O Trapaceiro de Kiev | por António Jorge

Pela boca morre o peixe… e o trapaceiro… também.

– O comediante no poder em Kiev… sentenciou que só negociaria a paz com a Rússia, depois de Putin sair de cena… com um seu substituto… e que a seu tempo há-de surgir, porque nada nem ninguém é eterno

Obviamente… que pelo tempo, a sua decisão será confirmada… o tempo não tem tempo certo… e sempre se renova… ele sabe que Putin um dia… não se sabe quando, deixará de ser o presidente da Rússia!

Até lá… bem pode esperar sentado… até que o frio congele e despedace e destrua completamente a Ucrânia!

E tudo nos parece indicar… que o comediante demagogo, que Não se pode levar a sério… apesar da sua farsa criminosa…

– E assim… cabe em primeiro lugar ao povo ucraniano por razões de sobrevivência coletiva e decência política, libertar-se do coveiro… e enterrar o passado corrente de morte em massa e de todo o tipo de desgraças associadas… e eram… e são escusadas.

– Charlin Chaplin, apesar de ter sido comediante… e o maior de sempre em toda a história da sétima arte, deixou frases muito célebres e importantes na defesa da humanidade… porém, é preciso saber ser artista… e distinguir a vida virtual, da vida real.

A frase de Chaplin, de que o Mundo é um palco onde cada um representa o melhor que pode e sabe… Não estava a querer dizer que todos somos actores e estamos sempre a representar… Mas antes, a dar como exemplo para entender a vida.

A vida do povo ucraniano, é um Drama de morte, dirigido por um cómico… numa trama tragicómica de um povo entregue à aventura louca, e a precisar desesperadamente de quem o tire de cena, alimentado pelo sadismo de uns e os holofotes da fama perversa da desumanidade, na projeção macabra da arrogância de psicopatas, alimentada pela irresponsabilidade e cinismo mercenário da mentira organizada da comunicação social ocidental e de quem a usa.

Pôr fim à farsa, pelo direito dos povos à verdade.

Libertem o povo ucraniano dos seus algozes e falsos amigos de lá e de cá…

António Jorge – editor

Porto e Luanda

Retirado do Facebook | Mural de António Jorge

Europe accuses US of profiting from war

EUROPA ACUSA EUA DE ESTAREM A BENEFICIAR COM A GUERRA

Nine months after invading Ukraine, Vladimir Putin is beginning to fracture the West | EU officials attack Joe Biden over sky-high gas prices, weapons sales and trade as Vladimir Putin’s war threatens to destroy Western unity.

As principais autoridades europeias estão furiosas com a administração de Joe Biden e agora acusam os americanos de fazer fortuna com a guerra, enquanto os países da UE sofrem.

“O facto é que, se você olhar com seriedade, o país que está lucrando mais com esta guerra são os EUA porque estão vendendo mais gás a preços mais altos e porque estão vendendo mais armas”, disse um alto funcionário ao POLITICO.

Os comentários explosivos – apoiados em público e em privado por autoridades, diplomatas e ministros de outros lugares – seguem-se à crescente raiva suscitada na Europa pelos subsídios americanos que ameaçam destruir a indústria europeia. O Kremlin provavelmente receberá bem o envenenamento da atmosfera entre os aliados ocidentais.

“Estamos realmente numa conjuntura histórica”, disse aquele alto funcionário da UE, argumentando que o duplo impacto da interrupção comercial causada pelos subsídios dos EUA e pelos altos preços da energia corre o risco de virar a opinião pública contra o esforço de guerra e a aliança transatlântica.

“A América precisa perceber que a opinião pública está mudando em muitos países da UE.”

O diplomata-chefe da UE, Josep Borrell, pediu a Washington que responda às preocupações europeias. “Os americanos – nossos amigos – tomam decisões que têm impacto económico sobre nós”, disse ele em entrevista ao POLITICO.

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O Maestro do 25 de Novembro de 1975 | por Carlos Matos Gomes

Os acontecimentos da História são notas para várias sinfonias e distintas interpretações. A História conta-se através da interpretação de temas. A realidade transmitida pelos acontecimentos é apenas um tema conduzido por um maestro através dos executantes da orquestra que dirige.

O golpe de Estado 25 de Abril de 1974 e o processo político que o continuou até ele culminar no golpe de Estado de 25 de Novembro, um clássico putsch militar para alterar um regime, podem ser analisados como uma peça musical com vários andamentos, intérpretes, e um maestro que recebeu uma partitura com um tema: transformar um pequeno “perturbador rebelde” num menino invisível e bem comportado. Francisco da Costa Gomes recebeu essa partitura em Helsínquia, na Conferência para Segurança e Cooperação Europeia, no Verão de 1975, das mãos dos senhores do mundo dessa época, Gerald Ford, Leónidas Breshnev e os dirigentes da troika europeia, a Alemanha, a França e o Reino Unido. O 25 de Novembro constituiu o último andamento da sinfonia, em Moderato.

O 25 de Abril de 1974 foi um golpe militar da total responsabilidade de uma fação das forças armadas portuguesas para derrubar um regime de ditadura que levara o país a um beco sem saída com uma guerra colonial. A execução golpe não teve interferências estrangeiras. A ação dos “capitães” processou-se sem “autorização” de Estados estrangeiros, nem apoios externos.

Já o processo político desencadeado pelo 25 de Abril de 1974 teve, esse sim, fortíssimas intervenções externas até ao seu epílogo, em 25 de Novembro de 1975.

O derrube da ditadura portuguesa e a instauração de um regime de liberdade e de direitos políticos alterava a situação na Península Ibérica, onde conviviam duas ditaduras, e podia motivar fenómenos idênticos de intervenção democrática nas Forças Armadas de Espanha, com o ressuscitar de conflitos vindos da sangrenta Guerra Civil. Portugal era membro da NATO, um membro fundador e fiel, qualquer alteração política em Portugal e, mais ainda, causada por militares, implicava uma intervenção da NATO e em especial dos Estados Unidos. A Europa vivia ainda um momento de entusiasmo com o reforço da CEE devido à entrada do Reino Unido, existia um clima de détente na Guerra Fria, com a preparação de acordos de limitação de armas e forças entre a NATO/Estados Unidos e a URSS, que iriam conduzir aos Acordos de Helsínquia, que nem Gerald Ford e Kissinger, nem Breshnev queriam ver perturbados pela agitação num pequeno e periférico país, e, por fim, decorria o processo de descolonização com os negociações para a independência de Angola, a última joia da coroa do colonialismo europeu, cujo domínio interessava às duas superpotências, mas também, a toda a África Austral, à China e a Cuba.

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A Europa de Braudel e a Europa da Casa Branca | por Carlos Matos Gomes

Falar de Europa é forçosamente confrontarmo-nos com o problema dos dez últimos séculos da história do planeta: do domínio do mundo por um continente tão minúsculo. (…) Dir-se-á que a Europa foi genial, mais genial do que a humanidade não europeia, que a sua técnica foi superior às outras, que a sua agressividade foi mais eficaz, que a sua economia foi mais dinâmica… Mas estas afirmações limitam-se a formular o problema. (Formular os problemas é o que a maioria dos comentadores do espaço público tem feito, os melhores, a maioria limita-se a proferir ladainhas.)

A afirmação a itálico é de Fernand Braudel (1902–1985), um dos nomes maiores da historiografia do século xx, diretor da coletânea de textos reunido no livro «Europa», Terramar, 1996, num artigo intitulado: «A Europa conquista o planeta.» Nos círculos do pensamento único, Braudel seria hoje proscrito como um russófilo, um capacho de Putin.

Que resposta dá Fernand Braudel para o papel da Europa nos últimos dois mil anos?

“Há séculos que a Europa ultrapassou os obstáculos fantásticos da geografia e da dimensão, rompendo os seus «limites naturais». Voltada ao mar e o oceano, muito cedo se tornou num continente «sem margens»: conquistou, dominou os caminhos sem fim da água marinha. E, vista através das suas imagens essenciais de poderio, a Europa é acima de tudo, há séculos, os navios, as frotas que saem dos seus portos ou a eles regressam.

A proeza é a mesma, na verdade, do lado da densidade das terras, rumo à imensidão asiática. A Europa é, por vezes, de acordo com juízos apressados, confinada aos limites orientais da Polónia, mas isso não passa de uma opinião insustentável, isto porque, após o século XVIII, ela anexa de facto as florestas, as planícies, os pântanos, os cursos de água, as cidades, os povos da Rússia, até aos montes Urales, como diziam os velhos. […] Assim, podemos sustentar que uma certa Europa se espraia, sem perder o fôlego, através da imensidão da Sibéria, até Vladivostoque. A Rússia, Europa por si só, filha de Bizâncio e da Grécia, inventou a Sibéria, tal como o Ocidente inventou a América.

Rússia, Sibéria, América esboçam as superfícies essenciais da explosão da Europa através do mundo. São, por excelência, as zonas do seu enraizamento, da sua permanência.”

