8) – C19 Upshot | Sobrevive a democracia ao coronavírus? | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

Nova secção de bookmarks

A partir da edição de ontem a newsletter conta com uma secção fixa intitulada **bookmarks**. O objetivo é manter uma lista perene de links para conteúdos particularmente úteis, como sites de síntese gráfica, boletins oficiais relevantes e documentos científicos.

Esta lista será acrescentada regularmente e aceita indicações dos leitores, que as podem submeter por email (ver abaixo, na secção). Uma vez analizada a sua pertinência, serão integrados. Aliás, o quinto link foi inserido hoje a partir da sugestão enviada por um membro. E escrevo ‘membro’ porque a newsletter não se esgota enquanto tal: propõe a interação entre os interessados, em moldes que vão eles próprios evoluir com o tempo e o envolvimento.

Jorge Almeida Fernandes, Público // Covid-19: Sobrevive a democracia ao coronavírus? Por um lado, o coronavírus está a arruinar a presidência de Trump, associando a pandemia e uma recessão que os seus adeptos vão sofrer na pele. Por outro lado, depois de uma liderança catastrófica da pandemia, tem de se servir dela para refazer a sua campanha: mostrar-se como o Presidente que toma as medidas decisivas.

Resposta rápida: Sim.

OK. Que se passa aqui? Jorge Almeida Fernandes parte para a desmontagem de uma opinião pessimista de Paul Krugman acerca do futuro da democracia nos EUA (mas não só, claro). ‘a América que conhecemos pode não sobreviver por muito tempo. A pandemia acabará; a economia pode finalmente recuperar. Mas a democracia, uma vez perdida, não voltará mais. Estamos mais perto de perder a nossa democracia do que muitas pessoas imaginam.’

A extrema direita capitaliza? Além do óbvio exemplo de Donald ‘Narciso’ Trump são dados os exemplos de outros potenciais ditadores que usam a pandemia como usam tudo o resto: para reforço da sua autoridade e poder. Mas olhando à volta constatamos que os primeiros meses da epidemia na Europa não estão a ser capitalizados pelas correntes nacional-populistas, bem pelo contrário. Josef Joffe, antigo director do semanário alemão Die Zeit, lembra que, depois de Pearl Harbor, o Presidente Franklin Roosevelt dispôs de poderes quase ditatoriais. E as emergências não são um cheque em branco e reúnem um vasto consenso. Na Alemanha, 93% dos cidadãos aprovam o confinamento parcial. O mesmo na Itália, na França ou nos Estados Unidos

Escolha e notas de Paulo Querido
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Donald G. McNeil Jr., New York Times // The Coronavirus in America: The Year Ahead Covid-19, the illness caused by the coronavirus, is arguably the leading cause of death in the United States right now. The virus has killed more than 1,800 Americans almost every day since April 7, and the official toll may be an undercount. By comparison, heart disease typically kills 1,774 Americans a day, and cancer kills 1,641.

Sumário: um artigo de fundo muito bom, que sintetiza os contributos de uma vintena de especialistas ouvidos pelo NYT.

Chaves: Mais americanos podem morrer do que a Casa Branca admite. Os confinamentos terminarão, mas de maneira hesitante. A imunidade tornar-se-á uma vantagem social: imagine uma América dividida em duas classes: aqueles que recuperaram da infecção pelo coronavírus e, presumivelmente, têm alguma imunidade, e aqueles que ainda estão vulneráveis. O vírus pode ser mantido sob controle, mas apenas com recursos expandidos. Não haverá uma vacina em breve. Os tratamentos provavelmente chegarão primeiro. O céu azul que brilhou sobre as cidades americanas durante esta era de confinamento pode tornar-se permanente.

Escolha e notas de Paulo Querido
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Tiago Freire, Exame // O que mudou num mês? Não há dinheiro Não sei se o governo subestimou os custos desta travagem, para as empresas e para os cofres do Estado (por exemplo com a magnitude do recurso ao layoff simplificado). Provavelmente esperaria uma ação solidária europeia, com meios que ajudassem neste momento absolutamente extraordinário, algo que o bom senso poderia razoavelmente prever. O problema é que o bom senso não é há muito critério para a atuação da União Europeia. Ao fim do dia, e por mais floreados que o esforçado Mário Centeno faça, da Europa veio uma mão-cheia de nada, e mesmo assim arrancada a ferros.

Fonte: Tiago Freire, Exame

O que se passa? Sujeito à pressão contínua de múltiplos actores do comércio, indústria e restauração, completamente parados desde o início do confinamento obrigatório do Estado de Emergência, o Governo Português prepara-se para lançar um plano de reabertura da economia, quando, há poucas semanas, deixava (pouco) implícito que estaríamos confinados, para nossa segurança, durante largas semanas. O que mudou?

Como mexe comigo? Uma reabertura da actividade económica sem a correspondente injecção de confiança no futuro económico – e as medidas de apoio e protecção neste momento disponíveis têm-se focado na minimização dos danos, e não no relançamento da economia – pode levar-nos a uma situação anacrónica: as pessoas saem para a rua, multiplicando contactos, sem com isso gastarem o seu dinheiro em produtos ou serviços, uma vez que a incerteza sobre o futuro não diminuiu. O (indesejável) resultado, neste cenário, resumir-se-ia a uma multiplicação de novos contágios sem que a reabertura tivesse produzido os efeitos económicos desejados. Esperemos não ser o que o futuro nos reserva.

Escolha e notas de Hugo Pinto
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Adam Tooze, Social Europe// In relation to the current crisis, even if we take the generous headline figure of €540 billion for the support package at face value, the deal is an admission of European incapacity. In light of the trilliondollar hit to the global economy, its modest dimensions amount to an admission that priority in crisisfighting remains with the nation-states. ler ☞

Lucía Abellán, El País// La pandemia de coronavirus ha alumbrado un nuevo fenómeno la llamada infodemia. El término, referido al contagio de noticias falsas relacionadas con esta crisis, ha hecho fortuna en Bruselas para clasificar un tipo de desinformación que ha dejado de ser residual. ler ☞

The Johns Hopkins Center for Health Security// Public Health Principles for a Phased Reopening During COVID19 Guidance for Governors. A framework for state governors in the US to reopen. It restates preconditions on re-opening. It then looks at risk factors of different community and economic activities with the corresponding appropriate mitigating actions to enable reopening. ler ☞

Bookmarks

  • 💰 Banco de Portugal: Economia numa imagem. As maiores reduções no pessoal efetivamente a trabalhar devido ao COVID-19 estão associadas ao layoff simplificado (link)
  • 📈 Direção-Geral de Saúde: ponto de situação atual em Portugal (link)
  • 📈 Público: como achatar a curva? O que revelam as experiências dos países (link)
  • 💊 Mapping COVID-19 Research: The “Map of Hope” provides a geographical overview of planned, ongoing and completed clinical trials. (link)
  • 📊 Dashboard Interativo – Evolução do Covid-19 em Portugal e no mundo (link)

um bom gráfico ou interatividade que mereça estar nesta lista de bookmarks? Sugiraenviando-nos uma mensagem.

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