Inéditos de Mário Laginha em homenagem a José Saramago e Fernando Pessoa

No dia 18 de Novembro de 2015, na companhia de Alexandre Frazão e Bernardo Moreira, o pianista Mário Laginha subiu ao palco do Pequeno Auditório do CCB para um concerto que tinha como título “A Biblioteca dos Músicos” e que integrava a programação dos Dias do Desassossego’15.

Continuar a ler

A Viagem do Elefante – na Fundação José Saramago

A-Viagem-Do-Elefante_cvt_js

Na próxima quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 18:30, será apresentado no auditório da Fundação José Saramago o livro A Viagem do Elefante em banda desenhada, um trabalho de João Amaral inspirado na obra homónima de José Saramago.

A apresentação deste álbum ficará a cargo de Pilar del Río, que no prefácio da obra escreveu: «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso.»

Leia mais aqui.

A Viagem do Elefante – em BD

A_Viagem_Elefante_JSJosé Saramago em BD
João Amaral adapta para banda desenhada A Viagem do Elefante.
No dia 21 de novembro, a Porto Editora publica um livro surpreendente: A Viagem do Elefante, romance de José Saramago, adaptado para banda desenhada por João Amaral. Resultado de um trabalho de quase três anos, este livro, que tem a particularidade de ser narrado pelo Nobel português, relata a viagem do elefante Salomão, um presente do rei D. João III para o arquiduque Maximiliano da Áustria, de Lisboa até Viena, guiado pelo indiano Subhro.
Como diz Pilar del Río, no prefácio que escreveu para este livro, «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso».

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

A_Viagem_Elefante2_JS

A maior flor do mundo, de José Saramago

a maior flor

Porto Editora publica A maior flor do mundo, de José Saramago.

A maior flor do mundo, livro para crianças de José Saramago, publicado originalmente em 2001, termina com uma questão: se as histórias para crianças fossem de leitura obrigatória para os adultos, seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? Porque esta é, sem dúvida, uma obra sublime e de leitura obrigatória, a Porto Editora publica uma nova edição deste livro, com as ilustrações originais (e premiadas) de João Caetano, já disponível nas livrarias.

Em A maior flor do mundo, Saramago estabelece um imaginativo jogo com o leitor, transformando-se em personagem. Começa assim: «As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas.

Continuar a ler

Lanzarote em Lisboa

LanzaroteAjanelaDeSaramagoLisboa

Livro e exposição Lanzarote – A Janela de Saramago apresentados esta sexta-feira.

A 30 de maio, às 18:30, na sede do Camões-IP (Av. Liberdade, 270), será apresentado o livro Lanzarote – A Janela de Saramago, de João Francisco Vilhena e José Saramago, e inaugurada a exposição de fotografia com o mesmo nome. Esta sessão contará com a presença de Pedro San Ginés Gutiérrez, Presidente do Cabildo de Lanzarote, Catarina Vaz Pinto, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, e de Pilar del Río, Presidente da Fundação José Saramago.

«Um súbito pensamento: será Lanzarote, nesta altura da vida, a Azinhaga recuperada?», questionava José Saramago nos seus Cadernos de Lanzarote. Em 1992, o escritor decidia mudar-se com Pilar del Río para essa ilha das Canárias, um local rodeado por vulcões onde encontrou a tranquilidade que procurava e onde ergueu a sua Casa e a sua Biblioteca. Há quinze anos, após o anúncio a atribuição do Prémio Nobel, recebeu o fotógrafo João Francisco Vilhena para um passeio de que resultariam fotografias surpreendentes, expostas em dezembro desse ano em Estocolmo, e agora reunidas no livro Lanzarote – A Janela de Saramago, que a Porto Editora publicou há poucos dias. Neste livro, as fotografias jogam em harmonia com os textos de José Saramago, presentes nos Cadernos de Lanzarote, sobre a terra, a paisagem, a vida: reflexões do Nobel português sobre os temas que o marcavam. Uma combinação que resulta num livro único.

O bom e o mau ladrão

publico_fotoO Evangelho segundo Jesus Cristo, de 1991, abre com a descrição da cena do Calvário. O autor observa um quadro.