Braudel, escreveu este artigo antes da subida ao poder de Gorbachev (1985) que prenunciou a dissolução da URSS (1991) e a queda do Muro de Berlim (1989). Para ele, como para os políticos e intelectuais europeus que após a II Guerra Mundial reconstruíram a Europa e idealizaram uma Europa do Atlântico a Vladivostoque — que integrasse as planícies, os pântanos, os rios para além da Polónia, a Ucrânia, de hoje, a Rússia era Europa “ Numa dada igreja do Kremelim com quadros mais que familiares: o Juízo Final, Jonas a sair do ventre da baleia, as trombetas de Jericó…”

Aos pais fundadores da Europa do pós-Segunda Guerra, da reconstrução sempre atentamente controlada de perto pelos Estados Unidos, esses sim, uma criação da Europa e não um elemento dela, sempre foi clara natural a pertença da Rússia ao seu mundo civilizacional, à sua cultura e à sua história. Construir uma Europa com a Rússia era um objetivo estratégico do mais alto alcance, e mereceu sempre a oposição declarada dos EUA, para quem a Europa seria uma província sua, uma velha quinta de família, uma base contra a Rússia, dentro da sua estratégia de novo império em afirmação.

Os Estados Unidos foram controlando com desconfiança e sabotando sempre que puderam e através do Cavalo de Troia da Inglaterra o processo de União Europeia e de integração da Rússia nesse projeto. O ponto de rutura — escamoteado — dos EUA com este projeto ocorre com a dupla Reagan- Tatcher, com a criação do mercado global (a inclusão da China na Organização Mundial do Comércio, que substituiu o acordo geral de taxas e comércio — GATT), com a utilização da China para enfraquecer a Europa através da deslocalização da sua indústria para a Ásia, pela recusa em aceitar uma política comum de defesa europeia, de um mercado comum de energia e de comunicações.

A criação da União Europeia, em substituição da Comunidade Económica Europeia (Tratado de Maastrich — 1993), dotando a União de objetivos políticos para além de um mercado comum, violou as linhas vermelhas estabelecidas pelos ocupantes da Casa Branca de Washington para a Europa. Uma violação que se agravou com a criação do Euro (1999) e, por fim, com o Tratado de Lisboa de 2009.

É curioso notar que o Reino Unido procurará sabotar o processo de criação de uma União Europeia em todas as fases e momentos. Foi sempre essa a sua missão, ao serviço dos EUA (uma tarefa de sapador que De Gaulle percebeu desde o início, impedindo que a Inglaterra entrasse para o clube fundador). A Inglaterra, com Tatcher e depois com Tony Blair, colocará entraves a todas as medidas integradoras das políticas europeias, arrastará a Europa para as intervenções americanas no Médio Oriente, para o desmembramento da Jugoslávia, para o apoio à ocupação da Palestina e a ocupação dos campos de petróleo da Líbia. Mas, principalmente através de Blair, os ingleses promoveram a chamada política do “sapo fumador” para rebentar com a União Europeia, propondo sucessivas e rápidas integrações dos estados do Leste que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia e ao Comecon (caso da Hungria, da Polónia, da Checoslováquia, da Roménia, dos Estados Bálticos), violando o acordo estabelecido pelo “Ocidente” (Estados Unidos) com Gorbachev de não os incluir nem na UE, nem na NATO. O alargamento da UE de forma indiscriminada e incluindo membros sem atributos que cumprissem as regras estabelecidas para a ela pertencerem, a violação de acordos foram o “trabalho” da Inglaterra neste processo, onde se distinguiu Blair. Terminado o “trabalho” de sabotagem a Inglaterra podia voltar à servidão dos EUA, e provocou o Brexit.


Nas causas longínquas da atual guerra na Ucrânia encontramos uma violação de acordos estabelecidos pelos EUA com a Rússia, que antecedem a recusa ou a violação dos recentes acordos de Minsk por parte do atual regime da Ucrânia suportado pelos EUA. A justa guerra do Ocidente começa com duas faltas de palavra!


Também não deixa de ser revelador da estratégia dos EUA de implosão da UE, de que a guerra na Ucrânia parece ser o ato final e o toque de finados, que os presidentes da Comissão Europeia, a partir da sua constituição tenham sido duas figuras tão medíocres e submissos quanto o italiano Romano Prodi (1999–2004) e Durão Barroso (2004–2014) o rececionista da Cimeira das Lages, a vergonhosa encenação para justificar a invasão do Iraque, pago por esse papel com o lugar em Bruxelas, arranjado por Blair. Estas duas tristes personalidades substituem políticos do gabarito de Jacques Dellors, por exemplo. Para a última fase da implosão da UE foi selecionada uma belicista para fazer coro com o secretário-geral da NATO.

A Europa vista pelos olhos dos políticos europeus do pós-Segunda Guerra, pelos olhos dos historiadores europeus, dos seus pensadores continentais é a Europa de Braudel, a Europa que inclui a Rússia e Sibéria, mas também o Mediterrâneo. O «Mediterrâneo», que numa obra clássica Braudel apresentou como uma personagem da História, tal como a Europa e que é visto por ele como personagem ou protagonista, ativo e até determinante da própria História. É um Mediterrâneo do comércio, dos intercâmbios económicos, de deslocamentos demográficos de sucessivas migrações dos povos. A União Europeia seria mais do que um simples apêndice dos EUA e para isso incluiria naturalmente a Rússia. Essa Europa deveria tornar-se uma entidade autossuficiente e, mais que isso, um centro de poder decisivo no mundo. Um concorrente que os EUA não podem admitir e que castraram antes de se desenvolver.

Essa Europa, como o império romano, morreu por traições internas e às mãos dos bárbaros que lhe introduziram o Cavalo de Troia.

É triste, mas é a realidade, verificar quanto a propósito dos tempos que vivemos os que podiam utilizar os instrumentos do saber adquirido ao longo da história, dos pensadores e historiadores substituíram o pensamento por provas e teses de doutoramento, a reflexão por uma ida à televisão, a independência intelectual por um convite a uma conferência. Estão no mercado, justificam-se uns, são moralistas, dizem outros e estão do lado do Bem, os invasores subtis do Oeste contra os invasores de Leste, os Maus.

Há europeus que tinham da Europa a visão de Braudel — perderam. Há europeus que preferiram a da Casa Branca, ganharam, a sua Europa será um dos vários exemplos de sucesso deixados pelos americanos aos seus vassalos depois de os utilizarem, do Vietname ao Afeganistão, passando pelo Iraque, pela Líbia, pelas repúblicas bananeiras da América do Sul…

Carlos Matos Gomes

Acordo de Belfast | Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

 Acordo de Belfast (também conhecido por Acordo da Sexta-feira Santa) foi assinado em Belfast em 10 de abril de 1998 pelos governos britânico e irlandês e apoiado pela maioria dos partidos políticos norte-irlandeses.[1][2][3][4][5] O acordo tinha por finalidade acabar com os conflitos entre nacionalistas e unionistas sobre a questão da união da Irlanda do Norte com a República da Irlanda, ou sua continuação como parte do Reino Unido.[1][3]

O acordo foi aprovado pela maioria dos votantes tanto na Irlanda do Norte como na República da Irlanda, chamados a pronunciar-se em referendos separados, em maio de 1998.[1][2][4][5]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_de_Belfast

2 | Poesia | Zeca Afonso

Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas tempo que o vento

É meu amigo também

Em terras

Em todas as fronteiras

Seja bem-vindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também

Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte

todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram

Traz outro amigo também

1 | Poesia | Luís Vaz de Camões

Oh, que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

Os Lusíadas, (Canto IX, 83)

Luís Vaz de Camões

O TERRAMOTO QUE AINDA NÃO ACABOU | Viriato Soromenho Marques | Opinião/DN

Em 1955, no bicentenário do grande terramoto de Lisboa de 1 de novembro 1755, o município da capital publicou uma antologia contendo os 3 textos de Kant (1724-1804), traduzidos por Luís Silveira, sobre essa catástrofe.

Os opúsculos de Kant – que procuravam explicar o grande sismo no quadro de leis naturais próprias autónomas, indiferentes tanto aos desígnios humanos como aos caprichos de uma qualquer divindade castigadora – são apenas uma parte dos muitos textos de grandes autores, como Voltaire e Rousseau, que foram profundamente afetados pela tragédia da mártir capital portuguesa, então uma das mais importantes cidades mundiais.

Ainda hoje abundam os ensaios que voltam à tripla catástrofe lisboeta (sismo, tsunami e incêndio) na perspetiva de avaliar o seu impacto filosófico e cultural na mudança da cosmovisão ocidental.

O que estava (e está) em causa consiste em compreender como o debate sobre o terramoto de 1755 provocou o corte abrupto com uma visão caracterizada pela confiança na bondade do mundo e no otimismo relativamente ao nosso lugar nele.

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ANTÓNIO COSTA | por Francisco Seixas da Costa

Faço parte das pessoas – e somos bastantes, a maioria, como se tem visto – que vivem muito confortáveis com o facto de António Costa estar hoje a liderar o governo. Não vislumbro, no “mercado” político doméstico, ninguém que junte em si mais qualidades para gerir o nosso país.

Não esqueço, e agradecerei sempre, a serenidade firme com que nos conduziu durante a pandemia. O peso que tem vindo a ganhar no plano europeu – um prestígio cujos efeitos desejo que se esgotem exclusivamente no plano nacional – é a prova provada do seu êxito.

Até na gestão do “tandem” que tem feito com o presidente da República, dossiê bastante mais complexo do que parece, António Costa tem revelado uma sábia habilidade. E faço parte de quantos valorizam bastante este último conceito.

