Gonçalo M. Tavares | O Amor não Rende Juros

 

 

 

 

 

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É verdade «que um baixo amor os fortes enfraquece»
mas também o grande amor torna ridículos os grandes,
pois o amor é, em energia material sobre o mundo, um roubo— apesar de, em sensações, ser magnífico. 0 amor será útil internamente,
mas externamente não carrega um tijolo.
Disso nunca tive dúvidas.

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A vida, é certo, não será um sítio excepcional para as paixões.
Nos países humanos, o amor mistura-se muito
com palavras equívocas.
0 fogo que existe numa lareira, por exemplo,
é um fogo servil, cultural, educado.
Uma coisa vermelha, mas mansa,
que nos obedece.
Só é natureza, o fogo na lareira,
quando, vingando-se, provoca um incêndio.
E o amor assim funciona. Mas é preferível o contrário.

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É desarranjo de estratégias e planos,
surpresa ritmada, uma ilegalidade exaltante que não prejudica
os vizinhos.
Mas atenção, de novo: o amor não faz bem aos países,
não desenvolve as suas indústrias, nem a economia.
Disso nunca tive dúvidas. E por isso é preferível não.

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No entanto, qual é o país que pode impedir que o amor
entre? Não é mercadoria traficada em caixas,
que as caixas são objectos que se abrem ao meio
— e é possivel, com uma lanterna, olhar lá para dentro.

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0 amor não se vê como
se fosse uma presença.
É demasiado completo
para ter uma forma. E como jamais
se conseguiram obter juros de uma coisa
que não ocupa espaço, é preferível não,
parece-me.

Gonçalo M. Tavares, in “Uma Viagem à Índia”

Os Rothschild não são menos corruptos que os Espírito Santo! | Carlos Matos Gomes in Blog ” Medium”

Ontem estive na SIC Notícias a falar sobre o 25 de Abril e a reedição do meu romance Nó Cego. Isto porque a questão colonial e a guerra foram a causa profunda do 25 de Abril e do derrube de um regime assente na exploração colonial e no domínio policial da população. Em 25 de Abril esse regime chegou ao seu fim, para ser substituído por um regime de normalidade democrática europeia, não colonialista, de economia liberal e com um sistema político de democracia parlamentar.

Surgem no ecrã do estúdio as reportagens a acompanhar o noticiário — uma delas o jantar comemorativo organizado pela Associação 25 de Abril e duas entrevistas a dois dos meus camaradas e amigos, Otelo e Vasco Lourenço. Pergunta: qual é a principal falha do regime que vivemos hoje, 44 anos após o 25 de Abril. Resposta de ambos: a corrupção! Pergunta-me a jornalista Teresa Dimas: Concorda que a corrupção é o principal problema de Portugal 44 anos após o 25 de Abril?

Não. Não concordo e por várias razões.

A corrupção não é devida à instauração do regime democrático. O Estado Novo era um regime baseado na corrupção: O condicionamento industrial assentava na corrupção. Foi a corrupção, a corrupção de estado, que possibilitou a emergência das sete ou oito famílias donas de tudo isto. Melos, Champalimaud, Espirito Santo, Vinhas, Cupertino…

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Mia Couto | Dois poemas: Para Ti e Pergunta-me

Mia Couto | Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do semprePara ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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Três magníficos poemas de Guimarães Rosa

Gargalhada

Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias…
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo…

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O olho e a mão | Ana Marques Gastão e Sérgio Nazar David

O belíssimo «O olho e a mão», escrito a duas mãos por Sérgio Nazar David e Ana Marques Gastão, publicado pela editora 7 letras. É um diálogo, não apenas entre os poetas, mas também entre a poesia e a pintura, celebrando essa relação íntima e sensível entre as artes.

