Pepe Escobar | Quem lucra com Pipeline Terror? | in https://thecradle.co/Article/Columns/16307

A Guerra dos Corredores Econômicos entrou em território incandescente e inexplorado: Terror do Oleoduto.

Uma sofisticada operação militar – que exigiu um planejamento exaustivo, possivelmente envolvendo vários atores – explodiu quatro seções separadas dos gasodutos Nord Stream (NS) e Nord Stream 2 (NS2) esta semana nas águas rasas dos estreitos dinamarqueses, no Mar Báltico, perto da ilha de Bornholm.

Sismólogos suecos estimaram que o poder das explosões pode ter atingido o equivalente a até 700 kg de TNT. Tanto ns quanto NS2, perto das fortes correntes ao redor de Borholm, são colocados no fundo do mar a uma profundidade de 60 metros.

Os tubos são construídos com concreto reforçado em aço, capazes de suportar o impacto das âncoras do porta-aviões, e são basicamente indestrutíveis sem graves cargas explosivas. A operação – causando dois vazamentos perto da Suécia e dois perto da Dinamarca – teria que ser realizada por drones subaquáticos modificados.

Todo crime implica motivo. O governo russo queria – pelo menos até a sabotagem – vender petróleo e gás natural para a UE. A noção de que a inteligência russa destruiria os oleodutos da Gazprom é além de ridícula. Tudo o que tinham que fazer era desligar as válvulas. O NS2 nem sequer estava operacional, baseado em uma decisão política de Berlim. O fluxo de gás na SNS foi dificultado pelas sanções ocidentais. Além disso, tal ato implicaria que Moscou perderia uma importante vantagem estratégica sobre a UE.

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Aeroporto da Portela | Vítor Coelho da Silva, Engº Civil


O Aeroporto da Portela, em Lisboa, foi inaugurado a 15 de outubro de 1942 (há 80 anos), e é o maior aeroporto português e um dos maiores do sul da Europa, estando dotado de duas pistas, uma de 3805 metros e outra de 2400 metros.

O Aeroporto da Portela serve de base às duas principais companhias aéreas portuguesas, a TAP e a Portugália.

Precisa de mais uma pista (de 4 kms) – e haverá espaço para a fazer a poente – puxando pelos pergaminhos da Engenharia Portuguesa, uma das melhores do Mundo.

Disponibilizar terrenos em volta da Portela/Humberto Delgado, a oeste da actual pista para anexar ao aeroporto, compensando os proprietários com terrenos e habitação/construção equivalente?

Poderia ser uma solução fora do comum. Li algures, num artigo de há alguns anos, que seria necessário realojar 10.000 pessoas. Umas 2500 habitações. 2.500 x 200.000 €/cada = 500.000.000 €. Evitava-se uma nova Ponte sobre o Tejo, que só ela irá custar pelo menos 2.500.000.000 €. Em opção, poderia ser criada uma nova vila na zona de Lisboa onde todos os habitantes e atividades existentes seriam realocados. Enfim, uma ideia arrojada. Que, com uma equipa extremamente dinâmica poderia resolver os projetos (ampliação do aeroporto HD e realocação) em poucos anos.

Os edifícios existentes precisam de um bom estudo para melhor aproveitamento dos espaços. Há zonas “mortas” que precisam de ser bem reaproveitadas. Eventualmente com ampliações pontuais em área e/ou altura.

No exterior, especialmente na zona das chegadas, deverá ser feito um estudo para melhoramento das áreas envolventes.

À atenção das Ordens, do LNEC, do Governo e da AR.

Temos excelentes Engenheiros, é chamá-los e começar a trabalhar ; (IST, FUNDEC, LNEC, FEP etc). Começando por um levantamento da área necessária para a nova pista e respectiva negociação com os actuais habitantes e actividades a realocar.

A nossa Arquitectura, com arquitectos muito experientes e dos melhores do mundo, encontraria soluções ideais para esta solução.

É tudo o que tenho para dizer. Não digo mais nem entro em guerras. E, acima de tudo, que não se continue a arrastar no tempo uma tomada de decisão que urge. E que não se gaste dinheiro mal gasto e em exagero. O País não é nem estará rico tão cedo. Basta olhar para a nossa dívida (132,8% do PIB – Junho 2021).

Lisboa 02/10/2022, Vítor Coelho da Silva, Engº Civil.

SABOTAGEM CORTA CORDÃO ENERGÉTICO DA EUROPA | Dentro do pandemónio | Viriato Soromenho Marques | in Opinião DN

A sabotagem dos pipelines Nordstream 1 e 2 cortou brutalmente o cordão umbilical energético da Alemanha com a Rússia. Parece óbvio para todos de que se trata de terrorismo com origem num “ator estatal”, como disseram de imediato os responsáveis dinamarqueses e suecos. Inevitavelmente, Zelensky acusou a Rússia. Mas esse reflexo de Pavlov carece de justificação.

Seria totalmente irracional que Moscovo destruísse não apenas uma copropriedade onde investiu 475 mil milhões de rublos, mas, sobretudo, seria absurdo que anulasse o seu instrumento principal de pressão contra as sanções da UE. Sem pipelines, Moscovo e Berlim ficam em mundos paralelos.

O jornal ECO noticiava que num tweet, Radoslaw Sikorski – ex-Ministro da Defesa e ex-MNE polaco, eurodeputado do PPE, e um peso pesado na política global -, agradeceu aos EUA os danos causados aos pipelines russos. Noutro tweet, Sikorski explicava que os “danos no Nordstream reduzem o espaço de manobra de Putin. Se quiser retomar o fornecimento de gás à Europa, terá de conversar com os países que controlam os gasodutos Brotherhood [Ucrânia] e Yamal [Polónia]”.

O “agradecimento”, gravemente acusatório a Washington, vindo de um seu fã incondicional, apenas o compromete a ele. Contudo, revela também como os demónios europeus estão à solta. O ódio à Alemanha, e não apenas à Rússia, faz hoje parte integrante da política oficial em Varsóvia, como ficou demonstrado no renovado pedido a Berlim por indemnizações pelas perdas da II Guerra Mundial.

A UE, que alguns adeptos do Dr. Pangloss consideram mais forte e unida do que nunca, recebe hoje sinais de menosprezo das chancelarias por esse mundo fora. Com a CE de Von der Leyen, a “Europa Alemã”, que segundo o malogrado Ulrich Beck resultou da gestão da crise do euro por Angela Merkel, está febril. Para merecer respeito em política é preciso conhecer os seus interesses cruciais. E saber defendê-los. A resposta europeia à invasão russa da Ucrânia foi desmesurada, ignorou completamente interesses e fragilidades, curvando-se num servilismo acrítico perante Biden. A coligação de Berlim destruiu, de um golpe, os alicerces de uma UE liderada pela Alemanha: segurança de abastecimento energético; estabilidade do euro; alguma (frágil) capacidade de manobra dentro da NATO. Sem estratégia e à deriva, os próximos meses dirão até que ponto é que a estrada de autoflagelação europeia terá alguma margem de mitigação.

A política em Portugal isolou-se numa exígua redoma de minudências. Os assuntos na agenda política minguaram. Para além de aceitarmos incondicionalmente a política monetária do BCE, já desistimos também de ponderar nas políticas externa e de defesa. Estamos a caminhar para uma situação em que a possibilidade de uma guerra nuclear limitada na Europa vai em crescendo. E perante tal enormidade, escutamos o PM e o MNE a repetirem, mecanicamente, os mantras de Josep Borrell e de Jens Stoltenberg. Nem uma hesitação. Nem uma dúvida. Fica-nos como magna questão nacional, a eterna localização do novel aeroporto de Lisboa. Mesmo sem devastação bélica, a Europa empobrecida talvez acabe até por tornar excessiva a atual capacidade da Portela. As torneiras que a Espanha fechou no Douro, congelando, com aviso prévio, a Convenção de Albufeira, dão-nos uma amostra da abundante solidariedade que nos aguarda num futuro cada vez mais fustigado pela crise ambiental e climática. Portugal foge da realidade, mas esta nunca se esquecerá de nós.

Ucrânia. Maduro acusa EUA e Europa de “suicídio económico” para punir a Rússia.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou hoje os Estados Unidos e a Europa de optarem pelo “suicídio económico” com o propósito de punir Moscovo pela invasão da Ucrânia.

“Na Europa anunciam uma recessão da economia, porque a Europa e os Estados Unidos optaram pelo suicídio económico, tentando matar a Rússia”, disse o governante, durante um ato público transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Maduro previu que “se anuncia uma grande recessão mundial”, numa altura em que a Venezuela “bate o recorde mundial de crescimento económico da economia real, não petrolífera”, que disse ser superior a 20% no atual trimestre.

“Há que estudar as repercussões da recessão mundial sobre a economia da América Latina e da Venezuela”, frisou.

“A Europa e os Estados Unidos decretaram o suicídio económico e social das suas sociedades, das suas economias, para prejudicar, para acabar com a Rússia”, disse o Presidente da Venezuela.

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O Anti-Putinismo | por António Jorge, Editor

1) – Esconde o anti-Rússia e noutros… o anti-comunismo primário!

2) – Há-os à direita… o que é natural… porque faz frente aos que ousam atacar a Rússia e porque não deixou a história chegar ao fim…

3) – Há-os… também à esquerda… uns por a Rússia não ter um regime comunista… e a culpa disso… pensam e dizem… ser do Putin!

4) – Outros nem sabem bem, se são de esquerda ou de direita… vivem a surfar a onda… e vão como as marés… e como as marias… umas com as outras… lavar a roupa suja no rio…

É uma reação irracional gerado pelo preconceito canhestro do anti-Rússia por um lado e em consequência das sequelas adquiridas da relação cultural-antropológíca dos povos, associada ao lirismo democratista… e pela fantasia de que sendo muitos economicamente pobres… e sobretudo de espírito… e quererem parecer ricos, não se importam de largar baba… dizendo baboseiras para agradarem aos chefes e aos ricos da direita… claro que podem precisar de um favor… e precisam por isso estar pendurados nem que seja na corda bamba!

E aqueles que à esquerda… a ocidente, criticam e chamam nomes feios ao Putin… e faz coro com a direita retrógrada… nem sequer têm consciência de que se não fosse o Putin… já nem sequer podiam… nem pensar e muito menos dizer… eu sou de esquerda… porque se a história chegar ao fim… que só acontecerá se houver uma derrota do Putin.. vai ser proibido ser de esquerda!

5) – Não sou Putinista… mas admiro a sua coragem… e sei também, que não se pode ser neutro nem omisso… em questões tão importantes e decisivas para a vida com sentido e a humanidade, é preciso saber distinguir onde está o mal… maior!

6) – Ou como diria Marx… distinguir o essencial do acessório!

7) – Em política o mínimo que se pode e deve exigir… é pelo menos não ser ingénuo!

26-09-2022 | António Jorge, Editor

BLOGUE DE JOSÉ MILHAZES | Potências Ocidentais Apoiam Golpe Neonazi na Ucrânia

13/Fevereiro/2014 | Texto traduzido e enviado pelo leitor Fernando Negro | in https://darussia.blogspot.com | “Estudo feito por uma Equipa de Pesquisa da EIR “Executive Intelligence Review”

2 de Fevereiro – Nações ocidentais, lideradas pela União Europeia e pela Administração Obama, estão a apoiar um golpe abertamente neonazi com vista a uma mudança de regime na Ucrânia.

Se o esforço for bem sucedido, as consequências irão estender-se muito para além das fronteiras da Ucrânia e dos seus estados vizinhos. Para a Rússia, tal golpe constituiria um casus belli, vindo como vem no contexto da expansão da defesa antimíssil da OTAN para a Europa Central e da evolução de uma doutrina EUA-OTAN de “Ataque Global Rápido”, que presume que os Estados Unidos podem lançar um primeiro ataque preventivo contra a Rússia e a China e sobreviver à retaliação.

Os acontecimentos na Ucrânia constituem um potencial espoletar de uma guerra global que poderá rápida e facilmente escalar para uma guerra termonuclear de extinção. Na Conferência de Segurança de Munique deste fim-de-semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Sergei Lavrov teve uma acalorada troca de palavras pública com o Secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen, na qual o último acusou a Rússia de “retórica belicosa” e Lavrov respondeu citando o programa de defesa antimíssil europeu como uma tentativa de assegurar uma capacidade de primeiro ataque nuclear contra a Rússia.

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DIZ MNE DA HUNGRIA | “SANÇÕES SÃO ALTAMENTE PREJUDICIAIS À EUROPA”

Nações Unidas, 24 de setembro. /TASS/. As medidas restritivas em larga escala impostas pela União Europeia contra a Rússia por causa da situação em torno da Ucrânia são altamente prejudiciais para a Europa e os europeus, disse o ministro húngaro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, em entrevista à TASS à margem da Assembleia Geral da ONU.

“Se você olhar para a política de sanções da União Europeia, não de forma ideológica, não política, mas profissional, então é óbvio que essa política tem resultados extremamente dolorosos para a Europa, extremamente dolorosos, meu Deus! O aumento dos preços dos bens alimentares é um inferno. Portanto, esta política de sanções é sem qualquer dúvida extremamente prejudicial para a Europa e para o povo europeu”, afirmou.

A inutilidade da voz  |  Avanti popolo! | Carlos Matos Gomes

A Itália é reconhecida pelos seus cantores, clássicos e ligeiros, tenores, sopranos, meio sopranos, baixos.

A voz dos italianos e italianas brilha no canto, nas artes mas não brilha na política. A voz dos italianos não conta para a definição da política de Itália, da definição do papel da Itália na Europa e no Mundo.

No caso da política, a bela voz dos italianos vale tanto como a péssima voz (para mim) dos checos, ou eslovenos, ou neerlandeses, ou bascos. Não vale nada.

As eleições de amanhã em Itália são a prova de que a voz dos italianos, como a dos restantes europeus não tem qualquer valor. O governo italiano anterior caiu, como caíram dezenas desde o final da Segunda Guerra, e nada se alterou. Os italianos falaram, cantaram, votaram, mas quem determinou o que a Itália ia ser, quem determinou os negócios que gerariam fortunas, foram os banqueiros de Wall Street, os mafiosos da Sicília, os camorros de Nápoles, os industriais de Milão. Os italianos cantam, mas apenas lhes batem palmas, quanto ao resto seguem-se os negócios do costume.

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PRECISAMOS MESMO DE UM NOVO AEROPORTO? | RAZÃO E PRECONCEITO | por Viriato Soromenho Marques – DN

«Numa notável crónica, Daniel Deusdado demonstrou de modo fundamentado e convincente a insensatez da insistência em construir na Margem Sul qualquer aeroporto complementar ao da Portela (DN, 07 03 2021). Mesmo antes da pandemia, todo este processo – que agora ainda fica mais desfocado com o ressuscitar da falsa opção entre Montijo e Alcochete – estava à partida programado para dar um resultado favorável, independentemente dos fortíssimos factores contrários: as irregularidades no processo de avaliação ambiental (tanto na vertente da protecção da biodiversidade como dos impactos das alterações climáticas); a falta de objectividade do Ministério do Ambiente; as objecções dos representantes dos pilotos sobre os enormes riscos colocados à segurança de aeronaves e passageiros; uma análise custo-benefício irrealista…

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Aeroporto de Lisboa | O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! | por João Soares | 01/08/2022

A propósito do que ontem disse de forma inevitavelmente breve no comentário do TJ da RTP sobre o eventual futuro novo Aeroporto de Lisboa. Faço questão de deixar aqui algumas notas complementares.

O Aeroporto Humberto Delgado está longe de estar esgotado ! Essa é uma “treta” que nos contam há cinquenta anos, repetidamente. Anunciando para o ano que vem sempre, e para o próximo milhão de passageiros sempre, o “esgotamento”.

O Aeroporto Humberto Delgado tem um problema de funcionamento da sua aerogare que pode e deve ser emendado com relativa facilidade. A aerogare tem sido remendada, a partir do projecto inicial de Keil do Amaral dos anos quarenta do século passado, com remendos que de uma forma geral só dificultam a sua funcionalidade e fluidez.

