DIA MUNDIAL DA VOZ | Vítor Serrão

Porque hoje se assinala o dia em que se celebra a importância da voz e se avisa para os cuidados preventivos que ela impõe, recorro a um belíssimo quadro de Diego Velázquez, de 1619, exposto na Gemaldegalerie de Berlim.

O pintor, ainda à data estante em Sevilha mas já conhecedor das novas tendências caravagescas, desenvolve nesta tela precoce o apreciado «gosto costumbrista», próprio da pintura flamenga de género, mas visto à luz do novo naturalismo tenebrista que desde Itália se impunha.

Três músicos populares, de forte tónus realista, reunem-se em torno de uma mesa onde há pão, queijo e vinho, e cantam e tocam o seus instrumentos, confraternizando com os nossos olhares contemporâneos. E que vivam a música, a palavra e a voz, sempre !

Retirado do Facebook | Mural de Vitor Serrão | Quadro de Diego Velásquez

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez. | PAULO QUERIDO

Certamente! Qui, 15 abril 2021: Pois mas Isaltino não tinha um apartamento de luxo em Paris.

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez.

Desagrada-me em José Sócrates a atitude face ao Partido Socialista. As instituições são maiores que as pessoas. Todas as pessoas. Isto inclui fundadores históricos e grandes conquistadores (e criminosos, acumulem ou não com outras definições). Sócrates tem todos os direitos, incluindo o de criticar o seu antigo partido. Criticar não me desagrada. Desagrada-me o modo como o faz: pessoalizando o assunto. Como se ele fosse credor e o partido devedor. Não: o partido não o serve. Ele serviu o partido. Ele, above all people, devia saber o que é um partido político e quais as regras implícitas da vida política.

Para abordar o assunto Sócrates é comum ver declarações iniciais de auto-crítica. O típico “eu até votei nele mas”. Compreende-se, embora seja errado. E corrigir este erro é um dever de cidadania. Vivemos uma época intensa em que cada palavra é um punhal ou um carinho. Por exemplo: eu regressei ao voto no PS por causa de José Sócrates. Mas fui eleitor do PS, não de José Sócrates. A distinção é importante não por qualquer tipo de demarcação — estive em comícios, ouvi Sócrates e outros socialistas, gostei das propostas e achei que ele tinha a visão e a paixão necessárias para conduzir o país e não me arrependo de ter votado nem me envergonho desse momento nem do Sócrates dessa época — mas para ficar claro o ponto principal: em eleições legislativas, votamos em programas de ação e seus executores embainhados por partidos.

José Sócrates é um cadáver político que insiste em circular como se estivesse vivo. É um passivo tóxico desprovido de auto-consciência. Fernando Medina (para minha surpresa) disse o que havia para dizer para o despertar para a dura realidade. Sócrates preferiu continuar no sono a sonhar que tem capital político. Se realmente se vê como um Lula, como decorre de comportamentos e afirmações públicas, é lamentável. Não falo da matéria processual. Comparo somente as figuras políticas. Se tivéssemos uma escala de lulismo de 0 a 10, Sócrates não passava de um 2, correspondente às doses de carisma e importância histórica. E mesmo sobre Lula há dúvidas quanto à sua importância política atual e futura. Sobre Sócrates há a certeza de que passou a capital negativo.

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A justiça das multidões | Carlos Matos Gomes

A justiça das multidões. Baudelaire está a ser celebrado a propósito dos 200 anos do seu nascimento e como o poeta maldito que modernizou a poesia, com o célebre “As Flores do Mal”. É apresentado como um exemplo do conflito entre o comportamento do individuo, mesmo que marginal (como era o seu caso) e a multidão, que teve lugar no período revolucionário em França e de que vivemos hoje aqui em Portugal uma réplica à nossa escala.

Baudelaire utilizou expressões “goût de la vengeance” (gosto da vingança) e do “plaisir naturel de la demolition” (prazer natural da destruição), para classificar as atitudes das multidões.

Podemos utilizá-las hoje a propósito da multidão mediática. Há, segundo as notícias, mais de 150 mil peticionários disponíveis para um lugar de participantes num auto de fé, ou a uma execução com a guilhotina numa praça pública.

O historiador inglês Georges Rudé, em “A multidão na história”, cita as formas de tratamento da multidão de Gustave Le Bon, o criador da moderna psicologia de massas, como: “irracional, instável e destrutiva, intelectualmente inferior aos seus componentes, primitiva, ou com tendência a reverter a uma condição animal”. Le Bon admite também que as pessoas de instintos destrutivos tendem a sentir-se atraídos pela multidão.

Esta antiga qualificação das multidões pode aplicar-se aos movimentos populistas, justicialistas, que medram hoje em oposição a comportamentos geralmente classificados pela trilogia: humano/normal/racional.  Já recebi propostas para integrar esta nova multidão vindas pessoas que julgava normais!

Voltando a Baudelaire, em “Les Veuves”, o poeta que foi acusado de ausência de “mens sana”, de loucura, descreveu o que hoje vivemos, afirmando que multidões refletem “a alegria do rico no fundo dos olhos do pobre”.

 Isto é, há sempre um rico, um pastor, a promover a irracionalidade das multidões e estas não partem à desfilada espontaneamente. As flores do mal crescem e confundem-se com as de um jardim.

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

O que é insuportável em José Sócrates Luís Osório

1. O problema já nem são os processos, a inocência processual ou a culpa redentora para o sistema judiciário. O problema já não é o escandaloso arrastar do caso, as notícias e contra notícias, a quantidade de cofres, as explicações, as fugas de informação, os debates, as intermináveis discussões sobre Ministério Público, juízes, comunicação social. O problema já não é saber o que vai acontecer a seguir. Se o juiz Ivo Rosa é sério ou se está a soldo dos poderosos (seja isso o que for), se a mãe do ex-primeiro-ministro tinha uma herança, se guardava o dinheiro vivo ou se estava morto no banco, se a ex-mulher do ex-primeiro-ministro, mais o amigo milionário, mais Ricardo Salgado e o tipo do negócio do sangue e todos os personagens desta novela, têm ou não provas suficientes contra si.

2. O problema é todo este esgoto. Esta imundície moral. Este despudor. Não me interessa se José Sócrates é culpado ou inocente, o problema é que foi primeiro-ministro e teve o meu voto nas eleições em que teve maioria absoluta, o meu e o de milhões de portugueses. E voltou a ter o voto de milhares e milhares nas eleições seguintes (aí já não o meu).

3. O problema é que este senhor nos enganou. O problema é que tinha uma vida desbragada, uma vida de luxúria com dinheiro que ia buscar aqui e ali quando, no exercício das suas funções, pedia sacrifícios aos portugueses. O problema é todo o circo que montou. O poder que acumulou fazendo o que fosse preciso. O problema é tudo o que ouvimos dizer através da sua defesa, dos argumentos que utiliza, da vida que tinha, dos amigos que tinha, do dinheiro que circulava sem pudor, do modo como tratou a função de primeiro-ministro, da falta de dignidade que emprestou à sua função com a vida que decidiu ter.

4. Não, o problema não é o que o pode condenar. As alegações de corrupção prescrita ou não, os indícios ou a falta deles, os testas de ferro, as seis mil páginas do processo, o branqueamento de capitais ou as falsificações e a fraude fiscal.

Dou isso de barato.

O problema, o que verdadeiramente é insuportável, é o cheiro que isto tem a lama que nos foi atirada à cara por um homem em quem o país confiou e ofereceu uma maioria absoluta. Isso é simplesmente imperdoável.   

LO

Retirado do facebook | Mural de Luís Osório

FAZER PELA VIDA | Tiago Salazar

FAZER PELA VIDA I Abstenhamo-nos por instantes de julgar o juiz Rosa, os labregos, o tio Ricardo, o José.

Pensemos nisto: tenham ou não arrebanhado uns milhões, e porfiado no arrebanho de formas mais ou menos ínvias, todos os visados, esses malditos corruptos e corruptores, procuraram a sua felicidade e dos familiares e amigos.

Isto é digno de atenção.

Se um amigo nos acenasse com um milhãozito para lhe fazermos um obséquio digam lá que não hesitavam?!

Estamos furiosos porque isto é um regabofe, como se sentíssemos que o José e seus comparsas tivessem sido apanhados a lamber o nosso pote de mel.

Cambada de ursos gulosos é o que é.

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

SOFAGATE | A IMORAL MORALIDADE DA EUROPA | Paulo Sande

NÃO

Não aceitamos que o passado esclavagista da Europa, cujos epígonos são sobretudo portugueses, britânicos, espanhóis, franceses, permaneça vivo nos livros de História (e até nas histórias sussurradas de geração em geração). Em nome da moralidade e dos princípios, não o podemos aceitar, ainda que tenha sido essa mesma Europa a proclamar a imoralidade da escravatura e a decretar “urbi et orbi” a sua abolição.

MAS SIM

Toleramos o passado esclavagista de outros continentes, países e regiões, onde ainda hoje milhões de seres humanos vivem em condições que, quando não são de escravatura, são-no da mais abjeta servitude.

NÃO

Não aceitamos que as mulheres, a outra metade da Humanidade, sejam tratadas como seres de segunda categoria, sexualizadas para além da decência (um prolongamento da moral feita ética), maltratadas e abusadas. “Me too” e outros movimentos, todos de origem ocidental, o que é quase o mesmo que dizer europeia, decretaram respeito, consensualidade, tratamento igualitário. E se há abusos e excessos, o princípio é sagrado – homens e mulheres, iguais perante Deus, a sociedade, a lei.

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Paulo Querido | Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal?

Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal? A questão é suscitada a partir da observação repetida de títulos e artigos de sites de informação e da discussão que já tem algum lastro no “meu” Facebook. A resposta simples é fácil de dar: nos últimos 12 anos foram criados seis partidos em Portugal e três deles são clara, inequivoca e declaradamente de direita, medida em que é correto afirmar que há “novos partidos de direita”, que em linguagem descuidada pode redundar em “nova direita”.

Uma bosta semiótica, portanto. Um partido novo não tem necessariamente propostas novas, que é o sentido procurado com profissionalismo pelos sites de informação. O que me leva à resposta complexa — que contudo tem uma formulação muito simples que preenche a dúvida: não. Não, não há.

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Contribuição temporária para a crise VÍTOR GASPAR

(…) os Estados podem criar uma contribuição temporária sobre os rendimentos mais elevados para pagar o elevado custo da crise pandémica.

Em Portugal, este tema causou polémica após ter sido sugerido pela economista Susana Peralta, mas o Governo tem recusado essa hipótese.

“Para ajudar a dar resposta às necessidades relacionadas com a pandemia, uma contribuição temporária para a recuperação da Covid-19 imposta aos rendimentos elevados é uma opção“, escreve Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças português e diretor do departamento dos Assuntos Orçamentais do FMI.

A receita orçamental de Vítor Gaspar para o pós-pandemia

As recomendações de Vítor Gaspar no Fiscal Monitor não se ficam pela política fiscal, traçando toda uma política orçamental para o pós-pandemia. Para o economista, os políticos têm de encontrar um equilíbrio entre apoiar a economia através da política orçamental e, ao mesmo tempo, manter a dívida num nível gerível. Dentro desta recomendação geral, Gaspar escreve que “alguns países”, onde potencialmente se pode incluir Portugal, terão de começar a “reconstruir amortecedores orçamentais” para diminuir o impacto de choques futuros.

https://www.msn.com/pt-pt/financas/noticias/taxar-quem-ganha-mais-%C3%A9-op%C3%A7%C3%A3o-para-pagar-a-crise-pand%C3%A9mica-diz-v%C3%ADtor-gaspar/ar-BB1fohvb?ocid=msedgntp

Há 2021 anos | Paulo Mendes

Há 2021 anos, um judeu marxista foi torturado e cruxificado por uma potência imperialista por causa da uma mensagem revolucionária de igualdade e fraternidade entre os homens. Nos 20 séculos a seguir, esta mensagem foi sistematicamente expurgada do seu teor político de justiça social e igualdade, e vendida aos pobres como uma treta pseudo-espiritual de defesa da resignação para com as injustiças dos poderosos em troca de um reino imaginário após a morte, pela mais antiga, mais pérfida e bem sucedida corporação empresarial da História.

Esta corporação, 20 séculos depois, é gerida por um pequeno e geriátrico grupo de homens brancos que entretanto justificaram a acumulação de riqueza por tiranos, o genocídio de indígenas, o femicídio da inquisição, a escravatura, o holocausto e sujeitaram milhares de crianças a seu cargo aos mais horríveis crimes sexuais causados pelos seus juramentos de celibato forçado, que por sua vez derivam da necessidade que a corporação tem, ainda hoje, de proteger a propriedade acumulada, limitando o direito sucessório dos seus agentes comerciais que vendem a palavra adulterada daquele revolucionário judeu palestiniano.

Feliz Páscoa a todos e vivam os judeus revolucionários e os seus filhos que ainda hoje fazem, sempre que podem, a cabeça em água aos poderosos deste mundo.

Paulo Mendes

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

O comunismo Agostiniano do Espírito Santo | Gabriel Leite Mota | in Jornal Económico

Agostinho da Silva previa que chegaria o tempo da gratuidade da vida, em que as máquinas já produziriam tudo o que o ser humano precisava para viver, tornando-o livre para ser o poema que estava destinado a ser.

Um dos grandes pensadores portugueses do século XX foi Agostinho da Silva.

Nos anos 90 desse século, regressado a Portugal depois de longa estadia no Brasil, onde teve grande impacto académico e público, Agostinho da Silva surpreendeu os portugueses com a sua filosofia na ponta da língua, particularmente durante uma série de entrevistas que deu para a RTP com o título de “Conversas vadias”, em que diferentes entrevistadores iam tentar decifrar e explorar o pensamento do filósofo. Estas entrevistas (disponíveis para visualização na internet) são um testemunho brilhante do seu pensamento, ao mesmo tempo profundo e provocador.

À época, muitos criticavam-no por entenderem que ele se contradizia, por ter o hábito de não ser absolutamente definitivo ou categórico nas suas respostas e, muitas vezes, responder com perguntas às perguntas (aí, o que Agostinho da Silva estava a fazer era, tão-só, querer ser preciso e clarificar o que realmente estava a ser perguntado). Na prática, notou-se nestas entrevistas, muitas vezes, uma décalage de profundidade filosófica entre os perguntadores e o respondente, e a perplexidade dos entrevistadores tinha muito a ver com isso.

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Did Einstein believe in God? | MARCELO GLEISER | com tradução para português e francês

Here’s what Einstein meant when he spoke of cosmic dice and the “secrets of the Ancient One”.

MARCELO GLEISER

  • To celebrate Einstein’s birthday this past Sunday, we examine his take on religion and spirituality.
  • Einstein’s disapproval of quantum physics revealed his discontent with a world without causal harmony at its deepest levels: The famous “God does not play dice.”
  • He embraced a “Spinozan God,” a deity that was one with nature, within all that is, from cosmic dust to humans. Science, to Einstein, was a conduit to reveal at least part of this mysterious connection, whose deeper secrets were to remain elusive.

Given that March 14th is Einstein’s birthday and, in an uncanny coincidence, also Pi Day, I think it’s appropriate that we celebrate it here at 13.8 by revisiting his relationship with religion and spirituality. Much has been written about Einstein and God. Was the great scientist religious? What did he believe in? What was God to Einstein? In what is perhaps his most famous remark involving God, Einstein expressed his dissatisfaction with the randomness in quantum physics: he “God doesn’t play dice” quote. The actual phrasing, from a letter Einstein wrote to his friend and colleague Max Born, dated December 4, 1926, is very revealing of his worldview:

Quantum mechanics is very worthy of regard. But an inner voice tells me that this is not the true Jacob. The theory yields much, but it hardly brings us close to the secrets of the Ancient One. In any case, I am convinced that He does not play dice.

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OPINIÃO | Rui Bebiano

Rui Bebiano: “A forma de impedir o retorno da direita ao poder, com todas as consequências das quais já tivemos um vislumbre na ação calamitosa e deprimente do governo neoliberal de Passos Coelho, passará assim por estabelecer uma estratégia de aproximação entre as diversas forças. No sentido de construir um acordo em condições de superar as debilidades que puseram termo ao anterior e de não se limitar, como aconteceu, a renhidas negociações parlamentares, por vezes com o aspeto de chantagem. Só que, para que tal seja possível, é necessário que todos, sem exceção, criem mecanismos transparentes de compromisso e de mobilização. Nesta fase parece difícil, mas não o fazerem será imperdoável. E também suicidário.”   / /in  A Terceira Noite : https://www.aterceiranoite.org/2021/03/20/as-sondagens-e-o-dever-da-esquerda/

PRECISAMOS MESMO DE UM NOVO AEROPORTO? | RAZÃO E PRECONCEITO | por Viriato Soromenho Marques – DN

«Numa notável crónica, Daniel Deusdado demonstrou de modo fundamentado e convincente a insensatez da insistência em construir na Margem Sul qualquer aeroporto complementar ao da Portela (DN, 07 03 2021). Mesmo antes da pandemia, todo este processo – que agora ainda fica mais desfocado com o ressuscitar da falsa opção entre Montijo e Alcochete – estava à partida programado para dar um resultado favorável, independentemente dos fortíssimos factores contrários: as irregularidades no processo de avaliação ambiental (tanto na vertente da protecção da biodiversidade como dos impactos das alterações climáticas); a falta de objectividade do Ministério do Ambiente; as objecções dos representantes dos pilotos sobre os enormes riscos colocados à segurança de aeronaves e passageiros; uma análise custo-benefício irrealista…

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Mariana Mazzucato | A economista que defende uma mudança radical do capitalismo para o mundo pós-pandemia

Mariana Mazzucato é professora de Economia da Inovação na University College London, no Reino Unido

Mariana Mazzucato é considerada uma das economistas mais influentes dos últimos anos. E existe algo que ela quer ajudar a consertar: a economia global.

“Admirada por Bill Gates, consultada por governos, Mariana Mazzucato é a especialista com quem outras pessoas discutem por sua conta e risco”, escreveu a jornalista Helen Rumbelow no jornal britânico The Times, em um artigo de 2017 intitulado “Não mexa com Mariana Mazzucato, a mais assustadora economista do mundo”.

Para Eshe Nelson, da publicação especializada Quartz, a economista ítalo-americana não é assustadora, mas “franca e direta, a serviço de uma missão que poderia salvar o capitalismo de si mesmo”.

O jornal The New York Times a definiu como “a economista de esquerda com uma nova história sobre o capitalismo”, em 2019. Em maio deste ano, a revista Forbes a incluiu no relatório: “5 economistas que estão redefinindo tudo. Ah, sim, e elas são mulheres”.

“Ela quer fazer com que a economia sirva às pessoas, em vez de focar em sua servidão”, escreveu o colunista Avivah Wittenberg-Cox.

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A propósito dos 100 anos do PCP | O PCP e a independência das colónias | Vítor Dias in O Tempo das Cerejas

Título no «Avante! de Julho de 1961

Contam-me que, num recente debate de âmbito universitário sobre os 100 anos do PCP, um historiador voltou a menorizar o papel do PCP na luta contra a guerra colonial preferindo atribuir uma maior coerência nessa luta a sectores católicos e de extrema-esquerda.

Sobre o assunto, entendo sublinhar o seguinte :

1. Bastaria consultar a imprensa clandestina do PCP, os seus numerosos comunicados e materiais de agitação, as emissões da Rádio Portugal Livre (que teve um enviado à guerrilha do PAIGC na Guiné-Bissau) ou ter em conta as acções da ARA contra o aparelho de guerra colonial para se concluir da completa falta de fundamento da referida menorização.

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RAPIDAMENTE E EM FORÇA | Francisco Seixas da Costa

Se acaso eu fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.Como o haviam sido, desde o século XIX, os republicanos, os combatentes contra a ditadura, os anti-fascistas. Ser colonialista, ser adepto da manutenção do império colonial era um desígnio nacional, patriótico. Os republicanos puseram o país a ferro e indignação porque a “pérfida Albion” nos não deixou executar o sonho do “mapa cor-de-rosa”.

Portugal teimou, depois, em ir para a Grande Guerra para defender as suas possessões ultramarinas, as suas colónias. Cunha Leal, expoente da luta contra Salazar, era um ferrenho colonialista. Norton de Matos, antigo governador-geral de Angola, pedia meças ao ditador de Santa Comba no interesse em manter a nossa África nossa.

Nos anos 50, até o movimento descolonizador ter começado a abalar as anteriores certezas da esquerda portuguesa, as colónias eram “nossas”. Repito o que disse, com total convicção: se acaso fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.

A legitimidade da “posse” colonial só começou a ser posta em causa, em Portugal, pelo PCP. Honra lhe seja! Fê-lo, naturalmente, porque a opinião de quem o guiava (leia-se, Moscovo) tinha entretanto mudado. Já havia tido lugar, entretanto, a Conferência de Bandung. A China de Mao, ainda antes do cisma sino-soviético, já tinha cheirado “l’air du temps” e pressentido que o “terceiro-mundo”, a Tricontinental, o suposto “não-alinhamento”, eram a nova fronteira de um Norte-Sul inevitável.

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A localização do novo aeroporto | Carlos Esperança

Não faço parte dos dez milhões de especialistas em aeroportos e, muito menos, dos que têm argumentos irrefutáveis sobre a melhor localização.

