Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez. | PAULO QUERIDO

Certamente! Qui, 15 abril 2021: Pois mas Isaltino não tinha um apartamento de luxo em Paris.

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez.

Desagrada-me em José Sócrates a atitude face ao Partido Socialista. As instituições são maiores que as pessoas. Todas as pessoas. Isto inclui fundadores históricos e grandes conquistadores (e criminosos, acumulem ou não com outras definições). Sócrates tem todos os direitos, incluindo o de criticar o seu antigo partido. Criticar não me desagrada. Desagrada-me o modo como o faz: pessoalizando o assunto. Como se ele fosse credor e o partido devedor. Não: o partido não o serve. Ele serviu o partido. Ele, above all people, devia saber o que é um partido político e quais as regras implícitas da vida política.

Para abordar o assunto Sócrates é comum ver declarações iniciais de auto-crítica. O típico “eu até votei nele mas”. Compreende-se, embora seja errado. E corrigir este erro é um dever de cidadania. Vivemos uma época intensa em que cada palavra é um punhal ou um carinho. Por exemplo: eu regressei ao voto no PS por causa de José Sócrates. Mas fui eleitor do PS, não de José Sócrates. A distinção é importante não por qualquer tipo de demarcação — estive em comícios, ouvi Sócrates e outros socialistas, gostei das propostas e achei que ele tinha a visão e a paixão necessárias para conduzir o país e não me arrependo de ter votado nem me envergonho desse momento nem do Sócrates dessa época — mas para ficar claro o ponto principal: em eleições legislativas, votamos em programas de ação e seus executores embainhados por partidos.

José Sócrates é um cadáver político que insiste em circular como se estivesse vivo. É um passivo tóxico desprovido de auto-consciência. Fernando Medina (para minha surpresa) disse o que havia para dizer para o despertar para a dura realidade. Sócrates preferiu continuar no sono a sonhar que tem capital político. Se realmente se vê como um Lula, como decorre de comportamentos e afirmações públicas, é lamentável. Não falo da matéria processual. Comparo somente as figuras políticas. Se tivéssemos uma escala de lulismo de 0 a 10, Sócrates não passava de um 2, correspondente às doses de carisma e importância histórica. E mesmo sobre Lula há dúvidas quanto à sua importância política atual e futura. Sobre Sócrates há a certeza de que passou a capital negativo.

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Paulo Querido | Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal?

Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal? A questão é suscitada a partir da observação repetida de títulos e artigos de sites de informação e da discussão que já tem algum lastro no “meu” Facebook. A resposta simples é fácil de dar: nos últimos 12 anos foram criados seis partidos em Portugal e três deles são clara, inequivoca e declaradamente de direita, medida em que é correto afirmar que há “novos partidos de direita”, que em linguagem descuidada pode redundar em “nova direita”.

Uma bosta semiótica, portanto. Um partido novo não tem necessariamente propostas novas, que é o sentido procurado com profissionalismo pelos sites de informação. O que me leva à resposta complexa — que contudo tem uma formulação muito simples que preenche a dúvida: não. Não, não há.

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Carlos Moedas candidato à Câmara de Lisboa | Paulo Querido in “CERTAMENTE”

Rui Rio sacou um coelho da cartola e o país deve agradecer. A escolha de Carlos Moedas para candidato à Câmara de Lisboa tem, entre outras vantagens para o líder do PSD, três componentes que valorizam a vida pública portuguesa:

1 – eleva a fasquia das autárquicas em geral e a corrida à capital em particular: Moedas não é Cristas e não será um passeio para Fernando Medina. O PS terá de se empenhar seriamente em fazer melhor

2 – reduz o ruído interno do PSD que os megafones da SIC e da TVI ampliam para mal dos nossos ouvidos

3 – relança os valores (ou as pessoas e suas ideias) centristas e pragmáticos da área do PSD e com isso tira o tapete que se prepara(va) para o regresso do passismo, com o próprio a falar pela sua voz ou através de um dos seus bonecos.

O homem que deu Beja ao PSD e foi de Secretário de Estado para Comissário Europeu é em primeiro lugar um forte candidato à Câmara de Lisboa. Carlos Moedas é em segundo lugar um tampão à extrema-direita, desde logo dentro do PSD, mas com capacidade de impermeabilização também no CDS. Que, metido na coligação para Lisboa, terá de se recentrar.

Aos 50 anos de idade, desde hoje que tudo fica em aberto para Carlos Moedas. Câmara, partido, governo — todas as possibilidades para a melhor moeda do seu partido. Só tem a ganhar com esta corrida, ele e o PSD, conquistem ou não Lisboa a Medina.

[ Texto publicado na minha newsletter Certamente!, um diário de curadoria da atualidade. Se ainda não recebes, porque ainda não recebes? Envia email para paulo@querido.org a pedir inclusão na lista ]

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Certamente! | Domingo, 31 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Domingo, 31 de janeiro de 2021

Hoje abordo o caso das vacinas sobrantes na perspetiva não política e a terceira onda de choque das presidenciais, que está a molhar PS e BE. Também retomo as sugestões, que vão ter um novo figurino: nuns dias, como é o caso de hoje, é uma série em streaming, noutros dias será um livro, noutros ainda uma newsletter, ocasionalmente um podcast.

É também dia de dar as boas vindas a um grande número de novos subscritores, o maior desde que o diário começou em meados de outubro último: bem vind@s!

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Lavinia Fontana[ Capa 6 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]Próxima série: A fabulosa mão de Vasco Gargalo

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Certamente! | Paulo Querido

Sábado, 30 de janeiro de 2021
Hoje no diário: a direita mostra-se entre um disco riscado e uma pescadinha de rabo na boca, com as mesmas pessoas e os mesmos tiques e as mesmas respostas quando o mundo é outro. Tem tudo para correr mal. O Bloco digeriu bem as presidenciais e Catarina, a Realista, dá uma lição de damage control. Passo os dedos pelo anúncio da central nuclear chinesa. E antes das opiniões e do linklog ainda falo das mudanças no diário, que ficou mais legível (espero).
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Mary Cassatt[ Capa 5 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]

Pedro Santana Lopes meteu-se hoje na fila dos que pedem um “governo de emergência nacional”. Rui Rio lidera a fila pelos políticos. Miguel Sousa Tavares lidera a fila pelos comentadores. Tanto vai ser dito sobre isto. Eu só leio e oiço: “vem aí uma pipa de massa, a maior pipa de massa de que há memória, e não há ninguém do centro-direita e da direita lá nos sítios onde a massa se distribui, pá, não há direito, e pelos votos não vamos lá nem daqui a três anos 😦 😦 😦 ”. Consegues ler mais do que isto? Diz-me o quê.
Francamente? Seriamente? Também se arranja. O partido no Governo tem 40% de intenções de voto, mais que toda a oposição de direita somada. Saímos de umas eleições em que o bloco Governo + Presidente registou uma votação superior a 85% dos votos expressos. Emergência? A única coisa da política em estado de emergência é o PSD. Não é um governo de emergência nacional que o laranjal pede: é um governo de salvação dos dirigentes do PSD. Digo dos dirigentes porque as clientelas do PSD, essas, estão cobertas.
Mais de Santana: quer o adiamento das eleições autárquicas! E quer ser candidato a presidente de câmara pelo seu antigo partido, não pelo novo que fundou. Não é claro que câmara — mas isso é o que menos importa.
Bem, ao menos os regressos de Santana Lopes e Adolfo Mesquita Nunes são uma benção pelo que vieram dar aos media. Jornalistas e pivôs podem descansar um dia ou dois dos seus flirts com a extrema-direita. E nós temos menos vezes a cara de Ventura nas televisões e primeiras páginas da imprensa.

¶E por falar em Adolfo Mesquita Nunes: “
se não conseguir ser eleito, não me voltarei a candidatar”, ameaçou. E o seu maior não-adversário, Nuno Melo, disse algo como se não houver mais ninguém, eu sou candidato. Mas isso é o menos, o pior é assumir que tem a capacidade de unir o partido.(pausa para rirmos todos à gargalhada.)(outra pausa para continuarmos a rir mais uns minutos.)Entretanto um antigo presidente do CDS, José Ribeiro e Castro, veio a terreiro acusar os críticos de abrirem uma “crise artificial” e considera que “há premeditação” no “ataque” à liderança de Francisco Rodrigues dos Santos. É o que se chama descobrir a pólvora. Claro que há premeditação: AMN escreveu com clareza, respondeu com clareza e não podia ter sido mais explícito acerca da premeditação!
Abençoado CDS! O momento era tão menos divertido sem os seus fantasmas às voltas nos media!

¶Do outro lado do arco, a coordenadora do Bloco de Esquerda admitiu este sábado que a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais de domingo pode ser explicada com a transferência de votos do eleitorado da esquerda para o atual Presidente. Os eleitores socialistas e dos “partidos à esquerda do PS” foram “a força que quis esta estabilidade de uma vitória folgada à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa”, disse Catarina Martins no final de uma reunião da Mesa Nacional para analisar os resultados das presidenciais.
Chama-se a isto estratégia de contenção de danos. Da boa. Daquela que o PS não tem.
Por acaso é verdade. Todas as análises sérias dos votos dizem o mesmo. Marcelo foi reeleito pelo eleitorado de esquerda, enquanto o eleitorado de direita expressou com clareza algo que Marcelo já sabia há algum tempo: o seu partido tem vindo a distanciar-se do centro onde ele, Marcelo, nunca deixou de estar, como aliás outros dos poucos sociais-democratas do PSD, e hoje são quase estranhos. As contas eleitorais da direita estão muito complicadas. E por ali a insistência é clara: de governos de salvação nacional a alianças com a extrema-direita anti-democrática vale tudo, menos ser sensato e olhar para o centro.
Mas a verdade pouco importa em política. Bom, mesmo, é ver o Bloco no caminho da reconciliação. O erro do voto no OE foi pago com juros pesados, mas está pagoNext.

¶Do outro lado do planeta e a 180º da política indígena: a agência noticiosa Xinhua noticiou o início hoje da operação comercial do primeiro reator nuclear desenvolvido pela China, o Hualong One.
A central de Fuqing, no sudeste da China, vai gerar dez mil milhões de quilowatts/hora (kWh) de eletricidade por ano, o que permite à China reduzindo as emissões anuais de dióxido de carbono em 8,2 milhões de toneladas.
Porque é importante?Há 45 anos tinha o meu crachá “nuclear não, obrigado!” Em quatro décadas a indústria nuclear evoluiu imenso. Gradualmente fui trocando a oposição convicta por uma atitude crítica. E com atenção especial à tecnologia. Este evento é importante por dois motivos:
o primeiro diz respeito à China, que conquista uma emancipação especial pois este, que equipa a 48ª central nuclear do país, é o primeiro reator não importado, com tecnologia made in China;
o segundo, porque se trata de uma nova geração de reatores que tem maior segurança e eficácia. Espera-se desta geração um contributo importante para reduzir as emissões de carbono.
A China não muda para já a sua terceira posição na lista dos países com maior número de centrais nucleares, mas as posições poderão inverter-se nos próximos anos. As centrais nucleares chinesas forneciam apenas 5% das necessidades de energia elétrica do país em 2019, mas a cota aumentará com o objetivo da China de alcançar a neutralidade nas emissões de carbono até 2060.¶No diário de ontem introduzi algumas alterações.

O método de produção foi bastante melhorado, produzo agora a newsletter em menos 25% do tempo. E aumentei as capacidades do ente digital Cecil, encarregue dos automatismos e outras tarefas. Mas foi ao nível gráfico que tu deste pela coisa. Nas opiniões, em vez dos títulos — a maioria das vezes maus ou inexpressivos — passei a incluir uma citação d@s autor@s. Mais sumo para melhor decisão sobre o que ler.