Se eu fosse dos que acreditam em teorias conspirativas diria que aqui há gato nas dificuldades de funcionamento simples e que não se resolvem.

A ANA / VINCI quer fazer o negócio da utilização valorização dos terrenos do Aeroporto Humberto Delgado, e também o da construção de um novo aeroporto. A ANA / VINCI é dirigida por alguém que negociou a privatização da ANA do lado do Governo, e agora a preside.

As varias loucuras que nos têm tentado vender sobre novo aeroporto vão de Beja a Monte Real, passando por Alcochete, Montijo, e Ota. Gastámos já muitos milhões de euros em estudos sobre estas tretas. Teriam sido melhor gastos na remodelação capaz da aerogare, e na construção do “taxi way” que acompanhe a pista principal de Humberto Delgado, a 03 / 21.

 Um super aeroporto, com gastos em infraestruturas de acesso como novas pontes, e num crescimento demencial de um imobiliário especulativo, não corresponde ao modelo de desenvolvimento que eu cidadão português quero para a nossa terra.

Penso que estes investimentos disparatados serão melhor utlizados a melhorar, e muito, a nossa pobre rede ferroviária que bem precisa.

Há por trás desta “treta” que nos tentam vender há cinquenta anos muito desejo de negócio na minha modesta opinião indesejável, e até mesmo por vezes condenável.

Acabar com a Base Aérea do Montijo é dificultar inutilmente operações vitais da Força Aérea Portuguesa. Nomeadamente na busca e salvamento na nossa ZEE. Esta é desde há muito, e foi durante os doze anos em que fui autarca de Lisboa, a minha opinião. Vale o que vale mas aqui fica.

João Soares, 01/08/2022

OUTROS ARTIGOS SOBRE O MESMO TEMA:

  1. A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público | 05/03/2020                                                                                                                                                           https://dasculturas.com/?s=A+solu%C3%A7%C3%A3o+aeroportu%C3%A1ria+de+Lisboa&submit=Pesquisar

2. AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr. | 04/03/2020                                                                                                 https://dasculturas.com/2020/03/05/aeroporto-no-montijo-ou-alcochete-a-opcao-cega-e-incoerente-ou-a-opcao-inteligente-e-sustentavel-mario-baleizao-jr/

TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares

“A NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!” | Out 06, 2008

Observadores da política internacional reconhecem que o mundo está inquietante. O Afeganistão, em que a administração Bush envolveu a NATO – o que considerei um «precedente perigoso» –, está porventura pior do que antes. As forças armadas eram, então, compostas por americanos e ingleses. Hoje, a participação alargou-se, incluindo até um contingente português. No entanto, a situação militar, expulsos os talibans, não é melhor: os talibans comandam uma guerrilha terrível; a Al Qaeda – e Bin Laden – não só sobreviveu como está mais forte, algures no seu santuário.

O Paquistão, depois da renúncia do Presidente Musharraf, está em risco de mergulhar no caos. E o pior é que dispõe, esse sim, da bomba atómica…

Para o Ocidente, a situação no Afeganistão é mais grave do que a no Iraque. Apesar de o Iraque estar praticamente destruído, dividido, a braços com uma guerrilha infindável, entre sunitas, xiitas e curdos, fustigado pelo terrorismo da Al Qaeda ou associados e tenha deixado de ser, por longos anos – o que é péssimo – um Estado laico e tampão relativamente ao Irão.

No Iraque estão hoje quase só militares americanos e mercenários, numa situação que lembra o Vietname. Mais tarde ou mais cedo, serão obrigados a retirar as suas tropas. Enquanto o desastre do Afeganistão/Paquistão está a corroer e a desacreditar a NATO – o que do meu ponto de vista não tem grande importância, visto que hoje é uma organização que não faz sentido – e afectará gravemente os europeus, se os seus dirigentes não tiverem a coragem e a lucidez de retirarem de lá as suas tropas, quanto antes…

A NATO, QUE SE TORNOU um verdadeiro braço armado dos Estados Unidos, está a fazer também estragos noutras regiões do mundo. Refiro-me ao Cáucaso, às zonas do Cáspio e do mar Negro e aos países limítrofes da Rússia Ocidental.

Estes quiseram logo entrar para a NATO, com a ilusão de que teriam mais garantias de segurança, sob o chapéu americano, do que na União Europeia… E a NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de mísseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia, que a pode tornar agressiva. Um perigo!

O vice-presidente Dick Cheney, em fim do mandato, fez uma recente visita, altamente desestabilizadora, para dar, em nome da NATO, apoio à Geórgia. Mas, felizmente, ficou tudo em retórica inconsequente. Após a provocação do Presidente da Geórgia – e da guerra –, os russos reagiram e os europeus procuraram pacificar a situação. Ainda bem. Se a guerra não acabasse, os europeus seriam os primeiros a ser atingidos, com o corte do petróleo e do gás; e pior: entrariam numa fase com grandes riscos para a paz na Região. Putine não é Hitler e não ressuscitemos a «guerra fria»…

CHENEY FOI À UCRÂNIA, onde tentou também dividir os dirigentes políticos, estimulando a primeira-ministra, Iúlia Timoshenko, anti-russa, contra o Presidente, Victor Yushchenko, mais apaziguador.

Tudo em nome da NATO. Isto é: a NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!

Moratinos, o ministro espanhol dos Estrangeiros, bem advertiu, numa entrevista ao El País: «A Rússia actual não é a soviética, mas também não é a de Ieltsin. Devemos evitar que nos imponha uma agenda do tempo da guerra fria.» E eu acrescento: não ameaçar a Rússia, negociar, com firmeza, com ela.

Enquanto isto, a ONU esteve estranhamente ausente e silenciosa. Que diferença entre este secretário-geral, Ban Ki-moon, um homem, até agora, apagado e quase invisível, mais burocrata do que político, e o seu antecessor, o saudoso, prudente e corajoso Kofi Annan… A ONU vai ter de se reestruturar e democratizar, após as eleições americanas, para desempenhar o seu tão decisivo papel na construção de uma nova ordem internacional e da paz, neste nosso novo século tão conturbado.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

VER ( PÁGINA SEGUINTE), CRÓNICA DE JOÃO GOMES COLOCADO EM COMENTÁRIO NESTE TEXTO DO FACEBOOK

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A PSICOLOGIA DAS MASSAS SEGUNDO GUSTAVE LE BON | AUTOR: LEONARDO PEREIRA

Destaque parcial

Segundo Le Bon na sua obra Psicologia das Massas (1895):
As massas organizadas sempre desempenharam um papel considerável na
vida dos povos; mas este papel jamais foi tão importante quanto hoje em
dia. A ação inconsciente das massas que substitui a atividade consciente
dos indivíduos é uma das principais características da era atual
. (LE BON,
1895, p. 93

Com esta afirmação, pode-se verificar a importância que Le Bon deu às
massas, considerando os movimentos destas como característica com relevante
importância para toda revolução ou drástica mudança social dentro das civilizaçõeshumanas de toda a história.

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DOS LIMITES POLÍTICOS DA GUERRA | Viriato Soromenho Marques | in Opinião/DN

Os peritos militares que durante a guerra-fria aconselharam os governos, olhariam para o que está a suceder com a atual guerra na Ucrânia com incredulidade. A razão por que nunca os EUA e a URSS, mais a multidão dos Estados seus dependentes, chegaram a um conflito direto foi a convicção, partilhada em Moscovo e Washington, de que uma guerra central dificilmente poderia ser controlada.

A escalada, isto é, a subida de intensidade no conflito acabaria por conduzir ao colapso infernal de uma destruição mútua assegurada com o uso generalizado de armas atómicas.

Uma forma de homenagear a memória de Gorbachev será a de recordar que um dos seus méritos foi o de ter recusado a perigosa ilusão de que seria possível travar uma guerra nuclear limitada à Europa central (afetando “apenas” a RFA, a RDA, a Checoslováquia e a Polónia).

Na verdade, até ao quebrar do gelo entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia pelas iniciativas de paz de Gorbachev, estavam vigentes, tanto a Ocidente como a Leste, doutrinas militares ofensivas que previam o eventual uso de armas nucleares táticas no próprio campo de batalha.

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A GUERRA (2) – A União Europeia enredada em nacionalismos | Carlos Esperança

Poucas notícias são tão alarmantes como os exercícios militares conjuntos da China e da Rússia, duas potências rivais que a Nato uniu contra a Europa e os EUA, ainda que não coincidam sobre a invasão da Ucrânia.

A UE, ansiosa por alargar a sua influência a leste, na convicção de que seria herdeira do colapso soviético, não mediu as consequências da hipoteca ao espaço anglo-americano, e preferiu promover a expansão da Nato à sua coesão. Em vez de se tornar uma potência não hostil, garantindo a independência face aos EUA, tornou-se seu satélite, enquanto a aliança anglo-americana se reforçou. A Europa entrou na guerra, sem estratégia própria, sem prever os custos financeiros, sem gás, sem cereais e sem alternativas.

O Reino Unido, cujo império é uma fachada mantida no fausto da monarquia, corroeu a coesão europeia e estimulou a UE, depois de a ter traído, a seguir a NATO. A belicosa sr.ª Ursula Von der Leyen, sem o carácter e coragem de Jacques Delors, reduz à míngua os europeus, e alinhou a política externa pela da Nato, pseudónimo militar dos EUA.

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João Gomes | Comentário ao texto anterior “TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares”

Boa tarde a Carlos Fino e participantes ! Um certo “cansaço” instala-se para continuar a comentar sobre esta matéria. Será a próxima evolução do conflito da Ucrânia que “ditará” que caminho o Mundo está a seguir pois, enquanto “discutimos” a questão da “operação especial”, outros embriões conflituosos se colocam em áreas próximas, como o caso da Sérvia/Kosovo e o agora da Arménia.

Bem dizia Mário Soares, astuto dirigente europeu que, para lá dos seus “defeitos” de um “socialismo” demasiado metido na gaveta, conhecia os meandros de certas politicas internacionais, nomeadamente as americanas.

Para os russos, a questão sobre se a OTAN é ofensiva ou defensiva não será o ponto. Para entender o ponto de vista de Putin, temos de considerar duas coisas que geralmente são negligenciadas pelos comentaristas ocidentais: o alargamento da OTAN em direção ao Oriente e o abandono incremental do quadro normativo da segurança internacional pelos EUA.

Na verdade, enquanto os EUA não lançavam mísseis nas proximidades de suas fronteiras, a Rússia não se preocupava tanto com a extensão da OTAN. A própria Rússia considerou-se candidatar à adesão, o que só não ocorreu pelo “medo” americano de abrir mão dos “segredos” da organização.

Os problemas que declararam-se em 2001, quando Bush decidiu retirar-se unilateralmente do Tratado ABM e implantar mísseis antibalísticos (ABM) na Europa Oriental. O Tratado ABM destinava-se a limitar o uso de mísseis defensivos, com a justificativa de manter o efeito dissuasivo de uma destruição mútua, permitindo a proteção de órgãos decisórios por um escudo balístico (a fim de preservar uma capacidade de negociação). Assim, limitou a implantação de mísseis antibalísticos a certas zonas específicas (notadamente em torno de Washington DC e Moscovo) e proibiu-o fora dos territórios nacionais.

Desde então, os Estados Unidos têm-se progressivamente retirado de todos os acordos de controle de armas estabelecidos durante a Guerra Fria: o Tratado ABM (2002), o Tratado de Céu Aberto (2018) e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) (2019). Em 2019, Donald Trump justificou a sua retirada do Tratado INF por supostas violações do lado russo. Mas, como observa o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), os americanos nunca forneceram provas dessas violações. Na verdade, os EUA estavam simplesmente tentando sair do acordo a fim de instalar os seus sistemas de mísseis AEGIS na Polónia e Roménia. De acordo os EUA, esses sistemas são oficialmente destinados a interceptar mísseis balísticos iranianos. Mas há dois problemas que claramente colocam em dúvida a boa fé dos americanos:

. A primeira é que não há indicação de que os iranianos estejam a desenvolver tais mísseis, como Michael Ellemann da Lockheed-Martin declarou perante um comitê do Senado americano.

. A segunda é que esses sistemas usam lançadores Mk41, que podem ser usados para lançar mísseis antibalísticos ou mísseis nucleares. O sítio radzikowo, na Polónia, fica a 800 km da fronteira com a Rússia e a 1.300 km de Moscovo.

As administrações Bush e Trump disseram que os sistemas implantados na Europa eram puramente defensivos. No entanto, mesmo que teoricamente verdadeiro, é tecnicamente e estrategicamente falso. Pois a dúvida, que lhes permitiu a instalação, é a mesma dúvida que os russos poderiam legitimamente ter em caso de conflito. Esta presença nas proximidades do território nacional da Rússia pode de fato levar a um conflito nuclear. Em caso de conflito, não seria possível saber precisamente a natureza dos mísseis carregados nos sistemas – deveriam os russos esperar por explosões antes de reagir ? Na verdade, sabemos a resposta: sem tempo de aviso antecipado, os russos praticamente não teriam tempo para determinar a natureza de um míssil disparado e, portanto, seriam forçados a responder preventivamente com um ataque nuclear.

Vladimir Putin não só vê isso como um risco para a segurança da Rússia, mas também observa que os Estados Unidos estão cada vez mais desrespeitando o direito internacional para prosseguir uma política unilateral. É por isso que Vladimir Putin diz que os países europeus podem ser arrastados para um conflito nuclear sem querer. Este foi o conteúdo de seu discurso em Munique em 2007, e ele veio com o mesmo argumento no início de 2022, quando Emmanuel Macron foi a Moscovo em fevereiro.

Mário Soares não falava de “borla”. Ele sabia que, no fundo, o processo de expansão da hegemonia dos EUA em relação à Europa se destinava a pressionar a Rússia e a obrigá-la a ceder ou encontrar as respostas que defendessem o seu ponto de vista estratégico. Ora, Putin optou pela segunda delas e, quem estiver atento à “história” dos desenvolvimento bélicos americanos, só pode estar de acordo com essa posição.

João Gomes in Facebook 15/09/2022 | João Gomes

A GUERRA | “O medo está a encostar os europeus à extrema-direita” | Carlos Esperança

É preciso ser demasiado ingénuo ou excessivamente cínico para imaginar que o nível de vida dos europeus se manterá durante e depois da guerra que a Rússia trava com a Nato, na Ucrânia, agora com apoio explícito da UE e dificuldades crescentes da Rússia.

Só o delírio de quem duvida das alterações climáticas e ignora as catástrofes que, ano após ano, aumentam a frequência, duração e intensidade, pode levar a acreditar que as economias europeias vão resistir aos aumentos brutais da energia e de bens essenciais de cuja importação dependem.

A exaltação de quem pensou ter encontrado uma causa nobre, por que valia a pena lutar, impediu de prever que as sanções europeias à Rússia e as contrassanções desta à Europa destruiriam as economias de ambas e levariam o caos e o desespero aos seus países, e o colossal sacrifício de vidas aos ucranianos e russos. A inflação galopante, a subida dos juros e a escassez de bens essenciais são o ónus que, independentemente da bondade ou leveza das decisões tomadas, todos pagaremos, com especial sofrimento dos países e das pessoas mais pobres.

Surpreende que os que mais demonizaram a Rússia não tenham ponderado a loucura de quem é capaz de recorrer à chantagem nuclear e, quiçá, à utilização desesperada do seu último recurso. Há quem prefira a guerra à paz, com o risco nuclear a agravar-se. Não se pode ver a supremacia ucraniana na vontade de combater como uma vitória, pois o risco de um ato desesperado da Rússia agrava o perigo para a Humanidade.

Há quem acredite que a Rússia bombardeia as suas próprias tropas na central nuclear de Zaporizhzhia. A censura e a propaganda são armas poderosas de que não prescindem as partes em conflito, seja qual for a guerra, quaisquer que sejam os beligerantes.

