(…) há sempre quem me diga que eu sou um comunista disfarçado | Ricardo Paes Mamede

Não falha. Sempre que elogio em público o PCP ou anuncio o meu voto naquele partido, há sempre quem me diga que eu sou um comunista disfarçado.

Para quem o diz, o facto eu insistir em afirmar-me como social democrata tem duas explicações possíveis: ou quero passar a mensagem dos comunistas de forma encapotada para a tornar mais aceitável (ou seja, sou um dissimulado); ou tenho receio de me afirmar comunista porque seria menos aceite nos meios sociais em que circulo e penalizado por isso (ou seja, sou um oportunista).

Qualquer uma das explicações, a ser verdade, daria de mim a imagem de alguém que nunca acerta no alvo. É que, como dissimulado, sou muito pouco discreto nas posições que assumo. Como oportunista, não ganho muito: os menos de esquerda desconfiam das minhas posições; os que se têm como revolucionários desconfiam sempre das minhas intenções.

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