Chegado a este ponto, os leitores devem estar à espera daquela frase com que os ingleses relativizam o que acabam de afirmar: “Having said that…” Ela aqui vai: não aprecio, mesmo nada, o tom que, crescentemente, António Costa tem vindo a adotar nas suas intervenções parlamentares.

Era expectável que, com o reforço de dois partidos da direita radical nas últimas eleições, o parlamento entrasse em crescente crispação. Com ambos a apelar ao pior dos sentimentos dos portugueses – um pelo populismo mais baixo, outro pela arrogância a-social -, posso perceber que António Costa se sinta frequentemente irritado e propenso a uma reação vocal mais robusta. Mas é aqui que reside o seu erro.

O primeiro-ministro de Portugal deve demonstrar, em todas as ocasiões, que se recusa a descer ao patamar dos preconceitos, rasteiros ou sobranceiros, com que aqueles grupos de representação ideológica extrema ali sustentam as suas intervenções. Fazê-lo é entrar numa chicana que só confere visibilidade e relevância a quem procura ganhar protagonismo à sua custa.

Tratá-los com educada frieza de Estado, oferecendo-lhes os mínimos de tratamento democrático, deveria ser a posologia a adotar. É que, contrariamente ao que as Seleções do Reader’s Digest defendem, rir, mesmo que deles, nem sempre é o melhor remédio.

Esta é a minha opinião. E, pelo que vou ouvindo, não estou sozinho, mesmo em quantos, como eu, continuam a apreciar muito António Costa.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

15% x 10% = 0,015 | 0,015 = 1,5% | total = 1,5% | um prémio a quem entender

Dizem os jornais e “media” em geral que a Rússia ocupou, ao longo da sua “intervenção militar especial” na Ucrânia, a área total de 15% de todo o País.  

Consideremos que é aceite que a ocupação actual é de 15%.

Consideremos ainda que “esta área” está ocupada, toda ela, por edificações de todo o tipo, o que não corresponde à realidade. Mas vamos considerar que sim.

Assim sendo, vamos admitir que 10% de todo o edificado numa área de 15% do total do País Ucrânia foi destruído e/ou danificado.

Logo, teríamos uma destruição de 1,5% de toda a Ucrânia.

Dizer-se então, que a Ucrânia é um País que está quase completamente destruído é uma falácia.

Repare-se mesmo que a Rússia nem sequer “passeou” pelos restantes 85% do País, salvo zonas pontuais e por muito pouco tempo, como logo no início na sua Capital, Kiev.  

Os especialistas credíveis consideram mesmo que as tropas russas seguriam quase à risca as Ordens Superiores recebidas, que foi a de procurarem o mais possível não destruirem edificações e muito menos atacar a população civil. O que tem lógica na perspectiva de que a intenção não era destruir, mas sim impedir que a Ucrânia aderisse à NATO e viesse a autorizar a instalação de armamento nuclear apontado à sua Capital, Moscovo e, também, de libertar o País de influências nazis que, entre outras decisões, proibiram o uso da língua russa e o seu ensino nas Escolas.

Os povos russos e ucranianos, e agora explicito aqui abertamente a minha opinião, não mereciam nem merecem esta guerra, provocada sob fortes influências externas, vindas mesmo de outro Continente  que combate a longa distância, como é seu costume.  

Até porque são povos irmanados há séculos, primos, irmãos e amigos uns dos outros.

Esta guerra tem de acabar já, um compromisso tem de ser encontrado, ambos os Países devem integrar plenamente um Continente que deve ser de Paz – do Atlântico aos Urais, como dizia De Gaulle.

A manipulada Comunicação Social, tem prestado um apoio assumido às “ordens de manipulação” que recebe.

It’s disgusting. Shame on you !

Shame on you too, political gentlemen !

——

Vítor Manuel Coelho da Silva, português, minderico, acérrimo defensor da Europa visionada por De Gaulle.

Do Atlântico aos Urais, e em paz com todos os outros Continentes.

O MUNDO é de TODOS | HUMANISMO e PAZ

É bonito » Medida Humanista de Alcance Extraordinário | Governo vai “aprovar legislação que protege famílias com crédito à habitação”.

A garantia foi dada pelo primeiro-ministro. Outros deixariam o neo-liberalismo actuar contra as famílias.

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que já foram investidos 5,6 mil milhões de euros em apoio às famílias e controlo dos custos da energia, estando para breve legislação para proteção face à alta dos créditos à habitação.

Estas posições sobre a atual conjuntura económica e financeira do país foram transmitidas por António Costa na abertura do debate parlamentar na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2023.

“Já investimos 5,6 mil milhões de euros entre medidas de apoio ao rendimento das famílias e medidas de controlo do custo da energia. Por isso, atualizamos o indexante de apoio sociais, o salário mínimo nacional acima da inflação. Por isso, prosseguimos o aumento do complemento solidário para idosos para convergir com o limiar de pobreza”, declarou.

Perante os deputados, o líder do executivo referiu que o seu Governo respondeu à atual trajetória de aumento da inflação com o congelamento do preço dos transportes públicos e limitou em 2% o aumento das rendas de casa.

“Vamos aprovar legislação que protege as famílias com crédito à habitação. Sim, cuidamos de responder às necessidades do presente, do mesmo passo que mantemos, com toda a determinação, o rumo que traçámos para a legislatura”, sustentou.

Em relação à presente proposta orçamental, António Costa disse que as verbas para o Serviço Nacional de Saúde serão reforçadas em 7,8%.

“Vamos instalar os primeiros 108 dos 365 centros tecnológicos especializados que vão modernizar o ensino profissional até 2025; aumentamos o apoio sustentado às artes em 114%; o investimento da lei de programação nas forças de serviços de segurança cresce 33%; a PJ tem o maior reforço de sempre em meios humanos e capacidade pericial para dar combate à criminalidade económica e financeira, em especial à corrupção”, apontou.

Também de acordo com o primeiro-ministro, o orçamento da Defesa é “robustecido, fortalecendo as Forças Armadas e honrando os nossos compromissos internacionais, num contexto marcado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia”.

Depois, referiu-se ao acordo de médio prazo, assinado em sede de concertação social pelo seu executivo com os parceiros sociais, salientando que assume como meta para 2026 acelerar para 2% o crescimento da produtividade.

“Esta é uma condição necessária para garantirmos melhores empregos, com melhores salários. Para produzirmos mais e com mais valor acrescentado, estabelecemos como prioridades o investimento nas qualificações e na inovação”, sustentou.

“O financiamento às empresas aumenta 90% do Portugal 2020 para o conjunto das verbas que lhes são destinadas no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência e no Portugal 2030, para apoiar a sua modernização e internacionalização, para as apoiar na dupla transição energética e digital. E no acordo firmado com os parceiros sociais reforçámos as medidas de redução seletiva do IRC, que no seu conjunto representam uma descida de impostos sobre as empresas superior à descida transversal de 2 pontos percentuais na taxa de IRC”, assinalou.

Na presente proposta de Orçamento, segundo o líder do executivo, são “melhorados os incentivos fiscais à inovação, ao investimento, à localização no interior e à capitalização do nosso tecido empresarial; é reduzida a carga fiscal das pequenas e médias empresas (PME); e reforçam-se os incentivos aos ganhos de escala, alargando a taxa reduzida das PME a todas as empresas até 500 trabalhadores e assegurando que as empresas que resultem da fusão de PME mantêm a taxa reduzida de IRC”.

“Estes são os incentivos certos para as empresas melhorarem a sua produtividade”, vincou António Costa, referindo-se indiretamente às diferenças entre a via fiscal do Governo e a dos partidos à direita do PS.

“Mas é essencial acompanhar o esforço das empresas com o reforço do investimento público, para melhorar a competitividade e, assim, elevar o peso das exportações no PIB para 53% até 2030”, acrescentou.

SIC Notícias, Lusa 26-10-2022

O inverno vem aí | E vai ser duro | in Expresso Curto de 26/10/2022 | por Raquel Moleiro

Tão felizes que eles estão!

Wall Street Journal
Joe Biden, Nancy Pelosi

E que tal um apelo para acabar com a guerra? O Expresso deveria dirigir-se ao Mentor Principal desta tragédia, o Sr. Joe Biden e seu CMI, que continuam a pensar que os USA são os donos do Mundo. E não são. [vcs]


Quão duro deve ser dizer a um povo, ao seu povo, para não regressar a casa? Quão difícil deve ser para um povo ouvir que um país, o seu país, não tem condições para lhe assegurar a sobrevivência? Iryna Vereshchuk, vice-primeira-ministra ucraniana e chefe de reintegração dos territórios ocupados deixou ontem um pedido aos conterrâneos para se manterem nos países de acolhimento devido à situação energética. “Peço que não voltem, por enquanto. Precisamos de sobreviver ao Inverno. Infelizmente as redes não vão aguentar. Conseguem ver o que a Rússia está a fazer?

A Rússia está a fazer do frio um aliado na guerra. Mísseis russos e drones iranianos destruíram nas últimas semanas um terço do setor energético do país. E por ali energia não significa apenas ter gás ou eletricidade para iluminar as casas ou cozinhar, significa aquecimento. O frio de dois dígitos negativos prepara-se para matar quem não morre nos bombardeamentos (siga aqui todos os desenvolvimentos da guerra).