Sou dos raros que lamentam que os anos passem, os estudos se amontoem e as decisões retrocedam, quando é necessário, como parece, um novo aeroporto internacional.

Não esqueço a tirada demagógica de um futuro PM a dizer que, “enquanto houver uma criança sem consulta, não haverá TGV”. Crianças sem consulta existirão sempre, e a alta velocidade ferroviária excluiu Portugal, quando eram pingues os fundos e generosa a União Europeia, ficando nós “orgulhosamente sós”.

Difícil de entender o direito de veto das autarquias a projetos nacionais, resta acreditar agora que o aeroporto do Montijo irá para a melhor localização.

O atraso apenas gera despesas escusadas, inflação de preços e guerrilhas partidárias. A retirada do poder de veto às autarquias foi uma decisão que pôs termo aos humores dos edis e salvou a face de Rui Rio, com o argumento, agora sim, porque ficam várias soluções possíveis, sem que a localização no Montijo se altere.

A decisão não cabe aos partidos nem ao Governo, cabe à ANA, vendida ao desbarato, por Passos Coelho, durante 50 anos, com a liberdade de fixar os preços aeroportuários e interferir na localização de novos aeroportos.

Tanto quanto julgo, a ANA pode ser contrariada, mas terá de ser ressarcida dos 3 mil milhões de euros que desembolsou pelo setor estratégico, e receber os lucros previstos até aos 50 anos que lhe foram concedidos, depois de anos gloriosos, até à pandemia.

Portanto, cabe à ANA decidir e, se não obtiver ganhos ainda maiores, o novo aeroporto será no Montijo.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

O que a democracia deve ao PCP | Daniel Oliveira in Jornal Expresso

Tenta-se apagar o que existiu para escrever o que poderia ter existido. Comparam-se 48 anos de ditadura com um ano de poder na rua. Mas a democracia deve muito ao PCP. Pela duríssima luta contra a ditadura. Por, a 25 de novembro, ter evitado uma guerra civil. Melo Antunes disse que o PCP seria indispensável. Foi fundamental para um poder autárquico vigoroso, foi defensor do Estado de Direito e esteve presente em todas as lutas sociais. Quem respeita a História assume estas dívidas para com os comunistas.

resci numa família de comunistas. Interessava-me muito por política e filiei-me na Juventude Comunista Portuguesa (JCP) com 12 ou 13 anos, mal isso me foi permitido. Só de lá saí com 19 ou 20. As minhas discordâncias começaram por temas distantes: o que se passava na Polónia, a invasão do Afeganistão. Como é normal num processo inicial de politização, foram-se alargando a questões mais profundas e ideológicas. E, no confronto interno sobre estes temas, tornaram-se fatais perante as falhas formais na democracia interna. Quando uso o termo “formais”, não é para as diminuir. É que elas não são propriamente acompanhadas por ausência de debate interno. No PCP discute-se política e discorda-se. O problema é a representação dessas discordâncias. Só uns anos depois de deixar o PCP deixei de ser comunista. Só depois disso deixei de ser marxista. Tudo relativamente cedo na minha vida.

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(…) há sempre quem me diga que eu sou um comunista disfarçado | Ricardo Paes Mamede

Não falha. Sempre que elogio em público o PCP ou anuncio o meu voto naquele partido, há sempre quem me diga que eu sou um comunista disfarçado.

Para quem o diz, o facto eu insistir em afirmar-me como social democrata tem duas explicações possíveis: ou quero passar a mensagem dos comunistas de forma encapotada para a tornar mais aceitável (ou seja, sou um dissimulado); ou tenho receio de me afirmar comunista porque seria menos aceite nos meios sociais em que circulo e penalizado por isso (ou seja, sou um oportunista).

Qualquer uma das explicações, a ser verdade, daria de mim a imagem de alguém que nunca acerta no alvo. É que, como dissimulado, sou muito pouco discreto nas posições que assumo. Como oportunista, não ganho muito: os menos de esquerda desconfiam das minhas posições; os que se têm como revolucionários desconfiam sempre das minhas intenções.

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A IMENSA ESTUPIDEZ DE QUERER DEIXAR QUIETA A HISTÓRIA E OS CRIMES DE GUERRA, DE FORMA DESONESTA E IRRESPONSÁVEL | Alfredo Barroso

Ao invés do que sugere Miguel Sousa Tavares, no semanário Expresso, nem todos os combatentes que são envolvidos nas guerras cometem ‘crimes de guerra’, nem é compreensível que os cometam, porque há leis e convenções sobre a guerra que devem ser respeitadas. Mais: não é o facto de, no pós-guerra, prevalecer inevitavelmente a ‘justiça dos vencedores’, que inibe qualquer de nós, de denunciar que também estes cometeram vários ‘crimes de guerra’, os quais, nem por serem menos abomináveis do que os cometidos pelos vencidos, deixam de ser, também, aterradores. A grande diferença é a de que nunca serão julgados pelos vencedores, e muito menos pelos vencidos…

Se porventura existe uma qualquer ‘escala’ para a abominação, direi, então, que os terríveis e abomináveis crimes de guerra cometidos pelos nazis alemães e os fascistas italianos – quer na Guerra Civil de Espanha (1936-1939) em apoio às tropas franquistas (cujo símbolo maior é, sem dúvida, o bombardeamento de Guernica, no País Basco), quer durante a II Guerra Mundial (cujo símbolo maior, para além de outras inúmeras atrocidades, é, sem dúvida, o Holocausto, no qual foram assassinados milhões de judeus e muitos milhares de ciganos, de deficientes físicos e mentais, e de políticos antinazis comunistas, socialistas e católicos) – tais crimes são hoje considerados como a contrapartida que justifica os vários ‘crimes de guerra’ cometidos pelos aliados – cujos símbolos maiores são os bombardeamentos de Dresde (na Alemanha) e de Tóquio (no Japão), em que milhares de civis morreram queimados vivos pelas bombas incendiárias, além dos horríveis massacres cometidos pelos EUA com o lançamento das duas primeiras bombas atómicas em Hiroshima e em Nagasaki (também no Japão). Há o direito de esquecer tais atrocidades?!

Sou dos que acham que não existe – nem na vida comum, nem na vida política, nem no ordenamento jurídico democrático, e muito menos na História – qualquer “direito ao esquecimento”. E até acho vergonhoso que o Tribunal Constitucional seja agora presidido por um jurista que defende esse direito – inexistente – ao esquecimento, de nome João Caupers (colega de curso de Miguel Sousa Tavares, como este referiu) e que, a meu ver, devia ser removido do próprio TC pelos juristas que o cooptaram e que, agora, o elegeram.

Tenho à minha frente Histórias da Guerra dos Cem Anos (a qual, na realidade, decorreu entre 1337 e 1453), da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), e da Guerra dos Sete Anos (1756-1763). E, desde que as li, posso afirmar que – porventura com excepção da brutal Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão (1861-1865) entre os do Norte (Unionistas) e os do Sul (Confederados) – a Guerra dos Trinta Anos foi, sem dúvida, a mais cruel e devastadora de que há memória, até à eclosão da I Grande Guerra (1914-1918), da Guerra Civil de Espanha (1936-1939), da II Guerra Mundial (1939-1945) e da Guerra do Vietnam (1955-1975), na qual a prática dos bombardeamentos de napalm (a que também recorreram as tropas portuguesas em África) sobre florestas, campos de cultivo e camponeses vietnamitas, foi de uso corrente pelas tropas americanas.

Tudo isto para concluir que, a meu ver, por maior que tenha sido a valentia demonstrada por Marcelino da Mata nos cenários da Guerra Colonial (1962-1974) em que actuou, se de facto cometeu os crimes de guerra de que é acusado, não me parece que deva ser considerado um ‘herói’. Do mesmo modo me custa imaginar que seja considerado um herói da II Guerra Mundial o baronete inglês conhecido como Sir Arthur “Bomber” Harris – nomeado, em 1942, comandante-chefe do ‘Bomber Command’ da Royal Air Force e promovido a Marechal do Ar – que terá sido o responsável pela morte de quase um milhão de civis alemães, em consequência dos bombardeamentos que ele planeou e ordenou sobre mais de um milhar de cidades, vilas e aldeias alemãs, sobre as quais foram despejadas um milhão de toneladas de bombas incendiárias e explosivas, que forem assim fabricadas tendo em conta os materiais inflamáveis (sobretudo a madeira) predominantes nas habitações atingidas. Da longa série de bombardeamentos constam as bombas que devastaram a cidade de Colónia, em Maio de 1942, e as que arrasaram a cidade de Dresde, em Fevereiro de 1945. Outro tanto se diga do general norte-americano Curtis Le May – que ordenou os bombardeamentos que arrasaram Tóquio com bombas incendiárias e explosivas – e do presidente dos EUA, Harry Truman – que ordenou o lançamento das duas bombas atómicas que arrasaram Hiroshima e Nagasaki. A confirmação histórica destes factos obtive-a graças à leitura de dois livros impressionantes: a “História Natural da Destruição – Guerra Aérea e Literatura” (1999), do grande escritor alemão W .G. Sebald (1944-2001); e “O Incêndio – a Alemanha sob as bombas, 1940-1945” (2002), do historiador alemão Jörg Friedrich (1944), especialista em criminalogia da guerra, quer terrestre quer aérea, investigador dos crimes cometidos pelo Terceiro Reich, o Estado nazi, e colaborador da “Enciclopédia do Holocausto”.

Só para terminar: não é sério pegar no exemplo de um deputado e ex-governante de ‘poucochinha’ envergadura e sedento de atrair sobre si as atenções – desta vez com a ideia macaca e imbecil de ‘destruir o padrão dos Decobrimentos’ – para tentar generalizá-lo, indirecta mas sugestivamente, à classe política, sobretudo à do partido a que ele pertence, o PS. É truque barato e exemplo típico da desonestidade política e intelectual do jornalismo de baixo calibre que, infelizmente, continuamos a ter em Portugal.

Campo d’Ourique, 27 de Fevereiro de 2021

Retirado do Facebook | Mural de Alfredo Barroso

Carlos Moedas candidato à Câmara de Lisboa | Paulo Querido in “CERTAMENTE”

Rui Rio sacou um coelho da cartola e o país deve agradecer. A escolha de Carlos Moedas para candidato à Câmara de Lisboa tem, entre outras vantagens para o líder do PSD, três componentes que valorizam a vida pública portuguesa:

1 – eleva a fasquia das autárquicas em geral e a corrida à capital em particular: Moedas não é Cristas e não será um passeio para Fernando Medina. O PS terá de se empenhar seriamente em fazer melhor

2 – reduz o ruído interno do PSD que os megafones da SIC e da TVI ampliam para mal dos nossos ouvidos

3 – relança os valores (ou as pessoas e suas ideias) centristas e pragmáticos da área do PSD e com isso tira o tapete que se prepara(va) para o regresso do passismo, com o próprio a falar pela sua voz ou através de um dos seus bonecos.

O homem que deu Beja ao PSD e foi de Secretário de Estado para Comissário Europeu é em primeiro lugar um forte candidato à Câmara de Lisboa. Carlos Moedas é em segundo lugar um tampão à extrema-direita, desde logo dentro do PSD, mas com capacidade de impermeabilização também no CDS. Que, metido na coligação para Lisboa, terá de se recentrar.

Aos 50 anos de idade, desde hoje que tudo fica em aberto para Carlos Moedas. Câmara, partido, governo — todas as possibilidades para a melhor moeda do seu partido. Só tem a ganhar com esta corrida, ele e o PSD, conquistem ou não Lisboa a Medina.

[ Texto publicado na minha newsletter Certamente!, um diário de curadoria da atualidade. Se ainda não recebes, porque ainda não recebes? Envia email para paulo@querido.org a pedir inclusão na lista ]

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Vamos pôr os pontos nos ii | José Maltez

Vamos pôr os pontos nos ii. O 25 de Abril foi um movimento patriótico. O 5 de Outubro de 1910 foi um movimento patriótico. O 24 de Agosto de 1820 foi um movimento patriótico.

Já o 28 de Maio de 1926, que acabou suspendendo a lusitana antiga liberdade, não passou de uma guerra doméstica entre os republicanos do Cinco de Outubro. Brincaram à cavalariça e acabaram com freio, na sacristia.

Tenho medo que a classe política deixe de rimar com povo e entregue a democracia a gestores marketeiros da demagogia.

“Yo no creo en las brujas, pero de haberlas haylas”.

As vantagens da saúde privada | Jovem Conservador de Direita

Esta história ensina tudo aquilo que precisamos de saber sobre as vantagens da saúde privada. Uma senhora caiu nas instalações de um hospital privado. Foram socorrê-la, mas, antes disso, tiveram o bom senso de lhe perguntar se tinha seguro de saúde. Como não tinha, indicaram-lhe que o custo da assistência seria 600€. Teve, por isso, de ser transportada das instalações desse hospital para um hospital público. Tenho de elogiar o sangue frio da administração deste hospital que colocou o seu negócio à frente dos princípios. Seria muito fácil e humano assistirem a senhora de forma gratuita. Já que caiu num hospital parece absurdo que tenha de ser transportada para outro hospital para receber assistência. Mas nós não vivemos numa república soviética. Se uma pessoa está dentro de um restaurante e lhe dá a fomeca, o restaurante não é obrigado a servi-la gratuitamente.

Isto mostra que um profissional de saúde isolado não serve para nada. Um médico vê uma pessoa a sofrer e quer ajudar a aliviar esse sofrimento. É por isso que precisa de um gestor ao lado com distanciamento e um terminal de MB que lhe mostre que essa pessoa é o equivalente a um cheque de 600€. Alguém tem de lhes lembrar que eles não estão lá para salvar vidas, estão lã para criar valor para a organização através dos seus skills. É esta simbiose entre profissionais de saúde e gestores que alimenta o negócio de saúde. Os médicos estão lá para salvar vidas, os gestores estão lá para dizer “dentro das possibilidades.

“O juramento de Dr. Hpiócrates é socialista, já que não tem em conta a existência de seguros de saúde. A saúde do doente é a primeira preocupação, desde que tenha Médis ou ADSE. Caso contrário pode sofrer no chão enquanto espera por transporte para outro estabelecimento. E se o Dr. Hipócrates não concorda que vá para Cuba ou para a Venezuela.

Se o hospital a assistisse gratuitamente estaria a abrir um precedente muito grave. Estaria a incentivar que pessoas se deslocassem a este hospital para terem acidentes, só para poderem usufruir de cuidados de saúde de excelência. Assim, as pessoas sabem que podem ter acidentes em hospitais privados, desde que tenham seguro.

Por outro lado, esta situação também revela oportunidades. Por exemplo, abre a possibilidade de se colocarem armadilhas nestes hospitais, no sentido de angariar clientes. Se as pessoas souberem que circular no corredor de um hospital privado pode ser o mesmo que fazer uma prova dos Jogos Sem Fronteiras, garantem que não entram lá sem seguro de saúde.

Tenho todo um número da Le Docteur dedicado ao tema da saúde. Se gostam, poderão adquiri-lo através do email reservas@jovemconservadordedireita.pt.

Retirado do Facebook | Mural de Jovem Conservador de Direita

Este confinamento que nos dilacera e embrutece | Carlos Esperança

Na pungência dos lamentos de amigos onde o otimismo se apaga e a alegria dá lugar ao medo e à ansiedade, refletimos na anómala situação em que abdicamos dos amigos, até dos filhos e netos, que se tornaram suspeitos e perigosos.

Sabemos de amigos que morrem sem nos despedirmos, renunciámos às tertúlias que nos mantinham vivos e onde exercitávamos os neurónios, abdicámos dos passeios habituais, das idas aos locais de origem, enfim, de tudo, ou quase tudo, o que dava sabor à vida.

Os que outrora não abdicávamos da liberdade, renunciamos hoje a ela, por prudência ou por civismo, de motu próprio ou por imposição legal, sem nos darmos conta de que esta renúncia se pode tornar rotina e, à força do hábito, acabemos por nos resignar.

A máscara que nos tapa a boca e as narinas, que esconde a face e as suas expressões, é a metáfora da normalidade, uma peça de vestuário imprescindível, o disfarce que impede as manifestações de humor e transforma em autistas os extrovertidos.

Quando ao medo se junta a carência de meios de subsistência, se esgota a esperança e se entra em ansiedade incontrolada, já não é só a saúde individual que fica esmorecida, são as defesas contra os vendedores de ilusões que se debilitam.

Primeiro perde-se o sentido crítico, depois renuncia-se aos direitos, e acaba-se a aceitar oportunistas que exploram o medo, propagam o ódio e corroem a democracia.

Quem viu a miséria das aldeias portuguesas em meados do século passado, a resignação dos deserdados, e sentiu o horror de uma ditadura e o sofrimento da guerra colonial, não pode agora esmorecer.

A expectativa de uma vacina deve levar-nos a ser tão cautos como devemos, e a cultivar a esperança em melhores dias.

O que não podemos é deixar de ser críticos e de combater a propaganda que diariamente reabilita o antigamente, e a explosão do fascismo que encontra no medo e na ansiedade o húmus de que se alimenta.

O cavaquismo reabilitou e integrou os pides. Hoje, a ditadura passou a antigo regime, as colónias voltam a ser ultramar, os facínoras são exaltados, e as vítimas de um dos lados da guerra passam a ser designados como heróis do Ultramar.

Hei-de denunciar, até ao último dia, a operação de cosmética que compromete pessoas que me habituara a respeitar. Hei-de voltar a este dilacerante tema onde não deixarei que tapem as feridas abertas da minha geração com o bálsamo da reescrita da História.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

O covid mata os velhos e destapa os pobres | Inês Salvador

O covid mata os velhos e destapa os pobres. Empurra para o lado errado da vida os que estão em cima do muro. Uma queda desesperada a engrossar as intermináveis filas caridosas para obter alimentos, para o vão de escada em que se estende o papelão que faz de conta que é casa, as casas que não são casas, porque a habitabilidade não é condigna.

Um cão apareceu morto por afogamento no fundo das águas de Portimão com dois tijolos pendurados ao pescoço. O monstro que decidiu assim livrar-se do cão vai ser julgado.

Caminhar pelas ruas a cumprir os recomendados passeios higiénicos é cruzarmo-nos com semelhantes nossos que deambulam com dois tijolos pendurados ao pescoço. São mais e mais todos os dias. Mais degradados, mais perto do fundo, em queda livre no abismo de morrer afogado no fundo da vida. Alguns vociferam, fazem pedidos estranhos, querem falar, deles, da vida, do que foi, do que é, do que devia ser. De Deus e do desespero. Estropiados, não fisicos, estropiados emocionais, sociais. A doença, a degradação física é só consequência do total desamparo. Do trabalho que os mantém pobres, do trabalho que não existe, dos subsídios sociais que fazem chacota da dignidade.

E por isto quem é julgado? Logo cada um de nós na nossa consciência. Caminhar hoje pelas ruas do centro de Lisboa pode ser uma descida ao inferno. E chove, e a água não lava nada.

É triste e fácil a contabilidade dos óbitos dos infectados por covid, será imprecisa e impossível a contabilidade dos óbitos dos afectados.

Uma máscara para cobrir de vergonha o estado social em que vivemos.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

E depois do confinamento? | Jorge Conde in Diário de Notícias

Obviamente, o confinamento está a melhorar a situação pandémica em Portugal. São residuais as opiniões dos que não concordam, nem concordaram, com a necessidade de um confinamento. Uma larga maioria da população cedo percebeu a sua inevitabilidade e tarde – mas antes tarde que nunca – o governo resolveu adotar esta medida que (já percebemos todos) é parte da solução para a redução do número de doentes por covid-19.

Planeámos mal e o excesso de confiança com que saímos do verão levou-nos a acreditar que o pior tinha passado. António Costa várias vezes anunciou que não voltaríamos a confinar… não podíamos… a economia não aguentava. Mas cá estamos novamente nesse confinamento tido como impossível.

A seu tempo a vacinação fará o seu papel, com alguns chicos-espertos a intrometerem-se na ordem estabelecida, e esperamos ter toda a população vacinada até ao final do ano.

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Socialismo na gaveta? | Pedro Marques in Diário de Notícias

Orescaldo das eleições presidenciais fez emergir uma interessante discussão no Partido Socialista relativamente ao seu posicionamento ideológico e à sua capacidade para integrar esse debate e a divergência de opiniões.

Se a discussão ideológica é particularmente salutar quando se aproxima o congresso, marcado para julho, as acusações de monolitismo e falta de liberdade interna são particularmente estranhas, tanto mais que os supostos representantes das correntes alternativas têm lugares relevantes na estrutura partidária, são membros do Governo ou foram indicados para cargos de destaque. Nada os tem impedido de apresentarem as suas posições, nem interna nem externamente, do mesmo modo que essas posições não foram obstáculo à sua escolha.

Estranha falta de liberdade e democracia interna esta, em que se pode discutir e divergir sem qualquer problema…

Convivem no PS diferentes linhas ideológicas. Acontece apenas que a linha maioritária entre militantes e eleitores do PS não é a que os críticos eventualmente gostariam. Estão no seu direito, mas isso não torna o PS menos democrático.
A linha atual – que é maioritária, tal como o foi na maior parte da história do partido – é a esquerda moderada, o centro-esquerda. Foi com essa linha ideológica que António Costa ganhou o PS e o Governo. É essa a linha que se mantém e foi sempre com ela que o PS ganhou o país.