Perigoso é ignorar esta verdade, tautologicamente demonstrada ao longo dos tempos e, hoje, com meios nunca antes disponíveis. Perante a incúria coletiva para procurar fontes de informação alternativa, criam-se entusiasmos com as primeiras verdades perfilhadas, que conduzem à divulgação acrítica e, em muitos casos, à negação dos factos e à recusa obstinada dos argumentos que as contrariem.

É este o ambiente propício às verdades únicas, à intolerância e ao maniqueísmo numa deriva que cria o húmus onde medram os totalitarismos, não faltando censores e bufos voluntários para a sua defesa. O medo está a encostar os europeus à extrema-direita.

Julgando defender a liberdade, movidos por entusiasmos solidários, podemos tornar-nos cúmplices da repetição de regimes autoritários que, no passado, combatemos.

Em nome do humanismo reabilitamos uns e execramos outros, capazes de escolher, entre crápulas, os heróis e os vilões, os anjos e os demónios, os amigos e os inimigos, exonerando todas as dúvidas e recusando os factos que, por mais evidentes que sejam, nos contrariem.

Imagina-se a felicidade de quem acredita sem ver e a dilaceração de quem se interroga, sabendo-se que é feliz quem tem certezas e se angustia quem carrega dúvidas.

Para defesa das ditaduras bastavam os que sempre as apoiaram, e as ditaduras são mais baratas do que as democracias.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

A IMPOTÊNCIA EUROPEIA | Fonte Agência MTI | Hungria

Os Estados Unidos mandam. A Europa obedece. O CMI factura. O “povão” infeliz bate palmas. (vcs)

O presidente da Assembleia Nacional da Hungria (parlamento), Laszlo Kover, disse no domingo que a União Europeia pode ser considerada uma perdedora no conflito ucraniano, já que o bloco tem atuado contra seus próprios interesses económicos.

Hoje, a União Europeia “está sob pressão externa, é incapaz de restabelecer a paz diplomaticamente, está agindo contra seus interesses fundamentais e pode ser considerada uma perdedora independentemente de qual dos lados diretamente envolvidos em operações militares se apresente no inverno ” – disse Kover, segundo a agência de notícias MTI da Hungria.

Para Kover, nas circunstâncias actuais, Bruxelas tem “servido a grupos de interesses não europeus”, o que condena a UE e seus países membros à “vulnerabilidade militar, dependência política, inviabilidade económica e energética e desintegração social”.

Riscos de uma guerra nuclear “são cada vez maiores”, alerta Papa Francisco | in SIC Notícias

O Papa Francisco alertou, este sábado, que são cada vez maiores os riscos de uma guerra nuclear e pediu à comunidade científica que se una pelo desarmamento e numa força para a paz.

“Os riscos para as pessoas e para o planeta são cada vez maiores”, afirmou o Papa, citado pela agência EFE, na cerimónia em que recebeu em audiência, no Vaticano, representantes da Academia Pontifícia das Ciências.

Francisco lembrou que João Paulo II “deu graças a Deus porque, pela intercessão de Maria, o mundo tinha sido salvo da guerra atómica”, para acrescentar que “infelizmente é necessário continuar a rezar por este perigo, que devia ter sido evitado há muito tempo”.

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Portugal nas cinzas dos impérios | por Carlos Matos Gomes

Após o bombardeamento do Serviço Nacional de Saúde, com cessar-fogo após a demissão da ministra, numa aberta no dilúvio sobre a Ucrânia, a opinião pública portuguesa foi convocada nos últimos dias para dois acontecimentos significativos do estado em que vivemos: a substituição do primeiro-ministro do Reino Unido e a celebração dos 200 anos do Brasil.

Um cidadão de mediana cultura e interesse pelo que se passa à sua volta perguntaria, com razão, porque diabo me enchem o telejornal com as peripécias da mudança de inquilino da casa do chefe de governo inglês e da celebração dos 200 anos da independência da antiga colónia do Brasil? À primeira vista nada. A Inglaterra é hoje um anexo dos Estados Unidos, o estado vassalo por excelência na Europa; e o Brasil é hoje um enorme Estado com contradições internas — étnicas e sociais — que o inibem de ser uma potência dominante no grande espaço do Atlântico Sul. Esta redução a cinzas dos dois impérios que ampararam Portugal determina o seu (nosso) presente. Pela primeira vez na história Portugal está sem um anteparo, sem um tutor. A União Europeia esvaiu-se e dela restam cinzas.

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O Idiota. Relatório de primeiras impressões. | Carlos Matos Gomes

Estamos tão idiotizados que discutimos os tostões da esmola e não quem nos colocou na condição de pedintes, se foram idiotas, ou traidores.

Na minha vida solicitaram-me várias vezes um FIR (First Impression Report), um relatório de primeiras impressões. O meu FIR (não o meu feeling) após ouvir a conferência do primeiro-ministro a anunciar medidas extraordinárias de apoio à crise que já vivemos e que se vai agravar foi lembrar-me de uma obra clássica da literatura russa (tinha de ser), «O Idiota», de Dostoievsky.

Não, o idiota não é António Costa. O Idiota é quem nos meteu nesta camisa de onze varas de empobrecimento, miséria que necessita de uma esmola nacional e transeuropeia para ser suportável. De repente os europeus estamos todos a esmolar, de Portugal à Polónia, à Hungria, aos países bálticos, todas de mão estendida para receber uma esmola maior ou menor.

E ninguém se questiona quem foi o Idiota que nos colocou nesta situação?

O enredo do romance de Dostoievski gira em torno do príncipe Míchkin, criado longe da Rússia devido a epilepsia que após longa permanência na Suíça decide regressar à aos seus domínios, sem a menor ideia do que o aguarda. O príncipe é atirado para situações sobre as quais pouco entende e nas quais as suas supostas qualidades, ou idiotia, causam mais tumulto do que solução. Em diversas passagens da história, a ingenuidade do príncipe roça a estupidez crassa e espanta o leitor, como quando escuta com paciência inacreditável as mentiras do velho general Ívolguin, que jura ter sido pajem de Napoleão; ou quando é acusado por um grupo de jovens liderado por um moribundo de dever metade de sua fortuna a um filho ilegítimo. As referências de Dostoievski para a construção do protagonista foram duas figuras que ultrapassam os limites do senso comum: Dom Quixote e Jesus Cristo.

O Idiota, neste caso, no caso que deu origem às nossas esmolas, é uma figura dúplice, como Janus: a NATO e a UE.

Devemos a estas duas  entidades, que podiam ser o idiota do príncipe Míchkin, estarmos hoje a discutir a esmola dos governos. Mas ninguém na Europa, ao anunciar o estado de pedincha em que os cidadãos foram colocados, falou nos idiotas que nos colocaram nesta situação de indignidade.

Estamos tão idiotizados que discutimos os tostões da esmola e não quem nos colocou na condição de pedintes, se foram idiotas, ou traidores.

Retirado do facebook | Mural de Carlos Matos Gomes


Ucrânia — A última fronteira dos EUA | Carlos Matos Gomes

(e a nossa — mas não nos pediram nenhuma opinião)

A Última Fronteira é um título apelativo para transmitir a ideia de objetivo final de um longo processo de conquista. O título foi usado, por exemplo, num western de 1940, realizado por William Wyler, a propósito da conquista do Oeste pelos europeus; foi o título de um drama romântico realizado por Sean Penn (2016), de relações sentimentais e de limites de consciência, num ambiente africano; foi o título de um conjunto de produtos multimédia da Twentieth Century Fox Film Corporation — Planeta dos Macacos: A Última Fronteira — uma aventura sobre conquista, traição e sobrevivência. Quando os destinos de uma tribo de macacos e um grupo de sobreviventes humanos se cruzam, os seus mundos colidem e as suas vidas são postas em risco. Estão publicados inúmeros livros com o mesmo título, sempre remetendo para um ponto final numa grande ação.

A Ucrânia cabe na definição de Última Fronteira para a estratégia dos EUA após o final da URSS, conduzida por Gorbatchev, que morreu há dias. Essa estratégia foi e é clara: Fazer avançar a fronteira dos EUA (através de NATO) até à fronteira Oeste da Rússia. Foi conseguida numa primeira fase com a adesão dos países do ex-Pacto de Varsóvia à UE e à NATO, um papel de recrutamento atribuído ao Reino Unido e que culminou com o avanço de mil quilómetros da fronteira dos EUA até às fronteiras Leste dos Estados Bálticos, da Polónia, República Checa e Eslováquia, Hungria e Roménia.

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Mais biliões para a Ucrânia à medida que a América se desmorona | in Estátua de Sal

(Dr. Ron Paul, in http://www.lewrockwell.com, 23/08/2022, trad. Estátua de Sal)

(Publico este texto como demonstração de que, nos EUA, também há gente acordada opondo-se à política externa de Biden e dos seus sequazes. Ou seja, aqueles que defendem a melhoria das condições de vida na América, para os americanos. E os pastorinhos não venham dizer que o autor, também é putinista…

Estátua de Sal, 24/08/2022)


Há um videoclipe a circular que mostra o presidente Biden falando numa recente cimeira da NATO sobre os sete biliões de dólares que o governo dos EUA havia – há época – fornecido à Ucrânia. Em contraponto há também outro clipe que mostra o estado horrível de várias grandes cidades dos EUA, mormente na Pensilvânia, Califórnia e Ohio. O vídeo das cidades americanas é chocante: paisagens intermináveis ​​de sujeira, lixo, pessoas sem-abrigo, fogueiras na rua, zombies viciados em drogas. Não há qualquer semelhança com a América de que a maioria de nós se lembra.

Ver Biden gabar-se de enviar biliões de dólares para líderes corruptos no exterior, existindo cidades americanas que parecem o Iraque ou a Líbia bombardeados, é em síntese a política externa dos EUA. As elites de Washington dizem ao resto da América que devem “promover a democracia” numa qualquer terra distante. Qualquer um que se oponha é considerado aliado do inimigo escolhido do dia. Este já foi Saddam, depois Assad e Gaddafi. Agora é Putin. O jogo é o mesmo, apenas se alteram os nomes.

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NA MORTE DE GORBACHEV (1931-2022) | por Carlos Fino

No momento em que é anunciada a morte de Mikhail Gorbachev recordo naturalmente com emoção as imagens e vivências desses dias longínquos de novembro de 1987, em que integrei como tradutor a delegação portuguesa, durante visita oficial à URSS do então Presidente Mário Soares.

Ao entrarmos na sumptuosa sala de São Jorge, no Grande Palácio do Kremlin, toda coberta de seda debruada a ouro tendo apensas as mais imponentes condecorações por coragem e heroísmo militares do tempo de Catarina, a sensação que tive e conservo até hoje foi a de estar num museu de cera, de hieráticas figuras envelhecidas em que de repente havia uma que ganhava vida e falava – Gorbachev.

Havia nele uma mistura de seriedade aparatchik e visão aggionarta que o impulsionavam para a mudança, então ainda sem suspeitar que um dia tudo iria escapar do seu controlo.

Com a simpatia e fina intuição política que o caracterizavam, Soares (que ficou alojado no Kremlin, deferência rara) captou a novidade e aproveitou bem o momento, travando com Gorbachev um diálogo animado e franco, em que Angola foi um dos pontos em destaque.

De passagem, soube também lisonjear o interlocutor com uma deslocação ao túmulo do Soldado Desconhecido, junto à muralha do Kremlin, onde prestou homenagem “ao esforço decisivo da URSS para a vitória sobre o nazismo na segunda guerra mundial”.

Apesar de toda agitação social que a Perestroika desencadeou no país, do caos político e dos conflitos armados que acabaram por eclodir em diferentes regiões da ex-URSS, Gorbachev e a direção política a que presidiu conseguiram sempre manter sob controlo o armamento nuclear.

Acreditou porventura demais nas promessas de não expansão da NATO para leste que então lhe foram feitas, acabando por ver desfazer-se o sonho de uma Europa do Atlântico aos Urais – “Nossa Casa Comum”. Mas o mérito do derrube do muro de Berlim, pondo fim à Guerra Fria, é todo seu, ao ter impedido Honecker de reprimir as manifestações populares na Alemanha de Leste.

Gorbachev não é hoje popular na Rússia – apontam-lhe a responsabilidade de ter aberto as portas ao fim do império, como se esse declínio não viesse já de muito antes e ele afinal mais não tivesse tentado do que evitá-lo pela mudança quando era já evidente onde estava conduzindo a estagnação.

Com o seu desaparecimento parece agora morrer também a era de esperança e diálogo a que deu início, com a Europa a mergulhar de novo no confronto, na intolerância e na guerra. Fechou-se a janela de oportunidade aberta por Gorbachev de estabelecer com a Rússia um modus vivendi mutuamente vantajoso com uma perspectiva democrática no horizonte.

Resta desejar que descanse em paz e que a sua ideia de uma Rússia reconciliada com o Ocidente e vice versa ainda possa um dia renascer

CF | Foto: Luís Vasconcelos

Sergueï Lavrov affirme que la Russie n’a personne sur qui compter | in msn.com

Le ministre des Affaires étrangères russe a précisé que l’objectif des pays occidentaux était « d’affaiblir » et « démembrer » le système de son pays.

Il a déclaré : « Comme nous pouvons le constater, la réaction de l’Occident à la mise en œuvre des objectifs de l’opération militaire spéciale montre clairement que, dès le début, les tâches de l’Occident étaient globales et visaient à affaiblir, et, comme certains politologues occidentaux l’admettent, à démembrer notre pays. »

Il a ajouté : « À l’époque que nous vivons actuellement, et c’est précisément une époque, une longue période historique, nous devons être prêts à réaliser que nous ne pouvons compter que sur nous-mêmes. »

Le politique a aussi rappelé que 80% des pays n’adhèrent pas aux sanctions imposées à la Russie.

Il a expliqué : « Et ce, malgré les pressions colossales exercées quotidiennement sur les gouvernements de ces pays afin de les forcer à rejoindre le courant dominant de la politique anti-russe et russophobe. »

As notícias chegadas de Kherson, Ucrânia | por Miguel Castelo Branco

As notícias chegadas de Kherson são terríveis, como oportunamente nota o Rafael Pinto Borges. Lançar milhares de homens mal treinados em tropel contra um exército profissional, bem armado, bem comandado, bem treinado, bem entrincheirado e com um formidável dispositivo de fogos de apoio e de aviação não é uma temeridade, mas um crime, pois não visa a ruptura da frente, nem a vitória, mas meia dúzia de linhas em tweets que justifiquem uma guerra antecipadamente votada ao desastre. O exército ucraniano está a ser inapelavelmente desbaratado, apenas e só para cumprir as bombásticas juras de um regime que há muito substituiu o real pelo virtual, assim como pelas fantasias dos propagandistas e avençados do negócio da guerra.

A tão insistentemente anunciada contra-ofensiva parece ter durado meia dúzia de horas e terá causado grandes perdas em homens e material entre os atacantes . No conforto dos estúdios de televisão, dos gabinetes ministeriais e das casas, os formadores de opinião lá encontrarão argumentos para o desastre deste dia funesto, mas amanhã deslocarão o foco para outros abracadabrantes acenos de vitória numa guerra que há três ou quatro meses ainda terminaria com um acordo de paz e cedência de territórios da Ucrânia à Rússia, mas agora parece estar fadada para ser a guerra que ditará o fim do Estado ucraniano. Anuncia-se o grande castigo dos mentirosos, dos inábeis políticos, dos maus diplomatas, dos analistas enganadores, dos conselheiros sem discernimento e demais legião daqueles que se diziam amigos da causa ucraniana, quando, afinal, eram os coveiros entusiastas da sua perdição.

Retirado do Facebook | Mural de Miguel Castelo Branco

O plano secreto americano para tornar a Rússia grande novamente

24 de maio de 2022 | Por Dmitry Orlov para o Blog Saker

Geralmente é uma boa ideia evitar atribuir intenção nefasta a ações explicadas por mera estupidez. Mas este é um caso em que a mera estupidez não pode explicar a longa e constante procissão de erros de política externa ao longo de três décadas, todos eles especificamente destinados a fortalecer a Rússia. Não é possível argumentar que um excesso de arrogância, ignorância, ganância e oportunismo político e um déficit de analistas de política externa competentes possam produzir tal resultado, pois isso seria essencialmente o mesmo que argumentar que alguns macacos armados com furadeiras, moinhos e tornos podem produzir um relógio suíço.

