Napoleón v.s. Madame de Rémusat, obra do pintor húngaro Sándor Badacsonyi

La partida de ajedrez de Napoleón v.s. Madame de Rémusat, obra del pintor húngaro Sándor Badacsonyi. La posición del tablero corresponde al momento en que Napoleón mira para el otro lado después de dar el mate con 14.Dd3 a la bella dama desnuda.

La partie d’échecs de Napoléon V.S. Madame de rémusat, oeuvre du peintre hongrois sándor badacsonyi. La position du tableau correspond au moment où Napoléon regarde de l’autre côté après avoir donné le mat avec 14. D3 à la belle dame nue.

Épico de Gilgamês | Maria João Cantinho

Das melhores coisas que 2017 nos trouxe. Com tradução de Francisco Luís Parreira, uma excelente introdução e aparato crítico.
Considerado o mais antigo poema da humanidade (4000 anos), aqui se fala da lendária figura de Gilgames (noutras traduções aparece Gilgamesh) e da sua procura de imortalidade. Embora não seja a primeira tradução portuguesa – já há uma de Pedro Tamen, a partir de uma tradução inglesa de N. K. Sandars.

Maria João Cantinho

Retirado do Facebook | Mural de Maria João Cantinho

Independência de las Ramblas por supuesto — um caso pícaro | Carlos Matos Gomes

A declaração unilateral de independência da Catalunha de Espanha é uma sequência pícara. A literatura espanhola tem uma tradição de obras e autores pícaros, desde o clássico Lazarillo de Tormes, de sus fortunas y adversidades, de autor anónimo a La vida del Buscón, de Quevedo, de Alonso moço de muchos amos, de Jeronimo de Alcalá, ao D. Quijote, de Cervantes, a autores mais modernos como Alejandro Swa, cego e louco, que inspirou a figura de Max Estrella a Valle-Inclán, a Pedro Galvez. Puigdemont e a sua declaração de independência e de república das Ramblas acederam neste final de ano às glórias deste subgénero literário em que o protagonista, o pícaro, é quase sempre um humilde arrivista, um anti-herói, um anti-cavaleiro errante numa «epopeia de fome». Uma personagem que sobrevive graças aos enganos e vigarices e vive na ilusão de uma subida na escala social, o seu verdadeiro ideal.

A declaração de independência de Puigdemont a 27 de outubro de 2017, na sala do parlamento catalão, nas Ramblas, é um ato pícaro. Aproveitando a ocasião, os parlamentares presentes declararam também a fundação de uma «República Catalã independente». A cerimónia de apresentação urbi et orbidestas duas cruciais decisões decorreu, como foi possível ver nas reportagens televisivas, num ambiente de velório, com os libertadores da Catalunha e pais fundadores da República de facies de clandestinos, comprometidos, a beberem um copo de espumante, enquanto no exterior subia aos céus um fogo de artifício de arraial de pobre pueblo ao seu santo patrono.

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Discurso do índio Evo Morales Presidente da Bolívia aos Chefes de Estados da Europa colonizadora

EVO MORALES:
CARA A CARA COM OS COLONIZADORES ANTIGOS E ATUAIS DA AMÉRICA DO SUL em 22/12/2016

Discurso do Presidente da Bolivia
aos Chefes de Estados da Europa

“Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião. Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos. Aqui, pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.

O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.

O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens, ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamento e também posso reclamar juros.

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Um manifesto “luterano” para a economia | por Luiz Gonzaga Belluzzo

Inspirados na reforma de Martinho Lutero, o New Weather Institute e o Rethinking Economics propõem 33 teses para revolucionar o pensamento econômico.

É possível abalar os alicerces da ortodoxia econômica como Lutero abalou a Igreja Católica?

Na celebração dos 500 anos do repto lançado por Martinho Lutero à hierarquia da Igreja Católica, o New Weather Institute e o movimento Rethinking Economics, com o apoio de um largo espectro de economistas, acadêmicos e cidadãos, lançam um desafio ao ensino de economia baseada na visão dominante e convocam a mobilização por uma Nova Reforma consubstanciada nas 33 Teses para a Reforma da Economia.