Só “um plano Marshall” poderá reerguer o país, defende o chanceler Olaf Scholz. Mas isso é a longo prazo, para quando o conflito acabar. Para já, para os ucranianos que se mantêm no país ou que regressaram a casa, confiantes nas vitórias recentes das forças de Zelensky, pediu-se ontem em Berlim, durante a conferência para a reconstrução da Ucrânia, um apoio urgente, financeiro e material, dos estados-membros e empresas europeias ao setor energético. “O que está em jogo é a proteção e o bem-estar de dezenas de milhares de lares, pessoas vulneráveis, crianças e idosos antes deste inverno”, urgiu o comissário da UE para a energia. É verão e as noites já se vivem perto dos zero graus.

Mas nos países de acolhimento – há 5 milhões de refugiados da Ucrânia na UE, 54 mil em Portugal – também é de energia que se fala por estes dias. Não há guerra, há a crise que a guerra provocou. Os ministros europeus que detêm a pasta reuniram-se ontem para debater as melhores formas de enfrentar os preços elevados. Em cima da mesa está o alargamento a toda a UE do mecanismo temporário ibérico que coloca limites ao preço médio do gás na produção da eletricidade.

E como se não bastasse o conflito ucraniano, e as críticas da oposição ao corredor de energia verde entre Portugal, Espanha e França, o ministro do ambiente, Duarte Cordeiro, tem agora também de lidar com as cheias da Nigéria que ameaçam afetar irremediavelmente o fornecimento de gás ao país. A próxima remessa, esperada esta semana em Sines, não vai chegar e a Galp já veio admitir a subida dos preços no início do próximo ano para quem está no mercado regulado.

O Governo desvaloriza o impacto, mas numa realidade nacional tomada pelo aumento generalizado do custo de vida – combustíveis, alimentos, prestações, rendas, casas – qualquer areia pode pesar toneladas no orçamento familiar e afetar ainda mais o (des)controlo financeiro.

“UCRÂNIA – É IMPERIOSO SAIR DA CAIXA” | por Francisco Seixas da Costa

Os trinta democratas liberais no Congresso dos EUA leram Francisco Seixas da Costa


É nos Estados Unidos que reside a chave de um eventual novo tempo neste processo, pelo que compete aos europeus lembrar-lhes que é só deste lado do Atlântico que, por agora, continua a guerra.

A História mostra que, para pôr termo a um conflito, ou se derrota totalmente o inimigo (e a Rússia não é derrotável, enquanto potência, como sabe quem sabe destas coisas) ou se fala com ele para ir aferindo das hipóteses de um acordo. Pensar que o tempo corre sempre a nosso favor é uma ingenuidade perigosa.”


Fez ontem cinco meses, publiquei este artigo no “Expresso”. Algumas coisas estão datadas e ocorreu a alteração de certas circunstâncias, mas, mesmo assim, hoje apetece-me relembrá-lo, porque o essencial não mudou e continuo a pensar exatamente o mesmo: :

”Esta guerra já não é apenas entre a Rússia e a Ucrânia. É cada vez maior o envolvimento, através de ajuda militar e de sanções, de muitos países que passaram a ser parte, embora por ora não beligerante, no conflito. Em moldes todavia nunca comparáveis ao sofrimento da população da Ucrânia, as respetivas sociedades estão a começar a sentir as consequências do prolongamento da guerra.

Parece não ter sentido que os países envolvidos no apoio à Ucrânia fiquem a aguardar o resultado, cada vez mais duvidoso, de um processo negocial, aparentemente suspenso, entre Kiev e Moscovo. Há dimensões do conflito, como fica evidente na questão das armas nucleares, que vão muito para além da situação concreta da Ucrânia, embora com ela interligada.

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SIMONE DE BEAUVOIR | O Segundo Sexo – vol 1

Mais de 50 anos volvidos sobre a sua primeira publicação, os temas que Simone de Beauvoir discute neste célebre tratado sobre a condição da mulher continuam a ser pertinentes e a manter aceso um debate clássico. Entretecendo argumentos da Biologia, da Antropologia, da Psicanálise e Filosofia, e outras áreas de saber, O Segundo Sexo revela os desequilíbrios de poder entre os sexos e a posição do «Outro» que as mulheres ocupam no mundo.
O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo, e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como «mulher» ou «feminino» – e que estão na base da opressão das mulheres – são hoje amplamente aceites.


Simone de Beauvoir (1908-1986) nasceu em Paris, no seio de uma família burguesa, e era a mais velha de duas irmãs. Estudou Filosofia na Sorbonne, onde conheceu Sartre, companheiro de toda a vida e com quem viveu uma relação célebre pelos seus padrões de abertura e honestidade. No final da Segunda Guerra Mundial, editou a revista política Les Temps Modernes, fundada por Sartre e por Merleau-Ponty, entre outros. Foi ativista no movimento francês de emancipação das mulheres, nos anos de 1970, e serviu de modelo e de influência aos movimentos feministas posteriores. Simone de Beauvoir ganhou o Prémio Goncourt em 1954 com Os Mandarins, cujo herói se inspira na figura de Nelson Algren, com quem manteve um longo e intenso romance.
Autora de uma vasta obra literária, filosófica e autobiográfica, Simone de Beauvoir publicou, em 1949, O Segundo Sexo, texto basilar do feminismo contemporâneo.

A estratégia da “meia guerra” | Carlos Matos Gomes

As desarrumações permitem descobrir fósseis que explicam o presente. Este é um recorte de “O Jornal”, um excelente semanário que desapareceu com o mercado da manipulação, do Verão de 1979. Reproduz um artigo do Nouvel Observateur, de George Buis, e anuncia a estratégia dos Estados Unidos após a retirada do Vietname. Um excerto:

“Harold Brown, secretário americano da defesa, retornou à sua doutrina de 1969 de que a América deve poder conduzir simultaneamente «uma guerra e meia», ou seja, uma guerra na Europa e outra meia num ponto qualquer do globo.”

O controlo do golfo Pérsico e da produção de petróleo era então vital (como o é hoje) para o domínio dos EUA do fornecimento de energia ao resto do planeta e para impedir a URSS de ter ali alguma influência. A “guerra do Golfo” de 1991 começou a ser prepara nos anos 80, com a constituição de uma força de reação rápida (Quick Alert Force), “capaz de alcançar qualquer ponto do globo antes dos soviéticos”. Esse é o objetivo permanente dos EUA: impor o seu domínio em todo o globo. Não há acasos e a guerra da Ucrânia não é, no essencial, diferente das outras intervenções dos EUA na região do Golfo-Eurásia, a grande reserva de combustíveis fósseis do planeta.

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Iestyn Davies sings ‘O, where are you, dearest beloved?’ from Rodelinda

ENO’s 2014 production of Handel’s Rodelinda was directed by Richard Jones, conducted by Christian Curnyn and starring Rebecca Evans, Iestyn Davies, John Mark Ainsley and Susan Bickley. Rodelinda is an epic story of love, power and mistaken identity, widely considered one of Handel’s operatic masterpieces, and infused with compelling characters and ravishing music.

“Falar-se-á muito de Adriano Moreira, e é justo” | por Carlos Matos Gomes

Falar-se-á muito de Adriano Moreira, e é justo. Ele é uma das grandes personagens da história de Portugal do século XX e um dos grandes pensadores portugueses, além de ter sido político e interventor social. Uma personalidade marcante. Ouvi-o a primeira vez em 1964, havia deixado de ser Ministro do Ultramar e proferiu uma conferência para os cadetes da Academia Militar, que me marcou por ser uma “análise” e não apenas uma opinião, ou um sermão. Eu deixara de acreditar em sermões e em opiniões. Ou me convenciam com argumentos racionais, ou eu procurava-os. Deixara de ser religioso no sentido de acreditar em deuses e salvadores, até mesmo em heróis.

Hoje a homenagem que entendo prestar a Adriano Moreira é transcrever um seu pensamento expresso no livro Ciência Política, da Almedina, de 1993, que se adapta à situação atual, claramente a da violação do principio da existência de uma hierarquia nos Estados, como AM, definiu: Superpotências, grandes, médias e pequenas potências consoante o seu poder e o seu grau de dependência. De espaços de influência, reunidos em “Grandes Espaços” e, por fim o conceito de interdependência, ou de soberania limitada, ou partilhada.

” O conceito e a realidade do Estado soberano que dominou a vida internacional até ao fim da II Guerra Mundial tem vindo a ser substituído pelas interdependências e dependência mundiais que se vão consolidando e onde o mundialismo se firma como “modelo observante da realidade observada”.

Aos olhos do Estado, o cenário passou a ser considerado segundo a perspectiva de “aldeia global” entendida como mundialização dos comportamentos ecológicos, económicos, políticos naquilo que alguns quiseram chamar “fim da História” e que generalizadamente é considerada a democracia avançada, por mais incertos que sejam os pressupostos organizativos.

Além disso, a ideia de Estado-Nação, na acepção teórica de Silverman, nunca foi com frequência um paradigma da organização da vida humana. Parece-nos claro que a crise do Estado está essencialmente ligada a uma nova conjuntura que põe em causa as áreas de intervenção do “grande Leviatã” preconizado por Hobbes e que até aí, detinha total acção nos mais variados quadrantes”.

