As mulheres | Quadro de Pablo Picasso | 8 de Março, Dia Internacional da Mulher | Paulo Fonseca

Pensamento do dia : Com << As mulheres>> de Picasso e com os números de mortas como punhais que envergonham, declamo sangrando às mulheres do mundo, em celebração do seu (nosso) dia …


Voo de pássaro rasante,
epopeia heróica
hino de glória
canto de boa memória
seiva de vida
estóica.
Louca acendalha de fogo
és a ópera da boa esperança…
Bojadora,
que enfrenta as tormentas
e todas as horas de pranto….
fogueira que aquece os famintos….
Graça que abraça…
os enfermos
instintos….
Esperteza que desperta os amados…
musa que inspira os fados
diferentes….
Mulher,
dia como outro qualquer…
canto-te devoto
À mãe, à filha, à mulher….
a outra mãe qualquer,
em respeito….
pra alavancar o efeito
tão leve…
tão breve….
Saúdo as Mulheres,
em gratidão,
Sou um homem que olha de igual…
para cima,
para a dimensão….
para dentro,
para o coração…
para a mulher,
a revolução…..
Sempre desperta,
sempre em alerta….
almofada
humanidade
fada
humidade
desejo
alvor de caridade….
colo que encanta
de vida….
Mulher,
a quem devo quem sou,
altar
da eternidade…
bombom….
Deusa do amor
coragem,….
intrépida ternura
Esplendor !….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Pensamento do dia : Saúdo as diligências do Papa Francisco | Paulo Fonseca

Saúdo as diligências do Papa Francisco, mais uma vez a colocar o dedo na ferida, com coragem, assumindo um feroz combate ao maior nojo de que padece a raça humana, do qual não se exclui a Igreja.
Violações sexuais e, por maioria de razão pedofilia, são crimes hediondos que precisamos combater com determinação, por imperativo de consciência e por dever de cidadania.
A Igreja não escapa a este nojo civilizacional e precisa reformar-se, na penalização adequada, que castigue culpados e iniba tentações que, com propriedade, emanam do diabo.

Importa ainda referir algumas notas ….

1. Esta imposição do celibato na igreja é hoje um absurdo. Na verdade a Igreja tem um papel fundamental na sociedade e os seus membros são homens e mulheres como os outros. Impor-lhes o celibato como se fossem extraterrestres é desafiar o diabo a corromper o domínio de Deus…. Qual é o problema se um dia destes os padres, por exemplo, puderem casar e ter filhos e, nesse formato humano, continuarem a proclamar o bem em nome da religião que professam ? Na minha opinião, essa liberdade melhoraria, em muito, o papel dos membros da igreja e o resultado espiritual do seu trabalho. Por exemplo, não tenho dúvidas que aumentariam quer o número de membros do clero, quer a adesão de fiéis na comunhão dessa normalidade.
A Igreja impõe o celibato desde 1059 por razões que se prendiam com a defesa do património da instituição. Todavia, nada justifica hoje a manutenção dessa imposição que deverá passar a ser facultativa…. com urgência.

2. Se a Igreja impõe o celibato, deduzo eu que tal deveria aplicar-se a opções homossexuais e a opções heterossexuais. Não consigo compreender como se disserta, quase em êxtase, sobre as estatísticas da opção homossexual no seio da Igreja, como se esta fosse a opção proibida…. Mas o celibato não se refere ao desejo, à variedade de opções de cada um ? Então porque não se fala e escreve acerca da opção heterossexual de cada um ?
Ainda recentemente foi editado um livro que conclui por uma determinada percentagem, elevada, de homossexuais na Igreja Católica…deduzindo assim que os restantes seriam heterossexuais e portanto cumpririam os preceitos da instituição.
Na verdade, os homens e mulheres, pela simples razão de o serem, têm sentimentos, desejos, emoções, amores…e nada prejudica mais uma instituição do que castrar essa dimensão Humana, afinal de contas, a principal riqueza da mesma instituição. Se piorarmos a situação, classificando as pessoas com rótulos inaceitáveis à luz do século em que vivemos, só podemos concluir que estamos no mau caminho….