 

Maria Cantinho

Retirado do Facebook | Mural de Maria Cantinho

25 de Abril de 1974 | Capitão Salgueiro Maia

25 avril 1974 | La Révolution
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C’est l’aube à laquelle je m’attendais
La journée initiale entier et propre
Où nous sommes sortis de la nuit et du silence
Et libre nous habitons la substance du temps
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Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
——————-
Sophia de Mello Breyner Andresen

CÃMARA MUNICIPAL DE ALCANENA | NOTA DE IMPRENSA | Resposta ao/s Requerimentos Apresentados Referentes à Reposição da Diferença Remuneratória

Câmara Municipal de Alcanena

Serviço de Comunicação, Protocolo e Relações Externas

NOTA DE IMPRENSA

Resposta ao/s requerimentos apresentados referentes à reposição da diferença remuneratória (40 para 35 horas)

No seguimento dos requerimentos apresentados por alguns trabalhadores do Município e entregues pela Comissão Sindical em representação dos mesmos, em 4 de setembro de 2017 ao Município de Alcanena, vem a Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira, prestar esclarecimentos, com base em consulta jurídica solicitada, com apreciação complementar, no sentido de se verificar do fundamento da pretensão apresentada.

A discussão do assunto em apreço é recorrente, tendo inclusivamente sido suscitado pelo Sindicato interveniente na providência cautelar interposta contra este Município em outubro de 2013, que correu sob o n.º 1316/13.1BELRA junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria. Sendo que o STAL veio, a propósito e por efeito das alterações introduzidas pela Lei n.º 68/2013, de 29 de agosto, “requerer a suspensão da eficácia da decisão da entidade requerida que alterou o horário de trabalho dos associados do STAL e que determinou que estes trabalhassem mais 1 hora por dia.”

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A amizade | Marguerite Yourcenar

Acredito que a amizade, como o amor do qual participa, exige quase tanta arte como uma figura de dança bem conseguida. É preciso um grande entusiasmo e uma grande contenção, muitas trocas de palavras e muitos silêncios. E, sobretudo, muito respeito. O sentimento da liberdade do outro, da dignidade do outro, a aceitação, sem ilusões, mas também sem a menor hostilidade ou o mínimo desprezo, de um ser tal como ele é.

Marguerite Yourcenar

in De olhos abertos

Dia Mundial do Livro | Maria Isabel Fidalgo

Dedico ao meu olhar o livro 
pejado de ruas onde me passeio
e me sinto resvalar por atalhos e vielas
mapas de mundos abertos
para a lucidez das janelas.
Meu amigo fiel e companheiro
no livro busco o que não tenho
nas horas incompletas:
o outro olhar das coisas
o ser e o sentir
o ver que me não cegue
para a poeira das horas
para o abismo crepuscular
para a surdez da névoa
para o patamar estagnado
do sossego.
Dedico o meu olhar às linhas
que trazem o rumor dos astros
e o silêncio triste dos aflitos
e quanto mais as leio
mais as sinto tremeluzir
numa carícia de água
donde jorram as fontes.

maria isabel fidalgo

DiEM25 | Yanis Varoufakis desce a Avenida da Liberdade no 25 de Abril

Ex-ministro das Finanças grego lançou movimento pan-europeu DiEM25

No dia 25 de Abril, o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis fará a tradicional descida da Avenida da Liberdade para assinalar os 44 anos da revolução portuguesa. Além do movimento pan-europeu DiEM25, fundado por Varoufakis, também o Géneration.s, liderado pelo francês Benoît Hamon, o Alternativet, da Dinamarca, o Bündnis – DiEM25, da Alemanha, o DeMA, de Itália, e o Razem, da Polónia, participarão no desfile.

O grego DiEM25 e o português LIVRE estão a construir juntos uma espécie de lista pan-europeia para concorrer às eleições europeias de 2019. Por essa razão, dirigentes do LIVRE e de outros movimentos estiveram recentemente em Nápoles a debater soluções para combater a emergência do “nacional-populismo e o marasmo” da União Europeia.