O lançamento das Teses foi realizado no University College London em associação com a The Economists Society of University College London e o Institute for Innovation and Public Purpose.

Leia também:
A ortodoxia no divã

Participaram do lançamento, entre outros, Victoria Chick (UCL), David King (assessor científico do governo britânico), Andrew Simms (University of Sussex) e Kate Raworth (Oxford University).

Lei a seguir o manifesto:

33 teses para uma reforma da economia

O mundo enfrenta pobreza, desigualdade, crise ecológica e instabilidade financeira.

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Quem nos acode? | Engº João Azevedo | Professor do Instituto Superior Técnico | in Jornal “i”

Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia.

Caro leitor:

– Compraria para seu uso um automóvel integralmente fabricado por um engenheiro mecânico numa oficina do seu bairro?

– Viajaria numa companhia aérea não certificada?

– Concordaria que se vendesse carne sem um controlo das condições higiénicas do local de abate dos animais e do local de venda?

– Tomaria os medicamentos produzidos por um farmacêutico numa farmácia não certificada?

– Beberia água da rede pública de uma cidade onde aquela não fosse objeto permanente de análises que confirmassem a sua qualidade?

Não se incomode se ficou na dúvida da resposta que daria a alguma das questões porque coletivamente já todos decidimos que tais atos não são possíveis, a não ser em situações muito excecionais.

Todas essas atividades são regulamentadas e os processos de certificação e controlo da qualidade do que adquirimos ou utilizamos são há muito percebidos como necessários e assumidos como eficazes.

Agora pense se compraria ou alugaria uma casa para viver se a única garantia de segurança estrutural (em palavras simples, de que o teto não lhe cai em cima da cabeça) lhe fosse dada pelo engenheiro civil que assinou o projeto.

A resposta é simples na esmagadora maioria dos casos: Sim.

Efetivamente quase todos compramos ou alugamos casa apenas com base nessa garantia. Não só não existe, em geral, nenhum processo adicional de controlo de qualidade de que nos possamos valer, como ainda, a maioria das pessoas dá como adquirido que esse processo existe e que portanto todas as construções são, por natureza, seguras.

Tal sensação de segurança leva a que nos preocupemos com a qualidade e o padrão dos azulejos, com o tipo de madeira, com as loiças sanitárias, mas não com a segurança estrutural. Como sociedade, também instituímos, entre outras, a obrigatoriedade de certificação energética e de qualidade do ar, mas não manifestamos preocupação com a segurança estrutural.

Felizmente, no nosso país a engenharia civil sempre se regeu por padrões de qualidade que, se devidamente cumpridos, nos dão uma garantia implícita de segurança, pelo menos quando não existem fatores imprevisíveis.

Entre esses fatores, os sismos são dos que mais nos deveriam preocupar.

Infelizmente, são eles que, noutros locais, tornam evidente a diferença entre um bom e um mau projeto e construção e fazem também a diferença entre continuar a ter uma casa ou ser (ou já não ser) dono de um monte de destroços.

Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia. A bem de uma cultura de qualidade do que utilizamos, em que as construções não podem ser um ativo despiciente.

Quem nos acode?

João Azevedo

Professor do Instituto Superior Técnico

https://ionline.sapo.pt/593019

Au nom de tous les seins | Taous Ait Mesghat | Sétif – Algérie

Tu ne sais pas ce que ça fait quand un sein durcit sous la caresse de tes doigts , non tu ne sais pas ….
Tu ne connais pas cette sensation divine quand un téton pointe pour toi , non tu ne connais pas …
Tes lèvres assoiffées de plaisir n’ont jamais goûté à la douceur de la soie , non elles ne l’ont pas …
Ton regard ignore la splendeur d’un galbe arrondi qui s’offre à toi , non il ne connait pas ….
Aucune femme amoureuse n’a frémi de désir sous l’emprise de tes bras , non je ne le pense pas …..
Pauvre diable que la chair renie et qui vient se venger sur moi , Vénus en pierre qui ne se défend pas ….
Moi femme fontaine qui te rappelle ton pitoyable état , toi homme aride qui ne suscite aucun émoi ….
Moi arrogante de beauté dans la chaleur et le froid , toi mesquin de laideur dans ta rage de forçat ….
Crois tu que sous tes coups barbares tu me tueras ? Penses tu qu’en me brisant la femme mourra ?
Sous d’autres mains d’artistes ma poitrine renaîtra , mon visage sourira et la femme vibrera .
À nous l’extase de l’amour et la joie ; à toi la torture de la haine et l’effroi .
Je suis la vie , Ain Fouara.