3. A Igreja, tal como acima refiro, tem um papel fundamental na sociedade. É precisa, útil e incontornável. Mesmo aqueles que assumem uma rebeldia exibicionista, se tiverem a grandeza de reflectir um pouco, irão perceber que este lubrificante dos humanos é a razão que permite o funcionamento do motor da humanidade. Não sejamos hipócritas. Respeitemos e sejamos contributivos no sentido de encontrar o melhor desempenho para a humanidade….seja nos momentos de fé, nos momentos de dúvida ou nos momentos de descrença … Porque apreender o Humanismo, e difundi-lo, vai muito para além de convicções domésticas ou de dogmas sem sentido.

4. Uma homenagem final ao Papa Francisco, esse revolucionário que tanto tem cultivado os princípios da grandeza Humana.

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Madrugada | Paulo Fonseca

Refém 
da desordem tresloucada…
ergonomia do caos,
cristal assolapado,
vínculo quebrado
que alui
num fado…
foguetório,
desdém sem retorno,
fundida luminária,
império prostrado
no colo da alimária
média…
Tanto amor vingou,
tanta história se levantou
da magna pátria…
Cantos,
epopeias,
sonhos,
raízes que rasgaram o ventre
da terra mãe
…e floriram…
Flores
seduziram
amores….
Sol
e chuva
e olhos chorados
emoção incontida
sorriso,
gargalhada,
arrepio,
volúpia apaixonada…
poros
de pele,
erectos,
comovidos,
multidão,
corações acelerados,
batendo,
dilacerados…
tombo
de caule que murcha…
voo
de gume afiado…
rasante
que corta,
agride,
amassa…
punhal selectivo
destrutivo…
erva daninha
definha
o meu ser
Portugal…
louca,
loucura
nação valente
acorda…
sonha de novo,
agita este Povo,
acende o futuro
destrói a erva daninha…
muda o feitio,
desafio,
para cantar
outra vez…

 

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

DE PÉ | Paulo Fonseca

AInda daí.
Anda
cuidar do sonho
e dele fazer embondeiro….
Anda…
vamos
nas ondas do mar,
na terna picada da vida….
Emoções em primeiro.
Anda daí….
Vamos a toque de abraços,
vamos… de carreiro em carreiro….
Vamos…
de liana em liana,
voando
com a vida na mão
fechada na alma…
Vamos….
Não saram as crostas nas costas,
não selam as gretas nos pés,
não dormem as chagas do mal….
Ainda assim, vamos….
Fervem os sangues, intrépidos…
Cantam os hinos da vida…
Pulsam carrilhões de desejo….
Vamos,
anda daí….
vamos detonar o enxofre…
vamos plantar o jardim….
de flores….
de louvores
e de outros carinhos….
Vamos,
fazer dos carreiros,
caminhos….
Vamos….
navegar….
e cantar
os Amores….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

O mundo teve um sonho … | Paulo Fonseca, 04 Abril 2018

Faz hoje 50 anos que o mundo teve um sonho….
e faz hoje 50 anos que morreu a inspiração desse sonho….
e faz hoje,
(todos os dias faz…..)
faz hoje anos 
que morreu Martin Luther King,
Cinquenta anos
tão curtos
que não chegaram pr’a sonhar….
apesar de mil sonhos
que pudemos trautear.
Cinquenta anos de sonhos
que não pudemos sonhar….
Cinquenta anos de sonhos
que é preciso semear….
Se fosse vivo,
Luther King
teria uma campanha jornalística
a descobrir
e publicar
que ressonava,
ou fungava,
ou chorava,
ou mijava….
Certamente seria menos
que o infinito
que Foi….
Se fosse vivo….
certamente descobririam
que foi preto,
que seria religioso,
que seria defeituoso,
que teria ligações,
que viveria aos encontrões….
Como está vivo,
disfarçado de morto,
Luther King
foge aos holofotes
e deixa-os aos pinotes
de saudade….
de puberdade
nos valores….
Há pessoas
que têm o condão de abanar….
de acender o avançar….
de olhar nos olhos do mundo,
num clamor,
e fecundar….
o Amor….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Histórias da História | Paulo Fonseca