Adriano Moreira procurou um caminho de modernidade e de esperança. Viveu a sua época e ajudou-nos a viver.

Carlos Matos Gomes in Facebook 23-10-2022

Resposta de Matos Gomes a um comentário “provocador”, no seu texto colocado no Facebook :

Carlos Matos Gomes

“Apenas um pormenor, que nada altera as apreciações que cada um entenda fazer. Adriano Moreira também passou pelas masmorras do Estado Novo. Esteve uns meses preso no Aljube por ser defensor da mulher do general Godinho, implicado na abrilada de 1947.

UCRÂNIA | Pontos de vista racionais | Professor Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva

Talvez por andar a tentar esmiuçar Aristóteles (que para cada problema tem uma série de divisões que correspondem a outras tantas perspectivas) ocorreu-me, ao ler as várias contribuições a este comentário, que há várias posições a partir das quais ver o problema:

— O do direito internacional. É verdade que sem direito internacional a civilização desaparece e, nesse sentido, a invasão da Ucrânia é reprovável. Também é verdade, como foi apontado, que apenas invocamos o direito internacional neste caso particular, já que o Ocidente o violou várias vezes;

— O da justiça/ética. Sendo verdade que os russos invadiram, fizeram-no a um país em guerra civil contra uma parte da sua população e que, não tivesse a Ucrânia sido dominada por um grupo ferozmente nacionalista e até racista (este ponto não foi referido mas é um facto conhecido) e os acordos de Minsk sido respeitados não teria havido invasão;

— O ponto de vista histórico. Historicamente as fronteiras da Ucrânia são artificiais; historicamente a Crimeia é russa e o Donbass muito perto de o ser;

— O ponto de vista estratégico, isto é, o que está realmente em causa: a hegemonia dos EUA é condenável, indefensável porque substituiu a diplomacia pela guerra (este ponto não foi mencionado, mas está tacitamente presente em dois dos intervenientes);

o facto de a Ucrânia ser uma terra de passagem que a Rússia não pode admitir que seja tomada pela NATO (o que é compreensível porque real – a palavra Ucrânia vem do russo antigo e significa «fronteira»);

o facto de a Europa, por estar na dependência militar dos EUA se estar a prestar a um papel vergonhoso (mencionado e referido a um comentário meu noutro texto) e que, do ponto de vista dos cidadãos europeus e ucranianos, pode ser considerado criminoso;

— O ponto de vista do resultado: se se continuar a escalar a guerra qual será a consequência? Mesmo sem guerra nuclear (que desde há décadas nunca esteve tão próxima) são todas más.

Estes são os pontos de vista racionais. Depois, claro, há os clubismos e a formação da opinião pública pelos media que, diga-se, se estão a comportar sem qualquer ética.

Creio que, para se ser realmente racional, têm de se considerar todos estes pontos (e haverá mais). Não é fácil, mas, se quisermos compreender, é necessário tentá-lo.

BERLUSCONI ACUSA ZELENSKY DE PROVOCAR A INVASÃO RUSSA | in The Guardian

Silvio Berlusconi afirmou que o presidente Volodymyr Zelenskiy “provocou” a invasão da Ucrânia pela Rússia, desencadeando uma nova disputa política e ameaçando a estabilidade do novo governo da Itália poucos dias antes deste assumir o poder.

Berlusconi, três vezes ex-primeiro-ministro e líder do partido Forza Italia – um parceiro menor de uma coligação de extrema-direita que venceu as eleições gerais de setembro – está no centro da turbulência política após uma série de gravações de áudio vazadas nas quais ele diz que ele se reconectou com Vladimir Putin e culpa Zelenskiy por ter provocado a invasão de Moscovo.

No último clipe publicado pela agência La Presse na quarta-feira, Berlusconi pode ser ouvido defendendo seu “velho amigo” Putin e dizendo que Zelenskiy provocou a invasão de Moscovo ao “triplicar os ataques” contra os separatistas apoiados pela Rússia no Donbass.

“O PCP faz falta” e o momento político prova-o | Secretário-geral Jerónimo de Sousa

Lisboa, 22 out 2022 (Lusa) – O secretário-geral comunista rebateu a ideia de definhamento do partido e alertou que “o PCP faz falta”, sobretudo num momento de agravamento das condições de vida e de perda do poder de compra.

O conteúdo completo está disponível apenas para Subscritores. Entrar

El Greco y Picasso | un diálogo decisivo | FRANCISCO CALVO SERRALLER | El País

‘Mujer sentada en un sillón’, de Picasso (1910)

El malagueño fue una de las claves para la difusión internacional de la obra del cretense.

El último entre los grandes maestros antiguos españoles en ser reconocido, El Greco, fue también la influencia más determinante para animar el movimiento más decisivo para el desarrollo de la vanguardia del siglo XX: el cubismo; o sea: que, al final, el pintor cretense resultó ser demasiado moderno para los antiguos y, a la par, fuente de inspiración para el arte contemporáneo, aunque previamente estuviese a la sombra durante casi tres siglos. En todo caso, al mencionarlo antes en relación con el cubismo, ya se entiende que Pablo Picasso fue una de las claves para su difusión internacional. El artista malagueño tuvo oportunidad de descubrirlo casi en plena adolescencia, pues lo frecuentó en el Museo del Prado desde 1897-98, cuando cursaba estudios en la Escuela de Bellas Artes de San Fernando e, inmediatamente después, en la Barcelona modernista, donde se estaba fraguando un culto fervoroso en torno a El Greco.

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DEUS OU SEJA A NATUREZA | Spinoza e os novos paradigmas da física | LIVRO de Roberto L. Ponczek

(21) DEUS OU SEJA A NATUREZA. Spinoza e os novos paradigmas da física. LIVRO de Roberto L. Ponczek | Luiz Carlos Montans Braga – Academia.edu

Depois de entrar clique na barra azul que diz:

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(351 páginas)

E depois em nova página, clique em :

Não obrigado, eu vou ficar no nível livre

Para Spinoza, a substância é o Ser em si, por si e para
si, o Ser do qual tudo depende e que não depende de nada; o Ser que não
tem causa ou que é causa de si mesmo; o Ser absoluto, o Ser absolutamente
ilimitado e infinito. Não será esta também a fonte de motivação de Einstein
para buscar a unidade intrínseca em todas as leis da Natureza?

25 Best Opera Arias – favourites from Puccini, Verdi, Mozart and more

Enjoy this selection of some of the best loved operatic arias in the repertoire. A selection of great tunes from the greats of the genre including Verdi, Puccini, Mozart, Donizetti and many others.

25 Best Opera Arias 00:00:00 Puccini: Gianni Schicchi – O mio babbino caro 00:02:36 Rossini: Il barbiere di Siviglia: Largo al factotum (Cavatina) 00:07:09 Mozart: Die Zauberflöte – Queen Of The Night 00:10:13 Puccini: La Bohème – Mi chiamano Mimì 00:14:58 Donizetti: L’Elisir d’Amore – Una furtiva lagrima 00:19:50 Verdi: Rigoletto – La donna é mobile 00:22:02 Puccini: Tosca – E lucevan le stelle 00:25:14 Mozart: Le nozze di Figaro – Non più andrai 00:29:06 Bellini: Norma – Casta diva 00:35:52 Verdi: Un ballo in maschera – Ma se m’e forza perderti 00:40:47 Puccini: Turandot – Nessun dorma 00:44:56 Leoncavallo: Pagliacci – Vesti la giubba 00:48:51 Verdi: La Traviata – Sempre libera 00:52:33 Saint-Saëns: Samson and Delilah – Mon coeur s’ouvre à ta voix 00:58:19 Puccini: Tosca – Vissi d’arte 01:01:37 Bizet: Les pêcheurs de perles – Au fond du temple saint 01:06:11 Mozart: Le nozze di Figaro – Cinque… dieci… Venti (No. 1 Duettino) 01:08:56 Verdi: Rigoletto – Ella mi fu rapita…Parmi veder le lagrime 01:13:51 Puccini: Manon Lescaut – Donna non vidi mai 01:16:30 Massenet: Werther – Pourquoi me réveiller 01:19:26 Offenbach: Tales of Hoffmann – Barcarolle 01:23:11 Verdi: Luisa Miller – Quando le sere al placido 01:28:45 Puccini: Gianni Schicchi – Firenze è come un albero fiorito 01:32:02 Verdi: Il Trovatore – Ah si’ ben mio coll’essere 01:35:05 Giordano: Andrea Chenier – La Mamma Morta

Estou cansado de lutar contra Telemóveis, WhatsApp e Facebook | Leonardo Haberkorn

O jornalista e académico uruguaio Leonardo Haberkorn, desistiu de continuar a dar aulas do curso de “Comunicação” na Universidade ORT de Montevideu, através desta carta que comoveu o mundo da Educação:

Depois de muitos anos como professor universitário, hoje dei aula na faculdade pela última vez. Estou cansado de lutar contra telemóveis, WhatsApp e Facebook. Eles venceram-me. Eu desisto. Eu atiro a toalha ao chão. Cansei-me de falar de assuntos pelos quais eu sou apaixonado, para rapazes e raparigas que não conseguem tirar os olhos de um telemóvel que não pára de receber selfies.