No dia a seguir ao desfile, pelas 9h30, inicia-se na Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, a segunda reunião do Conselho para a Lista Transnacional (a primeira foi a de Nápoles), após a qual, às 18h30, haverá uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados do debate, bem como o “nome do movimento, o conteúdo do código de ética que os candidatos da lista terão de seguir e os progressos feitos a nível de programa eleitoral comum”, como se lê num comunicado enviado pelo LIVRE às redacções.

https://www.publico.pt/2018/04/23/politica/noticia/yanis-varoufakis-desce-a-avenida-da-liberdade-no-25-de-abril-1811433

The 50 Greatest Books | Dia Mundial do Livro

This list is generated from 116 “best of” book lists from a variety of great sources. An algorithm is used to create a master list based on how many lists a particular book appears on. Some lists count more than others. I generally trust “best of all time” lists voted by authors and experts over user-generated lists. On the lists that are actually ranked, the book that is 1st counts a lot more than the book that’s 100th. 

http://thegreatestbooks.org

1 . In Search of Lost Time by Marcel Proust

Image of In Search of Lost Time

Swann’s Way, the first part of A la recherche de temps perdu, Marcel Proust’s seven-part cycle, was published in 1913. In it, Proust introduces the themes that run through the entire work. The narr…

2 . Don Quixote by Miguel de Cervantes

Image of Don Quixote

Alonso Quixano, a retired country gentleman in his fifties, lives in an unnamed section of La Mancha with his niece and a housekeeper. He has become obsessed with books of chivalry, and believes th…

3 . Ulysses by James Joyce

Image of Ulysses

Ulysses chronicles the passage of Leopold Bloom through Dublin during an ordinary day, June 16, 1904. The title parallels and alludes to Odysseus (Latinised into Ulysses), the hero of Homer’s Odyss…

4 . The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald

Image of The Great Gatsby

The novel chronicles an era that Fitzgerald himself dubbed the “Jazz Age”. Following the shock and chaos of World War I, American society enjoyed unprecedented levels of prosperity during the “roar…

5 . Moby Dick by Herman Melville

Image of Moby Dick

First published in 1851, Melville’s masterpiece is, in Elizabeth Hardwick’s words, “the greatest novel in American literature.” The saga of Captain Ahab and his monomaniacal pursuit of the white wh…

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Capitão de Abril, Capitão de Novembro | Rodrigo Sousa e Castro

Dos pecados mortais de Spínola às armas em boas mãos de Otelo

COMO JAIME NEVES NÃO QUIS SER NOVAMENTE HERÓI. OS «PECADOS MORTAIS» DE SPÍNOLA. OTELO PÕE AS ARMAS EM «BOAS MÃOS».

O coronel Sousa e Castro foi um dos mais destacados protagonistas do ciclo de mudanças políticas, militares e sociais que Portugal viveu entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Neste livro, Rodrigo Sousa e Castro faz o relato de um dos períodos mais turbulentos do século XX português.

Percorremos com o autor os bastidores da história. Como ele somos espectadores privilegiados e emocionados da preparação do 25 de Abril, do plano de batalha que os capitães traçaram e da explosão pós-revolucionária que se lhe seguiu.

Sousa e Castro mostra-nos sobretudo a face oculta da história. O verdadeiro teatro que foi o Verão Quente de 75, a contagem de espingardas que precedeu o 25 de Novembro, e o definitivo estabelecimento da democracia que nesse dia Portugal ganhou.

No «quem é quem» e no «quem fez o quê» da história, Rodrigo Sousa e Castro revela-nos muitas surpresas e estilhaça alguns mitos.

« […] é curioso ver como Rodrigo de Sousa Castro chegou a 1974, como descreve o 16 de Março, o 25 de Abril e o 25 de Novembro, como critica Spínola ou Otelo, como faz sobressair Vasco Lourenço, Melo Antunes e Eanes, como conta a sua experiência de conselheiro da Revolução.» Do prefácio de MARCELO REBELO DE SOUSA.

Ninguém quer saber da Síria | Marisa Matias in jornal “Público”

É preciso ter coragem e força de condenar este ataque, a mesma força e coragem que alguns têm tido para condenar a acção de Bashar Al Assad e da Rússia. O único lado que há para defender é mesmo o do povo sírio. O mundo está a ser comandado por loucos. 