O primeiro personagem é o bom ladrão, de caracóis louros (como os anjos), semblante arrependido e sofrido. Saramago reconhece-lhe “uma dor que não remite”. Mais “retíssimo” será o mau ladrão, esse a quem o autor reconhece um “sofrimento agónico” e, portanto, mais puro, isento da trapaça de “fingir acreditar, a coberto de leis divinas e humanas, que um minuto de arrependimento basta para resgatar uma vida inteira de maldade”. A escrita de Saramago reveste-se deste olhar lúcido, um olhar que percorre, que perscruta o interior da alma humana e por vezes se detém num pensamento, para de seguida retomar o seu caminho. Parágrafos extensos que se demoram, presos à ideia que vão expondo, como se fossem adivinhando o fascínio que despertam no leitor.

Como narrador, Saramago aproxima-se da postura deste mau ladrão, sendo que, entre o bom e mau, “não há nenhuma diferença… pois o Bem e o Mal não existem em si mesmos, cada um deles é somente a ausência do outro.”

“Deus na obra de Saramago” é o primeiro tema para as Tertúlias de Lisboa.

A dimensão literária de Deus em Saramago

Anes_Munir

As Tertúlias de Lisboa têm a honra e o privilégio de receber, no dia 12 de Outubro na Ler Devagar, o Sheikh David Munir e o professor José Manuel Anes para a sua sessão inaugural.

Os nossos dois convidados são crentes, ambos acreditam no Deus de Abraão, aquele que se deu a revelar nos primeiros cinco livros, fundadores das grandes religiões do Livro Sagrado. Saramago era ateu.

No entanto, a presença de Deus na obra de Saramago é inegável. Um Deus pessoal, dotado de características físicas e humores humanos. Um Deus a quem Saramago retirou a mão esquerda (no Memorial do Convento), ou emergiu numa crise existencial, como em Caím. Não sendo possível olharmos Deus no seu esplendor e glória, Saramago deu-lhe um rosto, criou-lhe uma dimensão literária e humana, segundo a tradição iconográfica católica. Podemos então dizer que Saramago era ateu de um Deus católico?

Esta dimensão literária de Deus é perfeitamente alheia ao Islão, cuja representação do sagrado ou do Profeta estão proibidas. A obra de Saramago gerou polémica entre a comunidade católica e passou incólume na comunidade islâmica.

Deus na obra de Saramago é o ponto de partida para a nossa primeira tertúlia. Seguramente, o cálice transbordará.

Acompanhe tudo aqui

 

A dimensão de Deus

Diálogo entre Deus e Caim. Deus interpela Caim:

“Que sabes tu do coração de job, Nada, mas sei tudo do meu e alguma coisa do teu, respondeu caim, Não creio, os deuses são como poços sem fundo, se te debruçares neles nem mesmo a tua imagem conseguirás ver, Com o tempo todos os poços acabam por secar, a tua hora também há-de chegar. O senhor não respondeu, mas olhou fixamente caim e disse, O teu sinal na testa está maior, parece um sol negro a levantar-se do horizonte dos olhos, Bravo, exclamou caim batendo as palmas, não sabia que fosses dado à poesia, É o que eu digo, não sabes nada de mim. Com esta magoada declaração deus afastou-se e, mais discretamente que à chegada, sumiu-se noutra dimensão.”

Caim, de José Saramago

As diversas dimensões onde Deus se some são um mistério para os homens.

Mais aqui, em breve.

José e Pilar, um filme de Miguel Gonçalves Mendes

 Este filme acompanha o dia-a-dia do casal José Saramago e Pilar del Rio, mostrando-nos o processo criativo do livro a “A Viagem do Elefante”. Momentos do cotidiano, ponteados pelas reflexões de José Saramago, enquanto Pilar, como uma abelhinha, vai cuidando do dia-a-dia do casal, da agenda de Saramago e do próprio Saramago.

Existe uma forte união entre os dois, sem que um apague o outro. Disso mesmo nos dá conta o filme, mostrando Pilar nas suas próprias iniciativas, em diversas conferências e presenças na comunicação social.

Continuar a ler

O Cidadão Lúcido em Vez do Consumidor Irracional | José Saramago

publico_foto

Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.