É verdade que nem todos são assim, mas há cada vez mais a ficar assim. Até há três ou quatro anos, o apelo para deixar o telemóvel de lado por 90 minutos – nem que fosse só para não ser desrespeitoso – ainda teve algum efeito. Já não o está a ter. Pode ser que seja eu que me tenha desgastado demais neste combate, ou que esteja a fazer algo de errado.

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Heterónima e outras demonstrações | Amélia Vieira – 28 Jul 2016 (publicado em Macau Hoje)

VII-1

«A heterónima Pessoana não nasce apenas da multiplicidade do carácter ou de uma forma de fugir a uma Lisboa enfadonha no início do século vinte que, por acaso, até nem o era, dado o clima efervescente da Primeira República onde todas as viragens sociais e culturais se davam à velocidade do vapor. Essa tese cai por terra de tão inexacta que é. Em nós, não cabem, não -todos os sonhos do mundo – muito menos temos a elasticidade mimética de ser conforme a circunstância. Há, sem dúvida, componentes que fazem um homem mais vibrátil na multiplicação de si mesmo. Mas o que a uns parece do efeito da quimera e do desdobramento da personalidade, pode neste caso ter outras origens bem mais profundas.

Pessoa é originário da Covilhã e de um ramo bastante circunscrito. Sabendo-se da sua descendência familiar que partia de cristãos-novos referenciados, ora existe ainda um ramo remoto que vem das duas filhas de António José da Silva, judeu relapso: uma fugida para os Países Baixos de onde não mais regressaria e outra que vivera escondida dentro de casa para o resto da sua vida. É desta que o ramo é descendente. Para se viver, para se ter subsistido, foram precisas muito mais que análises vãs e, para se ter desembocado em Pessoa, foi preciso também muito mais que uma imaginação torrencial, inspiração, génio e “jeito”. Foi ainda preciso ter nas veias aquela plasticidade de saber que mudar de nome, ter vários nomes, até formas de expressão, fazia parte de uma camuflagem em prol da resistência e do salvar a vida. Aqui chegados, e caso os inimigos sejam só fantasmas, a memória nem por isso se torna um elo morto. E foi nesta imensa componente toldada de segredos que ele se deslinda, acrescentando à necessidade a arte de transformar o medo, a arte pura. Aliás, grandes obras nascem destes caminhos que, depois de aparentemente solucionados, libertam para outra área elevando os mesmos argumentos.

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Vu de l’étranger. La grève des raffineries s’est transformée en crise : “Macron a réagi trop tard” | in COURRIER INTERNATIONAL

Workers on strike gather in front of the French oil giant TotalEnergies refinery in Donges near Saint-Nazaire, France October 12, 2022. REUTERS/Stephane Mahe

D’un conflit sur les salaires, la grève dans les raffineries s’est muée en problème politique d’envergure nationale. La lenteur du gouvernement à réagir et le symbole que représente TotalEnergies ont attisé les colères, observe la presse étrangère.

https://www.courrierinternational.com/article/vu-de-l-etranger-la-greve-des-raffineries-s-est-transformee-en-crise-macron-a-reagi-trop-tard?xtor=EREC-20-20221014-0-nl_quotidienne

Elegia das Águas Negras para Che Guevara | por Eugénio de Andrade

Atado ao silêncio, o coração ainda

pesado de amor, jazes de perfil,

escutando, por assim dizer, as águas

negras da nossa aflição.

Pálidas vozes procuram-te na bruma;

de prado em prado procuram

um potro mais libre, a palmeira mais alta

sobre o lago, um barco talvez

ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo

aguardam na noite o sol do meio-dia,

a face viva do sol onde cresces,

onde te confundes com os ramos

de sangue do verão ou o rumor

dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega

húmida dos bosques: temos que semeá-la;

chega húmida da terra: temos que defendê-la;

chega com as andorinhas

que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé,

cada palavra tua faz do orvalho uma faca,

faz do ódio um vinho inocente

para bebermos, contigo

no coração, em redor do fogo.

Origem: África, de Howard W. French | Um novo enquadramento da história mundial, com África no centro das atenções.

Sinopse
A historiografia da criação do mundo moderno atribui um papel central à Europa, usando argumentos como a singularidade da Era das Descobertas e da exploração marítima, os avanços científicos e tecnológicos ou a expansão dos ideais judaico-cristãos.

Contudo, no centro de todas estas conquistas e superações está o continente africano, apesar de sobre este pouco se escrever. Que tipo de relato leríamos se tivéssemos África e os africanos como foco da nossa pesquisa e investigação?

É precisamente isso que Howard W. French faz nesta história detalhada de seis séculos de desenvolvimento mundial, demonstrando como a ascensão económica da Europa, o seu desenvolvimento político e a concretização dos ideais do Iluminismo se construíram à custa da desumanização e da exploração do «continente negro» – numa busca incessante por ouro e mão de obra escravizada.

Portugal e Espanha figuram proeminentemente nos primeiros séculos desta história do continente africano, que recupera as biografias e os feitos de importantes figuras africanas, caracteriza as abastadas civilizações da África medieval e destaca a relevância histórica de movimentos extraordinários, como a Revolução Haitiana.

Sobre o autor Howard W. French é jornalista, escritor, fotógrafo e professor de Jornalismo na Universidade Columbia. Foi chefe de redação do New York Times para as Caraíbas e América Central, para a África Central e Oriental, para o Japão e as Coreias e para a China em diferentes períodos entre 1990 e 2008.

O seu trabalho foi múltiplas vezes premiado e esteve por duas vezes nomeado para o Pulitzer. French vive em Nova Iorque e é fluente em 5 línguas (inglês, mandarim, francês, espanhol e japonês). Escreve uma coluna semanal para a World Politics Review.

Para mais informações, p. f. contacte o Departamento de Comunicação da Bertrand Editora

Adalberto de Queiroz: vozes do passado em versos | por Adelto Gonçalves (*)

Poeta faz da evocação da mãe que não teve a música inominável de sua poesia

                                                         I
            Em poucos poetas antigos ou modernos brasileiros (para não se dizer nenhum), a evocação da mãe é tão presente e tão luminosa como em Adalberto de Queiroz (1955), que foi educado como órfão em abrigo de Anápolis, no interior de Goiás, de onde saiu só em 1973 para cursar Física na Universidade Federal de Goiás (UFG). Poeta, jornalista e ensaísta, Queiroz, em 2021, lançou a segunda edição, revista e repensada, de Cadernos de Sizenando, publicado em 2014, livro de poemas que “saem da angústia para o enfrentamento da realidade”, como definiu no pref&a acute;cio o escritor Iúri Rincon Godinho, membro da Academia Goiana de Letras.
            Godinho explica que, a pedido do autor, para a segunda edição da obra, retirou os textos em prosa poética da primeira, deixando apenas os poemas, garantindo que o material que ficou de fora “merece outro livro”. Tanto os textos em prosa poética quanto os poemas haviam sido publicados inicialmente em um blog (http://www.betoqueiroz.com) que Adalberto de Queiroz ainda mantém na internet. Como diz Godinho com percuciência, se ele, como editor do texto, tivesse tirado também todos os poemas e deixasse apenas aquele que tem por título “É a Mãe” o livro já valer ia a pena ser lido.

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O Que Há Em Mim É Sobretudo Cansaço | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas

Fernando António Nogueira Pessoa (1888 — 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.

John Donne | Poema “O êxtase” | Tradução de Augusto de Campos

“The ecstasy”

Where, like a pillow on a bed,
A pregnant bank swell’d up, to rest
The violet’s reclining head,
Sat we two, one another’s best.

Our hands were firmly cemented
By a fast balm, which thence did spring ;
Our eye-beams twisted, and did thread
Our eyes upon one double string.

So to engraft our hands, as yet
Was all the means to make us one ;
And pictures in our eyes to get
Was all our propagation.

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As religiões na escola | Anselmo Borges, Padre e Professor de Filosofia | in DN

Quantos cristãos saberão que, se Adão e Eva fossem figuras reais e nossos contemporâneos, precisariam, para viajar para o estrangeiro, de um passaporte iraquiano? Quantos se lembram de que Abraão, que está na base das três religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo, islão -, possuiria igualmente nacionalidade iraquiana? Quantos se lembram de que os primeiros capítulos do Génesis, referentes ao mito da criação e da queda, se passam na Mesopotâmia, onde mergulham algumas das nossas raízes culturais? As religiões estão sempre presentes. Mas quem tem delas um conhecimento mínimo? Qual é a relação entre religião e violência, religião e política, religião e desenvolvimento económico, religião e saúde?

O grande Umberto Eco, agnóstico, lamentava-se: “Nas escolas italianas, Homero é obrigatório, César é obrigatório, Pitágoras é obrigatório, só Deus é facultativo. Se o ensino religioso se identificar com o do catecismo católico, no espírito da Constituição italiana deve ser facultativo. Só lamento que não exista um ensino da história das religiões. Um jovem termina os seus estudos e sabe quem era Poséidon e Vulcano, mas tem ideias confusas acerca do Espírito Santo, pensando que Maomé é o deus dos muçulmanos e que os quacres são personagens de Walt Disney…”

Ernst Bloch, o filósofo marxista heterodoxo e ateu religioso, com quem tive o privilégio de conversar, sublinhou que o desconhecimento da Bíblia constitui uma “situação insustentável”, pois produz “bárbaros”, que, por exemplo, perante a “Paixão segundo São Mateus”, de Bach, ficam como bois a olhar para palácios.