Aparentemente, o plano era enfraquecer e destruir a Rússia; mas então, após o colapso soviético, a Rússia estava enfraquecendo e se destruindo muito bem sozinha, sem necessidade de intervenção. Além disso, todo esforço dos EUA para enfraquecer e destruir a Rússia a tornou mais forte; se existisse mesmo um mecanismo de feedback mais rudimentar, uma discrepância tão grande entre os objetivos da política e os resultados da política teria sido detectada e ajustes teriam sido feitos. Superficialmente, isso pode ser explicado pela natureza da democracia simulada da América, onde cada governo pode culpar seus fracassos por erros cometidos pelo governo anterior, mas o Deep State permanece no poder o tempo todo e seria simplesmente forçado a admitir para si mesmo que há um problema com o plano de enfraquecer e destruir a Rússia após alguns ciclos desse fiasco que se desenrola.

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Nesta rara entrevista, Simone de Beauvoir fala sobre existencialismo, religião, casamento, amor livre

“Penso que amar, de fato, não é querer possuir, mas que amar seja querer criar elos com o outro ser que não são de possessão, no mesmo sentido de possuir uma roupa ou o que comemos.” – Simone Beauvoir

A escritora e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), consagrada por um livro fundamental para o movimento feminista, “O segundo sexo”, um marco teórico do feminismo no século XX, publicado em 1949.

Formada em filosofia pela Universidade de Sorbonne, onde conheceu outros jovens intelectuais, como Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre – com quem manteve um relacionamento por toda a vida -, De Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias, (e até uma autobiografia!) sobre filosofia, política e questões sociais.

Uma mulher atual, pensadora essencial de nosso tempo em suas mais diversas facetas: o existencialismo, a relação com Jean-Paul Sartre, o ativismo político, o feminismo, os romances e a análise sociológica. Beauvoir, continua sendo discutida dentro e fora do mundo acadêmico, atraindo a atenção de novas gerações de ativistas no Ocidente.

Assista aqui esta rara entrevista filmada em Paris pela Radio-Canada, que censurou sua difusão por pressão do arcebispo de Montreal, Simone de Beauvoir fala sobre existencialismo, religião, casamento, amor livre, entre outros temas.


Entrevista feita pela Radio-Canada, em Paris, da qual sua transmissão foi censurada pelo arcebispo de Montreal. Aqui, Simone discorre sobre existencialismo, religião, casamento, amor livre, dentre outros temas

A Escola Minimalista do Estado Novo de Barreto | por Carlos Matos Gomes

Uma madrassa de colaboracionistas para formar “colaboradores”

O regresso. Os ideólogos do restauração do integrismo estão aí, agora atrás da máscara neoliberal. Em Portugal o neoliberalismo é o regresso ao poder absoluto dos senhores e das elites sobre a sociedade. É o miguelismo com telemóvel e a doutrina do sucesso. Há dias António Barreto, um destes adaptados a extremos direitos, fez uma exposição sobre a ideologia da velha ordem no que respeita à educação. Sobre os objetivos da educação na formatação ideológica das novas gerações. A pretexto da desideologização, da neutralidade, da higienização, da desinfeção da educação na escola publica (as escolas privadas podem vender os seus produtos ideológicos à vontade — existem para isso), propunha a ideologia do salazarismo, em resumo, a teses de que para quem é (os destinados ao trabalho assalariado e sem direitos) bacalhau basta.

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MIGUEL CASTELO BRANCO

Com 70% dos alemães a exigirem a imediata reabertura de todas as relações comerciais com a Rússia, o grande mistério deste verão carregado de funestos prognósticos para o nosso futuro imediato é o de saber se o desaparecimento público de Ursula Von der Leyen se deve a férias, ou se está em curso uma mais que justa substituição da senhora adepta da guerra que destruirá a Europa.

Não foram precisos seis meses para reconhecer que a histeria odiosa escondia o aprofundamento da vassalidade da UE aos EUA e um mais que certo colapso económico, pelo que se até Outubro não se verificar um volte-face que reponha a normalidade das relações com a Rússia, a fome, o frio e a escuridão decretados pela UE contra a Europa terão resultados inimagináveis. Já vejo os ânimos muito serenados, mas custa muito manter a espinha quando a maioria frívola e manipulável uma vez mais deu mostras de quão voláteis são as pessoas.

Retirado do Facebook | Mural de Miguel Castelo Branco

ARQUITECTOS PARA QUÊ ? | por João Paciência

(…) a falta de poder das Ordens Profissionais para fazer valer estes e outros direitos, como o do Direito de Autor completamente desrespeitado (…)

Sou de uma geração em que para se ter o diploma de Arquitecto, se frequentava durante seis longos anos (dentro da Escola) e um outro mais, de Estágio em atelier, um curso que para além de disciplinas comuns a Engenharias , se abordavam muitas outras áreas desde a Sociologia à História, da Teoria da Arquitetura aos diferentes conceitos de como encontrar soluções na cadeira de Projecto ou ao Planeamento e desenho do território.

Fui ganhando experiência em ateliers de vários arquitectos, fui funcionário público em equipa alargada para projectos de desenho urbano e de edifícios, trabalhei numa empresa de pre-fabricação em contacto directo com obra, dei aulas de projecto durante 10 anos em duas faculdades, constitui atelier e participei em numerosos concursos públicos de arquitectura, ganhando alguns e perdendo mais, investi em conhecimento ao longo de toda uma carreira profissional, colaborei com inúmeros colegas dentro e fora do País, integrei equipas no agora falada modalidade de concepção/ construção, continuo como sempre estive, empenhado na profissão que escolhi.

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UCRÂNIA NUM IMPASSE, À BEIRA DE TRÊS TEMPESTADES PERFEITAS – MILITAR, ECONÓMICA E DIPLOMÁTICA | a opinião de Pierre Lellouch resumida por Alfredo Barroso

A neutralidade da Ucrânia teria evitado a guerra iniciada com uma invasão russa. Mas o presidente dos EUA, Joe Biden, e os submissos dirigentes da União Europeia e de praticamente todos os seus países membros preferiram, por razões ideológicas, deixar aberta a porta da NATO, mas sem proteger a Ucrânia. E agora alimentam mais e mais a continuação da guerra com o fornecimento de armas cada vez mais poderosas e sofisticadas.

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Ideologia ou pragmatismo? | Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 18/07/2022

Num artigo publicado em 2010, o antigo diplomata singapurense Kishore Mahbubani alertava-nos para o que diferencia, em assuntos de segurança, a cultura ocidental, leia-se norte-americana e europeia, da asiática. A primeira baseia-se em aspetos ideológicos e morais, enquanto a segunda no pragmatismo, e, consequentemente, no compromisso. Mahbubani defendia serem as decisões assentes no primado da ideologia e não no pragmatismo que tornam, muitas vezes, as abordagens ocidentais ineficazes e/ou contraproducentes.

Não terá sido por acaso que as duas guerras mundiais tiveram o seu epicentro no espaço europeu. A maioria dos decisores asiáticos prefere concentrar-se nos resultados. Isso explica, segundo Mahbubani, que as políticas europeias maniqueístas, baseadas em preconceitos ideológicos, obrigando a escolher e a tomar partido, têm-se revelado, infelizmente, pouco subtis e de reduzido efeito.

O argumento de Mahbubani pode ser testado empiricamente nos acontecimentos em curso na Ucrânia. A sua validade é por demais evidente nas escolhas que conduziram à eclosão da guerra – a obstinação do Ocidente em não respeitar durante três décadas as reiteradas preocupações securitárias da Rússia (de Gorbatchov até Putin, passando por Yeltsin), e insistir em trazer a Ucrânia para a NATO, que continua a reiterar (veja-se o conceito estratégico recentemente aprovado na cimeira de Madrid), mesmo depois dos acontecimentos na Geórgia, em agosto de 2008.

Um compromisso com a Rússia, tornando a Ucrânia num Estado geopoliticamente neutral, teria sido uma solução suportável e teria impedido a guerra. O mesmo se aplica aos acontecimentos que se seguiram a 24 de fevereiro de 2022.

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A GUERRA CIVIL NA UCRÂNIA | Os pontos nos is | por Rodrigo Sousa e Castro

Nas planuras ucranianas, que os soldados hitlerianos calcaram até serem parados, cercados, derrotados e humilhados já nas margens do Volga, trava-se hoje uma guerra civil, entre os nacionalistas ucranianos de Kiev, apoiados pelo chamado agora Ocidente alargado, e os independentistas do Donbass, ucranianos russófonos, apoiados pela Rússia.

Como se chegou aqui parece hoje tudo muito claro.

Quando o general secretário de estado da defesa americano declarou urbi et orbi que o objectivo dos EUA era quebrarem a espinha dorsal da resistência russa, que querendo ou não, se havia metido naquela armadilha, as dúvidas desvaneceram-se.

Face ao acelerar da globalização e consequente acréscimo do poderio chinês condicionar a Rússia, para os americanos, era o passo essencial para tornar as fronteiras terrestres da China, na imensidão asiática, altamente vulneráveis.

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Boaventura Sousa Santos | Mereceu a pena? | in Jornal Público

Começa a ser evidente que os neoconservadores norte-americanos conseguiram impor na Europa, através de uma guerra de informação sem precedentes, uma vertigem bélica e anti-russa, cujas consequências levará tempo a avaliar. É, no entanto, possível identificar os sinais do que vem por aí.

Derrotados. Não se sabe ainda quem ganhará esta guerra (se é que alguém a ganhará, para além da indústria do armamento), mas já se sabe quem mais perde com ela. São o povo ucraniano e os restantes povos europeus. A Ucrânia em ruínas e os milhões de refugiados e a descida da cotação do euro são os sinais mais claros da derrota.

Nas sete décadas que se seguiram à destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, a Europa, então designada como ocidental, reergueu-se. Liderada por governantes de alto nível intelectual e apoiada pelos EUA em sua cruzada para travar o comunismo, a Europa Ocidental conseguiu impor-se como uma região de paz e de desenvolvimento, ainda que muito deste fosse à custa do capital colonial que acumulara durante séculos. Bastou uma guerra fantasma – travada na Europa, mas não protagonizada pela Europa e nem sequer no interesse dos europeus – para pôr tudo isto a perder.

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CRESCENTE APROXIMAÇÃO RÚSSIA-TURQUIA DISPARA ALARMES NAS CAPITAIS OCIDENTAIS

As capitais ocidentais estão cada vez mais alarmadas com o aprofundamento da cooperação económica entre o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e Vladimir Putin, alertando para o risco crescente de que o Estado membro da NATO possa ser atingido por retaliação punitiva se ajudar a Rússia a evitar sanções.

Seis funcionários ocidentais disseram ao Financial Times que estavam preocupados com a promessa feita na sexta-feira pelos líderes turcos e russos de expandir sua cooperação em comércio e energia após uma reunião de quatro horas em Sochi.

Um funcionário da UE disse que o bloco de 27 membros está monitorando a cooperação turco-russa “cada vez mais de perto”, expressando preocupação de que a Turquia esteja “cada vez mais” se tornando uma plataforma para o comércio com a Rússia.

Outro descreveu o comportamento da Turquia em relação à Rússia como “muito oportunista”, acrescentando: “Estamos tentando fazer com que os turcos prestem atenção às nossas preocupações”.

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Sobre a Rússia | por Carlos Fino | Eu poderia ter escrito exactamente um texto assim. (vcs)

Não é tanto simpatia pela Rússia – não tenho saudades. É mais dúvidas quanto ao acerto das políticas que vêm sendo seguidas contra ela.

Querer “isolar” a Rússia, que é um continente riquíssimo em todo o tipo de matérias-primas e de onde nos vinha até agora energia barata, ainda por cima com países como a China, a Índia, a África do Sul ou até o Brasil contrários a essa posição, parece-me que não faz muito sentido e vai contra os interesses dos europeus.

A política externa, ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, não se deve orientar só por “valores” – caminho direto para o confronto -, mas antes de mais pela defesa bem ponderada de quais são ou não são os nossos reais interesses. Ignorar isso e morder a isca dos “valores”, pode levar-nos, como já está a levar, a subordinar os nossos interesses aos dos outros.

Como já se percebeu, quem ganha com a guerra da Ucrânia e com as políticas europeias que vêm sendo seguidas são os Estados Unidos e a China. Não é, certamente, como também já se viu, a Europa. Portanto…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

O ESTRANHO CASO DA UE: SUICÍDIO, ASSASSINATO OU EUTANÁSIA? (1) | Artigo publicado em RESISTIR.INF

Terá sido suicídio ou crime? – interroga o inspetor.   A dra. Nikki Alexander (protagonista na série Silent Witness) afirma que a vítima estava em estado terminal devido ao abuso de drogas, mas a sua morte foi induzida.   A análise revelou que estava viciada em neoliberalismo e atlantismo, de que não se conseguiu libertar.

Daniel Vaz de Carvalho

Vassalagem total da UE.

1 – UE, propaganda e distopia

Na UE o que salta à vista desde logo é a incompetência, a ineficácia dos seus dirigentes. Mas não só. Pelos media proliferam comentadores cuja nulidade é aflitiva, autênticos moinhos de palavras, repetem-se exaustivamente sobre os mesmos temas, incapazes de se debruçarem sobre as causas.

A UE entrou no campo da distopia, a utopia negativa, deixou de representar os interesses dos seus países, deixou-se arrastar pela arrogância belicista do que mais negativo veio do outro lado do Atlântico: os neocons, que forjaram uma “ameaça russa”, nova versão da “ameaça russa” do tempo da União Soviética. Neste contexto, a NATO quer que os países dediquem 2% do PIB para o orçamento militar. Mau vai quando o orçamento militar é maior que o da cultura, em Portugal 0,25% da despesa da Administração Central.

Que ameaça representava a Rússia quando nos finais de 2021, propôs um tratado de segurança coletiva aos países ocidentais, dada a expansão da NATO – ao contrário do acordado com Gorbatchov – e o intenso rearmamento da Ucrânia para prosseguir o conflito contra os independentistas antifascistas do Donbass e a Crimeia?

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Como o Ocidente fracassará na Ucrânia | Jeffrey D. Sachs, in Outras Palavras, 19/07/2022

A guerra na Ucrânia é o ápice de um projeto de 30 anos do movimento neoconservador americano. O governo Biden está repleto dos mesmos neocons que defenderam as guerras de escolha dos EUA na Sérvia (1999), Afeganistão (2001), Iraque (2003), Síria (2011), Líbia (2011), e que tanto fizeram para provocar a Rússia a invadir a Ucrânia. O histórico dos neoconservadores é de um desastre absoluto, mesmo assim Biden formou sua equipe com neoconservadores. Como resultado, Biden está levando a Ucrânia, os EUA e a União Europeia a mais um desastre geopolítico. Se a Europa tiver alguma visão própria, ela se separará desses desastres da política externa dos EUA.

O movimento neocon surgiu na década de 1970 em torno de um grupo de intelectuais de atuação pública, vários dos quais foram influenciados pelo cientista político da Universidade de Chicago, Leo Strauss, e pelo classicista da Universidade de Yale, Donald Kagan. Os líderes neoconservadores incluíam Norman Podhoretz, Irving Kristol, Paul Wolfowitz, Robert Kagan (filho de Donald), Frederick Kagan (filho de Donald), Victoria Nuland (esposa de Robert), Elliott Cohen, Elliott Abrams e Kimberley Allen Kagan (esposa de Frederick). 

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Caos no centro do Mundo | Carlos Matos Gomes

A lógica binária no Ocidente leva à conclusão de que o caos é mau e é desordem e o bem é a ordem. Na antiguidade, na Babilónia, o deus mais importante era Marduk, o da Ordem que venceu o Caos.

A moderna Teoria do Caos surge com a ideia fundamental de que, em determinados sistemas, pequenas variações nas condições iniciais podem gerar grandes variações nos resultados finais. Trata-se do famoso “Efeito Borboleta”, que recebeu o nome técnico de “dependência sensível das condições iniciais”. Esta teoria é — continua a ser — uma heresia nos grandes meios de manipulação de opinião, que defendem para os rebanhos a simplicidade das crenças na bondade dos pastores, sejam eles dirigentes de grandes instituições financeiras, de oligarquias que gerem monopólios de produtos essenciais, sejam dirigentes políticos. O Caos ofende a Ordem. O Caos implica renovação. Mas para quem nos pastoreia existe um caos bom, o das crises financeiras e económicas e um caos mau, o das revoltas das massas e das sociedades.

A análise estratégica é, para surpresa de muitos e muitas especialistas de verbo gongórico e pensamento oco — em última estância, uma aplicação da Teoria do Caos.

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EXPANSÃO DA NATO | “UM ERRO FATAL” George Kennan

George Kennan, o diplomata norte-americano que concebeu toda a política de contenção da Guerra Fria, não mediu palavras ao argumentar que “expandir a NATO seria o erro mais fatal da política americana em toda a era pós-guerra fria”.

Entre as consequências previsíveis de uma tal decisão, Kennan indicou as seguintes:

– “aumentaria as tendências nacionalistas, antiocidentais e militaristas na opinião russa”;

– “teria um efeito adverso para o desenvolvimento da democracia russa”,

– iria “restaurar a atmosfera de guerra fria nas relações leste-oeste” e ainda,

– “impelir a política externa russa em direções decididamente não do nosso agrado”.

“A Ucrânia não é reconstruível!” | Carlos Matos Gomes entrevistado por Humberto Costa

Humberto Costa |

O Coronel Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril e fundador do Movimento dos Capitães, fala do conflito da Ucrânia, de como e de quem o alimenta e porquê, do cenário que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: “Era urgente uma utopia, uma luz que desse ânimo…”

Este conflito era evitável?

Este conflito apenas não foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e até agora característico de uma guerra convencional, resulta da análise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estratégicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar potências concorrentes, no caso a Rússia e a China.

Porquê a Ucrânia?

A Ucrânia é apenas o palco mais adequado ao conflito que opõe os EUA à Rússia e à China, uma barriga de aluguer. Aliás, o objetivo declarado dos EUA é o enfraquecimento da Rússia e a conclusão da cimeira da NATO de Madrid foi que a China é uma ameaça aos valores do “Ocidente”, aqui representado pela NATO, a aliança militar dos países de capitalismo avançado.

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Não Há ‘Bala Mágica’ Que Possa Virar A Maré Para A Ucrânia | por Daniel Davis in 19fortyfive

No domingo passado, quando o restante soldado ucraniano se retirou de Lysychansk, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que evacuar suas tropas da cidade “onde o inimigo tem a maior vantagem no poder de fogo”, foi a decisão certa, mas “significa apenas uma coisa… Que voltaremos graças às nossas táticas, graças ao aumento do fornecimento de armas modernas.” Embora muitos no Ocidente queiram que isso seja verdade, a realidade é muito diferente: não há base para esperar uma futura ofensiva para expulsar as tropas russas dos territórios conquistados.

O resultado mais provável para as Forças Armadas ucranianas (UAF) se continuarem lutando contra os russos é que mais tropas de Zelensky serão mortas, mais cidades ucranianas serão transformadas em escombros, e mais território Kyiv perderá para os invasores. Uma análise sóbria da capacidade das duas forças armadas, uma avaliação dos fundamentos militares que historicamente se mostraram decisivos no campo de batalha, e um exame do potencial de sustentabilidade para ambos os lados, deixam claro que a Rússia quase certamente ganhará uma vitória tática.

O conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych disse que, pelo contrário, as retiradas em Severodonetsk e Lysychansk não foram derrotas, mas sim “bem sucedidas” na qual ele alegou que permitiram à Ucrânia “ganhar tempo para o fornecimento de armas ocidentais e a melhoria da segunda linha de defesa, para criar condições para nossas ações ofensivas em outras áreas da frente”. Esta é uma crença comum no Ocidente, mas não suportada pelos fatos.

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O PAPA É PUTINISTA? | Pedro Tadeu | Opinião/DN

No dia 25 de fevereiro, o dia seguinte ao início da invasão russa da Ucrânia, o Papa Francisco telefonou ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, e deslocou-se à embaixada russa na Santa Sé.

Numa entrevista, citada pela agência Ecclesia, dada ao jornal argentino La Nación, Francisco explicou-se desta maneira: “Fui sozinho, não quis que ninguém me acompanhasse. Foi uma responsabilidade pessoal, minha, uma decisão que tomei numa noite em branco, pensando na Ucrânia. É claro, para quem o quer ver, que estava a sinalizar o governo que pode pôr fim à guerra no instante seguinte”.

Num texto de balanço aos 100 dias de guerra, que a agência Ecclesia difundiu, focado na atividade do Papa decorrente do conflito, lembra-se toda uma série de outros episódios:

– A 25 de março, numa celebração que ligou o Vaticano ao Santuário de Fátima, o Papa consagrou a Ucrânia e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, perante a “ameaça nuclear”.

– A 6 de abril, Francisco beijou um bandeira ucraniana numa homenagem às vítimas do massacre de Bucha.

– A 14 de abril, quinta-feira de Páscoa, Francisco lançou o livro Contra a guerra. A coragem de construir a paz que apela ao diálogo e ao desarmamento, como uma escolha estratégica decisiva para os destinos da humanidade.

– A 15 de abril, Sexta-feira Santa, no final da Via Sacra, o Papa apelou à reconciliação entre adversários. Antes foi confrontado com um incidente: uma leitura que deveria ter sido feita, nessa cerimónia, em conjunto por uma russa e uma ucraniana foi cancelada por pressão da Ucrânia.

– No Domingo de Páscoa, Francisco voltou à carga e evocou as vítimas ucranianas, os milhões de refugiados, as famílias divididas, os idosos abandonados.

– A 3 de maio, o Papa explicou que, antes de ir a Kiev, estava a tentar ir a Moscovo. Numa entrevista publicada nesse dia pelo jornal Corriere della Sera, Francisco criticou as razões da guerra e o “comércio” de armas, que definiu como um “escândalo” a que poucos se opõem e falou de “uma raiva facilitada” pelo “ladrar da NATO à porta da Rússia” que levou o Kremlin a “reagir mal e a desencadear o conflito”. Também manifestou algumas dúvidas sobre o fornecimento de armas à Ucrânia, alertando que esse fornecimento iria levar a Rússia a testar armas mais destrutivas.

– A 12 de maio o Papa encontrou-se com duas esposas de militares ucranianos que se encontravam barricados em Mariupol.

– A 24 de maio Francisco enviou a Moscovo uma mensagem ao patriarca da Igreja Ortodoxa para rezarem pela vida humana.

– Na semana passada, no Vaticano, o líder da Igreja Católica, um dia depois de dirigir uma cerimónia religiosa que evocou as vítimas da guerra, apelou a que não se use a distribuição de cereais como arma de guerra, que irá vitimar, sobretudo, as populações dos países mais pobres.

– Quase todos os domingos, na cerimónia que costuma fazer para a Praça de São Pedro, Francisco, recorrentemente, fala da necessidade de paz na Ucrânia e recorda várias vezes outros conflitos no mundo: Congo, Sudão do Sul, Síria, Iémen, “o maior desastre humanitário do nosso tempo”, disse, rebelando-se contra a indiferença ocidental face a essa catástrofe.

– Esta semana, numa entrevista à agência Reuters, Francisco assinalou que a possibilidade de ir a Moscovo volta a estar em cima da mesa “se o presidente russo me conceder uma pequena janela para servir a causa da paz”.

– Noutra entrevista, anterior, o Papa fora questionado sobre o facto de nunca ter condenado explicitamente Vladimir Putin ou a Rússia. Respondeu assim: “Nunca nomeei um chefe de Estado e, muito menos, um país, que está acima do seu chefe de Estado”. Isto nunca impediu, porém, Francisco de condenar várias vezes e de forma veemente a invasão à Ucrânia.

– Neste domingo, novamente na Praça de São Pedro, o líder católico disse isto: “Devemos passar das estratégias de poder político, económico e militar para um projeto de paz global. Não para um mundo dividido entre potências em conflito; sim para um mundo unido entre povos e civilizações, que se respeitam mutuamente”.

Pelos critérios que têm prevalecido na fila de políticos, jornalistas e comentadores portugueses, de direita e de esquerda, que todos os dias passam pela televisão a tentar vencer no campeonato da corrida armamentista, do belicismo pro-NATO, da russofobia, da intolerância, da teoria da conspiração, da censura às notícias de guerra, da desumanidade disfarçada de caridade pelo povo ucraniano, este Papa, apesar de criticar a invasão russa, é, como todos os que procuram abrir um caminho que leve à paz, um putinista.

É ridículo, mas é onde estamos.

Retiradoo do Facebook | Mural de Carlos Fino

A NATO E A BREVE HISTÓRIA DA HEGEMONIA OCIDENTAL | Manuel Begonha

O culto da superioridade do homem branco tem vindo a ser inculcado ao longo do tempo, na maioria das manifestações artísticas , mas para desenvolver este tema vou recorrer por vezes ao cinema.

Desde jovens que fomos habituados a ver nos filmes de “cowboys”, o bom homem branco, a matar indiscriminadamente os maus nativos, designados por índios, selvagens ou peles vermelhas, que afinal apenas defendiam as suas terras do invasor.

Contudo, mais recentemente surgiram alguns poucos realizadores que tentaram reabilitar a imagem do índio como Arthur Penn no filme “O pequeno grande homem”.

Numa cena inesquecível de outro grande filme, aliás, que é “Apocalypse Now”, sob o som da Cavalgada das Valquirias de Richard Wagner, os heróicos combatentes norte-americanos, como invasores, voam galvanizados nos seus helicópteros para exterminar os enfezados e amarelados vietnamitas.

Numa propaganda clássica ao colonialismo, o valente e luminoso Mourinho de Albuquerque que, obviamente equipado com armas de fogo, subjuga, como se pode ver no filme “Chaimite”, a força e o primitivismo do régulo rebelde Gungunhana, o leão de Gaza, a quem para humilhar mandou sentar no chão.

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O Ocidente, a NATO e a China | Um novo mundo! | Carlos Matos Gomes

O documento que saiu da cimeira da NATO de Madrid coloca a questão central da definição do “Ocidente”, que é a referência à entidade ao serviço de cujos interesse a aliança militar age; e dos valores ocidentais, aquilo que constitui o núcleo que identifica e distingue os ocidentais dos outros grandes grupos políticos, militares e económicos.

Contém uma frase decisiva, que os líderes europeus deviam esclarecer. O comunicado salienta enfaticamente: “as ambições e políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores”.

Presume-se que os valores são os valores ocidentais. Seria importante para os cidadãos dos Estados que fazem parte da NATO, os que vão pagar as consequências destas afirmações, saber quais são para a “cúpula” da NATO representada pelo seu secretário-geral os “nossos valores” e até o que entende NATO por Ocidente.

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De Gaulle and Europe | por Éric ANCEAU | in DIGITAL ENCYCLOPEDIA OF EUROPEAN HISTORY

General de Gaulle understood Europe as a key geographical and historical construct. From the Second World War until he left power in 1969, he wanted European states to join together and cooperate closely, because he saw this is a means of increasing their power, particularly that of France. However, he was hostile to any loss of sovereignty, seeing it as a possibly prelude to subjugation by the United States.

A man of culture, Charles de Gaulle understood Europe as the product of geography and history, transcending the artificial and ephemeral divisions inherited from wars. As such, he argued that Europe stretched from Gibraltar to the Urals, an assertion that he repeated many times throughout his life. As such, he refused, after 1945, to accept the Iron Curtain as definitive and to consider Europe as one and the same as “the West,” i.e. as the ally of the United States in the Cold War and the enemy of the Eastern Bloc. Yet for all that, he did not seek to please the USSR, which his famous phrase amputated of the three quarters of its territory beyond the Urals. In fact, he always preferred to speak of “Russia” rather than the USSR because, to his mind, regimes come and go whereas nations endure. His Europe, defined in these broad terms, was destined to play a pre-eminent role in the world. In his famous speech at the University of Strasbourg on 22 November 1959 he declared “Yes, it is Europe, from the Atlantic to the Urals, it is Europe, all of Europe, which will decide the fate of the world!” He viewed historical and geographical Europe as a means of combining and increasing the power of the states of the continent, states which he saw as Europe’s unalterable horizon.

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A PREPARAR AS NOSSAS CABECINHAS PARA A GUERRA NUCLEAR | Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 01/07/2022

1. Reunido em mangas de camisa num castelo alemão, o G7 actualizou as sanções à Rússia e as novas verdades sobre a guerra. De facto, foi o G7+1, pois, como sempre, Zelensky esteve presente por vídeo para pedir mais e mais sofisticadas armas, a tempo de poder decidir a guerra antes do Inverno.

Ficou-se a saber que, só dos americanos, ele recebe todos os meses armamento no valor de 7,5 mil milhões de dólares — um festim para as Lockheed Martin dos Estados Unidos. No final e sobre um horizonte de ruínas, alguém há-de ter de pagar isto e suponho que não sejam só os contribuintes americanos, mas todos os da NATO.

2. Na sua intervenção, Zelensky informou os outros de que na véspera os russos tinham atacado com mísseis um centro comercial onde se encontravam mil civis: dez tinham morrido nesse dia, 18 até hoje. Os russos argumentaram que não tinham atacado nenhum centro comercial mas sim um depósito de armas que ficava ao lado e que, ao incendiar-se, atingira com destroços o centro comercial. Como é óbvio, essa versão foi imediatamente descartada, em favor do “crime de guerra”.

3. Ao mesmo tempo que acrescentava o ouro à lista de bens russos cuja exportação passa a ficar proibida, o G7 insurgiu-se contra “o roubo e impedimento das exportações de cereais” ucranianos por parte da Rússia.

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O SNS não se salva com ilusões | por Francisco Louçã | in Expresso

Quem defende o SNS já não pode escapar ao dilema entre ignorar o colapso e recusar a continuidade da ilusão sobre a estratégia presente, pois a evidência demonstra que o governo não enfrentará o problema. É preciso virar a agulha. Apresentar o atual SNS como o modelo da virtude democrática custa a derrota, pois a realidade do desespero dos profissionais, da desorganização das unidades e dos tormentos dos utentes em centros de saúde ou em urgências impõe-se sem mais argumentos e cada ano será pior, com a aposentação de mais especialistas. Graças a estes fracassos programados, os privatizadores têm a estrada aberta e, apesar de alguns floreados alucinados (descobriram a “sovietização” do SNS, seguindo o guião ideológico da associação de médicos dos EUA, que no século passado conseguiu, na vaga da Guerra Fria, impedir que fosse instalado um serviço público de saúde no seu país), insistem na proposta mais simples: deem dinheiro aos nossos amigos que eles tratam de mais utentes do SNS.

 Nesse caminho, a estratégia de desmantelamento do setor público tem-se imposto. Os investimentos são adiados, os concursos ficam parcialmente vazios, os tarefeiros recebem três a cinco vezes mais do que os seus ex-colegas numa urgência, os serviços navegam na imprevisibilidade. Na incerteza, os seguros cresceram e são um florescente ativo financeiro, que promete lucros confortáveis, graças ao controlo dos preços. A consequência é uma saúde mais cara para as pessoas: dois grupos privados já realizam a maioria dos partos na Grande Lisboa, naturalmente promovendo a cesariana como método preferencial, o que salga as contas finais; durante a fase aguda da pandemia, os hospitais privados ofereceram a sua disponibilidade por 13 mil euros e, se fosse caso grave, o doente era recambiado para o público; e as PPP, que transformaram em arte a regra do afastamento dos doentes mais caros, são elogiadas como se essa manigância fosse boa gestão. Apesar destes resultados, está montado o cenário da atrevida proposta dos grupos privados e dos seus liberais: aguentem o custo dos hospitais públicos desde que nos paguem mais, queremos os vossos impostos.

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O encolhimento do Ocidente | por Boaventura Sousa Santos | In Outras Palavras, 29/06/2022

Fracasso na guerra contra a Rússia pode acelerar um longo declínio. Mas com ele vêm arrogância e ambições irreais. E há perigo à frente – porque os impérios não se admitem nem como espaços subalternos, nem em relações igualitárias.

que os ocidentais designam por Ocidente ou civilização ocidental é um espaço geopolítico que emergiu no século XVI e se expandiu continuamente até ao século XX. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, cerca de 90% do globo terrestre era ocidental ou dominado pelo Ocidente: Europa, Rússia, as Américas, África, Oceânia e boa parte da Ásia (com parciais excepções do Japão e da China). A partir de então o Ocidente começou a contrair: primeiro com a revolução Russa de 1917 e a emergência do bloco soviético, depois, a partir de meados do século, com os movimentos de descolonização. O espaço terrestre (e logo depois, o extraterrestre) passou a ser um campo de intensa disputa. Entretanto, o que os ocidentais entendiam por Ocidente foi-se modificando. Começara por ser cristianismo, colonialismo, passando a capitalismo e imperialismo, para se ir metamorfoseando em democracia, direitos humanos, descolonização, auto-determinação, “relações internacionais baseadas em regras” – tornando sempre claro que as regras eram estabelecidas pelo Ocidente e apenas se cumpriam quando servissem os interesses deste – e, finalmente, em globalização.

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COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | in Facebook | 10/06/2022 | Intervenção Militar Especial | Acordos de Minsk | Ucrânia

1. COMENTÁRIO COPIADO de José Luís S. Curado | (resposta ao Senhor Manuel Pinto Oliveira) | Manuel Pinto de Oliveira , creio que é jurista e estudou direito internacional público.

2. Se é, faz pouco sentido replicar: não ignora certamente que na Carta das Nações Unidas se prevêem o ataque preemptivo e a legítima defesa, esta também na modalidade preemptiva.

Foi invocando esta regra (art. 51, 1, se não erro) que a coligação de. EUA e RU invadiram o Iraque e o Afeganistão, sob a ameaça das infames “armas de destruição massiva” e de “sede do terror”, ambas alegadamente pondo em causa a sua segurança.

Neste último caso, a ONU contestou a invasão, ao contrário do que aconteceu na primeira. Coisa intermédia aconteceu miseravelmente com a Líbia. Em todos os casos destruindo países, reduzindo-os a escombros e plantando a guerra civil a muitos milhares de quilómetros das suas fronteiras. A Líbia escapou desse destino graças às forças russas, cujo auxílio o governo legítimo solicitou, apesar da violação das suas fronteiras pelas forças britânicas, francesas e, sobretudo, dos EUA, que para lá levaram muitos milhares de mercenários sob o estandarte do Daesh, criação óbvia da CIA.

Nas fronteira oeste da Federação Russa, desde o golpe Maidan de 2014 (foi o segundo!), ficou declarada pelo poder triunfante dos seus apaniguados uma guerra de extermínio contra a afirmação russófona das comunidades de Lugansk e Donetsk, cuja autonomia a Ucrânia reconheceu nos acordos de Minsk, negociados com a mediação francesa e alemã, homologados por Resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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O Mundo virado da cabeça para os pés | por Carlos Matos Gomes

O jornal inglês The Guardian titulava um artigo de opinião a propósito da reunião do G/ na Alemanha do seguinte modo: “G7 com agenda cheia num mundo virado de cabeça para baixo” — Em inglês:” G7 grapples with packed agenda of world turned upside down”.

“A agenda da reunião do G7 revela como o mundo virou de cabeça para baixo desde que os líderes dos estados industrializados se encontraram pela última vez na Cornualha, há um ano, numa cimeira presidida pela Grã-Bretanha, em grande parte para se concentrar na ameaça representada pela China.

Antes da cimeira na Alemanha, Boris Johnson emitiu um alerta para que o Ocidente não demonstre fadiga de guerra, um ponto que será ecoado quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, discursar na reunião por videoconferência. Espera-se que ele saliente as dificuldades que as suas tropas enfrentam no leste da Ucrânia, bem como a necessidade de armas mais pesadas de longo alcance.”

Entretanto, a 27 de Junho, decorrerá em Lisboa a Conferência dos Oceanos. “As Nações Unidas, com o apoio dos Governos de Portugal e do Quénia, acolhem a Conferência dos Oceanos, em Lisboa, de 27 de junho a 1 de julho de 2022. A Conferência é um apelo à ação pelos oceanos — exortando os líderes mundiais e todos os decisores a aumentarem a ambição, a mobilizarem parcerias e aumentarem o investimento em abordagens científicas e inovadoras, bem como a empregar soluções baseadas na natureza para reverter o declínio na saúde dos oceanos. A Conferência dos Oceanos acontece num momento crítico, pois o mundo procura resolver muitos dos problemas profundamente enraizados nas nossas sociedades e evidenciados pela pandemia da covid-19. Para mobilizar a ação, a Conferência procurará impulsionar as muito necessárias soluções inovadoras baseadas na ciência, destinadas a iniciar um novo capítulo na ação global pelos oceanos.” (do site da ONU)

Nenhum dos participantes da cimeira do G/ estará presente na Conferência dos Oceanos, embora estes representem 70% da superfície do planeta!

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 Workshops Internacionais de Turismo Religioso (IWRT) | Fátima, Portugal | LeopolDina Reis Simões

IWRT afirmam-se na décima edição como evento em crescimento

Ao final da tarde de hoje termina em Fátima a primeira parte do programa dos  Workshops Internacionais de Turismo Religioso (IWRT), este ano a celebrar o décimo aniversário e a afirmarem-se um dos eventos maiores na promoção internacional do turismo religioso.

A retomar o formato presencial após a realização online da edição de 2021, os IWRT voltaram a juntar em Fátima participantes de todo o mundo, este ano de 47 países. “Queremos que este Workshop seja referência mundial para o trade do turismo religioso, que seja um efetivo acelerador da recuperação turística pós-pandemia”, referiu Purificação Reis nasessão solene e comemorativa do X IWRT, realizada ontem no Centro Pastoral de Paulo VI, no Santuário de Fátima.

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Putin detém todos os ases em uma guerra por procuração, que deu terrivelmente errado para o Ocidente | Ashish Shukla

10 de junho de 2022

Ashish Shukla é um autor indiano de geopolítica e terrorismo que administra um site de notícias sobre relações internacionais, o Newsbred.

O Ocidente é forçado a negociar com a Rússia após três meses da intervenção deste na Ucrânia para se livrar dos Ukronazis e dos passos rastejantes da OTAN em suas portas.

Francamente, não há outra opção para West.

Não pode forçar um confronto com a Rússia, apesar de bilhões de ajuda e fornecimento de armas para Kiev, pois, se o fizer, Vladimir Putin fecharia as torneiras de petróleo e gás para a Europa, o que mergulharia o Velho Continente na escuridão, carros em garagens, modo de transporte para trilhas enferrujadas etc.

Isso forçaria os gigantes manufatureiros como BMW ou Bayer a fechar ou se localizar fora da Europa, de qualquer forma causando um desemprego maciço e agitação pública que forçaria mudanças de regime de Berlim a Paris a Genebra, o que você quiser.

A Europa não está em posição de se livrar do suprimento de energia da Rússia. A mistura típica de diesel que a Rússia fornece e para a qual as unidades de processamento da Europa são orientadas para isso não pode ser substituída da noite para o dia.

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São Petersburgo prepara o palco para a Guerra dos Corredores Econômicos | por Pepe Escobar

18 de junho de 2022 | Em São Petersburgo, as novas potências mundiais se reúnem para acabar com a “ordem baseada em regras” inventada pelos EUA e reconectar o mundo à sua maneira.

Pepe Escobar é colunista do The Cradle, editor geral da Asia Times e analista geopolítico independente focado na Eurásia. Desde meados da década de 1980, ele viveu e trabalhou como correspondente estrangeiro em Londres, Paris, Milão, Los Angeles, Cingapura e Bangkok. Ele é o autor de inúmeros livros; seu último é Raging Twenties.

Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo está configurado há anos como absolutamente essencial para entender a dinâmica em evolução e os julgamentos e tribulações da integração da Eurásia.

São Petersburgo em 2022 é ainda mais crucial, pois se conecta diretamente a três desenvolvimentos simultâneos que eu havia delineado anteriormente, em nenhuma ordem particular:

Primeiro, a vinda do “novo G8” – quatro nações do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China), além do Irã, Indonésia, Turquia e México, cujo PIB por poder de paridade de compra (PPP) já supera o antigo G8 dominado pelo ocidente.

Em segundo lugar, a estratégia chinesa de “Três Anéis” de desenvolver relações geoeconômicas com seus vizinhos e parceiros.

Em terceiro lugar, o desenvolvimento do BRICS+, ou brics estendidos, incluindo alguns membros do “novo G8”, a ser discutido na próxima cúpula na China.

Não havia dúvida de que o presidente Putin seria a estrela de São Petersburgo 2022, fazendo um discurso afiado e detalhado na sessão plenária.

Entre os destaques, Putin quebrou as ilusões do chamado “bilhão de ouro” que vivem no ocidente industrializado (apenas 12% da população global) e das “políticas macroeconômicas irresponsáveis dos países do G7”.

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L’école fabrique des consommateurs semi-illettrés | Le Zoom | Jean-Paul Brighelli | TVL

L’École de la transmission des savoirs et de la formation des citoyens est à l’agonie. Elle accomplit aujourd’hui ce pour quoi on l’a programmée voici un demi-siècle : adaptée aux nécessités du marché, elle fabrique à la chaîne une masse de consommateurs semi-illettrés et satisfaits d’eux-mêmes.

Soucieuse d’élaborer enfin l’égalité promise par la République en nivelant par le bas, elle a réussi à détruire ce que la France avait mis deux cents ans à élaborer. Pourquoi l’Éducation nationale a-t-elle autorisé les dérives successives qui ont amené à l’apocalypse scolaire ?

Jean-Paul Brighelli, agrégé de Lettres, qui a enseigné pendant 45 ans, répond à cette question dans son dernier ouvrage “La fabrique du crétin – Vers l’apocalypse scolaire”, le tome 2 de son succès d’édition, déjà vendu à 150 000 exemplaires.

A globalização acabou, qual é a próxima guerra? Francisco Louçã | in Jornal Expresso

A globalização foi o capitalismo feliz desde os anos 1980. Tudo se conjugava perfeitamente: uma liderança empolgante (Reagan e Thatcher; em Portugal, como fez questão de nos lembrar o próprio, foi o tempo de Cavaco Silva), guerras fáceis (as Malvinas) após fracassos monstruosos (o Vietname, depois o Irão e a Nicarágua) e, sobretudo, a grande viragem que foi sinalizada pela queda do Muro de Berlim e pelo fim da URSS. Veio então a expansão do comércio mundial, apoiada em instituições “empoderadas” para promoverem os novos ventos (a OMC, a que a China, transformada num dos grandes parceiros da globalização, aderiria em 2001) e uma vaga de liberalização económica (que deu origem à oligarquia russa com as privatizações de Ieltsin). O mundo foi aplanado pelo sucesso da globalização, que continuou nas décadas seguintes, em particular com o auge da financeirização, vencidas as barreiras herdadas do projeto de Roosevelt para a regulação da banca (Clinton assinou em 1995 a lei que enterrou o New Deal). Ideologicamente não parecia haver contraposição a esta glória, Deng Xiao Ping era um do seus arautos, triunfava sem contestação a TINA (there is no alternative, que, como noutros temas, Thatcher formulou melhor do que ninguém), a terceira via levou a social-democracia para o redil liberal, com Schroeder, Blair e, mais tarde, com Hollande. Tudo parecia conjugar-se para o que o mais entusiasta veio a chamar “o fim da história”. Não era pouco.

 Quarenta anos depois da sua fulgurante reincarnação moderna, esta globalização acabou.

Atacar o menor para ameaçar o maior.

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Julian Assange | por Carlos Matos Gomes

A “realeza” britânica não terá nada a ver com a dignidade do seu país? Com a vileza? Com a subserviência? São extra-terrestres? Eu conheço o argumento de que esta gente, dita real, é irreal, como os deuses gregos, não se intrometem nos assuntos dos homens a não ser para fazer filhos e causar guerras.

Mas há um mínimo de decoro que se lhes exige, além da exibição dos exóticos chapeus, as damas, e das fatiotas de domadores de circo, dos cavalheiros.

Não têm nada a dizer sobre a deportação de Assange para os Estados Unidos, o território da boa justiça?

PRISIONEIROS DE GUERRA | por Miguel Sousa Tavares – Expresso, 17/06/2022

“Como sempre acontece com tudo, a guerra na Ucrânia vai perdendo aos poucos o monopólio das atenções. Para tudo dizer em poucas e cruéis palavras, já estamos todos fartos da guerra na Ucrânia.

Mas seguramente ninguém mais do que os ucranianos: mais de 4 milhões permanecem ainda exilados no estrangeiro e, embora muitos tenham já regressado, o que encontram em muitos casos e muitos lados é um país desfeito e cujo futuro próximo não parece ser outro senão o contínuo troar dos canhões e a destruição paulatina de qualquer hipótese de regresso a uma vida normal.

Todas as noites as televisões repetem imagens de pré­dios, escolas, hospitais em ruínas, campos minados e cidades semidesertas, e servem-nos intermináveis entrevistas com habitantes que apenas pedem o fim da guerra e uma oportunidade para retomarem as suas vidas. Todavia, invocadas sondagens cuja origem é misteriosa garantem-nos o contrário: que a grande maioria dos ucrania­nos deseja que a guerra prossiga até à derrota total do invasor russo.

E todas as noites Zelensky, o Presidente dos ucranianos, aparece-lhes na televisão, vestido com a sua eterna T-shirt verde-militar, a prometer mais guerra e a pedir aos amigos da NATO novas e mais mortíferas armas para combater os russos.

Fora isso, e das raras vezes que vai ao terreno, curio­samente só vemos Zelensky entre militares — discursando-lhes, condecorando-os, exortando-os a prosseguir o combate —, mas jamais o vemos entre os civis, prometendo-lhes mais sangue, suor e lágrimas e encorajando-os a sofrer mais morte e destruição sem fim à vista. Uma falha na meticulosa operação de imagem do Churchill dos tempos modernos.

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Costa alerta que alargamento pode implicar futura arquitetura da UE | in LUSA

O primeiro-ministro defendeu hoje que um alargamento da União Europeia vai exigir uma reflexão sobre a “futura arquitetura institucional e orçamental”, dizendo esperar que todos estejam conscientes desse caminho coletivo.

António Costa e o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, receberam hoje durante todo o dia os partidos com representação parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, em que se discutirão as candidaturas à adesão à União Europeia da Ucrânia, República da Moldova e Geórgia.

No final, o primeiro-ministro anunciou que Portugal irá acompanhar o parecer da Comissão Europeia para que seja concedido à Ucrânia e à Moldova o estatuto de país candidato à União Europeia, mas fez questão de deixar alguns alertas.

“Esta perspetiva de futura integração, não só da Ucrânia e Moldova, mas também dos países dos Balcãs ocidentais, exige uma reflexão sobre a futura arquitetura institucional e orçamental da União Europeia, de forma a criar boas condições para termos uma UE forte, unida, capaz de cumprir os seus objetivos e acolher novos países candidatos”, defendeu.

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EUROPA | Breaking News

MONTARAM A GUERRA

Agora querem que acabe. E vão rogar ao Zelensky de joelhos.
Não é bonito de se ver.

PROFISSIONALISMO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL
FALAR VERDADE, não mentir !

O PÓS-GUERRA QUE AÍ VEM | Não será de admirar que António Costa venha a ter papel fulcral no futuro da União Europeia. Tem Humanismo e Inteligência Negocial.