 

José Saramago

 

1994 – Cadernos de Lanzarote

 

Vandalismo na Casa dos Bicos‏

Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição de Memorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.

Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.

fotografia(132)

Lanzarote homenageia José Saramago com uma oliveira de aço numa rotunda

saramago rotonda 1

Lanzarote vai homenagear o filho adotivo José Saramago com uma escultura de quase cinco metros em aço, a colocar na rotunda que dá acesso ao complexo da Casa e da Biblioteca do escritor, em Tías, no dia 18 de março, segundo aniversário da abertura deste espaço ao público.

A escultura, da autoria de José Perdomo a partir de um desenho de Esther Viña, ambos de Lanzarote, representa uma oliveira feita com as letras iniciais de José Saramago – o tronco é um jota, os ramos são esses. Foi apresentada publicamente no dia 25, numa sessão em que estiveram presentes a conselheira de Cultura doHoverno das Canárias, Inés Rojas, o presidente do Cabildo de Lanzarote, Pedro san Ginés, o presidente da câmara municipal de Tías, Francisco Hernández, e a presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río.

A conselheira da Cultura sublinhou que a iniciativa tem o objetivo de deixar um testemunho da permanência de José Saramago em Lanzarote, onde se instalou em 1993, repartindo a presença na ilha com as sucessivas estadas em Lisboa. Foi em Lanzarote que escreveu o Ensaio sobre a Cegueira (1995) e todas as obras que se seguiram.

O presidente do Cabildo reconheceu que Lanzarote “nunca poderá pagar” a Saramago o facto de se ter apaixonado pela ilha e de ter decidido ali viver. “Mas podemos agradecer-lhe e esta é uma maneira de fazê-lo”.

Os representantes das instituições que se juntaram nesta homenagem a Saramago pertencem a diferentes partidos, como sublinhou na ocasião Pilar del Río que destacou que o facto de se terem sentado à mesma mesa pela cultura “integra-se no espírito de Saramago”.

Pilar del Río recordou a influência que Lanzarote e a sua paisagem tiveram na obra do escritor português, como é possível verificar no texto A estátua e a pedra – que a Fundação José Saramago publicará nos próximos meses. Nesse texto, Saramago explica que o contacto com a ilha o levou a alterar o seu estilo e a forma de ver as coisas – passou a interessar-lhe mais a pedra e a sua matéria do que a estátua.

Nadine Gordimer dá voz a “O Centauro” de José Saramago

“I’m Nadine Gordimer and I’m going to read a story of the great José Saramago”: assim começa a leitura do conto “O Centauro”, incluída no livro “Objecto Quase” (1978), hoje publicada na série de short stories da versão online do jornal britânico The Guardian.

Esta gravação faz parte da série de contos escolhidos por grandes escritores que o The Guardian está a publicar desde o dia 21.

Nadine Gordimer considera que este texto é “uma fábula extraordinária”, que fala de “uma criatura imaginária, algo que é maior e melhor e diferente de um homem”. “Este é o sonho de uma criatura que é metade cavalo, metade homem, com a força física de um cavalo e a complexidade mental de um homem”,  e que aborda o conflito entre a mente e o corpo”.

A série de contos que o The Guardian publica nas semanas de Natal e Ano Novo começou com a leitura, por Zadie Smith, de “Umberto Buti” de Giuseppe Pontiggia. Seguiram-se Richard Ford a ler “The Student’s Wife”, de Raymond Carver, RuthRendell com a leitura de “Canon Alberic’s Scrapbook” de M.R.James e, ontem, Simon Callow com “A Árvore de Natal” de Charles Dickens.

Prémio Nobel da Literatura em 1991, a escritora sul-africana nasceu em Joanesburgo em 1923 e é autora de “Um mundo de estranhos”, “A história do meu filho” e “O fim dos anos burgueses”, entre outros romances.

Nadine Gordimer e José Saramago foram amigos, cruzaram-se em diversos continentes em conferências e apresentações de livros um do outro. Estiverem presentes ambos em 2001 no centenário do Prémio Nobel, em Estocolmo. Saramago participou num livro organizado por Gordimer a favor da luta contra a Sida na África do Sul e no mundo.

Nadine Gordimer