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A GUERRA NA UCRÂNIA E O POSICIONAMENTO SOBRE A MESMA | por Francisco Henriques da Silva

“Estamos a viver tempo conturbados e que nos podem conduzir ao abismo. A situação assume, neste momento, uma gravidade que dispensa, creio eu, grandes comentários. A eventualidade do conflito alastrar e entrar numa fase ainda mais perigosa, inclusive com recurso a armas nucleares, pode, a prazo, tornar-se inexorável. Quem ainda não se apercebeu disso, está – passe a expressão – a dormir na forma.

Estas questões são altamente preocupantes, pois está em risco o futuro da própria Humanidade. Haveria, de algum modo, forçar as partes a sentarem-se à mesa e entabularem negociações, obrigando os tambores de guerra ao silêncio. Esta tarefa é imperativa.

É preciso não nos esquecermos que no quadro actual existem culpas de parte a parte e resta determinar “quem atirou a primeira pedra”, se é que isso agora interessa. Quem invadiu o território da Ucrânia, sem declaração de guerra, contra a Carta da ONU e, portanto, à margem do direito internacional? Ou quem perseguiu a minoria russófona, violando continuamente os respectivos direitos humanos e, por outro lado, pretendeu integrar uma aliança militar (NATO) susceptível de ameaçar a segurança da própria Rússia? Todos nos podemos posicionar quanto ao bem fundado destas duas posições (muito sinteticamente apresentadas, diga-se de passagem) e é difícil optar por qualquer das partes em confronto (para mim, que pretendo pensar sobre o assunto em todas as suas múltiplas vertentes e em termos das respectivas consequências, é verdadeiramente impossível fazê-lo). Como diplomata que já fui, em suma, a meu ver, constatam-se violações do direito internacional, quer da Rússia, quer da Ucrânia. É mais do que óbvio.

Como referia um amigo que muito considero e que não vou citar “a racionalidade abandonou os decisores políticos.” É uma verdade de La Palice que não vale a pena escamotear nem comentar.

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O JOVEM CUNHAL | filme de João Botelho

Depois de uma primeira sala esgotada, no próximo domingo, 9 de Outubro, às 19h30, nova sessão especial de O JOVEM CUNHAL, de João Botelho, no Cinema Medeia Nimas.

O filme será apresentado pelo realizador, e Carmen Granja lerá “Três poemas em memória de Álvaro Cunhal”, de Manuel Gusmão.

Bilhetes à venda em ActiveTicket.pt

“Responde às calúnias rasteiras/ […] Ameaça o inimigo que o tem preso/ que o terá encarcerado 11 anos seguidos/ 14 meses incomunicável/ E 8 anos em tenebroso/ Isolamento/ E não cedeu Nunca cedeu”

in Manuel Gusmão, A Foz em Delta, edições Avante!

Socrate, Jésus, Bouddha – Trois maîtres de vie | Le Christ philosophe | Frédéric Lenoir

Résumé | Socrate, Jésus, Bouddha

La crise que nous vivons n’est pas simplement économiqueet financière, mais aussi philosophique et spirituelle. Elle renvoie à des interrogations universelles : Qu’est ce qui rend l’être humain heureux ? Qu’est-ce qui peut être considéré comme un progrès véritable ? Quelles sont les conditions d’une vie sociale harmonieuse ?Contre une vision purement matérialiste de l’homme et du monde, Socrate, Jésus et Bouddha sont trois maîtres de vie. Une vie qu’ils n’enferment jamais dans une conception close et dogmatique. Leur parole a traversé les siècles sans prendre une ride, et par-delà leurs divergences, ils s’accordent sur l’essentiel : l’existence humaine est précieuse et chacun, d’où qu’il vienne, est appelé à chercher la vérité, à se connaître dans sa profondeur, à devenir libre, à vivre en paix avec lui-même et avec les autres. Un message humaniste et spirituel, qui répond sans détour à la question essentielle : pourquoi je vis ?Philosophe et directeur du Monde des religions, Frédéric Lenoir est aussi romancier et dramaturge. Il est notamment l’auteur ou le co-auteur de La Promesse de l’ange, de Code Da Vinci, l’enquête, de L’Oracle della Luna et de la pièce de théâtre Bonté divine ! Ses ouvrages sont traduits dans une vingtaine de langues.

Résumé | Le Christ philosophe

Pourquoi la démocratie et les droits de l’homme sont-ils nés en Occident plutôt qu’en Inde, en Chine, ou dans l’Empire ottoman ? Parce que l’Occident était chrétien et que le christianisme n’est pas seulement une religion. Certes, le message des Evangiles s’enracine dans la foi en Dieu, mais le Christ enseigne aussi une éthique à portée universelle : égale dignité de tous, justice et partage, non-violence, émancipation de l’individu à l’égard du groupe et de la femme à l’égard de l’homme, liberté de choix, séparation du politique et du religieux, fraternité humaine. Quand, au IVe siècle, le christianisme devient religion officielle de l’Empire romain, la sagesse du Christ est en grande partie obscurcie par l’institution ecclésiale. Elle renaît mille ans plus tard, lorsque les penseurs de la Renaissance et des Lumières s’appuient sur la ” philosophie du Christ “, selon l’expression d’Erasme, pour émanciper les sociétés européennes de l’emprise des pouvoirs religieux et fonder l’humanisme moderne. Frédéric Lenoir raconte ici le destin paradoxal du christianisme – du témoignage des apôtres à la naissance du monde moderne, en passant par l’Inquisition – et nous fait relire les Evangiles d’un œil radicalement neuf.


À propos de l’auteur

Lenoir, Frédéric
Philosophe, historien des religions et chercheur associé à l’Ecole des hautes études en sciences sociales. Directeur du magazine Le Monde des religions, il est l’auteur d’essais et de romans historiques qui ont connu un succès international. Ses ouvrages sont traduits dans vingt-cinq langues.

Mapa real da zona do Aeroporto da Portela/Humberto Delgado

Quanto mais leio, mais convicto me revejo na opinião de que a solução não deveria passar pelo encerramento definitivo do Aeroporto da Portela. Convinha que o processo fosse claro, rápido, económico quanto baste e muito bem explicado ao Povo Português. [vcs]

19 NOVEMBRO 2017

Em declarações ao Expresso, Carlos Lacerda, presidente executivo da concessionária, dá conta do plano de contingência da empresa, contabilizando que o Aeroporto Humberto Delgado tenha capacidade para chegar aos 49 milhões de passageiros por ano (este ano deverá totalizar 26 milhões).

Os cálculos pressupõem o aumento do número de movimentos por hora, para 44, e que o horário de funcionamento passe de 18 horas diárias para 20 (o que necessita de autorização camarária).

As contas da ANA multiplicam o número de passageiros médio por voo (180) pela taxa de ocupação média (85%), vezes os 44 movimentos por hora, as 20 horas diárias e os 365 dias do ano, o que totaliza 49 milhões de passageiros ao ano.

Mas há constrangimentos a este cenário de crescimento da capacidade aeroportuária. A possibilidade de elevar o número de movimentos por hora dos atuais 38 para 44 depende do espaço aéreo disponível, “que é hoje maioritariamente preenchido pelo tráfego militar (servido por quatro bases: Sintra, Alverca, Montijo e Alcochete)”, mas também do estacionamento das aeronaves. Carlos Lacerda compara as limitações do espaço aéreo com a situação de “ter uma autoestrada de seis vias e apenas utilizar uma”, sublinhando que, “mesmo que o espaço aéreo fosse totalmente libertado, é necessário que haja capacidade no controlo aéreo”, referindo-se ao novo software de controlo aéreo da NAV, previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2018.

“Se nos derem o espaço aéreo, do terminal tratamos nós”, afirma. Ciente de que este plano de contingência, até que o Montijo esteja a operar, depende destes atuais constrangimentos, o responsável apela a um diálogo construtivo, de modo a flexibilizar o espaço aéreo civil com o militar, sendo que continua a decorrer o diálogo com a NAV e com a Força Aérea. Mas “não basta termos o terminal, o estacionamento também é crítico”. Daí que o encerramento da pista 17/35 seja “necessário como solução para estacionamento”.

https://expresso.pt/economia/2017-11-19-Aeroporto-Humberto-Delgado-aguenta-ate-49-milhoes-de-passageiros

Aeroporto da Portela | Vítor Coelho da Silva, Engº Civil


O Aeroporto da Portela, em Lisboa, foi inaugurado a 15 de outubro de 1942 (há 80 anos), e é o maior aeroporto português e um dos maiores do sul da Europa, estando dotado de duas pistas, uma de 3805 metros e outra de 2400 metros.

O Aeroporto da Portela serve de base às duas principais companhias aéreas portuguesas, a TAP e a Portugália.

Precisa de mais uma pista (de 4 kms) – e haverá espaço para a fazer a poente – puxando pelos pergaminhos da Engenharia Portuguesa, uma das melhores do Mundo.

Disponibilizar terrenos em volta da Portela/Humberto Delgado, a oeste da actual pista para anexar ao aeroporto, compensando os proprietários com terrenos e habitação/construção equivalente?