( vcs / 18-06-2022 )

“SE NÃO ACABARMOS COM A GUERRA, A GUERRA ACABARÁ CONOSCO” | H. G. WELLS | Artigo de Alastair Crooke

Em mais uma inadmissível tentativa de CENSURA, o FB não deixa transcrever o link da revista Strategic Culture em que vem este artigo, mas fazendo a tradução, sem o link – como fizemos – é possível levá-lo ao conhecimento dos leitores. Aqui fica, portanto. Leia, antes que o bloqueiem:

“A Europa agora está presa “até às goelas” com amplas sanções económicas à Rússia e incapaz de enfrentar as consequências.

Emmanuel Macron irritou muita gente (assim como Kissinger fez no WEF), quando disse: ‘não devemos humilhar Vladimir Putin’, porque deve haver um acordo negociado.

Esta tem sido a política francesa desde o início desta saga. Mais importante, é a política franco-alemã e, portanto, pode acabar também por tornar-se política da UE.

A qualificação “pode” é importante – como na política da Ucrânia, a UE está mais rancorosamente dividida do que durante a Guerra do Iraque. E em um sistema (o sistema da UE) que insiste estruturalmente no consenso (por mais que ele seja fabricado), quando as feridas são profundas, a consequência é que uma questão pode travar todo o sistema (como ocorreu no período que antecedeu a guerra do Iraque). Ora a verdade é que as fraturas na Europa hoje são mais amplas e mais amargas (ou seja, acerbadas pelas forças do Estado de Direito).

Embora o rótulo “realista” tenha adquirido (nas circunstâncias atuais) a conotação de “apaziguamento”, o que Macron simplesmente está dizendo é que o Ocidente não pode e não irá manter seu atual nível de apoio à Ucrânia indefinidamente.

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𝗣𝗮𝗽𝗮 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 | Malou Delgado Rainho

(Eu leio italiano, mas como há quem o não faça, deixo a tradução do Google da resposta sobre a Ucrânia. Resposta integral, obviamente) | Malou Delgado Rainho

“Para responder a esta pergunta temos que nos afastar do padrão normal “Chapeuzinho Vermelho”: Chapeuzinho Vermelho era bom e o lobo era o mau. Não há bons e maus metafísicos aqui, de forma abstrata. Algo global está surgindo, com elementos muito entrelaçados. Alguns meses antes do início da guerra, conheci um chefe de Estado, um homem sábio que fala pouco, muito sábio mesmo. E depois de falar sobre as coisas que ele queria falar, ele me disse que estava muito preocupado com o andamento da OTAN. Perguntei-lhe por que, e ele respondeu: “Eles estão latindo nos portões da Rússia. E eles não entendem que os russos são imperiais e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles”. Ele concluiu: “A situação pode levar à guerra”. Esta era a opinião dele. A guerra começou em 24 de fevereiro. Aquele chefe de estado foi capaz de ler os sinais do que estava acontecendo.

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POPULARIDADE E DEMAGOGIA | Francisco Seixas da Costa | Jornal Observador

Um dia de 1997, em Lisboa, durante uma reunião do conselho de ministros, António Guterres deu conta da surpresa que tinha tido, numa sua recente visita à Polónia, ao constatar que todos os seus interlocutores locais estavam convencidos de que Portugal iria ser o país que mais dificuldades iria criar aos futuros alargamentos da União Europeia. E, voltando-se para o secretário de Estado dos Assuntos Europeus que eu então era, e que ali estava ocasionalmente por qualquer razão de agenda, alertou: “Espero que, em Bruxelas, os nossos funcionários clarifiquem bem a nossa posição”. Aquela perceção não era apenas polaca: muitos dos países do centro e do leste europeu estavam sinceramente convencidos que iriam encontrar em nós um grande obstáculo à sua pretensão de se juntarem à União.

A lógica dos interesses apontava, de facto, para que Portugal tivesse uma posição muito defensiva no tocante ao efeito, quer em matéria de fundos, quem em termos de vantagens competitivas, que a presença de um elevado número de novos parceiros iria implicar. Mas António Guterres via um pouco mais longe: o alargamento era um irrecusável objetivo estratégico da Europa “deste lado”, o qual, desde o final da Guerra Fria, entendia como imperativo conseguir dar resposta ao anseio de muitos Estados “do outro lado”, recém-libertos da tutela soviética, que pretendiam ancorar a sua liberdade e o seu desenvolvimento no quadro de um projeto que, durante décadas, lhes fora mostrado como paradigma de modelo exemplar de cooperação e de integração económica e, cada vez mais, de cidadania e de valores comuns, que os “critérios de Copenhague” haviam entretanto consensualizado.

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A heresia do papa Francisco | Carlos Matos Gomes

Estava a ler textos sobre a “guerra da comunicação” em que estamos envolvidos, felizmente sem os custos em sangue e destruição da que ocorre na realidade do campo de batalha, na Ucrânia. Parti de um filósofo cujo pensamento conhecia um pouco, Paul Virílio, francês, autor de livros sobre as tecnologias da comunicação, e deste cheguei a um outro, desconhecido, Slajov Zizek, esloveno. Paul Virílio, com formação base em arquitetura, define a sociedade da informação como perigosa, já que a informática nos leva à perda da noção da realidade ao proporcionar uma quantidade gigantesca de dados. É sobre a relação entre a realidade e a imagem que dela nos é transmitida que se travam hoje os combates da informação, desinformação, manipulação que nos são apresentados pelos meios de comunicação, que pretendem camuflar a sua qualidade de armas, atrás de um colete com a palavra PRESS, de uma direção editorial, ou de pastores com a pele de comentadores .

Para Zizek, com formação em sociologia, professor nas universidades de Lubiana e de Londres, o “real” é um termo que corresponde a um conceito enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo que não pode ser simbolizado, isto é, expresso com palavras ou com imagens. Só existe como abstrato. Para Žižek, a realidade tem a estrutura de uma ficção. Ou seja, acaba sendo apenas uma espécie de interpretação da “coisa em si”. Há quem não se limite a interpretá-la, mas a fabrique.

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09/06/2022 | Geopolítica, com Pepe Escobar: que “civilização” querem nos impor?

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o correspondente internacional Pepe Escobar sobre os fatos mais importantes da conjuntura internacional.

0:00 Boas vindas

1:30 Grande mídia já usa a expressão império do caos

10:00 Brasil está sofrendo terapia de choque neoliberal, como fizeram com a Rússia nos anos 90

16:00 O Brasil e o Sul Global estão sendo destroçados. O capitalismo financeiro e a espoliação das riquezas naturais são insustentáveis. A equação é novamente socialismo ou barbárie

19:00 O desespero das elites só aumenta

23:00 Newton, Locke e Adam Smith configuram o nosso mundo ocidental. Este mundo pressupõe dominação

30:00 China e Rússia estão quebrando a hegemonia americana. O que conta não é o consumo, é a produção. Se você produz, você é senhor do seu destino

34:00 O darwinismo social é a consequência do neoliberalismo

38:00 BRICS terão novos atores do Sul Global

39:00 Revoluções coloridas substituíram golpes de estado

45:00 Não um consenso em Washington sobre como conduzir esta guerra

48:00 Os Estados Unidos são um instrumento, um meio para um fim

51:00 Os ucranianos já perderam a guerra e só falta levantar a bandeira branca

55:00 O estágio 3 da Operação Z será chegar a Odessa, o que significa o Mar Negro inteiro

59:00 A questão é quem vai pagar o pato

1:06:00 Crise alimentar é derivação das sanções contra a Rússia

1:10:00 Verdes tentaram colocar Merkel como bode expiatório. Indústria alemã está sendo destruída. França e Alemanha estão em desespero

1:23:00 Financeirização provocará miséria generalizada no Sul Global

1:29:00 Haverá novas tentativas de desestabilização e golpe na América Latina. Mas Rússia e China vão disputar a América Latina no longo prazo

1:38:00 China aspira chegar a um socialismo real

1:43:00 Os chineses querem construir o império da harmonia

1:51:00 Orban é um dos poucos que enxerga o big picture

1:55:00 Lula é uma marca global e tudo o que ele falar será importante. Nosso salto será enorme. Mas até que ponto vai sua margem de manobra?

Exércitos da União Europeia? Para quê? | por Carlos Matos Gomes

A guerra na Ucrânia demonstrou que a União Europeia não tem interesses estratégicos próprios a nível global, que é um anexo dos EUA! Sendo assim para que servem os seus exércitos? Como forças auxiliares? Como forças de segurança interna? Guardas fronteiriços na nova cortina de ferro, a Leste e nas velhas, no Médio Oriente e Magreb? E qual a posição de Portugal?

Antes de alguém, ou de alguma entidade se lançar numa empresa é (devia ser) obrigatório definir os seus objetivos, o que pretende e depois reunir os meios para os atingir. A União Europeia não tem objetivos definidos enquanto ator político mundial, para quê os meios, ou mais meios?

Se a União Europeia tinha, ou teve pretensões a ser uma grande potência, com uma estratégia própria, global, deveria ter-se dotado de uma capacidade militar credível (já sabemos que não quer ser e que a NATO — os EUA — não deixa). Para ser uma grande potência teria de dispor de um arsenal nuclear credível, com lançadores terrestres, aéreos, navais e espaciais. Onde os iria colocar? Ao lado dos americanos? Seguiria o caminho de De Gaulle construir uma force de frappe nuclear e apontada a todas as direções? Está fora de questão nos dias de hoje, de submissão.

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O conflito NATO - UE | por Carlos Matos Gomes

Voltando aos primórdios da união de facto, ou do casamento forçado entre a NATO e a UE.

As causas longínquas do que, com a guerra da Ucrânia, se veio a revelar um inultrapassável conflito, com um vencedor e um vencido, os EUA vitoriosos e a União Europeia destroçada (apesar de se agitar), encontram-se na entrada dos EUA na II Guerra Mundial

Os Estados Unidos entraram na II GM e intervieram na Europa não por motivos ideológicos (defesa da democracia, ou dos direitos do homem, ou de uma civilização), mas por motivos de interesse estratégico, de substituição da Europa (a Inglaterra) como centro do mundo. Esse estatuto de potência imperial implicava, à semelhança da Inglaterra imperial e colonial (sua antecessora), dispor de supremacia marítima e aérea, de dominar o sistema de trocas comerciais e o financeiro, de, em suma, substituir a Royal Navy pela US Navy (mais a USAF), substituir a libra pelo dólar, a City por Wall Street. A língua inglesa manter-se-ia o latim do novo império.

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GUERRA DA UCRÂNIA / ANÁLISE | por Guy Mettan

* Guy Mettan é cientista político e jornalista. Iniciou sua carreira jornalística no Tribune de Genève em 1980 e foi seu diretor e editor-chefe em 1992-1998. De 1997 a 2020, foi diretor do “Club Suisse de la Presse” em Genebra. Atualmente é jornalista e escritor freelancer.” | (via Joaquim Matos)

No momento em que se começa a vislumbrar uma possível solução para o conflito na Ucrânia (neutralidade e desmilitarização parcial do país, entrega do Donbass e da Crimeia), os antecedentes do conflito começam a ser melhor compreendidos.

No entanto, não se espera que aconteça um rápido cessar-fogo: os americanos e os ucranianos ainda não perderam o suficiente e os russos ainda não ganharam o suficiente para cessar as hostilidades.

Mas antes de ir mais longe, gostaria de convidar aqueles que não partilham da minha visão realista das relações internacionais a não seguirem em frente na leitura. O que se seguirá não lhes agradará e evitarão o azedume estomacal e o tempo desperdiçado a denegrir-me.

Com efeito, penso que a moralidade é um péssimo conselheiro em geopolítica, mas que se impõe em matéria humana: o realismo mais intransigente não nos impede de actuar, incluindo no tempo e no dinheiro como eu, para aliviar o destino das populações testadas pelos combates.

As análises dos peritos mais qualificados (em particular dos americanos John Mearsheimer e Noam Chomsky), as investigações de jornalistas como Glenn Greenwald e Max Blumenthal, e documentos apreendidos pelos russos – a intercepção de comunicações do exército ucraniano a 22 de janeiro e um plano de ataque apreendido num computador abandonado por um oficial britânico – mostram que esta guerra foi inevitável e muito improvisada.

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DA ESTABILIDADE DO REGIME NA RÚSSIA EM TEMPO DE GUERRA | Gordon M. Hahn*

*About the Author – Gordon M. Hahn, Ph.D., is an Expert Analyst at Corr Analytics, http://www.canalyt.com and a Senior Researcher at the Center for Terrorism and Intelligence Studies (CETIS), Akribis Group, www.cetisresearch.org.

Websites: Russian and Eurasian Politics, gordonhahn.com and gordonhahn.academia.edu

O russo-ucraniano é obrigado a colocar pressão política na solidariedade interna do regime russo, bem como na solidariedade estado-sociedade, mas apenas a longo prazo e apenas em condições de fracasso na guerra.

A cultura política russa valoriza muito a solidariedade política nacional do país, e qualquer declínio na solidariedade provavelmente será uma perspectiva de longo prazo, mesmo em tempos de guerra, dada a extensão em que o presidente russo Vladimir Putin conseguiu restaurar a cultura tradicional da Rússia induzida pelo autoritarismo, após as divisões ocorridas durante o colapso soviético e que se estenderam por toda a década de 1990.

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“O que o Ocidente vê como ‘universal’, o não-Ocidente vê como ‘Ocidental’.” Penso que este ponto é o calcanhar de Aquiles da estratégia de Biden | Shigesaburo Okumura Editor-chefe, Nikkei Asia

A nossa Grande História desta semana centra-se no Quad, o agrupamento dos EUA, Japão, Austrália e Índia, e a provável defesa de Taiwan no futuro dos avanços da China. O nosso correspondente diplomático Ken Moriyasu salienta que, do ponto de vista norte-americano, o envolvimento da Índia é de extrema importância para conter a China e que a visita do Presidente norte-americano Joe Biden a Tóquio foi bem sucedida nesse sentido.
 
Pessoalmente, estou impressionado com uma citação do livro do cientista político Samuel Huntington “O Choque das Civilizações e a Reprodução da Ordem Mundial”, em que escreve: “O que o Ocidente vê como ‘universal’, o não-Ocidente vê como ‘Ocidental’.” Penso que este ponto é o calcanhar de Aquiles da estratégia de Biden.
 
Concordo com a opinião de Bilahari Kausikan, antigo secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Singapura. Ele diz: “Nem todos os países desta região acham todos os aspetos da democracia ocidental universalmente atraentes, nem acha todos os aspetos do autoritarismo chinês universalmente abomináveis.” Como Bilahari observou: “O mundo é um lugar muito mais complexo.”

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COMO SE SAIRIA A NATO EM CONFRONTO DIRETO COM A RÚSSIA? | por Robert Hunter /American Thinker

Em 24 de fevereiro, o presidente Vladimir Putin da Rússia ordenou a invasão da Ucrânia. As forças russas atacaram em várias frentes, apenas para encontrar resistência feroz. Em resposta, o exército russo mudou de marcha. Agora está avançando lenta e metodicamente, executando uma guerra de atrito contra o exército ucraniano. As perspectivas para a Ucrânia são sombrias. A Rússia parece certa de alcançar a vitória, embora com pesadas perdas e danos maciços à infraestrutura e à população da Ucrânia.

Enquanto isso, o Ocidente não ficou ocioso. A Rússia é agora o país mais sancionado do mundo. Tropas ucranianas estão treinando nas instalações da OTAN na Alemanha. Os Estados Unidos transmitem regularmente informações aos militares ucranianos. Há rumores persistentes de conselheiros da OTAN operando com tropas ucranianas em combate. O governo Biden também forneceu bilhões de dólares em assistência militar, culminando em um pacote de ajuda de US$ 40 bilhões.

Mesmo assim, é improvável que o apoio da OTAN impeça uma vitória russa.