Histórias de luta e de afecto 
e de vidas em directo.
Longa lista leva já,
a história da humanidade …
mártires,
guerreiros,
heróis,
ternos da liberdade 

voz dos simples,
batutas de luz
contra as pautas da injustiça …
também ingenuidade
de criança,
de noviça …
Poetas do sonho
que fez mudar o mundo
enfadonho.
imundo …
Jesus Cristo,
Madre Teresa,
Mandela,
Che Guevara,
Luther King,
Xanana,
Mandala,
Gandhi,
Pepe Mujica,
Salgueiro Maia,
Gorbatchov e
agora Lula …
lavradores do afecto,
verbo e complemento directo,
todos mal tratados
na horta que semearam …
suor bento
que corre de emoção
hino triunfal da devoção
aos outros,
ao mundo,
ao coração …

Paulo Fonseca

Capitães da Areia | Paulo Fonseca nas Filipinas, em Borakay.

Estive agora com Deus….
Estava imponente,
no limiar de um rochedo curvilíneo….
Sua graça transbordava doçura.
Derramou Divindade
em canivetes salgados
que rebentam diariamente na areia….
Cantou epopeias aos ventos….
Fez-me transbordar de emoção.
Mil rouxinóis melados
largam pegadas de azáfama
no carrocel da míngua.
Deus apontou-lhes o dedo,
apadrinhando a sinfonia…
Transbordo trôpego
na plateia das vidas,
destas aves perdidas.
Foi Deus que apontou o caminho….
Estrada da emoção,
não tem nada que enganar…
Petizes,
felizes,
na primavera da vida…
Não aprenderam,
ainda,
o inverno da morte….
da tortura,
má sorte….
ser parido
em favela,
em bote…
Sorrisos, ingénuos,
fervilham…
A fome
que dói,
não existe…
Tão triste…
Chilream
produtos de sonho….
esculturas,
pulseiras,
mergulhos,
entulhos medonhos….
Tanta esperança Divina
corre nesta vida varina….
Preferem dinheiro ou comer ?
<<eat is better, sir>>….
Ah….
afinal o sorriso é um papel….
uma força heróica
de mel….
Dentes de leite
aguçam
de anseio…
Sentem-se e comam.
<<You choose>>….
Oh…
<<We choose sir ?>>
<<Yes, you choose>>….
Festa na areia,
Capitães em sentido…
Comer….
Bocas pequenas
salivam sonhos de vida…
Ai Deus….
Milhões de petizes
riem
por não saberem chorar…
Milhões de corações
arrefecem
por não saberem amar…
Milhões de sorrisos
aquecem
por conhecerem o mar….
e os sonhos,
sentidos,
contidos….
Ameias do curral,
ao luar….
Oh Deus imponente,
rezo sorridente…
Alma ardente
te venera,
na espera….
bocas parecem rir….
a carpir….
Oh Deus,
emocionei-me e chorei….
a sorrir….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Gente Lusitana | Paulo Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

Cornucópia rosada
de carne palpitante…
com neurónios, comandada
puro arbítrio, caminhante…
Permeável,
errante…
de louca, saudável…
humana,
impura,
insaciável…
A sina de vegetar
no plástico colorido…
sonho
de fermentar,
coração desabrido…
existência singela
tic-tac, tic-tac
imaginação
arrepio
frustração,
solslaio trôpego
de brio…
espiral,
depressão…
Canto mudo,
epopeia vertiginosa,
papel representado,
entrudo assolapado,
efémero carnaval
que se replica…
movediço
ritual
passeio de triste
que ri,
que resiste,…
falsete
de glória refinada,
faísca que levita
folclore cosmopolita,
conto de fada,…
festa ensombrada
sob a nuvem
de uma história que emociona…
vida traçada,
remela empoeirada,
susto,
calhandro
que fervilha,
robusto…
dança destemperada,
silêncio,
batucada,
ritmo que saliva
na estrada
ofegante…
Povo que lavas no Rio,
com a cabeça entre as orelhas,
Sangue vivo, sempre em desafio,
Obediente Balhelhas…