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Carta de um espetador de telejornais | Carlos Matos Gomes

Excelentíssimos Senhores Diretores de informação, pivôs, pivoas, repórteres de rua e de alpendre de lar de idosos, também às sentinelas de focos de infeção:

Após cerca de um ano de esforços de telescola da vossa parte para me elucidarem das maldades de um vírus (chinês, segundo o perito Trump) e da falência do Estado português no seu combate, de todas as suas instituições e entidades, das mais altas às mais baixas, do excelentíssimo Presidente da República à mais humilde auxiliar, lamento informar-vos de que chumbei à vossa cadeira. Fiz um autoteste e, reconhecendo o vosso esforço, competência, entusiasmo, alegria no trabalho, busca incessante pelas maiores e mais evidentes desgraças, alarmes e piscar de olhos, viagens ao estrangeiro, consultas a eminências várias me encontro no estado que passo a resumir: 

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As vacinas e os oportunistas | Carlos Esperança

Quando se acusam de corrupção os políticos, como se fossem uma espécie de celerados, num país de débil cultura cívica e de duvidosa probidade, recordo sempre os pedidos de que ouvia falar na infância, para um lugar de contínuo, polícia ou porteiro de Banco.

Hoje, na ansiedade de uma vacina que pode salvar vidas, vejo os pequenos decisores de lares, hospitais ou instituições prioritárias na vacinação, a incluírem os primos, os filhos e os amigos numa renúncia ao pudor e afronta à dignidade cívica.

São da massa de que eram feitos os próceres da ditadura cujo ADN anda aí na cadeia de transmissão do oportunismo, traficância e troca de favores, sem ética, pudor ou medo.

A veniaga seduz os pequenos decisores, arruína a honra de provedores de santas casas, a santidade de párocos de província, a idoneidade de autarcas de obscuras localidades, e a inveja move os que mais gritam, consome os mais fracos e dilacera os que, em silêncio, ruminam ódio.

É nestas situações de ansiedade e medo que uma legião de delatores está disponível para a denúncia, em gritos estridentes ou na cobardia da carta anónima, na exposição pública da indignação ou no lamento hipócrita bafejado em surdina.

Em quase 46 anos de democracia mudaram pouco os hábitos, a mentalidade e o civismo de um povo que parece regredir a cada sobressalto e regressar à indignidade sempre que a ocasião surge.

O favor da dose da vacina para amigos e familiares, obtida por nepotismo do decisor ou fraude de um imaginativo burocrata é a metáfora inequívoca do país que não deixámos de ser e teimamos em continuar.

Não é apenas o vírus que nos mata, é a falta de decoro que nos faz morrer de vergonha.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

NO JARDIM DO ÉDEN | António Pais

NO JARDIM DO ÉDEN vivia Adão a quem o Senhor Deus disse: “Podes comer de todas as outras árvores do jardim, mas da árvore da ciência do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, morrerás ao certo.

“Depois o Senhor Deus adormeceu Adão e da sua costela criou Eva e “ambos estavam nus, Adão e sua mulher, e contudo não se envergonharam.” (ainda bem, acrescento eu).

A serpente astuta e sabendo que Eva ainda não existia quando o Senhor Deus proibiu Adão de comer o fruto da tal árvore perguntou-lhe se Deus a tinha proibido de comer o fruto ao que Eva respondeu afirmativamente dizendo que morreriam se o comessem.

Ao que a serpente lhe respondeu: “”Não, não morrereis. Antes, Deus sabe que quando dele comerdes, abrir-se-ão os vosso olhos e vos tornareis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

“Depois de comerem o fruto “subitamente abriram-se-lhes os olhos e ambos perceberam que estavam nus, por isso entrelaçaram folhas de figueira e fizeram cinturões para si.

“O resto da história já todos conhecem, ou quase todos.

Esse foi o dia em que um homem e uma mulher preferiram ir viver para fora do paraíso para poderem conhecer o bem e o mal, portanto não se admirem que haja quem pratica o mal. Nem as ordens do Senhor Deus fomos capazes de cumprir quanto mais as leis da República.

António Pais

Retirado do Facebook | Mural de António Pais

Certamente! | Domingo, 31 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Domingo, 31 de janeiro de 2021

Hoje abordo o caso das vacinas sobrantes na perspetiva não política e a terceira onda de choque das presidenciais, que está a molhar PS e BE. Também retomo as sugestões, que vão ter um novo figurino: nuns dias, como é o caso de hoje, é uma série em streaming, noutros dias será um livro, noutros ainda uma newsletter, ocasionalmente um podcast.

É também dia de dar as boas vindas a um grande número de novos subscritores, o maior desde que o diário começou em meados de outubro último: bem vind@s!

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Lavinia Fontana[ Capa 6 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]Próxima série: A fabulosa mão de Vasco Gargalo

LER AQUI

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Certamente! | Paulo Querido

Sábado, 30 de janeiro de 2021
Hoje no diário: a direita mostra-se entre um disco riscado e uma pescadinha de rabo na boca, com as mesmas pessoas e os mesmos tiques e as mesmas respostas quando o mundo é outro. Tem tudo para correr mal. O Bloco digeriu bem as presidenciais e Catarina, a Realista, dá uma lição de damage control. Passo os dedos pelo anúncio da central nuclear chinesa. E antes das opiniões e do linklog ainda falo das mudanças no diário, que ficou mais legível (espero).
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Mary Cassatt[ Capa 5 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]

Pedro Santana Lopes meteu-se hoje na fila dos que pedem um “governo de emergência nacional”. Rui Rio lidera a fila pelos políticos. Miguel Sousa Tavares lidera a fila pelos comentadores. Tanto vai ser dito sobre isto. Eu só leio e oiço: “vem aí uma pipa de massa, a maior pipa de massa de que há memória, e não há ninguém do centro-direita e da direita lá nos sítios onde a massa se distribui, pá, não há direito, e pelos votos não vamos lá nem daqui a três anos 😦 😦 😦 ”. Consegues ler mais do que isto? Diz-me o quê.
Francamente? Seriamente? Também se arranja. O partido no Governo tem 40% de intenções de voto, mais que toda a oposição de direita somada. Saímos de umas eleições em que o bloco Governo + Presidente registou uma votação superior a 85% dos votos expressos. Emergência? A única coisa da política em estado de emergência é o PSD. Não é um governo de emergência nacional que o laranjal pede: é um governo de salvação dos dirigentes do PSD. Digo dos dirigentes porque as clientelas do PSD, essas, estão cobertas.
Mais de Santana: quer o adiamento das eleições autárquicas! E quer ser candidato a presidente de câmara pelo seu antigo partido, não pelo novo que fundou. Não é claro que câmara — mas isso é o que menos importa.
Bem, ao menos os regressos de Santana Lopes e Adolfo Mesquita Nunes são uma benção pelo que vieram dar aos media. Jornalistas e pivôs podem descansar um dia ou dois dos seus flirts com a extrema-direita. E nós temos menos vezes a cara de Ventura nas televisões e primeiras páginas da imprensa.

¶E por falar em Adolfo Mesquita Nunes: “
se não conseguir ser eleito, não me voltarei a candidatar”, ameaçou. E o seu maior não-adversário, Nuno Melo, disse algo como se não houver mais ninguém, eu sou candidato. Mas isso é o menos, o pior é assumir que tem a capacidade de unir o partido.(pausa para rirmos todos à gargalhada.)(outra pausa para continuarmos a rir mais uns minutos.)Entretanto um antigo presidente do CDS, José Ribeiro e Castro, veio a terreiro acusar os críticos de abrirem uma “crise artificial” e considera que “há premeditação” no “ataque” à liderança de Francisco Rodrigues dos Santos. É o que se chama descobrir a pólvora. Claro que há premeditação: AMN escreveu com clareza, respondeu com clareza e não podia ter sido mais explícito acerca da premeditação!
Abençoado CDS! O momento era tão menos divertido sem os seus fantasmas às voltas nos media!

¶Do outro lado do arco, a coordenadora do Bloco de Esquerda admitiu este sábado que a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais de domingo pode ser explicada com a transferência de votos do eleitorado da esquerda para o atual Presidente. Os eleitores socialistas e dos “partidos à esquerda do PS” foram “a força que quis esta estabilidade de uma vitória folgada à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa”, disse Catarina Martins no final de uma reunião da Mesa Nacional para analisar os resultados das presidenciais.
Chama-se a isto estratégia de contenção de danos. Da boa. Daquela que o PS não tem.
Por acaso é verdade. Todas as análises sérias dos votos dizem o mesmo. Marcelo foi reeleito pelo eleitorado de esquerda, enquanto o eleitorado de direita expressou com clareza algo que Marcelo já sabia há algum tempo: o seu partido tem vindo a distanciar-se do centro onde ele, Marcelo, nunca deixou de estar, como aliás outros dos poucos sociais-democratas do PSD, e hoje são quase estranhos. As contas eleitorais da direita estão muito complicadas. E por ali a insistência é clara: de governos de salvação nacional a alianças com a extrema-direita anti-democrática vale tudo, menos ser sensato e olhar para o centro.
Mas a verdade pouco importa em política. Bom, mesmo, é ver o Bloco no caminho da reconciliação. O erro do voto no OE foi pago com juros pesados, mas está pagoNext.

¶Do outro lado do planeta e a 180º da política indígena: a agência noticiosa Xinhua noticiou o início hoje da operação comercial do primeiro reator nuclear desenvolvido pela China, o Hualong One.
A central de Fuqing, no sudeste da China, vai gerar dez mil milhões de quilowatts/hora (kWh) de eletricidade por ano, o que permite à China reduzindo as emissões anuais de dióxido de carbono em 8,2 milhões de toneladas.
Porque é importante?Há 45 anos tinha o meu crachá “nuclear não, obrigado!” Em quatro décadas a indústria nuclear evoluiu imenso. Gradualmente fui trocando a oposição convicta por uma atitude crítica. E com atenção especial à tecnologia. Este evento é importante por dois motivos:
o primeiro diz respeito à China, que conquista uma emancipação especial pois este, que equipa a 48ª central nuclear do país, é o primeiro reator não importado, com tecnologia made in China;
o segundo, porque se trata de uma nova geração de reatores que tem maior segurança e eficácia. Espera-se desta geração um contributo importante para reduzir as emissões de carbono.
A China não muda para já a sua terceira posição na lista dos países com maior número de centrais nucleares, mas as posições poderão inverter-se nos próximos anos. As centrais nucleares chinesas forneciam apenas 5% das necessidades de energia elétrica do país em 2019, mas a cota aumentará com o objetivo da China de alcançar a neutralidade nas emissões de carbono até 2060.¶No diário de ontem introduzi algumas alterações.

O método de produção foi bastante melhorado, produzo agora a newsletter em menos 25% do tempo. E aumentei as capacidades do ente digital Cecil, encarregue dos automatismos e outras tarefas. Mas foi ao nível gráfico que tu deste pela coisa. Nas opiniões, em vez dos títulos — a maioria das vezes maus ou inexpressivos — passei a incluir uma citação d@s autor@s. Mais sumo para melhor decisão sobre o que ler.

Hoje mudei a separação dos blocos de texto, ou assuntos. A numeração não me satisfazia, era um pouco agressiva ao olhar. O separador novo tem mais espaço branco envolvente, é menos agressivo, mais conservador — ganho em estética o que perco em dinâmica.Simplificar e aumentar a legibilidade é o objetivo.

Em breve regressará a sugestão de livros — de permeio com sugestões de newsletters, filmes e séries disponíveis em streaming, dando resposta aos assinantes que responderam ao meu pedido de sugestões nesse âmbito. Será na semana que entra, se tudo correr bem.
OPINIÕES
José Pacheco Pereira: “Todas as vantagens do analógico sobre o digital podem ser exploradas, e mesmo que alguém diga que tudo isto pode ser feito online, o online não chega às portas de um supermercado, ou às mãos dos polícias, não se dobra e mete no bolso, ou se leva num comboio de regresso do matinal trabalho das limpezas, e acima de tudo não se leva para casa, nem se lê devagar, nem se colecciona, não é da nossa dimensão física.”   // Público ($)
Bernardo Pires de Lima: “Talvez por ser um tema fundamental, passou ao lado da nossa imprensa. E é pena, porque o assunto interessa-lhe diretamente. Nos últimos dias, deram-se significativos avanços internacionais no cerco às grandes empresas tecnológicas, sobretudo no domínio fiscal, no qual operam continuamente à margem, numa zona de privilégios acumulados sem ponta de vergonha, privando os Estados e as sociedades onde deveriam ser tributadas de recursos financeiros e de um exercício de justiça fiscal indispensável à saúde do capitalismo e das democracias.”   // DiárioDeNotícias
Manuel Carvalho da Silva: “Os poderes dominantes querem fazer da gestão da pandemia uma oportunidade para executar os seus programas e tolher o futuro. Acelera-se a concentração da riqueza, o domínio de grandes plataformas e grupos empresariais sobre a estrutura da economia. O setor financeiro impõe-se e o chairman e diretor não-executivo da Goldman Sachs, indivíduo comprometido com a geopolítica da “economia que mata”, é o presidente da Aliança Global para as Vacinas. Os jovens estão a ser muito sacrificados, mas não há sinais de políticas novas que os venham a beneficiar.”   // JornalDeNotícias
Sandra Cunha: “Perante a dureza destes números e a crueza das mortes, não se percebe a resistência do governo em ativar o instrumento, previsto no Estado de Emergência, que permitiria aliviar a pressão sobre o SNS e que é a requisição civil dos privados da saúde. Permitiria, certamente tratar melhor e quem sabe salvar mais algumas vidas.”   // Esquerda
Eduardo Pitta: “Miguel Sousa Tavares glosa o tema em tom heróico. Chegou a hora, diz ele, do Presidente da República substituir o Governo de António Costa por um de iniciativa presidencial, «sem dissolver o Parlamento, sem necessariamente despedir todo o elenco do actual Governo…», apenas metade dos ministros, aqueles que «não fazem nada ou só atrapalham…» Um tal governo seria para governar «enquanto durar esta situação de catástrofe pública.» Vindo da boca de quem quem — além de jornalista, MST é advogado —, o dislate tem de ser associado a liberdade poética.”   // DaLiteratura
Viriato Soromenho Marques: “A tragédia portuguesa é de tal magnitude que as responsabilidades serão mais tarde ou mais cedo apuradas. Haverá teses académicas, estudos, obras de ficção. A maioria delas será produzida por autores estrangeiros. O colapso luso entrará, pela negativa, nos livros de estudo e nos manuais de Saúde Pública de todo o mundo. Da nossa amarga experiência será extraída uma sabedoria negativa, de alcance universal, sobre esta queda numa hemorragia demográfica sem paralelo desde a gripe espanhola de 1918-1919. Mas as contas e os estudos ficarão para depois.”   // Diário de Notícias 
LINKLOGNo, WallStreetBets isn’t robbing Wall Street to help the little guy. Analysis: A seductive “short squeeze” narrative obscures what’s really happening.  // Ars Technica 🇬🇧
Ce que cachent les passages noircis du contrat passé entre l’UE et AstraZeneca. La Commission européenne pensait avoir masqué les passages confidentiels du contrat passé avec le laboratoire anglo-suédois pour son vaccin anti-Covid. Mais une astuce permet de découvrir le montant du contrat.  // Libération ($) 🇫🇷
A new report by Corporate Europe Observatory clearly shows neoliberal reforms weakened public healthcare systems all over Europe, with dramatic consequences in terms of Covid-19 death, disability rates, and many other social impacts.  // EUObserver 🇬🇧
Prevent the Next Food Crisis Now. The number of chronically hungry people increased by an estimated 130 million last year, to more than 800 million – about eight times the total number of COVID-19 cases to date.  // ProjectSyndicate 🇬🇧
Caos, más trámites e incertidumbre, los efectos del brexit en el comercio de Reino Unido  // Público 🇪🇸
La transformación que ha sufrido la Tierra desde mediados del siglo XX está siendo brutal  // ctxt 🇪🇸
Acid rain is yesterday’s news? Acid rain seems to be a thing of the past, yet sulphate continues to rise in many inland waters worldwide. Researchers led by IGB and the Danish University of Aarhus provide an overview of the sources of sulphate and its effects on freshwater ecosystems. They point out that the negative consequences for ecosystems and drinking water production have so far only been perceived regionally and recommend that sulfate be given greater consideration in legal environmental standards.  // IGB 🇬🇧 
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Certamente! Sexta-feira, 29 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Hoje notícias menos más, enfim, depende da perspetiva: Portugal atingiu o pico da pandemia Covid-19, o que tem um lado bom, que é a partir daqui só pode melhorar; e se tens formado a ideia, as seen on tv and read on newspapers, que a corrupção está a alastrar em Portugal, bem, olha, pergunta-lhes onde vão buscar essa ideia porque o índice não mostra isso.

E ainda: a achega de Boaventura de Sousa Santos ao avanço da extrema-direita e um texto excelente que explica bem o caso GameSpot, junto com uma infografia.

Já lá vamos. Antes, uma nota pessoal: esta semana o diário passou a chegar a duas amigas chegadas e a um amigo de há quase meio século. Olá F., olá R., olá R.!


carrega imagens para ver imagem de Lilly Martin SpencerLilly Martin Spencer[ Capa 4 de 7 da série Pintura no feminino, escolhida por Ana Roque. ]

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RSI: mitos e factos, no país das desigualdades | José Soeiro in Jornal Expresso

Portugal continua a ser um país de contrastes e de desigualdades profundas. Muitos dos discursos que afirmam condoer-se com a pobreza (mesmo que sobre ela tenham uma visão fatalista), não parecem especialmente importunados com o crescimento da desigualdade. São insufladas clivagens internas aos pobres para alimentar conflitos que evitem pôr o foco nas desigualdades sistémicas, de classe e de distribuição da riqueza. Não se trata de um acaso ou de um pormenor, mas de uma estratégia consciente que precisa de quem se lhe oponha sem hesitações

Um fosso de desigualdades

Esta semana ficámos a saber, através de um estudo da consultora Mercer, os números mais recentes das desigualdades salariais nas empresas portuguesas. Com 916 mil euros de salário médio anual, os CEO das empresas do PSI-20 ganham cerca de 30 vezes mais, em média, do que os trabalhadores da sua empresa. Além do fosso enorme dentro das organizações, choca o facto de ele não parar de aumentar. Num ano, os salários do topo cresceram 20%, os dos trabalhadores 1,5%. O pódio da desigualdade tem vencedores recorrentes: Pedro Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, ganha 167 vezes o salário médio de um trabalhador do grupo. António Mexia, ex-presidente executivo da EDP, auferia cerca de 2,17 milhões de euros de remuneração anual. Carlos Gomes da Silva, da Galp, 1,4 milhões.

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O uno e o múltiplo: lições das presidenciais | Porfirio Silva

1. Em maio de 2020, quando foi possível debater explicitamente as eleições presidenciais nos órgãos do meu partido, apresentei o meu ponto de vista, com dois alertas (como foi noticiado, com razoável rigor, por exemplo aqui). 

Primeiro, o apoio, declarado ou implícito, do PS a Marcelo Rebelo de Sousa introduziria desequilíbrios no regime democrático, porque, ao criar a expectativa de uma votação esmagadora (com o apoio de todos os partidos que alguma vez governaram Portugal em democracia constitucional), abriria um novo espaço à direita extrema, oferecendo-lhe o bónus de ser a principal novidade das presidenciais e, consequentemente, o palco da campanha, sendo desse palco que vivem os movimentos contra o sistema democrático. Com a agravante de que o palco à extrema-direita perturba a capacidade do PSD para ser uma alternativa decente de governo.

Segundo, alertei para o perigo de, naquele cenário de união de facto com MRS, virmos a ter na área socialista somente uma candidatura populista, sem histórico de um programa de esquerda articulado e coerente, mas vocal na crítica à política e nos ataques ao PS.

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CDS, Chega, IL, PSD – a direita em mudança | José Ribeiro e Castro in Jornal Público

Hoje temos dois problemas principais. O primeiro é o de a relação esquerda/direita não se alterar e favorecer a esquerda. O segundo são as posições políticas do Chega serem tão radicais e desrazoáveis. 22 jan 2021

O que se passa em Portugal é uma reestruturação do sistema partidário. Tem acontecido noutros países, como Espanha, França e Itália. Chegou a nossa vez. As razões, oportunidades e factores desencadeantes não são os mesmos; mas o fenómeno é. Já tinha começado à esquerda; agora, chegou à direita. À esquerda, começara em 1999 com o BE; recentemente, juntaram-se Livre e PAN. À direita, o fenómeno surgiu em 2019, com a entrada em cena de Chega e IL.

Porquê à direita? Por duas razões que sempre aparecem: uma, porque os partidos que ocupavam o espaço deixaram de representar preocupações e aspirações de partes relevantes do seu eleitorado, cavando nele frustração crescente; outra, porque correntes de opinião que se exprimiam dentro desses partidos quiseram autonomia e voz própria.