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A Falácia dos 2% para a Defesa  | por Carlos Matos Gomes

Quando um dirigente político apresenta a necessidade de aumentar as despesas militares para os 2% do PIB está a considerar-nos implicitamente 98% estúpidos por acreditamos nele. 

Os Estados Unidos, o secretário-geral da NATO e os ministros da Defesa da NATO têm estado a apresentar como necessidade essencial de defesa dos países da Aliança contra a ameaça russa um valor mínimo de 2% do PIB de cada Estado para despesas ditas com a defesa.  

É uma falácia – O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega.  

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A guerra mundial do Pão e o tempo da guerra do gelo | Joffre Antonio Justino

“A guerra mundial do pão já está em marcha e temos de a parar. Arriscamo-nos a ter instabilidade política em África, a haver proliferação de organizações terroristas, a ter golpes de Estado. É isto que pode produzir a crise dos cereais que estamos a viver”, Luigi de Maio, ministro de Negócios Estrangeiros de Itália

Trata-se de uma pura matéria de propaganda usada por russos e ucranianos uns porque invadiram a Ucrânia quando deveriam ter-se quedado por Donetz e Lugansk para proteger essas repúblicas e os outros por terem criado esta guerra desde 2014 e Odessa, de novo irá entrar para a História com um ato de genocidio nazi desde 02.05.2014 que irá entrar na História ( espero que com filme da qualidade equivalente ao de Eisenstein, o Couraçado de Potemkine) do longo prazo como a data de início desta guerra, local, globalizada por via da venda de armamento e de mercenários na realidade para ambas as partes dando uma má razão para o termo antigo e ecológico – Glocal !

Mas não,não estamos a viver a guerra mundial do pão, e não os afetados não são somente os Africanos, estamos a ver uma guerra mundial, do pão ou não, ela afeta uma parcela importante do mundo diretamente, no campo de uma parte da elite dominante a norte europeia e no restante indiretamente via o aumento do custo de armamento, a degradação ambiental regional, abrangendo 3/5 países, com os mares locais pejados de minas, espaços urbanos destruídos em 3 países de forma brutal e em dois de baixo perfil!

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A Rússia está vencendo a guerra econômica, e Putin não está mais perto de retirar tropas | Larry Elliott, Editor de economia do The Guardian

Os efeitos perversos das sanções significam custos crescentes de combustível e alimentos para o resto do mundo – e crescem os temores de uma catástrofe humanitária. Mais cedo ou mais tarde, terá de se chegar a um acordo.

Já se passaram três meses desde que o Ocidente lançou sua guerra económica contra a Rússia, e não está indo conforme o planeado. Pelo contrário, as coisas estão indo muito mal.

As sanções foram impostas a Vladimir Putin não porque fossem consideradas a melhor opção, mas porque eram melhores do que os outros dois cursos de ação disponíveis: não fazer nada ou se envolver militarmente.

O primeiro conjunto de medidas económicas foi introduzido imediatamente após a invasão, quando se supôs que a Ucrânia capitularia em poucos dias. Isso não aconteceu, com o resultado de que as sanções – ainda incompletas – foram gradualmente intensificadas.

Não há, no entanto, nenhum sinal imediato de que a Rússia saia da Ucrânia e isso não é surpreendente, porque as sanções tiveram o efeito perverso de aumentar o custo das exportações de petróleo e gás da Rússia, aumentando massivamente sua balança comercial e financiando seu esforço de guerra.

Nos primeiros quatro meses de 2022, Putin pode ostentar um superávit em conta corrente de US$ 96 bilhões (£ 76 bilhões) – mais que o triplo do valor do mesmo período de 2021.

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UMA NOVA CORTINA DE FERRO FOI ERGUIDA [PELO OCIDENTE] | por Alain de Benoist

Alain de Benoist, filósofo francês que é um dos fundadores da Nova Direita. Editorial da revista “Éléments” sobre a guerra na Ucrânia – (via Alfredo Barroso).

É evidente que não se pode dizer que «não se faz a guerra contra a Rússia» e, ao mesmo tempo, decretar contra a Rússia sanções com uma dimensão sem precedentes, e promover publicamente uma «guerra económica e financeira total à Rússia» (declaração do ministro das finanças da França, Bruno Le Maire), e fornecer armas aos Ucranianos.

Os Europeus aceitaram docilmente decretar contra a Rússia sanções de que serão eles as primeiras vítimas, de tal modo são contrárias aos seus próprios interesses, designadamente os energéticos e industriais (a Rússia é mais auto-suficiente do que a Europa).

Por outro lado, ao aceitarem fornecer à Ucrânia armas pesadas e aviões, não com a intenção de restabelecer a paz mas com o objectivo de prolongar a guerra, os países ocidentais assumiram o gravíssimo risco de serem considerados como cobeligerantes.

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Sanções à Rússia ou “fogo amigo”? | por Viriato Soromenho Marques | in Opinião/ DN

Não é preciso ser praticante de artes marciais orientais para compreender que num combate temos de ser capazes, não apenas de antecipar os golpes do adversário, mas também de evitar que a desmesura da nossa resposta possa favorecer o nosso oponente. A questão da análise das sanções energéticas à Rússia carece, claramente, de uma avaliação de risco.

Desde pelo menos 2007, quando a Comissão Europeia (CE) lançou a sua estratégia de Energia e Clima, que o tema da dependência europeia da Rússia em combustíveis fósseis (carvão, crude e gás natural) era objeto de ponderação crítica.

Países como a Alemanha foram frequentemente alertados para o perverso efeito retardador que essa dependência implicava para uma descarbonização mais rápida, assim como para o risco de uma eventual rutura de abastecimento poder ser usada como chantagem política pelo Kremlin.

Hoje, a situação inverteu-se. Com a invasão russa da Ucrânia é a UE que pretende cortar amarras com os fornecimentos russos, de modo a enfraquecer financeiramente o esforço de guerra de Moscovo.

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UCRÂNIA | por Andrew Latham* – The Hill

Em um ponto do romance “Sign of the Four”, o inimitável detetive de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, explica e demonstra ao Dr. Watson seu método de observação e dedução.

Confrontado com uma circunstância aparentemente inexplicável, o Dr. Watson fica totalmente perplexo. Ele simplesmente não consegue entender como o evento em questão aconteceu, dados os fatos como ele os entende e as leis da natureza. Um pouco irritado com a perplexidade de seu companheiro, Holmes mais uma vez compartilha com ele a chave metodológica para resolver todos esses mistérios: “Quando você elimina o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade”.

E a verdade é que, uma vez eliminados todos os cenários impossíveis, o resultado menos improvável da guerra na Ucrânia é uma vitória russa.

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Zelensky diz que Rússia controla “20%” da Ucrânia. Imaginemos que 5% (desta área) em edifícios, foram destruídos. Total: 20%x5%=1%

NOTA: É lamentável ter acontecido. Esta intervenção militar jamais deveria ter sido realizada. Teria havido tempo antes de começar para conversarem e chegarem a um acordo. Alguém “empurrou” para esta situação. E pelos vistos, esse alguém, está a tentar prolongar o conflito para – e cito – enfraquecer a capacidade militar da Russia. Outro erro. Lembra-se o acordo assinado por Yeltsin e Bill Clinton em 1997. Continuamos a pensar que De Gaulle e outros tinham razão – EUROPA DO ATLÂNTICO AOS URAIS. Talvez ainda se vá a tempo se houver humildade pelos que de facto e na realidade comandam as decisões estratégicas, quer dum lado do Atlântico a oeste, quer do outro, a leste.

EXTINÇÃO do Acto Fundador Otan-Rússia, assinado em 27 de maio de 1997

Pourquoi la guerre en Ukraine éclipse les conflits en Afrique | Sandrine Blanchard

La guerre en Ukraine occupe une place prépondérante dans les médias internationaux. Au détriment d’autres conflits, pourtant parfois plus longs, sur le continent africain.

Le 3 juin 2022, cela fera 100 jours que la Russie a commencé à envahir l’Ukraine. Ce conflit a des répercussions économiques dans le monde entier et il accapare l’attention de la plupart des médias. Pourtant, la guerre en Ukraine est loin d’être la seule qui fait rage actuellement… en Afrique, par exemple, une dizaine de conflits, plus discrets sur le plan médiatique, font des victimes chaque jour depuis parfois des décennies.

Sandrine Blanchard a donc demandé à Tom Peyre-Costa, référent pour l’Afrique centrale et de l’ouest au Conseil norvégien pour les réfugiés pourquoi la guerre en Ukraine avait tendance à éclipser les conflits du continent africain.

Des blessés, des morts, des populations déplacées, des familles déchirées, des viols et autres crimes… c’est la réalité de la guerre où qu’elle ait lieu.

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Presidente executivo do JP Morgan avisa investidores para “furacão” que se aproxima

O banqueiro afirmou que “há demasiada liquidez no sistema” monetário que deve ser reduzida e que a Fed e os bancos centrais em geral têm que a baixar para travar a especulação

O presidente executivo do maior banco dos EUA, o JP Morgan Chase, disse esta quarta-feira que os investidores devem estar preparados para “um furacão”, que se aproxima devido à política monetária restritiva e à invasão russa da Ucrânia.

“Este furacão que está aqui e agora e aproxima-se de nós (…). Não sabemos como vai ser, pelo que é melhor que nos preparemos”, disse Jamie Dimon, durante uma conferência para investidores, organizada hoje pela Alliance Bernstein Holdings.

“No JP Morgan já nos estamos a preparar e vamos ser muito conservadores com os nossos balanços financeiros”, adiantou Dimon, que situou as suas principais preocupações na inflação e nas respostas da Reserva Federal (Fed) para a combater.

A inflação no EUA, em níveis desconhecidos desde há quatro décadas, levou a Fed a decidir desde o início do ano duas subidas consecutivas da taxa de juro de referência, que já está no intervalo entre 0,75% e um por cento.

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Comissão Europeia aprova PRR da Polónia, mas com contrapartidas | via @RenewEurope

A Comissão Europeia fez hoje [quarta-feira, 1 de junho] uma avaliação positiva do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia“, adianta a entidade liderada por Ursula Von der Leyen, em comunicado, sinalizando que em causa estão “23,9 mil milhões de euros em subvenções e 11,5 mil milhões de euros em empréstimos ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência”.A Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia, no valor de cerca de 36 mil milhões de euros, mas com condicionantes. Bruxelas avisa que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer as reformas ao sistema judicial pedidas pela União Europeia para estar em conformidade com os padrões europeus do Estado de Direito.

Contudo, Bruxelas sinaliza que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer reformas no sistema judicial, que são fundamentais “para melhorar o clima de investimento e criar as condições para uma implementação efetiva do plano de recuperação e resiliência”. “A Polónia precisa de demonstrar que essas metas são cumpridas antes que qualquer desembolso possa ser feito”, acrescenta a Comissão Europeia.

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A UE deve esquecer as sanções – eles estão fazendo mais mal do que bem | por Simon Jenkis

Simon Jenkins | Longe de obrigar a Rússia a sair da Ucrânia, eles estão causando grande sofrimento em todo o mundo à medida que os preços de alimentos e energia sobem.


Seis Milhões de famílias na Grã-Bretanha enfrentam a possibilidade de apagões matutinos e noturnos neste inverno para manter as sanções contra a Rússia, assim como os consumidores em toda a Europa. Isso apesar de a Europa ter investido cerca de US$ 1 bilhão por dia na Rússia para pagar o gás e o petróleo que continua a consumir. Isso parece loucura. As propostas da UE para suspender os pagamentos estão compreensivelmente opostas por países próximos à Rússia e fortemente dependentes de seus combustíveis fósseis; A Alemanha compra 12% de seu petróleo e 35% de seu gás da Rússia, números muito maiores na Hungria.

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Noam Chomsky ao Expresso: “Dizer ‘vamos continuar a guerra’ é dizer ‘vamos destruir o mundo, porque queremos fingir que temos princípios'”

Afinal quem representa o maior perigo: a Rússia, a China ou os Estados Unidos? Nesta entrevista ao Expresso centrada na guerra na Ucrânia, o filósofo norte-americano Noam Chomsky garante que a propaganda russa é uma “piada”, que a “ameaça chinesa” é o facto de a China “existir” e que o Estado mais beligerante e que comete as maiores “atrocidades” é mesmo aquele onde nasceu, os EUA. “Somos mais totalitários do que a União Soviética, mas isso é considerado ‘democracia’ e alto padrão de ‘moralidade'”, sublinha.

Hanôver — a cerimónia da despedida | por Carlos Matos Gomes

Wrap up — as reuniões (os meetings) da Europa terminam habitualmente com uma cerimónia de despedida — uns copos, umas tapas e umas palavras de circunstância — que se designa wrap up.

António Costa vai à Hannover Messe a maior feira de tecnologia industrial do mundo, em que que Portugal será, pela primeira vez, país parceiro. Não é difícil ser suficientemente realista para considerar que vai a uma wrap up pelo papel que a Alemanha desempenhou na Europa e no mundo após o final da Segunda Guerra.

A Feira de Hanôver realiza-se desde o fim da II Guerra Mundial e a sua importância acompanhou o papel da Alemanha como locomotiva europeia e grande potência industrial. Este papel deve-se a condições de organização interna da Alemanha (RFA e depois unificada), à opção pela indústria pesada e pelos produtos de alto valor acrescentado, mas também à sua localização geográfica, no centro da Europa, fazendo de placa giratória entre a Europa Ocidental e a Oriental.

A Europa do pós-guerra assentou numa parceria franco-alemã. Em que, de forma muito simples, a Alemanha fazia de formiga e a França de cigarra. Após o fim da Guerra Fria a Alemanha também tomou os novos países “democráticos” do Leste a seu cargo, em particular a Polónia. Em parte o sucesso e o vigor da Alemanha deve-se a uma relação de mútuas vantagens com a Rússia, que fornecia a energia para a Alemanha a baixo custo e também matérias-primas essenciais, materiais ferrosos e cereais. A Alemanha é (era) o maior parceiro da UE com a Rússia (o maior investidor), a Rússia fornecia 41% do gás e 34% do petróleo. O novo gasoduto Nordstream permitiria a Alemanha importar gás da Rússia sem passar pela Ucrânia, nem pela Polónia, nem pelos Estados Bálticos (curiosamente os mais agressivos contra a Rússia).

A guerra da Ucrânia destruiu esta estratégia alemã e russa de criar um novo espaço económico e político no centro da Europa, entre a China e os Estados Unidos. Só motivos exteriores muito fortes podem justificar a intervenção — a invasão — da Rússia na Ucrânia e a morte no ovo desta nova entidade. Esta guerra só aproveita aos Estados Unidos e, por tabela, à China. Cherchez la femme.

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Jean-Luc Godard commente l’intervention de Zelensky à Cannes | par Silvia Cattori

par Silvia Cattori.

Être ukrainien ne devrait pas autoriser la négation de la culture russe. Nous avons été choqués par l’intolérance sectaire des représentants du cinéma ukrainien exigeant l’exclusion de toute personnalité russe du festival de Cannes et s’opposant à la présence du réalisateur russe Kirill Serebrennikov en compétition. 

Seul le coup de gueule de Jean-Luc Godard s’est élevé face à ces vents mauvais :

« L’intervention de Zelensky au festival cannois va de soi si vous regardez ça sous l’angle de ce qu’on appelle « la mise en scène » : un mauvais acteur, un comédien professionnel, sous l’œil d’autres professionnels de leurs propres professions.

Je crois que j’avais dû dire quelque chose dans ce sens il y a longtemps. Il aura donc fallu la mise en scène d’une énième guerre mondiale et la menace d’une autre catastrophe pour qu’on sache que Cannes est un outil de propagande comme un autre. Ils propagent l’esthétique occidentale, quoi…

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Henry Kissinger at Davos: Ukraine must give Russia territory in the push for peace

24/05/2022

‘I think we need a neutral Ukraine. Not one that is too much of a Russian or Western satellite.’ Freddy Gray discusses Henry Kissinger saying Ukraine must push for peace even at the cost of territorial compromise while attending the World Economic Forum meeting in Davos.