Poderia ser uma solução fora do comum. Li algures, num artigo de há alguns anos, que seria necessário realojar 10.000 pessoas. Umas 2500 habitações. 2.500 x 200.000 €/cada = 500.000.000 €. Evitava-se uma nova Ponte sobre o Tejo, que só ela irá custar pelo menos 2.500.000.000 €. Em opção, poderia ser criada uma nova vila na zona de Lisboa onde todos os habitantes e atividades existentes seriam realocados. Enfim, uma ideia arrojada. Que, com uma equipa extremamente dinâmica poderia resolver os projetos (ampliação do aeroporto HD e realocação) em poucos anos.

Os edifícios existentes precisam de um bom estudo para melhor aproveitamento dos espaços. Há zonas “mortas” que precisam de ser bem reaproveitadas. Eventualmente com ampliações pontuais em área e/ou altura.

No exterior, especialmente na zona das chegadas, deverá ser feito um estudo para melhoramento das áreas envolventes.

À atenção das Ordens, do LNEC, do Governo e da AR.

Temos excelentes Engenheiros, é chamá-los e começar a trabalhar ; (IST, FUNDEC, LNEC, FEP etc). Começando por um levantamento da área necessária para a nova pista e respectiva negociação com os actuais habitantes e actividades a realocar.

A nossa Arquitectura, com arquitectos muito experientes e dos melhores do mundo, encontraria soluções ideais para esta solução.

É tudo o que tenho para dizer. Não digo mais nem entro em guerras. E, acima de tudo, que não se continue a arrastar no tempo uma tomada de decisão que urge. E que não se gaste dinheiro mal gasto e em exagero. O País não é nem estará rico tão cedo. Basta olhar para a nossa dívida (132,8% do PIB – Junho 2021).

Lisboa 02/10/2022, Vítor Coelho da Silva, Engº Civil.

Engenheiros e economistas pedem decisão final sobre aeroporto | Conferência “Portugal: solução aeroportuária”

A Ordem dos Engenheiros e a Ordem dos Economistas anunciaram a 29 de setembro, por ocasião do encerramento da conferência “Portugal: solução aeroportuária”, organizada por amabas na Sede Nacional da Ordem dos Engenheiros, uma posição conjunta sobre a solução para o aeroporto que melhor servirá o País, na qual é defendida “uma solução aeroportuária estratégica e definitiva para Portugal, com uma infraestrutura desenvolvida de raiz, na região de Lisboa”.

De acordo com o documento ontem subscrito pelos Bastonários da Ordem dos Engenheiros e dos Economistas, Fernando de Almeida Santos e António Mendonça, respetivamente, nenhuma das duas associações profissionais se revê “em soluções duais que, em seu entender, comprometem o adequado desenvolvimento económico e social de Portugal”, advogando que “Portugal deve posicionar-se como um hub aeroportuário internacional, face à sua localização geográfica e histórico-estratégica, como ponte entre a Europa, a África e a América”.

Nas suas palavras iniciais, quer Fernando de Almeida Santos, quer António Mendonça, acentuaram a urgência de uma decisão, porque a demora na concretização dos vários projetos estruturantes, “que ultrapassam o imediatismo e que visam criar bases de sustentabilidade do desenvolvimento futuro do país”, resultam de atavismos nacionais, crónicos, que representam custos muito elevados para Portugal.

Tal posição foi secundada pela maioria dos oradores convidados. Carlos Matias Ramos, Bastonário dos engenheiros entre 2010 e 2016, e anterior Presidente do LNEC, defensor convicto do Novo Aeroporto de Alcochete, cujo estudo conduziu enquanto Presidente daquele Laboratório, foi um dos conferencistas principais, tendo apresentado uma história com cerca de 50 anos, feita de muitos estudos e várias soluções para a localização de um novo aeroporto na região de Lisboa que nunca saiu do papel. Matias Ramos dissecou o tema, demorando-se nos muitos prós que a solução de Alcochete, enquanto aeroporto único, reúne, em oposição aos contras que as restantes opções acarretam.  

Carlos Correia da Fonseca, economista e consultor do Banco Mundial, igualmente Keynote Speaker da conferência, colocou o foco da sua intervenção nas virtudes da constituição das chamadas aerotrópoles, ou cidades aeroportuárias. “Permitiu-se que o aeroporto da Portela ficasse espartilhado entre estradas, bairros de fracos recursos e atividades que nada têm que ver com o setor aeroportuário”, identificou Carlos Correia da Fonseca, sublinhando mesmo que “logo nos anos 60 se verificava que nunca seria possível criar uma cidade aeroportuária na Portela”. Alcochete surge, para o economista como a opção que melhor permite tal desiderato.

Para além de Carlos Matias Ramos e Carlos Correia da Fonseca, também Augusto Mateus, Ana Brochado, Ricardo Cabral, Fernando Santo, Bento Aires, Luís Machado e Rosário Macário debateram o tema numa mesa redonda conduzida pela jornalista do Expresso, Anabela Campos. As vozes, relativamente consonantes, reafirmaram a capacidade técnica de que o País dispõe para uma infraestrutura desta envergadura – apesar do êxodo técnico registado nos últimos anos –, e pediram estratégia, independência, rigor e capacidade de decisão política com qualidade em prol dos mais elevados interesses do País.

Assista à gravação da Conferência.

O lugar da mulher na Igreja | Frederico Lourenço

As mulheres são as mães da Humanidade. Até os membros da Igreja Católica o “esquecem”. Todos, menos Jesus Cristo. O único que as respeitou e verdadeiramente amou. | [vítor coelho da silva]

Quando eu era jovem assistente na Faculdade de Letras de Lisboa, atrevi-me a perguntar a um catedrático de História (senhor de fama já lendária) porque é que tínhamos tantas colegas professoras na área da Literatura e tão poucas (ainda que distintíssimas) na área da História. A resposta que ele me deu há trinta anos parece hoje impensável: «a História chama menos as senhoras porque requer muito estudo».

A misoginia da atitude é arrepiante, mas (como todos sabemos) não é surpreendente. Mais tarde, já como professor em Coimbra, foi-me dito que havia dois professores catedráticos (também de geração salazarenta) que nunca tratavam a sua colega catedrática Maria Helena da Rocha Pereira por «Senhora Doutora» (como é normal entre colegas em Coimbra), mas sim por «Dona Maria Helena», embora eles entre si se tratassem por «Senhor Doutor» e ela própria os tratasse com essa deferência académica.

Se isto retrata a universidade portuguesa no século XX, estamos a ver bem o ambiente em que se teria desenrolado a discussão sobre se uma mulher tem capacidade para desempenhar as funções que, na Igreja Católica, são assumidas por padres, bispos, cardeais e papas.

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Adeus Senhor António | Texto de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas

Ouve-se, encantamo-nos … e choramos. É impossível não chorar! [vcs]

Único texto conhecido do heterónimo esquecido de Fernando Pessoa “Maria José”, cujo nome conhecido é “Carta Da Corcunda Para o Serralheiro”.

Fernando Pessoa criou 46 pseudónimos e autores fictícios mas só um era mulher, Maria José, corcunda e patética, figura nada atraente, imagem que o poeta também tinha de si. Fernando António Nogueira Pessoa (1888 — 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.

RÚSSIA VAI ABSORVER REGIÕES PRÓ-RUSSAS DA UCRÂNIA | por Carlos Fino

Trata-se, grosso modo, da chamada Nova Rússia, incluindo o Donbass. Um território integrado ao Império russo em meados do século XVIII, por Catarina, a Grande, no contexto mais alargado da disputa com o Império turco, para lá tendo ir viver milhares de colonos russos.

Durante a URSS, por razões administrativas e políticas, esse território foi integrado na República Socialista Federada da Ucrânia e foi nessa configuração que passou para a República da Ucrânia, quando do colapso da União Soviética.

Nele vivem atualmente entre 6 a 7 milhões de pessoas (eram 8, antes da guerra), na sua maioria de origem russa e de língua russa.

As repúblicas do Donbass (Lugansk e Donetsk) não aceitaram o governo de Kíev saído da chamada “revolução Maidan”, de 2014, que consideraram um golpe inspirado pelos EUA, contra um governo legítimo, eleito em escrutínio validado pela OSCE – a organização de segurança e cooperação na Europa.

Como forma de conciliação, os acordos de Minsk – patrocinados pela Alemanha, França e Rússia, previam a concessão de autonomia a essas regiões, o que Kíev, entretanto nunca implementou.

Pelo contrário – as forças ultranacionalistas ucranianas que dominam o governo de Kíev tentaram (à revelia das promessas eleitorais de Zelensky) uma “solução de força” – proibição dos partidos e políticos favoráveis a um entendimento com Moscovo, proibição do uso da língua russa na administração pública, incluindo no ensino, fecho dos canais de televisão em língua russa e continuados ataques militares, na tentativa de derrotar as milícias pro-russas locais, que passaram, por seu turno, a ter apoio cada vez maior da própria Rússia.

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Roberto Manzano Hernandez, “Balance”, 2010, white marble sculpture, private collection.

“LEAVE MY hands free

and the heart, set me free!

let my fingers run

through the pathways of your body.

The passion —blood, fire, kisses—

It burns me with tremulous flames.

Oh, you do not know what this is!

It is the storm of my senses

bending the sensitive jungle of my nerves.

It is the meat that screams with its fiery tongues!

It’s the fire!

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