Hoje mudei a separação dos blocos de texto, ou assuntos. A numeração não me satisfazia, era um pouco agressiva ao olhar. O separador novo tem mais espaço branco envolvente, é menos agressivo, mais conservador — ganho em estética o que perco em dinâmica.Simplificar e aumentar a legibilidade é o objetivo.

Em breve regressará a sugestão de livros — de permeio com sugestões de newsletters, filmes e séries disponíveis em streaming, dando resposta aos assinantes que responderam ao meu pedido de sugestões nesse âmbito. Será na semana que entra, se tudo correr bem.
OPINIÕES
José Pacheco Pereira: “Todas as vantagens do analógico sobre o digital podem ser exploradas, e mesmo que alguém diga que tudo isto pode ser feito online, o online não chega às portas de um supermercado, ou às mãos dos polícias, não se dobra e mete no bolso, ou se leva num comboio de regresso do matinal trabalho das limpezas, e acima de tudo não se leva para casa, nem se lê devagar, nem se colecciona, não é da nossa dimensão física.”   // Público ($)
Bernardo Pires de Lima: “Talvez por ser um tema fundamental, passou ao lado da nossa imprensa. E é pena, porque o assunto interessa-lhe diretamente. Nos últimos dias, deram-se significativos avanços internacionais no cerco às grandes empresas tecnológicas, sobretudo no domínio fiscal, no qual operam continuamente à margem, numa zona de privilégios acumulados sem ponta de vergonha, privando os Estados e as sociedades onde deveriam ser tributadas de recursos financeiros e de um exercício de justiça fiscal indispensável à saúde do capitalismo e das democracias.”   // DiárioDeNotícias
Manuel Carvalho da Silva: “Os poderes dominantes querem fazer da gestão da pandemia uma oportunidade para executar os seus programas e tolher o futuro. Acelera-se a concentração da riqueza, o domínio de grandes plataformas e grupos empresariais sobre a estrutura da economia. O setor financeiro impõe-se e o chairman e diretor não-executivo da Goldman Sachs, indivíduo comprometido com a geopolítica da “economia que mata”, é o presidente da Aliança Global para as Vacinas. Os jovens estão a ser muito sacrificados, mas não há sinais de políticas novas que os venham a beneficiar.”   // JornalDeNotícias
Sandra Cunha: “Perante a dureza destes números e a crueza das mortes, não se percebe a resistência do governo em ativar o instrumento, previsto no Estado de Emergência, que permitiria aliviar a pressão sobre o SNS e que é a requisição civil dos privados da saúde. Permitiria, certamente tratar melhor e quem sabe salvar mais algumas vidas.”   // Esquerda
Eduardo Pitta: “Miguel Sousa Tavares glosa o tema em tom heróico. Chegou a hora, diz ele, do Presidente da República substituir o Governo de António Costa por um de iniciativa presidencial, «sem dissolver o Parlamento, sem necessariamente despedir todo o elenco do actual Governo…», apenas metade dos ministros, aqueles que «não fazem nada ou só atrapalham…» Um tal governo seria para governar «enquanto durar esta situação de catástrofe pública.» Vindo da boca de quem quem — além de jornalista, MST é advogado —, o dislate tem de ser associado a liberdade poética.”   // DaLiteratura
Viriato Soromenho Marques: “A tragédia portuguesa é de tal magnitude que as responsabilidades serão mais tarde ou mais cedo apuradas. Haverá teses académicas, estudos, obras de ficção. A maioria delas será produzida por autores estrangeiros. O colapso luso entrará, pela negativa, nos livros de estudo e nos manuais de Saúde Pública de todo o mundo. Da nossa amarga experiência será extraída uma sabedoria negativa, de alcance universal, sobre esta queda numa hemorragia demográfica sem paralelo desde a gripe espanhola de 1918-1919. Mas as contas e os estudos ficarão para depois.”   // Diário de Notícias 
LINKLOGNo, WallStreetBets isn’t robbing Wall Street to help the little guy. Analysis: A seductive “short squeeze” narrative obscures what’s really happening.  // Ars Technica 🇬🇧
Ce que cachent les passages noircis du contrat passé entre l’UE et AstraZeneca. La Commission européenne pensait avoir masqué les passages confidentiels du contrat passé avec le laboratoire anglo-suédois pour son vaccin anti-Covid. Mais une astuce permet de découvrir le montant du contrat.  // Libération ($) 🇫🇷
A new report by Corporate Europe Observatory clearly shows neoliberal reforms weakened public healthcare systems all over Europe, with dramatic consequences in terms of Covid-19 death, disability rates, and many other social impacts.  // EUObserver 🇬🇧
Prevent the Next Food Crisis Now. The number of chronically hungry people increased by an estimated 130 million last year, to more than 800 million – about eight times the total number of COVID-19 cases to date.  // ProjectSyndicate 🇬🇧
Caos, más trámites e incertidumbre, los efectos del brexit en el comercio de Reino Unido  // Público 🇪🇸
La transformación que ha sufrido la Tierra desde mediados del siglo XX está siendo brutal  // ctxt 🇪🇸
Acid rain is yesterday’s news? Acid rain seems to be a thing of the past, yet sulphate continues to rise in many inland waters worldwide. Researchers led by IGB and the Danish University of Aarhus provide an overview of the sources of sulphate and its effects on freshwater ecosystems. They point out that the negative consequences for ecosystems and drinking water production have so far only been perceived regionally and recommend that sulfate be given greater consideration in legal environmental standards.  // IGB 🇬🇧 
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Certamente! Sexta-feira, 29 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Hoje notícias menos más, enfim, depende da perspetiva: Portugal atingiu o pico da pandemia Covid-19, o que tem um lado bom, que é a partir daqui só pode melhorar; e se tens formado a ideia, as seen on tv and read on newspapers, que a corrupção está a alastrar em Portugal, bem, olha, pergunta-lhes onde vão buscar essa ideia porque o índice não mostra isso.

E ainda: a achega de Boaventura de Sousa Santos ao avanço da extrema-direita e um texto excelente que explica bem o caso GameSpot, junto com uma infografia.

Já lá vamos. Antes, uma nota pessoal: esta semana o diário passou a chegar a duas amigas chegadas e a um amigo de há quase meio século. Olá F., olá R., olá R.!


carrega imagens para ver imagem de Lilly Martin SpencerLilly Martin Spencer[ Capa 4 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]

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Certamente! Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Hoje não tenho disposição para escrever. Para compensar, deixo-te um conjunto mais alargado de opiniões e de sugestões de leitura.Amanhã ou no fim de semana tenciono abordar Marcelo Presidente 2.0, que deverá ser substancialmente diferente da primeira versão, bem como colocar em dia a correspondência dos leitores.A frase do dia: “O falhanço coletivo que nos trouxe até aqui é mais um rombo no deve e haver que as gerações mais novas têm para com um sistema político que os exclui e não os representa.” Susana Peralta

OPINIÕESEditorial: Voltar à escola. JornalDeNotícias👉Diogo Martins escreve: Obstrução do direito de voto sem paralelo na democracia portuguesa. LadrõesDeBicicletas 👉Rui Tavares Guedes escreve sobre a pandemia Covid-19: Não é a economia, estúpido. Visão 👉Fátima Marques escreve sobre viver em situação de catástrofe: Re-humanizar os índios e os cowboys. CapitalMagazine 👉Borja González del Regueral escreve sobre empresas e Europa: As tendências tecnológicas para 2021, um ano eminentemente digital. DiárioDeNotícias 👉Paulo Pisco escreve sobre democracia e André Ventura: O germe do fascismo. Público 👉Ricardo Salazar também escreve sobre André Ventura: Vírus Ventura. Público👉Valupi também escreve sobre Ventura: Das vantagens de Ventura ficar em 2º.AspirinaB 👉Mafalda Anjos: Escolas, trilemas e falhanços. Visão 👉 
LINKLOGWarming ocean waters could reduce the ability of fish, especially large ones, to extract the oxygen they need from their environment. Animals require oxygen to generate energy for movement, growth and reproduction. In a recent paper in the Proceedings of the National Academy of Science, researchers describe their newly developed model to determine how water temperature, oxygen availability, body size and activity affect metabolic demand for oxygen in fish.  //mcgill.ca 🇬🇧Electric car batteries with five-minute charging times produced. First factory production means recharging could soon be as fast as filling up petrol or diesel vehicles  //theguardian.com 🇬🇧A strain of covid-19 that appears to spread faster is colliding with the campaign to vaccinate Americans. That appearance of the variant has already led the US to require British visitors to test negative before flying. Some scientific leaders say the US should now consider a coordinated national lockdown period.  //technologyreview.com 🇬🇧Biden’s 17 Executive Orders and Other Directives in Detail. The moves aim to strengthen protections for young immigrants, end construction of President Donald J. Trump’s border wall, end a travel ban and prioritize racial equity.  //nytimes.com 🇬🇧Amazon sends letter to President Biden, says it is ‘ready to assist’ with U.S. vaccination efforts  //geekwire.com 🇬🇧Brave becomes first browser to add native support for the IPFS protocol. Brave users will now be able to seamlessly access ipfs:// links.  //zdnet.com 🇬🇧35 unforgettable images that capture Trump’s wild and bitter presidency  //medium.com 🇬🇧Adictos a las redes: ¿Tienes ansiedad digital? Aunque sirven para mantenernos conectados, las redes sociales también pueden ser factores para aumentar nuestro malestar y ansiedad.  //ethic.es 🇪🇸A estratégia para a Igualdade de Género para o período de 2020-2025 que foi aprovada esta quinta-feira em Parlamento Europeu quer atrair mais mulheres para as áreas de informática e tecnologia — e parte do processo passa por mudar a forma como as mulheres são retratadas nos canais audiovisuais.  //publico.pt 🇵🇹 
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Certamente! Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Hoje afirmo que — a confirmar-se a sondagem do dia — o candidato da extrema-direita é o grande derrotado das presidenciais, lembro que Rui Rio está vivo e aos pontapés e era bom que acertasse num alvo ou dois, explico porque não estou como toda a gente a pular de contente por ver Joe Biden na Casa Branca, e junto a minha à voz de Vital Moreira: nem mais um ministro infetado!Antes, uma rectificação: no diário de ontem escrevi “legislativas” quando era óbvio no contexto da frase que me referia às autárquicas, a disputar algures no outono. Era tão óbvio no contexto que aposto que metade de vós não deu pela coisa e, como eu a reler, entendeu “autárquicas” ao ler “legislativas”…
1
Faltam 4 dias para a conclusão das eleições para a Presidência da República. Sondagem do CESOP da Universidade Católica para a RTP e o Público divulgada ao fim do dia dá o resultado dentro do esperado: Marcelo vence à primeira e Ana Gomes fica no segundo lugar. (RTPPúblico)
Em relação à minha bola de cristal, Marcelo tem um desvio positivo de 2 pontos, Ana Gomes tem um desvio negativo de 1 ponto e o candidato da extrema-direita tem um desvio positivo de 2 pontos.Parece-me claro que, a confirmar-se no domingo esta projeção, André Ventura será o grande derrotado desta campanha. Falha todas as metas menos uma. Colocou a fasquia elevada demais para a sua capacidade. Um soldado de infantaria armado em Napoleão. Por outro lado os seus 10% indiciam que a extrema-direita encontrou o seu limiar máximo em Portugal: o crescimento anti-democracia estabilizou nos últimos 7/8 meses depois da arrancada explosiva nos 4/6 meses anteriores.A meta que não falhou: consolidou a extrema-direita como a bússola da televisão e imprensa, fazendo gato-sapato da agenda dos jornalistas.
2
Passou despercebido no meio da confusão e desnorte em que vivemos. Rui Rio lançou um movimento visando reformas no sistema político e nos estatutos do partido. Rio colocou o PSD a trabalhar nas propostas: a “reforma da Justiça, que acho ser vital, a revisão constitucional, porque é tempo de fazer, e a reforma do sistema político, porque continua a ser muito importante”. Foram criadas as comissões cujo trabalho consiste em preparar as propostas de reformas nessas três áreas e nos estatutos. Nada de inesperado nas pessoas que integram as comissões: Paulo Mota Pinto, David Justino, Manuel Teixeira e Isaura Morais são os coordenadores de equipas tão cinzentas, históricas ou laranjas, como preferires, que eles.Eu diria que Rio está a pretender lançar um sinal de reconciliação com o centro e com o país, depois da traição à pátria e à União Europeia perpetrada nos Açores com a coligação com a extrema direita anti-democrática. Espero que tenha sorte, embora tenha dúvidas: não se perdoa facilmente o que Rio fez e o silêncio sobre a campanha eleitoral não ajuda lá muito: ao eleitorado laranja não foram apresentados argumentos para não votarem no candidato da extrema-direita. E deviam.
3
E porque espero, e até gostava, que Rio tivesse sorte? Fácil. Primeiro, como compensação pelo seu comportamento de estadista ao longo da pandemia. O PSD nunca fez parte do problema. Votou com seriedade tudo o que tinha diretamente a ver com a pandemia. A direção fez oposição com responsabilidade, deixando aos apparatchiks as farpas e flamas, como é normal.Segundo, porque é vital para a democracia se aguentar nas canetas que haja uma alternativa no centro-direita na qual os eleitores possam confiar.Agora: confio em Rio depois da novilhada açoreana? Bem: não sou marinheiro daquelas águas e quero um país diferente do que Rio quer. Dito isto: a minha (des)confiança nele não mexeu um milímetro. Rio habituou-me a esperar boas e más decisões que surgem quando e onde menos espero — e isto já vem dos tempos da Câmara do Porto.
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O mais provável é teres hoje visto com otimismo a tomada de posse de Joe Biden como 46º Presidente dos Estados Unidos da América. O mundo vê-se livre de Trump e regressa à Casa Branca um democrata, como não estar otimista? Junta-lhe a primeira vice-presidente (um pormenor significativo para um homem como eu: Kamala Harris jurou a bíblia nas mãos do marido, uma honra que nenhum americano tivera antes), junta-lhe uma administração muito bem pensada e escolhida para o propósito de reunificar as tribos estado-unidenses — como não ficar sorridentemente otimista?Três razões. Uma: a Administração Biden não contraria, pelo contrário, a gerontocracia em que os EUA se tornaram, particularmente notório ao nível federal; não vejo que venha daí nada de bom.Outra: as divisões sociais não nasceram do trumpismo, que apenas acentuou as fracturas raciais que nunca pararam de se agravar ao longo da história do jovem país; tenho as maiores dúvidas que boas intenções e políticas manietadas pelas forças que controlam o poder (e das quais Biden nunca se afastou) cheguem para inverter o divisionismo social.Divisionismo que, bem vistas as coisas, é não só aceite como pretendido pelas maiorias: é pequeno e pouco poderoso o grupo de pessoas que vê as divisões raciais e de classe dos americanos como um problema. Pessoas mas também grupos empresariais olham para as divisões com bons olhos: das igrejas às armas, manter e incentivar o individualismo e o tribalismo dá mais lucro do que combatê-los.E outra: à medida que perde o momento geopolítico, a liderança e o protagonismo, fraqueja a cola que tem mantido federados os 50 estados e aumentam as vozes e o volume do coro que fala na independência de estados como o Texas (que é uma parte do México e nenhuma fronteira foi eficaz em mais de 100 anos) e a Califórnia; esta tendência vem-se agravando e era precisa uma administração do calibre de três ou quatro Roosevelts para a inverter.
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Quantos mais ministros infetados e quantos mais confinamentos dos seus círculos de contactos próximos são necessários para ser adotada a única decisão decente, que é de vacinar os principais dirigentes políticos do Estado (PR, PM e ministros, Presidente e vice-presidentes da AR, pelo menos), como grupo de risco que são, pelas numerosas reuniões oficias e de trabalho presenciais em que têm de participar, muitas vezes em espaços fechados, ao serviço do Estado?”, pergunta Vital Moreira no Causa Nossa.Eu junto a minha à voz de Vital Moreira. Pelo menos num anterior diário referi que a primeira linha política devia encabeçar a primeira vaga de vacinas. Não usar nesse grupo a primeira remessa de vacinas é um erro. Cometido por uma péssima razão: o medo da reação da opinião pública.

OPINIÕESFrancisco Seixas da Costa escreve sobre eleitorado e Belém: Bom senso e bom gosto. DuasOuTrêsCoisas 👉Cristina Siza Vieira escreve sobre turismo e União Europeia: Viajar é preciso. DiárioDeNotícias 👉Carlos Esperança também escreve sobre a campanha e o recandidato Marcelo: Eleições Presidenciais E Liberdades. PonteEuropa 👉Pedro Santos Guerreiro está em Estado de choque. Expresso $José Brissos-Lino escreve sobre A fraude do nacionalismo cristão. Visão 👉Maria José da Silveira Núncio alto e bom som: Em nome da saúde, fechem as escolas!. Público 👉Rui Tavares escreve: Uma ideia melhor do que votar num racista autoritário? Não votar nele. Público $ 
LINKLOGOs dois projetos de lei do PSD e um do PAN, hoje em discussão no plenário da Assembleia da República, tiveram o melhor acolhimento da bancada parlamentar do BE e do PCP, que sublinharam a necessidade de proteger o princípio do juiz natural (escolha aleatória de um juiz do processo para assegurar a imparcialidade) e de aperfeiçoar os diplomas na especialidade.  //rtp.pt 🇵🇹French constitutional change on environmental preservation faces long road ahead  //euractiv.com 🇪🇸La sociedad vigilada: la pandemia precipita la digitalización : Ethic. La crisis sanitaria acelera la importancia de la digitalización para combatir al virus, pero también abre el debate sobre cómo gestionar la privacidad.  //ethic.es 🇪🇸África sofrerá efeitos da retração do financiamento externo chinês. Dois principais bancos de fomento chineses diminuem o financiamento de projetos no exterior em mais de 90%. Analistas veem que África também sentirá os efeitos da “nova disciplina” de liberação de recursos da China.  //dw.com 🇵🇹Lawmakers who denied Biden’s victory also embrace a deadlier conspiracy: climate denial. 90 of the 147 members of Congress who voted to overturn the election deny basic climate science.  //heated.world 🇬🇧Majority of Europeans fear Biden unable to fix broken US. Survey finds more Europeans than not say US cannot be trusted after four years of Trump.  //theguardian.com 🇬🇧 
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Certamente! Sexta-feira, 15 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

E pronto: metade do mês já lá vai. O tempo subjetivo passa cada vez mais depressa. Hoje no diário só dá eleições: as presidenciais portuguesas e para a liderança da CDU, o partido de Angela Merkel. E as rubricas habituais: opiniões (se és jornalista, não percas a opinião de Vital Moreira) e linklog (se és eco-sensível, não percas a vegetação senciente).
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O Rui Tavares teme: a esquerda portuguesa preparando um desastre à francesa? (Público $). Refere-se à estratégia de candidaturas de cada área partidária somadas à desistência do partido do centro-esquerda a favor do candidato do centro-direita, “que nos deu duas presidências de Cavaco Silva e uma de Marcelo Rebelo de Sousa. E as direções partidárias continuam a justificar as suas escolhas como se estivéssemos em 1986. Pior ainda, a direção do maior partido à esquerda parece viver contente com a possível vitória do candidato da direita.”Há seis meses, quando as presidenciais se começaram a desenhar, estive entre os que acharam que a pulverização de candidaturas à esquerda não era uma coisa má. A popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa garantia-lhe a reeleição, que em si também não é propriamente uma coisa funesta. Só que isto é dinâmico. E chegados a dezembro, e mais particularmente a janeiro, vejo que essa minha interpretação foi um erro. O ganho com a divisão das esquerdas, que é Bloco e PCP manterem os seus eleitorados relativamente estanques, é largamente suplantado pelo prejuízo da candidatura da direita radical marcar a agenda e sair psicologicamente vitoriosa do inexistente combate com a esquerda.“Se em 1996 elegemos Jorge Sampaio à primeira volta contra Cavaco Silva”, recorda Rui Tavares, “foi porque os candidatos do PCP e da UDP, Jerónimo de Sousa e Alberto Matos, desistiram — e já se sabia que iriam desistir. Isso permitiu a toda a gente, mesmo a que via defeitos em Jorge Sampaio, a mobilizar-se a tempo para uma candidatura ganhadora”.É demasiado tarde para a candidatura de João Ferreira desistir a favor de outra. Nenhum sinal foi dado de que isso pudesse acontecer, nem sequer se notaram sinais de que alguém pensasse nisso. Acredito que a Marisa Matias tenha passado pela cabeça endossar Ana Gomes, por todas as razões a começar na força de uma candidatura feminina sinalizada informalmente por quase toda a esquerda e a terminar na camaradagem de ambas enquanto euro-deputadas. Mas ninguém desistiu e a janela está fechada.Objetivamente, a pulverização de votos nas três candidaturas da esquerda beneficiará a visibilidade da candidatura da direita. “Não está em causa a qualidade dos candidatos e candidatas à esquerda, tão estimáveis ou até admiráveis como os seus congéneres da esquerda francesa em 2002. Está em causa que juntos cilindrariam o candidato da extrema-direita com o triplo dos votos dele ou mais ainda. Separados, estão a dar-lhe uma hipótese de sair em segundo lugar, mesmo que só por umas décimas, como dizem certas sondagens”, acrescenta o Rui.
2
Uma pessoa sente-se tentada a apontar o dedo ao primeiro responsável pela estratégia do PS nas presidenciais. Até eu ia fazê-lo e fui procurar conselho na evolução das intenções de voto, mas a leitura que me parece óbvia absolve António Costa do pecado da esquerda: o próprio PS subiu uns pontos nos últimos 2 meses, que coincidem com os candidatos presidenciais nas ruas, como se pode ver no gráfico abaixo (tirado do EuropeElects).Não absolve totalmente, claro. A absolvição não cobre o alheamento da direção do PS, que mesmo sem candidato formal podia ter tido alguma influência nas estratégias das campanhas à esquerda. Dir-me-ás: o gelo relacional pós-Orçamento de Estado não deixaria isso suceder. Dir-te-ei: aí está, o PS alheou-se da sua responsabilidade de liderança política da esquerda.Mas a responsabilidade maior não é nem do PS nem da candidatura informal da sua área política. É do BE e do PCP. As suas prioridades egoístas deixam a esquerda à beira de um momento de vergonha. E comprometem os dois partidos.A pandemia tem aqui um efeito invisível. O cansaço acumulado nas pessoas e os comportamentos de escape consubstanciam-se eleitoralmente em voto de protesto — e por causa da gestão dos medos na pandemia o voto de protesto não penaliza o PS, partido exposto na governação e partido que abdicou de candidato oficial, mas sim os partidos da esquerda que entre outras mantém a função de pára-raios dos votos de protesto.Uma única candidatura presidencial de esquerda viria inverter, ou estancar, a tendência de crescimento do Chega, que é hoje o terceiro partido?A questão é mais complexa do que sim/não. Como deixei bem vincado no diário de ontemos candidatos outsiders em re-eleições obtém resultados anormais, pontuais, que não se consubstanciam em mudanças de fundo que afetem eleições futuras. Manda a tradição eleitoral que nas autárquicas de outubro próximo o Chega tenha metade da percentagem que Ventura conseguir nas presidenciais deste mês.O problema é menos de tendência e mais de momento. O que a divisão das esquerdas conseguiu foi um momento de vergonha e embaraço. Claro que os momentos deixam marcas. Mas não são condenações para a vida.No simbólico dia 26 de janeiro começa o período no qual as esquerdas têm de refletir por sua vez no fenómeno do Chega e concertar respostas. É hoje claro que o CDS foi absorvido e o PSD está comprometido. A direita portuguesa meteu todas as fichas na destruição da democracia; os que não gostam disso calaram-se. Não aconteceu em Portugal o que sucedeu noutras regiões da União Europeia: Rui Rio não vincou a linha vermelha à direita do sistema partidário. Talvez porque Passos Coelho a tinha apagado e Luís Montenegro se preparava para construir uma auto-estrada entre o centro-direita e a direita radical.
3
Parece-me gritantemente óbvio que uma das reflexões urgentes a fazer nas esquerdas é a necessidade de alterar a relação de forças na Comunicação Social. A pandemia e mais recentemente o período das presidenciais mostraram que a direita tem a hegemonia na condução estratégica dos órgãos de Comunicação Social. Um dos efeitos funestos é a manipulação das meias verdades e das mentiras e das sondagens para criar e modelar dinâmicas sociais. Não há em Portugal nenhum órgão de comunicação social que subscreva um modelo de sociedade que se possa caracterizar em moldes mínimos de esquerda. E a influência nos órgãos existentes é cada vez menor.
4
A chanceler alemã Angela Merkel deverá conhecer amanhã o próximo líder do seu partido, a CDU. O mais provável, segundo as sondagens, é Friedrich Merz, um adversário de Merkel que representa a linha mais à direita do partido democrata-cristão. Mas hoje a incerteza ainda pesava no processo eleitoral, que decorre online: os outros candidatos, Armin Laschet e Norbert Röttgen, mantinham a eleição em aberto.Se der Merz, a CDU abandona o pragmatismo de Merkel para abraçar o liberalismo económico — not that good para a União Europeia mas mau para a direita radical alemã da AfD. Enfim.De notar que se espera que, ao contrário do que é hábito e sucedeu com Merkel, o líder da coligação CDU/CSU a concorrer a chanceler em setembro venha não da CDU (o partido maior da coligação) mas da CSU: Marcus Söder.Aprofundar:German CDU on verge of electing divisive figure to replace Angela Merkel. Millionaire lawyer Friedrich Merz is favourite to take centre-right into federal elections // GuardianQuais as chances de um democrata cristão suceder Merkel? Em convenção virtual, 1.001 delegados da CDU vão escolher o novo chefe do partido de Merkel. Uma decisão de peso, pois novo líder conservador estará entre os favoritos para assumir a chefia do governo da Alemanha. // Deutsche WelleFriedrich Merz’s revenge. Thin-skinned lawyer who wants to succeed Merkel has a history of going after his critics. // PoliticoPrésidence de la CDU : Friedrich Merz veut sa revanche. L’expertise financière de cet homme d’affaires et son ambition réformatrice en font le favori des milieux économiques et conservateurs délaissés par Angela Merkel. Son passif avec la chancelière inquiète cependant nombre de délégués. // Les EchosTrês homens na corrida a líder da CDU. Para suceder a Merkel o favorito é outro. Friedrich Merz, Armin Laschet e Norbert Röttgen são os candidatos, mas é Markus Söder que poderá acabar por ir a votos nas eleições de 29 de setembro. // DN

OPINIÕESEurico Reis escreve sobre Lei e Estado de Direito: O combate pela democracia. Expresso 👉Vital Moreira escreve sobre o caso dos jornalistas vigiados pelo Ministério Público: Às Avessas (2): Quando Os Infratores “viram” Queixosos. CausaNossa 👉Ana Alexandra Carvalheira escreve sobre o impacto da pandemia nos relacionamentos: Procura-se parceiro: Solteiros com a vida amorosa em atraso. Visão 👉António Luís Marinho escreve sobre os debates das presidenciais: Elogio da direita democrática . ionline 👉Rui Bebiano escreve: A guerra contra a Covid-19 e os partidos. ATerceiraNoite 👉Jorge Sampaio escreve: O Presidente da República no semipresidencialismo português. Expresso 🔒Simões Ilharco escreve sobre as medidas: Portugal no rumo certo apesar do confinamento. DiárioDeNotícias 👉 
LINKLOGResearch suggests that at least one type of plant – the french bean – may be more sentient than we give it credit for: namely, it may possess intent. The issue of whether or not plants choose their actions and possess feelings or even consciousness is a thorny one for many botanists, with the more traditional-minded strongly disputing any notion of sentient vegetation. Although plants clearly sense and react to their environments, this doesn’t mean they possess complex mental faculties, they argue.  //theguardian.com 🇬🇧We Mock the Rioters as Ignorant Buffoons at Our Peril  //politico.com 🇬🇧Global coronavirus death toll reaches 2 million people. Our world has reached a heart-wrenching milestone says United Nations chief António Guterres  //theguardian.com 🇬🇧How to fix EU’s weak Digital Services and Markets Acts.  //euobserver.com 🇬🇧 
Na web: diário | linklog

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Certamente! Terça-feira, 12 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Hoje é um belíssimo dia para evitar o uso da palavra caos. Adiante. No menu: o plano de vacinação, a gravidade da pandemia e uma boa notícia científica. Adenda em cima do fecho, uma sombria reflexão sobre o dilema do Partido Republicano: ser ou não ser pela democracia, eis a questão.Fica para amanhã o correio dos leitores que esteve previsto para hoje.
1
A confiança nos grupos de técnicos e de governantes que integram a tomada de decisões faz parte da minha forma de encarar esta época extraordinária e esta é uma atitude tão profunda quanto inabalável. Isto não significa que não tenha dúvidas e opiniões. Vou tornar pública uma opinião contrária às prioridades do plano de vacinação em consequência do teste positivo do Presidente da minha República e por inerência comandante supremo das Forças Armadas e como tal o cidadão mais significativo do país.Entendo que a primeira linha política devia encabeçar a primeira vaga de vacinas. Não usar a primeira remessa de vacinas no Presidente da República, no Primeiro Ministro e numa lista de pessoas dos órgãos de soberania e de exposição pública elevada (uma lista fácil de fazer, filtrando ministros, secretários de Estado, líderes partidários, candidatos presidenciais, you name themé um erro. Cometido por uma péssima razão: o medo da reação da opinião pública.A um governante não peço que governe em função do que diz o grupo de privilegiados com espaço na comunicação social, nem dos trending topics do Facebook e Twitter, nem dos estudos de opinião. Peço que tudo isso tenha (bastante) menor prioridade que a eficácia das medidas a tomar, que as políticas sufragadas e que as necessidades de cada momento, sobretudo se estamos num momento excecional em que se pede ainda maior atenção às decisões.Se tiver de ser impopular, so be it. Governar não é um concurso de popularidade. Ser político é secundado por ser estadista. É assim que eu voto, é o meu pacto, a minha expectativa.
2
De acordo com o período de confinamento. Um mês, disse António Costa. Disse bem. É a política do medo? Pois que seja. Qualquer pessoa com um dedo e meio de testa já compreendeu a dimensão e a escala da ameaça que o novo coronavírus representa para a espécie humana.Há tempos usei a metáfora da bola de neve. A Covid-19 é a bola de neve: à medida que se espalha, o seu impacto no sistema de saúde aumenta exponencialmente e atrai todos os recursos e esforços que normalmente seriam distribuídos por outras patologias. Não interessa se é público, privado ou não sabe/não responde: o sistema global é afetado. É arrasado à medida que a bola de neve desce a encosta aumentando de tamanho.
3
Novo modelo de previsão da evolução da COVID-19 poderá aliviar a pressão sobre o sistema de saúde. Uma equipa de cientistas MedUni Vienna liderada por Alice Assinger no Centro de Fisiologia e Farmacologia desenvolveu um modelo para prever a sobrevivência de pacientes hospitalizados COVID-19 com um elevado grau de precisão. O aspecto importante deste modelo é que se baseia exclusivamente em medições clínicas de rotina existentes, de modo a não requerer qualquer análise laboratorial complexa adicional.Os médicos podem introduzir os parâmetros dos seus pacientes numa calculadora online, passando a dispor de uma ferramenta para os apoiar nas suas decisões relativas à potencial alta dos pacientes. O modelo matemático que sustenta a ferramenta foi desenvolvido por Stefan Heber do MedUni Vienna Institute of Physiology e baseia-se em medições repetidas do marcador inflamatório proteína C-reactiva, o marcador de creatinina que reflecte a função renal e o número de plaquetas (trombócitos) no sangue.Ainda sem o peer review, já estão disponíveis tanto o artigo científico como a ferramenta de cálculo para uso de especialistas.(Se escreves conteúdos para sites de imprensa ou és jornalista, toma o link para o press-release e dados adicionais.)
4
Uma das principais consequências da cedência do Partido Republicano aos avanços da direita radical, que acabou por levar Trump à presidência dos EUA, está agora exposta como uma ferida profunda: o partido tem hoje duas correntes, uma corrente que é intrinsecamente pró-democracia e outra corrente que quer destruir a democracia americana e tornar o país numa autocracia plutocrata.Os republicanos terão de tomar uma decisão pública sobre isto. Terão de ser claros perante a América: ou são pró-democracia, ou não. Continuarem divididos não é opção.Rui Rio e o que resta do PSD devem mirar-se naquele espelho. Na sua escala, a porta aberta por Passos Coelho com o seu compromisso com o ninho de radicais de direita que emergiu este século em Portugal expôs o PSD ao mesmo dilema vital.A diferença esteve em André Ventura: não quis esperar pelo trajeto interno, apressou-se e saiu do PSD para fundar o Chega. A direita radical portuguesa ganhou o seu veículo, um trator capaz de arrastar eleitores e quadros dos PSD para um movimento de debandada; o esvaziamento do PSD é o facto político desta legislatura.Regressando aos EUA: o sistema político estado-unidense tem-se aguentado bi-partidário até hoje. Será o GOP capaz de manter a tradição e a fidelidade à democracia?

OPINIÕES

João Rodrigues desanca forte em Miguel Sousa Tavares: Passar o tempo. LadrõesDeBicicletas
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Marisa Fernandes escreve sobre a gestão política da tecnologia: De deusa da Terra a criadora da harmonia digital: Gaia a fechar a presidência alemã. DiárioDeNotícias
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João Figueira escreve sobre Jornalismo e André Ventura: As notícias da política rasca.SinalAberto
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Mariana Mortágua escreve sobre a extrema-direita: Pessoas de bem podem votar mal. JornalDeNotícias
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Afonso Camões escreve sobre o papel dos Estados: A desigualdade infeta. DiárioDeNotícias
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Rosália Amorim escreve sobre voto e MAI: Um novo normal exige um novo tipo de voto. DiárioDeNotícias 👉
LINKLOG
One of Trump’s most significant failures is a massive win for the climate movement. The fossil fuel divestment movement was a success in 2020. It will need to go even harder in 2021.  //msnbc.com 🇬🇧

Can Buddhism teach artificial intelligence engineers to make more ethical programs? In the MIT Technology Review, Professor Soraj Hongladarom of Chulalongkorn University in Bangkok argues that programmers not only in the East but also the West can benefit from the principles of Buddhism​ and that AI should strive to relieve “suffering from pain.”  //technologyreview.com 🇬🇧
50,4%
: a Chinese vaccine has been found to be significantly less effective than what previous data suggested, even as the Brazilian research institute that conducted the phase 3 clinical trials urges the public to not focus on the new efficacy rate.  //scmp.com 🇬🇧

10 momentos em que Ventura imitou Trump  //esquerda.net 🇵🇹
A extrema direita é um problema novo e não é apenas político-partidário. Os media e, por inerência, o jornalismo, têm de aprender a lidar com este fenómeno que, aproveitando o jogo e as regras da democracia, apenas as quer corroer. 
A política rasca exige mais vigilância e um jornalismo mais exigente, criterioso e completo. Tal significa que não se pode tratar de forma igual o que é desigual.  //sinalaberto.pt 🇵🇹 
Na web: diário | linklog

O código da vida, decifrado | Arlindo Oliveira | in Jornal Público

Um problema que, durante mais de meio século, desafiou os melhores grupos de investigação do mundo, foi agora resolvido pelo programa AlphaFold.

Sabe-se, há muito tempo, que determinadas características dos progenitores passam para os descendentes. Porém, os mecanismos de transmissão destas características só foram compreendidos há relativamente pouco tempo. Mendel descobriu, e publicou em 1866, algumas das regras que controlam a transmissão destas características, mas o seu trabalho permaneceu ignorado durante décadas e só foi redescoberto no princípio do século XX. Quando, em 1859, Charles Darwin comunicou a sua descoberta (que partilhou com Alfred Russel Wallace) de que este mecanismo de herança de características estava na origem de todas as espécies que existem no planeta, revolucionou a nossa compreensão do mundo. Existia, afinal, uma resposta simples, óbvia e definitiva para a questão: o que somos, de onde vimos, como aparecemos neste planeta? Mas Darwin não sabia como era feita a transmissão de características nem conhecia o trabalho de Mendel. Foi preciso esperar mais um século até ficar definitivamente esclarecido qual o mecanismo biológico usado pela natureza para passar as características dos progenitores para os seus descendentes, criando a variação, mas também a continuidade, que tornam possível o processo evolutivo.

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Certamente | Paulo Querido

Quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Hoje: um diário muito mais político do que é habitual. Não te habitues: tenho dias.

Orçamento de Estado para 2021 aprovado por 3 votos
😂 Rui Rio
😕 Catarina Martins
😰 António Costa
😐 Inês Sousa Real
😞 Telmo Correia
🤥 André Ventura

Pontos breves:

O Bloco fez um arriscado investimento no chumbo do OE com a proposta do corte do Novo Banco. Vai pagar juros altíssimos, a começar já em Janeiro com o eleitorado a fugir de Marisa Matias para Ana Gomes e João Ferreira.

Rui Rio foi o espertalhufo da semana: não arriscou um cêntimo seu e palmou quase todo o lucro que a proposta do Bloco possa vir a render.

O PCP, o PEV e o PAN estiveram imperiais. Não apenas os seus eleitores mas os portugueses de uma forma geral devem-lhes uma palavra de agradecimento pela seriedade, pelo empenho e pelo esforço que colocaram neste Orçamento. Se o documento não ficou pior, muito se deve aos deputados destes três partidos. E se não temos o agravamento desnecessário da tensão política a semanas das presidenciais e da chefia portuguesa da União Europeia, a eles o devemos.

João Leão revelou-se frouxo e inábil. Ou vice-versa. Não me parece que António Costa e João Leão, ou vice-versa, possam invocar a COVID-19 para justificar o gelo fino em cima do qual o Governo vai entrar em 2021. Ou Costa está farto de ser PM, ou este é um desastre político difícil de explicar. E não é limpando as mãos ao Bloco nem dramatizando o golpe de mestre de Rio que o PS se safa.

Catarina Martins e Mariana Mortágua estão a lamber as feridas e a tirar os estilhaços da bomba explodida por Rui Rio. O Bloco perdeu espaço de manobra a troco de nada. Eu creio que foi premeditado o timing da jogada: dar um rebuçado à ala dura do Bloco enquanto se surge como oposição destemida a “este” PS e fazê-lo JÁ, a dois orçamentos de distância das próximas legislativas. Quer dizer: eu QUERO ter esta fé. Chama-me ingénuo se quiseres.

Leia aqui: https://paulo.querido.net/#diario

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51) – C19 Upshot | Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo | Como o Covid-19 representa uma ameaça para as democracias em todo o mundo | Paulo Querido

3 ago 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🧭 Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo

Se só puderes ler um artigo hoje, lê este: é muito, muito bom.

Quanto mais sabemos, mais nos damos conta de que não somos os únicos a julgar. Cada parte interessada está a escolher e a escolher as suas fontes. É uma exposição esclarecedora, mas também chocante, de como a salsicha do conhecimento moderno é verdadeiramente feita. E, como Beck nos lembra, “não seria tão dramático e poderia ser facilmente ignorado se não se tratasse apenas de perigos muito reais e pessoais

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50) – C19 Upshot | Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas | Rastreamento de contactos durante surto de doença por coronavírus, Coreia do Sul, 2020 | Paulo Querido

23 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Luis Grave, Nuno Andrade Ferreira.

💉 Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas

Há agora 163 vacinas em desenvolvimento para o novo coronavírus. O número não pára de crescer de dia para dia. À etapa dos ensaios em pessoas já chegaram 23 dessas vacinas experimentais. Mas quando chegará ao fim a corrida e teremos mesmo uma vacina? Os primeiros resultados dos ensaios começam a sair: a empresa Moderna fê-lo na última semana e a equipa de Oxford fá-lo-á esta segunda-feira.

[Teresa Firmino – Público]

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49) – C19 Upshot | Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança | Como a pandemia está a mudar os meios de comunicação social | Paulo Querido

20 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🔮 Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança

Como combater as alterações climáticas? Como assegurar que tecnologias como a Inteligência Artificial e a robótica servem os cidadãos em vez de se servirem deles? Como garantir a segurança e a privacidade nas redes? Como impedir pandemias e crises humanitárias de diversas ordens? Como continuar a crescer sem comprometer as futuras gerações?

[Graça Carvalho – Dinheiro Vivo]

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48) – C19 Upshot | Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer | Mulheres líderes e coronavírus: olhar para além dos estereótipos para encontrar o segredo do seu sucesso | Paulo Querido

8 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

💉 Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer

Vacinas para prevenir o COVID-19 estão a ser desenvolvidas a um ritmo recorde. Neste artigo pode encontrar tudo o que precisa de saber acerca do progresso que foi feito até agora contra esta doença potencialmente fatal.

O artigo inclui notícias recentes sobre os candidatos a vacinas a ser desenvolvidos em vários países, as investigações mais promissoras, mas também reflecte sobre as dificuldades e as várias fases antes de uma aprovação generalizada, ou a probabilidade de não se conseguir uma vacina.

[Dale Smith – CNET]

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47) – C19 Upshot | A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo | Os casos de COVID estão a aumentar. As mortes por COVID estão a decrescer. Porquê? | Paulo Querido

1 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🖐️ A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo

A crise da covid-19 é provavelmente a maior experiência social das nossas vidas. Não sabemos quando ou como irá terminar. É ainda demasiado cedo para prever como irá mudar radicalmente a forma como os europeus vêem as suas próprias sociedades. Mas já podemos ver que a pandemia transformou a forma como os europeus vêem o mundo para além da Europa, e – como consequência – o papel da União Europeia nas suas vidas.

  • Nas fases iniciais da crise, a política foi suspensa, e a opinião pública ficou atrás das acções dos governos nacionais. Os cidadãos foram enviados para o exílio interno nas suas próprias casas, muitos paralisados pelo medo e pela incerteza. Os governos avançaram rapidamente para introduzir medidas de emergência para impedir a propagação da doença, apoiar os sistemas de saúde, e salvar postos de trabalho e empresas do colapso.
  • Na próxima fase da crise, à medida que os governos angariarem vastas somas de dinheiro para financiar uma recuperação, terão de ter em conta a política. Não será suficiente desenvolver as políticas certas; os governos e os líderes da UE também terão de encontrar a linguagem e os quadros adequados para ganhar o apoio do público para as suas políticas. Para o fazerem, terão de compreender como a covid-19 mudou – ou não – os receios e expectativas do público.

[Ivan Krastev e Mark Leonard – ECFR.EU]

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45) – C19 Upshot | Como o vírus ganhou | Coronavírus: cientistas descobrem porque é que algumas pessoas perdem o seu olfacto | Paulo Querido

29 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave, JL Andrade.

🦠 Como o vírus ganhou

Começou pequena. Um homem perto de Seattle teve uma tosse persistente. Uma mulher em Chicago teve febre e falta de ar.

Surgem surtos invisíveis em todo o lado. Os Estados Unidos ignoraram os sinais de aviso. Analisámos padrões de viagem, infecções ocultas e dados genéticos para mostrar como a epidemia se tornou descontrolada.

  • Um relato interativo  de impressionante qualidade, com eficazes visualizações de dados, mostra-nos como os EUA perderam contra a pandemia.

[Derek Watkins et al – The New York Times]

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43) – C19 Upshot | Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19 | O número K é o novo número R? O que você precisa saber | Paulo Querido

22 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

⚱️ Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19

As vacinas e os rastreios do sarampo, da tuberculose e de outras doenças infecciosas estão em baixa na pandemia.

Qualquer país é vulnerável quando confrontado com múltiplas ameaças“, disse à Vox Claire Standley, membro do corpo docente do Centro de Ciência e Segurança Global da Saúde da Universidade de Georgetown. “Os que correm maior risco são os que têm recursos humanos, materiais e financeiros limitados para apoiar a resposta aos surtos

[Katherine Harmon Courage – Vox]

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42) – C19 Upshot | Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia? | Estarão as nações mais seguras do coronavírus quando as mulheres lideram? | Paulo Querido

17 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave.

🦠 Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia?

A Suécia tem seguido uma estratégia de coronavírus diferente da maioria do resto do mundo desenvolvido: deixa o vírus correr solto, refreia-o o suficiente para garantir que não sobrecarregue o sistema de saúde como em Hubei, Itália ou Espanha, mas não tenta eliminá-lo. Pensam que pará-lo completamente é impossível. A consequência natural é que a maioria dos cidadãos é infectada, e isso acaba por abrandar a epidemia. É por isso que, em suma, as pessoas chamam a essa estratégia “Imunidade do Rebanho“.

A outra estratégia é o Martelo e a Dança. O Martelo ataca  agressivamente o coronavírus, fechando a economia. Uma vez travado, salta para a Dança substituindo o bloqueio agressivo por medidas baratas e inteligentes para controlar o vírus.

Alguns países e Estados, como a Holanda e o Reino Unido, ou Estados norte-americanos como o Texas e a Geórgia, implementaram medidas entre as duas estratégias. Então qual é a melhor estratégia?

  • Nota: artigo longo e com boa controvérsia nos comentários.

[Tomas Pueyo – Medium]

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41) – C19 Upshot | Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo? | “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta | Paulo Querido

16 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🇪🇺 Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo?

No meio da discussão sobre possíveis instrumentos financeiros para fazer face aos custos da pandemia, já está à vista o problema básico que poderá surgir quando a emergência sanitária tiver terminado. Itália e Espanha foram duramente atingidas pelo vírus, mas Portugal – com menos casos – também se sentiu atacado por declarações políticas vindas do Norte da Europa.

A retórica do confronto Norte-Sul voltou à política da UE, com o risco de minar a confiança dos poucos italianos eurófilos que ainda restam e de marcar uma mudança de tendência em Espanha e Portugal. Se o europeísmo ingénuo sofrer uma mutação, como o vírus, aprofundará a divisão Norte-Sul.

[Héctor Sánchez Margalef – ctxt.es]

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40) – C19 Upshot | Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior | O efeito das políticas anti-contágio em grande escala na travagem da pandemia da COVID-19 | Paulo Querido

12 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🖍️ Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior

As democracias têm um grave problema com a produção intencional de transformações sociais, sejam elas chamadas reformas ou transições. Deve ser o facto de vivermos em democracias onde pouco se transforma que explica por que razão, quando uma catástrofe atinge aqueles que mais desesperaram, se torna possível mudar a sociedade através da vontade política ordinária, a mais esperançosa de que a natureza corrija as coisas.

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39) – C19 Upshot | O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo? | Rastreador de infecções | Paulo Querido

9 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

🦠 O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo?

O vírus que causou o Sars original já não nos assombra, mas as características do coronavirus de hoje indicam que é pouco provável que desapareça da mesma forma.

Num prazo semelhante ao do Sars original, o SARS-CoV-2 revelou-se mais contagioso, mas aparentemente menos mortífero do que o seu primo era há quase 20 anos. Uma preocupação adicional – e crítica – é que o SARS-CoV-2 se propaga eficientemente antes de as pessoas adoecerem. Isto torna as tradicionais restrições de saúde pública de base sintomática, que funcionaram bem para a Sars, em grande parte incapazes de conter o COVID-19.

No fundo, esta facilidade de transmissão significa que o SARS-CoV-2 é infinitamente mais desafiante de controlar. Temos também uma má compreensão se a captura e a recuperação do COVID-19 o impede completamente de voltar a capturar o vírus e de o transmitir a outros. Em conjunto, estes factores significam que a SRA-CoV-2 irá muito provavelmente instalar-se na população humana, tornando-se um vírus endémico como os seus primos coronavirus, que são as principais causas de constipações todos os Invernos.

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38) – C19 Upshot | Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia | O racismo, não a genética, explica porque os americanos negros estão a morrer da COVID-19 | Paulo Querido

8 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🇪🇺 Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia

A resposta da Comissão Europeia ao coronavírus enfrenta pelo menos cinco desafios fundamentais – todos eles criando oportunidades significativas para a Europa.

Quando se serve nas instituições da União Europeia, é imperativo acreditar que o que mais importa é o interesse da União como um todo – e agir em conformidade. A acção política assenta na firme convicção de que os interesses nacionais devem ser incorporados no bem comum europeu. Isto aplica-se em todas as circunstâncias, incluindo a segunda fase da crise que a Europa enfrenta devido à pandemia. A Europa do Norte não pode sair da crise como vencedora se o Sul for ferido.

Este é, portanto, o dilema fundamental que a Presidente Ursula von der Leyen e os membros da sua Comissão precisam de resolver. Irão eles agir como políticos de países separados ou como estadistas europeus que reafirmam a unidade, a solidariedade e a coordenação entre os Estados-Membros? Há pelo menos cinco desafios fundamentais com os quais têm de lidar.

[Anna Diamantopoulou – ECFR]

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37) – C19 Upshot | A distância social como guerra civil | Desinformação no púlpito | Paulo Querido

4 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque

🧍↔️🧍 A distância social como guerra civi

A separação entre cidadãos imposta pelo coronavírus, e que em princípio apenas diz respeito à separação física, tem sido chamada de “distância social”, alargando à sociedade o que se refere aos corpos. Talvez tenha sido um acto de poder falhado, talvez seja devido a uma intenção obscura, mas o certo é que nos faz pensar no início do fragmento 25 da Sociedade do Espetáculo: “A separação é o alfa e o ómega do espectáculo”.

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36) – C19 Upshot | As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais | Visualizando a propagação da Covid-19 | Paulo Querido

3 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade

🦠 As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais

Existiram três grandes pandemias no século XX, todas elas causadas por variantes do vírus da gripe. Em termos de risco de morte, a atual pandemia não é qualitativamente muito diferente das gripes que assolaram o mundo em 1957 e em 1968, e que agora são comuns e endémicas, recorda-nos Arlindo Oliveira.

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35) – C19 Upshot | Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*. | A economia está de pernas para o ar. E agora? | Paulo Querido

1 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🤒 Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*.

Quando os especialistas recomendam o uso de máscaras, ficar pelo menos a dois metros de distância dos outros, lavar as mãos com frequência e evitar espaços apinhados, o que eles estão realmente a dizer é o seguinte: tente minimizar a quantidade de vírus que encontra.

Umas poucas partículas virais não podem levar-nos a adoecer – o sistema imunitário destruiria os intrusos antes que eles pudessem. Mas quanto vírus é necessário para que uma infecção crie raízes? Qual é a dose mínima eficaz?

[Apoorva Mandavilli – The New York Times]

💶 A economia está de pernas para o ar. E agora?

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34) – C19 Upshot | Ideologia e coronavírus | Como é que um vírus se espalha nas cidades? É um problema de escala | Paulo Querido

29 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Nuno Andrade Ferreira, Ana Roque.

🐃 Ideologia e coronavírus

Há duas abordagens para enfrentar o desafio do coronavírus: as propostas libertárias dão prioridade à economia acima da saúde pública, enquanto as propostas socialistas dão prioridade à saúde pública acima da economia.

Os países libertários dependem do desenvolvimento da “imunidade do rebanho” à doença, em vez de impor distancias sociais e “lockdowns“, que visam, em vez disso, reduzir a propagação da infeção. Ao contrário das medidas socialistas, a abordagem da “imunidade do rebanho” não necessita de qualquer regulamentação, porque permite que a doença se propague de modo a que as pessoas que sobrevivem se tornem predominantes; permite que a sobrevivência do rebanho siga o seu curso, de modo a desenvolver um “rebanho forte”.

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33) – C19 Upshot | A anarquia pós-COVID que se avizinha | Dominic Cummings: as pessoas poderosas têm maior probabilidade de violar as regras – mesmo as feitas por elas | Paulo Querido

28 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Nuno Andrade Ferreira, JL Andrade.

🦄 A anarquia pós-COVID que se avizinha

Apesar dos melhores esforços dos guerreiros ideológicos em Pequim e Washington, a verdade incómoda é que a China e os Estados Unidos são ambos susceptíveis de sair desta crise significativamente diminuídas. Nem uma nova Pax Sinica nem uma Pax Americana renovada se erguerão das ruínas.

Pelo contrário, ambas as potências ficarão enfraquecidas, tanto a nível interno como externo. E o resultado será uma lenta mas constante deriva em direção à anarquia internacional através de tudo, desde a segurança internacional ao comércio até à gestão de pandemias. Sem ninguém a dirigir o tráfego, várias formas de nacionalismo desenfreado estão a tomar o lugar da ordem e da cooperação. A natureza caótica das respostas nacionais e globais à pandemia constitui, assim, um aviso para o que poderá vir numa escala ainda mais vasta.

[Kevin Rudd – Foreign Affairs]

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32) – C19 Upshot | COVID-19 e a normalização da vigilância em massa | Impacto económico da pandemia poderá atingir 8,8 biliões de dólares a nível mundial | Paulo Querido

26 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

👮🏼‍♂️ COVID-19 e a normalização da vigilância em massa

Nos últimos meses, governos que vão da Austrália ao Reino Unido e empresas tão influentes quanto Google e Apple adotaram a ideia de que o rastreamento através dos telemóveis pode ser usado para combater efetivamente o COVID-19.

Infelizmente, a ideia é tecno-utópica, baseada no otimismo e não na evidência. O impacto real dessa abordagem na sociedade não seria uma imunidade melhor, mas a aceitação e o crescimento de um estado de vigilância global ainda mais poderoso e omnisciente.

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31) – C19 Upshot | Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é? | Erradicar o vírus é impossível. Libertem as praias | Paulo Querido

25 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido.

🗳️ Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é?

Baixa confiança, notícias falsas e muito dinheiro. A democracia enfrenta a sua maior ameaça em décadas, talvez séculos. Mas antes que possamos corrigi-la, precisamos entender o que é. Uma das duas palavras-chave é poder. O poder final sempre volta ao povo. Alguém tem que ter o poder da sociedade e, se não é o povo, quem é?

  1. É uma ótima pergunta que implora uma segunda:
  2. se estamos insatisfeitos com os nossos sistemas de governo e gostaríamos de avançar para algo mais parecido com o “governo pelo povo“, por onde começar? Podemos consertar a democracia?

[Patrick Chalmers – The Correspondent]

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30) – C19 Upshot | Como viveremos a seguir ao vírus | A vacina para todos será uma (cara) quimera | Paulo Querido

👿 John Lloyd – Quillette // Como viveremos a seguir ao vírusMuitos acreditam que o futuro beneficiará os autoritários, e que as circunstâncias atuais já o fizeram – mesmo os estados mais liberais e democráticos colocaram seus cidadãos sob uma espécie de prisão domiciliária, uma política imposta pela ameaça de detenção e por espionagem vizinha e censura social. Outros desesperam com a abdicação dos EUA da sua posição de liderança mundial e temem que a China realmente beneficie do vácuo.

Mau, mau, é o euro

A dívida aumentará para níveis anteriormente considerados inadmissíveis, exceto na guerra. Pior: por mais sombria que as perspectivas económicas pareçam”, relatou o New York Times, o maior perigo para a economia mundial pode ser o risco de que o euro possa ser prejudicado pelas brechas profundas entre os membros da UE

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29) – C19 Upshot | Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos? | Post Corona: Os Quatro | Paulo Querido

⚖️ Lisa Cornish – Devex // Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos?“Devemos garantir que quaisquer medidas de emergência sejam legais, proporcionadas, necessárias e não discriminatórias, tenham um foco e duração específicos e adotem a abordagem menos invasiva possível para proteger a saúde pública”, disse António Guterres. “A melhor resposta é aquela que responde proporcionalmente a ameaças imediatas enquanto protege os direitos humanos e o estado de direito”.

Que é isto?

Em 23 de abril o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, divulgou um novo resumo da política destacando essa crescente preocupação dentro da ONU e alertou os governos sobre os riscos de diminuir a prioridade dos direitos humanos. Este artigo passa em revista várias políticas em todo o mundo que estão a fazer precisamente isso.

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28) – C19 Upshot | Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19 | Novo estudo indica que o verão não é suscetível de afetar a disseminação do COVID-19 | Paulo Querido

🗃️ Estelle Massé – Access Now // Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19O rastreamento de contatos é o processo de identificação, avaliação e gestão de pessoas que foram expostas a uma doença para impedir a transmissão subsequente. Por meio desse processo, governos e profissionais de saúde buscam ajudar a limitar a propagação de um vírus, interromper a transmissão contínua e aprender sobre a pandemia.

O contact tracing é mesmo necessário?

Resposta rápida: não. Resposta longa: não, de todo!

Estás a gozar-me!?

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27) – C19 Upshot | Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo | Manhattan deserta se trabalhar em casa se tornar a norma | Paulo Querido

🌐 – Bloomberg // Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo.Alguns analistas dizem que o fundo está próximo, mas poucos esperam que a economia volte ao estado anterior à pandemia. Prepare-se para um alívio maciço da dívida, mais intervenção do governo, aumento das tensões China-EUA e, pelo lado positivo, mais mulheres na força de trabalho.

Que se passa?

A Bloomberg pediu a várias personalidades mundiais da economia, finança e política o seu melhor palpite sobre como as nossas vidas serão fundamentalmente mudadas.

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26) – C19 Upshot | Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19 | Pela conquista de novos direitos laborais na pandemia | Paulo Querido

💉 Lawrence Corey et al – Science Magazine // Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19Os coronavírus têm um genoma de RNA de fita simples com uma taxa de mutação relativamente alta. Embora tenha havido alguma deriva genética durante a evolução da epidemia, as principais alterações não são extensas até o momento, especialmente nas regiões consideradas importantes para a neutralização; isso permite um otimismo cauteloso de que as vacinas projetadas agora serão eficazes contra cepas circulantes daqui a 6 a 12 meses.

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25) – C19 Upshot | Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimento | Em que dados do Covid-19 podemos afinal confiar? | Paulo Querido

💚 Guilherme Serôdio e Hans Eickhoff – Público // Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimentoParece que não há coragem para pensar ou liderar a necessária luta ecológica pela transição da sociedade. Será que uma análise verdadeiramente ecológica, sóbria, corajosa e profunda do problema “não vende”?

A situação atual é assustadora

Os autores consideram urgentemente ter a coragem e a humildade de questionar posicionamentos que se defenderam durante vidas inteiras. É preciso ter a coragem de aceitar que não devíamos, nem “relançar a economia”, nem andar como loucos à procura de soluções tecnológicas que resolveriam magicamente os nossos problemas.

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24) – C19 Upshot | A pandemia e a recolonização do tempo | O relato de uma doente que sobreviveu ao novo coronavírus | Paulo Querido

🕰️ Çiğdem Boz e Ayça Tekin-Koru – Social Europe // A pandemia e a recolonização do tempoA expansão do tempo livre durante a crise poderia levar a uma reavaliação do lazer e a uma esfera pública revalorizada.

Que se passa?

Um texto deveras interessante: as autoras debruçam-se sobre um efeito inesperado do confinamento, a valorização do que entendemos por tempos livres. O lazer é entendido hoje como tempo livre. Esta é, no entanto, uma versão diminuída do lazer na tradição aristotélico-marxista. Para os gregos antigos, lazer não significava perder tempo. Pelo contrário, era a forma ideal de autonomia temporal para exibir as virtudes superiores: bondade, verdade e conhecimento.

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23) – C19 Upshot | O contrato racial da América está à vista | Covid-19: A vacina é o próximo campo de batalha | Paulo Querido

⚔️ Adam Serwer – The Atlantic // O contrato racial da América está à vistaA pandemia expôs os termos amargos do contrato racial americano, que considera certas vidas de maior valor que outras. Quando percebeu quem o vírus mais matava, a administração Trump relaxou o combate.

Hipocrisia racial tornada política

A epidemia de coronavírus tornou visível o contrato racial de várias maneiras. Uma vez que o impacto desproporcional da epidemia foi revelado à elite política e financeira americana, muitos começaram a considerar o aumento do número de mortos menos como uma emergência nacional do que como um inconveniente. Medidas temporárias destinadas a impedir a propagação da doença restringindo o movimento, obrigando o uso de máscaras ou impedindo grandes reuniões sociais tornaram-se tirânicas. A vida dos trabalhadores na linha de frente foi considerada tão inútil que os legisladores querem aliviar os seus empregadores da responsabilidade, mesmo quando os forçam a trabalhar em condições inseguras. No leste de Nova York, a polícia agride moradores negros por violar regras de distanciamento social; na parte baixa de Manhattan, distribuem máscaras e sorrisos para pedestres brancos.

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22) – C19 Upshot | O “barril de pólvora” das residências para idosos de Madrid, Rumo a um rendimento mínimo europeu | Paulo Querido

👵🏻🦠 Julio de la Fuente – ctxt.es // O “barril de pólvora” das residências para idosos de MadridApenas 5% dos lares e 12% das suas vagas são administrados diretamente pelo governo regional, facto que se mostrou essencial no combate à pandemia, uma vez que, sem capacidade real de controlo, foi muito difícil dar resposta rápida aos pedidos recebidos das administrações.

O horror espanhol explicado

Relacionando o relato cronológico da pandemia em Espanha com as respostas, sobressaem duas explicações que, juntas, não deixam margem para dúvidas. O fraco controlo das estruturas residenciais para idosos por parte das autoridades de Madrid e a lentidão em aceitar que a pandemia existia levaram ao descalabro na região (mais que no resto do país).

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21) – C19 Upshot | No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidade, Así será el día después del Covid-19, según los expertos de la mayor universidad presencial de España | Paulo Querido

🚴‍♀️ Mário Rui André – Shifter // No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidadeCom os transportes públicos sob ameaça de perder passageiros, por medo e por restrições às lotação dos veículos, e com o automóvel a não ser uma alternativa sustentável, algumas cidades já estão a olhar para a bicicleta e para o andar a pé como parte do pós-confinamento.

Sumário

O artigo passa em revista algumas mudanças em cidades europeias. Londres e Glasgow, no Reino Unido, tornaram os seus sistemas de bicicletas partilhadas gratuitas para estimular o uso – em Lisboa foi feito o mesmo mas apenas para profissionais de saúde. Também as bicicletas elétricas podem ser úteis, ajudando a descongestionar o trânsito citadino e a melhorar o ambiente. Muitas cidades pelo mundo criaram ou estão a planear criar ciclovias temporárias.

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20) – C19 Upshot | Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamento, What Life Looks Like on the Other Side of the Coronavirus | Paulo Querido

🌐 Cristina Benlloch, Empar Aguado e Anna Aguado – The Conversation // Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamentoAs mulheres não são obrigadas a trabalhar em casa e a cuidar de crianças em simultâneo, mas espera-se que devem tentar facilitar o teletrabalho dos seus parceiros

Que se passa aqui?

Cristina Benlloch e Empar Aguado, professores do Departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade de Valência, e a cientista-jurista política Anna Aguado estão a realizar pesquisas para aprender como o confinamento afeta o teletrabalho e a conciliação em unidades familiares. Com entrevistas por telefone e uma pesquisa voluntária on-line concluem, entre outras observações, que são principalmente as mães que monitoram a situação escolar de seus filhos e que, em alguns casos, as mulheres precisam facilitar o teletrabalho para seus parceiros.

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19) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

🐑 Carl T. Bergstrom e Natalie Dean – The New York Times // O que realmente significa a imunidade de grupoTalvez o mais importante seja entender que o vírus não desaparece magicamente quando o limite de imunidade do rebanho é atingido. Não é quando as coisas param – é apenas quando elas começam a desacelerar.

A experiência sueca

A Suécia enveredou por uma política diferente: não confinou a população, aplicando apenas umas frouxas medidas aos idosos. O objetivo: manter a economia a funcionar, esperando atingir rapidamente a imunidade de grupo e apostando que no longo prazo o número de vítimas será idêntico ao dos países que confinaram.

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18) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

⛽ Antonia Colibasanu – Geopolitical Futures // Adiando uma catástrofe na produção de petróleoRecém-chamado a intermediar um acordo global sobre cortes na produção de petróleo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os cortes americanos são uma prioridade para o país.

Que se passa?

O armazenamento de petróleo está quase no limite da capacidade. O acordo para a extração limitada pode fracassar ou ser insuficiente, o que levaria a uma catástrofe com o preço do petróleo a cair até ao zero neste mês de maio.

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17) – C19 Upshot | E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuro | Paulo Querido

🔮 Tiago Barbosa Ribeiro – Público // E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuroSe ninguém tem uma bola de cristal para antecipar as mudanças, há tendências que se desenham no horizonte. Arrisco antecipar muito sumariamente dez delas.

Sinopse

O autor fornece uma lista com o que considera serem as 10 tendências do futuro pós-pandemia. Mais Estado; mais e melhor Europa; mudanças na globalização; reindustrialização; mudança de paradigmas de trabalho; mais uma legião de desempregados; digitalização e desmaterialização; emergência climática; reforço do serviço de saúde como direito fundamental; maior recolha de dados sem menor amplitude democrática; e novas regras mundiais para limitar focos de zoonoses.

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16) – C19 Upshot | Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperação | Paulo Querido

Jessica Hinds – Capital Economics // Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperaçãoExistem sinais preliminares de melhoria da atividade económica nos dados de alta frequência, como o aumento do consumo de eletricidade em Itália e em Espanha e um tráfego ligeiramente menos deprimido nas cidades alemãs na semana passada.

A sério?!

Sim. A autora pensa que Abril pode marcar o início da recuperação. Mas avisa que ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão pois outros indicadores ainda precisam de mostrar progressos.

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15) – C19 Upshot | Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvação | Paulo Querido

George Monbiot – The Guardian // Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvaçãoEsta crise é uma chance de reconstruir nossa economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não seus destruidores, diz o colunista do Guardian George Monbiot

Que se passa aqui?

Esta crise é uma oportunidade para reconstruir a economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não os seus destruidores, defende o colunista do Guardian George Monbiot.

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14) – C19 Upshot | Como a pandemia afeta a liderança americana no mundo | Paulo Querido

João Paulo Charleaux – Nexo Jornal // Como a pandemia afeta a liderança americana no mundoCom recorde de mortos, um sistema de saúde colapsado e taxas históricas de desemprego, os EUA vêem tornar-se mais frágil uma imagem construída a partir da Segunda Guerra Mundial. Cenário acentuado pela degeneração do quadro político interno: mesmo durante a crise, Trump não desistiu da postura permanentemente belicosa que caracterizou todo o seu mandato.

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13) – C19 Upshot | Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’ | Paulo Querido

Laura Spinney – the Guardian // Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’At the moment, we are seeing half-empty ICUs in Germany. This is because we started diagnostics early and on a broad scale, and we stopped the epidemic – that is, we brought the reproduction number [a key measure of the spread of the virus] below 1. Now, what I call the “prevention paradox” has set in. People are claiming we over-reacted, there is political and economic pressure to return to normal. The federal plan is to lift lockdown slightly, but because the German states, or Länder, set their own rules, I fear we’re going to see a lot of creativity in the interpretation of that plan. I worry that the reproduction number will start to climb again, and we will have a second wave.

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12) – C19 Upshot | O que mudou num mês? Não há dinheiro | Paulo Querido

Tiago Freire, Exame // O que mudou num mês? Não há dinheiro. Não sei se o governo subestimou os custos desta travagem, para as empresas e para os cofres do Estado (por exemplo com a magnitude do recurso ao layoff simplificado). Provavelmente esperaria uma ação solidária europeia, com meios que ajudassem neste momento absolutamente extraordinário, algo que o bom senso poderia razoavelmente prever. O problema é que o bom senso não é há muito critério para a atuação da União Europeia. Ao fim do dia, e por mais floreados que o esforçado Mário Centeno faça, da Europa veio uma mão-cheia de nada, e mesmo assim arrancada a ferros.

O que se passa? Sujeito à pressão contínua de múltiplos actores do comércio, indústria e restauração, completamente parados desde o início do confinamento obrigatório do Estado de Emergência, o Governo Português prepara-se para lançar um plano de reabertura da economia, quando, há poucas semanas, deixava (pouco) implícito que estaríamos confinados, para nossa segurança, durante largas semanas. O que mudou?

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11) – C19 Upshot | Repensar as cidades e o modo de vida | Paulo Querido

Repensar as cidades e o modo de vida

Talvez a principal oportunidade proporcionada pelo coronavirus seja a de repensarmos a forma como nos organizamos nas cidades. Ao longo dos milénios vimos acumulando mais e mais pessoas, recursos e riqueza em cidades que se tornaram estados e cresceram até se tornarem megacidades complicadas de gerir, que começam a criar mais problemas do que as soluções que oferecem. A insustentabilidade do modelo mega é hoje notória. A leitura de dois artigos abaixo propostos é uma reflexão intensa sobre o nosso modo de vida – e como o vamos modificar.

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10) – C19 Upshot | Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação | Paulo Querido

Teresa de Sousa, Público // Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.

Que se passa aqui? Trata-se de uma grande entrevista a Teresa de Sousa de Mário Centeno enquanto presidente do Eurogrupo. Mostra-se obviamente otimista para o Conselho Europeu, dizendo coisas como: ‘O apelo que agora é feito à inovação neste último passo – o da recuperação – não é novo. Não devemos ficar muito ansiosos, portanto, face à capacidade para inovar também aqui. Estou muito confiante e muito seguro de que essa resposta vai aparecer. As forças que têm permitido construir a Europa vão estar presentes nesta discussão e vão levar-nos a um porto seguro.’

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9) – C19 Upshot | El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad | Paulo Querido

Eduardo Fernández, El Mundo // El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad “El Ministerio de Trabajo y Economía Social está trabajando en dos fases para las medidas en los sectores más afectados: excepcionalidad atenuada, que durará hasta este verano, y normalidad atenuada, que se prolongará hasta final de año”, comunicó a última hora este departamento.

O que se passa? O Governo Espanhol prepara a segunda fase de abertura do País, e entre a primeira fase agora encetada, e a segunda fase, depois do verão até ao final do ano, antevê que negócios como a Cultura, os Bares e Restaurantes e os Hotéis possam vir a ser fortemente restritos até ao final de 2020.

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8) – C19 Upshot | Sobrevive a democracia ao coronavírus? | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

Nova secção de bookmarks

A partir da edição de ontem a newsletter conta com uma secção fixa intitulada **bookmarks**. O objetivo é manter uma lista perene de links para conteúdos particularmente úteis, como sites de síntese gráfica, boletins oficiais relevantes e documentos científicos.

Esta lista será acrescentada regularmente e aceita indicações dos leitores, que as podem submeter por email (ver abaixo, na secção). Uma vez analizada a sua pertinência, serão integrados. Aliás, o quinto link foi inserido hoje a partir da sugestão enviada por um membro. E escrevo ‘membro’ porque a newsletter não se esgota enquanto tal: propõe a interação entre os interessados, em moldes que vão eles próprios evoluir com o tempo e o envolvimento.

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7) – C19 Upshot | O estertor do jornalismo agravado pela pandemia | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

O estertor do jornalismo agravado pela pandemia

No início da pandemia muita gente dentro dos media esfregou as mãos. A procura de jornais, de papel e em linha, disparou. Os mais alegres vaticinaram o regresso do jornalismo. Mas sucedeu o contrário. Entre as primeiras vítimas económicas do COVID-19 está o jornalismo. E mais uma vez as respostas do setor foram as erradas. Em Portugal os diretores de 20 meios apelaram ao coração dos consumidores para comprarem assinaturas ao mesmo tempo que os responsabilizavam por um detalhe que não tem importância económica alguma (a partilha de PDFs) e baixavam as paywalls, criando um conjunto de sinais no mínimo confuso.

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5) – C19 Upshot | Four scenarios for the global economy after COVID-19 | Paulo Querido

Carsten Brzeski e James Smith, ING // Four scenarios for the global economy after COVID-19 In this fast-moving environment, we need to think in scenarios, rather than pretending to know how the economy will evolve over the next 1 ½ years. We’ve developed four scenarios of how the virus, the lockdown measures and consequently the different economies could evolve. Needless to say, even these scenarios cannot try to fully predict reality, but we hope they can provide a benchmark for both the extremes and the middle-ground. In each case, we’ve laid out some possible health factors that may be driving the scenarios – although we’d emphasise these are not meant to be interpreted as forecasts.

O que se passa? O ING criou um conjunto de 4 cenários sobre o futuro próximo na progressão do COVID-19 (um com a baseline, um assumindo a reincidência do virus no Inverno, um cenário optimista e um cenário pessimista) que, sem recorrer aos artifícios clássicos de quadrantes e outros que tais, baliza de forma sóbria num artigo de poucos minutos de leitura os potenciais caminhos económicos dos meses que se nos avizinham.

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4) – C19 Upshot | Ensaio: o capitalismo numérico | Paulo Querido

José Gil no Público // Ensaio: o capitalismo numérico A verdade é que este período de luta pela sobrevivência física não gerou até agora nenhum sobressalto político ou espiritual, nenhuma tomada de consciência da necessidade de mudar de vida. Não gerou esperança no futuro.

Sumário O filósofo José Gil assina este interessante artigo onde ensaia algumas modificações mais ou menos radicais do nosso modo de vida. Segundo ele, fator decisivo são as “novas” tecnologias, que vão aplicar-se num quadro pós-pandémico de desterritorialização e em plena crise ecológica.

O capitalismo acaba? Não, que ideia 😛 Para Gil, não escaparemos ao seu poder de “preservação, auto-regeneração e metamorfose”.

Nova subjectividade Gil antevê a formação de um novo tipo de subjetividade, a subjetividade digital, a surgir no final da atual transição que é o confinamento, e que se colocará no centro do novo “capitalismo numérico”. A Covid-19 seria o trampolim a catapultar a colectividade para um nível superior, o da sociedade digital. Em vez de progredir gradualmente, passando por fases mediadoras, a pandemia vai obrigar a um salto brutal, impondo indiscriminadamente a digitalização de todas as actividades.

Obey! Talvez a parte mais perturbadora do ensaio diz respeito ao comportamento geral. José Gil diz sem rodeios que a nova subjectividade comportará capacidades passivas de obediência voluntária e capacidades activas de funcionamento programado, características já presentes na subjectividade digital pré-pandémica.

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3) – C19 Upshot | Dumped Milk, Smashed Eggs, Plowed Vegetables: Food Waste of the Pandemic | Paulo Querido

David Yaffe-Bellany e Michael Corkery no NYT // Dumped Milk, Smashed Eggs, Plowed Vegetables: Food Waste of the Pandemic With restaurants, hotels and schools closed, many of the nation’s largest farms are destroying millions of pounds of fresh goods that they can no longer sell.

Que se passa? Milhões de litros de leite, milhões de vegetais frescos, toneladas de produtos alimentares estão a ser atirados para o lixo. O artigo foca os EUA e pressupõe o efeito da paralisação forçada pela pandemia. Mas o problema é muito maior.

O modelo insustentável do desperdício Ao contrário de alguma crença, os alimentos não estão a ser atirados fora apenas porque os produtores preferem isso a dá-los a quem precisa. O que está em causa não é tanto o modelo capitalista, mas toda a complexa organização da produção alimentar. A começar pela lógica geográfica, que empurrou a produção para demasiado longe dos locais de consumo. A rede de frio e de transportes é demasiado atreita aos contratempos e às crises duráveis.

Menos vegetais em casa Os hábitos alimentares também mudam, levando os produtores a alterar planos. Por exemplo: o consumo de vegetais frescos é menor em casa do que no restaurante.

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2) – C19 Upshot | A resposta europeia à pandemia: um “castelo de cartas”? | Paulo Querido

Ricardo Cabral e Ricardo Sousa, Público // A resposta europeia à pandemia: um “castelo de cartas”? As medidas que têm vindo a ser anunciadas terão custos enormes. Não são credíveis na protecção dos trabalhadores, sendo expectável um aumento em massa do desemprego e da precariedade das condições laborais sem paralelo. São complacentes com a eliminação de um grande número de pequenas e médias empresas, garantindo apenas a sobrevivência daquelas que, por via de relações privilegiadas com o poder político ou com o sector financeiro, acabarão por concentrar grande parte dos recursos do país.

Que se passa?! A resposta da UE à crise pandémica é por um lado pífia e por outro irá reforçar o poder dos indivíduos e instituições que já o detém. O pacote de 500.000 milhões de euros aprovado pelo Ecofin com uma encenação de dramatismo que é mais significativa que o acordo é um exemplo da decepção.

Mais austeridade? Exatamente. Podem os governantes, como o PM português António Costa, pretender dourar a pílula como quiserem que o amargo não desaparece: a resposta da UE é apenas e só um conjunto de linhas de crédito, a empresas e a estados. O que significa juros e prazos de pagamento que atendem exclusivamente aos interesses de quem empresta.

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1) – C19 Upshot | EDITORIAL | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

O que vai ser esta newsletter?

C19 Upshot: explicar a incerteza — é uma nova publicação diária gratuita, distribuída a assinantes por correio eletrónico. É elaborada por uma equipa plural que inclui jornalistas, cientistas e outras pessoas experientes em filtrar o caudal informativo nas suas áreas, identificando os sinais acima do ruído.

A atitude da equipa é de serviço público. O seu único compromisso é propor a leitura de artigos de qualidade que lancem luz sobre o futuro moldado pelos efeitos da pandemia COVID-19 e suas sequelas. Numa frase curta: constituir um filtro de inteligência que coe a torrente de informação relacionada com a pandemia.

Esta newsletter assume que o seu alvo são pessoas que somam ao interesse por reflexões de utilidade comprovada algum à-vontade com as línguas, pois apresentará fontes em português, castelhano, inglês, francês – italiano e alemão podem também surgir.

Nesta primeira edição temos 7 sugestões, das quais 4 são artigos anotados e 3 são breves links. Procuraremos manter um ritmo de entre 2 a 5 artigos sumarizados e outras tantas breves.

Nota final. A newsletter não é enviada de um endereço ‘no reply’ mas sim do endereço real do projeto. Assim, é interativa: basta responder para a sua mensagem me chegar. Procurarei não deixar correio por responder.

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O “mundo ocidental” acabou | Paulo Querido

Bem, alguma virtude Trump tinha de ter: deixámo-nos de terrorismozinhos e entrámos em guerra aberta. O “mundo ocidental” acabou. A lógica agora é outra. A Europa pode dar as mãos a Putin e acertar contas com o bloco russo, que para vencer Hitler injetou milhões de litros de sangue na Segunda Guerra Mundial contra o fascismo (mas quem ficou com os louros foram os EUA, thanks Hollywood). E alinhar estratégias de abertura com o bloco asiático, principal interessado no que conta: globalização humana, prosperidade via comércio.

Do lado dos béras estão os donos da civilização moribunda, que é a do petróleo e do século passado, e os seus capatazes militares, os trumps que exploraram o voto da América interior moribunda para a sua cruzada contra a civilização.

Isto em português simples e antes que o desenho se acabe de formar.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

Citando Paulo Querido

Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.

Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.

Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.

Paulo Querido in Facebook

Citando Paulo Querido | a propósito de José Sócrates

Há uma constante na televisão desde que José Sócrates começou a aparecer nela com regularidade, já lá vai uma década. Sempre que é entrevistado, nas horas seguintes recolhemos os cacos dos entrevistadores.

Sempre.

Quer-me por isso parecer que talvez devamos procurar a explicação não nos comentadores, mas na capacidade mediática dele. A capacidade de desarmar um discurso. De contrapor. A combatividade. De desrespeitar, respeitando o jogo democrático.

Sócrates escapa à docilidade da esmagadora maioria dos políticos, que preferem uma relação macia com os jornalistas. Se aceitarmos os argumentos sobre a sua ferocidade vindos precisamente dos mais experimentados desses entrevistadores ficará mais fácil analisar o trabalho deles.

Não acho que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves se tenham distinguido pela negativa. Não estiveram brilhantes, é certo, e tiveram os seus próprios momentos de se atropelarem mutuamente.

Mas o problema deles não foi a “má preparação”: foi Sócrates. E, se quisermos fazer mesmo justiça, a súbita existência de um discurso de contraponto aos números e guidelines com que a insistência ultraliberal acabou por adormecer o coletivo através da visão única e da voz monocórdica a repetir a mesma ladainha há 4 anos. Acaba por se entranhar e depois qualquer beliscadura faz estremecer.

O contraponto, para mais expresso por uma pessoa veemente, segura de si e com domínio perfeito — visceral — da narrativa televisiva e do timing, desarmou os entrevistadores, habituados a entrevistados concordantes ou no mínimo macios e oblíquos.

Uma notinha final: da próxima vez que quiserem entrevistar José Sócrates em televisão, para evitar o atropelamento pelo camião TIR televisivo que o homem é, não facilitem metendo 2 (ou mais) entrevistadores. Isso só o ajuda a desarmar — basta-lhe mudar o olhar de um para o outro para destruir uma pergunta.

https://www.facebook.com/PauloQuerido (FONTE)