O recente lançamento de 100 mísseis sobre a Síria, a mando dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, é apenas mais um triste episódio da tragédia que se abateu sobre o povo sírio. Não faltaram as vozes que ecoaram: “finalmente uma resposta”. Nada mais errado. O ataque de mísseis nada resolve a adia a solução política e diplomática que o povo sírio há tanto tempo merece. Repudiar este ataque não é em nada sinónimo de apoiar a política de Assad ou de não querer derrotar o terrorismo na região. Repudiar e condenar este ataque tem a mesma importância que repudiar e condenar o uso de armas químicas ou os sucessivos ataques contra o povo sírio. Nesta história, não há lideranças boas e más. São todas más.

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UMA REFLEXÃO SOBRE O MODERNISMO NA PINTURA, AO ALCANCE DE TODOS | António Galopim de Carvalho

 

Que os eruditos me perdoem a ousadia de “meter a foice” nesta admirável expressão da criatividade humana, eruditos que, em minha opinião, têm o dever cívico, de devolver aos seus concidadãos, e em termos acessíveis, pelo menos, parte muito que a sociedade lhes permitiu aprender.
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O Modernismo foi um importante movimento cultural e artístico surgido no 3º quartel do século XIX e bem afirmado na primeira metade do século XX, com conhecidas expressões na literatura, pintura, escultura, arquitectura, teatro, dança e música. Grandemente influenciado ou apoiado nas ideias filosóficas a circularem na Europa (Auguste Comte, John Stuart Mill, Friedrich Nietzsche e outros), nos múltiplos e admiráveis progressos científicos (lembremos as contribuições de William Kelvin, Alfred Nobel, Niels Bohr, Pierre e Marie Curie, Henri Becquerel, Rutherford Hays, Max Planck, Albert Einstein e muitos outros) e tecnológicos de então, o Modernismo ou Movimento Modernista surgiu como uma atitude intelectual de rompimento com a tradição e, ao mesmo tempo, de abertura a uma nova relação do homem com o mundo.
Dito de outra maneira, o Modernismo, não só recusa os padrões antigos, como busca ideias na Revolução Industrial e da Fábrica, como nos notáveis avanços da ciência e da tecnologia, nomeadamente, a máquina a vapor, o comboio, o automóvel, o avião, a fotografia e o cinema.

No que se refere à pintura, os artistas acompanharam esta revolução na sociedade, criando novas respostas plásticas definindo movimentos mais restritos, geralmente referidos por estilos ou escolas. De entre eles, os historiadores e críticos de Arte, falam de Realismo, Impressionismo, Fauvismo, Futurismo, Cubismo, Neoplasticismo, Simbolismo, Expressionismo, Suprematismo, Dadaísmo, Surrealismo, Raionismo, Construtivismo. Nomes que os historiadores, críticos de Arte e outros eruditos “tratam por tu”, que “assustam” os muitos que nada sabem deste domínio da criatividade humana (e a Escola nada nos ensinou nestas matérias), mas que podem ser perfeitamente explicados por palavras que todos entendem.
Não é raro encontrar aspectos comuns entre alguns destes estilos ou escolas, havendo, porém, diferenças que os caracterizam e, até mesmo, os mostram como antagónicos.

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Se eu soubesse o que sei hoje… | Carlos Matos Gomes

No Notícias Magazine de hoje perguntaram a vários “capitães de Abril” o que teríamos feito de diferente se soubessemos o que sabemos hoje.

Eis aqui a minha resposta:

“Se eu soubesse o que sei hoje…

Teria feito o que fiz para acabar com a guerra colonial e derrubar a ditadura.
Teria tentado impor a mediação internacional, através da ONU, para conduzir o processo de transição para as independências das colónias.
Teria lutado com maior veemência pela instauração de um sistema político mais directamente ligado às pessoas e menos, muito menos, capturado pelos partidos. Com a criação, por exemplo, de uma segunda câmara.
Teria, no chamado PREC, empenhado-me mais numa aliança entre o grupo de militares ditos na altura e na classificação do tempo “do COPCON”, com o “Grupo dos Nove”, de modo a evitar o 25 de novembro, que esteve prestes a ser putchista e acabou por ser a imposição de um modelo padronizado de sistema democrático, de que a triste situação que hoje vivemos é fruto.
Ter-me-ia batido, mais do que fiz, para manter no domínio público empresas estratégicas fundamentais na área da energia, dos transportes, nas comunicações e no sector financeiro, nomeadamente com o reforço da Caixa Geral de Depósitos e de um Banco de Fomento de capitais públicos.
Teria dedicado maiores esforços na área da Justiça, impondo uma rigorosa seleção e avaliação dos magistrados e promovendo uma justiça orientada para as vítimas e não para os criminosos.
Teria estado mais atento aos fenómenos de corrupção e de nepotismo, com atenção especial às autarquias e ao que diz respeito ao ordenamento do território, para evitar fenómenos de “algarvisação”, de” litoralização “ e de desertificação do interior.
Teria tido uma especial às leis de imprensa, obrigando a clarificar a sua posse dos meios de comunicação social e favorecendo empresas constituídas por jornalistas.
Teria furado os pneus do carro que Cavaco Silva levou ao congresso do PSD da Figueira da Foz para fazer a rodagem.

Teria, por fim, promovido, a leitura de “A Arte de Furtar”, incluindo-o nos curriculas escolares, como de estudo obrigatório. 

Carlos Matos Gomes

Queres ligar-te a TODOS os membros do DiEM25 members? Agora é possível!

Quando: Quinta-feira, 26 de Abril | 10am – 1pm | 3pm – 5pm

Onde: Biblioteca de São Lázaro, Rua do Saco, 1, 1169-107 Lisboa (Freguesia da Arroios)

Vai ao nosso site para te manteres informado sobre os procedimentos desta reunião. Depois vamos publicar as conclusões, tal como fizemos depois do Lançamento do Conselho em Nápoles

Luis Martín

>>Coordenador de Comunicações do DiEM25

O DiEM25 não foi criado para promover uma agenda piramidal qualquer. Estamos a lutar para mudar a vida de milhões através de um movimento de bases. É por isso que precisamos que mais membros estejam envolvidos nas nossas discussões, nos processos políticos e nas votações internas. Parte do trabalho que tem de ser feito quando se constrói uma movimento transnacional é melhorar a forma como comunicamos. É por isso que estamos muito contentes por apresentar o nosso novo fórum online.

Como temos milhares de membros e ativistas espalhados por todo o mundo, procurámos várias formas de comunicarmos melhor e ligar toda a gente.

Portanto Vítor agora podes fazer login na nossa zona para membros e fazer-nos uma visita!

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O Evangelho segundo Lázaro | Richard Zimler

“O Evangelho segundo Lázaro, sobre o mais extraordinário dos milagres atribuídos a Jesus, é o melhor de todos os romances de Richard Zimler, um escritor de estórias eruditas, de grande sensibilidade e profunda dimensão humana.” Laurentino Gomes

“Zimler escreve de modo íntimo sobre as temáticas bíblicas. A sua admirável narrativa é um modo de convívio sábio e belo com esse tempo tão fundador da cultura do mundo. Este é um livro viciante, esplendor puro de Richard Zimler.” Valter Hugo Mãe

No Novo Testamento, ficamos sabendo que Jesus ressuscitou um amigo próximo de nome Lázaro. Contudo, em parte alguma do Evangelho segundo São João – que contém esse episódio – se menciona como ele realizou o milagre, ou se teria algum motivo especial para fazê-lo.

O Evangelho segundo Lázaro preenche essas e outras lacunas ao narrar a história da perspectiva de Lázaro, descrevendo como ele e Jesus se conheceram quando crianças, a transcendência da ligação que os une e o momento em que Lázaro acordou no túmulo, desorientado e sem qualquer memória de uma vida após a morte.

A narrativa, resultada de uma pesquisa histórica minuciosa, é rica em detalhes e retrata com fidelidade o período, sem deixar de lado o intimismo.