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Lettre de Ludwig van Beethoven à l’immortelle Bien-aimée in “Des Lettres”

Notre amour n’est-il pas une véritable demeure céleste ?

L’allemand Ludwig Van Beethoven, né le 17 décembre 1770 et décédé le 26 mars 1827, précurseur du romantisme dans la musique, est le compositeur de multiples symphonies, concertos et sonates. Mais outre  la trace importante qu’il a laissée dans la création musicale en occident, il fut aussi un amant passionné : celui dont Haydn dit qu’il est « un homme qui a plusieurs têtes, plusieurs cœurs, plusieurs âmes » écrit ces trois lettres enflammées à quelques heures d’intervalle, adressée à une femme inconnue, mais dont il semble très épris.

6 et 7 juillet 1812

Le 6 juillet dans la matinée

Mon ange, mon tout, mon moi. – Aujourd’hui quelques mots seulement, et même au crayon (le tien). – Ce n’est que jusqu’à demain que j’ai une demeure ; quelle fâcheuse perte de temps que tout cela. Pourquoi ce profond chagrin, quand la nécessité se prononce – Notre amour peut-il exister ailleurs que dans l’immolation, dans le renoncement à tout avoir ? Peux-tu y changer quelque chose, au fait que tu ne m’appartiens pas tout entière, que je suis pas entièrement à toi ? – Ah ! mon Dieu, que ton regard s’étende à la belle nature et que ton âme y trouve la quiétude puisqu’il faut que ce soit – L’amour exige tout et il a bien raison. Ainsi en est-il de moi avec toi et de toi avec moi – mais tu oublies trop à la légère que tu dois vivre pour moi et pour toi. Si nous étions complètement unis, tu n’éprouverais pas, ni moi non plus, ce sentiment douloureux – […] Aujourd’hui non plus je ne puis te faire part des observations que j’ai faites sur ma vie durant ces derniers jours – Si nos coeur étaient toujours étroitement liés l’un à l’autre, je n’irais certes pas nourrir de pareilles pensées. Mon serin est rempli de tant de choses à te dire – Hélas ! – il y a des moments où je trouve que le langage n’est encore absolument rien – Rassérène-toi – demeure mon cher, mon unique trésor, mon tout comme je le suis pour toi. Le reste, ce sont les cieux qui doivent nous l’envoyer, quelle que doive être et sera notre destinée –

Ton fidèle

LUDWIG

Lundi soir, 6 juillet

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Gente Lusitana | Paulo Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

Cornucópia rosada
de carne palpitante…
com neurónios, comandada
puro arbítrio, caminhante…
Permeável,
errante…
de louca, saudável…
humana,
impura,
insaciável…
A sina de vegetar
no plástico colorido…
sonho
de fermentar,
coração desabrido…
existência singela
tic-tac, tic-tac
imaginação
arrepio
frustração,
solslaio trôpego
de brio…
espiral,
depressão…
Canto mudo,
epopeia vertiginosa,
papel representado,
entrudo assolapado,
efémero carnaval
que se replica…
movediço
ritual
passeio de triste
que ri,
que resiste,…
falsete
de glória refinada,
faísca que levita
folclore cosmopolita,
conto de fada,…
festa ensombrada
sob a nuvem
de uma história que emociona…
vida traçada,
remela empoeirada,
susto,
calhandro
que fervilha,
robusto…
dança destemperada,
silêncio,
batucada,
ritmo que saliva
na estrada
ofegante…
Povo que lavas no Rio,
com a cabeça entre as orelhas,
Sangue vivo, sempre em desafio,
Obediente Balhelhas…

José Afonso | Canção Longe

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
mai la manga da camisa
e dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar