51) – C19 Upshot | Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo | Como o Covid-19 representa uma ameaça para as democracias em todo o mundo | Paulo Querido

3 ago 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🧭 Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo

Se só puderes ler um artigo hoje, lê este: é muito, muito bom.

Quanto mais sabemos, mais nos damos conta de que não somos os únicos a julgar. Cada parte interessada está a escolher e a escolher as suas fontes. É uma exposição esclarecedora, mas também chocante, de como a salsicha do conhecimento moderno é verdadeiramente feita. E, como Beck nos lembra, “não seria tão dramático e poderia ser facilmente ignorado se não se tratasse apenas de perigos muito reais e pessoais

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50) – C19 Upshot | Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas | Rastreamento de contactos durante surto de doença por coronavírus, Coreia do Sul, 2020 | Paulo Querido

23 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Luis Grave, Nuno Andrade Ferreira.

💉 Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas

Há agora 163 vacinas em desenvolvimento para o novo coronavírus. O número não pára de crescer de dia para dia. À etapa dos ensaios em pessoas já chegaram 23 dessas vacinas experimentais. Mas quando chegará ao fim a corrida e teremos mesmo uma vacina? Os primeiros resultados dos ensaios começam a sair: a empresa Moderna fê-lo na última semana e a equipa de Oxford fá-lo-á esta segunda-feira.

[Teresa Firmino – Público]

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49) – C19 Upshot | Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança | Como a pandemia está a mudar os meios de comunicação social | Paulo Querido

20 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🔮 Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança

Como combater as alterações climáticas? Como assegurar que tecnologias como a Inteligência Artificial e a robótica servem os cidadãos em vez de se servirem deles? Como garantir a segurança e a privacidade nas redes? Como impedir pandemias e crises humanitárias de diversas ordens? Como continuar a crescer sem comprometer as futuras gerações?

[Graça Carvalho – Dinheiro Vivo]

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48) – C19 Upshot | Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer | Mulheres líderes e coronavírus: olhar para além dos estereótipos para encontrar o segredo do seu sucesso | Paulo Querido

8 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

💉 Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer

Vacinas para prevenir o COVID-19 estão a ser desenvolvidas a um ritmo recorde. Neste artigo pode encontrar tudo o que precisa de saber acerca do progresso que foi feito até agora contra esta doença potencialmente fatal.

O artigo inclui notícias recentes sobre os candidatos a vacinas a ser desenvolvidos em vários países, as investigações mais promissoras, mas também reflecte sobre as dificuldades e as várias fases antes de uma aprovação generalizada, ou a probabilidade de não se conseguir uma vacina.

[Dale Smith – CNET]

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47) – C19 Upshot | A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo | Os casos de COVID estão a aumentar. As mortes por COVID estão a decrescer. Porquê? | Paulo Querido

1 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🖐️ A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo

A crise da covid-19 é provavelmente a maior experiência social das nossas vidas. Não sabemos quando ou como irá terminar. É ainda demasiado cedo para prever como irá mudar radicalmente a forma como os europeus vêem as suas próprias sociedades. Mas já podemos ver que a pandemia transformou a forma como os europeus vêem o mundo para além da Europa, e – como consequência – o papel da União Europeia nas suas vidas.

  • Nas fases iniciais da crise, a política foi suspensa, e a opinião pública ficou atrás das acções dos governos nacionais. Os cidadãos foram enviados para o exílio interno nas suas próprias casas, muitos paralisados pelo medo e pela incerteza. Os governos avançaram rapidamente para introduzir medidas de emergência para impedir a propagação da doença, apoiar os sistemas de saúde, e salvar postos de trabalho e empresas do colapso.
  • Na próxima fase da crise, à medida que os governos angariarem vastas somas de dinheiro para financiar uma recuperação, terão de ter em conta a política. Não será suficiente desenvolver as políticas certas; os governos e os líderes da UE também terão de encontrar a linguagem e os quadros adequados para ganhar o apoio do público para as suas políticas. Para o fazerem, terão de compreender como a covid-19 mudou – ou não – os receios e expectativas do público.

[Ivan Krastev e Mark Leonard – ECFR.EU]

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45) – C19 Upshot | Como o vírus ganhou | Coronavírus: cientistas descobrem porque é que algumas pessoas perdem o seu olfacto | Paulo Querido

29 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave, JL Andrade.

🦠 Como o vírus ganhou

Começou pequena. Um homem perto de Seattle teve uma tosse persistente. Uma mulher em Chicago teve febre e falta de ar.

Surgem surtos invisíveis em todo o lado. Os Estados Unidos ignoraram os sinais de aviso. Analisámos padrões de viagem, infecções ocultas e dados genéticos para mostrar como a epidemia se tornou descontrolada.

  • Um relato interativo  de impressionante qualidade, com eficazes visualizações de dados, mostra-nos como os EUA perderam contra a pandemia.

[Derek Watkins et al – The New York Times]

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43) – C19 Upshot | Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19 | O número K é o novo número R? O que você precisa saber | Paulo Querido

22 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

⚱️ Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19

As vacinas e os rastreios do sarampo, da tuberculose e de outras doenças infecciosas estão em baixa na pandemia.

Qualquer país é vulnerável quando confrontado com múltiplas ameaças“, disse à Vox Claire Standley, membro do corpo docente do Centro de Ciência e Segurança Global da Saúde da Universidade de Georgetown. “Os que correm maior risco são os que têm recursos humanos, materiais e financeiros limitados para apoiar a resposta aos surtos

[Katherine Harmon Courage – Vox]

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42) – C19 Upshot | Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia? | Estarão as nações mais seguras do coronavírus quando as mulheres lideram? | Paulo Querido

17 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave.

🦠 Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia?

A Suécia tem seguido uma estratégia de coronavírus diferente da maioria do resto do mundo desenvolvido: deixa o vírus correr solto, refreia-o o suficiente para garantir que não sobrecarregue o sistema de saúde como em Hubei, Itália ou Espanha, mas não tenta eliminá-lo. Pensam que pará-lo completamente é impossível. A consequência natural é que a maioria dos cidadãos é infectada, e isso acaba por abrandar a epidemia. É por isso que, em suma, as pessoas chamam a essa estratégia “Imunidade do Rebanho“.

A outra estratégia é o Martelo e a Dança. O Martelo ataca  agressivamente o coronavírus, fechando a economia. Uma vez travado, salta para a Dança substituindo o bloqueio agressivo por medidas baratas e inteligentes para controlar o vírus.

Alguns países e Estados, como a Holanda e o Reino Unido, ou Estados norte-americanos como o Texas e a Geórgia, implementaram medidas entre as duas estratégias. Então qual é a melhor estratégia?

  • Nota: artigo longo e com boa controvérsia nos comentários.

[Tomas Pueyo – Medium]

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41) – C19 Upshot | Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo? | “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta | Paulo Querido

16 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🇪🇺 Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo?

No meio da discussão sobre possíveis instrumentos financeiros para fazer face aos custos da pandemia, já está à vista o problema básico que poderá surgir quando a emergência sanitária tiver terminado. Itália e Espanha foram duramente atingidas pelo vírus, mas Portugal – com menos casos – também se sentiu atacado por declarações políticas vindas do Norte da Europa.

A retórica do confronto Norte-Sul voltou à política da UE, com o risco de minar a confiança dos poucos italianos eurófilos que ainda restam e de marcar uma mudança de tendência em Espanha e Portugal. Se o europeísmo ingénuo sofrer uma mutação, como o vírus, aprofundará a divisão Norte-Sul.

[Héctor Sánchez Margalef – ctxt.es]

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40) – C19 Upshot | Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior | O efeito das políticas anti-contágio em grande escala na travagem da pandemia da COVID-19 | Paulo Querido

12 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🖍️ Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior

As democracias têm um grave problema com a produção intencional de transformações sociais, sejam elas chamadas reformas ou transições. Deve ser o facto de vivermos em democracias onde pouco se transforma que explica por que razão, quando uma catástrofe atinge aqueles que mais desesperaram, se torna possível mudar a sociedade através da vontade política ordinária, a mais esperançosa de que a natureza corrija as coisas.

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39) – C19 Upshot | O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo? | Rastreador de infecções | Paulo Querido

9 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

🦠 O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo?

O vírus que causou o Sars original já não nos assombra, mas as características do coronavirus de hoje indicam que é pouco provável que desapareça da mesma forma.

Num prazo semelhante ao do Sars original, o SARS-CoV-2 revelou-se mais contagioso, mas aparentemente menos mortífero do que o seu primo era há quase 20 anos. Uma preocupação adicional – e crítica – é que o SARS-CoV-2 se propaga eficientemente antes de as pessoas adoecerem. Isto torna as tradicionais restrições de saúde pública de base sintomática, que funcionaram bem para a Sars, em grande parte incapazes de conter o COVID-19.

No fundo, esta facilidade de transmissão significa que o SARS-CoV-2 é infinitamente mais desafiante de controlar. Temos também uma má compreensão se a captura e a recuperação do COVID-19 o impede completamente de voltar a capturar o vírus e de o transmitir a outros. Em conjunto, estes factores significam que a SRA-CoV-2 irá muito provavelmente instalar-se na população humana, tornando-se um vírus endémico como os seus primos coronavirus, que são as principais causas de constipações todos os Invernos.

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38) – C19 Upshot | Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia | O racismo, não a genética, explica porque os americanos negros estão a morrer da COVID-19 | Paulo Querido

8 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.

🇪🇺 Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia

A resposta da Comissão Europeia ao coronavírus enfrenta pelo menos cinco desafios fundamentais – todos eles criando oportunidades significativas para a Europa.

Quando se serve nas instituições da União Europeia, é imperativo acreditar que o que mais importa é o interesse da União como um todo – e agir em conformidade. A acção política assenta na firme convicção de que os interesses nacionais devem ser incorporados no bem comum europeu. Isto aplica-se em todas as circunstâncias, incluindo a segunda fase da crise que a Europa enfrenta devido à pandemia. A Europa do Norte não pode sair da crise como vencedora se o Sul for ferido.

Este é, portanto, o dilema fundamental que a Presidente Ursula von der Leyen e os membros da sua Comissão precisam de resolver. Irão eles agir como políticos de países separados ou como estadistas europeus que reafirmam a unidade, a solidariedade e a coordenação entre os Estados-Membros? Há pelo menos cinco desafios fundamentais com os quais têm de lidar.

[Anna Diamantopoulou – ECFR]

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37) – C19 Upshot | A distância social como guerra civil | Desinformação no púlpito | Paulo Querido

4 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque

🧍↔️🧍 A distância social como guerra civi

A separação entre cidadãos imposta pelo coronavírus, e que em princípio apenas diz respeito à separação física, tem sido chamada de “distância social”, alargando à sociedade o que se refere aos corpos. Talvez tenha sido um acto de poder falhado, talvez seja devido a uma intenção obscura, mas o certo é que nos faz pensar no início do fragmento 25 da Sociedade do Espetáculo: “A separação é o alfa e o ómega do espectáculo”.

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36) – C19 Upshot | As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais | Visualizando a propagação da Covid-19 | Paulo Querido

3 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade

🦠 As consequências das diferentes pandemias são profundamente diferentes, tanto em termos de percepção como de efeitos reais

Existiram três grandes pandemias no século XX, todas elas causadas por variantes do vírus da gripe. Em termos de risco de morte, a atual pandemia não é qualitativamente muito diferente das gripes que assolaram o mundo em 1957 e em 1968, e que agora são comuns e endémicas, recorda-nos Arlindo Oliveira.

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35) – C19 Upshot | Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*. | A economia está de pernas para o ar. E agora? | Paulo Querido

1 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque.

🤒 Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*.

Quando os especialistas recomendam o uso de máscaras, ficar pelo menos a dois metros de distância dos outros, lavar as mãos com frequência e evitar espaços apinhados, o que eles estão realmente a dizer é o seguinte: tente minimizar a quantidade de vírus que encontra.

Umas poucas partículas virais não podem levar-nos a adoecer – o sistema imunitário destruiria os intrusos antes que eles pudessem. Mas quanto vírus é necessário para que uma infecção crie raízes? Qual é a dose mínima eficaz?

[Apoorva Mandavilli – The New York Times]

💶 A economia está de pernas para o ar. E agora?

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34) – C19 Upshot | Ideologia e coronavírus | Como é que um vírus se espalha nas cidades? É um problema de escala | Paulo Querido

29 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Nuno Andrade Ferreira, Ana Roque.

🐃 Ideologia e coronavírus

Há duas abordagens para enfrentar o desafio do coronavírus: as propostas libertárias dão prioridade à economia acima da saúde pública, enquanto as propostas socialistas dão prioridade à saúde pública acima da economia.

Os países libertários dependem do desenvolvimento da “imunidade do rebanho” à doença, em vez de impor distancias sociais e “lockdowns“, que visam, em vez disso, reduzir a propagação da infeção. Ao contrário das medidas socialistas, a abordagem da “imunidade do rebanho” não necessita de qualquer regulamentação, porque permite que a doença se propague de modo a que as pessoas que sobrevivem se tornem predominantes; permite que a sobrevivência do rebanho siga o seu curso, de modo a desenvolver um “rebanho forte”.

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33) – C19 Upshot | A anarquia pós-COVID que se avizinha | Dominic Cummings: as pessoas poderosas têm maior probabilidade de violar as regras – mesmo as feitas por elas | Paulo Querido

28 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Nuno Andrade Ferreira, JL Andrade.

🦄 A anarquia pós-COVID que se avizinha

Apesar dos melhores esforços dos guerreiros ideológicos em Pequim e Washington, a verdade incómoda é que a China e os Estados Unidos são ambos susceptíveis de sair desta crise significativamente diminuídas. Nem uma nova Pax Sinica nem uma Pax Americana renovada se erguerão das ruínas.

Pelo contrário, ambas as potências ficarão enfraquecidas, tanto a nível interno como externo. E o resultado será uma lenta mas constante deriva em direção à anarquia internacional através de tudo, desde a segurança internacional ao comércio até à gestão de pandemias. Sem ninguém a dirigir o tráfego, várias formas de nacionalismo desenfreado estão a tomar o lugar da ordem e da cooperação. A natureza caótica das respostas nacionais e globais à pandemia constitui, assim, um aviso para o que poderá vir numa escala ainda mais vasta.

[Kevin Rudd – Foreign Affairs]

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32) – C19 Upshot | COVID-19 e a normalização da vigilância em massa | Impacto económico da pandemia poderá atingir 8,8 biliões de dólares a nível mundial | Paulo Querido

26 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade.

👮🏼‍♂️ COVID-19 e a normalização da vigilância em massa

Nos últimos meses, governos que vão da Austrália ao Reino Unido e empresas tão influentes quanto Google e Apple adotaram a ideia de que o rastreamento através dos telemóveis pode ser usado para combater efetivamente o COVID-19.

Infelizmente, a ideia é tecno-utópica, baseada no otimismo e não na evidência. O impacto real dessa abordagem na sociedade não seria uma imunidade melhor, mas a aceitação e o crescimento de um estado de vigilância global ainda mais poderoso e omnisciente.

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31) – C19 Upshot | Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é? | Erradicar o vírus é impossível. Libertem as praias | Paulo Querido

25 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido.

🗳️ Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é?

Baixa confiança, notícias falsas e muito dinheiro. A democracia enfrenta a sua maior ameaça em décadas, talvez séculos. Mas antes que possamos corrigi-la, precisamos entender o que é. Uma das duas palavras-chave é poder. O poder final sempre volta ao povo. Alguém tem que ter o poder da sociedade e, se não é o povo, quem é?

  1. É uma ótima pergunta que implora uma segunda:
  2. se estamos insatisfeitos com os nossos sistemas de governo e gostaríamos de avançar para algo mais parecido com o “governo pelo povo“, por onde começar? Podemos consertar a democracia?

[Patrick Chalmers – The Correspondent]

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30) – C19 Upshot | Como viveremos a seguir ao vírus | A vacina para todos será uma (cara) quimera | Paulo Querido

👿 John Lloyd – Quillette // Como viveremos a seguir ao vírusMuitos acreditam que o futuro beneficiará os autoritários, e que as circunstâncias atuais já o fizeram – mesmo os estados mais liberais e democráticos colocaram seus cidadãos sob uma espécie de prisão domiciliária, uma política imposta pela ameaça de detenção e por espionagem vizinha e censura social. Outros desesperam com a abdicação dos EUA da sua posição de liderança mundial e temem que a China realmente beneficie do vácuo.

Mau, mau, é o euro

A dívida aumentará para níveis anteriormente considerados inadmissíveis, exceto na guerra. Pior: por mais sombria que as perspectivas económicas pareçam”, relatou o New York Times, o maior perigo para a economia mundial pode ser o risco de que o euro possa ser prejudicado pelas brechas profundas entre os membros da UE

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29) – C19 Upshot | Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos? | Post Corona: Os Quatro | Paulo Querido

⚖️ Lisa Cornish – Devex // Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos?“Devemos garantir que quaisquer medidas de emergência sejam legais, proporcionadas, necessárias e não discriminatórias, tenham um foco e duração específicos e adotem a abordagem menos invasiva possível para proteger a saúde pública”, disse António Guterres. “A melhor resposta é aquela que responde proporcionalmente a ameaças imediatas enquanto protege os direitos humanos e o estado de direito”.

Que é isto?

Em 23 de abril o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, divulgou um novo resumo da política destacando essa crescente preocupação dentro da ONU e alertou os governos sobre os riscos de diminuir a prioridade dos direitos humanos. Este artigo passa em revista várias políticas em todo o mundo que estão a fazer precisamente isso.

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28) – C19 Upshot | Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19 | Novo estudo indica que o verão não é suscetível de afetar a disseminação do COVID-19 | Paulo Querido

🗃️ Estelle Massé – Access Now // Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19O rastreamento de contatos é o processo de identificação, avaliação e gestão de pessoas que foram expostas a uma doença para impedir a transmissão subsequente. Por meio desse processo, governos e profissionais de saúde buscam ajudar a limitar a propagação de um vírus, interromper a transmissão contínua e aprender sobre a pandemia.

O contact tracing é mesmo necessário?

Resposta rápida: não. Resposta longa: não, de todo!

Estás a gozar-me!?

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27) – C19 Upshot | Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo | Manhattan deserta se trabalhar em casa se tornar a norma | Paulo Querido

🌐 – Bloomberg // Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo.Alguns analistas dizem que o fundo está próximo, mas poucos esperam que a economia volte ao estado anterior à pandemia. Prepare-se para um alívio maciço da dívida, mais intervenção do governo, aumento das tensões China-EUA e, pelo lado positivo, mais mulheres na força de trabalho.

Que se passa?

A Bloomberg pediu a várias personalidades mundiais da economia, finança e política o seu melhor palpite sobre como as nossas vidas serão fundamentalmente mudadas.

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26) – C19 Upshot | Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19 | Pela conquista de novos direitos laborais na pandemia | Paulo Querido

💉 Lawrence Corey et al – Science Magazine // Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19Os coronavírus têm um genoma de RNA de fita simples com uma taxa de mutação relativamente alta. Embora tenha havido alguma deriva genética durante a evolução da epidemia, as principais alterações não são extensas até o momento, especialmente nas regiões consideradas importantes para a neutralização; isso permite um otimismo cauteloso de que as vacinas projetadas agora serão eficazes contra cepas circulantes daqui a 6 a 12 meses.

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25) – C19 Upshot | Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimento | Em que dados do Covid-19 podemos afinal confiar? | Paulo Querido

💚 Guilherme Serôdio e Hans Eickhoff – Público // Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimentoParece que não há coragem para pensar ou liderar a necessária luta ecológica pela transição da sociedade. Será que uma análise verdadeiramente ecológica, sóbria, corajosa e profunda do problema “não vende”?

A situação atual é assustadora

Os autores consideram urgentemente ter a coragem e a humildade de questionar posicionamentos que se defenderam durante vidas inteiras. É preciso ter a coragem de aceitar que não devíamos, nem “relançar a economia”, nem andar como loucos à procura de soluções tecnológicas que resolveriam magicamente os nossos problemas.

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24) – C19 Upshot | A pandemia e a recolonização do tempo | O relato de uma doente que sobreviveu ao novo coronavírus | Paulo Querido

🕰️ Çiğdem Boz e Ayça Tekin-Koru – Social Europe // A pandemia e a recolonização do tempoA expansão do tempo livre durante a crise poderia levar a uma reavaliação do lazer e a uma esfera pública revalorizada.

Que se passa?

Um texto deveras interessante: as autoras debruçam-se sobre um efeito inesperado do confinamento, a valorização do que entendemos por tempos livres. O lazer é entendido hoje como tempo livre. Esta é, no entanto, uma versão diminuída do lazer na tradição aristotélico-marxista. Para os gregos antigos, lazer não significava perder tempo. Pelo contrário, era a forma ideal de autonomia temporal para exibir as virtudes superiores: bondade, verdade e conhecimento.

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23) – C19 Upshot | O contrato racial da América está à vista | Covid-19: A vacina é o próximo campo de batalha | Paulo Querido

⚔️ Adam Serwer – The Atlantic // O contrato racial da América está à vistaA pandemia expôs os termos amargos do contrato racial americano, que considera certas vidas de maior valor que outras. Quando percebeu quem o vírus mais matava, a administração Trump relaxou o combate.

Hipocrisia racial tornada política

A epidemia de coronavírus tornou visível o contrato racial de várias maneiras. Uma vez que o impacto desproporcional da epidemia foi revelado à elite política e financeira americana, muitos começaram a considerar o aumento do número de mortos menos como uma emergência nacional do que como um inconveniente. Medidas temporárias destinadas a impedir a propagação da doença restringindo o movimento, obrigando o uso de máscaras ou impedindo grandes reuniões sociais tornaram-se tirânicas. A vida dos trabalhadores na linha de frente foi considerada tão inútil que os legisladores querem aliviar os seus empregadores da responsabilidade, mesmo quando os forçam a trabalhar em condições inseguras. No leste de Nova York, a polícia agride moradores negros por violar regras de distanciamento social; na parte baixa de Manhattan, distribuem máscaras e sorrisos para pedestres brancos.

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22) – C19 Upshot | O “barril de pólvora” das residências para idosos de Madrid, Rumo a um rendimento mínimo europeu | Paulo Querido

👵🏻🦠 Julio de la Fuente – ctxt.es // O “barril de pólvora” das residências para idosos de MadridApenas 5% dos lares e 12% das suas vagas são administrados diretamente pelo governo regional, facto que se mostrou essencial no combate à pandemia, uma vez que, sem capacidade real de controlo, foi muito difícil dar resposta rápida aos pedidos recebidos das administrações.

O horror espanhol explicado

Relacionando o relato cronológico da pandemia em Espanha com as respostas, sobressaem duas explicações que, juntas, não deixam margem para dúvidas. O fraco controlo das estruturas residenciais para idosos por parte das autoridades de Madrid e a lentidão em aceitar que a pandemia existia levaram ao descalabro na região (mais que no resto do país).

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21) – C19 Upshot | No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidade, Así será el día después del Covid-19, según los expertos de la mayor universidad presencial de España | Paulo Querido

🚴‍♀️ Mário Rui André – Shifter // No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidadeCom os transportes públicos sob ameaça de perder passageiros, por medo e por restrições às lotação dos veículos, e com o automóvel a não ser uma alternativa sustentável, algumas cidades já estão a olhar para a bicicleta e para o andar a pé como parte do pós-confinamento.

Sumário

O artigo passa em revista algumas mudanças em cidades europeias. Londres e Glasgow, no Reino Unido, tornaram os seus sistemas de bicicletas partilhadas gratuitas para estimular o uso – em Lisboa foi feito o mesmo mas apenas para profissionais de saúde. Também as bicicletas elétricas podem ser úteis, ajudando a descongestionar o trânsito citadino e a melhorar o ambiente. Muitas cidades pelo mundo criaram ou estão a planear criar ciclovias temporárias.

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20) – C19 Upshot | Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamento, What Life Looks Like on the Other Side of the Coronavirus | Paulo Querido

🌐 Cristina Benlloch, Empar Aguado e Anna Aguado – The Conversation // Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamentoAs mulheres não são obrigadas a trabalhar em casa e a cuidar de crianças em simultâneo, mas espera-se que devem tentar facilitar o teletrabalho dos seus parceiros

Que se passa aqui?

Cristina Benlloch e Empar Aguado, professores do Departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade de Valência, e a cientista-jurista política Anna Aguado estão a realizar pesquisas para aprender como o confinamento afeta o teletrabalho e a conciliação em unidades familiares. Com entrevistas por telefone e uma pesquisa voluntária on-line concluem, entre outras observações, que são principalmente as mães que monitoram a situação escolar de seus filhos e que, em alguns casos, as mulheres precisam facilitar o teletrabalho para seus parceiros.

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19) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

🐑 Carl T. Bergstrom e Natalie Dean – The New York Times // O que realmente significa a imunidade de grupoTalvez o mais importante seja entender que o vírus não desaparece magicamente quando o limite de imunidade do rebanho é atingido. Não é quando as coisas param – é apenas quando elas começam a desacelerar.

A experiência sueca

A Suécia enveredou por uma política diferente: não confinou a população, aplicando apenas umas frouxas medidas aos idosos. O objetivo: manter a economia a funcionar, esperando atingir rapidamente a imunidade de grupo e apostando que no longo prazo o número de vítimas será idêntico ao dos países que confinaram.

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18) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

⛽ Antonia Colibasanu – Geopolitical Futures // Adiando uma catástrofe na produção de petróleoRecém-chamado a intermediar um acordo global sobre cortes na produção de petróleo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os cortes americanos são uma prioridade para o país.

Que se passa?

O armazenamento de petróleo está quase no limite da capacidade. O acordo para a extração limitada pode fracassar ou ser insuficiente, o que levaria a uma catástrofe com o preço do petróleo a cair até ao zero neste mês de maio.

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17) – C19 Upshot | E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuro | Paulo Querido

🔮 Tiago Barbosa Ribeiro – Público // E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuroSe ninguém tem uma bola de cristal para antecipar as mudanças, há tendências que se desenham no horizonte. Arrisco antecipar muito sumariamente dez delas.

Sinopse

O autor fornece uma lista com o que considera serem as 10 tendências do futuro pós-pandemia. Mais Estado; mais e melhor Europa; mudanças na globalização; reindustrialização; mudança de paradigmas de trabalho; mais uma legião de desempregados; digitalização e desmaterialização; emergência climática; reforço do serviço de saúde como direito fundamental; maior recolha de dados sem menor amplitude democrática; e novas regras mundiais para limitar focos de zoonoses.

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16) – C19 Upshot | Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperação | Paulo Querido

Jessica Hinds – Capital Economics // Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperaçãoExistem sinais preliminares de melhoria da atividade económica nos dados de alta frequência, como o aumento do consumo de eletricidade em Itália e em Espanha e um tráfego ligeiramente menos deprimido nas cidades alemãs na semana passada.

A sério?!

Sim. A autora pensa que Abril pode marcar o início da recuperação. Mas avisa que ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão pois outros indicadores ainda precisam de mostrar progressos.

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15) – C19 Upshot | Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvação | Paulo Querido

George Monbiot – The Guardian // Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvaçãoEsta crise é uma chance de reconstruir nossa economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não seus destruidores, diz o colunista do Guardian George Monbiot

Que se passa aqui?

Esta crise é uma oportunidade para reconstruir a economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não os seus destruidores, defende o colunista do Guardian George Monbiot.

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14) – C19 Upshot | Como a pandemia afeta a liderança americana no mundo | Paulo Querido

João Paulo Charleaux – Nexo Jornal // Como a pandemia afeta a liderança americana no mundoCom recorde de mortos, um sistema de saúde colapsado e taxas históricas de desemprego, os EUA vêem tornar-se mais frágil uma imagem construída a partir da Segunda Guerra Mundial. Cenário acentuado pela degeneração do quadro político interno: mesmo durante a crise, Trump não desistiu da postura permanentemente belicosa que caracterizou todo o seu mandato.

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13) – C19 Upshot | Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’ | Paulo Querido

Laura Spinney – the Guardian // Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’At the moment, we are seeing half-empty ICUs in Germany. This is because we started diagnostics early and on a broad scale, and we stopped the epidemic – that is, we brought the reproduction number [a key measure of the spread of the virus] below 1. Now, what I call the “prevention paradox” has set in. People are claiming we over-reacted, there is political and economic pressure to return to normal. The federal plan is to lift lockdown slightly, but because the German states, or Länder, set their own rules, I fear we’re going to see a lot of creativity in the interpretation of that plan. I worry that the reproduction number will start to climb again, and we will have a second wave.

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12) – C19 Upshot | O que mudou num mês? Não há dinheiro | Paulo Querido

Tiago Freire, Exame // O que mudou num mês? Não há dinheiro. Não sei se o governo subestimou os custos desta travagem, para as empresas e para os cofres do Estado (por exemplo com a magnitude do recurso ao layoff simplificado). Provavelmente esperaria uma ação solidária europeia, com meios que ajudassem neste momento absolutamente extraordinário, algo que o bom senso poderia razoavelmente prever. O problema é que o bom senso não é há muito critério para a atuação da União Europeia. Ao fim do dia, e por mais floreados que o esforçado Mário Centeno faça, da Europa veio uma mão-cheia de nada, e mesmo assim arrancada a ferros.

O que se passa? Sujeito à pressão contínua de múltiplos actores do comércio, indústria e restauração, completamente parados desde o início do confinamento obrigatório do Estado de Emergência, o Governo Português prepara-se para lançar um plano de reabertura da economia, quando, há poucas semanas, deixava (pouco) implícito que estaríamos confinados, para nossa segurança, durante largas semanas. O que mudou?

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11) – C19 Upshot | Repensar as cidades e o modo de vida | Paulo Querido

Repensar as cidades e o modo de vida

Talvez a principal oportunidade proporcionada pelo coronavirus seja a de repensarmos a forma como nos organizamos nas cidades. Ao longo dos milénios vimos acumulando mais e mais pessoas, recursos e riqueza em cidades que se tornaram estados e cresceram até se tornarem megacidades complicadas de gerir, que começam a criar mais problemas do que as soluções que oferecem. A insustentabilidade do modelo mega é hoje notória. A leitura de dois artigos abaixo propostos é uma reflexão intensa sobre o nosso modo de vida – e como o vamos modificar.

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10) – C19 Upshot | Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação | Paulo Querido

Teresa de Sousa, Público // Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.

Que se passa aqui? Trata-se de uma grande entrevista a Teresa de Sousa de Mário Centeno enquanto presidente do Eurogrupo. Mostra-se obviamente otimista para o Conselho Europeu, dizendo coisas como: ‘O apelo que agora é feito à inovação neste último passo – o da recuperação – não é novo. Não devemos ficar muito ansiosos, portanto, face à capacidade para inovar também aqui. Estou muito confiante e muito seguro de que essa resposta vai aparecer. As forças que têm permitido construir a Europa vão estar presentes nesta discussão e vão levar-nos a um porto seguro.’

Escolha e notas de Paulo Querido
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9) – C19 Upshot | El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad | Paulo Querido

Eduardo Fernández, El Mundo // El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad “El Ministerio de Trabajo y Economía Social está trabajando en dos fases para las medidas en los sectores más afectados: excepcionalidad atenuada, que durará hasta este verano, y normalidad atenuada, que se prolongará hasta final de año”, comunicó a última hora este departamento.

O que se passa? O Governo Espanhol prepara a segunda fase de abertura do País, e entre a primeira fase agora encetada, e a segunda fase, depois do verão até ao final do ano, antevê que negócios como a Cultura, os Bares e Restaurantes e os Hotéis possam vir a ser fortemente restritos até ao final de 2020.

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8) – C19 Upshot | Sobrevive a democracia ao coronavírus? | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

Nova secção de bookmarks

A partir da edição de ontem a newsletter conta com uma secção fixa intitulada **bookmarks**. O objetivo é manter uma lista perene de links para conteúdos particularmente úteis, como sites de síntese gráfica, boletins oficiais relevantes e documentos científicos.

Esta lista será acrescentada regularmente e aceita indicações dos leitores, que as podem submeter por email (ver abaixo, na secção). Uma vez analizada a sua pertinência, serão integrados. Aliás, o quinto link foi inserido hoje a partir da sugestão enviada por um membro. E escrevo ‘membro’ porque a newsletter não se esgota enquanto tal: propõe a interação entre os interessados, em moldes que vão eles próprios evoluir com o tempo e o envolvimento.

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7) – C19 Upshot | O estertor do jornalismo agravado pela pandemia | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

O estertor do jornalismo agravado pela pandemia

No início da pandemia muita gente dentro dos media esfregou as mãos. A procura de jornais, de papel e em linha, disparou. Os mais alegres vaticinaram o regresso do jornalismo. Mas sucedeu o contrário. Entre as primeiras vítimas económicas do COVID-19 está o jornalismo. E mais uma vez as respostas do setor foram as erradas. Em Portugal os diretores de 20 meios apelaram ao coração dos consumidores para comprarem assinaturas ao mesmo tempo que os responsabilizavam por um detalhe que não tem importância económica alguma (a partilha de PDFs) e baixavam as paywalls, criando um conjunto de sinais no mínimo confuso.

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5) – C19 Upshot | Four scenarios for the global economy after COVID-19 | Paulo Querido

Carsten Brzeski e James Smith, ING // Four scenarios for the global economy after COVID-19 In this fast-moving environment, we need to think in scenarios, rather than pretending to know how the economy will evolve over the next 1 ½ years. We’ve developed four scenarios of how the virus, the lockdown measures and consequently the different economies could evolve. Needless to say, even these scenarios cannot try to fully predict reality, but we hope they can provide a benchmark for both the extremes and the middle-ground. In each case, we’ve laid out some possible health factors that may be driving the scenarios – although we’d emphasise these are not meant to be interpreted as forecasts.

O que se passa? O ING criou um conjunto de 4 cenários sobre o futuro próximo na progressão do COVID-19 (um com a baseline, um assumindo a reincidência do virus no Inverno, um cenário optimista e um cenário pessimista) que, sem recorrer aos artifícios clássicos de quadrantes e outros que tais, baliza de forma sóbria num artigo de poucos minutos de leitura os potenciais caminhos económicos dos meses que se nos avizinham.

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4) – C19 Upshot | Ensaio: o capitalismo numérico | Paulo Querido

José Gil no Público // Ensaio: o capitalismo numérico A verdade é que este período de luta pela sobrevivência física não gerou até agora nenhum sobressalto político ou espiritual, nenhuma tomada de consciência da necessidade de mudar de vida. Não gerou esperança no futuro.

Sumário O filósofo José Gil assina este interessante artigo onde ensaia algumas modificações mais ou menos radicais do nosso modo de vida. Segundo ele, fator decisivo são as “novas” tecnologias, que vão aplicar-se num quadro pós-pandémico de desterritorialização e em plena crise ecológica.

O capitalismo acaba? Não, que ideia 😛 Para Gil, não escaparemos ao seu poder de “preservação, auto-regeneração e metamorfose”.

Nova subjectividade Gil antevê a formação de um novo tipo de subjetividade, a subjetividade digital, a surgir no final da atual transição que é o confinamento, e que se colocará no centro do novo “capitalismo numérico”. A Covid-19 seria o trampolim a catapultar a colectividade para um nível superior, o da sociedade digital. Em vez de progredir gradualmente, passando por fases mediadoras, a pandemia vai obrigar a um salto brutal, impondo indiscriminadamente a digitalização de todas as actividades.

Obey! Talvez a parte mais perturbadora do ensaio diz respeito ao comportamento geral. José Gil diz sem rodeios que a nova subjectividade comportará capacidades passivas de obediência voluntária e capacidades activas de funcionamento programado, características já presentes na subjectividade digital pré-pandémica.

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3) – C19 Upshot | Dumped Milk, Smashed Eggs, Plowed Vegetables: Food Waste of the Pandemic | Paulo Querido

David Yaffe-Bellany e Michael Corkery no NYT // Dumped Milk, Smashed Eggs, Plowed Vegetables: Food Waste of the Pandemic With restaurants, hotels and schools closed, many of the nation’s largest farms are destroying millions of pounds of fresh goods that they can no longer sell.

Que se passa? Milhões de litros de leite, milhões de vegetais frescos, toneladas de produtos alimentares estão a ser atirados para o lixo. O artigo foca os EUA e pressupõe o efeito da paralisação forçada pela pandemia. Mas o problema é muito maior.

O modelo insustentável do desperdício Ao contrário de alguma crença, os alimentos não estão a ser atirados fora apenas porque os produtores preferem isso a dá-los a quem precisa. O que está em causa não é tanto o modelo capitalista, mas toda a complexa organização da produção alimentar. A começar pela lógica geográfica, que empurrou a produção para demasiado longe dos locais de consumo. A rede de frio e de transportes é demasiado atreita aos contratempos e às crises duráveis.

Menos vegetais em casa Os hábitos alimentares também mudam, levando os produtores a alterar planos. Por exemplo: o consumo de vegetais frescos é menor em casa do que no restaurante.

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2) – C19 Upshot | A resposta europeia à pandemia: um “castelo de cartas”? | Paulo Querido

Ricardo Cabral e Ricardo Sousa, Público // A resposta europeia à pandemia: um “castelo de cartas”? As medidas que têm vindo a ser anunciadas terão custos enormes. Não são credíveis na protecção dos trabalhadores, sendo expectável um aumento em massa do desemprego e da precariedade das condições laborais sem paralelo. São complacentes com a eliminação de um grande número de pequenas e médias empresas, garantindo apenas a sobrevivência daquelas que, por via de relações privilegiadas com o poder político ou com o sector financeiro, acabarão por concentrar grande parte dos recursos do país.

Que se passa?! A resposta da UE à crise pandémica é por um lado pífia e por outro irá reforçar o poder dos indivíduos e instituições que já o detém. O pacote de 500.000 milhões de euros aprovado pelo Ecofin com uma encenação de dramatismo que é mais significativa que o acordo é um exemplo da decepção.

Mais austeridade? Exatamente. Podem os governantes, como o PM português António Costa, pretender dourar a pílula como quiserem que o amargo não desaparece: a resposta da UE é apenas e só um conjunto de linhas de crédito, a empresas e a estados. O que significa juros e prazos de pagamento que atendem exclusivamente aos interesses de quem empresta.

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1) – C19 Upshot | EDITORIAL | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

O que vai ser esta newsletter?

C19 Upshot: explicar a incerteza — é uma nova publicação diária gratuita, distribuída a assinantes por correio eletrónico. É elaborada por uma equipa plural que inclui jornalistas, cientistas e outras pessoas experientes em filtrar o caudal informativo nas suas áreas, identificando os sinais acima do ruído.

A atitude da equipa é de serviço público. O seu único compromisso é propor a leitura de artigos de qualidade que lancem luz sobre o futuro moldado pelos efeitos da pandemia COVID-19 e suas sequelas. Numa frase curta: constituir um filtro de inteligência que coe a torrente de informação relacionada com a pandemia.

Esta newsletter assume que o seu alvo são pessoas que somam ao interesse por reflexões de utilidade comprovada algum à-vontade com as línguas, pois apresentará fontes em português, castelhano, inglês, francês – italiano e alemão podem também surgir.

Nesta primeira edição temos 7 sugestões, das quais 4 são artigos anotados e 3 são breves links. Procuraremos manter um ritmo de entre 2 a 5 artigos sumarizados e outras tantas breves.

Nota final. A newsletter não é enviada de um endereço ‘no reply’ mas sim do endereço real do projeto. Assim, é interativa: basta responder para a sua mensagem me chegar. Procurarei não deixar correio por responder.

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O “mundo ocidental” acabou | Paulo Querido

Bem, alguma virtude Trump tinha de ter: deixámo-nos de terrorismozinhos e entrámos em guerra aberta. O “mundo ocidental” acabou. A lógica agora é outra. A Europa pode dar as mãos a Putin e acertar contas com o bloco russo, que para vencer Hitler injetou milhões de litros de sangue na Segunda Guerra Mundial contra o fascismo (mas quem ficou com os louros foram os EUA, thanks Hollywood). E alinhar estratégias de abertura com o bloco asiático, principal interessado no que conta: globalização humana, prosperidade via comércio.

Do lado dos béras estão os donos da civilização moribunda, que é a do petróleo e do século passado, e os seus capatazes militares, os trumps que exploraram o voto da América interior moribunda para a sua cruzada contra a civilização.

Isto em português simples e antes que o desenho se acabe de formar.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

Citando Paulo Querido

Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.

Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.

Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.

Paulo Querido in Facebook

Citando Paulo Querido | a propósito de José Sócrates

Há uma constante na televisão desde que José Sócrates começou a aparecer nela com regularidade, já lá vai uma década. Sempre que é entrevistado, nas horas seguintes recolhemos os cacos dos entrevistadores.

Sempre.

Quer-me por isso parecer que talvez devamos procurar a explicação não nos comentadores, mas na capacidade mediática dele. A capacidade de desarmar um discurso. De contrapor. A combatividade. De desrespeitar, respeitando o jogo democrático.

Sócrates escapa à docilidade da esmagadora maioria dos políticos, que preferem uma relação macia com os jornalistas. Se aceitarmos os argumentos sobre a sua ferocidade vindos precisamente dos mais experimentados desses entrevistadores ficará mais fácil analisar o trabalho deles.

Não acho que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves se tenham distinguido pela negativa. Não estiveram brilhantes, é certo, e tiveram os seus próprios momentos de se atropelarem mutuamente.

Mas o problema deles não foi a “má preparação”: foi Sócrates. E, se quisermos fazer mesmo justiça, a súbita existência de um discurso de contraponto aos números e guidelines com que a insistência ultraliberal acabou por adormecer o coletivo através da visão única e da voz monocórdica a repetir a mesma ladainha há 4 anos. Acaba por se entranhar e depois qualquer beliscadura faz estremecer.

O contraponto, para mais expresso por uma pessoa veemente, segura de si e com domínio perfeito — visceral — da narrativa televisiva e do timing, desarmou os entrevistadores, habituados a entrevistados concordantes ou no mínimo macios e oblíquos.

Uma notinha final: da próxima vez que quiserem entrevistar José Sócrates em televisão, para evitar o atropelamento pelo camião TIR televisivo que o homem é, não facilitem metendo 2 (ou mais) entrevistadores. Isso só o ajuda a desarmar — basta-lhe mudar o olhar de um para o outro para destruir uma pergunta.

https://www.facebook.com/PauloQuerido (FONTE)