Com a voz inconfundível de Richard Zimler, O Evangelho segundo Lázaro é um romance completo que irá, sem dúvidas, prender o leitor até as últimas linhas, ainda que seu desfecho já seja conhecido.

Os Demónios Loucos que governam o mundo | Carlos Matos Gomes in “Medium”

(…) os comunicadores querem fazer-nos acreditar que um ser como o Trump, ou a May ou o pequeno Macron, estão inconsolavelmente preocupados com a saúde e as comodidades essenciais dos comerciantes de damascos sirios, dos vendedores de tecidos, dos velhinhos sírios, dos sírios de meia idade, os estudantes sírios! Eles amam desinteressadamente os sírios e a Síria!

Os recentes ataques à Síria, o anterior à Líbia, a invasão do Iraque, mas também a negação das alterações climáticas, ou ainda, para ir mais atrás, a ideia de um Povo Eleito, as invasões napoleónicas, ou a construção da Muralha da China e agora da do México, só para recordar alguns atos de dirigentes políticos ao longo dos tempos, levantam a questão da natureza racional e moral dos seres que ao logo dos século alcançaram o poder de governar os povos. Da racionalidade e da moralidade dos condutores da humanidade. Em linguagem maoista, da natureza dos nossos queridos lideres e também dos santos que adoramos.

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RECORDANDO UM DOCUMENTO HISTÓRICO | AMÂNDIO MEIRA | Na foto Luís Atayde Banazol

No mês dos CRAVOS e quase prestes a chegar ao 44º Aniversário da data libertadora do 25 de ABRIL de 1974, não podia deixar de cá vir recordar – através de um “Documento Histórico” de 24 de Novembro de 1973 – um grande HOMEM, um grande PORTUGUÊS e um bravo e corajoso MILITAR (com quem tive o prazer de privar, nomeadamente quando me deslocava à sede do meu Batalhão em MACALOGE – Niassa Ocidental – norte de MOÇAMBIQUE) que muito me marcou para toda a vida, nomeadamente durante a minha permanência naquelas enigmáticas e misteriosas terras africanas!…
Curvando-me respeitosamente perante a sua memória,

AMÂNDIO MEIRA
(ex-Alferes Miliciano de Infantaria da C. CAÇ. 2669 – B. CAÇ. 2908)
ANTAS, 18/04/2018

RECORDANDO UM DOCUMENTO HISTÓRICO 
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
[Ao “postar” aqui este DOCUMENTO, é mister que faça a minha “declaração de interesses”: Este senhor Ten.Coronel LUÍS ATAYDE BANAZOL – (PAI), foi “meu” 2º Comandante de Batalhão (B. CAÇ.2908) na Guerra Colonial em MOÇAMBIQUE, logo no início dos anos setenta. Era um bravo, decidido, corajoso, justo, responsável e destemido MILITAR, de fino trato, sempre afável e extremamente humano com os “seus homens” que, graças a todas estas suas inegáveis qualidades, tinham por ele a maior consideração, admiração e estima.]
***** ***** ***** ***** *****

INTERVENÇÃO do Ten.Coronel Luís Atayde Banazol na reunião de S. Pedro de Estoril em 24/11/1973:

