O PESO DA TRISTEZA DA ÉPOCA MAIS FELIZ DO ANO | Inês Salvador

Ines - 200Há muitos anos fui passar o ano ao Porto. Amigos vestidos a rigor e um reveillon muito animado, animadíssimo. Quanto mais as horas passavam mais animada ficava a festa. Comida, bebida, música, baile! Uma festa de reveillon! Às tantas, partiram-se uns copos e um pedaço de vidro entrou-me na sandália e cravou-se no calcanhar. As dores eram lancinantes e toda a tentativa de perceber exactamente o que passava com o meu pé tornava a coisa ainda pior. O vidro teimava em entrar na carne, tornando-se insuportável e invisível no sangue que espalhava. Levaram-me para o hospital. Ir para ao hospital não é bem o que se deseja numa noite de reveillon, mas estávamos tão animados, tão quentes da festa, que tudo nos parecia muito simples. Íamos num instante tratar do meu pé e voltávamos para a festa. E lá fomos, em estilo aventura, para as urgências, a ver se vendiam pés, se tinham pés para a troca, que fosse rápido, porque tínhamos uma festa para continuar. A urgência estava deserta, parecíamos só nós a estar ali. Claro, ficámos a achar, também era reveillon na urgência. Rapidamente fomos atendidos. Como não conseguia andar, deitaram-me numa maca e levaram-me para dentro.

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Festival DDD | Dias da Dança

DDD

FESTIVAL DDD – DIAS DA DANÇA
— 27 ABR — 7 MAI 2016 —

Programação — Line-up

DDD IN [Espetáculos / Performances] Né Barros • Bruno Senune • Quintas de Leitura • Dinis Machado • Balleteatro • Miguel Pereira • Aimar Pérez Galí (ES) • Ambra Senatore – CCNN (IT/FR) • Vera Mantero • Cristina Planas Leitão • Curtas de Dança • Mara Andrade • Joana Castro & Flávio Rodrigues • João Fiadeiro • Marlene Monteiro Freitas • Gonçalo C. Ferreira • Eldad Ben-Sasson (ISR) / Kale Companhia de Dança • André Mendes • Raimund Hoghe (DE)

DDD OUT [Espaço Público / Public Space Corpo + Cidade] Miguel Costa e Gabriela Vaz Pinheiro • Né Barros • Catarina Félix (Útero) • Ana Rita Teodoro • Charlotte Spencer (UK) • Gilles Verièpe (FR)

DDD EXTRA [Outras Atividades / Other Activities] Masterclasses • Encontros / Meetings • Conversa Pós-Espetáculo / Talks after performances • Cinema • Aquecimento Paralelo / Parallel Warm Up • Meeting Point – Festas / Parties

O programa completo será anunciado brevemente
The full line-up will be announced shortly

© “Songs for Takashi”, Raimund Hoghe (DE)

Programação e Direcção: Tiago Guedes

Brevemente aqui: FESTIVAL DDD

Antigos Alunos do Colégio La Salle de Abrantes | Carlos Borrego | Encontro a 30 Abril, Abrantes

Carlos Borrego - 200Caros Antigos Alunos do Colégio La Salle de Abrantes
Será uma festa reencontrarmo-nos e celebrar a festa da amizade e a pertença ao Património La Salle
de humanismo, tolerância, solidariedade, educação e serviço.
Dia 30 de Abril – Sábado- Colégio La Salle – Abrantes

No encontro dos antigos alunos do Norte com os antigos alunos do Sul, realizado em Fátima no dia 10 de Outubro do ano passado, ficou agendada a realização de um encontro de ex-alunos do Colégio La Salle de Abrantes, a levar a cabo nas próprias instalações desse Colégio ( hoje escola secundária Dr Manuel Fernandes). O Vitor Coelho da Silva, o Eugénio Marques e o Miguez Garcia ofereceram-se para preparar a logística.
A Comissão organizadora é constituída por eles e por mim. Se mais alguém puder participar, sobretudo para os arranjos audio-visuais do material fotográfico, seria óptimo.

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Marilyn Monroe | Um je-ne-sais-quoi! | 25 fotografias

É uma das melhores fotografias de Marilyn Monroe. Tem na sua essência um pormenor que a distingue de todas as outras: a luz está no cabelo e na roupa como se a vida fosse um círculo perfeito entre o Outro e nós, uma elipse em que a beleza não é tida nem achada. É fotografar aquilo que nos lê no regresso da luz. (José Tavares)

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O HOMEM A ARDER | txt/ img ptn | 28/03/2016 | Pedro Teixeira Neves

Telefonam-me e dizem-me: vem depressa, está um homem prestes a arder. Pedi calma, acabara de começar a escrita de um texto. Havia muito que a simpática inspiração não me visitava. Calma, por favor, não será fumo sem fogo? – ainda perguntei antes de terminar uma frase com a qual ia chegando a acordo. Que não, asseguravam-me num estado de agitação que por um triz não me passava para as palavras. Pensei então num homem a arder. E depois na rua onde esse homem se encontrava a arder. E depois no bairro onde esse homem se encontrava a arder. E depois na cidade onde esse homem se encontrava a arder. E depois pensei que daria uma bela fotografia. Olho a parede branca da minha sala e vejo o homem a arder. Levantei-me então, peguei na máquina fotográfica e fui a correr. Cheguei mesmo antes dos bombeiros. As chamas acariciavam o homem e ainda olharam para mim, vermelhas, rubras. Mal tive tempo para uma fotografia. Hoje, a fotografia do homem na parede da minha sala aquece-me no rigor do inverno. O homem, dizem que deu cinza. Mas se eu fechar os olhos, na parede de minha casa o homem também desaparece. Não há fogo sem fumo.