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Certamente! Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Hoje não tenho disposição para escrever. Para compensar, deixo-te um conjunto mais alargado de opiniões e de sugestões de leitura.Amanhã ou no fim de semana tenciono abordar Marcelo Presidente 2.0, que deverá ser substancialmente diferente da primeira versão, bem como colocar em dia a correspondência dos leitores.A frase do dia: “O falhanço coletivo que nos trouxe até aqui é mais um rombo no deve e haver que as gerações mais novas têm para com um sistema político que os exclui e não os representa.” Susana Peralta

OPINIÕESEditorial: Voltar à escola. JornalDeNotícias👉Diogo Martins escreve: Obstrução do direito de voto sem paralelo na democracia portuguesa. LadrõesDeBicicletas 👉Rui Tavares Guedes escreve sobre a pandemia Covid-19: Não é a economia, estúpido. Visão 👉Fátima Marques escreve sobre viver em situação de catástrofe: Re-humanizar os índios e os cowboys. CapitalMagazine 👉Borja González del Regueral escreve sobre empresas e Europa: As tendências tecnológicas para 2021, um ano eminentemente digital. DiárioDeNotícias 👉Paulo Pisco escreve sobre democracia e André Ventura: O germe do fascismo. Público 👉Ricardo Salazar também escreve sobre André Ventura: Vírus Ventura. Público👉Valupi também escreve sobre Ventura: Das vantagens de Ventura ficar em 2º.AspirinaB 👉Mafalda Anjos: Escolas, trilemas e falhanços. Visão 👉 
LINKLOGWarming ocean waters could reduce the ability of fish, especially large ones, to extract the oxygen they need from their environment. Animals require oxygen to generate energy for movement, growth and reproduction. In a recent paper in the Proceedings of the National Academy of Science, researchers describe their newly developed model to determine how water temperature, oxygen availability, body size and activity affect metabolic demand for oxygen in fish.  //mcgill.ca 🇬🇧Electric car batteries with five-minute charging times produced. First factory production means recharging could soon be as fast as filling up petrol or diesel vehicles  //theguardian.com 🇬🇧A strain of covid-19 that appears to spread faster is colliding with the campaign to vaccinate Americans. That appearance of the variant has already led the US to require British visitors to test negative before flying. Some scientific leaders say the US should now consider a coordinated national lockdown period.  //technologyreview.com 🇬🇧Biden’s 17 Executive Orders and Other Directives in Detail. The moves aim to strengthen protections for young immigrants, end construction of President Donald J. Trump’s border wall, end a travel ban and prioritize racial equity.  //nytimes.com 🇬🇧Amazon sends letter to President Biden, says it is ‘ready to assist’ with U.S. vaccination efforts  //geekwire.com 🇬🇧Brave becomes first browser to add native support for the IPFS protocol. Brave users will now be able to seamlessly access ipfs:// links.  //zdnet.com 🇬🇧35 unforgettable images that capture Trump’s wild and bitter presidency  //medium.com 🇬🇧Adictos a las redes: ¿Tienes ansiedad digital? Aunque sirven para mantenernos conectados, las redes sociales también pueden ser factores para aumentar nuestro malestar y ansiedad.  //ethic.es 🇪🇸A estratégia para a Igualdade de Género para o período de 2020-2025 que foi aprovada esta quinta-feira em Parlamento Europeu quer atrair mais mulheres para as áreas de informática e tecnologia — e parte do processo passa por mudar a forma como as mulheres são retratadas nos canais audiovisuais.  //publico.pt 🇵🇹 
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Sobre a pandemia | José Vítor Malheiros

O presidente americano Lyndon B. Johnson, um texano apreciador da vida ao ar livre, disse uma vez a propósito de J. Edgar Hoover, director do FBI, que preferia tê-lo “dentro da tenda a mijar para fora, do que fora da tenda a mijar para dentro”. A tirada, que Johnson parece ter repetido muitas vezes a propósito de outros políticos, rivais ou adversários, é uma variação colorida do aforismo de Sun Tzu “Mantém os teus amigos próximos, mas os teus inimigos ainda mais próximos”. É um bom conselho.Nestes dias em que a situação da pandemia se agrava de forma alarmante, sem melhorias à vista, em que os governantes não parecem seguros do que devem fazer e em que a oposição começa a animar-se com a perspectiva de uma catástrofe (é difícil de acreditar, mas basta ver o tom triunfalista que certos políticos usam para referir os recordes de casos e mortes, como se fossem respostas às suas preces) tenho-me lembrado muito da tirada de Johnson.

E tenho-me lembrado, em particular, quando vejo, a propósito de uma decisão do governo ou de uma nova má notícia, a vaga de críticas com que é recebida por parte de organizações profissionais e de diferentes instituições.

A posição de Johnson era ditada por um mero cálculo político. Mas há muitas outras boas razões para, em situações de crise, convidar mais gente para dentro da tenda. Pessoas com outras perspectivas podem ter outras ideias e algumas delas podem ser boas. Pessoas de outras áreas (profissionais, regionais ou políticas) têm outras fontes de informação. Pessoas que participaram do processo de decisão não podem criticar o processo de decisão. Pessoas que conhecem as razões que existem para as medidas tomadas não poderão dizer que não as conhecem ou compreendem – ainda que discordem delas.

Numa fase de extrema gravidade como a que atravessamos, incluir no processo de decisão pessoas e instituições com competências relevantes e que têm influência nas atitudes dos cidadãos e na mobilização das organizações parece-me indispensável. E já me parecia antes de termos atingido a fase de extrema gravidade. Esta é a tal “comunicação” que não tem nada a ver com propaganda, que é absolutamente indispensável, e na qual as autoridades de saúde têm falhado continuamente. É a comunicação interna, no seio do Sistema Nacional de Saúde – que inclui mas excede o círculo do Serviço Nacional de Saúde e que inclui mas excede (em muito) a simples difusão de informação e a propaganda a que se quer resumir a comunicação.

Esta comunicação no seio do sistema é certamente difusão de informação por parte do Governo e autoridades de Saúde, mas é principalmente recolha, validação e agregação de informação (que não se resume a dados mas inclui também propostas e críticas), confronto de ideias, debate e negociação.

As “reuniões do Infarmed” podem ter parecido a alguns que servem para isto mas não servem. São organizadas como palestras oitocentistas, onde quem sabe ciência e medicina ensina aos ignorantes que não a sabem, para que depois estes tomem uma decisão política. Esta ideia autoritária de comunicação, unidireccional, de cima para baixo, onde sábios ensinam ignorantes, desperdiça o saber de quem ouve e desperdiça o conhecimento que nasce da discussão aberta e permanente. E isso acontece quer quando quem ouve os sábios são alunos quer quando são políticos. O facto de haver quem entre mudo e saia calado destas reuniões significa que elas não cumprem qualquer papel de construção de consensos ou de solidificação de opiniões.

É natural que, agora que a borrasca começou, os que mijam para dentro da tenda exibam alguma relutância em entrar num espaço cujo cheiro já não é muito agradável.

Mas as alternativas são todas piores.

José Vítor Malheiros

Retirado do Facebook | Mural de José Vítor Malheiros

Certamente! Quarta-feira, 20 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Hoje afirmo que — a confirmar-se a sondagem do dia — o candidato da extrema-direita é o grande derrotado das presidenciais, lembro que Rui Rio está vivo e aos pontapés e era bom que acertasse num alvo ou dois, explico porque não estou como toda a gente a pular de contente por ver Joe Biden na Casa Branca, e junto a minha à voz de Vital Moreira: nem mais um ministro infetado!Antes, uma rectificação: no diário de ontem escrevi “legislativas” quando era óbvio no contexto da frase que me referia às autárquicas, a disputar algures no outono. Era tão óbvio no contexto que aposto que metade de vós não deu pela coisa e, como eu a reler, entendeu “autárquicas” ao ler “legislativas”…
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Faltam 4 dias para a conclusão das eleições para a Presidência da República. Sondagem do CESOP da Universidade Católica para a RTP e o Público divulgada ao fim do dia dá o resultado dentro do esperado: Marcelo vence à primeira e Ana Gomes fica no segundo lugar. (RTPPúblico)
Em relação à minha bola de cristal, Marcelo tem um desvio positivo de 2 pontos, Ana Gomes tem um desvio negativo de 1 ponto e o candidato da extrema-direita tem um desvio positivo de 2 pontos.Parece-me claro que, a confirmar-se no domingo esta projeção, André Ventura será o grande derrotado desta campanha. Falha todas as metas menos uma. Colocou a fasquia elevada demais para a sua capacidade. Um soldado de infantaria armado em Napoleão. Por outro lado os seus 10% indiciam que a extrema-direita encontrou o seu limiar máximo em Portugal: o crescimento anti-democracia estabilizou nos últimos 7/8 meses depois da arrancada explosiva nos 4/6 meses anteriores.A meta que não falhou: consolidou a extrema-direita como a bússola da televisão e imprensa, fazendo gato-sapato da agenda dos jornalistas.
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Passou despercebido no meio da confusão e desnorte em que vivemos. Rui Rio lançou um movimento visando reformas no sistema político e nos estatutos do partido. Rio colocou o PSD a trabalhar nas propostas: a “reforma da Justiça, que acho ser vital, a revisão constitucional, porque é tempo de fazer, e a reforma do sistema político, porque continua a ser muito importante”. Foram criadas as comissões cujo trabalho consiste em preparar as propostas de reformas nessas três áreas e nos estatutos. Nada de inesperado nas pessoas que integram as comissões: Paulo Mota Pinto, David Justino, Manuel Teixeira e Isaura Morais são os coordenadores de equipas tão cinzentas, históricas ou laranjas, como preferires, que eles.Eu diria que Rio está a pretender lançar um sinal de reconciliação com o centro e com o país, depois da traição à pátria e à União Europeia perpetrada nos Açores com a coligação com a extrema direita anti-democrática. Espero que tenha sorte, embora tenha dúvidas: não se perdoa facilmente o que Rio fez e o silêncio sobre a campanha eleitoral não ajuda lá muito: ao eleitorado laranja não foram apresentados argumentos para não votarem no candidato da extrema-direita. E deviam.
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E porque espero, e até gostava, que Rio tivesse sorte? Fácil. Primeiro, como compensação pelo seu comportamento de estadista ao longo da pandemia. O PSD nunca fez parte do problema. Votou com seriedade tudo o que tinha diretamente a ver com a pandemia. A direção fez oposição com responsabilidade, deixando aos apparatchiks as farpas e flamas, como é normal.Segundo, porque é vital para a democracia se aguentar nas canetas que haja uma alternativa no centro-direita na qual os eleitores possam confiar.Agora: confio em Rio depois da novilhada açoreana? Bem: não sou marinheiro daquelas águas e quero um país diferente do que Rio quer. Dito isto: a minha (des)confiança nele não mexeu um milímetro. Rio habituou-me a esperar boas e más decisões que surgem quando e onde menos espero — e isto já vem dos tempos da Câmara do Porto.
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O mais provável é teres hoje visto com otimismo a tomada de posse de Joe Biden como 46º Presidente dos Estados Unidos da América. O mundo vê-se livre de Trump e regressa à Casa Branca um democrata, como não estar otimista? Junta-lhe a primeira vice-presidente (um pormenor significativo para um homem como eu: Kamala Harris jurou a bíblia nas mãos do marido, uma honra que nenhum americano tivera antes), junta-lhe uma administração muito bem pensada e escolhida para o propósito de reunificar as tribos estado-unidenses — como não ficar sorridentemente otimista?Três razões. Uma: a Administração Biden não contraria, pelo contrário, a gerontocracia em que os EUA se tornaram, particularmente notório ao nível federal; não vejo que venha daí nada de bom.Outra: as divisões sociais não nasceram do trumpismo, que apenas acentuou as fracturas raciais que nunca pararam de se agravar ao longo da história do jovem país; tenho as maiores dúvidas que boas intenções e políticas manietadas pelas forças que controlam o poder (e das quais Biden nunca se afastou) cheguem para inverter o divisionismo social.Divisionismo que, bem vistas as coisas, é não só aceite como pretendido pelas maiorias: é pequeno e pouco poderoso o grupo de pessoas que vê as divisões raciais e de classe dos americanos como um problema. Pessoas mas também grupos empresariais olham para as divisões com bons olhos: das igrejas às armas, manter e incentivar o individualismo e o tribalismo dá mais lucro do que combatê-los.E outra: à medida que perde o momento geopolítico, a liderança e o protagonismo, fraqueja a cola que tem mantido federados os 50 estados e aumentam as vozes e o volume do coro que fala na independência de estados como o Texas (que é uma parte do México e nenhuma fronteira foi eficaz em mais de 100 anos) e a Califórnia; esta tendência vem-se agravando e era precisa uma administração do calibre de três ou quatro Roosevelts para a inverter.
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Quantos mais ministros infetados e quantos mais confinamentos dos seus círculos de contactos próximos são necessários para ser adotada a única decisão decente, que é de vacinar os principais dirigentes políticos do Estado (PR, PM e ministros, Presidente e vice-presidentes da AR, pelo menos), como grupo de risco que são, pelas numerosas reuniões oficias e de trabalho presenciais em que têm de participar, muitas vezes em espaços fechados, ao serviço do Estado?”, pergunta Vital Moreira no Causa Nossa.Eu junto a minha à voz de Vital Moreira. Pelo menos num anterior diário referi que a primeira linha política devia encabeçar a primeira vaga de vacinas. Não usar nesse grupo a primeira remessa de vacinas é um erro. Cometido por uma péssima razão: o medo da reação da opinião pública.

OPINIÕESFrancisco Seixas da Costa escreve sobre eleitorado e Belém: Bom senso e bom gosto. DuasOuTrêsCoisas 👉Cristina Siza Vieira escreve sobre turismo e União Europeia: Viajar é preciso. DiárioDeNotícias 👉Carlos Esperança também escreve sobre a campanha e o recandidato Marcelo: Eleições Presidenciais E Liberdades. PonteEuropa 👉Pedro Santos Guerreiro está em Estado de choque. Expresso $José Brissos-Lino escreve sobre A fraude do nacionalismo cristão. Visão 👉Maria José da Silveira Núncio alto e bom som: Em nome da saúde, fechem as escolas!. Público 👉Rui Tavares escreve: Uma ideia melhor do que votar num racista autoritário? Não votar nele. Público $ 
LINKLOGOs dois projetos de lei do PSD e um do PAN, hoje em discussão no plenário da Assembleia da República, tiveram o melhor acolhimento da bancada parlamentar do BE e do PCP, que sublinharam a necessidade de proteger o princípio do juiz natural (escolha aleatória de um juiz do processo para assegurar a imparcialidade) e de aperfeiçoar os diplomas na especialidade.  //rtp.pt 🇵🇹French constitutional change on environmental preservation faces long road ahead  //euractiv.com 🇪🇸La sociedad vigilada: la pandemia precipita la digitalización : Ethic. La crisis sanitaria acelera la importancia de la digitalización para combatir al virus, pero también abre el debate sobre cómo gestionar la privacidad.  //ethic.es 🇪🇸África sofrerá efeitos da retração do financiamento externo chinês. Dois principais bancos de fomento chineses diminuem o financiamento de projetos no exterior em mais de 90%. Analistas veem que África também sentirá os efeitos da “nova disciplina” de liberação de recursos da China.  //dw.com 🇵🇹Lawmakers who denied Biden’s victory also embrace a deadlier conspiracy: climate denial. 90 of the 147 members of Congress who voted to overturn the election deny basic climate science.  //heated.world 🇬🇧Majority of Europeans fear Biden unable to fix broken US. Survey finds more Europeans than not say US cannot be trusted after four years of Trump.  //theguardian.com 🇬🇧 
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Pandemia à beira do abismo | David Pontes in Jornal Público

Como o PÚBLICO titulou há uma semana na sua primeira página estávamos “no princípio do pior” da situação pandémica em Portugal. Todos os indicadores – números de mortes, número de novos casos, necessidade de cuidados intensivos – já apresentavam um recorde nesse dia e, daí até hoje, tem sido uma sucessão de máximos ultrapassados. Ontem foi mais um.

Somos um dos países com um dos registos mais complicados da Europa e esse cenário lúgubre, reforça-se com a previsão dos administradores hospitalares que calculam que o número de internados por covid-19 possa aumentar 60% durante a próxima semana. Podemos vir a ter mais de 7500 infectados nos hospitais, 900 em cuidados intensivos. E a ser correcto o alerta do epidemiologista Carmo Gomes, de que os 10 mil casos diários podem ser “um tecto falso” que escondem uma realidade bastante pior por incapacidade de testagem, as previsões poderão até ser conservadoras.

Na marcha inexorável da epidemia, já não vamos a tempo de evitar que o cenário das ambulâncias à porta dos hospitais, da corrida pelo aumento da capacidade de internamento, venha a ser a dura realidade dos próximos dias. O pior dos horizontes, o de atingirmos a capacidade de resposta do sistema de saúde, pode estar terrivelmente próximo. Leia-se com atenção as palavras do presidente do conselho de administração do Santa Maria: “A capacidade dos hospitais não é ilimitada.”

Perante esta realidade, a inclinação do Governo para manter o equilíbrio entre as necessidades de saúde pública e a subsistência de uma economia em transe, começa a assemelhar-se a uma inclinação para o abismo. O confinamento teve uma partida em falso e se, passado o fim-de-semana, a situação se mantiver e as autoridades não reforçarem as restrições rapidamente, poderá ser uma situação de verdadeira catástrofe a levar o Governo a agir, o que seria péssimo pelo tempo desperdiçado e pelas vidas perdidas.  

As imagens dos hospitais sobrelotados como o de Loures ou Torres Vedras podem trazer o medo, que funcionou em Março, e que poderá levar alguns dos que encararam de forma mais ligeira este confinamento a arrepiar caminho. Mas o cansaço acumulado, e a necessidade de muitos continuarem a sua vida, deixa cada vez menos margem às autoridades para hesitações. Não reforçarmos o confinamento, perante o abismo que se avizinha, até para preservar coisas essenciais como o ensino presencial nos primeiros ciclos, será um caso de cegueira colectiva.

David Pontes in Jornal Público

https://www.publico.pt/2021/01/17/opiniao/editorial/pandemia-beira-abismo-1946651

Certamente! Sexta-feira, 15 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

E pronto: metade do mês já lá vai. O tempo subjetivo passa cada vez mais depressa. Hoje no diário só dá eleições: as presidenciais portuguesas e para a liderança da CDU, o partido de Angela Merkel. E as rubricas habituais: opiniões (se és jornalista, não percas a opinião de Vital Moreira) e linklog (se és eco-sensível, não percas a vegetação senciente).
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O Rui Tavares teme: a esquerda portuguesa preparando um desastre à francesa? (Público $). Refere-se à estratégia de candidaturas de cada área partidária somadas à desistência do partido do centro-esquerda a favor do candidato do centro-direita, “que nos deu duas presidências de Cavaco Silva e uma de Marcelo Rebelo de Sousa. E as direções partidárias continuam a justificar as suas escolhas como se estivéssemos em 1986. Pior ainda, a direção do maior partido à esquerda parece viver contente com a possível vitória do candidato da direita.”Há seis meses, quando as presidenciais se começaram a desenhar, estive entre os que acharam que a pulverização de candidaturas à esquerda não era uma coisa má. A popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa garantia-lhe a reeleição, que em si também não é propriamente uma coisa funesta. Só que isto é dinâmico. E chegados a dezembro, e mais particularmente a janeiro, vejo que essa minha interpretação foi um erro. O ganho com a divisão das esquerdas, que é Bloco e PCP manterem os seus eleitorados relativamente estanques, é largamente suplantado pelo prejuízo da candidatura da direita radical marcar a agenda e sair psicologicamente vitoriosa do inexistente combate com a esquerda.“Se em 1996 elegemos Jorge Sampaio à primeira volta contra Cavaco Silva”, recorda Rui Tavares, “foi porque os candidatos do PCP e da UDP, Jerónimo de Sousa e Alberto Matos, desistiram — e já se sabia que iriam desistir. Isso permitiu a toda a gente, mesmo a que via defeitos em Jorge Sampaio, a mobilizar-se a tempo para uma candidatura ganhadora”.É demasiado tarde para a candidatura de João Ferreira desistir a favor de outra. Nenhum sinal foi dado de que isso pudesse acontecer, nem sequer se notaram sinais de que alguém pensasse nisso. Acredito que a Marisa Matias tenha passado pela cabeça endossar Ana Gomes, por todas as razões a começar na força de uma candidatura feminina sinalizada informalmente por quase toda a esquerda e a terminar na camaradagem de ambas enquanto euro-deputadas. Mas ninguém desistiu e a janela está fechada.Objetivamente, a pulverização de votos nas três candidaturas da esquerda beneficiará a visibilidade da candidatura da direita. “Não está em causa a qualidade dos candidatos e candidatas à esquerda, tão estimáveis ou até admiráveis como os seus congéneres da esquerda francesa em 2002. Está em causa que juntos cilindrariam o candidato da extrema-direita com o triplo dos votos dele ou mais ainda. Separados, estão a dar-lhe uma hipótese de sair em segundo lugar, mesmo que só por umas décimas, como dizem certas sondagens”, acrescenta o Rui.
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Uma pessoa sente-se tentada a apontar o dedo ao primeiro responsável pela estratégia do PS nas presidenciais. Até eu ia fazê-lo e fui procurar conselho na evolução das intenções de voto, mas a leitura que me parece óbvia absolve António Costa do pecado da esquerda: o próprio PS subiu uns pontos nos últimos 2 meses, que coincidem com os candidatos presidenciais nas ruas, como se pode ver no gráfico abaixo (tirado do EuropeElects).Não absolve totalmente, claro. A absolvição não cobre o alheamento da direção do PS, que mesmo sem candidato formal podia ter tido alguma influência nas estratégias das campanhas à esquerda. Dir-me-ás: o gelo relacional pós-Orçamento de Estado não deixaria isso suceder. Dir-te-ei: aí está, o PS alheou-se da sua responsabilidade de liderança política da esquerda.Mas a responsabilidade maior não é nem do PS nem da candidatura informal da sua área política. É do BE e do PCP. As suas prioridades egoístas deixam a esquerda à beira de um momento de vergonha. E comprometem os dois partidos.A pandemia tem aqui um efeito invisível. O cansaço acumulado nas pessoas e os comportamentos de escape consubstanciam-se eleitoralmente em voto de protesto — e por causa da gestão dos medos na pandemia o voto de protesto não penaliza o PS, partido exposto na governação e partido que abdicou de candidato oficial, mas sim os partidos da esquerda que entre outras mantém a função de pára-raios dos votos de protesto.Uma única candidatura presidencial de esquerda viria inverter, ou estancar, a tendência de crescimento do Chega, que é hoje o terceiro partido?A questão é mais complexa do que sim/não. Como deixei bem vincado no diário de ontemos candidatos outsiders em re-eleições obtém resultados anormais, pontuais, que não se consubstanciam em mudanças de fundo que afetem eleições futuras. Manda a tradição eleitoral que nas autárquicas de outubro próximo o Chega tenha metade da percentagem que Ventura conseguir nas presidenciais deste mês.O problema é menos de tendência e mais de momento. O que a divisão das esquerdas conseguiu foi um momento de vergonha e embaraço. Claro que os momentos deixam marcas. Mas não são condenações para a vida.No simbólico dia 26 de janeiro começa o período no qual as esquerdas têm de refletir por sua vez no fenómeno do Chega e concertar respostas. É hoje claro que o CDS foi absorvido e o PSD está comprometido. A direita portuguesa meteu todas as fichas na destruição da democracia; os que não gostam disso calaram-se. Não aconteceu em Portugal o que sucedeu noutras regiões da União Europeia: Rui Rio não vincou a linha vermelha à direita do sistema partidário. Talvez porque Passos Coelho a tinha apagado e Luís Montenegro se preparava para construir uma auto-estrada entre o centro-direita e a direita radical.
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Parece-me gritantemente óbvio que uma das reflexões urgentes a fazer nas esquerdas é a necessidade de alterar a relação de forças na Comunicação Social. A pandemia e mais recentemente o período das presidenciais mostraram que a direita tem a hegemonia na condução estratégica dos órgãos de Comunicação Social. Um dos efeitos funestos é a manipulação das meias verdades e das mentiras e das sondagens para criar e modelar dinâmicas sociais. Não há em Portugal nenhum órgão de comunicação social que subscreva um modelo de sociedade que se possa caracterizar em moldes mínimos de esquerda. E a influência nos órgãos existentes é cada vez menor.
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A chanceler alemã Angela Merkel deverá conhecer amanhã o próximo líder do seu partido, a CDU. O mais provável, segundo as sondagens, é Friedrich Merz, um adversário de Merkel que representa a linha mais à direita do partido democrata-cristão. Mas hoje a incerteza ainda pesava no processo eleitoral, que decorre online: os outros candidatos, Armin Laschet e Norbert Röttgen, mantinham a eleição em aberto.Se der Merz, a CDU abandona o pragmatismo de Merkel para abraçar o liberalismo económico — not that good para a União Europeia mas mau para a direita radical alemã da AfD. Enfim.De notar que se espera que, ao contrário do que é hábito e sucedeu com Merkel, o líder da coligação CDU/CSU a concorrer a chanceler em setembro venha não da CDU (o partido maior da coligação) mas da CSU: Marcus Söder.Aprofundar:German CDU on verge of electing divisive figure to replace Angela Merkel. Millionaire lawyer Friedrich Merz is favourite to take centre-right into federal elections // GuardianQuais as chances de um democrata cristão suceder Merkel? Em convenção virtual, 1.001 delegados da CDU vão escolher o novo chefe do partido de Merkel. Uma decisão de peso, pois novo líder conservador estará entre os favoritos para assumir a chefia do governo da Alemanha. // Deutsche WelleFriedrich Merz’s revenge. Thin-skinned lawyer who wants to succeed Merkel has a history of going after his critics. // PoliticoPrésidence de la CDU : Friedrich Merz veut sa revanche. L’expertise financière de cet homme d’affaires et son ambition réformatrice en font le favori des milieux économiques et conservateurs délaissés par Angela Merkel. Son passif avec la chancelière inquiète cependant nombre de délégués. // Les EchosTrês homens na corrida a líder da CDU. Para suceder a Merkel o favorito é outro. Friedrich Merz, Armin Laschet e Norbert Röttgen são os candidatos, mas é Markus Söder que poderá acabar por ir a votos nas eleições de 29 de setembro. // DN

OPINIÕESEurico Reis escreve sobre Lei e Estado de Direito: O combate pela democracia. Expresso 👉Vital Moreira escreve sobre o caso dos jornalistas vigiados pelo Ministério Público: Às Avessas (2): Quando Os Infratores “viram” Queixosos. CausaNossa 👉Ana Alexandra Carvalheira escreve sobre o impacto da pandemia nos relacionamentos: Procura-se parceiro: Solteiros com a vida amorosa em atraso. Visão 👉António Luís Marinho escreve sobre os debates das presidenciais: Elogio da direita democrática . ionline 👉Rui Bebiano escreve: A guerra contra a Covid-19 e os partidos. ATerceiraNoite 👉Jorge Sampaio escreve: O Presidente da República no semipresidencialismo português. Expresso 🔒Simões Ilharco escreve sobre as medidas: Portugal no rumo certo apesar do confinamento. DiárioDeNotícias 👉 
LINKLOGResearch suggests that at least one type of plant – the french bean – may be more sentient than we give it credit for: namely, it may possess intent. The issue of whether or not plants choose their actions and possess feelings or even consciousness is a thorny one for many botanists, with the more traditional-minded strongly disputing any notion of sentient vegetation. Although plants clearly sense and react to their environments, this doesn’t mean they possess complex mental faculties, they argue.  //theguardian.com 🇬🇧We Mock the Rioters as Ignorant Buffoons at Our Peril  //politico.com 🇬🇧Global coronavirus death toll reaches 2 million people. Our world has reached a heart-wrenching milestone says United Nations chief António Guterres  //theguardian.com 🇬🇧How to fix EU’s weak Digital Services and Markets Acts.  //euobserver.com 🇬🇧 
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Certamente! Terça-feira, 12 de janeiro de 2021 | Paulo Querido

Hoje é um belíssimo dia para evitar o uso da palavra caos. Adiante. No menu: o plano de vacinação, a gravidade da pandemia e uma boa notícia científica. Adenda em cima do fecho, uma sombria reflexão sobre o dilema do Partido Republicano: ser ou não ser pela democracia, eis a questão.Fica para amanhã o correio dos leitores que esteve previsto para hoje.
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A confiança nos grupos de técnicos e de governantes que integram a tomada de decisões faz parte da minha forma de encarar esta época extraordinária e esta é uma atitude tão profunda quanto inabalável. Isto não significa que não tenha dúvidas e opiniões. Vou tornar pública uma opinião contrária às prioridades do plano de vacinação em consequência do teste positivo do Presidente da minha República e por inerência comandante supremo das Forças Armadas e como tal o cidadão mais significativo do país.Entendo que a primeira linha política devia encabeçar a primeira vaga de vacinas. Não usar a primeira remessa de vacinas no Presidente da República, no Primeiro Ministro e numa lista de pessoas dos órgãos de soberania e de exposição pública elevada (uma lista fácil de fazer, filtrando ministros, secretários de Estado, líderes partidários, candidatos presidenciais, you name themé um erro. Cometido por uma péssima razão: o medo da reação da opinião pública.A um governante não peço que governe em função do que diz o grupo de privilegiados com espaço na comunicação social, nem dos trending topics do Facebook e Twitter, nem dos estudos de opinião. Peço que tudo isso tenha (bastante) menor prioridade que a eficácia das medidas a tomar, que as políticas sufragadas e que as necessidades de cada momento, sobretudo se estamos num momento excecional em que se pede ainda maior atenção às decisões.Se tiver de ser impopular, so be it. Governar não é um concurso de popularidade. Ser político é secundado por ser estadista. É assim que eu voto, é o meu pacto, a minha expectativa.
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De acordo com o período de confinamento. Um mês, disse António Costa. Disse bem. É a política do medo? Pois que seja. Qualquer pessoa com um dedo e meio de testa já compreendeu a dimensão e a escala da ameaça que o novo coronavírus representa para a espécie humana.Há tempos usei a metáfora da bola de neve. A Covid-19 é a bola de neve: à medida que se espalha, o seu impacto no sistema de saúde aumenta exponencialmente e atrai todos os recursos e esforços que normalmente seriam distribuídos por outras patologias. Não interessa se é público, privado ou não sabe/não responde: o sistema global é afetado. É arrasado à medida que a bola de neve desce a encosta aumentando de tamanho.
3
Novo modelo de previsão da evolução da COVID-19 poderá aliviar a pressão sobre o sistema de saúde. Uma equipa de cientistas MedUni Vienna liderada por Alice Assinger no Centro de Fisiologia e Farmacologia desenvolveu um modelo para prever a sobrevivência de pacientes hospitalizados COVID-19 com um elevado grau de precisão. O aspecto importante deste modelo é que se baseia exclusivamente em medições clínicas de rotina existentes, de modo a não requerer qualquer análise laboratorial complexa adicional.Os médicos podem introduzir os parâmetros dos seus pacientes numa calculadora online, passando a dispor de uma ferramenta para os apoiar nas suas decisões relativas à potencial alta dos pacientes. O modelo matemático que sustenta a ferramenta foi desenvolvido por Stefan Heber do MedUni Vienna Institute of Physiology e baseia-se em medições repetidas do marcador inflamatório proteína C-reactiva, o marcador de creatinina que reflecte a função renal e o número de plaquetas (trombócitos) no sangue.Ainda sem o peer review, já estão disponíveis tanto o artigo científico como a ferramenta de cálculo para uso de especialistas.(Se escreves conteúdos para sites de imprensa ou és jornalista, toma o link para o press-release e dados adicionais.)
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Uma das principais consequências da cedência do Partido Republicano aos avanços da direita radical, que acabou por levar Trump à presidência dos EUA, está agora exposta como uma ferida profunda: o partido tem hoje duas correntes, uma corrente que é intrinsecamente pró-democracia e outra corrente que quer destruir a democracia americana e tornar o país numa autocracia plutocrata.Os republicanos terão de tomar uma decisão pública sobre isto. Terão de ser claros perante a América: ou são pró-democracia, ou não. Continuarem divididos não é opção.Rui Rio e o que resta do PSD devem mirar-se naquele espelho. Na sua escala, a porta aberta por Passos Coelho com o seu compromisso com o ninho de radicais de direita que emergiu este século em Portugal expôs o PSD ao mesmo dilema vital.A diferença esteve em André Ventura: não quis esperar pelo trajeto interno, apressou-se e saiu do PSD para fundar o Chega. A direita radical portuguesa ganhou o seu veículo, um trator capaz de arrastar eleitores e quadros dos PSD para um movimento de debandada; o esvaziamento do PSD é o facto político desta legislatura.Regressando aos EUA: o sistema político estado-unidense tem-se aguentado bi-partidário até hoje. Será o GOP capaz de manter a tradição e a fidelidade à democracia?

OPINIÕES

João Rodrigues desanca forte em Miguel Sousa Tavares: Passar o tempo. LadrõesDeBicicletas
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Marisa Fernandes escreve sobre a gestão política da tecnologia: De deusa da Terra a criadora da harmonia digital: Gaia a fechar a presidência alemã. DiárioDeNotícias
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João Figueira escreve sobre Jornalismo e André Ventura: As notícias da política rasca.SinalAberto
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Mariana Mortágua escreve sobre a extrema-direita: Pessoas de bem podem votar mal. JornalDeNotícias
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Afonso Camões escreve sobre o papel dos Estados: A desigualdade infeta. DiárioDeNotícias
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Rosália Amorim escreve sobre voto e MAI: Um novo normal exige um novo tipo de voto. DiárioDeNotícias 👉
LINKLOG
One of Trump’s most significant failures is a massive win for the climate movement. The fossil fuel divestment movement was a success in 2020. It will need to go even harder in 2021.  //msnbc.com 🇬🇧

Can Buddhism teach artificial intelligence engineers to make more ethical programs? In the MIT Technology Review, Professor Soraj Hongladarom of Chulalongkorn University in Bangkok argues that programmers not only in the East but also the West can benefit from the principles of Buddhism​ and that AI should strive to relieve “suffering from pain.”  //technologyreview.com 🇬🇧
50,4%
: a Chinese vaccine has been found to be significantly less effective than what previous data suggested, even as the Brazilian research institute that conducted the phase 3 clinical trials urges the public to not focus on the new efficacy rate.  //scmp.com 🇬🇧

10 momentos em que Ventura imitou Trump  //esquerda.net 🇵🇹
A extrema direita é um problema novo e não é apenas político-partidário. Os media e, por inerência, o jornalismo, têm de aprender a lidar com este fenómeno que, aproveitando o jogo e as regras da democracia, apenas as quer corroer. 
A política rasca exige mais vigilância e um jornalismo mais exigente, criterioso e completo. Tal significa que não se pode tratar de forma igual o que é desigual.  //sinalaberto.pt 🇵🇹 
Na web: diário | linklog

UM PAÍS QUE SE AUTODERROTA | Pedro Adão e Silva | in Jornal Expresso de 31/12/2020

Primeiro era o plano que não existia e as vacinas que não iam chegar. Depois, era a impreparação generalizada do país para administrar vacinas. No dia em que a vacina chegou, o problema passou a ser distinto: em lugar de um diretor do serviço de doenças infectocontagiosas de um dos maiores hospitais do país, o primeiro vacinado deveria ter sido outro.

É um padrão conhecido. Um país que desconfia, que se autoderrota, mesmo contra as evidências, e que aguarda com entusiasmo provinciano que as coisas corram mal.

Esquecemos com isso que nenhum país estava preparado para lidar com esta pandemia e que em todos os casos foram cometidos erros. Muitos erros, aliás. Mas, tendo em conta o que já percorremos, há motivos para nos congratularmos com a resposta que os serviços públicos portugueses deram às solicitações dos cidadãos: a segurança social que teve de processar centenas de milhares de pedidos de lay-off, enquanto os seus funcionários estavam em teletrabalho; o ensino que teve de se adaptar às aulas à distância; os lares, geridos numa combinação singular entre recursos públicos e boas vontades particulares, que se adaptaram a situações limite; e o Serviço Nacional de Saúde, que conseguiu lidar com uma pressão que se anunciava ingerível.

Temos níveis de cobertura de vacinação, por exemplo de sarampo e rubéola, superiores a 95%. Alguma coisa teremos feito bem.

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Álvaro Cunhal | por Jorge Amado

«Tão magro, de magreza impressionante, chupado a face fina e severa, as mãos nervosas, dessas mãos que falam, mal penteado o cabelo, um homem jovem mas fisicamente sofrido, homem de noites mal dormidas, de pouso incerto, de responsabilidades imensas e de trabalho infatigável, eu o vejo, sentado ao outro lado da mesa, diante de mim, falando com a sua voz um pouco rouca, os olhos ardentes no fundo de um longo e sempre vencido cansaço, e o vejo agora como há cinco anos passados, sua impressionante e inesquecível imagem: Álvaro Cunhal, conhecido por Duarte, o revolucionário português. Falava sobre Portugal, sobre que poderia falar?

Sua paixão e sua tarefa: libertar o povo português da humilhação salazarista, libertar Portugal dessa já tão larga noite de desgraça, de silêncios medrosos, de vozes comprimidas, de alastrada e permanente fome do povo, de corvos clericais comendo o estômago do país, de tristes inquisidores saídos dos cantos mal iluminados das sacristias e da História para oprimir o povo e vendê-lo à velha cliente inglesa ou ao novo senhor norte-americano. Sua paixão e sua tarefa: fazer de Portugal outra vez um país independente e do povo português um povo novamente livre e farto e dono da sua natural alegria.

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TAP – A HORA MAIS NEGRA | HELENA VASCONCELOS

A leviandade e ignorância que certos “comentadores” arvoram com arrogância e tibieza são, no que diz respeito ao momento terrível que a TAP atravessa, simplesmente criminosas.

Os ( e as) que afirmam com convicção que se deve “fechar a TAP” – como se se tratasse de um negócio de vão de escada – ou “deixar cair a TAP” – com a cobardia habitual de quem prefere cruzar os braços e é totalmente falho de visão – ou, como dizia uma dessas luminárias , “reestruturar” até a TAP estar a dar lucro e depois vendê-la – como se fosse uma vaca parideira ou um peru de Natal – toda esta gente que dá palpites a torto e a direito, sem informação fidedigna, sem uma verdadeira pesquisa aturada, é, simplesmente uma vergonha para o país.

O “caso TAP” é singular e particularmente intrigante . Uma Companhia que soma prémios de excelência, que é reconhecida em todo o lado como referência, que dá cartas em inúmeros sectores – os pilotos são considerados dos melhores do mundo, os serviços de manutenção são procurados por todos, sem contar com um sem número de serviços que vão para além da aviação propriamente dita – essa mesma Companhia é vilipendiada a cada momento pelos cidadãos e cidadãs deste país que têm a memória curta e uma atitude de desprezo provinciano por algo de que deveriam acarinhar e orgulhar-se. Quando constato que tanta gente se indigna com vendas a países estrangeiros de tranches larguíssimas de empresas e companhias portugueses que são de importância estratégica – como por exemplo, a EDP – mas estão prontíssimos para vender a TAP ao desbarato, pergunto-me : afinal, o que querem? Aliás, hoje só me ocorrem perguntas: o que tencionam fazer com 10 mil desempregados, se “fecharem as portas”? Quem irá pagar os seus subsídios de desemprego, quem irá sustentar os negócios que estão agregados à TAP? Quem irá providenciar o sustento de famílias inteiras?

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Ah, políticos como nós. Que refrescante! | por Mafalda Anjos | in Revista Visão

Os comentários acerca das lágrimas de Marta Temido mostram um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres em cargos de direção.

Uma das grandes epidemias deste século é a da falta de empatia. A tecnologia que colocou vários ecrãs entre nós e os outros tornou-nos menos capazes de ler quem está do lado de lá, de os sentir e de nos colocarmos no seu lugar. É cada vez mais raro alguém experimentar caminhar nos sapatos de outra pessoa, como dizem os ingleses, antes de tecer considerações sobre ela.

Desde o início da pandemia que Marta Temido e Graça Freitas têm sido sujeitas a esta epidemia da falta de empatia e a críticas que não teriam sido feitas a homens se estivessem nos lugares delas. Desde março que a sociedade portuguesa destila todo o seu preconceito em comentários maldosos que nada têm a ver com reparos à sua atuação, mas ao simples facto de lhes faltar a hormona da testosterona.

Quantas vezes ouviram que a tarefa de fazer face a uma pandemia é demasiado árdua para estar a cargo de duas mulheres? Que não têm força para isto, nem “tomates” para as decisões que é preciso tomar? Ou comentários infelizes aos dentes, aos alfinetes de peito, ao que vestem e como se apresentam? Eu li e ouvi centenas, milhares. Demasiados para o que seria de esperar em 2020. Não tenhamos dúvidas: liderar é difícil, liderar sendo mulher mais ainda. Sei do que falo.

Ontem, Marta Temido chorou em público e durante a tarde não se falou de outra coisa. Os comentários foram os mais variados, muitos deles irreproduzíveis aqui, tal e qual como quando se soube que Graça Freitas estava contaminada com Covid-19. A maioria tinha duas coisas em comum: um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres na política ou em cargos de direção.

Merkel, Lula da Silva, Jacinda Ardern, Obama e até mesmo Putin, imagine-se, já choraram em público. Um político não se pode emocionar? E não se pode irritar? Uma diretora-geral da Saúde não pode adoecer? Podem sim. Não só podem, como eu diria mesmo que é refrescante quando isso acontece. É sinal de que os dirigentes, políticos ou técnicos, são feitos da mesma massa do que os outros de nós, que são humanos, que também têm um coração que bate do lado esquerdo e um cérebro que funciona por sinapses. É sinal que têm consciência da repercussão das suas decisões nas vidas alheias e do peso da responsabilidade que assumem. É sinal de que não são robots analíticos desprovidos de humanismo.

Não se imagina o enorme fardo da tarefa que Marta Temido e Graça Freitas desempenham ininterruptamente desde março. As imensas dúvidas que terão tido, as decisões que tiveram de tomar não estando detentoras de toda a informação normalmente confortável para o fazer, os complexos dilemas que tiveram de ultrapassar, a frustração que sentiram perante a falta de recursos e de meios com que têm de atuar.  

Muitas vezes discordei das suas opções e muitas outras critiquei as suas decisões e declarações. Sim, é claro que cometeram vários erros. Mas esperar outra coisa é não ter noção nenhuma do que é conduzir a pasta da Saúde durante uma pandemia com um novo vírus.

Estamos cá para continuar a escrutinar. Quando tudo passar, será a História com o distanciamento devido a avaliar o seu legado e o seu desempenho. Creio que, perante as circunstâncias, não se estão a sair mal – mas ainda faltam os últimos quilómetros decisivos desta maratona, nomeadamente o plano de vacinação.

No entanto, desde já, uma coisa reconheço e agradeço a estas duas senhoras: a sua imensa resiliência, persistência e espírito de sacrifício, a sua quase inesgotável capacidade de trabalho, o seu talento para a gestão de crise com tato e serenidade. Atrevo-me a dizer que poucos seriam os homens à altura deste desafio. 

MAFALDA ANJOS DIRETORA da Revista Visão

Retirado do Facebook | Mural de Revista Visão

TAP | Tiago Franco

(Pessoal que quer ver a TAP pelas costas é melhor parar nesta linha)

Não sou um grande fã da ficção. Claramente alinho mais com a prosa factual e histórica. Ainda assim forcei-me a ler um livro que encontrei na Fnac: “Missão em Cuba” do Nelson deMille. “Best Seller” e “número 1 em Nova Iorque” prometia quem o publicitara. Eu confesso que o chamariz estava naquela foto de capa, com o capitólio de Havana e um carro da década de 50, brilhante e colorido pelos anos de embargo. Imaginei um espião no Malecón, um rum “shaken, not stirred” e rumbas húmidas com camaradas pelo meio. Mas era só na minha cabeça. Na realidade de quem pensou a história, ao fim de 100 páginas preparavam-se para aterrar em Havana. Relembro que o nome do livro é ”Missão em Cuba”. Já estava ligeiramente irritado quando ouço lá ao fundo o Cotrim a falar na Assembleia da República. De vez em quando corto na Bossa Nova e aposto no Parlamento para música ambiente. O tema era a TAP e a sua reestruturação.

O Cotrim, como se imagina, traçava o caminho da privatização e argumentava, como bom liberal, com o erário público que na sua visão deve ser reduzido. Aos poucos aquela voz, repetindo disparates, tomou a vez do Nelson e acabei por fechar o livro. Continuávamos sem chegar a Havana pelo que, mal por mal, resolvi trocar uma irritação por outra.Dizia o Cotrim, de cátedra, que não estava surpreendido com a situação da TAP e que há muito se adivinhava a necessidade de ajuda que agora se discutia. Portanto, num ano em que as companhias aéreas um pouco por todo o mundo colocaram os aviões em terra e os países encerraram fronteiras, o Cotrim percebeu que a TAP ia ter problemas. É melhor ninguém lhe dizer que sabíamos todos, para não lhe estragarmos o vídeo de 2 minutos que meteram no canal de youtube da Iniciativa Liberal.

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Cabo Delgado | Moçambique | Carlos Matos Gomes

A violência em Cabo Delgado é simultaneamente simples de perceber e propositadamente difícil de explicar. A causa simples é a luta pelo poder, enquanto domínio que permite o acesso de um dado grupo às riquezas. Neste sentido, a causa da violência em Cabo Delgado é idêntica à da violência que conduziu às invasões do Iraque, da Síria e à destruição da Líbia. A única diferença é que a região onde se encontram as riquezas – petróleo, gás, e também pedras semipreciosas – é habitada por uma sociedade com poucos ou nenhuns meios de defesa (os macondes) e faz parte de um Estado fraco, incapaz de garantir a ordem interna e de se defender de ataques externos. Cabo Delgado é um alvo mole e barato para os assaltantes.

É deliberada a complexidade das diversas explicações para a violência em Cabo Delgado, classificada como «conflito» – não há qualquer conflito, há imposição de um poder pelo terror. A complexidade destina-se a esconder os responsáveis perante a opinião pública e a confundi-la. Os argumentos que salientam tensões etnolinguísticas, particularmente entre povos muçulmanos da costa, macuas, e macondes (animistas/cristãos), desigualdades no acesso a benefícios do Estado por parte dos macondes, favorecidos pelo estatuto dos antigos combatentes, representação política, assimetrias, lançadas para a opinião pública como estando na origem do jhiadismo e das suas práticas de terrorismo religioso são meras falácias, engodos e enganos.

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O código da vida, decifrado | Arlindo Oliveira | in Jornal Público

Um problema que, durante mais de meio século, desafiou os melhores grupos de investigação do mundo, foi agora resolvido pelo programa AlphaFold.

Sabe-se, há muito tempo, que determinadas características dos progenitores passam para os descendentes. Porém, os mecanismos de transmissão destas características só foram compreendidos há relativamente pouco tempo. Mendel descobriu, e publicou em 1866, algumas das regras que controlam a transmissão destas características, mas o seu trabalho permaneceu ignorado durante décadas e só foi redescoberto no princípio do século XX. Quando, em 1859, Charles Darwin comunicou a sua descoberta (que partilhou com Alfred Russel Wallace) de que este mecanismo de herança de características estava na origem de todas as espécies que existem no planeta, revolucionou a nossa compreensão do mundo. Existia, afinal, uma resposta simples, óbvia e definitiva para a questão: o que somos, de onde vimos, como aparecemos neste planeta? Mas Darwin não sabia como era feita a transmissão de características nem conhecia o trabalho de Mendel. Foi preciso esperar mais um século até ficar definitivamente esclarecido qual o mecanismo biológico usado pela natureza para passar as características dos progenitores para os seus descendentes, criando a variação, mas também a continuidade, que tornam possível o processo evolutivo.

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O PCP e o Orçamento do Estado para 2021 | António Filipe

O PCP posicionou-se perante o OE para 2021 em absoluta coerência com o que fez entre 2015 e 2020 e como sempre disse que faria.

Apreciou as propostas pelo seu conteúdo e sem perder nenhuma oportunidade para obter avanços favoráveis ao povo português. O PCP sempre disse que a sua relação com o Governo PS não dependeria de qualquer documento assinado mas da análise das propostas em discussão. A questão não é notarial. É política. Não assenta em proclamações mas em conteúdos. O PCP obteve ganhos de causa muito importantes neste Orçamento do Estado. Não para si, mas para os trabalhadores sujeitos a lay-off, para os reformados ou para quem defende o reforço do SNS.

Se o PCP não tivesse aberto a possibilidade de discussão na especialidade e tivesse votado contra, nada disso teria sido possível. A discussão na especialidade foi um terreno de luta de que o PCP não abdicou e com a sua posição permitiu que propostas de outros partidos tivessem sido aprovadas com os seus votos mesmo contra os votos do PS. Também foi a posição e a coerência do PCP que, ao permitir a discussão na especialidade e ao viabilizar o Orçamento, tornou isso possivel.

O PCP não desiste de lutar pelo que não conseguiu obter. O Governo PS não é melhor nem pior do que era antes, mas esta luta continua em melhores condições do que continuaria se este Orçamento tivesse sido rejeitado. O PCP terminou este processo orçamental com a consciência do dever cumprido porque foram obtidos avanços concretos que os portugueses não deixarão de sentir.

António Filipe

Retirado do Facebook | Mural de António Filipe

Vandalismo com futuro | Francisco Louçã

Ao longo do dia de hoje, o drama das eleições norte-americanas, que ainda não tem vencedor oficialmente certificado três semanas depois do dia do voto (e as contagens ainda continuam, mesmo que já não mudem nada), vai chegando ao fim.

Entretanto, foi-se convertendo numa farsa: os tuítes do presidente cessante deixaram de ser uma ameaça para serem risíveis, fracassou a convocação para a Casa Branca dos representantes da maioria republicana na assembleia estadual do Michigan para os convencer a imporem um golpe constitucional de duvidoso resultado, os anunciados processos com provas esmagadoras são amesquinhados por juízes conservadores em tribunal. Parece não sobrar nada da estratégia de Trump, que sorumbaticamente se arrasta por campos de golfe para passar o tempo, enquanto no seu país o número de casos Covid se aproxima dos duzentos mil por dia.

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Certamente | Paulo Querido

Quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Hoje: um diário muito mais político do que é habitual. Não te habitues: tenho dias.

Orçamento de Estado para 2021 aprovado por 3 votos
😂 Rui Rio
😕 Catarina Martins
😰 António Costa
😐 Inês Sousa Real
😞 Telmo Correia
🤥 André Ventura

Pontos breves:

O Bloco fez um arriscado investimento no chumbo do OE com a proposta do corte do Novo Banco. Vai pagar juros altíssimos, a começar já em Janeiro com o eleitorado a fugir de Marisa Matias para Ana Gomes e João Ferreira.

Rui Rio foi o espertalhufo da semana: não arriscou um cêntimo seu e palmou quase todo o lucro que a proposta do Bloco possa vir a render.

O PCP, o PEV e o PAN estiveram imperiais. Não apenas os seus eleitores mas os portugueses de uma forma geral devem-lhes uma palavra de agradecimento pela seriedade, pelo empenho e pelo esforço que colocaram neste Orçamento. Se o documento não ficou pior, muito se deve aos deputados destes três partidos. E se não temos o agravamento desnecessário da tensão política a semanas das presidenciais e da chefia portuguesa da União Europeia, a eles o devemos.

João Leão revelou-se frouxo e inábil. Ou vice-versa. Não me parece que António Costa e João Leão, ou vice-versa, possam invocar a COVID-19 para justificar o gelo fino em cima do qual o Governo vai entrar em 2021. Ou Costa está farto de ser PM, ou este é um desastre político difícil de explicar. E não é limpando as mãos ao Bloco nem dramatizando o golpe de mestre de Rio que o PS se safa.

Catarina Martins e Mariana Mortágua estão a lamber as feridas e a tirar os estilhaços da bomba explodida por Rui Rio. O Bloco perdeu espaço de manobra a troco de nada. Eu creio que foi premeditado o timing da jogada: dar um rebuçado à ala dura do Bloco enquanto se surge como oposição destemida a “este” PS e fazê-lo JÁ, a dois orçamentos de distância das próximas legislativas. Quer dizer: eu QUERO ter esta fé. Chama-me ingénuo se quiseres.

Leia aqui: https://paulo.querido.net/#diario

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É melhor não repetir o que a TVI fez com o Banif | Francisco Louçã

A desvantagem de comentar a quente é esta: não se pensa duas vezes.

José Gomes Ferreira, que conhece bem a economia e as trapalhadas do Novo Banco, veio dizer hoje ao almoço que havia um “risco indireto” para os depositantes desse banco e um risco para o Estado português, em função da decisão do parlamento de não autorizar uma transferência de 478 milhões até haver resultado de uma auditoria confiável.

Ele apressou-se logo a corrigir e a dizer que o risco era “muito indireto”, mas fez mal em ter feito a sugestão inicial. Foi assim que uma informação da TVI, aliás errada, desencadeou uma corrida ao Banif.

Esse risco de depósitos não existe no Novo Banco e é errado suscitar esse receio. Os depósitos estão seguros. O que o parlamento decidiu é de simples bom senso.

O pagamento ao Novo Banco pelo Fundo de Resolução, que só ocorre em maio, deve ser precedido de uma justificação nos termos do contrato, da certeza de que não há abuso e de que as contas estão certas. Aliás, Gomes Ferreira declara peremptoriamente que os 478 milhões nunca iriam chegar e que, portanto, a conta proposta no Orçamento era a fingir. Ele tem a certeza de que vai ser pedido mais dinheiro, tem razão e ainda bem que o revelou.

Por isso, sabe-se que haveria sempre uma nova proposta do Fundo de Resolução e do governo para subir o financiamento. Tudo em maio, como está no contrato. Não há, portanto, nenhum incumprimento desse contrato pelo Estado português. Não sabemos é se há um incumprimento por parte da Lone Star e isso vai ser apurado pela auditoria.

Que um Estado decente proteja os seus cidadãos e os depositantes do banco é de meridiana clareza.

Não vejo como se possa alegar uma obrigação que ainda não está confirmada (nem as contas do ano estão fechadas) ou como se possa aceitar que um fundo financeiro imponha a um país a obrigação de lhe dar uma fatia do orçamento, só pela sua conveniência e à margem das obrigações contratuais.

Ouvir membros do governo falarem como se fossem porta-vozes da Lone Star, afirmando que o contrato está a ser incumprido só porque não foi autorizada em novembro, e até haver auditoria competente, um pagamento aprazado para daqui a seis meses, só permite uma constatação triste de como se degradou o sentido da governação.

Seria preferível defender Portugal e a seriedade das suas contas.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

RSI | Atirar areia para os olhos da maioria | Tiago Franco

Desde que abriu a caça aos beneficiários do RSI, com a mão amiga da Iniciativa Liberal e do Chega no arquipélago dos Açores, que alguma comunicação social começou a fazer o que dela não se espera. Atirar areia para os olhos da maioria e branquear um populismo crescente e insuportável, que empesta diariamente tudo o que se lê e ouve.

José Manuel Fernandes (JMF) fez a sua parte, assinando esta crónica deplorável sobre Rabo de Peixe (https://observador.pt/…/umas-coisas-que-eu-sei…/…).

Há uma semente de antigos maoístas, ex-combatentes do povo, que entretanto se aburguesaram e ficaram com um ligeiro asco a pobres.

O que o Gambito da Rainha nos ensina sobre a vida (e a política) | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Para bastante gente, “O Gambito da Rainha” tem sido uma acolhedora companhia no semi-confinamento em que vivemos. A série tem tido sucesso, seja porque junta uma personagem fascinante, mesmo que puramente ficcional, Elizabeth Harmon, a algum romance, pouco, ao retrato sofrido das esquinas da vida, ou ainda a uma pitada de Guerra Fria em tom de época, seja, e sobretudo, porque se constrói sobre um mistério. Esse mistério é o xadrez, dois exércitos de oito peões e oito aristocratas frente a frente num pequeno tabuleiro.

O comunismo ainda não existiu, o fascismo e o nazismo, sim | Gabriel Leite Mota in Jornal Económico

PCP e Bloco estão do lado humanista da política. O Chega, não. Essa é a grande fronteira. Esse é o grande muro que não devemos deixar cair.

Tem sido motivo de aceso debate o acordo de governo que CDS, PPM, PSD, Chega e IL fizeram no Açores. Nesse acordo, ficou estabelecido que PSD, CDS e PPM governam em coligação, com o beneplácito parlamentar de Chega e IL.

A notícia é o facto de o Chega ter sido incluído nesse acordo, sabendo-se que este recente partido é, o que hoje chamamos, da extrema-direita populista, uma novidade no nosso sistema político.

Prazo de validade: Velho | Paulo Sande | in EURATÓRIA

  1. Uma pandemia não é um acontecimento frequente. Infelizmente, poucas tiveram o alcance, o impacto e as consequências (previsíveis) da resultante do SARS-COV-2, vulgo COVID 19. A peste negra, no século 14, provocada pela bactéria yersinia pestis, que matou mais de 75 milhões de pessoas. A vibrio cholerae, bactéria da cólera, cuja primeira manifestação global, de 1817, vitimou centenas de milhares. A gripe espanhola, causada por um subvírus da influenza, que não falava espanhol mas matou, em cerca de quatro anos, mais de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro, a maior parte das quais jovens adultos.  E agora o COVID 19, cuja mortalidade se avizinha do milhão e meio.

A Pandemia | Isto é uma guerra | Jorge Alves

Bom dia, amigos. Diz-se por aí, à boca pequena, que a situação da pandemia está como está por culpa do Costa.

Há muitos casos? A culpa é do Costa; há muitos mortos? A culpa é do Costa; há poucos testes? A culpa é do Costa.

Antes do mais, uma pequena declaração de interesses: como a maioria sabe, não sou militante do PS.

Se o primeiro-ministro tomou várias decisões erradas no decurso desta tremenda luta contra o Covid? Com certeza que sim.

Mas que diabo! Algum de nós, em consciência, queria estar na pele de António Costa?

Creio convictamente que, apesar dos vários erros (diria que naturais em quem tem de trabalhar no arame e quase às cegas…), este Governo tem feito um bom trabalho na defesa dos Portugueses.

Dúvidas? Vejamos os casos de dois países muito mais ricos e desenvolvidos (acentuo o muito mais…) do que nós – a Suécia e a Áustria (ambos com o mesmo número de habitantes do que Portugal). O número de casos nos três países é semelhante (204 mil para Portugal, 191 mil para a Áustria e 177 mil para a Suécia).

É verdade que a Áustria está melhor do que nós no que toca a falecimentos por Covid – 1.660 mortos, contra os nossos 3.250. Mas que dizer da Suécia, que tem muitos mais recursos do que nós? É que os suecos já vão, infelizmente para eles, nos 6.160 mortos!

Voltemos por uns instantes à questão dos recursos existentes em cada país – suecos e austríacos têm muito mais dinheiro e mais meios para combater esta pandemia. Mas têm testado muito menos – 2,6 milhões de testes em cada um desses países e 3,25 milhões em Portugal.

Isto diz bem, a meu ver, do enorme esforço que está a ser feito por quem nos governa. A verdade, meus amigos, é que todo o mundo está a trabalhar no trapézio. Se há muita gente que chora os seus entes queridos e muitos mais ainda que perderam tudo? Pois há e infelizmente muitos mais vai haver.

MAS ISTO É UMA GUERRA.

Se ainda não tinham percebido, acordem. Mas não crucifiquemos quem não merece.

Um bom sábado para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

CARTA DE AMOR A MOÇAMBIQUE | Paulo Sande

1. Os telejornais inteiros cheios de Covid e suas sequelas. Um cheirinho de Trump, alguma coisa de Biden, quase nada de tudo o resto. Futebol, sempre, mesmo esventrado. De Moçambique, reportagens rápidas, friamente compungidas, a despachar. Temos de fazer muito melhor.

2. Vivi em Lourenço Marques alguns anos, quando ainda se chamava assim. Passei duas férias grandes – quatro longos meses de verão – em Nampula, na adolescência, um tempo de primícias e promessas. Fundei a primeira Câmara de Comércio com um país africano lusófono, justamente Moçambique e fui o seu primeiro Presidente. Visitei o país dezenas de vezes em três anos.

3. Assassinos a quem chamam “al-shabab”, mas que não deviam ter nome porque não podem ter nome os seres sem alma nem rosto, tão feios são, há meses que matam, violam, destroem, roubam. São maka, como os macuas chamam aos muçulmanos do litoral, ou talvez sejam tumpurawus (tubarões) de duas pernas que chegam das terras do norte, fanáticos, ou simplesmente baratas, praga difícil de exterminar.

4. Horrorizaram-nos as torres a desabar como castelos de cartas, fomos todos Charlie Hebdo até à exaustão, chorámos lágrimas sentidas pelos inocentes do Bataclan e os mortos de Paris, revendo dezenas de vezes as imagens e a imaginar o medo, o sofrimento, escandalizámo-nos com os degolados de Nice, os sacrificados de Viena de Áustria. Os nossos irmãos europeus.

5. Moçambique, sobretudo aquele norte distante onde em tempos morreram tantos portugueses – e moçambicanos – a lutar por uma causa em que acreditavam, aquele norte que nos soa a qualquer coisa quando nos falam de Mueda, de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, das Quirimbas (belo e ensanguentado arquipélago), do Rovuma que é fronteira com a Tanzânia, esse norte merece-nos um rápido “que horror”, um breve “coitados”, um capilé de palavras sem alma e depois de volta ao jantar que o recolher obrigatório não espera.

6. Devíamos ligar mais a Moçambique, ao que se passa no seu norte? Às vinte pessoas mortas nos últimos dias, aos milhares assassinados nos últimos meses, a tiro, à catana, degoladas, espancadas? Lamentar os inocentes, homens, mulheres, crianças, sacrificados em Mucojo, Naunde, Pangane, Nambo, na Ilha Mais? Preocupar-nos com os assaltos às penitenciárias de Mocímboa da Praia e Mieze? Com os mais de 300 mil deslocados?

7. Portugal tem uma obrigação moral. Tem uma obrigação política. Tem uma obrigação humanitária. Tem uma obrigação para consigo próprio e com o seu passado.

8. Acreditem: conheço-os, não certamente muito bem, mas sei do seu carácter afável e da sua hospitalidade. São gente boa e isso não é dizer qualquer coisa, isso é dizer tudo. A palavra Portugal tem valor em Moçambique. Os moçambicanos gostam maningue dos portugueses (eu sei). Façamos desse valor fortuna, ajudando. Preocupando-nos.

9. O país apelou à comunidade internacional, a ministra moçambicana dos negócios estrangeiros reuniu-se com o corpo diplomático em Maputo e exigiu a condenação inequívoca do terrorismo; cooperação para o eliminar; apoio no controlo de fronteiras (as belas mas ó tão permeáveis fronteiras marítimas e terrestres do país longo, tropical, coralífero); no combate ao crime organizado; na cibersegurança. E o mais importante: no apoio humanitário. Fome, doenças diarreicas, milhares de deslocados a precisar de ajuda.

10. Portugal pode fazer mais? Há certamente limitações para a ajuda que podemos dar, sejam elas diplomáticas, logísticas, financeiras, militares. Mas temos a obrigação de ajudar tanto quanto essas limitações permitam. E se calhar ultrapassá-las. Senão, não vale a pena continuarmos a encher a boca com retóricas desgarradas sobre a amizade com os povos irmãos lusófonos. É tempo de mostrar que a alma – a grande e antiga alma lusitana – não é pequena, mas generosa, grata e solidária.

Ororomela (esperar com esperança) …

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Sande

Um Rio desencontrado da história | Daniel Oliveira in Jornal Expresso

Rui Rio celebrou o avanço da história que representou a derrota de Trump enquanto o PSD remava em sentido contrário, com uma aliança entre Chega e PSD, nos Açores.

Para além do acordo regional, o Chega disse que o PSD nacional lhe deu garantias de que contemplará no seu projeto de revisão constitucional pontos que o partido defende. Na frenética sucessão de tweets a desmentir a existência deste acordo nacional, Rio só nunca quis dizer que a fonte original da informação, o Chega, mentia.

Nem é capaz de dar a sua opinião sobre a existência do acordo regional.

Assim, defende a sua honra sem pôr em causa a viabilização do governo açoriano. É evidente que Ventura exigiu mudanças constitucionais que não foram atendidas. As do sistema político já eram do PSD, as da justiça são opostas às que defende. Mas ele não precisava de conquistar nada, só precisava de abrir uma porta nos Açores sem que Rio a fechasse em Lisboa. A porta foi aberta pelo acordo regional e pela ausência de reação direta de Rio às suas mentiras. Rui Rio, que nunca manifestou oposição expressa ao acordo regional, defende-se com o facto do Chega não entrar para o governo.

E escreveu: “Merkel recusou a Afd nos Governos regionais, tal como o Chega que não vai para o Governo dos Açores. O PP espanhol tem entendimentos parlamentares com o Vox em três regiões autónomas.”

Tem razão em relação ao PP espanhol, e Pablo Casado bem se arrepende. Não tem razão em relação a Merkel. A líder da CDU não se limitou a recusar a AfD nos Governos regionais. Recusou o que o PSD acabou de aceitar. Quando a CDU aceitou o apoio da AfD para um governo liderado pela FDP na Turíngia, Merkel disse: “Esta eleição de um ministro-presidente de um estado rompeu com uma convicção central da CDU e minha, ou seja, que nenhuma maioria deve ser conquistada com a ajuda da AfD”. Demitiu um membro do governo que celebrou o acordo e acabou por o impedir.

Já Rio, nem consegue dizer que “este acordo é errado” ou que “o Chega está a mentir”. Rui Rio partilhou no Twitter o extraordinário discurso de derrota de John McCain.

No fim da sua vida, McCain teve a coragem de traçar uma linha vermelha que o deixou quase sozinho no seu campo político.

Rui Rio teve a primeira oportunidade histórica para o fazer. Duvido que tenha outra. Há momentos que parecem pequenos e são tudo.

Retirado do Facebook | Mural de Daniel Oliveira

CARTA ABERTA AO actual PSD | Gaëlle Becker Silva Marques

A coligação do PSD Açores com o Chega é reveladora de uma grande enfermidade!

Enquanto filha de um ex-deputado do PSD, não posso deixar de manifestar um profundo desprezo pela decisão política dos actuais dirigentes deste partido.

Enquanto filha de um ex-Presidente da Bancada Parlamentar do PSD, não posso ficar calada perante esta assombrosa decisão.

Enquanto filha de um dissidente do Estado novo, de um grande lutador pela Democracia em Portugal, sinto-me na obrigação de denunciar o inimaginável e de acusar o actual PSD Açores de defraudar os ideias democráticos que o fizeram nascer e crescer enquanto partido.

Acusar o actual PSD Açores de defraudar os portugueses que nele votaram, acreditando que os princípios fundadores do partido continuariam a ser os mesmos princípios de sempre e, por isso, os de respeito, de diálogo, de defesa da Democracia e de combate em prol da Democracia. Acusar o actual PSD Açores de defraudar os seus eleitores, que se reviram naqueles princípios e que deram o seu voto para que esses fossem firmemente aplicados em nome da Democracia. Acusar o actual PSD de defraudar, sem o mínimo sentido crítico, sem a mínima consciência histórica e partidária, de forma deliberada, oportunista e desonesta, o seu próprio partido. Acusar o actual PSD Açores de defraudar a memória dos seus fundadores, a memória de Francisco Sá Carneiro que acreditou que a reconstrução política através do diálogo era não só possível, mas louvável.

Também é como filha de um pai resiliente e lutador que denuncio. A que presenciou a uma realidade perturbante. A que cresceu ao lado de um pai que foi preso, perseguido, torturado e obrigado a viver no exílio porque acreditava no Ideal Democrático. A que soube o quão devastador foi para ele o afastamento com a sua família. A que soube como se acentuaram as complicações que os anos de Clandestinidade provocaram no seio familiar: ameaças de morte, rusgas, pilhagem. A que o viu abraçar-se ao seu próprio pai, bafejado pelas lágrimas, este que o julgara morto e que por isso demorou a desculpá-lo. A que pressentiu e presenciou: as suas angústias, os seus terrores nocturnos, as suas cicatrizes no corpo, as suas tensões e crispações, os seus sobressaltos, a sua revolta contra a injustiça, a sua luta na defesa do oprimido, da dignidade humana, do direito das mulheres e de todos os direitos que um regime totalitário pretende à força, a ferro, a tiro e a sangue abafar e anular.

Esta coligação não só ataca a Democracia, como também ataca directamente as famílias nos seus lares. Ataca o que de mais precioso se exala: o livre Pensamento, a Liberdade em si, a Humanidade, o direito à Escolha, mas também a Responsabilidade.

A política existe, antes de mais, para servir o eleitor. Jamais deve obstruir a livre circulação da democracia. Jamais deve pactuar com a gangrena que se queira instalar.

E é em nome de todos os cidadãos que acreditam nos valores da Democracia, mas também em nome do meu Pai, que hoje denuncio:

Acuso! Acuso o actual PSD de fragilizar a via democrática e de empurrar, mesmo que a longo prazo, a nação portuguesa para a via totalitária!

Não à gangrena!

A gangrena, Nunca Mais! Nem a da Esquerda, nem a da Direita!

E que o medo nunca nos cale!

Gaëlle Silva Marques

Hoje, no dia 7 de Novembro de 2020, dia em que o meu Pai faria anos, denuncio o que ele próprio denunciaria se ainda estivesse vivo.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Eu sou do tempo do Silva Marques deputado do PSD, e também de Emídio Guerreiro e uns tantos mais (Nuno Rodrigues dos Santos) que nos (aos militares do 25 de abril) mereciam respeito embora e apesar das suas opções e ruturas. Eram uma garantia de antifascismo. Esses garantes pelo que lemos na corajosa e límpida carta da filha deixaram de existir com Rui Rio.

Carlos Matos Gomes

Pandemia, Política e Decência | Rodrigo Sousa e Castro

Se o País fosse declarado em estado de guerra, não passava pela cabeça de ninguém que aos diversos ramos das forças armadas não se juntassem outras forças armadas, como as policias, GNR, guardas de outra natureza, proteção civil e corpos de bombeiros.

Era então certo que haveria um comando único com o seu estado maior, uma hierarquia única e um plano de combate que todos deveriam realizar.

Pode então perguntar-se, porque é que numa situação pandémica com um forte agravamento em curso, todos os órgãos e estabelecimentos ligados ao sistema de saúde, hospitais sejam eles privados públicos ou sociais, clinicas, academias médicas, inem, centros de saúde básicos ou intermédios não são colocados sob uma comando único, obedecendo a uma mesma hierarquia, perdendo temporariamente as condições especificas de gestão que após a pandemia debelada recuperariam ?

A resposta a uma questão tão óbvia é bem fácil e de constatação dolorosa:- a Politica governamental e Presidencial segue o seu caminho demagógico e titubeante mesmo em tempos pandémicos;- A ganância do lucro oblitera o sentido patriótico que a parte privada do sistema tinha a estrita obrigação de ter nesta conjuntura;- agentes altamente responsáveis, desde sindicalistas a bastonários agem com a fria determinação de aproveitaram em modo de abutres uma situação onde só deveria caber, sacrifício, luta, compaixão e dever patriótico.

A distância entre a generosidade e esperança de quem baniu a ditadura e sonhou um regime livre e justo é agora mais evidente.

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa Castro

Papa cristão | Daniel Oliveira | in Jornal Expresso

Ao defender uma lei civil que enquadre as relações entre pessoas do mesmo sexo, o Papa Francisco não reconheceu ou aceitou o casamento. Mas deu mais um passo. E se este gesto pode não ser importante para o conjunto da comunidade, porque os Estados laicos não precisam de bênção papal para garantirem igualdade de direitos, é-o para milhões de católicos LGBT, que passam a sentir-se um pouco mais em casa na sua Igreja. Como mostrou com os divorciados, o Papa quer recuperar aqueles que a Igreja foi deixando pelo caminho e que já não aceitam a culpa dessa exclusão.

Quer impedir que a Igreja Católica se transforme num reduto de ultraconservadores, incapaz de lidar com a pluralidade dos seus fieis. Dirão que se adapta aos tempos modernos. É o contrário. Estes não são tempos de inclusão e pontes, são de polarização. O Papa Francisco tenta livrar a Igreja de uma guerra cultural que tem sido suicida para sectores políticos tradicionais e que a entregaria a nichos fanatizados. (…) Tenta colocar a Igreja num lugar mais próximo da radicalidade do cristianismo. (…)

Para os que se habituaram a ver a Igreja como um lugar de castigo, que usam o perdão como forma de agressão, que se armam com a religião para perseguir o que não compreendem, que vivem obcecados com o sexo consensual entre adultos mas fecharam os olhos ao abuso de menores, deve ser perturbante ter um Papa cristão.

O mercado da diferença | O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas | Carlos Matos Gomes

O mercado da diferença. Pode alguém ser o que não é? É o título de uma canção, que podia aplicar-se às dificuldades do BE e do PCP em aceitarem um compromisso com o PS para a aprovação de um Orçamento e ajuda a entender as manobras em curso. O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas, por muito que se esforcem ao nível do discurso por se apresentarem como portadoras de um projeto revolucionário.

O processo histórico do pós-Muro de Berlim provocou uma nova divisão de modelos políticos, de um lado os neoliberais, de outro os estados que na Europa ainda mantêm a matriz de estado social, ou social democrata. Para já a situação é esta e não se alterará com o Orçamento do Estado Português para 2021.O PCP e o BE estão hoje neste grupo social democrata a competir com o tradicional ocupante do espaço, o Partido Socialista. Para sobreviverem neste mercado têm de “mostrar serviço”. Vivem a conhecida situação das mercearias que se transformaram em minimercados na zona dos supermercados. Fazem promoções nos produtos de maior impacto, são mais agressivos nas campanhas, recusam alianças, mesmo que mutuamente vantajosas, procuram fidelizar nichos de mercado, mas vendem o mesmo.

A sua sobrevivência depende da demonstração de diferença. A apresentação de um candidato à presidência de República por cada uma das formações é reveladora da indispensabilidade de cada uma “marcar a diferença a todo o custo” para sobreviver.As disputas sobre o Orçamento são parte da afirmação de existência do PCP e do BE. São opções conscientes e compreensíveis tomadas pelos seus dirigentes para se manterem no jogo da política e fidelizarem a clientela tradicional. É um jogo arriscado, que pode remeter para fábula do escorpião que ia às costas da rã e que a matou por ser a sua natureza e assim morreu também, mas é um jogo legítimo, que os órgãos de direção dos dois partidos decidiram correr e que têm praticado ao longo dos tempos. É o mercado a funcionar. A clientela decidirá.

Frateli tutti: a política como ternura e amabilidade. Artigo de Leonardo Boff

nova encíclica do Papa Francisco, assinada sobre a sepultura de Francisco de Assis, na cidade de Assis, no dia 3 de outubro, será um marco na doutrina social da Igreja. Ela é vasta e detalhada em sua temática, sempre procurando somar valores, até do liberalismo que ele fortemente critica. Certamente será analisada em detalhe por cristãos e não cristãos pois se dirige a todas as pessoas de boa vontade. Ressaltarei neste espaço aquilo que considero inovador face ao magistério anterior dos Papas.

BATER NO FUNDO | Soromenho Marques | in Jornal DN

«Faltou a bola vermelha no canto superior direito na transmissão do debate presidencial entre Trump e Biden. Aquele deplorável choque de anciãos, marcando pontos num pugilato verbal de mentira, ignorância e desprezo por quem se deu ao trabalho de os ver e escutar, merecia ter um aviso desaconselhando os jovens e as almas mais frágeis.

Quase duas horas a escutar aqueles improváveis campeões da política de Washington podem levar muitos a perder o pouco de confiança que ainda possa restar na humanidade. Trump foi igual a si próprio, um vulcão de descabelado narcisismo, ancorado numa autoconfiança postiça, que indicia uma tortuosa história clínica para biógrafos e outros curiosos. Biden fez a prova de vida que muitos duvidavam ser possível.O que a aldeia global assistiu foi ao aparente certificado de óbito do sonho americano, à sua crescente transformação em pesadelo.

No debate Trump-Biden corporizaram-se dois dos principais temores dos antigos autores, que no debate constitucional fundacional de 1787-1788 ficaram conhecidos como “antifederalistas, sendo o primeiro o risco de a figura do Presidente federal poder transformar-se, nas mãos de um candidato a tirano, num perigo para as liberdades públicas. Sem qualquer rebuço, Trump mostrou que não vai respeitar os resultados eleitorais se estes não lhe forem favoráveis. Explicou que irá tratar os juízes do Supremo Tribunal, destinados a serem intérpretes isentos da Constituição, como cúmplices de fação para invalidar a expressão da vontade popular.

Recusou-se a condenar as milícias da “supremacia branca”, falou sempre e só para o seu exército de obedientes seguidores, deixando latente o possível recurso à violência para se manter no comando.O segundo receio dos antifederalistas veio à evidência quando o pivô da Fox News, Chris Wallace, interrogou os dois candidatos sobre se acreditavam na responsabilidade humana pelas alterações climáticas.

A pergunta é idiota, mas, pior ainda, foi a primeira vez em 20 anos (desde o debate Gore-Bush) que num pleito televisivo presidencial o tema foi aludido! Trump reiterou a insensatez habitual e Biden acentuou a sua recusa do Green New Deal, para fugir do embaraço de poder ser conotado com a esquerda do seu partido.Como é possível que num mês em que os EUA foram atingidos com particular violência por fenómenos extremos – incluindo incêndios apocalípticos que puseram em fuga, só no Oregon, meio milhão de pessoas (mais de 10% da população do Estado!) – estes candidatos tratem das alterações climáticas como tema menor? Isso ocorre porque, como temiam os antifederalistas, o sistema político federal foi capturado pelos grandes negócios.

Os EUA aparentam ser hoje uma democracia em decomposição, transmutada em plutocracia, e isso embacia qualquer visão lúcida do futuro.Em 1990 assistimos ao milagre da implosão pacífica do império soviético. Esperemos que um milagre ainda maior possa ocorrer para evitar a explosiva desintegração dos EUA. Caso contrário, não faltarão estilhaços cortantes a irromper em todas as direções.»

VIRIATO SOROMENHO MARQUES

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

AS DUAS INTERNETS | Francisco Louçã | Expresso, 26.09.2020

A ofensiva de Trump contra a China, tendo como alvos imediatos a Huawei, a TikTok e a WeChat, é a guerra fria do nosso tempo. O resultado será a polarização do mundo entre duas internets.

O PODER DE MANDAR

A ordem da Casa Branca para proibir, a partir deste mês, o fornecimento de semicondutores é um golpe poderoso contra a Huawei. A empresa chinesa, que domina o 5G, depende da compra de chips e pode ficar sem acesso aos fornecedores. O efeito é mundial: uma empresa de Taiwan, a MediaTek, pediu às autoridades norte-americanas autorização para lhe continuar a vender, mas o Departamento do Comércio, que conduz a operação sob instruções do Presidente, deve recusar a licença. Mesmo o principal fornecedor chinês, a SMIC, pode ter que fechar os seus negócios com a Huawei, dado que depende de equipamento importado dos EUA e não pode arriscar-se a ficar sem essa capacidade.

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DA MEDIOCRIDADE NECESSÁRIA | António Lobo Antunes

“A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, os ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver praticamente um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns. Mas os que giram em torno deles não são melhores. Desconhecemos até os nossos grandes homens: quem leu Camões por exemplo? Quase ninguém. Quem sabe alguma coisa sobre Afonso de Albuquerque? Mas todos os dias há paleios cretinos acerca de futebol em quase todos os canais. Porque não é perigoso. Porque tranquiliza.

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Aperte o cinto de segurança, ainda vem aí o pior | Francisco Louçã

Costa Silva disse-o na apresentação do seu plano e tem razão: ainda virá o pior, antes de podermos melhorar. Mesmo que seja ainda difícil antecipar o efeito pleno da recessão e, sobretudo, o tempo do seu impacto, os dados apresentados esta semana pela OCDE são indicadores. Nos países do G20, os mais desenvolvidos, a queda do PIB no segundo trimestre terá sido de 6,9% e, só nos Estados Unidos, de 9%. Lembra a organização que, durante a recessão de 2009, que foi provocada pelo crash financeiro do final do ano anterior, o pior trimestre registou uma queda quatro vezes menor, de 1,6% (mas que se estendeu por vários trimestres). Nestes cálculos, se houver um novo confinamento, o que para já só ocorreu em Israel, a queda anual nestes países poderá chegar aos 6%. Ou seja, perder-se-iam num ápice cinco anos de crescimento, com efeitos sociais pesados. Como as economias do G20 representam 80% do produto global, só por este efeito teríamos a segunda recessão do século XXI a arrastar o mundo para uma redução do PIB em termos absolutos, o que nunca aconteceu na segunda metade do século XX, e recuperação pode demorar mais 5 anos, diz o Banco Mundial.

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A metamorfose do racismo que regressa (2) | Carlos Esperança

A metamorfose do racismo que regressa

Quando uma agremiação de malfeitores e marginais, instruídos ou de precária instrução, é capaz de aceitar a proposta de castração de violadores e mulheres que abortem, por mais abjetos que sejam os crimes dos primeiros, não é formada por homens e mulheres, é uma associação de homúnculos, discípulos do Dr. Josef Mengele.
Que seres desprezíveis, que falam como pessoas e pensam como selvagens, possam ter reuniões onde vomitam ódio, desprezam os direitos humanos e combatem a civilização, vemos como é frágil a democracia que, apesar disso, temos obrigação de defender, para os que a amam e para os que a querem destruir.
Os que vociferam contra a corrupção não são os que a combatem, são os que pretendem gritar a sua honestidade e acusar os que são essenciais para que a democracia sobreviva, num caso e noutro, sem sentirem a necessidade de provas.

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A metamorfose do fascismo que regressa (1) | Carlos Esperança

A metamorfose do fascismo que regressa 

Desaparecida a memória dos regimes nazi/fascistas, saradas as feridas pela morte das gerações que os sofreram, regressam os demónios, com os democratas a digladiarem-se, enquanto os neofascistas avançaram.
A nível mundial tivemos, numa primeira fase, a vitória do liberalismo económico com Reagan, Tatcher e João Paulo II que, contrariados em vitórias eleitorais de regimes que consideraram hostis, apoiaram ditaduras. A de Pinochet, no Chile, foi o paradigma do regresso precoce ao fascismo.
A decadência ética de dirigentes democraticamente eleitos contribuiu para a chegada de populistas que têm na mentira a arma e na desfaçatez o método de conquista do poder. É a fase de Trump, Jonhson, Salvini e de analfabetos abrutalhados, Duterte ou Bolsonaro.

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Chomsky: risco de extinção da humanidade «mais grave que nunca»

O prestigiado intelectual e activista considera a humanidade ameaçada por três grandes crises – nuclear, ambiental e democrática – que se agravaram com a presidência de Donald Trump à frente dos EUA.

O linguista e politólogo Noam Chomsky, um dos mais respeitados e citados analistas do século XXI, segundo reconhece a RT, advertiu que o mundo vive o momento mais perigoso da sua história, referindo-se ao facto de a humanidade ter de lidar, simultaneamente, com a «assombrosa confluência» da ameaça de uma guerra nuclear, da iminência de uma catástrofe ambiental e da crescente deriva autoritária do capitalismo.

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Uma estratégia para vencer a crise | Henrique Neto

É de prever, sem margem para grandes dúvidas, uma grave crise económica, financeira e social no nosso próximo futuro. Razão porque as decisões a assumir pelo Governo e pelas oposições e a correcção dos investimentos a realizar, assumem uma importância determinante, sem margem para mais erros. O texto encomendado pelo Governo ao Dr. António Costa Silva resultou num catálogo de ideias, que não apresentam uma estratégia coerente, nem faz as escolhas necessárias.
Uma estratégia nacional
Foi no ano de 2003 que trabalhei com o Professor Veiga Simão e o Dr. Jaime Lacerda numa síntese estratégica que foi publicada pela AIP como parte do documento que ficou conhecido como a Carta Magna da Competitividade. Síntese que se baseou na experiência japonesa de 1946 de concisão e que resultou no seguinte:

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A eutanásia e o referendo – Sou contra o referendo | Carlos Esperança

Para não complicar a discussão cuja decisão envolve a vivência, sensibilidade e crenças de cada um, evito a distinção entre eutanásia, suicídio assistido e distanásia para fazer a pergunta que importa: decidir a morte sem sofrimento é um direito individual ou crime?
A resposta é perturbada pelo ruído mediático recuperado da discussão do direito à IVG, capaz de impedir a reflexão serena e de intimidar a tomada de posição a favor ou contra. E dela depende a descriminalização de quem prestar auxílio a quem decida morrer.
A vida é um direito que a direita religiosa impõe como obrigação. Ninguém é obrigado a pedir, para si, uma ‘morte doce’, mas o que está na lei atual, na tentativa de contrariar o direito individual, é a proibição a todos daquilo a que ninguém será obrigado.

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O intrigante caso Navalny | Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA | in Jornal Económico

Segundo o governo alemão, o político russo pró-ocidental Alexei Navalny foi envenenado com “Novichok”, uma substância neurotóxica. Políticos e comunicação social (OCS) ocidentais, sobretudo na Alemanha, apontaram unanimemente e sem reservas Putin como o mandante do envenenamento. Altos dirigentes alemães subiram a parada e acusaram o “sistema de Putin” de ser um “regime agressivo, sem escrúpulos que recorre à força para impor os seus interesses por meios violentos desrespeitando as boas normas de comportamento internacional.

Embora não disponha de informação privilegiada sobre o assunto, não posso deixar de considerar intrigante o acontecimento e os desenvolvimentos que se seguiram. É preocupante a ausência de interrogações sobre algo tão perturbador cujo momento em que ocorre sugere, independentemente de quem estiver por detrás, uma operação política de alto calibre.

Quando nos interrogarmos sobre quem poderia ter sido o mentor do envenenamento surgem três suspeitos, mas apenas dois têm a ganhar: o grupo de oligarcas apoiados pelos EUA, que se opõe a Putin e defende o desmembramento e a regionalização da Rússia, agências de espionagem estrangeiras e o próprio Putin. Não podem ser deixados de fora os inimigos internos do Kremlin, nomeadamente o grupo de oligarcas que compete com Putin, empenhado em o desacreditar. Navalny tem relações com esses grupos e ligações a grupos organizados de extrema-direita.

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Manifesto | Por uma recuperação económica transparente e participada | in Revista Sábado

08-09-2020 | Signatários pedem criação de mecanismos que permitam a participação dos cidadãos na recuperação de Portugal face aos impactos da pandemia de Covid-19.

A crise pandémica que o mundo está a viver criou ou agravou profundos problemas económicos e sociais, impondo aos Estados e às sociedades a urgência de mobilizar investimento público e privado para a recuperação económica.

Em Portugal, este esforço de recuperação mobilizará muitos recursos nacionais assegurados pelos cidadãos, através do pagamento dos seus impostos, complementados com fundos significativos do plano de recuperação da União Europeia e do orçamento europeu para o período 2021-2027.

A gestão destes recursos impõe ao Estado e à sociedade portuguesa uma enorme responsabilidade na condução de um programa eficaz de auxílio às famílias, aos trabalhadores e aos setores de atividade mais afetados pela pandemia, bem como à reestruturação e relançamento da economia portuguesa. O sucesso deste programa só se alcançará com o compromisso e o contributo de todos, desde os órgãos de soberania aos partidos políticos, à Administração Pública e à sociedade civil.

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A falta que Ana Gomes nos faz | Henrique Monteiro in Jornal Expresso de 09/09/2020

“A falta que Ana Gomes nos faz.
A ex-deputada europeia do PS decidiu que se candidata à presidência da República e anuncia-o formalmente já esta quinta-feira, depois de ter informado, terça-feira, através do ‘Público’, a sua disponibilidade. É um bom sinal para a democracia portuguesa, independentemente da dimensão do apoio que venha a ter
Penso que não terei de gastar muitas linhas a explicar muito do que me separa, politicamente, de Ana Gomes. Ao contrário, permitam-me que gaste algumas a dizer o que me une.
Em primeiro lugar, o espírito de liberdade, de não termos de ser politicamente corretos nem fiéis a um dogma emanado por quem quer que seja, incluindo secretários-gerais de partidos. Depois, a enorme vontade de combater a corrupção e os males que afetam as democracias, para melhor as defender. E o espírito de ser do contra que, concedo, nem sempre é justo e operativo, mas que tem como recompensa estimular o debate público.

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A estratégia do bufão | Francisco Louçã | in Jornal Expresso 15/08/2020

Se a História se repetisse, o destino estaria traçado. A abulia da democracia tem condições para se ampliar, transformando-se numa nova forma de política. É o abismo do nosso tempo.

Em julho de 2017 — foi só mais um episódio de uma lista já entediante —, o Presidente norte-coreano Kim Jong-un confirmou o lançamento de um míssil. Como era o dia da comemoração da independência dos EUA, dedicou o evento aos “bastardos americanos”, para que “saíssem do tédio”, e ao seu Presidente, o “demónio nuclear” e “cão raivoso”. Trump respondeu com um tuíte amável: “Porque é que Kim Jong-un me insulta chamando-me ‘velho’, se eu NUNCA lhe chamaria ‘pequeno’ e ‘gordo’? Ora bem, eu tento tanto ser seu amigo — e talvez um dia isso aconteça!” Aconteceu, mas isso até nos será razoavelmente indiferente, dado sabermos que se podem abraçar numa manhã como continuar estes jogos florais com ameaças tonitruantes nessa mesma tarde. E depois a saga continuou: que sou um “supergénio”, que os cientistas “ficam espantados por eu saber tanto sobre o vírus” (por ter um dia conversado com um tio professor universitário que morreu há 35 anos), que “pedi aos meus que testassem menos”… E isto é só uma amostra. Podemos tratar esta enxurrada como se nos fosse alheia, nada mais do que um recreio banal, entre tantos outros de um universo sem bússola, promovido por um Presidente que tem feito milhares de tuítes deste jaez durante o seu mandato. Mas talvez seja tempo de levar a sério a charada e de enfrentar a questão mais difícil: terá Trump sido eleito apesar desta prosápia ou graças a ela?

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Cantem! Cantemos! | Carlos Matos Gomes

Vivemos e revivemos entre o “Lá vamos cantando e rindo, levados, levados sim!”, do hino da Mocidade Portuguesa e “o quem canta o seu mal espanta”. Os vendedores desta banha de cobra sacam os seus melhores trunfos para nos manter mansos. Cumprem o seu papel.

A realidade portuguesa é a de uma gravíssima crise, com a destruição de cerca de 15% do Produto Interno Bruto, com o turismo, que até fora a locomotiva da nossa economia de Disneylândia, agora em agonia, a exposição das fragilidades de uma sociedade de jovens precários, da UBER à venda de serviços médicos à hora e ao Alojamento Local, de velhos encafuados em lares ilegais, um desemprego de que não se conhece a verdadeira dimensão, fome nas classe médias, aumento exponencial de mortes por quebra de rotinas de prestação de serviços de saúde, mobilizadas para a pandemia, isto num sistema mundial desregulado, em que o nosso império tem à frente um imperador louco, e a União Europeia a que pertencemos está sujeita à mesquinhez de um agiota holandês e aos humores de um magarefe húngaro.

Esta é, em traços muito gerais, a nossa situação. Espero que não seja tão má. Descobrimos, com falso espanto, que em Julho de 2020 estamos como em Março de 1975, quando foi indispensável nacionalizar a banca e, por arrastamento, boa parte das empresas endividadas e inviáveis. Quando descobrimos a podridão de um sistema financeiro e económico assente em areias movediças e que flutuava sobre uma camada espuma com aparência rochosa.

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O frustrado concurso de beleza monástica | Crónica inédita (2008) | Carlos Esperança

Em 2008, um padre italiano propôs uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita, via internet. Face às críticas, voltou atrás e suspendeu tudo.

De onde vem este ódio ao corpo feminino, a fúria misógina, o ranger de dentes, perante a forma de um corpo, as curvas do desejo e a beleza da mulher?

Paulo de Tarso, um místico desequilibrado, rotulou o cabelo e a voz das mulheres como coisas obscenas e Agostinho de Hipona entrava em desvario por não poder resistir-lhes, e ambos foram santos na infância dos milagres, quando a produção em série estava por inventar e a Igreja católica era avara na produção de taumaturgos.

Mas que obsessão é essa dos que lhes querem cobrir o corpo, seja com o hábito, alvo, de freira ou com a negrura da burca, e esconder-lhes as formas, porque temem a beleza, e as reduzem a um corpo sem feitio porque lhe adivinham a inteligência da alma?

Não, não é dessa alma que falo, da criação ontológica que alimenta um deus sedento no Olimpo de todos os medos, da metafísica dos negócios pios, do pretexto para a renúncia à vida e ao sortilégio do amor. Falo da alma com que as mulheres cantam, riem, choram e gritam, da alma com que animam a vida, da alma com que amam e procriam, da força que lhes vem dos séculos de tirania e humilhação.

Quem oprime as mulheres são doentes de desejos reprimidos, inquietos com a perda do poder, célibes que temem o amor e o escândalo, maníacos da castidade que a educação e o múnus castram e que, no êxtase de fantasias sórdidas, se entretêm a inventar castigos.

Quando homens e mulheres descobrirem que a liberdade é feminina, dar-se-ão conta de que a igualdade não é uma utopia e a discriminação dos livros pios é uma afronta que se perpetua para gáudio de homens sós e eterna perdição da felicidade humana numa vida irrepetível.

Agosto de 2008

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

A mulher e as religiões | Carlos Esperança

Que demência misógina levou os patriarcas tribais da Idade do Bronze a impor a metade da Humanidade a subalternidade que castigou a mulher durante milénios e que, ainda hoje, 72 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, persiste? Não lhes ocorreu que ninguém é livre se alguém for escravo.

O que surpreende é a condescendência com a alegada vontade divina, a manutenção dos preconceitos que impuseram a infelicidade e indizível sofrimento das mulheres, como se os algozes não fossem filhos, irmãos, pais e avós das vítimas que querem perpetuar. O mais implacável dos monoteísmos é o paradigma do despotismo e do desprezo contra quem dá aos homens a vida e o amor, e lhes garante a eternização do ignóbil privilégio.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

27.5.20 | Querem mesmo um ensino sem aulas presenciais? | Francisco Louçã | in blog Entre as Brumas da Memória

«Confesso que fiquei surpreendido quando ouvi um dirigente sindical criticar a abertura das aulas para o 11º e 12º anos. O que começou por dizer pareceu-me convincente: é preciso garantir a segurança de alunos, professores e funcionários. Mas depois acrescentou, se bem registei, que preferia que se mantivessem as aulas à distância. Eu não prefiro. Por isso é que gostaria de ter ouvido algo mais, que temos que nos mexer para ter as condições para voltar à vida das escolas. O mais depressa possível. Sem aulas presenciais não há ensino.
É provável que sem aulas presenciais também deixe de haver professores. De facto, manda a prudência que se tenha em conta que, se o sistema de ensino for só uma telescola, alguém um dia imaginará que basta um vídeo das aulas de cada cadeira e que se pode repeti-lo ad infinitum. Umas dezenas de figurantes contratados para apresentarem um texto e um powerpoint e está dado o curso. Ponham-lhe o bastão na mão e já verão como é o vilão, saltar da telescola para a youtubescola será um ápice. Este risco profissional pode ser grave, mas ainda assim não é a única ameaça. Até sugiro aos leitores, sentindo o ceticismo de alguns que leram as últimas linhas, que esqueçam por completo esta questão. O que não se pode ignorar, em contrapartida, é que o encanto das novas tecnologias não substitui a relação entre os docentes e os alunos, a atenção ao detalhe, a aprendizagem viva, a insistência e a resposta imediata, as dúvidas durante e no fim da aula, a conversa nos intervalos, as atividades extracurriculares, a forma como os estudantes se envolvem com a escola.

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O ódio como semente de fascismo | Paulo Fonseca

Pensamento do dia : O ódio como semente de fascismo

É impressionante a forma como tantos perdem a razão em segundos de desorientação coletiva…. É impressionante como muitos mais se refugiam na imundície do ódio como último recurso para fugirem à liberdade…. É impressionante como se justifica com a liberdade, o combate à liberdade…..
Neste país fantástico, mas corroído pela ingenuidade, um conjunto de saudosistas que nunca comemoraram a liberdade nem a democracia, arranjam, todos os anos, uma desculpa para fundamentarem os seus ódios e justificarem a sua saudade….
Nem o confinamento consegue parar tanto ódio… tantos odientos que o são mas quase sempre ficam confusos sobre o alvo desse mesmo ódio. Deve haver por aí muito espécime que de manhã odeia uma coisa e de tarde o seu contrário, para odiar uma terceira coisa à noite…. Impressionante….

Olhemos para os últimos meses….

Primeiro, enquanto um bando de burros frequentou a praia de Carcavelos, os odientos tinham ali espaço para as suas dissertações…. Mas o Povo Português está a portar-se muito responsavelmente, cumprindo as diretrizes governamentais e até os burros de Carcavelos recolheram ao confinamento….

Depois, juraram, por todo o lado, que a pandemia se combatia ao contrário do que o governo fez….. «Essa cambada de políticos incompetentes que tinha obrigação de decretar o fim do vírus para a primeira semana da pandemia….»
Logo se montou o circo….milhentos especialistas, todos Portugueses, que estudam o corona desde que foram baptizados, apontaram a táctica, a estratégia e até o plano de contingência. Tem sido uma festa, a lembrar o velho oeste, cada um a mostrar que é melhor que o outro a dominar búfalos e cavalos selvagens….
Contrariamente ao que anunciara esta multidão de especialistas, o vírus está a ser dominado, e em Portugal, as cautelas governamentais, apoiadas pela cooperação democrática e pela capacidade do sistema público, têm dado resultado.
Mais. Ao contrário do que anunciava esta multidão de especialistas lusos, são muitos os elogios internacionais que chegam de diversos países

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El orden natural de las cosas | ARTURO PÉREZ-REVERTE | in ZENDA LIBROS

En el restaurante Martinho de Arcada, mi casa de comidas habitual en Lisboa (allí donde el espía Lorenzo Falcó cena con la vedette Rita Moura tras cargarse a un agente republicano en Alfama), comento con Nuno y Paulo, camareros y amigos desde hace mucho, las cosas que pasan en Portugal, en España y en el mundo. El veterano Nuno, que es pequeño, rubio y simpático, trae un vino del Alentejo estupendo y barato, que yo no conocía, y mientras me lo hace probar cuenta que el alcalde de Oporto acaba de proponer unir a Portugal y España en un solo espacio político. ¿Te imaginas?, dice. Y le digo que sí, que lo imagino. Es la vieja idea de la Unión Ibérica de Garret, Saramago, Maragall y Unamuno, que resucita de vez en cuando, o tal vez nunca muere. Sesenta millones de personas y dos economías coordinadas. Lo que seríamos juntos. Un sueño maravilloso e imposible.

Algo más tarde, mientras paseo por la Baixa esquivando turistas anglosajones y japoneses, sigo dándole vueltas, pues me acuerdo de España y Portugal juntos como parte da orden natural das coisasque decía Teófilo Braga, o del somos hispanos, e devemos chamar hispanos a quantos habitamos a Península hispânica de Almeida Garret. Y, bueno. Es difícil no hacerlo, cuando pienso en el poco peso de Portugal y España en las decisiones que se toman en Bruselas, donde los españoles somos con harta frecuencia el hazmerreír de Europa; en el detalle de que los dos idiomas tengan una similitud léxica del 89%; en que la economía de los países que hablan español y portugués represente un 14% del PIB mundial, y en el hecho encuestado de que casi la mitad de los españoles y más de la mitad de los portugueses verían con buenos ojos una unión ibérica de tipo confederal: una asociación coordinada y fuerte, como el Benelux con que Bélgica, Holanda y Luxemburgo fundaron lo que luego sería Comunidad Económica Europea.

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A qualidade global do SNS – Serviço Nacional de Saúde | António Ribeiro

Há quem ponha em causa a qualidade global do SNS a propósito do Coronavirus. Mas uma observação atenta da realidade desmente essa crítica, que é politicamente enviesada e ideologicamente preconceituosa. A abordagem ao surto tem sido eficaz e, acima de tudo, não discriminatória. É fácil criticar, mas este é um país pobre onde muitíssima gente nem sequer contribui para aquilo que consome no SNS. Aliás, o nosso SNS dá excelentes respostas à paridade do poder de compra europeu. Isto é, mal-grado os inevitáveis descontentamentos, alguns justificados, temos muito mais out-puts em termos de resultados do que in-puts para o Serviço. Em matéria de Saúde, Portugal é uma espécie de Escandinávia com pouco dinheiro, mas que funciona. Os adeptos do “antigamente” deviam recordar as antigas “Caixas” e a forma como se morria nos hospitais. Não havia tratamentos adequados, mas morria-se com o consolo de um crucifixo por cima da cama, sem biombo nem coisa nenhuma que resguardasse a privacidade. Tenham algum discernimento nessa análise negativa, porque as pessoas que iam à Caixa eram muito mal tratadas e não voltavam de lá para casa num Mercedes. Ou já se esqueceram de como morreram os vossos Avós. Uma coisa que me irrita neste país é que anda muita gente a fingir que a família era rica há 200 anos. Veneram os antepassados, mas muitos nem sabem quem eram, ou como viviam

António Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de António Ribeiro

AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr.

Discute-se ao longo de 50 anos a construção do novo Aeroporto de Lisboa e a última intenção é a Base Aérea N.º 6 do Montijo, situada no Samouco.
É triste que, ao fim de tantos anos, a escolha seja a pior possível, a mais incoerente, a mais prejudicial, a mais insegura e a mais insustentável.

Para não pensarem que eu sou “do contra”, vejamos as vantagens de construir o novo Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete:
1 – O campo de tiro de Alcochete é uma zona plana, rodeada de terrenos agrícolas, com muitas poucas habitações e logo mais segura para os voos e para a população.
2 – Por ser uma zona livre, a construção na envolvente do campo de tiro de Alcochete pode ser condicionada, a fim de evitar o urbanismo não planeado e a insegurança no local.
3 – O campo de Tiro de Alcochete fica logo a seguir à ponte Vasco da Gama, só que em vez de se virar à direita para o Montijo, vira-se à esquerda na direcção de Alcochete e Samora Correia e é muito próximo (a cerca de 10 Km das portagens).
4 – O campo de tiro de Alcochete já tem uma pista de aviação (aproximadamente a meio do campo e transversalmente ao mesmo), o que prova que é o local ideal para levantar voo e aterrar.
5 – O campo de tiro de Alcochete, pela actividade militar no mesmo (tiros e ruído), não tem aves próximo, não são precisas medidas especiais de protecção a aves e as aves não são um risco de segurança grave, se entrarem numa turbina e explodirem um motor do avião.
6 – A construção do Aeroporto no campo de tiro de Alcochete não coloca em risco as dezenas de espécies de aves e mamíferos que habitam e nidificam na zona de Reserva Natural do Estuário do Tejo.
7 – Os acessos ao campo de Tiro de Alcochete não precisam de estradas novas, nem de portagens novas.
8 – Quando foi da opção da Aeroporto na OTA, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) deu como alternativa viável o Aeroporto no campo de Tiro de Alcochete.

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A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público

Tenho solicitado repetidamente os estudos e projetos que sustentam as afirmações do Governo e da ANA/Vinci que pretendem justificar técnica e economicamente a solução Montijo. Nunca os recebi.

Num artigo recentemente publicado pelo jornal PÚBLICO, o senhor secretário de Estado adjunto e das Comunicações (SEAC) escreveu, e passo a citar: “À nossa geração, agora, cabe a responsabilidade e o risco de fazer. E a ousadia de fazermos bem. Com os melhores dados da ciência e da técnica.” Muito gostaria que assim fosse, mas não tem sido. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a posterior e consequente Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) são um exemplo bem demonstrativo da deficiente utilização dos dados da ciência e da técnica.

Em relação à AIA, que contém omissões importantes, identificadas em documentos apresentados no âmbito da Consulta Pública, a simples afirmação do Governo de que não havia “plano B” feriu de morte a credibilização de todo o processo. Cito apenas a componente das aves. Num artigo do PÚBLICO de 20 de fevereiro, um investigador da Universidade de Aveiro rebate as afirmações de bem fazer, salientando que estudos científicos comprovam que as aves limícolas que frequentam o estuário do Tejo, estimadas em cerca de 200.000, são extremamente fiéis aos locais que usam diariamente. Esta abordagem põe em causa a proposta do EIA que apresenta como solução a deslocalização dessas aves para zonas marcadas. Quais são os exemplos com sucesso na aplicação desta metodologia? O EIA, ao referir a escassez de dados de campo, justifica a não apresentação da análise de risco de colisão de aves com aeronaves. Propõe o desenvolvimento de estudos por um período de pelo menos um ano. Passado um ano é que esse estudo será conclusivo? E se for desfavorável, as obras param e a solução Montijo é abandonada? Quem suporta os custos desta eventual situação? O Estado? O operador aeroportuário?

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