uma sociedade estável não é uma sociedade que permite uma acumulação brutal de capital nos 1% do topo”. [Mariana Mortágua]

a felicidade e a inocência | Luís Pedro Nunes

pode-se fotografar a felicidade e a inocência? sim. estava o Alfredo e eu a abrigar-nos de uma chuva quente na ilha de Bolama, Guiné, quando ele tirou esta foto. Das milhares de imagens que trouxe das nossas viagens há uma pureza encantada nesta coreografia que não me cansa e me atrai o olhar quase diariamente (tenho a foto numa parede em casa) . estes miúdos jogam à bola, à chuva, numa liberdade feliz. Riem com um riso tão solto e habituado a sair que sabemos que eles têm qualquer coisa que perdemos há muito. esta é a foto que capturou a felicidade a ser.

felicidade

Retirado do Facebook | Mural de Luís Pedro Nunes