PTN

Alexandre Herculano | Aniversário do seu Nascimento | 28-03-2016

aelxandre herculanoNo dia em que passa mais um aniversário sobre o nascimento de Alexandre Herculano, saúdo-vos com o magnífico busto do historiador, romancista e poeta, que me acompanha na livraria alfarrabista.
O seu olhar sábio, segreda-me dia a dia, uma vida plena de dedicação pelo estudo e pela investigação, pelas causas que abraçou, por tanto que nos legou.
Herculano não foi só o introdutor da elaboração científica da história ou um dos fundadores do romantismo em Portugal. Não foi apenas um lutador da causa liberal contra o regime miguelista, nem se limitou a ser Bibliotecário-Mor das Bibliotecas da Ajuda e das Necessidades, ou um notável historiador e romancista do seu tempo.
Alexandre Herculano foi, acima de tudo, um homem probo e honrado, que soube retirar-se a tempo e no tempo certo, recolhendo-se na sua Quinta de Vale de Lobos, aqui, em pleno Ribatejo, longe das intrigas palacianas e dos políticos de pacotilha.

Como ele, aprendi a ser “mais monge que missionário”.
Sem necessidade de mosteiro ou de convento. Bastando-me o mundo dos livros.

Um abraço do,
Adelino Correia-Pires 

ORIGINAL AQUI:  BLOG DOUTRO TEMPO

Portables : raccrochez, c’est une horreur !

portateis - 250Et si nous étions à l’aube d’un scandale sanitaire majeur ? Electrosensibilité, cancers, plusieurs travaux scientifiques démontrent la nocivité des radiofréquences sur la santé. Une étude de l’Inserm confirme  le lien entre l’utilisation intensive du téléphone ­portable et apparition  de tumeurs cérébrales. 

Inquiétant.

LER AQUI: TV5 MONDE

O que Portugal tem a ver com o Brasil | Alexandra Lucas Coelho in Jornal “Público” 2016-03-27

alexandra lucas coelho(…) o espanhol Bartolomé de las Casas não partilhava a visão concentracionária dos jesuítas portugueses em relação aos ameríndios, tal como várias vozes se foram levantando contra a escravatura africana: mas o Brasil escravocrata, herdeiro dos privilégios, foi o último país americano a aboli-la, em 1888. (…)

1. Os portugueses não parecem ter uma boa relação com os brasileiros, disse-me uma alemã, conhecedora profissional de Portugal e Brasil. Estávamos na Alemanha, o Brasil temia uma guerra civil, foi há dez dias. A minha interlocutora não se referia à relação de portugueses com brasileiros nesta crise, e sim em geral. A minha resposta instintiva foi contrapôr, contar por exemplo como muitos portugueses cresceram com música brasileira, e isso é parte da nossa vida. Agora, de volta a casa, continuo a pensar na observação desta veterana, que nada tinha de provocadora, era só vontade de entender. Muitos portugueses, creio, teriam respondido da mesma forma instintiva, a que podemos chamar amorosa. Mas é impossível ignorar o que se tem manifestado em Portugal de equívoco face ao Brasil ao longo destes dias. Não sendo novidade, acho que nunca o tinha visto propagado assim, talvez porque nunca houve tantos meios para isso, e porque este tempo apocalíptico favorece uma excitação de circo romano. Em 2016, facilmente o clamor se torna viral, entre media e redes sociais. Justiceiros instântaneos brotam de um clique, prolongando 516 anos de equívocos. Segundo um desses equívocos, provável pai dos outros, o tema da colonização encerrou-se, chega de falar dele, é passado. Penso o contrário, que mal começámos, que é presente, e a actual crise brasileira acentua isso. Não só pelo que expõe das estruturas brasileiras, como pelo que revelou do olhar de Portugal sobre o Brasil, e sobre si mesmo.

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O Deputado da Nação, de Manuel da Silva Ramos e Miguel Real | 30 de Março – 18h30

miguel real - silva ramos

Umbelino Damião nasceu pobre. Ainda jovem, emigrou para Paris, onde viveu o Maio de 1968, andou pelo Brasil fugido de Faustina, uma compatriota por ele tomada de amores, e combateu em Moçambique, na Guerra Colonial. De regresso a Lisboa, sem trabalho, decide abrir um bordel, frequentado pela alta sociedade, onde conhece o futuro presidente do Partido. Por essa razão, decide entrar na política, sendo deputado durante várias legislaturas. Fora do Hemiciclo, faz negócios pouco transparentes com autarcas e chineses e inventa um creme de leite de burra que faz rejuvenescer as mulheres.

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