[Refira-se que esta firme, desembaraçada, decidida, corajosa e influente intervenção perante umas largas dezenas de camaradas seus, foi determinante para o despoletar do 25 de Abril de 1974.]
***** ***** *****
«Meus caros camaradas, eu creio que vocês estão a perder o que têm de bom: energia e tempo, organização e vontade.
Estão a esgotar-se com um assunto que não vale a pena. Decididamente, não vale a pena.
O problema que vocês julgam que está no âmago disto tudo não vale um pataco e vai contra os nossos camaradas milicianos.
Eles também têm as suas razões, e não será pelo facto de vocês conseguirem levar a melhor, que tudo ficará resolvido. Pelo contrário, cada dia que passa, tudo se agrava.
E isso não é por uma questão de galões. O que vocês estão e todos nós, é agonizantes; simplesmente agonizantes.
Estrangulados por um regime que nos conduz directamente para o abismo, para a derrocada, aliás como o têm feito todos os regimes fascistas, nomeadamente os de Hitler e de Mussolini.
Todo o mundo olha para nós, oficiais do quadro permanente, como verdadeiros agentes do nazismo. Agentes das S.S.
E não podemos de forma alguma evitar essa execranda imagem, se não tomarmos a iniciativa de uma reabilitação, uma redenção aos olhos do nosso povo e dos outros povos do mundo, utilizando a nossa força para derrubar o governo.
Tenho ouvido falar, insistentemente, no abalado prestígio dos oficiais. Pois que esperam vocês daqueles, cujos filhos, irmãos, e noivos são enquadrados por nós, para as guerras de África, donde poderão regressar mutilados, loucos ou mortos?
Que crimes estamos todos a cometer em nome da Voz do Dono.
É preciso que acordemos do pesadelo; é preciso acabarmos de vez com a maldita guerra colonial, que nos consome tudo, incluindo a própria dignidade de militares profissionais de uma país civilizado.
Todas as nossas angústias, ansiedades e neuroses, se situam na tragédia para que fomos e estamos a ser lançados, por um tenebroso conluio, que tem a hipocrisia por fachada e o assassínio por norma.
E nós, que representamos a força das armas, por que esperamos?
E nós, que vemos todos os dias esses exemplos de coragem dos moços universitários?
Desarmados, enfrentam a polícia de choque, e não deixam amortecer um só dia a luta pela Liberdade.
E nós, homens de armas?
É uma vergonha. Devemo-nos sentir envergonhados. É bem feito que nos humilhem e nos olhem com rancor. Somos a armadura da bestialidade e o bastião da brutalidade.
Não tenhamos ilusões: o governo só sai a tiro e os únicos capazes de o fazer sair somos nós; mais ninguém.
Se não o fizermos, a História nos julgará, como julgou os abencerragens de Hitler e com inteira razão.
Não devemos consentir que isso aconteça e que os vossos filhos e os meus netos se tenham de envergonhar de nós.
Impõe-se a Revolução Armada desde já, seja qual for o seu preço e as suas consequências.»

Luis Atayde Banazol – Tenente Coronel em 24 Novembro de 1973.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

The Sower, Vincent van Gogh (1888)

‘[…] having been brought up [in the countryside], snatches of memories from past times, yearnings for that infinite of which the Sower, the sheaf, are the symbols, still enchant me as before’, wrote Vincent in 1888. This is the heart of Van Gogh’s philosophy of life: nature is what links religion and people. In the cycle of sowing, reaping and harvesting, Vincent saw parallels with life and death.

The Sower, Vincent van Gogh (1888)

Ensina-me a Voar sobre os Telhados | João Tordo

SINOPSE

1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.

Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque. Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.

Algures entre o sonho e a mais pura realidade, Ensina-me a voar sobre os telhados é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se,é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.

O mundo teve um sonho … | Paulo Fonseca, 04 Abril 2018

Faz hoje 50 anos que o mundo teve um sonho….
e faz hoje 50 anos que morreu a inspiração desse sonho….
e faz hoje,
(todos os dias faz…..)
faz hoje anos 
que morreu Martin Luther King,
Cinquenta anos
tão curtos
que não chegaram pr’a sonhar….
apesar de mil sonhos
que pudemos trautear.
Cinquenta anos de sonhos
que não pudemos sonhar….
Cinquenta anos de sonhos
que é preciso semear….
Se fosse vivo,
Luther King
teria uma campanha jornalística
a descobrir
e publicar
que ressonava,
ou fungava,
ou chorava,
ou mijava….
Certamente seria menos
que o infinito
que Foi….
Se fosse vivo….
certamente descobririam
que foi preto,
que seria religioso,
que seria defeituoso,
que teria ligações,
que viveria aos encontrões….
Como está vivo,
disfarçado de morto,
Luther King
foge aos holofotes
e deixa-os aos pinotes
de saudade….
de puberdade
nos valores….
Há pessoas
que têm o condão de abanar….
de acender o avançar….
de olhar nos olhos do mundo,
num clamor,
e fecundar….
o Amor….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca